LDP: 27/MAR/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

27/Mar/2012 (3ª Feira)

LEITURAS

Números 21,4-9 (Livro do velho ou 1º testamento / Pentateuco ou os Livros da Lei)

Naqueles dias, 4os filhos de Israel partiram do monte Hor, pelo caminho que leva ao mar Vermelho, para contornarem o país de Edom. Durante a viagem, o povo começou a impacientar-se, 5e se pôs a falar contra Deus e contra Moisés, dizendo: “Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos no deserto? Não há pão, falta água, e já estamos com nojo desse alimento miserável”. 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas, que os mordiam; e morreu muita gente em Israel. 7O povo foi ter com Moisés e disse: “Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes”. Moisés intercedeu pelo povo, 8e o Senhor respondeu: “Faze uma serpente abrasadora e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá”. 9Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal sobre uma haste. Quando alguém era mordido por uma serpente, e olhava para a serpente de bronze, ficava curado.

Salmo 102(101),2-3.16-18.19-21 (R. 2) (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

2Ouvi, Senhor, e escutai minha oração e chegue até vós o meu clamor.
2Ouvi, Senhor, e escutai minha oração, e chegue até vós o meu clamor! 3De mim não oculteis a vossa face no dia em que estou angustiado! Inclinai o vosso ouvido para mim, ao invocar-vos atendei-me sem demora!
16As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; 17quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, 18ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece.
19Para as futuras gerações se escreva isto, e um povo novo a ser criado louve a Deus. 20Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, 21para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são João 21-30 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

Naquele tempo disse Jesus aos fariseus: 21“Eu parto, e vós me procurareis, mas morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir”. 22Os judeus comentavam: “Por acaso, vai-se matar? Pois ele diz: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’?” 23Jesus continuou: “Vós sois daqui debaixo, eu sou do alto. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 24Disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditais que eu sou, morrereis nos vossos pecados”. 25Perguntaram-lhe pois: “Quem és tu, então?” Jesus respondeu: “O que vos digo, desde o começo. 26Tenho muitas coisas a dizer a vosso respeito, e a julgar, também. Mas aquele que me enviou é fidedigno, e o que ouvi da parte dele é o que falo para o mundo”. 27Eles não compreenderam que lhes estava falando do Pai. 28Por isso, Jesus continuou: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou, e que nada faço por mim mesmo, mas apenas falo aquilo que o Pai me ensinou. 29Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de seu agrado”. 30Enquanto Jesus assim falava, muitos acreditaram nele.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

Posso eu também dizer como Jesus “Quem me enviou está comigo e não me deixou sozinho, pois faço sempre o que lhe agrada”? Tudo o que faço é de acordo com a vontade do Pai? Vivo em sintonia com o Pai. Já nos mostraram sinais de concordância com a vontade do Pai: “Sinais evidentes da presença de Deus são: a experiência pessoal e comunitária das bem-aventuranças, a evangelização dos pobres, o conhecimento e cumprimento da vontade do Pai, o martírio pela fé, o acesso de todos aos bens da criação, o perdão mútuo, sincero e fraterno, aceitando e respeitando a riqueza da pluralidade e a luta para não sucumbir à tentação e não ser escravos do mal.” (DAp 383).

… a VERDADE …

Neste texto se vê como os judeus tinham dificuldade em acreditar em Jesus e naquilo que ele falava sobre sua partida. A dificuldade também se relacionava à pessoa de Jesus. Comprova-o a pergunta: “Quem é você?” Jesus lhes fala do Pai. Também não compreendem. Fala de sua relação com o Pai: “Quem me enviou está comigo e não me deixou sozinho, pois faço sempre o que lhe agrada”. Jesus é aquele que vive em sintonia com o Pai.

… e a VIDA …

Pai, reforça minha fé em teu Filho Jesus, cuja morte nos resgata da escravidão do pecado e nos introduz no reino da fraternidade.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Meu novo olhar será iluminado por aquilo que é do agrado do Pai. Procurarei responder e também vou perguntar a outras pessoas: “quem é Jesus para você?” Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós.

REFLEXÕES:

1 – NOVA CRIATURA EM DEUS

“Morrereis no vosso pecado.” O pecado era qualquer falta à observância da Lei. Esta servia tanto para excluir os pobres e pequenos, taxados de pecadores, como, também, para a autossuficiência e garantia dos privilégios das elites religiosas do Templo e das sinagogas, que se julgavam justas e santas. O apego à Lei (“de baixo”) leva à rejeição da verdade de Jesus e do Pai (“do alto”), e, com isto, “morrereis no vosso pecado”. A “elevação do Filho do Homem (Jesus-humanidade)” é um tema característico de João. A “elevação” de Jesus na cruz é a consumação da nova criatura de Deus. Então, a humanidade é “elevada” à participação da vida divina. Estar com o Pai, fazer o que é do seu agrado, é nossa vocação.

2 – QUEM É JESUS?

Os judeus compreendem que a morte de Jesus pode estar próxima, uma vez que Jesus fala de sua partida para onde eles não poderão ir, mas levantam a hipótese de suicídio por parte de Jesus, deixando de perceber que a causa da morte de Jesus é a própria incredulidade deles, da recusa diante da revelação sobre quem de fato é Jesus, da não aceitação do fato que Jesus é o Filho de Deus, o enviado do Pai para fazer a vontade dele e viver em plena comunhão com ele. Alguns judeus creram e a semente do Reino foi lançada, mas muitos não creram, o que resultou na morte de Jesus.

