LDP: 05/FEV/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

05/Fev/2012 (domingo)

LEITURAS

Jó 7,1-4.6-7 (Livro do antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

Jó disse: 1“Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como os dias de um mercenário? 2Como um escravo suspira pela sombra, como um assalariado aguarda sua paga, 3assim tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimento. 4Se me deito, penso: Quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde e me encho de sofrimentos até ao anoitecer. 6Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança. 7Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade!

Salmo 146,1-2.3-4.5-6 (R. Cf. 3a) (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

— Louvai a Deus, porque ele é bom e conforta os corações.
1Louvai o Senhor Deus, porque ele é bom, / cantai ao nosso Deus, porque é suave: / ele é digno de louvor, ele o merece! / 2OSenhor reconstruiu Jerusalém, e os dispersos de Israel juntou de novo.
3Ele conforta os corações despedaçados, / ele enfaixa suas feridas e as cura; / 4fixa o número de todas as estrelas / e chama a cada uma por seu nome.
5É grande e onipotente o nosso Deus, / seu saber não tem medida nem limites. / 6O Senhor Deus é o amparo dos humildes, / mas dobra até o chão os que são ímpios.

1 Coríntios 9,16-19.22-23 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Epístolas ou Cartas de são Paulo)

Irmãos: 16Pregar o Evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o Evangelho! 17Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. 18Em que consiste, então, o meu salário? Em pregar o Evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o Evangelho me dá. 19Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. 22Com os fracos, eu me fiz fraco, para ganhar os fracos. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. 23Por causa do Evangelho eu faço tudo, para ter parte nele.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 1,29-39 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Sinótico)

Naquele tempo, 29Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. 31E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los. 32À tarde, depois do pôr do sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33A cidade inteira se reuniu em frente da casa. 34Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era. 35De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. 37Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. 38Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. 39E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O que o texto diz para mim, hoje?
Qual palavra mais me toca o coração?
Entro em diálogo com o texto. Reflito e atualizo. Diante de grandes desafios, os bispos em Aparecida, disseram: “Os esforços pastorais orientados para o encontro com Jesus Cristo vivo deram e continuam dando frutos” (DAp 99).
Meus esforços para viver bem, estar bem, são orientados pelo encontro com Cristo vivo?
Ou, considero-me capaz e suficiente para enfrentar os desafios, dispensando a ação de Deus na minha vida?
Esforço-me também para levar Jesus a todos?

… a VERDADE …

O que diz o texto do dia?
Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Mc 1,29-39.
Jesus sai da sinagoga e vai para a casa de Pedro onde a sua sogra estava com febre alta. Observe a atitude: “Ele chegou perto, segurou a mão dela e ajudou-a a se levantar.” A febre deixou a mulher, e ela começou a cuidar deles. Interessante. é que Jesus não falou com a mulher, mas a segura pela mão e a ajuda a se levantar. A mulher, imediatamente, ficou curada, e tão bem, que se põe a cuidar deles. Doentes e multidão procuravam encontrar Jesus e Ele anunciava a boa notícia do Reino por toda parte.
A sogra de Pedro, nesta narração de Marcos, é a primeira beneficiada do poder curador de Jesus, apenas pelo contato de sua mão.
Um pouco antes deste texto, no versículo 21, está descrito que era dia de sábado, ocasião em que Jesus também expulsou o espírito mau de um homem na sinagoga de Cafarnaum. Em frente a casa de Pedro o povo se encontra com doentes e pessoas necessitadas de cura. Jesus curou muitas delas. Diante da Palavra e dos milagres de Jesus o Reino de Deus vai se concretizando.
Cabe ressaltar ainda a oração matutina de Jesus num lugar deserto. Os apóstolos o procuram e ao encontrá-lo lhe diz: “Todos estão procurando o senhor”. E Jesus decide ir a todos. Andava por toda a Galileia.

… e a VIDA …

Pai, faze minha vida espelhar-se no testemunho de Jesus, o primeiro a pôr em prática seus próprios ensinamentos, mostrando como é possível vivenciá-los.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Deixarei que o Senhor me tome pela mão como segurou a mão da sogra de Pedro e me cure de meus males (momentos de silêncio).

REFLEXÕES

INÍCIO DO MINISTÉRIO DE JESUS

Marcos, em seu evangelho, marca o início do ministério de Jesus com duas narrativas de milagres, articuladas entre si, as quais caracterizam a nova prática vivida por Jesus. A saída da sinagoga, onde havia um espírito impuro, é, logo, seguida da entrada na casa de Simão Pedro e André. Com a concisa afirmação “logo que saíram da sinagoga, foram… para a casa de Simão…”, Marcos indica que Jesus abandona a sinagoga, e seu ministério se dá em um novo espaço, na casa. É a casa o lugar onde se reúne a nova comunidade e que se torna o centro de irradiação da missão. Depois disso, a presença de Jesus nas sinagogas é mencionada apenas três vezes: para expulsar os demônios, para questionar a prática excludente farisaica e para revelar qual é a verdadeira sabedoria de Deus. A sinagoga é o lugar onde Jesus encontra os espíritos impuros. A casa, com a mulher libertada de seu abatimento, é o lugar do serviço característico das novas comunidades. A presença de Deus, agora, não está aprisionada no único Templo em Jerusalém (destruído no ano 70), nem nos espaços de culto das sinagogas que acompanhavam os judeus no interior da Judeia, ou dispersos fora dela. Com Jesus, Deus está presente no coração da vida, na casa, onde se reúne a família e que é centro de produção artesanal ou agrícola para as trocas necessárias para a sobrevivência. A casa é lugar de encontro vital, de iniciativas, de irradiação e comunhão de vida, em qualquer região, em qualquer povo. Nos Atos dos Apóstolos também se evidencia este deslocamento do eixo da sinagoga para as casas. São as “igrejas domésticas” das primeiras comunidades. A comunicação da vida plena, por Jesus, se dá no convívio diário, nas relações fraternas cheias de amor, seja no ambiente familiar, seja em uma comunidade mais abrangente.
O evangelista, ao insistir em muitas curas e exorcismos, tem a intenção de remover do leitor a visão de Jesus como um milagreiro. Pelas características variadas destas narrativas de milagres, o leitor começa a perceber o seu sentido simbólico. Em sua essência elas indicam o contraste maior existente entre a proposta libertadora e vivificante de Jesus e a proposta opressora e excludente da sinagoga e da tradição do Templo, em um contexto de carências e sofrimento do povo. O povo acorre a Jesus que, depois de atendê-lo, retira-se, de madrugada para orar. Querem retê-lo junto a si. Jesus o rejeita, decidido a ir anunciar sua mensagem libertadora e vivificante por toda a Galileia. A primeira leitura retrata, na pessoa de Jó, o sofrimento de um pobre excluído. O livro de Jó revela que o sofrimento não é castigo de Deus, conforme se afirmava na Doutrina da Retribuição, mas resulta, principalmente, da injustiça dos poderosos deste mundo. Na segunda leitura Paulo faz apologia de sua dedicação à pregação do evangelho.

