LDP: 04/FEV/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

04/Fev/2012 (sábado)

LEITURAS

1 Reis 3,4-13 (Livro do antigo ou 1º testamento / Livros Históricos)

Naqueles dias, 4o rei Salomão foi a Gabaon para oferecer um sacrifício, porque esse era o lugar alto mais importante. Salomão ofereceu mil holocaustos naquele altar. 5Em Gabaon, o Senhor apareceu a Salomão, em sonho, durante a noite, e lhe disse: “Pede o que desejas e eu to darei”. 6Salomão respondeu: “Tu mostraste grande benevolência para com teu servo Davi, meu pai, porque ele andou na tua presença com sinceridade, justiça e retidão de coração para contigo. Tu lhe conservaste esta grande benevolência, e lhe deste um filho que hoje ocupa o seu trono. 7Portanto, Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar. 8Além disso, teu servo está no meio do teu povo eleito, povo tão numeroso que não se pode contar ou calcular. 9Dá, pois, a teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso?” 10Esta oração de Salomão agradou ao Senhor. 11E Deus disse a Salomão: “Já que pediste estes dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, 12vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti. 13Mas dou-te também o que não pediste, tanta riqueza e tanta glória como jamais haverá entre os reis, durante toda a tua vida.

Salmo 119(118),9.10.11.12.13.14 (R. 12b) (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

— Ó Senhor, ensinai-me os vossos mandamentos!
9Como um jovem poderá ter vida pura? Observando, ó Senhor, vossa palavra.
10De todo o coração eu vos procuro, não deixeis que eu abandone a vossa lei!
11Conservei no coração vossas palavras, a fim de eu não peque contra vós.
12Ó Senhor, vós sois bendito para sempre; os vossos mandamentos ensinai-me!
13Com meus lábios, ó Senhor, eu enumero os decretos que ditou a vossa boca.
14Seguindo vossa lei me rejubilo muito mais do que em todas as riquezas.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 6,30-34 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Sinótico)

Naquele tempo, 30os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. 31Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. 32Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. 33Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles. 34Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O que o texto diz para mim, hoje?
Tenho os mesmos sentimentos de Jesus Cristo e da Igreja?
Como olho as pessoas que estão “à beira do caminho” ou que parecem “ovelhas sem pastor”?

… a VERDADE …

O que diz o texto do dia?
Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Mc 6,30-34, e observo a atenção de Jesus aos que sofrem.
Os apóstolos voltaram e contaram a Jesus tudo o que tinham feito e ensinado. Havia ali tanta gente, chegando e saindo, que Jesus e os apóstolos não tinham tempo nem para comer. Então ele lhes disse:
— Venham! Vamos sozinhos para um lugar deserto a fim de descansarmos um pouco.
Então foram sozinhos de barco para um lugar deserto. Porém muitas pessoas os viram sair e os reconheceram. De todos os povoados, muitos correram pela margem e chegaram lá antes deles. Quando Jesus desceu do barco, viu a multidão e teve pena daquela gente porque pareciam ovelhas sem pastor. E começou a ensinar muitas coisas.
Jesus “teve pena daquela gente”. Nós, Igreja, temos o mesmo sentimento. Como dizem os bispos em Aparecida: “Desejamos que a alegria que recebemos no encontro com Jesus Cristo, a quem reconhecemos como o Filho de Deus encarnado e redentor, chegue a todos os homens e mulheres feridos pelas adversidades; desejamos que a alegria da boa nova do Reino de Deus, de Jesus Cristo vencedor do pecado e da morte, chegue a todos quantos jazem à beira do caminho, pedindo esmola e compaixão (cf. Lc 10,29-37; 18,25-43).” (DAp 32).

… e a VIDA …

Pai, dá-me as disposições necessárias para eu realizar bem a missão recebida de Jesus, tendo-o sempre como modelo.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Meu novo olhar é voltado para os que mais sofrem.

