LDP: 20/MAR/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

20/Mar/2012 (3ª Feira)

LEITURAS

Ezequiel 47,1-9.12 (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Proféticos)

Naqueles dias, 1o anjo fez-me voltar até a entrada do Templo e eis que saía água da sua parte subterrânea na direção leste, porque o Templo estava voltado para o oriente; a água corria do lado direito do Templo, a sul do altar. 2Ele fez-me sair pela porta que dá para o norte, e fez-me dar uma volta por fora, até a porta que dá para o leste, onde eu vi a água jorrando do lado direito. 3Quando o homem saiu na direção leste, tendo uma corda de medir na mão, mediu quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me aos tornozelos. 4Mediu outros quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me aos joelhos. 5Mediu mais quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me à cintura. Mediu mais quinhentos metros, e era um rio que eu não podia atravessar. Porque as águas haviam crescido tanto, que se tornaram um rio impossível de atravessar, a não ser a nado. 6Ele me disse: “Viste, filho do homem?” Depois fez-me caminhar de volta pela margem do rio. 7Voltando, eu vi junto à margem muitas árvores, de um e de outro lado do rio. 8Então ele me disse: “Estas águas correm para a região oriental, descem para o vale do Jordão, desembocam nas águas salgadas do mar, e elas se tornarão saudáveis. 9Onde o rio chegar, todos os animais que ali se movem poderão viver. Haverá peixes em quantidade, pois ali desembocam as águas que trazem saúde; e haverá vida onde chegar o rio. 12Nas margens junto ao rio, de ambos os lados, crescerá toda espécie de árvores frutíferas; suas folhas não murcharão e seus frutos jamais se acabarão: cada mês darão novos frutos, pois as águas que banham as árvores saem do santuário. Seus frutos servirão de alimento e suas folhas serão remédio”.

Salmo 46(45),2-3.5-6.8-9 (R. 8) (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

8Conosco está o Senhor do Universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó.
— 2O Senhor para nós é refúgio e vigor, sempre pronto, mostrou-se um socorro na angústia; 3assim não tememos, se a terra estremece, se os montes desabam, caindo nos mares.
— 5Os braços de um rio vêm trazer alegria à Cidade de Deus, à morada do Altíssimo. 6Quem a pode abalar? Deus está no seu meio! Já bem antes da aurora, ele vem ajudá-la.
— 8Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó! 9Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus e a obra estupenda que fez no universo.

… (…)

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são João 5,1-16 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

1Houve uma festa dos judeus, e Jesus foi a Jerusalém. 2Existe em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. 3Muitos doentes ficavam ali deitados – cegos, coxos e paralíticos. 4De fato, um anjo descia, de vez em quando, e movimentava a água da piscina, e o primeiro doente que aí entrasse, depois do borbulhar da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. 5Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos. 6Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” 7O doente respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente”. 8Jesus disse: “Levanta-te, pega tua cama e anda”. 9No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou sua cama e começou a andar. Ora, esse dia era um sábado. 10Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: “É sábado! Não te é permitido carregar tua cama”. 11Ele respondeu-lhes: “Aquele que me curou disse: ‘Pega tua cama e anda’”. 12Então lhe perguntaram: “Quem é que te disse: ‘Pega tua cama e anda’?” 13O homem que tinha sido curado não sabia quem fora, pois Jesus se tinha afastado da multidão que se encontrava naquele lugar. 14Mais tarde, Jesus encontrou o homem no Templo e lhe disse: “Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior”. 15Então o homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. 16Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

Posso me perguntar tantas coisas. Hoje detenho-me só num aspecto: como é o meu Deus? Quem é Deus para mim? Ocasional ou de alguns momentos apenas. Ou é o Deus conosco, “todos os dias”, como garante o próprio Jesus? (Cf Mt 28,20). Nos foi dito: “Por assim dizer, Deus Pai sai de si, para nos chamar a participar de sua vida e de sua glória. Mediante Israel, povo que fez seu, Deus nos revela seu projeto de vida. Cada vez que Israel procurou e necessitou de seu Deus, sobretudo nas desgraças nacionais, teve uma singular experiência de comunhão com Ele, que o fazia partícipe de sua verdade, sua vida e sua santidade. Por isso, não demorou em testemunhar que seu Deus – diferentemente dos ídolos – é o “Deus vivo” (Dt 5,26) que o liberta dos opressores (cf. Ex 3,7-10), que perdoa incansavelmente (cf. Ec 34,6; Eclo 2,11) e que restitui a salvação perdida quando o povo, envolvido “nas redes da morte” (Sl 116,3), dirige-se a Ele suplicante (Cf. Is 38,16). Deste Deus – que é seu Pai – Jesus afirmará que “não é um Deus de mortos, mas de vivos” (Mc 12,27).” (DAp 129).