O PODER DE CURAR

O poder taumatúrgico de Jesus chamava a atenção de todos. Por onde passava, atraía multidões de pessoas que recorriam a ele em busca de cura para suas doenças e enfermidades. E ninguém ficava sem ser atendido.
Os milagres de Jesus, entretanto, nada tinham de exibicionismo. Seu poder de curar não o transformava em milagreiro ambulante, a serviço do interesse e da curiosidade alheia. Talvez alguém se tenha aproximado dele com esta visão deturpada de sua ação. Ele, porém, manteve até o fim sua pureza de intenção.
Os milagres de Jesus estavam em função de seu serviço ao Reino. Por meio deles, ficava patente que o Reino estava acontecendo em forma de recuperação da saúde e de tudo quanto mantinha cativo o ser humano.
Os benefícios do poder de Jesus chegavam a todos indistintamente. Jesus não se perguntava se a pessoa era digna ou não de ser beneficiada por ele. Importava-lhe apenas o fato de ter diante de si alguém carente de vida, em quem o Reino podia dar seus frutos. Por isso, não se recusava a acolher pessoa alguma e fazê-la participar da vida recebida do Pai, para ser partilhada com a humanidade.

JESUS FOI PARA UM LUGAR SOLITÁRIO E ALI SE PÔS EM ORAÇÃO

Quando o Filho de Deus “levantando os olhos ao céu disse: ‘Pai, glorifica o Teu Filho’” (Jo 17,1), ensinou-nos através desta ação que devemos levantar bem alto todos os nossos sentidos, as nossas mãos, as nossas faculdades, a nossa alma, e rezar n’Ele, com Ele e por Ele. Eis a obra melhor e mais santa que o Filho de Deus realizou na terra: adorar Seu bem amado Pai. Mas isto ultrapassa em muito qualquer raciocínio, e não conseguimos de maneira nenhuma alcançá-lo e compreendê-lo se não for no Espírito Santo. Santo Agostinho e Santo Anselmo dizem-nos que a oração é “uma elevação da alma para Deus”. […]
Eu digo-te apenas isto: liberta-te de ti mesmo e de todas as coisas criadas, e eleva plenamente a tua alma para Deus, acima de todas as criaturas, no abismo profundo. Mergulha o teu espírito no espírito de Deus com verdadeiro abandono […], numa verdadeira união com Deus. […] Pede a Deus tudo o que Ele quer que Lhe seja pedido, o que tu desejas e o que os homens desejam de ti. E acredita nisto: aquilo que uma pequena e insignificante moeda é, comparada com cem mil moedas de ouro, eis o que é toda a oração externa, comparada com esta oração que é uma verdadeira união com Deus, com esta fusão do espírito criado no espírito criado de Deus. […]
Se te pediram uma oração, é bom que a faças de maneira exterior, como te pediram e como tu te comprometeste a fazer. Mas ao fazê-lo leva a tua alma para as alturas e para o deserto interior, conduz para aí todo o teu rebanho como Moisés (Ex 3,1). […] “Os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade” (Jo 4,23). É nesta oração interior que se completam todas as práticas, todas as fórmulas e todos os tipos de oração que, desde Adão até agora, foram oferecidos, e que serão oferecidos até ao último dia. Tudo isto é levado à sua perfeição num instante, neste recolhimento verdadeiro e essencial.

