LD – 12/06/11 (Domingo)

Vamos então nos preparar para a Leitura, orando juntos: Jesus Mestre, que dissestes: “onde dois ou mais estiverem reunidos em seu amor, eu aí estarei no meio deles”. Amém!

12/Jun/2011 (Domingo) – Pentecostes        
PENTECOSTES
(vermelho, glória, sequência (na missa do dia), creio, prefácio próprio –  ofício da solenidade)

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

LEITURAS

Leitura dos Atos dos Apóstolos 2,1-11         
(. . .)  
1Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. 3Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. 5Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. 6Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. 7Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? 8Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? 9Nós, que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; 11judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus em nossa própria língua!”. — Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial (Salmo 103(104))      
— Enviai o vosso Espírito, Senhor,/ e da terra toda a face renovai!
— Bendize, ó minha alma, ao Senhor!/ Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!/ Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras!/ Encheu-se a terra com as vossas criaturas!         
— Se tirais o seu respiro, elas perecem/ e voltam para o pó de onde vieram./ Enviais o vosso espírito e renascem/ e da terra toda a face renovais.         
— Que a glória do Senhor perdure sempre,/ e alegre-se o Senhor em suas obras!/ Hoje lhe seja agradável o meu canto,/ pois o Senhor é a minha grande alegria!

Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios 12,3b-7.12-13          
(. . .)  
Irmãos: 3bNinguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. 4Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. 5Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. 6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. 7A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. 12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. 13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito. — Palavra do Senhor.

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo João 20,19-23           
(. . .)  
19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. — Palavra da Salvação

COMENTÁRIOS

Jesus Cristo nos disse: “Eu sou o CAMINHO…    
Qual o CAMINHO que a Palavra diz para mim? Jesus oferece a paz aos discípulos. E com a paz, oferece-lhes o Espírito Santo. “Jesus nos transmitiu as palavras de seu Pai e é o Espírito que recorda à Igreja as palavras de Cristo (cf. Jo 14,26). Desde o princípio, os discípulos haviam sido formados por Jesus no Espírito Santo (cf. At 1,2) que é, na Igreja, o Mestre interior que conduz ao conhecimento da verdade total formando discípulos e missionários. Esta é a razão pela qual os seguidores de Jesus devem se deixar guiar constantemente pelo Espírito (cf. Gl 5,25), e tornar a paixão pelo Pai e pelo Reino sua própria paixão: anunciar a Boa Nova aos pobres, curar os enfermos, consolar os tristes, libertar os cativos e anunciar a todos o ano da graça do Senhor (cf. Lc 4,18-19).” (DAp 152).

… a VERDADE…  
Qual a VERDADE que a Palavra me diz? Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Jo 20,19-23, e observo pessoas, palavras, relações, lugares. Jesus atravessa as barreiras internas e externas das pessoas. Com a vinda do Espírito Santo, o medo é vencido pela paz, a dúvida e o desânimo com a identificação de Jesus Ressuscitado.

… e a VIDA”.          
Qual a VIDA que o texto me leva a dizer a Deus? Senhor Jesus, que eu seja cada dia revestido pela força do Espírito Santo, que me capacita para exercer, sem descanso, minha tarefa de evangelizador.

Qual deve ser a minha VIDA e MISSÃO hoje?      
Qual o meu novo olhar a partir da Palavra? Sinto-me discípulo/a de Jesus. Meu novo olhar, iluminado pela luz do Espírito Santo, leva-me a pensar e desejar com os bispos da América Latina: “O Espírito Santo, com o qual o Pai nos presenteia, identifica-nos com Jesus-Caminho, abrindo-nos a seu mistério de salvação para que sejamos seus filhos e irmãos uns dos outros; identifica-nos com Jesus-Verdade, ensinando-nos a renunciar a nossas mentiras e ambições pessoais, e nos identifica com Jesus-Vida, permitindo-nos abraçar seu plano de amor e nos entregar para que outros “tenham vida n’Ele”.” (DAp 137).

REFLEXÕES

JESUS COMUNICA O ESPÍRITO SANTO    
No primeiro dia da semana, de madrugada, Maria Madalena, Pedro e o outro discípulo constatam que o sepulcro de Jesus estava vazio; em seguida, ocorre a aparição de Jesus a Maria Madalena. Agora, à tarde desse mesmo dia, Jesus vem aos discípulos que estavam com as portas trancadas por medo dos judeus. Coloca-se no meio deles e, por duas vezes, anuncia-lhes a paz. Com o primeiro anúncio, Jesus identifica-se, mostrando suas chagas: não é um fantasma, mas é o próprio Jesus de Nazaré que com eles convivera e que, no fim, foi crucificado. Agora, aquele que fora crucificado se apresentava vivo entre eles, o que é motivo de grande alegria, ainda mais quando Jesus, renova a comunicação de sua paz, feita na última ceia. Com o segundo anúncio da paz Jesus envia os discípulos. É o envio em missão, genérico. A característica essencial é que os discípulos são enviados assim como Jesus foi enviado pelo Pai. A missão de Jesus foi comunicar o amor do Pai ao mundo e a esta missão os discípulos são enviados. Após a comunicação da paz, no mesmo dia da ressurreição, Jesus comunica o Espírito Santo soprando sobre os discípulos. O “soprar” é o mesmo ato de Deus ao infundir a vida ao homem, na criação: “Então Javé Deus modelou o homem com a argila do solo, soprou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2,7). Agora, o Espírito Santo é a comunicação da própria vida divina a homens e mulheres, criados por Deus. Lucas, antes desta narrativa discreta de João sobre o dom do Espírito Santo, tinha feito sua narrativa, em estilo apocalíptico, em Atos (primeira leitura). Segundo a versão de Lucas, em vez do sopro de Jesus, o Espírito Santo vem por ocasião da festa de Pentecostes, cinquenta dias depois da ressurreição, sob a forma de línguas de fogo que vêm do céu com um ruído como de um vento forte, e pousam sobre os discípulos. Pentecostes era uma festa do judaísmo, com raízes no antigo Israel e nas tradições agrícolas de Canaã, associada à colheita do trigo, bem como as festas dos Ázimos e da Páscoa. A associação do dom do Espírito à festa judaica de Pentecostes é feita exclusivamente por Lucas e foi incorporada na tradição das igrejas cristãs. Assim como Jesus não veio ao mundo para condená-lo, assim também não cabe à comunidade missionária a condenação. É à palavra anunciada que cabe o julgamento. Porém, à missão cabe o anúncio da prática da justiça, a qual tira o pecado do mundo e instaura o amor.        
O Espírito é a plenitude do amor. O fruto do amor é a união. Pelos atos de comunicação, misericórdia, perdão, solidariedade, partilha, serviço, nos unimos em um só corpo. Um só corpo, com diversos membros, com diversidade de funções e carismas. Um só corpo, com membros sadios, que usufruem os bens deste mundo, e com membros doentes, excluídos, pobres, sofrendo privações. A vida deste corpo deve irradiar-se ao corpo todo, comunicando vida plena a todos seus membros.

