LDP: 06/FEV/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

06/Fev/2012 (segunda-feira)

LEITURAS

1 Reis 8,1-7.9-13 (Livro do antigo ou 1º testamento / Livros Históricos)

Naqueles dias, 1Salomão convocou para junto de si, em Jerusalém, todos os anciãos de Israel, todos os chefes das tribos e príncipes das famílias dos filhos de Israel, a fim de transferir da cidade de Sião, que é Jerusalém, a arca da aliança do Senhor. 2Todo o Israel reuniu-se em torno de Salomão, no mês de Etanim, ou seja, no sétimo mês, durante a festa. 3Vieram todos os anciãos de Israel, e os sacerdotes tomaram a arca 4e carregaram-na junto com a tenda da reunião, como também todos os objetos sagrados que nela estavam; quem os carregava eram os sacerdotes e os levitas. 5O rei Salomão e toda a comunidade de Israel, reunida em torno dele, imolavam diante da arca ovelhas e bois em tal quantidade, que não se podia contar nem calcular. 6E os sacerdotes conduziram a arca da aliança do Senhor ao seu lugar, no santuário do templo, ao Santo dos Santos, debaixo das asas dos querubins, 7pois os querubins estendiam suas asas sobre o lugar da arca, cobrindo a arca e seus varais por cima. 9Dentro da arca só havia as duas tábuas de pedra, que Moisés ali tinha deposto no monte Horeb, quando o Senhor concluiu a aliança com os filhos de Israel, logo que saíram da terra do Egito. 10Ora, quando os sacerdotes deixaram o santuário, uma nuvem encheu o templo do Senhor, 11de modo que os sacerdotes não puderam continuar as funções porque a glória do Senhor tinha enchido o templo do Senhor. 12Então Salomão disse: “O Senhor disse que habitaria numa nuvem, 13e eu edifiquei uma casa para tua morada, um templo onde vivas para sempre”.

Salmo 131,6-7.8-10 (R. 8a) (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

— Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso!
6Nós soubemos que a arca estava em Éfrata e nos campos de Jaar a encontramos: 7Entremos no lugar em que ele habita, ante o escabelo de seus pés o adoremos!
8Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso, subi vós, com vossa arca poderosa! 9Que se vistam de alegria os vossos santos, e os vossos sacerdotes, de justiça! 10Por causa de Davi, o vosso servo, não afasteis do vosso Ungido a vossa face!

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 6,53-56 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Sinótico)

Naquele tempo, 53tendo Jesus e seus discípulos acabado de atravessar o mar da Galileia, chegaram a Genesaré e amarraram a barca. 54Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus. 55Percorrendo toda aquela região, levavam os doentes deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava. 56E, nos povoados, cidades e campos onde chegavam, colocavam os doentes nas praças e pediam-lhe para tocar, ao menos, a barra de sua veste. E todos quantos o tocavam ficavam curados.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O que o texto diz para mim, hoje?
Quais outros textos este me recorda?
Qual palavra mais me toca o coração?
“As pessoas se sentiram atraídos pela sabedoria das palavras de Jesus, pela bondade de seu trato e pelo poder de seus milagres. E pelo assombro inusitado que a pessoa de Jesus despertava, acolheram o dom da fé e vieram a ser discípulos de Jesus. Ao sair das trevas e das sombras de morte (cf. Lc 1,79), a vida deles adquiriu plenitude extraordinária: a de haver sido enriquecida com o dom do Pai. Viveram a história de seu povo e de seu tempo e passaram pelos caminhos do Império Romano, sem esquecer o encontro mais importante e decisivo de sua vida que os havia preenchido de luz, força e esperança: o encontro com Jesus, sua rocha, sua paz, sua vida. Assim ocorre também a nós olhar a realidade de nossos povos e de nossa Igreja, com seus valores, suas limitações, suas angústias e esperanças. Enquanto sofremos e nos alegramos, permanecemos no amor de Cristo, vendo nosso mundo e procurando discernir seus caminhos com a alegre esperança e a indizível gratidão de crer em Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus verdadeiro, o único Salvador da humanidade. A importância única e insubstituível de Cristo para nós, para a humanidade, consiste em que Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida.” (DAp 21-22)

