LDP: 07/JAN/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

07/Jan/2012 (sábado)

LEITURAS

1ª Carta de João 5,14-21 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Epístolas ou Cartas Católicas)

Caríssimos, 14esta é a confiança que temos em Deus: se lhe pedimos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve. 15E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que lhe pedimos, sabemos que possuímos o que havíamos pedido. 16Se alguém vê seu irmão cometer um pecado que não conduz à morte, que ele reze, e Deus lhe dará a vida; isto, se, de fato, o pecado cometido não conduz à morte. Existe um pecado que conduz à morte, mas não é a respeito deste que eu digo que se deve rezar. 17Toda iniquidade é pecado, mas existe pecado que não conduz à morte. 18Sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca. Aquele que é gerado por Deus o guarda, e o Maligno não o pode atingir. 19Nós sabemos que somos de Deus, ao passo que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno. 20Nós sabemos que veio o Filho de Deus e nos deu inteligência para conhecermos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos com o verdadeiro, no seu Filho Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro e a Vida eterna. 21Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.

Salmo 149,1-6 (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros poéticos ou sapienciais)

— O Senhor ama seu povo, de verdade.
1Cantai ao Senhor Deus um canto novo, e o seu louvor na assembleia dos fiéis! 2Alegre-se Israel em quem o fez, e Sião se rejubile no seu Rei!
3Com danças glorifiquem o seu nome, toquem harpa e tambor em sua honra! 4Porque, de fato, o Senhor ama seu povo e coroa com vitória os seus humildes.
5Exultem os fiéis por sua glória, e cantando se levantem de seus leitos, 6com louvores do Senhor em sua boca. Eis a glória para todos os seus santos.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são João 2,1-11 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Não-Sinótico)

Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. 4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. 5Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. 6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. 7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. 9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. 10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora”! 11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

A cena de Caná ilustra ainda hoje o papel de Maria na Igreja: dar Jesus ao mundo e apresentar o mundo a Jesus. Hoje também, Maria nos diz como disse aos servos: “Façam o que ele mandar”. Quem vai a Jesus por indicação de Maria não fica decepcionado.
Em Aparecida, os bispos afirmaram: “Com os olhos postos em seus filhos e em suas necessidades, como em Caná da Galileia, Maria ajuda a manter vivas as atitudes de atenção, de serviço, de entrega e de gratuidade que devem distinguir os discípulos de seu Filho. Indica, além do mais, qual é a pedagogia para que os pobres, em cada comunidade cristã, “sintam-se como em sua casa”. Cria comunhão e educa para um estilo de vida compartilhada e solidária, em fraternidade, em atenção e acolhida do outro, especialmente se é pobre ou necessitado. Em nossas comunidades, sua forte presença tem enriquecido e seguirá enriquecendo a dimensão materna da Igreja e sua atitude acolhedora, que a converte em “casa e escola da comunhão” e em espaço espiritual que prepara para a missão” (DAp 272).
É assim que assumo a Palavra de Deus?
Também eu me distingo pelo “estilo de vida compartilhada e solidária, em fraternidade, em atenção e acolhida do outro, especialmente se é pobre ou necessitado”?

… a VERDADE …

Jesus fez esse seu primeiro milagre em Caná da Galileia. Assim ele revelou a sua natureza divina, e os seus discípulos creram nele.
Jesus, sua mãe e seus discípulos participam de uma festa de casamento no povoado de Caná, na Galileia. O casamento reúne muitas pessoas.
É neste ambiente que Jesus faz o seu primeiro milagre. Por este sinal, diz o Evangelho, os discípulos creem nele.
No Antigo Testamento, o matrimônio era símbolo do amor de Deus pela comunidade; era símbolo da união do Messias com a Igreja, como diz São Paulo: “Cristo amou a Igreja e deu a vida por ela” (Ef 5,25). O vinho é dom do amor e símbolo do Espírito. Acabar o vinho era um mal sinal. À preocupação de Maria – “O vinho acabou” -, Jesus dá uma resposta que parece uma repreensão – “Não é preciso que a senhora diga o que eu devo fazer”. Porém, passa a ideia de que não é preciso que Maria diga o que ele deve fazer. Maria acredita nele, por isso, diz aos empregados: “Façam o que ele mandar”. E assim foi feito. Os empregados, seguindo o conselho de Maria, obedecem a Jesus. Enchem os seis potes de pedra de água. Ao levar ao dirigente da festa um pouco da água destes potes, ela havia se transformado em vinho. Esta mudança da água em vinho simboliza a passagem da velha à nova economia. O vinho novo é melhor. Esta é missão de Maria: dar o vinho novo, Jesus, à humanidade e levá-la até Ele.

