LDP: 30/JAN/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

30/Jan/2012 (segunda-feira)

LEITURAS

2 Samuel 15,13-14.30;16,5-13a (Livro do antigo ou 1º testamento / Livros Históricos)

Naqueles dias: 13Um mensageiro veio dizer a Davi: “As simpatias de todo o Israel estão com Absalão”. 14Davi disse aos servos que estavam com ele em Jerusalém: “Depressa, fujamos, porque, de outro modo, não podemos escapar de Absalão! Apressai-vos em partir, para que não aconteça que ele, chegando, nos apanhe, traga sobre nós a ruína, e passe a cidade ao fio da espada”. 30Davi caminhava chorando, enquanto subia o monte das Oliveiras, com a cabeça coberta e os pés descalços. E todo o povo que o acompanhava, subia também chorando, com a cabeça coberta. 16,5Quando o rei chegou a Baurim, saiu de lá um homem da parentela de Saul, chamado Semei, filho de Gera, que ia proferindo maldições enquanto andava. 6Atirava pedras contra Davi e contra todos os servos do rei, embora toda a tropa e todos os homens de elite seguissem agrupados à direita e à esquerda do rei Davi. 7Semei amaldiçoava-o, dizendo: “Vai-te embora! Vai-te embora, homem sanguinário e criminoso! 8O Senhor fez cair sobre ti todo o sangue da casa de Saul, cujo trono usurpaste, e entregou o trono a teu filho Absalão. Tu estás entregue à tua própria maldade, porque és um homem sanguinário”. 9Então Abisai, filho de Sarvia, disse ao rei: “Por que há de este cão morto continuar amaldiçoando o senhor, meu rei? Deixa-me passar para lhe cortar a cabeça”. 10Mas o rei respondeu: “Não te intrometas, filho de Sarvia! Se ele amaldiçoa e se o Senhor o mandou maldizer a Davi, quem poderia dizer-lhe: ‘Por que fazes isto?’”. 11E Davi disse a Abisai e a todos os seus servos: ‘Vede: Se meu filho, que saiu das minhas entranhas, atenta contra a minha vida, com mais razão esse filho de Benjamim. Deixai-o amaldiçoar, conforme a permissão do Senhor. 12Talvez o Senhor leve em conta a minha miséria, restituindo-me a ventura em lugar da maldição de hoje’. 13aE Davi e seus homens seguiram adiante.

Salmo 3,2-3.4-5.6-7 (R. 7b) (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

— Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me!
2Quão numerosos, ó Senhor, os que me atacam; quanta gente se levanta contra mim! 3Muitos dizem, comentando a meu respeito: ‘Ele não acha a salvação junto de Deus’!
4Mas sois vós o meu escudo protetor, a minha glória que levanta minha cabeça! 5Quando eu chamei em alta voz pelo Senhor, do Monte santo ele me ouviu e respondeu.
6Eu me deito e adormeço bem tranquilo; acordo em paz, pois o Senhor é meu sustento. 7Não terei medo de milhares que me cerquem e furiosos se levantem contra mim.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 5,1-20 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Sinótico)

Naquele tempo: 1Jesus e seus discípulos chegaram à outra margem do mar, na região dos gerasenos. 2Logo que saiu da barca, um homem possuído por um espírito impuro, saindo de um cemitério, foi ao seu encontro. 3Esse homem morava no meio dos túmulos e ninguém conseguia amarrá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes tinha sido amarrado com algemas e correntes, mas ele arrebentava as correntes e quebrava as algemas. E ninguém era capaz de dominá-lo. 5Dia e noite ele vagava entre os túmulos e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras. 6Vendo Jesus de longe, o endemoninhado correu, caiu de joelhos diante dele 7e gritou bem alto: “Que tens a ver comigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Eu te conjuro por Deus, não me atormentes!” 8Com efeito, Jesus lhe dizia: “Espírito impuro, sai desse homem!” 9Então Jesus perguntou: “Qual é o teu nome?” O homem respondeu: “Meu nome é ‘Legião’, porque somos muitos.” 10E pedia com insistência para que Jesus não o expulsasse da região. 11Havia aí perto uma grande manada de porcos, pastando na montanha. 12O espírito impuro suplicou, então: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles.” 13Jesus permitiu. Os espíritos impuros saíram do homem e entraram nos porcos. E toda a manada – mais ou menos uns dois mil porcos – atirou-se monte abaixo para dentro do mar, onde se afogou. 14Os homens que guardavam os porcos saíram correndo e espalharam a notícia na cidade e nos campos. E as pessoas foram ver o que havia acontecido. 15Elas foram até Jesus e viram o endemoninhado sentado, vestido e no seu perfeito juízo, aquele mesmo que antes estava possuído pela Legião. E ficaram com medo. 16Os que tinham presenciado o fato explicaram-lhes o que havia acontecido com o endemoninhado e com os porcos. 17Então começaram a pedir que Jesus fosse embora da região deles. 18Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse ficar com ele. 19Jesus, porém, não permitiu. Entretanto, lhe disse: “Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti.” 20Então o homem foi embora e começou a pregar na Decápole tudo o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam admirados.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

Paro onde Deus me fala interiormente, sem pressa, aprendendo a aprofundar.
Pergunto-me:
O que o texto diz para mim?
Acolho o que vier à mente, o que tocar o meu coração: desejos, luzes, apelos, lembranças, inspirações.
Meus valores dão prioridade à ação de Deus na minha vida e na vida das demais pessoas?
Os bispos, em Aparecida, falaram sobre este tema: “os cristãos precisam recomeçar a partir de Cristo, a partir da contemplação de quem nos revelou em seu mistério a plenitude do cumprimento da vocação humana e de seu sentido. Necessitamos nos fazer discípulos dóceis, para aprende d’Ele, em seu seguimento, a dignidade e a plenitude de vida. E necessitamos, ao mesmo tempo, que o zelo missionário nos consuma para levar ao coração da cultura de nosso tempo aquele sentido unitário e completo da vida humana que nem a ciência, nem a política, nem a economia nem os meios de comunicação poderão proporcionar. Em Cristo Palavra, Sabedoria de Deus (cf. 1Cor 1,30), a cultura pode voltar a encontrar seu centro e sua profundidade, a partir de onde é possível olhar a realidade no conjunto de todos seus fatores, discernindo-os à luz do Evangelho e dando a cada um seu lugar e sua dimensão adequada.” (DAp 41).

… a VERDADE …

Leio na Bíblia o texto todo, de uma vez: Mc 5,1-20.
Releio, devagar, versículo por versículo.
Pergunto-me:
O que diz o texto em si?
Ajudando a compreender…
Jesus entrou em Gerasa, território pagão, onde cuidavam de animais impuros, conforme a concepção da época. Aí encontrou um homem que estava dominado por um espírito mau e que vivia escondendo-se no cemitério. Este homem dominado pela “Multidão” de espíritos maus é liberto por Jesus e toda impureza foi para o fundo do mar. Os moradores daquela região não agradecem a Jesus por esta purificação. O homem, antes endemoninhado, recuperou sua dignidade individual e social. Os moradores assustam-se com o poder de Jesus e se sentem incomodados. A eles pesa mais o custo do rebanho de porcos do que a cura do homem. As coisas “valem” mais do que a pessoa. Jesus é mandado embora. O homem liberto quer segui-lo, mas Jesus não o permite. Quer que ele seja testemunha do que Deus lhe fez.

… e a VIDA …

Pai, faze-me anunciador da compaixão que tens por mim, a qual se manifesta na libertação de meu egoísmo e na abertura do meu coração para o serviço ao meu semelhante.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Sinto-me discípulo/a de Jesus. Vou viver este dia como discípulo e missionário de Jesus Mestre Verdade, Caminho e Vida.
E rezo, finalizando:
Jesus, Mestre:
que eu pense com a tua inteligência, com a tua sabedoria.
Que eu ame com o teu coração.
Que eu veja com os teus olhos.
Que eu fale com a tua língua.
Que eu ouça com os teus ouvidos.
Que as minhas mãos sejam as tuas.
Que os meus pés estejam sobre as tuas pegadas.
Que eu reze com as tuas orações.
Que eu celebre como tu te imolaste.
Que eu esteja em ti e tu em mim. Amém.
Jesus e Maria, dai-me a vossa bênção:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

REFLEXÕES

JESUS ENVIA O HOMEM LIBERTO A ANUNCIAR

Em um estilo dramático, Marcos apresenta-nos esta narrativa de expulsão de um espírito impuro. No início de seu ministério Jesus expulsara o espírito impuro do homem na sinagoga. Era a denúncia da doutrina da própria sinagoga. Agora, em território gentílico, é a denúncia do espírito do império romano que dominava a região. O espírito era uma “legião”, nome da unidade militar romana de ocupação. A legião é expulsa para os porcos que se lançam no mar, como foi submerso o exército do faraó, na saída do Egito. Temos aí uma afirmação da prática de Jesus como libertação dos oprimidos pelos poderes, religioso ou político.
No fim da narrativa, Jesus envia o homem liberto para anunciar a misericórdia que experimentou. Podemos ver na narrativa uma caracterização da ação missionária para as comunidades.

JESUS LIBERTA O POSSESSO

O que nós queremos fazer a partir do momento em que fazemos uma experiência mais profunda do amor de Deus em nossas vidas?
Em muitos casos, o que acontece é que a pessoa adota uma postura intimista e individualista de vivência religiosa. O Evangelho de hoje nos mostra essa tendência, mas nos mostra também a vontade de Deus. Jesus não permitiu que o homem que tinha sido endemoninhado ficasse com ele, mas o enviou para ser evangelizador através do testemunho da misericórdia de Deus, mostrando-nos, assim, que a verdadeira resposta ao amor de Deus é o compromisso evangelizador.

UMA MISSÃO IMPORTANTE

Escravo de uma legião de demônios, um infeliz estava levando uma vida desumana. Jesus libertou-o e o fez voltar ao convívio social. O gesto mais significativo que esse homem libertado do poder dos espíritos impuros encontrou, para expressar sua gratidão ao Mestre, foi oferecer-se para ser discípulo dele, que foi solidário com o seu sofrimento.
Jesus, porém, não aceitou este pedido. Antes, mandou o homem para casa com a missão de narrar aos familiares tudo quanto Deus realizara em seu favor, manifestando-lhe sua misericórdia.
A atitude do Mestre tem sua razão de ser. Num ambiente pagão, onde as pessoas viviam tomadas pelo medo dos espíritos demoníacos, era preciso haver alguém que fosse um sinal do poder libertador de Deus. Portanto, aquele homem recebera a importante missão de ser missionário entre os pagãos. Competia-lhe mostrar a todos que as pessoas não estão fadadas a serem escravas dos demônios, e que Deus havia enviado alguém com a tarefa de libertá-las. E esse alguém era Jesus! Seu poder superava o dos demônios, mesmo que fossem uma legião. Sua palavra, cheia de autoridade, subjugava os espíritos maus. A ele deviam recorrer todos quantos queriam libertar-se.