3 – O QUE VEM DO ALTO

Os contínuos desencontros entre Jesus e seus adversários, no parecer do Mestre, tinham sua origem na diferença de perspectiva de cada um. Este considerava tudo na perspectiva “do alto”, de onde viera. Isto lhe possibilitava perceber a realidade com os olhos de Deus: olhar de amor misericordioso, de desejo de salvação e reconciliação, de interesse por todos, sem exceção. E mais: levava-o a agir como agia seu Pai. Seus inimigos, ao invés, seguiam o caminho inverso, agindo como quem é “cá de baixo”. Consequentemente, deixavam-se levar pelas paixões e pelo espírito mesquinho de intolerância, mostrando-se insensíveis em relação aos mais pequeninos, e não suportando quem lhes apontava os pecados. E o que era mais grave: não se davam conta do desígnio divino manifestado em Jesus, insurgindo-se abertamente contra ele. É impossível entrar em comunhão com Jesus, sem o esforço decidido de colocar-se na mesma perspectiva dele, e considerar o mundo com o olhar de quem vê tudo com os olhos de Deus. Quanto mais puro for este olhar, maior o grau de comunhão com Jesus. Ao contrário, quem se deixa levar pelas paixões, jamais chegará a saber quem é o Mestre, nem tirará proveito de sua missão. Ele veio o Alto. Por conseguinte, é preciso elevar-se para poder descobrir-lhe a verdadeira identidade.

4 – SE QUISERMOS TER VIDA COM CRISTO PRECISAMOS BUSCAR AS COISAS DO ALTO

O tema principal do Evangelho de hoje é a revelação que Jesus faz de Si mesmo, argumentando que foi enviado pelo Pai para trazer a mensagem da salvação. Os judeus e fariseus não entendiam bem o que Jesus estava dizendo, por isso interpretavam como queriam aquilo que escutavam. Por exemplo: quando Jesus dizia que para onde iria, eles não poderiam acompanhá-Lo, os judeus pensavam que Jesus estava dizendo que iria se matar. Quando Jesus falava d’Aquele que O enviou, os judeus pensavam numa pessoa humana; não compreendiam que Jesus estava falando de Deus.
Jesus afirma àqueles que questionavam Suas palavras: “Vocês são daqui debaixo, mas eu sou lá de cima. Vocês são deste mundo, mas eu não sou deste mundo” (Jo 8,23).
Os cristãos não são pessoas que “simplesmente concordam” com o que Jesus ensinou. Eles são chamados a seguir o Mestre, sendo testemunhas da Sua presença no mundo. Os cristãos devem sentir-se filhos de Deus, atraídos pelo exemplo do próprio Cristo. É muito mais do que admiração por uma doutrina ou por alguém. É um compromisso de atualizar o ensinamento e estabelecer um novo relacionamento com Deus e com os irmãos. Por isso, a fé não se expressa apenas nos momentos de comemoração, de celebração ou de espetáculo. A fé impulsiona a pessoa para um futuro melhor do que o presente e exige o empenho pessoal para mudar o que é necessário e possível.
Diante do cristão está a imagem de Cristo na cruz do Calvário, como lembrança do alto preço que foi pago para assegurar-lhe um destino feliz. Entende-se, então, o que o Mestre disse certa vez: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, sabereis quem eu sou”. Os sofrimentos e a morte de Jesus são a expressão da intensidade do Seu amor por todas as pessoas, revelando que o nosso Deus é amor sem fim.
Quando o Mestre falava sobre esse assunto, os discípulos achavam muito estranho. De fato, é difícil explicar, pois não se trata de entender com a razão. Somente ao chegar o momento decisivo da cruz é que se verificou o contraste, a grande diferença: de um lado o medo que afugentou quase todos os seus amigos e, do outro, a incompreensível entrega da vida para que todos voltem para Deus. Então, Jesus acusa aqueles judeus de não serem do Alto como Ele.
A característica que faz com que Jesus seja do Céu – e que o Pai nunca saia da Sua companhia – é que Ele sempre faz o que é do agrado de Deus. Se nós quisermos ter vida com Ele n’Ele, precisamos buscar as coisas do Alto.
“Pai, reforce minha fé em Seu Filho, Jesus, cuja morte nos resgata da escravidão do pecado e nos introduz no Reino da fraternidade.