REFLEXÕES

A COMPAIXÃO DE JESUS

Com este texto Marcos prepara a primeira narrativa da partilha dos pães. Encontramos aqui um relato básico, com vários temas que se repetem ao longo dos evangelhos:
a) os discípulos já estão em missão e mantêm contato com Jesus;
b) Jesus preocupa-se com o seu resguardo e o dos discípulos, em lugar deserto, para repouso e tempo “para comer”, ou seja, para alimentarem-se da palavra e da oração;
c) eles estão continuamente sendo assediados pelas multidões;
d) a multidão é insistente e Jesus tem compaixão por eles;
e) Jesus ensina muitas coisas.
São estas as situações fundamentais na missão:
a) manter-nos em contato com Jesus, em comunidade, no recolhimento e na oração;
b) acolhermos a todos que vêm a nós, particularmente os mais excluídos, sem rejeições;
c) estarmos preparados para o “ensino”, não como algo intelectual, mas como descoberta e revelação da presença de Jesus na vida das pessoas. A compaixão é a característica maior que nos move à prática libertadora.

JESUS ALIMENTA UMA MULTIDÃO

Devemos colocar a nossa felicidade onde se encontram os verdadeiros valores. As pessoas que vivem segundo os valores desse mundo colocam a sua felicidade nas coisas do mundo. São pessoas materialistas e hedonistas, marcadas pelo desejo do acúmulo de bens materiais e de poder e também na busca desenfreada de todos os prazeres proporcionados por este mundo, como é o caso do sexo e dos vícios em geral. São pessoas insatisfeitas porque na verdade foram criadas à imagem e semelhança de Deus e só podem ser satisfeitas plenamente em Deus, uma vez que são abertas ao infinito. Somente quem coloca a sua felicidade nos valores eternos encontra em Deus a sua plena satisfação.

OVELHAS SEM PASTOR

As multidões não davam sossego a Jesus e aos discípulos. Era-lhes difícil encontrar tempo e lugar para estarem a sós com o Mestre, e descansar das fadigas da missão. Às vezes, nem tinham tempo para comer, tal era o afluxo de gente. Quando sabiam que Jesus estava se dirigindo para algum lugar, corriam para lá, chegando antes dele. Era como se fossem ovelhas em busca de um pastor.
A situação de abandono do povo sensibilizava profundamente Jesus. Daí o extremo interesse com que as pessoas ouviam Jesus falar, e a ânsia de serem beneficiadas por ele. E sempre encontravam acolhida por parte do Mestre.
A atitude de Jesus estava em estreita relação com o serviço ao Reino, para o qual fora enviado. Esse Reino comportava a Boa Nova de libertação para os pobres, e deveria devolver aos seus corações a esperança há muito perdida pelo descaso com que eram tratados. A Jesus competia, por assim dizer, reumanizá-los, tirando-os da marginalização a que foram relegados, e abrir-lhes uma perspectiva de vida para além de suas dores e sofrimentos.
O Mestre apresentou-se como líder deste grande movimento de recuperação da dignidade humana, dando atenção ao povo sofrido e propondo-lhe o Reino como ideal.

