LDP: 09/FEV/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

09/Fev/2012 (quinta-feira)

LEITURAS

1 Reis 11,4-13 (Livro do antigo ou 1º testamento / Livros Históricos)

4Quando Salomão ficou velho, suas mulheres desviaram o seu coração para outros deuses e seu coração já não pertencia inteiramente ao Senhor, seu Deus, como o do seu pai Davi. 5Salomão prestou culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a Melcom, ídolo dos amonitas. 6Ele fez o que desagrada ao Senhor e não lhe foi inteiramente fiel, como seu pai Davi. 7Foi então que Salomão construiu um santuário para Camos, ídolo de Moab, no monte que está defronte de Jerusalém, e para Melcom, ídolo dos amonitas. 8Fez o mesmo para todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam incenso e ofereciam sacrifícios aos seus deuses. 9Então o Senhor irritou-se contra Salomão, porque o seu coração tinha-se desviado do Senhor, Deus de Israel, que lhe tinha aparecido duas vezes 10e lhe proibira expressamente seguir a outros deuses. Mas ele não obedeceu à ordem do Senhor. 11E o Senhor disse a Salomão: “Já que procedeste assim, e não guardaste a minha aliança, nem as leis que te prescrevi, vou tirar-te o reino e dá-lo a um teu servo. 12Mas, por amor de teu pai Davi, não o farei durante a tua vida; é da mão de teu filho que o arrebatarei. 13Não te tirarei o reino todo, mas deixarei ao teu filho uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, que escolhi”.

Salmo 106(105),3-4.35-36.37.40 (R. 4) (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e Sapienciais)

— Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos, segundo o amor que demonstrais ao vosso povo!
3Felizes os que guardam seus preceitos e praticam a justiça em todo o tempo! 4Lembrai-vos, ó Senhor, de mim, lembrai-vos, pelo amor que demonstrais ao vosso povo!
35misturaram-se, então, com os pagãos, e aprenderam seus costumes depravados. 36Aos ídolos pagãos prestaram culto, que se tornaram armadilha para eles.
37pois imolaram até mesmo os próprios filhos, sacrificaram suas filhas aos demônios. 40Acendeu-se a ira de Deus contra o seu povo, e o Senhor abominou a sua herança.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 7,24-30 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Evangelho Sinótico)

Naquele tempo, 24Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido. 25Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27Jesus disse: “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”. 28A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair”. 29Então Jesus disse: “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha”. 30Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O que a Palavra diz para mim?
Há traços característicos na mulher cananeia que também nós podemos ter na busca de Jesus:
DETERMINAÇÃO – sabe o que quer e vai ao encontro do Mestre.
ESPERANÇA – aguarda com paciência ser atendida.
FORÇA DE VONTADE – não se deixa vencer pela aparente recusa de Jesus.
PERSEVERANÇA – a mulher persevera porque ama e crê: ama a filha e acredita em Jesus.
Pergunto-me agora:
minha fé é robusta, como a desta mulher?
Ou desisto com uma ofensa, uma espera, uma dificuldade?

… a VERDADE …

O que a Palavra diz?
Leio na Bíblia, Mc 7,24-30.
Jesus buscava em Tiro um espaço de recolhimento para dedicar-se à formação dos seus discípulos. Chegou a uma terra pagã, mostrando que para ele a discriminação racial ou religiosa não existe. Ao rejeitar de forma dura, e ofensiva, a súplica da mulher da Fenícia, ele aparentou racismo religioso. Era comum aos judeus chamarem os pagãos de cães por prestarem culto aos falsos deuses e pela corrupção dos costumes. Jesus amenizou a aspereza da palavra usando o diminutivo “cachorrinhos”, animais de estimação que vivem dentro da casa dos donos.
A mulher não se intimidou e insistiu para que o Mestre fosse curar sua filha. Ele a atendeu. Essa mulher se tornou modelo de convicção, perseverança na oração, e confiança em Jesus. Sua insistência alcançou o que desejava. Jesus respeitou o processo de amadurecimento da fé.