5 – QUANDO TIVERDES ERGUIDO AO ALTO O FILHO DO HOMEM, ENTÃO FICAREIS A SABER QUE EU SOU

Cristo nosso Senhor foi crucificado para libertar a humanidade do naufrágio deste mundo […]. No Antigo Testamento, Moisés tinha erigido, no meio dos hebreus que morriam, uma serpente de bronze amarrada a uma estaca, instando o povo a pôr a sua esperança de cura neste sinal (Nm 21,6 s), do qual retirou remédio de tal poder contra as picadas das serpentes, que o ferido, voltando-se para a serpente em cruz, se enchia de esperança e recuperava rapidamente a saúde. O Senhor não deixa de recordar este episódio no Evangelho quando diz: “Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto” (Jo 3,14). […]
A serpente é pois a primeira a ser crucificada, e é-o por Moisés. É justo que assim seja, já que o diabo foi o primeiro a pecar aos olhos do Senhor (Gn 3). […] Ela é crucificada numa vara, o que é justo, dado que o homem foi enganado por via da árvore do desejo; doravante, é salvo por uma vara pregada a outra árvore. […] Depois da serpente, foi o homem que foi crucificado no Salvador, sem dúvida para punir, não só o responsável, mas também o crime. A primeira cruz vinga a serpente, a segunda o seu veneno […]: o veneno que a sua persuasão incutiu no homem foi rejeitado e sanado. […] Eis o que o Senhor fez com a Sua natureza humana: Ele o inocente, sofreu; n’Ele a desobediência, causada pela famosa mentira do diabo, foi corrigida; libertado da sua culpa, o homem foi libertado da morte.
Uma vez que temos como Senhor aquele Jesus que nos libertou pela Sua Paixão, mantenhamos permanentemente os olhos fixos n’Ele, na esperança de encontrarmos neste sinal a cura para as nossas feridas. Se o veneno da avareza se espalhou dentro de nós, olhemos para a cruz, ela nos livrará; se o desejo, esse escorpião, nos corrói, imploremos-lhe e ela curar-nos-á; se as mordeduras dos pensamentos deste mundo nos dilaceraram, oremos e viveremos. Estas são as serpentes espirituais da nossa alma: o Senhor foi crucificado para as espezinhar. Ele mesmo diz: “Olhai que vos dou poder para pisar aos pés serpentes e escorpiões, nada vos poderá causar dano” (Lc 10,9).

6 – QUANDO TIVERDES ELEVADO O FILHO DO HOMEM, ENTÃO SABEREIS QUE ‘EU SOU’

Hoje, Terça-feira V da Quaresma, a uma semana da contemplação da Paixão do Senhor, Ele nos convida a olhar-lhe antecipadamente redimindo-nos desde a Cruz. “Jesus Cristo é nosso pontífice, seu corpo precioso é nosso sacrifício que Ele ofereceu na ara da Cruz para a salvação de todos os homens” (São João Fisher).
“Quando tiverdes elevado o Filho do Homem…” (Jo 8,28). Efetivamente, Cristo Crucificado – Cristo “levantado”! – é o grande e definitivo signo do amor do Pai à Humanidade caída. Seus braços abertos, estendidos entre o céu e a terra, traçam o signo indelével da sua amizade com nós os homens. Ao lhe ver assim, alçado ante o nosso olhar pecador, saberemos que Ele é (cf. Jo 8,28), e então, como aqueles judeus que o escutavam, também nós creremos Nele.
Só a amizade de quem está familiarizado com a Cruz pode proporcionar-nos o adequado para adentrar-nos no Coração do Redentor. Pretender um Evangelho sem Cruz, despojado do sentido cristão da mortificação, ou contagiado do ambiente pagão e naturalista que nos impede entender o valor redentor do sofrimento, colocaria-nos na terrível possibilidade de ouvir dos lábios de Cristo: “Depois de tudo, para que seguir falando-vos?”.
Que o nosso olhar à Cruz, olhar sossegado e contemplativo, seja uma pergunta ao Crucificado, em que sem o ruído de palavras lhe digamos: “Quem és tu, então?”(Jo 8,25).Ele nos responderá que é “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”(Jo 14,6), a Videira à qual sem estar unidos, nós, pobres ramos, não poderemos dar fruto, porque só Ele tem palavras de vida eterna. E assim, se não cremos que Ele é, morreremos pelos nossos pecados. Viveremos, no entanto, e viveremos já nesta terra vida de céu se aprendemos Dele a gozosa certeza de que o Pai está conosco, não nos deixa sozinhos. Assim imitaremos o Filho em fazer sempre o que agrada-lhe ao Pai.

