LD – 22/05/11 (Domingo)

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
22/Mai/2011 (DOMINGO) – V Semana da Páscoa
(branco, glória, creio – I semana do saltério)
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Vamos então nos preparar para a Leitura, orando juntos: Jesus Mestre, que dissestes: “onde dois ou mais estiverem reunidos em seu amor, eu aí estarei no meio deles”. Amém!

O Ressuscitado apresenta-se como o caminho a ser seguido para chegar ao Pai, a verdade que não escraviza nem ilude e a vida que se doa plenamente a toda a humanidade. Ele nos mostra o caminho a seguir, a verdade a buscar e a vida a defender.

LEITURAS

Vamos fazer a Leitura dos Atos dos Apóstolos 6,1-7
Escolheram sete homens repletos do Espírito Santo

1Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário. 2Então os Doze Apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram: “Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas. 3Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa. 4Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”. 5A proposta agradou a toda a multidão. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um grego que seguia a religião dos judeus. 6Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles. 7Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé.

Vamos cantar o Salmo 32(33)
Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,/ da mesma forma que em vós nós esperamos!

— Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,/ da mesma forma que em vós nós esperamos!
— Ó justos, alegrai-vos no Senhor!/ Aos retos fica bem glorificá-lo./ Dai graças ao Senhor ao som da harpa,/ na lira de dez cordas celebrai-o!          

— Pois reta é a palavra do Senhor,/ e tudo o que ele faz merece fé./ Deus ama o direito e a justiça,/ transborda em toda a terra a sua graça.           
— O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem,/ e que confiam esperando em seu amor,/ para da morte libertar as suas vidas/ e alimentá-los quando é tempo de penúria!

Vamos fazer a leitura da primeira carta de são Pedro 2,4-9
Vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do reino

Caríssimos: 4Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. 5Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. 6Com efeito, nas Escrituras se lê: “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem nela confiar, não será confundido”. 7A vós, portanto, que tendes fé, cabe a honra. Mas, para os que não creem, “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular, 8pedra de tropeço e rocha que faz cair”. Nela tropeçam os que não acolhem a Palavra; esse é o destino deles. 9Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.

Vamos proclamar o evangelho de Jesus Cristo segundo João 14,1-12
Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1”Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. 2Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós 3e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E, para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. 5Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8Disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”.

COMENTÁRIOS

Jesus Cristo nos disse: “Eu sou o CAMINHO…
Qual o CAMINHO que a Palavra diz para mim? Tenho uma espiritualidade? Onde fundamento a minha espiritualidade? Há tantos métodos bons, baseados na Palavra de Deus. Importante é que tenha um que me leve a viver em Jesus Cristo, ou melhor, que eu deixe Jesus Cristo viver em mim. Em Aparecida, na V Conferência, os bispos falaram de um método: “Olhamos para Jesus, o Mestre que formou pessoalmente a seus apóstolos e discípulos. Cristo nos dá o método: “Venham e vejam” (Jo 1, 39), “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Com Ele podemos desenvolver as potencialidades que estão nas pessoas e formar discípulos missionários. Com perseverante paciência e sabedoria, Jesus convidou a todos para que o seguissem e introduziu aqueles que aceitaram segui-lo no mistério do Reino de Deus. Depois de sua morte e ressurreição, enviou-os a pregar a Boa Nova na força do Espírito. Seu estilo se torna emblemático para os formadores e cobra especial relevância quando pensamos na paciente tarefa formativa que a Igreja deve empreender no novo contexto sociocultural da América Latina” (DAp 276). (PAULINAS)

… a VERDADE…
Qual a VERDADE  que a Palavra me diz? Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Jo 14,1-12, e observo Jesus volta a exortar à fé. Jesus responde a uma pergunta de Tomé: “Como podemos conhecer o caminho?”

Nesta resposta ele responde fazendo uma completa definição de si: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim”. Comentando este texto, o Bem-aventurado Tiago Alberione diz: “Estabelecer-se totalmente em Jesus Mestre Verdade (mente), Caminho (vontade) e Vida (sentimento); até chegar à suprema altura da nossa personalidade: eu que penso em Jesus Cristo, eu que amo em Jesus Cristo, eu que quero em Jesus Cristo; é o Cristo que pensa em mim, que ama em mim, que quer em mim”.        
Alberione fundamenta a espiritualidade paulina em Jesus Mestre Verdade, Caminho e Vida. (PAULINAS)

… e a VIDA”.
Qual a VIDA que o texto me leva a dizer a Deus? Pai, não deixes que jamais o medo tome conta de meu coração, a ponto de impedir-me de caminhar rumo à tua casa, pelo caminho aberto por teu Filho Jesus. (PAULINAS)

Qual deve ser a minha VIDA e MISSÃO hoje?
Qual o meu novo olhar a partir da Palavra? Sinto-me discípulo/a de Jesus. Meu novo olhar é em busca do seguimento de Jesus Cristo, com este esquema:  

1) caminhando sobre as pegadas (adesão da vontade),         
2) escutando a sua doutrina (adesão da inteligência),          
3) vivendo no seu amor e na sua graça (adesão do sentimento e do espírito). (PAULINAS)

