LDP: 15/JAN/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

15/Jan/2012 (domingo)

LEITURAS

1 Samuel 3,3b-10.19 (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Históricos)

Naqueles dias, 3bSamuel estava dormindo no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4Então o Senhor chamou: “Samuel, Samuel!” Ele respondeu: “Estou aqui”. 5E correu para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli respondeu: “Eu não te chamei. Volta a dormir!” E ele foi deitar-se. 6O Senhor chamou de novo: “Samuel, Samuel!” E Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Ele respondeu: “Não te chamei, meu filho. Volta a dormir!” 7Samuel ainda não conhecia o Senhor, pois, até então, a palavra do Senhor não se lhe tinha manifestado. 8O Senhor chamou pela terceira vez: “Samuel, Samuel!” Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli compreendeu que era o Senhor que estava chamando o menino. 9Então disse a Samuel: “Volta a deitar-te e, se alguém te chamar, responderás: ‘Senhor, fala, que teu servo escuta!’” E Samuel voltou ao seu lugar para dormir.    10O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: “Samuel, Samuel!” E ele respondeu: “Fala, que teu servo escuta”. 19Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras.

Salmo 40(39),2.4a.7-10 (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

— Eu disse: “Eis que venho, Senhor!” / Com prazer faço a vossa vontade.
2Esperando, esperei no Senhor,/ e, inclinando-se, ouviu meu clamor./ 4aCanto novo ele pôs em meus lábios,/ um poema em louvor ao Senhor.
7Sacrifício e oblação não quisestes,/ mas abristes, Senhor, meus ouvidos;/ não pedistes ofertas nem vítimas,/ holocaustos por nossos pecados.
8E então eu vos disse: “Eis que venho!” / Sobre mim está escrito no livro: / 9“Com prazer faço a vossa vontade,/ guardo em meu coração vossa lei”!
10Boas-novas de vossa justiça/ anunciarei numa grande assembleia;/ vós sabeis: não fechei os meus lábios!

1 Coríntios 6,13c-15a.17-20 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Cartas ou Epístolas de são Paulo)

Irmãos: 13cO corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo; 14e Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também a nós, pelo seu poder. 15aPorventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? 17Quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito. 18Fugi da imoralidade. Em geral, qualquer pecado que uma pessoa venha a cometer fica fora do seu corpo. Mas o fornicador peca contra seu próprio corpo. 19Ou ignorais que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que mora em vós e que vos é dado por Deus? E, portanto, ignorais também que vós não pertenceis a vós mesmos? 20De fato, fostes comprados, e por preço muito alto. Então, glorificai a Deus com o vosso corpo.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são João 1,35-42 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Não Sinótico)

Naquele tempo, 35João estava de novo com dois de seus discípulos 36e, vendo Jesus passar, disse: “Eis o Cordeiro de Deus!” 37Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. 38Voltando-se para eles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: “O que estais procurando?” Eles disseram: “Rabi (o que quer dizer: Mestre), onde moras?” Jesus respondeu: “Vinde ver”. Foram pois ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele. Era por volta das quatro da tarde. 40André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram a palavra de João e seguiram Jesus. 41Ele foi encontrar primeiro seu irmão Simão e lhe disse: “Encontramos o Messias” (que quer dizer: Cristo). 42Então André conduziu Simão a Jesus. Jesus olhou bem para ele e disse: “Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas” (que quer dizer: Pedra).

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

Quais outros textos este me recorda?
Qual palavra mais me toca o coração?
Costumo reservar tempo para estar com Jesus?
O Mestre começa seu círculo de colaboradores. E, até hoje, a Igreja continua convidando, convocando, enviando discípulos e missionários. Disseram os bispos, em Aparecida: “Nestes últimos tempos, Deus nos tem falado por meio de Jesus seu Filho (Hb 1,1ss), com quem chega à plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4). Deus, que é Santo e nos ama, nos chama por meio de Jesus a ser santos (cf. Ef 1,4-5).” (DAp 130).
Como me encontro nesta missão?
Tenho a missão de ser santo ou santa, qualquer que seja minha vocação: leiga, religiosa ou para o ministério sacerdotal.
Como vivo este chamado?

… a VERDADE …

Leio atentamente, na minha Bíblia, Jo 1,35-42.
João indica a dois de seus discípulos o Cordeiro de Deus. É Jesus que está passando e os discípulos o seguem querendo saber onde ele morava. Jesus os convida a virem com Ele. Eles foram e ficaram com o Mestre o dia todo. Jesus os quer tornar testemunhas do que veem. O Evangelho diz que eram 4 horas da tarde. Quase final do dia. Um dos discípulos era André que, ao encontrar seu irmão Simão Pedro lhe diz: “Encontramos o Messias”. Mais ainda: o apresenta a Jesus. Simão ganha, então, o nome de Cefas que quer dizer “pedra”.

… e a VIDA …

Pai, faze-me permanecer sempre junto a teu Filho Jesus, enviado por ti para realizar todas as nossas esperanças de salvação.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vou testemunhar pela vida meus encontros com o Mestre.

