LD – 09/03/11 (4ª Feira)

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
09/Mar/2011 (4ª Feira) – IX Semana do Tempo Comum
(roxo, prefácio da Quaresma IV – ofício do dia)
CINZAS – JEJUM E ABSTINÊNCIA

Vamos então nos preparar para a Leitura, orando juntos: Jesus Mestre, que dissestes: “onde dois ou mais estiverem reunidos em seu amor, eu aí estarei no meio deles”. Amém!

Estamos reunidos para iniciar a caminhada quaresmal. Quarenta dias nos separam da grande festa da Páscoa. Neste tempo, procuremos trilhar o caminho da conversão proposto pelo evangelho e pela Campanha da Fraternidade, que nos leva a refletir sobre o tema: “Fraternidade e a vida no planeta” e sobre o lema: “A criação geme em dores de parto”.

LEITURAS

Vamos fazer a leitura da profecia de Joel 2,12-18
O Senhor encheu-se de zelo por sua terra

12“Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; 13rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”. 14Quem sabe, se ele se volta para vós e vos perdoa, e deixa atrás de si a bênção, oblação e libação para o Senhor, vosso Deus? 15Tocai trombeta em Sião, prescrevei o jejum sagrado, convocai a assembleia; 16congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o esposo seu aposento, e a esposa, seu leito. 17Chorem, postos entre o vestíbulo e o altar, os ministros sagrados do Senhor, e digam: “Perdoa, Senhor, a teu povo, e não deixes que esta tua herança sofra infâmia e que as nações a dominem”. Por que se haveria de dizer entre os povos: “Onde está o Deus deles?” 18Então o Senhor encheu-se de zelo por sua terra e perdoou ao seu povo.

Vamos cantar o Salmo 50(51)
Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos

— Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos!
— Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia!/ Na imensidão do vosso amor, purificai-me!/ Lavai-me todo inteiro do pecado/ e apagai completamente a minha culpa!
— Eu reconheço toda a minha iniquidade,/ o meu pecado está sempre à minha frente./ Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei,/ pratiquei o que é mau aos vossos olhos!
— Criai em mim um coração que seja puro,/ dai-me de novo um espírito decidido./ Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,/ nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!
— Dai-me de novo a alegria de ser salvo/ e confirmai-me com espírito generoso!/ Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar,/ e minha boca anunciará vosso louvor!

Vamos fazer a leitura da 2ª carta de são Paulo aos Coríntios 5,20 – 6,2
É nossa obrigação vivermos segundo o ensinamento de Cristo

Irmãos: 20Somos embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós. Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. 21Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus. 6,1Como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus, 2pois ele diz: “No momento favorável, eu te ouvi e, no dia da salvação, eu te socorri”. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação.

Vamos proclamar o evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 6,1-6.16-18
Não é ostentação! / Jejum, esmola e oração

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. 2Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 3Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6Ao contrário, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”.

COMENTÁRIOS

Jesus Cristo nos disse: “Eu sou o CAMINHO…
Qual o CAMINHO que a Palavra diz para mim? Qual palavra mais me toca o coração? Quando rezo, em quem penso mais? Em mim mesmo? Ou busco unicamente a Deus? Fico observando as outras pessoas? Busco aparentar que sou uma pessoa piedosa? Os bispos, em Aparecida nos deram orientações para nosso modo de ser como cristãos: “No seguimento de Jesus Cristo, aprendemos e praticamos as bem-aventuranças do Reino, o estilo de vida do próprio Jesus: seu amor e obediência filial ao Pai, sua compaixão entranhável frente à dor humana, sua proximidade aos pobres e aos pequenos, sua fidelidade à missão encomendada, seu amor serviçal até a doação de sua vida. Hoje, contemplamos a Jesus Cristo tal como os Evangelhos nos transmitiram para conhecer o que Ele fez e para discernir o que nós devemos fazer nas atuais circunstâncias.” (DAp 139). (Paulinas)

… a VERDADE…
Qual a VERDADE  que a Palavra me diz? Leio atentamente o texto, na Bíblia: Mt 6,1-6.16-18, e observo as comparações que Jesus faz. Jesus deixa entrever em várias expressões deste texto, a necessidade de discrição. A falta de discrição pode deturpar a piedade. Mostrar-se religioso, piedoso só para ser visto e louvado pelas pessoas, é valorizar a aparência, é voltar-se para si mesmo, é hipocrisia. Queria dizer que a verdadeira piedade tem em vista apenas o voltar-se e o encontro com o Pai. (Paulinas)