JESUS ALIMENTA UMA MULTIDÃO

Um dia “em cheio”, na vida de Jesus! Numa breve reportagem, assinada por São Marcos, acompanhemos, de perto, os passos do Mestre, nesta famosa “jornada de Cafarnaum” (Mc 1,21-34). Aprendamos, com Ele a orar, sem cessar, para viver sempre, na presença de Deus, cada um dos dias da nossa vida e um de cada vez!
1. Antes de mais, antes mesmo de partir para o trabalho, Jesus vai à sinagoga. Entra na sua “igreja paroquial”, para aí ouvir a Leitura da Lei, para aí rezar os salmos, e aí meditar em comunhão a Palavra de Deus. Para Jesus, o tempo ou o templo de Deus é sempre prioritário. O encontro com o Pai abre, enche e preenche, fecha e plenifica todo o seu dia. A oração na sinagoga, a oração em comunidade torna-se, sem dúvida, a sua grande escola de oração pessoal!
2. Dali, da Oração comunitária, Jesus colhe força e alento, para acolher a todos os que encontram ao longo do seu dia! Ele sai da “Casa de Deus” e entra na “casa dos homens”. Logo que “lhe falaram da sogra de Simão, que estava de cama, com febre, Jesus aproximou-se, tomou-a pela mão e levantou-a” (Mc 1,31). Nada do outro mundo. Mas “a febre deixou-a e ela começou a servi-los” (Mc 1,31). E o dia continua, com uns à porta e outros ao ferrolho. E de todos Jesus se aproxima, a todos Jesus acolhe, cura, liberta-os, para os tornar mais capazes de amar e servir!
3. De manhazinha, Jesus retira-se, para um lugar solitário, e de novo, para rezar. Da oração em comunidade e do trabalho do amor, Jesus colhe o essencial para a oração mais pessoal, íntima e coloquial com o Pai. Jesus está em oração, mesmo quando todos O procuram! Posto isto, e nada posto antes de Deus, Jesus deixa as urgências de “todos os que O procuram” (Mc 1.36) e atende ao essencial da sua missão: anunciar a Boa Nova, a todos, por todos os meios e por toda a parte.
4. Na vida de Jesus, meus caros irmãos, “a oração é a chave da manhã e o ferrolho da noite” (M. Gandi). Este é o segredo, por que Jesus se aguenta de pé, no meio de tanta atividade; esta é a razão pela qual Jesus sabe distinguir o urgente do essencial: Jesus reza. Em comunidade e a sós. De manhazinha e à noite, todo o dia e sem cessar. Jesus aguenta-se de pé, pondo-se “de joelhos”. A Oração, desde “manhã muito cedo” (Mc 1,35), até ao deitar, com o sono, fá-lo viver na “órbita do Pai”, que trabalha sempre (Jo 5,17) e por meio d’Ele. Em Jesus, a verdadeira oração, torna-se ação, “fadiga do amor” (I Tes.1,3). Jesus mostra-no-lo bem: quem verdadeiramente reza “não desperdiça o tempo, mesmo quando a situação apresenta todas as caraterísticas de uma emergência e parece impelir unicamente para a ação” (Bento XVI, DCE 36).
5. Não é de mais reafirmarmos a importância da oração, face ao ativismo! Quanto mais tivermos que fazer, mais deveremos rezar: rezemos, de manhãzinha, para encontrar uma atitude e um caminho, para o dia todo; rezemos à noite, para eliminar todos os resíduos do dia e encontrarmos a paz. Mas rezemos sem cessar, trabalhando, com o coração de Deus, a bater no nosso! Talvez pudéssemos começar por insistir hoje na oração da manhã. Ao levantar, ou a caminhar para o trabalho, podemos ainda rezar como nos ensinou Madre Teresa de Calcutá: “Eu venho a Ti, Jesus, para que me dês o teu carinho, antes de começar o meu dia. Que os teus olhos repousem nos meus um instante. Faz com que leve para o meu local de trabalho a certeza da tua amizade. Enche o meu espírito, para que eu seja capaz de suportar o deserto do ruído. Que o teu resplendor abençoado cubra os meus pensamentos. E dá-me força, para estar com aqueles que precisam de mim”.

TODOS TE PROCURAM

Hoje contemplamos a Jesus em Cafarnaum, centro do seu ministério, e concretamente em casa de Simão Pedro: “Logo que saíram da sinagoga, foram (…) para a casa de Simão e André” (Mc 1,29). Lá encontra a sua família, a de aqueles que escutam a Palavra e a cumprem (cf. Lc 8,21). A sogra de Pedro está doente em cama e Ele, com um gesto que ultrapassa a anedota, lhe dá a mão, levanta-a da sua prostração e a devolve ao serviço.
Aproxima-se aos pobres-doentes que lhe levam e os cura apenas alargando a mão; somente com um breve contato com Ele, que é fonte de vida, são salvados – liberados.
Todos procuram a Cristo, alguns de uma maneira expressa e esforçada, outros não são conscientes disso, já que “nosso coração está inquieto e não encontra descanso até que descansa Nele” (São Agostinho).
Mas, assim como nós o procuramos porque necessitamos que nos livre do mal e do Maligno, Ele se nos acerca para fazer possível aquilo que nunca poderíamos conseguir sozinhos. Ele fez-nos frágeis para ganhar-nos a nós, “fez-se todo para todos para ganhar ao menos alguns” (1Cor 9,22).
Há uma mão aberta que nos espera quando nos sentimos cansados por tantos males; temos bastante com abrir a nossa e nos encontraremos de pé e renovados para o serviço. Podemos “abrir” a mão mediante a oração, tomando o exemplo do Senhor: “De madrugada, quando ainda estava bem escuro, Jesus se levantou e saiu rumo a um lugar deserto. Lá ele orava” (Mc 1,35).
Além disso, a Eucaristia de cada domingo é o encontro com o Senhor que vem a levantar-nos do pecado da rotina e do desânimo para fazer de nós testemunhos vivos de um encontro que nos renova constantemente e que faz-nos livres de verdade com Jesus Cristo.