… a VERDADE …

O que diz o texto do dia?
Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Mc 6,53-56, e observo pessoas, palavras, relações, lugares.
Jesus Mestre curava a todos que o tocavam, mas nesta narrativa de Marcos, nada fala. As multidões correm ao encontro de Jesus. Buscam os milagres. Tocam em Jesus. Existem muitas maneiras de demonstrar o quanto somos importantes uns para os outros. Cada pessoa demonstra isso de uma forma – pode ser um toque no ombro, um aperto de mão, um carinho, uma palavra gentil, agradecida, um arrependimento e pedido de perdão, uma mensagem, um cartão, um e-mail, um telefonema, uma xícara de café… Pequenos gestos que aquecem e nos fazem sentir especiais.
Jesus sabia que o relacionamento humano tem essa característica: saber dar, receber e sentir que somos amados, e este conhecimento se manifesta através de gestos Não se trata apenas das coisas que fazemos, mas daquilo que transmitimos para o outro. O toque aquece o coração. Por isto, Jesus também usou o toque para curar, para ensinar. Podemos constatá-lo em outros textos: Mt 8,3 (cura um leproso com o toque); Mt 9,29 (cura dois cegos, tocando-lhes os olhos), Mt 17,7 9 (Jesus toca nos apóstolos, encorajando-os, na Transfiguração); Mt 20:34 (toca os olhos e cura os dois cegos de Jericó) e tantos outros. Em todos os casos, o poder de Jesus tem em vista a verdadeira salvação que supõe a conversão do coração. Conversão e fé.

… e a VIDA …

Pai, que a misericórdia seja o traço característico do meu modo de ser no trato com os meus semelhantes, de maneira que eu possa atrair, como Jesus, muitas pessoas para ti.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vou demonstrar pela vida que o amor de Deus se revela no amor ao próximo.

REFLEXÕES

JESUS ENTRE O POVO

Após a partilha dos pães, Jesus envia os discípulos para Betsaida. Devido ao “vento contrário”, ou ao temor dos discípulos, a barca aportou em Genesaré. É uma região plana, ao sul de Cafarnaum, onde a influência do judaísmo é insignificante. Temos um novo sumário de Marcos. Jesus percorre toda a região: povoados, cidades e áreas rurais.
Durante a travessia do mar os discípulos não reconheceram Jesus ao se aproximar deles. Agora, os moradores reconhecem Jesus e vêm a ele. Trazem a Jesus apenas doentes, não havendo casos de possessos por espíritos impuros, isto é, os submissos à ideologia do poder religioso de Israel. Os que tocavam Jesus ficavam libertos de seus males. A continuidade da partilha do pão é a partilha da vida. O acento da narrativa é o toque em Jesus, o que lembra o gesto da hemorroíssa. O “toque” significa a comunicação viva com o homem Jesus presente entre o povo. Após a materialidade do pão partilhado, Marcos apresenta-nos a materialidade e a importância da presença física, concreta, amorosa, de Jesus entre o povo. Hoje é a presença de Jesus no próximo, nos pobres, nos excluídos, nos famintos, nos nus, nos doentes, nos presos.

JESUS CURA EM GENESARÉ

O cristão de verdade não pode ficar parado. Ele nunca pode dizer que cumpriu a sua missão, pois ele deve estar sempre a caminho, sempre se lançando rumo aos novos trabalhos, prestando atenção aos apelos que a realidade faz, buscando superar novos desafios e obstáculos, sempre olhando com misericórdia os irmãos e irmãs, procurando conhecer os seus problemas e necessidades e sendo para todos a manifestação do amor de Deus que responde ao clamor dos seus filhos e filhas. Por isso, quando terminamos uma etapa da caminhada, devemos iniciar outra imediatamente, pois a proposta do Reino exige isso.