… e a VIDA”.
Qual a VIDA que o texto me leva a dizer a Deus? Espírito de piedade, ensina-me o modo de agir que realmente agrade ao Pai, e mereça a recompensa divina. (Paulinas)

Qual deve ser a minha VIDA e MISSÃO hoje?
Qual o meu novo olhar a partir da Palavra? Sinto-me discípulo/a de Jesus. Os bispos, na Conferência de Aparecida reconheceram e eu concordo com eles: “A pessoa sempre procura a verdade de seu ser, visto que é esta verdade que ilumina a realidade de tal modo que possa se desenvolver nela com liberdade e alegria, com gozo e esperança.” (DAp 42). (Paulinas)

REFLEXÕES

CONVERSÃO
A quaresma, que se inicia hoje, é um tempo privilegiado de conversão. É o tempo de firmarmos cada vez mais nossa opção pelo seguimento de Jesus, abandonando os apelos e seduções do mundo sob controle dos ricos poderosos. Encontramos a origem da quaresma na tradição sacrifical do Primeiro Testamento, segundo a qual a reconciliação com Deus se faz pelo sofrimento. Contudo, a essência da conversão é a mudança de vida, vivendo o amor com os objetivos fundamentais da fraternidade, da justiça, da solidariedade, a serviço da vida. As piedosas práticas dos chefes de Israel, a esmola, a oração, e o jejum, não iam além de aparências. O jejum e a esmola significam abandonar o consumo do supérfluo e partilhar os bens com os necessitados e carentes. A oração agradável a Deus é aquela que move ao cumprimento da vontade do Pai, que quer vida plena para todos. (Paulinas)

SÊ ASSÍDUO À ORAÇÃO E À MEDITAÇÃO
Quaresma: tempo de penitência, de conversão, de jejum, oração e da Salvação. É o tempo de mudança de vida, do kairós na minha vida e na sua vida. O texto de hoje nos ajuda a fazer uma reflexão, uma introspecção. Estamos diante de um Evangelho que determina o nosso ser cristão. É, diria eu, o termômetro da nossa própria fé católica. E não poderia existir passagem melhor do que a do Evangelho de hoje. A prática da justiça, no sentido religioso, significava a busca de justificação diante de Deus. As mais consagradas eram: a esmola, a oração e o jejum. Por esta prática o piedoso judeu julgava-se justo diante de Deus. Com atitude ostensiva, os líderes religiosos do templo e das sinagogas afirmavam seu prestígio e poder. A penitência, muitas vezes vista como uma prática de sofrimento, na verdade tem o caráter modificador, que nos transforma que nos faz perceber que podemos viver sem certas coisas do mundo. Que mais forte é Deus que nos dá o suficiente para viver. Compreendemos que os sacrifícios feitos deverão, portanto, ser fonte de crescimento, de amadurecimento espiritual e não motivo de promoção pessoal. E por isso, não devem ser expostos ao mundo, pois é interioridade, é intimidade com Deus. Isto vale para todos os nossos atos religiosos ou aparentemente humanitários. Não podem ser forma de se vangloriar de sua bondade, mas de promover sua espiritualidade e também o bem de outras pessoas. Sê assíduo à oração e à meditação. Disseste-me que já tinhas começado. Isso é um enorme consolo para um Pai que te ama como Ele te ama! Continua, pois, a progredir nesse exercício de amor a Deus. Dá todos os dias um passo: de noite, à suave luz da lamparina, entre as fraquezas e na secura de espírito; ou de dia, na alegria e na luminosidade que deslumbra a alma. Se conseguires, fala ao Senhor na oração, louva-o. Se não conseguires, por não teres ainda progredido o suficiente na vida espiritual, não te preocupes: fecha-te no teu quarto e põe-te na presença de Deus. Ele ver-te-á e apreciará a tua presença e o teu silêncio. Depois, pegar-te-á na mão, falará contigo, dará contigo cem passos pelas veredas do jardim que é a oração, onde encontrarás consolo. Permanecer na presença de Deus com o simples fito de manifestar a nossa vontade de nos reconhecermos como seus servidores é um excelente exercício espiritual, que nos faz progredir no caminho da perfeição. Quando estiveres unido a Deus pela oração, examina quem és verdadeiramente; fala com Ele, se conseguires; se te for impossível, detém-te, permanece diante dele. Em nada mais te empenhes como nisso. Não se trata de conceber a oração interior, livre de todas as formas tradicionais, como uma piedade simplesmente subjectiva, e de opô-la à liturgia, que seria a oração objectiva da Igreja; através de toda a verdadeira oração, alguma coisa se passa na Igreja e é a própria Igreja quem reza, porque é o Espírito Santo que vive nela que, em cada alma única, “intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rom 8, 26). E essa é, justamente, a verdadeira oração, porque “ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’ senão por influência do Espírito Santo” (1Cor 12, 3). O que seria a oração da Igreja se não fosse a oferenda daqueles que, ardendo com grande amor, se entregam ao Deus que é amor? O dom de si a Deus, por amor e sem limites, e o dom divino que se recebe em troca, a união plena e constante, é a mais alta elevação do coração que nos é acessível, o mais alto grau da oração. As almas que o atingiram são, na verdade, o coração da Igreja; nelas vive o amor de Jesus, Sumo-Sacerdote. Escondidas com Cristo em Deus (Col 3, 3), não podem deixar de fazer irradiar para outros corações o amor divino de que estão cheias, concorrendo assim para o cumprimento da unidade perfeita de todos em Deus, como era e continua a ser o grande desejo de Jesus. Jesus nos mostra neste texto ao falar da oração, jejum e caridade de forma consciente o momento e o ato mais importante da nossa íntima união com Ele. E nos faz saber que estes atos devem ser livres e desimpedidos, desinteressados de reconhecimento. A partir do momento em que vivemos estas três lições de Cristo oração, jejum e penitência, em nossas vidas, tudo em nós será um eterno aleluia. Jesus terá verdadeiramente ressuscitado em nós. Espírito de piedade, do temor de Deus, ensina-me o modo de agir que realmente agrade ao Pai, para que este tempo da Quaresma seja o tempo de graça, de renovação e reavivamento da minha vida e família para que mereça celebrar a Páscoa da eternidade c a recompensa divina no dia final! (Homilia Diária)

