LDP: 01/ABR/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

01/Abr/2012 (Domingo)

LEITURAS

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 11,1-10 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

1Quando se se aproximaram de Jerusalém, na altura de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, 2dizendo: “Ide até o povoado que está em frente, e logo que ali entrardes, encontrareis amarrado um jumentinho que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui! 3Se alguém disser: ‘Por que fazeis isso?’, dizei: ‘O Senhor precisa dele, mas logo o mandará de volta’.” 4Eles foram e encontraram um jumentinho amarrado junto de uma porta, do lado de fora, na rua, e o desamarraram. 5Alguns dos que estavam ali disseram: “O que estais fazendo, desamarrando este jumentinho?” 6Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e eles permitiram. 7Trouxeram então o jumentinho a Jesus, colocaram sobre ele seus mantos, e Jesus montou. 8Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam apanhado nos campos. 9Os que iam na frente e os que vinham atrás gritavam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! 10Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!”

Isaías 50,4-7 (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Proféticos)

4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.

Salmo 22(21) ,8-9.17-18a.19-20.23-24 (R.2a) (Livro do Antigo ou 1º testamento / Livros Proféticos)

2aMeu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
8Riem de mim todos aqueles que me veem, torcem os lábios e sacodem a cabeça: 9“Ao Senhor se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!”
17Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado. Transpassaram minhas mãos e os meus pés 18e eu posso contar todos os meus ossos. Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam!
19Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. 20Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!
23Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! 24Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o toda a raça de Israel!

Filipenses 2,6-11 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Livros Didáticos)

6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz. 9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre, no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai.

Evangelho Jesus Cristo segundo as palavras de são Marcos 15,1-39 (Livro do Novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

Narrador: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo segundo Marcos: 1Logo pela manhã, os sumos sacerdotes, com os anciãos, os mestres da Lei e todo o Sinédrio, reuniram-se e tomaram uma decisão. Levaram Jesus amarrado e o entregaram a Pilatos. 2E Pilatos o interrogou:
Leitor: “Tu és o rei dos judeus?”
Narrador: Jesus respondeu:
Presidente: “Tu o dizes”.
Narrador: 3E os sumos sacerdotes faziam muitas acusações contra Jesus. 4Pilatos o interrogou novamente:
Leitor: “Nada tens a responder? Vê de quanta coisa te acusam!”
Narrador: 5Mas Jesus não respondeu mais nada, de modo que Pilatos ficou admirado. 6Por ocasião da Páscoa, Pilatos soltava o prisioneiro que eles pedissem. 7Havia então um preso, chamado Barrabás, entre os bandidos, que, numa revolta, tinha cometido um assassinato. 8A multidão subiu a Pilatos e começou a pedir que ele fizesse como era costume. 9Pilatos perguntou:
Leitor: “Vós quereis que eu solte o rei dos judeus?”
Narrador: 10Ele bem sabia que os sumos sacerdotes haviam entregado Jesus por inveja. 11Porém, os sumos sacerdotes instigaram a multidão para que Pilatos lhes soltasse Barrabás. 12Pilatos perguntou de novo:
Leitor: “Que quereis então que eu faça com o rei dos judeus?”
Narrador: 13Mas eles tornaram a gritar:
Assembleia: Crucifica-o!
Narrador: 14Pilatos perguntou:
Leitor: “Mas, que mal ele fez?”
Narrador: Eles, porém, gritaram com mais força:
Assembleia: Crucifica-o!
Narrador: 15Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus e o entregou para ser crucificado. 16Então os soldados o levaram para dentro do palácio, isto é, o pretório, e convocaram toda a tropa. 17Vestiram Jesus com um manto vermelho, teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça. 18E começaram a saudá-lo:
Assembleia: “Salve, rei dos judeus!”
Narrador: 19Batiam-lhe na cabeça com uma vara. Cuspiam nele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. 20Depois de zombarem de Jesus, tiraram-lhe o manto vermelho, vestiram-no de novo com suas próprias roupas e o levaram para fora, a fim de crucificá-lo. 21Os soldados obrigaram um certo Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo, que voltava do campo, a carregar a cruz. 22Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota, que quer dizer “Calvário”. 23Deram-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o tomou. 24Então o crucificaram e repartiram as suas roupas, tirando a sorte, para ver que parte caberia a cada um. 25Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. 26E ali estava uma inscrição com o motivo de sua condenação: “O Rei dos Judeus”. 27Com Jesus foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro à esquerda.(28) 29Os que por ali passavam o insultavam, balançando a cabeça e dizendo:
Assembleia: “Ah! Tu, que destróis o Templo e o reconstróis em três dias, 30salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!”
Narrador: 31Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, com os mestres da Lei, zombavam entre si, dizendo:
Assembleia: “A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! 32O Messias, o rei de Israel… que desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos!”
Narrador: Os que foram crucificados com ele também o insultavam. 33Quando chegou o meio-dia, houve escuridão sobre toda a terra, até as três horas da tarde. 34Pelas três da tarde, Jesus gritou com voz forte:
Presidente: “Eloi, Eloi, lamá sabactâni?”
Narrador: Que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” 35Alguns dos que estavam ali perto, ouvindo-o, disseram:
Assembleia: “Vejam, ele está chamando Elias!”
Narrador: 36Alguém correu e embebeu uma esponja em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e lhe deu de beber, dizendo:
Leitor: “Deixai! Vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz”.
Narrador: 37Então Jesus deu um forte grito e expirou.
(Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa.)
Narrador: 38Nesse momento, a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes. 39Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse:
Leitor: “Na verdade, este homem era o Filho de Deus!”

