LDP: 01/FEV/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

01/Fev/2012 (quarta-feira)

LEITURAS

2 Samuel 24,2.9-17 (Livro do antigo ou 1º testamento / Livros Históricos)

Naqueles dias: 2Disse, o rei Davi a Joab e aos chefes do seu exército que estavam com ele: “Percorre todas as tribos de Israel, desde Dã até Bersabéia, e faze o recenseamento do povo, de maneira que eu saiba o seu número”. 9Joab apresentou ao rei o resultado do recenseamento do povo: havia em Israel oitocentos mil homens de guerra, que manejavam a espada; e, em Judá, quinhentos mil homens. 10Mas, depois que o povo foi recenseado, Davi sentiu remorsos e disse ao Senhor: “Cometi um grande pecado, ao fazer o que fiz. Mas perdoa a iniquidade do teu servo, porque procedi como um grande insensato”. 11Pela manhã, quando Davi se levantou, a palavra do Senhor tinha sido dirigida ao profeta Gad, vidente de Davi, nestes termos: 12“Vai dizer a Davi: Assim fala o Senhor: dou-te a escolher três coisas: escolhe aquela que queres que eu te envie”. 13Gad foi ter com Davi e referiu-lhe estas palavras, dizendo: “Que preferes: três anos de fome na tua terra, três meses de derrotas diante dos inimigos que te perseguem, ou três dias de peste no país? Reflete, pois e vê o que devo responder a quem me enviou”. 14Davi respondeu a Gad: “Estou em grande angústia. É melhor cair nas mãos do Senhor, cuja misericórdia é grande, do que cair nas mãos dos homens!” 15E Davi escolheu a peste. Era o tempo da colheita do trigo. O Senhor mandou, então, a peste a Israel, desde aquela manhã até ao dia fixado, de modo que morreram setenta mil homens da população, desde Dã até Bersabéia. 16Quando o anjo estendeu a mão para exterminar Jerusalém, o Senhor arrependeu-se desse mal e disse ao anjo que exterminava o povo: “Basta! Retira agora a tua mão!” O anjo estava junto à eira de Areuna, o jebuseu. 17Quando Davi viu o anjo que afligia o povo, disse ao Senhor: “Fui eu que pequei, eu é que tenho a culpa. Mas estes, que são como ovelhas, que fizeram? Peço-te que a tua mão se volte contra mim e contra a minha família”!

Salmo 32(31),1-2.5.6.7 (R. Cf. 5c) (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

— Perdoai-me, Senhor, meu pecado!
1Feliz o homem que foi perdoado e cuja falta já foi encoberta! 2Feliz o homem a quem o Senhor ✞ não olha mais como sendo culpado, e em cuja alma não há falsidade!
5Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta vos fiz conhecer. Disse: “Eu irei confessar meu pecado!” E perdoastes, Senhor, minha falta.
6Todo fiel pode, assim, invocar-vos, durante o tempo da angústia e aflição, porque, ainda que irrompam as águas, não poderão atingi-lo jamais.
7Sois para mim proteção e refúgio; na minha angústia me haveis de salvar, e envolvereis a minha alma no gozo da salvação que me vem só de vós.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 6,1-6 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Sinótico)

Naquele tempo: 1Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. 2Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? 3Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa dele. 4Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. 5E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O que a Palavra diz para mim?
O evangelista Marcos diz quem é Jesus. Os nazarenos não estavam interessados nisto. Só queriam saber dos milagres. Apenas buscavam seus interesses e não, a pessoa de Jesus.
Os bispos, na Conferência de Aparecida, lembraram que como cristãos somos portadores de boas novas: “Deus amou tanto nosso mundo que nos deu o seu Filho. Ele anuncia a boa nova do Reino aos pobres e aos pecadores. Por isso, nós, como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Anunciamos a nossos povos que Deus nos ama, que sua existência não é ameaça para o homem, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino, que Ele nos acompanha na tribulação, que alenta incessantemente nossa esperança em meio a todas as provas. Os cristãos somos portadores de boas novas para a humanidade, não profetas de desventuras”. (DAp 30).
É assim que eu me sinto e vivo?