COMO AGRADAR A DEUS
A prática quaresmal da esmola, da oração e do jejum tem a finalidade de sintonizar-nos com a vontade do Pai, de forma a preparar-nos, da melhor maneira possível, para a celebração da Páscoa. As três práticas de piedade visam refazer nossa amizade com o Pai, enquanto discípulos de Jesus. Têm como objetivo tornar-nos agradáveis a ele. De onde a importância de serem vividas segundo as orientações dadas pelo Mestre Jesus. Existem maneiras incorretas de dar esmolas, rezar e jejuar. Portando, vazias e inúteis. Isto acontece com quem se serve destes atos para fazer exibição de piedade, pretendendo passar por santos aos olhos dos outros. Mas, também, com quem dá esmola de maneira mecânica, sem comprometer-se com o gesto de dar; com quem transforma a oração num amontoado de palavras, sem interioridade nem unção; com quem jejua para cumprir um preceito, embora desconheça o valor de seu gesto. O reverso da medalha corresponde à forma efetiva de agradar a Deus. Neste caso, a esmola será expressão da misericórdia que existe no coração de quem se faz solidário com a carência alheia; a oração consistirá mais em escutar do que em falar; o jejum corresponderá a um esforço sincero de controlar os próprios instintos e paixões, de forma a não desviarem o ser humano do caminho de Deus. A melhor forma de agradar a Deus será pôr em prática tudo isto no humilde escondimento. (Mundo Católico)

QUARESMA
O verdadeiro espírito de conversão quaresmal é aquele de quem não busca simplesmente dar uma satisfação de sua vida a outras pessoas para conseguir a sua aprovação e passar assim por um bom religioso, mas sim aquele que encontra a sua motivação no relacionamento com Deus e busca superar as suas imaturidades, suas fraquezas, sua maldade e seu pecado para ter uma vida mais digna da vocação à santidade que é conferida a todas as pessoas com a graça batismal, e busca fazer o bem porque é capaz de ver nas outras pessoas um templo vivo do Altíssimo e servem ao próprio Deus na pessoa do irmão ou da irmã que se encontram feridos na sua dignidade. (A PALAVRA DE DEUS NA VIDA)