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

Jesus se fez pão para ficar conosco. Quis ser meu alimento. Como acolho e recebo este alimento? Já nos disseram: “Louvamos a Deus porque Ele continua derramando seu amor em nós pelo Espírito Santo e nos alimentando com a Eucaristia, pão da vida (cf. Jo 6,35)”. (DAp 106).

… a VERDADE …

Este momento se dá na época da Páscoa, quando havia em Jerusalém grande aglomerado de pessoas. Os chefes e mestres da Lei queriam acabar com Jesus. Ele está em Betânia, sentado à mesa na casa de Simão, o Leproso, ou seja, curado da doença da lepra. Então uma mulher anônima chegou com um frasco de alabastro, cheio de perfume de nardo puro, muito caro. Trezentas moedas de prata correspondiam ao salário de trezentos dias de um operário. Este detalhe revela o quanto ela apreciava o hóspede. Alguns acharam isto um desperdício, mas Jesus fala que a deixem pois, ao ungi-lo ela participou por antecipação, no seu sepultamento. O texto narra um detalhe interessante: “ela quebrou o frasco”. Isto simboliza o dom total, sem reservas, como é o amor verdadeiro. Jesus diz que pobres sempre terão. Não quer dizer com isso que menospreza os pobres, mas que, se todos tivessem a atitude da mulher, os pobres nem existiriam, pois seriam ajudados. De certa forma, Ele denuncia a mesquinhez dos que não partilham. Num segundo momento, o texto fala da última ceia pascal, que Jesus celebrou com seus discípulos, quando ele mesmo nos revela o mistério: “Isto é meu Corpo. (…) Isto é o meu sangue”. E nos convida a alimentar-nos dele. É na Eucaristia que nos alimentamos do Pão da Vida, o próprio Senhor Jesus. Veja esta música:
Este Pão (Pe. Zezinho, scj)
Este pão, que a gente chama: eucaristia,
É lembrança de uma ceia sem igual.
Quem partiu aquele pão naquele dia,
Partiu o pão, Partiu o pão, Partiu o pão,
E dentro dele achou o céu,
Achou o céu, Achou o céu

Este pão, que a gente chama: eucaristia,
No deserto desta vida é o novo maná.
Quem tem fome de justiça e de luz,
Aproxime-se da mesa de Jesus!

