LDP: 17/MAR/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

17/Mar/2012 (sábado)

LEITURAS

Oséias 6,1-6 (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Proféticos)

1“Vinde, voltemos para o Senhor, ele nos feriu e há de tratar-nos, ele nos machucou e há de curar-nos. 2Em dois dias, nos dará vida, e, ao terceiro dia, há de restaurar-nos, e viveremos em sua presença. 3É preciso saber segui-lo para reconhecer o Senhor. Certa como a aurora é a sua vinda, ele virá até nós como as primeiras chuvas, como as chuvas tardias que regam o solo”. 4Como vou tratar-te, Efraim? Como vou tratar-te, Judá? O vosso amor é como nuvem pela manhã, como orvalho que cedo se desfaz. 5Eu os desbastei por meio dos profetas, arrasei-os com as palavras de minha boca, mas, como luz, expandem-se meus juízos; 6quero amor, e não sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que holocaustos.

Salmo 51(50),3-4.18-19.20-21ab (R. Cf. Os 6,6) (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

Os 6,6Eu quis misericórdia e não o sacrifício!

3Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! 4Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!

— 18Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. 19Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

— 20Sede benigno com Sião, por vossa graça, reconstruí Jerusalém e os seus muros! 21aE aceitareis o verdadeiro sacrifício, 21bos holocaustos e oblações em vosso altar!

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Lucas 18,9-14 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

Naquele tempo, 9Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: 10“Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. 11O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’. 13O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’ 14Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

Como Jesus, pelo poder do Espírito, tenho algo a agradecer ao Pai. O que o texto me diz no momento? O texto me fala da autêntica oração que supõe o reconhecimento de nossos limites e da ação de Deus. Já nos foi dito: “O sacramento da reconciliação é o lugar onde o pecador experimenta de maneira singular o encontro com Jesus Cristo, que se compadece de nós e nos dá o dom de seu perdão misericordioso, faz-nos sentir que o amor é mais forte que o pecado cometido, nos liberta de tudo o que nos impede de permanecer em seu amor, e nos devolve a alegria e o entusiasmo de anunciá-lo aos demais com o coração aberto e generoso.” (DAp 254).

… a VERDADE …

Nesta parábola, Jesus fala de um fariseu que vive uma falsa religiosidade e de um publicano autêntico. O fariseu, satisfeito de si mesmo, se julga melhor e despreza os demais. Ele dá graças a Deus pela sua própria bondade e observâncias. O publicano era tido como pecador. Diante de Deus ele não rejeita este rótulo. Assume-o no arrependimento. E pede piedade: “tem pena de mim, ó Deus”. Nesta parábola, Jesus nos ensina que o arrependimento e a confissão de nossos pecados são atitudes de humildade que nos libertam diante de Deus.

… e a VIDA …

Senhor Jesus, que o Reino aconteça sempre mais em minha vida, pela vivência radical do amor a Deus e ao próximo.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vou viver meu diz com o coração agradecido ao Pai e na alegria de poder testemunhá-lo.

REFLEXÕES:

ATITUDE NECESSÁRIA PARA A ORAÇÃO

Nesta parábola de sua exclusividade, Lucas faz um confronto entre duas atitudes fundamentais. De um lado estão aqueles que se julgam justos, puros, e ensoberbecidos desprezam os outros. São autossuficientes e, se invocam a Deus, é mais para se exibirem do que por um ato de humildade. Do outro lado estão os simples e humildes. Estes são conscientes de sua fragilidade e reconhecem em Deus seu amparo e proteção. Estas duas atitudes são caracterizadas por Lucas a partir de um momento de oração, em duas personagens: um fariseu e um publicano. O fariseu, em posição ostensiva, orava em seu íntimo, com toda convicção de sua própria justiça e superioridade, desprezando o publicano que jazia prostrado a distância. Por outro lado, o publicano, em sua humildade e abandono, tinha o coração todo voltado para Deus. Contudo, o justo a seus próprios olhos está longe de Deus, enquanto o pequeno e humilde está em comunhão com Deus.