… e a VIDA …

Pai, cria em meu coração uma fé profunda como a da mulher pagã que demonstrou total confiança em Jesus. Por isso, foi atendida por ele.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Qual o meu novo olhar a partir da Palavra?
Viverei o dia de hoje, à luz desta Palavra.
Meus pensamentos e minhas atitudes serão iluminados “Pelo olhar de Deus a vigiar meu caminho, Pelo ouvido de Deus a me escutar, Pela Palavra de Deus em mim a falar, Pela mão de Deus a me guardar, Pelo caminho de Deus à minha frente.” (São Patrício).

REFLEXÕES

JESUS ENTRA NA CASA

Tiro é uma região de gentios. Jesus entra na casa de um deles. Os judeus eram proibidos a isto por ela ser considerada impura. Uma mulher gentia vem e atira-se a seus pés. O espírito impuro de sua filha indica estar excluída pelo espírito discriminatório judaico. Ela pede a intervenção de Jesus. Em diálogo, fala-se de pão, filhos e cachorrinhos. Os filhos são os judeus. Os cachorrinhos são os gentios. O pão é o alimento que sustenta a vida. Neste diálogo discriminatório pode-se até ver uma interpretação tradicional das comunidades sob a influência das pretensões judaicas. A fala insistente e ousada da mulher é o centro da narrativa. A ela curva-se Jesus. Ela tem direito ao pão. A seguir Marcos narra a partilha dos pães, também em território gentio. Fica bem caracterizada a missão de Jesus entre os gentios.

A CANANEIA

Existem pessoas que acreditam que somente quem pertence à sua religião ou mesmo apenas ao seu movimento religioso ou espiritualidade será salvo. Essas pessoas esquecem que Jesus veio ao mundo para que o mundo fosse salvo por ele, e não somente os daquela religião ou daquela forma de espiritualidade. Essas pessoas acabam por fazer do próprio Deus propriedade delas e querem que Deus aja segundo os seus critérios. A ação divina depende da vontade divina, que quer o bem e a salvação para todas as pessoas, de todos os povos, de todos os credos, línguas, etc., pois verdadeiramente Deus não faz distinção de pessoas.

A PERSISTÊNCIA RECOMPENSADA

O encontro de Jesus com a mulher cananeia contém uma série de elementos atípicos.
O Mestre encontrava-se em território pagão, dentro de uma casa, pensando poder passar despercebido. Seu anonimato foi revelado pela presença de uma mulher que, tendo ouvido falar dele, veio lançar-se-lhe aos pés.
Sendo mulher, estrangeira e pagã, a atitude mais natural de Jesus seria de mantê-la à devida distância, porque, segundo a tradição da época, um mestre que se prezava não contatava com mulheres, com estrangeiros, nem com pagãos. Apesar disso, o Mestre aceitou dialogar com ela, embora, tenha sido um diálogo um tanto ríspido.
Jesus não mostrou nenhuma intenção de atendê-la. Mas a mulher ficou firme no seu propósito: obter a cura de sua filhinha, vítima de um espírito maligno. Tampouco se dobrou aos argumentos do Mestre, segundo os quais os destinatários de seu poder taumatúrgico eram, preferencialmente, os “filhos”, ou seja, os judeus. Sentia-se no direito de partilhar, pelo menos, as migalhas dos bens oferecidos aos “filhos”. Por isso, estava disposta a ser tratada como os cachorrinhos que comem as migalhas caídas da mesa de seus donos.
Segura do que queria, e sabendo que tinha recorrido à pessoa certa, a mulher não cedeu. Resultado: sua persistência foi recompensada.