… e a VIDA …

Senhor Jesus, como o oficial romano, confesso a tua condição de Filho de Deus crucificado. Que eu compreenda o verdadeiro sentido de tua paixão.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Meu olhar será iluminado pela Eucaristia e meus passos seguirão os passos de Jesus nesta Semana Santa.

REFLEXÕES:

1 – TESTEMUNHO DO AMOR QUE GERA A VIDA

Pelo grande destaque dado às memórias da Paixão, nos quatro evangelhos, pode-se pensar que elas teriam se constituído nas primeiras tradições veiculadas sobre Jesus, surgidas entre as primitivas comunidades cristãs. Percebe-se nelas a influência da tradicional celebração da Páscoa do Primeiro Testamento, com a imolação do cordeiro, de acordo com a prática sacrifical, templária e sacerdotal, projetada na tardia narrativa do Êxodo, aplicada à morte de Jesus.
O caráter sacrifical atribuído à morte de Jesus na cruz está na raiz da tradição e da espiritualidade que consideram o sofrimento como meritório e redentor. Na realidade a morte de Jesus foi um imenso crime praticado por aqueles que, usufruindo do poder, procuram destruir qualquer empenho de luta pela justiça, libertação e promoção da vida. A vida de Jesus é um testemunho do amor que tudo transforma e gera a vida que permanece para sempre.
O evangelho de Marcos, bem como o de Mateus e o de João, introduz as narrativas da Paixão com duas narrativas de ceias. Uma primeira ceia na qual Jesus é ungido por uma mulher e, outra, a última ceia, com os discípulos. A imagem da refeição, do banquete, é tradicional como representativa da comunhão do povo com Deus. O início do ministério de Jesus, no evangelho de João, se faz em uma festa de núpcias, onde se come e se bebe. Várias são as parábolas em que Jesus compara o Reino de Deus a um banquete celestial.
Na ceia em Betânia, o bálsamo perfumado com o qual Jesus é ungido por uma mulher é a expressão do amor que vivifica. É este amor que deve ser dirigido aos pobres, com os quais Jesus se identifica. “A mim não tereis sempre, pobres tendes sempre convosco”. A Boa-Nova caracteriza-se pela prática do amor solidário aos pobres, excluídos e ameaçados em sua vida. O que a mulher fez deve ser perpetuado: “em qualquer parte do mundo em que se proclamar esta Boa-Nova, se recordará em sua honra o que ela fez”.
Em sua última ceia com os discípulos, Jesus celebra a vida e o amor, na partilha. A proximidade da Paixão não significa o fim do projeto de Deus, mas o início de uma nova etapa, com o ministério e o testemunho dos discípulos de Jesus. O dom da comunicação e do amor supera as sombras da morte. A alegria de viver, de servir, de partilhar, de solidarizar-se com os irmãos alimenta a chama da vida e tem o sabor de eternidade.

2 – PROCURAVAM MATAR JESUS

O episódio da ressurreição de Lázaro significa a superação da morte pelo dom da vida, que se revela eterna pela encarnação do Filho de Deus. João, em seu Evangelho, destaca a dimensão de eternidade já presente nesta vida terrena. A ressurreição é a permanência na vida eterna, que não é extinta pela morte temporal. Ressuscitando Lázaro, Jesus suscita a reação do sinédrio, onde decidem matá-lo. A Páscoa dos judeus é a festa da morte dos egípcios e da vida do povo que se diz eleito. E será a ocasião da morte de Jesus e da preservação do sinédrio. Porém, a Páscoa de Jesus é consagração de sua vida de amor e serviço, modelo e fonte de vida eterna para todos.

3 – BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR!