O FARISEU HIPÓCRITA E O PUBLICANO AUTÊNTICO

Jesus nos mostra no Evangelho de hoje que a salvação não pode ser alcançada por nossas ações, uma vez que a pessoa não pode salvar-se por si mesma, mas por uma ação amorosa e gratuita do próprio Deus. Nós não nos salvamos, aos homens isso é impossível, mas Deus nos salva, pois para ele tudo é possível. Sendo assim, a nossa salvação depende antes de tudo da postura que temos diante de Deus. O fariseu contava os seus méritos diante de Deus, o que não lhe garantiu a salvação, enquanto que, ao demonstrar as suas misérias e os seus pecados diante de Deus, o cobrador de impostos reconhecia que somente Deus poderia salvá-lo e implora por essa salvação e, por isso, ele foi atendido em suas preces.

SOBERBA E HUMILDADE

Jesus não suportava a soberba de quem se gabava de ser justo, olhando os outros com desdém. Este comportamento o irritava por revelar uma falsa imagem de Deus, completamente contrária àquela ensinada por ele. O deus dos soberbos e orgulhosos é preconceituoso, deixa-se impressionar por exterioridades, é injusto para com os fracos, é facilmente enganável. A um deus assim, dirige-se o fariseu da parábola contada por Jesus. Assumindo uma postura de evidente arrogância, dirige-se a seu deus, prestando-lhe contas de suas práticas religiosas, como que a exigir uma recompensa generosa. O Deus anunciado por Jesus é, radicalmente, diferente: é o Pai atento a seus filhos, de modo especial, aos fracos e pequeninos. Valoriza qualquer esforço humano de superar o pecado, para colocar-se, com humildade, no caminho da conversão. Vê o mais íntimo do ser humano, onde percebe seus sentimentos e intenções. Portanto, não é um Deus a quem se possa enganar. Diante da atitude dos soberbos, Jesus não tinha dúvidas quanto ao fim que os esperava. Eles serão humilhados ao se encontrarem na presença do Pai. Recomenda-lhes, então, a humildade, porque só ela é capaz de sensibilizar a Deus, para a pessoa obter dele a justificação. Portanto, quem se vanglória de ser justo, está preparando sua própria condenação.

A ORAÇÃO EFICAZ NASCE DE UM CORAÇÃO HUMILDE, SIMPLES E PURO

O Evangelho de hoje nos mostra, com clareza, qual é o pensamento de Jesus a respeito da nossa oração, não somente no que se relaciona ao nosso vínculo com os outros, mas, especialmente, diante de Deus que nos conhece mais do que nós mesmos. Lendo o Evangelho de hoje, fiquei muito feliz, porque acredito que essa mensagem seja capaz de mudar, de forma concreta, a nossa vida, uma vez que passamos a compreender o sentido real e concreto do ato de ser humilde. Podemos ser transformados interiormente e executar gestos no nosso cotidiano que irá nos proporcionar sentimentos bons e alegres. É interessante verificar os dois tipos de oração. O fariseu nomeia todas as suas observâncias, tudo que ele faz conforme ordena a Lei. Ele não conta nenhuma mentira, mas confia absolutamente no poder da sua prática para garantir a salvação. Assim, dispensa a graça de Deus, pois se a Lei é capaz de salvar, a graça não lhe é necessária. Ainda se dá ao luxo de desprezar os que não viviam como ele – ou porque não queriam ou porque não conseguiam: “Ó Deus, eu Lhe agradeço, porque não sou como os outros homens que são ladrões, desonestos, adúlteros, nem como esse cobrador de impostos”. O publicano também não mente quando reza. Longe do altar, nem se atrevia a levantar os olhos para o céu, mas batia no peito em sinal de arrependimento e dizia: “Meu Deus, tenha piedade de mim que sou pecador”. Era verdade mesmo, porque ele era vigarista, ladrão, opressor do seu povo, traidor da sua raça. Ele tem consciência disso, e não só disso, mas do fato de que, por ele mesmo, é incapaz de mudar a sua situação moral. A sua única esperança é jogar-se diante da misericórdia divina. Para o espanto de Seus ouvintes, Jesus afirma que o desprezado publicano voltou para a casa “justificado” por Deus, pois é Deus quem nos torna justos por pura gratuidade, e não em recompensa por termos observado as minúcias da Lei. E como entrou o “farisaísmo” nas nossas tradições de espiritualidade! Como as nossas pregações reduziram a fé e o seguimento de Jesus a uma observância externa de uma lista de leis! Como reduzimos Deus a um mero “banqueiro” que, no fim da vida, faz as contas e nos dá o que nós “merecemos” segundo uma “teologia de retribuição”! Mas e a graça de Deus? E a cruz de Cristo? Paulo mudou de vida quando descobriu que a Lei – por tão importante que fosse como “pedagoga” – não era capaz de salvar, porque é Deus quem nos salva, por meio de Jesus Cristo, sem que tenhamos nenhum mérito. Com esta descoberta, Paulo se libertou. Ele defendia esse seu “Evangelho” a ferro e fogo! O texto de hoje nos convida a examinar até que ponto deixamos o “farisaísmo” entrar em nossa vida; até que ponto confiamos em nós mesmos como agentes da nossa salvação; até que ponto nos damos o direito de julgar os outros conforme os nossos critérios. É uma advertência saudável e oportuna que alerta contra uma mentalidade “elitista” e “excludente”, que pode insinuar-se na nossa espiritualidade, como fez na do fariseu, sem que tomemos consciência disso. Portanto, esse Evangelho é transformador: ele vem nos ensinar que a nossa oração é um meio de comunicação eficaz com o Pai, mas só subirá aos céus se nascer de um coração humilde, simples e puro. Se quisermos ser justificados e elevados diante de Deus, precisamos diminuir para que Ele cresça em nós. “Meu Deus, é preciso que eu diminua e que Cristo cresça em mim. Dê-me um coração puro e humilde. Assim como aquele cobrador de impostos clamou ao Senhor, eu também Lhe peço agora: ‘tende piedade de mim, que sou pecador!’”