REFLEXÕES

VINDE E VEDE

Nos evangelhos pode-se perceber a íntima relação entre o anúncio de João Batista e o anúncio de Jesus que assume o caminho aberto pelo Batista, completando-o, como o caminho para a vida eterna em Deus. Nesta narrativa do evangelho de João, a própria formação do discipulado em torno de Jesus se inicia entre os discípulos de João Batista.
Para os três primeiros discípulos não há um chamado explícito, de forma sumária, como aparece nas narrativas de Marcos e Mateus. Nestas, às margens do Mar da Galileia, Jesus chama os discípulos que pescavam: “Segui-me…”. Em João, a experiência do convívio com Jesus é que estabelece o vínculo do discipulado e leva cada discípulo a comunicá-la a outros. O breve diálogo que se estabelece é revelador: “Que procurais?”… “Mestre, onde moras?”… “Vinde e vede!”. É o encontro com Jesus “onde ele mora”, isto é, na intimidade, na sua simplicidade e no seu acolhimento. Firma-se assim a vocação destes discípulos que vão comunicá-lo a Pedro, que se faz também seguidor de Jesus. A adesão a Jesus, Filho de Deus encarnado entre nós, se dá a partir de relações pessoais, em um processo comunitário. Este processo se diferencia das tradicionais vocações do Antigo Testamento, onde chamado de Deus é feito em visões ou aparições individuais. Neste modelo antigo temos, por exemplo, o chamado de Samuel (primeira leitura), consagrado ao santuário de Silo, sob os cuidados do sacerdote Eli. Na segunda leitura, Paulo usa as imagens dos membros do corpo e do templo para afirmar a unidade de todos em Cristo, e a santidade do corpo. Pertencer a Cristo, ser membro de Cristo, é ser membro da comunidade. A referência feita à prostituição tem em vista rejeitar a prostituição sagrada associada à deusa Afrodite, amplamente difundida em Corinto. Ser membro de Cristo é ser membro comprometido com a comunidade, de corpo e espírito. A importância e a dignidade da corporeidade resultam da encarnação do Filho de Deus, pela qual o corpo, como mediador da solidariedade e da prática da justiça, é assumido na divindade.

VINDE E VEDE!

O modo como se dava o discipulado de Jesus era muito distinto daquele dos rabinos. Na tradição rabínica, o discípulo escolhia seu mestre e por este era instruído na arte de interpretar as Escrituras. Esta atividade de caráter intelectual desenvolvia-se numa escola onde o mestre distinguia-se pela excelência do saber e o discípulo, pelo desejo de conhecer.
O método adotado por Jesus consistia na transmissão de um modo de ser, mais do que uma ciência. Os discípulos não estavam confinados numa escola, mas se colocavam no seguimento do Mestre e aprendiam, ouvindo suas palavras e presenciando o que ele fazia em favor do povo. Este aprendizado existencial ia transformando a vida do discípulo, num processo paulatino de assimilação de tudo que o Mestre realizava.
O discipulado, neste caso, consistia num duplo movimento. “Vinde” indicava que o discipulado se dava pela iniciativa de Jesus que convocava para o seu seguimento. Era ele quem chamava. Cabia ao discípulo aceitar o convite. “Vede” supunha concentrar a atenção na pessoa de Jesus para captar os valores que regiam sua ação e deixar-se moldar por eles.
Os primeiros discípulos aceitaram o convite de Jesus, ficaram fascinados por ele, e saíram para partilhar com os irmãos a experiência deste encontro transformador. Quem quiser se fazer discípulo do Senhor deverá trilhar o mesmo caminho.

O QUE ESTAMOS PROCURANDO?