AQUELE QUE SE CONVERTE TORNA-SE BÊNÇÃO PARA O SEU LAR E PARA A SOCIEDADE

Depois de atravessar o mar da Galileia, Jesus chegou com Seus discípulos à província de Gadara, onde encontrou um homem endemoninhado (cf. Mc 5,1-20; Mt 8,28-34; Lc 8,26-39).
As narrativas de milagres, frequentes nos Evangelhos, são a expressão do amor libertador e vivificante de Jesus. Em Marcos, o ato inaugural do ministério de Cristo se dá com a expulsão do demônio de um homem na sinagoga. Fica, assim, destacada a libertação da doutrina opressora desse local [sinagoga].
Na narrativa de hoje, Jesus Nazareno liberta um homem em território dos gentios, sob o domínio do Império Romano. A identificação do demônio, que o possuía pelo nome de “legião”, aponta para as legiões romanas que ocupavam esta região. Os porcos, que se arremetem ao mar e perecem, assemelham-se ao exército do faraó no Mar Vermelho, no Êxodo.
O homem libertado por Jesus sai a anunciar a Sua misericórdia, tornando-se um missionário gentio entre os gentios.
Aquele episódio, entre tantos registrados na Bíblia, nos mostra a existência dos demônios, que são espíritos maus, anjos decaídos, que estão na terra com o propósito de prejudicar a humanidade e afrontar a Deus.
Além de influenciar e oprimir os homens, os espíritos malignos chegam a possuir a mente e o corpo de muitas pessoas. Aquele homem tinha muitos demônios que se identificaram com o nome de “legião”. Assim era chamada uma divisão do exército romano composta por 6 mil soldados. Percebe-se que a denominação de uma entidade maligna pode ser ocasional, utilizando uma palavra significativa em dado contexto cultural.
Muitos negam a existência de demônios e atribuem aos problemas mentais quaisquer manifestações desse tipo. Fato é que inúmeras pessoas têm sido libertas pelo nome de Jesus. Se esse Nome tem o poder que a Bíblia lhe atribui, então também é verídica a possessão demoníaca que a mesma Bíblia afirma.
O gadareno vivia nos sepulcros, que eram cavernas. Ali não era lugar para pessoas vivas, mas o demônio o levou para lá. Nisso percebemos o seu propósito de roubar, matar e destruir (cf. João 10,10). A vida daquele homem estava encerrada, perdida. Estava separado da família, dos amigos e da sociedade. Era um morto-vivo morando no cemitério, sem esperança e sem perspectiva. Assim como Deus tem um plano para o ser humano, satanás também o tem, e aquele homem atingira um estágio avançado da execução dos desígnios diabólicos. Quem não segue a Cristo está caminhando com o inimigo rumo à perdição eterna. Ainda que não esteja possesso, está influenciado e dominado pelo mal, podendo chegar a situações muito piores.
Ninguém podia fazer coisa alguma por aquele homem. Não podiam salvá-lo ou ajudá-lo de alguma forma. Então, tentavam prendê-lo, talvez com a intenção de protegê-lo de si mesmo. Entretanto, os demônios se manifestavam com fúria, despedaçando correntes e cadeias. Ele era incontrolável. Nenhum ser humano tem força para controlar um demônio.
O que dizer de milhares?
Aquele homem precisava conhecer Jesus.
O possesso vivia perturbado. Era feroz e ameaçador (cf. Mt 8,28). Não tinha descanso. Não conseguia dormir. Andava nu, gritando, dia e noite, enquanto se feria com pedras. O inferno será muito pior do que isso. Neste endemoniado estava uma amostra do tormento eterno. Muitas pessoas, mesmo não estando possessas, estão oprimidas pelo inimigo e são descontroladas, inquietas, agitadas, vivem ferindo a si mesmas e aos outros. Precisam de um encontro com Jesus. Os que estão nas mãos de satanás vão acumulando feridas diversas, numa vida de dor e sofrimento atroz. Cristo é o único que pode lhes trazer libertação e salvação.
O demônio reconheceu Jesus imediatamente e se prostrou para adorá-Lo, como fazia quando era um anjo de Deus. Naquele momento, o espírito mau deu o seu testemunho de que Jesus é o Filho de Deus. Algo tão difícil para as pessoas acreditarem e reconhecerem, era fato natural para aquela entidade maligna.
Imediatamente, o Senhor Jesus expulsou a legião daquele homem. Quando o gadareno encontra o Nazareno, tudo muda. O Senhor faz o que ninguém mais pode fazer. O endemoniado não podia libertar a si mesmo da escravidão espiritual. Os outros também não podiam libertá-lo. Mas sim, o Filho de Deus. Ele, sim, veio trazer liberdade aos cativos, desfazendo as obras do mal.
Jesus atendeu ao pedido daqueles espíritos, permitindo que eles entrassem nos porcos. Imediatamente, aqueles animais foram precipitados no despenhadeiro, caindo no mar e morrendo afogados. Creio que era isso que os demônios pretendiam fazer ao gadareno.
Então, por que não fizeram?
Eles só agem dentro dos limites da permissão divina (cf. Mc 5,13). Além disso, os demônios usavam aquele corpo como casa (cf. Mt 12,43-44) e não iriam destruí-lo tão cedo. O diabo utiliza seus escravos para fazer suas obras malignas neste mundo. Por isso, é útil para ele que suas vidas miseráveis sejam prolongadas por algum tempo.
Depois da libertação, o gadareno parecia outro homem. Foi encontrado assentado, vestido e em perfeito juízo (cf. Mc 5,15). A conversão é o início de uma nova vida, com equilíbrio, sossego, descanso, paz, dignidade, ordem e decência. Além de ter sido liberto, aquele homem foi salvo (cf. Lc 8,36).
Muitas pessoas vieram vê-lo, mas não glorificaram a Deus por sua libertação. O momento era propício ao louvor e à ação de graças, mas houve murmuração. Os demônios adoraram a Jesus, mas o povo não O adorou. Muitos ficaram revoltados contra Ele por causa da morte dos porcos. Portanto, aquele homem não tinha valor algum para o seu povo; os porcos eram considerados mais importantes. A perda financeira foi mais sentida do que o ganho humano e espiritual. O materialismo dominava aquela gente. Encontraram Cristo, mas não foram salvos. Resolveram expulsá-Lo daquela cidade. Que situação estranha! Jesus expulsou os demônios de um homem e depois foi expulso do lugar. Qual é a nossa atitude para com Jesus? Hoje, da mesma forma, cada pessoa deve tomar a decisão de acolher Jesus ou rejeitá-Lo.
O gadareno liberto pediu para seguir a Jesus, mas o Senhor não permitiu. Cristo havia atendido a um pedido dos demônios, mas não atendeu à oração daquele homem.
Por quê?
Jesus tinha um propósito para ele naquele lugar. Vemos nisso o amor e a misericórdia para com aquele povo ímpio que rejeitou o Senhor. Ele deixou o gadareno ali como o pregador, dando seu testemunho para todos, começando pela sua casa. Agora que estava liberto, poderia retomar a normalidade da sua vida. Sua família também tinha sido abençoada com a ajuda daquela libertação. Aquele que se converte torna-se bênção para o seu lar e para a sociedade.
Neste episódio, os discípulos nada fizeram, senão aprender com o Mestre aquilo que deveriam realizar após a Sua ascensão. Jesus subiu ao céus, mas encarregou Sua Igreja de continuar Sua obra de libertação. Assim, por intermédio de nós, Jesus continua libertando. Aqueles que alcançam a libertação e a salvação saem de uma vida de tormento e começam a usufruir a alegria de Deus em seus corações e se tornam Evangelhos vivos para os seus.

JESUS VOLTOU PARA O BARCO E O HOMEM QUE FORA POSSESSO SUPLICOU-LHE QUE O DEIXASSE ANDAR COM ELE. NÃO LHO PERMITIU

A verdadeira, a única perfeição, não é ter este ou aquele tipo de vida, é fazer a vontade de Deus; é ter a vida que Deus quer, onde Ele quer, e vivê-la como Ele próprio a viveria. Quando Ele nos permite escolher, então sim, procuremos segui-Lo passo a passo o mais exatamente possível, partilhar a Sua vida tal como ela foi, como os apóstolos o fizeram ao longo da Sua vida e após a Sua morte: o amor leva-nos a imitá-Lo. Se Deus permite esta escolha, esta liberdade, é precisamente porque quer que abramos as nossas velas ao vento do amor puro e, empurrados por ele, “corramos atrás do seu perfume” (Ct 1,4 LXX), em imitação perfeita, como São Pedro e São Paulo. […]
E se um dia Deus quiser tirar-nos, por algum tempo ou para sempre, deste caminho tão belo e tão perfeito, não nos perturbemos nem nos surpreendamos. Os Seus desígnios são insondáveis: poderá fazer por nós, a meio ou no fim da caminho, o que fez ao geraseno no início. Obedeçamos, façamos a Sua vontade […], andemos por onde Ele quiser, levemos a vida que a Sua vontade designar. Mas aproximemo-nos d’Ele com todas as nossas forças em toda a parte, e vivamos todas as situações, todas as condições, como Ele próprio as teria vivido, comportando-nos como Ele Se teria comportado se, pela vontade do Pai, Se tivesse encontrado na situação em que nós nos encontramos.

ESPÍRITO IMPURO, SAI DESTE HOMEM!

Hoje encontramos um fragmento do Evangelho que pode provocar o sorriso a mais de um. Imaginar-se uns dos mil porcos precipitando-se pelo monte abaixo, não deixa de ser uma imagem um pouco cômica. Mas a verdade é que a eles não lhes fez nenhuma graça, se enfadaram muito e lhe pediram a Jesus que se fora de seu território.
A atitude deles, mesmo que humanamente poderia parecer lógica, não deixa de ser francamente recriminável: prefeririam ter salvado seus porcos antes que a cura do endemoninhado. Isto é, antes os bens materiais, que nos proporcionam dinheiro e bem estar, que a vida em dignidade de um homem que não é dos “nossos”. Porque o que estava possuído por um espírito maligno só era uma pessoa que “Sempre, dia e noite, andava pelos sepulcros e nos montes, gritando e ferindo-se com pedras” (Mc 5,5).
Nos temos muitas vezes este perigo de apegar-nos ao que é nosso, e desesperar-nos quando perdemos aquilo que só é material. Assim, por exemplo, o camponês se desespera quando perde uma colheita mesmo tendo-a assegurada, ou o jogador de bolsa faz o mesmo quando suas ações perdem parte de seu valor. Em compensação, muitos poucos se desesperam vendo a fome ou a precariedade de tantos seres humanos, alguns dos quais vivem ao nosso lado.
Jesus sempre pôs em primeiro lugar as pessoas, mesmo antes que as leis e os poderosos de seu tempo. Mas nós, muitas vezes, pensamos só em nós mesmos e naquilo que acreditamos que nos traz felicidade, mesmo o egoísmo nunca traz felicidade. Como diria o bispo brasileiro Helder Câmara: “O egoísmo é a fonte mais infalível de infelicidade para si mesmo e para os que o rodeiam”.

QUE TENS A VER COMIGO JESUS, FILHO DE DEUS ALTÍSSIMO?

