LDP: 14/JAN/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

14/Jan/2012 (sábado)

LEITURAS

1 Samuel 9,1-4.17-19; 10,1a (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Históricos)

9,1Havia um homem de Benjamin, chamado Cis, filho de Abiel, filho de Seror, filho de Becorat, filho de Afia, um benjaminita, homem forte e valente. 2Ele tinha um filho chamado Saul, de boa apresentação. Entre os filhos de Israel não havia outro melhor do que ele: dos ombros para cima sobressaía a todo o povo. 3Ora, aconteceu que se perderam umas jumentas de Cis, pai de Saul. E Cis disse a seu filho Saul: “Toma contigo um dos criados, põe-te a caminho e vai procurar as jumentas”. Eles atravessaram a montanha de Efraim 4e a região de Salisa, mas não as encontraram. Passaram também pela região de Salim, sem encontrar nada; e, ainda pela terra de Benjamin, sem resultado algum. 17Quando Samuel avistou Saul, o Senhor lhe disse: “Este é o homem de quem te falei. Ele reinará sobre o meu povo”. 18Saul aproximou-se de Samuel, na soleira da porta, e disse-lhe: “Peço-te que me informes onde é a casa do vidente”. 19Samuel respondeu a Saul: “Sou eu mesmo o vidente. Sobe na minha frente ao santuário da colina. Hoje comereis comigo, e amanhã de manhã te deixarei partir, depois de ter revelado tudo o que tens no coração”. 10,1aNa manhã seguinte, Samuel tomou um pequeno frasco de azeite, derramou-o sobre a cabeça de Saul e beijou-o dizendo: “Com isto o Senhor te ungiu como chefe do seu povo, Israel. Tu governarás o povo do Senhor e o livrarás das mãos de seus inimigos, que estão ao seu redor”.

Salmo 21(20),1-7 (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

— Ó Senhor, em vossa força o rei se alegra!
2Senhor, em vossa força o rei se alegra; quanto exulta de alegria em vosso auxílio! 3O que sonhou seu coração, lhe concedestes; não recusastes os pedidos de seus lábios.
4Com bênção generosa o preparastes; de ouro puro coroastes sua fronte. 5A vida ele pediu e vós lhe destes, longos dias, vida longa pelos séculos.
6É grande a sua glória em vosso auxílio; de esplendor e majestade o revestistes. 7Transformastes o seu nome numa bênção, e o cobristes de alegria em vossa face.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 2,13-17 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Sinótico)

Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia a seu encontro, e Jesus os ensinava. 14Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Levi se levantou e o seguiu. 15E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitos cobradores de impostos e pecadores também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos. Com efeito, eram muitos os que o seguiam. 16Alguns doutores da Lei, que eram fariseus, viram que Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: “Por que ele come com os cobradores de impostos e pecadores?” 17Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

Os bispos em Aparecida, falaram também dos convocados: “A vocação ao discipulado missionário é “con-vocação” à comunhão em sua Igreja. Não há discipulado sem comunhão. Diante da tentação, muito presente na cultura atual de ser cristãos sem Igreja e das novas buscas espirituais individualistas, afirmamos que a fé em Jesus Cristo nos chegou através da comunidade eclesial e ela “nos dá uma família, a família universal de Deus na Igreja Católica. A fé nos liberta do isolamento do eu, porque nos conduz à comunhão”. Isto significa que uma dimensão constitutiva do acontecimento cristão é o fato de pertencer a uma comunidade concreta na qual podemos viver uma experiência permanente de discipulado e de comunhão com os sucessores dos Apóstolos e com o Papa.” (DAp 156).
E eu me interrogo:
Como me sinto na casa de Deus, na Igreja?
Tenho garantida a minha paz e a felicidade pela aceitação de Jesus Cristo?

… a VERDADE …

Jesus não só perdoa os pecados, mas transforma o pecador. Levi, de explorador transformou-se em discípulo e apóstolo. Sendo chamado, Levi prontamente se levanta e “foi com ele”. Poderia não ter respondido e ficado como cobrador de impostos. O chamado que Jesus faz a Levi o transfere da escravidão do dinheiro à liberdade do seguimento. Os fariseus se incomodam porque Jesus vai com seus discípulos jantar na casa de Levi. À pergunta dos fariseus, Jesus responde dizendo que são os doentes que precisam de médico, não os que têm saúde. Por isso ele vai ao encontro dos pecadores. Bem diferente daqueles que censuravam e condenavam os pecadores. Levi passa a integrar a equipe dos apóstolos de Jesus.