A vocação dos dois primeiros discípulos nasce do testemunho de João Batista. A partir daí, surge uma conscientização vocacional que envolve outras pessoas a partir do testemunho de quem esteve com o Senhor: André encontra seu irmão Simão Pedro e o apresenta a Jesus. Em seguida, é Filipe quem encontra Natanael e lhe fala de Jesus. Assim, a partir do testemunho de outros, o grupo dos colaboradores de Jesus Nazareno vai crescendo.
No Evangelho de João a vocação dos discípulos não se dá da mesma forma que nos outros Evangelhos. Nestes, Cristo chama pessoalmente e de forma direta. Em João, o seguimento de Jesus se dá porque algumas pessoas sabem quem Ele é e O comunicam a outros que, por sua vez, passam a fazer a mesma experiência.
O testemunho do Batista deve ter mudado completamente a vida dos dois discípulos. Vendo Jesus passar, ele diz: “Eis o Cordeiro de Deus”. João O chama dessa forma porque descobriu n’Ele o Cordeiro Pascal (cf. Ex 12) e o Servo sofredor (cf. Is 53), síntese das expectativas de libertação do passado atualizadas na pessoa de Jesus que passa. Os dois primeiros discípulos devem tomar a iniciativa, sem esperar que o Senhor os chame. Para eles, bastou o testemunho de João Batista de que Jesus é o libertador. A partir desse momento, descobrem que em Cristo está a resposta a todos os seus anseios. O Batista, por causa do testemunho, perde os discípulos. Estes, pela coragem da opção que fizeram, dão pleno sentido a suas vidas e passam a ser testemunhas para os outros.
No versículo 38 encontramos as primeiras palavras de Jesus no Evangelho de João: “O que vocês estão procurando?” Do início ao fim de nossas vidas estamos à procura de algo ou de alguém. Como discípulos, procuramos saber quem é Jesus. E Ele testa nossa sede, perguntando-nos o que estamos procurando. Essa pergunta, que aparece nos momentos cruciais do Evangelho de João, costuma se manifestar nas fases decisivas de nossa vida: “O que estamos procurando”?
A resposta dos discípulos é movida pelo desejo de comunhão: “Mestre, onde moras?” Os discípulos não estão interessados em teorias sobre Jesus. Querem, ao contrário, criar laços de intimidade com Ele: conhecê-Lo, ter amizade com Ele, acompanhá-Lo, saber onde Ele mora.
Para criar intimidade com Jesus é preciso partir e fazer experiência: “Venham ver!” E o resultado da experiência já aparece: “Então eles foram, e viram onde Jesus morava. E permaneceram com ele naquele dia”. O verbo permanecer é muito importante no Evangelho de João. Por ora os discípulos permanecem com Jesus. Mais adiante, o Mestre dirá: “Permaneçam em mim”. Permanecer com Jesus e com as pessoas é fácil. O difícil é permanecer n’Ele e nas pessoas. Só aí é que a comunhão será plena.
O Evangelho afirma que a experiência com Jesus valeu a pena: “Eram mais ou menos quatro horas da tarde”. Quatro horas da tarde, em linguagem simbólica, é o momento gostoso para o encontro ou a hora das opções acertadas. O passo dado por esses dois discípulos foi de ótima qualidade. Valeu a pena. Essa opção vai gerar frutos a seguir.
André era um dos discípulos que, diante do testemunho do Batista, seguiram a Jesus e fizeram a experiência das “quatro horas da tarde”. Só agora é que o evangelista revela o nome desse discípulo. O outro fica anônimo, podendo assumir o nome de cada um dos seguidores do Mestre. André significa homem (= ser humano).
Será que o evangelista quer insinuar que as pessoas só se tornam verdadeiramente humanas depois que fazem a experiência do Mestre?
Fato é que a experiência se converte em testemunho que arrasta: André leva Simão a Jesus, e Simão leva os ensinamentos Jesus às pessoas e assim por diante. O Evangelho mostra só um flash do testemunho de André. De fato, o v. 41 diz que “ele encontrou primeiro seu irmão”… Isso dá a entender que teria encontrado, em seguida, outras pessoas. André fala no plural: “Encontramos o Messias”. É uma experiência comunitária e progressiva de quem é Jesus. João Batista o apontara como o Cordeiro de Deus; os primeiros discípulos o chamam de Mestre; Pedro já fica sabendo que se trata do Messias.
Jesus pede que Simão Pedro encontre sua identidade: “Você é Simão, filho de João. Vai se chamar Cefas”. Para o povo da Bíblia, o nome é a identidade da pessoa. Simão será, no Evangelho de João, símbolo de toda pessoa em busca de identidade. Ele dará muitas cabeçadas ao longo desse Evangelho, até se encontrar consigo mesmo, com sua missão e com Jesus. Talvez o mesmo aconteça conosco. É necessário que nós passemos por tudo isso para que nos encontremos com nós mesmos e reconheçamos o Cristo que nos chama para a Sua missão!

EIS O CORDEIRO DE DEUS

“[João], ao ver Jesus, que se dirigia para ele, exclamou: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!’” (Jo 1,29). Já não é tempo de dizer: “Preparai o caminho do Senhor” (Mt 3,3), uma vez que Aquele para Quem o caminho estava a ser preparado Se deixa ver: de agora em diante, Ele oferece-Se ao nosso olhar. A natureza do acontecimento pede outra expressão; é preciso dar a conhecer Aquele que já lá está, explicar porque é que Ele desceu dos céus e veio até nós. É por isso que João declara: “Eis o Cordeiro de Deus”.
O profeta Isaías já no-Lo tinha anunciado, ao dizer que Ele era “como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador” (Is 53,7). A lei de Moisés tinha-O prefigurado, mas […] só previa uma salvação incompleta e a Sua misericórdia não se estendia a todos os homens. Ora, hoje, o verdadeiro Cordeiro, representado outrora pelos símbolos, a vítima sem culpa, é levada ao matadouro.
Foi para banir o pecado do mundo, expulsar o Exterminador da terra, destruir a morte, morrendo por todos, quebrar a maldição que nos afligia e pôr fim a estas palavras: “Tu és pó e ao pó voltarás” (Gn 3,19). Tornando-Se assim o segundo Adão, de origem celeste e não terrestre (cf. 1Co 15,47), Ele é a fonte de todo o bem para a humanidade […], o caminho que leva ao Reino dos céus. Pois um só Cordeiro morreu por todos, recuperando para Deus Pai todos os rebanhos que vivem na terra. “Um só morreu por todos” para a todos submeter a Deus; “um só morreu por todos” para ganhar a todos, para que, desde então, todos “os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Co 5,14-15).

RABI “MESTRE”, ONDE MORAS?

Hoje vemos a Jesus que vinha pela ribeira do Jordão: é Cristo que passa! Deveriam ser quatro horas da tarde quando, apercebendo-se que dois rapazes o seguiam, se virou para lhes perguntar: “Que procurais?” (Jo 1,38). E eles, surpreendidos com a pergunta, responderam: “Rabi, que quer dizer “Maestro”, onde vives?”. “Vinde e vede” (Jo 1,39).
Também eu sigo a Jesus, mas… o que quero?
O que procuro?
É ele quem o pergunta: “De verdade, o que queres”?
Oh!, Se eu fosse suficientemente audaz para lhe dizer: “Procuro-te a ti, Jesus”, com certeza já o teria encontrado, “pois todo aquele que busca, encontra”.
Mas, sou demasiado covarde e respondo-lhe com palavras que não me comprometem demasiado: “Onde vives”
Jesus não se conforma com a minha resposta, sabe muito bem que não é de um monte de palavras que necessito, mas de um amigo, o Amigo: Ele. Por isso diz-me: “Vem e verás”, “Vinde e vereis”.
João e André, os dois moços pescadores, foram com Ele, “viram onde vivia e ficaram com Ele aquele dia” (Jo 1,39). Entusiasmado pelo encontro, João escreverá: “A graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1,17b).
E André?
Correrá a procurar o seu irmão para lhe dar a conhecer: “Encontramos o Messias” (Jo 1,41). “Então, conduziu-o até Jesus, que lhe disse, olhando para ele: “Tu és Simão, filho de João. Tu te chamarás Cefas, que quer dizer “Pedra”” (Jo 1,42)”.
Pedro!, Simão, uma pedra?
Nenhum deles está preparado para compreender estas palavras. Não sabem que Jesus veio para levantar a sua Igreja com pedras vivas. Ele tem já escolhidos os primeiros silhares, João e André, e dispôs que Simão fosse a rocha em que todo o edifício se apoiará.
E antes de subir para o Pai, dá-nos a resposta à pergunta: “Rabi, onde vives?”. Bendizendo a sua Igreja dirá: “Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim dos tempos” (Mt 28,20).