… a VERDADE …

O que a Palavra diz?
Leio, na Bíblia, o texto da Palavra de hoje em Mc 1,1-6.
Ele não pôde fazer milagres em Nazaré, a não ser curar alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. E ficou admirado com a falta de fé que havia ali. Jesus ensinava nos povoados que havia perto dali.
Compreende-se que, sendo Nazaré uma pequena vila de cerca de 300 vizinhos, tivesse um único carpinteiro. O texto diz também que se questionavam se não era ele o irmão de Tiago, José, Judas e Simão. Em aramaico, uma mesma palavra é usada tanto com o sentido de irmão próprio como de parente próximo, e, portanto, não indica que Maria teve outros filhos ou filhas.
Com a baixa autoestima, ou seja, não acreditando nos valores de um filho da terra, veio a incredulidade, ou seja, não acreditam que Jesus de Nazaré é Filho de Deus.
Na verdade, a fé não cura. Mas, é condição para que o poder de Deus atue com independência de outras intenções. Ali, Jesus curou alguns doentes, diz o texto. A cura é o sinal para encontrar o verdadeiro dom de Jesus: a salvação.
Jesus ficou admirado com a falta de fé que havia ali.

… e a VIDA …

Pai, abre minha mente e meu coração, para que eu possa compreender que tu te serves de meios humanamente modestos para realizar as tuas maravilhas.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Qual o meu novo olhar a partir da Palavra?
Depois deste contato com Jesus de Nazaré, vou passar o dia, acolhendo Deus e as suas manifestações nas coisas simples, no pequeno, em cada pessoa.

REFLEXÕES

JESUS PRESENTE ENTRE OS POBRES E PEQUENINOS

No evangelho de Marcos, esta narrativa é a última em que Jesus, na sua própria terra, aparece no espaço simbólico da sinagoga, no sábado. Os que ouviam Jesus “maravilhavam-se” com o que ele dizia, mas o rejeitaram. E Jesus “espantava-se” com a incredulidade deles. “Não é ele o carpinteiro?…”, diziam, com desprezo. Mateus, posteriormente, para evitar a incidência do avilte a Jesus, escreverá: “… o filho do carpinteiro?”. Lucas o omitirá e dirá simplesmente: “… o filho de José?”. O conteúdo teológico principal deste episódio é o rompimento de Jesus com as estruturas sócio religiosas e de parentesco, características do judaísmo. Faltava-lhes a fé. Ele deixa de frequentar as sinagogas e passa a percorrer os povoados da região. A sociedade estruturada em torno do mercado e do lucro é carente da fé e da sensibilidade que permitem perceber e acolher Jesus presente entre os pobres e pequeninos.

JESUS EM NAZARÉ

Muitas vezes, nós nos apegamos apenas à realidade aparente e colocamos a nossa confiança apenas em critérios humanos para a compreensão dessa realidade. Confiamos principalmente nas nossas experiências pessoais e no que as ciências modernas nos ensinam. Tudo isso faz com que tenhamos uma visão míope da realidade, fato que tem como consequência o endurecimento do nosso coração e o fechamento ao transcendente, ao sobrenatural e, principalmente, às realidades espirituais e eternas. Quando nos fechamos ao próprio Deus, simplesmente nos tornamos incapazes de ver sua presença no nosso dia a dia e dificultamos a sua ação, que visa principalmente o nosso bem.

DONDE LHE VEM ISTO?

O saber de Jesus deixava admirados os seus conterrâneos. Especialmente quem convivera com ele, durante o longo período de vida escondida em Nazaré, perguntava-se pela origem de tanta sabedoria. Não havia explicação plausível, em se considerando sua origem familiar. Seus pais eram pessoas simples, desprovidas de recursos para oferecer-lhe uma formação esmerada, que o tornasse superior aos mestres conhecidos. Sua pregação, na sinagoga, não dava margem para dúvidas. Ele possuía, de fato, uma ciência elevada, desconhecida até então.
Diante desta incógnita, os conterrâneos de Jesus deixaram-se levar pelo preconceito: não é possível que o filho de um carpinteiro, pobre e bem conhecido de todos, possua uma tal sabedoria!
Sem dúvida, este preconceito escondia outro elemento muito mais sério. Quiçá desconfiassem que a sabedoria de Jesus fosse de origem espúria, por exemplo, obra do demônio. Em outras palavras: aquilo não parecia ser coisa de Deus.
A decisão de desprezá-lo e não lhe dar ouvidos decorre destas explicações. Era perigoso enveredar por um caminho contrário à fé tradicional, desviando-se de Deus.
A incredulidade de sua gente deixava Jesus admirado, a ponto de decidir realizar, em Nazaré, poucos milagres. Seu povo perdia, assim, uma grande oportunidade de conhecê-lo melhor, e descobrir, de maneira acertada, a origem de seu saber.