… e a VIDA …

Pai, coloca-me, cada dia, no seguimento de Jesus, pois, assim, estarei no bom caminho que me conduz a ti.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vou observar Jesus que passa onde trabalho, por onde caminho, onde moro…

REFLEXÕES

JESUS SENTA-SE COM OS PECADORES

Marcos não registra longos discursos de Jesus, mas insiste em que Jesus ensinava as multidões e os discípulos. Ele ressalta mais a prática libertadora de Jesus, coerente com seus ensinamentos. O judaísmo era discriminatório não apenas do ponto de vista racial, mas também do ponto de vista social. Os pobres que, por suas condições precárias de vida, não cumpriam os preceitos legais de purificação eram qualificados como “pecadores” e relegados à exclusão. A mesa de refeição é um lugar de intimidade. As elites e os poderosos reúnem em torno de suas mesas seus sócios. Jesus, após chamar Levi, senta-se à mesa e come com ele e seus amigos publicanos e pecadores. É um gesto concreto de inversão dos valores e dos critérios das sociedades em geral, nas quais os poderosos excluem os pequenos, explorados e empobrecidos, e associam-se a seus comparsas de mesmo nível econômico e social. A mesa de Jesus e de seus discípulos é a mesa dos pobres e dos excluídos.

SEGUE-ME!

A vocação de Levi revela a liberdade com que Jesus escolhia seus discípulos. Ele não se deixava levar por preconceitos. Seu modo de agir pautava-se por parâmetros desconhecidos. Eram os parâmetros de Deus.
Quem haveria de pensar que um cobrador de impostos pudesse se converter em discípulo de Jesus?
Sua profissão tornava-o desprezível. Tidos como colaboradores dos opressores romanos e exploradores do povo judeu, os cobradores de impostos eram tidos como pecadores. E como tal deveriam ser tratados.
O que se poderia esperar deles, uma vez que, descaradamente, assumiam o papel odioso de traidores?
Jesus, porém, não pensou assim, e ordenou a Lei que deixasse sua banca de arrecadação e o seguisse. Para espanto de todos, a ordem foi imediatamente cumprida. E o publicano tornou-se discípulo de Jesus, passando a compartilhar sua vida e missão. As rupturas exigidas pelo discipulado não o intimidaram. Ele teria, pela frente, uma vida de pobreza, de contínuos deslocamentos em função do Reino, de total abnegação no serviço aos mais pobres e sofredores, de cansaços e fadigas. Tudo muito diferente da vida cômoda e abastada que levava.
Embora, num primeiro momento, não fosse capaz de perceber toda a densidade de sua decisão, Levi levantou-se e pôs a seguir Jesus. É a atitude típica de quem se sente chamado a seguir o Mestre.

LEVI SEGUE JESUS

Ser coletor de impostos na época de Jesus era ser um pecador profissional. Por isso, a escolha de Levi, ou Mateus, para ser discípulo de Jesus e ir comer na casa dele com os outros cobradores de impostos e pecadores, significava que Jesus comungava com eles, o que era muito grave. No entanto, esse fato nos mostra que Jesus veio para nos mostrar o amor misericordioso de Deus, que havia dito pelo profeta que não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva e que Deus quer que todas as pessoas participem do banquete do Reino definitivo.