REFLEXÕES

CRER EM JESUS E SEGUI-LO        
Nos evangelhos sinóticos, Mateus, Marcos, Lucas, a última ceia de Jesus com os discípulos é resumida apenas nas narrativas do anúncio da traição de Judas e da benção do pão e a ação de graças sobre o cálice. O evangelista João narra esta ceia com cenas e longos diálogos que revelam a grande sublimidade deste último encontro com Jesus.        
Toda ceia caracteriza-se como um momento de prazer de alimentar-se partilhado, na alegria e íntima comunhão de vida. O evangelho de João apresenta, não só o fim do ministério de Jesus, mas também o seu início, nas bodas de Cana, neste clima de alegria. Cinco dias antes desta última ceia, Jesus também participara da alegre ceia na casa de Lázaro, sendo ungido com perfume por Maria, a casa toda sendo tomada pelo odor agradável. Nesta última ceia, Jesus faz o seu gesto simples, até surpreendente, de lavar os pés dos discípulos. Em seguida Jesus menciona a expectativa de que seja traído. Esta menção cria um momento que causa certa perturbação nos corações dos discípulos. Jesus, então, procura tranquilizá-los. Jesus está presente não só nos momentos de alegria, mas também nas provações. Ele é o caminho que nos conduz à casa do Pai. Basta segui-lo, fieis à verdade e empenhados em servir, para que a vida desabroche plenamente, aberta ao eterno. Ele próprio, à frente de seus discípulos, vai para a casa do Pai. No antigo Êxodo, o povo hebreu oprimido, saiu do Egito, conduzido por Moisés. Agora Jesus conduz a saída de seu povo libertando-o da opressão das sinagogas e do Templo de Israel, para entrar na casa do Pai. O próprio Jesus é o caminho para a casa do Pai. Ele revela-nos o Pai, através de suas obras de amor e libertação. Crer em Jesus e segui-lo significa comprometer-se com as obras de Jesus, na fraternidade, na misericórdia e na justiça, com o que se abre o espaço para a morada do Pai e de Jesus em cada um, na comunidade.
Aos discípulos cabe dar continuidade a estas obras, em comunidades organizadas (primeira leitura), testemunhando e proclamando o amor libertador de Jesus. (PAULINAS)

CAMINHO, VERDADE E VIDA        
Após a ceia e o lava-pés, e depois da saída de Judas, Jesus estabelece um diálogo de intimidade com seus discípulos. Ele lhes dirige palavras de esclarecimento, que também lhes proporcionam confiança e segurança. São palavras que penetram fundo no coração e fortalecem nossa fé. Fortaleceram, da mesma forma, a fé dos discípulos, mais tarde, quando começaram a perceber que Jesus continuava vivo entre eles. São palavras que alimentam nossa oração e nossa prática de vida. O amor de Deus e de Jesus para conosco está aí vivamente expresso. Crer em Deus e crer em Jesus é fonte de paz para o coração e para a comunidade. O ir e vir de Jesus não é um percurso entre a terra e o céu. É o percurso da fé, neste mundo, no seguimento de Jesus, que é o caminho, a verdade e a vida que levam ao Pai. E esta fé comprometida com as obras de Jesus, na fraternidade, na misericórdia e na justiça, abre espaço para a morada do Pai e de Jesus em cada um. Pelo amor, na partilha e na solidariedade, vivido na missão e nas comunidades, os discípulos são levados por Jesus à comunhão na casa do Pai. (DOM TOTAL)

JESUS: CAMINHO, VERDADE E VIDA
Meu irmão, minha irmã, a liturgia deste domingo convida-nos a refletir sobre as seguintes perguntas: Por onde quero passar? Aonde quero chegar? E onde pretendo ficar?
Estas três perguntas Jesus responde no Evangelho de hoje. Não se preocupe com o “como chegar”, o “lugar”, e o “modo como ficar” no lugar escolhido ou pretendido.
Escute o que o Senhor lhe diz: “Ninguém vai ao Pai sem passar por mim”. Portanto, o caminho por onde você passa – para chegar aonde quer – é Ele mesmo. É por Ele que você tem de passar. Ele é o Caminho. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Cristo quer confirmar o meu e o seu lugar ao dizer: “Por onde você quer passar? Eu sou o Caminho. Aonde você quer chegar? Eu sou a Verdade. Onde você quer ficar? Eu sou a Vida”.
Da minha e sua parte cabe somente o caminhar – em plena segurança – por este caminho, que é Jesus. Saiba que quem anda na luz sabe onde coloca os pés. E quem anda nas trevas não sabe onde os põe. Fora do caminho, cuidado com as armadilhas, porque, dentro do caminho, o inimigo não ousa atacar – o Caminho é Cristo – mas fora do caminho ele monta as suas armadilhas.
O nosso caminho é Cristo na Sua humildade. O Cristo “Verdade e Vida” é o Cristo na Sua grandeza e divindade. Se você seguir o caminho da humildade, chegará ao Altíssimo. Se na sua fraqueza não desprezar a humildade, permanecerá cheio de força do Todo-poderoso.
Por que Cristo tomou o caminho da humildade? Foi por causa da minha e da sua fraqueza que estava ali, como obstáculo intransponível. Foi para nos libertar dela que tão grande Médico veio a nós! Não podíamos ir até Ele. Então, Ele veio até nós. Veio ensinar-nos a humildade, esse caminho de regresso, porque era o orgulho que nos impedia de retornar à vida que o pecado nos tinha feito perder.
Então, Jesus, tornando-se nosso caminho, grita-nos: “Entrai pela porta estreita!” (Mt 7,13).
O homem esforça-se por entrar, mas o “inchaço” do orgulho impede-o de entrar. Aceitemos o remédio da humildade. Bebamos desse medicamento amargo, porém, salutar.
O homem “inchado” de orgulho pergunta: “Como poderei entrar?” Cristo responde: “Eu sou o Caminho. Entra por mim. Eu sou a Porta (cf. Jo 10,7). Por que procurar noutro sítio?” Para que você não se perca, Jesus se fez tudo por você e diz: “Sê humilde, sê manso” (Mt 11,29).
Imitemos o Filho de Deus, que é o Caminho, não apenas pelos Seus exemplos e ensinamentos, mas também porque Ele se identifica com a Verdade e a Vida. Ele está no Pai e o Pai está n’Ele, fazendo-se um com Ele. Por isso, Cristo afirma que “quem me vê, vê o Pai”. De fato, Jesus é o único caminho para o Pai, suprema Verdade e Vida. (HOMILIA DIÁRIA)