Depois de atravessar o mar agitado Jesus chega à região dos gerasenos. Um homem possuído por um espírito impuro vai ao seu encontro e reconhece Jesus como o Filho de Deus que tem poder contra as forças do mal e implora para que Jesus não o atormente isto é não o destrua. Em Jesus é oferecida a salvação também aos pagãos. Jesus liberta aquele homem e o envia em missão para anunciar o que Deus fez por ele.
Os habitantes daquela região ao verem que Jesus tinha libertado aquele homem e mandado o espírito impuro ir aos porcos, pedem que Jesus se retire de sua região. Preferem valorizar as posses deste mundo mais que a vida de um filho de Deus.
A atitude daqueles que pediram que Jesus fosse embora de sua região é a mesma atitude de quem hoje tira Deus de suas vidas para não ter que abrir mão de suas opções pelo poder e pelas riquezas.
Vivemos numa sociedade que valoriza mais o ter que o ser. Daí não se dar à devida importância que é a libertação daqueles que vivem oprimidos por sistemas injustos que levam a degradação da pessoa humana. Valorizam as posses dos bens materiais.
Jesus nos chama a atenção, pois nada pode estar acima da vida e acima do amor a Deus. Rejeitar Jesus é rejeitar a própria vida.
Aquele homem depois de liberto das forças do mal que o excluía fazendo-o viver entre os mortos ainda em vida, passa a anunciar o que experimentou do encontro com Jesus misericordioso enquanto que os que têm posse resistem à salvação.
Jesus veio nos libertar e nos dar vida e vida em plenitude. Todos nós que experimentamos esse amor de Deus que nos libertou e nos introduziu na vida nova em Cristo é enviado a dar o testemunho do quanto Deus tem feito em nossa vida. Mas este testemunho tem que ser dado com audácia, com entusiasmo. Jesus nos envia a contar ao mundo o que Deus tem feito em nossa vida. Outros também irão querer experimentar este amor de Deus se ver em nós pessoas felizes entusiasmadas, apaixonadas por Jesus. É preciso pedir a Jesus que nos liberte do nosso medo, que faça de nós pessoas audaciosas que assumam a missão e dê um novo rosto a nossa amada igreja.
Em Cristo!

NO OLHO DO FURACÃO…

Jesus não é um mestre acomodado no sucesso, bem que poderia fazê-lo, ficar na sinagoga dando um “show de bola” aos seus ouvintes, realizando curas prodigiosas que só contribuiriam para aumentar ainda mais o seu já famoso Ibope. Tem muito cristão querendo ser famoso na comunidade, mas fora dela, em ambientes hostis ao evangelho, poucos tem coragem de meter a cara.
Jesus vai com seus discípulos para uma área chamada Decápole formada por dez cidades onde impera o paganismo e onde as Forças do Mal “deita e rola”. Ao seu encontro vem um homem possesso de um espírito imundo, que vive em um cemitério (Deus me livre, que lugar para se morar) mas o evangelista não está mostrando o cenário de um filme de terror ou do exorcista, ao contrário, quer nos mostrar o quadro de morte presente naquela região e no mundo de hoje: Tráfico de drogas, corrupção, pessoas que deveriam estar do lado do bem, mas que passam para o lado do mal, enganadores e mentirosos, fraudadores, destruição de instituições sagradas como a Família…Parece que estamos todos em um grande cemitério cercado de mortos por todos os lados…
Pois bem, os que manipulam essa situação calamitosa, os que contribuem direta ou indiretamente para manter esse quadro tenebroso de morte e pânico por todos os lados, têm suas vantagens e não querem que nada mude. O traficante não quer que o jovem se liberte das drogas, os policiais e autoridades corruptas que se beneficiam desse tráfico danoso e imoral, também não querem. Os políticos corruptos presentes em Brasília e em todos os estados e municípios não querem mudança na legislação.
Os que vivem da prostituição de crianças, menores, mulheres, estão bem assim, se mexer no quadro para valorizar e libertar todas essas pessoas, vai causar um “Prejú” no Caixa dois.
E assim vai com o cigarro, maconha, craque, heroína, bebida alcoólica, a quem não interessa acabar com tudo isso?
Os que faturam e que são muitos…
Interessante que muitos desses ainda querem sair bem na “fita”, em um sistema marcado pela hipocrisia…
Representando todos esses possessos do “Mal”, presente em nossa sociedade, o homem vem correndo até Jesus e prostrando-se diante dele implora que não o atormente. Não me venha com mudanças na ética e na moral, nos valores, não me venha falar em Justiça social, respeito a dignidade da Vida humana, partilha e solidariedade, ética na política, na medicina, na educação. Novas oportunidades para quem errou, mudanças no sistema carcerário…
Mas Jesus não se deixa engambelar por “choramingos” ideológicos, dos que insistem em sustentar essa situação, “Espírito Imundo, sai desse homem!”. Não adianta o mal disfarçar-se de bem, pode maquiar-se do jeito que quiser, o Bem supremo que é Jesus Cristo desmascara o Mal. O Mal é impuro e por isso o seu lugar é na manada de porcos, que se precipita de um lugar alto ao fundo do mar. O coração humano não é lugar de impurezas, nele o mal não pode ter vez e nem domínio.
E o possesso, agora livre começa a propagar a ação libertadora de Jesus, mas longe de acolhê-lo, o povo cativo do Mal, certamente liderado para aqueles que não querem mudanças, pedem para que Jesus se vá. Hoje não é diferente, a Consumismo criou um Jesus doce, bonzinho, acomodado e conformado com o mal, em uma religião que longe de libertar aprisiona cada vez mais o ser humano…

JESUS EXPULSA DEMÔNIOS NO CEMITÉRIO

CALA-TE E SAI DELE!
A primeira bicicleta que ganhei, aos oito anos, tinha duas rodinhas de sustentação para facilitar o equilíbrio no aprendizado, e o futuro ciclista deveria fazer de conta que elas não existiam, para que o treinamento surtisse efeito. Por puro comodismo comecei a me exibir para os familiares, imprimindo velocidade nos pedais e até largando das mãos, para mostrar que estava seguro, mas na verdade colocava toda minha segurança nas rodinhas auxiliares, que não deixavam a bicicleta cair em minhas arrojadas manobras.
A turma me olhava com uma pontinha de inveja, quando eu passava “esnobando” com a bicicleta, meus familiares sentiam-se orgulhosos e tudo ia bem até que apareceu um chato, um estraga-prazer de nome Odair, colega de escola, garoto de grande vivacidade e inteligência, que me desafiou. “Ah quero ver você andar sem essas rodinhas aí…”!
Tentei em vão argumentar, que as rodinhas não eram importantes, mas o Odair pegou de brabo e comentou com a turma, que eu não sabia andar coisa nenhuma, e que só estava enganando a todos. Lembro-me que fiquei quase duas semanas de “beiço caído” sem falar com ele, entretanto, com o passar dos dias fui vendo que tinha razão, se não tivesse coragem de tirar as rodinhas auxiliares, nunca iria aprender de verdade, a andar de bicicleta, porque a minha habilidade de ciclista não passava de uma mentira.
Essa é exatamente a missão do profeta: denunciar todas as nossas falsas seguranças, mostrando-nos a verdade que tem de ser buscada e cultivada, em nossa relação com Deus e com os irmãos, para que a nossa vida de cristãos não seja uma grande mentira em uma religião só de aparência. No Antigo Testamento os profetas lembravam ao povo a fidelidade à aliança, toda vez que dela se afastavam. A Palavra de Deus manifestada através de Moisés, antes de ser uma norma rígida era um dom, pois oferecia orientações seguras de como viver bem e ser feliz, sob o amparo e a proteção do Deus da Aliança, nesta relação exclusiva e particular “Vós sereis o meu povo e eu serei o Vosso Deus”. Mas os profetas e todos os demais que falaram ao povo em seu nome sofreram muito, foram rejeitados, incompreendidos e até perseguidos e mortos, pois muitos não estavam dispostos a ouvir a Verdade que os faria mudar de vida.
O evangelho desse domingo faz uma apresentação solene de um novo, único e verdadeiro profeta que não vem para fazer mais promessas, mas sim para cumpri-las uma a uma. O seu múnus profético se revela na comunidade onde irá realizar um sinal, como prenúncio da sua obra de salvação, que tem na libertação do homem o seu ponto mais alto, naquele sábado na sinagoga, a comunidade conheceu Jesus de Nazaré, o Messias de quem falaram todos os profetas. O seu ensinamento causava admiração, pois ensinava com autoridade e não como os mestres da lei.
Ensinar com autoridade não é falar grosso, gritar e dar murros na mesa, como certos pregadores, que gostam de fazer terrorismo religioso, mas é mostrar primeiro a vivência daquilo que se ensina, unir fé e vida, celebrar aquilo que se Crê, é ter uma fé encarnada na história, é sempre falar em nome de Deus. A palavra é libertadora porque gera vida nova, renova o homem por inteiro, Jesus é a palavra viva, o Logus de Deus, o Verbo encarnado no meio dos homens. Para surpresa de todos, na comunidade há um homem possuído por um espírito do mal que conhece Jesus, inclusive manifesta esse conhecimento em palavras bonitas “Sei que tu és o Santo de Deus”, sabe, portanto quem ele é e a que veio, mas não o aceita, não admite que o seu ensinamento interfira no modo de pensar e viver. Parece que Marcos fala as autoridades religiosas do seu tempo, e ao homem da modernidade, que apenas o conhecimento da pessoa de Jesus e sua missão, sem o compromisso de vida com o santo evangelho, jamais vai nos conferir uma fé autêntica, Jesus ornamenta muitos lugares públicos e está em uma correntinha no peito de muita gente, mas falta uma abertura maior para que as atitudes dos que nele dizem professar a fé, sejam realmente atitudes de um cristão.
O tratamento que Jesus dá ao homem possuído pelo espírito do mal, é de choque – Cala-te e sai dele! CALA-TE, porque a palavra que o mal nos propõe é enganosa e mentirosa, traz a morte e não a vida, aprisiona em vez de libertar. O homem da modernidade parece não ter forças para fazer calar tantas vozes mentirosas que seduzem, corrompem, e destrói a dignidade do ser humano, o homem da modernidade se acha importante com o seu conhecimento e o progresso e, entretanto, é totalmente impotente diante das forças do mal, justamente porque não professa uma fé verdadeira e perdeu totalmente a noção do pecado, que contraria a graça de Deus e a sua santa palavra.
As Igrejas cristãs devem ter coragem e ousadia, para fazer calar e expulsar tantos “espíritos do mal” que continua a enganar o ser humano, com propostas sedutoras de vida, arrastando muitos para a morte. Ouçamos o apelo dos nossos pastores e sejamos uma igreja mais profética e menos sacramentalista, mais missionária e menos ritualista, fazendo um ensinamento novo, capaz de derrubar as velharias ideológicas escravizadoras, contrárias aos princípios do Reino Novo, que Jesus inaugurou um dia, lá na sinagoga de Nazaré… Quando mostrou quem ele é, e a que veio…