JESUS CUROU A SOGRA DE PEDRO

Nas leituras deste domingo, reflitamos sobre dois pontos:
a) A compaixão de Jesus pelos doentes, e o seu poder de cura;
b) A necessidade de pregarmos o Evangelho.
Jesus simplesmente segurou a mão da sogra de Pedro e a febre desapareceu. Porque Jesus tem poder, porque Jesus é o próprio Deus. E pensar que Ele nos passou o poder de cura, ao dizer: “Se tiveres fé, poderei fazer tudo o que eu faço…”
Podemos impor as nossas mãos sobre um doente, e pedir por ele, pela sua recuperação, pela sua conversão, pela sua salvação. E podemos até conseguir um milagre. Porém, o que nos atrapalha é a nossa fraca fé. É aquela dúvida que passa como uma sombra, como um pano de fundo na nossa mente, dizendo.
Você?
Quem é você para fazer isso?
Você não se enxerga não?
Caríssimo leitor. Se realmente estivermos com Deus, seguindo, praticando e ensinando os seus mandamentos, nós conseguimos curar. Não com a intenção de dar uma demonstração de poder, mais com o objetivo para aliviar o sofrimento do irmão, da irmã. Mas o que na realidade acontece, é que depois da primeira cura que fizermos, seremos tomados por uma sensação de poder, de santidade, e até passaremos a ter uma outra postura diante das pessoas! E é aí que está a nossa fraqueza, e a nossa fragilidade, e consequentemente, o fracasso!
No segundo ponto de reflexão, acontece a mesma coisa. Como Paulo nos diz, pregar o Evangelho não deve ser para nós, motivo de glória, de poder diante das pessoas, ou de importância social. Pelo contrário, quem prega o Evangelho, deve se sentir, deve ser uma pessoa humilde, que está fazendo uma coisa que simplesmente deve ser feita, uma tarefa que é uma imposição, ou uma obrigação, e não devemos nos sentir uma pessoa especial. Porque ai de nós se não pregarmos o Evangelho de algum modo: seja pela palavra, seja pelo nosso exemplo ou testemunho de vida.
Nunca devemos pregar o Evangelho por uma iniciativa própria, ou, para ganhar fama e dinheiro. Nunca para explorar os humildes, para lhes tirar o seu pouco dinheirinho, pois é o mesmo que lhes tirar o pão de suas bocas. Nunca inventar uma religião, dando-lhe um bonito nome, com o objetivo de enganar os ingênuos, oferecendo-lhes poder, riqueza, sucesso, dizendo-lhes, por exemplo, que Deus quer que sejamos ricos. Nunca inventar frases, palavras, verdades que teriam sido pregadas pelo Filho de Deus. Nunca ficar repetindo palavras ou frases decoradas há todo momento, como quem não tem mais nada a dizer, senão repetir, repetir, e repetir, de forma irritante e cansativa.
A iniciativa de ser missionário, de levar a palavra de Deus ao mundo, é antes de tudo, o atendimento de um chamado de Deus, com fidelidade absoluta aos ensinamentos de Jesus Cristo, da Igreja, e não uma iniciativa pessoal, visando remuneração por parte dos homens. Até podemos ser recompensados financeiramente, pois o próprio Jesus disse aos apóstolos para que não levassem nada, nem comida, nem dinheiro, pois o operário merece o seu sustento. Porém, o que não pode acontecer, é uma iniciativa evangélica para o enriquecimento próprio, com uma máscara de santidade.
Nunca também, usar o dom de cura ou de escrever par angariar dinheiro. Pois de graça recebestes, de graça deves dar. Se alguém quiser ajudar, fazendo alguma doação, é outro caso. Porém, tentar fazer da ação missionária um trampolim para enriquecer, é o contrário de tudo o que Jesus nos ensinou pela palavra e pelo exemplo.
A missão de evangelizar é antes de tudo, uma honra, pois quem está levando a palavra de Deus ao mundo é um escolhido pelo próprio Deus.
Em que consiste então o nosso salário?
Consiste em dar de graça o dom que de graça recebemos. Sem nunca usar os direitos que o próprio Evangelho nos dá. Paulo nos afirma que ao mesmo tempo em que somos livres em relação a todos, somos escravos de todos, pela nossa dedicação entrega integral ou quase total ao serviço do Reino… O nosso salário está explícito nas palavras de Cristo. “…receberás cem vezes mais nesta vida e ainda a vida eterna…”
Paulo nos ensina como devemos ser na nossa tarefa santa de pregar o Evangelho: adaptando-nos às pessoas as quais nos dirigimos. Sendo simples com os simples, para conquistá-los, para promover a sua conversão.
Certa vez, em uma comunidade de carentes, foi um grupo de catequistas de uma paróquia da Catedral situada em um bairro de classe média, para fazer uma série de palestras. Infelizmente essa missão, para algumas pessoas, fez efeito contrário. Pois os exemplos dados nas falas dos palestrantes, eram exemplos de suas experiências vitais, que não tinha nada a ver com o seu dia a dia daqueles ouvintes, pessoas simples da periferia.
Portanto, se somos da classe alta e não conseguimos descer até os humildes, é melhor ficar catequizando para os do nosso nível, para não humilhar ou constranger os irmãos carentes. Deixe então que os humildes falem para os humildes.

AÇÃO LIBERTADORA

Neste Evangelho, mais uma vez, Jesus nos mostra a sua ação libertadora. Onde está Jesus, lá está a felicidade, lá está a alegria. Sua presença modifica o ambiente, tudo muda. Com Jesus ao nosso lado, sentimo-nos fortes e protegidos.
Jesus sai da sinagoga, entra na casa do seu amigo e cura a sogra de Pedro que estava acamada, com febre. Aquela que estava doente foi curada e, para demonstrar sua alegria e gratidão, imediatamente começou a servi-los.
Quantos exemplos encontramos no Evangelho de hoje. Mostra que a oração está presente na vida de Jesus. Marcos inicia mostrando Jesus saindo da sinagoga, onde, certamente, estava ensinando e orando. Jesus quer nos mostrar que, também ele, encontra forças na oração para cumprir sua missão.
Observe que Jesus não foi sozinho à sinagoga. Convidou seus amigos Tiago e João para acompanhá-lo. Esse exemplo deve ser seguido. Precisamos convidar e trazer todos nossos amigos para a casa do Senhor.
Ao sair da sinagoga Jesus foi visitar Simão e André. O enviado do Pai não fica parado, está sempre a procura das pessoas. Sabe como é importante a presença amiga.
Devia estar preocupado e se perguntando porque esses seus amigos não teriam ido à sinagoga naquele dia?
Quando chegou, encontrou a sogra de Pedro acamada e com febre. Aproximou-se, segurou sua mão e a curou. Esse gesto de Jesus é totalmente contrário aos costumes da época. Tocar em uma mulher sã, já não era normal, quanto mais doente. Qualquer judeu observante da lei teria se afastado dela.
Mais um exemplo, mais uma lição. Além da compaixão pelos enfermos, sem usar nenhuma palavra, Jesus deixou claro que não pode haver discriminação e pede mudanças. Isto vale também para os dias de hoje. A mulher, sempre marginalizada pela sociedade, tem direito a igualdade, dignidade e respeito.
Outra lição aprendemos com a sogra de Pedro; assim que sentiu-se curada, passou a servi-lo. Ela soube agradecer o benefício recebido, imediatamente colocou-se a serviço. Quantas vezes recorremos a Deus. Quantas curas alcançamos, quantas graças recebemos sem nunca nos lembrarmos de agradecer.
Jesus andava por toda Galileia, curando e expulsando demônios. Pouco se importava com o número de habitantes. Pregava em todos os lugares, em todas as aldeias. “É para isso que eu vim”, dizia ele. Queria mostrar que, por menor que seja o lugar, mesmo que lá habite uma só pessoa, o evangelizador tem que se fazer presente.
Resumindo: Jesus acolhe a todos sem distinção de sexo, raça ou cor. Seu carinho e atenção para com a mulher e com o enfermo são claras demonstrações de amor e igualdade.
Levantar-se de madrugada para orar, é um recado direto para quem quer segui-lo. Ninguém está dispensado de orar. A oração faz parte da atividade apostólica. É ela que dá sentido e força para a ação missionária.
Viu como é grande poder da oração? Por tudo isso, vamos rezar para que nunca faltem boas notícias, como estas.