DOIS HOMENS SUBIRAM AO TEMPLO PARA ORAR

Estes dois homens subiram ao Templo. O Templo é o amoroso fundo interior da nossa alma, no qual a Santíssima Trindade vive tão cheia de amor, trabalha tão nobremente, no qual depositou tão generosamente todo o Seu tesouro, onde Se compraz e Se alegra no gozo da Sua nobre imagem e semelhança (cf. Gn 1,26). Ninguém pode exprimir de maneira perfeita a nobreza e a alta dignidade desse Templo; é nele que temos de entrar para orar. E, para que a oração seja bem feita, tem de haver dois homens a subir […], o homem exterior e o homem interior. A oração que faz o homem exterior de pouco ou nada serve sem o homem interior. Para avançar, realmente, no caminho da oração verdadeira e bem feita, nada é de maior ajuda e maior utilidade que o precioso corpo eucarístico de Nosso Senhor Jesus Cristo. […] Meus queridos filhos, deveis sentir-vos extraordinariamente reconhecidos por essa grande graça vos ser agora dada mais frequentemente que antes, e deveis preferi-la a qualquer outro auxílio. […] Portanto, um dos dois homens era um fariseu e o Evangelho diz-nos o que lhe aconteceu. O outro era um publicano que se mantinha afastado e, sem ousar levantar os olhos para o céu, dizia: “Ó Deus tem piedade de mim, que sou pecador”; para este, a oração terminou de modo feliz. Na verdade, gostaria de agir como ele e ter sempre em consideração a minha pequenez. Seria, absolutamente, a via mais nobre e útil que poderíamos seguir. Esse caminho traz Deus ao homem, sem cessar e sem intermediários, pois, onde Deus chega com a Sua misericórdia, chega com todo o Seu ser, chega Ele mesmo. Ora, acontece que os sentimentos desse publicano entram na alma de algumas pessoas que então, conscientes dos seus pecados, querem fugir de Deus e do Santíssimo Sacramento, dizendo que não ousam aproximar-se dele. Não, meus queridos filhos, deveis, pelo contrário, ir com muito mais vontade à comunhão, para serdes perdoados das vossas faltas e dizerdes: “Vem, Senhor, vem depressa, antes que a minha alma morra em pecado; é necessário que venhas rapidamente, antes que ela morra de todo” (cf Jo 4,49).

