LDP: 12/JAN/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

12/Jan/2012 (quinta-feira)

LEITURAS

1 Samuel 4,1-11 (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Históricos)

1Naqueles dias, os filisteus reuniram-se para fazer guerra a Israel. Israel saiu ao encontro dos filisteus, acampando perto de Eben-Ezer, enquanto os filisteus, de sua parte, avançaram até Afec 2e puseram-se em linha de combate diante de Israel. Travada a batalha, Israel foi derrotado pelos filisteus. E morreram naquele combate, em campo aberto, cerca de quatro mil homens. 3O povo voltou ao acampamento e os anciãos de Israel disseram: “Por que fez o Senhor que hoje fôssemos vencidos pelos filisteus? Vamos a Silo buscar a arca da aliança do Senhor para que ela esteja no meio de nós e nos salve das mãos dos nossos inimigos”. 4Então o povo mandou trazer de Silo a arca da aliança do Senhor todo-poderoso, que se senta sobre querubins. Os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, acompanhavam a arca. 5Quando a arca da aliança do Senhor chegou ao acampamento, todo Israel rompeu num grande clamor, que ressoou por toda a terra. 6Os filisteus, ouvindo isso, diziam: “Que gritaria é essa tão grande no campo dos hebreus?” E souberam que a arca do Senhor tinha chegado ao acampamento. 7Os filisteus tiveram medo e disseram: “Deus chegou ao acampamento!” E lamentavam-se: 8“Ai de nós! Porque os hebreus não estavam com essa alegria nem ontem nem anteontem. Ai de nós! Quem nos salvará da mão desses deuses tão poderosos? Foram eles que afligiram o Egito com toda espécie de pragas no deserto. 9Mas coragem, filisteus, portai-vos como homens, para que não vos torneis escravos dos hebreus como eles o foram de vós! Sede homens e combatei!” 10Então os filisteus lançaram-se à luta, Israel foi derrotado e cada um fugiu para a sua tenda. O massacre foi grande: do lado de Israel tombaram trinta mil homens. 11A arca de Deus foi capturada e morreram os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias.

Salmo 44(43),10-11.14-15.24-25 (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

— Libertai-nos, Senhor, pela vossa compaixão!
10Porém, agora nos deixastes e humilhastes, já não saís com nossas tropas para a guerra! 11Vós nos fizestes recuar ante o inimigo, os adversários nos pilharam à vontade.
14SDe nós fizestes o escárnio dos vizinhos, zombaria e gozação dos que nos cercam; 15para os pagãos somos motivo de anedotas, zombam de nós a sacudir sua cabeça.
24Levantai-vos, ó Senhor, por que dormis? Despertai! Não nos deixeis eternamente! 25Por que nos escondeis a vossa face e esqueceis nossa opressão, nossa miséria?

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 1,40-45 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Sinótico)

Naquele tempo, 40um leproso chegou perto de Jesus, e de joelhos pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. 41Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero: fica curado!” 42No mesmo instante, a lepra desapareceu, e ele ficou curado. 43Então Jesus o mandou logo embora, 44falando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!” 45Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

Se quer ser perdoado, purificado de seus pecados, comece reconhecendo quem é Jesus: Deus feito homem. Depois, faça como o leproso, peça para ele purificar você, “se ele quiser”. Este dado é importante: “se ele quiser”. Deus sabe o que é melhor, o que você nem sempre sabe.
Depois, peça a Jesus que toque em você.
Lembraram os bispos, em Aparecida: “Bento XVI, no início de seu Pontificado, fazendo eco a seu predecessor, o Servo de Deus, João Paulo II, proclama para toda a América Latina: Não temam! Abram, abram de par em par as portas a Cristo!… quem deixa Cristo entrar não perde nada, nada – absolutamente nada – do que faz a vida livre, bela e grande. Não! Só com esta amizade abrem-se as portas da vida. Só com esta amizade abrem-se realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só com esta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta… Não tenham medo de Cristo! Ele não tira nada e nos dá tudo. Quem se dá a Ele, recebe cem por um. Sim, abram, abram de par em par as portas a Cristo e encontrarão a verdadeira vida” (DAp 15).