VALORIZEMOS AQUELES QUE ESTÃO PRÓXIMOS DE NÓS

Depois de Jesus ter ressuscitado a filha de Jairo em Cafarnaum; no texto de hoje segundo Marcos (diferentemente de Mateus e Lucas que contam que Jesus havia nascido em Belém, mas logo mudou para Nazaré, onde viveria sua infância até a idade adulta) Ele se dirigiu a Nazaré, sua pátria.
O ponto convergente entre ambos é que todos se referem a Nazaré como sendo a pátria do Messias. E afirmam que Jesus, como de costume, entrou no Templo não para observar quem tinha a roupa bonita, quem tinha o sapato melhor, ver os defeitos dos olhos, falar mal dos outros (como às vezes acontece, infelizmente, com muitos de nós) mas sim para ensinar verdades de vida para os que crerem.
Esta atitude nos leva a perceber que ao longo da narrativa, enquanto Jesus ensinava na sinagoga, houve muitas murmurações a Seu respeito. Segundo Marcos havia, em primeiro lugar, o preconceito de Seu povo, já que o Senhor era “o filho de Maria e José”.
Ele era o filho do carpinteiro e se fosse “o José” – famoso, dono de carpintarias e marcenarias – valeria a pena. Mas tratava-se de um “tal” José sem nome no jornal, na rádio, na telinha da TV e na página da Internet. Portanto, tratava-se de um José pobre e, como é dito popularmente, “filho de pobre, pobre é”, Jesus então estava “condenado” a assumir toda a herança paterna.
Assim se justifica – embora erroneamente – as perguntas:
De onde é que este homem consegue tudo isso?
De onde vem a sabedoria dele?
Como é que faz esses milagres?
Por acaso ele não é o carpinteiro, filho de Maria?
Não é irmão de Tiago, José, Judas e Simão?
As suas irmãs não moram aqui?
Todavia, Jesus, em Seu exemplo de humildade e simplicidade, nascido em meio à pobreza, tinha mais sabedoria do que os chefes da sinagoga e os desafia.
O escândalo provocado pela multidão estava relacionado ao problema fundamental daquele tempo. E São Marcos o traz à tona: trata-se do “escândalo” da Encarnação. Ainda hoje, com muita frequência, encontramos pessoas com medo da humanidade de Jesus!
Quantas teorias esdrúxulas sobre onde Jesus passou os primeiros trinta anos da Sua vida, quando a realidade é que Ele os passou como qualquer outro rapaz da Sua geração – numa família e comunidade do interior, trabalhando com as mãos e partilhando a dura sorte do Seu povo. Mas relutamos para não enxergar a opção real de Deus pelos pobres e marginalizados, ou seja, os excluídos da nossa sociedade por intermédio da realidade da Encarnação.
Como vivera ali durante toda a Sua vida, todos acreditavam que O conheciam bem. E não acreditaram nas Suas palavras. Jesus diz, então, que “um profeta só não é aceito em sua própria pátria”. Como vimos, até Seus próprios parentes também relutaram para não aceitar a pessoa e a missão de Cristo.
O Evangelho de hoje nos ensina a valorizar aqueles que estão próximos de nós. Muitas vezes, não reconhecemos as virtudes dos que convivem conosco, dando maior valor àqueles mais distantes. Parece que “os de fora” são inteligentes, verdadeiros, honestos, justos, lindos, respeitadores, carinhosos, pacíficos, românticos, têm tudo o que uma pessoa procura numa outra para ser feliz. E se esquecem de que o que é nosso é nosso. Ainda que seja um farrapo, vale mais do que um ouro emprestado.
Portanto, a incredulidade daquela gente impossibilitou a Jesus de realizar milagres em seu meio. Era preciso que o povo tivesse fé na missão de Cristo para que Seus milagres não fossem tidos como produto da magia humana ou ilusionismo. É impossível a salvação sem a fé no poder de Jesus.
Cristo admirou-se pela falta de fé dos Seus. Essa admiração pode ser traduzida como uma forma de decepção.
Hoje, meus irmãos, precisamos buscar a fé em Cristo e na Sua Palavra. E a única maneira de alcançarmos a verdadeira fé é através do conhecimento da Verdade. Jesus sempre relacionava a salvação à fé. Muitos dos que eram por Ele curados, escutavam: “A tua fé te salvou”. E, quando disse Jesus: “Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará”.
Que Verdade é esta, senão a Sua palavra e os Seus exemplos?
Somente com o estudo da Palavra de Jesus, buscando conhecer a Sua Verdade, aprenderemos a ter fé. Uma fé racional e lógica. E, aprendendo a ter fé, estaremos aptos a fazer as escolhas corretas, sabendo distinguir entre os diversos caminhos, em busca da Salvação prometida por Cristo a todos nós, pois a fé, a esperança e a confiança no conteúdo do Seu ensino e palavras são a garantia da vida eterna para todos os homens e mulheres.
O Evangelho de hoje nos desafia para que nos questionemos sobre o Jesus no qual acreditamos. Marcos quer suscitar uma desconfiança na sua comunidade:
se nem as autoridades e nem os parentes de Jesus O compreenderam, será que nós O compreendemos?
Paulatinamente, caminhamos para o capítulo 8 no qual seremos convidados a responder a pergunta fundamental da nossa fé:
Quem é Jesus para mim hoje?