O CONTATO SALVADOR

A presença de Jesus causava alvoroço por onde ele passava. De toda parte, aparecia gente transportando doentes em macas, para depositá-los nas praças públicas, junto do Mestre, na esperança de poder fazê-los tocar no manto dele, a fim de serem curados.
Este gesto de tocar estava carregado de simbolismo. O contato físico estabelecia uma ligação direta com a fonte do poder curador, possibilitando ao doente recuperar a saúde. Simbolizava a comunhão entre Jesus e aquele que desejava ser curado. Portanto, podia ser tomado como expressão da fé e da confiança no Mestre. Era uma forma de bater às portas de um mundo misterioso onde a vida era restaurada. Era, também, uma maneira de o humano aproximar-se do sagrado e estabelecer com ele um relacionamento de intimidade.
De sua parte, Jesus não proibia as pessoas de tocá-lo, nem se sentia incomodado com isto.
Por quê?
Ele sabia que tinha sido enviado para os pobres, destinatários privilegiados de sua ação. Os que buscavam tocá-lo eram pobres. Daí não ter por que irritar-se com eles. Por outro lado, se estes, ao tocá-lo, ficavam curados, tanto melhor. Isto era um sinal claro da presença do Reino na história humana, restaurando a vida.
Portanto, os doentes estavam no caminho certo, quando tentavam tocar em Jesus.

A CURA TAMBÉM É FRUTO DA ACOLHIDA E DA COMPAIXÃO

Depois dos discípulos terem acolhido o convite do Mestre, abandonaram a casa de Simão e partiram para outras regiões da redondeza. E, no Evangelho de hoje, vemos os discípulos fazendo a travessia do mar da Galileia com seu próprio barco e desembarcando em Genesaré. E logo o povo reconhece a Jesus.
O povo vai “em massa” atrás de Cristo. Eles vêm de todos os lados, carregando seus doentes e buscando ajuda. O que chama a atenção é o entusiasmo do povo que reconhece Jesus e vai atrás d’Ele. O que move essas pessoas nesta busca ao Senhor não é somente o desejo de se encontrarem com Ele, de estarem com Ele, mas também o desejo de obterem a cura das suas doenças e a solução de seus problemas.
A salvação é dirigida a essa multidão formada por gentios e judeus marginalizados. São os moradores dos povoados, cidades e campos por onde Jesus andava com Seus discípulos. O Messias realiza a Sua missão, sobretudo, entre as camadas mais sofredoras e abandonadas do povo, constituindo-se, assim, na única esperança dessa gente.
O enfoque é a presença física e libertadora de Jesus. As curas são conseguidas com o toque, ao menos na franja do manto d’Ele. A doença generalizada é fruto das barreiras e exclusão. A cura resulta da libertação da exclusão e é fruto da acolhida.
Assim como, fisicamente, o pão foi partilhado, o mesmo vale para o corpo. A comunicação não se faz apenas pela palavra. Faz-se também pela partilha do corpo. A presença física, o toque, o abraço, o sorriso acolhedor, o olhar compreensivo e atento e a compaixão complementam a força comunicadora da Palavra que liberta.
Desde o começo da Sua atividade missionária, Jesus anda por todos os povoados da Galileia para falar ao povo sobre o Reino de Deus, que estava chegando (cf. Mc 1,14-15). Onde encontra gente para escutá-Lo, Ele fala e transmite a Boa Nova de Deus, acolhe e cura os doentes, em qualquer lugar: nas sinagogas durante a celebração da Palavra aos sábados (cf. Mc 1,21; 3,1; 6,2); em reuniões informais na casa de amigos (cf. Mc 2,1.15; 7,17; 9,28; 10,10); andando pelo caminho com os discípulos (cf. Mc 2,23); ao longo do mar na praia, sentado num barco (cf. Mc 4,1); no deserto para onde se refugiou e onde o povo O procurava (cf. Mc 1,45; 6,32-34); na montanha, de onde proclamou as bem-aventuranças (cf. Mt 5,1); nas praças das aldeias e cidades, onde povo carregava seus doentes (cf. Mc 6,55-56); no Templo de Jerusalém, por ocasião das romarias, diariamente, sem medo (cf. Mc 14,49).
Curar e ensinar, ensinar e curar era o que Jesus mais fazia (cf. Mc 2,13; 4,1-2; 6,34). Era o costume d’Ele (cf. Mc 10,1). O povo ficava admirado (cf. Mc 12,37; 1,22.27; 11,18) e O procurava em grande número.
Na raiz desse grande entusiasmo do povo estavam, de um lado, o próprio Cristo, que chamava e atraía e, de outro lado, o abandono do povo, que era como “ovelha sem pastor” (cf. Mc 6,34). Em Jesus, tudo era revelação daquilo que O animava por dentro. Ele não só falava sobre Deus, mas também O revelava. Comunicava algo que Ele mesmo vivia e experimentava.
O Senhor não somente anunciava a Boa Nova do Reino, Ele mesmo era uma amostra, um testemunho vivo do Reino. N’Ele aparecia aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar e tomar conta de sua vida. O que vale não são só as palavras, mas também e, sobretudo, o testemunho, o gesto concreto.
Pela fé, todos nós esperamos e sonhamos com o Reino de Deus, como um novo tempo, onde não haverá mais dor nem lágrimas. Ao curar muitas pessoas, Jesus mostra que Deus Pai reprova tudo o que faz o ser humano sofrer. Mergulhemos na certeza de que a nossa missão é seguir os passos do Mestre para construir este “novo tempo” entre nós.