E, LEVANTANDO-SE, ELE SEGUIU JESUS

Meu bem-amado Redentor, eis o meu coração, que integralmente Te dou; já não é meu, mas Teu. Ao entrares no mundo, ao Pai Eterno ofereceste e deste toda a Tua vontade, como nos ensinas pela boca de David: “No livro da Lei está escrito aquilo que devo fazer. Esse é o meu desejo, ó meu Deus” (Sl 39,8-9). De igual modo, meu bem-amado Salvador, ofereço-Te hoje toda a minha vontade. Outrora foi-Te rebelde, e eu ofendia-Te através dela. Hoje, lamento de todo o coração aquilo em que a despendi, os imensos erros que miseravelmente me privaram da Tua amizade. De tudo isso me arrependo profundamente, e sem reservas a Ti consagro esta vontade.
“Que hei-de fazer, Senhor?” (At 22.10). Senhor, diz-me o que queres de mim: estou pronto a fazer tudo o que desejares. Dispõe de mim e do que me pertence como Te agradar: tudo aceitarei, tudo consentirei. Sei que procuras para mim o maior dos bens: “Nas Tuas mãos entrego o meu espírito” (Sl 30,6). Ajuda, por misericórdia, este espírito, conserva-o, faz que ele seja sempre Teu e só Teu, pois Tu “resgataste-o, Senhor, Deus verdadeiro”, pelo preço do Teu sangue (Sl 30,6).

EU NÃO VIM PARA CHAMAR JUSTOS, MAS SIM PECADORES

Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores.
Este Evangelho nos trás três coisas:
1) A vocação de Levi, que é o Apóstolo e evangelista S. Mateus.
2) Escândalo e crítica dos doutores da Lei por Jesus comer junto com pessoas de má fama.
3) A resposta explicativa de Jesus.
Os doutores da Lei eram como os nossos atuais catequistas. Eles seguiam as tradições farisaicas e sempre criticavam Jesus, porque ele não as seguia. Eles se julgavam os donos da fé do povo, e não servos, como devia ser. Jesus foi ousado, porque convidou para ser Apóstolo um pecador público, no pensar dos doutores da Lei e dos fariseus.
O cobrador de impostos era, entre os judeus, uma pessoa banida religiosa e socialmente, por colaborar com um governo estrangeiro e por ter as mãos manchadas com o dinheiro sujo, fruto do suborno, da extorsão e da usura. Como viviam em “estado de pecado”, eram considerados excluídos da salvação de Deus e sem possibilidade de conversão.
Além dos cobradores de impostos, também as prostitutas, os bandidos e os leprosos eram considerados pecadores públicos e banidos da sociedade judaica. Era justamente no meio dessa turma que Jesus vivia. E ele explica: não veio para chamar os justos, mas sim os pecadores. Mas esta atitude de Jesus batia de frente com o pensar da elite religiosa e social do seu país. “Por que ele come com cobradores de impostos e pecadores”?
Jesus ouviu a reclamação feita aos discípulos e deu a resposta clara, que é um dos princípios básicos da religião que ele veio fundar: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas sim as doentes”. A Comunidade cristã não pode tornar-se um grupo fechado em si mesmo. É preciso abrir as janelas para ver os que mais precisam da graça de Cristo, e depois abrir as portas para ir ao encontro deles. Pois “Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.
A palavra “justos” aqui tem um sentido irônico. São aqueles que se julgam perfeitos, e por isso se negam a fazer qualquer mudança de comportamento. Uma pessoa assim não abre o coração para a Palavra de Deus, pois Deus não tem mais nada a dizer a ela, já chegou ao topo da montanha da vida cristã. São pessoas que “engolem um camelo e pensam que é um mosquito”.
Como é bom reconhecer os próprios pecados, e em seguida acreditar na misericórdia de Deus, que ama os pecadores! “O justo cai sete vezes por dia”. O que acontece conosco é que não temos o costume de, à noite, procurar descobrir os pecados que cometemos durante o dia, por pequenos que sejam, e nos arrepender deles. Todo pecado é pecado, independente do tamanho, se é grande ou pequeno.
Cristo desce até o mundo dos pecadores, não para ficar ali, mas para subir com eles na libertação do pecador, mostrando que Deus o ama, e ama muito.
Para entrarmos no Reino de Deus, fundado por Jesus, precisamos ser como Deus Pai, que manda o sol e a chuva sobre todos, maus e bons, juntos e injustos. Precisamos libertar-nos dos preconceitos de classe, de cor, de raça ou de qualquer outro. Que deixemos de dividir o povo entre bons e maus, entre os que podemos cumprimentar e os que não podemos, entre os que devemos amar e os que não devemos. Que aprendamos que todo ser humano, no fundo, é bom, porque foi criado por Deus. E é esse “fundo bom” que devemos olhar em primeiro lugar nas pessoas.
Como é bom ser misericordioso, isto é, amar uma pessoa que vive de forma errada! Não amamos o erro, mas a pessoa. Afinal, nós também somos pecadores. Um dia Jesus reclamou daqueles que veem um cisco no olho do irmão, e não veem a trave no próprio olho. Se olharmos sinceramente para nós mesmos, com certeza seremos mais misericordiosos para com os que erram.
Certa vez, um menino visitava sua tia, e esta o repreendeu por contar uma mentira. A tia o advertiu:
— Você sabe o que acontece com meninos que dizem mentiras?
— Não, tia. O que acontece?, – ele perguntou.
— Bem, – disse ela, – existe um homem que mora na lua, de cor esverdeada, que tem só um olho, que desce no meio da noite e voa de volta para a lua levando os meninos que dizem mentiras. Lá eles são espancados com varas pelo resto de sua vida. Você ainda dirá mentiras?
Aí está o grande erro daquela tia: querer motivar alguém a não dizer mentiras, através de uma mentira, e daquelas cabeludas!
Se quisermos condenar os pecadores, caímos no mesmo erro, porque também somos pecadores.
Maria Santíssima não exclui nenhum de nós, seus filhos e filhas, porque essa é uma virtude própria da mãe. Pelo contrário, os que levam vida errada são os que mais estão presentes nas orações e preocupações da mãe. Que nossa Mãe Maria nos ajude a imitar o seu Filho.
Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores.

