LDP: 17/JAN/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

17/Jan/2012 (terça-feira)

LEITURAS

1 Samuel 16,1-13 (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Históricos)

Naqueles dias, 1o Senhor disse a Samuel: “Até quando ficarás chorando por causa de Saul, se eu mesmo o rejeitei para que não reine mais sobre Israel? Enche o chifre de óleo e vem, para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos”. 2Samuel ponderou: “Como posso ir? Se Saul o souber, vai me matar”. O Senhor respondeu: “Tomarás contigo uma novilha da manada, e dirás: ‘Vim para oferecer um sacrifício ao Senhor’. 3Convidarás Jessé para o sacrifício. Eu te mostrarei o que deves fazer, e tu ungirás a quem eu te designar”. 4Samuel fez o que o Senhor lhe disse, e foi a Belém. Os anciãos da cidade vieram-lhe ao encontro, e perguntaram: “É de paz a tua vinda?” 5“Sim, é de paz”, respondeu Samuel. Vim para fazer um sacrifício ao Senhor. Purificai-vos e vinde comigo, para que eu ofereça a vítima”. Ele purificou então Jessé e seus filhos e convidou-os para o sacrifício. 6Assim que chegaram, Samuel viu a Eliab, e disse consigo: “Certamente é este o ungido do Senhor!” 7Mas o Senhor disse-lhe: “Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. 8Então Jessé chamou Abinadab e apresentou-o a Samuel, que disse: “Também não é este que o Senhor escolheu”. 9Jessé trouxe-lhe depois Sama, e Samuel disse: “A este tampouco o Senhor escolheu”. 10Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: “O Senhor não escolheu a nenhum deles”. 11E acrescentou: “Estão aqui todos os teus filhos?” Jessé respondeu: “Resta ainda o mais novo, que está apascentando as ovelhas”. E Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa, enquanto ele não chegar”. 12Jessé mandou buscá-lo. Era ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: “Levanta-te, unge-o: é este!” 13Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia, o espírito do Senhor se apoderou de Davi. A seguir, Samuel se pôs a caminho e voltou para Ramá.

Salmo 89(88) 20-22.27-28 (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

— Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor.
20Outrora vós falastes em visões a vossos santos: “Coloquei uma coroa na cabeça de um herói e do meio deste povo escolhi o meu Eleito.
21Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. 22Estará sempre com ele a minha mão onipotente e meu braço poderoso há de ser a sua força.
27Ele, então, me invocará: ‘Ó Senhor, vós sois meu Pai, sois meu Deus, sois meu Rochedo onde encontro a salvação!’ 28E por isso farei dele o meu filho primogênito, sobre os reis de toda a terra farei dele o Rei altíssimo”.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 2,23-28 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Sinótico)

23Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?” 25Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”. 27E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O que a Palavra diz para mim?
Qual é a minha escala de valores?
Os bispos, em Aparecida, falaram de uma sociedade conforme a proposta de Jesus: “A resposta a seu chamado exige entrar na dinâmica do Bom Samaritano (cf. Lc 10,29-37), que nos dá o imperativo de nos fazer próximos, especialmente com quem sofre, e gerar uma sociedade sem excluídos, seguindo a prática de Jesus que come com publicanos e pecadores (cf. Lc 5,29-32), que acolhe os pequenos e as crianças (cf. Mc 10,13-16), que cura os leprosos (cf. Mc 1,40-45), que perdoa e liberta a mulher pecadora (cf. Lc7,36-49; Jo 8,1-11), que fala com a Samaritana (cf. Jo 4,1-26).” (DAp 135).
Sinto-me uma pessoa próxima dos meus irmãos?
Sensibilizo-me com as necessidades das pessoas?
Como reajo ao ver tantos desabrigados pela chuva, sem casa, sem alimentos, num momento de dor pela perda de um familiar ou amigo?

… a VERDADE …

O que diz o texto do dia?
Leio atentamente o texto na Bíblia: Mc 2,23-28.
Para Jesus, a pessoa tem prioridade. As coisas, os dias, inclusive o sábado, estão a seu serviço. Isto modifica a relação ou a escala de valores que se coloca no mundo. As coisas estão no seu justo lugar quando ajuda a pessoa humana ser conforme o Projeto de Deus. A lei está a serviço do bem.

