LD – 29/05/11 (Domingo)

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
29/Mai/2011 (Domingo) – VI Semana da Páscoa
(branco, glória, creio – II semana do saltério)
. . .

Vamos então nos preparar para a Leitura, orando juntos: Jesus Mestre, que dissestes: “onde dois ou mais estiverem reunidos em seu amor, eu aí estarei no meio deles”. Amém!

Jesus nos garante sua presença entre nós por intermédio do Espírito Santo. O Espírito é nosso defensor e nos revela a verdade do Pai. A páscoa de Jesus se realiza nas pessoas e comunidades que se deixam iluminar e conduzir pelo Espírito de Deus.

LEITURAS

Vamos fazer a Leitura dos Atos dos Apóstolos 8,5-8.614-17
Impuseram-lhes as mãos e eles receberam o Espírito Santo

Naqueles dias, 5Filipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo. 6As multidões seguiam com atenção as coisas que Filipe dizia. E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia. 7De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados. 8Era grande a alegria naquela cidade. 14Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, souberam que a Samaria acolhera a Palavra de Deus, e enviaram lá Pedro e João. 15Chegando ali, oraram pelos habitantes da Samaria, para que recebessem o Espírito Santo. 16Porque o Espírito ainda não viera sobre nenhum deles; apenas tinham recebido o batismo em nome do Senhor Jesus. 17Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.

Vamos cantar o Salmo 65(66)
Aleluia, aleluia, aleluia!

— Aleluia, aleluia, aleluia!
— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,/ cantai salmos a seu nome glorioso,/ dai a Deus a mais sublime louvação!/ Dizei a Deus: “Como são grandes vossas obras!        

— Toda a terra vos adore com respeito/ e proclame o louvor de vosso nome!”/ Vinde ver todas as obras do Senhor:/ seus prodígios estupendos entre os homens!  
— O mar ele mudou em terra firme,/ e passaram pelo rio a pé enxuto./ Exultemos de alegria no Senhor!/ Ele domina para sempre com poder!           
— Todos vós, que a Deus temeis, vinde escutar:/ vou contar-vos todo bem que ele me fez!/ Bendito seja o Senhor Deus que me escutou,/ não rejeitou minha oração e meu clamor,/ nem afastou longe de mim o seu amor!

Vamos fazer a leitura da primeira carta de são Pedro 3,15-18
Sofreu a morte na sua existência humana

Caríssimos: 15Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir. 16Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência. Então, se em alguma coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom procedimento em Cristo. 17Pois será melhor sofrer praticando o bem, se esta for a vontade de Deus, do que praticando o mal. 18Com efeito, também Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo, pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito.

Vamos proclamar o evangelho de Jesus Cristo segundo João 14,15-21
Amar é acolher a proposta de Jesus / Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro defensor

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 15Se me amais, guardareis os meus mandamentos, 16e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: 17º Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. 18Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. 19Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. 20Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós. 21Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.

COMENTÁRIOS

Jesus Cristo nos disse: “Eu sou o CAMINHO…
Qual o CAMINHO que a Palavra diz para mim? Testemunho este amor na vida concreta, cumprindo os mandamentos que Ele sintetiza em “amar a Deus” e “amar o próximo”. Os bispos, na Conferência de Aparecida, afirmaram: “Os discípulos de Jesus são chamados a viver em comunhão com o Pai (1 Jo 1,30 e com seu Filho morto e ressuscitado, na “comunhão no Espírito Santo” (1 Cor 13,13). O mistério da Trindade é a fonte, o modelo e a meta do mistério da Igreja: “um povo reunido pela unidade do Pai do Filho e do Espírito”, chamado em Cristo “como sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”. A comunhão dos fiéis e das Igrejas locais do Povo de Deus se sustenta na comunhão com a Trindade..” (DAp 155). (PAULINAS)

… a VERDADE…
Qual a VERDADE que a Palavra me diz? Leio, na minha Bíblia, Jo 14,15-21. Jesus fala das condições do amor. Quem observar os mandamentos:       

– Jesus vai pedir ao Pai por ele;  
– o Pai lhe enviará um Defensor: o Espírito da Verdade;     
– o amor criará uma profunda comunhão: Jesus está no Pai, os que observam os mandamentos estão em Jesus; Jesus está nos que o seguem.          
Acolher e observar os mandamentos de Jesus é demonstrar-lhe amor. (PAULINAS)

… e a VIDA”.
Qual a VIDA que o texto me leva a dizer a Deus? Pai, concede-me o dom do teu Espírito que, como luz, dissipa as trevas e me faz caminhar seguro pelos caminhos de teu Filho Jesus. (PAULINAS)

Qual deve ser a minha VIDA e MISSÃO hoje?
Qual o meu novo olhar a partir da Palavra? Sinto-me discípulo/a de Jesus. Meu novo olhar me leva a ver e tratar as pessoas com o amor com que eu gostaria de ser tratada/o. (PAULINAS)

REFLEXÕES

COMUNHÃO COM JESUS, O PAI, NO ESPÍRITO       
João, com seu harmonioso estilo literário, reapresenta, ao longo do discurso de despedida de Jesus na última ceia, os principais temas da revelação: o amor do Pai e de Jesus; os mandamentos de Jesus e o novo mandamento do amor; o crer em Deus e em Jesus, Caminho, Verdade e Vida; o conhecer Jesus e o Pai; permanecer em Jesus; o dom do Espírito de Amor e o dom da vida eterna na comunhão com Jesus e o Pai, no Espírito. No evangelho de hoje, trecho deste discurso, é retomado o tema dos mandamentos de Jesus e sua observância, e o dom do Espírito. Os mandamentos de Jesus se expressam em formas diversas: guardar a sua palavra, ter fé e praticar o que ele viveu, crer nele e ter a vida eterna, praticar a verdade, acolher seu testemunho, trabalhar pelo alimento que permanece para a vida eterna, servi-lo e seguir seu exemplo de serviço. Todos seus mandamentos convergem para o seu novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34.35; 15,12 – cf. 27 maio). A culminância dos mandamentos é o amor divino de Jesus a ser vivido pelos discípulos, em comunhão de vida eterna com o Pai. Associado a este amor está o dom do Paráclito, o Espírito da Verdade. O Pai dará este Espírito, ele permanece junto de nós e está em nós. Futuro e presente se unem, no dom do Espírito. O Paráclito, palavra de origem grega, significa consolador ou defensor. O termo grego, em suas variantes, é abundantemente usado nos textos paulinos, com o sentido de consolo. É também usado algumas vezes em Lucas, e uma única vez nos sinóticos, na bem-aventurança dos que choram (Mt 5,4). Com a sentença: “Ainda um pouco de tempo e o mundo não mais me verá; mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis”, Jesus afirma sua permanência na vida divina e eterna e o dom desta vida àqueles que cumprem seu mandamento de amor. A expressão “porque eu vivo” se diferencia da tradição sacrifical judaico-cristã segundo a qual Jesus morto na cruz transforma-se em um cadáver a ser reanimado novamente por sua ressurreição, tornado então Filho de Deus, como prêmio de seu auto sacrifício. O Espírito que nos é dado nos revela a presença de Jesus entre nós: “Não vos deixarei órfãos: eu voltarei a vós… Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim, e eu em vós “. A volta de Jesus, ele no Pai, os discípulos nele e ele nos discípulos, significa a comunhão de vida eterna com Deus já neste mundo, a partir da comunhão de amor. Na primeira leitura, a imposição das mãos para a comunicação do Espírito é apresentada como complemente ao “batismo de Jesus”. Contudo, em sentido oposto, mais adiante, em Atos (10,44-48), quando Pedro, na Samaria, ainda falava, o Espírito Santo caiu sobre todos os que ouviam a Palavra. Então Pedro declara: “Poderia alguém recusar a água do batismo para estes que receberam o Espírito Santo, assim como nós?”. E determinou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Na segunda leitura, a comunidades que sofrem perseguições, é dado um estímulo a serem testemunhas de sua esperança, a partir do testemunho de Jesus, “morto, sim, na carne, mas vivificado no Espírito”. O Espírito é a garantia da permanência na vida divina, no sofrimento ou na morte física. (PAULINAS)

A ENCARNAÇÃO DO VERBO           
O Evangelho de João abre janelas para a contemplação do mistério da encarnação do Verbo, através das palavras de Jesus, desabrochadas e vividas em suas comunidades. Somos estimulados a permanecer no amor de Jesus. Compreendemos que o amor dele por nós é o mesmo amor do Pai por ele. A fonte do amor é o amor entre o Pai e o Filho. É o amor apropriado ao Espírito Santo. Permanecer no amor de Jesus é entrar em comunhão com esta dinâmica de amor e vida entre o Pai e o Filho, inserindo-se na comunidade de discípulos. É irradiar envolvendo a outros, ampliando a comunidade de amor e prolongando-a no tempo. Jesus permanece no amor do Pai, e isto significa que ele observa e cumpre o que o Pai mandou. Não se trata de uma obediência cega, de um inferior a um superior, mas de uma união amorosa de vontades. O amor vivido em nossas comunidades é fruto da nossa permanência em Jesus. Este amor, que é o amor de Jesus, é transbordante. As comunidades, em sua missão, comunicam este amor ao mundo, gerando vida e alegria. Na primeira leitura, vemos como o Espírito Santo de amor desconheceu as fronteiras do judaísmo e infundiu-se no coração dos pagãos na Samaria. Pedro, pioneiro apóstolo dos gentios, dá testemunho de que o Deus de amor não faz discriminação entre as pessoas. “Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença.” A Primeira Carta de João (segunda leitura) é um exuberante hino ao amor. Nos seus cinco capítulos, ele usa cinquenta e duas vezes as palavras amar ou amor. Deus é amor. Esta é a realidade de Deus, revelada por Jesus aos discípulos e às multidões, em sua vida e em seus atos. Se Deus é todo-poderoso na criação do universo, ele é todo amor em sua relação com seus filhos, homens e mulheres, em todos os tempos e em todos os povos. (DOM TOTAL)

CONDUZIDOS PELO ESPÍRITO DA VERDADE
Jesus despede-se dos Seus discípulos e inaugura uma missão especialíssima para mim e para você. Ele sobe para o Pai a fim de ser o mediador – junto ao Pai – e a fim de nos comunicar o Espírito Santo.
É a mediação futura, porque feita após a Sua ressurreição, através da nova condição que terá diante de Deus (Jo 14,16-17). O Espírito será, então, enviado pelo Pai em nome de Jesus (Jo 14,26). Logo, você e eu receberemos de Deus o Espírito Santo somente através de Cristo. Dada a necessidade salvífica deste gesto e sua relevância para a existência da Igreja, reafirma-se, novamente, a importância capital da mediação de Jesus nas relações do homem com Deus. Ninguém vai ao Pai senão por Ele.
Com a Sua subida para o Céu, Jesus nos faz ver as várias funções do Espírito Santo. Ele é o nosso Advogado ou Protetor e Mestre da Verdade (Jo 14,16-17.25-26). Na ausência de Cristo, o Espírito há de proteger e defender, em quaisquer circunstâncias, os discípulos de Jesus no mundo, guiando-os e dando-lhes segurança. Manterão viva a mensagem de Jesus, recordando-a e interpretando-a no tempo, de sorte que os discípulos penetrem o seu sentido. Além disso, o Espírito é Santo e santificador, consagrando os discípulos, ou seja, separando-os para serem semelhantes a Jesus, o consagrado por excelência.
A mediação de Jesus Ressuscitado, em ordem à vinda do Espírito, faz-nos viver a espiritualidade das Solenidades que se aproximam: Ascensão e Pentecostes. A temática serve, pois, de preparação para o encerramento do tempo pascal, revelando a relação existente entre a Páscoa e Pentecostes ou entre a ação do Ressuscitado, entronizado em sua glória, e a vinda do Espírito. Além disso, demonstra o modo do agir trinitário de Deus em ordem à Salvação dos homens. Deus enquanto Pai é criador, enquanto Filho é Salvador e enquanto Espírito Santo é Vivificador, Consolador, Fortalecedor, Advogado.
O Espírito prometido nos revela a presença de Jesus entre nós. É a presença na comunidade em que se vive o amor. Este amor é a união com Jesus e com o Pai. Quem assim ama reconhece a presença de Jesus. Amar Jesus é amar-nos uns aos outros.
É urgente crer em Deus e em Jesus, Caminho, Verdade e Vida. Quem ama passa a conhecer Jesus e quem o conhece conhecerá também o Pai, porque Ele o dá a conhecer a todos os que permanecem no Seu amor. Este amor é o dom do Espírito de amor e o dom da vida eterna na comunhão com Jesus e o Pai, no Espírito.
Pai, concede-me o dom do Vosso Espírito que – como luz – dissipa as dúvidas e as trevas do meu coração e me faça caminhar seguro pelos caminhos do Vosso Filho Jesus – que é o Caminho, a Verdade e a Vida – que me conduz a Vós. (HOMILIA DIÁRIA)