E QUANTOS O TOCAVAM FICAVAM CURADOS

Pois se, quando [Jesus] andava neste mundo, só o tocar as Suas vestes sarava os enfermos, como duvidar, se temos fé, de que faça milagres estando assim dentro de nós [na comunhão eucarística], e de que nos dará o que Lhe pedirmos estando Ele em nossa casa (Ap 3,20)?
Não costuma Sua Majestade pagar mal a pousada quando Lhe dão boa hospedagem. E, irmãs, se vos dá pena o não O ver com os olhos do corpo, tal não nos convém. […]
Porque àqueles a quem vê que hão-de tirar proveito da Sua presença, Ele Se descobre e, ainda que O não vejam com os olhos do corpo, tem muitas maneiras de Se mostrar à alma por grandes sentimentos interiores e por diversas vias. Ficai-vos com Ele de boa vontade e não percais tão boa ocasião de a Ele vos dirigirdes, como é a hora depois de ter comungado.

TODOS OS A TOCAVAM [A FRANJA DE SEU MANTO] FICAVAM SALVADOS

Hoje, no Evangelho do dia, vemos o magnífico “poder do contato” com a pessoa de Nosso Senhor: “Traziam os doentes para as praças e suplicavam-lhe para que pudessem ao menos tocar a franja de seu manto. E todos os que tocavam ficavam curados”. (Mc 6,56). O menor contato físico pode obrar milagres para aqueles que se aproximam a Cristo com fé. Seu poder de curar desborda desde seu coração amoroso e estende inclusive a suas vestes. Ambos, sua capacidade e seu desejo pleno de curar, são abundantes de fácil acesso.
Esta passagem pode nos ajudar a meditar como estamos recebendo ao Nosso Senhor na Sagrada Comunhão.
Comungamos com fé de que este contato com Cristo pode obrar milagres em nossas vidas?
Mais que um simples tocar “a franja de seu manto”, nós recebemos realmente o Corpo de Cristo em nossos corpos. Mais que uma simples cura de nossas doenças físicas, a Comunhão cura nossas almas e lhes garanta a participação na própria vida de Deus. São Inácio de Antioquia, assim, considerava à Eucaristia como a “medicina da imortalidade e o antídoto para prevenir-nos da morte, de modo que produz o que eternamente nós devemos viver em Jesus Cristo”.
O aproveitamento desta “medicina da imortalidade” consiste em ser curados de todos aqueles que nos separa de Deus e dos outros. Ser curados por Cristo na Eucaristia, por tanto, implica superar nosso ensinamento. Tal como ensina Bento XVI, “Nutrir-se de Cristo é o caminho para não permanecer alheios ou indiferentes diante da sorte dos irmãos (…). Uma espiritualidade eucarística, então, é um autêntico antídoto diante o individualismo e o egoísmo que com frequência caracterizam a vida cotidiana, levam ao redescobrimento da gratuidade, da centralidade das relações, a partir da família, com particular atenção em aliviar as feridas de aquelas desintegradas”.
Igual que aqueles que foram curados de suas doenças tocando seus vestidos, nós também podemos ser curados de nosso egoísmo e de nosso isolamento dos outros mediante a recepção de Nosso Senhor com fé.