… a VERDADE …

Leio de forma pausada e atenta, na Bíblia, a Palavra em Jo 5,1-16. O texto apresenta o terceiro sinal de Jesus. O Evangelho de João fala de sete sinais. Vamos recordá-los: 1) Transformação da água em vinho (Jo 2, 1-12); 2) Cura do filho do funcionário real (Jo 4,46-54): paralelo em Lc 7,1-10 e Mt 8,5-13; 3) Cura de um paralítico (Jo 5,1-18): semelhança com Mc 2,1-12; 4) Multiplicação dos pães (Jo 6,1-15): paralelo em Mc 6,32-44; 5) Jesus caminha sobre as águas (Jo 6,16-21): paralelo em Mc 6,45-52 e Mt 14,22-33; 6) Cura de um cego (Jo 9,1-7): semelhança com Mc 8,22-26 e Mc 10,46-52; 7) Ressurreição de um morto (Jo 11,1-46): semelhança com Lc 7,11-17 e Mc 5,21-43. O texto de hoje, terceiro sinal, acontece durante uma festa dos judeus com a cura de um paralítico. O paralítico é símbolo do povo sem vida. O povo não está no templo, mas nos corredores, excluído da festa. Jesus está no meio do povo. Perto havia um tanque ou piscina com cinco entradas ou corredores que simbolizavam a Lei contida nos cinco primeiros livros da Bíblia (Pentateuco). No entanto, a Lei não produzia mais vida para o povo. Muitos doentes estavam ali, deitados, sem vida. O paralítico que Jesus vai curar é símbolo de todo povo paralisado pela falta de vida. O paralítico diz a Jesus: “não tenho ninguém”, ou seja, falta solidariedade. As águas da piscina que se agitam simbolizam as falsasesperanças. Passam a imagem de um falso Deus, como se ele se lembrasse de vez em quando do povo. Esse não é o Deus de Jesus, nem a sua prática de vida. Deus é fiel sempre.

… e a VIDA …

Pai, aproxima-me de Jesus, de quem jorra a fonte da vida, para que eu possa ser curado de todas as doenças e enfermidades que me afastam de ti.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Nos momentos bons e também nos mais complicados terei a certeza do salmista: Deus está aqui. O Senhor dirige a minha vida! Meu futuro está nas suas mãos. (Sl 16,5).

REFLEXÕES:

1 – JESUS LIBERTA, RECUPERANDO A DIGNIDADE HUMANA

Nesta narrativa do evangelho de João destacam-se o seu simbolismo e os detalhes do diálogo. A Porta das Ovelhas era o acesso dos comerciantes estrangeiros a Jerusalém. A cura pelas águas da piscina era uma crença pagã. Jesus se dedica àquela multidão de doentes, cegos, coxos e paralíticos que ali estavam e eram excluídos do judaísmo. Não participavam da festa da Páscoa, que estava sendo celebrada. Buscavam socorro para suas doenças em uma devoção pagã. Jesus revela que ele próprio é a resposta tanto para as crenças do judaísmo como para as crenças pagãs. Ele liberta as pessoas restaurando-lhes a capacidade de ver e agir, recuperando sua dignidade e vida. Isto perturba os poderosos.

2 – JESUS FAZ ANDAR

Muitas vezes, as pessoas que sofrem diferentes formas de males possuem uma fé muito grande no poder de Deus, mas de algumas formas são impedidas de chegar até ele e receber as suas graças, condição indispensável para a superação de seus males e sofrimentos. É o caso do paralítico, que acreditava no poder de Deus e na cura que viria pela ação do anjo ao agitar a água, mas era impedido pelos outros que entravam primeiro na piscina. Assim também acontece hoje quando criamos uma série de regras e preceitos humanos que dificultam a participação de muitos na vida divina e um relacionamento pessoal com ele, que é a fonte de todas as graças que nos dão vida em abundância.

3 – COLABORANDO COM O PRÓXIMO

A presença de Jesus era aquilo que faltava para que o paralítico obtivesse a cura desejada. O imenso desejo de ser curado levou-o, durante 38 longos anos, à piscina de Betesda, cujas águas, ao pôr-se em movimento, restituíam a saúde ao primeiro que nelas entrasse. No entanto, por ser paralítico, aquele homem não tinha agilidade suficiente para antecipar-se aos demais doentes. Resultado: permanecia ali, curtindo sua esperança de cura, enquanto outros eram miraculados. A chegada de Jesus abriu-lhe a inesperada perspectiva de ser curado, sem necessidade do contato com as águas revoltas. E o milagre aconteceu. A seguir, obedecendo à ordem de Jesus, ele pegou a cama na qual jazia, e pôs-se a caminhar, sem dificuldade. Este fato evangélico ajuda-nos a descobrir um sentido novo, na paixão de Jesus. Tal qual este doente de Jerusalém, toda a humanidade encontrava-se como que paralisada por causa do pecado, ansiando, ardentemente, pela libertação. Por si mesmas, as pessoas não conseguiriam atingir este objetivo. Necessitaram, pois, da ajuda de Jesus, cuja vida consistiu em colaborar para que todos nós pudéssemos superar a paralisia do pecado, e caminhar livremente para Deus. Em última análise, todos somos como o paralítico. Só Jesus, por sua morte e ressurreição, pode propiciar-nos a libertação.

4 – SENHOR, NÃO TENHO QUEM ME AJUDE!

Segundo São João, por cinco vezes Jesus foi para Jerusalém por ocasião da grande festa do Templo. Enquanto para alguns a ida a Jerusalém é motivada pela participação nos ritos judaicos – para comer e beber -, para Jesus o motivo é outro. É o anúncio do Seu projeto. O Senhor quer lançar “mãos à obra” em relação à vontade de Deus, Seu Pai. Quer dar a conhecer a todo o mundo que está chegando a hora em que o príncipe deste mundo será derrotado. Novos céus e a nova terra estão para chegar e os verdadeiros adoradores já não dependerão das paredes do Templo de Jerusalém, tão pouco das sinagogas. Eles hão de adorar o Pai “em espírito e verdade”. Numa dessas idas e vindas ao Templo – precisamente na Porta das Ovelhas, lugar no qual costumavam estar os pagãos, negociadores, cambistas e outros -, Jesus se dá conta da enfermidade que infernizava a vida de um homem. Curando um paralítico ali presente, Ele revela ser fonte de amor e vida para todos. Em contrapartida, os judeus promotores da festa religiosa perseguem Jesus por Sua prática misericordiosa e restauradora. Muitas vezes, as pessoas que sofrem diferentes formas de mal possuem uma fé muito grande no poder de Deus, mas, de alguma forma, são impedidas de chegar até Ele e receber as Suas graças, condição indispensável para a superação de seus males e sofrimentos. É o caso do paralítico que acreditava no poder de Deus e na cura que viria pela ação do anjo ao agitar a água, mas era impedido pelos outros que entravam primeiro na piscina. Assim também acontece hoje, quando criamos uma série de regras e preceitos humanos que dificultam a participação de muitos na vida divina e num relacionamento pessoal com Jesus, fonte de todas as graças que nos dão vida em abundância. Apresente-se também a Jesus e diga para Ele: “Senhor, não tenho quem me ajude! Enquanto eu vou, outros descem antes de mim.” E Ele, que tudo pode, dirá a você: “Levante-se! Pegue a sua maca e vá para a casa, pois sua fé o salvou”.