EU NÃO VIM PARA CHAMAR JUSTOS, MAS SIM PECADORES

Quantas pessoas doentes da alma, só precisam saber que são amados, para mudar de vida! E quantos de nós, ao invés de tornamos ponte para que estas pessoas se curem de seus males, contribuímos para que elas se percam cada vez mais!
Todas as vezes que destacamos somente o ponto fraco de alguém, desprezando alguma qualidade sua, é sinal de que ainda não aprendemos a olhar o irmão com o olhar misericordioso de Jesus! Temos a tendência de julgar o outro pela sua aparência, pelo tipo de trabalho que exerce, pelos lugares que frequenta, não enxergamos a pessoa na sua essência!
Jesus, ao contrário de nós, enxerga a “pessoa”, não o seu defeito! A divisão que para nós é clara entre o bem e o mal, não existe para Jesus, para Ele, estar em pecado, é estar doente e o que um doente necessita, não é de um juiz e sim de um médico! Uma vez curada a doença, a pessoa se torna íntegra!
Todos nós podemos ser médicos de almas!
Deus tem um projeto de vida plena oferecida gratuitamente a toda a humanidade. A salvação é dom de Deus, não é algo que podemos exigir. Todos são chamados a fazer parte do Seu Reino! Enganamos, quando pensamos que o convite seja feito só para os bons, os que já estão cumprindo os mandamentos de Deus!
O chamado de Jesus é extensivo a todos, sem nenhuma distinção, Ele chama bons e maus, o que vale para Ele, é a resposta que se dá ao Seu chamado.
No coração daquele, que aceita o chamado de Jesus, já houve transformação, pois ninguém aceita o chamado de Jesus, sem está disposto a mudar!
O evangelho de hoje, narra o encontro de Jesus com um cobrador de imposto, considerado pelos judeus como pecador: “Jesus viu Levi sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me”!” Jesus viu o homem e não o seu pecado!
E Levi (Mateus), por sua vez, ao ser convidado a deixar tudo para seguir Jesus, não hesitou em colocar em segundo plano a sua vida pessoal, abandonando todos o seus projetos, nos quais ele apostava nos bens matérias, bens, que sabemos que eram adquiridos através da exploração contra o povo.
A resposta decisiva e radical de Levi, deve ser também a nossa resposta ao chamado de Deus! Não podemos hesitar, pedir tempo para responder ao seu chamado, como muitas vezes fazemos, por não conseguirmos libertar dos nossos apegos.
Na época de Jesus, os cobradores de impostos sofriam todo tipo de exclusão, não eram aceitos pelo povo, eram considerados impuros por parte das autoridades religiosas judaicas. Por este motivo os fariseus se escandalizaram quando Jesus chamou Levi (Mateus) para segui-lo e mais ainda, quando Ele vai à sua casa e senta-se à mesa com ele e com muitos outros cobradores de impostos.
Para Jesus, o que é decisivo, não é o cumprimento de leis, de regras e sim, o estar disposto a aceitar a proposta de salvação que é oferecida a todos.
Encantamos com as palavras de Jesus, mas quando algum de seus ensinamentos, toca em nossas feridas, exigindo de nós alguma mudança, as vezes procuramos um jeito de distorcer as suas palavras, dizendo que não é bem assim que Jesus quis nos dizer… Ou seja, analisamos as suas palavras do jeito que nos convém!
Quantas vezes, nos propomos a seguir Jesus, mas queremos seguir um Jesus bonzinho, que pensa como nós, que atenda todos as nossas reivindicações e quando percebemos que o seguimento a Jesus, é exigente, que inclui a cruz, que implica em mudança de vida, renuncias, desapegos, aí, as coisas mudam, procuramos mil desculpas para adiar a nosso seguimento a Ele com as célebres desculpas: quando eu terminar os estudos, quando os filhos crescerem, quando eu me aposentar e assim vamos adiando a nossa adesão a Jesus!
Jesus tem várias formas de nos chamar para fazer parte do Seu Reino!
Quando dizemos sim a Ele, abrem-se diante de nós, novos horizontes!
FIQUE NA PAZ DE JESUS!