LOGO QUE DESCERAM DO BARCO, AS PESSOAS RECONHECERAM JESUS

Hoje, contemplamos a fé dos habitantes daquela região onde Jesus chegou para levar a salvação das almas. O Senhor é dono da alma e do corpo; por isso, não duvidavam em levar os seus enfermos: “Onde quer que ele entrasse, fosse nas aldeias ou nos povoados, ou nas cidades, punham os enfermos nas ruas e pediam-lhe que os deixassem tocar ao menos na orla de suas vestes. E todos os que tocavam em Jesus ficavam sãos” (Mc 6,56). Temos hoje, como sempre, enfermos da alma e do corpo. Convém que ponhamos todos os meios humanos e sobrenaturais para aproximar nossos parentes, amigos e conhecidos ao Senhor. Podemos fazer, em primeiro lugar, rezando por eles, pedindo pela sua saúde espiritual e corporal. Se há uma enfermidade do corpo, não duvidamos em procurar saber se existe um tratamento adequado, se há pessoas que possam cuidá-lo, etc.
Quando se trata de uma “enfermidade” da alma (habitualmente, palpável externamente), como pode ser que um filho, um irmão, um parente não assista à Missa aos domingos, além de rezar convém falar do remédio, talvez lhe transmitindo a palavra algum pensamento ou alguma orientação motivadora que nós mesmos possamos extrair do Magistério (por exemplo, da Carta apostólica O dia do Senhor de João Paulo II, ou de algum dos pontos do Catecismo da Igreja).
Se o irmão “enfermo” é alguém constituído em pública autoridade que justifica ou mantém uma lei injusta – como pode ser a falta de penalização do aborto -, não duvidemos – além de orar – em buscar a oportunidade para transmitir-lhe – de palavra ou por escrito – nosso testemunho sobre a verdade.
“Nós não podemos deixar de anunciar o que vimos e ouvimos” (Hch 4,20). Todas as pessoas têm necessidade do Salvador. Quando não atendem ao seu chamado é porque ainda não o reconheceram, talvez porque nós ainda não soubemos anunciar-lhe. O fato é que, enquanto o reconheciam, “colocavam os enfermos nas praças e lhe pediam que tocara somente um pedacinho do seu manto” (Mc 6,56). Jesus curava tanto mais quanto havia alguns que “colocavam” (punham ao alcance do Senhor) aos que mais urgentemente necessitavam remédio.

E TODOS OS QUE O TOCAVAM FICAVAM CURADOS

Prezados leitores. Podemos tocar Jesus de várias maneiras: Pela meditação da sua palavra, pela oração, pela Eucaristia. Mais o melhor modo de tocar Jesus é tocando no irmão. Não necessariamente pelo contato físico, mas sim pelo contato social, pela palavra de conforto, ouvindo-o, ajudando-o, perdoando-o, levando a palavra de Deus até ele, dando a ele bons exemplos, rezando por eles, ajudando-o em suas necessidades…
Jesus curava a todos de suas enfermidades físicas, aliviando de imediato os seus sofrimentos. Também nós podemos ter alívio imediato de nossos sofrimentos quando entregamos a nossa vida a Deus, quando recorremos a Ele nos nossos sofrimentos e aflições, quando acreditamos que Deus pode e quer nos livrar de todos os males.
Nesta vida repleta de percalços, de perigos, de injustiças, de perseguições, de abusos, é bom termos em mente que somente encontramos a paz, em Jesus. Somente quando nos entregamos de corpo e alma a Deus, ao serviço do Reino, amando a Deus em primeiro lugar, depositando nele toda a nossa confiança, e nos dispusermos a sermos caridosos para com o irmão, meditando a palavra e rezando direto, é que entramos em uma faixa vital toda especial. Pode o mundo virar de pontas para baixo, que ficaremos firmes, como o homem que construiu sua casa sobre a rocha. O mal não nos atingirá. E mesmo que sejamos envolvidos por ele, a força e a graça de Deus nos faz superar a tudo. Faz nos sentir isolados de tudo o que nos incomoda em nosso redor, faz nos sentir no centro do furacão, faz nos viver a vida eterna de forma antecipada, muito embora tenhamos dores físicas, muito embora o dinheiro seja pouco, as pessoas nos desprezem, nos incomodem, nos aborrecem, ou quaisquer outros tipos de dissabores que a rotina da vida nos trás.
Toquemos a Deus e sejamos libertos!  Acreditemos no seu poder libertador de todos os males físicos, mentais e da alma.
Oremos: Livrai-nos Pai de todos os males: Passados, presentes e futuros. Livrai-nos do pecado, da violência, no nosso egoísmo, e dai-nos hoje a vossa paz. A paz na família, com nossos vizinhos, e com as demais pessoas da nossa convivência. Amém.