O ESPÍRITO DA VERDADE ANIMA E SUSTENTA A CAMINHADA DA COMUNIDADE
O trecho do evangelho de hoje faz parte do discurso de despedida (Jo 13-17). É o testamento que Jesus, antes de partir, deixa à sua comunidade. Os discípulos estão abalados diante do iminente desaparecimento de Jesus. Estão tristes porque o Mestre tinha dito que um deles o trairia e Pedro o negaria naquela mesma noite. Nosso texto apresenta dois temas importantes: o amor (vv. 15.21) e o Advogado, isto é, o Espírito Santo (vv. 16-20).
a. O amor a Jesus (vv. 15.21)
Jesus fala aos discípulos, mostrando que existe uma forma de superar o medo, a separação e a morte. Essa forma é o amor: ‘Se vocês me amam, observarão os meus mandamentos’ (v. 15). Tal afirmação pode parecer difícil para nós, pois se tem a impressão de que os mandamentos sejam uma espécie de freio ou limite à capacidade de amar. Quem ama não impõe! Contudo, é preciso compreender bem o que Jesus quer dizer quando fala de mandamentos. Pouco antes ele havia deixado à comunidade a regra de ouro, o segredo da felicidade: ‘Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros’ (13,34). Aí está a síntese dos mandamentos de Jesus. Vivendo no amor, a comunidade está amando a Jesus e observando seus mandamentos. Portanto, o critério para saber se os cristãos são de fato seguidores de Jesus é a capacidade de amor mútuo na comunidade e fora dela. O amor não pode ser vivido em circuito fechado, egoisticamente, mas projetado para fora, da mesma forma como agiu Jesus, que veio trazer a vida em plenitude para todos.
Se no v. 15 Jesus falava à comunidade como um todo, no v. 21 ele demonstra que amar é um compromisso pessoal indispensável: ‘Aquele que tem os meus mandamentos e os observa, esse me ama’ (v. 21a). Amar é ação que prolonga a ação de Jesus em favor de todos. É dar a vida, consumida inteiramente pela causa de Jesus. O Pai, que manifestou sua bondade em Jesus, devotará ao discípulo o mesmo amor que revelou no Filho. E o discípulo será a epifania de Deus neste mundo: ‘Quem me ama será amado por meu Pai. Eu também o amarei e me manifestarei a ele’ (v. 21b). No Antigo Testamento, Deus se manifestava em sinais. Hoje, manifesta-se no cristão que ama Jesus.
b. O Espírito da Verdade, Advogado dos cristãos (vv. 16-20)
Jesus fala do Espírito Santo e o apresenta como ‘um outro Advogado’ (v. 16). Advogado é aquele que defende uma causa nos tribunais. Depois da morte e ressurreição de Jesus, a comunidade encontrou-se diante do mundo hostil que a persegue e mata seus membros. Quem sustentará a luta de Jesus que se prolonga agora na vida dos cristãos? O defensor é o Espírito Santo, que permanece para sempre na vida da comunidade. Ele é chamado de Espírito da Verdade, isto é, aquele que estará presente em todas as ações dos cristãos em defesa da liberdade e da vida, como fez Jesus. É o Espírito de Jesus. Jesus é a Verdade (14,6; cf. o evangelho do domingo passado). O Espírito da Verdade é a memória da fidelidade de Jesus na vida da comunidade cristã. Esta não caminha em direção ao vazio e à derrota, porque o caminho de Jesus leva à vida. E o Espírito é a ação do Senhor atualizada na caminhada da comunidade.
A exemplo do Mestre, os cristãos enfrentam o mundo hostil, o mundo da mentira, que se opõe ao Espírito da Verdade. Enfrentam-no para transformá-lo. E a força para isso vem do Espírito (Advogado), que abre novos caminhos para a prática de Jesus no meio dos cristãos (cf. I e II leituras). O evangelho de hoje afirma que ‘o mundo’ (a sociedade injusta) não vê o Espírito da Verdade nem o experimenta (v. 17a) porque, para ele, o projeto de Deus fracassou na morte de Jesus. ‘O mundo’ não percebe que o amor de Deus e da comunidade é mais forte que a morte. A comunidade cristã, que vive no amor, experimenta a força do Espírito de Jesus, doador da vida. Esse Espírito já está presente nela, permanecendo para sempre (v. 17b).
Jesus havia anunciado aos discípulos que iria partir para o Pai (13,33). Essa afirmação deixara nos discípulos a sensação do abandono total, como os órfãos, sem proteção nem defesa. Jesus garante à comunidade que não a deixará no abandono e na orfandade, mas estará presente nela (v. 18). O mundo não mais verá Jesus, pois a sociedade injusta que o matou pensa ter tido a vitória definitiva. Mas Jesus é Vida. Nele a comunidade viverá e o verá (v. 19). Por que o mundo não o verá mais, mas somente a comunidade? Porque ele se manifesta no amor e no Espírito que faz os cristãos reviverem a experiência de Jesus. Vivendo a experiência do Espírito, Jesus viverá nos cristãos.
O Espírito, que procede do Pai (15,26) e que Jesus comunica aos discípulos, leva os cristãos ao reconhecimento de que Jesus e o Pai são uma só coisa (10,30). Em comunhão com esse Espírito, também os cristãos são uma só coisa com Cristo. (MUNDO CATÓLICO)

. . .
. . . . (A PALAVRA DE DEUS NA VIDA)

EU APELAREI AO PAI E ELE VOS DARÁ OUTRO PARÁCLITO PARA QUE ESTEJA SEMPRE CONVOSCO
Da mesma maneira que Jesus Cristo pregava, prega agora o Espírito Santo; da mesma maneira que Ele ensinava, ensina o Espírito Santo; da mesma maneira que Cristo consolava, consola e alegra o Espírito Santo. Que pedes? Que procuras? Que mais queres tu? Ter em ti um conselheiro, um pedagogo, um guardião, alguém que te guia, que te aconselha, que te encoraja, que te encaminha, que te acompanha em tudo! Finalmente, se não perderes a graça, Ele estará de tal modo a teu lado que não poderás fazer, nem dizer, nem pensar em nada que não passe primeiro pela Sua mão e pelo Seu santo conselho. Será para ti um amigo fiel e verdadeiro; não te abandonará se tu não O abandonares.

Da mesma maneira que Cristo, durante a Sua vida mortal, fazia grandes curas e espalhava a Sua misericórdia nos corpos daqueles que tinham necessidade d’Ele e O chamavam, assim este Mestre e Consolador opera obras espirituais, nas almas em que habita. […] Cura os coxos, faz com que os surdos ouçam, dá vista aos cegos, traz de regresso os transviados, ensina os ignorantes, consola os aflitos, encoraja os fracos (cf Mt 15,31). Cristo fazia estas obras santíssimas entre os homens e não podia tê-las feito se não fosse Deus; fazia-as com a natureza humana que tinha assumido e dizemos, portanto, que foram feitas por um Deus-homem. Do mesmo modo, a essas outras obras que o Espírito Santo faz aqui na terra, no coração em que habita, chamamos-lhes obras do Espírito Santo através do homem, aqui considerado como elemento secundário.        
Não poderemos considerar como infeliz e desafortunado aquele que não possui essa união, aquele que não tem um tal Hóspede em sua casa? […] Dizei-me, já O recebestes? Já O chamastes? Já O importunastes para que Ele venha? […] Que Deus esteja connosco! Não sei como […] podeis viver privados de tão grande bem. Vede todos os bens, todas as graças e misericórdias que Cristo veio fazer aos homens: esse Consolador derrama-as a todas nas nossas almas. (EVANGELHO QUOTIDIANO)

O ESPÍRITO SANTO DE DEUS        
O Espírito Santo é aquele que habitando em nós, nos guia, nos ilumina, e nos protege. É aquele que fala através de nós na nossa missão de evangelizar, realiza milagres pelas nossas mãos, nos dá força para vencer os instintos da carne e viver segundo o Espírito.         

O Espírito Santo está presente na Igreja, como que a água viva que alimenta todos os seus membros, orientando todas as suas ações, e corrigindo todos os seus passos. É Ele que fala aos cristãos através dos catequistas, seja nos encontros, seja nas homilias dos padres, seja nos conselhos dos confessores, etc.           
No nosso batismo, morremos para o pecado e recebemos o Espírito Santo para habitar em nós. É nosso dever, portanto, cultivar a sua presença, assim como respeitá-la, e recorrer a ela nas horas difíceis, e principalmente quando estamos levando o Cristo ao irmão seja pelo nosso exemplo, seja pela palavra. Pois não somos nós que falamos de Deus, mas sim, é o seu Espírito que fala através da nossa boca. Porém, é indispensável que falemos não só através dos nossos lábios, mas com o nosso corpo todo, ou melhor, com todo o nosso ser, corpo e mente sintonizados no Espírito Santo Paráclito. E uma vez ligados sem reservas a Ele, teremos a força necessária para negarmos a nós mesmos, para dizer não aos nossos instintos que nos acorrentam ao pecado da carne, e viver plenamente da graça, e acompanhados do Espírito de verdade, a nos guiar 24 horas sem cessar.    
E pelo poder do Espírito Santo, poderemos até realizar milagres como o fizeram os apóstolos. Pois uma das atividades do Espírito de Deus, é de revelar e confirmar a mensagem de Deus ao homem, através de demonstrações do seu poder na nossa pessoa.           
Já os profetas, eram “movidos pelo Espírito Santo” para falar, foram orientados ou levados pelo Espírito Santo para dizerem exatamente o que Deus queria que fosse dito ao povo de Deus. O Espírito Santo participou ativamente na revelação da vontade de Deus naquela época. Davi disse: “O Espírito do Senhor fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua”. Portanto, o Espírito Santo falou pelos profetas, e fala através dos catequistas no mundo de hoje. Porém, precisamos ser dignos de sua presença em nós, evitando o pecado e nos aproximando diariamente da Eucaristia.        
A importância do Espírito Santo é tão grande que todos os pecados são perdoados. Menos os pecados contra Ele.   
O Espírito Santo é uma das Pessoas da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho, “e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.  
Um só Deus em três pessoas não é uma realidade incompreensível à nossa inteligência humana, porém aceitável e compreendida pelos olhos da fé. É por isso que o cientista é niilista, incrédulo e não admite a ideia de milagres.   
O objetivo ou missão do Espírito Santo em toda a ação litúrgica é colocar-se em comunhão com Cristo para formar seu corpo. O Espírito Santo pode ser comparado com a seiva da videira do Pai que produz seus frutos nos ramos, que somos todos nós. “Eu sou a videira vós sois os ramos”. Se nós como ramos nos desligarmos da videira, estaremos perdidos, nada somos, nada poderemos fazer em prol do Reino dos Céus, até que voltemos à casa do Pai pelo sacramento da confissão. 
A força e a graça do Espírito Santo tem o poder de nos justificar, isto é, purificar-nos de nossos pecados e comunicar-nos “a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo” e pelo batismo. É Ele, portanto que nos torna anunciadores da palavra de Deus. O que falamos não somos nós que dizemos, mas sim, O Espírito de verdade que nos assiste em nossa tarefa missionária. 
Fiquemos, portanto na companhia da Terceira pessoa da Santíssima Trindade, e será fácil levar Jesus aos nossos irmãos.

DA LEI AO ESPÍRITO DO AMOR    
A moral não está em moda em nossos dias. Todo mundo parece saber perfeitamente o que precisa fazer a cada instante, e ninguém suporta a imposição de normas ou obrigações. Infelizmente, há muitos que continuam vendo a fé cristã como uma coleção de normas, mandamentos e obrigações que se devem cumprir escrupulosamente. Essa seria a condição para se obter a salvação. Aquele que cumpre as regras, muitas de tipo ritual, tal como ir à Missa todos os domingos, confessar-se uma vez por ano etc., ou as de cumprimento externo, tais como casar-se na Igreja, para garantir a salvação. Talvez por isso muitos cristãos que terminam indo à Missa em cima da hora ficam no fundo da igreja sem participar para valer e, como já estão próximos da porta, vão embora assim que o presidente da assembleia dá a bênção, ou até mesmo antes.      

Jesus, no evangelho de hoje, coloca a questão exatamente de modo inverso. A obrigação dos mandamentos, como tal, não tem sentido algum se não for entendida no contexto de uma relação pessoal com o próprio Jesus: “Se me amais, guardareis meus mandamentos”. Não se trata, pois, de cumprir os mandamentos de uma maneira automática ou cega, com o objetivo de alcançar a salvação. O primeiro passo é encontrar-se com Jesus, descobrir quem é e o que significa em nossa vida. Dessa relação pessoal surge o amor e o seguimento. Os mandamentos são simples consequência dessa vida de seguimento. Mas, antes de tudo, é o amor que em nenhuma situação se pode impor como obrigação.           
Será que os que seguem a Jesus e o amam compreenderam como uma obrigação sem sentido o chamado da Igreja para que se reunissem uma vez por semana, ouvissem junto à Palavra e compartilhassem o Pão e o Vinho na mesa da Eucaristia? Mais do que uma obrigação é uma alegria e um direito: o de me reunir com os meus irmãos e irmãs e, juntos, darmos graças a Deus por tudo aquilo que ele nos oferece.          
Ser cristão, fazer parte da Igreja Católica não é cumprir uma série de normas e de mandamentos de forma automática: é fazer parte de uma família que se estende além do sangue e da cultura; é ter acolhido no coração uma tradição que vem de séculos; é ter escutado a pregação de Felipe e recebido o Espírito Santo dos apóstolos. Ser cristão é fazer de Jesus o centro da própria vida, e amá-lo é devotar amor aos meus irmãos com a força de seu exemplo e de seu Espírito. Nesse domingo é preciso contemplar Jesus, torná-lo presente no nosso íntimo e fitá-lo nos olhos. Ele é a única razão que temos para continuarmos nos confessando cristãos, cumprindo com aquilo que nos pede o Evangelho e a Igreja. Amar um irmão ou uma irmã levou-me, alguma vez, em uma situação concreta a quebrar uma norma da Igreja? Por quê? O que é mais importante: amar ou cumprir os mandamentos? Será que os mandamentos não são quase sempre a expressão real desse amor que deve caracterizar minha vida como cristão?         