EU NÃO VIM CHAMAR OS JUSTOS, MAS SIM, OS PECADORES

“Jesus andava com más companhias”

“Diga-me com quem andas e te direi quem és” – lembram-se deste provérbio?
Na minha infância cresci ouvindo exortações dos meus pais e educadores para que evitássemos as más companhias e até confessávamos isso ao Padre porque era considerado pecado.
Quando comecei a ter uso da razão e deparei com esse evangelho, comecei a achar que tinha algo de errado, ou com a nossa formação ou com Jesus. Estar junto as pessoas desqualificadas não significa aprovar suas atitudes erradas e nem compactuar com elas, nossos pais e educadores tinham medo de que a influência do mal presente na vida dessas “pessoas” rotuladas como más companhias, acabasse nos contaminando.
Mas… e o Bem presente em nós na Graça de Deus, será que não têm uma força para contagiar as pessoas com quem nos relacionamos?
Pois aí é que está o grande problema inclusive de hoje em dia. O mal influencia a vida dos cristãos e as comunidades. Jesus, o Filho de Deus, não teme o mal presente na vida das pessoas, pois foi exatamente para isso que ele veio, para combatê-lo e eliminá-lo para sempre. Jesus não só andou com as más companhias, foi mais longe e assumiu a fragilidade humana por amor a humanidade que estava sob o domínio do mal.
Nos dias de hoje não podemos mais pensar dessa maneira, pois como discípulos e missionários de Jesus, temos que ter mais fé em nosso “Taco” na poderosa Graça de Deus presente em nossa vida, no poder de Deus manifestado no Espírito Santo e assim sairmos do nosso ambiente sagrado e entrarmos sem medo naquilo que muitas vezes consideramos profano, confiantes de que em Cristo somos mais que vencedores.
A casa de um Publicano cobrador de impostos não tinha nada de sagrado, ao contrário, os amigos de Levi eram todos da mesma “laia” que ele, isso é, pecadores considerados irrecuperáveis diante de Deus e dos homens. Sem a menor cerimônia Jesus vai á sua casa, o evangelista não menciona de quem partiu o convite, pode ser que tenha sido Levi, feliz da vida por ter sido convidado a ser discípulo e por isso queria comemorar, mas também pode ser que tenha partido de Jesus que nesse sentido era meio “oferecido”, lembram-se da história do pequeno Zaqueuzinho?
O fato é que, quando se trata de salvar e oferecer as pessoas essa Vida totalmente Nova, Jesus de Nazaré faz de tudo e não está nem aí com certos preconceitos. Propõe, convida, chama, inclusive a “gentalha” que muitas vezes ainda continuamos a excluir em nossos tempos. Pensem um pouco… Quanta gente rotulada como má (só porque não pertencem ao nosso grupo, igreja ou comunidade) dando por aí um testemunho maravilhoso com palavras e atitudes á favor da vida…
E ao final da reflexão deixo essa perguntinha, no mínimo provocadora : Quem são os “Enfermos” dessa história?