CURANDO OS DOENTES DA GALILEIA…

O evangelista Marcos nos apresenta nesse evangelho um Jesus que faria o maior sucesso em nossos dias entre os “Milagreiros de Plantão”. Com Jesus por perto não precisava de SUS ou planos de Saúde, pois, sem filas, nem senhas, nem longas esperas, bastava o enfermo tocar na barra da sua túnica e a doença sumia na hora.
Claro que a sua fama se espalhou rapidamente e Ele não tinha mais sossego, onde ia havia uma multidão de enfermos á sua espera e todos eram curados, sem receitas de medicamentos caros, “nadica” de nada, custo zero e benefício de cem por cento. Hoje em dia há líderes Religiosos “Picaretas” que só trabalham nesse esquema, cura de enfermidades e “cartão vermelho para o Diabo”, e quando a cura não acontece o “Controle de Qualidade da Igreja” logo alerta que é falta de Fé do doentinho… E o nosso povo sofrido, com mil e um problemas de saúde e de doenças psicossomáticas, torna-se uma presa fácil na mão de tantos “Vigaristas de Jesus”.
Mas como podemos fazer uma reflexão que contesta esses milagres que Marcos faz questão de relatar?
O problema não está em Jesus, mas sim nesta relação equivocada que muitos tem para com ele. Podem reparar que, alguns poucos que foram curados, tornam-se seguidores de Jesus, mas bem poucos, pois o restante, uma vez curado voltavam para a mesma vidinha de antes… Se alguém duvidar, basta nos lembrar dos dez leprosos onde só um voltou.
Onde estão os curados de hoje?
Estão firmes na Fé, com a vida transformada, ou viraram apenas marqueteiros de algumas igrejas e seus “pastores com pele de Lobo”.
Para quem eles estão á serviço?
A Jesus Cristo, seu reino e seu evangelho?
Talvez alguns poucos vivem sinceramente a sua vida de Fé, transformados por essa experiência profunda com Jesus.
Jesus não é um simples curandeiro que menospreza a medicina e dispensa o atendimento médico hospitalar, tem cristão iludido que pensa assim e morre antes da hora porque abandonou o tratamento acreditando estar curado por causa de alguma “revelação” feita por alguém em quem ele acredita piamente…
O poder de Jesus vem de Deus que é Vida para todos, mas Jesus não quer formar um exército de pessoas curadas que se tornam suas escravas e agora têm que ficar permanentemente sob seu domínio. Jesus não precisa nem ontem e nem hoje de marqueteiros para venderem sua imagem poderosa e assim aumentar sempre o seu ibope.
Jesus quer seguidores fiéis, que tenham o seu evangelho no coração e o vivam com fidelidade, ajudando a construir o Reino de Deus em meio aos homens, com um testemunho concreto marcado pela ética e pela moral cristã, a partir dos valores que ele pregou, viveu e ensinou a todos. Ser curado de uma enfermidade física é graça Divina concedida a alguns, mas pode também não significar nada se a pessoa curada não ter uma Fé comprometida com a Vida…