NÃO SEJA ‘BUROCRATA DO SAGRADO’, MAS PROPAGADOR DA COMPAIXÃO DO PAI

Pegando a frase do Evangelho “a multidão estava como que ovelhas sem pastor”, Jesus atrai para si o título de Pastor. Este atributo recebe a sua justificação na observação do evangelista ao interpretar os sentimentos do coração do Senhor: vendo as multidões que O seguiam, Jesus se compadeceu delas, teve compaixão.
Mestre, desde o início da Sua missão, Jesus convida os discípulos – e a todos nós! – a manifestar aos homens o amor de Deus por eles.
Em poucas linhas, podemos ter o quadro da vida de Jesus Nazareno com os apóstolos e a multidão do povo: a intimidade do Senhor com o grupo dos Doze visando à formação destes, a atividade intensa da vida pública de Jesus e dos apóstolos, o entusiasmo do povo pelo Senhor, a Sua disponibilidade apesar da fadiga, por fim, os sentimentos profundos de Jesus diante desse povo errante e sedento de Deus. É assim que Deus olha para mim e para você, bem como para toda a sua família e os homens no mundo inteiro. Deus deseja e quer que todos O procuremos: “Havia ali tanta gente, chegando e saindo”.
Embora com o desejo e a vontade de atender a todos, Jesus, juntamente com os apóstolos, ressalta a necessidade de um descanso, após as tarefas apostólicas. Para dizer que também o missionário precisa de descanso. Um tempo de retiro, de recuperação das energias, de intimidade com Deus. Foi por isso que, quando os discípulos voltam empolgados com os resultados da missão, a primeira reação do Mestre é convidá-los para uma retirada, para que refaçam as forças.
Jesus tem critérios que não correspondem ao grande critério da sociedade nossa: o da eficácia. Para Ele, os apóstolos não eram “máquinas”, mas, em primeiro lugar, pessoas humanas que necessitavam ser tratadas como tais.
O trabalho – mesmo o trabalho missionário – não é absoluto. Jesus reconhece a necessidade de um equilíbrio entre todos os aspectos da vivência humana. Aqui há uma lição para muitos cristãos engajados hoje: embora devamos nos dedicar ao máximo no apostolado, não devemos descuidar da nossa vida particular, da nossa saúde, do cultivo de valores espirituais e do relacionamento afetivo com os outros. Caso contrário, estaremos esgotados em pouco tempo, meras “máquinas” ou “funcionários” do sagrado, que não mostram ao mundo o rosto compassivo do Pai, mas que por dentro são “ocos”!
O texto ressalta a compaixão de Jesus para com o povo com uma característica específica: era um povo muito sofrido, rejeitado e desprezado pelos chefes político-religiosos da época. Diante de tal cenário, muitas vezes, Cristo nem tinha tempo para comer. E quando Ele se retirava, o povo ia atrás d’Ele.
O que atraía tanta gente?
Com certeza, não foi em primeiro lugar a doutrina, nem os milagres, mas o fato de irradiar compaixão, de demonstrar duma maneira concreta o amor compassivo de Deus. Jesus não teve “pena” do povo, não teve “dó” dos sofridos. Teve “compaixão” das pessoas, literalmente, sofria junto com elas, e tinha uma empatia com os sofredores, a qual se transformava numa solidariedade afetiva e efetiva.
Este traço da personalidade de Jesus desafia a Igreja e os seus ministros hoje, para que não sejam “burocratas do sagrado”, mas irradiadores da compaixão do Pai.
Infelizmente, muitas vezes, as nossas igrejas mais parecem repartições públicas do que lugares do encontro com a comunidade que acredita no amor misericordioso de Deus e na compaixão de Jesus! A frieza humana frequentemente marca as nossas atitudes, pregações e cuidado pastoral. Num mundo que exclui, que marginaliza e que só valoriza quem consome e produz, o texto de hoje nos desafia a nos assemelharmos cada vez mais a Cristo, irradiando compaixão diante das multidões que hoje – mais do que nunca! – estão como que ovelhas sem pastor.

ENCHEU-SE DE PIEDADE PARA COM ELES

Não chames a Deus simplesmente justo. Porque não é em relação ao que tu fazes que Ele revela a Sua justiça. Se Davi Lhe chama justo e reto (cf. Sl 32,5), o Seu Filho revelou-nos que Ele é sobretudo bom e manso: “é bom até para os ingratos e os maus.” (Lc 6,35). […]
Onde está a justiça de Deus?
Não será em que “quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós”? (Rm 5,8).
E, se Deus Se mostra compassivo aqui na terra, acreditemos que Ele o é desde toda a eternidade.
Longe de nós esse pensamento injusto de que Deus não Se compadece. O próprio ser de Deus não muda, como mudam os seres que morrem […]; nada falta nem nada se acrescenta ao que Ele tem, como acontece às criaturas. Mas esta compaixão que Deus tem desde o início tê-la-á sempre, para a eternidade. […] Como disse o bem-aventurado Cirilo, no seu comentário do Génesis, venera a Deus por amor e não por causa desse duro nome de justiça que Lhe impuseram. Ama-O como Ele deve ser amado: não pela recompensa que Ele te dará, mas pelo que recebemos, por este mundo que Ele criou para nos oferecer.
Quem poderá dar-Lhe seja o que for em retribuição pelo que Ele fez por nós?
Entre as nossas obras, que Lhe poderíamos oferecer?
No início, quem O persuadiu a criar-nos?
E quem Lhe reza por nós, quando não O reconhecemos?
Que admirável é a compaixão de Deus! Que maravilha é a graça de Deus, nosso criador! […]
Quem poderá dizer a Sua glória?

