LDP: 09/JAN/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

09/Jan/2012 (segunda-feira)

LEITURAS

Isaías 42,1-4.6-7 (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Proféticos)

Assim fala o Senhor: 1“Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. 2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. 6Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.

Salmo 29(28) 1-4.9-10 (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros poéticos ou sapienciais)

— Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!
1Filhos de Deus, tributai ao Senhor,/ tributai-lhe a glória e o poder!/ 2Dai-lhe a glória devida ao seu nome;/ adorai-o com santo ornamento!
3Eis a voz do Senhor sobre as águas,/ sua voz sobre as águas imensas!/ 4Eis a voz do Senhor com poder!/ Eis a voz do Senhor majestosa!
9Sua voz no trovão reboando!/ No seu templo os fiéis bradam: “Glória”!/ 10É o Senhor que domina os dilúvios,/ o Senhor reinará para sempre!

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 1,7-11 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Sinótico)

Naquele tempo, 7João Batista pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. 9Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. 10E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. 11E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer”.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O nosso batismo deriva do batismo de Cristo. Ser batizado é ser enxertado em Cristo, é aceitar a justiça e os desafios provenientes do anúncio do Evangelho. Ser imerso na água do batismo é aceitar morrer ao pecado.
Disseram os bispos, em Aparecida: “Ao receber a fé e o batismo, os cristãos acolhem a ação do Espírito Santo que leva a confessar a Jesus como Filho de Deus e a chamar Deus “Abba” (Paizinho!). Como todos os batizados e batizadas da América Latina e do Caribe “através do sacerdócio comum do Povo de Deus”, somos chamados a viver e a transmitir a comunhão com a Trindade, pois “a evangelização é um chamado à participação da comunhão trinitária” (DAp 157).

… a VERDADE …

O batismo de Jesus é considerado a segunda epifania ou manifestação. A primeira foi aos magos.
No batismo, Jesus se integra à comunidade cristã e aos judeus presentes. Naquela cerimônia, o que era sinal de arrependimento para o povo, para ele é sinal de justiça. E justiça, na Bíblia, significa amor de Deus para todos.
Para todos!
Assim, ungido, Jesus declara sua missão.
Quando Jesus saiu da água, aconteceu a manifestação da Santíssima Trindade: “viu o Espírito de Deus” e ouviu o testemunho amoroso do Pai: “Este é o meu Filho querido”.
No Batismo de cada cristão ouve-se também esta proclamação: “Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”.

… e a VIDA …

Senhor Jesus, que eu possa acolher-te como filho querido do Pai e, em ti, fazer a experiência de Deus.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vou viver a minha vida cristã coerente com meus compromissos do meu batismo, em contínua conversão e dando testemunho de minha fé.

REFLEXÕES

JESUS REALIZA O PROJETO DE DEUS

Marcos inicia seu evangelho apresentando a figura de João Batista. Todos os quatro evangelistas são testemunhas da sua importância. O fato de Jesus procurar o batismo de João é revelador do sentido da encarnação. Jesus realiza o projeto de Deus, que consiste no resgate e na valorização da dignidade humana, em tudo que há de bom, belo, justo e verdadeiro. João Batista, com sua pregação, abalava as bases da cúpula religiosa sediada em Jerusalém. Proclamando a conversão à prática da justiça como o caminho para a libertação do pecado, ele descartava as observâncias sacrificais templárias redentoras, exigidas pela tradição da Lei. O reconhecimento do valor do batismo de João por Jesus é confirmado pelo Espírito que desce sobre ele e pelo Pai que proclama seu pleno agrado.
Após o batismo de João, Jesus muda seu modo de vida: abandona o quotidiano vivido em sua terra e começa sua missão, reunindo em torno de si seu discipulado e, percorrendo a Galileia, anuncia a chegada do Reino de Deus, no amor, na justiça e na paz. O batismo, que também nós recebemos, é um compromisso de seguimento de Jesus, na transformação deste mundo pelo amor de Deus, infundido em nossos corações, na promoção da vida, na justiça e na fraternidade.