… e a VIDA …

Pai, ensina-me a ser fiel a ti, vivendo os Mandamentos, sem fanatismo, e sim com a liberdade de quem está em plena sintonia contigo.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Qual meu novo olhar a partir da Palavra? Sinto-me discípulo/a de Jesus. Quero deixar-me conduzir pela lei do amor.

REFLEXÕES

JESUS LIBERTAR A TODOS DA OPRESSÃO

Marcos inicia seu evangelho com o anúncio de João Batista que vem “preparar o caminho” de Jesus. Agora, os discípulos de Jesus começam a “abrir caminho”. Na primeira parte do evangelho, Marcos coloca a “casa” como o lugar de formação e convívio das comunidades formadas em torno de Jesus. Na segunda parte, quando vai se encerrando o ministério na Galileia e regiões vizinhas, o destaque é o “caminho” para Jerusalém, onde se dará o confronto final com os chefes do Templo. Ao longo desse ministério já fica caracterizado o confronto com os chefes das sinagogas locais decorrente das diversas infrações de Jesus às regras de pureza, da observância sabática, do jejum e do convívio social, bem como pela promulgação do perdão dos pecados. Revelando que a necessidade está acima da Lei, Jesus se empenha em libertar e aliviar a todos de qualquer opressão, religiosa ou civil, tendo em vista a promoção da vida e da dignidade dos pequeninos, humilhados, empobrecidos e excluídos.

A PESSOA É PRIORIDADE

Novamente entra em discussão a questão das práticas religiosas. O evangelho de hoje nos apresenta a questão do legalismo religioso e da verdadeira finalidade da religião. Muitas vezes, vemos que as religiões estão muito mais fundamentadas em proibições do que em motivações e na criação de novos relacionamentos das pessoas com Deus e das pessoas entre si. O resultado dessa mentalidade é que a religião se torna cada vez mais uma coisa odiosa e insuportável, e Deus aparece não como um Pai amoroso, mas como um carrasco autoritário. A verdadeira religião é aquela que cria valores e leva as pessoas à maturidade em todos os sentidos para que livremente possam optar por Deus.

AGINDO COM LIBERDADE

A postura de Jesus contrastava com a dos fariseus. Estes, apegados às tradições, suspeitavam dele quando o viam atropelar, com sua liberdade, os costumes dos antigos. Era como se estivesse ferindo a sensibilidade alheia.
O Mestre admirava-se da visão estreita dos fariseus, uma vez que, nas Escrituras, já se encontravam atitudes e gestos semelhantes ao seu. Por isso, agora, recordava-lhes um fato ligado a Davi, quando este, fugindo da perseguição de Saul, foi parar num lugarejo chamado Nobe, junto ao sacerdote Aquimelec (segundo o Evangelho, Abiatar). Davi e os seus companheiros estavam com fome. Nada tendo para lhes oferecer, o sacerdote deu-lhes os pães consagrados, que só aos sacerdotes era permitido consumir. E nem por isso ficou cheio de escrúpulos ou com peso na consciência. Seu gesto foi profundamente humanitário.
Tanto no caso de Davi como no dos discípulos de Jesus, a não observância da tradição não aconteceu por leviandade. A vida humana estava em perigo. Precisava ser salva, mesmo contrariando as convenções religiosas.
Agindo com liberdade, Jesus ensinava aos discípulos como a religião deveria ser praticada com bom senso. Certas demonstrações de fidelidade às tradições religiosas acabam se tornando um espetáculo de insensatez, quando se chocam com o direito à vida.