RECEBEI O ESPÍRITO SANTO
O dom do Espírito Santo foi um elemento fundamental na experiência missionária dos primeiros cristãos. Com a ascensão do Senhor, eles se viram às voltas com uma tarefa descomunal: levar a mensagem do Evangelho a todo o mundo. A missão exigiria deles inculturar a mensagem, fazendo o Evangelho ser entendido por pessoas das mais variadas culturas. Deveriam ser capazes de enfrentar dificuldades, perseguições e, até mesmo a morte, por causa do nome de Jesus. Muitos problemas proviriam dos judeus, pois a ruptura com eles seria inevitável, dada a intransigência da liderança judaica para com a comunidade cristã que tomaria um rumo considerado inaceitável. Sem dúvida, não faltariam problemas dentro da própria comunidade, causados por partidarismos, falsas doutrinas e atitudes incompatíveis com a opção pelo Reino.           
Os discípulos eram demasiado fracos para, por si mesmos, levar a cabo uma empresa tão grande. Jesus, porém, concedeu-lhes o auxílio necessário ao comunicar-lhes o Espírito Santo. Fortalecidos pelo Espírito, eles não se intimidaram, antes, cumpriram, com denodo, o ministério da evangelização.          
O dom de Pentecostes renova-se, cada dia, na vida da Igreja. O Espírito, ontem como hoje, não permite que os cristãos cruzem os braços diante do mundo a ser evangelizado.

VINDE, ESPÍRITO SANTO!      
Com a saudação de Jesus, três fenômenos acontecem na vida dos discípulos:         
1º) Todos ficaram cheios do Espírito Santo;        
2º) Batizados num só Espírito, formam um só corpo, que é a Igreja;  
3º) São enviados ao mundo como mensageiros da Boa Nova da salvação.    
Assim – em harmonia com a promessa de Jesus – o Espírito Santo manifesta a Sua presença sob os sinais sensíveis do vento e do fogo, descendo sobre os apóstolos e transformando-os totalmente, consagrando-os para a missão que Ele lhes havia confiado.         
Com este batismo no Espírito Santo nascia assim, oficialmente, a Igreja. Nesse dia, homens separados por línguas, culturas, raças e nações começavam a reunir-se no grande Povo de Deus num movimento que só terminará com a segunda vinda gloriosa de Jesus Cristo.        
A presença do Espírito Santo é o sinal da unidade da Igreja. Todos n’Ele formamos um só Corpo, que tem como cabeça o próprio Cristo.        
Todos nós fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo. O Espírito Santo é «a alma da Igreja». É Ele quem nos dá a perfeita compreensão do mistério pascal e nos leva a anunciar a ressurreição a todos os homens, sem exceção. É por Ele que nós acreditamos que Jesus é Deus e essa nossa fé se mantém. É Ele que enriquece o Corpo Místico com dons e carismas, numa grande variedade de vocações, ministérios e atividades. É Ele que, ao mesmo tempo em que nos distingue, dando-nos uma personalidade própria dentro da Igreja, nos põe em comunhão uns com os outros, de tal modo que a diversidade não destrói a unidade.           
“Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós: Recebei o Espírito Santo”. Com a Páscoa, inicia-se a nova criação. E, como na primeira, também agora o Espírito Santo está presente, a insuflar aos homens, mortos pelo pecado, a vida nova do Ressuscitado, jorrando do Corpo glorificado de Cristo, em que se mantêm as cicatrizes da Paixão.       
O sopro purificador e recriador do mesmo Deus comunica-se aos apóstolos. Apodera-se deles, a fim de que possam prolongar a obra da nova criação. E assim a humanidade, reconciliada com Deus, conserve sempre a paz alcançada em Jesus Cristo.     
É o Espírito que reza em nós e por nós, invocando Deus Pai. Transforma-nos, cria harmonia e fraternidade, acalenta e dá ânimo, revitaliza, faz-nos recomeçar, perseverar, manter a fé, não desistir da caridade e do serviço. É fogo que purifica, ilumina, aquece, irradia. Os outros reconhecerão em nós a presença e a ação do Espírito Santo de Deus pelos frutos que produzirmos, resultantes da eficácia dos dons d’Ele [Espírito Santo] e da manifestação dos efeitos, em nós, dessa presença palpável do Deus invisível.    
Reze e peça comigo: “Desça sobre mim, Espírito Santo! Deixe-me sentir o Seu fogo de amor aqui no coração, Senhor!”

ASSIM COMO O PAI ME ENVIOU, TAMBÉM EU VOS ENVIO A VÓS
Os apóstolos estavam sentados no Cenáculo, na sala de cima, à espera da vinda do Espírito. Ali estavam, quais pavios dispostos à espera de serem alumiados pelo Espírito Santo para iluminarem a criação inteira com o Seu ensinamento. […] Ali estavam, quais agricultores que, trazendo a semente na aba de seus casacos, esperam o momento de receber ordem para semear. Ali estavam, quais marinheiros cuja barca, presa ao porto do comando do Filho, espera a chegada do doce vento do Espírito. Ali estavam, quais pastores que acabando de receber, das mãos do Grande Pastor de todo o redil, seus bordões, aguardam que lhes sejam distribuídos os rebanhos.
«Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem.» Ó Cenáculo, amassadouro onde foi lançado o fermento que fez elevar-se todo o universo! Cenáculo, mãe de todas as Igrejas; Cenáculo que viu o milagre da sarça ardente (Ex 3). Cenáculo que espantou Jerusalém com um prodígio muito maior do que o da fornalha que maravilhou os habitantes de Babilónia (Dn 3). O fogo da fornalha consumia em chamas os que estavam em redor, mas protegia os que estavam no seu centro; o fogo do Cenáculo reúne aqueles que, vindo de fora, desejam vê-lo, enquanto conforta os que o recebem. Ó fogo, fogo cuja vinda é verbo, cujo silêncio é luz, fogo que elevas os corações em ações de graças! […]
Diziam alguns que se opunham ao Santo Espírito: «Esta gente bebeu vinho doce, estão embriagados». Na verdade, o que dizeis é verdadeiro, mas não como credes. Não foi vinho das vinhas o que eles beberam. É um vinho novo que corre do céu. É um vinho recentemente espremido no Gólgota. Os apóstolos deram-no a beber e assim embriagaram a criação inteira. É um vinho que foi espremido com a cruz.