CONVERSÃO
1. «Convertei-vos, a Mim”», diz o Senhor!Nós ouvimos, por dentro, este toque a rebate. Mas o que é afinal esta conversão. de que tanto se fala?!Antes de mais, conversão significa e implica um «regresso a Deus», um «retorno à Casa do Pai» (Lc.15,17), e comporta, por isso, o desafio a fazer uma inversão de marcha, a voltar às origens, como quem procura, no deserto do silêncio e da palavra, a frescura e a doçura do primeiro amor (cf. Os.2,16)! Conversão, portanto, não é, em primeiro lugar, mudança de hábitos, de costumes, de procedimentos. Conversão é, primariamente, regresso a Deus, como fonte da vida, e que naturalmente tem por exigência uma mudança de mentalidade, e por consequência uma transformação do coração e da vida! Conversão implica, pois, sair de si mesmo, como centro do mundo, renunciar a viver de si e para si, para se deixar guiar e transformar por Deus!
2. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus (Joel 2,13)! Conversão quer, por isso dizer, na prática, e em primeiríssimo lugar: «dai lugar a Deus, deixai Deus entrar na vossa existência, sem que nada se anteponha ou sobreponha a Ele! Só assim, Deus se tornará a razão primeira e a finalidade última da vossa vida»! Esta é a mudança que importa: não apenas mudar hábitos e atitudes, mas mudar as razões mais fundas e profundas do meu viver, deixar que sejam outros os fins últimos, que mandam e comandam a minha vida!
3. «Convertei-vos e acreditai no evangelho»! (Mc.1,15). É Deus, em nós, por nós e connosco, que nos há-de converter! Neste sentido, a conversão não é uma realização nossa, como se cada um se tornasse o arquitecto, que forma a construção e embeleza a paisagem da sua própria vida. Não. A conversão consiste essencialmente, nesta decisão de renunciar a fazer-se pelas próprias mãos, para deixar Deus criar e a recriar a nossa vida! Trata-se, no fundo, de renunciarmos aos ídolos, às coisas que nos ocupam inteiramente a vida e abusivamente o coração, para nos convertermos ao Deus vivo e verdadeiro (cf. Act.14,15; I Tes.1,9)!
4. Era assim, para os adultos, que, nos primeiros séculos do cristianismo, se propunham, na Quaresma, a fazer a preparação final para celebrar o Baptismo, o Crisma e a Eucaristia, na noite de Páscoa! Há-de ser assim, para todos nós, que queremos, nesta Quaresma, regressar «às águas refrescantes» do Baptismo, para alcançar, na Páscoa o dom da vida nova! Deste modo, ficará mais claro que “o Baptismo não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que enforma toda a nossa existência, nos doa a vida divina e nos chama a uma conversão sincera, iniciada e apoiada pela graça de Deus” (adapt. MPQ2011, n.1).
5. Queridos irmãos e irmãs: Procurávamos nós um símbolo, para esta caminhada. Escolhemos o cajado do Bom Pastor! É Ele que nos conduz às águas refrescantes do Baptismo, com o óleo do Crisma nos perfuma a cabeça, e para nós prepara a mesa da Eucaristia (cf. Salmo 22). O cajado remete-nos para a ideia da Quaresma, como uma peregrinação, “um caminho de purificação no espírito” (MPQ2011, introdução), em que vamos (re) percorrer as etapas da nossa iniciação cristã.Por outro lado, para a redescoberta das fontes da vida nova, procuraremos ligar ao cajado outros símbolos baptismais, como a concha da água, a vela e a veste do Baptismo!
6. Queridos irmãos e irmãs: É claro que a  conversão, como regresso a Deus e à graça da sua vida, iniciada em nós, pelo Baptismo, não pode desligar-se do compromisso concreto! Pelo que, semana a semana, ser-vos-ão feitas propostas simples, quer ao nível de cada família, quer ao nível da comunidade paroquial, no seu todo. Hoje mesmo Jesus nos lembrava algumas práticas facilitadoras da nossa conversão: «a esmola, a oração e o jejum» (cf. Mt.6,1-6.16-18)! Tais práticas, porém, destinam-se a um único fim: dar a primazia a Deus! Por exemplo:
a) Jejuar serve para despertar na alma a fome espiritual da Palavra de Deus e sentir na pele a fome real dos irmãos. Menos para mim, mais para os outros, tudo para Deus.
b) Partilhar é uma atitude preventiva e curativa, para que o dinheiro não se nos apegue, e não chegue a ocupar o lugar de Deus; antes sirva, para ir ao encontro do próximo!
c) Rezar, com tempo, na escuta da Palavra, pois quem disser que não tem tempo para rezar, já se deixou alienar pelas coisas e reneg a a Deus o seu lugar primeiro!
7. Durante a imposição das Cinzas, à ida e no regresso, de pé ou no banco, procurai, durante este tempo, elaborar um pequeno projecto, para esta Quaresma, em três pontos simples:
1º Fixar, com realismo, um tempo de oração diária. Quando e como? Escolha um tempo curto e um lugar certo!
2º Definir uma forma concreta de partilha, de tempo, seja de tempo, de serviço ou de dinheiro ou de tudo isto. Escolha quanto, quando e a quem!
3º Ver com humildade o aspecto da minha vida pessoal, que mais reclama mudança ou melhoria? Se a minha vida «está mais ou menos», então tenho de ver qual é esse «menos», em que preciso de mudar «mais».
Este é mesmo o primeiro e mais difícil passo da conversão: converter-me à necessidade de conversão! Daí o apelo radical: “Convertei-vos”! É de sempre e para todos, a começar por mim! Aqui e agora. (ABC DA CATEQUESE)