OS CACHORRINHOS COMEM DEBAIXO DA MESA AS MIGALHAS DOS FILHOS

Ao aproximar-se de Jesus, a Cananeia só diz estas palavras: “Tem piedade de mim” (Mt 15,22), e os seus gritos redobrados atraem um grande número de pessoas. Era um espetáculo comovente, ver uma mulher gritar com tanta emoção, uma mãe implorar pela sua filha, uma criança tão duramente maltratada. […] Ela não diz: “tem piedade da minha filha”, mas: “tem piedade de mim”. “A minha filha não se apercebe do seu mal; eu, pelo contrário, experimento mil sofrimentos, fico doente de a ver naquele estado, fico quase louca de a ver assim.” […]
Jesus responde-lhe: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15,24).
Que faz a Cananeia depois de ter escutado estas palavras?
Vai-se embora em silêncio?
Perde a coragem?
Não! Insiste ainda mais. Não é isso que nós fazemos: quando não somos atendidos, retiramo-nos desencorajados, quando o que era preciso era insistir com mais ardor.
Quem, na verdade, não ficaria desencorajado com a resposta de Jesus?
O Seu silêncio seria suficiente para eliminar toda a esperança. […] Mas esta mulher não perde a coragem, pelo contrário, aproxima-se mais e prostra-se dizendo: “Socorre-me, Senhor (v. 25). […] Se eu fosse um cãozinho nesta casa, já não seria uma estrangeira. Sei muito bem que a comida é necessária aos filhos […], mas não se pode proibi-los de dar as migalhas aos cães. Não mas deves recusar […], porque eu sou o cãozinho que não se pode mandar embora”.
E, como já previa a Sua resposta, Cristo demorou a satisfazer-lhe a prece. […] As Suas respostas não se destinavam a fazer sofrer a mulher, mas a revelar esse tesouro escondido.

ELA FOI E JOGOU-SE A SEUS PÉS. PEDIA QUE ELE EXPULSASSE O DEMÔNIO DE SUA FILHA

Hoje nos mostra a fé de uma mulher que não pertencia ao povo escolhido, mas que tinha a confiança em que Jesus podia curar a sua filha. Aquela mãe “A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio” (Mc 7,26). A dor e o amor a levam a pedir com insistência, sem levar em consideração nem desprezos, nem atrasos, nem indignação. E consegue o que pede, pois “Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já tinha saído dela” (Mc 7,30).
São Agostinho dizia que muitos não conseguem o que pedem pois são “aut mali, aut male, aut mala”. Ou são maus e a primeira coisa que teriam que pedir seria ser bons; ou pedem erroneamente, sem insistência, em vez de pedir com paciência, com humildade, com fé e por amor; ou pedem coisas ruins que se recebessem fariam dano à alma ou ao corpo ou aos outros. Devemos nos esforçar, pois, por pedir bem. A mulher siro-fenícia é boa mãe, pede algo bom (“que expulsasse de sua filha o demônio”) e pede bem (“veio e jogou-se aos seus a pés”).
O Senhor nos faz usar perseverantemente a oração de petição. Certamente, existem outros tipos de pregaria – a adoração, a expiação, a oração de agradecimento -, mas Jesus insiste em que nós frequentemos muito a oração de petição.
Por que?
Muitos poderiam ser os motivos: porque necessitamos da ajuda de Deus para alcançar nosso fim; porque expressa esperança e amor; porque é um clamor de fé. Mas existe um que talvez seja pouco considerando: Deus quer que as coisas sejam um pouco como nós queremos. Deste modo, nossa petição – que é um ato livre – unida à liberdade onipotente de Deus, faz com que o mundo seja como Deus quer e um pouco como nós queremos. É maravilhoso o poder da oração!