CAMPO ABERTO PARA AQUELES QUE CREEM NELE
No domingo passado, Cristo foi chamado a “porta das ovelhas”. No evangelho de hoje, vemos com maior clareza por que Cristo é o acesso ao Pai: Caminho, Verdade e Vida. O sentido desses três termos, que constituem uma unidade (o Caminho da Verdade e da Vida), é apresentado mediante pequena encenação. Jesus inicia sua despedida (Jo 13,31-17,26) dizendo que sua partida é necessária: ele vai preparar um lugar para seus discípulos. Quando Jesus sugere que eles conhecem o caminho, Tomé, o cético, responde que não o conhecem. Então, Jesus explica que ele mesmo é o caminho da Verdade e da Vida, o caminho pelo qual se chega ao Pai. Na Bíblia, caminho e caminhar significam muitas vezes o modo de proceder. O caminho ou caminhar reto chamaríamos de moral ou virtude. Portanto, se Jesus chama a si mesmo de caminho, não se trata de algo teórico, uma doutrina, mas de um modo de viver. É vivendo como Jesus viveu que conhecemos o seu caminho e encontramos a vida e a verdade às quais ele nos conduz (v. 6a). Se, pois, ele diz que ninguém vai ao Pai senão por ele (v. 6b), não está proclamando uma ortodoxia que exclui os que não confessam o mesmo credo, mas dá a entender que os que chegam ao conhecimento/experiência de Deus são os que praticam o que ele, em plenitude, praticou: o amor e a fidelidade até o fim. E isso pode acontecer até fora do credo cristão.
Depois da pergunta de Tomé, temos a pergunta de Filipe: “Mostra-nos o Pai, isso nos basta” (Jo 14,8). Ora, qualquer judeu piedoso, qualquer pessoa piedosa, quer conhecer Deus – que Jesus costuma chamar de Pai. Porém, diz João no prólogo de seu evangelho, ninguém jamais viu Deus (Jo 1,18). Agora, Jesus explica a Filipe: “Quem me viu, viu o Pai”. Nesse momento, quando (segundo a contagem judaica) já se iniciou o dia de entregar a vida por amor até o fim, Jesus revela que, nele, contemplamos Deus. Nosso perguntar encontra nele resposta; nosso espírito, verdade; nossa angústia, a fonte da vida. Nesse sentido, ele mesmo é o caminho que nos conduz ao Pai e, ao mesmo tempo, a Verdade e a Vida que se tornam acessíveis para nós. “O Unigênito, que é Deus e que está no seio do Pai, no-lo fez conhecer” (Jo 1,18). Jesus não falou assim quando realizava seus “sinais”: o vinho de Caná, o pão para a multidão, nem mesmo a cura do cego ou a revivificação de Lázaro. Pois o sentido último ao qual a atuação de Jesus apontava não era fornecer vinho ou pão, ou substituir um médico ou curandeiro, mas manifestar o amor do Pai, o Deus-Amor.
Trata-se de ver a Deus em Jesus Cristo na hora de sua entrega por amor. Para saber como é Deus, o Absoluto da nossa vida, não precisamos contemplar outra coisa senão a existência de Jesus de Nazaré, “existência para os outros”, na qual Deus imprimiu seu selo de garantia, no coroamento que é a ressurreição. Muitas vezes, tentamos primeiro imaginar Deus para depois projetar em Jesus algo de divino (geralmente, algo de bem pouco humano…). Devemos fazer o contrário: olhar para Jesus de Nazaré, para sua vida, para sua palavra e sua morte, e depois dizer: assim é Deus – isso nos basta (cf. Jo 14,8-9). E isso é possível porque Jesus, trilhando até o fim o caminho que ele mesmo é, assumindo ser a “graça e a verdade” (Jo 1,14), o amor e a fidelidade de Deus até o fim, mostra Deus assim como ele é, pois “Deus é amor”, diz João em sua primeira carta (1Jo 4,8.16). Podemos dizer, com Paulo, que Jesus é o rosto do Pai, a perfeita imagem dele (cf. Cl 1,15). Assim como Jesus procede, Deus é. Ele está no Pai e o Pai está nele (Jo 14,11), e quem a ele se une fará o que ele fez, e mais ainda, agora que ele se vai para junto do Pai (14,12) e deixa, por assim dizer, o campo aberto para a ação dos que creem nele, animados pelo Espírito-Paráclito (14,13-17, continuação do texto de hoje).
JESUS RESSUSCITADO, CAMINHO, VERDADE E VIDA
A afirmação de Jesus personaliza os temas bíblicos característicos e permite a toda experiência humana confrontar-se com ele sobre o sentido fundamental da existência.
“Jesus Cristo, Verbo feito carne, enviado como ‘homem aos homens’, ‘fala as palavras de Deus’ e consuma a obra de salvação a ele confiada pelo Pai. Eis por que ele, ao qual quem vê, vê também o Pai, pela plena presença e manifestação de si mesmo por palavras e obras, sinais e milagres, e especialmente por sua morte e gloriosa ressurreição dentre os mortos, enviado finalmente o Espírito de verdade, aperfeiçoa e completa a revelação e a confirma com o testemunho divino de que Deus está conosco para libertar-nos das trevas do pecado e da morte e para ressuscitar-nos para a vida eterna” (DV 4).
SOMOS UM POVO EM MARCHA
Cristo é o Caminho, enquanto viveu em sua pessoa a transfiguração da humanidade fiel na glória de Deus e comunica essa experiência aos seus irmãos. É casa de Deus, porque nele e com ele a humanidade encontra o Pai e vive da sua vida. Só Cristo, a cujas mãos o Pai confiou todas as coisas, pode comunicar a Vida, que é o conhecimento, cheio de amor, de Deus. Cristo é a Verdade plena e profunda de todas as religiões, de suas doutrinas, ritos, comportamentos, na medida que constituem uma busca sincera de Deus.
Se Cristo é o único caminho que leva à casa do Pai, a Igreja em marcha participa do mesmo mistério; realiza no tempo a passagem ao Pai, que o Senhor Jesus cumpriu em sua páscoa de sofrimento e de glória. Ela não é a casa definitiva, mas apenas a tenda da reunião, o ponto de referência que não deve, com escleroses ideológicas ou discriminações práticas, impedir aos homens o diálogo de salvação com Aquele que é caminho, verdade e vida. Porque sobre ele, como pedra fundamental, está fundada a Igreja (2ª leitura), uma pedra que é segurança para quem nela se ancora, mas que acaba constituindo um tropeço para quem não crê.
Cristo é o “sinal de contradição” para muitos, enquanto para nós é o novo Sinai, a rocha em torno da qual nossa assembleia sela a Nova Aliança com Deus.
CRISTO, HOJE
A figura de Cristo hoje impressiona e seduz muitos homens do nosso tempo, especialmente os jovens, por tudo o que de humano transmite, por seu amor aos pobres, sua coerência, sua tomada de posição, levada até a morte, contra as pretensões do poder.
Mas há o risco de que esse Cristo seja visto em perspectiva simplesmente humana, deixando para segundo plano ou mesmo recusando sua divindade. Por isso, a fé na divindade de Jesus Cristo seja particularmente defendida e corroborada em nosso tempo.
Cristo não é apenas um homem, nem mesmo um homem de proporções gigantescas – escrevia um jovem. De que me serve um Deus despojado de sua divindade, grandeza, poder, e reduzido à minha própria humanidade?
Já tivemos muitos grandes homens que conseguiram até certo ponto influenciar o espírito humano e modificá-lo. Mas todos, uns mais outros menos, apresentaram suas limitações ideológicas e existenciais, teóricas e práticas.
UMA MENSAGEM REVOLUCIONÁRIA
Houve um Homem há dois mil anos – prossegue o jovem – que ainda hoje nos comove com sua mensagem revolucionária”, mas, diversamente de todos os outros grandes homens – Buda, Confúcio, Maomé, Francisco de Assis, Gandhi, Marx, Martin Luther King -‘ não disse “sou um profeta”, sou um teórico”, “sou um reformador”, “sou um contestador”, “sou um revolucionário” (mesmo que o tenha sido). Disse simplesmente: “Eu sou o Caminho, a Verdade, a Vida”. Cristo é o caminho: não há outras vias para atingir a Deus e para chegar ao homem.
Cristo é a verdade: na confusão ruidosa das mil verdades que só duram um dia, ele permanece como o termo último de todas as verdades.
Cristo é a vida: todos os esforços do homem para vencer as barreiras da morte só conseguem retardar de um momento o terrível encontro. Só Cristo destrói essa barreira e nos abre as portas para uma vida sem fim, em plenitude total. (MUNDO CATÓLICO)