… a VERDADE …

Este texto é a primeira cura narrada no Evangelho de Marcos. A lepra, na Bíblia, é símbolo de exclusão, o que é um pecado. O leproso não podia se apresentar em público, nem conviver com pessoas sadias, pelo perigo de contágio. Assim, o pecado afastava, isolava e tornava a pessoa intocável. Por isso, são Paulo afirma que, com o pecado, entrou no mundo a morte (Cf Rm 5,12).
O homem que possuía a lepra chegou perto de Jesus, ajoelhou-se e fez seu pedido de forma interessante: “Eu sei que o senhor pode me curar se quiser.” Jesus sentiu compaixão daquele homem e tocou nele. Jesus toca o intocável. Naquela cultura, quem tocasse um leproso era contaminado. Jesus não se preocupa com o que pensarão dele. Vê a pessoa e não, a sua lepra. Tocou nele. E no mesmo instante, o homem ficou curado.

… e a VIDA …

Pai, dá-me forças para combater e vencer as forças do mal que impedem o Reino acontecer na minha vida e na história humana.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Procurarei em cada momento do dia de hoje deixar-me “tocar” pelo Senhor. Quero vencer aquele limite que tenho e que só eu sei.
Quero estar livre de julgar, condenar, não perdoar, discriminar. Afastarei qualquer preconceito em relação às pessoas diferentes. Elas também são amadas por Deus.

REFLEXÕES

A LIBERTAÇÃO DO LEPROSO

Nas narrativas dos evangelhos, o leproso é apresentado como um “impuro” e não como um doente. A lepra era objeto de severas restrições legais, predominando o aspecto de “impureza” sobre o problema da doença. Implicava a exclusão religiosa e social do leproso. O procedimento do sacerdote em relação à lepra estava detalhadamente determinado no Livro do Levítico, nas regras referentes ao puro e impuro (capítulos 13 e 14). Jesus, por ter se aproximado e tocado no leproso, passou a ser considerado, também, como um impuro e, assim, não podia entrar mais na cidade. Jesus fica fora, em lugares desertos. Porém, as multidões vêm a ele. O deserto é o lugar dos excluídos, em oposição à cidade, que é o centro do poder. Contudo, é no deserto onde se dá o encontro com Jesus, no qual se dá o encontro com Deus. A libertação do leproso de sua impureza exprime a missão de Jesus, e a nossa missão: libertar os excluídos pelos critérios religiosos e sociais, e integrá-los no convívio fraterno.

JESUS COMPADECIDO

É comovente contemplar a sensibilidade de Jesus, em relação aos sofredores. Tem-se a impressão de que, quanto maior o sofrimento humano, tanto maior sua capacidade de comover-se. Nestas horas, a misericórdia falava mais alto.
O encontro com o leproso tocou, fundo, no coração de Jesus. Imaginemos aquele homem deformado e repelente, lançando-se aos pés do Mestre, em cujas mãos colocava a própria cura: “Se queres, tu tens o poder de curar-me”!
A reação natural seria a de censurá-lo, e ordenar que se afastasse, pois os leprosos não podiam conviver com as pessoas sadias. Outra reação seria a de afastar-se sem demora, para evitar o risco de contágio e o da impureza adquirida pelo simples contato com o doente.
Tudo se passa de forma diferente com Jesus. A presença daquele homem sofredor move-o à compaixão. Daí o gesto inesperado: Jesus toca o leproso. Sem dúvida, houve quem se escandalizasse e passasse a considerá-lo como impuro, como faziam com quem entrava em contato com os portadores da lepra.
Este tipo de tradição não tinha nenhum valor para Jesus. Seu único desejo era ver aquele infeliz livre de sua doença. E o cura!
A reação do ex-leproso é compreensível. Apesar da advertência de Jesus, saiu gritando o que lhe acontecera. A compaixão do Senhor deixou-o maravilhado.