OS DEMÔNIOS DO CEMITÉRIO

Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?
Neste Evangelho narra que Jesus, ao entrar numa cidade, expulsou o demônio de dois homens. Os demônios foram para uma grande manada de porcos, os quais se atiraram no mar e morreram. Então os habitantes da cidade pediram a Jesus que se retirasse da região deles.
A criação de porcos era a principal economia daquele povo. A libertação do pecado, muitas vezes, tem como preço a diminuição da renda em dinheiro, especialmente quando essa renda provém ou está sendo fonte de pecado.
Deus só aceita quem o ama sobre todas as coisas. Não podemos servir a dois senhores: a Deus e ao dinheiro.
Os possessos saíram dos túmulos. Os mortos querem viver entre os mortos. Os pecadores querem viver entre os pecadores. Por outro lado, os santos querem viver entre os santos. “Diz-me com quem andas e te direi quem és”. O túmulo é um lugar escuro. “Todo aquele que pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas” (Jo 3,20).
“Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho.” Quem vive com Deus é pacífico, quem não vive, é violento. Existem ruas, e até bairro, em que o povo tem medo de passar. A violência moral às vezes é pior que a física.
“Que tens a ver conosco, Filho de Deus?” As estruturas do mal conhecem quem é mais forte que elas e tem poder de destruí-las. A Igreja de Jesus, una, santa, católica e apostólica, é a religião mais atacada do mundo. Todas as religiões se unem apenas em um ponto: para atacar os católicos. Quem está fora da Igreja católica sabe que ela é o Corpo Vivo de Jesus, o Filho de Deus, por isso a ataca.
“Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” É uma referência ao inferno, o tormento no tempo certo.
“Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos.” O porco era considerado um animal impuro, porque vive na lama e anda sempre sujo. Combina, portanto, com o “pai do pecado” que é o demônio.
“A cidade toda foi ao encontro de Jesus, e lhe pediram que se retirasse da região deles.” Preferiram o dinheiro (porcos) a Jesus. Na verdade, todos os habitantes da cidade eram possessos, ou possuídos pelo deus dinheiro. Quem não renuncia a tudo o que possui não pode entrar no Reino de Deus. “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16,13).
E assim, a recusa a Jesus ia crescendo dia-a-dia e o seu campo de trabalho diminuindo, até que, na ressurreição, explodiu para o mundo inteiro, e nunca mais será barrado.
Certa vez, um pastor estava no campo cuidando de um enorme rebanho de ovelhas. E estava ao lado de uma estrada. De repente um carro parou. Saiu do volante um rapaz, com jeito de distinto, e disse ao pastor:
— Se eu lhe disser quantas ovelhas o senhor tem neste rebanho, o senhor me dá uma?
O pastor respondeu:
— Tranquilo!
O rapaz pegou no carro o seu notebook, conectou-o na internet via satélite, acessou um programa especial de contagem de animais pelo satélite e, em poucos segundos, apareceu na tela o número: Havia ali 1586 ovelhas.
— É exatamente este número, – confirmou o pastor.
Então o jovem pegou uma ovelha, pôs no carro, e já estava indo embora, quando o pastor o chamou e disse:
— Moço, se eu lhe disser algo da sua vida particular, você me devolve a ovelha?
— Sim, – respondeu ele.
O pastor falou:
— Você leva uma vida bastante isolada, tanto das pessoas como dos animais.
— Acertou de cheio.
Disse o jovem.
— Mas me diga uma coisa: Como que o senhor sabe disso?
— O pastor respondeu:
— Porque você teve um comportamento estranho: parou aqui sem necessidade, contou minhas ovelhas sem eu pedir, e me cobrou uma ovelha para dizer o que eu já sabia. E não entende nada de ovelha, porque o que você pegou não é ovelha, mas o meu cachorro!
Rapaz tão inteligente em umas coisas, mas tão burro em outras.
Quantos jovens de hoje estão na mesma situação! Há muitas maneiras de ser possuído pelo demônio; apegar-se demasiadamente à técnica e à ciência e se esquecer da caridade e do respeito ao próximo é uma delas.
Maria Santíssima acolhia sempre seu Filho com amor de mãe. Que ela nos ajude a recebê-lo bem e segui-lo, renunciando a tudo o que é contrário a ele.
Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?

O PODER DE JESUS SOBRE O DEMÔNIO

O evangelho de hoje acentua o poder de Jesus sobre o demônio. No nosso texto, o demônio ou o poder do mal é associado com três coisas:
1) Com o cemitério, o lugar dos mortos. A morte que mata a vida!

2) Com o porco, que era considerado um animal impuro. A impureza que separa de Deus!

3) Com o mar, que era visto como símbolo do caos de antes da criação. O caos que destrói a natureza.
O evangelho de Marcos, de onde Mateus tirou a sua informação, ainda associa o poder do mal a um quarto elemento que é a palavra Legião, (Mc 5,9), nome dos exércitos do império romano. O império que oprimia e explorava os povos. Assim se compreende como a vitória de Jesus sobre o demônio tinha um alcance enorme para a vida das comunidades dos anos setenta, época em que Mateus escreve o seu evangelho. Elas viviam oprimidas e marginalizadas, pela ideologia oficial tanto do império romano como do farisaísmo que se renovava. O mesmo significado e alcance continua válido para nós hoje.

* Mateus 8,28: O poder do mal oprime, maltrata e aliena as pessoas.

Este versículo inicial descreve a situação do povo antes da chegada de Jesus. Na maneira de descrever o comportamento dos dois endemoninhados, o evangelista associa o poder do mal com cemitério e morte. É um poder mortal sem rumo, ameaçador, descontrolado e destruidor, que mete medo em todos. Priva a pessoa da consciência, do autocontrole e da autonomia.

* Mateus 8,29: Diante da simples presença de Jesus o poder do mal se desmorona e se desintegra.

Aqui se descreve o primeiro contato entre Jesus e os dois possessos. É a desproporção total. O poder, que antes parecia tão forte, se derrete e se desmancha diante de Jesus. Eles gritam: “Que é que há entre nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” Sentem que perderam o poder.

* Mateus 8,30-32: O poder do mal é impuro e não tem autonomia nem consistência.

O demônio não tem poder sobre os seus próprios movimentos. Só consegue ir para dentro dos porcos com a permissão de Jesus! Uma vez dentro dos porcos, estes se precipitam no mar. Na opinião do povo, o porco era símbolo da impureza que impedia o ser humano de relacionar-se com Deus e sentir-se acolhido por Ele. O mar era símbolo do caos que existia antes da criação e que, conforme a crença da época, continuava ameaçando a vida. Este episódio dos porcos que se precipitam no mar é estranho e difícil de ser entendido. Mas a mensagem é muito clara: diante de Jesus, o poder do mal não tem autonomia nem consistência. Quem crê em Jesus já venceu o poder do mal e já não precisa ter medo!

* Mateus 8,33-34: A reação do povo do lugar.

Alertado pelos empregados que tomavam conta dos porcos, o povo do lugar veio ao encontro de Jesus. Marcos informa que eles viram “o endemoninhado sentado, vestido e em perfeito juízo” (Mc 5,15). Mas eles ficaram sem os porcos! Por isso, pedem a Jesus para ir embora. Para eles, os porcos eram mais importantes que o ser humano que acabava de ser devolvido a si mesmo.

* A expulsão dos demônios. No tempo de Jesus, as palavras demônio ou satanás, eram usadas para indicar o poder do mal que desviava as pessoas do bom caminho. Por exemplo, quando Pedro tentou desviar Jesus, ele foi Satanás para Jesus (Mc 8,33). Outras vezes, aquelas mesmas palavras eram usadas para indicar o poder político do império romano que oprimia e explorava o povo. Por exemplo, no Apocalipse, o império romano é identificado com “Diabo ou Satanás” (Ap 12,9). Outras vezes ainda, o povo usava as mesmas palavras para indicar os males e as doenças. Assim se falava em demônio ou espírito mudo, espírito surdo, espírito impuro, etc. Havia muito medo! No tempo de Mateus, segunda metade do primeiro século, o medo dos demônios estava aumentando. Algumas religiões, vindas do Oriente, divulgavam um culto aos espíritos. Elas ensinavam que gestos errados nossos podiam irritar os espíritos, e estes, para se vingar de nós, podiam impedir nosso acesso a Deus e privar-nos dos benefícios divinos. Por isso, através de ritos e despachos, rezas fortes e cerimônias complicadas, o povo procurava acalmar esses espíritos ou demônios, a fim de que não prejudicassem a vida humana. Estas religiões, em vez de libertar o povo, alimentavam nele o medo e a angústia. Ora, um dos objetivos da Boa Nova de Jesus era ajudar o povo a se libertar deste medo. A chegada do Reino de Deus significou a chegada de um poder mais forte. Jesus é “o homem mais forte” que chegou para amarrar o Satanás, o poder do mal, e roubar dele a humanidade prisioneira do medo (cf. Mc 3,27). Por isso, os evangelhos insistem tanto na vitória de Jesus sobre o poder do mal, sobre o demônio, sobre o Satanás, sobre o pecado e sobre a morte. Era para animar as comunidades a vencer este medo do demônio! E hoje, quem de nós pode dizer: Eu sou totalmente livre? Ninguém! Então, se não sou totalmente livre, alguma parte em mim é possuída por outros poderes. Como expulsar estes poderes? A mensagem do evangelho de hoje continua válido para nós.

4) Para um confronto pessoal
1. O que está oprimindo e maltratando o povo, hoje? Por que, hoje, em certos lugares, se fala tanto em expulsão de demônio? Será que é bom insistir tanto no demônio? O que você acha?
2. Quem de nós pode dizer que é totalmente livre ou liberto? Ninguém! Então, somos todos um pouco possessos, possuídos por outros poderes que ocupam algum espaço dentro de nós. Como fazer para expulsar este poder de dentro nós e de dentro da sociedade?

5) Oração final
O Senhor é clemente e misericordioso, lento para a ira e rico de graça.
O Senhor é bom para com todos, compassivo com todas as suas criaturas.(Sal 144, 8-9).

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

A atitude dos que pedem que Jesus vá embora é a mesma da sociedade que valoriza mais a posse dos bens do que a liberdade interior e exterior das pessoas. A sociedade que põe qualquer coisa acima da vida humana está rejeitando Jesus.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

O reconhecimento de nossas faltas é fundamental para não permanecermos no pecado. O encontro com Jesus nos ajuda a superar todos os obstáculos.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo, aleluia (Lc 7,16).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome nos gloriemos em vosso louvor (Sl 105,47).

Antífona da comunhão

Mostrai serena a vossa face ao vosso servo e salvai-me pela vossa compaixão! (Sl)

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Ajudai-nos, Senhor.

— Senhor, libertai as pessoas de suas opressões, vos pedimos.
— Livrai-nos do mal que nos afasta de vosso amor, vos pedimos.
— Guardai-nos de preconceitos e julgamentos sobre as pessoas, vos pedimos.
— Protegei as crianças que vivem nas ruas, vos pedimos.
— Abençoai os povos e grupos que buscam seus direitos, vos pedimos.

Oração sobre as oferendas

Para vos servir, ó Deus, depositamos nossas oferendas em vosso altar; acolhei-as com bondade, a fim de que se tornem o sacramento da nossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Renovados pelo sacramento da nossa redenção, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da salvação eterna nos faça progredir na verdadeira fé. Por Cristo, nosso Senhor.