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. . . . (A PALAVRA DE DEUS NA VIDA)

QUEM ME VÊ, VÊ O PAI
Deus, que «habita numa luz inacessível» (1 Tm 6,16), fala também ao homem através da linguagem de todo o universo: «Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, tanto o Seu poder eterno como a Sua divindade, tornam-se reconhecíveis quando as obras por Ele realizadas são consideradas pela mente humana» (Rm 1,20). Este conhecimento indireto e imperfeito […] não é ainda «visão do Pai». «Ninguém jamais viu a Deus», escreve São João, para dar maior relevo à verdade segundo a qual «o Filho unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer» (1,18).

A «revelação» manifesta Deus no insondável mistério do Seu ser ─ uno e trino ─ rodeado de «luz inacessível». Mediante esta «revelação» de Cristo, conhecemos a Deus, antes de mais nada, na Sua relação de amor para com o homem […]» (cf. Tt 3,4).          
É precisamente aqui que «as Suas perfeições invisíveis» se tornam, de maneira particular, «reconhecíveis», incomparavelmente mais reconhecíveis do que através de todas as outras «obras por Ele realizadas». Tornam-se visíveis em Cristo e por meio de Cristo, por intermédio das Suas ações e palavras e, por fim, mediante a Sua morte na cruz e a Sua ressurreição. Deste modo, em Cristo e por Cristo, Deus, com a Sua misericórdia, torna-se também particularmente visível. (EVANGELHO QUOTIDIANO)

EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA
Hoje, Jesus teria dito: Não esquenta. Confia em mim e em Deus! Mas naquele tempo, a fala foi outra: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também.”    