A SOLIDARIEDADE DE JESUS

O batismo de Jesus, no Jordão, pode parecer, à primeira vista, inútil. Afinal, eram os pecadores os que procuravam o batismo de João, para redimir-se de seus pecados, na perspectiva da iminente chegada do Messias. Por um lado, Jesus não era pecador. Por outro, ele era o Messias, cuja ação havia de revolucionar a história humana.
Como justificar, então, seu batismo?
A vinda do Messias Jesus tinha como finalidade oferecer aos pecadores a salvação. Este seria o público privilegiado de sua ação. Quando, no início de seu ministério, dirigiu-se para o lugar onde João estava batizando, Jesus foi colocar-se exatamente onde se encontravam os que viera para salvar.
Em torno de João, reuniam-se pessoas conscientes de seus pecados e desejosas de se verem livres deles. Jesus foi ao encontro delas, pois haveria de livrá-las, definitivamente, do peso de seus pecados, anunciando-lhes o advento do Reino de Deus.
O Messias, porém, escolheu o caminho da solidariedade com os pecadores e se colocou junto deles como salvador, não como um juiz. Ao se fazer um com eles, embora não sendo pecador, possibilitou que a graça tivesse lugar na vida daquela gente. Foi assim que, no batismo, o Filho amado de Deus iniciou sua missão.

COMO VOCÊ TEM VIVIDO O SEU BATISMO?

João Batista não negava que em sua vida havia poder do Alto para operar a obra que já havia sido designada por Deus a ele desde a época dos profetas. Esse poder consistia na pregação do Reino e na remissão dos pecados pelo arrependimento, externado no rito do batismo nas águas.
Hoje nossa cultura religiosa limita o poder do Alto essencialmente a manifestação de milagres de cura e operações sobrenaturais, pelo simples fato de que estes sinais aconteciam no ministério de Jesus. Mas releva-se que o contexto onde estes eventos sobrenaturais aconteciam, eram no fundo para servirem de confronto com a mentalidade religiosa e estas operações sempre serviram para que a consciência dos participantes e espectadores se convertesse de sua acomodação e limitação espiritual.
Reitero que creio em milagres e operações sobrenaturais, no entanto, não firmo minha fé exclusivamente nessas ocorrências. Deus pode não achar bom curar determinadas pessoas, por motivos que competem exclusivamente a Ele decidir não curar ou fazer o milagre que acho necessário que aconteça. Mesmo diante desse contexto, Ele não deixará de ser Deus. Mas se firmar minha fé somente no que vejo de extraordinário, caso um não milagre aconteça, minha fé corre o sério risco de revelar-se superficial e inoperante para trazer paz a minha vida em momentos de aflição.
O ato de retirar as sandálias era uma função dos escravos da casa de um nobre, para após isso lavar os pés e ungi-los com óleo para que se re-hidratassem da caminhada no clima árido do deserto. Portanto, era uma posição de máxima subserviência ao amo. Observe-se que desamarrar era o mais simples ato deste costume comum à época, que implicava em curvar-se para tanto, um sinal que no contexto espiritual significa reverenciar a Deus.
Por saber que o seu poder vem de Deus, João Batista submete-se a autoridade d’Ele pois sabia que somente prenunciava O mais poderoso que haveria de vir, colocando-se numa posição de máxima subserviência, como os escravos que lavavam e hidratavam os pés do amo e seus convidados.
Mesmo com esse poder, João Batista sabia que por mais que o batismo nas águas significasse que o interior do ser havia se conscientizado do pecado e do amor de Deus em implantar seu Reino entre os arrependidos, esse batismo não era suficiente para fazer o homem a mudar seu instinto natural ao pecado, necessitando da intervenção divina na vida do ser, o que só se realizaria com o batismo no Espírito Santo que só Jesus pode promover.
Para que essa possibilidade se tornasse realidade, Jesus cumpriu o rito do batismo do arrependimento, mesmo sendo Ele um “Rabi”, que quer dizer Mestre. Esse batismo do arrependimento de Jesus foi também Seu batismo com e no Espírito Santo, uma vez que o Espírito Santo desceu como uma pomba sobre Ele. E uma voz se fez ouvir: “Tu és o meu Filho querido e me dás muita alegria”.
Pensemos: se Jesus sendo um dos mestres judaicos, em se “arrependendo” e do ponto-de-vista demonstrado na Bíblia de que Cristo padeceu na carne todo tipo de tentação e inclinação carnal – portanto passível de arrependimento também como homem – abriu a possibilidade para que Deus desse de Seu Espírito para Ele, então essa possibilidade também está aberta a todos que assim o desejar!
Esse objetivo divino – fazer com que Seu Espírito faça habitação em todos os que se arrependem – é cumprido em Cristo em seu batismo no Rio Jordão. E o júbilo divino em ver esse objetivo cumprido em Jesus é traduzido por seu inesperado rompante, declarando Sua alegria em ver Seu filho amado cumprindo Sua vontade. O Espírito Santo é Deus nos guiando em toda a verdade, fazendo florescer os dons – em especial o do amor – e dando-nos a capacitação para mudarmos nossa mentalidade corrompida, frutificando em obras e vida plena.
Como você tem vivido o seu batismo?
Quero recordar a você que o nosso batismo é um compromisso de seguimento a Cristo, na transformação deste mundo pelo amor de Deus, incutido em nosso coração por Jesus hoje batizado no Jordão por João Batista.