Desde o princípio da Quaresma preparamo-nos com obras de penitência e caridade. Neste Domingo de Ramos, a Igreja recorda a entrada de Nosso Senhor Cristo, em Jerusalém, para consumar o Seu mistério pascal. Por isso, em todas as Missas essa entrada do Senhor na Cidade Santa é comemorada, tanto com a procissão como com a entrada solene antes da Celebração Eucarística principal ou com a entrada simples antes das outras Missas.
Foi para realizar esse mistério da Sua Morte e Ressurreição que Jesus Cristo entrou na Cidade Santa. Por isso, recordando com fé e devoção essa entrada triunfal nesse local sagrado, acompanharemos o Senhor, de modo que, participando agora da Sua cruz, mereçamos um dia ter parte na Sua Ressurreição.
A leitura atenta da Paixão de Cristo suscita uma inevitável pergunta: quem foram os responsáveis pela morte de Jesus, os judeus ou os romanos?
Na Morte de Jesus misturaram-se motivos políticos e religiosos, embora a responsabilidade mais direta caia – de acordo com a narração evangélica – sobre as autoridades judaicas daquele tempo e não sobre todo o povo.
Porém, a leitura do Evangelho, com um olhar de fé, acaba por descobrir outros responsáveis pela Morte de Cristo, ou seja, todos nós.
Ele foi abatido pelas nossas iniquidades (cf. Is 53,3). Todos nós podemos ouvir, dirigidas a cada um de nós pessoalmente, as palavras que o profeta Natã dirigiu a Davi quando este lhe perguntou quem foi o malvado que matou a única ovelha do pobrezinho. Ele responde: “Esse homem és tu!” (II Rs 12,7).
Sim, foi você. Fui eu. Fomos todos nós. Cada homem é responsável pela Morte de Cristo. Não estão sozinhos Judas que O atraiçoou, Pedro que O negou, Pilatos que lavou as mãos e a multidão que repetiu: “Crucifica-O!”, os soldados que repartem entre si as vestes do Condenado, os ladrões criminosos. Estamos todos nessa situação de responsabilidade.
Mas não podemos ficar aqui. Sabemos não só que Jesus morreu verdadeiramente e foi sepultado. Sabemos também que ressuscitou ao terceiro dia, subiu e está sentado à direita do Pai. Morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa salvação.
Desde hoje temos de olhar já para o Domingo de Páscoa. Mas para que este olhar não seja um sentimento vazio, precisamos levá-lo verdadeiramente a sério, isto é, morrer, por intermédio do arrependimento e da confissão dos nossos pecados – sobretudo os pecados mortais – e assim ressuscitar para a vida da Graça.
“Bendito seja o que vem em nome do Senhor!” A liturgia do Domingo de Ramos é como que um pórtico de ingresso solene na Semana Santa.
Esta liturgia associa dois momentos entre si contrastantes: o acolhimento de Jesus em Jerusalém e o drama da Paixão; o “Hosana!” de festa e o grito repetido várias vezes: “Crucifica-O!”; a entrada triunfal e a derrota aparente da morte na Cruz. Assim, antecipa o “momento” em que o Messias deverá sofrer muito, será morto e ressuscitará no terceiro dia (cf. Mt 16,21), e prepara-nos para viver em plenitude o mistério pascal.
Portanto, “Solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti” (Zc 9,9). Jerusalém, a cidade em que vive a memória de Davi rejubila ao receber Jesus. A cidade dos profetas, muitos dos quais nela sofreram o martírio por causa da Verdade. A cidade da paz, que ao longo dos séculos conheceu a violência, a guerra e a deportação.
De certa forma, Jerusalém pode ser considerada a “cidade-símbolo” da humanidade, sobretudo no dramático tempo em que vivemos neste Terceiro Milênio. Por isso, os ritos do Domingo de Ramos adquirem uma particular eloquência. Ressoam confortadoras as palavras de Zacarias: “Exulta de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti: ele é justo e vitorioso, humilde, montado num jumento. O arco de guerra será quebrado. Proclamará a paz para as nações” (Zc 9,9-10). Hoje estamos em festa, porque Jesus – o Rei da Paz – entra em Jerusalém.
“Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus!” Ouvimos de novo a clara profissão de fé, pronunciada pelo centurião, que “O viu expirar daquela maneira”. Daquilo que viu, surge o testemunho surpreendente do soldado romano, o primeiro que proclamou que aquele Homem crucificado “era o Filho de Deus”.
Senhor Jesus, também nós vimos como sofreste e como morreste por nós. Fiel até ao extremo, Tu nos libertaste da morte com a Tua morte. Senhor Jesus, como o oficial romano, confessamos a Tua condição de Filho de Deus crucificado. Que nós compreendamos o verdadeiro sentido de Tua paixão e possamos professar: VERDADEIRAMENTE ESTE HOMEM ERA FILHO DE DEUS!
Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel. Hosana nas alturas!