JESUS EXPULSA O DEMÔNIO DA FILHA DE UMA PAGÃ

Por onde Jesus passava todos corriam para estar perto e serem agraciados pela cura e libertação. Não foi diferente na região pagã de Tiro e Sidônia. Jesus não queria ser reconhecido. Escondeu-se. A preocupação de ficar escondido foi por causa do conflito sério com os doutores da Lei que acabou de acontecer em Jerusalém e, portanto, corria sério perigo. Mas sua fama era tamanha que logo apareceram pessoas para ficar perto do Mestre e pedir cura.
Na missão enviada pelo Pai, Jesus não esquivava de nenhum compromisso. Quando alguém chegava perto para pedir algo, lá estava Jesus disponível. Sua missão sempre foi levada a sério, pois não suportava ver seus irmãos em situação vexatória. Aquilo que poderia fazer Jesus fazia por paixão, por discernimento ou para abrir os olhos de muitos “cegos”.
Veja que na época de Jesus muitos aproveitadores massacravam o povo, usando a má fé. Aproveitavam dos infelizes para ampliar o poder de mando. Neste caso, lascavam o povo em benefício próprio. Jesus denunciava as práticas abusivas severamente, mesmo correndo sério risco de morte.
Jesus saiu do anonimato para atender uma pagã. Recorreu ao Mestre para livrar a filha do mau espírito. Sentia-se escravizada. Não tinha a liberdade para ir ao encontro do outro. Sentia-se presa, sem forças para buscar a libertação. Foi atendida pelo mestre, pois, sair do esconderijo alude na missão que o Pai lhe nomeou: arrancar as pessoas do poder demoníaco.
Surpreendente foi a maneira de como Jesus expulsou o demônio da menina. Não foi a casa da enferma. Mas direcionou a mulher para casa que sua filha estava liberta. No entanto, o tratamento de Jesus com a mulher foi misteriosa. Ele pede a mulher saciar a fome da criança primeiro, depois trate dos cães. Mas a mulher disse a Jesus que os cães também se alimentam debaixo da mesa das sobras das migalhas derrubadas pelas crianças. Eles também devem alimentar-se. Jesus fica surpreso, pois, os judeus tratavam os pagãos como “cães”, sem valor que vivem das sobras.
Naquele momento Jesus foi reconhecido como Senhor. Reconheceu naquele homem de Nazaré o seu poder divino. Nesta cena, Jesus é a migalha rejeitada que vem alimentar o mundo pagão. Contudo, a evangelização não tem fronteira, credo, raça, cultura. Todos são filhos e filhas do mesmo Pai que merecem a mesma atenção. O povo rejeitado, abandonado, sentia-se órfão de Pai. Não tinha ninguém para olhar ou interceder por eles. A salvação estava no rejeitado Jesus pelos fariseus, que carregava em si o poder da salvação.
Ainda há muitos excluídos pelo poder publico, político e religioso. Muitos continuam se alimentando das sobras das mesas fartas de famílias centralizadoras de poderes. São os abandonados que não encontram samaritanos para acudir nas suas suplicas. Por credo ou por cunho ideológico religioso são desprezados. Deixados a própria sorte. Sem dar uma ajuda amiga.
Até quando vai acontecer o descaso com a maioria da população empobrecida?
Até quando muitos vão continuar enganando a si mesmo?
Até quando os cristãos vão continuar colocando os joelhos no chão, fazendo calo, machucando a pele, mas não dando esperança a tantos irmãos que vivem na margem da sociedade?
Até quando trataremos nossos desvalidos como animais: cães, gatos, vacas…?
Até quando…?
Portanto, a aceitação de Jesus, como escreveu Euclides Martins, do projeto de Deus trazido por Jesus se torna Boa Notícia concreta que alegra os marginalizados. Assim, a mulher: “voltou para casa, encontrou a criança deitada na cama; de fato, o demônio tinha saído dela”. Amém!