ELIMINEMOS A IMUNDÍCIE DO PECADO EM NOSSA VIDA

A Bíblia, especialmente no Velho Testamento, fala muitas vezes sobre o problema da lepra. Quando se fala de pessoas leprosas, a palavra significa uma doença da pele que pode abranger tipos diferentes de doenças. Em outros casos, a mesma palavra fala de manchas em roupas ou paredes, algo que nós poderíamos chamar hoje de fungo ou mofo.
Na Lei que Deus deu aos israelitas, uma pessoa leprosa era considerada impura (cf. Lv 13,2-3). A doença era vista como uma praga. Às vezes, a praga era enviada por Deus para repreender ao povo desobediente (cf. Lv 14,34).
As instruções sobre a lepra, obviamente, serviam para conter uma doença maligna, mesmo séculos antes de cientistas compreenderem como as doenças se espalhavam.
Mas há um segundo – e mais importante – motivo para falar tanto sobre a lepra no Velho Testamento. Há, pelo menos, duas lições espirituais das ordens sobre essa enfermidade:
1. A importância da obediência. Entre as últimas orientações dadas por Moisés ao povo de Israel estão estas palavras: “Guarda-te da praga da lepra e tem diligente cuidado de fazer segundo tudo o que te ensinarem os sacerdotes levitas; como lhes tenho ordenado, terás cuidado de o fazer” (Deuteronômio 24,8).
2. A necessidade de distinguir entre o limpo e o impuro. A chave ao entendimento deste significado da lepra aparece em Levítico 14,54-57: “Esta é a lei de toda sorte de praga de lepra, da lepra das vestes, das casas, da inchação, da pústula e das manchas lustrosas para ensinar quando qualquer coisa é limpa ou impura. Esta é a lei da lepra”.
Deus usou coisas físicas – seja doenças, questões de higiene ou diferenças entre animais – para ensinar princípios espirituais.
Quando foi descoberta a imundície da lepra, não mediam esforços para se livrarem dela. Pessoas leprosas foram publicamente identificadas e afastadas da congregação para não contaminar outros. Quando as tentativas de purificar as casas não foram bem-sucedidas, foi necessário derrubar casas inteiras para não deixar a praga se espalhar (cf. Levítico 14,43-45).
O leproso que se aproxima de Jesus pede por sua purificação e não por sua cura. Marcos destaca o sentimento humano de compaixão que Cristo sente pelo leproso em sua exclusão. Por isso transgredi a Lei, toca o leproso e o liberta de sua lepra e de sua impureza. Envia o homem, já purificado, ao sacerdote como testemunha contra o poder religioso que reivindicava para si o direito de purificar. Fica caracterizada a ação de Jesus: libertadora, mas ao mesmo tempo, “infratora” da Lei para os fariseus e homens da Lei.
Esta narrativa revela o empenho de Jesus não na simples cura, mas na inclusão social dos marginalizados. O leproso representa os excluídos e marginalizados por um sistema elitista e opressor, no qual o explorador humilha o explorado para inibi-lo e submetê-lo à sua exploração.
As mesmas leis sobre a lepra não se aplicam hoje, mas os princípios que aprendemos delas têm muita importância para nós.
Devemos ser obedientes a todas as instruções que o Senhor nos deu. E quando a imundície do pecado invade a nossa vida, devemos agir com urgência para eliminá-lo, mesmo se forem necessárias medidas radicais. “E se o teu olho direito te serve de escândalo, arranca-o e lança-o fora de ti; porque melhor te é que se perca um de teus membros, do que todo o teu corpo ser lançado no inferno. E se a tua mão direita te serve de escândalo, corta-a e lança-a fora de ti; porque melhor te é que se perca um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno.” (Mt 5,29-30).
Sejamos santos para a glória do Nosso Senhor, que é perfeito e santo.

JESUS CURA O LEPROSO

Uma das promessas que sempre estão presentes nas profecias do Antigo Testamento a respeito dos tempos messiânicos é a cura da lepra. Isso acontece porque a lepra era uma das doenças mais temidas entre as pessoas, principalmente porque uma das suas consequências era a exclusão social e religiosa. Ao curar uma pessoa da lepra, Jesus não apenas o livra da doença em si que a faz sofrer como também a reintegra na vida social e religiosa. Por isso entendemos a alegria do homem que foi curado, que fez com que ele não fosse capaz de guardar o fato só para si, mas passou a divulgá-lo de tal modo que Jesus não podia mais aparecer em público.