Podemos exagerar nos conceitos e exercícios de santidade e perfeição, os quais são estados ideais da nossa espiritualidade. Porque por mais que os busquemos, jamais os alcançaremos em sua plenitude, tendo em vista a nossa natureza corrompida, a nossa tendência para o mal. Assim, o estado de graça que conseguimos após uma absolvição, é como estar transportando ouro em pó ou água em um vazo de barro, que a qualquer momento poderemos tropeçar, e quebrá-lo, derramando tudo.           
Mas não é por causa dessa nossa fraqueza que vamos deixar de nos esforçar para estar cada vez mais próximos destas duas virtudes. Assim como a Igreja pode ser considerada santa e pecadora, Santa por ser iluminada pelo Espírito Santo, e pecadora por ser composta de seres humanos, “vasos de barros”, sujeitos a quedas. Nós também podemos ser santos e pecadores. Porque diante de Deus o que conta mais é o nosso esforço para fugir do mal e buscar o bem, buscar a santidade, e perfeição e a santidade apesar de inalcançáveis totalmente. O que nunca poderemos ser é imperfeitos e santos, pois o próprio pecado é uma imperfeição.          
Precisamos sorrir. E muitos cristãos, na busca acirrada pela perfeição, podem se fechar em seu mundo, para se afastar da realidade pecaminosa, e assim se afastar do irmão e até de Deus. E nesta atitude alucinante, pode também se esquecer do sorriso, o qual é o cartão de visita do rosto do cristão que está feliz por está com Deus, por confiar no amor de Jesus, por estar tentando diariamente se aproximar da santidade e da perfeição. Quando Jesus disse: “Sede perfeitos como o Pai do Céu é perfeito”, foi uma declaração de um estado ideal que deveríamos buscar diariamente, pois Ele sabia como ninguém, que jamais um ser humano seria capaz de ser perfeito como o Pai.  Lembremos aqui, que nunca seremos dignos de receber a hóstia consagrada, ou seja, comungar, assim como não seremos dignos da vida eterna. Sendo que a nossa salvação realizar-se á pela graça de Deus. O que não significa também que podemos relaxar na busca permanente da perfeição.
Jesus garante hoje que na casa do Pai há muitas moradas. E que Ele vai preparar um lugar para nós, ou será que Jesus estava se referindo somente aos discípulos?  Me ajuda aqui! Alguém poderia me tirar esta pequena dúvida?       
É claro que Jesus também está falando hoje para nós. Os discípulos não foram escolhidos para proclamar o Reino de Deus ao mundo? Nós também o fomos. Somos seus substitutos.        
Em seguida Jesus garante também que Ele é o único caminho para se chegar a morada eterna. ‘Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.  Na nossa vida há vários aminhos, sendo que são dois os principais: o da direita e o da esquerda.    
Se viramos pela esquerda, encontraremos com certeza, muitas pedras de tropeços, ilusões, enganações, dores, sofrimentos, medos, tristeza, etc. Mais se virarmos para o caminho da direita, teremos sofrimentos como todo mundo sim, porém contamos com a forças e a graça divina para suportarmos tudo, e ainda sorrir. O caminho da direita é o caminho que Jesus nos ensinou quando esteve na Terra. É o caminho onde não existe a mentira, somente a verdade. É através dele que chegaremos um dia na Casa do Pai. 
Não adianta pegar outra trilha, ou atalho, pois nenhum outro caminho nos levará a Deus. Porque que foi o próprio Jesus quem afirmou: “Ninguém vai ao Pai senão por mim.”         
E Jesus tinha plena autoridade para afirmar e garantir essas verdades, pois Ele é o próprio Deus. “Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Quem me viu, viu o Pai.    
“… eu estou no Pai e o Pai está em mim”! Isso equivale a dizer que Jesus não era somente homem, nem apenas o Filho de Deus. Mas sim o próprio Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Nunca vamos entender com a nossa mente de cientistas, nem com o nosso raciocínio humano, mas sim com os olhos da fé. Porque ter fé é enxergar além das coisas visíveis. É ver o que os incrédulos não veem.           
“As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras.”  Os apóstolos, aqueles que  iniciaram a Igreja após a ressurreição de Cristo, fizeram muitos milagres, com o poder recebido de Jesus. Nós também poderemos realizar milagres, para que quem nos ouve possam acreditar nas nossas palavras que não são nossa, mais sim do Espírito de Deus.       
“Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas.”     
Só não conseguiremos, se a nossa espiritualidade e a nossa fé forem  muito pequenas!         
Fé,  é  caminhada, é compromisso, é partilha, é ver além do horizonte, além das coisas visíveis aos olhos físicos. Porém, ter uma fé só de emoções, não  produz frutos, não sobrevive aos vendavais da vida, pois  não tem raízes  que a sustente. E  isso acontece quando não estamos unidos a Jesus. E  sem Ele, caímos no vazio, pois Ele é o único alimento que nos sustenta durante nossa  caminhada terrestre!           
O Evangelho de hoje, nos mostra  a paciência de Jesus com os seus Apóstolos, quando através do diálogo, Jesus  procurava prepará-los para enfrentara realidade da vida, e para eles não tropeçassem nas pedras do caminho, mas sim, desfrutassem da verdadeira alegria de ter vida em abundância. (LITURGIA DIÁRIA COMENTADA)

EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA. NINGUÉM VAI AO PAI SENÃO POR MIM     
Hoje, a cena que contemplamos no Evangelho põe-nos diante da intimidade que existe entre Jesus Cristo e o Pai; mas não é só isso, também nos convida a descobrir a relação entre Jesus e os seus discípulos. «E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também» (Jo 14,3): estas palavras de Jesus, não só situam os discípulos numa perspectiva de futuro, como os convida a manterem-se fieis ao seguimento que tinham empreendido. Para compartilhar com o Senhor a vida gloriosa, hão de compartilhar também o mesmo caminho que leva Jesus Cristo às moradas do Pai.
«Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?» (Jo 14,5). Jesus respondeu: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se me conhecestes, conhecereis também o meu Pai. Desde já o conheceis e o tendes visto» (Jo 14,6-7). Jesus não propõe um caminho simples, certamente; mas marca-nos o caminho. Ainda mais, Ele mesmo que se faz Caminho para o Pai; Ele mesmo, com a sua ressurreição, faz-se Caminhante para nos guiar; Ele mesmo, com o dom do Espírito Santo nos alimenta e fortalece para não desfalecer no peregrinar: «Não se perturbe o vosso coração» (Jo 14,1).
Neste convite que Jesus nos faz, de ir ao Pai por Ele, com Ele e Nele, se revela o seu desejo mais íntimo e a sua mais profunda missão: «Ele que por nós se fez homem, sendo o Filho único, quer fazer-nos seus irmãos e, para isso, faz chegar até ao Pai verdadeiro a sua própria humanidade, levando nela consigo a todos os da sua mesma raça» (São Gregório de Niza).
Um Caminho para andar, uma Verdade para proclamar, uma Vida para compartilhar e desfrutar: Jesus Cristo. (EVANGELI)

O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA
1. “Vou preparar-vos um lugar” (Jo 14,3), assegura Jesus, na hora da despedida! Para o alcançar, não é preciso ganhar eleições, nem seguir uma nova doutrina, uma ideia genial, ou fazer uma especial escolha moral! No princípio da fé cristã, está simplesmente «o encontro com a pessoa viva de Jesus Cristo, que dá a Vida um horizonte novo e um rumo decisivo» (Bento XVI, DCE 1)! O que é preciso mesmo é entrar e percorrer esse «caminho novo, vivo» (Heb 10,20) e verdadeiro, que é Jesus! Jesus é o Caminho: sem Ele não se vai ao Pai e o Pai é a meta desse caminho! Jesus é a Verdade: revela o rosto do Pai, anuncia e encarna a sua Palavra eterna e cumpre a sua vontade! E sem essa Verdade, falta a orientação a quem faz o caminho! «Sem Ele, o ser humano não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja» (Bento XVI, CV, 78). Jesus é a Vida: e não fosse Ele a Vida, restaria apenas a morte, no fim de um caminho!         