LEVI LEVANTA-SE E SEGUE JESUS

Sabiamente o evangelista Marcos mostra para sua comunidade a unidade certeira daquele que segue Jesus. Ele é o espelho a ser seguido, pois sua prática não excluía ninguém. Pregava e ensinava o povo a viver de modo pacífico, ordeiro e acolhedor. Jesus não desfazia de seus irmãos porque sabia da missão que tinha assumido quando seu Pai O enviou. Contudo, por onde passava reunia o povo para um diálogo de fé e esclarecimento.
Os doutores da Lei não suportavam a simpatia de Jesus com os excluídos. Faziam comentários chulos para denegrir a pessoa do Homem honesto e acolhedor. Não perdiam tempo para ascender a ira do povo. Mas tudo saia ao contrário: o povo adorava estar com Jesus. Sentia-se bem e aprendia muitas coisas boas.
Os doutores da Lei não tinham simpatia com Jesus porque seus privilégios eram alvos de críticas. Para controlar a cultura popular a seu favor mostravam-se acima de todos com poderes divinizados. Somente eles, fariseus doutores e detentores do poder, eram os escolhidos para gerenciar a sociedade. Já o povo era pobre e sem instrução para o comando social. Deveria aceitar prazerosamente as determinações impostas.
Para deixar os doutores da Lei enraivecidos, não por gosto, mas pela prática, Jesus convida um cobrador de imposto. Seu nome era Levi. Estava trabalhando na coletaria a serviço dos poderosos. Um publicano não era bem visto, pois retirava aos poucos as reservas da classe menos favorecida. Levi aceita imediatamente o chamado e passa a conviver com Jesus.
Entretanto, Jesus quebra as regras mais uma vez ao entrar na casa de um rejeitado e miserável. Para mostrar sua compaixão e apreço pela missão Jesus põe-se a mesa e faz a refeição envolta dos marginalizados cobradores de imposto, na casa de Levi, e pessoas abandonadas pelo poder.
Os homens sabidos repudiaram Jesus pela atitude e chegaram a falar com os discípulos: por que Jesus come e bebe junto com cobradores de impostos e pecadores?
No ponto de vista e pela Lei que seguiam os fariseus isto não poderia acontecer, pois ficaria impuro como eles. Os fariseus doutores esquivavam-se desta atitude e condenavam Jesus. Todavia, a resposta de Jesus foi magnífica: as pessoas que têm saúde não precisam de médicos, mas só as que estão doentes. Eu não vim para chamar justos, e sim pecadores. Jesus mostrou que era um verdadeiro pastor que zelava pelas ovelhas com carinhos.
Jesus também mostrou para a sociedade que as Leis criadas pelos homens são hipócritas, pois não leva o homem a salvação, leva sim a destruição e a avareza da humanidade. O gesto concreto vale mais do que regras e normas abstratas, assim os gestos aproximam o homem da marginalidade e ensina-o a ser solidário; enquanto que as normas abstratas impõem a divisão e o distanciamento do homem, isolando-o do convívio social.
Este Evangelho de Marcos nos trás lições de modo de agir. Vivemos numa sociedade sob tensões e leis para serem cumpridas. Mas o que sentimos é a rejeição pelos pobres. Para estes ficam as sobras: educação sem criticidade e sem desempenho funcional, saúde com péssimo atendimento com pacientes abandonados nos corredores da morte, segurança que não funciona deixando o povo vulnerável a própria sorte, lazer que na existe a não ser nas rodas de funk, bares; habitação sem conforto, às vezes, lugarejo para pernoitar por uns dias ou para sempre, estradas comprometidas para a trafegabilidade e assim por diante. As sobras são dadas para acalentar por uns tempos e mantê-los no comando da nação.
Temos o dever de denunciar todas estas e outras truculências sociais. A sociedade deve atender a todos com o mesmo privilegio. Sentar à mesma mesa, fazer a mesma refeição e caminhar na mesma estrada. Quando isto estiver acontecendo é sinal de que a proposta de Jesus não foi em vão. Ela tem seu valor que fundamenta na harmonia coletiva voltada para os filhos de Deus. Amém. Felicidades.