PENTECOSTES     
Finalmente chegou o dia tão esperado e várias vezes anunciado ou prometido por Jesus Cristo! O dia em que o fogo do Espírito Santo de forma visível e espetacular, desceu sobre as cabeças dos apóstolos transformando-os em sábios, corajosos e inflamados de muita fé. Roguemos ao Espírito de Deus que venha também sobre nós para nos transformar, e assim podermos transformar o mundo decaído e dilacerado de violência e inversão de valores.
Porém, todo o nosso esforço, e preparo sem a companhia do Paráclito, não significa absolutamente nada. Se não somos dignos de merecermos a presença do Espírito de Deus conosco, seremos medrosos, incompetentes, e por mais que tentamos evangelizar, falamos, falamos e não dizemos nada. O nosso discurso não tem nenhum sentido, pois não dizemos coisa com coisa, não seremos capazes de convencer nem a nós mesmos quanto mais àqueles que nos ouvem, olhando no relógio porque não veem a hora de descansar da nossa falácia enfadonha, pois estamos tentando falar do todo poderoso, porém sem o poder do seu Espírito que ilumina a nossa mente.
Sem o Espírito Santo, o nosso discurso, a nossa palestra não passa de palavras que saem da boca para fora, decoradas ou mentalizadas daquilo que lemos, porém, quando na verdade deveriam ser palavras inspiradas por Deus.      
O pecado e a fraqueza na fé assim como a falta de leitura, meditação, tudo isso nos desfigura, tirando o brilho da nossa alma, bloqueando a ação do Espírito de Verdade em nossa pessoa, e por mais que tentamos explicar Deus e seus mistérios aos homens, mulheres ou crianças, não passamos de uns chatos repetitivos, semelhantes a um tambor que faz barulho porque é oco.         
Mas quando estamos purificados, convertidos, iluminados e fortalecidos pela graça divina através do seu Espírito, é maravilhoso sentir a força do fogo do Espírito Santo iluminando a nossa mente, nos ditando as palavras, ou colocando em nossas bocas as palavras certas, no momento certo para a plateia certa, nos dizendo o que devemos dizer, o como devemos dizer ou escrever, agindo em nossas ações. Assim não somos nós que falamos ou escrevemos, mas sim o Espírito de Verdade que fala através da nossa boca, do nosso corpo todo em movimento e expressão jorrando a palavra de Deus ao mundo.        
Assim é agradável, maravilhoso, prazeroso, sublime, gratificante, incansável, divertido, alegre, satisfatório, a missão de evangelizar. Pois na verdade, assistimos o Espírito Santo falando através de nós, às crianças, aos jovens, aos adultos ou aos idosos. É notável como as palavras fluem sem que façamos qualquer esforço extra. É bonito perceber que não somos nós agindo, mas sim, Deus agindo em nós, para salvar o mundo. Por isso somos felizes porque emprestarmos nossa vida para que a luz divina flua através da nossa pessoa e chegue até as pessoas, e as transforme para melhor.      
Obrigado meu Deus, por fazer parte desse grupo universal empenhado em levar a vossa palavra aos nossos irmãos sedentos de Deus!  
Caríssimos: Que a luz do Espírito Santo nos ilumine, nos guie, e nos proteja em todos os nossos passos da nossa caminhada de fé, esperança e caridade, na qual estamos prontos para anunciar a palavra de Deus, porém, com a luz e a força do Espírito Santo. Amém.

PENTECOSTES     
Pentecostes, do grego, pentekosté, é o quinquagésimo dia após a Páscoa. Comemora-se o envio do Espírito Santo aos apóstolos como Jesus havia prometido. Cristo subiu ao céu e os discípulos e a comunidade não tinham mais a presença física do Mestre. O Espírito foi enviado sobre os apóstolos, transformando-os em corajosos e mais inteligentes. Como já disse em outra reflexão, Pedro não era muito inteligente. Tanto é que no dia da transfiguração de Jesus ele falou uma coisa muito inconveniente e inconsequente. Disse ele mais ou menos assim: Mestre que maravilha! Vamos fazer umas tendas e ficar aqui para sempre!    Porém, Após a descida do Espírito Santo sobre eles, todos ficaram mais inteligentes inclusive Pedro.  O envio do Espírito foi a forma encontrada por Jesus para continuar presente entre nós até hoje, dando-nos força, coragem e inspiração para continuar a sua missão.   
A origem do Pentecostes vem do Antigo Testamento, uma celebração da colheita (Êxodo 23, 14), dia de alegria e ação de graças, portanto, uma festa agrária. Nesta, o povo oferecia a Deus os primeiros frutos que a terra tinha produzido. Mais tarde, tornou-se também a festa da renovação da Aliança do Sinai (Ex 19, 1-16).           
No Novo Testamento, o Pentecostes está relatado no livro dos Atos dos Apóstolos 2, 1-13. Como era costume, os discípulos, juntamente com Maria, mãe de Jesus, estavam reunidos para a celebração do Pentecostes judaico. De acordo com o relato, durante a celebração, ouviu-se um ruído, “como se soprasse um vento impetuoso”.  E, de repente, viu-se “Línguas de fogo” pousarem sobre as cabeças os apóstolos e todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em diversas línguas. 
A festa de Pentecostes é a parte mais importante da Páscoa de Cristo. Nele, acontece a plenitude da Páscoa, pois a vinda do Espírito sobre os discípulos manifesta a riqueza da vida nova do Ressuscitado na mente, na vida e na sagrada missão dos discípulos, o que acontece até hoje, através da Igreja e de nós também, os leigos corajosos, que, sob a inspiração desse mesmo Espírito, contribuímos para suprir a falta de sacerdotes no mundo, principalmente através das nossas celebrações da palavra, com a distribuição da Eucaristia. 
Podemos notar a importância de Pentecostes nas palavras do Patriarca Atenágoras (1948-1972): “Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o evangelho seria uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos”. O Espírito traz presente o Ressuscitado à sua Igreja e lhe garante a vida e a eficácia da missão aqui na Terra.           
Dada sua importância, a celebração do Domingo de Pentecostes inicia-se com uma vigília, no sábado. É a preparação para a vinda do Espírito Santo, que comunica seus dons à Igreja nascente.      
A Festa de Pentecostes é, portanto, a celebração da efusão do Espírito Santo. Os sinais externos, descritos no livro dos Atos dos Apóstolos, são uma confirmação da descida do Espírito: ruídos vindos do céu, vento forte e chamas de fogo. Para os cristãos, o dia de Pentecostes marca o nascimento da Igreja e sua vocação para a missão universal até os dias de hoje.