ANUNCIAR           
“Anunciai com gritos de alegria, proclamai até os extremos da terra: o Senhor libertou o seu ovo, aleluia!” (cf. Is. 48,20).     

A liturgia de hoje nos apresenta um discurso de despedido de Jesus. Poderíamos dizer que Jesus pronunciou este discurso em forma de testamento. Foi pronunciado na última Ceia. O conteúdo é repleto de emoção, teologicamente mais profundo, onde se misturam certeza e esperança, amor e fé, vida terrena e vida eterna, destino humano e destino divino.       
A exegese do texto de hoje (cf. Jo 14,15-21) nos mostra a glorificação de Jesus e anuncia a vinda de um outro Paráclito, isto é, de alguém da parte de Deus para fazer os apóstolos compreenderem os passos e os ensinamentos do Messias, testemunhá-los diante das comunidades, distinguirem entre verdade e erro, e vencerem todas as dificuldades que são apresentadas.        
E Jesus dá um grande presente aos seus convidados e a todos nós: promete continuar presente entre os apóstolos, amá-los como o Pai o ama e, um dia, fazê-los participantes da mesma glorificação, da vida eterna.          
E o que Jesus pede em contrapartida de tudo isso que nos oferece? Nos pede a sua fidelidade aos seus mandamentos. Fidelidade ao amor que pode ser sintetizado em uma única frase: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo!” 
E quem vai caminhar conosco para velar por esta fidelidade é o Paráclito, o Santo Espírito. 
Assim, os homens e as mulheres, que são possuídos por Deus, que tem o Espírito Santo que vem ao seu socorro, devem testemunhar que o Cristo é o Filho de Deus vindo a este mundo para nos salvar, para nos justificar, para nos santificar. Jesus está vivo no meio dos seus, porque os homens são templo e morada de Deus.    
Amar a Deus e guardar os seus mandamentos é a mesma coisa! E Jesus hoje ressalta exatamente isso: amar e ser amado. Isso porque quem ama a Deus “guarda a sua palavra” e o Pai vai amar esta pessoa. Assim a história de cada batizado é uma história de amor. Amor que vem de Deus. Por isso não se ama a Deus se não se observa os mandamentos.    
Assim por amor Cristo anuncia que Deus vai nos conceder um advogado. Mas um advogado? Para que? Para nos defender dos inimigos e do mal. O fruto desse amor de Deus aos apóstolos fiéis é o Espírito Santo, que ele Enviará, a pedido de Jesus, para ser o Paráclito dos crentes, dos discípulos fiéis.       
Paráclito significa ADVOGADO, PROTETOR, DEFENSOR. Mais do que isso o Paráclito pode ser a TESTEMUNHA, o garante, aquele que ajuda, que protege, que defende, que inspira, que testemunha a favor. 
O mundo estava prestes a julgar Jesus. Era preciso de que os apóstolos ficassem firmes na sua fé ao verem levar o Mestre do Tribunal para a Morte. O Paráclito não virá para defender Jesus, mas para fazer com que os apóstolos compreendam os passos de Jesus e não se escandalizem com a sua paixão e morte.          
É preciso que os apóstolos tenham a serena coragem de enfrentar todas as tribulações em nome e na força do Cristo.       
Jesus, também, é nosso Paráclito, porque Ele nos defende, lavando-nos com seu sangue redentor. Por isso Jesus diz que não nos deixará órfãos. Mas Jesus nos anuncia que Ele ficará conosco todos os dias até a consumação dos tempos.   
Jesus chama pelo Paráclito que ele anuncia que é o Espírito da Verdade. A Verdade irrenunciável como anuncia Bento XVI. A Verdade que é o próprio Cristo. A Verdade se que sobrepõe ao erro e ao pecado, na luta quotidiana contra o mal e o erro. A Verdade que é esperança cristã. A Verdade que só pode ser assimilada, vivida e festejada com o auxílio do Santo Espírito.      
Assim, a segunda leitura (1Pd 3,15-18) nos conscientiza de que estamos em processo com o mundo. O mundo pede contas de nós, mas é a Deus que devemos prestar contas. O mundo pode matar, como matou Jesus. Mas no Espírito que fez viver o Cristo viveremos. Assim vive e reza a esperança cristã. O cristão difere do pagão por sua esperança, diz São Pedro. Em Cristo, ele enxergou a força da vida e do amor. Por isso, ele pode responder por sua fé, com segurança, diante de Deus e dos homens. E não receia o sofrimento: também Cristo o conheceu.      
A esperança cristã que foi confirmada na primeira leitura (cf. At. 8,5-8.14-17) quando o diácono Filipe batizou novos cristãos na Samaria. Depois, vieram os Apóstolos Pedro e João de Jerusalém para confirmar os batizados, impondo-lhes as mãos, para que recebessem o Espírito Santo. Assim, os apóstolos, predecessores dos Bispos, completaram e confirmaram o batismo. A perseguição a Estevão torna-se instrumento da expansão da fé cristã. Filipe, do grupo de Estevão, torna-se apóstolo da Samaria. A sua pregação é confirmada por milagres e traz grande alegria. Os apóstolos Pedro e João vêem de Jerusalém para invocar pó Espírito Santo sobre os recém-convertidos da Samaria, sinal da unidade das Igrejas.          
O que pede o mundo hoje ao cristão? O mundo nos exige que devemos responder hoje não com divisões, com ódios ou com disputas. Devemos ser movidos pelo amor de Deus em favor do homem. O motor de todo verdadeiro progresso é o amor e somente o amor. Sem amor o próprio progresso pode ser voltar contra o homem e destruí-lo ou aliená-lo. Procura-se um amor que salve o homem todo: a sua dignidade, a sua liberdade, a sua necessidade de Deus, seu destino ultraterreno. Um amor concreto, que se interesse pelos que estão perto e a quem se pode prestar algum auxílio. Um amor que vai até onde nenhum outro pode ir.     
Vivamos, pois, com grande entusiasmo a nossa vocação de batizados e de crismados. Jesus que nos chama a santidade caminha conosco. Não nos deixa órfãos! Envia o Santo Espírito para permanecer e nos velar para que nunca traiamos a verdade que é sintetizada no amor e no perdão, na acolhida e na misericórdia. Amém!        

A DESPEDIDA
A Igreja celebra nos próximos dias duas grandes festas: Ascensão e Pentecostes.        
As leituras bíblicas refletem sobre os dois fatos:       
1) a Ascensão: com o discurso da Despedida;  
2) o Pentecostes: com a promessa do Espírito Santo e a Imposição das mãos dos apóstolos. 
A liturgia nos mostra que Deus está presente na sua Igreja, pelo Espírito Santo, mesmo depois da volta de Jesus ao Pai.      
A 1ª leitura narra o início da missão evangelizadora da Igreja, fora de Jerusalém. (At. 8,5-8.14-17)
Os apóstolos Pedro e João são enviados à Samaria, para completar a Iniciação cristã realizada pelo diácono Felipe conferindo o Dom do Espírito Santo aos recém-batizados, através do gesto da imposição das mãos.     
Essa passagem constitui o “Pentecostes samaritano”, assim como na casa do centurião romano tem lugar o pentecostes “pagão”. O episódio lembra duas verdades:    
a) o batismo é completado pela unção com o óleo do crisma e pela imposição das mãos do bispo, no sacramento da confirmação. É o momento em que recebemos a Plenitude do Espírito Santo;        
b) para uma comunidade se constituir de fato como Igreja, não basta uma aceitação isolada e independente da Palavra, mas é convidada a viver a sua fé em comunhão com toda a Igreja.           
Na 2ª leitura, são Pedro exorta os cristãos à fidelidade aos compromissos assumidos com Cristo no batismo. (1Pd. 3,15-18)     
O Evangelho faz parte do discurso da despedida de Jesus. É o testamento que o mestre deixa à Comunidade antes de partir. (Jo 14,15-21) Os discípulos se mostram abalados e tristes… Jesus os anima, declarando que não os deixará órfãos no mundo.     
Ele vai ao Pai, mas vai encontrar um modo de continuar presente e de acompanhar a caminhada dos seus discípulos. É uma alusão à sua volta invisível, mas real, mediante o Espírito Santo, que o substituirá junto aos discípulos e permanecerá sempre com eles e com toda a Igreja.
É a possibilidade de viver em intensa comunhão com o Pai e o Filho, pelo Espírito da Verdade, que nos é dado como dom da Páscoa.      
Para isso, é preciso um amor autêntico, que se manifesta na observância dos mandamentos: “Quem me ama… guarda os meus mandamentos…”  
Só quem vive esse amor está apto a receber o Espírito Santo.        
O amor supera o medo, a separação e a morte…        
Jesus fala de “Os meus mandamentos…”. Não se trata dos 10 mandamentos, pois já existiam no Antigo Testamento… Pouco antes, Jesus resumira toda a Lei e os profetas em “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como ele nos amou” Consequências desse amor vivenciado dos Mandamentos:           
– merece receber o Espírito Santo: “Ele vos dará o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber”.      
– É alguém amado pelo Pai…: “Ele será amado pelo Pai…”  
– Torna-se capaz de perceber a manifestação de Cristo: “Eu o amarei e me revelarei a ele…” 
– Sobretudo, torna-se MORADA DE DEUS: “Viremos a ele e faremos nele morada…”
A comunidade cristã será então a presença de Deus no mundo:   
Ela e cada membro dela se converterão em morada de Deus, o espaço onde Deus vem ao encontro dos homens. Na comunidade dos discípulos e através dela, realiza-se a ação salvadora de Deus no mundo. Esse “caminho” proposto por Jesus para muitos parece um caminho de fracasso, que não conduz nem à riqueza, nem ao poder, nem ao êxito social, nem ao bem estar material. Parece não dar sabor à vida dos homens do nosso tempo. 
No entanto, Jesus garante que é nessa identificação com Cristo e nesse “caminho” do amor e da entrega, que se encontra a felicidade plena e a vida definitiva. Jesus promete aos discípulos o envio de um “defensor”, de um “intercessor”, que irá animar a comunidade cristã e conduzi-la ao longo da sua história.       
A comunidade cristã, identificada com Jesus e com o Pai, animada pelo Espírito, é o “Templo de Deus”, o lugar onde Deus habita no meio dos homens. Através dela, o Deus libertador continua a concretizar o seu plano de salvação.   
Procuremos viver intensamente essa presença de Cristo, no meio de nós, agora na eucaristia e depois no amor vivenciado com os irmãos! E o Espírito Santo não pode continuar o “ilustre desconhecido”!

O AMOR DO PAI
O Evangelho de João abre janelas para a contemplação do mistério da encarnação do Verbo, através das palavras de Jesus, desabrochadas e vividas em suas comunidades. Somos estimulados a permanecer no amor de Jesus. Compreendemos que o amor dele por nós é o mesmo amor do Pai por ele.  
A fonte do amor é o amor entre o Pai e o Filho. É o amor apropriado ao Espírito Santo. Permanecer no amor de Jesus é entrar em comunhão com esta dinâmica de amor e vida entre o Pai e o Filho, inserindo-se na comunidade de discípulos. É irradiar envolvendo a outros, ampliando a comunidade de amor e prolongando-a no tempo. Jesus permanece no amor do Pai, e isto significa que ele observa e cumpre o que o Pai mandou. Não se trata de uma obediência cega, de um inferior a um superior, mas de uma união amorosa de vontades.    
O amor vivido em nossas comunidades é fruto da nossa permanência em Jesus. Este amor, que é o amor de Jesus, é transbordante. As comunidades, em sua missão, comunicam este amor ao mundo, gerando vida e alegria. Na primeira leitura, vemos como o Espírito Santo de amor desconheceu as fronteiras do judaísmo e infundiu-se no coração dos pagãos na Samaria.          
Pedro, pioneiro apóstolo dos gentios, dá testemunho de que o Deus de amor não faz discriminação entre as pessoas. “Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença.” A Primeira Carta de João (segunda leitura) é um exuberante hino ao amor. Nos seus cinco capítulos, ele usa cinquenta e duas vezes as palavras amar ou amor. Deus é amor.       
Esta é a realidade de Deus, revelada por Jesus aos discípulos e às multidões, em sua vida e em seus atos. Se Deus é todo-poderoso na criação do universo, ele é todo amor em sua relação com seus filhos, homens e mulheres, em todos os tempos e em todos os povos.    