E TODOS OS QUE TOCAVAM ERAM CURADOS

Depois que Jesus e seus discípulos atravessaram o mar da Galileia chegaram a Genesaré. Ali Jesus é logo reconhecido e muitos vão a sua procura embora muitos vão até Jesus por que sabem dos milagres que ele realizara. Jesus na sua humildade e humanidade vai comunicando amor e libertando a todos, abrindo o caminho para que outros povos criem comunhão de vida eterna com o Pai.
As pessoas percebem que uma força sai de Jesus, uma força que traz vida que liberta o ser humano da escravidão.
Infelizmente muitos daqueles que procuravam tocar em Jesus só desejam a cura física, poucos eram os que percebiam que Jesus tinha um projeto muito mais abrangente. Ele veio para curar o homem na sua totalidade corpo e espírito.
Para Deus o ser humano é muito importante, mais do que ser curado no corpo Deus deseja nos curar na alma e no espírito. Jesus quer nos comunicar vida nova, nos libertar de tudo que nos escraviza.
Busquemos Jesus não tanto pelas curas físicas e milagres que ele com toda certeza pode realizar em nossa vida. Vamos a Ele por amor com coração agradecido por tudo que ele já realizou em nosso favor. Acima de tudo pela salvação que ele nos deu morrendo na cruz pelos nossos pecados e ressuscitando para nos dar a vida eterna. Deus Pai tanto nos amou que nos enviou seu Filho único e isso nos basta para procurarmos por Jesus. Que nossa fé não necessite de milagres nem curas, mas tenhamos a certeza de que somos amados por Deus e cada ser humano existe pura e simplesmente pelo amor de Deus que o criou, e pelo amor de Deus que o conserva em cada instante. Em Jesus encontramos a vida plena e feliz ainda que venham as dores e doenças físicas, com ele somos mais que vencedores.
Em Cristo!

E TODOS QUANTOS O TOCAVAM FICAVAM CURADOS

Este Evangelho é um resumo da atividade curativa de Jesus em Genesaré e na redondeza. Logo que desembarcaram, as pessoas o reconheceram e procuravam, inclusive “levavam os doentes deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava. E, nos povoados, cidades e campos onde chegavam, colocavam os doentes nas praças e pediam-lhe para tocar, ao menos, a barra da sua veste. E todos quantos o tocavam ficavam curados”.
Junto com a cura física, Jesus costumava dizer também: “Os teus pecados estão perdoados”. Mais que doenças, Jesus curava doentes. A saúde espiritual influi na física, e igualmente a doença espiritual influi na física. Por isso, Jesus curava as duas. Morrer sabemos que todo mundo vai; mas que isso aconteça na paz, uma paz integrada e envolvente da pessoa toda. Há muitos e muitas que morrem sorrindo, e assim ficam durante todo o velório, até a sepultura! A graça de Deus é mais forte que o corpo, que o espírito, que tudo; nada a derruba.
Na Igreja Primitiva, o fascínio da graça atingia até os familiares e amigos, que colocavam na cabeça do defunto uma coroa de louro, a mesma que, nas Olimpíadas, era colocada no atleta vencedor.
Apesar dos avanços da medicina, quando uma doença calamitosa chega a ser vencida, já surgiram outras novas e desconhecidas. A saúde e a vida continuam o continuarão a ser dom de Deus. Como é sublime a pastoral da saúde que as nossas Comunidades exercem! Quantas vezes, após uma breve visita, o doente muda completamente de fisionomia. Entendeu o mistério da vida, da doença e da graça de Deus que está acima de tudo.
Várias vezes, Jesus relacionou a cura de doenças com a vinda do Reino de Deus. As curas eram equiparadas ao anúncio do Evangelho. “Jesus convocou os Doze e deu-lhes poder e autoridade sobre todos os doentes e para curar doenças. Ele os enviou para anunciar o Reino de Deus e curar os enfermos” (Lc 9,1-2).
Vamos nós também procurar tocar em Jesus, recebendo a Eucaristia, participando da Comunidade, ou aproximando-nos daqueles com os quais Jesus se identificou: os que têm fome, os doentes… (Cf Mt 25,31ss). Tocar em Jesus para nós é acreditar na sua presença continuada no mundo. A fé é um encontro pessoal com Deus, do qual Jesus é o sacramento visível a nós.
Certa vez, uma mulher procurou o padre para conversar. E começou a contar os seus problemas: com o marido, com os filhos, dificuldades financeiras, doenças…
Depois de um bom tempo, o padre cortou um pouquinho a conversa e disse: “Filha, até agora você relatou a ação do anjo mau na sua casa; fale agora da ação de Deus na sua vida! Certamente ele vai gostar muito”.
Aquela senhora caiu em si e percebeu o seu erro. Dali para frente, as suas conversas giravam em torno de coisas positivas, de bênçãos de Deus que ela recebia.
Maria Santíssima tem um cuidado especial pelos seus filhos e filhas enfermos. Basta visitar Lourdes, Aparecida e outros santuários marianos, para comprovar isso. Mãe dos doentes, rogai por nós!
E todos quantos o tocavam ficavam curados.

