LDP: 03/FEV/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

03/Fev/2012 (sexta-feira)

LEITURAS

Eclesiástico 47,2-13 (Livro do antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos ou Sapienciais)

2Como a gordura, que se separa do sacrifício pacífico, assim também sobressai Davi, entre os israelitas. 3Brincou com leões como se fossem cabritos e com ursos, como se fossem cordeiros. 4Não foi ele que, ainda jovem, matou o gigante e retirou do seu povo a desonra? 5Ao levantar a mão com a pedra na funda, ele abateu o orgulho de Golias. 6Pois invocou o Senhor, o Altíssimo, e este deu força a seu braço direito e ele acabou com um poderoso guerreiro e reergueu o poder do seu povo. 7Assim foi que o glorificaram por dez mil e o louvaram pelas bênçãos do Senhor, oferecendo-lhe uma coroa de glória. 8Pois esmagou os inimigos por toda a parte, e aniquilou os filisteus, seus adversários, abatendo até hoje o seu poder. 9Em todas as suas obras dava graças ao Santo Altíssimo, com palavras de louvor: 10de todo o coração louvava o Senhor, mostrando que amava a Deus, seu criador. 11Diante do altar colocou cantores, que deviam acompanhar suavemente as melodias. 12Deu grande esplendor às festas e ordenou com perfeição as solenidades até o fim do ano: fez com que louvassem o santo Nome do Senhor, enchendo o santuário de harmonia desde a aurora. 13O Senhor lhe perdoou os seus pecados, e exaltou para sempre o seu poder; concedeu-lhe a aliança real e um trono glorioso em Israel.

Salmo 17,31.47.50.5l (R. Cf. 47b) (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

— Louvado seja Deus, meu Salvador!
31São perfeitos os caminhos do Senhor, sua palavra é provada pelo fogo; nosso Deus é um escudo poderoso para aqueles que a ele se confiam.
47Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo! E louvado seja Deus, meu Salvador! 50Por isso, entre as nações, vos louvarei, cantarei salmos, ó Senhor, ao vosso nome.
51Concedeis ao vosso rei grandes vitórias ✞ e mostrais misericórdia ao vosso Ungido, Davi e à sua casa para sempre.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 6,14-29 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Sinótico)

Naquele tempo, 14o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tinha tornado muito conhecido. Alguns diziam: “João Batista ressuscitou dos mortos. Por isso os poderes agem nesse homem”. 15Outros diziam: “É Elias”. Outros ainda diziam: “É um profeta como um dos profetas”. 16Ouvindo isto, Herodes disse: “Ele é João Batista. Eu mandei cortar a cabeça dele, mas ele ressuscitou!” 17Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. 18João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. 20Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. 21Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu te darei”. 23E lhe jurou dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”. 24Ela saiu e perguntou à mãe: “Que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. 25E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”. 26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O que a Palavra diz para mim?
Parece que o caso deste “banquete da morte” se repete hoje, com outras nuances. A dissimulação, as meias verdades, o fazer calar a verdade se repetem. Tenhamos a coragem de nos perguntar:
Uso de estratégias para fugir da verdade, também em pequenas coisas?
Prefiro as aparências do que sofrer pelo bem, pelo que é correto?
Sacrifico alguém para defender uma ideia, um modo de agir, o sentir, que eu sei não é coerente com meu ser cristão/ã?

… a VERDADE …

O que a Palavra diz?
Leio atentamente, na Bíblia, Mc 6,14-29.
João Batista foi morto porque pregou a verdade sem meias medidas Ele condenou o casamento ilícito de Herodes com Herodíades. Com tristeza, o fraco Herodes mandou que João fosse executado para realizar o pedido de Herodíades: a cabeça de João Batista.
“Cristo atrai-nos continuamente para dentro do seu Corpo, edifica o seu Corpo a partir do centro eucarístico, que para Paulo é o centro da existência cristã, em virtude da qual todos, como também cada pessoa pode experimentar de modo muito pessoal: ele me amou e entregou-se a si mesmo por mim”. (Bento XVI, Basílica de São Paulo fora dos Muros, Abertura do Ano Paulino, 2008.)