EU VOS DIGO: ESTE ÚLTIMO VOLTOU PARA CASA JUSTIFICADO

Hoje, Cristo apresenta-nos dois homens que, a um observador casual, podiam parecer quase idênticos, já que se encontram no mesmo lugar, realizando a mesma atividade: ambos “subiram ao templo para orar” (Lc 18,10). Porém, para além das aparências, no mais profundo das suas consciências, os dois homens são radicalmente diferentes: um, o fariseu, tem a consciência tranquila, enquanto que o outro, o publicano – cobrador de impostos – está inquieto devido a sentimentos de culpa. Hoje em dia tendemos a considerar os sentimentos de culpa – os remorsos – como algo próximo de uma aberração psicológica. Contudo, o sentimento de culpa permite ao publicano sair reconfortado do Templo, uma vez que “este voltou para casa justificado, mas o outro não” (Lc 18,14). “O sentimento de culpa”, escreveu Bento XVI, quando ainda era Cardeal Ratzinger (“Consciência e verdade”), afasta a falsa tranquilidade de consciência e podemos chamar-lhe “protesto da consciência” contra a minha existência auto satisfeita. É tão necessário para o homem como a dor física, que significa uma alteração corporal do funcionamento normal”. Jesus não nos induz a pensar que o fariseu não esteja a dizer a verdade quando afirma que não é ladrão, nem desonesto, nem adúltero e paga o dízimo no Templo (cf. Lc 18,11); nem que o cobrador de impostos esteja a delirar ao considerar-se a si próprio como um pecador. A questão não é essa. O que realmente acontece é que “o fariseu não sabe que também tem culpas. Ele tem uma consciência plenamente clara. Mas o “silêncio da consciência” fá-lo impenetrável perante Deus e perante os homens, enquanto que o “grito de consciência”, que inquieta o publicano, o torna capaz da verdade e do amor. Jesus pode remover os pecadores!” (Bento XVI).

QUEM SE EXALTA SERÁ HUMILHADO, E QUEM SE HUMILHA SERÁ EXALTADO

Hoje, imersos na cultura da imagem, o Evangelho proposto tem uma profunda carga de conteúdo. Mas vamos por partes. Na passagem que contemplamos vemos que na pessoa há um nó com três cordas, de maneira que é impossível desfazê-lo se não temos presentes as três cordas mencionadas. A primeira nos relaciona com Deus; a segunda, com os outros; e a terceira com nós mesmos. Reparemos nisto: aqueles a quem dirige-se Jesus “que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros” (Lc 18,9) e, desta maneira, rezavam mal. As três cordas estão sempre relacionadas! Como fundamentar bem essas relações? Qual é o segredo para desfazer o nó? Nos o diz a conclusão dessa incisiva parábola: a humildade. Assim mesmo expressou Santa Teresa de Ávila “A humildade é a verdade”. É certo: a humildade nos permite reconhecer a verdade sobre nós mesmos. Nem envaidecer-nos, nem menosprezar-nos. A humildade nos faz reconhecer como tal os dons recebidos, e permite-nos apresentar ante Deus o trabalho da jornada. A humildade reconhece também os dons dos outros. E mais ainda, alegra-se deles. Finalmente, a humildade é também a base da relação com Deus. Pensemos que, na parábola de Jesus, o fariseu leva uma vida irrepreensível, com as práticas religiosas semanais e, inclusive, exerce a esmola! Mas não é humilde e isto carcome todos os seus atos. Temos perto a Semana Santa. Prontamente contemplaremos – uma vez mais! – a Cristo na Cruz. “O Senhor crucificado é um testemunho insuperável de amor paciente e de humilde mansidão” (João Paulo II). Ali veremos como, ante a súplica de Dimas – “Jesus, lembra-te de mim, quando começares a reinar” (Lc 23,42) – o Senhor responde com uma “canonização fulminante”, sem precedentes: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43). Esta personagem era um assassino que fica, finalmente, canonizado pelo próprio Cristo antes de morrer. É um caso inédito e, para nós, um consolo…: nós não “fabricamos” a santidade, mas antes é entregada por Deus, se Ele encontra em nós um coração humilde e convertido.