JESUS, SENHOR DO SÁBADO E DE TODAS AS COISAS

Marcos inicia seu Evangelho com o anúncio de João Batista, que vem “preparar o caminho” de Jesus. Agora, os discípulos de Jesus começam a “abrir caminho”. Marcos, na primeira parte de seu Evangelho, coloca a “casa” como o lugar de formação e convívio das comunidades envolvidas pelo ministério de Jesus. Na segunda parte, quando vai se encerrando o ministério ao redor da Galileia, o destaque é o “caminho” para Jerusalém, onde se dará o confronto final com os chefes do Templo.
Ao longo do ministério na Galileia e vizinhanças, fica caracterizado o confronto com os chefes das sinagogas locais pelas infrações às regras de pureza, pela observância sabática, pelo jejum e pelo convívio social, bem como pela promulgação do perdão dos pecados. Jesus, por Sua prática, revela que a necessidade está acima da Lei.
O que Jesus e os discípulos estavam fazendo em Marcos 2,23 seria perfeitamente lícito aos olhos dos fariseus se não fosse realizado no sábado (cf. Deuteronômio 23,25). A Tradição oral determinava minuciosamente o que podia e não podia ser feito aos sábados. Havia até uma lista de 39 verbos (trabalhos) que não podiam ser feitos naquele dia. Quatro destes verbos (colher, debulhar, limpar e preparar) eram descrições do que os discípulos estavam fazendo ao comer.
Jesus combateu a tradição judaica muitas vezes, especialmente as tradições com respeito ao sétimo dia. Há uma grande quantidade de situações nas quais o Senhor entrou em choque com os judeus nesta questão (cf. Mc 3,1-6; Lc 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,1-9; 16-17; 7,22; 9,1-14). A seita dos chamados essênios, por exemplo, proibia claramente que um homem tirasse de uma cisterna ou fosso um animal que ali tivesse caído (cf. Documento de Damasco, 11.13-14). Jesus, e até mesmo a maioria dos judeus, achava isso um absurdo (cf. Mt 12,11; Lc 14,5, também 13,15).
O Mestre citou o exemplo de Davi, em I Samuel 21,1-6, para chamar atenção dos seus opositores ao fato que nem tudo pode ser resumido ou explicado pela tradição rabínica. Davi comeu os pães da proposição (cf. Lv 24,5-9) numa situação de perigo de vida e não foi punido por isso. De fato, esse evento ocorreu num sábado, dia no qual os pães eram retirados do tabernáculo, substituídos por outros e disponibilizados aos sacerdotes para seu alimento. Tal fato não prova que os pães da proposição podiam ser comidos por qualquer um; pelo contrário, a exceção prova a regra. Quebrar a Lei de Deus quando houver necessidade não é o que Jesus ensina aqui. O que fica provado é que o modo rígido e legalista dos fariseus de interpretar a Lei não explicava tudo (cf. Mc 2,25-26).
De fato, Davi só comeu os pães da proposição impunemente por ter Deus concedido a ele esta prerrogativa naquele momento. De uma forma similar, Jesus tem prerrogativas e autoridade superiores às da Tradição e da própria Lei judaica, por isso diz: “Se Davi teve autorização para quebrar o protocolo, muito mais o Senhor de Davi pode fazê-lo”.
Mateus ainda menciona o caso dos sacerdotes judaicos que trabalham no Templo em pleno sábado (cf. Mt 12,5-7). Se o serviço no Templo exige a suspensão da lei do sábado para alguns, a obra de Jesus exige a suspensão da mesma lei, pois Cristo é maior que o Templo (cf. Mt 12,6). Se o Templo era maior que o sábado e se Jesus era maior que o Templo, certamente era maior que o sábado, um dos grandes preceitos da Lei.
Em tudo isso, pode-se notar também que há prioridades dentro das prescrições da Lei e que há momentos em que um princípio maior supera outras regras menores. A citação de Oséias 6,6 aponta nesta direção. O ritual não é maior que a fidelidade; a Palavra do Cristo é maior que o ritual do sábado.
O provérbio “O sábado foi estabelecido (feito) por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” é peculiar a Marcos, não sendo retomada por Mateus e Lucas. É difícil saber o motivo da omissão da frase nesses dois Evangelhos. O interesse pode ser simplesmente o de resumir Marcos, gerando espaço para introduzir outros materiais. Este é o costume de Mateus e Lucas. Outro motivo seria o de eliminar qualquer ambiguidade ou mau uso da frase nas comunidades receptoras das obras, embora seja muito questionável e difícil imaginar quais seriam estes maus usos do provérbio.
Mateus e Lucas, ao omitirem o provérbio que estamos estudando, colocaram toda a ênfase do episódio na frase: “O Filho do Homem é Senhor do sábado” (Mt 12,8 e Lc 6,5). Lucas, inclusive, por não mencionar (como faz Mateus) a questão do serviço do Templo, faz com que o leitor seja claramente induzido a entender a comparação que Jesus fez de si mesmo com Davi. Observe que o Senhor, como Davi, era o ungido de Deus, que agia sob orientação divina e por causa disso tinha grande autoridade.
“O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” é uma clara alusão à criação. Jesus usa o verbo na chamada voz passiva (‘foi feito’) para designar a ação de Deus. O Senhor criou o homem no sexto dia e estabeleceu o sétimo como dia de repouso.
A própria ordem da criação indica que o homem era o alvo do benefício do repouso sabático. Contudo, o modo rabínico de interpretar o antigo fato afastava o mandamento das intenções originais de Deus. O sábado, que era para ser um dom, um presente e um dia de refrigério, acabou sendo um dia de castigo, de opressão e de tensão devido à grande carga de mandamentos associados a ele e aos inúmeros preceitos reguladores. Esqueceram a função do sábado e ficaram apenas com a sua forma externa.
Este método de recorrer às origens e à criação para resolver questões é característico de Jesus. Na questão do divórcio, narrada em Marcos 10,2-12, enquanto todos buscavam alguma “interpretação” que permitisse essa prática [divórcio], Jesus Nazareno buscava a intenção original do Criador na instituição do primeiro casal (cf. Mc 12,6-9).
Jesus arremata a questão dizendo: “De sorte que o Filho do Homem é Senhor também do sábado” (Mc 2,28). No Evangelho de Marcos esta frase aparece como conclusão do texto, mas apresenta uma verdade que é anterior à argumentação. De fato, o ensino que Jesus é o Senhor do sábado e de tudo o mais permite que Ele diga como que o mandamento do sábado deve ser obedecido. A razão para aceitar o ensino de Jesus é o fato de Ele ser o Filho do Homem, o Filho de Deus. Seu ensino não tem validade apenas por sua lógica ou por sua veracidade, mas sobretudo por causa da autoridade d’Ele. O modo de Cristo Jesus interpretar a questão é importante, pois a norma é Ele mesmo. A Era Messiânica já havia começado e o conhecimento de quem era o Messias traria compreensão para saber cumprir a vontade de Deus.