… e a VIDA …

Pai, que as contrariedades da vida jamais me intimidem e impeçam de seguir adiante, cumprindo minha missão de evangelizador

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Viverei cada momento do dia de hoje, de forma transparente, em coerência com a Palavra de Jesus Mestre: “Diga apenas “sim” quando é “sim”; e “não”, quando é “não”. O que você disser além disso, vem do Maligno” (Mt 5,37)

REFLEXÕES

AS CONSEQUÊNCIAS DA PROFECIA

Nesta narrativa de Marcos podemos ver a importância de João Batista na tradição das primeiras comunidades. Percebe-se uma ironia sobre o ridículo das motivações de Herodes e os grupos de poder que o cercam.
Em forte contraste, um banquete de aniversário para comemorar a vida termina com a morte: uma cabeça degolada servida em um prato. Marcos faz também um contraste entre este banquete de Herodes com os poderosos e a partilha do pão de Jesus com o povo, que vem narrada a seguir. Pode-se ver aqui, também, uma prefiguração do julgamento e da execução de Jesus.
O poder resiste e mata aqueles que se levantam, comunicando liberdade e vida.

A MORTE DE JOÃO BATISTA

Todas as pessoas que participam da missão de Jesus, participam também do seu tríplice múnus: sacerdotal, profético e real. Participam do sacerdócio de Cristo através da busca da santificação pessoal e comunitária, da oração, da intercessão, etc. Participa do múnus profético através da palavra que denuncia o pecado e anuncia o Reino e participa do múnus régio pelo serviço aos irmãos e irmãs. A participação no múnus profético exige compromisso com a verdade e os valores morais, que atrai a ira de todos os que são contrários à proposta de Jesus, e, como no caso de João Batista, acarreta em ódio, vingança, perseguição e pode até levar à morte.

UM EXEMPLO DE LIBERDADE

O relato do destino trágico de João Batista serve de lição para os discípulos de Jesus, no exercício da missão. A liberdade, que o Precursor demonstrou, deverá ser imitada por quem está a serviço do Reino, e se defronta com tiranos e prepotentes, que intimidam e querem calar quem lhes denuncia as mazelas.
Prevalecendo-se de sua condição, Herodes seduziu a mulher do irmão para se casar com ela. João Batista não teve medo de enfrentá-lo, e dizer-lhe não ser permitido conservar como esposa, quem não lhe pertencia. Sua condição real não lhe dava o direito de praticar tamanha arbitrariedade.
O profeta João sabia exatamente com quem estava falando. Ele um “zé ninguém”, questionando uma autoridade estabelecida pelo imperador, com direitos quase absolutos sobre os cidadãos. Por isso, não lhe parecia errado atropelar o direito sagrado de seu irmão, de ter uma esposa.
Por outro lado, todos conheciam muito bem o espírito violento da família de Herodes. Mesmo assim, João não hesitou em denunciá-lo publicamente.
Quiçá não contasse com a ira de Herodíades, atingida também pela denúncia. Foi ela quem instigou Herodes a consumar sua maldade: decapitar a quem mandara lançar na prisão, por ter-lhe lançado em rosto o seu pecado.
O testemunho de João Batista inspira a quem se tornou discípulo da verdade.