É O ESPÍRITO SANTO QUEM NOS SUSTENTA NAS BATALHAS QUE TRAVAMOS NO NOSSO DIA A DIA           
Depois de ressuscitado Jesus apareceu aos Seus discípulos e trouxe-lhes a Sua paz e o Seu Espírito. No nosso Batismo, portanto, nós também recebemos o Espírito Santo, portanto, não podemos separar a paz de Jesus do Seu Espírito. Quem tem o Espírito Santo, tem paz porque sente o amor do Pai e do Filho. Todos nós que temos convicção do amor de Deus, sentimos a paz no nosso coração, pois provamos da misericórdia do Pai e temos a certeza de que os nossos pecados são perdoados.       
Nunca precisaremos trazer a nossa alma atribulada pelos acontecimentos do mundo, se recebemos o Espírito de Jesus no nosso Batismo e com Ele também a sua paz. A nossa carne é fraca e se ressente, porém o nosso coração está firme porque Jesus é quem nos assegura: “A paz esteja convosco”, “Recebei o Espírito Santo”. Somos enviados a levar ao mundo esta paz e o amor de Cristo que experimentamos com o poder do Seu Espírito.         
O Espírito Santo é quem nos envia, nos acompanha e nos motiva a irmos em frente, na nossa caminhada e é quem nos sustenta nas batalhas que travamos no nosso dia a dia. É também Ele quem nos tira da acomodação e nos faz enxergar as coisas do céu, que fogem da nossa visão humana. Reflitamos: – Você tem tido experiência com o Espírito Santo? – Você sente o seu coração em paz mesmo que o mundo ao seu redor esteja desabando? A que o Espírito tem lhe motivado? – O que você entende por “renovar a face da terra”? Amém!

MISSÃO DO ESPÍRITO SANTO          
Com a Solenidade de Pentecostes encerramos o Tempo Pascal.         
Pentecostes era uma das grandes festas judaicas; muitos israelitas iam nesses dias em peregrinação a Jerusalém, para adorar a Deus no Templo. A origem da festa remontava a uma antiquíssima celebração em que se davam graças a Deus pela safra do ano, em vésperas de ser colhida. Depois acrescentou-se a essa comemoração, que se celebrava cinquenta dias depois da Páscoa, a da promulgação da Lei dada por Deus no monte Sinai. Por desígnio divino, a colheita material que os judeus festejavam com tanto júbilo converteu-se, na Nova Aliança, numa festa de imensa alegria: a vinda do Espírito Santo com todos os seus dons e frutos.           
Hoje é a plenitude do Mistério Pascal, com o Dom do Espírito Santo à Igreja. É o nascimento da Igreja. O Pentecostes é o cumprimento da promessa de Jesus: “… se Eu for, enviá-lo-ei” (Jo 16,7); 
A vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes não foi um acontecimento isolado na vida da Igreja. O Paráclito santifica-a continuamente, como também santifica cada alma, através das inúmeras inspirações que se escondem em “todos os atrativos, movimentos, censuras e remorsos interiores, luzes e conhecimentos que Deus produz em nós, prevenindo o nosso coração com as suas bênçãos, pelo seu cuidado e amor paternal, a fim de nos despertar, mover, estimular para o amor celestial, para as boas resoluções, para tudo aquilo que, numa palavra, nos conduz à nossa vida eterna. A sua ação na alma é suave e aprazível; Ele vem salvar, curar, iluminar,” (São Francisco de Sales).         
No dia de Pentecostes, os Apóstolos foram robustecidos na sua missão de anunciarem a Boa Nova a todos os povos. Todos os cristãos têm desde então a missão de anunciar, de cantar as maravilhas que Deus fez no seu Filho e em todos aqueles que creem nEle. Somos agora um povo santo para publicar as grandezas dAquele que nos tirou das trevas para a sua luz admirável.        
Ao compreendermos a grandeza da nossa missão, compreendemos também que ela depende da nossa correspondência às moções do Espírito Santo, e sentimo-nos necessitados de pedir-lhe frequentemente que lave o que está manchado, regue o que está seco, cure o que está doente, acenda o que está morno, retifique o que está torcido. Porque sabemos bem que no nosso interior há manchas, e partes que não dão todo o fruto que deveriam porque estão secas, e partes doentes, e tibieza e também pequenos desvios, que é necessário retificar.
Não se pode conceber vida cristã nem Igreja sem a presença e a ação do Espírito Santo.   
Depois que Jesus completou a sua obra, constituído Senhor a partir de sua ressurreição, envia ao mundo o seu Espírito, o Espírito do Pai. Conforme São João (Cf. Jo 20,19-23), Jesus comunica o seu Espírito, o mesmo Espírito que Ele entregou ao Pai no dia da ressurreição. Para isso, sopra sobre eles, transmitindo-lhes a vida nova, a força, o Espírito Santo: “Recebi o Espírito Santo…” e o Dom do Perdão e da Reconciliação.          
O Espírito Santo nos conduz à vida de oração. A vida cristã requer um diálogo constante com Deus Uno e Trino, e é a essa intimidade que o Espírito Santo nos conduz. Acostumemo-nos a procurar o convívio com o Espírito Santo, que é quem nos há de santificar; a confiar nEle, a pedir a sua ajuda, a senti-lo perto de nós. Assim se irá dilatando o nosso pobre coração, teremos mais ânsias de amar a Deus e, por Ele, a todas as criaturas.       
A chama do Espírito Santo transformou totalmente os apóstolos… Que essa mesma chama ilumine e aqueça a nossa vida no caminho da Unidade, do Bem e da Verdade…
“O Espírito Santo vem em socorro à nossa fraqueza”, diz S. Paulo (Rom. 8,26). Diz São João da Cruz que o Espírito Santo, com a sua chama está ferindo a alma, gastando e consumindo-lhe as imperfeições dos seus maus hábitos.           
Para chegarmos a um convívio mais íntimo com o Espírito Santo, aproximemo-nos da Virgem Maria, que soube secundar como ninguém as inspirações do Espírito Santo. “Perseveravam unânimes na oração, com algumas mulheres e com Maria, a Mãe de Jesus” (At 1,14).     
Por isso, cantemos: Vem, vem, vem, vem Espírito Santo de Amor, vem a nós, traz à Igreja em novo vigor.