… e a VIDA …

Senhor Jesus, que Maria me conduza sempre a ti e me leve a descobrir em ti o caminho da salvação que o Pai nos ofereceu.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Meu novo olhar é como o de Maria voltado para as necessidades de meus irmãos e fixos em Jesus que é capaz de salvar a comunidade, a família, a Igreja de qualquer constrangimento, carência ou necessidade.

REFLEXÕES

JESUS VAI A UMA FESTA

O Evangelho de João diferencia-se dos outros três evangelhos sinóticos particularmente por seu caráter mais evidentemente simbólico e teológico. Nesta narrativa de João, o que era a água da purificação ritual dos judeus, Jesus transforma no vinho da alegria, na partilha e na comunicação de um banquete em uma festa de núpcias. A imagem das núpcias é a expressão da feliz união de Deus com seu povo. É o resgate da humanidade em suas alegrias, em seus valores e em sua dignidade. “A glória de Deus é o homem vivo”, afirmava S. Irineu de Lião (fim do séc.II). Jesus manifesta esta glória e a nós cabe fazer acontecer esta glória de Deus no nosso dia a dia.

O PRIMEIRO SINAL

O milagre em Caná da Galileia foi um marco significativo no ministério de Jesus. Com ele, o Messias começava a dar cumprimento à missão recebida do Pai, em favor da humanidade.
A transformação da água em vinho simbolizou a chegada dos tempos messiânicos. O povo comparava a instauração do Reino de Deus com uma grande festa, caracterizada pela abundância de vinho. Em Jesus, o vinho novo do Reino estava sendo oferecido em abundância. E mais, oferecido gratuitamente, como prenunciava o profeta ao convidar o povo a beber vinho novo, sem pagar. A qualidade superior do vinho era também um detalhe importante. O Reino instaurado por Jesus não seria uma reedição malfeita dos esquemas antigos. Ele não pretendia ser um reformador da religião. Antes, sua proposta tinha sabor de novidade, por se fundar no querer do Pai, sem as intromissões humanas tão comuns na prática religiosa daquela época.
A água era usada para as abluções rituais dos participantes da festa. No Reino instaurado por Jesus, a purificação para a festa seria feita pela prática do amor, e não com água. Por conseguinte, uma purificação do mais íntimo do coração, onde se dá o encontro da pessoa com Deus.