COMPADECIDO DESTE HOMEM, JESUS ESTENDEU A MÃO E TOCOU-O

Os pobres têm sede de água, mas também de paz, de verdade e de justiça. Os pobres estão nus e têm necessidade de roupas, mas também de dignidade humana e de compaixão para com os pecadores. Os pobres estão sem abrigo e têm necessidade de um abrigo feito de tijolos, mas também de um coração alegre, compassivo e cheio de amor. Eles estão doentes e têm necessidade de cuidados médicos, mas também de uma mão amiga e de um sorriso acolhedor.
Os excluídos, os que são rejeitados, os que não são amados, os prisioneiros, os alcoólicos, os moribundos, os que estão sós e abandonados, os marginalizados, os intocáveis e os leprosos […], os que estão na dúvida e confusos, os que não foram tocados pela luz de Cristo, os que têm fome da palavra e da paz de Deus, as almas tristes e angustiadas […], os que são um fardo para a sociedade, os que perderam toda a esperança e a fé na vida, os que esqueceram como se sorri e os que já não sabem o que é receber um pouco de calor humano, um gesto de amor e de amizade – todos eles se voltam para nós para serem reconfortados. Se lhes viramos as costas, viramos as costas a Cristo.

‘SE QUERES, TENS O PODER DE PURIFICAR-ME’ (…) ‘EU QUERO, FICA PURIFICADO’!

Hoje, na primeira leitura, lemos: “Hoje se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações!” (Heb 3,7-8). E repetimo-lo insistentemente na resposta ao Salmo 94. Esta breve citação contém duas coisas: um desejo e uma advertência. Ambas convêm nunca esquecer.
Durante o nosso tempo diário de oração desejamos e pedimos para ouvirmos a voz do Senhor. Mas, provavelmente, com demasiada frequência preocupamo-nos em preencher esse tempo com as palavras que Lhe queremos dizer e não deixamos tempo para ouvir o que Deus nos quer comunicar. Velemos pois para cuidarmos o silêncio interior que —evitando distrações e concentrando a nossa atenção—abre um espaço para acolhermos os afetos, inspirações… que o Senhor, certamente, quer suscitar nos nossos corações.
Um risco que não podemos esquecer, é o perigo de que o nosso coração – com o tempo – se vá endurecendo. Por vezes, os golpes da vida podem-nos converter, mesmo sem nos darmos conta, numa pessoa mais desconfiada, insensível, pessimista, sem esperança… Devemos pedir ao Senhor que nos torne conscientes desta possível deterioração interior. A oração é uma ótima ocasião para dar uma olhadela serena à nossa vida e a todas as circunstâncias que a rodeiam. Devemos ler os diversos acontecimentos à luz dos Evangelhos, para descobrirmos que aspectos necessitam uma verdadeira conversão.
Tomara que peçamos a nossa conversão com a mesma fé e confiança com que o leproso se apresentou a Jesus!: “De joelhos, suplicava-lhe: “Se queres, tens o poder de purificar-me”!”. (Mc 1,40). Ele é o único que pode tornar possível aquilo que por nós próprios resultaria impossível. Desejamos que Deus atue com a sua graça em nós, para que o nosso coração seja purificado e, dócil no seu agir, seja cada dia mais um coração à imagem e semelhança do coração de Jesus. Ele, com confiança, diz-nos: “Eu quero, fica purificado” (Mc 1,41).