A SURPRESA: FRUTO DA AÇÃO DO ESPÍRITO   
E se alguém lhe dissesse que você está errado há muitos séculos? No mínimo seria um exagero. Foi exatamente isso que um professor de moral costumava dizer aos seus alunos: “estamos equivocados há muitos séculos porque pensamos que a moral é fazer umas quantas coisas boas”. Eu imagino o olhar expectante dos alunos rumo ao professor experimentado, mas que talvez deixassem notar através das próprias feições alguma censura ao velho professor. Nesse momento, o catedrático continuava: “Não! A moral cristã não é de obrigação, mas uma moral de surpresa, moral de salvação”. 
Moral de surpresa?! Eu estou de acordo. Efetivamente, Deus nos surpreende constantemente. A graça, a salvação, a ação do Espírito Santo nas pessoas é uma surpresa maravilhosa. Mas, será que dessa maneira não estaríamos suprimindo a colaboração humana na própria salvação? É muito conhecida aquela frase de S. Agostinho: “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”. E é verdade! No entanto, não deixa de causar surpresa que nós possamos fazer obras que mereçam a salvação eterna. Essa afirmação já deixou a mais de uma pessoa deslumbrada, até mesmo escandalizada. Martinho Lutero aceitava que toda a obra da salvação é de Deus, mas se esquecia de que Deus, pela sua infinita bondade e generosidade, capacita o próprio ser humano para poder realizar ações meritórias.    
Vejamos esse assunto com mais calma. Santo Irineu afirmou que Deus, no principio, plantou a vinha do gênero humano; muito amou a humanidade e se propôs estender sobre ela o seu Espírito e conferir-lhe a adoção filial. E esse plano de Deus cumpriu-se! Desta maneira, o Pai olha as obras daqueles que são os seus filhos por graça aceitando-as prévio auxilio de seu próprio poder, de Deus.   
Uma ideia comum que aparece nos Santos Padres é a seguinte: assim como existe um único Deus, existe também uma única humanidade e uma única fraternidade humana. Assim como Deus é três Pessoas distintas, de maneira semelhante há variedade no gênero humano: as muitas pessoas humanas. Essa variedade não se opõe à unidade da humanidade. No entanto, esse projeto de unidade foi despedaçado pelo pecado logo nos inícios. Logicamente, assim como não se perdeu totalmente imagem de Deus com o pecado original, tampouco a unidade fundada nessa imagem. Não obstante, as relações do homem com Deus e do homem com os demais se viram mudadas a pior como fruto podre da desagregação que o homem experimentou dentro de si mesmo. O homem, segundo os Padres da Igreja, foi disperso em vários pedacinhos. A salvação de Cristo, nesse contexto, seria uma restauração, um recolher o homem disperso. Cristo é o homem singular, mas também é o homem universal, ou seja, leva em si toda a humanidade.
O ser humano, quando se encontrava disperso, e quando se encontra em pecado mortal, logicamente, não pode realizar obras meritórias. Mas quando se encontra em graça, restaurado pelo amor de Deus, as suas obras luzem diante do Senhor que as vê com agrado.   
A solenidade de Pentecostes é a festa da unidade porque a obra da reunificação foi levada a cabo pelo Pai em Cristo na unidade do Espírito Santo. Assim como o Espírito Santo, na intimidade da Trindade, é o “lugar” de encontro do Pai e do Filho, o Espírito Santo é quem nos une a Cristo. A salvação consiste, segundo S. Agostinho, em ser unidos ao Corpo de Cristo (cfr. In Ioann tract. 52, n.6; PL 35,1771) pela ação do Espírito Santo através da Palavra e dos Sacramentos.     
Sendo a salvação uma ação do Pai e do Filho e do Espírito Santo, é também uma realidade que não se dá se nós não a queremos. E para colaborar eficazmente na nossa própria salvação, e na dos demais, o melhor que podemos fazer é ser dóceis à ação do Espírito Santo nas nossas almas. Se perguntarmos qual é a atitude do cristão para com o Espírito Santo, a resposta deveria resumir-se nessa palavrinha: “docilidade”. Deixar Deus agir e surpreender-nos, deixar que ele organize a nossa vida, dê os critérios da nossa maneira de pensar e de querer. Não nos arrependeremos! O cristão tem somente duas opções: ou ser um homem espiritual ou ser um homem carnal, ou ser uma pessoa penetrada pela ação do Espírito Santo que tudo unifica ou ser uma pessoa dispersa pela carne e pelos diversos apetites desse mundo, ou ser filho de Deus na casa do Pai alimentando-se com os manjares da mesa da Palavra e do Corpo e Sangue do Senhor ou ser filho pródigo e contentar-se com o alimento dos porcos. Nós escolhemos! Mas é Deus quem nos salva!

