LD-26/12/10 (Domingo)

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
26/Dez/2010 (Domingo)
(branco, glória, creio, prefácio do Natal – ofício da festa)
SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ

Vamos então nos preparar para a Leitura, orando juntos: Jesus Mestre, que dissestes: “onde dois ou mais estiverem reunidos em seu amor, eu aí estarei no meio deles”. Amém!

Irmãos e irmãs, neste domingo da Sagrada Família, a páscoa de Jesus se manifesta em todas as famílias que encarnam os valores vividos pela família de Jesus, Maria e José. Eles são exemplo de obediência à vontade de Deus.

LEITURAS

Vamos ler o livro do Eclesiástico 3,3-7.14-17
Experimentar Deus em família

3Deus honra o Pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. 4Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. 5Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. 6Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. 7Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe. 14Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. 15Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita ao teu pai não será esquecida, 16mas servirá para reparar os teus pecados 17ae, na justiça, será para tua edificação.

Vamos cantar o Salmo 127(128)
Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos

— Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!
— Feliz és tu, se temes o Senhor/ e trilhas seus caminhos!/ Do trabalho de tuas mãos hás de viver,/ serás feliz, tudo irá bem!
— A tua esposa é uma videira bem fecunda/ no coração da tua casa;/ os teus filhos são rebentos de oliveira/ ao redor de tua mesa.
— Será assim abençoado todo homem/ que teme o Senhor./ O Senhor te abençoe de Sião,/ cada dia de tua vida
!

Vamos ler a carta de são Paulo aos Colossenses 3,12-21
Se somos bons, nossas comunidades e famílias serão ótimas

Irmãos: 12Vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, 13suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. 14Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição. 15Que a paz reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. E sede agradecidos. 16Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças. 17Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele dai graças a Deus, o Pai. 18Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. 19Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. 20Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. 21Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem.

Vamos proclamar o evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 2,13-15.19-23
A fuga para o Egito

13Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. 14José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. 15Ali ficou até a morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho”. 19Quando Herodes morreu, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, 20e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe, e volta para a terra de Israel; pois aqueles que procuravam matar o menino já estão mortos”. 21José levantou-se, pegou o menino e sua mãe, e entrou na terra de Israel. 22Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Por isso, depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galileia, 23e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: “Ele será chamado Nazareno”.

COMENTÁRIOS

Jesus Cristo nos disse: “Eu sou o CAMINHO…
Qual o CAMINHO que a Palavra diz para mim? Os bispos, em Aparecida, disseram: “A misericórdia sempre será necessária, mas não deve contribuir para criar círculos viciosos que sejam funcionais a um sistema econômico iníquo. Requer-se que as obras de misericórdia estejam acompanhadas pela busca de uma verdadeira justiça social, que vá elevando o nível de vida dos cidadãos, promovendo-os como sujeitos de seu próprio desenvolvimento. Em sua Encíclica Deus Caritas est, o Papa Bento XVI tratou com clareza inspiradora a complexa relação entre justiça e caridade. Ali, disse-nos que “a ordem justa da sociedade e do Estado é uma tarefa principal da política” e não da Igreja. Mas a Igreja “não pode nem deve colocar-se à margem na luta pela justiça”215. Ela colabora purificando a razão de todos aqueles elementos que ofuscam e impedem a realização de uma libertação integral. Também é tarefa da Igreja ajudar com a pregação, a catequese, a denúncia e o testemunho do amor e da justiça, para que despertem na sociedade as forças espirituais necessárias e se desenvolvam os valores sociais. Só assim as estruturas serão realmente mais justas, poderão ser mais eficazes e sustentar-se no tempo. Sem valores não há futuro e não haverá estruturas salvadoras, visto que nelas sempre subjaz a fragilidade humana.” (DAp 385). O texto da fuga para o Egito me diz que é preciso estar sempre atento para discernir qual é a vontade de Deus. Se preciso, abandonar um caminho e assumir outro menos atraente, porém mais coerente com a vida. Às vezes é preciso viver no anonimato, no silêncio, para cumprir a vontade de Deus. (Paulinas)