5 – QUERES FICAR SÃO?: A QUARESMA CONDUZ OS CATECÚMENOS ÀS ÁGUAS DO BATISMO

Caríssimos irmãos, o número quarenta possui um valor simbólico, ligado ao mistério da nossa salvação. Com efeito, assim que a maldade dos homens invadiu, nos primeiros tempos, a superfície da terra, Deus fez cair do céu a chuva durante quarenta dias e inundou a terra inteira com as águas do dilúvio (Gn 7). A partir dessa altura, estava lançada simbolicamente a história da nossa salvação: as águas da chuva caíram durante quarenta dias para purificar o mundo. Agora, durante os quarenta dias da Quaresma, é oferecida aos homens a misericórdia, para que se purifiquem […] Assim, o dilúvio é figura do baptismo; o que então se verificou ainda hoje se cumpre […] e, quando o pecado do mundo desapareceu no fundo do abismo, a santidade pôde elevar-se até ao céu. Assim ainda hoje acontece na Igreja de Cristo: […] levada pelas águas do baptismo, também ela se ergue até ao céu; são submersas as superstições e as idolatrias e sobre a terra se espalha a fé, resplandecente como a arca do Salvador. […] É verdade que somos pecadores e que o mundo será um dia destruído; só escaparão à ruína aqueles que a arca albergar no seu interior. Esta arca é a Igreja […] e nós vo-lo anunciamos: o mundo não escapará ao naufrágio. Por isso vos exortamos, irmãos, a todos vós, a que tomeis refúgio nesse santuário.

6 – JESUS O VIU E, PERGUNTOU-LHE: QUERES FICAR CURADO?

Hoje, São João nos fala da cena da piscina de Betsaida. Parecia, mais uma sala de espera de um hospital: “Muitos doentes ficavam aí deitados: eram cegos, coxos e paralíticos, esperando que a água se movesse” (Jo 5,3). Jesus se deixou cair por ali. É curioso! Jesus sempre está no meio dos problemas. Ali onde há algo para “libertar”, para fazer feliz às pessoas, ali está Ele. Os fariseus, ao contrário, só pensavam em se era sábado. Sua má fé matava o espírito. A má baba do pecado gotejava de seus olhos. No há pior surdo que o que aquele não quer entender. O protagonista do milagre levava trinta e oito anos de invalidez. “Jesus viu o homem deitado e ficou sabendo que estava doente havia muito tempo”. Então lhe perguntou: “Você quer ficar curado?” (Jo 5,6), disse-lhe Jesus. Fazia tempo que lutava em vão porque não havia encontrado a Jesus. Finalmente, havia encontrado ao Homem. Os cinco pórticos da piscina de Betsaida retumbaram quando se ouviu a voz do Mestre: “Jesus disse: ‘Levante-se, pegue sua cama e ande’” (Jo 5,8). Foi questão de um instante. A voz de Cristo é a voz de Deus. Tudo era novo naquele velho paralítico, gastado pelo desânimo. Mais tarde, São João Crisóstomo dirá que na piscina de Betsaida se curavam os enfermos do corpo, e no Batismo se restabeleciam os da alma; lá, era de quando em quando e para um só enfermo. No Batismo é sempre e para todos. Em ambos os casos se manifesta o poder de Deus através da água. O paralítico impotente na beira da água, não te faz pensar na experiência da própria impotência para fazer o bem? Como pretendemos resolver, sozinhos, aquilo que tem um alcance sobrenatural? Não vês cada dia, ao teu redor, uma constelação de paralíticos que se “movem” muito, mas que são incapazes de separar-se de sua falta de liberdade? O pecado paralisa, envelhece, mata. Devemos pôr os olhos em Jesus. É necessário que Ele – sua graça – nos submerja nas águas da oração, da confissão, da abertura de espírito. Eu e você podemos ser paralíticos eternos, ou portadores e instrumentos de luz.

7 – JESUS SE APROXIMA, E ORDENA: “LEVANTA-TE, PEGA NA TUA CAMA E ANDA!”