4 – AÍ VEM O NOIVO, IDE AO SEU ENCONTRO

«Exulta de alegria, filha de Sião!» (Za 9,9), alegra-te e exulta, Igreja de Deus, pois eis que o teu Rei vem a ti, eis o Esposo que chega, sentado num burro como num trono! Vamos depressa ao Seu encontro para contemplar a Sua glória. Eis a salvação do mundo: Deus avança para a cruz. Também nós, os povos, gritamos hoje com o povo: «Hosana ao Filho de David! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!» (Mt 21,9; Sl 118,26) […]
A Igreja celebra um dia de festa à sombra de Cristo, oliveira carregada de azeitonas na casa de Deus (Sl 52,10); celebra um dia de Festa com Cristo, lírio primaveril do Paraíso em flor. Porque Cristo está no meio da Igreja como verdadeiro lírio florido, raiz de Jessé que não julga o mundo mas o serve (Is 11,1.3). Ele está no meio da Igreja, fonte eterna donde jorram, não já os rios do paraíso (cf. Gn 2,10), mas Mateus, Marcos, Lucas e João, que regam os jardins da Igreja de Cristo. Hoje, nós, que somos novos e fecundos rebentos (cf Sl 128,3), levando nas mãos os ramos da oliveira, supliquemos a misericórdia de Cristo. «Plantados na casa do Senhor», florescendo na Primavera nos «átrios do nosso Deus», celebremos um dia de festa: «que o Inverno já passou!» (Sl 92,14; Ct 2,11) […]
Clamo com São Paulo, com voz santa e forte: «O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas» (2Co 5,17). […] Um profeta, olhando para este rei, grita: «Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo» (Jo 1,29) […]; e David, olhando para Cristo, saído da sua raça segundo a carne diz: «O Senhor é Deus; Ele tem-nos iluminado!» (Sl 118,27). Dia de festa admirável, pela sua novidade, surpreendente e estupenda: as crianças aclamam a Cristo como Deus e os sacerdotes maldizem-n’O, as crianças adoram-n’O e os doutores da lei desprezam-n’O e caluniam-n’O. As crianças dizem: «Hosana!» e os Seus inimigos gritam: «Crucifica-O!» Aquelas juntam-se ao redor de Cristo com palmas, estes atiram-se a Ele com espadas; aquelas cortam os ramos, estes preparam uma cruz.