NADA DEVE NOS SEPARAR DO BANQUETE DA VIDA COM DEUS

No Evangelho de hoje, estamos à volta com dois banquetes. Em ambos, há um paradoxo: no banquete da “morte”, celebrava-se o aniversário (a vida) do rei Herodes. O outro banquete que nos é apresentado é o da “vida”, no qual o ponto central é o martírio de São João Batista.
No primeiro banquete – o da morte – os convivas são norteados pela emoção meramente humana e terrena. Fazem contratos e juramentos sem pensar nas consequências, são norteados pela ganância, pelo querer “aparecer” fazendo-se valer do prazer e do poder temporal.
No segundo banquete temos João Batista e os seus discípulos que lutam por uma causa justa e verdadeira. Têm os olhos em Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida. Seus olhos estão fitos no céu de onde lhes vem a salvação, por isso, não temem nada nem ninguém. Desafiam o poder temporal. Defendem a justiça, a honestidade e enfrentam o martírio.
Martírio é uma palavra de origem grega que se traduz em testemunho, profecia e que implica a doação da própria vida.
A vida é sempre um dom de Deus e não deveria nunca ser tirada antes do tempo. Elias, que foi o maior dos profetas, escapou de Jezabel que queria matá-lo: “Elias levantou-se e partiu para salvar a vida” (IRs 19,3). Jesus também, quando soube que queriam matá-Lo, fugiu diante deles (cf. Lc 4,29-30; Jo 8,59). Portanto, o martírio não deve ser buscado por ninguém. Em última palavra, o martírio é uma graça de Deus. Mas, dele não se deve fugir, se é necessário dar o testemunho e para defender a vida do povo.
Jesus também nos ensina que não devemos ter medo daqueles que matam o corpo (cf. Mt 10,28; Lc 12,4). Por isso, dar a vida é a melhor forma de amor e de tê-la em plenitude, a exemplo de Jesus que nos amou até o extremo (cf. Jo 13,1). O máximo do amor é dar a vida pelos seus. Deste modo, a vida não é tirada, mas é dada livremente (cf. Jo 10,18).
No mundo em que constantemente somos surpreendidos por inúmeras notícias de injustiças sociais, violências, terrorismo, etc., os sinais dos tempos indicam-nos que Jesus está próximo. Sua vinda é iminente. Precisamos nos fazer os santos do derradeiro momento. No momento em que a Igreja vai passar por seus momentos de provação, isto é, de perseguição, urge nossa entrega total a Deus e uma renúncia a tudo o que o mundo nos oferece e que poderá nos separar do banquete da vida com Deus e em Deus.
Fujamos dos inúmeros banquetes da morte que “a torto e a direito” o mundo nos oferece. No momento em que as trevas insinuarão cobrir a Igreja de Deus, precisamos andar na Luz, buscar a Luz. “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (Jo 1,7).
O que isso significa senão que participamos do banquete da vida com Deus?
João apontou para Jesus, dizendo àqueles que vinham a Ele que se arrependessem sinceramente a fim de que Deus pudesse fazer neles morada. Empenhemo-nos na busca do Senhor na oração e roguemos a Ele para que sejamos, a exemplo de João Batista, corajosos na fé, dando a nossa vida se preciso for. Entretanto, nossa oração precisa ser um diálogo íntimo com o Senhor capaz de testemunhar com nossa vida – e se for necessário com o martírio do nosso corpo diante das perseguições – que os cristãos passarão nos tempos em que vivemos. Quando um mártir testemunha, pelo sofrimento e morte dos membros de Seu corpo, Cristo sofre, morre e ressuscita novamente.
Será que hoje em dia eu e você temos a coragem de João Batista para dizer aos “Herodes” de hoje:
“Pela nossa Lei tu não podes te casar com a esposa do teu irmão”, a ponto de sofrermos prisões e morrermos por Cristo, que é a Verdade e a Vida?
De acordo com Tertuliano “o sangue dos mártires é a semente de novos cristãos”.
Estamos prontos para ser “sementes derradeiras” da Igreja ou precisamos ainda por meio da oração deixar o Espírito Santo fazer de nós verdadeiros soldados da fé que, na luta contra as forças malignas que buscam dominar o mundo – personificadas nos governos e atos iníquos – dão sua vida para que o Reino de Deus estabeleça-se, de fato, no mundo?
Pai, que as contrariedades da vida jamais me intimidem e impeçam de ser um seguidor fiel e autêntico, procurando cumprir a minha missão de afastar os homens e as mulheres do banquete da morte e convidá-los a participar plena, consciente e ativamente do banquete da vida.