NÃO É ELE O CARPINTEIRO?

José amou Jesus como um pai ama o seu filho, tratou-O dando-Lhe tudo que de melhor tinha. José, cuidando daquele Menino como lhe tinha sido ordenado, fez de Jesus um artesão: transmitiu-Lhe o seu ofício. Por isso, os vizinhos de Nazaré falavam de Jesus chamando-lhe indistintamente “carpinteiro” e “filho do carpinteiro” (Mt 13,55). […]
Por isso, Jesus devia parecer-se com José no modo de trabalhar, nos traços do Seu carácter, na maneira de falar. No realismo de Jesus, no Seu espírito de observação, no Seu modo de se sentar à mesa e de partir o pão, no Seu gosto por falar dum modo concreto tomando como exemplo as coisas da vida corrente, reflete-se o que foi a infância e a juventude de Jesus e, portanto, a Sua convivência com José. Não é possível desconhecer a sublimidade do mistério. Esse Jesus que é homem, que fala com o sotaque de uma determinada região de Israel, que Se parece com um artesão chamado José, é o Filho de Deus. E quem pode ensinar alguma coisa a Deus? Mas é realmente homem e vive normalmente: primeiro como menino; depois como rapaz que ajuda na oficina de José; finalmente, como homem maduro, na plenitude da idade. «Jesus crescia em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e dos homens» (Lc 2,52).
José foi, no aspecto humano, mestre de Jesus; conviveu com Ele diariamente, com carinho delicado, e cuidou d’Ele com abnegação alegre.
Não será esta uma boa razão para considerarmos este varão justo, este Santo Patriarca no qual culmina a fé da Antiga Aliança, Mestre de vida interior?

DE ONDE LHE VEM ISSO? E QUE SABEDORIA É ESTA QUE LHE FOI DADA? E ESSES MILAGRES REALIZADOS POR SUAS MÃOS?

Hoje o Evangelho nos mostra como Jesus via à sinagoga de Nazaré, o lugar onde ele tinha sido criado. O sábado é o dia dedicado ao Senhor e os judeus se reúnem para escutar a Palavra de Deus. Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. (cf. Mc 1,22).
Deus nos fala também hoje mediante a Escritura. Na sinagoga se leem as Escrituras e, depois, um dos entendidos se ocupava de comentá-las, mostrando seu sentido e a mensagem que Deus quer transmitir através delas. Atribui-se a Santo Agostinho a seguinte reflexão: “Assim como em oração nós falamos com Deus, na leitura é Deus quem nos fala”.
O fato de que Jesus, Filho de Deus, seja conhecido entre seus concidadãos por seu trabalho, nos oferece uma perspectiva insuspeitada para nossa vida ordinária. O trabalho profissional de cada um de nós é meio de encontro com Deus e, portanto, realidade santificável e santificadora. Com palavras de São Josémaria Escrivá: “Vossa vocação humana é parte, e parte importante, de vossa vocação divina. Esta é a razão pela qual devemos santificá-lo contribuindo ao mesmo tempo, à santificação dos outros, de vossos semelhantes, santificando vosso trabalho e vosso ambiente: essa profissão ou oficio que enche vossos dias, que dá fisionomia peculiar a vossa personalidade humana, que é vossa maneira de estar no mundo; esse lar, essa vossa família; e essa nação, em que nascestes e a que amas”.
Acaba a passagem do Evangelho dizendo que Jesus “Não pôde fazer ali milagre algum. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. Admirava-se ele da desconfiança deles. E ensinando, percorria as aldeias circunvizinhas” (Mc 6,5-6). Também hoje o Senhor nos pede mais fé Nele para realizar coisas que superam nossas possibilidades humanas. Os milagres manifestam o poder de Deus e a necessidade que temos Dele na nossa vida de cada dia.