RECORDA-TE DE SANTIFICAR O SÁBADO

A vida temporal, posto que boa e desejável, não é o fim para que fomos criados; mas é a via e o meio para aperfeiçoar, com o conhecimento da verdade e com a prática do bem, a vida do espírito. O espírito é que tem em si impressa a semelhança divina (Gn 1,26) e é nele que reside aquele principado em virtude do qual foi dado ao homem o direito de dominar as criaturas inferiores e de pôr ao seu serviço toda a terra e todo o mar (Gn 1,28) […]. Nisto todos os homens são iguais, e não há diferença alguma entre ricos e pobres, senhores e servos, monarcas e súbditos, “porque é o mesmo o Senhor de todos” (Rm 10,12).
A ninguém é lícito violar impunemente a dignidade do homem, do qual Deus mesmo dispõe com grande reverência, nem pôr lhe impedimentos a que ele siga o caminho daquele aperfeiçoamento que é ordenado à obtenção da vida eterna e celestial. […]
Daqui vem, como consequência, a necessidade do repouso festivo. Isto, porém, não quer dizer que se deva permanecer num ócio estéril e muito menos significa uma inação total, como muitos desejam, e que é a fonte de vícios e ocasião de dissipação; trata-se de um repouso consagrado à religião. […] Eis a principal natureza e o fim do repouso festivo que Deus, com lei especial, prescreveu ao homem no Antigo Testamento, dizendo-lhe: “Recorda-te de santificar o sábado” (Ex 20,8); e que ensinou com o Seu exemplo quando, no sétimo dia, depois de ter criado o homem, repousou: “Repousou no sétimo dia de todas as obras que tinha feito” (Gn 2,2).