ESPÍRITO SANTO
“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava”. Que Espírito é este, que encheu hoje os Apóstolos e a inteira Igreja de Cristo?  
Ele é o Espírito do Ressuscitado, soprado pelo Cristo Senhor: “Jesus disse: ‘Como o Pai me enviou (no Espírito Santo), eu também vos envio (neste mesmo Espírito)!’ Depois soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo!'”       
Nele, tudo fora criado desde o princípio: “O Espírito do Senhor encheu o universo; ele mantém unidas todas as coisas e conhece todas as línguas” (Sb 1,7). Somente no Santo Espírito podemos compreender que toda a criação e toda a história são penetradas pela vida de Deus que nos vem pelo Cristo; somente no Santo Espírito podemos perceber a unidade e bondade radicais da criação que nos cerca, mesmo com tantas trevas e contradições. É o Santo Espírito, doce Consolador, que nos livra do desespero e da falta de sentido!    
Nele tudo se mantém, tudo tem consistência, tudo é precioso: “Encheu-se a terra com as vossas criaturas: se tirais o seu respiro, elas perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso Espírito e renascem e da terra toda a face renovais”. É por sua ação constante que tudo existe e persiste no ser. Sem ele, tudo voltaria ao nada e nada teria consistência real. Nele, tudo tem valor, até a mais simples das criaturas…   
Sem ele, nada, absolutamente, podemos nós: “Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele!” Por isso Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer (Jo 15,5)”, porque sem o seu Espírito Santo que nos sustenta e age no mais íntimo de nós, tudo quanto fizéssemos não teria valor para o Reino dos Céus. Jesus é a videira, nós, os ramos, o Espírito é a seiva que, vinda do tronco, nos faz frutificar…         
Ele é a nova Lei – não aquela inscrita sobre tábuas de pedra, mas inscrita no nosso coração (cf. Ez 11,19; Jr 31,31-34), pois “o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm 5,5). A lei de Moisés, em tábuas de pedra, fora dada no Sinai em meio a relâmpagos, trovões, fogo, vento e terremotos (cf. Ex 19); agora, a Nova Lei, o Santo Espírito nos vem em línguas de fogo e vento barulhento e impetuoso, para marcar o início da Nova Aliança, do Amor derramado no íntimo de nós!  
Ele tudo perdoa e renova e, Cristo, pois é Espírito para a remissão dos pecados: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados!” É, pois, no Espírito que a Santa Igreja anuncia a paz do Evangelho do perdão de Deus para a humanidade em Cristo Jesus!   
Ele nos une no Corpo de Cristo, que é a Igreja, pois “fomos batizados num único Espírito para formarmos um só corpo…” – Neste Corpo, ele nos enche de dons, carismas e ministérios, pois “a cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum”. É no Espírito que a Igreja é uma na diversidade de tantos dons e carismas; uma nas diferenças de seus membros…     
Ele faz a Igreja falar todas as línguas, fá-la abrir-se ao mundo, procurar o mundo com “santa inquietude”, não para render-se ao mundo ou imitá-lo ou perder-se nele, mas para “anunciar as maravilhas de Deus” em Cristo Jesus, chamando o mundo à conversão e à vida nova em Cristo!        
Enfim, Ele torna Jesus sempre presente no nosso coração e no coração da Igreja e no testemunha incessantemente, sempre e em tudo que Jesus é o Senhor, pois “ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo!” – para a glória de Deus Pai. Amém!