JESUS FOI QUESTIONADO EM NAZARÉ

Muitos perguntaram:
— De onde é que este homem consegue tudo isso?
Eles não tinham a menor ideia de quem era Jesus. Não sabiam ou não acreditavam que era o próprio Filho de Deus vivo. E é por aí que Ele conseguia tudo aquilo que realizou. É pelo poder do Pai que estava e está com Ele que fazia tantos prodígios.
— De onde vem a sabedoria dele?
Pois é! Jesus não cursou nenhuma escola, nenhuma faculdade, e sabia tudo sobre tudo.
Por que?
Pergunta sem resposta para aqueles que não acreditam, aqueles que não têm fé. O próprio Jesus disse o porque fazia tudo aquilo. “Quem me viu, viu o Pai”. “Aquele que me enviou, está comigo”. “A mim foi dado todo o poder no céu e na Terra”, etc.
— Como é que faz esses milagres?
Outra pergunta sem resposta para os incrédulos. Para aqueles que só acreditam no poder do dinheiro, naquilo que vê, pega e como… Mais para nós pessoas de fé, sabemos e cremos que Cristo Jesus fazia milagres porque Ele era o próprio Deus. E como tal, para Ele nada é impossível.
— Por acaso ele não é o carpinteiro, filho de Maria?
Isso também acontece conosco. Quando nos propomos a explicar a palavra de Deus para os nossos familiares, acontece igualzinho ao que aconteceu a Jesus em sua terra natal. Ele é apenas o carpinteiro…
E isso não acontece somente com o catequista, ou mesmo com o padre. Mais sim também com o médico quando vai medicar ou clinicar em sua terra natal. Conheço um professor que não vai se consultar com o médico que é seu filho. Conheço três jovens da minha paróquia que jamais se confessaram com o padre irmão deles. Dizem eles: Sabemos e cremos que ele tem o poder de perdoar, mas… ele é o nosso mano … e… sei lá… pega mal.
Sabe?
Não adianta! Santo de casa não faz milagres! Assim como um profeta não consegue converter pessoas em sua terra.
Porém, isso não é nada grave. Acontece que assim como os pais sempre veem os filhos pequeninos, e precisando de seus cuidados, nós vemos sempre os nossos familiares como familiares. E não como médico, padre, catequistas, etc. O importante é que depositamos total confiança nos demais padres e nas palavras dos demais catequistas, assim como na competência de alguns médicos.
Se olharmos a sociedade atual, veremos que para muitos Jesus não passa de um desconhecido, um ignorado, um sociólogo, um sei lá o que… Mas no fundo, nós que cremos e procuramos seguir os ensinamentos do Evangelho, somos responsáveis por essa ignorância ou indiferença de muitos com relação a Jesus. Porque não participamos do projeto de evangelização da Igreja, ou porque não damos exemplos de verdadeiros cristãos. Se cada cristão praticante arregaçasse as mangas e se dedicassem à medida do possível, uns mais e outros menos, a serviço do Reino, certamente esse mundo não estaria tão distante de Deus como está. Nem precisa deixar o emprego, ou largar a família. Podemos viver a nossa vida normalmente, paralela ao nosso esforço e dedicação para com o serviço do Reino de Deus, fazendo com que mais irmãos saiam da escuridão e passem a enxergar essa Luz e sentir essa força chamada Jesus.
Amém?

COMO É QUE ELE FAZ ESSES MILAGRES?