A FÉ É TUDO
A fé recebida no batismo se confirma na integração comunitária. Os sucessores dos apóstolos impõem as mãos e ungem a cabeça dos batizados que, conscientes, reafirmam sua pertença a Cristo e à Igreja. Não são grupos autônomos, estanques, separados, que se formam no seguimento espontâneo de Jesus. São grupos integrados numa unidade universal em torno da sede de Pedro e dos sucessores dos apóstolos. O Espírito Santo se manifesta nessa unidade de Igreja e na missionariedade dos que são confirmados, que partilham com todos o dom que receberam e a alegria que experimentam no Espírito.       
O Espírito dá vida, desperta entusiasmo, incentiva a solidariedade. Ele deu vida ao corpo de Jesus e o ressuscitou, e o mantém agora sempre vivo em seus membros. Ele é o Espírito da verdade, nosso defensor. Jesus deve partir. É uma exigência da encarnação. Não pode permanecer sempre entre nós em sua humanidade visível. Ele vai, mas não nos deixa órfãos, não nos deixa abandonados. Um outro defensor vem, o Espírito Santo de Deus, que permanece em cada um de nós segundo o ritmo de nossa vida. Ele é a vida da comunidade dos seguidores de Jesus. 
Jesus vai subir ao céu em sua ascensão e enviará o Espírito Santo sobre todo o universo. Vivemos com Ele o tempo de sua encarnação na terra de Israel. Na fé, nós o vimos ressuscitado. E enquanto esperamos sua vinda definitiva, expandimos o Amor que foi derramado em nossos corações, em ações concretas. A Igreja que ama o Senhor e quer fazer a sua vontade penetra todas as camadas da vida humana para lhes dar sabor. Tudo o que essa Igreja faz aponta para o que é primordial: a expansão do Espírito de Amor. O Espírito se deixa ver nos gestos concretos de amor fraterno solidário que os discípulos de Jesus introduzem gratuitamente nos relacionamentos humanos.          
At. 8,5-8.14-17 – A primeira comunidade continua a se expandir. Ao Batismo inicial segue-se a confirmação com a presença dos apóstolos. O Espírito Santo se manifesta na comunidade. Filipe, um dos sete, não restringe sua atividade ao serviço da mesa. Sua ação social é acompanhada do anúncio da Palavra e de boas obras em favor dos doentes e oprimidos.
1Pd. 3,15-18 – Jesus sofreu a morte na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito. O sopro do Espírito da boca de Deus, que dá vida ao primeiro ser humano e a todos os demais, dá vida também ao corpo inerte de Jesus e o ressuscita. Santificamos Jesus em nossos corações deixando que o Espírito Santo se manifeste na mansidão, no respeito e na boa consciência no relacionamento mútuo. Nesta maneira de proceder, damos com segurança a razão da nossa esperança.
Jô. 14,15-21 – O Senhor anuncia sua partida, afirmando, porém, que não nos deixará órfãos.          
Se Ele é um defensor de nossa causa, outro defensor virá, e é o Espírito da verdade. Jesus insiste em que acolhamos e guardemos os seus mandamentos como sinal do amor que temos por Ele, pois quem ama Jesus é amado pelo Pai e Jesus se manifesta a ele no Espírito Santo. Nossa integração no mistério da Trindade já começou. Um dia tudo será claro e patente, e, n’Ele, saberemos o que somos.

COMUNHÃO COM JESUS E O PAI, NO ESPÍRITO
João, com seu harmonioso estilo literário, reapresenta, ao longo do discurso de despedida de Jesus na última ceia, os principais temas da revelação: o amor do Pai e de Jesus; os mandamentos de Jesus e o novo mandamento do amor; o crer em Deus e em Jesus, Caminho, Verdade e Vida; o conhecer Jesus e o Pai; permanecer em Jesus; o dom do Espírito de Amor e o dom da vida eterna na comunhão com Jesus e o Pai, no Espírito. No evangelho de hoje, trecho deste discurso, é retomado o tema dos mandamentos de Jesus e sua observância, e o dom do Espírito. Os mandamentos de Jesus se expressam em formas diversas: guardar a sua palavra, ter fé e praticar o que ele viveu, crer nele e ter a vida eterna, praticar a verdade, acolher seu testemunho, trabalhar pelo alimento que permanece para a vida eterna, servi-lo e seguir seu exemplo de serviço. Todos seus mandamentos convergem para o seu novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34.35; 15,12 – cf. 27 maio). A culminância dos mandamentos é o amor divino de Jesus a ser vivido pelos discípulos, em comunhão de vida eterna com o Pai. Associado a este amor está o dom do Paráclito, o Espírito da Verdade. O Pai dará este Espírito, ele permanece junto de nós e está em nós. Futuro e presente se unem, no dom do Espírito. O Paráclito, palavra de origem grega, significa consolador ou defensor. O termo grego, em suas variantes, é abundantemente usado nos textos paulinos, com o sentido de consolo. É também usado algumas vezes em Lucas, e uma única vez nos sinóticos, na bem-aventurança dos que choram (Mt 5,4). Com a sentença: “Ainda um pouco de tempo e o mundo não mais me verá; mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis”, Jesus afirma sua permanência na vida divina e eterna e o dom desta vida àqueles que cumprem seu mandamento de amor. A expressão “porque eu vivo” se diferencia da tradição sacrifical judaico-cristã segundo a qual Jesus morto na cruz transforma-se em um cadáver a ser reanimado novamente por sua ressurreição, tornado então Filho de Deus, como prêmio de seu auto sacrifício. O Espírito que nos é dado nos revela a presença de Jesus entre nós: “Não vos deixarei órfãos: eu voltarei a vós… Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim, e eu em vós “. A volta de Jesus, ele no Pai, os discípulos nele e ele nos discípulos, significa a comunhão de vida eterna com Deus já neste mundo, a partir da comunhão de amor. Na primeira leitura, a imposição das mãos para a comunicação do Espírito é apresentada como complemente ao “batismo de Jesus”. Contudo, em sentido oposto, mais adiante, em Atos (10,44-48), quando Pedro, na Samaria, ainda falava, o Espírito Santo caiu sobre todos os que ouviam a Palavra. Então Pedro declara: “Poderia alguém recusar a água do batismo para estes que receberam o Espírito Santo, assim como nós?”. E determinou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Na segunda leitura, a comunidades que sofrem perseguições, é dado um estímulo a serem testemunhas de sua esperança, a partir do testemunho de Jesus, “morto, sim, na carne, mas vivificado no Espírito”. O Espírito é a garantia da permanência na vida divina, no sofrimento ou na morte física.         

ACREDITAR
Quem ainda nunca sentiu o fascínio que é montar um móvel comprado na IKEA (passe a publicidade)? Começa logo na escolha das inúmeras possibilidades de combinações e a promessa de cada um poder ser um verdadeiro carpinteiro e decorador. Depois é a aventura de seguir, passo a passo, as instruções do manual como se fosse um livro mágico que, de placas e parafusos caóticos, convida a criar a obra prima que poderemos apresentar aos amigos (ou obriga a telefonar a quem entenda porque a mesa se transformou em estante!). Alguém já lhe chamou o “lego” dos adultos, capaz de devolver uma certa nostalgia perdida de cada um dar um toque pessoal até àquilo que reveste a sua casa. Os materiais podem não ser muito duráveis, mas isso também tem o aliciante de uma renovação de tempos a tempos.        
Maravilha-me o tempo pascal porque ele nos remete sempre aos tempos iniciais da Igreja e da criação das primeiras comunidades. De como com aqueles materiais frágeis dos discípulos e até dos seus erros e pecados Deus foi consolidando comunidades irradiadoras da Boa Nova. Foram também as circunstâncias que criaram possibilidades de novos serviços e até as perseguições ajudaram a não enclausurar o evangelho. E, tudo isto, sem um manual de instruções! Ou melhor, descobrindo que o verdadeiro manual de instruções se chama Espírito Santo. Os materiais eram e são simples: a vida vivida com autenticidade, os mandamentos de Jesus acolhidos e cumpridos, o respeito e a liberdade perante a tradição, o amor a consolidar tudo. E o Espírito da verdade a habitar conosco e em nós. 
Por isso, pior que o erro e o engano é aprisionar a liberdade de escolher, é aguentar uma “meia-vida” porque “tem de ser” e não aceitar que se errou e é possível uma transformação. São Pedro seria, na lógica de muitas organizações, uma improvável escolha para a missão de “confirmar os irmãos na fé”. Claro que o Espírito da verdade o ajudou a trazer ao de cima do coração e da boca o que nele era essencial: “Senhor, sabes tudo, bem sabes que te amo!”. Nele se confirma a sábia frase que o filme “Encontrarás dragões” (sobre a guerra civil espanhola e os primeiros anos da vida de são Josemaria Escrivá) apresenta nos seus cartazes: “Todos os santos têm um passado”. Falta acrescentar a segunda parte: “E todos os pecadores, um futuro”!       
Acreditar que o Espírito Santo é “manual de instruções” para a Igreja e para a vida de cada cristão é assumir a sua escuta como tarefa quotidiana e encarar os erros como novas possibilidades de construção. Não somos “pau para toda a colher”, não temos os dons todos nem somos capazes de tudo. Mas aquilo que damos com alegria Deus sabe multiplicar. E, como diz um amigo meu:” Sei que, ainda que erre no meu caminho, Deus não desistirá de me chamar à vida em plenitude!”   