NOSSA MÃE INTERCEDE POR NÓS COM PERSEVERANÇA

Ao narrar a presença de Maria na vida pública de Jesus, João nos recorda a sua participação em Caná, por ocasião do primeiro milagre: “Nas bodas de Caná, movida de compaixão, levou Jesus Messias a dar início aos Seus milagres”. João salienta neste Evangelho de hoje o papel discreto e, ao mesmo tempo, eficaz da Mãe que, com a sua palavra, leva o filho ao “primeiro sinal”. Ela, embora exerça uma influência discreta e materna, com a sua presença resulta, no final, algo determinante. A iniciativa da Virgem aparece ainda mais surpreendente se considerarmos a condição de inferioridade da mulher na sociedade judaica.
Em Caná, com efeito, Jesus não só reconhece a dignidade e o papel do gênero feminino mas, acolhendo a intervenção de Sua Mãe, oferece-lhe a possibilidade de ser partícipe na obra da salvação. Não contraria com esta intenção de Jesus o apelativo “Mulher”, com o qual Ele se dirige a Maria. Ele, de fato, não contém em si nenhuma conotação negativa e será de novo usado por Jesus em relação à Mãe, aos pés da Cruz (cf. Jo 19,26). Segundo alguns intérpretes, este título “Mulher” apresenta Maria como a nova Eva, Mãe de todos os crentes na fé.
O evangelista usa a expressão “movida de compaixão”, deixando entender que Maria era inspirada pelo seu coração misericordioso. Tendo notado a eventualidade da tristeza dos esposos e dos convidados pela falta de vinho, a Virgem compadecida sugere a Jesus que intervenha com o seu poder salvador. A alguns o pedido de Maria parece desproporcionado, porque subordina a um ato de piedade o início dos milagres do Messias. À dificuldade respondeu Jesus mesmo que, com o seu assentimento à solicitação materna, demonstra a superabundância com que o Senhor responde as expectativas humanas, manifestando também quanto pode o amor de uma Mãe.
A expressão “dar início aos milagres” chama a nossa atenção. Os termos “início, princípio”, foram usados por João no prólogo do seu Evangelho: “No principio já existia o Verbo” (1,1). Esta coincidência induz a estabelecer um paralelo entre a primeira origem da glória de Cristo na eternidade e a primeira manifestação da mesma glória na Sua missão terrena. Ressaltando a iniciativa de Maria no primeiro milagre e recordando depois a sua presença no Calvário, aos pés da Cruz, o evangelista ajuda a compreender como a cooperação de Maria se estende à inteira obra de Cristo.
O pedido da Virgem coloca-se no interior do desígnio divino de salvação. No primeiro sinal operado por Jesus, os Padres da Igreja divisaram uma forte dimensão simbólica, acolhendo, na transformação da água em vinho, o anúncio da passagem da Antiga à Nova Aliança. Em Caná precisamente a água das jarras, destinada à purificação dos judeus e ao cumprimento das prescrições legais (cf. Mc 7,1-15), torna-se o vinho novo do banquete nupcial, símbolo da união definitiva entre Deus e a humanidade.
O contexto de um banquete de núpcias, escolhido por Jesus para o Seu primeiro milagre, remete ao simbolismo matrimonial, frequente no Antigo Testamento para indicar a Aliança entre Deus e o Seu povo e no Novo Testamento para significar a união de Cristo com a Igreja.
A presença de Jesus em Caná manifesta, além disso, o projeto salvífico de Deus a respeito do matrimônio. Nessa perspectiva, a falta de vinho pode ser interpretada como alusiva à falta de amor que, infelizmente não raro, ameaça a união esponsal. Maria pede a Jesus que intervenha em favor de todos os esposos, pois somente um amor fundado em Deus pode libertar dos perigos da infidelidade, da incompreensão e das divisões.
A graça do Sacramento oferece aos esposos esta força superior de amor, que pode corroborar o empenho da fidelidade também nas circunstâncias difíceis. Segundo a interpretação dos autores cristãos, o milagre de Caná contém, além disso, um profundo significado eucarístico. Realizando-o na proximidade da solenidade da Páscoa judaica, Jesus manifesta, como na multiplicação dos pães, a intenção de preparar o verdadeiro banquete pascal, a Eucaristia. Esse desejo, nas bodas de Caná, parece sublinhado ainda mais pela presença do vinho, que alude ao sangue da Nova Aliança, e pelo contexto de um banquete. Desse modo Maria, depois de ter estado na origem da presença de Jesus na festa, obtém o milagre do vinho novo, que prefigura a Eucaristia, sinal supremo da presença do seu Filho ressuscitado entre os discípulos.
No final da narração do primeiro milagre de Jesus, que se tornou possível pela fé sólida da Mãe do Senhor no seu divino Filho, o evangelista João conclui: “Os Seus discípulos acreditaram n’Ele”. Em Caná Maria inicia o caminho da fé da Igreja, precedendo os discípulos e orientando para Cristo a atenção dos servos. A sua perseverante intercessão encoraja, além disso, aqueles que às vezes se encontram diante da experiência do “silêncio de Deus”. Eles são convidados a esperar para além de toda a esperança, confiando sempre na bondade do Senhor.

MÃE E DISCÍPULA

Embora as atenções do texto evangélico se concentrem em Jesus, não se pode subestimar o papel de Maria, co-protagonista no primeiro sinal que ele realizou, como manifestação do amor misericordioso de Deus derramado sobre a humanidade.
Sua condição de “mãe de Jesus”, sua maternidade e os vínculos de dependência com o seu filho passam para um segundo plano. Destaca-se, sim, sua adesão pessoal e sua confiança radical em Jesus. Por sua intervenção, o Messias antecipou a “hora” de se manifestar ao mundo. A transformação da água em vinho de excelente qualidade simboliza os tempos messiânicos, tempo de festa e de alegria pela salvação operada por Deus.
Por outro lado, Maria conduz os discípulos à fé em Jesus: “Façam tudo o que ele mandar”! Ela os estimula a assumir uma postura de acolhida obediente em relação aos ensinamentos de Jesus, desempenhando uma função pedagógica e orientadora. Ensina-os a serem servidores e amigos de Jesus, perfeitamente sintonizados com ele.
A postura de Maria é uma luz para a comunidade empenhada viver com perfeição o discipulado cristão. Sua dupla atenção, a Jesus e ao que acontecia a seu redor, permitiu-lhe intervir a favor de um casal de noivos em apuros. Assim se comporta o discípulo no seu esforço de coadunar fé (adesão a Jesus) e vida (profunda atenção às necessidades do próximo). Como Maria, o discípulo deve ajudar as pessoas a abrirem o coração para a fé.