Comunidade, lugar onde manifestamos nossos carismas.
No lugar onde mais deveria ser acolhido, amado e respeitado, Jesus foi rejeitado pois a sua gente não conseguia enxergar nele algo além de sua aparência humana. Na cidade de Nazaré onde cresceu e se criou Jesus deixa as pessoas admiradas e espantadas com a sua sabedoria. Admiração e espanto são coisas boas que nos ajudam a nos aproximar das pessoas. Maria, a própria Mãe de Jesus se admirava de tudo o que diziam sobre o menino, os pastores e depois Simeão na porta do templo, no dia da apresentação, que a Igreja celebra exatamente amanhã.
A sabedoria demonstrada por ele na sinagoga, quando usou da palavra, surpreendeu a todos porque estava muito acima da média de um simples Nazareno, juntando-se a isso os prodígios que suas mãos realizavam, as pessoas começaram a desconfiar de Jesus. Era impossível um Nazareno ser tão bom, famoso e sábio daquele jeito. Na cabeça das pessoas da comunidade de Nazaré, Messianismo era algo que viria de cima para baixo, e do meio da Ralé era impossível surgir alguém que fosse dar cumprimento as escrituras e profecias.
O pecado da comunidade de Nazaré ainda é o nosso pecado, nós também, de certa forma não acreditamos em mudanças a partir de movimentos populares, qualquer mudança ou melhora de vida temos que esperar dos que nos governam ou atuam no legislativo. Muitas vezes os sindicatos e associações de Bairros, que deveriam ser por excelência o lugar de manifestação do povo, acabam virando apenas mais um trampolim para a carreira política e tudo o que é do povo acaba nas mãos de políticos, muitas vezes inescrupulosos.
Qualquer forma de organização popular logo é rechaçada como algo contra a ordem estabelecida, a comunidade daria atenção e crédito a um sacerdote que viesse visitar a sinagoga, e que iria dizer palavras bonitas sobre as escrituras e profecias, mas Jesus… Um “Zé Ninguém” dali mesmo, iludindo a si mesmo e aos outros que ele era o Messias…
E o que ocorre quando em nosso meio só botamos fé no poder constituído e menosprezamos a capacidade das pessoas mais simples da nossa comunidade?
Desprezamos o Reino de Deus que se edifica na força, luta e garra dos pequenos, rejeitamos o próprio Senhor. O mesmo acontece quando não valorizamos a comunidade, sua organização interna, suas pastorais sempre a serviço das pessoas, as vezes se tem a impressão de que, quem não deu certo em alguma carreira, quer compensar na comunidade invertendo o critério do reino, pois Jesus deu a todos o melhor de si, a própria vida, portanto comunidade é o lugar onde damos o melhor de nós aos irmãos e irmãs.
E assim, na sua comunidade de origem Jesus não pode se dar totalmente porque não foi acolhido e não lhe deram espaço para tanto. Em nossas comunidades do ano 20012 o mesmo pode ocorrer, e em vez de fazermos desabrochar novos valores e lideranças sadias, estejamos talvez manifestando descrédito por aqueles que fazem alguma coisa, sufocando dons e carismas do próximo, que tem algo a oferecer…