CUROU MUITAS PESSOAS DE DIVERSAS DOENÇAS

Este Evangelho descreve dois dias de intensa atividade de Jesus em Cafarnaum:
1) Sai da sinagoga onde estava rezando.
2) Cura a sogra de Pedro.
3) Cura “muitas pessoas de diversas doenças e expulsa muitos demônios”.
4) Refugia-se para a oração.
5) Vai a “outros lugares, às aldeias da redondeza”.
E o evangelista resume: Jesus “andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios”. A oração e a união com Deus é a fonte do nosso amor ao próximo.
Jesus só fazia o bem; a sua alegria consistia em fazer o bem às pessoas. Depois que ele curou a sogra de Pedro, o evangelista diz: “Então a febre desapareceu, e ela começou a servi-los”. Aquela senhora, que convivia com Jesus bem de perto, pois ele frequentemente se hospedava na casa dela, havia aprendido com Jesus esta virtude do bom acolhimento. Certamente, lá da cama ela sentia um grande desejo de estar preparando a comida e o pouso dos queridos visitantes. Logo que foi curada, pôde realizar o seu desejo.
“À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes… A cidade inteira se reuniu em frente da casa. Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças.” Descubra a felicidade de servir. Quem gosta de servir, faz aquilo que pode pelos outros. Jesus podia curar, curava. Diversas vezes, ele nos pediu: “Curai os doentes”.
“De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto.” O seu amor maior mesmo é a Deus Pai. É este amor que o impulsionava a amar o próximo. Como é importante nós não nos deixarmos levar pelo ativismo, e dar umas fugidas para nos encontrarmos com Deus! O evangelista começa o Evangelho de hoje dizendo: “Jesus saiu da sinagoga…” portanto ele estava rezando. Só neste curto texto do Evangelho, Jesus aparece duas vezes rezando!
“Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. Quando o encontraram, disseram: Todos estão te procurando!” Como quem diz: “Ontem o Senhor conquistou o povo; agora, que, está na hora de colher os frutos, o Senhor foge?” Jesus não buscava “frutos” nem glórias para si; o que ele queria era a glória de Deus Pai e o bem do povo.
“Jesus respondeu: Vamos a outros lugares”. O líder dá a mão, ajuda a pessoa a se levantar, mas quer que ela depois caminhe com as próprias pernas, e não fique dependendo daquele que a ajudou, ou batendo palmas para ele. Afinal, somos todos iguais. Deus é que faz as curas e dá as graças.
O grande modelo na cena, além de Jesus, é a sogra de Pedro que, logo que foi curada, “se levantou e pôs-se a servi-lo”. O trabalho é uma bênção de Deus. Poder trabalhar é poder servir. “Descubra a felicidade de servir”. Jesus trabalhava. Ele era carpinteiro, junto com o pai, S. José. Na vida pública, continuou trabalhando, pois a atividade missionária é trabalho. Quem tem fé gosta de trabalhar, pois a fé sem obras é morta. Nós, que recebemos tanto da família e da sociedade, precisamos ajudá-las também, através do nosso trabalho.
Jesus era um mestre religioso diferente dos outros mestres da época. Estes fundavam escolas para ensinar a interpretar a Sagrada Escritura. Jesus era itinerante, queria que seus discípulos vivenciassem a Sagrada Escritura, e passassem essa vivência para frente. Esse método continua até hoje, na Santa Igreja.
Nós queremos ser “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que os nossos povos tenham vida nele” (Documento de Aparecida). Somos chamados a levar a Boa Nova de Jesus até os confins da terra. A Comunidade cristã não é um grupo de pessoas em torno de um líder, mas são pessoas unidas em torno de Cristo, e organizadas entre si para a construção do Reino de Deus.
Certa vez, um menino da roça foi à cidade com o pai. E lá havia um palhaço na rua, fazendo propagando do circo. O garoto se encantou com aquele palhaço, e começou a acompanhá-lo, junto com as outras crianças.
Quando se deu conta, tinha se separado do pai. O menino começou a chorar, e a andar desesperadamente pelas ruas procurando o pai. Ele atravessava as ruas sem cuidado, correndo o risco de ser atropelado. Até que, por sorte, o pai, que também o procurava, o viu na rua e correu atrás.
Este mundo está cheio de gente andando sem rumo e desesperadamente, como aquele garoto. A sogra de Pedro não andou sem rumo, pois imitava e seguia Jesus Cristo, o caminho, a verdade e a vida.
Maria Santíssima passou a vida servindo: dona de casa, esposa, mãe… Que ela nos ajude a servir na humildade, a Deus e aos nossos irmãos e irmãs, e assim acertar o caminho do Céu.
Curou muitas pessoas de diversas doenças.

