LD-02/01/11 (Domingo)

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
02/Jan/2011 (Domingo)
(branco, glória, creio, prefácio da Epifania – ofício da solenidade)
EPIFANIA DO SENHOR

Vamos então nos preparar para a Leitura, orando juntos: Jesus Mestre, que dissestes: “onde dois ou mais estiverem reunidos em seu amor, eu aí estarei no meio deles”. Amém!

Com os magos, guiados pela estrela, caminhamos ao encontro do salvador da humanidade. A páscoa de Cristo se manifesta como luz que ilumina homens e mulheres ansiosos pela revelação do Filho de Deus e desejosos de unidade e paz.

LEITURAS

Vamos ler o livro do profeta Isaías 60,1-6
A reconstrução gloriosa de Jerusalém

1Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. 2Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. 3Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. 4Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. 5Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; 6será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.

Vamos cantar o Salmo 71(72)
As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

— As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
— Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus,/ vossa justiça ao descendente da realeza!/ Com justiça ele governe o vosso povo,/ com equidade ele julgue os vossos pobres.
— Nos seus dias a justiça florirá/ e grande paz, até que a lua perca o brilho!/ De mar a mar estenderá o seu domínio,/ e desde o rio até os confins de toda a terra!
— Os reis de Társis e das ilhas hão de vir/ e oferecer-lhe seus presentes e seus dons;/ e também os reis de Seba e de Sabá/ hão de trazer-lhe oferendas e tributos./ Os reis de toda a terra hão de adorá-lo,/ e todas as nações hão de servi-lo.
— Libertará o indigente que suplica,/ e o pobre ao qual ninguém quer ajudar./ Terá pena do indigente e do infeliz,/ e a vida dos humildes salvará
.

Vamor ler a carta de são Paulo aos Efésios 3,2-3.5-6
A manifestação do mistério de Deus

Irmãos: 2Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, 3ae como, por revelação, tive conhecimento do mistério. 5Este mistério Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: 6os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.

Vamos proclamar o evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 2,1-12
Uma estrela aponta para Jesus / Os magos do oriente

1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. 3Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado assim como toda a cidade de Jerusalém. 4Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”. 7Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”. 9Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. 11Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. 12Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

COMENTÁRIOS

Jesus Cristo nos disse: “Eu sou o CAMINHO…
Qual o CAMINHO que a Palavra diz para mim? O texto me convida a respeitar culturas e raças diferentes, me ensina a procurar a Deus de coração sincero. Ensina-me ainda a não me deixar confundir por outros reinos. (Paulinas)

… a VERDADE…
Qual a VERDADE  que a Palavra me diz? Celebramos hoje a Epifania ou Manifestação do Senhor a todos os povos. São Mateus é o único dos evangelistas que faz a narrativa da visita dos “magos”. Magos (do grego) significa grande, ilustre. Esta solenidade nos comunica que a salvação é para todos. Os magos vinham do Oriente à procura do Rei dos Judeus, indicado pela estrela. A estrela os conduz e eles encontram o menino com Maria, sua Mãe. Diz o texto que eles ficaram muito alegres! Oferecem de presente ao menino ouro, incenso e mirra. O ouro simboliza a realeza de Jesus, o incenso, a sua divindade, e a mirra, a sua humanidade. (Paulinas)

… e a VIDA”.
Qual a VIDA que o texto me leva a dizer a Deus? Pai, com discernimento e humildade, os magos deixaram-se guiar até Jesus. Concede-me as mesmas virtudes, para que eu siga o caminho que me leva a teu Filho. (Paulinas)

Qual deve ser a minha VIDA e MISSÃO hoje?
Qual o meu novo olhar a partir da Palavra? Sinto-me discípulo/a de Jesus. Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vou me deixar guiar pela estrela da fé. (Paulinas)