UM PROFETA SÓ NÃO É ESTIMADO NA SUA PÁTRIA

Dificilmente, reconhecemos a sabedoria presente nas pessoas simples, preferimos acreditar nas palavras retóricas das pessoas que julgamos de alto “nível intelectual”. Com isso, deixamos escapar as mensagens que Deus quer nos passar através dos “pequenos”. Esquecemos de que Jesus, o Mestre de todos os mestres, o profeta Maior de todos os tempos, serviu-se de meios humanos bem simples, para realizar as maravilhas de Deus no meio de nós!
Todos nós sabemos que um profeta nunca é reconhecido no meio em que vive, muitas vezes, é preciso que ele deixe o seu lugar de origem, para levar a verdade do evangelho a lugares onde o que será avaliado, não é a sua pessoa, e sim, a mensagem de Deus dirigida ao povo através dele!
Ninguém estudou para ser profeta e nem o é, porque escolheu ser, o profeta nasce de um anseio de alguém, que ao conhecer a verdade, não consegue mais calar diante da mentira e da injustiça!
O que sai da boca do profeta, não são palavras suas, são palavras inspiradas por Deus, que tem como finalidade despertar a humanidade sobre os valores do Reino! Ele é a voz que grita em defesa de um povo, é aquele que não se intimida diante dos poderosos, que tem coragem de denunciar suas falcatruas, levando a público suas ações contrárias a vida.
O profeta denuncia e anuncia, ele é um eterno insatisfeito, nunca se contenta com o que faz, está sempre acreditando que pode fazer algo mais, que deve ir mais além.
Um verdadeiro profeta nunca tem consciência de que é um profeta, ele é alguém que se sustenta de uma fé profunda, uma fé que nunca separa da vida, caminha com a consciência clara da presença de Deus em sua vida, e vive esta presença, por isto fala com autoridade.
A vida de união e comunhão com Deus vai impregnando a vida do profeta de tal modo que ele vai aos poucos, aprendendo a interpretar os acontecimentos políticos, sociais e religiosos, sempre à luz de Deus.
Nenhum profeta teme pela sua segurança, e nem deseja se destacar, o que ele deseja mesmo, é denunciar o que não está certo e anunciar a verdade que liberta.
A sua maior aspiração é o bem comum, por isto, ele está sempre disposto a lutar por este bem maior, ainda que para isto tenha que sacrificar sua própria vida!
“Um profeta não é estimado na sua Pátria, entre seus parentes e familiares”. Estas palavras de Jesus, descritas no evangelho de hoje, nos desperta para um questionamento:
estamos acolhendo bem o profeta que vive no nosso meio? Ou acolhemos somente o profeta que vem de fora?
Jesus passou pela experiência dos muitos profetas do antigo testamento, além das autoridades políticas, religiosas, também seus conterrâneos o rejeitaram.
É o que ainda acontece com muitos profetas de hoje, eles também passam por esta experiência que Jesus passou: rejeição, indiferença, hostilidade…
Finalizando esta reflexão vou relatar um pequeno fato que pode nos mostrar claramente o não reconhecimento de um profeta no meio em que vive: Em uma comunidade, as pessoas se reuniam uma vez por semana, para um encontro de reflexão. Nestes encontros, lia-se uma mensagem, cujo nome do autor não era divulgado. A mensagem era bem acolhida por todos, seu conteúdo levava a crer que eram escritas por alguém de grande sabedoria. Até que um dia, o povo descobriu quem era o autor de tais maravilhas: se tratava de um simples jardineiro, grande observador da natureza, suas mensagens tinham como finalidade conscientizar o povo da importância da preservação da natureza. A partir de então, tais mensagens passaram a não ter o mesmo valor para o povo, pelo simples fato de serem escritas por um humilde jardineiro.
FIQUE NA PAZ DE JESUS!

PRECISAMOS PERCEBER A QUEM NÓS ESTAMOS VALORIZANDO, E AO QUE NÓS ESTAMOS DANDO IMPORTÂNCIA: ÀS COISAS SIMPLES DO ALTO, OU ÀS COISAS COMPLICADAS DE BAIXO

Aqueles que viviam próximos a Jesus não queriam admitir que alguém tão simples como Ele pudesse ter tanta sabedoria. Por isso, todos se admiravam e duvidavam de que o poder de Deus estivesse com Ele e, não O reconheciam nem mesmo como profeta. Com efeito, Jesus não pôde fazer milagres na sua terra e no meio da sua gente. Por ser uma pessoa humilde, filho de um carpinteiro e conhecido de todos Jesus não conseguia ser escutado nem tampouco ser levado a sério. Ainda hoje, nós também damos pouco valor às pessoas que estão muito próximas de nós, principalmente àquelas que são humildes e simples.
Acostumamo-nos a conviver com elas e não percebemos que elas são instrumentos de Deus para o nosso crescimento e até para o nosso livramento. Muitos milagres poderiam acontecer no nosso meio se déssemos atenção àqueles que são instrumentos de Deus para nós. Não entendemos o porquê que alguém, mesmo simples e humilde, possa ao mesmo tempo ser sábio aos olhos de Deus. Confundimos a sabedoria que vem de Deus com o conhecimento que o mundo dá. Na maioria das vezes, valorizamos a quem é instruído, a quem tem profissão brilhante ou tem o dinheiro que compra tudo, o poder e a mente. No tempo de Jesus também não foi diferente. Precisamos nós também perceber a quem nós estamos valorizando, o que nos prende a atenção e ao que nós estamos dando importância: às coisas simples do alto, ou às coisas complicadas de baixo. Somos chamados , então a refletir:
O que é simples nos incomoda ou atrai?
Valorizamos as pessoas da nossa casa quando nos dão algum conselho?
Na nossa casa também os profetas não são bem recebidos por nós?
Amém.
Abraço carinhoso.