2. Para os primeiros cristãos, a fé cristã não é, pois, mais uma religião nova, e ser cristão não é um estado, nem um estatuto de vida, mas «um caminho» aberto por Jesus, que se faz caminhando, no seio e no meio de uma comunidade, que se constrói, também ela, dia a dia! 
Por isso «o lugar» prometido no céu, exige, antes de mais, a cada um ocupar «o lugar» que lhe é reservado neste mundo e na Igreja. Jesus apenas deu início a essa obra, da qual Ele mesmo é o alicerce, a “pedra angular”. Mas não nos deixou uma Igreja feita e perfeita. Somos nós, «as pedras vivas, deste templo espiritual, em construção» (cf. I Pe 2,4)! E é importante que cada um descubra, ocupe e desempenhe aqui o seu próprio lugar! 
3. Desta Igreja em construção, com lugar para todos e para cada um, recolhemos um precioso testemunho na primeira leitura, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos! Ali se descrevia uma Igreja acabada de nascer, já em crise de crescimento! “Os Apóstolos, a quem estavam confiados antes de mais a «oração» (a Eucaristia e a Liturgia) e o «serviço da Palavra», sentiram-se excessivamente carregados pelo «serviço das mesas»; decidiram, por isso, reservar para eles o ministério principal e criar para a outra mansão, também ela necessária na Igreja, um organismo de sete pessoas. Mas este grupo de servidores, que justamente serão chamados «diáconos», não devia realizar um serviço meramente técnico de distribuição: deviam ser homens «cheios do Espírito Santo e de sabedoria» (cf. At 6, 1-6). Quer dizer que o serviço social, que os diáconos tinham de cumprir, era concreto, sem dúvida alguma, mas, ao mesmo tempo, era também um ofício verdadeiramente espiritual, que realizava um dever essencial da Igreja: o do amor ao próximo. Com a formação deste organismo dos Sete, a «diaconia» — isto é, o serviço do amor ao próximo, exercido comunitariamente, e de modo ordenado pela comunidade cristã, — fica instaurada, na estrutura fundamental da própria Igreja” (Bento XVI, DCE 21).    
4. Importa muito, daqui mesmo, tirar algumas conclusões, de ordem pastoral:           
1º: Fica claro que a Igreja não pode, nem deve, descurar o serviço da caridade, tal como não pode negligenciar os Sacramentos nem a Palavra. Anúncio da Palavra, Liturgia e Caridade “são deveres que se reclamam mutuamente, não podendo um ser separado dos outros” (Bento XVI, DCE 25 a).       
2º: “No seio da comunidade dos crentes não deve haver uma forma de pobreza tal, que sejam negados a alguém os bens necessários para uma vida condigna. A prática organizada da caridade é parte essencial do testemunho da comunidade cristã” (Bento XVI, DCE 20).        
3º: Todavia sejamos claros: “Para a Igreja, a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social, que se poderia mesmo deixar a outros, mas pertence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência” (Bento XVI, DCE 25 a)! Mesmo que façamos o mesmo que outras instituições, devemos fazê-lo de maneira diferente, movidos pelo amor de Cristo!     
Como vimos, “um passo decisivo na difícil busca de soluções para realizar este princípio de que é preciso organizar a caridade na comunidade torna-se patente naquela escolha de sete homens, que foi o início do ministério diaconal (cf. At 6, 5-6)” (cf. Bento XVI, DCE 21). Por isso rejubilamos, com a crescente afirmação do diaconado permanente na nossa Diocese, e presente na Paróquia, sobretudo no propósito de que a caridade organizada ganhe corpo e alma, na vida da Igreja! 
5. Irmãos e irmãs:  
Os tempos difíceis que vivemos, e cuja dureza e crueza se vão fazer sentir ainda mais, exigem da comunidade paroquial uma resposta de proximidade, mais atenta e mais adequada! Saúdo e desafio a conferência vicentina, os visitadores de doentes, os MESC’s, os voluntários ao serviço dos sem-abrigo, os corpos sociais do nosso “Centro Social”, a encontrar resposta para as novas e diversas formas de pobreza. Demos a nossa parte. Mas demo-nos inteiramente! E, em caso algum, e na aflição da crise, se perturbe o vosso coração! Tenhamos fé. Tenhamos confiança. É que na base da construção da Igreja, enquanto «comunidade de amor», não está a nossa ciência, nem a nossa eficiência. Está Cristo, como Pedra Angular! E aqui não há desemprego! Aqui há sempre um lugar preparado para Ti! (ABC DA CATEQUESE)

QUEM ME VÊ A MIM, VÊ O PAI
A Liturgia da Palavra deste 5º Domingo da Páscoa – A, diz-nos que Jesus Ressuscitado é Caminho, Verdade e Vida. A afirmação de Jesus personaliza os temas bíblicos característicos e permite a toda a experiência humana confrontar-se com ele sobre o sentido fundamental da existência.        