REFLEXÕES

A ADORAÇÃO DOS MAGOS
Marcos inicia seu evangelho diretamente com a inauguração do ministério de Jesus, a partir do batismo de João. Por sua vez, Mateus, que escreve mais de uma década após Marcos, introduz as narrativas da infância de Jesus antes do seu batismo. Tais narrativas – de caráter teológico, com a forma literária do midraxe judaico, na qual se busca o sentido de um acontecimento atual com base nos textos sagrados do Primeiro Testamento – abrangem: a genealogia de Jesus; o anúncio do anjo a José sobre a concepção de Maria por obra do Espírito Santo; a adoração dos magos do Oriente, introduzida com a curta notícia do nascimento de Jesus: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes”; a fuga da família para o Egito; a matança das crianças em Belém; e o estabelecimento da família em Nazaré. Com essas narrativas, utilizadas para introduzir o ministério de Jesus, Mateus quer fundamentar que em Cristo realizam-se as promessas messiânicas do Antigo Testamento. Assim, têm como referências básicas a estrela de Jacó (Nm 24,17 – que se transformou em “estrela de Davi”), a visita da rainha de Sabá a Salomão (1Rs 10,1-2) e a profecia de Isaías (primeira leitura), a qual exprime a expectativa de que um dia Jerusalém será o centro de poder e dominação de Israel sobre o mundo, e para aí afluirão as riquezas das nações. Epifania é uma palavra de origem grega que significa manifestação externa, aparecimento ostensivo, e era aplicada a visitas ou acontecimentos envolvendo imperadores ou reis. Mateus a utiliza para a manifestação do recém-nascido Jesus aos magos do Oriente, os quais simbolizam o mundo todo. Na segunda leitura, na carta aos Efésios, essa universalidade acontece com a admissão dos pagãos à mesma herança que os judeus por meio do evangelho. O evangelho de Mateus, com estilo catequético e institucional, foi o que mereceu maior destaque na tradição do Cristianismo. Contudo, o de Marcos, o primeiro a ser escrito dentre os quatro canônicos, é o que mais deixa transparecer a dimensão humana na encarnação da pessoa divina de Jesus. Nele, a manifestação (epifania) de Jesus se faz por meio do batismo realizado por João Batista (cf. 9 jan.). Encontramos aí a expressão mais concreta da universalidade do Reino dos Céus pela totalidade da humanidade assumida em Jesus na encarnação e pelo batismo da conversão à justiça, ao qual todos são convidados, sem distinção de raça e nação, para a construção do mundo novo, sem dominadores, na fraternidade e na paz. (Paulinas)

UMA PROCURA SINCERA
A simplicidade dos magos na sua busca do Messias é desconcertante. Bastou uma estrela, identificada como sendo dele, para que se pusessem a caminho. As dificuldades e os empecilhos foram todos relativizados. A falta de pistas consistentes não os amedrontou, nem o fato de terem de se dirigir a um país estrangeiro. No entanto, revelaram-se tão sinceros quanto ingênuos, pois, dirigiram-se, precisamente, ao terrível rei Herodes, para informar-se sobre o rei dos judeus que acabara de nascer. Este, intuindo tratar-se de um concorrente, poupou a vida dos magos, para garantir uma pista que o levasse ao rei recém-nascido, seu adversário. Mas os magos, absorvidos no seu projeto de encontrar o rei dos judeus, não perceberem a trama de Herodes. Por isso, seguiram fielmente as informações recebidas. Não importava. A chegada ao lugar onde estava o Menino Jesus foi o resultado de uma busca sincera. A alegria, que lhes encheu o coração, brotava da consciência de terem seguido a voz interior. Depois de longa caminhada, encontraram, finalmente, o rei dos judeus, pobrezinho e desprovido de sinais exteriores de dignidade. Mesmo assim, prostraram-se para adorá-lo. (Dom Total)