OS CACHORRINHOS, DEBAIXO DA MESA, COMEM AS MIGALHAS QUE AS CRIANÇAS DEIXAM CAIR

Este Evangelho narra a cena de uma mulher pagã que pede a Jesus a cura de sua filha. De início, Jesus recusa, dizendo que foi enviado primeiro para o povo de Israel. E ele fala uma frase que, à primeira vista, parece dura, mas era um dito popular: “Não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”.
Entretanto, a mulher não se deixa vencer, e tem uma saída criativa. Ela responde na hora: “Os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair”. Jesus fica comovido e atende o pedido dela.
Ter fé é vencer os obstáculos, venham de onde vierem, até da parte do Enviado de Deus, como foi o caso. Exemplos de obstáculos que podem se chocar com a nossa fé: Aparente recusa de Deus em nos atender, como o caso de uma doença, que a pessoa pede para Deus curar e a doença até piora, ou perduras durante anos; um vício que a pessoa já tentou vencer e não conseguiu; uma tentação forte, diante da qual a pessoa se sente pequenina e impotente; alguma dificuldade de relacionamento em casa ou no trabalho, em que, quanto mais a pessoa se esforça, parece que ainda piora…
Jó (Cf seu livro na Bíblia) é um grande exemplo para nós nesse ponto. Exemplo de persistência.
A nossa fé não fica parada. Ela é como uma planta: ou cresce ou morre. E ela cresce na direção da fidelidade, isto é, da fé que ultrapassa os obstáculos.
Aquela mulher era pagã, isto é, não pertencia à descendência de Abraão, que era o povo eleito, com o qual Deus fez a primeira Aliança. Entretanto, ela tinha uma fé correta e bonita.
Pagãos para nós são os não batizados. É uma situação cuja superação é aberta a todos e é facílima: basta receber o batismo. Para os judeus do tempo de Jesus, ser pagão era um estigma indelével, uma barreira intransponível, pois dependia da raça, o que ninguém consegue mudar. Mas aquela primeira Aliança era provisória. Tinha o objetivo de preparar a vinda do Messias. Com a chegada de Jesus, ela foi abolida e passou a valer a nova e eterna Aliança, com todos os homens e mulheres do mundo, Aliança que é baseada não mais em raça, mas na fé em Jesus Cristo. Como disse S. Paulo: “Não há mais judeu nem grego, escravo ou livre, todos vós sois um em Cristo”.
Entretanto, apesar de o povo de Israel ter sido infiel à sua Aliança com Deus, Deus foi fiel. Mesmo depois que a Aliança foi superada, Jesus inicialmente deu preferência ao povo de Israel. Mas Jesus sempre acolhia bem os pagãos que o procuravam. Inclusive, várias vezes elogiou a fé deles, como a do centurião romano: “Nunca encontrei tamanha fé em Israel”.
A mensagem principal deste encontro de Jesus com a mulher nascida na Fenícia é a força que tem a oração perseverante e feita com fé. Ela é a nossa força; é mais forte que as estruturas, até religiosas. Pela oração, nós somos capazes de “transportar montanhas”, como disse Jesus. Contra tudo e contra todos, continuar pedindo a Deus as coisas, com fé, mesmo que dê a impressão de que até Deus virou as costas para nós. E argumentar com Deus, como fez a mulher: “Os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair”.
A mesma mensagem vemos em algumas parábolas de Jesus: a da viúva pedindo para o juiz a solução do seu caso judicial, a do vizinho que altas horas da noite batia na porta do outro, pedindo pães para a visita que acabara de chegar a sua casa; o que estava deitado certamente falou para a esposa: “Vamos lá atendê-lo, senão ninguém dorme nesta casa”.
Dizem que o Pe. Vítor Coelho, quando era criança, foi mandado embora do Seminário Santo Afonso, em Aparecida, por traquinagens. Mas ele se sentou do lado de fora, na escada da portaria do seminário, e ali ficou com a sua malinha. De dó, o diretor voltou atrás. Dó e também para ficar livre do constrangimento.
Já pensou tomar refeição, ou rezar na capela, com um menino lá fora querendo entrar?
Deus pede para fazermos a mesma coisa com ele. Ele nos atenderá, mesmo que tenha de mudar as suas Leis e os seus planos. A oração é uma porta aberta ao infinito. Ela não tem fronteiras.
A cena das Bodas de Caná foi parecida com esta do Evangelho de hoje. Nas duas, Jesus atende ao pedido, apesar de ainda não ter chegado a sua hora, por causa da fé de quem pede, fé transformada em persistência. Nos dois casos, Jesus inicialmente é um pouco ríspida, justamente para testar a fé. E as duas mulheres, Maria e esta, vencem com nota dez!
Peçamos a Maria Santíssima: “Ensina teu povo a rezar, Maria Mãe de Jesus, que um dia teu povo desperta e na certa vai ver a luz”!
Os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair.