EU NÃO VIM PARA CHAMAR JUSTOS, MAS SIM PECADORES

Este Evangelho narra a vocação do Apóstolo e Evangelista S. Mateus, que era chamado também de Levi. Além da generosidade e prontidão em acolher o chamado, Mateus mostrou a sua alegria, convidando Jesus e sua comitiva para uma refeição em sua casa.
E havia na comitiva de Jesus muitos cobradores de impostos, que os fariseus consideravam impuros porque tocavam em moeda estrangeira, e consideravam também traidores do povo, porque eram judeus que trabalhavam para o império romano.
Havia também muitos “pecadores”: pessoas pobres que não conseguiam comprar determinados animais e oferecê-los no Templo para a purificação de seus pecados. Esses pecados eram desobediência à Torá, o livro das prescrições religiosas judaicas. Jesus não excluía essa gente, por isso elas o seguiam com alegria.
Mas os doutores da Lei protestaram: “Por que ele come com cobradores de impostos e pecadores?” Doutores da Lei eram como os nossos atuais catequistas das Comunidades. Eles eram entendidos em coisas de religião, e admiravam a doutrina de Jesus, por isso gostavam de ouvi-lo, mas não se atreviam a considerar-se discípulos dele. Jesus explicou: “Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.
Jesus várias vezes criticou essas leis que olhavam apenas o lado externo e não o coração da pessoa. E ele não as seguia, pelo contrário, dava preferência às pessoas marginalizadas pela sociedade do seu tempo. Imagine Jesus no meio dessa gente! E ainda tomando refeição, o que significa união e amizade!
Para entrar na Família de Deus, temos de empregar alguns meios, que talvez custem, mas estão facilmente ao nosso alcance. O primeiro é libertar-nos do preconceito de classe. Que deixemos de dividir o povo entre bons e maus, entre os que podemos cumprimentar e os que não podemos, entre os que devemos amar e os que não devemos. Que aprendamos que Deus não odeia nem os ricos, nem os mal educados, nem os de esquerda ou de direita, e que seu plano misericordioso contempla a salvação de todos e todas.
As nossas Comunidades são chamadas a continuar essa atitude de Jesus, de não ter preconceito de ninguém, acolher a todos e todas, especialmente os excluídos. “Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.
Como é bom ser misericordioso, isto é, amar uma pessoa que vive de forma errada! Não amamos o erro, mas a pessoa.
Afinal, nós também somos pecadores. Um dia Jesus reclamou daqueles que veem um cisco no olho do irmão, e não veem a trave no próprio olho. Se olharmos sinceramente para nós mesmos, com certeza seremos mais misericordiosos para com os que erram.
Certa vez, um grupo de rãs estava pulando distraidamente num campo, e caíram numa cisterna velha. Pronto, não conseguiram mais sair dali. Como havia água no fundo da cisterna, elas não morreram.
Com o passar do tempo, elas se reproduziram e contaram a história para seus filhotes: “Nós estamos aqui porque caímos. Existe, lá fora, um mundo muito mais bonito. Tem sol, flores, borboletas, centopeias”…
Entretanto, quando elas morreram, e os seus filhotes foram contar para seus filhos, estes já não acreditaram muito. Pensavam que aquilo era uma invenção, uma fantasia. O mundo era mesmo redondo e escuro, exatamente como o fundo da cisterna.
E assim, com o passar das gerações, aquelas histórias viraram contos de fadas.
Muitas vezes, acontece algo semelhante em relação à Redenção. As pessoas falam: “Felicidade não existe. O mundo é triste mesmo, só tem mentira, corrupção e violência”!
Falam isso porque não conhecem aquele outro mundo que Adão e Eva perderam e que Jesus recuperou para nós. É um mundo mais bonito, e possível de ser construído, porque está presente nas Comunidades cristãs. Basta acreditar no sonho e fazê-lo virar realidade. “A fé é a demonstração de realidades que não se veem” (Hb 11,1).
Precisamos, como Jesus, ir atrás das pessoas que estão mergulhadas no pecado, e convidá-las para esse novo mundo.
A mãe não exclui nenhum filho, e se preocupa mais com os afastados, rebeldes e problemáticos. Que ela nos ajude a imitar o seu Filho.
Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores.