EIS O CORDEIRO

1. Todos precisamos de bons guias, na nossa busca de Deus, que vem até nós, e Se nos revela em Jesus Cristo! Dissemo-lo, no domingo passado, a respeito dos Magos, que se deixaram guiar pela Estrela da Palavra, e procuraram alguns guias, que os encaminhassem ao encontro de Jesus. Mas também dissemos que só pode guiar e conduzir os outros, para fora de si mesmos, rumo a uma plenitude, que os faça crescer, “aquele que vive primeiro o caminho que propõe”! E citando Bento XVI concluíamos: para educar na fé, “já não bastam meros dispensadores de regras e informações; são necessárias testemunhas autênticas, que saibam ver mais longe do que os outros”. Na verdade, “a primeira e principal educação, vem através do testemunho”.
2. A Liturgia da Palavra, neste início do tempo comum, vai precisamente neste sentido. Ela apresentava-nos, desde logo, na primeira leitura, a figura simpática de Samuel, um acólito de serviço, que procurava escutar e compreender, responder e corresponder à voz do Senhor. Mas Samuel não foi capaz de o fazer, nem de uma vez, nem por si só. Precisou sobretudo da orientação sábia de Heli, o sacerdote, para poder discernir, com clareza, o timbre pessoal da voz, que o chamava. No Evangelho, a verdadeira testemunha da luz, que guia os próprios discípulos para Jesus, é João Batista. João foi um grande educador dos seus discípulos, precisamente porque os conduziu ao encontro com Jesus, do qual deu testemunho, na vida e na morte! João não se exaltou a si mesmo, não quis ter para si, ou prender a si, os discípulos. João também era um grande profeta, a sua fama era muito grande. Mas, quando Jesus chegou, ele colocou-se atrás, e indicou-o à frente: “Eis o Cordeiro de Deus”. “Os seus dois discípulos ouviram João dizer aquelas palavras e seguiram Jesus” (Jo.1,36). Na verdade, é pela indicação e pelo testemunho de João Batista, que os primeiros discípulos chegam a Jesus. Inicialmente, são talvez apenas curiosos admiradores, que veem Jesus passar, e vão atrás dele, mas depois tornam-se verdadeiros discípulos, que permanecem junto de Jesus, para O conhecer, amar e seguir pessoalmente. Mas, o que mais desejaria destacar deste fato, é que “o verdadeiro educador não prende as pessoas a si, não é possessivo! O educador quer que o seu filho, ou o seu discípulo, aprenda a conhecer a verdade, e estabeleça com ela um relacionamento pessoal”. O que se diz dos educadores da fé pode também dizer-se aos professores: “Não deveis atrair os estudantes para vós mesmos, mas encaminhá-los para essa verdade que todos procuramos” (Bento XVI).
3. Diríamos, assim, a partir do testemunho de Heli (o sacerdote, que se tornou verdadeiro guia espiritual de Samuel) e de João Batista, o indicador de Jesus, que o educador cristão “cumpre o seu dever até o fim; não permite que falte ao filho ou ao discípulo a sua presença atenta e fiel, mas o seu objetivo é que o educando escute a voz da verdade a falar ao seu coração e a siga, através de um caminho pessoal” (Bento XVI). Esse caminho pessoal é testemunhado por André e o outro discípulo: desafiados por Jesus: “vinde e vede, foram ver onde morava e ficaram com ele nesse dia” (Jo.1.38). Uma experiência tão marcante, tão pessoal e decisiva, que um deles, possivelmente o redator do texto, registou a hora: “eram quatro horas da tarde”! Assim se vê, que no princípio da fé, “ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, Jesus Cristo, que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (Bento XVI, D.C.E. 1).
4. Na verdade, só pode guiar os outros, quem se deixou encontrar por Jesus e fez d’Ele o seu caminho, verdade e vida. Por isso, André, o novo discípulo, chamado e encontrado por Jesus, torna-se também Ele guia, para seu irmão Simão. Ele diz-lhe: “Encontrámos o Messias. E levou-o a Jesus” (Jo.1,41-42). Diríamos então que todo o verdadeiro discípulo, chamado e agarrado por Cristo, se depressa se tornará, seu enviado ou missionário! Pois, “quem encontrou Cristo, não o pode guardar para si” (Bento XVI)!
5. Caríssimos educadores (pais e padrinhos, catequistas, dirigentes escutistas): “Educar é muito trabalhoso, às vezes é árduo, para as nossas capacidades humanas, sempre limitadas. Mas educar torna-se uma maravilhosa missão, se a cumprimos em colaboração com Deus, que é o primeiro e verdadeiro educador de todos”. Somos templo de Deus e somos habitados pelo Espírito Santo (cf. 2ª leitura). Ora, “é o Espírito Santo que dá testemunho” (I Jo 5,6).Esta certeza dá-nos “um grande conforto, no empenho de educar na fé, porque sabemos que não estamos sós, e que o nosso testemunho é sustentado pelo Espírito Santo (Jo 15, 26-27)” (Bento XVI). É muito importante para todos os que têm a missão de ser bons guias, “acreditar fortemente na presença e na ação do Espírito Santo, invocá-LO e acolhê-LO, mediante a oração e os Sacramentos. É Ele, de facto, que ilumina a mente e inflama o coração do educador, para que saiba transmitir o conhecimento e o amor de Jesus” (Bento XVI).
Não desanimeis nunca, na obra educativa da fé. Nisto mesmo vos ajudará o Senhor, que fará de vós, como fez de João Batista, testemunhas, que iluminam e guiam os outros, como uma lâmpada, que dá luz sem fazer ruído!

EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO

Caríssimos. Paulo nos adverte para que respeitemos a presença do Espírito Santo em nosso corpo. Devemos usar o nosso corpo para glorificar a Deus, e não para glorificar o diabo, fazendo o que ele nos manda, o pecado. Não sejamos imorais, e não vivamos segundo a carne, mais sim segundo o espírito. O sexo, maior prazer do ser humano, deve ser usado somente para a procriação, com amor, na idade certa, e com a pessoa certa. E não apenas e tão somente para se divertir. O fornicador é aquele que peca contra o seu próprio corpo, diz Paulo, o inspiradíssimo de Deus . O fornicador leva a outra pessoa também a pecar. Pagamos bem caro por um minuto de prazer. Na ânsia insaciável de obter o prazer pelo prazer, inevitavelmente acabamos por pagar muito caro, pois as consequências virão: doenças, infelicidades, aborrecimentos, filhos de gravidez indesejada para criar, assassinatos, entre outras desgraças que todos os dias aparecem nos noticiários. Somos rotulados de moralistas quando falamos nesse tom, quando abordamos essas verdades. Mas o fato é que por fechar os nossos olhos diante da pornografia e da imoralidade que está aí, é que certas coisas muito desagradáveis estão ocorrendo no meio de nós. Estamos nos referindo à pedofilia.
Com outras palavras, Paulo aqui está falando do dualismo corpo e alma. E nos mostra que os prazeres da carne podem prejudicar seriamente a paz do nosso espírito, ou o futuro da nossa alma. Jovens. Não vão com tanta sede ao pote. Vivam as suas vidas não somente para satisfazer os reclamos do corpo, mais pensem que o que vai perdurar eternamente não é a carne, mais sim a alma. Para confirmar isso, é só olhar em um idoso. Assim você vai perceber logo que o corpo vai se indo aos poucos até o último minuto final. Hoje, você está com todo o seu vigor físico. Amanhã será como aquele que já está indo embora aos poucos, morrendo diariamente, até o último suspiro. Portanto, sabemos que não é nada fácil, mais procure viver sempre na presença de Deus, para um dia merecer a Vida Eterna.
Aquele garanhão em sua juventude só queria desempenhar o seu papel de macho, só queria ser um homem. Hoje é um homem só. Abandonado pela mulher, largado pelos filhos que não vêm cumprimentá-lo nem nos dias dos pais, ele está terminando os seus dias na solidão. Está pagando o altíssimo preço pela sua devassidão, quando dizia: não existe mulher difícil, mais sim mulher mal cantada. Agora está arrependido de ter traído sua esposa e seus filhos. Ele esta só e abandonado por todos da família! Não seja você um desses. Seja fiel a Deus e à sua família, e só terá a lucrar com isso.
Uma união homem-mulher que se plasma apenas na satisfação do desejo sexual, tem os seus dias contados. Pois, uma vez terminada a força da juventude dos seus corpos, assim também acaba o interesse de um pelo outro. Porém, uma união baseada no verdadeiro amor, e abençoada pelo amor de Cristo através de seu representante na terra, é uma união que dura até que a morte os separa.
Respeitemos a mulher do próximo, não sejamos pedófilos, mas sim pessoas normais. Não adianta trocar de marido, não adianta trocar de mulher por causa dos seus defeitos. Lembre-se: não existe no mundo inteiro, uma pessoa sem defeito!
Mas você pode se arrepender enquanto é tempo, largar esta vida, reconciliar com a sua família, e voltar para Deus através de Jesus, pois Ele é o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.
Mas o que significa mesmo esta frase?
Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo?
É o seguinte: no Antigo testamento o povo de Deus, fazia sacrifícios chamados holocaustos, nos quais ele matavam e queimava animais, especialmente, cordeiro, para oferecer a Deus, pelo perdão de seus pecados. O cordeiro era o animal preferido, porque é único animal que morre quieto, sofre calado. Parecido com Jesus, que sofreu e morreu sem reclamar.
No Templo de Jerusalém havia a sala dos sacrifícios, onde vários tipos de animais desde pombinhas até bois, eram sacrificados, num verdadeiro desperdício, e oferecidos a Deus, enquanto os pobres passavam fome. Jesus não concordava com aquilo, é claro. Então Ele anuncia a Nova Aliança, o novo acordo entre Deus e o seu povo. Jesus disse: “Eu não quero sacrifício, e sim caridade” . Com isso Ele aboliu aquela prática da queima dos animais que dava muito lucro aos saduceus, e anuncia a si mesmo como o único e último Cordeiro a ser imolado, morto e oferecido a Deus pelo perdão dos nossos pecados.
Então, meu irmão, minha irmã. Se você está pensando em fazer um sacrifico pelo perdão dos seus pecados, está planejando caminhar descalço por 30 quilômetros pisando sobre as pedras, ou em subir o morro de joelhos, ou de ficar sem beber água por um dia, pode parar. Nada disso agrada a Deus. O que vai agradar a Deus é a caridade. Mate a fome do seu irmão, ou dê-lhe um dinheirinho para ele comprar o que precisa, e ofereça isso á Deus como sacrifício pelo perdão dos seus pecados.
Vem Cordeiro servo de Deus Pai, tirar os nossos pecados, purificar-nos das nossas culpas através do sacerdote deixado e enviado por vós. Vem Cordeiro imolado por nós, dar-nos forças para fugir de toda tentação, para combater o nosso egoísmo, pois queremos vos seguir, Senhor. Pois vós sois o nosso único Deus. E portanto, queremos seguir somente a vós e não a outros deuses ou mandamentos criados por seres humanos!
Amém.