7 – QUANDO TIVERDES ELEVADO O FILHO DO HOMEM…

Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou.
Este Evangelho mostra como que o preconceito obscurece a inteligência. Os fariseus não entendiam nada que Jesus falava, ou entendiam errado, sempre contra Jesus. Pensaram até que ele deu a entender que ia se matar! Esse pecado da incredulidade radical vai levá-los ao crime mais cruel: matar o Filho de Deus!
Entretanto, Jesus chama a sua crucifixão de elevação. “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que Eu sou”. Ele será elevado em dois sentidos: na cruz, ficando a um metro e meio do chão, e justamente naquele momento ele será elevado a Rei do Universo, realeza que conquistou com o seu sangue.
Jesus foi-se revelando aos poucos. Primeiro se revelou como água viva e como luz do mundo. Aqui ele diz: “Vós sois daqui de baixo, eu sou do alto”; e revela claramente a sua divindade.
Só neste Evangelho de hoje Jesus usa duas vezes a expressão “eu sou”. Quando Moisés perguntou a Deus qual é o seu nome, Deus respondeu que seu nome é “Eu Sou”. Por isso que os hebreus chamavam a Deus de “Aquele que é”, em hebraico: Javé. Vejamos a pergunta de Moisés: “Moisés disse a Deus: ‘Mas, se eu for aos israelitas e lhes disser: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’, e eles me perguntarem: ‘Qual é o seu nome?’, o que devo responder? Deus disse a Moisés: ‘Eu sou aquele que sou’. E acrescentou: ‘Assim responderás aos israelitas: ‘Eu sou’ envia-me a vós” (Ex 3,13-14). Vemos, então, que, ao se chamar de “eu sou”, Jesus está declarando que é Deus, junto com o Pai e o Espírito Santo.
Jesus “É”, assim como Deus Pai “É”, mas não se confunde com Deus Pai, pois ele disse: “O Pai me enviou”. E fala também: “O testemunho de duas pessoas é digno de fé”.
“Se não acreditais que eu sou, morrereis nos vossos pecados.” Para nós, o pecado não está somente em fazer algo errado. É também pecado quando nos fechamos em nossos critérios humanos e não nos abrimos a outros horizontes, à sabedoria infinita que é Deus.
É aqui que os homens se dividem entre “aqueles que são lá de cima” e “aqueles que são aqui de baixo”. Não há linguagem comum entre eles, e Jesus perderia o tempo em ficar discutindo com eles. A sabedoria divina se manifestará melhor do que com palavras, quando ele morrer na cruz. “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou”.
O mesmo acontece com a santa Igreja, em relação àqueles que a caluniam: quando ela se identifica com essa parte da humanidade que é perseguida e marginalizada, então o seu testemunho causa impacto na humanidade, e a salva.
“Enquanto Jesus assim falava, muitos acreditaram nele.” São os que procuravam a verdade. Outros, porém, permaneciam cegos diante dos sinais da identidade messiânica de Jesus. Ele é sinal de contradição; diante de Jesus, os homens têm de se decidir por ele ou contra ele. Essa decisão compromete definitivamente o destino da pessoa. Neste dia da quaresma, Deus nos convida à conversão, antes que seja demasiado tarde.
“Digo-vos com lágrimas: há muitos que andam como inimigos da cruz de Cristo. O seu fim é a perdição; o seu deus é o ventre; as suas glórias, as suas vergonhas. Só aspiram a coisas terrenas” (Fl 3,18s). Por outro lado, quem olha a cruz com fé e com espírito de conversão, como os hebreus olhavam para a serpente de bronze, fica curado do veneno da serpente, alcança a salvação e têm a vida eterna.
Certa vez, um senhor idoso que morava na roça estava indo para a cidade. Ele em cima de um burro e o netinho na frente, puxando o animal.
Passaram dois homens e comentaram entre si: “Um marmanjo desse em cima do burro e a pobre criança a pé!”
O velho escutou. Quando os homens desapareceram na curva, ele disse ao menino: “Filho, venha você aqui e eu vou a pé”.
Logo passaram dois e comentaram: “Engraçado: o velho doente a pé e o moleque a cavalo!”
Quando viravam a curva, o velho falou: “Filho, vamos nós dois em cima do burro”. E assim fizeram.
Dois homens cruzaram com eles e comentaram entre si: “Dois marmanjos nesse burrinho. Como não têm dó do pobre animal!
Quando se distanciaram, o homem disse ao neto: “Filho, vamos nós dois a pé”. Logo passaram uns viajantes e comentaram: “Aqueles dois não são muito certinhos da cabeça. Onde já se viu caminhar a pé, puxando um burro, sem ninguém em cima!”
Quando desapareceram, o homem disse ao neto: “Filho, vamos levar este burro nas costas”. Passaram dois e comentaram: “Olhe lá três burros; dois carregando um!”
Quando estavam sós, os dois largaram o animal e o homem disse ao neto: “Filho, não se importe com o que os outros disserem. Siga a sua opinião”.
A nossa conversão é algo pessoal, entre nós e Deus, e ninguém tem de por o bico. Vivemos numa sociedade eclética, mas para Deus a verdade é uma só, e para nós também.
Graças à Encarnação, o Filho de Deus nos tornou também filhos de Deus e até participantes da natureza divina: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que eram sujeitos à Lei, e todos recebermos a dignidade de filhos. E a prova de que sois filhos é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: ‘Abbá, Pai!’ Portanto, já não és mais escravo, mas filho. E, se és filho, és também herdeiro. Tudo isso, por graça de Deus” (Gl 4,4-7). Nós agradecemos isso a Deus Pai, a Jesus e a Maria Santíssima que colaborou muito de perto nesta nossa elevação.
Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou.

8 – QUEM É JESUS?