O homem do Evangelho de hoje, esperava por ajuda há trinta e oito anos e continuava na mesma. Jesus veio sacudi-lo e questionar a sua inércia. Às vezes, nós nem sabemos se queremos o que esperamos acontecer na nossa vida. Na maior parte do tempo nós vivemos “deitados” nos nossos problemas e dificuldades, acomodados e inertes, somente vendo a banda passar e as coisas “boas” acontecerem com os outros. Jesus também nos interpela: “Queres ficar curado?” Podemos não ser paralíticos , coxos ou cegos , fisicamente, mas podemos estar deitados , esperando que alguém venha levar-nos para mais perto da piscina do Espírito Santo. “Não tenho ninguém que me leve”, esta é a desculpa de muitos de nós que ficamos esperando o socorro de alguém que nunca chega. Jesus se aproxima, e ordena: “Levanta-te, pega na tua cama e anda!” Pegar na cama é fazer a nossa parte, não ficar parado, somente esperando e pondo a culpa nas outras pessoas achando que vida boa é sempre a dos outros. Nós murmuramos, nós reclamamos, nos maldizemos e, quando vem um anjo nos alertar e mexer na água do nosso coração, nós nem notamos e continuamos na mesmice. Não percebemos a hora da graça. Jesus, porém, aproxima-se de nós, nos alerta e nos questiona para que demos o passo decisivo. Ao homem que ficou curado Jesus recomendou: “Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior” O pecado nos paralisa e nos deixa presos a nós mesmos . Precisamos, pois, dar o passo para o arrependimento e para isso, não precisamos da ajuda de ninguém, só de boa vontade. Reflita: Há quanto tempo você está parado perto da piscina da graça do Espírito Santo? Por quem você está esperando para aproximar-se do banquete que Jesus quer oferecer-lhe? Por que você não se levanta pega a sua cama (sua vida) e segue a Jesus? Você se sente como um cego, um coxo ou um paralítico? Amém! Abraço carinhoso.

8 – CURA NO SÁBADO?

Bom dia! Será que ainda acreditamos que o problema era ter curado no sábado? Será que o problema era carregar a cama no dia de descanso? Quem acompanha nossos comentários e partilhas diárias há mais tempo sabe que o foco principal da mensagem esta naquele (a) que esta engajado (a) em algum movimento ou pastoral dentro da igreja, mas de certa forma, pelo evangelho ser sempre novo e atual, acaba acertando em cheio muitas das nossas realidades do dia-a-dia como nas relações de trabalho, familiares, interpessoais. O paralitico tinha um objetivo – curar-se! Para que seu objetivo se concretizasse precisava estar no lugar certo e na hora certa e deixar acontecer. Consegue perceber a situação: acordar cedo, em virtude das limitações físicas e talvez da distância a ser percorrida, fazer força, carregar seu leito e como não ter na mente a ideia do fracasso ao final de um dia. O paralítico parece “conformado”; não reclamava dos outros chegarem a sua frente, ele apenas gostaria de chegar a tempo. Quantos talvez disseram: Desista! Você não vai conseguir! Mas na coragem de continuar, Deus se manifesta. “(…) E Deus, que vê o que está dentro do coração, sabe qual é o pensamento do Espírito. Porque o Espírito pede em favor do povo de Deus e pede de acordo com a vontade de Deus. Pois sabemos que TODAS AS COISAS TRABALHAM JUNTAS PARA O BEM DAQUELES QUE AMAM A DEUS, daqueles a quem ele chamou de acordo com o seu plano. Porque aqueles que já tinham sido escolhidos por Deus ele também separou a fim de se tornarem parecidos com o seu Filho. Ele fez isso para que o Filho fosse o primeiro entre muitos irmãos”. (Romanos 8, 27-29). Notem que nenhum dos fariseus críticos se moveu de compaixão pelo sofrimento do paralítico. Não podemos ser mais assim! Procuravam também repreendê-lo até mesmo no momento de maior alegria. Quantos de nós que vivendo um grande momento de euforia ou felicidade também recebemos críticas, comentários maldosos ou invejosos? Retorno a pergunta inicial: Será que ainda acreditamos que o problema era ter curado no sábado? Será que o problema era carregar a cama no dia de descanso? Se você é uma liderança, um coordenador ou simplesmente uma pessoas cheia de entusiasmo e movido por um Espírito Santo que não sossega, irrequieto, empreendedor, (…), continue! Vá em frente, não desanime! Um amigo padre, narra um fato engraçado da seguinte forma: “Se o padre da atenção aos jovens o chamam de pedófilo; se por ventura dá atenção as senhoras, ele já esta querendo algo; se dá atenção a um rapaz que tem uma dúvida, é homossexual; se essa atenção é para uma moça, é amante secreta” (risos). Não pare de trabalhar! Não tem como fugir! Sempre terá um fariseu te olhando! Coloque uma coisa na sua cabeça: Se você esta no caminho, abraça uma causa, um projeto… “(…) Se este plano ou este trabalho vem de seres humanos, ele desaparecerá. Mas, se vem de Deus, vocês não poderão destruí-lo, pois neste caso estariam lutando contra Deus…”. (Atos 5, 38-39). Escrevi esse texto ano passado, mas ainda é muito pertinente e propício para hoje. Um imenso abraço fraterno!