JESUS REALIZOU O PRIMEIRO DOS SEUS SINAIS MIRACULOSOS

Porque terá Nosso Senhor, como primeiro sinal, transformado a água em vinho?
Foi para demonstrar como Deus, que transforma a natureza do interior das garrafas, opera também a Sua transformação no seio da Virgem. De igual modo, como milagre máximo, Jesus abriu um túmulo a fim de manifestar a Sua independência em relação à ávida morte, que tudo engole.
Para autenticar e confirmar a dupla perturbação da natureza que são o Seu nascimento e a Sua ressurreição, Jesus transforma a água em vinho, sem em nada modificar as vasilhas de pedra. Eis aqui o símbolo do Seu próprio corpo, milagrosamente concebido e maravilhosamente criado numa virgem, sem intervenção de homem. […] Contrariamente ao que é habitual, as vasilhas deram ao mundo um vinho novo, sem que nunca houvesse, posteriormente, repetição de tal maravilha. Assim também a Virgem concebeu e deu ao mundo a Emanuel (Is 7,14), não voltando a conceber. O milagre das vasilhas de pedra é este: a pequenez torna-se grandeza, a parcimónia transmuta-se em superabundância, a água da fonte em vinho doce. […] Em Maria, contrariamente, a grandeza e a glória da divindade mudam de aspecto, antes tomando uma aparência de fragilidade e de ignomínia.
Aquelas vasilhas serviam para os ritos de purificação dos judeus; nelas, verte nosso Senhor a Sua doutrina: manifesta que veio segundo a Lei e os profetas, mas para tudo mudar através dos Seus ensinamentos, tal como a água se transformou em vinho. […] “É que a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo” (Jo 1,17). O esposo que morava em Caná convidou o Esposo que veio do céu; e o Senhor, preparado para estas núpcias, respondeu ao seu convite. Os que estavam sentados à mesa convidaram Aquele que instala os mundos em Seu Reino, e Ele enviou-lhes um presente de núpcias que os fez exultar. […] Não tinham vinho que chegasse, mesmo do de menor qualidade; Ele deu-lhes então um pouco da Sua riqueza: em resposta ao convite, Ele convidou-os para as Suas próprias núpcias.