ASSIM COMO NO TEMPO EM QUE JESUS PREGAVA A BOA NOVA DO REINO E OS DOENTES ERAM CURADOS HOJE TAMBÉM, RECEBEMOS A CURA E A LIBERTAÇÃO INTERIOR DOS MALES QUE NOS ESCRAVIZAM

As pessoas que procuravam chegar ao lugar onde ouviam falar que Jesus estivesse eram tocadas por Ele e curadas das suas enfermidades. O lugar onde Jesus está é o local aonde as coisas acontecem, por isso, nós agimos com sabedoria quando buscamos coerentemente estar presentes nos ambientes em que se vivencia o Evangelho. Muitas pessoas pregam que todos os caminhos considerados bons nos levam a ter uma experiência com Deus, porém, quando conhecemos a Jesus e temos acesso a Sua Palavra nós descobrimos que Ele é o Único Caminho que nos leva ao Pai.
Esta experiência com Jesus nos faz ter um conhecimento Dele e do Seu amor que cura, que liberta e que dá sentido a tudo, até ao nosso sofrimento. Assim como no tempo em que Jesus pregava a boa nova do reino e os doentes eram curados de toda espécie de enfermidades, hoje também, nós recebemos a cura e a libertação interior dos males que nos escravizam. Procurar Jesus é encontrar a salvação e o Caminho para uma vida coerente com o desígnio que o Pai nos reservou. Reflitamos:
E você, a quem você está procurando nos lugares que frequenta?
Aonde o seu coração encontra paz?
Onde você está agora será o lugar que Jesus pode tocá-lo?
Você faz planos de viajar?
Você tem se deixado tocar por Jesus aonde quer que esteja?
Amém!

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Paulo (Japão, séc. XVI) representa os vários companheiros, religiosos e leigos martirizados em Nagasaki em 1597. No suplício na cruz, testemunharam com alegria o momento do encontro definitivo com o Pai. Foram canonizados em 1862. As sementes da fé cristã chegaram ao Oriente graças à coragem destes mártires.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

A casa da comunidade é também a casa de Deus, onde o seu Espírito habita. A multidão busca a Jesus porque dele provém uma força libertadora.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Jesus pregava a boa-nova, o reino anunciado, e curava toda espécie de doenças entre o povo (Mt 4,23).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Alegram-se nos céus os santos que na terra seguiram a Cristo. Por seu amor derramaram o próprio sangue; exultarão com ele eternamente.

Antífona da comunhão

Fostes vós que permanecestes comigo nas minhas tribulações. E eu disponho do reino para vós, diz o Senhor. No meu reino comereis e bebereis à minha mesa (Lc 22,28ss).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Ó Deus, força dos santos, que em Nagasaki chamastes à verdadeira vida são Paulo Miki e seus companheiros pelo martírio da cruz, concedei-nos, por sua intercessão, perseverar até a morte na fé que professamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Atendei, Senhor, nosso pedido.

— A fim de que nosso coração seja livre de todo rancor e egoísmo, rezemos.
— A fim de que reconheçamos a presença de Deus na comunidade reunida, rezemos.
— A fim de que nossas famílias estejam unidas diante das dificuldades, rezemos.
— A fim de que os doentes encontrem a acolhida da comunidade e a assistência do poder público, rezemos.
— A fim de que, a exemplo de são Paulo Miki, permaneçamos firmes na fé, rezemos.

Oração sobre as oferendas

Recebei, Pai santo, as nossas oferendas na comemoração dos vossos santos mártires e dai-nos a graça de não vacilar ao proclamarmos nossa fé. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, que, de modo admirável, manifestastes em vossos mártires o mistério da cruz, concedei que, fortalecidos por este sacrifício, possamos seguir fielmente a Cristo e participar na Igreja da obra de salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

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