No Evangelho de hoje Jesus está diante dos judeus falando da falta de fé e da crença no Filho do Homem. Jesus pregou a todos à conversão dos pecados e à construção de um novo Reino de justiça durante sua vida pública. Mas os judeus poderosos não acreditaram nas palavras de Jesus e desconfiavam de sua conduta, portanto ainda não sabiam quem era Jesus.
Os judeus e alguns poderosos não queriam viver a realidade da qual Jesus falava. A vida dos privilegiados era conduzida e feita sob as costas dos pequenos. Criaram uma cultura opressora que não permitia aos pobres sobressaírem da condição subalterna, fazendo com que os mesmos permanecesse na marginalidade. Entretanto, Jesus ressaltava a libertação como pano de fundo para a igualdade dos irmãos, porém esta tese afrontava os domínios dos poderosos.
Jesus fala firmemente para os judeus que ao ser levantado na cruz muitos passariam acreditar que Ele era realmente o Filho do Deus-Vivo. Esperava que não fosse tarde demais para pedir perdão dos seus pecados. Na missão de Jesus contemplava a misericórdia de Deus e o perdão dos erros cometidos para que a alma pudesse gozar a vida eterna no céu, isso somente aconteceria se o homem terreno fosse capaz de compreender e viver em dignidade a solicitude do amor. Talvez a morte de Jesus fosse a libertação necessária dos céticos.
O fosso existente entre os judeus e Jesus era gigantesco. Enquanto Jesus buscava reunir o povo para a vivência perfeita da paz e da unidade, os judeus imprimiam leis severas para retirar ainda mais donativos dos pobres. Jesus, filho de Deus, enviado para cumprir a promessa do passado, os judeus cultuavam doutrina feita para dissimular a dicotomia entre o bem e o mal. Se não olharmos clinicamente até nos convençamos de que os judeus tinham razão nas suas apelações.
Como reconhecer em Jesus o Filho Amado de Deus se o coração esta fechado para novas atitudes libertadoras? Como enxergar em Jesus o mundo novo se a fé é pequena e avarenta? Como seguir os passos de Jesus se os caminhos traçados são distintos e tendenciosos?
Nosso Deus ainda nos pede coerção para vida nova. Nosso Deus ainda implora para que vivamos a fraternidade em sociedade. Mas fazemos de conta que Ele nos pede e nem damos bola. Somos autossuficiente na vida terrena e só pediremos socorro quando não temos mais o que fazer para livrar do mal. Corremos atrás de nosso Deus com orações e implorando por uma cura e ou por sua intervenção. Mas porque não procurou antes? Por que deixou para o último instante?
Portanto, Jesus é. Ele foi o que fez, o que semeou e o que plantou. Para que duvidar das suas ações e do seu gesto concreto de vida. Para conhecer Jesus é preciso mergulhar nas ações de libertação do povo que sofre; viver as mágoas e os sofrimentos dos irmãos abandonados; ser prestativo e acolhedor com todos os filhos de Deus.
Vivamos a fraternidade de Nosso Deus nesta Quaresma e buscamos a conversão de nossas faltas para vivermos a dignidade no céu. Amém!
Abraços.

9 – NÃO SOMOS DESTE MUNDO, MAS, PODEMOS VIVER NESTE MUNDO COM A MENTALIDADE DO ALTO COMO JESUS VIVIA

Só quem nos pode tirar da morte do pecado é Jesus Cristo, Aquele que veio em nome do Pai para revelar ao mundo a Sua misericórdia. Por isso, Jesus mesmo foi quem falou: “morrereis nos vossos pecados, se não acreditas que eu sou!” Morrer no pecado é desconhecer e rejeitar a salvação de Jesus. Os fariseus não entendiam nada do que Jesus falava porque não combinava com os seus interesses e o seu modo de pensar. Naquele tempo muitos não acreditaram em Jesus. Por isso Ele falou que seria elevado na Cruz, assim como Moisés elevou a serpente no deserto, e só assim acreditariam Nele.
A mentalidade do mundo é diferente do modo de pensar de Deus. A intimidade com o Pai fazia com que Jesus vivesse o que o Pai vivia. Hoje também há muitos que precisam de provas para manter a fé e perdem tempo na incredulidade esperando que algo mais aconteça e, por isso, não assumem o senhorio de Jesus, o Verdadeiro Salvador da humanidade. Nós também não somos deste mundo, mas, podemos viver neste mundo com a mentalidade do alto como Jesus vivia. O primeiro passo é a Fé. Fé em Jesus Cristo que já foi elevado, que já ressuscitou e já nos deu vida nova, vida em abundancia: agora é esperar e confiar. – Você também precisa de mais provas para crer que Jesus é o Senhor? – O que significa para você o Sinal da Cruz? – A salvação de Jesus tem causado efeito na sua vida? – – Para você o que significa viver na terra com os olhos voltados para o alto? – Em que momento aqui na terra você sente o clima de céu? – Você consegue explicar a alguém, isto?
Amém!
Abraço carinhoso.

10 – QUANDO TIVERES ELEVADO O FILHO DO HOMEM, ENTÃO SABEREIS QUE EU SOU

Jesus está em Jerusalém a multidão já comenta que os chefes religiosos querem matá-lo. Jesus, porém não se intimida e continua sua missão. Repete três vezes que aqueles que não acreditarem nele morrerá em seus pecados. Anuncia-lhes que vai partir, pois ele não pertence a este mundo aqui de baixo. Jesus é do alto e convida a todos a serem também do alto a fazerem parte do projeto que ele veio anunciar.
Na leitura do livro dos Números Moises intercede pelo povo que murmurou contra Deus sendo ingrato depois que Deus os havia libertado da escravidão do Egito com braço forte. Moisés pede que Deus afaste deles as serpentes e Deus em sua infinita misericórdia manda Moises fazer uma serpente de bronze e colocá-la sobre uma haste para que aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado. A elevação de Jesus na cruz é a consumação do amor do Pai pela humanidade. Jesus é elevado na cruz para nos curar de todo egoísmo e prepotência, do comodismo, da falta de fé, da falta de amor ao próximo, da escravidão do pecado que nos mantém fechados a este mundo de baixo isto é numa sociedade egoísta, injusta e excludente. Jesus é o “Eu Sou” do êxodo que liberta e salva dando vida nova e plena para todo aquele que acredita que Ele é o enviado do Pai. Assim como o povo no deserto olhando para a serpente de bronze era curado de suas feridas, também nós ao olharmos com fé para Jesus Crucificado.
Ressuscitado seremos curados de nossas faltas e restaurados no amor de Deus Pai seremos salvos. Precisamos ter o olhar voltado para Cristo e para o irmão que é crucificado por tantas injustiças. Nosso olhar deve se voltar para o alto e ter nossos pés bem firmes no chão sem esquecer os que sofrem ao nosso lado. O oficial do exercito reconheceu que de fato esse homem era mesmo Filho de Deus. Reconheçamo-nos também que Jesus é o filho e Deus e como ele fez façamos também tudo aquilo que seja do agrado de Deus Pai.