PODES VOLTAR PARA CASA

Sabemos que tudo que Deus mais quer, é estar conosco, principalmente nos nossos momentos mais difíceis! A maior prova disso, foi o envio do seu Filho ao mundo!
Jesus é a prova concreta da imensidão do amor Deus por nós. Ele é o próprio Deus que se humanizou para ficar mais próximo de nós, respeitando a nossa liberdade, só entrando na nossa vida quando chamamos por Ele!
É a fé que nos impulsiona a sairmos de nós mesmos, para irmos à procura de Jesus! Só pela fé chegamos até Ele, mesmo quando Ele parece estar escondido!
Quando saímos de algum sofrimento e olhamos para traz, vamos perceber com maior intensidade o valor da fé, pois somente pela fé, é que adquirimos força para atravessar os desertos de nossa vida!
O que seria de nós sem a fé nestas difíceis travessias?
A fé é o pilar que nos sustenta, a força que nos move, a raiz que nos mantém de pé nos vendavais da vida!
Ter fé, não significa simplesmente acreditar em Deus, é muito mais que isto, é comprometer-se com Ele, é depositar toda a nossa segurança em Suas mãos!
A fé é um dom de Deus, cabe a cada um de nós, abraçá-la, reconhecendo as nossas fragilidades, na certeza de que com Deus, nunca estaremos sozinhos!
Quem abraça a fé, nunca perde a esperança, não se deixa levar pelos caminhos incertos e nem se abater diante das dificuldades, pois carrega consigo a certeza de que em Deus, está o seu porto seguro!
O Evangelho de hoje, nos fala da essencialidade da confiança em Deus, o Deus que liberta!
A narrativa vem nos mostrar com clareza, que não é pela religião, que se dá testemunho de fé, e sim, pela confiança no poder de Deus, manifestado em Jesus!
O texto nos diz que Jesus foi para a região de Tiro e Sidônia, e entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse que Ele estava ali. Mas a fé de uma mulher pagã, encontrou Jesus, e não O deixou ficar escondido.
A cena nos mostra, que pela fé, é possível vencer todas as barreiras que nos impede de aproximar desta Luz que é Jesus!
Certamente aquela mulher sofrida, já tinha ouvido falar da bondade de Jesus, por isto não queria perder a oportunidade de aproximar-se Dele na certeza de que somente Ele, poderia dar fim ao sofrimento da filha, sofrimento que ela abraçou como sendo dela. Com grande humildade, ela suplica a Jesus insistentemente que expulsasse o mal que tanto afligia sua filha.
As palavras de Jesus, dirigidas a aquela mulher, para alguns, pode ressoar como sendo a mesma atitude impiedosa do povo judeu, que discriminava os estrangeiros, considerados por eles como pagãos. Mas nós, que conhecemos a bondade de Jesus, sabemos que esta não é a sua postura, afinal, Ele veio abolir todo tipo de exclusão.
Em hipótese alguma, Jesus quis diminuir aquela mulher, pelo contrário, o que ele quis foi elevá-la, ao provocar nela um dos mais belos testemunho de fé! Testemunho que serviu de lição para os discípulos e hoje serve para nós: não desistir da fé ao primeiro obstáculo.
A postura de Jesus diante desta mulher pagã, colocando um primeiro obstáculo mediante a sua suplica, não foi por não querer atende-la e sim, aproveitar aquela oportunidade para conscientizar aos discípulos que a salvação trazida por Ele, não é privilégio de um só povo, a misericórdia de Deus é para todos!
Deste episódio, fica para nós a grande lição: precisamos ter uma fé consistente, insistente, que não desiste nunca. A promessa é de Jesus: batei, e a porta vos abrirá, buscai e achareis!
Exercitemos a nossa fé na oração, na reflexão da palavra e no testemunho de vida!
FIQUE NA PAZ DE JESUS!