ESPÍRITO SANTO CHEGOU E CHEGOU O PENTECOSTES     
Caríssimos irmãos e irmãs.
POTENCIAL HUMANO CHEIO DO PODER DE DEUS  
NÃO NASCEMOS HUMANOS PARA VIVER O ESPÍRITO, MAS NASCEMOS ESPÍRITO PARA VIVER COMO HUMANOS   
Espírito Santo é força. É o poder de Deus. É o sopro da vida. É o poder que ressuscita a vida caída, desnorteada – que ressuscita a vida sem rumo. 
Deus se revelou inicialmente através do seu Espírito na criação de céus e terra e tudo que neles existe. Depois Deus tornou seu Espírito em pessoa por meio de Jesus Cristo. Jesus revelou a glória do Deus criador, ensinando, revelando o projeto do Reino de Deus, fazendo curas e milagres. Isso é o Espírito de Deus que faz. É a ação do Espírito de Deus encarnado em Jesus Cristo.        
Esse Espírito de Deus sopra onde quer, segundo a vontade de Deus. É o Espírito Santo que cria o povo de Deus, que cria a Igreja – cria a comunidade. É o Espírito Santo que inspira a viver e agir conforme a vontade de Deus no mundo. 
O sopro de Jesus, segundo João 20,22, remete-nos àquilo que Deus fez quando criou o ser humano. É o sopro da criação, que agora é reforçado através da obra de Cristo com seus discípulos e discípulas. É o sopro da vida que agora é derramado sobre discípulos e discípulas, fazendo surgir a Igreja como corpo de Cristo nessa vida e nesse mundo.       
Assim também diz o profeta Joel. O derramamento do Espírito será sobre toda a carne. A todas as pessoas, independentemente de sua idade ou força.        
O Espírito Santo pode transformar e transforma a criação de Deus. É o poder com o qual Deus age e está presente na sua criação. É o poder que restabelece a natureza, as plantas, faz sonhar com um mundo melhor. É a força que derruba barreiras entre as pessoas. É o poder que cria a Igreja e envia o povo de Deus para a missão nesse mundo. O Espírito Santo prepara o povo de Deus para ser como chamas acesas que brilhem e deem vida em meio à criação de Deus que geme e sofre.        
O Espírito Santo quer levar-nos também a agir. Existe uma pequena estória que nos dá um exemplo sobre isso. A estória diz o seguinte: “Dois moços estavam sentados à beira de um córrego, nas calmas horas do anoitecer. Num certo momento, viram uma mulher, com dois filhos, subindo o pedregoso barranco do córrego. A mulher carregava uma trouxa de roupa num dos braços, o filho menor no outro braço e o filho maior segurando-se em sua saia. O primeiro dos dois moços emocionou-se. Começou a falar do quanto essa mãe lhe causava compaixão. Falou que tinha enorme pena dela e que podia imaginar o quanto lhe era cansativo subir aquele barranco pedregoso com aquela carga toda.    
O outro moço não falou nada, mas levantou-se e, imediatamente, foi ao encontro da mulher cansada. Pôs em seus próprios ombros a trouxa de roupa e tomou pela mão a criança que vinha segurando a roupa da mulher.”
Pentecostes é isso. É ação. É trabalho. São pessoas que, cheias do Espírito Santo, não desanimam. Pelo contrário, vão à luta. Pentecostes quer trazer comunidades cristãs menos acomodadas. Comunidades inteiras que assumem juntas a busca por um mundo e vida melhores.
O Espírito Santo é aquela força que nos impulsiona a superarmos dificuldades. É o Espírito Santo que nos leva a termos compaixão de quem erra conosco. O Espírito Santo nos leva à prática do bem.        
Esse Espírito de Deus está conosco e em nós, desde nosso Batismo. É pelo Batismo que recebemos de Deus os dons e capacidades do Espírito Santo. É esse Espírito que nos leva a formar o Corpo de Cristo que somos como Igreja. 
NADA É IMPOSSÍVEL COM O TIPO CERTO DE PODER!        
Nós precisamos do poder de Deus. Deus precisa de potencial humano. Normalmente são 90% do poder de Deus e 10% de potencial humano. Desde o início da história, quando Josué se colocou na divisa de toda terra a ser conquistada, Deus disse: “Eu serei contigo” (Josué 1,5). Juntamente com a tarefa são dados os meios, a habilidade, a sabedoria, e acima de tudo o invisível mas operante poder de Deus, trabalhando, secreta ou abertamente, nas almas das pessoas ou em milagres visíveis. 
Somente podemos fazer o que temos poder para fazer. Se Deus nos pede que façamos mais do que está no nosso poder, Ele supre a deficiência! Nós fazemos o que podemos e Deus faz o que não podemos. Qualquer coisa que fazemos neste planeta é limitada pelo poder que está disponível. Nos séculos passados, poder era simplesmente a força que havia nos braços das pessoas. Eles construíram as pirâmides por força, cavaram os grandes canais de Suez e Panamá e abriram estradas através e sobre as montanhas. As sete maravilhas do mundo antigo eram exemplos do poder da força. Agora temos mil maravilhas modernas, conquistadas por novas fontes de poder, não por força bruta. Nada é impossível com o tipo certo de poder.  
Jesus disse: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, … até os confins da terra.” (Atos 1,8). A igreja tem frequentemente confiado em cultura, erudição, gênios, lógica e filosofia. Mas Paulo disse: “,…Deus escolheu as coisas loucas deste mundo …” (I Coríntios 1,27). Se tivermos que evangelizar o mundo usando métodos cerebrais, nunca vamos conseguir. Isto tem sido tentado por séculos. Mas o real crescimento da igreja tem se dado pela simples mensagem do Evangelho tocando todas as classes de pessoas.         
Nós somos Testemunhas, não Advogados.         
Tem sido estabelecido que pregadores deveriam apresentar o caso para a defesa de Jesus Cristo. Também tem sido dito frequentemente, que pregadores são “como advogados na corte”. Ministros são advogados, falando aos fieis como a um júri, argumentando para ter um veredicto a favor de Jesus. Esta aproximação parece tão correta, plausível e sensata. Mas será? De jeito nenhum! Esta é nossa sabedoria humana tentando apresentar o Evangelho com sabedoria de palavras.      
Jesus não precisa ser defendido. Ele não é um prisioneiro no banco dos réus. Sua reputação não depende de nenhum júri. Já foi o tempo em que Jesus foi levado ao tribunal de Roma para ser julgado por Pilatos. Hoje Pilatos se encontra no tribunal da história e Jesus é o seu juiz. NÃO FOMOS FEITOS PARA SERMOS ADVOGADOS, MAS SIM TESTEMUNHAS! Normalmente a testemunha somente fala e descreve o que tem visto. Algumas vezes, entretanto, uma testemunha é uma peça de evidência. Talvez um homem tenha sido cruelmente atacado e ferido. Ele aparece no tribunal para se mostrar: o estrago feito e suas feridas. Suas feridas falam por si mesmas. Ele próprio é a evidência. Nós crentes não somos advogados ou procuradores da corte, pleiteando em defesa de Jesus. Somos TESTEMUNHAS. Testemunhas não argumentam, não pleiteiam e não fazem discursos. Eles simplesmente falam a verdade e declaram o que sabem.       
O Evangelho é Amor.          
Quando Pedro pregou, Ele disse que os 119 que estavam com ele eram todos “testemunhas” da ressurreição (Atos 2,32). Aliás, nenhum deles havia visto a real ressurreição de Cristo; no entanto, aquela ressurreição os havia transformado. Eles mesmos estavam vivos com vida de ressurreição, incentivados, determinados e cheios com o fogo de Deus. Eles próprios eram peças de evidência de que Jesus estava vivo. Se Jesus ainda estivesse morto, eles não seriam as pessoas que agora os outros viam. Eles seriam como eram antes, agachando-se e entrando sorrateiramente na segurança de um quarto trancado, por medo. Agora eles eram destemidos e as multidões das quais eles tinham tido medo, agora temiam. Eles tremem diante de Pedro…           
O Evangelho é amor, e amor não é apresentado por razão, mas sim ao se amar. Se você se apaixona e pede a uma amável garota que se case com você, você chamaria um advogado para falar com ela? Já pensou! Isto conquistaria alguma mulher? Casamento ou é amor ou não é casamento. O EVANGELHO OU É TANTO PODER QUANTO VIDA OU NÃO É EVANGELHO. Sermão não é uma homilia de três pontos. Ministro é um homem, queimando no presbitério para todo mundo ver. Um pregador é uma luminária incandescente. Uma homilia pode ser muito bem preparada, como uma arma poderosa a ponto de acertar o alvo. Entretanto, ela precisa estar cheia de munição ou irá ricochetear e endurecer as mentes dos incrédulos. Os preconceitos dos incrédulos são fortalecidos com argumentos, mas o poder explosivo de uma homilia cheio do Espírito Santo pode destruí-los. O Evangelho é sempre um ataque surpresa. Ele chega às pessoas de uma direção que eles nunca pensaram em defender. Eles estão preparados para argumentação, mas o Evangelho não argumenta. Eles estão preparados para sentimentos, mas o Evangelho não é sentimental. Ele vem como águas eternas fluindo sobre suas vidas. No Dia de Pentecostes, o Espírito Santo foi derramado e isto transformou totalmente aos discípulos. O potencial humano havia sido cheio com o poder de Deus e este é o segredo ainda hoje.           
Saudações e feliz Pentecostes, queridos irmãos de ministério.

RECEBEI O ESPÍRITO SANTO
Hoje, no dia de Pentecostes se realiza o cumprimento da promessa que Cristo fez aos Apóstolos. Na tarde do dia de Páscoa soprou sobre eles e lhes disse: «Recebei o Espírito Santo» (Jo 20,22). A vinda do Espírito Santo o dia de Pentecostes renova e leva à plenitude esse dom de um modo solene e com manifestações externas. Assim culmina o mistério pascal.  
O Espírito que Jesus comunica cria no discípulo uma nova condição humana e produz unidade. Quando o orgulho do homem lhe leva a desafiar a Deus construindo a torre de Babel, Deus confunde as suas línguas e não podem se entender. Em Pentecostes acontece o contrário: por graça do Espírito Santo, os Apóstolos são entendidos por pessoas das mais diversas procedências e línguas.     
O Espírito Santo é o Mestre interior que guia ao discípulo até a verdade, que lhe move a obrar o bem, que o consola na dor, que o transforma interiormente, dando-lhe uma força, uma capacidade nova.     
O primeiro dia de Pentecostes da era cristã, os apóstolos estavam reunidos em companhia de Maria e, estavam em oração. O recolhimento, a atitude orante é imprescindível para receber o Espírito. «De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles» (At 2,2-3).
Todos ficaram cheios do Espírito Santo e, puseram-se a predicar valentemente. Aqueles homens atemorizados tinham sido transformados em valentes predicadores que não temiam o cárcere, nem a tortura, nem o martírio. Não é estranho; a força do Espírito estava neles.       
O Espírito Santo, Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, é a alma da minha alma, a vida da minha vida, o ser de meu ser; é o meu santificador, o hóspede do meu interior mais profundo. Para chegar à maturação na vida de fé é preciso que a relação com Ele seja cada vez mais consciente, mais pessoal. Nesta celebração de Pentecostes abramos as portas de nosso interior de par em par.