11 – JESUS AOS FARISEUS

Quando meditamos as passagens do Evangelho de João, podemos notar diferenças muito significativas em relação aos outros três Evangelhos, aos quais damos o nome de Sinóticos. João mostra-nos um Jesus de longos discursos e de longas reflexões, pronto a rebater as acusações dos adversários e eficiente em revelar aos discípulos a sua missão divina.
No capítulo 8 desse Evangelho, podemos ver as respostas teológicas de Jesus aos fariseus que o questionam no Templo. Jesus fala de sua obediência e de sua proximidade com o Pai. É muito válido notarmos que Ele quer convencer os fariseus da importância e da seriedade de sua missão de obediência a Deus. Hoje, com a leitura dessa passagem de João, nós queremos aprender de Jesus a sua relação de intimidade com o Pai-Amor. Quantas vezes nós nos afastamos do Deus-Misericórdia, pensando somente em nós mesmos, e acreditando exclusivamente em nossas próprias forças?
Jesus se doou completamente ao ser humano, para que tivéssemos vida em abundância e para que pudéssemos dar seguimento ao seu sonho de concretização do Reino de Paz e de Justiça. A humildade de Jesus em explicar a sua procedência divina faz com que nós nos sintamos fracos em nossa arrogância, pois o próprio Deus encarnado se faz um de nós, esvaziando-se totalmente para se aproximar mais de sua criatura.
Antes dessa discussão com os fariseus, acontece o episódio da adúltera que ia ser apedrejada pelos judeus furiosos com o adultério. Jesus não julga a mulher por ela ter cometido tal pecado, mas ele julga baseando-se no amor, único dom verdadeiro que salva e purifica os corações. Por isso mesmo é que Deus é reconhecido na pessoa de Jesus, por amar tanto a ponto de lutar contra as leis de sua época, leis que matavam os filhos de Deus.
Que hoje, nós, seres humanos, possamos nos alimentar da fonte de amor que jorra de Jesus Cristo, para destruirmos as estruturas que oprimem e matam os nossos irmãos e irmãs menos favorecidos. Se julgássemos as pessoas ao nosso redor, fazendo uso da ferramenta do amor, não cometeríamos tantas injustiças e mortes. Somente por Jesus é que chegamos ao Deus da vida, pois Ele sabia fazer aquilo que agradava a Deus. Jamais estaremos sós, se confiarmos totalmente em Deus.
Em fim, busquemos somente a Deus que nos alimenta do essencial. Não façamos igual àquele homenzinho que teve o seu sonho realizado em transformar tudo o que ele tocasse em ouro. Acabou ficando com fome, com sede e sem as pessoas que mais amava, pois tudo havia se transformado em ouro. Aquelas pessoas que recebem muitíssimos bens materiais neste mundo, e vivem por eles, acabam morrendo infelizes! Que Deus seja a nossa fonte de água viva!

12 – A OBSESSÃO DO PECADO E A FÉ QUE LIBERTA

Caríssimos irmãos e irmãs: quando lemos as narrativas dos evangelhos precisamos estar atentos e perceber a quem Jesus está se dirigindo num determinado momento: do contrário ficamos confusos e tem gente que até veste a carapuça sem precisão. Aqui Jesus está falando aos fariseus. Portanto só vestiria a carapuça caso me sentisse um fariseu, mas isso é tudo que não pretendo e nem creio ser… Quem, no entanto, se sente como um fariseu (puro, sabichão, dono da verdade, melhor que os outros, e etc.), então, se sinta à vontade em vestir a carapuça lançada por Jesus… É para os fariseus que o Senhor Jesus disse estas palavras tão duras: “vós sois daqui debaixo, eu sou do alto. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. Disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditais que eu sou, morrereis nos vossos pecados” (vers. 23). Isso conforme S. João, que não gostava por nada dos fariseus! O pecado deixa a alma obcecada e a inteligência fraca, desse modo os fariseus foram incapazes de compreender Jesus. E Jesus fala que “quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou, e que nada faço por mim mesmo. Mas apenas falo aquilo que o Pai me ensinou. Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de seu agrado” (vv. 28 e 29). E s. João conclui dizendo que enquanto Jesus falava isso, “muitos acreditaram nele”. E nós concluímos com São Paulo, que esses foram justificados pela fé e salvos, portanto!
O símbolo da serpente de bronze erguida no deserto serviu para que os judeus ao levantar a vista levantassem também o coração para Deus. Agora a cruz redentora de Jesus, erguida no alto do Calvário, tem um poder infinito de salvação porque o amor misericordioso de Deus, manifestado em Jesus, não tem limites, pois seu amor é eterno.
Com o salmista abramos nosso coração num hino de gratidão a Deus: Para as futuras gerações se escreva isto, e um povo novo a ser criado louve a Deus. Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