… a VERDADE…
Qual a VERDADE que a Palavra me diz? Leio atentamente o texto na Bíblia: Mt 2,13-15.19-23. José foi avisado em sonho por um anjo que devia fugir para o Egito, porque Herodes queria matar o Menino. O Evangelho diz que, muito dócil à vontade de Deus, “se levantou no meio da noite, pegou a criança e a sua mãe e fugiu para o Egito. E eles ficaram lá até a morte de Herodes”. Assim, a primeira terra de missão de Jesus foi o Egito, no grande continente da África. Lá permaneceram também como migrantes, exilados, sem parentes, sem casa, sem trabalho, sem nome. Ficaram no Egito até a morte de Herodes (que aconteceu nos primeiros três anos da vida de Jesus). O cruel e ambicioso Herodes mandou matar todos os meninos de Belém de dois anos para baixo, querendo matar entre os inocentes o Menino Jesus. Não permitia que alguém pudesse concorrer com ele, ainda que fosse uma criança. (Paulinas)

… e a VIDA”.
Qual a VIDA que o texto me leva a dizer a Deus? Pai, que a fidelidade demonstrada pela Sagrada Família de Nazaré seja exemplo para as famílias cristãs, cuja fé é provada em meio a tribulações. (Paulinas)

Qual deve ser a minha VIDA e MISSÃO hoje?
Qual o meu novo olhar a partir da Palavra? Sinto-me discípulo/a de Jesus. Como vou vivê-lo na missão? Meu novo olhar é de atenção ao que Deus quer me revelar para fugir do mal e ir em direção ao bem. Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós. (Paulinas)

REFLEXÕES

PERSEGUIÇÃO DE HERODES
Com esta narrativa do assassinato dos meninos de Belém, Mateus vai encerrando sua narrativa da infância de Jesus, iniciada com a genealogia de José. Temos aqui uma antecipação do conflito que envolverá Jesus ao longo de seu ministério, rejeitado pelos poderosos da Judeia. Na narrativa pode-se ver uma inversão do contexto do Êxodo, quando o Egito era a terra da opressão, e o povo oprimido fugiu pelo deserto, invadindo, em seguida, a terra dos sete povos de Canaã, tida como prometida, dando origem a Israel. Agora, em lugar dos primogênitos das famílias oprimidas do Egito mortos pelo anjo exterminador, as vítimas são as crianças de Belém, e o exterminador é o próprio Herodes. A opressão, agora, está na própria Judeia, remanescente de Israel, a partir de Jerusalém, sede do poder teocrático judaico. O Rei Herodes, o Grande, estabelecido em Jerusalém, e mais tarde os chefes religiosos do Templo e das sinagogas procuram matar Jesus. José, o menino e a mãe, buscam abrigo no Egito, porém a matança se efetivará. O poder, com casa em Jerusalém, ameaça e extermina os pequeninos de Belém. Na família e nas comunidades de discípulos, apesar de todas as tribulações, deve vigorar sempre a harmonia, na estima, no respeito e na gratidão mútuos (primeira e segunda leituras). Jesus testemunhou um amor vivido na família, aberto e transbordante para com todos os demais carentes da sociedade e do mundo. (Paulinas)

UMA FAMÍLIA PROVADA
A Sagrada Família de Nazaré, apesar de sua relação privilegiada com Deus, em nada foi poupada dos infortúnios próprios dos seres humanos. Seria enganoso imaginá-la gozando de regalias inacessíveis a qualquer pessoa comum. Talvez, exatamente porque tão intimamente ligada a Deus, tenha sido posta à prova, de maneira tão dura. Já os fatos inerentes ao nascimento de Jesus comportaram motivos de aflição. É fácil de imaginar quanta angústia acarretaram a concepção misteriosa de Maria, a obrigação de se deslocar para Belém, quando o tempo de dar à luz estava se aproximando, a falta de lugar adequado para o parto e as condições precárias em que o menino Jesus nasceu. A fuga apressada para o Egito, para escapar da fúria homicida de Herodes, foi mais um sofrimento imposto à Sagrada Família. À perspectiva de morte somava-se a de ver-se obrigada a fugir para o estrangeiro, de maneira imprevista, como também, a de ter de voltar para Israel, a fim de não cair nas garras de Arquelau, sucessor de Herodes, devendo escolher, como lugar de moradia, a humilde e sem importância Nazaré. A Sagrada Família jamais esteve isenta de tribulações. Mas nem por isso desviou-se do caminho da fé e obediência a Deus. Sua fidelidade foi continuamente posta à prova. E, na provação, foi se consolidando. Desta forma, tornou-se modelo de família cristã que, experimenta as dificuldades da vida, sem se desviar dos caminhos de Deus. (Dom Total)