O FARISEU E O PUBLICANO

Na parábola que Jesus contou sobre o fariseu e o publicano, ficou bem claro a conclusão que o próprio Jesus nos dá: o fariseu não fez uma oração correta; mas até na oração estava julgando o próximo. O fariseu voltou para casa sem justificação. Por outro lado, o publicano que orou suplicando perdão a Deus porque reconheceu seus pecados, alcançou o perdão e a misericórdia de Deus. “Pois quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado”. O profeta Oseias já havia mostrado isso: sem o amor e a misericórdia nossas atitudes e nossas liturgias são frias e sem vida, e nada se transforma em nós: voltamos para casa, depois de certas liturgias, do mesmo modo que fomos à igreja. “Quero amor e não sacrifícios” – diz Deus (Os. 6,6). Davi arrependido do seu pecado reza o salmo 50 e seu pedido de perdão é atendido e Davi é justificado porque Deus se compraz em salvar os corações sinceros e “na imensidão de seu amor purifica o coração arrependido e penitente”. Que a penitência quaresmal traga frutos de justiça, verdade, amor solidário a todos nós! – Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

COM HUMILDADE CHEGAMOS A DEUS

A humildade como meio de elevar-se para Deus! Amados irmãos, ao ler o evangelho de hoje eu fiquei muito feliz porque acredito que essa mensagem seja capaz de mudar de forma concreta as nossas vidas, pois, uma vez que passamos a compreender o sentido real e concreto do ATO DE SER HUMILDE e não apenas do CONCEITO DE HUMILDADE, podemos ser transformados interiormente e executar gestos no nosso cotidiano que irá nos proporcionar sentimentos bons e alegres. A SIMPLICIDADE é irmã da HUMILDADE e inimiga do JULGAMENTO. Então, vou reproduzir os trechos da oração do fariseu e do cobrador de impostos para que vocês ao lê-las já vão percebendo a enorme diferença que existe entre elas. Primeiro, a oração do fariseu: “Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda”. Agora, a do cobrador de impostos: “Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!” Vocês já conseguiram sentir qual é a diferença que existe entre essas orações? Pois é amados, a diferença é simples e está no local onde essas orações nasceram. A primeira, certamente, é fruto da lei, do julgamento, do sentimento de superioridade, de comparações e do gesto que está sempre esperando algo em troca, uma recompensa. Esse fariseu teve uma postura de cima para baixo e a parábola revela isso quando diz que ele ao fazer a oração ficou em pé. Já a segunda, nasceu do íntimo do coração daquele cobrador de impostos, que não olhou para ninguém, apenas para dentro de si, da sua alma e aquele encontro consigo mesmo foi tão profundo que ele não se sentiu nem digno de levantar a cabeça e naquele momento prostrou-se e com uma simples e pequena frase fez uma das mais belas e sinceras orações que certamente subiu aos céus e alcançou o coração do Pai. Ou seja, a sua atitude veio de baixo para cima e é exatamente assim que devemos agir para que a palavra de Deus possa se cumprir nas nossas vidas como está escrito nesse evangelho: “Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”. Portanto, amados, esse evangelho é lindo e TRANSFORMADOR, ele vem ensinar para nós que a nossa oração é um meio de comunicação eficaz com o Pai, mas só subirá aos céus se nascer de um coração humilde, simples e puro! Se quisermos ser justificados e elevados diante de Deus, precisamos diminuir para que Deus cresça em nós! Então, faça essa oração agora, com a voz baixinha, ou alta ou até mesmo em seu pensamento, mas faça para que essa palavra possa dar fruto na sua vida hoje, não deixe a graça passar e reze comigo: “Meu Deus, é preciso que eu diminua e que Cristo cresça em mim. Dai-me Senhor um coração puro e humilde e assim como aquele cobrador de impostos clamou a ti eu também Te peço agora: TENDE PIEDADE DE MIM PORQUE SOU PECADOR e SALVA-ME, PAI AMADO. Que nessa quaresma eu consiga praticar gestos concretos de HUMILDADE e assim me elevar a Ti, Amém!” Deus abençoe vocês sempre!