JOÃO BATISTA, MÁRTIR DA VERDADE

“Tenho como coisa certa que os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a glória que há de revelar-se em nós” (Rom 8,18).
Por conseguinte, quem não há de trabalhar de todas as formas possíveis para obter tal glória, para se tornar amigo de Deus, para se regozijar na companhia de Jesus Cristo e receber a recompensa divina depois dos tormentos e dos suplícios desta terra?
Para os soldados deste mundo, é glorioso entrar triunfalmente na sua pátria depois de terem vencido o inimigo.
Não será glória bem maior retornar triunfalmente, depois de ter vencido o demónio, ao paraíso de onde Adão tinha sido expulso por causa do seu pecado?
Trazer o troféu da vitória depois de ter abatido quem o tinha enganado?
Oferecer a Deus como espólio magnífico uma fé intacta, uma coragem espiritual sem falhas, uma dedicação digna de elogios?
Tornar-se coerdeiro de Cristo, ser igualizado aos anjos, desfrutar com alegria do reino celeste com os patriarcas, os apóstolos, os profetas?
Que perseguição pode vencer tais pensamentos, que nos podem ajudar a superar os suplícios? […]
A terra aprisiona-nos com as suas perseguições, mas o céu permanece aberto. […]
Que honra e que segurança sair deste mundo com alegria, sair dele em glória, transpondo provas e sofrimentos! Fechar por um instante os olhos que veem os homens e o mundo, para os reabrir logo a seguir para verem Deus e Cristo! […]
Se a perseguição assalta um soldado assim preparado, não poderá vencer a sua coragem. Mesmo que sejamos chamados ao céu antes da luta, a fé que assim se preparou não ficará sem recompensa. […]
Na perseguição Deus coroa os seus soldados; na paz, coroa a boa consciência.

O REI HERODES OUVIU FALAR DE JESUS, POIS O NOME DELE TINHA-SE TORNADO MUITO CONHECIDO

Hoje, nesta passagem de Marcos, falasse-nos da fama de Jesus – conhecido pelos seus milagres e ensinamentos. Era tal esta fama que algumas pessoas pensavam que se tratava do parente e precursor de Jesus, João Batista, que teria ressuscitado de entre os mortos. E assim o queria imaginar Herodes, o que o tinha mandado matar. Mas este Jesus era muito mais que os outros homens de Deus: mais que aquele João; mais que qualquer dos profetas que falavam em nome do Altíssimo: Ele era o Filho de Deus feito Homem, perfeito Deus e perfeito Homem. Este Jesus – presente entre nós -, como homem, pode compreender-nos e, como Deus, pode conceder-nos tudo o que necessitamos.
João, o precursor, que tinha sido enviado por Deus antes que Jesus, com o seu martírio, precedeu-o também na Sua paixão e morte. Foi também uma morte injustamente atribuída a um homem santo, por parte do tetrarca Herodes, seguramente contrariado, pois ele apreciava-o e escutava-o com respeito. Mas, por fim, João era claro e firme com o rei quando lhe critica a sua conduta merecedora de censura, pois não lhe era lícito tomar como esposa a Herodíades, a mulher do seu irmão.
Herodes tinha cedido ao pedido que lhe tinha feito a filha de Herodíades, instigada pela sua mãe, quando, num banquete – depois da dança que tinha agradado ao rei – perante os convidados, jurou à bailarina dar-lhe tudo o que lhe pedisse. “Que lhe peço?”, pergunta à sua mãe que lhe responde: “A cabeça de João Batista” (Mc 6,24). E o reizinho manda executar a Batista. Era um juramento que de nenhuma forma o obrigava, pois era coisa má, contra a justiça e contra a consciência.
Uma vez mais, a experiência ensina que uma virtude deve estar unida a todas as outras, e todas hão de crescer de maneira orgânica, como os dedos de uma mão. E também que quando se incorre num vício, prosseguem-se os outros.