5 – ENTRADA MESSIÂNICA EM JERUSALÉM

1. Jesus entra na Cidade Santa, montado num jumentinho! O jumento era o animal das pessoas simples do campo! Além disso, trata-se de um jumento que nem sequer lhe pertence, mas que Jesus, para essa ocasião, pede emprestado! Vede então: Jesus não chega a Jerusalém, num majestoso carro de luxo, nem a cavalo, como os poderosos deste mundo, mas montado um jumento emprestado!
2. A mensagem é clara: o seu reino não consiste no poder dos seus exércitos submeterem os outros, pela força ou pela violência; o seu reino funda-se num poder maior, que conquista os corações: o amor de Deus, que Ele trouxe ao mundo com o seu sacrifício, e a verdade de que deu testemunho! Este é o seu domínio, que ninguém Lhe poderá tirar e que ninguém deve esquecer.
3. Deste modo, Jesus cumpre, em pleno, aquela profecia, que anunciava a vinda de um Messias, pobre e humilde, que havia de vir, como um rei de paz, “quebrar o arco de guerra”, exterminar da terra os carros de guerra e os cavalos de batalha, e assim “proclamar a paz para as nações” (Zac 9,10). Em Cristo, tal promessa concretiza-se, mediante o sinal da Cruz!
4. A Cruz é então o “arco quebrado”! Já não o arco, que atira sobre os outros as flechas do ódio e da vingança, mas sim o “arco-íris”, que anuncia o tempo da bonança, depois da tempestade, que sinaliza o tempo da paz, entre Deus e a humanidade, que representa a harmonia entre o céu e a terra! “A cruz é, na verdade, o novo e autêntico arco-íris de Deus, que une o céu e a terra e lança uma ponte sobre os abismos e entre os continentes. A nova arma, que Jesus coloca nas nossas mãos, é a Cruz sinal de reconciliação e de perdão, sinal do amor, que é mais forte do que a morte” (Bento XVI). Na Cruz, “Cristo é o verdadeiro e único «arco-íris», sinal de aliança e de paz, para o género humano e para o mundo inteiro”.
5. Por isso, construir o arco-íris – como o fizemos e ainda estamos a fazer, ao longo desta quaresma e até à Páscoa – significa aderir a Cristo, acolhê-l’O na própria vida e anunciá-l’O aos outros” (Beato João Paulo II).

6 – JESUS É CRUCIFICADO

1. O Senhor Deus abriu-nos e despertou-nos os ouvidos. E nós escutámos, como escutam os discípulos, a dramática história da Paixão de Jesus. Diante dos nossos olhos, passaram, como que numa galeria de quadros, os rostos de variadas pessoas, que se confrontaram com Jesus, no caminho da cruz! Todos e cada um deles, com uma resposta diferente: traindo ou acusando, negando ou entregando, magoando ou ferindo, ou então ajudando e olhando, acolhendo e compadecendo-se! Mas todos eles, estão diante de um Jesus, sempre igual e sereno, no seu comportamento, mesmo se a hostilidade e a violência vão aumentando, sempre e cada vez mais!
2. Eles vêm com espadas e varapaus, para o prender, mas Jesus só tem a arma cortante da Palavra, com que ensinava no Templo! Eles cospem-no, tapam-Lhe o rosto com o véu, dão-Lhe punhadas. E Jesus responde com a arma incómoda do silêncio, devolvendo os insultos, com um olhar de amor. Eles ferem Jesus, açoitam-no, impõem-lhe mesmo uma coroa de espinhos, batem-lhe na cabeça, tiram-lhe as vestes! E Jesus não dispara, com o seu arco de guerra, as flechas do ódio, da vingança, da raiva. Pelo contrário, “entrega-se às nossas mãos, deixando-se pregar numa cruz, estendo os braços, como sinal indelével da aliança”. E ali, exposto ao nosso olhar, deixa a nossa alma, “ferida de amor” (Ct.2,5)! Ali, morto na cruz, Jesus, o único Justo, dobra, move e comove o coração dos tementes a Deus, “para que os inimigos procurem entender-se, os adversários se deem as mãos e os povos se encontrem na paz e na concórdia” (Prefácio da O.E.II da Reconciliação).
3. Assim, a nova arma, que Jesus coloca nas nossas mãos, é a Cruz, sinal de reconciliação e de perdão, sinal do amor, que é mais forte do que a morte. Por isso, o dissemos há pouco e repetimos: “A Cruz de Cristo, é o novo arco-íris, sinal de aliança e de paz, para o género humano e para o mundo inteiro”.
4. Esta semana, vivamos a aliança, com Jesus, seguindo-O, no caminho da Cruz. Todos os dias, comecemos por fazer bem o sinal da cruz, ao levantar e ao deitar. Cada vez que o fazemos, devemos recordar que não podemos opor-nos a uma injustiça com outra injustiça, a uma violência com outra violência; devemos recordar que só podemos vencer o mal com o bem! O discípulo de Jesus não responde ao mal com o mal, mas é sempre um instrumento do bem, arauto do perdão, portador da alegria. Se deixarmos o amor de Cristo transformar o nosso coração, então poderemos mudar o mundo.
5. Para isso, digamos, todos os dias: “Senhor, fazei de mim, um arco-íris de bem, de harmonia e d’esperança. Ele será um sinal da vossa eterna aliança”!