TU ÉS O MEU FILHO MUITO AMADO; EM TI PUS TODO O MEU AGRADO

Junto do Jordão, Jesus manifesta-Se com uma extraordinária humildade, que recorda a pobreza e a simplicidade do Menino colocado na manjedoura e antecipa os sentimentos pelos quais, no final dos Seus dias terrenos, chegará a lavar os pés dos discípulos e sofrerá a humilhação terrível da cruz. O Filho de Deus, Aquele que é sem pecado, coloca-Se entre os pecadores, mostra a proximidade de Deus em relação ao caminho de conversão do homem. Jesus carrega sobre os Seus ombros o peso da culpa da humanidade inteira, inicia a Sua missão pondo-Se no nosso lugar, no lugar dos pecadores, na perspectiva da cruz.
Quando, recolhido em oração depois do baptismo, sai da água, abrem-se os céus. É o momento esperado pela multidão dos profetas: “Se rasgásseis os céus e descêsseis!”, tinha invocado Isaías (64,1). Neste momento, parecia sugerir São Lucas, esse pedido é satisfeito. De facto, “o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu”; ouviram-se palavras nunca anteriormente pronunciadas: “Tu és o Meu Filho muito amado; em Ti pus todo o Meu agrado”. […] O Pai, o Filho e o Espírito Santo descem entre os homens e revelam-nos o Seu amor que salva. Se foram os anjos que levaram aos pastores o anúncio do nascimento do Salvador e a estrela que o levou aos Magos vindos do Oriente, presentemente é a própria voz do Pai que indica aos homens a presença do Seu Filho no mundo, e que nos convida a voltarmo-nos para a ressurreição, para a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte.

SOMOS NÓS IRMÃOS DE JESUS CRISTO, ADOTADOS POR ELE E AMADOS PELO PAI

João Batista anunciava a vinda de Jesus e ao mesmo tempo O exaltava e O proclamava alguém muito forte e que teria o poder de nos batizar com o Espírito Santo de Deus. O Batismo de João era de arrependimento, de conversão, de mudança de vida. Muito embora não tivesse pecado e não precisasse se arrepender Jesus quis se submeter ao Batismo de João para abrir o caminho para nós. No Batismo de Jesus no rio Jordão o próprio Deus deu ao mundo testemunho do Seu Filho amado, quando disse: “Tu és o meu Filho amado, em Ti ponho meu bem-querer”! Em Jesus nós também somos batizados e, com Ele, também recebemos do Pai todas as graças e bênçãos do Seu Espírito Santo de Amor.
No Batismo recebemos a graça da filiação divina, por isso, também o Pai deu testemunho do Seu Amor por nós: “Tu és o meu filho, a minha filha amada”! Logo, portanto, somos nós irmãos de Jesus Cristo, adotados por Ele e amados pelo Pai. Não podemos ser tristes nem desanimados e sem esperança, pois o mesmo Espírito que desceu do céu e está em Jesus mora também em nós. Jesus Cristo nos tornou dignos da herança do Seu Pai! – Pare um pouquinho para escutar a voz que vem do céu apresentando você ao mundo como filho amado.
Você acredita?
Amém!