9 – JERUSALÉM EM FESTA E O POVO MORRENDO

No Evangelho de hoje Jesus cura um doente acamado no sábado, contrariando as leis judaicas de guardar este dia como sinal de respeito e da vivência da graça no Senhor. Porém, como ninguém sensibilizava com o acamado em levá-lo no movimento da água na piscina para receber a glória da cura, continuava abandonado na esperança da libertação do mal. Esta foi à cena que Jesus presenciou ao chegar a Jerusalém: pessoas em volta da piscina milagrosa como os cegos, paralíticos e coxos na certeza de serem revitalizadas e uma festa dos judeus, na qual selavam pactos com os religiosos para explorar o povo já excluído. A festa judaica que deveria celebrar a libertação da escravidão do antigo Egito continuava a celebrar a ignorância e a alvitres de um pequeno grupo. Este, por sua vez, reunia para vangloriar suas conquistas em detrimento da opressão dos pobres. Jesus não participa da festa dos “escolhidos”, mas participa da festa dos pobres. Ele sensibiliza com a dura realidade dos abandonados, enquanto os abutres se deleitavam nas luxúrias. Com pode um homem permanecer doente trinta e oito anos (uma geração) e não encontrar nenhuma alma sensível para ajudá-lo? Como pode engrandecer ao Senhor pelas dádivas recebidas enquanto milhares de homens rastejavam para encontrar a dignidade? Claro que Jesus ficava incomodado com a situação em voga. Este povo deveria encontrar um caminho que levasse para o entendimento e não para a separação ou para a discriminação. Na verdade o evangelista João quer nos mostrar que o homem acamado simboliza o povo sem vida em Jerusalém. São pessoas que querem viver, querem encontrar fraternidade, mas não são bem vindos na cidade dos perversos e dos doutores exploradores. Estes marginalizados deveriam continuar aos pés dos senhores e com poucos favores levar a vida até quando Deus tiver piedade para levá-los aos céus. São, portanto, todos os povos que foram cegados, mutilados e paralisados pelo ensinamento da Lei, criando, assim, uma dicotomia entre o povo que no passado havia sobrevivido dura vida e um povo que clama por justiça e vida. Na verdade eram pessoas sendo espoliadas e mortas em nome de Deus. Imagina a grande injustiça que o homem poderoso estava cometendo. Diante de Jesus está a perversidade grotesca de alguns homens. Para não matar de vez o povo que já se encontrava sem vida e sem esperança, criava falsas ilusões de que no borbulhar das águas a cura poderia acontecer. Esta não é a religião que Jesus sempre mostrou na sua prática. Jesus foi bom, amoroso e piedoso com todos, não enganava ninguém, aliás, Jesus alertava ao perigo que porventura poderia acometer-se. Jesus foi um grande amigo de verdade. Jesus é a água viva que nasce para jorrar nos canteiros ressequidos na intenção de fazer germinar as sementes e produzir bons frutos. A água parada da piscina não alimenta a vivacidade da fé do povo, aquela água enganava e matava quem dela precisasse. Por isso a religião deveria ser um grande manancial de água pura e viva, que abrisse as portas para acolher todos sem distinção de credo, raça ou cultura. Contudo, deveríamos procurar a cura das nossas doenças na palavra de Jesus. Temos cegueiras que impedem nosso olhar para o altar de Deus e nele busquemos soluções para os problemas do cotidiano, porém, não poderemos errar ao procurar a água viva de Jesus, pois se têm por ai muitos falsos profetas aproveitando das doenças do povo para explorá-lo. O que poderemos fazer é acreditar na Santa Palavra da libertação e apegar com muita fé na vivacidade do amor de Jesus. Façamos a escolha certa. Amém! Buscai água viva.

10 – REFLETIR SOBRE NOSSO TRISTE MUNDO

Caríssimos irmãos e irmãs: Lemos estas belíssimas leituras que vão nos ajudar a refletir sobre nosso triste mundo: até os cegos sabem que espessas sombras pairam sobre nosso pobre mundo: injustiças, mentiras, violências, pecado, morte, agressão ao ambiente, etc. Mas Deus não abandona seus filhos. Ele mandou o próprio Filho Unigênito para salvar-nos porque sua misericórdia é eterna! Sua Palavra não passa e suas promessas Ele cumpre! O amor e a misericórdia de Deus são como a água benfazeja do Santuário que daí escorrendo como um caudaloso rio levava vida por onde passava. O evangelho de S. João conta-nos a cura desse homem doente (paralítico), no dia de sábado, quando a lei dos judeus não permitia isso, segundo eles interpretavam. E por isso ficaram furiosos com Jesus, pois eram escravos do próprio legalismo! Contemplando as misérias de hoje, peçamos a Jesus que cure também nossa inércia, nosso comodismo, a frieza de muitos… a fim de que sejamos geradores de vida no mundo. Todos aqueles que estão doentes e sofrem poderão alegrar-se porque Deus volveu o seu olhar para todos eles, na pessoa de Jesus Cristo. Com o salmista rezemos: “Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó! Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus e a obra estupenda que fez no universo” (Salmo 45).

11 – QUERES FICAR CURADO?