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

30/Jan/2012 (segunda-feira)

LEITURAS

2 Samuel 15,13-14.30;16,5-13a (Livro do antigo ou 1º testamento / Livros Históricos)

Naqueles dias: 13Um mensageiro veio dizer a Davi: “As simpatias de todo o Israel estão com Absalão”. 14Davi disse aos servos que estavam com ele em Jerusalém: “Depressa, fujamos, porque, de outro modo, não podemos escapar de Absalão! Apressai-vos em partir, para que não aconteça que ele, chegando, nos apanhe, traga sobre nós a ruína, e passe a cidade ao fio da espada”. 30Davi caminhava chorando, enquanto subia o monte das Oliveiras, com a cabeça coberta e os pés descalços. E todo o povo que o acompanhava, subia também chorando, com a cabeça coberta. 16,5Quando o rei chegou a Baurim, saiu de lá um homem da parentela de Saul, chamado Semei, filho de Gera, que ia proferindo maldições enquanto andava. 6Atirava pedras contra Davi e contra todos os servos do rei, embora toda a tropa e todos os homens de elite seguissem agrupados à direita e à esquerda do rei Davi. 7Semei amaldiçoava-o, dizendo: “Vai-te embora! Vai-te embora, homem sanguinário e criminoso! 8O Senhor fez cair sobre ti todo o sangue da casa de Saul, cujo trono usurpaste, e entregou o trono a teu filho Absalão. Tu estás entregue à tua própria maldade, porque és um homem sanguinário”. 9Então Abisai, filho de Sarvia, disse ao rei: “Por que há de este cão morto continuar amaldiçoando o senhor, meu rei? Deixa-me passar para lhe cortar a cabeça”. 10Mas o rei respondeu: “Não te intrometas, filho de Sarvia! Se ele amaldiçoa e se o Senhor o mandou maldizer a Davi, quem poderia dizer-lhe: ‘Por que fazes isto?’”. 11E Davi disse a Abisai e a todos os seus servos: ‘Vede: Se meu filho, que saiu das minhas entranhas, atenta contra a minha vida, com mais razão esse filho de Benjamim. Deixai-o amaldiçoar, conforme a permissão do Senhor. 12Talvez o Senhor leve em conta a minha miséria, restituindo-me a ventura em lugar da maldição de hoje’. 13aE Davi e seus homens seguiram adiante.

Salmo 3,2-3.4-5.6-7 (R. 7b) (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

— Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me!
2Quão numerosos, ó Senhor, os que me atacam; quanta gente se levanta contra mim! 3Muitos dizem, comentando a meu respeito: ‘Ele não acha a salvação junto de Deus’!
4Mas sois vós o meu escudo protetor, a minha glória que levanta minha cabeça! 5Quando eu chamei em alta voz pelo Senhor, do Monte santo ele me ouviu e respondeu.
6Eu me deito e adormeço bem tranquilo; acordo em paz, pois o Senhor é meu sustento. 7Não terei medo de milhares que me cerquem e furiosos se levantem contra mim.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 5,1-20 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Sinótico)

Naquele tempo: 1Jesus e seus discípulos chegaram à outra margem do mar, na região dos gerasenos. 2Logo que saiu da barca, um homem possuído por um espírito impuro, saindo de um cemitério, foi ao seu encontro. 3Esse homem morava no meio dos túmulos e ninguém conseguia amarrá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes tinha sido amarrado com algemas e correntes, mas ele arrebentava as correntes e quebrava as algemas. E ninguém era capaz de dominá-lo. 5Dia e noite ele vagava entre os túmulos e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras. 6Vendo Jesus de longe, o endemoninhado correu, caiu de joelhos diante dele 7e gritou bem alto: “Que tens a ver comigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Eu te conjuro por Deus, não me atormentes!” 8Com efeito, Jesus lhe dizia: “Espírito impuro, sai desse homem!” 9Então Jesus perguntou: “Qual é o teu nome?” O homem respondeu: “Meu nome é ‘Legião’, porque somos muitos.” 10E pedia com insistência para que Jesus não o expulsasse da região. 11Havia aí perto uma grande manada de porcos, pastando na montanha. 12O espírito impuro suplicou, então: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles.” 13Jesus permitiu. Os espíritos impuros saíram do homem e entraram nos porcos. E toda a manada – mais ou menos uns dois mil porcos – atirou-se monte abaixo para dentro do mar, onde se afogou. 14Os homens que guardavam os porcos saíram correndo e espalharam a notícia na cidade e nos campos. E as pessoas foram ver o que havia acontecido. 15Elas foram até Jesus e viram o endemoninhado sentado, vestido e no seu perfeito juízo, aquele mesmo que antes estava possuído pela Legião. E ficaram com medo. 16Os que tinham presenciado o fato explicaram-lhes o que havia acontecido com o endemoninhado e com os porcos. 17Então começaram a pedir que Jesus fosse embora da região deles. 18Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse ficar com ele. 19Jesus, porém, não permitiu. Entretanto, lhe disse: “Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti.” 20Então o homem foi embora e começou a pregar na Decápole tudo o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam admirados.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

Paro onde Deus me fala interiormente, sem pressa, aprendendo a aprofundar.
Pergunto-me:
O que o texto diz para mim?
Acolho o que vier à mente, o que tocar o meu coração: desejos, luzes, apelos, lembranças, inspirações.
Meus valores dão prioridade à ação de Deus na minha vida e na vida das demais pessoas?
Os bispos, em Aparecida, falaram sobre este tema: “os cristãos precisam recomeçar a partir de Cristo, a partir da contemplação de quem nos revelou em seu mistério a plenitude do cumprimento da vocação humana e de seu sentido. Necessitamos nos fazer discípulos dóceis, para aprende d’Ele, em seu seguimento, a dignidade e a plenitude de vida. E necessitamos, ao mesmo tempo, que o zelo missionário nos consuma para levar ao coração da cultura de nosso tempo aquele sentido unitário e completo da vida humana que nem a ciência, nem a política, nem a economia nem os meios de comunicação poderão proporcionar. Em Cristo Palavra, Sabedoria de Deus (cf. 1Cor 1,30), a cultura pode voltar a encontrar seu centro e sua profundidade, a partir de onde é possível olhar a realidade no conjunto de todos seus fatores, discernindo-os à luz do Evangelho e dando a cada um seu lugar e sua dimensão adequada.” (DAp 41 ).

… a VERDADE …

Leio na Bíblia o texto todo, de uma vez: Mc 5,1-20.
Releio, devagar, versículo por versículo.
Pergunto-me:
O que diz o texto em si?
Ajudando a compreender…
Jesus entrou em Gerasa, território pagão, onde cuidavam de animais impuros, conforme a concepção da época. Aí encontrou um homem que estava dominado por um espírito mau e que vivia escondendo-se no cemitério. Este homem dominado pela “Multidão” de espíritos maus é liberto por Jesus e toda impureza foi para o fundo do mar. Os moradores daquela região não agradecem a Jesus por esta purificação. O homem, antes endemoninhado, recuperou sua dignidade individual e social. Os moradores assustam-se com o poder de Jesus e se sentem incomodados. A eles pesa mais o custo do rebanho de porcos do que a cura do homem. As coisas “valem” mais do que a pessoa. Jesus é mandado embora. O homem liberto quer segui-lo, mas Jesus não o permite. Quer que ele seja testemunha do que Deus lhe fez.

… e a VIDA …

Pai, faze-me anunciador da compaixão que tens por mim, a qual se manifesta na libertação de meu egoísmo e na abertura do meu coração para o serviço ao meu semelhante.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Sinto-me discípulo/a de Jesus. Vou viver este dia como discípulo e missionário de Jesus Mestre Verdade, Caminho e Vida.
E rezo, finalizando:
Jesus, Mestre:
que eu pense com a tua inteligência, com a tua sabedoria.
Que eu ame com o teu coração.
Que eu veja com os teus olhos.
Que eu fale com a tua língua.
Que eu ouça com os teus ouvidos.
Que as minhas mãos sejam as tuas.
Que os meus pés estejam sobre as tuas pegadas.
Que eu reze com as tuas orações.
Que eu celebre como tu te imolaste.
Que eu esteja em ti e tu em mim. Amém.
Jesus e Maria, dai-me a vossa bênção:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

REFLEXÕES

JESUS ENVIA O HOMEM LIBERTO A ANUNCIAR

Em um estilo dramático, Marcos apresenta-nos esta narrativa de expulsão de um espírito impuro. No início de seu ministério Jesus expulsara o espírito impuro do homem na sinagoga. Era a denúncia da doutrina da própria sinagoga. Agora, em território gentílico, é a denúncia do espírito do império romano que dominava a região. O espírito era uma “legião”, nome da unidade militar romana de ocupação. A legião é expulsa para os porcos que se lançam no mar, como foi submerso o exército do faraó, na saída do Egito. Temos aí uma afirmação da prática de Jesus como libertação dos oprimidos pelos poderes, religioso ou político.
No fim da narrativa, Jesus envia o homem liberto para anunciar a misericórdia que experimentou. Podemos ver na narrativa uma caracterização da ação missionária para as comunidades.

JESUS LIBERTA O POSSESSO

O que nós queremos fazer a partir do momento em que fazemos uma experiência mais profunda do amor de Deus em nossas vidas?
Em muitos casos, o que acontece é que a pessoa adota uma postura intimista e individualista de vivência religiosa. O Evangelho de hoje nos mostra essa tendência, mas nos mostra também a vontade de Deus. Jesus não permitiu que o homem que tinha sido endemoninhado ficasse com ele, mas o enviou para ser evangelizador através do testemunho da misericórdia de Deus, mostrando-nos, assim, que a verdadeira resposta ao amor de Deus é o compromisso evangelizador.

UMA MISSÃO IMPORTANTE

Escravo de uma legião de demônios, um infeliz estava levando uma vida desumana. Jesus libertou-o e o fez voltar ao convívio social. O gesto mais significativo que esse homem libertado do poder dos espíritos impuros encontrou, para expressar sua gratidão ao Mestre, foi oferecer-se para ser discípulo dele, que foi solidário com o seu sofrimento.
Jesus, porém, não aceitou este pedido. Antes, mandou o homem para casa com a missão de narrar aos familiares tudo quanto Deus realizara em seu favor, manifestando-lhe sua misericórdia.
A atitude do Mestre tem sua razão de ser. Num ambiente pagão, onde as pessoas viviam tomadas pelo medo dos espíritos demoníacos, era preciso haver alguém que fosse um sinal do poder libertador de Deus. Portanto, aquele homem recebera a importante missão de ser missionário entre os pagãos. Competia-lhe mostrar a todos que as pessoas não estão fadadas a serem escravas dos demônios, e que Deus havia enviado alguém com a tarefa de libertá-las. E esse alguém era Jesus! Seu poder superava o dos demônios, mesmo que fossem uma legião. Sua palavra, cheia de autoridade, subjugava os espíritos maus. A ele deviam recorrer todos quantos queriam libertar-se.