SIGA A VONTADE DE DEUS, SIGA A ESTRELA COMO OS MAGOS
Queridos irmãos e irmãs nós estamos na Solenidade da Epifania do Senhor, e a Igreja proclama nesse domingo o Evangelho de São Mateus 2, 1-12 trata-se do Evangelho dos magos.
O Evangelho nos diz que eram magos vindos do Oriente, não diz quantos eles eram, no entanto porque os dons eram três: ouro, incenso e mirra, a tradição identifica que eles eram também em três, e diz inclusive que eles eram reis. A tradição até nos dá o nome desses três reis magos: Gaspar, Baltasar e Belchior, tudo isso é tradição.
O quê que o Evangelho no entanto nos ensina? Ele nos ensina que esses pagãos que viviam sua religião pagã olhando para os astros, olhando para as estrelas, seguindo suas superstições, enxergaram o nascimento do Messias, ou seja, o Evangelho está nos dizendo que todas as religiões conduzem à Cristo, e todas as religiões, na verdade, elas encontram a sua plenitude quando as pessoas finalmente se convertem e são cristãs. Isso quer dizer que quando homens de boa vontade seguem sua religião, mesmo que não seja uma religião cristã, mais seguem com uma reta intenção, essas religiões podem ajudá-los a chegar ao Cristo e finalmente eles podem se converter.
É importante, se você notar isso, eu não estou dizendo que as religiões pagãs salvam, mais que também essas religiões, embora estejam erradas, embora contenham elementos de idolatria, embora tenham elementos que na verdade não são bons, Deus pode agir também através delas e trazer as pessoas para a religião verdadeira, para o cristianismo, para serem verdadeiros filhos de Deus, católicos convertidos.
É isso que o Evangelho de hoje nos diz: que a salvação está aberta também aos pagãos como nos recorda claramente São Paulo na segunda leitura. É verdadeiramente algo de extraordinário que pagãos enxerguem o Salvador. Mais existe uma outra lição que podemos tirar desse Evangelho que é o seguinte: Herodes o grande que deveria ser judeu, que deveria seguir a religião judaica, a religião verdadeira naquela época, ele se perturba e não aceita o verdadeiro Deus que vem. Enquanto os pagãos aceitam, aqueles que deveriam aceitar se sentem perturbados.
Quando Herodes ouviu aquilo que os magos disseram, ele se perturbou e com ele toda Jerusalém, isso quer dizer também os judeus piedosos. É interessante notar que é exatamente isso que acontece com o pecado original. Deus, quando Ele vem, ao invés d’Ele trazer paz para algumas pessoas que estão muito tomadas pelo pecado, para algumas pessoas Ele vem trazer a inquietação e pertubação. Lembre-se daquela cena de Deus que desceu de tarde no paraíso para ver Adão e Eva, e Adão se escondeu atrás do arbusto, “Eu ouvi os seus passos e me escondi”. A primeira consequência do pecado original é esta: olhar a Deus um pouco como inimigo, como aquele que me agride.
Herodes se perturba, Herodes se angustia, e nós? Nós o que fazemos? Nós estamos nesta situação de piedade, de abertura como aqueles magos ou nós estamos numa situação de impiedade e de pecado em que olhamos para Deus como nosso inimigo, como nosso rival?
M
eus queridos irmãos, minhãs queridas irmãs, muitas vezes a vontade de Deus na nossa vida é desafiadora, muitas vezes Deus pede que nós abracemos algumas cruzes que nós não gostaríamos de abraçar, e aí nós começamos a ver Deus como rival, começamos a ver Deus como alguém que está contra nós.
Mais se nós formos dóceis, se nós baixarmos a nossa cabeça diante de nosso Senhor compreenderemos que aquilo que Deus quer, embora as vezes pareça ruim, na verdade é ótimo. Siga a vontade de Deus, siga a estrela como os magos. (Homilia Diária)

. . .
. . . (Paróquia Nossa Senhora das Dores)