NÃO SEJA HIPÓCRITA COMO OS FARISEUS NA ORAÇÃO

Fantástico este Evangelho de Lucas. Não tem como não apaixonar por Jesus. Ele é o verdadeiro Mestre na arte do falar e na arte de explicar para que nenhuma dúvida pairasse sobre o tema. Veja como Ele conta na parábola o jeito certo de pedir e seguir na contrição do caminho reto. Bem que poderia condenar o publicano pela sua prática, mas não O fez, até elogiou pela sua simplicidade na oração de pedido, contrariando o belo e maravilhoso pedido do fariseu que falava bonito e praticava de boca para fora os ensinamentos do Pai. O que Jesus ensina para aqueles que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros é a maneira de como redimir dos erros. Reconhecerem que não estão levando a sério as doutrinas sagradas e pedirem perdão pelos atos cometidos. Terem em si a consciência de que precisam mudar integralmente, não serem arrogantes, acreditarem que já estão salvo e fazer o que bem entender distante da casa de Deus. Olha que esta parábola choca muita pessoa desavisada. O necessário é ter o arrependimento de coração e ser humilde suficiente para pedir a intervenção divina. O cobrador de imposto em sua oração não pediu mais vida, mais amor e nem a salvação, ele pediu piedade pela sua fraqueza porque era um pecador. Reconheceu por si sua atitude de morte de cabeça baixa, no gesto de remissão, levou seu pedido ao Pai. Assim, sabia o cobrador de impostos que a sociedade em que vivia era uma sociedade injusta que maltratava os irmãos. Já os judeus que pela Lei judaica poderia orar em pé, agradeciam pelas conquistas e por tudo que possuíam, gabavam-se por viver na honradez de suas leis. Não enxergavam que suas práticas maltratavam muitos irmãos, eram soberbos. Estes voltaram para casa acreditando estar fazendo as coisas certas, pois preconizavam estar cometendo justiça. Mas na verdade quem voltou para casa em paz, segundo Jesus, foi o publicano. Este reconhece sua prática abusiva, mas buscou o perdão; enquanto os fariseus voltaram para casa na ganância de aumentar seus privilégios por estarem eleito a viver na eternidade. Portanto, devemos sempre voltar para o Senhor na humildade e reconhecermos que somos fracos, na intenção de um dia aprendermos a viver na justiça fraterna do Pai. Não imitarmos nem os fariseus e nem o publicano, mas sermos nós mesmos com nossos defeitos e nossas angústias. Que assim seja, Amém! Felicidades.

O FARISEU E O PUBLICANO

Dentro de cada um de nós existe um publicano e um fariseu. O “EU” publicano é humilde e reza direto, a toda hora, pois tem o hábito de falar com Deus a todo instante com humildade. Reza ao levantar, oferece o seu dia, pede proteção para si e pela família, entre outras coisas. Ao deitar, pede humildemente perdão por todas as suas faltas cometidas durante o dia que passou, ele agradece o seu dia, tudo que aconteceu de bom e inclusive as coisas adversas que ocorreram, pois sabe que nelas todas sempre está a mão de Deus. Reza na igreja, e quase em todo lugar. O eu publicano é aquele que levanta disposto aos domingos, e acorda toda a família para ir à missa. Ele ou ela, publicanos que são, humildes de coração contritos, dão bons exemplos sempre que possível, dão esmola e fazem sempre caridade. O publicano ideal, é aquele que participa de alguma pastoral de sua paróquia, sempre preocupado em levar O Evangelho de Jesus Cristo aos irmãos distantes. Pois ele sabe que se existem católicos mudando de religião, a causa principal é a falta de catequese. Catequese que deve começar em casa pelo exemplo dos pais. O “EU” fariseu: em alguns momentos do nosso dia, nos apresentamos, ou nos comportamos como fariseus. Olhamos para os demais, para aqueles que estão vivendo uma vida errada, de pecados, por exemplo, e pensamos. Eu vos agradeço Ó Pai porque eu não sou como ele! Obrigado porque eu dou esmola, rezo, participo da missa, da Eucaristia, e tudo mais que eu sou e faço, eu vos agradeço por isso. Constantemente temos a mania de nos comparar com as pessoas que nos cercam. Todos nós fazemos isso, o rico, o pobre, o jovem, a criança, o católico, o protestante, todos. Faz parte da psicologia pessoal de cada um, da nossa tendência ao progresso pessoal. Olhamos para o outro da nossa idade, e procuramos nele, as nossas qualidades. Se não as encontramos, achamos que aquela pessoa não é válida, não serve para ser nossa ou nosso amigo, e assim por diante, e tem uns pensam: esse não é do meu nível! Concluindo: Precisamos cultivar o publicano existente em nosso interior, alimentando sempre as nossas boas atitudes e qualidades. Ao mesmo tempo que temos de combater o fariseu que habita em nós, e que desfigura a nossa espiritualidade diante dos demais, principalmente quando estamos distante da área santa, da área da paróquia, distante do perímetro da Igreja. E satanás sabe dessa nossa fraqueza, e se aproveita dela para nos afastar de Deus. Portanto, todo cuidado é pouco. Eu vos agradeço, Ó Pai por ter me lembrado desses dois personagens existentes em mim! Muito obrigado. Dai-me forças para combater o fariseu, e coragem e dedicação para cultivar e reforçar as qualidades do publicano que existe dentro de mim. Para que assim eu possa fazer o mesmo com os meus irmãos. Elogiar e ressaltar os publicanos e tentar corrigir fraternalmente os fariseus. Primeiro em mim, depois neles. Obrigado.