OS EXERCÍCIOS DA QUARESMA: A ESMOLA, A ORAÇÃO, O JEJUM
Meus irmãos, começamos hoje a grande viagem da Quaresma. Levemos, pois, no navio todas as nossas provisões de alimento e bebida, colocando sobre elas a misericórdia abundante de que teremos necessidade. Porque o nosso jejum tem fome, o nosso jejum tem sede se não se alimentar de bondade, se não se dessedentar com misericórdia. O nosso jejum tem frio, o nosso jejum desfalece se o velo da esmola não o cobrir, se a capa da compaixão não o envolver. Irmãos, a misericórdia está para o jejum como a Primavera está para os solos: o suave vento primaveril faz florescer todos os rebentos nas planícies; a misericórdia do jejum faz brotar todas as nossas sementes até à floração, fá-las encherem-se de frutos até à colheita celeste. A bondade está para o jejum como o óleo está para o candeeiro. Tal como a matéria gorda do óleo alimenta a luz do candeeiro e, com tão pouco alimento o faz brilhar para o conforto de toda a noite, assim a bondade faz o jejum resplandecer: lança raios até atingir o brilho pleno da continência. A esmola está para o jejum como o sol está para o dia: o esplendor do sol aumenta o brilho do dia, dissipa a obscuridade das nuvens; a esmola que acompanha o jejum santifica a santidade do mesmo e, graças à luz da bondade, remove dos nossos desejos tudo o que poderia ser mortífero. Em suma, a generosidade está para o jejum como o corpo está para a alma: quando a alma se retira do corpo, traz-lhe a morte; se a generosidade se afastar do jejum, é a morte deste. (Evangelho Quotidiano)