O PRIMEIRO MILAGRE

O Vinho Novo
Os convidados das bodas de Caná ficaram admirados com a qualidade e o sabor inigualável daquele vinho que serviram na última hora, quando muitos já estavam até embriagados. Os discípulos e os que serviam estavam de boca aberta, pois só eles sabiam que todo aquele vinho delicioso fora tirado de seis talhas de barro, cheias de água. Um prodígio promissor para Jesus iniciar seu ministério!
Em Israel muita gente andava descontente com a religião porque transformaram o Deus da Aliança, tão rico em bondade e misericórdia, em um legislador implacável, alguém frio que passava os dias observando atentamente quem ousava desrespeitar a lei de Moisés. As pessoas iam ao templo ou nas sinagogas com o coração pesado, por medo do que pudesse acontecer, se deixassem de observar alguma das mais de seiscentas leis e prescrições da religião. Existiam para os faltosos a possibilidade de se livrarem da culpa, cumprindo os rituais de purificação feitos com água, mas que também era complicado pois naquele tempo não se tinha a facilidade da água encanada como hoje.
Às vezes a prática da religião se torna um peso quase insuportável, às vezes ao receber um sacramento, ou ao término de alguma celebração, há quem dê um suspiro de alívio “Arre ! já cumpri minha obrigação e estou livre”! para curtir o domingão. Certa ocasião depois da celebração de crisma, um adolescente em frente a igreja dava pulos e esmurrava o ar festejando quando alguém perguntou; “feliz com a crisma recebida”? — Muito feliz — desabafou o jovem – pois agora não preciso mais vir à igreja e estou livre!
Para ir a uma festa, um dia antes já estamos na expectativa, já para ir à igreja, chegamos na última hora e ás vezes, se a celebração se alongar um pouco, saímos antes da bênção final pois só temos paciência para aguentar a missa por uma hora. Precisamos rever o que está errado, nossas liturgias não podem resumir-se ao “oba-oba” mas temos que lhe dar vivacidade para que as pessoas saiam convencidas da graça de Deus e cheias de coragem para dar testemunho.
Não vale a pena praticar esse tipo de religião meramente cultual! Nas bodas de Caná Jesus, ao transformar a água da purificação em vinho da melhor qualidade, acabou com essa “chatice religiosa” mas muitos ainda hoje insistem em beber desse vinho azedo de uma religião angustiante, que bota freios no ser humano e coloca em seus olhos uma “viseira” para somente enxergar na direção que aponta os dirigentes “iluminados” sendo terminantemente proibido olhar em outra direção.
A verdadeira religião supõe liberdade e uma alegria incontida pelo fato de se tomar conhecimento de que Deus, apaixonado pelo homem, manifestou o seu amor no seu filho Jesus, que ao chegar a sua hora, a hora de mostrar a que veio, em um gesto de loucura aos olhos de muitos, derramou até a última gota do seu sangue na cruz do calvário, para que nós pudéssemos ser felizes e ter uma vida nova como homens livres.
É este o pensamento que deve nortear a nossa relação com Deus no âmbito da Igreja, uma alegria de saber que ele nos ama tanto, que ele só quer o nosso bem em seu sentido mais pleno, um amor que nos ama sem exigir nada, sem cara feia, sem mau humor, sem palavras amargas e sem nenhuma censura – Deus é amor infinito, bondade eterna e misericórdia para sempre! É essa portanto, a novidade que Jesus traz ao mundo nas bodas de Caná, ele é na verdade o noivo apaixonado pela noiva que é a Igreja, assembleia de todos os que creem. Uma noiva não muito bela e nem sempre fiel, que às vezes se deixa seduzir por outros “amantes”.
Entendida e aceita essa verdade, a Palavra de Deus celebrada e proclamada em nossas comunidades, é uma carta de amor que ouvimos com o coração aos pinotes, e a eucaristia se transforma em um jantar a luz de velas com Cristo Jesus, o amado de nossa vida, ao sabor do vinho novo da graça santificante que nos salva e liberta. Irradiar este amor a todos com o testemunho de vida, é a única forma de transformar a sociedade e não adianta se buscar outras alternativas, pois somente assim a glória de Cristo será manifestada semeando a fé no coração dos descrentes!