13 – PARA ONDE EU VOU, VÓS NÃO PODEIS IR

Vivemos um tempo de reflexão, tempo que vem nos falar claramente da existência de um Deus amoroso, que não desiste de nós, que espera pela nossa decisão com os braços abertos, pronto para nos acolher e nos transformar por inteiros!
Precisamos estar atentos, com os nossos sentidos bem apurados, para que Jesus não passe pela nossa vida, sem que nós O percebamos.
Jesus caminha no meio de nós, mas às vezes, por estarmos muito envolvidos com as coisas terrenas, não O reconhecemos!
Quem se fecha em si mesmo e se apega as coisas do mundo, não consegue enxergar Jesus!
Os “pequenos” O reconhece, porque tem sede da Sua presença, enquanto que os “grandes” por si sentirem cheios da “sabedoria” do mundo, não sentem necessitados Dele!
“Reconhecer Jesus, não é amar a uma teoria, a uma ideia, é amar a pessoa”!
Jesus não usa de meios extraordinários para se fazer presente no meio de nós, Ele está presente nas coisas mais simples do nosso cotidiano, como; na singeleza de um gesto, no sorriso de uma criança, na beleza de uma flor, no olhar de um pobre, na pureza da água que jorra numa fonte!
No evangelho de hoje, Jesus deixa os fariseus surpresos ao definir claramente o que se ganha e o que se perde, com, ou sem Ele!
O desejo de Jesus é despertá-los para uma revisão de vida, oferecer a eles mais uma oportunidade de experimentarem o amor do Pai explícito no Filho!
O mistério de Deus presente em Jesus, não cabe nos critérios com que os fariseus olham para Ele. Eles não entenderam a Sua linguagem, as palavras de Jesus, não entram no coração de quem não quer enxergar a verdade. A verdade incomoda quem não quer mudar de vida, quem já fez a sua escolha, rejeitando a proposta de Jesus, em troca das propostas do mundo.
Jesus nunca se autopromoveu, Ele sempre expressava o que ouvia do Pai.
Os fariseus, só vão compreendê-Lo, depois que tiverem elevado o Filho do Homem. “Aí vocês saberão que EU SOU”. A palavra elevar tem o duplo sentido, de elevar sobre a Cruz e de ser elevado à direita do Pai.
Às vezes, nós condenamos as atitudes dos fariseus, mas será que nós também, não temos atitudes semelhantes?
Será que acreditamos mesmo nas palavras de Jesus? Ou selecionamos o que queremos acreditar?
De quando em vez, somos surpreendidos pelas turbulências do mar da vida, que tentam abalar a nossa fé, é nestes momentos que precisamos reagir com determinação, não nos deixar ser levados pelos caminhos contrários a vontade de Deus!
A escolha é nossa: o mundo nos propõe o consumismo, que gera a ganância, o individualismo, Jesus nos propõe o amor e a gratuidade!
Quem se apega as coisas do mundo, pertence ao mundo, portanto, está distante de Jesus!
Deixar-se conduzir pelo Espírito de Deus, é caminhar com os pés na terra e com o olhar voltado para as coisas do alto: é viver no mundo, sem pertencer ao mundo!
FIQUE NA PAZ DE JESUS!

14 – AQUELE QUE ME ENVIOU ESTÁ COMIGO

Hoje João nos mostra um diálogo entre Jesus e os fariseus, os quais continuavam perguntando: “quem és tu?” Continuavam não admitindo que Jesus era o Filho de Deus. Ou talvez, sem querer admitir. Na verdade, todos os líderes judaicos sentiam além de ódio, uma grande inveja de Jesus.
Principalmente porque Jesus colocava seus defeitos e pecados na mesa para que todos vissem. “Eu sei o que vocês fazem nas longas orações nas casas das viúvas…” “…Porque pensais mal em vossas mentes? (No dia que curou o paralítico).
Aqui, mais uma vez, Jesus afirma sem medo: “…morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado.”
Nós também podemos ser odiados, perseguidos e mesmo maltratados quando denunciamos as injustiças causadoras de violência e infelicidade. O cristão autêntico nem sempre está rodeado de amigos. Por falar a verdade, por denunciar, seremos como Cristo. Rejeitados, odiados por aqueles que não fecham a porta do prédio, que não pagam o condomínio, que só querem tirar vantagem em tudo, que não respeitam os diretos dos outros etc., e ainda nos ameaçam quando mostramos estas atitudes erradas para que sejam corrigidas pela comunidade.
Jesus então lhes disse: “Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis quem sou e que nada faço de mim mesmo, mas falo do modo como o Pai me ensinou.”
Irmãos se estivermos sempre sintonizados com Deus, fazendo sempre a sua vontade e se falarmos sempre não as nossas ideias ou palavras mais as palavras d’Ele, não tenhamos medo daqueles que podem prejudicar o nosso corpo. Porque o Pai estará conosco como estava com o seu Filho amado.
“Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado.”
Tendo proferido essas palavras, muitos creram nele.
Sabemos que nem sempre é prudente dar nomes aos bois quando denunciamos. Pois na verdade, estamos combatendo o pecado e não o pecador. Podemos falar por alto sem citar nomes. Lembrando o que o mestre nos disse: “Sejam simples como a pomba e prudentes como a serpente”.