O SILÊNCIO DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Você tem medo do silêncio da solidão? Então precisa se aproximar mais de Deus.
Bom dia! Em todas as circunstâncias façamos então a opção singela pelo silêncio. Seria essa a síntese do evangelho do dia de hoje?
Ao rezar, que nossa oração chegue ao céu como a fumaça do incenso que sobe; ao construir um prédio, não esperemos ganhar um apartamento para lá morar; ao dar, não esperar pelo “obrigado”; no sofrimento, buscar um aprendizado… Jesus mas uma vez demonstra ter razão ao afirmar, em outro momento, que não estamos ainda preparados para conhecer a verdade sobre a vida.
“(…) Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará”. (João 16, 12-14)
Sim, AINDA não suportaríamos hoje viver assim. Somos seres sociais, adoramos contar o que acontece conosco e por vezes abusamos e nos vangloriamos; gostamos de chamar atenção para nós; precisamos que o mundo e as decisões tomadas gravitem ao redor dos nossos quereres e vontades…
Somos seres sociais e não gostamos de ficar sozinhos, detestamos o isolamento. Alguns chamam de auto-afirmação a necessidade que temos de sermos vistos; amamos “tapinhas nas costas”; precisamos ser lembrados até compramos presentes pra nós mesmos por medo que ninguém se lembre do nosso aniversário (risos).
Se nós, normais, sociais e sem medos, vivemos assim e ainda precisamos aprender a fazer as coisas em silêncio, como será que é viver tendo medo do silêncio?
Uma criança que teme o escuro dorme com um abajur ou a TV ligada; um jovem sozinho a noite em casa deixa o máximo de luzes acesas tentando não deixar espaços escuros onde possam habitar fantasmas de sua própria imaginação. Pessoas que temem o silêncio não conseguem se afastar após longos anos liderando; não conseguem ver o correto, para sempre ser necessária a sua opinião; quando adoecem “publicam” o tamanho SUPER do que ela tinha; em suas orações aumentam palavras e não dizem nada.
Sempre falo isso: Temerosos do silêncio! Louvem sempre a Deus no tom que quiser e que sua intimidade permitir, mas saiba que Ele não é surdo! NOSSA dor TALVEZ não seja a metade da do vizinho; NOSSA fé TALVEZ seja a décima parte daquele que em silêncio roga. NOSSA angústia DE REPENTE não é NADA perto daquele que realmente tem um problema.
Se temos a Deus por que nos apegamos a recompensa? Por que ainda somos tão imaturos na fé? Pagamos por um milheiro de uma graça alcançada, mas colaboro concretamente com uma só palavra para que um irmão se salve. Se vendessem velas de cem dias tenho certeza que seria um tremendo sucesso, mas como não se indignar com quem toparia com isso, mas não consegue passar (em silêncio) uma hora escutando a palavra numa missa dominical?
Aí do padre que não ler a intenção de dez anos e cinco dias pelo falecimento do fulano de tal! Como diz um padre da canção nova: Oh povo de chagas abertas! (risos)
Deixemos no silêncio, que insistimos em NÃO fazer, Deus agir.
“(…) Dizia também: O REINO DE DEUS é como um homem que lança a semente à terra. Dorme, levanta-se, de noite e de dia, e a semente brota E CRESCE, SEM ELE O PERCEBER. Pois a terra por si mesma produz, primeiro a planta, depois a espiga e, por último, o grão abundante na espiga. Quando o fruto amadurece, ele mete-lhe a foice, porque é chegada a colheita”. (Marcos 4, 26-29)
Um imenso abraço fraterno! (LITURGIA DIÁRIA COMENTADA)

GUARDAI-VOS DE FAZER A VOSSA ESMOLA DIANTE DOS HOMENS, PARA SERDES VISTOS POR ELES
Hoje começamos o nosso recorrido à Páscoa, e o Evangelho nos lembra os deveres fundamentais do cristão, não só como preparação a um tempo litúrgico, mas em preparação à Páscoa Eterna: «Cuidado! não pratiqueis vossa justiça na frente dos outros, só para serdes notados. De outra forma, não recebereis recompensa do vosso Pai que está nos céus» (Mt 6,1). A justiça da que Jesus nos fala consiste em viver conforme aos princípios evangélicos, sem esquecer que «Eu vos digo: Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus» (Mt 5,20).
A justiça nos leva ao amor, manifestado na esmola e em obras de misericórdia: «Tu, porém, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz a direita» (Mt 6,3). Não é que se devam ocultar as obras boas, mas que não se deve pensar em elogio humano ao fazê-lo, sem desejar nenhum outro bem superior e celestial. Em outras palavras, devo dar esmola de tal modo que nem eu tenha a sensação de estar fazendo uma boa ação, que merece uma recompensa por parte de Deus e elogio por parte dos homens.
Bento XVI insistiu em que socorrer aos necessitados é um dever de justiça, mesmo antes que um ato de caridade: «A caridade supera a justiça (…), mas nunca existe sem a justiça, que induz a dar ao outro o que é “dele”, o que lhe pertence em razão de seu ser e do seu agir». Não devemos esquecer que não somos proprietários absolutos dos bens que possuímos, e sim administradores. Cristo nos ensinou que a autêntica caridade é aquela que não se limita a “dar” esmola, e sim que o leva a “dar” a própria pessoa, a oferecer-se a Deus como culto espiritual (cf. Rom 12,1) esse seria o verdadeiro gesto de justiça e caridade cristã, «de modo que tua esmola fique escondida. E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa» (Mt 6,4). (MEDITANDO O EVANGELHO DE HOJE)

Anúncios
Esse post foi publicado em Religião. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s