FESTA DO BATISMO DO SENHOR

O UNGIDO DO SENHOR
Uma das maiores aventuras da minha adolescência foi ir a pé até a Light, com um grupo de amigos, fazer uma pescaria de três dias. Planejamos tudo, a barraca, recipientes com água, as varas de pesca, facões e canivetes, roupas e calçados leves, bonés e óculos escuros para proteger o rosto do sol, e até uma caixinha de primeiros socorros, nossa turma andava encantada com o escotismo e queríamos imitar os escoteiros nessa aventura.
Pensamos em cada detalhe e bem de madrugada, antes de iniciarmos a caminhada, o mais velho da turma, a quem delegamos o papel de “Comandante”, após conferir todo o material, e revistar nossas roupas e calçados, disse solenemente: “Vocês estão prontos, podem partir”! Não o escolhemos como nosso chefe por acaso, ele conhecia o percurso ida e volta e estava “calejado” para enfrentar a árdua jornada.
Estar pronto – significa estar preparado para tudo, mas principalmente ter muita coragem para o confronto, não se vai a uma batalha ou a uma aventura arriscada, sem um preparo, sem um treino ou exercício, se não houver da parte do enviado, a determinação, a força ferrenha de vontade, o objetivo poderá não ser alcançado e a desistência dominará aquele que está em missão. No caso do cristão, estar preparado para o confronto é estar ungido e apossar-se da força de Deus, presente na vida daquele que crê.
O Homem, feito a imagem e semelhança de Deus, é chamado a viver a vocação plena do amor, para atingir o auge da sua existência, superando seus limites. Deus o fez para grandes conquistas e o revestiu com a sua força. Jesus Cristo é o primogênito das criaturas, ao encarnar-se em nosso meio, ele aceitou o desafio de ir à frente da humanidade para mostrar o caminho, nesse itinerário cheio de desafios como a trilha de Indiana Jones, que requer do aventureiro muita habilidade, prontidão e persistência.
No evangelho desse Domingo do Batismo do Senhor, Marcos apresenta-nos o Ungido do Pai, aquele que está pronto para o confronto definitivo com as forças do mal. O Antigo Testamento é todo esse longo tempo de preparação, de exercício e treinamento, o homem é estimulado e encorajado por Deus para o combate e a vitória, Deus lhes empresta sua coragem e sua força, presente no seu espírito, que se apodera daqueles que ele chama, profetas e reis, juízes, nenhum deles agiu sozinho mas deixaram-se conduzir pelo Espírito de Deus.
Mas é em Jesus de Nazaré que todas as promessas serão cumpridas, é ele o verdadeiro ungido do Senhor, o Servo escolhido, o predileto e amado, aquele que não sucumbirá diante do mal, mas será persistente e fiel até que todo mal seja aniquilado e o Reino impere por todo sempre. É este homem forte, perfeito e santo, preparado para a missão, sem tremer ou vacilar, é o Jesus que emerge das águas após receber a força do Espírito Santo e ouvir a voz do Pai que o confirma – “Tu és o meu filho amado, em ti ponho o meu bem querer”.
Ele é mais forte do que João e todos os profetas que o anunciaram, ele é mais Poderoso que todos os reis que governaram o Povo de Israel, simplesmente não porque fala em nome de Deus, mas porque é o próprio Deus, que em Jesus vem dar a cada homem o seu espírito de força, coragem, determinação, empenho, ou seja, ele restituiu a cada homem aquilo que Adão havia perdido, resgatando a humanidade do fracasso, direcionando para a vitória, mudando o rumo da trajetória humana, e tudo começa no dia do nosso Batismo…
O Batismo penitencial de João era apenas um sinal exterior, que mostrava a vontade e o desejo que o homem tinha, de mudar de vida, o Batismo de Jesus, é o momento em que Deus se abre para esse homem que demonstra ter consciência do seu erro e fracasso, Deus se inclina para ouvir este homem que agora quer vencer, e ao chamar a Jesus de Filho amado, Deus esta dizendo a todo homem, que ele aprova essa decisão tomada, e que mais do que isso, ele colocará nas entranhas do homem o poder do seu Espírito, a força poderosa que conduzirá o homem á vitória.
Mas o Batismo de Jesus, além de tudo isso, tem um significado ainda mais profundo, ele caminha à frente de todos os batizados, e como aquele companheiro mais velho do meu grupo de adolescentes, Ele afirma com muita propriedade, que agora o homem está realmente preparado para o confronto, pois ao ser ungido, ele também nos ungiu e nos capacitou dando-nos todos os dons necessários para atingirmos nosso objetivo que é alcançar a vida plena, pois, embora por adoção, nós também somos em Cristo, os Filhos e filhas amados, com quem Deus se alegra, e o Batismo é o dia em que Deus, oficialmente reconhece cada homem como seu Filho…