. . .
. . . (Homilia Diária)

LABORATÓRIO VITAL
Fim de tarde, esqueci o celular e tranquei o escritório.
Entrei em casa, peguei a bíblia e fui rezar no oratório.
Muitos pedidos na minha mente que parecia relatório.
Ergui as mãos para o sacrário em forma de ofertório.
Pensei na família; este investimento não é provisório.
O ser humano é Bela Invenção do Santo Laboratório.
Ali no presépio, todos podem ver com muita claridade.

A Sagrada Família de Nazaré vive na maior humildade.
Aprendemos que na família se molda a personalidade.
É na família que aprendemos valorizar a simplicidade.
A Família é laboratório de Fé, Esperança e Caridade.
No berço da família sabemos distinguir as divindades.

A solidariedade é um bonito comportamento familiar.
A criançada partilha o colo da mamãe sem reclamar.
O filho ajoelhado com seus pais aprendendo a rezar.
Essa imagem a criança levará e sempre irá recordar.
É no convívio de seus pais que o filho aprende amar.
Vendo os pais se perdoando a filha aprende perdoar.
Dizem que pela Família passa o futuro da humanidade.

Então investir na Família é uma importante necessidade.
Devemos semear o bem e destruir a fonte da maldade.
Toda família deve ter o altar de reza e espiritualidade.
Na família, fortificamos toda a maravilha da fidelidade.
A família nos fortalece no entendimento da eternidade.

O mundo está de olho em Jesus, José e Nossa Senhora.
O testemunho dessa família deve circular mundo afora.
Aos fracos, vamos ajudar e impedir a quem os explora.
Devemos confortar e solidarizar com alguém que chora.
A união deve ser uma meta mesmo entre sogra e nora.
Para valorizar a família e defendê-la, toda hora é hora.
Junto do sacrário ou presépio apresento minha oração.

Pedimos à Santa Família, libertai-nos de toda agressão.
O que Deus uniu é pra sempre; livrai-nos da separação.
Há tanto desemprego e, em muitas famílias, falta o pão.
Sagrada Família de Nazaré fortaleça nossa fé e religião.
Prostrado na capela, rezo pela família, cheio de emoção. (Paróquia Nossa Senhora das Dores)

FAMÍLIA MODELO PARA TODAS AS FAMÍLIAS DE HOJE
O evangelho fala das dificuldades da família-modelo. Não importam aqui outros significados dessa fuga para o Egito; o significado que a liturgia dá à narrativa do Evangelho de Mateus é que se trata de uma família, um casal e um filho. É uma família pobre e perseguida, mas é família e é modelo.
O filho é o grande tesouro que essa família protege. Esse tesouro se parece com Moisés, que também escapou da matança das crianças e, mais tarde, teve também de fugir. No Evangelho de Mateus, Jesus é o novo Moisés, que dá a nova lei: a Lei de Moisés nos cinco livros do Pentateuco, as instruções de Jesus nos cinco discursos que se encontram no evangelho.
Jesus é o novo Jacó ou Israel, que “desceu ao Egito” com toda a sua família, ali se multiplicou e, saindo do Egito, foi se apossar da terra de Canaã. “Do Egito chamei o meu filho”, dizia o profeta Oseias, referindo-se ao êxodo dos hebreus. A palavra aplicada pelo evangelho a Jesus vai lembrar que ele será o fundador do novo Israel. Aqui, agora, “meu Filho” significa bem mais do que lembrar que Deus é o pai do povo de Israel.
Quando a família volta para Nazaré, o evangelista cita como passagem bíblica a frase “ele será chamado nazareno”. Os especialistas não encontram essa frase tal e qual no Primeiro Testamento. Seria uma adaptação da frase encontrada no anúncio do nascimento de Sansão: “Ele será chamado nazir”? Nazir era o consagrado a Deus que nunca tomaria bebida alcoólica nem cortaria o cabelo. Seria uma adaptação da palavra nezer, que significa rebento e, com base em Is 11,1, era vista como um título do Messias?
O que mais importa da leitura deste evangelho na festa de hoje é que Jesus teve uma família, uma família pobre e perseguida por causa da ameaça que o Menino representava para os poderosos do mundo. Nas situações mais adversas, essa família é modelo para todas as famílias de hoje.