AQUELE QUE SE CONVERTE TORNA-SE BÊNÇÃO PARA O SEU LAR E PARA A SOCIEDADE

Depois de atravessar o mar da Galileia, Jesus chegou com Seus discípulos à província de Gadara, onde encontrou um homem endemoninhado (cf. Mc 5,1-20; Mt 8,28-34; Lc 8,26-39).
As narrativas de milagres, frequentes nos Evangelhos, são a expressão do amor libertador e vivificante de Jesus. Em Marcos, o ato inaugural do ministério de Cristo se dá com a expulsão do demônio de um homem na sinagoga. Fica, assim, destacada a libertação da doutrina opressora desse local [sinagoga].
Na narrativa de hoje, Jesus Nazareno liberta um homem em território dos gentios, sob o domínio do Império Romano. A identificação do demônio, que o possuía pelo nome de “legião”, aponta para as legiões romanas que ocupavam esta região. Os porcos, que se arremetem ao mar e perecem, assemelham-se ao exército do faraó no Mar Vermelho, no Êxodo.
O homem libertado por Jesus sai a anunciar a Sua misericórdia, tornando-se um missionário gentio entre os gentios.
Aquele episódio, entre tantos registrados na Bíblia, nos mostra a existência dos demônios, que são espíritos maus, anjos decaídos, que estão na terra com o propósito de prejudicar a humanidade e afrontar a Deus.
Além de influenciar e oprimir os homens, os espíritos malignos chegam a possuir a mente e o corpo de muitas pessoas. Aquele homem tinha muitos demônios que se identificaram com o nome de “legião”. Assim era chamada uma divisão do exército romano composta por 6 mil soldados. Percebe-se que a denominação de uma entidade maligna pode ser ocasional, utilizando uma palavra significativa em dado contexto cultural.
Muitos negam a existência de demônios e atribuem aos problemas mentais quaisquer manifestações desse tipo. Fato é que inúmeras pessoas têm sido libertas pelo nome de Jesus. Se esse Nome tem o poder que a Bíblia lhe atribui, então também é verídica a possessão demoníaca que a mesma Bíblia afirma.
O gadareno vivia nos sepulcros, que eram cavernas. Ali não era lugar para pessoas vivas, mas o demônio o levou para lá. Nisso percebemos o seu propósito de roubar, matar e destruir (cf. João 10,10). A vida daquele homem estava encerrada, perdida. Estava separado da família, dos amigos e da sociedade. Era um morto-vivo morando no cemitério, sem esperança e sem perspectiva. Assim como Deus tem um plano para o ser humano, satanás também o tem, e aquele homem atingira um estágio avançado da execução dos desígnios diabólicos. Quem não segue a Cristo está caminhando com o inimigo rumo à perdição eterna. Ainda que não esteja possesso, está influenciado e dominado pelo mal, podendo chegar a situações muito piores.
Ninguém podia fazer coisa alguma por aquele homem. Não podiam salvá-lo ou ajudá-lo de alguma forma. Então, tentavam prendê-lo, talvez com a intenção de protegê-lo de si mesmo. Entretanto, os demônios se manifestavam com fúria, despedaçando correntes e cadeias. Ele era incontrolável. Nenhum ser humano tem força para controlar um demônio.
O que dizer de milhares?
Aquele homem precisava conhecer Jesus.
O possesso vivia perturbado. Era feroz e ameaçador (cf. Mt 8,28). Não tinha descanso. Não conseguia dormir. Andava nu, gritando, dia e noite, enquanto se feria com pedras. O inferno será muito pior do que isso. Neste endemoniado estava uma amostra do tormento eterno. Muitas pessoas, mesmo não estando possessas, estão oprimidas pelo inimigo e são descontroladas, inquietas, agitadas, vivem ferindo a si mesmas e aos outros. Precisam de um encontro com Jesus. Os que estão nas mãos de satanás vão acumulando feridas diversas, numa vida de dor e sofrimento atroz. Cristo é o único que pode lhes trazer libertação e salvação.
O demônio reconheceu Jesus imediatamente e se prostrou para adorá-Lo, como fazia quando era um anjo de Deus. Naquele momento, o espírito mau deu o seu testemunho de que Jesus é o Filho de Deus. Algo tão difícil para as pessoas acreditarem e reconhecerem, era fato natural para aquela entidade maligna.
Imediatamente, o Senhor Jesus expulsou a legião daquele homem. Quando o gadareno encontra o Nazareno, tudo muda. O Senhor faz o que ninguém mais pode fazer. O endemoniado não podia libertar a si mesmo da escravidão espiritual. Os outros também não podiam libertá-lo. Mas sim, o Filho de Deus. Ele, sim, veio trazer liberdade aos cativos, desfazendo as obras do mal.
Jesus atendeu ao pedido daqueles espíritos, permitindo que eles entrassem nos porcos. Imediatamente, aqueles animais foram precipitados no despenhadeiro, caindo no mar e morrendo afogados. Creio que era isso que os demônios pretendiam fazer ao gadareno.
Então, por que não fizeram?
Eles só agem dentro dos limites da permissão divina (cf. Mc 5,13). Além disso, os demônios usavam aquele corpo como casa (cf. Mt 12,43-44) e não iriam destruí-lo tão cedo. O diabo utiliza seus escravos para fazer suas obras malignas neste mundo. Por isso, é útil para ele que suas vidas miseráveis sejam prolongadas por algum tempo.
Depois da libertação, o gadareno parecia outro homem. Foi encontrado assentado, vestido e em perfeito juízo (cf. Mc 5,15). A conversão é o início de uma nova vida, com equilíbrio, sossego, descanso, paz, dignidade, ordem e decência. Além de ter sido liberto, aquele homem foi salvo (cf. Lc 8,36).
Muitas pessoas vieram vê-lo, mas não glorificaram a Deus por sua libertação. O momento era propício ao louvor e à ação de graças, mas houve murmuração. Os demônios adoraram a Jesus, mas o povo não O adorou. Muitos ficaram revoltados contra Ele por causa da morte dos porcos. Portanto, aquele homem não tinha valor algum para o seu povo; os porcos eram considerados mais importantes. A perda financeira foi mais sentida do que o ganho humano e espiritual. O materialismo dominava aquela gente. Encontraram Cristo, mas não foram salvos. Resolveram expulsá-Lo daquela cidade. Que situação estranha! Jesus expulsou os demônios de um homem e depois foi expulso do lugar. Qual é a nossa atitude para com Jesus? Hoje, da mesma forma, cada pessoa deve tomar a decisão de acolher Jesus ou rejeitá-Lo.
O gadareno liberto pediu para seguir a Jesus, mas o Senhor não permitiu. Cristo havia atendido a um pedido dos demônios, mas não atendeu à oração daquele homem.
Por quê?
Jesus tinha um propósito para ele naquele lugar. Vemos nisso o amor e a misericórdia para com aquele povo ímpio que rejeitou o Senhor. Ele deixou o gadareno ali como o pregador, dando seu testemunho para todos, começando pela sua casa. Agora que estava liberto, poderia retomar a normalidade da sua vida. Sua família também tinha sido abençoada com a ajuda daquela libertação. Aquele que se converte torna-se bênção para o seu lar e para a sociedade.
Neste episódio, os discípulos nada fizeram, senão aprender com o Mestre aquilo que deveriam realizar após a Sua ascensão. Jesus subiu ao céus, mas encarregou Sua Igreja de continuar Sua obra de libertação. Assim, por intermédio de nós, Jesus continua libertando. Aqueles que alcançam a libertação e a salvação saem de uma vida de tormento e começam a usufruir a alegria de Deus em seus corações e se tornam Evangelhos vivos para os seus.

JESUS VOLTOU PARA O BARCO E O HOMEM QUE FORA POSSESSO SUPLICOU-LHE QUE O DEIXASSE ANDAR COM ELE. NÃO LHO PERMITIU

A verdadeira, a única perfeição, não é ter este ou aquele tipo de vida, é fazer a vontade de Deus; é ter a vida que Deus quer, onde Ele quer, e vivê-la como Ele próprio a viveria. Quando Ele nos permite escolher, então sim, procuremos segui-Lo passo a passo o mais exatamente possível, partilhar a Sua vida tal como ela foi, como os apóstolos o fizeram ao longo da Sua vida e após a Sua morte: o amor leva-nos a imitá-Lo. Se Deus permite esta escolha, esta liberdade, é precisamente porque quer que abramos as nossas velas ao vento do amor puro e, empurrados por ele, “corramos atrás do seu perfume” (Ct 1,4 LXX), em imitação perfeita, como São Pedro e São Paulo. […]
E se um dia Deus quiser tirar-nos, por algum tempo ou para sempre, deste caminho tão belo e tão perfeito, não nos perturbemos nem nos surpreendamos. Os Seus desígnios são insondáveis: poderá fazer por nós, a meio ou no fim da caminho, o que fez ao geraseno no início. Obedeçamos, façamos a Sua vontade […], andemos por onde Ele quiser, levemos a vida que a Sua vontade designar. Mas aproximemo-nos d’Ele com todas as nossas forças em toda a parte, e vivamos todas as situações, todas as condições, como Ele próprio as teria vivido, comportando-nos como Ele Se teria comportado se, pela vontade do Pai, Se tivesse encontrado na situação em que nós nos encontramos.

ESPÍRITO IMPURO, SAI DESTE HOMEM!

Hoje encontramos um fragmento do Evangelho que pode provocar o sorriso a mais de um. Imaginar-se uns dos mil porcos precipitando-se pelo monte abaixo, não deixa de ser uma imagem um pouco cômica. Mas a verdade é que a eles não lhes fez nenhuma graça, se enfadaram muito e lhe pediram a Jesus que se fora de seu território.
A atitude deles, mesmo que humanamente poderia parecer lógica, não deixa de ser francamente recriminável: prefeririam ter salvado seus porcos antes que a cura do endemoninhado. Isto é, antes os bens materiais, que nos proporcionam dinheiro e bem estar, que a vida em dignidade de um homem que não é dos “nossos”. Porque o que estava possuído por um espírito maligno só era uma pessoa que “Sempre, dia e noite, andava pelos sepulcros e nos montes, gritando e ferindo-se com pedras” (Mc 5,5).
Nos temos muitas vezes este perigo de apegar-nos ao que é nosso, e desesperar-nos quando perdemos aquilo que só é material. Assim, por exemplo, o camponês se desespera quando perde uma colheita mesmo tendo-a assegurada, ou o jogador de bolsa faz o mesmo quando suas ações perdem parte de seu valor. Em compensação, muitos poucos se desesperam vendo a fome ou a precariedade de tantos seres humanos, alguns dos quais vivem ao nosso lado.
Jesus sempre pôs em primeiro lugar as pessoas, mesmo antes que as leis e os poderosos de seu tempo. Mas nós, muitas vezes, pensamos só em nós mesmos e naquilo que acreditamos que nos traz felicidade, mesmo o egoísmo nunca traz felicidade. Como diria o bispo brasileiro Helder Câmara: “O egoísmo é a fonte mais infalível de infelicidade para si mesmo e para os que o rodeiam”.

QUE TENS A VER COMIGO JESUS, FILHO DE DEUS ALTÍSSIMO?