O MILAGRE DE CANÁ

Bom dia!
“A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, peçam ao dono da plantação que mande trabalhadores para fazerem a colheita”.
Esses dias conversando com amigo via MSN, nos perguntávamos o porquê tantas pessoas, servos de Deus esfriaram no trabalho. Partilhava a esse irmão o sentimento de qual era a direção que Deus parecia estar dando para essas primeiras reflexões de 2010. Apresentei minha angústia pessoal quanto a dureza nas palavras e em especial aos servos que por ventura desanimaram, que fazem suas próprias direções e aqueles que eventualmente, abandonaram a caminhada. Passados mais de dois mil anos e a colheita ainda é grande e os operários ainda são poucos.
Procurando uma resposta para essa angústia humana, acabei passando pelo site da RCC e lá estava estampada a moção (direcionamento) “(…) Hoje vemos tantas pessoas desanimadas. O que nos cansa e desanima é ver as coisas erradas na nossa vida e entrar numa espécie de fatalismo. E porque vemos as coisas erradas, começamos a reclamar e falamos mal de nossa própria vida e as nossas palavras de murmuração caem como maldição sobre nós mesmos e sobre aqueles que amamos”.
Sim! Murmurações. Ao invés de nos empenharmos ainda mais nas dificuldades que enfrentamos, preferimos fugir.
Passamos por um momento em que as pessoas, por falta de vigilância e novas conversões pessoais, não querem ser questionadas, corrigidas. O trabalho que fazem pra Deus por ser “de graça” não pode receber críticas sob murmúrios de abandono. Não conseguimos ver que pequenas pedras estão nos derrubando, pedras que tenho, mas não quero reconhecer.
“(…) O Papa Bento XVI em várias circunstâncias já se referiu a uma coisa muito pesada que caracteriza o nosso mundo: ‘não tem nada ver, todo mundo faz, todo mundo rouba, todo mundo fala bobagens, mentiras, eu não vou fazer’? Se você rouba um centavo ou um milhão tem o estrago que vem dentro do coração das pessoas e a gente se ajeita, vamos ajeitando a nossa consciência. Eu gosto de usar uma expressão ‘Nivelando a sua vida pelo rodapé’ e fica faltando gente que eleva os seus olhos e começa a buscar as coisas do alto. VOCÊ FICA NO CHÃO E ACHA QUE O CHÃO É O SUFICIENTE”. (Dom Alberto Taveira)
Creio que seja isso mesmo; Ficamos no chão e já achamos que é suficiente! Essa nossa oração já me basta; o jeito que vivo já basta; o que já fiz já basta; Já conheço o que Deus quer de mim, (…). Isso são sinais de quem perdeu ou esqueceu-se dos seus sonhos e dos sonhos de Deus para nós. Como diz a mesma monção “(…) Somos convidados a sonhar junto com o Espírito Santo sobre as nossas vidas, pois é Ele que nos dá esperança. A esperança nos salva, nos dá forças para recomeçar, para crer cada vez que essa é a ocasião boa de mudar”.
Caramba! “Que a paz esteja nesta casa”! Paremos de lamuriar e comecemos a crescer.
Padre Joãozinho citou que o novo Paulo escreveu mais amadurecido a 2ª carta aos Coríntios e que ela seja o desfecho dessas nossas preocupações e nos motivem a continuar na messe.
“(…) Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós. Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos. Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados. Somos abatidos, mas não somos destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. Estando embora vivos, somos a toda hora entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus apareça em nossa carne mortal. Assim em nós opera a morte, e em vós a vida. Animados deste espírito de fé, conforme está escrito: Eu cri, por isto falei (Sl 115,1), também nós cremos, e por isso falamos. Pois sabemos que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, nos ressuscitará também a nós com Jesus e nos fará comparecer diante dele convosco”. (II Coríntios 4,7-14)
Um Imenso abraço fraterno!