«Jesus Cristo, Verbo feito carne, enviado como “homem aos homens”, “fala as palavras de Deus” e consuma a obra da salvação a Ele confiada pelo Pai. 
Eis porque Ele, ao qual quem vê, vê também o Pai, pela plena presença e manifestação de si mesmo por palavras e obras, sinais e milagres, e especialmente por sua morte e gloriosa ressurreição dentre os mortos, enviado finalmente o Espírito de verdade, aperfeiçoa e completa a revelação e a confirma com o testemunho divino de que Deus está conosco para nos libertar das trevas do pecado e da morte e para nos ressuscitar para a Vida Eterna.       
A 1ª Leitura, dos Atos dos Apóstolos, diz-nos que, a fim de não ficarem totalmente absorvidos pelos problemas internos da Igreja, comunidade em contínuo crescimento, os Apóstolos, invocado o Espírito Santo, tomam a resolução de instituir sete colaboradores, escolhidos na mesma comunidade, os quais, sem descurarem o trabalho da evangelização, ficarão, contudo, especialmente encarregados da caridade e dos serviços materiais.  
– «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para fazermos o serviço das mesas. Procurai, pois, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para os pormos à frente desse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao serviço da palavra». (1ª Leitura).       
Deste modo, os Apóstolos, «servos da palavra», poderão dedicar-se, exclusivamente, àquilo que é essencial: o anúncio da «boa notícia» da salvação. Na verdade, «é através da palavra de Deus que a fé nasce nos corações, os ídolos, forjados pelos homens se desmoronam e as mesmas civilizações se transformam».       
Tudo se consegue, esperando na misericórdia do Senhor, como proclama o Salmo Responsorial:  
– “Esperamos, Senhor, na Vossa misericórdia”.         
Na 2ª Leitura, S. Pedro diz-nos que, a pedra rejeitada pelos homens, que O fizeram passar pela Paixão e Morte, Jesus Cristo tornou-Se, pela Sua Ressurreição, pedra viva, sobre a qual foi construída a Igreja, o novo Povo de Deus.           
– Aproximai-vos do Senhor. Ele é a Pedra viva, rejeitada, é certo, pelos homens, mas, aos olhos de Deus, escolhida e preciosa. (2ª Leitura).         
Unindo-se a Cristo pela sua fé, o cristão torna-se, por seu lado, pedra viva desse edifício espiritual. Embora de modo essencialmente diverso do dos ministros consagrados, fica a participar do Sacerdócio único de Cristo. Pode assim apresentar a Deus a oferta espiritual de toda a sua existência, o seu amor, a sua entrega aos irmãos, o seu trabalho e o seu compromisso temporal. Pode anunciar as maravilhas do amor de Deus.        
O Evangelho é de S. João e diz-nos que, pela Sua vida e pelas Suas palavras, Jesus revelou-nos, perfeita e seguramente, o Pai, de tal modo que, desde o momento em que o Filho de Deus se fez Filho do homem, Deus deixou de ser inacessível e inatingível.         
Em Jesus, sacramento de encontro com Deus, o homem entrou, definitivamente, em comunhão de pensamento e de vida com o Pai.           
– «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim». Se Me conhecêsseis, conheceríeis também Meu Pai. Agora ficais a conhecê-l’O e já O vistes”. (Evangelho).           
Esta comunhão com Deus é possível, mesmo neste tempo que decorre entre a partida de Jesus e a Sua vinda final. Cristo é o Caminho, enquanto viveu na sua pessoa a transfiguração da humanidade fiel na glória de Deus e comunica essa experiência aos seus irmãos. É a casa de Deus, porque nele e com ele a humanidade encontra o Pai e vive da sua vida. Só Cristo, a cujas mãos o Pai confiou todas as coisas, pode comunicar a Vida, que é o conhecimento, cheio de amor de Deus. 
Cristo é a Verdade plena e profunda de todas as religiões, das suas doutrinas, dos seus ritos e dos seus comportamentos, na medida em que constituem uma busca sincera de Deus. Se Cristo é o único caminho que leva à casa do Pai, a Igreja em marcha participa do mesmo mistério; realiza no tempo a “passagem” ao Pai, que o Senhor Jesus cumpriu na sua páscoa de sofrimento e de glória.    
Ela não é a casa definitiva, mas apenas a tenda de reunião, o ponto de referência que não deve, com escleroses ideológicas ou discriminações práticas, impedir aos homens o diálogo de salvação com Aquele que é caminho, verdade e vida. Porque sobre ele, como pedra fundamental está fundada a Igreja, uma pedra que é segurança para quem nela se ancora, mas que acaba constituindo um tropeço para quem não crê.
Cristo é o “sinal de contradição” para muitos, enquanto para nós é o novo Sinai, a rocha em torna da qual a nossa assembleia sela a Nova Aliança com Deus. A figura de Cristo hoje impressiona e seduz muitos homens do nosso tempo, especialmente os jovens, por tudo o que de humano transmite, pelo seu amor aos pobres, pela sua coerência, pela sua tomada de posição levada até à morte, contra as pretensões do poder.         
Mas há o risco de que esse Cristo seja visto em perspectiva simplesmente humana, deixando para o segundo plano ou mesmo recusando a sua divindade. Por isso, a fé na divindade de Jesus Cristo seja particularmente defendida e corroborada no nosso tempo.
Cristo não é apenas um homem nem mesmo um homem de proporções gigantescas. De que me serve um Deus despojado da sua divindade, da sua grandeza, do seu poder e reduzido apenas à minha própria humanidade? Já tivemos muitos homens “grandes”, que conseguiram até certo ponto influenciar o espírito humano e modificá-lo.  
Mas todos, uns mais outros menos, apresentaram as suas limitações ideológicas e existenciais, teóricas e práticas. Com efeito na Igreja de Jesus foi-nos preparada uma morada, na qual temos acesso permanente ao Pai, «num único Espírito», e pela qual nos encontramos em bom caminho no plano da História da Salvação.        
…………………………    
Diz o Catecismo da Igreja Católica:       
2780. – Nós podemos invocar a Deus como «Pai», porque Ele nos foi revelado por Seu Filho feito homem e porque o Seu Espírito no-l’O deu a conhecer. O que o homem não pode conceber nem os poderes angélicos podem entrever a relação pessoal do Filho com o Pai, eis que o Espírito do Filho nos faz participar dela, a nós que cremos que Jesus é o Cristo e que nascemos de Deus.    
2782. – Nós podemos adorar o Pai, porque Ele nos fez renascer para a Sua vida, adaptando-nos por Seus filhos em Seu Filho Único: pelo Baptismo, incorpora-nos no Corpo do Seu Cristo; e pela Unção do Seu Espírito, que da cabeça se derrama pelos membros, faz de nós «cristos». (CATEQUISTA)

ORAÇÕES DO DIA

1ª ORAÇÃO DO DIA: COLETA         
Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus…

2ª ORAÇÃO DO DIA: PRECE DA ASSEMBLEIA          
— Abençoai, Senhor, o vosso povo.           
— Pelos pastores da Igreja e por suas ovelhas, para que sigam Jesus caminho, verdade e vida, rezemos.           
— Pelas comunidades cristãs, para que encontrem soluções criativas e eficazes para suas dificuldades, rezemos.      
— Pelos que constroem sua existência longe de Jesus, rezemos.  
— Pelos pais e mães, para que conduzam seus filhos e filhas no caminho da verdade e da vida, rezemos.           
— Pelos que têm a missão de transmitir a verdade do evangelho, rezemos.

3ª ORAÇÃO DO DIA: SOBRE AS OFERENDAS
Ó Deus, que, pelo sublime diálogo deste sacrifício, nos fazeis participar de vossa única e suprema divindade, concedei que, conhecendo vossa verdade, lhe sejamos fiéis por toda a vida. Por Cristo, nosso Senhor.

4ª ORAÇÃO DO DIA: DEPOIS DA COMUNHÃO
Ó Deus de bondade, permanecei junto ao vosso povo e fazei passar da antiga à nova vida aqueles a quem concedestes a comunhão nos vossos mistérios. Por Cristo, nosso Senhor.

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