VINDE, A SÓS, PARA UM LUGAR DESERTO, E DESCANSAI UM POUCO! HAVIA, DE FATO, TANTA GENTE CHEGANDO E SAINDO, QUE NÃO TINHAM NEM TEMPO PARA COMER

Hoje, o Evangelho nos sugere uma situação, uma necessidade e um paradoxo que são muito atuais.
Uma situação. Os Apóstolos estão “estressados”: “Ele disse-lhes: Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer” (Mc 6,31). Frequentemente nós nos vemos achegados à mesma mudança. O trabalho exige boa parte de nossas energias; a família, onde cada membro quer palpar nosso amor; as outras atividades nas que nos comprometemos, que nos fazem bem e, ao mesmo tempo, beneficiam a terceiros… Querer é poder? Talvez seja mais razoável reconhecer que não podemos tudo aquilo que gostaríamos.
Uma necessidade. O corpo, a cabeça e o coração reclamam um direito: descanso. Nestes versículos temos um manual, frequentemente ignorado, sobre o descanso. Aí destaca a comunicação. Os Apóstolos “Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-lhe tudo o que haviam feito e ensinado” (Mc 6,30). Comunicação com Deus, seguindo o fio do mais profundo de nosso coração. E – que surpresa! – encontramos a Deus que nos espera. E espera encontrar-nos com nossos cansaços. Jesus lhes diz: “Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer” (Mc 6,31). No plano de Deus há um lugar para o descanso! É mais, nossa existência, com todo seu peso, deve descansar em Deus. O descobriu o inquieto Agostinho: “Nos criastes para ti e nosso coração está inquieto até que não descanse em ti”. O repouso de Deus é criativo; não “anestésico”: encontrar-se com seu amor centra nosso coração e nossos pensamentos.
Um paradoxo. A cena do Evangelho acaba “mal”: os discípulos não podem repousar. O plano de Jesus fracassa: são abordados pelas pessoas. Não puderam “desconectar”. Nós, com frequência, não podemos liberar-nos de nossas obrigações (filhos, conjugue, trabalho…): seria como trair-nos! Impõe-se encontrar a Deus nestas realidades. Se existe comunicação com Deus, se nosso coração descansa Nele, relativizaremos tensões inúteis… E a realidade – desnuda de quimeras – mostrará melhor o sinal de Deus. Nele, ali, repousaremos.

JESUS MULTIPLICA OS PÃES E ALIMENTA UMA MULTIDÃO…

O povo excluído, desvalido, pobre, sem assistência médica, estava agora mais faminto e cansado de seguir os passos de Jesus por onde ele andava, para escutar suas lindas palavras e para serem curados de suas enfermidades.
E Jesus estava tão envolvido nessa imensa quantidade de pessoas que o procuravam, que nem Ele nem seus discípulos tinham tempo para nada, nem mesmo para se alimentarem.
Eles, Jesus e os discípulos, precisavam de privacidade, de um remanso, um descanso, mas não o conseguiam pois os irmãos carentes descobriam logo onde quer que eles iam, e os seguiam.
E Jesus numa atitude de absoluta caridade, tinha sempre pena e compaixão daquela gente sofrida, como ovelhas sem pastor, pessoas necessitadas que buscavam nele a solução imediata de seus problemas vitais, ou existenciais.
“Quando Jesus desceu do barco, viu a multidão e teve pena daquela gente porque pareciam ovelhas sem pastor”.
Então Jesus ordenou que o povo se sentasse na grama verde. Aí Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes, olhou para o céu e deu graças a Deus. Depois partiu os pães e os entregou aos discípulos para que eles distribuíssem ao povo. E também dividiu os dois peixes com todos. Todos comeram e ficaram satisfeitos.
Exemplo divino de pura CARIDADE, que deve ser seguido por nós.
Às vezes ficamos questionando: em que realmente consiste a caridade?
Ora, a caridade não se trata necessariamente de uma grande doação em dinheiro para uma obra de caridade, ou de um grande depósito na conta de alguém que seja pobre, mais sim, a caridade trocada em miúdos, nada mais é que pequenos gestos sinceros, feitos de todo coração, sem reclamar, sem demonstrações de mau humor, em favor do irmão, da irmã necessitados, sem visar nada, absolutamente nada, em troca.
Alguns exemplos: Trocar o gás para aquela viúva, consertar o chuveiro do seu vizinho idoso, levar o seu filho para o trabalho, buscar sua filha na faculdade à noite, ensinar o seu amigo a mexer no computador, trocar a torneira do tanque para a sua tia, carregar aquele pacote pesado para o idoso que não o está aguentando, ajudar a sua esposa nos afazeres domésticos, ter paciência com o seu marido nas horas de fraqueza, ajudar uma pessoa em dificuldades no trânsito, socorrer alguém que se envolveu num acidente, dar esmolas, dar água e comida a quem estiver com cede e com fome, etc.
Rezar pelos irmãos necessitados, é bom, é nosso dever, mais isso não basta. Precisamos fazer algo de concreto, algo de real, principalmente uma atitude que implique em doação de nós mesmo, como por exemplo, atender ao chamado de um parente, amigo ou mesmo desconhecido durante o nosso descanso, para ajudá-lo com algum tipo de problema em que ele não consegue resolver, e que para nós é moleza. Ou porque somos mais jovens e temos mais energia, ou porque sabemos como fazer aquilo, ou simplesmente porque somos caridosos, imitadores de Jesus Cristo.
Prezado irmão, prezada irmã. Agora vá e faça o mesmo!
Bom dia.