Família, pequena Igreja

As características da família descritas nos trechos do Antigo Testamento, sobre as quais se modelavam as nossas famílias patriarcais, eram: a paz, a abundância de bens materiais, a concórdia e a descendência numerosa – sinais da bênção do Senhor; a obediência e o amor eram a lei fundamental; essa obediência não era só sinal e garantia de bênção e prosperidade para os filhos, mas também um modo de honrar a Deus nos pais (I leitura). A este tipo de família o cristianismo trouxe um convite a uma contínua vitória sobre si em vista do Reino: são Paulo pede aos esposos e aos filhos cristãos que vivam a vida familiar como se já vivessem na família do Pai celeste (II leitura). Apresentando-nos a experiência de Cristo  que entra  no  contexto  de  uma  família  humana  concreta,  o  evangelho traça um quadro realista dos reveses e vicissitudes a que está sujeita a vida de uma família.

Jesus perdido e encontrado

Nem tudo é idílio, paz e serenidade na família: ela passa pelos sofrimentos e dificuldades do exílio e da perseguição; pelas crises do trabalho, da separação, da emigração, do afastamento dos pais.

Família cristã

O quadro da família apresentado pela Sagrada Escritura não corresponde, sob muitos aspectos, à situação da família atual, cujos problemas às vezes parecem ser não só diferentes, mas totalmente opostos.
Na atual revolução social, a célula familiar está particularmente em perigo. Seu direito tradicional, sua moral, sua economia, sua função são frequentemente postos em discussão.
Devemos convencer-nos de que a família autônoma, ambiente fechado em uma sociedade fechada, pertence a uma época sociológica passada. Só um repensar doutrinal profundo pode ajudar a família a situar-se no mundo de hoje e a construir-se a si mesma em meio às dificuldades que encontra.
Do ponto de vista moral, o divórcio, o espinhoso problema da limitação da natalidade e o aumento do número dos matrimônios fracassados obrigam os cristãos a retomar consciência do caráter sagrado da família cristã. No plano econômico, a crise das habitações, o trabalho da mulher fora de casa, o problema do tempo de lazer abalam a economia familiar e sacrificam essa célula essencial às exigências da sociedade técnica. No plano político, a família é felizmente ajudada pelo Estado em muitos países, mas corre o perigo de ficar a serviço do Estado, sobretudo no que concerne à primeira educação dos filhos.
Esses graves problemas não se podem resolver facilmente; quem ousaria lançar a pedra contra os que vêem sua família desagregar-se no plano moral, quando não é garantido um mínimo de condições econômico-sociais? O primeiro dever do cristão é, pois, lutar a fim de obter para as famílias não abastadas o necessário espaço vital. Além disso, devem os noivos ser preparados para sua tarefa educativa e para sua vida de intimidade e comunhão, a fim de que não degenere, não fracasse, não se desvirtue no divórcio.

Família aberta

Trabalho não menos necessário, no mundo atual, é o de ensinar aos membros da família cristã a viver em comunidade, aberta para as necessidades do bairro e da paróquia, disposta a colaborar com as outras comunidades mais amplas.
Os filhos já estão implicados em comunidades artificiais de todo gênero (cidade, colégio, profissão, sindicato…), mais sensibilizados aos problemas mundiais, a paz no mundo, o auxílio aos países subdesenvolvidos etc. Os adultos, diante do futuro do nosso mundo inquietante e cheio de riscos, tendem a assumir uma posição de medo e conservadorismo, de defesa das comunidades naturais (família” e pátria), e não sabem responder às exigências dos que vivem no plano das outras comunidades.
O critério supremo de vida da família deve ser procurado no exercício da caridade, que é a verdadeira fonte da unidade familiar. Este exercício só é possível se as fronteiras da família forem as do reino da fraternidade universal. A vida familiar não pode ser vivida na verdade se não for aberta a esses horizontes.