A PRESENÇA DE DEUS NA IGREJA
A liturgia do 6º Domingo da Páscoa convida-nos a descobrir a presença – discreta, mas eficaz e tranquilizadora – de Deus na caminhada histórica da Igreja. A promessa de Jesus – “não vos deixarei órfãos” – pode ser uma boa síntese do tema.  
O Evangelho apresenta-nos parte do “testamento” de Jesus, na ceia de despedida, em Quinta-feira Santa. Aos discípulos, inquietos e assustados, Jesus promete o “Paráclito”: Ele conduzirá a comunidade cristã em direção à verdade; e levá-la-á a uma comunhão cada vez mais íntima com Jesus e com o Pai. Dessa forma, a comunidade será a “morada de Deus” no mundo e dará testemunho da salvação que Deus quer oferecer aos homens.
A primeira leitura mostra exatamente a comunidade cristã a dar testemunho da Boa Nova de Jesus e a ser uma presença libertadora e salvadora na vida dos homens. Avisa, no entanto, que o Espírito só se manifestará e só atuará quando a comunidade aceitar viver a sua fé integrada numa família universal de irmãos, reunidos à volta do Pai e de Jesus.
A segunda leitura exorta os crentes – confrontados com a hostilidade do mundo – a terem confiança, a darem um testemunho sereno da sua fé, a mostrarem o seu amor a todos os homens, mesmo aos perseguidores. Cristo, que fez da sua vida um dom de amor a todos, deve ser o modelo que os cristãos têm sempre diante dos olhos.     
1ª leitura – Atos 8,5-8.14-17 – AMBIENTE     
Durante os primeiros anos, o cristianismo praticamente não saiu de Jerusalém: os primeiros sete capítulos do livro dos Atos dos Apóstolos apresentam-nos a Igreja de Jerusalém e o testemunho dado pelos primeiros cristãos no espaço restrito da cidade.          
Por volta do ano 35, no entanto, desencadeou-se uma perseguição contra os membros da comunidade cristã de Jerusalém. Pode supor-se, com grande probabilidade, que esta perseguição (desencadeada após a morte de Estevão) não afetou de igual forma todos os membros da comunidade (os apóstolos continuam em Jerusalém), mas dirigiu-se, de forma especial, contra os judeo-helenistas do círculo de Estevão (os cristãos “hebreus”, que mantêm uma fidelidade relativa à Lei e ao judaísmo, ficam – até nova ordem – ao abrigo da perseguição). Estes, contudo, não se conformaram com uma morte inútil: deixaram Jerusalém e espalharam-se pelas outras regiões da Palestina. Tratou-se de um facto providencial (porque não ver nele a ação do Espírito?), que permitiu a difusão do Evangelho pelas outras regiões palestinas.
A primeira leitura deste domingo fala-nos de Filipe – um dos sete diáconos, do mesmo grupo do mártir Estevão (cf. At 6,1-7) – que, deixando Jerusalém foi anunciar o Evangelho aos habitantes da região central da Palestina, a Samaria. 
É curioso que a difusão do Evangelho fora de Jerusalém ocorra, precisamente, na Samaria. A Samaria era, para os judeus, uma terra praticamente pagã. Os judeus desprezavam os samaritanos por serem uma mistura de sangue israelita com estrangeiros e consideravam-nos hereges em relação à pureza da fé jahwista. O anúncio do Evangelho aos samaritanos mostra que a Igreja não tem fronteiras e anuncia o passo seguinte: a evangelização do mundo pagão.  
MENSAGEM           
O nosso texto divide-se em duas partes.          
Na primeira parte (vers. 5-8), temos um sumário que resume a atividade missionária de Filipe entre os samaritanos. Filipe pregava “o Messias” – isto é, apresentava aos samaritanos Jesus Cristo e a sua proposta de salvação e de libertação. Diante da interpelação que o Evangelho constituía, os samaritanos “aderiam unanimemente às palavras de Filipe”. Dessa adesão, nascia a comunidade do “Reino”, isto é, começava a aparecer uma comunidade de homens livres, iluminados pela luz libertadora de Jesus, e que possuíam a vida nova de Deus (Lucas descreve esta realidade nova de homens livres e cheios de vida nova, dizendo que os espíritos impuros abandonavam os possessos e que os coxos e paralíticos eram curados). Desta nova realidade brotava uma profunda alegria: a alegria é um dos traços característicos que, na obra de Lucas, acompanha a erupção da comunidade do “Messias”.  
Na segunda parte (vs. 14-17), Lucas refere a chegada à Samaria dos apóstolos Pedro e João. Quando a comunidade cristã de Jerusalém soube que a Samaria tinha já acolhido a mensagem de Jesus, despachou para lá Pedro e João em visita de inspeção. Lucas não diz qual a reação de Pedro e João ao constatarem o avanço do Evangelho; apenas refere que os samaritanos, apesar de batizados, ainda não tinham recebido o Espírito Santo. Que significa isto? Provavelmente, significa que a adesão dos samaritanos ao Evangelho era superficial (talvez mais motivada pelos gestos espetaculares que acompanhavam a pregação de Filipe, do que por uma convicção bem fundada) e que não havia ainda, entre eles, uma verdadeira consciência de pertencer a essa grande família de Jesus que é a Igreja universal. Logo que chegaram – refere Lucas – Pedro e João impuseram as mãos aos samaritanos, a fim de que também eles recebessem o Espírito. O Espírito aparece, aqui, como o selo que comprova a pertença dos samaritanos – depois de unidos à Igreja universal e em comunhão com ela – à Igreja de Jesus Cristo.
A mensagem é a seguinte: para que uma comunidade se constitua como Igreja, não basta uma aceitação superficial da Palavra, nem manifestações humanas (por muito impressionantes que sejam). Ao mesmo tempo, é preciso que qualquer comunidade cristã tenha consciência de que não é uma célula autónoma, mas que é convidada a viver a sua fé integrada na Igreja universal, em comunhão com a Igreja universal. Toda a comunidade que quer fazer parte da família de Jesus deve, portanto, acolher a autoridade e buscar o reconhecimento dos pastores da Igreja universal. Só então se manifestará nela o Espírito, a vida de Deus.   
ATUALIZAÇÃO      
• Uma comunidade cristã é uma comunidade onde se manifesta a comunhão com Jesus e a comunhão com todos os outros irmãos que partilham a mesma fé. É na comunhão com os irmãos, é no amor partilhado, é na consciência de que fazemos parte de uma imensa família que caminha animada pela mesma fé, que se manifesta a vida do Espírito. Cada crente precisa de desenvolver a consciência de que não é um caso isolado, independente, autônomo: afirmações como “eu cá tenho a minha fé” não fazem sentido, se traduzem a vontade de percorrer um caminho à margem da comunidade, sem aceitar confrontar-se com os irmãos… Cada comunidade precisa de desenvolver a consciência de que não é um grupo autônomo e sem ligações, mas uma parcela de uma Igreja universal, chamada a viver na comunhão, na partilha, na solidariedade com todos irmãos que, em qualquer canto do mundo, partilham a mesma fé.      
• Constitui, para nós, um tremendo desafio a ação evangelizadora de Filipe… Apesar dos riscos corridos em Jerusalém, Filipe não desistiu, não sentiu que já tinha feito o possível, não se acomodou; mas simplesmente partiu para outras paragens a dar testemunho de Jesus. É o mesmo entusiasmo que nos anima, quando temos de dar testemunho do Evangelho de Jesus?          
• O nosso texto deixa claro, ainda, que “Deus escreve direito por linhas tortas”: de uma situação má (perseguição aos crentes), nasce a possibilidade de levar a Boa Nova da libertação a outras comunidades. Às vezes, Deus tem que usar métodos drásticos para nos obrigar a sair do nosso cantinho cômodo e levar-nos ao compromisso. Muitas vezes, os aparentes dramas da nossa vida fazem parte dos projetos de Deus. É necessário aprender a olhar para os acontecimentos da vida com os olhos da fé e aprender a confiar nesse Deus que, do mal, tira o bem.       
2ª leitura – 1 Pedro 3,15-18 – AMBIENTE      
A primeira carta de Pedro tem-nos acompanhado nos últimos domingos… Por isso, já sabemos que se trata de um texto exortativo, enviado às comunidades cristãs estabelecidas em certas zonas rurais da Ásia Menor. Os cristãos que compõem essas comunidades pertencem majoritariamente às classes menos favorecidas. Apresentam, portanto, um quadro de fragilidade, que os torna bastante vulneráveis às perseguições que se aproximam.       
O objetivo do autor é animar esses cristãos e exortá-los à fidelidade aos compromissos que assumiram com Cristo, no dia do seu batismo. Para isso, o autor lembra-lhes o exemplo de Cristo, que percorreu um caminho de cruz, antes de chegar à ressurreição.          
MENSAGEM           
O nosso texto, sempre em tom exortativo, mostra qual deve ser a atitude dos crentes, confrontados com a hostilidade do mundo. Como é que os cristãos devem reagir, diante das provocações e das injustiças?   
Os cristãos devem, antes de mais, reconhecer nos seus corações a “santidade” de Cristo, que é “o Senhor” (o “Kyrios” – isto é, o próprio Deus, Senhor do mundo e da história). Desse reconhecimento da santidade e da soberania absoluta de Cristo, brota a confiança e a esperança; e, dessa forma, os crentes nada temerão e poderão enfrentar a injustiça e a perseguição (v. 15a). 
Os cristãos devem, também, estar sempre dispostos a apresentar as razões da sua fé e da sua esperança – isto é, a dar testemunho daquilo em que acreditam (v. 15b). No entanto, devem fazê-lo sem agressividade, com delicadeza, com modéstia, com respeito, com boa consciência, mostrando o seu amor por todos, mesmo pelos seus perseguidores. Dessa forma, os perseguidores ficarão desarmados e sem argumentos; e todos perceberão mais facilmente de que lado está a verdade e a justiça (v. 16).           
Os cristãos devem, ainda, em qualquer circunstância – mesmo diante do ódio e da hostilidade dos perseguidores – preferir fazer o bem do que fazer o mal (v. 17).    
O autor da carta remata a sua exortação, apresentando aos crentes a razão fundamental pela qual os crentes devem agir desta forma tão “ilógica”: o próprio “Cristo morreu uma só vez pelos nossos pecados – o justo pelos injustos – para nos conduzir a Deus” (v. 18a). Ora, se Cristo propiciou, mesmo aos injustos, a salvação, também os cristãos devem dar a vida e fazer o bem, mesmo quando são perseguidos e sofrem.       
Aliás, esse caminho de dom da vida não é um caminho de fracasso e de morte: Cristo, que morreu pelos injustos, voltou à vida pelo Espírito; por isso, os cristãos que fizerem da vida um dom – como Cristo – também ressuscitarão. 
ATUALIZAÇÃO      
• Mais uma vez (tem sido um tema que tem aparecido, volta não volta, na liturgia deste tempo pascal), põe-se nos o problema do sentido de uma vida feita dom e entrega aos outros, até à morte (sobretudo se esses “outros” são os nossos perseguidores e detratores). É possível “dar o braço a torcer” e triunfar? O amor e o dom da vida não serão esquemas de fragilidade, que não conduzem senão ao fracasso? Esta história de o amor ser o caminho para a felicidade e para a vida plena não será uma desculpa dos fracos? Não – responde a Palavra de Deus que nos é proposta. Reparemos no exemplo de Cristo: Ele deu a vida pelos pecadores e pelos injustos e encontrou, no final do caminho, a ressurreição, a vida plena.           
• Diante das dificuldades, das propostas contrárias aos valores cristãos, é em Cristo – o Senhor da vida, do mundo e da história – que colocamos a nossa confiança e a nossa esperança? Ou é noutros esquemas mais materiais, mais imediatos, mais lógicos, do ponto de vista humano? 
• Diante dos ataques – às vezes incoerentes e irracionais – daqueles que não concordam com os valores de Jesus, como nos comportamos? Com a mesma agressividade com que nos tratam? Com a mesma intolerância dos nossos adversários? Tratando-os com a lógica do “olho por olho, dente por dente”? Como é que Jesus tratou aqueles que o condenaram e mataram?           
Evangelho – João 14,15-21 – AMBIENTE        
Continuamos no mesmo contexto em que nos colocava o Evangelho do passado domingo. A decisão de matar Jesus já está tomada pelas autoridades judaicas e Jesus sabe-o. A morte na cruz é mais do que uma probabilidade: é o cenário imediato.       
Nessa noite de quinta-feira do ano trinta, na véspera da sua morte na cruz, Jesus reuniu-Se com os seus discípulos numa “ceia”. No decurso da “ceia”, Jesus despediu-Se dos discípulos e fez-lhes as últimas recomendações. As palavras de Jesus soam a “testamento final”: Ele sabe que vai partir para o Pai e que os discípulos vão continuar no mundo. Jesus fala-lhes, então, do caminho que percorreu (e que ainda tem de percorrer, até à consumação da sua missão e até chegar ao Pai); e convida os discípulos a seguir o mesmo caminho de entrega a Deus e de amor radical aos irmãos. É seguindo esse “caminho” que eles se tornarão Homens Novos e que chegarão a ser “família de Deus” (cf. Jo 14,1-12).           
Os discípulos, no entanto, estão inquietos e desconcertados. Será possível percorrer esse “caminho” se Jesus não caminhar ao lado deles? Como é que eles manterão a comunhão com Jesus e como receberão d’Ele a força para doar, dia a dia, a própria vida? 
MENSAGEM           
No entanto, Jesus garante aos discípulos que não os deixará sós no mundo. Ele vai para o Pai; mas vai encontrar forma de continuar presente e de acompanhar, a par e passo, a caminhada dos seus discípulos.    
É preciso, no entanto, que os discípulos continuem a seguir Jesus, a manifestar a sua adesão a Ele, a amá-lo (o amor será o culminar dessa caminhada de adesão e de seguimento). A consequência desse amor é o cumprir os mandamentos que Jesus deixou. Nesse caso, os mandamentos deixam de ser normas externas que é preciso cumprir, para se tornarem a expressão clara do amor dos discípulos e da sua sintonia com Jesus (vers. 15).         
Como é que Jesus vai estar presente ao lado dos discípulos, dando-lhes a coragem para percorrer “o caminho” do amor e do dom da vida?  
Jesus fala no envio do “Paráclito”, que estará sempre com os discípulos (vers. 16). A palavra grega “paráklêtos”, utilizada por João, pertence ao vocabulário jurídico e designa, nesse contexto, aquele que ajuda ou defende o acusado. Pode, portanto, traduzir-se como “advogado”, “auxiliar”, “defensor”. A partir daqui, pode deduzir-se, também, quer o sentido de “consolador”, quer o sentido de “intercessor”. No Novo Testamento, a palavra só aparece em João, onde é usada quer para designar o Espírito (cf. Jo 14,26; 15,26; 16,7), quer o próprio Jesus (que no céu, cumpre uma missão de intercessão – cf. 1 Jo 2,1).           
O “Paráclito” que Jesus vai enviar é o Espírito Santo – apresentado aqui como o “Espírito da Verdade” (v. 17). Enquanto esteve com os discípulos, Jesus ensinou-os, protegeu-os, defendeu-os; mas, a partir de agora, será o Espírito que ensinará e cuidará da comunidade de Jesus. O Espírito desempenhará, neste contexto, um duplo papel: em termos internos, conservará a memória da pessoa e dos ensinamentos de Jesus, ajudando os discípulos a interpretar esses ensinamentos à luz dos novos desafios; por outro, dará segurança aos discípulos, guiá-los-á e defendê-los-á quando eles tiverem de enfrentar a oposição e a hostilidade do mundo. Em qualquer dos casos, o Espírito conduzirá essa comunidade em marcha pela história, ao encontro da verdade, da liberdade plena, da vida definitiva. 
Depois de garantir aos discípulos o envio do “Paráclito”, Jesus reafirma aos discípulos que não os deixará “órfãos” no mundo. A palavra utilizada (“órfãos”) é muito significativa: no Antigo Testamento, o “órfão” é o protótipo do desvalido, do desamparado, do que está totalmente à mercê dos poderosos e que é a vítima de todas as injustiças. Jesus é claro: os seus discípulos não vão ficar indefesos, pois Ele vai estar ao lado deles.      
É verdade que Ele vai deixar o mundo, vai para o Pai. O “mundo” deixará de vê-lo, pois Ele não estará fisicamente presente. No entanto, os discípulos poderão “vê-lo” (“contemplá-lo”): eles continuarão em comunhão de vida com Jesus e receberão o Espírito que lhes transmitirá, dia a dia, a vida de Jesus ressuscitado (vs. 18-19).   
Nesse dia (o dia em que Jesus for para o Pai e os discípulos receberem o Espírito), a comunidade descobrirá – por ação do Espírito – que faz parte da família de Deus (vers. 20-21). Jesus identifica-Se com o Pai, por ter o mesmo Espírito; os discípulos identificam-se com Jesus, por ação do Espírito. A comunidade cristã está unida com o Pai, através de Jesus, numa experiência de unidade e de comunhão de vida entre Deus e o homem. Nesse dia, a comunidade será a presença de Deus no mundo: ela e cada membro dela convertem-se em morada de Deus, o espaço onde Deus vem ao encontro dos homens. Na comunidade dos discípulos e através dela, realiza-se a ação salvadora de Deus no mundo.   
ATUALIZAÇÃO      
• A paixão de Jesus continua a acontecer, todos os dias, na vida de cada um de nós e na vida de tantos irmãos nossos. Sentimo-nos impotentes face à guerra e ao terrorismo; não conseguimos prever e evitar as catástrofes naturais; sofremos por causa da injustiça e da opressão; vemos o mundo construir-se de acordo com critérios de egoísmo e de materialismo; não podemos evitar a doença e a morte… Acreditamos no “Reino de Deus”, mas ele parece nunca mais chegar, e caminhamos, desanimados e frustrados, para um futuro que não sabemos aonde conduzirá a humanidade. No entanto, nós os crentes temos razões para ter esperança: Jesus garantiu-nos que não nos deixaria órfãos e que estaria sempre a nosso lado. Na minha leitura do mundo e da história, o que é que prevalece: o pessimismo de quem se sente só e perdido no meio de forças de morte, ou a esperança de quem está seguro de que Jesus ressuscitado continua presente, a acompanhar a caminhada da sua comunidade pela história?           
• O “caminho” que Jesus propõe aos seus discípulos (o “caminho” do amor, do serviço, do dom da vida) parece, à luz dos critérios com que a maior parte dos homens do nosso tempo avaliam estas coisas, um caminho de fracasso, que não conduz nem à riqueza, nem ao poder, nem ao êxito social, nem ao bem estar material – afinal, tudo o que parece dar verdadeiro sabor à vida dos homens do nosso tempo. No entanto, Jesus garantiu-nos que era no caminho do amor e da entrega que encontraríamos a vida nova e definitiva. Na minha leitura da vida e dos seus valores, o que é que prevalece: o pessimismo de alguém que se sente fraco, indefeso, humilde e que vai passar ao lado das grandes experiências que fazem felizes os grandes do mundo, ou a esperança de alguém que se identifica com Jesus e sabe que é nesse “caminho” de amor e de dom da vida que se encontra a felicidade plena e a vida definitiva? 
• Jesus garantiu aos seus discípulos o envio de um “defensor”, de um “consolador”, que havia de animar a comunidade cristã e conduzi-la ao longo da sua marcha pela história. Nós acreditamos, portanto, que o Espírito está presente, animando-nos, conduzindo-nos, criando vida nova, dando esperança aos crentes em caminhada. Quais são as manifestações do Espírito que eu vejo na vida das pessoas, nos acontecimentos da história, na vida da Igreja?           
• A comunidade cristã, identificada com Jesus e com o Pai, animada pelo Espírito, é o “templo de Deus”, o lugar onde Deus habita no meio dos homens. Através dela, o Deus libertador continua a concretizar o seu projeto de salvação. A Igreja é, hoje, o lugar onde os homens encontram Deus? Ela dá testemunho (em gestos de amor, de serviço, de humanidade, de liberdade, de compreensão, de perdão, de tolerância, de solidariedade para com os pobres) do Deus que quer oferecer aos homens a salvação? O que é que nos falta – a nós, “família de Deus” – para sermos verdadeiros sinais de Deus no meio dos homens?      

NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS
Nestes dias pascais em honra do Ressuscitado, contemplamos e experimentamos nos santos mistérios não somente a sua ressurreição e ascensão, como também dom do seu Espírito Santo em pentecostes. Pois bem, caríssimos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus que escutamos nesta liturgia do VI domingo da Páscoa coloca-nos precisamente neste clima. Com um coração fiel e recolhido, contemplemos o mistério que o Evangelho de hoje nos revela! Meditemos nas palavras do Senhor Jesus: “Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós! Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis!” São palavras estupendas, cheias de promessa e de vitória… Mas, será que são verdadeiras? Como pode ser verdade tudo isso? Uma coisa é certa: o Senhor não mente jamais! E ele nos garante: Eu virei a vós! Eu vivo! Vós vivereis! Mas, como se dá tal experiência? Como podemos realmente experimentar tal realidade estupenda em nossa vida e na vida da Igreja? Eis a resposta, única possível: somente no Espírito Santo que o Ressuscitado nos deu ao derramá-lo sobre nós após a ressurreição. Vejamos: “Eu virei a vós!” Na potência do Santo Espírito, Cristo realmente permanece no coração de sua Igreja, primeiro pela Palavra, pregada na potência do Espírito, como Filipe, na primeira leitura, que, anunciando o Cristo, realizava curas e exorcismos e, sobretudo, tocava os corações!   
Uma Palavra que realmente toca os corações e coloca os ouvintes diante do Cristo vivo e atuante. Mas, conjuntamente com a Palavra, os sacramentos, sobretudo o batismo e a eucaristia. Em cada sacramento é o próprio Espírito do Ressuscitado quem age, conformando-nos ao Cristo Jesus, unindo-nos a ele, fazendo-nos experimentar sua vida e sua força. Pelo batismo, mergulhados no Espírito do Ressuscitado, realmente nascemos para uma nova vida, como nova criatura; pela Eucaristia, seu Corpo e Sangue plenos do Espírito, entramos na comunhão mais plena que se possa ter neste mundo com o Senhor: ele em nós e nós nele, num só Espírito Santo que ele nos doa! 
“Vós me vereis!” Porque o Santo Espírito do Senhor Jesus habita em nossos corações, nós experimentamos Jesus em nós como uma Presença real e atuante e, com toda a certeza, proclamamos que Jesus é o Senhor, como diz são Paulo: “Ninguém pode dizer: ‘Jesus é Senhor’ a não ser no Espírito Santo” (1Cor. 12,3). Porque vivemos no Espírito, experimentamos todos os dias Jesus como Alguém vivo e presente na nossa vida, em outras palavras: vemos Jesus; vemo-lo de verdade!           
“Eu vivo!” Sabemos que o Senhor está vivo: “morto na sua existência humana, recebeu nova vida pelo Espírito Santo”. Sabemos com toda a certeza da fé que Cristo é o Vivente para sempre, o Vencedor da Morte!          
“Vós vivereis”. O Senhor Jesus não somente está vivo, totalmente transfigurado pela ação potente do Espírito que o Pai derramou sobre ele… Vivo na potência do Espírito, ele nos dá esse mesmo Espírito em cada sacramento. Assim, sobretudo no Batismo e na Eucaristia, tornam-se verdadeiras as palavras do Senhor: “Vós vivereis!”, isto é: recebendo meu Espírito, nele vivendo, tereis a minha vida mesma! Vivereis porque meu Espírito “permanece junto de vós e estará dentro de vós!”          
Então, palavras de profunda intensidade e de profunda verdade! Num mundo da propaganda, da ilusão, dos simples sentimentalismos, essas palavras do Senhor são uma concreta e impressionante realidade. Mas, escutemos ainda o Senhor: “Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós!” É na oração, na prática piedosa dos sacramentos, na celebração ungida e piedosa da Eucaristia que experimentamos essas coisas! Aqui não é só a inteligência, aqui não basta a razão, aqui não são suficientes os nossos esforços! É na fé profunda de uma vida de união com o Senhor, na força do Espírito Santo que experimentamos isso que Jesus disse: ele está no Pai, no Espírito ele e o Pai são uma só coisa. Mas, tem mais: experimentamos que nós estamos nele, nele enxertados como os ramos na videira, nele incorporados como os membros do corpo unidos à Cabeça! Repito: é nos sacramentos que essa experiência maravilhosa torna-se realidade concreta. Um cristianismo que tivesse somente a Palavra de Deus, sem valorizar os sete sacramentos – sobretudo o Batismo e a Eucaristia -, seria um cristianismos mutilado, deficiente, anêmico, não condizente com a fé do Novo Testamento e a Tradição constante da Igreja! Irmãos e irmãs, atenção para a nossa vida sacramental!
Ora, é esta comunhão misteriosa e real com o Senhor no Espírito, que nos faz amar Jesus e viver Jesus com toda seriedade de nossa vida. É cristão de modo pleno quem experimenta o Senhor Jesus vivo e íntimo em sua vida e celebra tal união, tal cumplicidade de amor, nos sacramentos! Aí sim, as exigências do Senhor, seus mandamentos, não nos parecem pesados, não nos são pesados, não são um fardo exterior que suportamos porque é o jeito. Quem vive a experiência desse Jesus presente e doce no Espírito derramado em nós, experimenta que cumprir os preceitos do Senhor é uma exigência doce, porque é exigência de amor e, portanto, libertadora, pois nos tira de nós mesmos e nos faz respirar um ar novo, o ar do Espírito do Ressuscitado, o Homem Novo!           
Mas, quem pode fazer tal experiência? Somente quem vive de modo dócil ao Espírito Consolador, que nos consola mesmo nos desafios mais duros. Somente viverá o cristianismo com um dom e não como um peso quem vive na consolação do Espírito, que é também Espírito de Verdade, pois nos faz mergulhar na gozo da Verdade que é Jesus. Ora, o mundo jamais poderá experimentar esse Espírito! Jamais poderá experimentar o Evangelho como consolação, jamais poderá experimentar e ver que Jesus está vivo e é doce e suave vida para a nossa vida! Por isso mesmo, o mundo jamais poderá compreender as exigências do Evangelho: aborto, casamento gay, assassinato de embriões com fins pseudocientíficos, assassinato de embriões anencéfalos, eutanásia… Como o mundo poderá compreender as exigências do Evangelho se não conhece o Cristo? “O mundo não mais me verá!” Nunca nos esqueçamos disso!    
É essa experiência viva de Jesus no Espírito que nos dá a força cheia de entusiasmo na pregação como Filipe, na primeira leitura. Dá-nos também a coragem e o discernimento para dar ao mundo “a razão da nossa esperança”, santificando o Senhor Jesus em nossos corações, isto é, pregando Jesus primeiro com a coerência da nossa fé na vida concreta e, depois, com respeito pelos que não creem como nós, mas com a firmeza de quem sabe no que acredita! Dá-nos, enfim, a graça de participar da cruz do Senhor, ele que “morreu uma vez por todas, por causa dos nossos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus”. Assim, com ele morreremos para uma vida velha e ressuscitaremos no Espírito para uma vida nova. Eis! Esta será sempre a grande novidade cristã, o centro, o núcleo de a nossa identidade e nossa força! Nunca esqueçamos disso! Vamos! Sigamos o Senhor! Abramo-nos ao seu Espírito!

…ROGAREI AO PAI, E ELE VOS DARÁ UM OUTRO DEFENSOR…
O tema central do Evangelho deste domingo é a promessa do envio do Defensor, o Espírito da Verdade. Aos que amam Jesus e observam seus mandamentos é dito que, mediante a intervenção do Filho, o Pai dará outro Defensor “para que permaneça convosco para sempre”. O termo Paráclito significa literalmente “chamado para junto de alguém”.         
A menção ao Defensor e sua definição como o “Espírito da Verdade” ocorrem somente nos escritos de são João. Essa definição remete à proclamação “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, que qualifica o Espírito de Jesus-verdade, evocando não apenas a sua revelação mas também a discriminação que esta opera entre os homens segundo a sua resposta.        
Com efeito, a figura do “Espírito da verdade’ é, por sua vez, especificada pelo contraste – na acolhida que se faz a ele – entre o “mundo” e os fiéis; aqueles que rejeitam crer no Filho não podem receber aquele que desconhecem. Mas, aos discípulos Jesus diz: “Vós o conheceis porque ele permanece junto de vós e estará em vós.”       
Na pessoa de Jesus, o Espírito estava junto dos discípulos, e eles podiam, portanto, reconhecê-lo; ele “permanecia” sobre Jesus de Nazaré, cujas palavras eram “espírito e vida” (Jo 6,53). Mas o Espírito não se achava ainda agindo neles. “Agora, ele estará em vós”; este anuncio exprime o cumprimento da profecia relativa à Aliança última: “Eu porei meu Espírito em vós.” Depois da glorificação do Filho, o Espírito estará no interior dos fiéis como um rio de água viva em cada um deles. “Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”.           
Peçamos a Deus para estarmos abertos ao Espírito da Verdade. Seguindo os impulsos do Espírito Santo saibamos acolher os ensinamentos de Jesus e transformá-los em vida. A “experiência decisiva” do Espírito Santificador mude os corações dos fiéis e a prática das comunidades! 