JESUS EM NAZARÉ

Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares, disse Jesus aos seus compatriotas na sinagoga de Nazaré.
Era sábado, dia em que todos celebravam a graça do Senhor e rezavam sob orientação de um sacerdote. Jesus estava presente na assembleia e começou a pregar seu projeto de vida renovada, afim que todos conseguissem a libertação. No primeiro momento causou admiração por falar tão bonito e demonstrar tanta sabedoria, mas, logo em seguida, causou convulsão na assembleia, pois Ele era filho de Nazaré, região sem tradição de bons oradores e por ser conhecido por todos:
Por acaso ele não é o carpinteiro, filho de Maria?
Não é irmão de Tiago, José, Judas e Simão?
As suas irmãs não moram aqui?
Claro que estas interrogações incomodaram Jesus, como Homem a serviço do Pai, prosperou em tantos lugares com suas pregações, transformou multidões em fiéis seguidores e admiradores, foi aplaudido pela coragem e bravura ao enfrentar o poder dominante e os sacerdotes, quebrou paradigmas tradicionais com seus discípulos, curou tantos males, fez milagres através da fé das pessoas que as procuravam, entretanto, diante de seu povo, da sua família, do seu país, sentiu-se rejeitado, abandonado, renunciado, recusado, largado e desacreditado.
Assim também acontece com nossos irmãos que deixam tudo para seguir a Palavra de Deus. No primeiro momento, todos apóiam, sentem-se felizes por sair do meio social comunitário alguém com discernimento para praticar a missão, porém, no segundo momento, ao voltar para sua terra, ao invés receber de braços abertos, com festas, aplausos e carinho, muitos são recebidos com desdém, com má vontade, suas palavras parecem não fazer efeito, ou seja, aquela pessoa não passa segurança naquilo que está pregando.
Ai está o desafio. Ultrapassar a barreira do descrédito e fazer valer sua palavra, sua fé, sua missão e seu compromisso com o Evangelho. Jesus sentiu com o descaso sim, mas não abaixou a guarda e seguiu pregando, mesmo não conseguindo fazer milagre em sua terra natal, mas provou para os despossuídos que a luta é companheira afim de sublimar a submissão.
Quem colocaria fé num sujeito que nasceu e cresceu pobre, sem estudo de interpretação bíblica, que chegaria com ideias revolucionários?
Seriam poucos, mas Jesus soube se colocar diante da multidão na sinagoga e levá-los da admiração ao escândalo.
Ter a coragem de causar escândalo. Este Evangelho é um convite para nós neste inicio do mês de fevereiro. Mês que iniciaremos o período de recolhimento, oração e jejum: a quaresma. A partir de 22 de fevereiro, quarta – feira de cinzas, somos convocados a refletir sobre a fraternidade e saúde publica com o lema “que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8). Momento oportuno para denunciar o descaso com a saúde publica que mata tantos indefesos, mas levar também projetos alternativos de condutas para melhorar a qualidade do serviço do SUS. Não somos estrangeiros, mas somos filhos da terra que devemos comprometer-se com a dignidade de nossos irmãos abandonados a fim de praticar a Santa Palavra. Amém. Felicidades.

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Com alegria, iniciamos o segundo mês do ano confiantes no Deus que se dá a conhecer pela sua palavra e pelo próprio Filho. Mas Jesus nem sempre é reconhecido e aceito, tornando-se, com frequência, motivo de escândalo para muitos.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

A misericórdia e o amor de Deus para com seus filhos são sem limites. Deus ama e perdoa seus filhos, mesmo que eles não reconheçam o Filho muito amado, presente no nosso cotidiano.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Minhas ovelhas escutam minha voz; eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome nos gloriemos em vosso louvor (Sl 105,47).

Antífona da comunhão

Mostrai serena a vossa face ao vosso servo e salvai-me pela vossa compaixão! (Sl 30,17s)

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Senhor, atendei nossa súplica.

— Para que neste mês progridamos na prática da solidariedade, rezemos.
— Para que sempre busquemos a reconciliação com os outros, rezemos.
— Para que saibamos valorizar as pessoas por aquilo que elas são, rezemos.
— Para que os governantes usem de seu cargo para promover a paz, rezemos.
— Para que nossa comunidade valorize seus ministros, rezemos.

Oração sobre as oferendas

Para vos servir, ó Deus, depositamos nossas oferendas em vosso altar; acolhei-as com bondade, a fim de que se tornem o sacramento da nossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Renovados pelo sacramento da nossa redenção, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da salvação eterna nos faça progredir na verdadeira fé. Por Cristo, nosso Senhor.

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