EIS O CORDEIRO DE DEUS

Caríssimos em Cristo, após as santas festas do Tempo do Natal do Senhor, estamos iniciando o Tempo Comum. Terminada ontem a primeira semana deste tempo “verde”, entramos hoje no Segundo Domingo chamado Comum: comum do dia-a-dia, da vida miúda, vivida na presença do Senhor que está sempre presente na sua Igreja na potência do seu Espírito Santo, dando vigor à Palavra e eficácia aos sacramentos.
A Escritura que escutamos nesta Missa falou-nos de um Deus que chama, que entra na nossa vida e nos dirige o seu apelo. Foi assim com Samuel que, novinho, sequer sabia reconhecer a voz do Senhor; foi assim com os primeiros discípulos, traspassados pela palavra do Batista que, apresentando o Cordeiro de Deus, quase que forçava aqueles dois, André e Tiago, a seguirem Jesus. E lá vão eles: “Rabi, onde moras? Onde tens tua vida?” E Jesus os convida: “Vinde e vereis! Somente se tiverdes a coragem de virdes comigo, de comigo permanecerdes, podereis ver de verdade!” Não é impressionante, quase que inacreditável, caríssimos, que Deus nos conheça pelo nome, que o Senhor nos chame e nos queira parceiros seus no caminho da vida? E, no entanto, é assim! Também nós somos conhecidos pelo nome, nossos passos, nosso coração, nossa vida são conhecidos pelo Senhor… E ele nos chama com amor. A nós, que estamos procurando a felicidade e a realização na vida, o Senhor também dirige a pergunta: “O que estais procurando?” Vinde, caríssimos, fiquemos com o Senhor e encontraremos aquilo que nosso coração procura, aquilo que faz a vida valer a pena.
Mas, esse “estar com o Senhor”, esse “permanecer com ele”, que é o início da própria vida eterna já neste mundo, não pode se dar sem que realmente sejamos de Cristo, com todo o nosso ser, corpo e alma. Aqui aparece com toda clareza a urgência e atualidade da advertência de São Paulo, feita aos coríntios e a nós. Corinto era uma cidade particularmente devassa do Império Romano. E, como hoje, os cristãos eram tentados a “corintiar”, a entrarem na onda, achando tudo normal, moderno e compatível com a fé. O Apóstolo, em nome de Cristo, desmascara essa ilusão, tão comum entre os cristãos de hoje. Ouçamo-lo! É incômodo, é chato, mas é a Palavra de Deus, que nos ilumina, liberta e nos salva… Ouçamo-la! “O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo!” Eis cristão: teu corpo pertence ao teu Senhor Jesus Cristo que nele habita pela potência do seu Espírito Santo desde o dia do teu Batismo: “Porventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? Ou ignorais que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós e que vos é dado por Deus? E, portanto, ignorais que não pertenceis a vós mesmos? Então, glorificai a Deus em vosso corpo!” Compreende, cristão! Tu pertences a Cristo, tu és sagrado porque no Batismo foste consagrado pelo Espírito de Cristo que habita em ti! Teu corpo foi lavado pela água, símbolo do Santo Espírito, foi ungido pelo óleo batismal, sinal da graça de Cristo, foi untado pelo santo Crisma, sinal da força e da energia do Espírito de Cristo; teu corpo foi alimentado com o Corpo do Senhor… Teu corpo é sagrado, cristão, teu corpo é santo, teu corpo pertence ao Senhor! “Portanto, ignorais que não pertenceis a vós mesmos? Então, glorificai a Deus em vosso corpo!” Solteiro ou casado, todos nós temos o dever sagrado, o dever de amor de fugir da imoralidade! À medida que o paganismo avança, perde-se o sentido cristão do corpo e da sexualidade! Tem-se a ideia que o corpo é para o prazer, para a satisfação da libido; pensa-se que o corpo é uma coisa, um objeto de prazer, que a bel prazer pode ser usado… Isso pensam os pagãos, isso vivem os pagãos. Nós sabemos que não é assim: “O corpo é para o Senhor e o Senhor é para o corpo…” para este corpo, que será ressuscitado para a glória de Cristo!
Eis, caríssimos em Cristo, os pecados de hoje: a impureza (ou seja a busca do prazer solitário e de atos e pensamentos sensuais que aguçam propositalmente o erotismo), a fornicação (isto é, o ato sexual antes do casamento com pessoas do mesmo ou do outro sexo) o adultério (ou seja, a relação fora do casamento). Nunca deveremos esquecer qual a verdade do Evangelho: o ato sexual somente é santo, responsável, bendito e plenamente agradável a Deus no casamento. Fora dele, é sempre um pecado – e esta regra não conhece nenhuma exceção! E mais: a vida sexual do casal deve ser santa. Como diz a Palavra do Senhor: “O matrimônio seja honrado por todos, e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros” (Hb. 13,4).
Caríssimos, o modo que os cristãos têm de vivenciar a sexualidade não pode ser o modo dos pagãos. Eles seguem seus caprichos, suas paixões… Nós, mesmo frágeis, mesmo com nossos instintos e tendências muitas vezes desordenadas, por amor do Cristo que nos amou, temos o dever de lutar para colocar nossa sexualidade debaixo do senhorio de Cristo! Esse senhorio é mistério de cruz, mas também de ressurreição. Nós, que somos um só corpo com o Senhor pelo Batismo e a Eucaristia, nós que pelo Espírito Santo nos tornamos uma só coisa com o Senhor, de corpo e alma, não podemos pensar e viver nossa sexualidade como os pagãos! Então, jovem solteiro, jovem solteira, tua vida sexual, teu namoro, devem ser vividos à luz do Senhor Jesus! Casados cristãos, vossa vida conjugal não deve ser como a dos pagãos, sujeita e ditada simplesmente pela libido… Vossa sexualidade deve ser vivida na luz do Senhor! Homossexual cristão, vive tua tendência de modo cristão, lutando para seres casto, recorrendo à oração, completando corajosamente na carne da tua vida e da tua luta, aquilo que falta à paixão do Cristo. Procura viver dignamente, procura acompanhamento espiritual e coloca em Cristo a tua esperança e a tua alegria. Solteiro cristão, vive tua sexualidade na castidade e na continência por amor a Cristo! Padre, religioso, religiosa, tem coragem e generosidade para viveres o que prometeste a Cristo diante de toda a Igreja reunida no dia da tua profissão religiosa ou da tua ordenação sacerdotal! O Senhor nos pedirá contas, a todos nós! Ninguém está acima da Palavra, ninguém está acima do juízo do Cristo Jesus!
Talvez, caríssimos, alguns de vocês pensem como os judeus pensaram ao término do Discurso sobre o Pão da Vida: “Essa palavra é dura! Quem pode escutá-la?” (Jo. 6,60). Pois bem, a nós, com doçura e também com firmeza o Senhor diz: “Isto vos escandaliza? Quereis também vós ir embora?” (Jo. 6,61.67). Não é fácil, irmãos! Não somos melhores nem mais fortes que ninguém… Sentimos em nós pensamentos, afetos e desejos contraditórios… Mas, sabemos que Cristo nos chamou, nos amou e por nós entregou a vida. Então, que digamos como Pedro: “Senhor, a quem iremos? Tens palavra de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo. 6,69).
É isto, caríssimos, dizer na vida como Samuel disse: “Eis-me aqui”; é isto atender ao convite do Senhor: “Vinde e vereis”; é isto, finalmente, “ir ver onde ele mora e permanecer com ele”. Que ele nos dê também a nós a sua graça! Amém.