O FARISEU E O PUBLICANO

Usemos o nosso imaginário: se nossas orações fossem e-mails enviados para Deus, as orações do tipo desse Fariseu não teriam a menor chance, ou voltariam por estar com a caixa de correio lotada, ou simplesmente seria deletada e iria parar na lixeira. Não é que Deus se chateie ouvindo tais orações, acontece que não há o que atender, simplesmente porque não há nenhum pedido, podem notar. E não se trata de uma bela oração de ação de graças como aparenta ser mais é uma oração arrogante e soberba, de quem se considera perfeito e melhor do que todos os outros homens. As vezes corremos o risco de fazer orações desse tipo, quando no comparamos aos outros: que não são casados na igreja, que não são batizados, que não frequentam a comunidade, que não ofertam o dízimo, que não receberam os sacramentos, ou quando exaltamos o nosso trabalho e achamos que, se cruzarmos os braços a comunidade ou a pastoral vai fechar as portas. Isso também é oração de arrogância! Não sei se o Publicano ia ao tempo orar, mas Jesus certamente conhecia muitos publicanos pois até jantava com eles, e via em alguns deles o desejo sincero de buscar a Deus, a partir do reconhecimento de que eram pecadores. Ficar no último lugar é sentir-se pequeno e sem valor, é não ter com o que ou com quem contar a não ser com a misericórdia de Deus. Esta deve ser a autêntica postura de um cristão em oração, e não precisa se perder a autoestima, basta apenas compreender e crer de coração, que sem Deus e a sua Graça Santificante e Operante, nada somos… Em nossa fraqueza somos fortalecidos pela Graça de Deus que nos socorre em sua misericórdia, porque simplesmente nos ama do jeito que somos…

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

O amor e a misericórdia fazem parte do dia a dia de todo cristão. Por isso, sempre é tempo de voltar para o Senhor. Mas esse passo exige muita humildade e renúncia à exaltação. “Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado”.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

Deus deseja, antes de tudo, o amor, e não tanto os sacrifícios. Não são as muitas palavras que nos levam a ele, mas sim um coração humilde e arrependido.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor! Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8)

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não esqueças nenhum dos seus benefícios: é ele quem te perdoa todas as ofensas (Sl 102,2s).

Antífona da comunhão

O publicano, de longe, batia no peito, dizendo: Deus, tende piedade de mim, pois sou pecador! (Lc 18,13)

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Ó Deus, alegrando-nos cada ano com a celebração da Quaresma, possamos participar com fervor dos sacramentos pascais e colher com alegria todos seus frutos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Lembrai-vos, Senhor.

— Da vossa Igreja e seus ministros.
— Dos religiosos e religiosas.
— Dos missionários sem fronteiras.
— Dos doentes e sofredores.
— Dos agentes da saúde.

Concluamos as preces com a oração da Campanha da Fraternidade:

Senhor Deus de amor, Pai de bondade, nós vos louvamos e agradecemos pelo dom da vida, pelo amor com que cuidais de toda a criação. Vosso Filho, Jesus Cristo, em sua misericórdia, assumiu a cruz dos enfermos e de todos os sofredores, sobre eles derramou a esperança de vida em plenitude. Enviai-nos, Senhor, o vosso Espírito. Guiai a vossa Igreja, para que ela, pela conversão, se faça sempre mais solidária às dores e enfermidades do povo e que a saúde se difunda sobre a terra. Amém.

Oração sobre as oferendas

Ó Deus, é por vossa graça que, de coração purificado, nos aproximamos dos santos mistérios. Concedei que vos rendamos o devido culto, para celebrar solenemente a liturgia pascal. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus de misericórdia, sustentados pela eucaristia, dai-nos celebrar dignamente vossos sacramentos e recebê-los sempre com fé. Por Cristo, nosso Senhor.

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