O BATISMO DE JESUS

Tu és meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer.
Para Jesus sentir-se “Filho amado” implica levar uma luz de esperança às pessoas que vivem na angustia e na miséria. Jesus descobre as palavras do profeta Isaias como um chamado que seu Pai lhe comunica no “cântico do servo sofredor”.
Jesus acode ao chamado de João da mesma forma que uma grande parte de Israel; porém, a diferença entre os israelitas e Jesus é a urgência que Jesus coloca na realização da aliança que Deus deixou como testamento de sua vontade, pois como diz Isaias: “eu te chamei para ser aliança do povo e a luz das nações”.
O batismo de João é um chamado a todo o povo de Deus para que mude sua maneira de pensar e se comprometa com um novo estilo de vida. A missão e o chamado de João Batista situam-se no deserto, símbolo da peregrinação de Israel. Aí o povo de Deus tem a possibilidade de reencontrar-se com Deus e recuperar o ardor do primeiro chamado que os conduziu da escravidão à terra prometida.
João propõe o símbolo do batismo para representar uma mudança na maneira de pensar. A palavra batismo significa imersão. O povo é submergido por João nas águas do Jordão para simbolizar a mudança necessária antes de dar o primeiro passo para a terra prometida. O povo que escuta o chamado de João quer renovar-se nas águas do Jordão e confessar sua falta de fidelidade à aliança que Deus fez com eles. Já não serão mais um povo tranquilizado em sua consciência pelos ritos religiosos, mas um grupo humano novo, disposto a tornar realidade a aliança com Deus.
O batismo de Jesus vai mais além da imersão na água e se converte em uma unção do Espírito. Sua tarefa não consiste, como João, somente em um chamado à conversão, mas em um testemunho da urgência e possibilidade de instaurar o Reino de Deus por meio da conversão ao evangelho e à fé em sua capacidade de redimir a existência humana.
Da mesma forma que Jesus, nós cristãos descobrimos como filhos amados, prediletos, enviados pelo Pai a anunciar o evangelho ante a iminência do Reino de Deus que se aproxima. Para qualquer cristão, o batismo é compromisso na realização da mesma missão que Jesus se propôs realizar.