JOÃO VIU JESUS…

Pois bem, o Evangelho de hoje aprofunda ainda mais este quadro impressionante, que nos revela a missão de Cristo Jesus: “João viu Jesus aproximar-se dele e disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!’” Em aramaico, língua que João e Jesus falavam, “cordeiro” diz-se talya, que significa, ao mesmo tempo “servo” e “cordeiro”. Então, “eis o Cordeiro-Servo de Deus, que tira o pecado do mundo”!
Mas, que Cordeiro?
Aquele, expiatório, que segundo Levítico 14, era mandado para o deserto, colocado fora da cidade, carregando os pecados de Israel… Como Jesus que “para santificar o povo por seu próprio sangue, sofreu do lado de fora da porta” (Hb 13,12) de Jerusalém, como um rejeitado, um condenado renegado.
Repitamos a pergunta: Que Cordeiro?
Aquele cordeiro pascal de Ex 12, cujos ossos não poderiam ser quebrados (cf. Jo 19,36); cordeiro comido como aliança de Deus com Israel!
Que cordeiro? – insistamos na pergunta! Aquele, cujo sangue, aspergido sobre o povo, selará a nova e eterna aliança entre Deus e o povo santo (cf. Ex 24,8; Mt 26,27). Jesus é esse Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, tomando-o sobre si!
E que Servo?
O Servo sofredor anunciado pelo Profeta Isaías. Já ouvimos falar dele no Domingo passado; fala-nos dele novamente a Liturgia deste Domingo hodierno: Servo predestinado desde o nascimento: o Senhor “me preparou desde o nascimento para ser seu Servo”; Servo destinado a recuperar e salvar Israel: “que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória”; Servo destinado não só a Israel, mas a todas as nações: “Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue aos confins da terra”. Eis, portanto, quem é o nosso Jesus: o Cordeiro, o Servo! Nele, feito homem, nele, sofrido como nós, nele, morto e ressuscitado, no seu corpo macerado e transfigurado em glória, Deus reuniu e formou um novo povo, o verdadeiro Israel, a Igreja – esta que aqui está reunida em torno do altar e esta mesma, reunida em toda a terra e, como diz São Paulo hoje, “em qualquer lugar” onde o nome do Senhor Jesus é invocado! Eis: este povo que Cristo veio reunir, esta Igreja que o Senhor veio formar somos nós, já santificados no Batismo e chamados a ser santos por nosso procedimento, por nosso seguimento ao Senhor!
João reconheceu em Jesus este Messias, tão humilde e tão grande: ele é o próprio Deus: “passou à minha frente porque existia antes de mim!” E como Deus feito homem, ele é o único e absoluto Salvador de todos – e não há salvação sem ele ou fora dele! João reconhece nele o ungido, aquele sobre quem o Espírito “desceu e permaneceu”. O próprio Jesus dará testemunho desta realidade: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4,18-19). João reconhece nele ainda aquele que, cheio do Espírito Santo, batizará no Espírito Santo: “Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é o que batiza com o Espírito Santo”. Batizando-nos no Espírito, este Santíssimo Jesus-Messias dá-nos o perdão dos pecados, a sua própria vida divina e a graça de, um dia, ressuscitar dos mortos!
Enfim, João dá testemunho de que esse Jesus bendito é mais que um Servo, mais que um Cordeiro, mais que um Profeta: ele é o Filho de Deus: “Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus”!
Que mais dizer, ante um Messias tão humilde e tão grande?
“Senhor Jesus Cristo, Santo Messias, Servo e Cordeiro de Deus, cremos em ti, a ti seguimos, em ti colocamos nossa vida e nossa morte! Sustenta-nos, pois em ti esperamos: tu és o sentido de nossa existência, a razão de nossa vida e o rumo da nossa estrada! Queremos seguir-te, a ti, tão pequeno e tão grande; queremos morrer contigo e contigo ressuscitar-nos para a vida eterna; queremos ser testemunhas do Reino do Pai que plantaste com tua bendita vinda. Senhor Jesus, a ti amamos, em ti esperamos, em ti vivemos! Sê bendito para sempre. Amém”.