COMO SE POSICIONAR DIANTE DE JESUS
Mateus 1 e 2 são a porta de entrada do evangelho e podem ser resumidos numa frase: Jesus é o Rei que vai fazer justiça. O capítulo 2 de Mateus quer mostrar a missão de Jesus, o mestre da justiça. Essa missão se concentra na salvação dos pagãos, aqui representados pelos magos. Mas uma análise detalhada do trecho de hoje nos mostra um verdadeiro drama – que é o próprio drama das pessoas e da história – no esforço contínuo de se posicionar a favor ou contra Jesus, aceitando ou rejeitando a salvação que ele oferece. O texto de hoje tem duas partes: vv. 1-5 e vv. 7-12. O v. 6, que é uma mistura de duas citações bíblicas, funciona como eixo em torno do qual se movem as duas partes.
O v. 1 põe em cena as principais personagens do drama. Jesus contra o rei Herodes; Belém contra Jerusalém. Os magos (pagãos), indo a Jerusalém entrevistar-se com Herodes e dirigindo-se depois a Belém para adorar Jesus, funcionam como resposta, como modelo de discernimento dentro desse drama, pois são eles os que chamam Jesus de “rei dos judeus”, ao qual desejam adorar (v. 2). Os magos reconhecem o poder alternativo nascido em Belém (Jesus). Conseqüentemente o poder de Herodes, aliado dos dominadores romanos, não tem mais vigência. A primeira parte (vv. 1-5) mostra que:
O verdadeiro rei dos judeus não é o violento (assassino), prepotente e politiqueiro Herodes, estrangeiro idumeu, lacaio do poder romano opressor. A sede desse poder está em Jerusalém, onde o poder religioso (chefes dos sacerdotes e escribas do povo, v. 4) contemporiza com Herodes, servindo-lhe de suporte ideológico. Herodes e a cidade inteira se agitam com o anúncio de novo rei (compare com 1Rs 1,41).
O verdadeiro rei dos judeus é um recém-nascido (vv. 2.4.8.9.11), que tem suas raízes no poder popular alternativo que se forma a partir do descontentamento e das necessidades básicas do povo, ou seja, é rei à semelhança do pastor Davi. (Sabe-se que Davi começou sua campanha político-militar junto aos descontentes.) De fato, Mateus salienta com força que a salvação não vem de Jerusalém, onde está o tirano Herodes, mas de Belém (vv. 1.5.6.8), cidade do pastor Davi. O v. 6 – posto na boca dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei – reúne dois textos bíblicos: Mq 5,1 e 2Sm 5,2, situando em Belém o nascimento do rei dos judeus, e caracterizando a função desse rei: ele é um chefe que apascentará o povo de Israel. Portanto, de Belém (poderíamos dizer, da periferia de Jerusalém, pois Belém era uma aldeia a 8 km ao sul de Jerusalém), vai sair o líder alternativo, o chefe-pastor, aquele que vai defender o povo (ovelhas) da ganância dos exploradores (lobos).
O verdadeiro tipo de adorador é aquele que – no meio dessa sociedade conflituosa – descobre que a salvação não pode vir pela ação violenta do poderoso tirano, nem pela falsa religião patrocinada pelos líderes religiosos serviçais do prepotente Herodes. A salvação vem através do pequeno da periferia de Jerusalém. Os magos são os primeiros a intuir isso, e seu desejo é adorar esse novo poder que nasce do pobre (vv. 2.11). Eles são guiados por uma estrela (vv. 2.7.9.10), que exprime as intuições mais puras e os anseios mais profundos da