TRABALHANDO NA HORA DO DESCANSO…

Desculpem-me o título da reflexão mais é isso mesmo! Os apóstolos de Jesus, depois de um final de semana cheio de atividades, reuniões, pregações e celebrações, resolveram procurar Jesus na Segunda Feira para contarem dos resultados positivos de tantos trabalhos, feitos com tanto amor e alegria. Mas Jesus notou que eles estavam cansados, precisavam retirar-se para um local ermo, descansar um pouco, descontrair e jogar algumas conversas fora, Jesus não era um homem carrancudo e tempo inteiro falando sério, ensinando, pois quando estava a sós com os discípulos, é exatamente como nós com os amigos mais chegados, quando ficamos a vontade, conta-se uma história engraçada e se dá muita risada. Faz-se alguma piada sobre alguém do grupo… Ah que gostoso imaginar um Jesus de Nazaré assim tão humano como a gente…
A agitação do trabalho pastoral era muito grande, gente que ia e que vinha para reuniões, celebrações, encontros, exatamente como é a comunidade em finais de semana. Então na Segunda Feira pegaram uma barca e decidiram dar um passeio para o outro lado, claro que teria oração de louvor e agradecimento, haveria momento para a partilha da experiência missionária, um outro para as orientações de Jesus, mas tudo com muita descontração.
E quando já estavam bem a vontade, começando a jogarem conversa fora e traziam naqueles rostos uma inexplicável alegria por estarem ali juntos, ao chegarem á outra margem, já, com o carvão e a carne para um churrasco, quem sabe… espantaram-se ao ver a multidão que os esperava ali na outra margem. As pessoas estavam maravilhada e contagiada com a alegria daquele grupo, a pregação dos apóstolos e aquele jeito ensinado por Jesus, fora uma estratégia que havia dado certo, não importava que era uma segunda Feira, dia de descanso para os ministros e pastorais, o povo não queria ficar longe daquele grupo fantástico que tinha uma proposta totalmente nova de vida, de uma religião marcada acima de tudo pela alegria de sentir tão de perto o amor de Deus.
Os apóstolos talvez ficassem meio chateados “Pronto, acabou-se a nossa folga…” Mas Jesus sentiu compaixão das pessoas porque eram como ovelhas sem pastor, isso é, não tinham uma referência importante ou uma liderança autêntica para seguirem, e Jesus começou e ensinar-lhes muitas coisas mostrando que atenção, carinho, amor e compaixão para com as pessoas da comunidade, não tem dia e nem hora pois a vida de quem se consagrou a Deus e aos irmãos na comunidade, já não nos pertence…