A família, segundo o plano de Deus, deve ser formada por um casal

O Papa João Paulo II, na Carta às Famílias, chamou a família de “Santuário da vida” (CF, 11). Santuário quer dizer “lugar sagrado”. É ali que a vida humana surge como que de uma nascente sagrada, e é cultivada e formada. É missão sagrada da família: guardar, revelar e comunicar ao mundo o amor e a vida. O Concílio Vaticano II já a tinha chamado de “a Igreja doméstica” (LG, 11) na qual Deus reside, é reconhecido, amado, adorado e servido; nele também foi ensinado que: “A salvação da pessoa e da sociedade humana estão intimamente ligadas à condição feliz da comunidade conjugal e familiar” (GS, 47).
Jesus habita com a família cristã. A presença do Senhor nas Bodas de Caná da Galiléia significa que o Senhor “quer estar no meio da família”, ajudando-a a vencer todos os seus desafios.
Desde que Deus desejou criar o homem e a mulher “à sua imagem e semelhança” (Gen 1,26), Ele os quis “em família”. Por isso, a família é uma realidade sagrada. Jesus começou sua missão redentora da humanidade na Família de Nazaré. A primeira realidade humana que Ele quis resgatar foi a família; Ele não teve um pai natural aqui, mas quis ter um pai adotivo, quis ter uma família, e viveu nela trinta anos. Isso é muito significativo. Com a presença d’Ele na família – Ele sagrou todas as famílias.
Conta-nos São Lucas que após o encontro do Senhor no Templo, eles [a Sagrada Família] voltaram para Nazaré “e Ele lhes era submisso” (cf. Lc 2,51). A primeira lição que Jesus nos deixou na família é a de que os filhos devem obedecer aos pais, cumprindo bem o Quarto Mandamento da Lei. Assim se expressou o Papa João Paulo II: “O Filho unigênito, consubstancial ao Pai, ‘Deus de Deus, Luz da Luz’, entrou na história dos homens através da família” (CF, 2).
Ao falar da família no plano de Deus, o Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que ela é “vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade procriadora e educadora é o reflexo da obra criadora do Pai” (CIC, 2205).
“A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, em que se pode começar a honrar a Deus e a usar corretamente da liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (CIC, 2207).
A Família de Nazaré sempre foi e sempre será o modelo para todas as famílias cristãs. Acima de tudo, vemos uma família que vive por Deus e para Deus; o seu projeto é fazer a vontade de Deus. A Sagrada Família é a escola das virtudes por meio da qual toda pessoa deve aprender e viver desde o lar.
Maria é a mulher submissa a Deus e a José, inteiramente a serviço do Reino de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra” (Lc 1,38). A vontade dela é a vontade de Deus; o plano dela é o plano de Deus. Viveu toda a sua vida dedicada ao Menino Deus, depois ao Filho, Redentor dos homens, e, por fim, ao serviço da Igreja, a qual o Redentor instituiu para levar a salvação a todos os homens.
José era o pai e esposo fiel e trabalhador, homem “justo” (Mt 1, 19), homem santo, pronto a ouvir a voz de Deus e cumpri-la sem demora. Foi o defensor do Menino e da Mãe, os tesouros maiores de Deus na Terra. Com o trabalho humilde de carpinteiro deu sustento à Família de Deus, deixando-nos a lição fundamental da importância do trabalho, qualquer que seja este. Em vez de escolher um pai letrado e erudito para Jesus, Deus escolheu um pai pobre, humilde, santo e trabalhador braçal. José foi o homem puro, que soube respeitar o voto perpétuo de virgindade de sua esposa, segundo os desígnios misteriosos de Deus.
A Família de Nazaré é para nós, hoje, mais do que nunca, modelo de unidade, amor e fidelidade. Mais do que nunca a família hoje está sendo destruída em sua identidade e em seus valores. Surge já uma “nova família” que nada tem a ver com a família de Deus e com a Família de Nazaré.
As mazelas de nossa sociedade –, especialmente as que se referem aos nossos jovens: crimes, roubos, assaltos, sequestros, bebedeiras, drogas, homossexualismo, lesbianismo, enfim, os graves problemas morais e sociais que enfrentamos, – têm a sua razão mais profunda na desagregação familiar a que hoje assistimos, face à gravíssima decadência moral da sociedade.
Como será possível, num contexto de imoralidade, insegurança, ausência de pai ou mãe, garantir aos filhos as bases de uma personalidade firme e equilibrada e uma vida digna, com esperança?
Fruto da permissividade moral e do relativismo religioso de nosso tempo, é enorme a porcentagem dos casais que se separam, destruindo as famílias e gerando toda sorte de sofrimento para os filhos. Muitos crescem sem o calor amoroso do pai e da mãe, carregando consigo essa carência afetiva para sempre.
A Família de Nazaré ensina ainda hoje que a família – segundo o plano de Deus – deve ser formada por um casal: um homem e uma mulher, e os filhos; e não por uma caricatura de família ou “família alternativa” na qual os pais já não são um casal, mas um par do mesmo sexo.
A família desses nossos tempos pós-modernos só poderá se reencontrar e salvar a sociedade se souber olhar para a Sagrada Família e copiar o seu modo de vida: serviçal, religioso, moral, trabalhador, simples, humilde, amoroso… Sem isso, não haverá verdadeira família e sociedade feliz. (Mundo Católico)