LEVI SE LEVANTOU E O SEGUIU

Eu não vim para chamar justos, mas sim os pecadores.
Prezados catequistas. É muito cômodo e gratificante, fazer uma palestra na nossa paróquia, ou para um grupo de freiras. Desafiante mesmo é fazer o mesmo em uma comunidade da periferia, nas escolas, ou em lugares onde a clientela não é necessariamente, composta de cristãos atuantes, mas sim de pessoas que não estão iniciadas na fé. Somos cristãos, mas nem sempre nos preocupamos em imitar o Cristo. Preferimos pregar o Evangelho para aqueles que nos vêm. Em vez de irmos àqueles que não nos vêm. Precisamos sair do nosso conforto e nos atirar em uma aventura missionária, deixando o centro da cidade ou a orla da praia e indo até a periferia, nas faculdades, nos ginásios, nas escolas públicas, ou mesmo através da internet, para evangelizar aqueles irmãos que lá estão sedentos de Deus.
Aquelas irmãs e irmãos distantes, por não terem ninguém que os apresente Jesus, são prezas fáceis de aventureiros ambiciosos que com a desculpa de lhes mostrar Deus, estão mesmo é explorando os seus bolsos. Da mesma forma, eles estão expostos a todo tipo de tentações e de influências maléficas. Pois satanás não dá moleza! Ele atenta até aqueles que estão com Deus, quanto mais àqueles que estão ao Deus dará, estão à deriva, sem nenhum apoio, sem ninguém para lhe explicar o verdadeiro caminho, a verdade e a vida.
Ai de mim se eu não evangelizar! Caríssimos! Precisamos urgentemente fazer alguma coisa antes que o mal tome conta do mundo! A Igreja precisa estar presente nos mais longínquos lugares, onde estão os nossos irmãos abandonados por nós evangelizadores e catequistas.
O QUE FAZER?
Que tal montar uma pastoral da Periferia?
Ou da Faculdade?
Ou uma Pastoral Escolar?
Pense. Você sozinho não consegue. Mas com Jesus e mais as outras pessoas da sua paróquia, vocês conseguirão.
E ENTÃO?
NÃO FIQUE AÍ PARADA (O)! MÃOS A OBRA. POIS A MESSE É GRANDE E OS OPERÁRIOS SÃO POUCOS. VAMOS SEGUIR JESUS QUE NOS DIZ HOJE. “EU NÃO VIM PARA CHAMAR JUSTOS, MAS SIM OS PECADORES.” É SÓ DAR AGORA O PRIMEIRO PASSO.

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Iluminados pelas palavras de João Batista, reconhecemos em Jesus o Cordeiro de Deus. Dispostos a com ele conviver, renovamos hoje nosso compromisso de segui-lo e colaborar para a construção de seu reino de paz e fraternidade. Alegres, iniciemos a celebração com o canto.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

Por meio de sua palavra, o Pai nos chama e nos convida a fazer parte da comunidade de Jesus, cujos membros se consagram à busca da glória de Deus.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Encontramos o Messias, Jesus Cristo, de graça e verdade ele é pleno; de sua imensa riqueza graças, sem fim, recebemos (Jo1,41.17)

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4).

Antífona da comunhão

Preparais à minha frente uma mesa, o meu cálice transborda (Sl 22,5).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Obrigado/a, Senhor.
— Pelos ministros ordenados e leigos e pelos agentes de pastoral, digamos.
— Pelo chamado que o Senhor faz a cada um de nós por meio do batismo, digamos.
— Pelos dons que cada um põe a serviço da comunidade, digamos.
— Pelo testemunho de vida cristã de nossos pais e antepassados, digamos.
— Pelos missionários que levam a mensagem de Jesus a outros povos, digamos.

Oração sobre as oferendas

Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar constantemente da eucaristia, pois, todas as vezes que celebramos este sacrifício, torna-se presente a nossa redenção. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Penetrai-nos, ó Deus, com o vosso Espírito de caridade, para que vivam unidos no vosso amor os que alimentais com o mesmo pão. Por Cristo, nosso Senhor.

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