“VIRAM, ENTÃO, APARECER UMAS LÍNGUAS DE FOGO… E TODOS FICARAM CHEIOS DE ESPÍRITO SANTO” (AT 2, 3-4)!          
1. Por este fogo, ponho eu as minhas mãos! O verdadeiro fogo, o Espírito Santo, foi trazido à terra, por Cristo. Ele não roubou nem arrebatou, dos deuses, esse fogo, como o fez Prometeu, segundo o mito grego, mas fez-se mediador do “dom de Deus”, obtendo-o, para nós, com o maior gesto de amor da história: a sua morte na cruz, pela qual entregou ao Pai e nos deu o seu Espírito!          
2. Outros, ao contrário, pretenderam tomar o fogo em suas próprias mãos. Apropriando-se das energias do cosmos — do seu “fogo” — o ser humano parece hoje afirmar-se como deus e desejar transformar o mundo, excluindo, pondo de lado ou até rejeitando, o Criador do universo! Nas mãos de um homem assim, o “fogo” e as suas enormes potencialidades tornam-se perigosos: podem voltar-se contra a vida e contra a própria humanidade, como o demonstra a história. Como perene admoestação, permanecem as tragédias de Hiroxima e Nagasáqui, onde a energia atómica, utilizada para finalidades bélicas, semeou morte em proporções inauditas!          
3. Todavia, a Sagrada Escritura revela-nos que a energia capaz de mover o mundo não é uma força anónima e cega, mas a ação do “Espírito de Deus que se movia sobre a superfície das águas” (Gn 1, 2) no início da criação. E Jesus Cristo “trouxe à terra” não a força vital, que já habitava nela, mas o Espírito Santo, ou seja, o Amor de Deus que “renova a face da terra”, purificando-a do mal e libertando-a do domínio da morte (cf. Sl 103 [104], 29-30). Este “fogo” puro, essencial e pessoal, o fogo do amor, desceu sobre os Apóstolos, reunidos em oração, com Maria no Cenáculo. Juntamente com os fiéis das diversas comunidades, os Apóstolos levaram esta chama divina até aos extremos confins da Terra; abriram assim um caminho para a humanidade, uma senda luminosa, e colaboraram com Deus, que com o seu fogo quer renovar a face da terra! 
4. Como é diferente este fogo, daquele das guerras e das bombas! Como é diverso o incêndio de Cristo, propagado pela Igreja, se comparado aos que foram acesos pelos ditadores de todas as épocas, que atrás de si só deixaram terra queimada. Ao contrário, o fogo de Deus, o fogo do Espírito Santo, é aquele da sarça que ardia sem se consumir (cf. Ex 3, 2). É uma chama que arde, mas não destrói! Arde, mas não queima; só ela tem o poder de consumir as escórias do nosso egoísmo. Aliás, ardendo no coração do homem, através da cruz dos seus sofrimentos e da purificação dos sentidos, Ele faz vir ao de cima a sua parte melhor e mais verdadeira, faz sobressair a sua forma interior, a beleza da sua vocação à verdade e ao amor! A dor causada por tal purificação é verdadeira “prova de fogo”, necessária à nossa transformação. Sim: só o fogo deste amor divino, verdadeiramente nos forma e enforma, reforma e transforma, à imagem de Deus. Só o amor nos redime!         
5. Vale então a pena deixar-se tocar pelo fogo do Espírito Santo, que sobre nós desce, pela imposição das mãos! Queiramos todos ser ateados por esta chama viva de Deus! Rezemos, por isso, com persistente ousadia, no secreto murmúrio dos nossos corações: Vinde, Espírito Santo! Ateai em nós o fogo do vosso amor!

MONIÇÕES

1ª Monição: Monição Ambiental ou Comentário inicial         
Sejamos todos bem-vindos à solenidade de Pentecostes. O Espírito do Senhor desceu sobre nós e nos congregou na mesma fé e numa só família. O universo todo se rejubila conosco pela presença do Espírito criador e unificador. Cheios de alegria, iniciemos a celebração cantando.

2ªMonição: Monição para a(s) leitura(s) e o salmo    
O Espírito de Deus, recebido no batismo, desafia-nos a falar a linguagem do amor, compreensível a todos, e assumir o compromisso proposto por Jesus.

3ª Monição: Monição para o Evangelho   
Aleluia, aleluia, aleluia.      
Vinde, Espírito divino, e enchei com vossos dons os corações dos fiéis; e acendei neles o amor como um fogo abrasador!

ANTÍFONAS

1ª Antífona: Antífona da entrada     
O Espírito do Senhor encheu o universo; ele mantém unidas todas as coisas e conhece todas as línguas, aleluia! (Sb 1,7).

2ª Antífona: Antífona da comunhão
Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus, aleluia! (At 2,4.11).

ORAÇÕES DO DIA

1ª Oração: Oração do dia ou Oração da coleta   
Ó Deus, que, pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo e realizai agora, no coração dos fiéis, as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2ª Oração: Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia  
— Enviai, Senhor, vosso Espírito e renovai a face da terra.    
— Sobre a Igreja e seus ministros, nós vos pedimos.     
— Sobre nossas famílias, nós vos pedimos.         
— Sobre todas as comunidades cristãs, nós vos pedimos.         
— Sobre os doentes e os desanimados, nós vos pedimos.         
— Sobre os namorados e seus sonhos, nós vos pedimos.

3ª Oração: Oração sobre as oferendas       
Concedei-nos, ó Deus, que o Espírito Santo nos faça compreender melhor o mistério deste sacrifício e nos manifeste toda a verdade, segundo a promessa do vosso Filho. Que vive e reina para sempre.

4ª Oração: Oração depois da comunhão
Ó Deus, que enriqueceis a vossa Igreja com os bens do céu, conservai a graça que lhe destes, para que cresçam os dons do Espírito Santo; e o alimento espiritual que recebemos aumente em nós a eterna redenção. Por Cristo, nosso Senhor.

Anúncios
Esse post foi publicado em Religião. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s