O SÁBADO FOI FEITO PARA O HOMEM, E NÃO O HOMEM PARA O SÁBADO

Hoje como ontem, Jesus deve se enfrentar com os fariseus, que deformaram a Lei de Moisés, ficando-se nas pequenices e esquecendo-se do espírito que a informa. Os fariseus, de fato, acusam, os discípulos de Jesus de violar o sábado (cf. Mc 2,24). Segundo sua casuística agoniante, arrancar espigas, equivale a “segar” e trilhar significa “bater”: essas tarefas de campo – e uma quarentena mais que poderíamos acrescentar – estavam proibidas no sábado, dia de descanso. Como já sabemos, os pães da oferenda dos que nos fala o Evangelho, eram doze pães que colocavam-se cada semana na mesa do santuário, como homenagem das doze tribos de Israel ao seu Deus e Senhor.
A atitude de Abiatar é a mesma que hoje ensina-nos Jesus: os preceitos da Lei que tem menos importância cedem diante dos maiores; um preceito cerimonial deve ceder diante um preceito de lei natural; o preceito do repouso de sábado não está, então, em cima das elementares necessidades de subsistência. O Concílio Vaticano II, inspirando-se na perícopa que comentamos e, para recalcar que a pessoa que está por cima das questões econômicas e sociais, diz: “A ordem social e seu progressivo desenvolvimento devem subordinar-se em todo momento ao bem da pessoa, porque a ordem das coisas deve submeter-se à ordem das pessoas e, não ao contrário. O mesmo Senhor o advertiu quando disse que o sábado tinha sido feito para o homem e, não o homem para o sábado (cf. Mc 2,24)”.
Santo Agostinho disse: “Ama e faz o que queres”.
O entendemos bem, o ainda a obsessão por aquilo que é secundário afoga o amor que há de pôr em tudo o que fazemos?
Trabalhar, perdoar, corrigir, ir a missa os domingos, cuidar os doentes, cumprir os mandamentos…, O fazemos porque devemos ou por amor de Deus?
Tomara que essas considerações ajudem-nos a vivificar todas nossas obras com o amor que o Senhor pôs nos nossos corações, precisamente para que possamos lhe amar.

OS APÓSTOLOS COMEM ESPIGAS DE MILHO…

Para os fariseus, o fato de os discípulos estarem tirando umas espigas de milho para matar a fome, lembrava colheita, e isso é o mesmo que dizer, trabalhar no dia proibido pela Lei, ou seja, o dia de sábado. Para eles obedecer a Lei era mais importante que matar a fome. Não importava se os discípulos desmaiassem ou mesmo morressem de inanição, pois estavam distantes de suas casas pelo fato de estarem anunciando a Boa Nova juntamente com o Mestre.
Isto é um absurdo! É ignorância religiosa. Obedecer ao pé dada letra a Lei ao ponto de prejudicar a sobrevivência. Não tem nenhum sentido. Trata-se de um verdadeiro fanatismo religioso. Valorizar em excesso uma coisa de menor importância, e não dar o devido valor a outras mais importantes, como por exemplo, a caridade.
O fanatismo é a obediência cega a uma ideia, baseada em uma lei, ou em uma crença mantida pela tradição de forma obstinada, ao ponto de partir para a violência para obrigar os outros a segui-la e punir quem não está disposto a abraçá-la, o que leva às pessoas a cometerem verdadeiros absurdos.
A consequência imediata do fanatismo religioso é o sectarismo, que encarcera a liberdade de consciência, pretendendo uma liberdade dirigida na espera do pensamento, que torna o homem escravo de postulados que lhe proíbem a expansão da alma pela ideia e pela razão.
O fanático não aceita conselhos nem correções de ninguém. Ele segue a sua obstinação como um robô programado para aquilo. Parece que nem está vendo ninguém em sua volta. Ele segue em frente e se duvidar até derruba quem lhe atrapalha. E o pior. Ele acha que todos têm de agir como ele. O fanático é a antítese do herói e do entusiasta. Enquanto o herói e o entusiasta lutam por uma causa justa, o fanático assume uma atitude de intolerância às ideias alheias, por acha que todos têm a obrigação de pensar e agir como ele.
Como o fanatismo está geralmente ligado ao dogmatismo, isto é, à crença numa verdade ou num sistema de verdades que, uma vez aceitas, não devem mais ser postas em discussão e rejeitam a discussão com outros, é possível que muitos de nós estejamos sendo às vezes fanáticos, sem o perceber.
Prezados irmãos. Não vamos confundir ser fervorosos na fé, com ser fanáticos como os fariseus e doutores da Lei.