BATISMO DE JESUS

Disse João Batista a seus seguidores: eu batizei vocês com água, mas ele batizará vocês com o Espírito Santo. O messias veria para confirmar a aliança com o povo de Israel com o Senhor, libertará os homens do mal para sempre e renovar o comprometimento com a libertação. Mas, para tanto, seria preciso primeiramente desfazer das coisas do mal, arrependerem-se dos pecados e batizar com água da conversão. Depois disso, acolherá o salvador que tem poder de envolver-se no Espírito Santo e lutar contra os opressores que não O aceita pela avareza e a ignorância.
O batismo de Jesus corresponde a humildade e a simplicidade de um Homem que se fez homem para estar no meio do povo que precisava de estímulo para acreditar que o poder de Deus interfere na vida cotidiana. O exemplo de ser batizado pelo anunciador da libertação comove a multidão. Ele é o Senhor do mundo, não precisaria rebaixar a um pecador para ganhar o perdão dos pecados, sendo que Jesus não tinha pecado para arrepender-se, sempre foi justo com muito amor, mas ao entrar no rio Jordão para mergulhar nas águas, Jesus mostrou para o povo que ninguém é maior do que o outro e para criar a identidade de cristão seguidor de um projeto de vida, necessita do batismo.
João anunciava claramente para seus seguidores que outra pessoa, mais poderosa e de um coração invejável, viria batizar com o fogo e com o Espírito. Ele, João, não era digno de desatar as suas sandálias, tamanha unidade e crença tinha em Jesus. Porém, Ele (Jesus) chegou e viu descendo do céu o espírito em forma de pomba. Era a confirmação de que o Filho do Homem estava ali presente.
O batismo é o símbolo do cristão autêntico que criou um vínculo com o Senhor. Agora o batizado faz parte da família unida da Trindade. Tem a marca do serviço. Tem uma identidade. Ao fazer parte da unidade fraternal do Criador, passa a comprometer-se com a construção do Reino. Jesus, depois de batizado, passou a denunciar todas as injustiças sociais que insistiam persistir. Para tanto, enfrentou os poderosos com firmeza e exigia maior atenção com os desvalidos e oprimidos. Não tem como fazer parte de uma família unida e oprimir os parentes em proveito próprio. Ao ser batizado ha uma cumplicidade com o outro. O sofrimento do outro também é meu sofrimento e a cruz do outro também é minha cruz.
Enfim, que a chama do batismo não seja abafada e o combustível para manter acessa o fogo da transformação seja desprendido pelo Espírito Santo. Sempre alimentando no poder de Cristo e perfazendo caminhos que levem ao encontro do Jordão para curar todos os pecados e as maldades que insistem em permanecer no coração de muitos homens de boa vontade. Assim, ao escolher o batismo de Cristo, tem em si a convicção de que a luta pelo projeto da vida será constante, mas valerá a pena. Amém!

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Ao ser batizado, Jesus é proclamado Filho querido e amado de Deus e assume publicamente a missão recebida do Pai. A páscoa de Cristo se revela em todos os batizados conscientes e comprometidos com a própria missão de cristãos.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

Batizados e ungidos pelo Espírito Santo, somos servos do Senhor a serviço do reino que Jesus veio instaurar por amor à humanidade.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Abriram-se os céus e fez-se ouvir a voz do Pai: eis meu Filho muito amado; escutai-o, todos vós! (Mc 9,7).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Batizado o Senhor, os céus se abriram e o Espírito Santo pairou sobre ele sob a forma de pomba. E a voz do Pai se fez ouvir: Este é o meu Filho muito amado, nele está todo o meu amor! (Mt 3,16s).

Antífona da comunhão

Eis aquele de quem João dizia: Eu via dei testemunho de que este é o Filho de Deus (Jo 1,32.34).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Deus eterno e todo-poderoso, que, sendo Cristo batizado no Jordão e pairando sobre ele o Espírito Santo, o declarastes solenemente vosso Filho, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, perseverar constantemente em vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Senhor, enviai-nos vosso Espírito.
— Cristo, servo de Deus, enviai sobre nós o vosso Espírito, vos pedimos.
— Cristo, eleito do Pai, tende compaixão de todos os que vos buscam, vos pedimos.
— Cristo, Filho de Deus, abri os olhos dos que ainda não tem fé, vos pedimos.
— Cristo, salvador da humanidade, fazei que todos vos conheçam e creiam em vós, vos pedimos.
— Cristo, batizado no Jordão, cumulai de bênçãos todos os batizados, vos pedimos.

Oração sobre as oferendas

Recebei, ó Pai, as oferendas que vos apresentamos no dia em que revelastes vosso Filho, para que se tornem o sacrifício do Cordeiro que lavou, em sua misericórdia, os pecados do mundo. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Nutridos pelo vosso sacramento, dai-nos, ó Pai, a graça de ouvir fielmente o vosso Filho amado, para que, chamados filhos de Deus, nós o sejamos de fato. Por Cristo, nosso Senhor.

Anúncios
Esse post foi publicado em Religião. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s