O PARÁCLITO
Neste domingo, mais uma vez refletimos sob a égide da narrativa do evangelista João, que nos apresenta, com todo seu carisma e um estilo literário harmonioso, o discurso de despedida de Jesus. Deve-se ressalta o cuidado do evangelista em nos pontar os principais temas da revelação: o amor do Pai e de Jesus; os mandamentos de Jesus e o novo mandamento do amor; o crer em Deus e em Jesus, Caminho, Verdade e Vida; o conhecer Jesus e o Pai; permanecer em Jesus; o dom do Espírito de Amor e o dom da vida eterna na comunhão com Jesus e o Pai, no Espírito.      
No evangelho de hoje, em uma parte do trecho deste discurso, é retomado o tema dos mandamentos de Jesus e sua observância, e o dom do Espírito. Os mandamentos de Jesus se expressam em formas diversas: guardar a sua palavra, ter fé e praticar o que ele viveu, crer nele e ter a vida eterna, praticar a verdade, acolher seu testemunho, trabalhar pelo alimento que permanece para a vida eterna, servi-lo e seguir seu exemplo de serviço.   
Todos seus mandamentos convergem para o seu novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (vejam: Jo 13,34.35; 15,12 – na liturgia do dia. 27 p.p).      
A culminância dos mandamentos é o amor divino de Jesus a ser vivido pelos discípulos, em comunhão de vida eterna com o Pai. Associado a este amor está o dom do Paráclito, o Espírito da Verdade. O Pai dará este Espírito, ele permanece junto de nós e está em nós. Futuro e presente se unem, no dom do Espírito.       
O Paráclito, palavra de origem grega, significa consolador ou defensor. O termo grego, em suas variantes, é abundantemente usado nos textos paulinos, com o sentido de consolo. É também usado algumas vezes em Lucas, e uma única vez nos sinóticos, na bem-aventurança dos que choram (observem Mt 5,4).
Importante frisar que: com a sentença: “Ainda um pouco de tempo e o mundo não mais me verá; mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis”, Jesus afirma sua permanência na vida divina e eterna e o dom desta vida àqueles que cumprem seu mandamento de amor.          
A expressão “porque eu vivo” se diferencia da tradição sacrifical judaico-cristã segundo a qual Jesus morto na cruz transforma-se em um cadáver a ser reanimado novamente por sua ressurreição, tornado então Filho de Deus, como prêmio de seu auto sacrifício.          
Nesse sentido, o Espírito que nos é dado nos revela a presença de Jesus entre nós: “Não vos deixarei órfãos: eu voltarei a vós… Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim, e eu em vós ” – Jesus pré-anuncia o dia de Pentecostes que vivenciaremos no dia 12/06. A volta de Jesus, ele no Pai, os discípulos nele e ele nos discípulos, significa a comunhão de vida eterna com Deus já neste mundo, a partir da comunhão de amor.     
Esse Espírito, soprado por Jesus sobre os apóstolos, nos será dado pela imposição das mãos, conforme nos ensina a primeira leitura, onde, para sua comunicação, Ele é apresentado como complemento ao “batismo de Jesus”. Em sentido oposto, conforme estuda-se em Atos 10,44-48 (é preciso darmos continuidade à primeira leitura de hoje), quando Pedro, na Samaria, ainda falava, o Espírito Santo caiu sobre todos os que ouviam a Palavra. Então Pedro declara: “Poderia alguém recusar a água do batismo para estes que receberam o Espírito Santo, assim como nós?”. Desta forma, Pedro determinou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo.   
Contudo, sobre esse mesmo Espírito aprendemos, conforme a segunda leitura, que às comunidades que sofrem perseguições, é dado um estímulo a serem testemunhas de sua esperança, a partir do testemunho de Jesus, “morto, sim, na carne, mas vivificado no Espírito”. Portanto, irmãos e irmãs, de acordo com a liturgia de hoje, aprendemos que o Espírito Santo de Deus é a garantia de nossa permanência na vida divina, seja no sofrimento ou na morte física.        
Paz a todos vós que sois de Cristo!        

DAR OS MOTIVOS DE NOSSA ESPERANÇA
“Estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir”.         
Vivemos um tempo de pluralismo cultural e religioso. Respiramos o ar do diálogo e buscamos entendimento entre as gerações e compreensão nos conflitos. No campo religioso cultivamos uma postura de acolhimento das diferenças e de tentativa de um sadio ecumenismo. Isso não quer dizer que devamos nivelar tudo.      
Pedro, em sua Carta, pede que os discípulos de Jesus anunciem suas cores e cultivem uma identidade interior. Estaremos sempre prontos a dar quem quiser as razões de nossa fé.  
Muitos de nós nascemos numa família cristã católica. Nossos pais tiveram a delicadeza de nos apontar na direção da fé cristã. Aprendemos a rezar, contemplamos os passos da via sacra, fizemos a primeira comunhão, sentimo-nos membros de uma comunidade de bairro ou de uma paróquia. Alguns sacerdotes ou agentes de pastoral foram depositando sementes de esperança em nosso interior. De outro lado, muitos filhos de famílias católicas nem sempre tornaram sua fé própria, pessoal e no torvelinho da vida não chegaram a ter uma identidade verdadeiramente cristã. Vacilaram. Ou se tornaram pessoas praticantes sem convicções profundas, ou então abandonaram todo tipo de prática cristã e deixaram de exprimir a fé.        
Outros, atentos às visitas de Deus, acolheram em suas vidas o mistério do Cristo vivo e ressuscitado. Passaram a cultivar um relacionamento pessoal com o Senhor ressuscitado. Aos poucos foram se deixando impregnar da força da Palavra do Evangelho. Alguns passaram a fazer a experiência da comunidade e da fraternidade. Não são apenas “religiosos”, mas discípulos que fazem questão de viver o “vede como eles se amam”. Esses passaram a ter um relacionamento todo particular com Cristo na ceia do altar. Não recebem apenas a hóstia, mas se fazem constante oferenda com Aquele que continua se entregando na Eucaristia. Não faltam à missa. Estão plenamente convencidos de que precisam alimentar uma vida de oração pessoal e comunitária. Procuram eles adotar um relacionamento com Cristo na linha do discipulado, e não apenas uma convivência “formal”. Sabem eles que não podem descansar enquanto o Evangelho não ganhar corpo no mundo e por isso se colocam à disposição do Senhor e repetem com Paulo: “Ai de mim se não evangelizar!”. Eis algumas razões de nossa fé.     
Pedro pede que os cristãos apresentem razões de sua fé com “mansidão e respeito e com boa consciência”. E ainda Pedro: “Se em alguma coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom procedimento em Cristo”.      
Cada um de nós deverá poder, com palavras simples, dar aos que perguntarem as razões de sua fé.

O ESPÍRITO PLENIFICA NOSSO BATISMO
O presente domingo continua, no evangelho, a meditação das palavras de despedida de Jesus (Jo 14,15-21). Esta meditação introduz – duas semanas antes de Pentecostes – o tema do Espírito Santo, que João chama “o Paráclito”, ou seja, o “assistente judicial” no processo do cristão com o mundo, pois o “mundo” (termo com o qual João indica os que recusaram o Cristo) indiciou o Cristo e seus discípulos diante do tribunal (perseguições etc.). Nesta situação, precisamos do Advogado que vem de Deus mesmo e que toma o lugar do Cristo (por isso, Jesus diz: um outro Paráclito; Jo 14,16), já que seu testemunho vem da mesma fonte, que é o Pai. Graças a esse Paráclito, a despedida de Jesus não nos coloca numa situação de órfãos (v. 18). Jesus anuncia para breve seu desaparecimento deste mundo; o mundo não mais o verá. Mas os fiéis o verão, pois eles estão nele, como ele está neles. Tudo isso, com a condição de guardar sua palavra, observar seu mandamento de amor: na prática da caridade, ele fica presente no meio de nós e seu Espírito nos assiste. E o próprio Pai nos ama.    
Na linha dos domingos anteriores, a 1ª leitura descreve a expansão da Igreja: agora, na Samaria. Também aí aparece o papel do Espírito Santo na comunidade cristã. Quando os apóstolos em Jerusalém ouviram que a Samaria tinha aceito a palavra de Deus, mandaram Pedro e João para impor as mãos a esses batizados, para que eles recebessem o Espírito Santo (At. 8,14s). Tal prática não era necessária: há casos em que Deus derrama o Espírito mesmo antes do batismo (At 10,44ss). Mas, de toda maneira, a presente narração nos mostra que a vida cristã não é completa sem a efusão do Espírito Santo, que os apóstolos impetravam pela imposição das mãos. Pensando no evangelho, podemos descrever esse Espírito como a inabitação de Deus e Jesus Cristo nos fiéis. Assim, o batismo não é uma mera associação de pessoas em redor do rótulo “Jesus Cristo”, mas realmente participação de sua vida e continuação de sua missão neste mundo. Também o Espírito une a todos; é o Espírito da unidade; por isso, os apóstolos de Jerusalém vão impor as mãos aos batizados da Samaria. Um resquício disto é, ainda hoje, a visita do bispo diocesano nas paróquias para conferir o sacramento da crisma, que é prefigurado nesta leitura de At. 8. Podemos dizer, também, que, se a Páscoa foi o tempo liturgicamente propício para o batismo, a festa de Pentecostes, que se aproxima, é o momento propício para a crisma.           
Assim, a presente liturgia nos introduz na esfera de Pentecostes, aprofundando o significado da Ressurreição. Pois, se a Ressurreição é a vida de Cristo na glória, ele não a vive para si. Ele “ressuscitou por nós” (Oração eucarística IV). A realização da ressurreição em nós, a presença vital do Cristo em nós, de tal modo que sejamos Cristo no mundo de hoje, o Espírito de Deus é que a opera: a força de seu sopro de vida, a luz de sua sabedoria, o misterioso impulso de sua palavra, o ardor de seu amor. Para completar a celebração da Ressurreição, devemos abrir-nos agora para que este Espírito penetre em nós.   
A 2ª leitura nos conscientiza de que estamos em processo com o mundo (cf evangelho). O mundo pede contas de nós, mas é a Deus que devemos prestar contas. O mundo pode matar, como matou Jesus. Mas no Espírito que fez viver o Cristo viveremos. Esta leitura traz algo da teologia do martírio (melhor padecer fazendo o bem do que fazendo o mal). Não devemos interpretá-la num sentido fatalista (“Deus o quer assim”…), mas num sentido de firmeza, porque o cristão sabe que Cristo é mais decisivo para ele que os tribunais do mundo.

“SE ME AMAIS, GUARDAREIS OS MEUS MANDAMENTOS!”
A princípio, parece triste o evangelho de hoje. O momento da despedida é sempre muito difícil e os discípulos de Jesus estão entristecidos, porque o Mestre está prestes a deixá-los.        
Na verdade Jesus está se despedindo, pois se aproxima o momento de sua paixão e morte. Seus discípulos estão inconformados e se perguntam como será possível permanecerem unidos e continuar amando o Mestre, se ele vai embora. Não entendiam como amar Jesus à distância.   
Mas Jesus tenta consolá-los e fala de paz e de alegria. Garante que não os deixará órfãos. Por isso mesmo, vai enviar o Espírito Santo para todos que o amam e observam seus mandamentos.          
Jesus promete enviar o Espírito da Verdade, que vai dar continuidade à sua obra de libertação e de vida. Só o Espírito é capaz de manter viva a chama do amor na comunidade.  
O Espírito Santo age na vida do cristão. Jesus o proclamou Espírito da verdade, porque nos leva a reconhecer que Deus é Pai, Misericórdia, Bondade e Amor. O Espírito Santo liberta. A sua presença traz serenidade, alegria e esperança. O Espírito traz autenticidade ao cristão.           
O verdadeiro cristão tem tudo para ser alegre. Na Igreja não há lugar para tristeza, cansaço, medo e desânimo. A comunidade unida pelo Espírito não se deixa abater pela perseguição, desavenças e dificuldades diárias. A alegria da ressurreição é bem maior do que tudo isso.   
Eu vos enviarei o Paráclito, disse Jesus. Paráclito quer dizer “advogado, o intercessor que está sempre ao lado do necessitado, é aquele que consola e que defende”. De fato, o Espírito Santo é aquele que intercede por nós, é o próprio Deus agindo em nossos corações.   
A missão do Espírito é a de consolar e santificar os cristãos, como também, perdoar os pecados, iluminar e guiar na difícil caminhada da fé. A proximidade do Espírito Santo clareia o caminho, fortalece os nossos passos vacilantes, conforta e refaz o coração e a vida.           
Animados pelo Espírito, os apóstolos transformaram-se e partiram em missão. O medo deu lugar à coragem, o desânimo transformou-se em dinamismo e alegria. Guiados, deixaram-se levar e, pelos caminhos da fé, gritaram com todas as suas forças a Boa Nova da Salvação.      
O seguidor do Mestre deve imitar esses homens, assumir a evangelização e viver a presença do Espírito Santo. É ele quem nos consola, anima, orienta e nos ajuda a viver a verdadeira fé em Jesus.
Humildemente vamos invocar sua presença em nossas vidas através desta súplica: Ó Espírito Santo, Amor do Pai e do Filho!   
Inspirai-me sempre sobre o que devo pensar, como devo dizer… o que devo calar, o que devo escrever…           
como devo agir e o que devo fazer para obter a vossa glória, o bem das almas e a minha própria salvação!