ESPIGAS DE MILHO PARA SOBREVIVER

Preservar a Vida é sempre permitido…
Sábado para o Judeu é o dia do Descanso em Deus, é voltar para ele por inteiro, concentrando a mente e o coração em Deus, Criador e Libertador do homem. Por isso todas as outras tarefas tornam-se relativas inclusive o trabalho de colher espigas. Neste dia parava tudo, antecipavam-se na sexta todas as tarefas e reservava o sábado somente para Deus. Era uma prática coerente com o que se acreditava, e muito bonita também, entretanto…
Deus não é mais alguém distante, que fala misteriosamente a alguns Homens como Moisés, ou se faz anunciar pela boca dos profetas, mas Deus está ali, ao lado deles, caminhando com eles, comendo com eles, dormindo com eles, é um Deus de carne e osso, o verdadeiro e esperado “Emanoel”, parceiro e caminhante, peregrino com o homem.
Então, porque submeter-se á práticas antigas se Jesus já está ali com eles?
E onde Jesus está a Vida do Homem está em primeiro lugar, nenhuma norma ou lei precede a Majestosa Lei da preservação da Vida. É isso que deve estar no centro das atenções no preceito sabático, não se levando isso em conta, a religião torna-se um mero ritualismo, vazio e sem sentido. No centro da Religião está a Vida que Jesus nos deu. Por isso, os discípulos de Jesus, ao sentirem fome, colhem espigas mesmo sendo dia de sábado, a exemplo de Davi, o grande Rei prefiguração do Messias, que ao chegar com seus homens de um dos combates, sentiu fome e entrando no templo comeu dos pães da proposição que era consagrado a Deus.