humanidade sedenta de paz, justiça, fraternidade. Herodes, os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei têm as Escrituras. Por meio delas sabem onde nascerá a esperança do povo, mas sua ambição e febre de poder procuram ardilosamente eliminá-la, como o rei Saul pretendera eliminar Davi (cf. 1Sm 18,11).A segunda parte do texto de hoje (vv. 7-12) mostra a coerência dos pagãos em relação à nova forma de entender a sociedade e o mundo. Guiados pela estrela (vv. 9.10; note-se que ela só reaparece depois que se afastaram de Herodes e de Jerusalém), chegam a Belém e encontram o menino (vv. 9.11). Nesse “menino da periferia” reconhecem o Rei que faz justiça, e se prostram diante dele. De fato, os magos vêem “o menino e a mãe” (v. 11), prostram-se e oferecem tributos. A expressão “o menino e a mãe” faz pensar nos reis de Judá, quase sempre apresentados com sua mãe no dia da entronização. Os magos reconhecem, pois, a nova maneira de exercer a realeza e o poder. Aderem ao projeto de Deus que salva as pessoas a partir do pequeno e do pobre, e não a partir dos poderosos e violentos como Herodes.
O gesto de reconhecimento é acompanhado da oferta do que há de melhor em seus países: ouro, incenso e mirra. É possível ver aqui um eco do que diz o Salmo 72, que tem como eixo a pessoa do rei: “Que os reis de Társis e das ilhas lhe paguem tributos. Que os reis de Sabá e Seba lhe ofereçam seus dons. Que todos os reis se prostrem diante dele, e as nações todas o sirvam” (vv. 10-11; o episódio dos magos tem outras referências ao Antigo Testamento: Gn 49,10; Nm 24,17; Mq 5,1-3; Is 49,23; 60,1-6). Por que servir a esse rei e pagar-lhe tributo? Porque ele é o rei que faz justiça, defendendo os pobres do povo e salvando os filhos do indigente (v. 4). Para os Padres da Igreja, essas riquezas simbolizam a realeza (ouro), a divindade (incenso) e a paixão de Jesus (mirra). Fato é que os magos – símbolo dos que aceitam o poder de Deus manifestado no menino Jesus – em primeiro lugar doam-se a serviço do Salvador (= prostram-se) e, em seguida, põem à disposição de Jesus o melhor do que possuem, seus dons.
O texto termina mostrando que, definitivamente, o caminho da salvação não passa por Jerusalém, e menos ainda tem algo a ver com o aparato político-repressor do despótico Herodes. Os magos voltam para casa por outro caminho, que o discernimento lhes indicou. (O trecho recorda a atitude do profeta anônimo de 1Rs 13,9-10.) Romperam de uma vez por todas com Herodes e Jerusalém. O texto diz que foram “avisados em sonho”. Como entender isso? Teriam tido de fato uma visão? Não será mais fruto de intuição profunda, iluminada pela presença do menino ao qual adoram e servem, de que a salvação não passa por Jerusalém e por Herodes? De fato, todos nós sonhamos, mas nem sempre lembramos nossos sonhos. Permanecem puras intuições, fantasias, sem que mudem a rota de nossas vidas e nossa pastoral. O sonho dos magos é a inspiração de que do poder opressor nada nasce de bom para a sociedade. Eles souberam mudar suas perspectivas e sonhar um mundo novo… Adorando o menino Jesus, pondo-se a serviço dele, saberemos nós também sonhar um futuro melhor, sem voltarmos aos Herodes de hoje?. (Mundo Católico)