Estamos nos preparando para vivermos de maneira intensa, livre e amorosa o momento mais importante do ano litúrgico e da história da salvação: A PÁSCOA DO SENHOR JESUS! Não podemos passar por este tempo de qualquer jeito! Este tempo nos convida a viver melhor, a sermos mais santos, mais atentos aos clamores dos irmãos e mais abertosa graça de Deus! Para vivermos intensamente este tempo especial, precisamos abrir o nosso coração e no espírito de fé, vivenciarmos a grandiosidade do amor do Pai que nos ofereceu o próprio Filho, para pagar com a vida o nosso resgate! Jesus, é a fonte inesgotável de vida, estar com Ele, é viver a totalidade do amor! O evangelho de hoje nos apresenta o terceiro sinal de Jesus, durante a festa dos Judeus: a cura de um paralítico. Perto do templo, havia uma piscina rodeada por cinco entradas, onde muitos doentes ficavam deitados: coxos paralíticos, cegos… Este povo excluído se encontrava nos corredores, ou seja, às margens, ficavam esperando o dia em que um anjo viesse para movimentar a água da piscina, para ser realizado o milagre da cura. Jesus, nos deixa transparecer, mais uma vez, a imensidão do seu amor e da sua misericórdia diante dos sofredores! Ele permanece do lado de fora do templo, no meio daquele povo, sem vez e sem “vida”. Dirigindo-se a um paralítico, que estava ali há 38 anos, (significa uma vida inteira) a espera do milagre, Jesus pergunta-o: “Queres ficar curado?” o doente respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente’. Jesus disse: ‘Levanta-te, pega na tua cama e anda”.No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou na sua cama e começou a andar. Podemos pensar: se Jesus já sabia que o paralítico estava ali há tantos anos, a espera do milagre, porque lhe fazer esta pergunta: queres ficar curado? Ao que parece, na verdade, com essa pergunta, Jesus não tinha somente a intenção de fazê-lo andar fisicamente, mas também despertá-lo para a “vida”, é como se Ele quisesse dizer: acorde, não fique preso a essa deficiência física, a espera de um milagre! Hoje, Jesus pode também nos fazer perguntas semelhantes: o que queres? O que esperas? Não podemos ficar paralisados, presos ao passado, muitas vezes, nós nem sabemos o que queremos, ou melhor, sabemos que queremos tudo que é mais cômodo, com isso deixamos de fazer experiências novas de “vida”! Precisamos deixar de nos esconder atrás de pequenas “deficiências físicas” para justificar o nosso comodismo. O paralítico curado por Jesus simboliza todo povo paralisado pela falta de “vida” e o texto nos chama a atenção também, para nossa falta de solidariedade. Ainda não aprendemos a enxergar o outro com olhar de Jesus! E as águas que borbulham de vez em quando na piscina, simbolizam a imagem de um falso Deus, que lembra somente de vez em quando do seu povo. O nosso Deus é um Deus verdadeiro, um Deus presente, que nos ama, que nunca nos abandona! Nós, é que muitas vezes, somos filhos ingratos, não correspondendo ao seu amor, principalmente quando somos indiferentes ao sofrimento dos nossos irmãos! Não podemos esquecer nunca, que para ajudar alguém, não tem hora, nem dia, a ajuda deve ser no momento exato da necessidade. Às vezes, tornamos “cegos”, “paralíticos” devido ao nosso vazio espiritual, e Jesus veio nos libertar de tudo isso. Ele nos mostra a imensidão do Seu amor e de Sua misericórdia diante do povo que sofre, e nos desperta a fazer o mesmo! Atrás de uma doença física, pode estar escondida uma ferida na alma! FIQUE NA PAZ DE JESUS!

12 – A CURA DO PARALÍTICO DA PISCINA BORBULHANTE

“Você quer ficar curado?” Ele respondeu: Senhor, eu não tenho ninguém para me pôr no tanque quando a água se mexe. Cada vez que eu tento entrar, outro doente entra antes de mim. Então Jesus disse: “Levante-se, pegue a sua cama e ande!” No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou a cama e começou a andar. Senhor, eu não tenho ninguém para me pôr no tanque quando a água se mexe. Isso acontece hoje aos idosos, sem filhos que cuide deles, idosos desprezados, abandonados, pelos jovens, idosos aposentados e que são explorados pelos espertos parentes e amigos, que sobre o pretexto de cuidarem deles, estão é di olho no seu dinheirinho da aposentadoria, ou na sua propriedade. Ela era uma mulher aparentemente bondosa. Empregada de uma família cuja esposa morreu de câncer, passou cuidar daquele senhor idoso, com problemas de locomoção. Tinha as duas pernas entrevadas e sem cura. Ela cuidou do velho até o último instante. Ele, em vez de deixar a herança para os filhos, deixou tudo para ela. Os filhos revoltados com a decisão do pai, começarama colocar defeito na empregada, acusando-a de oportunista, de matadora de velho, de promíscua, e de outras coisas mais. Outro caso: eram três senhoras idosas, com uma pequena propriedade, e todas recebiam o salário da previdência. Alguns familiares se aproveitavam daquela situação para ganhar dinheiro. É isso mesmo. Para ganhar dinheiro. Ganharam de presente das idosas solteironas a propriedade, compravam carros, motos e construíam casas com o dinheiro das velhas, entre outras coisas mais. Isso porque elas não tendo ninguém para cuidar delas, pagavam os parentes para que fizessem isso. Outra parábola: Aquele jovem trabalhador sem mão e sem pai, passoua trabalhar pelo prato de comida para aquela família rica. Foi muito bem acolhido, não por caridade necessariamente, mas pela sua garra, pela sua vontade de vencer, por ser muito trabalhador, pela sua honestidade, etc. Morre o chefe da casa. Os filhos casaram e passaram a morar em outra cidade muito distante. A esposa do patrão, que gostava muito daquele criado, passou a coabitar com ele, pelo fato de estar muito carente sem ninguém que cuidasse dela. O empregado que aquela altura já não era mais tão jovem adaptou-se àquela nova situação, se peso na consciência, pois se tratava de uma caridade, como dizia aos seus amigos. Hoje, esse homem criado na casa grande, em vez da senzala, é um homem rico, mais acreditado dos os próprios filhos do fazendeiro, e odiado pelos filhos do patrão, que o chama de esperto e oportunista. Não vamos aqui julgar nenhum desses personagens, deixamos essa tarefa par o caro leitor. Porém, a bem da verdade, sabemos que existem muitos idosos que semelhantes àquele homem que não tinha ninguém que ajudasse a entra na piscina borbulhante, e que são explorados por oportunistas, não necessariamente por caridade, mais para se aproveitar dos seus recursos financeiros. Você já sabia disso? Você já pensou nisso? Você conhece algum caso parecido com isso?