O SÁBADO FOI FEITO PARA O HOMEM

O seguimento a Jesus, embora nos pareça difícil, deve ser a causa maior de nossa alegria, da nossa felicidade, afinal, descobrirmos nos valores do reino, a razão de nossa existência!
Pena que nem todos os nossos irmãos vivem esta felicidade por estarem submetidos a radicalidade religiosa, cheia de regras impostas pelos seus líderes, que ao contrário de Jesus, passam para seus fieis, a imagem de um Deus vingativo que está sempre a espreita, pronto para nos pegar em algum deslize.
O medo do castigo, a observância exagerada de tantas regras, acabam distanciando muitos de uma proximidade maior com Deus! Ao invés de atrair as pessoas para um aconchego nos braços do Pai, muitos líderes acabam criando barreiras, impedindo-as de viverem as maravilhas de uma intimidade de filho com o Pai!
Enquanto estamos presos em pormenores, não caminhamos, não enxergamos o principal: a presença amorosa de Deus no meio de nós, o nosso Deus da vida!
Não podemos esquecer nunca que somos filhos amados de Deus e que como Pai amoroso, Ele só quer nos ver felizes!
Todo aquele que fica preso na observância de tantos preceitos, não consegue captar as mensagens de Jesus e fica longe de compreender o que significa “Eu quero misericórdia e não sacrifício”!
O evangelho de hoje nos fala de um conflito entre Jesus e os fariseus a respeito da observância do sábado. O que nos mostra que, embora conhecedores das Escrituras os fariseus, na prática, estavam bem distante do amor propagado por Jesus: o amor que gera vida!
As autoridades religiosas daquela época impunham práticas religiosas, que segundo eles deveriam ser rigorosamente cumpridas como: Jejum, ritos de purificação, observância do sábado e tantas outras regras que eles mesmos criavam e que na verdade tinham como pano de fundo, cegar o povo diante dos seus direitos.
Ficou bem claro, que os fariseus queriam pegar Jesus num casuísmo legal. O fato de os discípulos, estarem apanhando espigas de trigo para saciar a fome, não lhes podia ser atribuído como roubo. Segundo os fariseus, os discípulos estavam infringido as leis que proibia o trabalho em dia de sábado e o ato de apanhar as espigas de trigo, para eles, era considerado trabalho e não um meio de sobrevivência.
Criticado pelos Fariseus em nome da Sagrada escritura, Jesus responde as criticas usando as palavras da mesma: ‘Por acaso nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passara necessidade e tiveram fome?’…
Não é difícil perceber que até nos dias de hoje, presenciamos situações semelhantes.
Na realidade, o legalismo é um instrumento de alienação e opressão que tem como maior objetivo desviar a atenção do povo. Enquanto que o povo está voltado para outras coisas, os donos do poder se sentem livres para praticar suas ações ilícitas que só favorecem a si mesmos.
As leis de organização social e religiosa só têm validade se forem elaboradas em favor da vida e para o serviço aos necessitados. E Jesus veio para libertar e fazer desabrochar a vida!
Em todos os seus ensinamentos Ele sempre deixou claro que a vida deve estar sempre em primeiro lugar e a necessidade de sobrevivência acima de toda e qualquer lei!
Finalizando, vou relatar um fato que presenciei e que me deixou perplexa. Certa vez, chegou ao conhecimento da entidade da qual faço parte, que duas crianças estavam vivendo em condições sub-humanas, passando fome. Fomos até lá e ficamos pasmados com o que nos disse a mãe dessas crianças. Com a maior naturalidade ela nos disse que não preocupava com o sofrimento de seus filhos, porque o “chefe” da sua igreja havia lhe dito que o sofrimento daquelas crianças era da vontade de Deus, para a purificação delas.
Para um seguidor de Jesus, não deve existir hora nem dia para cuidar da vida!
Apanhando espigas de trigo para matar a fome, os discípulos, apoiados por Jesus, começaram a abrir caminho para uma nova mentalidade, mostrando-nos que: A LEI QUE DEVE NOS REGER, É A LEI DO AMOR!
FIQUE NA PAZ DE JESUS!