A FÉ NÃO TEM RÓTULO…

A Fé em Jesus, nosso Deus e Senhor, Redentor e Salvador, nunca teve e nem terá rótulo ou marca diferenciada, pois ela é um dom que Deus concede a quem Ele quiser, seja Católico, Evangélico, Pentecostal, Espírita ou Kardecista e vai por aí afora. Não podemos confundir expressão de Fé com a Fé em si, pois são coisas diferentes, e nem se pode dizer que esta é mais eficiente do que aquela, a expressão de Fé Católica tem sua raiz apostólica, e os elementos embrionários da Fé Cristã, transmitidos pelo próprio Jesus, mas isso não nos dá o direito de julgar que a Fé dos que não pertencem á nossa Igreja, não é autentica.
Jesus e seus discípulos se encontram em uma terra pagã na região de Tiro e Sidônia, ali uma mulher Fenícia caiu a seus pés suplicando pela Filha que estava possessa de um espírito imundo, a mulher acredita em se coração que Jesus é maior do que o demônio que oprime a filha, portanto vê nele o libertador e clama por esta ação libertadora de sua parte.
Sendo Judeu, primeiro Jesus manifesta o modo de pensar do Judeu “pela ordem estabelecida os Judeus são os primeiros a serem beneficiados com a ação libertadora do Messias, os pagãos são de segunda categoria e por isso mesmo denominados “cães”, em palavras mais simples, Jesus está dizendo aqui, que não se deve queimar vela para mau defunto”.
A mulher concorda que está inferiorizada em relação aos judeus, Raça escolhida e Nação Santa, mas Jesus é tão importante em sua vida, que qualquer gesto ou palavra que vier dele, trará a ela os efeitos da Graça da qual ele é portador, isso é o que ela crê com sinceridade. E Jesus não resistiu a tão grande Fé, e saindo do contexto judaico, proclama que a Fé é universal e não têm rótulo, “por causa dessa palavra, vai-te, que saiu o demônio da sua filha”.
Quem crê em Cristo e se compromete com Ele, vendo-o como libertador e vivendo nessa liberdade de Filhos de Deus, jamais estará preso ou escravo do demônio, presente em certas estruturas humanas, que escravizam e alienam o ser humano, em vez de o libertá-lo. Portanto, essa experiência libertadora com Jesus em nossa vida, não depende da fachada religiosa que ostentamos, é algo íntimo e pessoal, que começa com o nosso desejo e abertura de coração, mas se realiza unicamente por iniciativa dele. Essa mulher, que não era religiosa, abriu seu coração para essa possibilidade e assim mudou a sua vida…