. . .
. . . (A Palavra de Deus na Vida)

LEVANTA-TE, TOMA O MENINO E SUA MÃE E FOGE PARA O EGITO!
1. Ordem de despejo, na casa da Sagrada Família de Nazaré! A mensagem chega a José, vinda do alto, como um sinal de alerta vermelho! É a própria vida do Menino, que está em risco! O sonho de José torna-se um verdadeiro pesadelo. O chefe da casa, «homem justo, marido fiel e pai providente», com emprego estável na carpintaria e sem dívidas aos vizinhos e ao império de Roma, tem, mesmo assim, de largar tudo, a casa e ofício, e voltar ao Egito, a essa terra da escravidão!
2. «Toma o menino e sua mãe», diz-lhe o Anjo do Senhor! Importa, no meio da perseguição, salvar o essencial: O bem essencial a defender de todas as ameaças, é a família, é essa «íntima comunhão de vida e amor» (G.S.48), que Maria e José partilham, envolvendo no fogo divino do seu calor humano o Menino Jesus. José percebe, no meio da tormenta, que tem de cuidar dos mais frágeis: da sua esposa, tão jovem, e mais ainda do filho recém-nascido! Os mais frágeis da sociedade de então, como aliás, nos tempos de agora, precisam de ser resguardados, para não se tornarem as primeiras vítimas indefesas das loucuras dos poderosos e do desgoverno deste mundo! José foge. Toda a Sagrada Família está em fuga, a caminho, à procura de um lugar, para viver em paz. Não se trata aqui de uma fuga à responsabilidade, de pai ou de mãe, de marido ou de esposa. Tomar a Mãe e o Menino e fugir, não é para José, uma evasão das suas obrigações, nem sequer fiscais, mas o passo certo e determinado, para poupar a vida daquele Menino, para resguardar dos maus ventos a Família, que é sagrada, ameaçada agora pela perseguição mais violenta, com a morte dos inocentes, decretada por Herodes!
3. Esta cena edificante do evangelho parece recriar-se numa sociedade como a nossa, sobretudo nestes tempos de crise, em que a família está a ser atingida por toda a espécie de perseguições, ideológicas, sociais e económicas. Parece hoje instalar-se uma grande confusão, nada natural, entre a «família humana», com o pai, a mãe e os filhos, e qualquer outro grupo social, enredando as pessoas, nos seus próprios laços afectivos e de interesse, onde nem é possível a graça do nascimento de uma criança! Na actual conjuntura económica e social, as ordens de despejo repetir-se-ão, pois, com pais e mães desempregados, com famílias endividadas, apoios sociais e abonos cortados. E, o pior que nos pode acontecer, é deixar as crianças a descoberto, como vítimas indefesas de interesses egoístas e políticas desastradas!
4. Por isso, o que há a fazer, como bem o percebeu José, é enfrentar corajosamente a penosa crise, começando por tomar a peito a esposa e o Menino! Por outras palavras, há que fazer tudo, dentro da família, entre família e famílias, para cuidar primeiro dos mais dos mais frágeis, dos mais vulneráveis, salvaguardando o essencial, renunciando corajosamente ao acessório, fugindo a sete pés, de tudo o que possa destruir a família. Diria mesmo, que é preciso ajudar, dentro das próprias famílias, a encontrar soluções de vida, formas de poupança, através de uma educação para a sobriedade e para a simplicidade, sem esperar pelo subsídio do Estado, que já sabemos, está pouco importado em defender esta «célula primeira e vital da sociedade» (A.A.11).
5. Ai das famílias, se não forem as próprias famílias, a darem-se conta que há crianças que não comem o que devem, nem quando, nem quanto precisam! E os casais, submersos em dívidas, são tentados a uma fuga para a frente, com o divórcio, mercê do nervosismo e do cansaço que se acentuam. E os idosos correm hoje o risco de se tornar a fralda descartável das famílias em crise. É preciso então que os próprios casais ajudem outros casais; importa muito que na própria família, alguém se ocupe de mais alguém, para preservamos o bem essencial: a vida das crianças, a estabilidade do casal, a atenção aos idosos. A família deve tornar-se a principal rede social de apoio mútuo, de ajuda fraterna, de auxílio aos mais carentes e carecidos.
6. O ano 2011, que temos pela frente, promete desafiar-nos à criatividade, na gestão dos conflitos e do orçamento familiar. [Vamos procurar, através da Conferência Vicentina, do Centro Social e da Pastoral Familiar, em parceria com a DECO, desenvolver algumas iniciativas que ajudem as nossas famílias a fazer contas e a deitar contas à vida]. Como disse o Papa em Portugal, todas «as iniciativas que visam tutelar os valores essenciais e primários da vida e da família (…) ajudam a responder a alguns dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum. Tais iniciativas constituem, juntamente com muitas outras formas de compromisso, elementos essenciais para a construção da civilização do amor» (Bento XVI, Discurso às organizações da pastoral social, 13.05.2010).
7. Queridos irmãos e irmãs: Desde Nazaré, desde Jesus, Maria e José, que toda a família é sagrada! Intocável no seu mistério, onde o amor de Deus fez morada. Cuidemos dela, com todo o amor! Está em jogo a nossa felicidade pessoal e o futuro colectivo da própria humanidade. (ABC da Catequese)