UM LEPROSO QUE REENCONTROU SEU LUGAR…

Quem faz parte do rol das nossas amizades são pessoas de bem, íntegras, amáveis, que têm por nós grande estima, zelosos da fé, piedosos na prática da religião. Essas pessoas a gente se alegra quando as vê, procura sempre ter com elas um gesto carinhoso que revele o afeto que nutrimos por elas, um abraço, um forte aperto de mão. Lembramo-nos delas em datas especiais, nos alegramos com suas vitórias e alegrias, compartilhamos de suas tristezas… enfim, vivemos com elas uma comunhão, algo mais forte que uma simples amizade.
O Leproso era uma pessoa indesejável na comunidade, o contexto era bem diferente do de hoje, quando pessoas enfermas são bem acolhidas pela pastoral dos enfermos, que vão á sua casa, preparam as missas da Saúde, providenciam transporte e até um lanche após a missa, regado com refrigerante é preparado…
Naquele tempo, algumas doenças eram consideradas consequência do pecado, portanto, castigo divino, acreditava-se em um Deus intolerante que exigia da pessoa uma retidão moral e quando esta não correspondia, vinha a punição divina com alguma doença onde a lepra era uma delas. Pelo lado humano, o medo de se contaminar era muito grande pois não haviam os recursos que a medicina hoje dispõe, esse cuidado com o contágio, já vinha desde a caminhada do deserto e chegara até as comunidades.
Discriminados e marginalizados, os considerados “Impuros” estavam fora da sociedade e do sistema religioso, não havendo a menor possibilidade de salvação, que era destinada aos justos e íntegros na Fé e na moral. A partir disso podemos fazer uma lista dos “Leprosos e Leprosas” de hoje em dia, que até toleramos que venham nas celebrações desde que, estejam dispostos a mudar de vida e a se converterem…
Jesus tem uma “enjeriza” com esse sistema que rotula as pessoas e por isso cura este homem contaminado pela lepra, é o seu testemunho contra a religião que discrimina e marginaliza as pessoas. O leproso suplica de joelhos, sinal de humildade de quem já está acostumado a ser olhado de cima para baixo, sendo inferior as pessoas. Cheio de compaixão Jesus estende a mão, o toca e manifesta a vontade de que seja curado.
Ao tocá-lo Jesus derruba a barreira do preconceito, quebrando o monopólio de Deus, que os limpos tinham. Manda-o apresentar-se á religião oficial para que esta, através do formalismo ritual o declare novamente limpo e curado. Nossos ritos litúrgicos e celebrações, não servirão para nada se a nossa comunidade não tiver compaixão dos infelizes e excluídos que esperam ansiosos a cura de uma inclusão social, de uma recuperação da sua dignidade humana, daquele abraço afetuoso ou daquele aperto de mão, que muitas vezes só reservamos as pessoas de bem…
As pessoas buscavam a Jesus porque havia nele algo que a religião oficial não dava: o amor da gratuidade, a amizade sincera, a misericórdia e compaixão.
O que as pessoas buscam em nós em nossas comunidades?

JESUS PURIFICA O LEPROSO MARGINALIZADO

O evangelista Marcos não descreve o lugar onde o leproso encontra com Jesus, mas fica cheio de ira quando um homem de joelhos pede a cura da lepra: “se queres, tu tens o poder de me purificar”. Jesus contradiz a lógica da sociedade e toca no homem doente e liberta das feridas.
Como pode ficar furioso com o pedido da cura e ainda tocá-lo?
Diante da leitura do versículo 40 do capítulo um, pode assustar o leitor. Ademais, Jesus sempre é descrito como libertador e amigo dos marginalizados, jamais um perverso que escandaliza os pobres excluídos.
Entretanto, um leproso na época de Jesus não tinha o direito de viver nos centros urbanos. Era excluído da sociedade. Vivia isolado, distante das pessoas com intuito de preservá-las sadias. Diante da situação do enfermo era impedido participar dos atos religiosos, pois se alguém o tocasse, ficaria impuro.
O nervosismo de Jesus foi com a sociedade injusta e discriminadora.
Como pode uma sociedade que preza os ensinamentos de Moisés, ter bons sacerdotes oradores nos templos, rejeitar membros doentes?
Uma sociedade que preza a doutrina do Evangelho deve observar a unidade e o apoio da todos com equidade. Trazer o enfermo para si e dar suporte necessário para libertar do mal. Somente com ajuda e o comprometimento social que muitos males devem deixar de incomodar o bom convívio mútuo.
Mais uma vez Jesus mostra com tenacidade o projeto de vida, pois, a vida deve estar acima de qualquer privilegio. A vida feliz se concretiza na participação e no acompanhamento social.
Como pode alguém ser feliz excluído do meio social?
Como pode julgar uma sociedade harmoniosa quando seus membros são deixados a mercê da sociedade, largado a própria sorte?
Como pode visualizar transformações relevantes numa sociedade maléficas que mata aos poucos seus integrantes?
Assim, entende-se a ira de Jesus, não com o leproso, mas com os dirigentes e com os sacerdotes.
Ao mandar o homem curado do enfermo embora e se possível ir ao templo dar testemunho da cura para contradizer os sacerdotes, Jesus não quer interpretação falsa da sua atitude e nem ficar popular diante da sociedade. Mas expressar aos poderosos da cidade que nada poderá impedir que a felicidade se complete na pessoa. Todos têm o direito de ser feliz e ter saúde.
A felicidade do homem curado foi tamanha que não cumpriu o que Jesus pediu de não revelar a cura. Mesmos assim a multidão acentuou em torno de Jesus. Ele foi morar distante da cidade no meio do povo marginalizado para dar testemunho da sua vinda.
A lepra no Evangelho representa a podridão da sociedade injusta. O cuidado com o povo não estava sendo realizado, deixando muitos cidadãos morrendo a míngua. Neste caso, a dignidade reservada ao povo como direito não está sendo assegurada, deixando a desejar a prática acionária de atender as necessidades prioritárias do povo. O exemplo de Jesus de curar o enfermo foi uma dica para os administradores da sociedade: primeiramente acomodar os cidadãos com excelência e depois realizar projetos com intuito de crescimento social.
Portanto, há muita coisa a se fazer para os marginalizados. Eles são pessoas que merecem toda atenção e cuidado. Se alguém tem o poder e a chance de acelerar a saída da marginalidade as pessoas isoladas dos recursos disponíveis, não deve perder tempo, quanto antes ajudar os irmãos necessitados, mais rápidos sua tarefa está sendo cumprida. O que não pode é deixar irmãos morrerem por falta de cuidado ou por arrogância própria. Sejamos um libertador do mal. Amém.