JESUS CUROU A SOGRA DE PEDRO

Jesus tinha uma agenda bem “cheia”, mas nela sempre havia um bom tempo para duas coisas muito importantes: o atendimento as pessoas enfermas, tristes, oprimidas, possessas do demônio, e também para entregar-se a oração, porque na oração que escuta, o Pai vai confirmando-o em sua missão libertadora.
Na agenda não faltava a participação na celebração, junto com seus discípulos (eles tinham acabado de sair da sinagoga) e ainda a visita a casa dos amigos onde tinha uma grande sensibilidade com alguém que estava enfermo, como é o caso da sogra de Pedro. Claro que há nessa cura um toque a mais da sua graça santificante, pois ao tomá-la pela mão e a pondo de pé, imediatamente a febre a deixou e ela começou a servi-los. Quem é tocado pela graça tem essa primeira reação: se dispõe a servir a comunidade…
As demais curas devem sempre ser compreendidas em seu verdadeiro significado, elas querem nos apresentar um Jesus com poderes divinos, que usa esse poder para libertar, desalienar e curar todos os que ainda jazem no pecado. Esses sinais confirmam a autenticidade do seu messianismo mas não são importantes em si mesmo.
Por isso mesmo que seus discípulos, não tendo compreendido a profundidade dessas curas, vão á sua procura com outra intenção, a de fazê-lo ver como estava conhecido e já era famoso pois as multidões o seguiam e se admiravam dos prodígios que realizava. Estava mais que na hora de “jogar a âncora” e estacionar o barco para uma pescaria abundante…
Entretanto Jesus foge desse popularismo, não foi para isso que veio, para armar uma tenda dos milagres, deixando que as pessoas necessitadas viessem até ele, mas sim para anunciar e pregar em todas as aldeias vizinhas. Nós também não viemos para fazer sucesso com nosso carisma nas nossas comunidades, mas sim para evangelizar a todas as pessoas de todos os lugares, a Igreja não pode ser um posto de atendimento esperando que os “clientes” venham até ela, antes, deve sair de si mesma e ir ao encontro dos que precisam descobrir o sentido da vida.
Afinal, Jesus Cristo não autorizou ninguém a mudar o ramo de atividade por ele estabelecido desde o início “Ide e Evangelizai…” Ele continua hoje a não querer ser Rei e nem o Maior de todos os milagreiros da humanidade. Os que descaracterizarem a Igreja, omitindo-se da sua missão primária, terão um dia que prestar contas Àquele que a instituiu…

A AUTORIDADE DE JESUS E OS ENFERMOS

A liturgia deste domingo nos ajuda a refletir sobre um assunto bem atual: a “teologia da prosperidade!” O livro de Jó nos confronta com algo incompreensível para quem acredita que Deus recompensa os bons e castiga os maus nesta vida: Jó é um homem justo e, apesar disso, perdeu tudo. Durante 40 capítulos, Jó protesta contra a injustiça de seu sofrimento sem explicação, mas no fim Deus mostra a sua presença, e Jó se consola e se cala.
Também Jesus, no Novo Testamento, nunca apresenta uma explicação do sofrimento, porque não há explicação. Mas ele traz uma solução: assume o sofrimento. Inicialmente, curando-o. No fim, sofrendo-o, em compaixão universal. Se Jó nos mostra que Deus está presente onde o ser humano sofre, Jesus nos mostra que Deus conhece o sofrimento do ser humano por dentro. E ele o assume até o fim.
A 2ª leitura continua com os assuntos dos coríntios, que pretendem ter a liberdade de fazer tudo o que têm direito de fazer. Paulo não concorda: nem sempre devo fazer uso de meu direito. A caridade, a paciência para com o menos forte, com o inseguro na fé, valem mais que meu direito pessoal.

1ª leitura (Jó 7,1-4.6-7)
Jó foi fortemente provado por Deus. Perdeu tudo, até a saúde. Seus amigos não o conseguem consolar (Jó 2,11). Jó contempla sua vida com amargura e só consegue pedir que a aflição não seja demais e que Deus lhe dê um pouco de sossego. A vida é um “serviço de mercenário”, diz. Como os boias-frias, ele sempre leva a pior. Desperta cansado e, deitado, não consegue descansar, por causa das feridas. Que Deus lhe dê um pouco de sossego…
Procurando uma resposta para o mistério do sofrimento, os amigos de Jó dizem que os justos são recompensados e os ímpios, castigados. Mas Jó protesta: ele não é um ímpio. A teoria da prosperidade dos justos, a “teologia da retribuição”, não se verifica na realidade (21,5-6). Menos ainda o convence o pedante discurso de Eliú, tratando de mostrar o caráter pedagógico do sofrimento (cap. 32-37). Os amigos de Jó não resolvem nada. Vendem conselhos, mas não se compadecem. Suas palavras são pimenta na ferida.
Por outro lado, mesmo amaldiçoando o próprio nascimento, Jó não amaldiçoa Deus; ao contrário, reconhece e louva sua sabedoria e suas obras na criação: o abismo de seu sofrimento pessoal não lhe fecha os olhos para a grandeza de Deus! E é exatamente por este lado que entrará sossego na sua existência. Pois Deus se revelará a ele, tornar-se-á presente em seu sofrimento – ao contrário de seus amigos sabichões -, e essa experiência do mistério de Deus fará Jó entrar em si, no silêncio (42,1-6).