OS QUE ATENTAVAM CONTRA A VIDA DO MENINO
Um anjo apareceu em sonhos a São José, e avisou-o de que Herodes andava à procura do Menino Jesus para Lhe tirar a vida: «Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe e foge para o Egito.» Assim pois, ainda mal nasceu, já Jesus é perseguido de morte. […] José obedece sem demora à voz do anjo, acordando sua santa esposa. Pega em algumas ferramentas que pudesse levar consigo, a fim de exercer a sua profissão no Egipto e de ter com que sustentar a família. Maria, por seu turno, reúne as roupas necessárias a seu divino Filho; e depois, aproximando-se do berço onde Ele repousava, ajoelha-se, beija os pés de seu querido Filho e, por entre lágrimas de ternura, diz-Lhe: «Meu Filho e meu Deus, que vieste ao mundo para salvar os homens; ainda mal nasceste e já os homens vêm à Tua procura para Te dar a morte!» Pega Nele e, continuando a chorar, os dois santos esposos fecham a porta e põem-se a caminho durante a noite. […]
Meu bem-amado Jesus, Tu és o Rei do Céu e vejo-Te errar como fugitivo sob a aparência de uma criança. Que procuras? Diz-me. A Tua pobreza e o Teu abaixamento emocionam-me de compaixão; mas aquilo que me aflige mais é a negra ingratidão com que Te vejo tratado por aqueles que vieste salvar. Tu choras, e também eu choro, por ter sido um daqueles que Te desprezaram e Te perseguiram; a partir de agora, porém, preferirei a Tua graça a todos os reinos do mundo.
Perdoa-me todos os ultrajes que Te fiz; permite-me que, na viagem desta vida para a eternidade, Te leve no meu coração, a exemplo de Maria, que Te levou nos seus braços durante a fuga para o Egipto. Meu Redentor bem-amado, foram muitas as vezes em que Te expulsei da minha alma, mas tenho confiança, agora que voltaste a tomar conta dela. E suplico-Te que a prendas a ti pelas doces correntes do Teu amor
. (Evangelho Quotidiano)

Anúncios
Esse post foi publicado em Religião. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s