JESUS CURA O LEPROSO

E o leproso se ajoelhou diante de Jesus, encostou o rosto no chão e pediu:
— Senhor, eu sei que o senhor pode me curar se quiser!
Veja que bela demonstração de humildade e de grande fé! Muitas vezes participamos de celebrações, as quais são lidas apenas com os lábios, como disse Jesus: “Essas pessoas me louvam com os lábios”… Celebrações feitas até com atitudes de certa arrogância, palavras ditas com os lábios e não com a devida humildade e devoção, tão necessárias à nossa conversão. A nossa atitude na hora da oração deve ser de concentração, piedade, humildade e de muita, mais muita fé e confiança em Deus.
Outro dia presenciei uma senhora que cantava e rezava ao mesmo tempo. Ela era participante de outro grupo de canto, e sua atitude ao cantar nos elevava a Deus, nos levava ao contato ou ao encontro com Deus, de forma a sentir aquele arrepio maravilhoso. Ela fechava os olhos, fazia gestos, balançava levemente seu corpo, ao cantar para Deus e para a nossa conversão. A outra do seu lado também fazia quase a mesma coisa. Mas ela realmente não somente cantava como rezava a Deus.
Não pude deixar de me dirigir àquela devota mulher cantante no final da missa, para um sincero elogio, e pedir a ela que continuasse a ser sempre assim. Não só cantar, mas também orar ao mesmo tempo. Coisas desse tipo nós temos que estimular.
“Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: — Sim! Eu quero. Você está curado.” Nossas orações são atendidas quando feitas com fé e devoção. E não apenas com os lábios, com certa arrogância, e distração. “Ame a Deus com toda a sua força…” Não é preciso gritar. Apenas concentrar-se, fechando os olhos de preferência, e falar com Deus do fundo do coração, como costumamos dizer, quando falamos ou expressamos algo com toda sinceridade, com muita convicção…
Que nossas orações não sejam feitas como se lê uma poesia, ou uma recitação de um trecho escrito. Mas que sejam algo que nos vem de dentro.. do fundo da nossa alma, com todo o nosso ser, como aquela santa cantora que cantava e rezava para a glória de Deus e para a conversão dos que a viam. Faça o mesmo quando estiver cantando, rezando, em casa ou em público.
Celebrante. Celebre não somente com a boca, mas com todo o seu ser. Demonstre fé e devoção nas suas palavras, pois os que olham para você, esperam isso. Esperam poder confiar que você realmente acredita no que está dizendo, no que está falando. As pessoas que participam da Santa Missa se santificam também pela atitude solene e santa do celebrante. Amém.