Depois de atravessar o mar agitado Jesus chega à região dos gerasenos. Um homem possuído por um espírito impuro vai ao seu encontro e reconhece Jesus como o Filho de Deus que tem poder contra as forças do mal e implora para que Jesus não o atormente isto é não o destrua. Em Jesus é oferecida a salvação também aos pagãos. Jesus liberta aquele homem e o envia em missão para anunciar o que Deus fez por ele.
Os habitantes daquela região ao verem que Jesus tinha libertado aquele homem e mandado o espírito impuro ir aos porcos, pedem que Jesus se retire de sua região. Preferem valorizar as posses deste mundo mais que a vida de um filho de Deus.
A atitude daqueles que pediram que Jesus fosse embora de sua região é a mesma atitude de quem hoje tira Deus de suas vidas para não ter que abrir mão de suas opções pelo poder e pelas riquezas.
Vivemos numa sociedade que valoriza mais o ter que o ser. Daí não se dar à devida importância que é a libertação daqueles que vivem oprimidos por sistemas injustos que levam a degradação da pessoa humana. Valorizam as posses dos bens materiais.
Jesus nos chama a atenção, pois nada pode estar acima da vida e acima do amor a Deus. Rejeitar Jesus é rejeitar a própria vida.
Aquele homem depois de liberto das forças do mal que o excluía fazendo-o viver entre os mortos ainda em vida, passa a anunciar o que experimentou do encontro com Jesus misericordioso enquanto que os que têm posse resistem à salvação.
Jesus veio nos libertar e nos dar vida e vida em plenitude. Todos nós que experimentamos esse amor de Deus que nos libertou e nos introduziu na vida nova em Cristo é enviado a dar o testemunho do quanto Deus tem feito em nossa vida. Mas este testemunho tem que ser dado com audácia, com entusiasmo. Jesus nos envia a contar ao mundo o que Deus tem feito em nossa vida. Outros também irão querer experimentar este amor de Deus se ver em nós pessoas felizes entusiasmadas, apaixonadas por Jesus. É preciso pedir a Jesus que nos liberte do nosso medo, que faça de nós pessoas audaciosas que assumam a missão e dê um novo rosto a nossa amada igreja.
Em Cristo!

NO OLHO DO FURACÃO…

Jesus não é um mestre acomodado no sucesso, bem que poderia fazê-lo, ficar na sinagoga dando um “show de bola” aos seus ouvintes, realizando curas prodigiosas que só contribuiriam para aumentar ainda mais o seu já famoso Ibope. Tem muito cristão querendo ser famoso na comunidade, mas fora dela, em ambientes hostis ao evangelho, poucos tem coragem de meter a cara.
Jesus vai com seus discípulos para uma área chamada Decápole formada por dez cidades onde impera o paganismo e onde as Forças do Mal “deita e rola”. Ao seu encontro vem um homem possesso de um espírito imundo, que vive em um cemitério (Deus me livre, que lugar para se morar) mas o evangelista não está mostrando o cenário de um filme de terror ou do exorcista, ao contrário, quer nos mostrar o quadro de morte presente naquela região e no mundo de hoje: Tráfico de drogas, corrupção, pessoas que deveriam estar do lado do bem, mas que passam para o lado do mal, enganadores e mentirosos, fraudadores, destruição de instituições sagradas como a Família…Parece que estamos todos em um grande cemitério cercado de mortos por todos os lados…
Pois bem, os que manipulam essa situação calamitosa, os que contribuem direta ou indiretamente para manter esse quadro tenebroso de morte e pânico por todos os lados, têm suas vantagens e não querem que nada mude. O traficante não quer que o jovem se liberte das drogas, os policiais e autoridades corruptas que se beneficiam desse tráfico danoso e imoral, também não querem. Os políticos corruptos presentes em Brasília e em todos os estados e municípios não querem mudança na legislação.
Os que vivem da prostituição de crianças, menores, mulheres, estão bem assim, se mexer no quadro para valorizar e libertar todas essas pessoas, vai causar um “Prejú” no Caixa dois.
E assim vai com o cigarro, maconha, craque, heroína, bebida alcoólica, a quem não interessa acabar com tudo isso?
Os que faturam e que são muitos…
Interessante que muitos desses ainda querem sair bem na “fita”, em um sistema marcado pela hipocrisia…
Representando todos esses possessos do “Mal”, presente em nossa sociedade, o homem vem correndo até Jesus e prostrando-se diante dele implora que não o atormente. Não me venha com mudanças na ética e na moral, nos valores, não me venha falar em Justiça social, respeito a dignidade da Vida humana, partilha e solidariedade, ética na política, na medicina, na educação. Novas oportunidades para quem errou, mudanças no sistema carcerário…
Mas Jesus não se deixa engambelar por “choramingos” ideológicos, dos que insistem em sustentar essa situação, “Espírito Imundo, sai desse homem!”. Não adianta o mal disfarçar-se de bem, pode maquiar-se do jeito que quiser, o Bem supremo que é Jesus Cristo desmascara o Mal. O Mal é impuro e por isso o seu lugar é na manada de porcos, que se precipita de um lugar alto ao fundo do mar. O coração humano não é lugar de impurezas, nele op mal não pode ter vez e nem domínio.
E o possesso, agora livre começa a propagar a ação libertadora de Jesus, mas longe de acolhê-lo, o povo cativo do Mal, certamente liderado para aqueles que não querem mudanças, pedem para que Jesus se vá. Hoje não é diferente, a Consumismo criou um Jesus doce, bonzinho, acomodado e conformado com o mal, em uma religião que longe de libertar aprisiona cada vez mais o ser humano…

JESUS EXPULSA DEMÔNIOS NO CEMITÉRIO

CALA-TE E SAI DELE!
A primeira bicicleta que ganhei, aos oito anos, tinha duas rodinhas de sustentação para facilitar o equilíbrio no aprendizado, e o futuro ciclista deveria fazer de conta que elas não existiam, para que o treinamento surtisse efeito. Por puro comodismo comecei a me exibir para os familiares, imprimindo velocidade nos pedais e até largando das mãos, para mostrar que estava seguro, mas na verdade colocava toda minha segurança nas rodinhas auxiliares, que não deixavam a bicicleta cair em minhas arrojadas manobras.
A turma me olhava com uma pontinha de inveja, quando eu passava “esnobando” com a bicicleta, meus familiares sentiam-se orgulhosos e tudo ia bem até que apareceu um chato, um estraga-prazer de nome Odair, colega de escola, garoto de grande vivacidade e inteligência, que me desafiou. “Ah quero ver você andar sem essas rodinhas aí…”!
Tentei em vão argumentar, que as rodinhas não eram importantes, mas o Odair pegou de brabo e comentou com a turma, que eu não sabia andar coisa nenhuma, e que só estava enganando a todos. Lembro-me que fiquei quase duas semanas de “beiço caído” sem falar com ele, entretanto, com o passar dos dias fui vendo que tinha razão, se não tivesse coragem de tirar as rodinhas auxiliares, nunca iria aprender de verdade, a andar de bicicleta, porque a minha habilidade de ciclista não passava de uma mentira.
Essa é exatamente a missão do profeta: denunciar todas as nossas falsas seguranças, mostrando-nos a verdade que tem de ser buscada e cultivada, em nossa relação com Deus e com os irmãos, para que a nossa vida de cristãos não seja uma grande mentira em uma religião só de aparência. No Antigo Testamento os profetas lembravam ao povo a fidelidade à aliança, toda vez que dela se afastavam. A Palavra de Deus manifestada através de Moisés, antes de ser uma norma rígida era um dom, pois oferecia orientações seguras de como viver bem e ser feliz, sob o amparo e a proteção do Deus da Aliança, nesta relação exclusiva e particular “Vós sereis o meu povo e eu serei o Vosso Deus”. Mas os profetas e todos os demais que falaram ao povo em seu nome sofreram muito, foram rejeitados, incompreendidos e até perseguidos e mortos, pois muitos não estavam dispostos a ouvir a Verdade que os faria mudar de vida.
O evangelho desse domingo faz uma apresentação solene de um novo, único e verdadeiro profeta que não vem para fazer mais promessas, mas sim para cumpri-las uma a uma. O seu múnus profético se revela na comunidade onde irá realizar um sinal, como prenúncio da sua obra de salvação, que tem na libertação do homem o seu ponto mais alto, naquele sábado na sinagoga, a comunidade conheceu Jesus de Nazaré, o Messias de quem falaram todos os profetas. O seu ensinamento causava admiração, pois ensinava com autoridade e não como os mestres da lei.
Ensinar com autoridade não é falar grosso, gritar e dar murros na mesa, como certos pregadores, que gostam de fazer terrorismo religioso, mas é mostrar primeiro a vivência daquilo que se ensina, unir fé e vida, celebrar aquilo que se Crê, é ter uma fé encarnada na história, é sempre falar em nome de Deus. A palavra é libertadora porque gera vida nova, renova o homem por inteiro, Jesus é a palavra viva, o Logus de Deus, o Verbo encarnado no meio dos homens. Para surpresa de todos, na comunidade há um homem possuído por um espírito do mal que conhece Jesus, inclusive manifesta esse conhecimento em palavras bonitas “Sei que tu és o Santo de Deus”, sabe, portanto quem ele é e a que veio, mas não o aceita, não admite que o seu ensinamento interfira no modo de pensar e viver. Parece que Marcos fala as autoridades religiosas do seu tempo, e ao homem da modernidade, que apenas o conhecimento da pessoa de Jesus e sua missão, sem o compromisso de vida com o santo evangelho, jamais vai nos conferir uma fé autêntica, Jesus ornamenta muitos lugares públicos e está em uma correntinha no peito de muita gente, mas falta uma abertura maior para que as atitudes dos que nele dizem professar a fé, sejam realmente atitudes de um cristão.
O tratamento que Jesus dá ao homem possuído pelo espírito do mal, é de choque – Cala-te e sai dele! CALA-TE, porque a palavra que o mal nos propõe é enganosa e mentirosa, traz a morte e não a vida, aprisiona em vez de libertar. O homem da modernidade parece não ter forças para fazer calar tantas vozes mentirosas que seduzem, corrompem, e destrói a dignidade do ser humano, o homem da modernidade se acha importante com o seu conhecimento e o progresso e, entretanto, é totalmente impotente diante das forças do mal, justamente porque não professa uma fé verdadeira e perdeu totalmente a noção do pecado, que contraria a graça de Deus e a sua santa palavra.
As Igrejas cristãs devem ter coragem e ousadia, para fazer calar e expulsar tantos “espíritos do mal” que continua a enganar o ser humano, com propostas sedutoras de vida, arrastando muitos para a morte. Ouçamos o apelo dos nossos pastores e sejamos uma igreja mais profética e menos sacramentalista, mais missionária e menos ritualista, fazendo um ensinamento novo, capaz de derrubar as velharias ideológicas escravisadoras, contrárias aos princípios do Reino Novo, que Jesus inaugurou um dia, lá na sinagoga de Nazaré… Quando mostrou quem ele é, e a que veio…