PEDIR COM FÉ, HUMILDADE E INSISTIR

Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu da tua filha…
Caríssimos, será que Jesus não iria atender ao pedido daquela mulher estrangeira?
É claro que sim. Porém, a resposta de Jesus foi proposital, ou seja, para ver o que aquela mulher iria responder.
Nós precisamos também pedir insistentemente, e com muita fé. Como o fez aquela mulher. Pedidos ou orações feitas somente com os lábios, de nada adianta. Nós precisamos pedir a Deus com toda confiança, com toda concentração, e repetir diariamente, repetidas vezes, com os olhos fechados, concentrados, e até com lágrimas se a emoção do momento assim fazer acontecer.
Sabe, aquelas orações feitas da boca para fora, orações feitas de forma até distraídas, com ar de arrogância, olhando o que está passando em redor, não estão com nada, por que não valem nada!
Imagine que você esteja diante do governador, e precisa fazer-lhe um pedido muito importante. Aí, você começa, sem mesmo olhar na cara dele: Senhor governador. Eu, cidadão cadastrado, pagante do imposto, venho solicitar de sua ilustríssima pessoa que se digne a resolver o meu problema… bla, bla, e bla.
Você acha que diante da sua atitude irreverente e arrogante o senhor governador todo poderoso vai ordenar que seja executado imediatamente o seu pedido?
De forma alguma!
Então, que tal agir de outra forma?
Ilustríssimo e digníssimo governador: Venho a sua presença com muita esperança por saber que estou diante de um homem ilustre, defensor da família, e empenhado em defender a causa do povo… bla bla bla e bla.
Colocando o ilustre no pedestal, para em seguida, pedir o que você precisa.
Deus não precisa da nossa bajulação. Porém, nós somos seres pecadores, imperfeitos, e como tal, precisamos nos apresentar, ou nos reconhecer como miseráveis criaturas, diante de Deus puro, onipotente e onipresente.
Nunca falar com Deus de forma displicente, como às vezes falamos com as pessoas, sem mesmo olhar em seus rostos. O rosto de Deus é invisível, mais se fecharmos os nossos olhos para não nos distrair, sentiremos a sua presença. Pedir com humildade, respeito, muita fé, e insistentemente. É isso aí!
Vamos começar?
Deus Pai todo poderoso, eu vos louvo e agradeço por tudo que tenho e por tudo que sou. Pelas pessoas que colocastes em meu caminho. Ajuda-me a ser amigo de verdade, pai de verdade, marido fiel, esposa fiel, namorado responsável, namorada ajuizada, estudante esforçado(a) etc. Ensina-me a seguir os teus passos, e fazer a vossa vontade. Deus Pai bondoso, venho agora suplicar de vossa infinita bondade, o vosso infinito poder para com o problema que estou enfrentando neste momento…
Obrigado, amém.

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Jesus mostra que sua ação salvadora alcança a todos. Ele não resiste ao pedido de uma mulher pagã. Graças à sua fé, ela consegue a libertação da filha, atormentada por um espírito impuro.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

A opulência pode nos desviar dos caminhos do Senhor. Por outro lado, um coração simples e humilde, alimentado pela fé, consegue mover o coração de Deus.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Aleluia, aleluia, aleluia. Acolhei docilmente a palavra semeada em vós, meus irmãos; ela pode salvar vossas vidas! (Tg 1,21).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Entrai, inclinai-vos e protrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94,6s).

Antífona da comunhão

Demos graças ao Senhor pó sua bondade, por suas maravilhas em favor dos homens; deu de beber aos que tinham sede, alimentou os que tinham fome (Sl 106,8s).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Ouvi-nos e atendei-nos, Senhor.

— Para que a Igreja seja fortalecida no amor aos necessitados e guiada pela fé em Jesus, rezemos.
— Para que as pessoas entendam que a aliança com Deus é feita por meio da fé em Jesus, rezemos.
— Para que os religiosos e religiosas sejam perseverantes em sua consagração a Deus, rezemos.
— Para que a saúde pública em nosso país atenda às necessidades do povo, rezemos.
— Para que as mulheres sejam fortes para superar os problemas que enfrentam, rezemos.

Oração sobre as oferendas

Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para alimento da nossa fraqueza, concedei que se tornem para nós sacramento da vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, vós quisestes que participássemos do mesmo pão e do mesmo cálice; fazei-nos viver de tal modo unidos em Cristo, que tenhamos a alegria de produzir muitos frutos para a salvação do mundo. Por Cristo, nosso Senhor.

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