Evangelho (Mc. 1,29-39)
Como para preencher o que ficou aberto na 1ª leitura, o evangelho nos mostra o Filho de Deus assumindo nossas dores. A narrativa conta o fim do “dia em Cafarnaum”, iniciado em Mc. 1,21 (cf. domingo passado). Jesus continua com seus gestos e ações que falam de Deus.
No início de seu ministério, Jesus assume o sofrimento, curando-o. Mostra os sinais da aproximação de Deus ao sofredor. Sinais feitos com a “autoridade” que já comentamos no domingo passado. Ao sair do ofício sinagogal, naquele dia de sábado, Jesus se dirige à casa de Pedro. Lá, ergue da febre a sogra de Pedro. E ela se põe a servir, demonstrando assim sua transformação. Depois, ao anoitecer, quando termina o repouso sabático, as pessoas trazem a Jesus os seus enfermos. Jesus acolhe a multidão em busca de cura: novo sinal de sua misteriosa “autoridade”. Os endemoninhados, os maus espíritos reconhecem seu adversário, mas ele lhes proíbe propalar o que sabem (cf. domingo passado). E quando, depois, Jesus se retira para se encontrar com o Pai, e os discípulos vêm buscá-lo para reassumir sua atividade em Cafarnaum, ele revela que a vontade de seu Pai o empurra para outros lugares. Ele está inteiramente a serviço do anúncio do reino, com a “autoridade” que o Pai lhe outorgou.
No fim de seu ministério, Jesus assumirá o sofrimento, sofrendo-o. Aí, sua compaixão se torna realmente universal. Supera de longe aquilo que aparece no livro de Jó. Se este nos mostra que Deus está presente onde o ser humano sofre (e isso já é grande consolação), Jesus nos mostra que Deus conhece o sofrimento do ser humano por experiência.
Assim como o livro de Jó, Jesus não apresenta uma explicação teórica do sofrimento. Neste sentido, concorda com os filósofos existencialistas: sofrer faz parte da “condição humana”. Não há explicação, mas, sim, solução: Jesus assume o sofrimento. No livro de Jó, Deus se digna olhar para o ser humano que sofre. Em Jesus Cristo, ele participa de seu sofrimento.

2ª leitura (1Cor. 9,16-19.22-23)
A 2ª leitura continua com a 1ª carta aos Coríntios, abordando assunto muito especial. 1Cor 8-10 é uma unidade que trata da questão sobre se o cristão pode sempre fazer as coisas que, em si, não são um mal. Trata-se das carnes que sobravam dos banquetes oferecidos pela cidade em honra das divindades locais. Essas carnes eram, depois da festa, vendidas no mercado por “preço de banana”. O cristão, dizem os “esclarecidos”, pode comprá-las e comê-las sem problema, já que não acredita nos ídolos. Paulo, porém, pensa diferente: a norma não é a liberdade, mas a caridade (cf. Gálatas 5,13: usemos da “liberdade para nos tornar escravos de nossos irmãos”). Se o uso de nossa liberdade causa a queda do “fraco na fé”, que tem ainda resquícios de sua tradição pagã, devemos considerar a sensibilidade de nosso irmão.
Paulo não concorda com a pretensa liberdade dos coríntios para fazerem tudo a que têm direito. Existe o aspecto objetivo (carne é carne e ídolos não existem) e o aspecto subjetivo (alguém menos instruído na fé talvez coma as carnes idolátricas num espírito de superstição; 8,7). Portanto, diz Paulo, nem sempre devo fazer uso de meu direito. E alega seu próprio exemplo: ele teria o direito de receber gratificação por seu apostolado, mas, como tal gratificação poderia ser mal interpretada, prefere ganhar seu pão trabalhando. A gratificação de seu apostolado consiste no prazer de pregar o evangelho de graça. Paulo teria os mesmos direitos dos outros apóstolos: levar consigo uma mulher cristã (9,5), ser dispensado de trabalho manual (9,6), receber salário pelo trabalho evangélico (9,14; cf. a “palavra do Senhor” a este respeito, Mt. 10,10). Entretanto, prefere anunciar o evangelho de graça, para que ninguém suspeite de motivos ambíguos. Ora, essa atitude não é inspirada apenas por prudência, mas por paixão pelo evangelho: “Ai de mim se eu não pregar o evangelho… Qual é meu salário? Pregar o evangelho gratuitamente, sem usar dos direitos que o evangelho me confere!” (9,17-18). Se tivermos verdadeiro afeto por nosso irmão fraco na fé, desistiremos com prazer de algumas coisas aparentemente cabíveis; e a própria gratuidade será a nossa recompensa, pois “tudo é graça”.