O SÁBADO FOI FEITO PARA O HOMEM

O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado.
Este Evangelho narra a cena dos discípulos de Jesus, em um sábado, arrancando espigas de trigo e comendo, porque estavam com fome. Diante do protesto dos fariseus, pois era proibido trabalhar no sábado, Jesus justifica a atitude, apresentando outro caso em que Davi desobedece à outra lei ainda mais rigorosa, pelo mesmo motivo: ele e seus companheiros estavam com fome. E arremata: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”.
O ensinamento de Jesus é claro: A vida humana está em primeiro lugar. O direito à vida precede quaisquer leis, mesmo as leis religiosas mais sagradas.
Segundo a Mishná, que era uma recompilação das tradições rabínicas, trabalhar na colheita era uma das trinta e nove maneiras de violar o sábado. E os fariseus elevaram esse gesto de colher espigas para comer, como um trabalho formal de colheita! Mas a reação de Jesus foi clara e enérgica. Superando as discussões de escolas, ele partiu para a defesa da vida.
E Jesus apresentou o exemplo de Davi e seus companheiros que, para saciar a fome, desobedeceram a uma lei muito mais sagrada: comeram os pães consagrados, que só os sacerdotes podiam comer (Cf 1Sm 21).
“O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”, diz Jesus. Esta foi a intenção do legislador da lei do sábado: a necessidade que o homem tem de descansar. Foi uma lei feita para celebrar a libertação da escravidão egípcia, e não havia tempo de descanso (Cf. Dt 5,12; Ex 20,8). Portanto, a lei do sábado era uma lei de liberdade, não de escravidão.
E, para concluir, Jesus, referindo-se a si mesmo, fala: “O Filho do Homem é senhor também do sábado”. Todo o Antigo Testamento, ao se referir ao Messias, fala que ele é “O Senhor”. Ele é o Senhor de tudo, inclusive do sábado. Portanto, pode modificar ou esclarecer a lei.
Em todo o episódio, sobressai a vida humana como valor maior a ser protegido e defendido. O homem deve obedecer à lei do sábado só e enquanto protege a vida humana. Se acontecer, como nesta cena do Evangelho, de esta lei se voltar contra o homem, desviou-se de sua finalidade e não obriga ao seu cumprimento.
É farisaísmo tentar ganhar a salvação, absolutizando ou sacralizando leis. Neste caso a lei se transforma de libertadora em escravizante. O único sagrado, depois de Deus, é o próprio homem, pelo qual Cristo morreu.
“A lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo” (Jo 1,17). O cristão sabe sua única lei e o seu único Senhor é Jesus Cristo. Cristo foi o sim total a Deus, e o seu discípulo deve seguir o seu exemplo. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.
Certa vez, em um curso de batismo, um professor perguntou aos pais e padrinhos por que queriam batizar seu filho ou afilhado. As respostas foram as mais variadas.
Um deles disse: “É porque todo mundo batiza”. Esse vai na onda; o que os outros fazem ele faz também.
Outro respondeu: “É porque eu fui batizado”.
Quer dizer que, se fizeram uma coisa errada com ele, quando criança, ele vai fazer agora com as outras crianças?
Houve outro que falou: “A gente batiza porque não presta ficar pagão”. Esta resposta é supersticiosa, porque a expressão “não presta” significa aí: “dá azar”.
Claro que houve também respostas bonitas e acertadas.
Pelo batismo nós nos tornamos continuadores de Cristo no mundo, seguindo-o como o nosso caminho, verdade e vida.
Maria Santíssima é a mãe de vida, porque nos deu Jesus que é a Vida. Que ela nos ajude a colocar a vida humana acima de tudo.
O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado.

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Antão (Egito 250-356), o mais ilustre monge da Igreja, deixou-se cativar pelo apelo de Jesus: “Se queres ser perfeito, vende teus bens, dá aos pobres e segue-me”. Sensível aos problemas de seu tempo, colaborou para o bem comum sem descuidar-se do zelo para com o povo.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

O Espírito do Senhor ilumina as ações humanas. Basta que nos deixemos conduzir por ele, para não cairmos na superficialidade e na hipocrisia.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Que o Pai do Senhor Jesus Cristo vos dê do saber o Espírito; para que conheçais a esperança, reservada para vós como herança! (Ef 1,17s)

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro do Líbano, plantado na casa do Senhor, nos átrios de nosso Deus (Sl 91,13s).

Antífona da comunhão

Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens e dá aos pobres. Depois, vem e segue-me, diz o Senhor (Mt 19,21).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Ó Deus, que chamastes ao deserto santo Antão, pai dos monges, para vos servir por uma vida heroica, dai-nos, por suas preces, a graça de renunciar a nós mesmos e amar-vos acima de tudo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Lembrai-vos, Senhor.
— Da vossa Igreja e seus dirigentes.
— Dos nossos governantes e dos que preparam as leis.
— Dos chamados à vida religiosa.
— Dos colaboradores do vosso reino.
— Das nossas famílias.

Oração sobre as oferendas

Aceitai, ó Deus, nossas humildes oferendas trazidas ao altar na festa de santo Antão, para que, desapegados dos bens terrenos, vos tenhamos por única riqueza. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, que nos fortalecestes pelo vosso sacramento, concedei-nos vencer as tentações do inimigo, como destes a santo Antão esplêndidas vitórias contra as forças do mal. Por Cristo, nosso Senhor.

Anúncios
Esse post foi publicado em Religião. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s