OS DEMÔNIOS DO CEMITÉRIO

Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?
Neste Evangelho narra que Jesus, ao entrar numa cidade, expulsou o demônio de dois homens. Os demônios foram para uma grande manada de porcos, os quais se atiraram no mar e morreram. Então os habitantes da cidade pediram a Jesus que se retirasse da região deles.
A criação de porcos era a principal economia daquele povo. A libertação do pecado, muitas vezes, tem como preço a diminuição da renda em dinheiro, especialmente quando essa renda provém ou está sendo fonte de pecado.
Deus só aceita quem o ama sobre todas as coisas. Não podemos servir a dois senhores: a Deus e ao dinheiro.
Os possessos saíram dos túmulos. Os mortos querem viver entre os mortos. Os pecadores querem viver entre os pecadores. Por outro lado, os santos querem viver entre os santos. “Diz-me com quem andas e te direi quem és”. O túmulo é um lugar escuro. “Todo aquele que pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas” (Jo 3,20).
“Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho.” Quem vive com Deus é pacífico, quem não vive, é violento. Existem ruas, e até bairro, em que o povo tem medo de passar. A violência moral às vezes é pior que a física.
“Que tens a ver conosco, Filho de Deus?” As estruturas do mal conhecem quem é mais forte que elas e tem poder de destruí-las. A Igreja de Jesus, una, santa, católica e apostólica, é a religião mais atacada do mundo. Todas as religiões se unem apenas em um ponto: para atacar os católicos. Quem está fora da Igreja católica sabe que ela é o Corpo Vivo de Jesus, o Filho de Deus, por isso a ataca.
“Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” É uma referência ao inferno, o tormento no tempo certo.
“Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos.” O porco era considerado um animal impuro, porque vive na lama e anda sempre sujo. Combina, portanto, com o “pai do pecado” que é o demônio.
“A cidade toda foi ao encontro de Jesus, e lhe pediram que se retirasse da região deles.” Preferiram o dinheiro (porcos) a Jesus. Na verdade, todos os habitantes da cidade eram possessos, ou possuídos pelo deus dinheiro. Quem não renuncia a tudo o que possui não pode entrar no Reino de Deus. “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16,13).
E assim, a recusa a Jesus ia crescendo dia-a-dia e o seu campo de trabalho diminuindo, até que, na ressurreição, explodiu para o mundo inteiro, e nunca mais será barrado.
Certa vez, um pastor estava no campo cuidando de um enorme rebanho de ovelhas. E estava ao lado de uma estrada. De repente um carro parou. Saiu do volante um rapaz, com jeito de distinto, e disse ao pastor:
— Se eu lhe disser quantas ovelhas o senhor tem neste rebanho, o senhor me dá uma?
O pastor respondeu:
— Tranqüilo!
O rapaz pegou no carro o seu notebook, conectou-o na internet via satélite, acessou um programa especial de contagem de animais pelo satélite e, em poucos segundos, apareceu na tela o número: Havia ali 1586 ovelhas.
— É exatamente este número, – confirmou o pastor.
Então o jovem pegou uma ovelha, pôs no carro, e já estava indo embora, quando o pastor o chamou e disse:
— Moço, se eu lhe disser algo da sua vida particular, você me devolve a ovelha?
— Sim, – respondeu ele.
O pastor falou:
— Você leva uma vida bastante isolada, tanto das pessoas como dos animais.
— Acertou de cheio.
Disse o jovem.
— Mas me diga uma coisa: Como que o senhor sabe disso?
— O pastor respondeu:
— Porque você teve um comportamento estranho: parou aqui sem necessidade, contou minhas ovelhas sem eu pedir, e me cobrou uma ovelha para dizer o que eu já sabia. E não entende nada de ovelha, porque o que você pegou não é ovelha, mas o meu cachorro!
Rapaz tão inteligente em umas coisas, mas tão burro em outras.
Quantos jovens de hoje estão na mesma situação! Há muitas maneiras de ser possuído pelo demônio; apegar-se demasiadamente à técnica e à ciência e se esquecer da caridade e do respeito ao próximo é uma delas.
Maria Santíssima acolhia sempre seu Filho com amor de mãe. Que ela nos ajude a recebê-lo bem e segui-lo, renunciando a tudo o que é contrário a ele.
Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?

O PODER DE JESUS SOBRE O DEMÔNIO

O evangelho de hoje acentua o poder de Jesus sobre o demônio. No nosso texto, o demônio ou o poder do mal é associado com três coisas:
1) Com o cemitério, o lugar dos mortos. A morte que mata a vida!

2) Com o porco, que era considerado um animal impuro. A impureza que separa de Deus!

3) Com o mar, que era visto como símbolo do caos de antes da criação. O caos que destrói a natureza.
O evangelho de Marcos, de onde Mateus tirou a sua informação, ainda associa o poder do mal a um quarto elemento que é a palavra Legião, (Mc 5,9), nome dos exércitos do império romano. O império que oprimia e explorava os povos. Assim se compreende como a vitória de Jesus sobre o demônio tinha um alcance enorme para a vida das comunidades dos anos setenta, época em que Mateus escreve o seu evangelho. Elas viviam oprimidas e marginalizadas, pela ideologia oficial tanto do império romano como do farisaísmo que se renovava. O mesmo significado e alcance continua válido para nós hoje.

* Mateus 8,28: O poder do mal oprime, maltrata e aliena as pessoas.

Este versículo inicial descreve a situação do povo antes da chegada de Jesus. Na maneira de descrever o comportamento dos dois endemoninhados, o evangelista associa o poder do mal com cemitério e morte. É um poder mortal sem rumo, ameaçador, descontrolado e destruidor, que mete medo em todos. Priva a pessoa da consciência, do autocontrole e da autonomia.

* Mateus 8,29: Diante da simples presença de Jesus o poder do mal se desmorona e se desintegra.

Aqui se descreve o primeiro contato entre Jesus e os dois possessos. É a desproporção total. O poder, que antes parecia tão forte, se derrete e se desmancha diante de Jesus. Eles gritam: “Que é que há entre nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” Sentem que perderam o poder.

* Mateus 8,30-32: O poder do mal é impuro e não tem autonomia nem consistência.

O demônio não tem poder sobre os seus próprios movimentos. Só consegue ir para dentro dos porcos com a permissão de Jesus! Uma vez dentro dos porcos, estes se precipitam no mar. Na opinião do povo, o porco era símbolo da impureza que impedia o ser humano de relacionar-se com Deus e sentir-se acolhido por Ele. O mar era símbolo do caos que existia antes da criação e que, conforme a crença da época, continuava ameaçando a vida. Este episódio dos porcos que se precipitam no mar é estranho e difícil de ser entendido. Mas a mensagem é muito clara: diante de Jesus, o poder do mal não tem autonomia nem consistência. Quem crê em Jesus já venceu o poder do mal e já não precisa ter medo!

* Mateus 8,33-34: A reação do povo do lugar.

Alertado pelos empregados que tomavam conta dos porcos, o povo do lugar veio ao encontro de Jesus. Marcos informa que eles viram “o endemoninhado sentado, vestido e em perfeito juízo” (Mc 5,15). Mas eles ficaram sem os porcos! Por isso, pedem a Jesus para ir embora. Para eles, os porcos eram mais importantes que o ser humano que acabava de ser devolvido a si mesmo.

* A expulsão dos demônios. No tempo de Jesus, as palavras demônio ou satanás, eram usadas para indicar o poder do mal que desviava as pessoas do bom caminho. Por exemplo, quando Pedro tentou desviar Jesus, ele foi Satanás para Jesus (Mc 8,33). Outras vezes, aquelas mesmas palavras eram usadas para indicar o poder político do império romano que oprimia e explorava o povo. Por exemplo, no Apocalipse, o império romano é identificado com “Diabo ou Satanás” (Ap 12,9). Outras vezes ainda, o povo usava as mesmas palavras para indicar os males e as doenças. Assim se falava em demônio ou espírito mudo, espírito surdo, espírito impuro, etc. Havia muito medo! No tempo de Mateus, segunda metade do primeiro século, o medo dos demônios estava aumentando. Algumas religiões, vindas do Oriente, divulgavam um culto aos espíritos. Elas ensinavam que gestos errados nossos podiam irritar os espíritos, e estes, para se vingar de nós, podiam impedir nosso acesso a Deus e privar-nos dos benefícios divinos. Por isso, através de ritos e despachos, rezas fortes e cerimônias complicadas, o povo procurava acalmar esses espíritos ou demônios, a fim de que não prejudicassem a vida humana. Estas religiões, em vez de libertar o povo, alimentavam nele o medo e a angústia. Ora, um dos objetivos da Boa Nova de Jesus era ajudar o povo a se libertar deste medo. A chegada do Reino de Deus significou a chegada de um poder mais forte. Jesus é “o homem mais forte” que chegou para amarrar o Satanás, o poder do mal, e roubar dele a humanidade prisioneira do medo (cf. Mc 3,27). Por isso, os evangelhos insistem tanto na vitória de Jesus sobre o poder do mal, sobre o demônio, sobre o Satanás, sobre o pecado e sobre a morte. Era para animar as comunidades a vencer este medo do demônio! E hoje, quem de nós pode dizer: Eu sou totalmente livre? Ninguém! Então, se não sou totalmente livre, alguma parte em mim é possuída por outros poderes. Como expulsar estes poderes? A mensagem do evangelho de hoje continua válido para nós.

4) Para um confronto pessoal
1. O que está oprimindo e maltratando o povo, hoje? Por que, hoje, em certos lugares, se fala tanto em expulsão de demônio? Será que é bom insistir tanto no demônio? O que você acha?
2. Quem de nós pode dizer que é totalmente livre ou liberto? Ninguém! Então, somos todos um pouco possessos, possuídos por outros poderes que ocupam algum espaço dentro de nós. Como fazer para expulsar este poder de dentro nós e de dentro da sociedade?

5) Oração final
O Senhor é clemente e misericordioso, lento para a ira e rico de graça.
O Senhor é bom para com todos, compassivo com todas as suas criaturas.(Sal 144, 8-9).

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

A atitude dos que pedem que Jesus vá embora é a mesma da sociedade que valoriza mais a posse dos bens do que a liberdade interior e exterior das pessoas. A sociedade que põe qualquer coisa acima da vida humana está rejeitando Jesus.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

O reconhecimento de nossas faltas é fundamental para não permanecermos no pecado. O encontro com Jesus nos ajuda a superar todos os obstáculos.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo, aleluia (Lc 7,16).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome nos gloriemos em vosso louvor (Sl 105,47).

Antífona da comunhão

Mostrai serena a vossa face ao vosso servo e salvai-me pela vossa compaixão! (Sl)

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Ajudai-nos, Senhor.

— Senhor, libertai as pessoas de suas opressões, vos pedimos.
— Livrai-nos do mal que nos afasta de vosso amor, vos pedimos.
— Guardai-nos de preconceitos e julgamentos sobre as pessoas, vos pedimos.
— Protegei as crianças que vivem nas ruas, vos pedimos.
— Abençoai os povos e grupos que buscam seus direitos, vos pedimos.

Oração sobre as oferendas

Para vos servir, ó Deus, depositamos nossas oferendas em vosso altar; acolhei-as com bondade, a fim de que se tornem o sacramento da nossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Renovados pelo sacramento da nossa redenção, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da salvação eterna nos faça progredir na verdadeira fé. Por Cristo, nosso Senhor.

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