NÃO VIM CHAMAR OS JUSTOS

Nós, leitores e estudiosos das Sagradas Escrituras, sabemos que os cobradores de impostos eram considerados pessoas corruptas naquela época de Jesus Cristo. E era considerado ilícito, imoral, um judeu se relacionar com uma gente daquela laia, como diziam.
No entanto, Jesus Cristo estava sempre na contramão, defendendo e despendendo o seu tempo aos mais pobres e necessitados, entre os quais se inseriam os cobradores de impostos: marginalizados e excluídos socialmente.
Jesus acreditava no ser humano e na sua capacidade de conversão, principalmente quando lhe dispensavam cuidado e amor. “Quem não melhora a sua autoestima quando lhe devolvem a dignidade?” Nem precisamos questionar sobre isso.
Aproveito usar de uma frase retirada da internet que diz: “Deus cuide de meus amigos, que dos meus inimigos cuido eu.” Oras! Se temos inimigos estamos sempre alertas com as suas palavras e atitudes, logo somos vigilantes com nossos adversários.
Entretanto, não ficamos preocupados com os amigos, porque confiamos que eles nos querem o bem. Não sentimos, pois, necessidade de vigiar.
O mesmo acontece com Jesus Cristo que entende que as pessoas sãs não precisam de remédios, nem de médicos para consultá-las, diagnosticá-las e medicá-las. De médicos precisam os doentes!
Era assim que Jesus Cristo sentia e agia diante das mais obscuras situações. Ele era o médico que curava, libertava, perdoava, devolvia a dignidade aos homens perseguidos e considerados os “parias” da sociedade. Na verdade, ele convidava e propiciava aos irmãos, indistintamente, momentos de oração, reflexão, cuidado e amor, com poder e autoridade do Pai, levando-os à conversão.
E nós, irmãos e irmãs, também pensamos e agimos assim como Jesus Cristo? Ou, ao contrário, batemos no peito que somos justos e por isso jogamos pedra no outro, condenamos os pecadores… Julgamos!
Que este período da quaresma seja, na vida de cada um de nós, quarenta dias de caminhada profícua, propiciando a caridade, a oração, o jejum, e culminando com a nossa conversão a Deus, através do sopro do Espírito Santo em nossas vidas. Amém!
Fraternos abraços.

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Com Jesus a Igreja deve aprender que não pode cuidar apenas de seus fiéis, mas precisa ir em busca dos pecadores, dos pobres, dos excluídos da sociedade.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

As autoridades constituídas tem a missão de estar a serviço do povo para libertá-lo de suas misérias e fraquezas.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. O Espírito do Senhor repousa sobre mim e enviou-me a anunciar aos pobres o evangelho (Lc 4,18)

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Ergamos os nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno.

Antífona da comunhão

Eu vim para que tenham a vida e a tenham cada vez mais, diz o Senhor (Jo 10,10).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Ouvi nossa oração, ó Senhor.
— Para que o papa, os bispos, padres e diáconos deem exemplo de doação ao evangelho, rezemos.
— Para que os que anunciam a palavra de Deus sejam também praticantes dela, rezemos.
— Para que as famílias se empenhem no cultivo da paz e da harmonia, rezemos.
— Para que as comunidades eclesiais de base animem a vida de toda a Igreja, rezemos.
— Para que, com carinho e diálogo, saibamos direcionar as pessoas para o projeto de Jesus, rezemos.

Oração sobre as oferendas

Possa agradar-vos, ó Deus, a oferenda do vosso povo; que ela nos obtenha a santificação e o que confiantes vos pedimos. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Deus todo-poderoso, que refazeis as nossas forças pelos vossos sacramentos, nós suplicamos a graça de vos servir por uma vida que vos agrade. Por Cristo, nosso Senhor.

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