A MORTE DE JOÃO BATISTA

João Batista foi o grande anunciador da vinda do Messias. Preparou os corações dos homens aflitos para receber com dignidade Aquele que tinha o dom da Palavra de transformação. Não se esquivou da missão conferida. Fez tudo com naturalidade na tentativa de levar reflexão no coração dos homens a fim de provocar mudanças relevantes. Buscou junto ao povo a conversão dos pecados através do batismo na água, purificação da alma para auferir o Mestre com carinho. Porém, João Batista, mesmo sendo um homem admirado e respeitado até pelo Rei Herodes, por capricho da filha de sua amante, Herodíades, foi morto de forma brutal.
A morte de João Batista tem relevância importante na vida palaciana. Ele não aceitava o relacionamento de Herodes com a mulher de seu irmão. Segundo João, Herodes estava pecando contra os mandamentos dos profetas de outrora: “Pela nossa Lei você é proibido de casar com a esposa do seu irmão!” Herodes tinha respeito por João Batista e assentia com serenidade. Contudo, Herodíades sentia-se ameaçada pelas intervenções de João. Marcos até descreve sua ira ao afirmar: Herodíades estava furiosa com João e queria matá-lo.
Calar João Batista foi a maneira mais fácil de livrar das infortunas advertências. Não somente para os poderosos que controlavam o poder, mas para a mulher que aproveitava a situação ao usufruir das regalias luxuriosas do palácio. Calar João era abrir caminhos para a vida fútil e promíscua da infidelidade. As orgias não deveriam parar dentro de um espaço que tinha a ordem de mandar até na vida das pessoas. Portanto, a palavra revelada não tinha permissão para atravessar os portões da promiscuidade com a tenacidade sólida da mudança de hábito e vida.
Ao executar o pedido da filha de Herodíades, mandando cortar a cabeça de João Batista e colocando-a numa bandeja de prata, revela o esmagamento da retidão da veracidade do anúncio profético das coisas certas. A lei do homem é forte, mas cega; ela é diretiva e tendenciosa, serve apenas para quem a fez. Deixa de lado milhões de cristãos que vivem a mercê dos favores alheios. Entretanto, a palavra de Deus não é tendenciosa, ela é pura e sem mancha que revela a honestidade. Seguir a palavra de Deus é seguir o Cristo Ressuscitado que deu sua vida por amor a fim de tirar o homem do pecado e do sofrimento.
A partir da reflexão deste Evangelho percebemos o quanto somos sujos diante de Deus. Nós, homens e mulheres, deixamo-nos as coisas do Pai para vivermos aventuras distante dos sagrados lares. Quantos homens e mulheres que traem seus parceiros por motivos banais, por caprichos, por “falta” de amor, por não conhecer Deus. Isto mesmo: juram amor eterno, até que a morte os separe, mas depois vem a desgraça do encardido e coloca tudo a perder. Para mostrar que tem razão e tudo pode, dão lições de moral nos jovens. Isto é, vivem na aparência, na logomarca da felicidade escondida. São os traiçoeiros e os perversos da sociedade.
Jesus foi confundido com João Batista pela semelhança da pregação. Isto demonstra o quanto João era valoroso. Deixou para nós o legado de sermos anunciadores do Evangelho e coparticipantes da construção do Reino de Deus. Sejamos fiéis a Santa Palavra e honramos nossas companheiras / companheiros que escolhemos para viver o amor de Deus. Amém.