13 – NO MESMO INSTANTE, O HOMEM FICOU CURADO

Deus nos enriqueceu com mil recursos, e nos assiste vinte e quatro horas por dia. Com ele não existe barreira sem brecha, problema sem solução. Este Evangelho narra a cura, feita por Jesus, de um homem doente que estava ao lado da piscina de Betesda, havia trinta e oito anos. Ali perto, em Epidauro, havia um santuário pagão, dedicado ao deus da saúde Esculápio, que influenciava na esperança daqueles doentes que ali ficavam ao lado da piscina, esperando a cura, que nunca vinha. Esse homem curado por Jesus é um símbolo das pessoas enganadas pela sociedade consumista e alienadora. Jesus vai até o doente, cura-o e manda que ele mesmo carregue a sua cama. A diferença entre Jesus e os donos da piscina é que eles prometiam para o futuro, Jesus liberta agora. Para eles, a pessoa não podia libertar-se sozinha, Jesus manda que o curado se liberte com as próprias forças, carregando a sua cama. Mas, no caminho, outro problema: os judeus queriam impedi-lo de carregar a própria cama, por ser sábado. Intimidam-no. Duas pessoas foram ao encontro daquele doente: Jesus, que o liberta, e o judeu, que quer impedir essa libertação. Jesus se preocupava com a vida das pessoas. Para ele, o importante é defender e promover a vida, mesmo que para isso seja necessário desobedecer a alguma lei ou autoridade. Os judeus, ao contrário, estavam preocupados com as leis, pouco se interessando pela vida humana. Na sociedade atual, acontece algo parecido: todos querem ter um “lugar ao sol”. Mas é difícil, porque cada vez que um levanta a cabeça, vêm as pauladas, tentando afundá-lo novamente, a fim de que não concorra a este “lugar ao sol”. Na hora da eleição, sempre surgem novas artimanhas, a fim de enganar o povo. Uma das grandes armas que os opressores usam para alienar o povo é o paternalismo. O paternalista não promove o necessitado, pelo contrário, ele se projeta às custas do necessitado, que continua cada vez mais necessitado. Os mantenedores da piscina de Betesda eram paternalistas. O pobre tem a tendência de destacar as próprias limitações e incapacidades, e de exaltar as qualidades do “pai” que o ajuda. O pobre faz isso a fim de ganhar mais favores do “pai”. Ele diz: “Nós somos fracos, ele (o paternalista) é forte, é quase um “deus” para nós”. Isso impede a libertação dos dependentes, pois esta libertação consiste justamente no contrário: destacar as próprias forças, competências e virtudes. O assistencialismo é a ferramenta que o paternalista usa para se projetar diante dos pobres. O assistencialismo amarra as mãos dos “assistidos”. Não confunda com a assistência prestada pelas obras assistenciais. Esta une as duas coisas: a ajuda e a promoção. Muitas vezes, antes de ensinar a pescar, temos de dar um pouco de peixe. “Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente. Jesus disse: Levanta-te, pega a tua cama e anda.” Apareceu alguém que tomou sobre si as dores daquele doente, e o libertou. Custou caro, pois o gesto, unidos com outros semelhantes, lhe trouxe a morte. “Em tudo vos mostrei que, trabalhando desse modo, se deve ajudar aos mais fracos, recordando as palavras do Senhor Jesus que disse: há mais felicidade em dar do que em receber” (At 20,35). Na Missa, a consagração do pão e do vinho separados, tornando-se o corpo e o sangue de Cristo, nos lembra a sua morte. Morreu para que tenhamos vida, e para que, como seus continuadores, nos empenhemos na libertação de todas as alienações. Agora, na quaresma, Cristo nos faz a mesma pergunta que fez ao homem doente: “Queres ficar são? Queres curar-te do teu pecado e comodismo? Queres deixar a tua maca de inválido e começar a caminhar com as próprias pernas, sem ir na onda da mídia? Queres mergulhar na piscina da Água Viva, matando a tua sede de felicidade e de libertação total? A turma do “deixa disso” vai aparecer, pois viviam às custas da tua invalidez, mas não lhes dês ouvidos, pois o que te espera é a filiação divina e a fraternidade eclesial”. Certa vez, um alpinista estava escalando uma montanha e se perdeu. Amarrou-se bem em sua corda de segurança e começou a subir e descer pedras. Mas a noite chegou, uma noite totalmente escura, sem lua nem estrelas, e ele não encontrou o caminho. Numa hora, coitado, escorregou-se e caiu vários metros, ficando dependurado na corda e balançando no ar. Uma voz interior lhe dizia: “Pula! Solte-se dessa corda!” Mas ele teve medo e continuou ali, dependurado na corda, balançando pra lá e pra cá. No outro dia, os bombeiros o encontraram morto e congelado pelo intenso frio, suspenso na corda, a apenas dois metros do chão! Faltou-lhe uma oração e uma reflexão com calma a procura de saídas, por exemplo, jogar um objeto para ouvir o barulho e medir a distância. Deus nos enriqueceu com mil recursos, e nos assiste vinte e quatro horas por dia. Com ele não existe barreira sem brecha, problema sem solução. Quando estiver em situação parecida, não vamos agarrar-nos mais ainda na nossa corda, nas nossas limitadas seguranças, mas jogar-nos na total e ilimitada segurança que é Deus. Você continua ainda segurando firme na sua corda? Que pena! Maria Santíssima foi escolhida como Mãe do Messias. Esta era a maior dignidade de uma mulher judia, na sua época. Mesmo assim, ela se considerava serva. Santa Maria, rogai por nós! No mesmo instante, o homem ficou curado.