O MILAGRE DE CANÁ

Quero ser íntimo da Mãe de Jesus!
Dois pontos me chamam atenção no milagre de Caná: o primeiro deles é a personalidade impetuosa de Maria, associada à obediência de Jesus; e o segundo é o próprio milagre.
Observe alguns pontos que estão nas entrelinhas desta passagem:
1) Maria era íntima da família dos noivos, pois soube antes de todos, inclusive do mestre-sala, que o vinho estava acabando.
2) Maria sabia que Jesus era capaz de realizar milagres desta natureza.
3) Maria pode não realizar milagres, mas pode interceder com a certeza de ser atendida.
4) Jesus bebia vinho. E vinho é bebida alcoólica. Ele transformou 600 litros de água em vinho da melhor qualidade. Mas você acha que ele se embriagava ou era alcoólatra?
Noivos: tenho uma mensagem especial para vocês hoje! Vocês querem que não falte nada não só na festa de casamento, mas na vida de vocês? Sejam íntimos de Maria.
Neste ponto eu tenho um testemunho para dar… Conheço uma pessoa que costuma conversar de vez em quando com Maria (que ela chama, e me ensinou a também chamar, carinhosamente de “Mãezinha”). De início eu pensei que o “conversar” era uma força de expressão, e entrava na “brincadeira”. Até que eu pedi que, nessas conversas com a nossa Mãezinha, ela pedisse ajuda para que eu passasse num concurso de mestrado. O resultado: passei. Depois disso eu comecei a levar a “brincadeira” mais à sério… E fui percebendo algo que ela já sabia: Maria conversava mesmo com ela: as duas eram “íntimas”! E ela NÃO É MALUCA! Muito pelo contrário, ela tem os pés muito no chão. Às vezes ela diz que a nossa Mãezinha está rindo conosco (ou de nós, hehehe), piscando o olho, balançando a cabeça como quem diz “ah, não…” E nessa “brincadeira”, eu também estou ficando cada vez mais íntimo da Mãe de Jesus… E o interessante: ela está sempre atenta para o que estamos passando e precisando, e antes de pedirmos, ela já tem falado com Jesus…
Também é interessante perceber que Maria já sabia que Jesus operava milagres. Ou seja, Jesus já devia ter realizado outros “pequenos prodígios” não públicos, e Maria deve ter conhecido ou presenciado. Maria devia ter muito orgulho de Jesus. Você já esteve numa situação complicada em que pensou: “se fulano estivesse aqui, ele já teria resolvido esse problema”? Sabe aquele problema que a sua família está passando? Se Jesus estiver aí, Ele resolve…
Outro detalhe: Maria não realizou o milagre, mas tudo o que ela pede, é atendida. Jesus é obediente à sua mãe. Muitos dizem: “pra que pedir a Maria se eu posso pedir diretamente a Jesus”? Eu acho esse raciocínio muito coerente. Mas lembre-se que Jesus nos deixou responsáveis pela mãe d’Ele, e a deixou responsável por nós, no momento em que Ele disse na cruz: “Mulher, eis aí o teu filho. Filho, eis aí tua mãe”. Então é errado pedir a nossa Mãezinha que interceda por nós? O nosso pedido não será aceito? O nosso pedido irá demorar mais para ser atendido porque vai ter uma mediadora? Claro que não! Se Maria não tivesse intercedido pelos noivos de Caná, Jesus não teria realizado o milagre. Aliás, Jesus nem precisaria ter realizado o milagre, afinal, o casamento teria sido realizado da mesma forma, com ou sem vinho. Mas Maria se preocupou que a família dos noivos não ficasse envergonhada por não ter providenciado vinho suficiente para a festa!
Esse é o quarto ponto: Jesus bebia vinho. Ou seja: ingerir bebida alcoólica não é pecado, o pecado é a embriaguez provocada pelo álcool, porque perdemos algo importante: a nossa capacidade de reger a nós mesmos. Não só o álcool, mas qualquer substância, doutrina, ou pessoa que faça com que nós deixemos de ter o controle sobre os nossos próprios pensamentos e atitudes, é prejudicial. Até o veneno, em doses homeopáticas, pode ser um remédio; da mesma forma que o melhor alimento, em exagero, se torna um veneno. Portanto, quem bebe, saiba que não está pecando, contanto que isto não prejudique nem a você, nem às pessoas com quem você se relaciona. Se você não bebe, saiba que não está perdendo nada, muito pelo contrário, a sua alegria é muito mais espontânea e verdadeira do que aquela “produzida” artificialmente pela bebida.
Que Maria interceda hoje, neste Dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, pelas famílias do Brasil e do mundo, pedindo a Jesus aquilo que precisamos, antes mesmo que nós saibamos que precisamos… Amém.

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Somos convidados às núpcias do Cordeiro. Jesus quer desposar-nos e dar-nos o vinho da alegria da convivência. Estejamos atentos para realizar tudo o que for de seu agrado.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

O cristão não está imune ao pecado, mas pela fé, sabe superá-lo. Mesmo com nossos limites e fraquezas, somos convidados por Jesus a beber o vinho da salvação

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo. Aleluia!

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, para que nos tornássemos filhos adotivos (Gl 4,4s).

Antífona da comunhão

Da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça (Jo 1,16).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Deus eterno e todo-poderoso, pela vinda do vosso Filho, vos manifestastes em nova luz. Assim como ele quis participar da nossa humanidade, nascendo da Virgem, dai-nos participar de sua vida no reino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Senhor, escutai nossa prece.
— Para que a Igreja saiba reconhecer os sinais do reino presentes na sociedade, rezemos.
— Para que os cristãos levem o evangelho a todas as pessoas, rezemos.
— Para que, inspirados em Maria, sejamos sensíveis às necessidades do povo, rezemos.
— Para que os casais saibam superar os conflitos mediante diálogo franco e afetuoso, rezemos.
— Para que Deus acolha em seu reino os irmãos e irmãs falecidos, rezemos.

Oração sobre as oferendas

Concedei, ó Deus todo-poderoso, fonte da verdadeira piedade e da paz, que vos honremos dignamente com estes dons e, pela participação nestes mistérios, reforcemos os laços que nos unem. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, que o vosso povo, sustentado com tantas graças, possa receber hoje e sempre os dons do vosso amor para que, confortado pelos bens transitórios, busque mais confiantemente os bens eternos. Por Cristo, nosso Senhor.

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