É JOÃO BATISTA, A QUEM MANDEI CORTAR A CABEÇA, QUE RESSUSCITOU

É João Batista, a quem mandei cortar a cabeça, que ressuscitou.
Neste Evangelho, o evangelista Marcos conta para nós como foi o martírio de João Batista, e por quê.
O fato de Marcos situar este relato entre o envio dos doze Apóstolos e o seu regresso, adquire um valor de sinal. O martírio de João é uma antecipação e um anúncio da sorte final que correrão Jesus e os seus discípulos. É a sina dos profetas.
O evangelista começa relatando várias opiniões sobre Jesus, entre elas a de Herodes: “É João Batista, a quem mandei cortar a cabeça, que ressuscitou”.
O motivo do assassinato foi que Herodes se casara com Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, e João reprovava-lhe este ato. Por isso Herodes queria eliminá-lo. Mas Herodes respeitava João e “gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava”. Isso mostra a fragilidade do caráter de Herodes.
A ocasião chegou quando Herodes deu um banquete pelo seu aniversário, e a filha de Herodíades, chamado Salomé, segundo o historiador Flávio Josefo, dançou diante dos comensais. Herodes entusiasmou-se tanto que jurou dar à menina qualquer coisa que ela pedisse, mesmo que fosse a metade do seu reino. Salomé, instigada pela mãe, pediu a cabeça de João Batista, e ele atendeu. Poucos anos depois, em 39, Calígula lhe tiraria todo o reino, enviando-o para o desterro em Lião.
Vemos no relato uma impressionante aproximação entre o luxo e a luxúria, a embriaguez e o crime passional. Isso do lado do assassino. Do lado do mártir, o que nos interessa, vemos a aproximação entre a vida austera e penitente, e a coragem profética. O profeta não deve ter medo de denunciar, para a pessoa certa e com palavras certas, as situações anti-evangélicas.
Outra mulher, Ester, também por encantar o rei, Assuero, recebeu a promessa da “metade do seu reino”. Graças a essa promessa, ela libertou o povo israelita da escravidão da Babilônia (Cf livro de Ester).
Os martírios de João Batista e de Jesus são parecidos. Ambos morreram vítimas de sua luta pelo Reino de Deus, um reino de verdade, de justiça, de amor verdadeiro e de bom exemplo.
O escândalo de Herodes, ao se casar com a cunhada, era o tipo da coisa que todo mundo sabia, mas ninguém tinha coragem de abria a boca. Se ele vivesse hoje, certamente denunciaria tantos escândalos semelhantes que vemos todos os dias. Criticaria também outros pecados e injustiças, cometidas especialmente por autoridades, chefes e gente importante. Por isso, também hoje João Batista não viveria muito tempo; nem ele nem Jesus. “Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,10).
Havia uma família, cujos filhos eram contra a oração em comum às refeições. Mas a mãe não se deixava levar por eles. Quando acabava de por a comida na mesa, ela dava um sorriso, fazia o sinal da cruz e rezava uma oração curta e bonita, pedindo a bênção de Deus para a comida e para outras coisas da família. Em seguida, rezava a Ave Maria.
Os filhos ficavam emburrados, e o marido em cima do muro. Alguns respondiam a Santa Maria de cabeça baixa, ou engolindo a voz, outros nem isso faziam. E a mãe perseverou assim anos e anos.
Hoje ela é falecida, e os filhos são ótimos cristãos. Fazem em casa o mesmo que a mãe fazia. Como é importante não ter respeito humano dentro de casa!
O profeta é persistente, ele ou ela não se deixa levar pela onda do mundo pecador, mas sempre dá testemunho de Cristo e de sua Igreja. Como o nosso mundo precisa de outros João Batista, e de outras mães como esta!
Maria Santíssima é o melhor exemplo de mãe que temos, exemplo dado a nós pelo próprio Deus. Por isso o seu Filho “crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens”.
É João Batista, a quem mandei cortar a cabeça, que ressuscitou.

PEDE-ME O QUE QUISERES…

Quantas decisões erradas tomamos na vida e que depois nos arrependemos, mas daí já é tarde porque já vieram as consequências.
Tive um amigo casado que tinha crianças pequenas, e que acabou um certo dia se envolvendo com uma jovem com quem ele trabalhava, empolgado pela paixão do momento, seduzido pelos encantos da jovem, ele disse que faria por ela qualquer coisa, e a musa amada pediu que ele deixasse a esposa e os dois filhinhos e ficassem, com ela para sempre, e assim ele fez… destruindo a sua família.
Quando caiu em si, no dia em que a jovem amada o trocou por outro otário, ficou muito triste ao perceber a loucura que tinha feito. Nunca mais o vi, não sei se voltou para a família ou não, mas lembrei dele ao meditar esse evangelho, Herodes era um admirador de João Batista, mas fora obrigado a prendê-lo porque ele havia tido a ousadia de denunciar o seu pecado de adultério com Herodíades a esposa do seu irmão… Possivelmente, embora o tivesse castigado colocando-o na prisão, Herodes havia meditado um pouco sobre o seu pecado, quem sabe até havia desfeito o relacionamento pecaminoso…
Herodes representa bem o mundo da pós modernidade, que até admira e tem respeito pelo Cristianismo, apenas não se metam na minha vida querendo ditar-me o que devo ou não fazer. Podemos até imaginar que Herodíades estava revoltada com a situação e quando teve a chance de pedir a morte de João Batista, para que ele não apontasse o pecado cometido, não teve a menor dúvida pois a filha, com sua dança sensual para agradar Herodes, teve a seu favor a concessão de um desejo, que seria atendido pelo Rei…
Há neste mundo muitas estruturas de poder, que nos seduz e nos corrompe, amarrando-nos e nos submetendo ao seu domínio maligno. Cristão que no mundo de hoje, não se dobrar diante das seduções do mal presente em algumas estruturas, vai estar sempre colocando sua cabeça em risco, pois do outro lado há sempre interesses e conveniências que querem ser preservados, mesmo que isso custe a vida do próximo…