14 – MERGULHANDO NAS ÁGUAS BORBULHANTES…

Imaginem a cena nos pórticos em redor da piscina de Betesda, tomada de cegos, coxos e paralíticos, quando é dada a largada começa a correria e o esforço dos coitados dos deficientes em conseguir chegar e se jogar na piscina, e pelo que entendi, só um por vez era curado. Havia aqueles que tinham sorte e traziam seus acompanhantes que os guiavam ou o carregavam até a piscina, mesmo assim, era uma verdadeira disputa para ver quem chegava primeiro. O problema não era a cura em si, mas superar os demais e chegar á frente de todos… Nosso pobre paralítico nem isso tem. Ele fica em seu lugarzinho e quando é dada a largada o coitado até tenta, mas inutilmente, sempre alguém, melhor das pernas passa á sua frente. Há 38 anos ele sonha com uma cura física mais pelo jeito iria morrer paralítico se Jesus não aparecesse por ali. A pergunta de Jesus parece bem óbvia “Queres ficar curado?”. Se o cara estivesse estressado, iria responder de maneira indelicada “Não, só estou aqui me bronzeando um pouco”. Mas prestemos atenção nessa pergunta, Jesus não perguntou se ele queria chegar á piscina, mas se queria ser curado, o que é diferente… Mas o paralítico entendeu dessa forma, isso é, a cura era o de menos, a dificuldade era chegar na piscina, sua resposta assim o demonstra “Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada, enquanto vou, já outro desceu antes de mim “Trata-se de alguém que só enxerga na ótica do sistema, nada vê e nem experimenta fora de sua religião, o que fazia dele um paralítico, não penso, Deus pensa por mim, não preciso fazer nada, Deus fará por mim, nem tenho vontade própria. Poderão argumentar que a resposta está correta e o paralítico expõe sua necessidade, precisa de alguém que o carregue até o tanque. Talvez Jesus esteja ali, se oferecendo para fazê-lo. Entretanto, Jesus supera tudo quanto a religião possa oferecer, ele não precisa de nenhum método de cura, fórmula mágica ou rito misterioso, simplesmente vai dizer ao paralítico “Levanta-te, toma o teu leito e anda”. A cura que as águas borbulhantes propiciavam, provém de Deus, ora, a presença de Jesus dispensava portanto qualquer rito. A reflexão leva nossas comunidades cristãs a pensar, que é muito grande o perigo de super-valorizarmos o rito e o formalismo religioso, tornando secundária a ação da Graça de Deus, que está em tudo e em todos como algo essencial. Qual o perigo desse modo de pensar? Nós atermos á cura física que é o caso desse homem ex-paralítico. Jesus o encontrou no templo e o exortou a uma conversão profunda e sincera, que iria lhe trazer muito mais do que a simples cura. “Não tornes a pecar”. Mas qual pecado? Podemos nos perguntar… Exatamente o pecado de deixar passar desapercebido em nossa relação com Deus, aquilo que é o essencial, transformando a religião em uma barganha para atender aos nossos interesses, menosprezando assim a verdadeira e única água borbulhante, a Fonte de água Viva que é Jesus Cristo.

15 – JESUS CUROU

Muitas vezes, as pessoas que sofrem diferentes formas de males possuem uma fé muito grande no poder de Deus, mas de algumas formas são impedidas de chegar até ele e receber as suas graças, condição indispensável para a superação de seus males e sofrimentos. É o caso do paralítico, que acreditava no poder de Deus e na cura que viria pela ação do anjo ao agitar a água, mas era impedido pelos outros que entravam primeiro na piscina. Assim também acontece hoje quando criamos uma série de regras e preceitos humanos que dificultam a participação de muitos na vida divina e um relacionamento pessoal com ele, que é a fonte de todas as graças que nos dão vida em abundância.

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Símbolo do nosso batismo, a água, além de saciar a sede e refrescar o corpo, pode curar e salvar. Na Bíblia, é vista como sinal de bênção e vida. Valorizemos e respeitemos esse dom precioso de Deus.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

A água é símbolo de vida e não pode faltar a nenhum ser vivo. Assim, os templos e as religiões deveriam ser mananciais de vida e esperança para seus fiéis.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Glória a vós, Senhor Jesus, primogênito dentre os mortos! Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo a alegria de ser salvo (Sl 50,12.14).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Vós, que tendes sede, vinde às águas; vós que não tendes com que pagar, vinde e bebei com alegria (Is 55,1).

Antífona da comunhão

O Senhor é meu pastor, nada me falta; em verdes pastagens me faz repousar. Ele me leva até águas tranqüilas e refaz as minhas forças (Sl 22,1s).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Ó Deus, que a fiel observância dos exercícios quaresmais prepare o coração dos vossos filhos e filhas para acolher com amor o mistério pascal e anunciar ao mundo a salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Pai, atendei nossa prece.

— Conservai, Senhor, a vossa Igreja ao lado dos desamparados e sem auxílio.
— Guiai o papa, os bispos, padres e diáconos e estimulai a dedicação dos ministros leigos.
— Abençoai os religiosos e religiosas que cuidam dos doentes e dos pobres.
— Ajudai-nos a cuidar do grande dom que é a água, para que nunca falte a ninguém.
— Amparai as vítimas das secas e das chuvas por meio da atenção e do cuidado das autoridades.

Concluamos as preces com a oração da Campanha da Fraternidade:

Senhor Deus de amor, / Pai de bondade, / nós vos louvamos e agradecemos pelo dom da vida, / pelo amor com que cuidais de toda a criação. / Vosso Filho, Jesus Cristo, / em sua misericórdia, / assumiu a cruz dos enfermos e de todos os sofredores, / sobre eles derramou a esperança / de vida em plenitude. / Enviai-nos, Senhor, o vosso Espírito. / Guiai a vossa Igreja, / para que ela, pela conversão, / se faça sempre mais solidária / às dores e enfermidades do povo / e que a saúde se difunda sobre a terra. Amém.

Oração sobre as oferendas

Nós vos oferecemos, ó Deus, os dons que nos destes para que estes sinais que manifestam vossa solicitude para conosco nesta vida sejam remédio para a vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus de bondade, purificai-nos e renovai-nos pelo sacramento que recebemos, de modo que sejamos auxiliados hoje e por toda a nossa vida. Por Cristo, nosso Senhor.

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