Dicas para reflexão
As leituras de hoje estão interligadas por um fio quase imperceptível: enquanto Jó se enche de sofrimento até o anoitecer (1ª leitura), Jesus cura o sofrimento até o anoitecer (evangelho). O conjunto do evangelho mostra Jesus empenhando-se, sem se poupar, para curar os enfermos de Cafarnaum. E, no dia seguinte, o poder de Deus que ele sente em si o impele para outros lugares, sem se deixar “privatizar” pelo povo de Cafarnaum. A paixão de Jesus é deixar efluir de si o poder benfazejo de Deus. Ele assume, sem limites, o sofrimento do povo. Ele sabe que essa é sua missão: “Foi para isso que eu vim”. Não pode recusar a Deus esse serviço.
Nosso povo, muitas vezes, vê nas doenças e no sofrimento um castigo de Deus.
Mas quando o próprio Enviado de Deus se esgota para aliviar as dores do povo, como essas doenças poderiam ser um castigo de Deus?
Não serão sinal de outra coisa?
Há muito sofrimento que não é castigo, mas, simplesmente, condição humana, condição da criatura, além de ocasião para Deus manifestar seu amor. O evangelista João dirá que a doença do cego não vem de pecado algum, mas é oportunidade para Deus manifestar sua glória (Jo 9,3; cf. 11,4).
Por mais que o ser humano consiga dominar os problemas de saúde, não consegue excluir o sofrimento, pois este tem outra fonte. Mas é verdade que o egoísmo aumenta o sofrimento. O fato de Jesus apaixonadamente se entregar à cura de todos os males, também em outras cidades, é uma manifestação do Espírito de Deus que está sobre Jesus e que renova o mundo (cf. Sl 104[103],30). O evangelista Mateus compreendeu isso muito bem, quando acrescentou ao texto de Mc 1,34 a citação de Is 53,4 acerca do Servo sofredor: “Ele assumiu nossas dores e carregou nossas enfermidades” (Mt 8,17). E se pelo pecado do mundo as dores se transformam num mal que oprime a alma, logo mais Jesus se revelará como aquele que perdoa o pecado (cf. 7º domingo do tempo comum).
Também se hoje acontecem curas e outros sinais do amor apaixonado de Deus que se manifesta em Jesus Cristo, é preciso que reconheçamos nisso os sinais do reino que Jesus vem trazer. Não enganemos as pessoas com falsas promessas de prosperidade, que até causam nos sofredores um complexo de culpa (“Que fiz de errado? Por que mereci isso?”). Mas, em meio ao mistério da dor, dediquemo-nos a dar sinais do amor de Jesus e de seu Pai.
Aí de mim se não pregar o evangelho!
Vamos nos deter em alguns versículos da primeira epístola de Paulo aos Coríntios proposta como segunda leitura deste domingo. Paulo fala de sua incumbência de ser pregador do evangelho. Estamos diante de um homem vestido da convicção de que sua vida será proclamar pela palavra e pela vida a Boa Nova que tem um nome bem preciso: Jesus Cristo, o Senhor, o Ressuscitado que invadira a vida de Paulo no caminho de Damasco.
“Pregar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se não pregar o evangelho”!
Quantas vezes já ouvimos essa palavra, esse termo que vem do grego, evangelho, que significa boa nova. Deveríamos aqui escrever com maiúscula: Evangelho. Força, dinamismo, energia… tudo isso por detrás de um homem que, depois de passar pelos tormentos da condenação e do abandono na cruz, ressuscitou para inaugurar um mundo novo. Esse Jesus que hoje está no Pai e ao mesmo tempo percorre os caminhos da humanidade como já fazia no primeiro dia da semana indo de Jerusalém para Emaús… Ele é o Evangelho. Ele continua convocando, chamando, olhando nos olhos das pessoas para que deixem os telônios, desçam das árvores, abandonem os seus pequenos e mesquinhos interesses e o sigam pelas trilhas da libertação do próprio ego, pelos caminhos de uma vida transparente, generosa, devotada ao outro, uma vida de amor, uma vida viçosa que nasce da morte do grão de trigo. Crianças, jovens, casados, idosos, pessoas com saúde e outras doentes precisam ouvir a Boa Nova. Por isso, os pregadores são importantes. Pregadores do Senhor e não de si mesmos. Servos do Evangelho e não pessoas que falam por falar. Ai de mim, dirá Paulo, se não evangelizar. O Apóstolo se deu conta que sua existência seria toda em função desse empenho de atingir o mais íntimo de cada pessoa e fazer com que elas compreendam o que significa ter uma paixão por Cristo. Imagino a imensa paz e felicidade de um sacerdote segundo o coração de Deus, de um pai e de uma mãe de família vestidos do Evangelho e evangelizando. Felizes aqueles que fazem de sua vida devotamento pelo Evangelho, por Cristo que quer, através de seus ministério atingir vidas e transformar existências.
São João Crisóstomo, um dos maiores padres da Igreja, assim escreve a respeito de Paulo: “Realmente no meio das insídias dos inimigos, conquistava contínuas vitórias, triunfando de todos os seus assaltos. E, em toda parte, flagelado, coberto de injúrias e maldições, como se desfilasse num cortejo triunfal, erguendo numerosos troféus, gloriava-se e dava graças a Deus (…). Corria ao encontro das humilhações e das ofensas que suportava por causa da pregação, com mais entusiasmo do que nós quando nos apressamos para alcançar o prazer das honrarias; aspirava mais pela morte do que nós pela vida; ansiava mais pela pobreza do que nós pelas riquezas; e desejava muito mais o trabalho sem descanso do que nós o descanso depois do trabalho. Uma só coisa o amedrontava e fazia temer: ofender a Deus. E uma única coisa desejava: agradar a Deus” (Liturgia das Horas III, p. 1209).
Não é por ai que começa a nova evangelização?

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Reunidos com Jesus, queremos fortalecer o compromisso com todos os doentes e com aqueles que atuam na área da saúde. A páscoa de Jesus se manifesta no coração das pessoas e dos grupos que se empenham para evitar a doença e devolver o bem estar aos sofredores.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

A vida do ser humano é uma constante luta para se defender das tribulações: abandono, sofrimentos, desilusões, doenças. Jesus é nosso consolo também nesses momentos.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Cristo tomou sobre si nossas dores, carregou em seu corpo as nossas fraquezas (Mt 8,17).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94,6s).

Antífona da comunhão

Demos graças ao Senhor pó sua bondade, por suas maravilhas em favor dos homens; deu de beber aos que tinham sede, alimentou os que tinham fome (Sl 106,8s).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

Na vida passamos por alegrias e tristezas, mas o importante é buscar felicidade verdadeira sem sombras, amor sem ilusões. No fim de cada prece, digamos

— Senhor, ajudai-nos a amar e nos comprometer.

— Com alegria que denuncia as injustiças e a corrupção, digamos.
— Com os ministros ordenados e leigos que evangelizam, digamos.
— Com os ministros da saúde que levam esperança aos doentes, digamos.
— Com as pessoas e instituições que se empenham em restituir a saúde, digamos.
— Com os doentes de nossas comunidades, digamos.

Oração sobre as oferendas

Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para alimento da nossa fraqueza, concedei que se tornem para nós sacramento da vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, vós quisestes que participássemos do mesmo pão e do mesmo cálice; fazei-nos viver de tal modo unidos em Cristo, que tenhamos a alegria de produzir muitos frutos para a salvação do mundo. Por Cristo, nosso Senhor.

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