ERAM COMO OVELHAS SEM PASTOR

O Evangelho de hoje começa com o amável convite de Jesus aos Apóstolos, que acabavam de chegar da sua missão apostólica, satisfeitos e cansados: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansemos um pouco”.
Entretanto, o povo descobriu para onde iam, e foi a pé, por terra. Assim, quando chegaram, encontraram uma multidão os esperando! Jesus “teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas”.
É interessante o modo de Jesus se relacionar com a multidão. Ele disse uma vez: “Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem” (Jo 10,14). Jesus evitava aquele messianismo político, pelo qual os seus contemporâneos judeus ansiavam. Evitava também o sectarismo gregário de massa. O seu contato era personalizado, dando origem ao Povo de Deus, ou à Comunidade cristã, na qual todos se conhecem e se amam, assim como o pastor conhece suas ovelhas.
“Foi vontade de Deus santificar e salvar os homens, não isoladamente e sem conexão alguma de uns com os outros, mas constituindo um Povo, que o confessasse em verdade e o servisse em santidade” (Concílio Vat. II, LG, 9).
Os primeiros cristãos entenderam bem essa lição e se uniam em Comunidades, onde viviam unidos como irmãos, tendo um só coração e uma só alma. Hoje a Igreja, pelo fato de ter milhões de membros, pode dar a impressão de ser massa. Mas não é. É só observar as nossas paróquias e Comunidades.
Várias vezes os evangelistas escrevem que Jesus sentiu compaixão. Ele tinha dó das pessoas carentes, das que sofriam, e aqui, das que estavam como ovelhas sem pastor. E ele não parava só no sentimento de compaixão, mas fazia o que ele podia pelo povo.
Jesus não possuía nada, não tinha nem onde reclinar a cabeça. Mesmo assim, não se preocupava consigo mesmo, mas com os outros. Quantos cristãos e cristãs têm esse mesmo coração! É deles que nascem as diversas pastorais e as atividades missionárias das Comunidades. Quando sentimos compaixão, e rezamos, Deus nos indica algum caminho.
Que bom seria se nós, ao nos depararmos com situações de carência, material ou espiritual, sentíssemos compaixão, uma compaixão ativa que se transforma depois em ação!
Certa vez, um homem terminou de construir a sua casa. Ficou linda. Ele a mobiliou com móveis novos, todos no mesmo estilo.
Então convidou um amigo para almoçar com ele e ver a casa. Terminada a refeição, mostrou toda a casa para o amigo, depois perguntou: “Falta alguma coisa? Pode dizer sem acanhamento, que vou comprar hoje mesmo”.
O amigo criou coragem e falou: “Eu sinto que está faltando Deus na sua casa!” O dono da casa se surpreendeu, porque não havia pensado nesse componente da casa. E ficou perdido, confuso, sem saber o que fazer, pois Deus não dá para se comprar!
Quantas casas hoje são assim: têm tudo, menos o principal que é Deus. Que sintamos compaixão, uma compaixão ativa, como fez o visitante da nova casa. “O que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se e a arruinar a si mesmo?” (Lc 9,25).
Maria Santíssima foi uma mulher ativa na luta pelo bem do povo. Vemos os seus anseios expressos no magnificat, e levados à ação nas bodas de Caná, ao pé da cruz, no Cenáculo etc. Santa Mãe Maria, o povo continua como ovelhas sem pastor; dai-nos um coração semelhante ao vosso!
Eram como ovelhas sem pastor.