A MORTE DE JOÃO BATISTA

O rei Herodes andava muito preocupado com a fama de Jesus que havia espalhado por toda parte. Não se sabia ao certo quem era esse tal de Jesus que andava por aí fazendo prodígios, e falando coisas até então nunca ditas. E uns diziam que Ele era João Batista, que foi ressuscitado! Outros diziam que ele era o profeta Elias… Na verdade, ao mesmo tempo que pairava no ar uma dúvida, a respeito de sua identidade, o povo estava mesmo era muito admirado com a força estranha, ou divina que o acompanhava. Herodes estava inconformado.
Pois tinha matado o último dos profetas, e então como poderia este mesmo profeta estar entre o povo?
Teria ressuscitado?
Como o sabemos, Herodes mandou cortar a cabeça de João Batista, a pedido de sua amante, que nada mais era que a esposa do seu irmão Filipe.
E porque ela fez esse pedido?
Porque João tinha dito muitas vezes a Herodes: “Pela nossa Lei você é proibido de casar com a esposa do seu irmão”!
Herodíades, assim como o seu vizinho que o incomoda e não gosta de ser denunciado, não gosta quando você reclama, pois não admite, não assume o seu erro, sua injustiça, seu abuso, estava furiosa com João e queria matá-lo de algum modo, e então aproveitou quando aquele Rei que estava bêbado, pediu para a sua sensual filha dançar para ele, prometendo dar-lhe qualquer coisa. Promessa essa, que foi, necessariamente uma demonstração não de burrice, mas sim, de uma falha mental momentânea causada pelo efeito do álcool no cérebro. Pois um rei deveria pensar antes de fazer uma promessa, para não ter de assumir prejuízos depois.
João Batista foi morto por causa de sua língua, por causa da sua coragem em denunciar o pecado, a injustiça.
Nós também somos odiados por alguns, os quais cometem injustiças, abusos, crimes, e muitas vezes as autoridades que os deveriam punir, por várias razões, não o faz. Então, nós, que somos profetas e não conseguimos nos calar diante de tais coisas, nós que agimos como João Batista, denunciamos, e então provocamos a ira daqueles e daquelas que não assumem os seus erros, e não admitem que ninguém os denunciem.
Foi assim que morreram os bravos mártires da Igreja, foi assim que morreu Jesus. Porém, não fique apavorado(a), pensando que com toda certeza você terá o mesmo fim. Não exageremos. Pois esses casos são raros, e Deus está sempre conosco, como foi a promessa de Cristo Jesus.
Coragem! Confia em Deus, e nunca desanime!

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

A fé a fidelidade a Deus nos ajudam a vencer os orgulhosos e prepotentes, mesmo que eles pareçam ter a última palavra. O banquete eucarístico contrasta com o banquete da morte oferecido pelos Herodes de todos os tempos.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

As grandes personagens da história da salvação têm seus momentos de fraqueza, mas também de fidelidade e compromisso, enfrentando até os que querem calá-los.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Felizes os que observam a palavra do Senhor de reto coração e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes (Lc 8,15).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor (Sl 105,47)

Antífona da comunhão

Mostrai serena a vossa face ao vosso servo e salvai-me pela vossa compaixão! (Sl 30,17s).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Lembrai-vos, Senhor.

— Da vossa Igreja e seus ministros.
— Das autoridades que estão do lado do povo.
— Das famílias que procuram crescer no amor.
— Dos perseguidos por causa da justiça do reino de Deus.
— Dos doentes do mal da garganta.

Oração sobre as oferendas

Para vos servir, ó Deus, depositamos nossas oferendas em vosso altar; acolhei-as com bondade, a fim de que se tornem o sacramento da nossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Renovados pelo sacramento da nossa redenção, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da salvação eterna nos faça progredir na verdadeira fé. Por Cristo, nosso Senhor.

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