15 – BUSQUEMOS AS COISAS DO ALTO

No evangelho de hoje, nos deparamos com mais um conflito entre Jesus e os fariseus, e vai ficando mais evidente para nós, que a morte de Jesus se aproxima quando Ele diz: “Eu parto e vós me procurareis, mas morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir.” Os fariseus não compreendiam o que Jesus tinha dito, e acreditaram que ele cometeria suicídio. Definitivamente o coração endurecido dos fariseus, não permitia que eles reconhecessem em Jesus, o Messias, enviado por Deus, e não por um homem como eles acreditavam. E por isso Jesus diz: “Vós sois daqui de baixo, eu sou do alto. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo”. Jesus declara sua origem divina, que é rejeitada pelos fariseus, que não aceitaram a sua mensagem de amor, de vida, não buscaram as coisas do alto, fazer o que era agradável ao Pai. Não abriam mão do acumulo de riquezas, do poder, de marginalizar e oprimir o povo, e escolhendo as coisas de baixo morreriam no pecado, como disse Jesus.
Os que acreditaram em Jesus, foram as sementes do Reino lançadas. A morte de Jesus foi a consequência do que não acreditaram nele, preferiram continuar no pecado e com as coisas aqui debaixo. A morte de Jesus… Podemos trazer a nossa memória agora, o Cristo crucificado, foi por amor a mim, a você, para que fôssemos perdoados, para que fôssemos libertados do pecado, da culpa, para que tenhamos a vida eterna. Nós somos deste mundo, por isso precisamos buscar as coisas do alto, fazendo a vontade do Pai. Acolhendo e reconhecendo em Cristo o nosso Salvador, aquele veio do Pai, e deu sua vida para nos salvar, nos libertar, para sermos felizes. “Que seu amor é sem fim”, como diz o refrão de uma música.
Que esse amor sem fim, fortaleça e amadureça nossa fé. Que as sementes que Cristo lançou em nossos corações germinem e deem bons frutos. Para sermos do alto como Cristo, devemos fazer o que for agradável aos olhos de Deus. E nem sempre é fácil buscarmos as coisas do alto, somos humanos, falhamos, erramos, não somos perfeitos. É importante sabermos que quando buscamos verdadeiramente a Cristo, estamos abertos às transformações, às mudanças que o amor divino realizará em nossas vidas, e nos comprometendo com o projeto de vida de Deus que é para todos nós, sem exceção. Busquemos as coisas do alto, e ouçamos Cristo: Para onde eu vou, vós podeis ir.
Um abraço a todos.
Oração: “Pai reforça minha fé em teu Filho Jesus, cuja morte nos resgata da escravidão do pecado e nos introduz no reino da fraternidade”.

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Um olhar de fé pode trazer a salvação. Olhando para a serpente de bronze, a pessoa era curada; olhando com fé para o Crucificado, a pessoa é salva. Muitos ainda hoje continuam sendo crucificados injustamente; não fechemos os olhos para esses sofredores.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

Jesus é enviado para nos curar do egoísmo, da incredulidade, da acomodação e da falta de compaixão, que tantos sofrimentos causam. O clamor dos sofredores sempre chega aos ouvidos de Deus.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor! Somente é de Deus a palavra, o Cristo é o semeador; todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou.

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Espera no Senhor e sê corajoso! Fortifique-se teu coração; espera no Senhor! (Sl 26,14).

Antífona da comunhão

Quando eu for exaltado da terra, diz o Senhor, atrairei a mim todas as coisas (Jo 12,32).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Concedei-nos, ó Deus, perseverar no vosso serviço para que, em nossos dias, cresça em número e santidade o povo que vos serve. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Pai, ouvi nossa súplica.

— Abençoai, Senhor, as iniciativas pastorais para corrigir a desigualdade e a injustiça.
— Iluminai as pessoas que se doam para a libertação do povo.
— Fortalecei as ações sociais que buscam melhorar a saúde pública.
— Conservai-nos sempre fiéis e unidos a vós e à Igreja.
— Tornai-nos solidários com os irmãos menos favorecidos.

Concluamos as preces com a oração da Campanha da Fraternidade:

Senhor Deus de amor, / Pai de bondade, / nós vos louvamos e agradecemos pelo dom da vida, / pelo amor com que cuidais de toda a criação. / Vosso Filho, Jesus Cristo, / em sua misericórdia, / assumiu a cruz dos enfermos e de todos os sofredores, / sobre eles derramou a esperança / de vida em plenitude. / Enviai-nos, Senhor, o vosso Espírito. / Guiai a vossa Igreja, / para que ela, pela conversão, / se faça sempre mais solidária / às dores e enfermidades do povo / e que a saúde se difunda sobre a terra. Amém.

Oração sobre as oferendas

Nós vos oferecemos, ó Deus, o sacrifício que nos reconcilia convosco, para que perdoeis os nossos pecados e orienteis os corações vacilantes. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que, desejando continuamente os vossos dons, nos aproximemos sempre mais dos bens celestes. Por Cristo, nosso Senhor.

Anúncios
Esse post foi publicado em Religião. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s