 

. . .
. . . (A Palavra de Deus na Vida)

EPIFANIA
Hoje, uma grande luz irradia da Gruta de Belém! Ao Presépio, não chegam, nem os poderosos, nem os reis da terra, mas alguns Magos, uns estranhos e curiosos desconhecidos, talvez vistos no seu tempo, com enorme suspeita, gente que não seria digna de uma qualquer atenção particular! Mas diríamos que, neles, homens de coração puro, e através deles, e do seu puro olhar, o Evangelho, a Boa Nova do Natal, viaja, além fronteiras, e sem passaporte!
1. Vindos do Oriente, estes peregrinos são os primeiros, da grande procissão daqueles que, através da história, sabem reconhecer a mensagem da estrela, caminhar pelas veredas indicadas pela Sagrada Escritura e, assim, encontrar O Menino Deus! Esta estrela, que arde nos olhos e no coração dos Magos, está, portanto, longe de ser uma história infantil. Orienta os passos dos Magos e, neles, os de toda humanidade para a verdadeira Estrela que desponta e para o “rebento” que germina, que é o Menino. Aparentemente fraco e frágil, este Menino tem o poder de conferir a maior e mais profunda alegria ao coração humano!
2. Eles levam ouro, incenso e mirra. Diriam os mais avisados na economia doméstica, que naquele momento, a Sagrada Família precisaria bem mais de algo diferente, do que incenso e mirra, e nem sequer o ouro lhe podia ser útil. Mas estes dons têm um profundo significado: são um acto de justiça. Pois, segundo a mentalidade da época, representam o reconhecimento de Jesus, como Deus e como Rei: ou seja, são um acto de submissão e de reconhecimento da soberania de Jesus nas suas vidas. Esta «adoração» pessoal é o verdadeiro presente a oferecer ao Menino! E a consequência é imediata: os Magos já não podem regressar, para junto de Herodes e seguir o seu caminho. A partir daquele gesto, foi traçado um novo caminho, desceu sobre o mundo uma nova luz, que não mais se apagou. Cristo torna-se o caminho!
3. Caríssimos irmãos e irmãs: É verdade que foram muitos os que viram a estrela, mas poucos compreenderam a sua mensagem. Os príncipes dos sacerdotes e os escribas, isto é, os piedosos e estudiosos da Escritura conheciam perfeitamente a Palavra de Deus, mas não reconheceram o Menino Deus. «Aconteceu com eles, como com as pedras que indicam o caminho: enquanto davam indicações aos romeiros, elas permaneciam inertes e imóveis» (Santo Agostinho). Então, perguntamo-nos: qual é a razão, pela qual alguns vêem e encontram Jesus, e outros não? Poderíamos responder: a demasiada segurança em si mesmos, a presunção de já ter formulado um juízo definitivo sobre as coisas… Tudo isto torna os corações fechados e insensíveis à novidade de Deus!
4. Ao fim e ao cabo, para chegar à fé, neste Deus, feito homem, o que falta é a humildade autêntica, que sabe submeter-se ao que é maior, mas também a coragem genuína, que leva a crer naquilo que é verdadeiramente grande, mesmo que se manifeste num Menino inerme. Falta-nos a muitos de nós, a capacidade evangélica de ser criança, de nos admirarmos e de sairmos de nós mesmos, para seguirmos o caminho indicado pela estrela, o caminho de Deus!
5. Caríssimos irmãos e irmãs: Vivemos o último ano, guiados pela Estrela da Missão 2010! Aprendemos, como os Magos, a percorrer caminhos novos. Irradiamos mais longe, lá fora e cá dentro, a Luz de Cristo! Mas a Missão continua e não podemos mais voltar atrás. É preciso continuamente dar testemunho desta Luz, que não mais se apaga, percorrendo um caminho diferente, mais ousado, mais aberto, maiscriativo, atento aos que estão fora e aos que vêm de longe, a todos quantos procuram na cidade o Salvador. Que o Menino de Belém nos dê um coração sábio e inocente, para vermos a Estrela e seguirmos o Seu caminho, para O encontrarmos, e assim sermos inundados pela grande luz! Desde o mais íntimo de nós próprios, irradiemos a Luz de Cristo, a Luz do mundo, agora e sempre, e por toda a parte! (ABC da Catequese)

OURO, INCENSO E MIRRA
Guiados pela estrela, os magos que vieram do Oriente até Belém entraram na casa onde a Bem-aventurada Virgem Maria se encontrava com o Menino; e, abrindo os seus tesouros, ofereceram três coisas ao Senhor: ouro, incenso e mirra, pelos quais confessaram que Ele era verdadeiramente rei, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.
São também estes os dons que a Santa Igreja não cessa de oferecer a Deus, seu Salvador. Oferece o incenso, quando crê e confessa que Ele é o verdadeiro Senhor, o Criador do universo; oferece a mirra, quando afirma que Ele tomou a substância da nossa carne, na qual quis sofrer e morrer pela nossa salvação; oferece o ouro quando não hesita em proclamar que Ele reina eternamente, com o Pai e o Espírito Santo. […]
Esta oferenda pode ainda adquirir outro sentido místico. Segundo Salomão, o ouro significa a sabedoria celeste: «O tesouro mais desejavel encontra-se na boca do sábio» (Pr 21, 10). […] De acordo com o salmista, o incenso simboliza a oração pura: «Senhor, que a minha oração se eleve na Tua presença como nuvens de incenso» (Sl 140, 2). Pois quando a nossa oração é pura, exala em direcção a Deus um perfume mais puro que o fumo do incenso; e, assim como este fumo se eleva para o céu, assim a nossa oração se dirige ao Senhor. A mirra simboliza a mortificação da nossa carne. Assim, pois, oferecemos ouro ao Senhor quando resplandecemos na Sua presença pela luz da sabedoria celeste. […] Oferecemos-Lhe incenso quando elevamos para Ele uma oração pura. E oferecemos-Lhe mirra quando, por meio da abstinência, «mortificando a nossa carne, com os seus vícios e as suas cobiças» (Ga 5, 24), levamos a cruz atrás de Jesus
. (Evangelho Quotidiano)

Anúncios
Esse post foi publicado em Religião. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s