O ESPÍRITO DA VERDADE
No antigo testamento, quando Deus convida o seu povo a entrar em aliança com Ele, exigia que amasse e que aderisse a Ele com toda a vida.    
Agora, Jesus está pronunciando um discurso no contexto da cena pascal, onde renova a aliança no seu sangue, realizando uma comunhão íntima com seus discípulos. Ele se apresenta como aquele que deve ser amado, do mesmo modo como antes Deus exigia. Exatamente porque os discípulos amavam a Cristo, eles observam também os seus mandamentos. A vida deles será conforme suas palavras: uma vida de total doação segundo a sua vontade.   
Contudo, permanecer nessa aliança, observando o mandamento do Senhor, não é fruto de puro esforço humano. O discípulo tem necessidade do Espírito. Por isso, Jesus rezará ao Pai, o qual dará o seu Espírito Santo. É o Paráclito, isto é, o advogado, porque nos defende dos ataques do maligno. O mundo não pode entender a verdade de Cristo, o escândalo da cruz, porque ouve um outro espírito, o pai da mentira, o diabo, e lhe agrada ouvir quem o convida a levar uma vida sem cruz.         
Os cristãos conhecem o Espírito Santo, porque experimentam todos os dias a sua ação na própria vida e na vida da comunidade cristã, não somente aparecendo aos discípulos após a ressurreição, mas, sobretudo, habitando perenemente no espírito deles (v. 18).         
Os discípulos têm os olhos do coração através dos quais, diferentemente do mundo, poderão ver Jesus ressuscitado, que continuamente lhes dá a vida eterna (v. 19).     
Nesse dia, quando Jesus virá espiritualmente, receberão como dom o duplo conhecimento da íntima união de Jesus com o Pai e de Jesus com eles (v. 20).          
O amor a Jesus consiste em aceitar e observar as suas palavras, os seus mandamentos. Desse modo, a sua promessa pode se concretizar (v. 21). (LITURGIA DIÁRIA COMENTADA)

EU O AMAREI E ME MANIFESTAREI A ELE  
Hoje, Jesus — como já o fizera com os seus discípulos— despede-se, pois regressa ao Pai para ser glorificado. Parece que isto entristece os discípulos que ainda o vêm apenas com um olhar físico, humano, que acredita, aceita e se agarra apenas ao que vê e toca. Esta sensação dos seus seguidores, que ainda hoje se sente em muitos cristãos, permite ao Senhor assegurar-nos que «não vos deixarei órfãos» (Jo 14,18), pois Ele pedirá ao Pai que nos envie «outro Paráclito» (Auxiliador, Intercessor: Jo 14,16), «o Espírito de Verdade» (Jo 14,17); além disso, apesar de o mundo não o poder “ver”, «vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis» (Jo 14,19). Assim, a confiança e a compreensão destas palavras de Jesus, suscitarão ao verdadeiro discípulo, o amor que se mostrará claramente em “possuir os seus mandamentos” e “guardá-los” (cf. v. 21). E mais ainda: quem isto vive, será amado de igual forma pelo Pai, e Ele —o Filho— ao seu discípulo fiel, o amará e se lhe manifestará (cf. v. 21).      

Quantas palavras de alento, confiança e promessa nos chegam este Domingo! No meio das preocupações quotidianas —onde o nosso coração fica oprimido pelas sombras da dúvida, do desespero e do cansaço pelas coisas que nos parecem sem solução ou que entraram num caminho sem saída— Jesus convida-nos a senti-lo sempre presente, a descobrirmos que está vivo e nos ama, ao mesmo tempo que, ao que dá o passo firme de viver os seus mandamentos, lhe garante na sua plenitude da vida nova e ressuscitada.  
Hoje, se nos manifesta vivo e presente nos ensinamentos das escrituras que ouvimos e na Eucaristia que recebemos. —Que a tua resposta seja a da vida nova que se entrega na vivência dos seus mandamentos, em particular o do amor. (EVANGELI)

O ESPÍRITO SANTO
1. “E houve muita alegria naquela cidade” (Act.8,8)! Numa determinada cidade de Samaria, no período que se seguiu à violenta perseguição contra a Igreja em Jerusalém (cf. At 8, 1), aconteceu algo que causou “grande alegria”. Nessa cidade, no meio de uma população tradicionalmente desprezada e como que excomungada pelos judeus, ressoou o anúncio de Cristo, que abriu à alegria, o coração de quantos O acolheram com confiança. «As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe», que eram acompanhadas de gestos inesperados! Os Apóstolos, sabendo que a Samaria recebera assim a Palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João, as colunas da Igreja, para confirmar na fé, aqueles que unicamente tinham sido batizados! «Impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo» e, com Ele, a profusão da alegria, que vem de Deus! 

2. Estimados amigos (as): esta é também a nossa missão: anunciar o Evangelho a todos, para que todos experimentem a alegria de Cristo e haja alegria em cada canto do coração, em cada recanto da cidade! O que pode ser mais belo do que isto? O que pode ser maior e mais entusiasmante do que cooperar, para propagar, no mundo, a Palavra de Vida? O que pode ser mais belo, do que comunicar a água viva do Espírito Santo? Anunciar e testemunhar a alegria: este é o núcleo central da nossa missão!
3. O Apóstolo Paulo chama aos ministros do Evangelho “servidores da alegria”. Aos cristãos de Corinto, escreve: “queremos apenas contribuir para a vossa alegria, porque, quanto à fé, estais firmes” (2 Cor 1, 24). A fim de serdes colaboradores da alegria dos outros, num mundo, muitas vezes, triste e negativo, é necessário que o fogo do Evangelho arda dentro de vós, que em vós habite a alegria do Senhor! Somente então podereis ser mensageiros e multiplicadores desta alegria, transmitindo-a a todos, especialmente a quantos andam vencidos, tristes e desanimados!           
4. A Cidade está a viver estes dias de «Festa em honra de Nossa Senhora da Hora»! Diante de nós, e ao longo deste mês, está a figura da Mãe de Jesus, que em Caná (Jo.2,1-11), aceita fazer festa, com quem faz festa (cf. Rom.12,15), rejubila, dança, saboreia o vinho, ri e canta! Mas, quando vem a faltar o vinho da alegria nas bodas daquele casamento, Ela está atenta a que não cesse o canto e não se extinga a dança, na festa dos pobres. Ela provoca o parto da alegria, naquela festa nupcial, pondo tudo nas mãos de Jesus e predispondo a todos, para guardarem e cumprirem os seus mandamentos: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo.2,5). E a alegria voltou em grande força! E Maria servirá essa alegria, simplesmente compartilhando-a! Porque uma alegria não partilhada perde intensidade!        
5. Este há-de ser também o nosso contínuo “programa” de festas: tornarmo-nos servidores da alegria, daquela alegria, que brota da escuta fiel da Palavra, daquela alegria que frutifica da abundância do Espírito de Deus em nossos corações, daquela alegria que é afinal o reflexo da beleza da nossa fé e das fundas razões da nossa esperança! «Alegrai-vos, comigo» (Lc.15,6.9.32), é o convite de Deus, que nos chama a entrar no seu coração, para a Festa do amor. Transmitir a alegria é, pois, agir segundo o estilo de Deus! E isto será obra do Espírito de Deus, em nós, como o foi no coração e na vida de Maria!. (ABC DA CATEQUESE)

NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS! …
A Liturgia da Palavra deste 6º Domingo da Páscoa – A, diz-nos que Jesus Ressuscitado é testemunhado pelos Cristãos que se amam. Jesus promete o Espírito de verdade a quem observa o Seus mandamentos. Só quem faz o que agrada ao amigo pode dizer que está verdadeiramente em comunhão com ele.        

Como Cristo sempre fez o que agradava ao Pai, aceitando sem reservas o plano de salvação e executando-o com livre obediência e assim se manifestou como o «Filho bem amado», também quem crê em Cristo entra na mesma corrente de amor, porque responde à escolha e à predileção do Pai.
O Espírito de Cristo ilumina agora os que creem para que continuem em sua vida a atitude filial de Cristo. Ainda não é cristão quem pratica os dez mandamentos, código elementar de comportamento moral e religioso, mas quem é fiel ao único mandamento do amor, até dar a vida em plena liberdade.           
Este amor faz passar da morte para a vida. A 1ª Leitura dos Atos dos Apóstolos, diz-nos que a presença de Pedro e João na Samaria exprime, antes de mais, a unidade profunda que deve existir entre uma Igreja local e a Igreja universal. 
Mas é também a confirmação do trabalho missionário, realizado pelo diácono Filipe.           
– Filipe desceu a uma cidade da Samaria e esteve aí a pregar o Messias. (…) Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram lá Pedro e João. (1ª Leitura).  
Ao imporem as suas mãos sobre os novos batizados, os Apóstolos reconheciam, na verdade, como autêntica a proclamação da «Boa Notícia», feita por Filipe. Ao comunicarem o Espírito Santo aos Samaritanos, completavam a sua iniciação cristã. Aquela comunidade cristã tornava-se assim uma comunidade adulta.          
O Espírito Santo recebido já no Baptismo, mas comunicado de modo especial pelos Apóstolos, ficará a atuar naquela comunidade como fonte de crescimento e princípio de unidade extensivo a toda a gente como proclama o Salmo Responsorial:
– A Terra inteira aclame o Senhor!        
Na 2ª Leitura S. Pedro diz que à semelhança de Jesus Cristo, o cristão conhecerá muitas vezes a contradição, a calúnia e mesmo a perseguição. Ora, nestas circunstâncias, que atitude tomar?       
Segundo S. Pedro, não pode ser outra senão seguir o exemplo de Cristo, o justo, o Qual sofreu a morte por todos, mas foi ressuscitado pelo Espírito. 
– Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder a quem quer que seja(…) Mas que seja com brandura e respeito, conservando uma boa consciência, para que, naquilo mesmo em que fordes caluniados, sejam confundidos os que dizem mal do vosso bom proceder como discípulos de Cristo.(2ª Leitura).
Ao responder à violência com amor, o cristão não assume uma atitude passiva. Ele não é um cobarde, nem um tímido. Porque conhece os motivos da sua fé e as razões da sua esperança, está sempre pronto a defender a sua vida cristã. Porque se esforça por manter uma conduta irrepreensível, não teme acusação alguma.    Contudo, está sempre disposto a aceitar o sofrimento, certo de que assim participa na obra redentora de Cristo e se torna um sinal vivo da esperança que o anima.         
O Evangelho é de S. João e diz-nos que, na véspera da Sua morte, Jesus assegura àqueles que O amam que não os deixará sós, nem abandonados. Durante o tempo da Sua ausência sensível, até ao fim dos tempos, terão, de facto, a assistência do Espírito Santo, o Espírito de verdade, que prosseguirá a obra de intercessão, de defesa, de ajuda, desenvolvida por Jesus, na Sua vida terrena, em favor dos Seus discípulos.    
– «Se Me tendes amor, guardareis os Meus mandamentos. E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Defensor, para estar sempre convosco : O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece.(Evangelho). 
Através do Espírito Santo, Força pessoal de Deus, Jesus continuará, indefinidamente, com os Seus. Através do Espírito Santo, os discípulos continuarão a ser iluminados e fortificados. E, guardando com a Sua graça, os mandamentos, crescerão na unidade e viverão sempre em comunhão de pensamento e de amor com o Pai e o Filho na intimidade do plano da História da Salvação.  
Diz o Catecismo da Igreja Católica:       
687. – «Ninguém conhece o que há em Deus, senão o Espírito de Deus»(1 Cor.2,11). Ora, o seu Espírito, que O revela, faz-nos conhecer Cristo, seu Verbo, sua Palavra viva; mas não Se diz a Si próprio. Aquele que «falou pelos profetas» faz-nos ouvir a Palavra do Pai. Mas a Ele, nós não O ouvimos. Não O conhecemos senão no movimento em que Ele nos revela o Verbo e nos dispõe a acolhê-lo na fé. O espírito de Verdade, que nos «revela» Cristo, «não fala de Si próprio»(Jo.16,13). Tal apagamento, propriamente divino, explica porque é que «o mundo não O pode receber, porque não O vê nem O conhece», enquanto aqueles que creem em Cristo O conhecem, porque habita com eles e está neles.(Jo.14,17). (CATEQUISTA)

ORAÇÕES DO DIA

1ª ORAÇÃO DO DIA: COLETA         
Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos celebrar com fervor estes dias de júbilo em honra do Cristo ressuscitado, para que nossa vida corresponda sempre aos mistérios que recordamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2ª ORAÇÃO DO DIA: PRECE DA ASSEMBLEIA          
— Guardai-nos em vosso amor, Senhor. 
— Para que a Igreja continue devotada à sua tarefa missionária, digamos.        
— Para que o Espírito da verdade suscite profetas do amor e da justiça, digamos.        
— Para que os jovens e as famílias cristãs estejam sempre prontos a dar razão da sua esperança diante dos apelos do mundo, digamos. 
— Para que nossa fé seja alegre e dinâmica mesmo em meio aos conflitos, digamos.  
— Para que os catequistas, ministros, leitores e coroinhas da comunidade cresçam na intimidade com Jesus, digamos.

3ª ORAÇÃO DO DIA: SOBRE AS OFERENDAS
Subam até vós, ó Deus, as nossas preces com estas oferendas para o sacrifício, a fim de que, purificados por vossa bondade, correspondamos cada vez melhor aos sacramentos do vosso amor. Por Cristo, nosso Senhor.

4ª ORAÇÃO DO DIA: DEPOIS DA COMUNHÃO          
Deus eterno e todo-poderoso, que, pela ressurreição de Cristo, nos renovais para a vida eterna, fazei frutificar em nós o sacramento pascal e infundi em nossos corações a força desse alimento salutar. Por Cristo, nosso Senhor.

Anúncios
Esse post foi publicado em Religião. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s