TOCANDO O INTOCÁVEL, JESUS CURA UM LEPROSO

Na lei que Deus deu aos israelitas, uma pessoa leprosa foi considerada imunda (Lv 13,2-3). A doença foi vista como uma praga. “Às vezes, a praga foi enviada por Deus para repreender o povo desobediente” (Lv 14,34). Pessoas leprosas eram publicamente identificadas e afastadas da congregação para não contaminar outros. Eram excluídos do meio familiar e social. Rejeitados pela sociedade, passavam a viver sozinhos ou em grupos, longe das pessoas sadias, condenados à morte em isolamento. Os judeus pensavam até que seriam contaminados se a sombra de um leproso incidisse sobre eles. O sacerdote no templo era o responsável para identificar quem era leproso excluindo-o da comunidade com consequências sociais, religiosas e pessoais. Compete a ele também comprovar a cura. O leproso curado deveria celebrar a purificação com um ato religioso de sacrifício.
Um leproso que se aproxima de Jesus de joelhos pede: “Se queres, tens o poder de curar-me”. Jesus cheio de compaixão humana transgredi a Lei, toca o leproso e o cura, como um sinal do poder e da presença do Reino de Deus na história humana, para beneficiar a todos que necessitavam de ajuda. Pela Lei judaica quem tocasse um leproso, também se tornava impuro, mas essa tradição não era importante para Jesus. O que importava era o bem estar daquele homem, e vê-lo incluído novamente na sociedade. Jesus envia o homem já curado, ao sacerdote e fazer sua oferenda conforme a Lei, e pede para que ele não comentasse nada com ninguém. E ao partir o homem começa a proclamar, testemunhando o que Jesus fizera por ele. Com a cura do leproso, Jesus é Aquele para quem nada é impossível: Ele pode expulsar os demônios (Mar. 1:21-28), Ele tocou e curou a sogra de Pedro(Mar. 1:29-31), Ele tocou e curou um leproso (Mar. 1:40-45). Todos que Jesus tocava eram curados, e mudavam para melhor.
Queridos irmão e irmãs, que sejamos também tocados por Jesus, que possamos abrir o coração e pedir ajuda, socorro para que sejamos libertos nossos pecados, de nossos preconceitos (de raça, cor, religião, formação, contra a mulher…) e possamos compreender melhor o mal da exclusão que existe no mundo, para que tenhamos sentimentos de misericórdia, a sensibilidade e o carisma de Cristo com todos os excluídos e marginalizados.

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

O desejo de Deus é nos libertar de tudo o que nos impede de ter vida digna. Para isso, quer contar com cada um de nós e principalmente com as autoridades constituídas. Quando somos solidários, sentimos a presença amorosa de Deus.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

Sinais externos podem ser indicativos da presença de Deus desde que não sejam tomados por amuletos mágicos. Quando acreditamos em Deus, os males acabam sendo derrotados.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Jesus pregava a boa-nova, o reino anunciando, e curava toda espécie de doenças entre o povo (Mt 4,23).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Ergamos os nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno.

Antífona da comunhão

Eu vim para que tenham a vida e a tenham cada vez mais, diz o Senhor (Jo 10,10).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Atendei, Senhor, nossa oração.
— Para que saibamos estender as mãos aos irmãos que sofrem, peçamos.
— Para que nossos gestos de amor sejam sinais de nossa fé, peçamos.
— Para que as vítimas das intempéries encontrem a solidariedade das pessoas, peçamos.
— Para que os doentes tenham o apoio da família e da comunidade, peçamos.
— Para que os governantes garantam a todos o acesso à saúde, peçamos.

Oração sobre as oferendas

Possa agradar-vos, ó Deus, a oferenda do vosso povo; que ela nos obtenha a santificação e o que confiantes vos pedimos. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Deus todo-poderoso, que refazeis as nossas forças pelos vossos sacramentos, nós suplicamos a graça de vos servir por uma vida que vos agrade. Por Cristo, nosso Senhor.

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