JESUS: ALIMENTO NECESSÁRIO

Jesus é o alimento que fortalece a pessoa para a luta diária. Somente em Jesus que o homem encontra força para caminhar rumo a libertação. Tanto que os discípulos chegaram correndo para contar para o Mestre o que tinha acontecido com João Batista. Ficaram assustados com a reação de Herodes ao mandar cortar a cabeça do anunciador do Messias. A euforia dos discípulos simboliza a magia do efeito da palavra correta, isto é, as pregações que levaram novo jeito de ver a realidade na tentativa de ultrapassar as barreiras nefastas, estão fazendo efeito, mesmo que tenha que entregar a vida em nome da transformação.
Ao aproximar de Jesus os discípulos estavam buscando conforto e solicitudes. Enxergavam na pessoa do Homem Libertador uma maneira de sentirem-se seguros. Jesus convida-os para um lugar mais calmo para conversar a sós.
Ao chegar no lugar escolhido Jesus observa realidade contraditória. São homens, mulheres e crianças necessitadas. Com fome e desprotegidos das avarias do tempo, Jesus toma atitude drástica: Deem vocês mesmos comida a eles. Os discípulos disseram: Para comprarmos pão para toda esta gente, nós precisaríamos de duzentas moedas de prata. Jesus perguntou:
Quantos pães vocês têm?
Os discípulos foram ver e disseram: Temos cinco pães e dois peixes. Isto foi o suficiente para saciar a fome de toda a multidão e sobrarem vários cestos de alimentos.
Será que foi um milagre?
Ou será que foi o pode de Jesus para impressionar a multidão?
O evangelista Marcos não dá mais detalhe deste memorável fato envolvente, ele está mais preocupado com a praticidade de Jesus a seguir do que relatar o grande banquete. Porém, nos presenteia com uma narração de encher os olhos. Como pode cinco pães e dois peixes saciar toda a fome do povo.
Os dois peixes representam a divisão do povo de Israel, o povo do Norte e o Povo do Sul e o cinco pães é o complemento da unidade sete que significa a perfeição. Marcos nos alerta de que o povo dividido torna-se fraco e sem forças para luta. O perfeito, sete (cinco pães e dois peixes) é a luz que devemos encontrar para concluir a unidade eterna. Assim, o homem unido em torno de um Deus verdadeiro e, não de um rei prepotente como Herodes, não passa fome e se consolida um com o outro.
Tanto que Jesus ao pregar para os presente teve pena daquela gente porque pareciam ovelhas sem pastor. Jesus sentiu-se compadecido pelo povo desorientado que necessitava do ALIMENTO DO PAI.
Olhamos para nossa realidade e enxergamos a mesma cena. São milhões de homens, mulheres e crianças abandonadas pelas sarjetas da vida. São bichos em forma de gente que buscam um espaço para viver a sua dignidade, mas encontram-se desconsolo, violência, maus-tratos. Contudo, enquanto este povo continuar na desunião, valorando coisas supérfluas, não tendo compaixão do outro, não vão conseguir sair do isolamento e da vida do abandono.
Somente no Jesus Cristo Ressuscitado que o homem tem forças para sair da vida de miséria. Urge ao homem olhar à libertação como meta a alcançar; despojando das sujeiras mundanas que encardem novos horizontes. Somente Jesus pode alimentar o espírito enfraquecido do homem perdido que trocou a fé pelo encardido e, agora, sugado e violentado, pede socorro para o Libertador.
Caros irmãos leitores, comprometam-se com o pão do Cristo na unidade fraterna de uma vida feliz e verdadeira. Amém.
Felicidades!

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Há necessidade de muita sabedoria para quem está à frente do povo, que às vezes caminha como ovelha sem pastor. A liderança que não tem compaixão das pessoas, principalmente das mais necessitadas, não merece esse nome.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

O verdadeiro líder tem humildade, reconhece sua fraqueza e pede a Deus auxílio. Quem lidera o povo assumem o compromisso de amparar os mais necessitados e deles cuidar.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27)

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor (Sl 105,47)

Antífona da comunhão

Mostrai serena a vossa face ao vosso servo e salvai-me pela vossa compaixão! (Sl 30,17s).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Senhor, tornai-nos fortes e perseverantes.

— Pelos líderes religiosos, para que tenham humildade e sabedoria, rezemos.
— Pelas pessoas desorientadas, para que encontrem o bom caminho, rezemos.
— Pelos que buscam viver bem e felizes, respeitando e ajudando o próximo, rezemos.
— Pelos que procuram um emprego para o sustento da família, rezemos.
— Pelos que dedicam com amor e esmero à nossa comunidade, rezemos.

Oração sobre as oferendas

Para vos servir, ó Deus, depositamos nossas oferendas em vosso altar; acolhei-as com bondade, a fim de que se tornem o sacramento da nossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Renovados pelo sacramento da nossa redenção, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da salvação eterna nos faça progredir na verdadeira fé. Por Cristo, nosso Senhor.

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