7 – NA VERDADE, ESTE HOMEM ERA FILHO DE DEUS

Hoje, na Liturgia da palavra lemos a paixão do Senhor segundo São Marcos e escutamos um testemunho que nos deixa estremecidos: «Na verdade, este homem era Filho de Deus!» (Mc 15,39). O Evangelista tem muito cuidado em colocar estas palavras em lábios de um centurião romano, que atônito, assistiu a uma execução mais entre tantas que deveria presenciar devido a sua permanência num país estrangeiro e submetido.
Não deve ser fácil se perguntar que viu Naquele rosto – quase desfigurado – como para emitir semelhante expressão. De uma forma ou de outra descobriu um rosto inocente; alguém abandonando e talvez atraiçoado, a mercê de interesses particulares; o quiçá alguém que era objeto de uma injustiça em meio de uma sociedade não muito justa; alguém que cala, suporta e, inclusive de forma misteriosa aceita tudo o que vem. Tal vez, inclusive, se sentiu colaborador de uma injustiça diante da qual ele não pôde mover nem um dedo para impedi-la, como tantos outros se lava as mãos diante os problemas dos outros.
A imagem daquele centurião romano é a imagem da Humanidade que contempla. É, ao mesmo tempo, a profissão de fé de um pagão. Jesus morre só, inocente, golpeado, abandonado e confiado também, com um sentido profundo de sua missão, com os “restos de amor” que os golpes tinham deixado no seu corpo.
Mas, antes – na sua entrada em Jerusalém – lhe aclamaram como Aquele que vem em nome do Senhor (cf. Mc 11,9). Nossa aclamação este ano não é de expectativa, ilusionada e sem conhecimento, como a de aqueles habitantes de Jerusalém. Nossa aclamação dirige-se Àquele que já passou pela doação total e que saiu vitorioso. Em fim, «nós deveríamos nos prosternar aos pés de Cristo, não pondo sob seus pés nossas túnicas ou ramas inertes, que muito pronto perderiam seu verdor, seu fruto e seu aspecto agradável, senão nos revestindo de sua graça» (Santo André de Creta).

8 – INICIAMOS HOJE A SEMANA SANTA!

Iniciamos hoje a semana Santa!
Para nós cristãos, a semana Santa é um tempo forte, em que estaremos reunidos em comunidade, para contemplarmos os últimos passos de Jesus a caminho da cruz e principalmente, para celebrarmos a vida que a morte não venceu!
A liturgia nos faz entrar no mistério do amor do Pai, nos prepara para vivermos de maneira intensa, livre e amorosa, o momento mais importante do ano litúrgico: A PÁSCOA DO SENHOR JESUS!
Aprendemos muito durante a nossa caminhada quaresmal, mas ainda há muito que aprender, pois temos uma missão muito importante: fazer chegar a tantos corações sombrios, a luz do Cristo Ressuscitado.
O caminho que percorremos nos aproximou mais do amor, da bondade de Deus, nos trouxe a certeza de que temos tudo para sermos felizes: um Deus que nos ama, que não desiste de nós, que entregou seu Filho para pagar o preço do nosso resgate!
Não pensemos que foi fácil para Jesus, passar por tamanho sofrimento, pois Ele, assim como nós, não era isento das dores físicas e nem das dores da alma!
A entrada festiva de Jesus em Jerusalém marca o início de seu calvário.
Jesus é aclamado pelo povo oprimido, sem voz e sem vez e para se identificar com eles, entra em Jerusalém montado num jumentinho, instrumento de trabalho dos pobres!
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém foi uma maneira forte de proclamar a chegada do Messias, o Rei tão esperado pelos pequenos!
“As multidões que iam à frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam: “Hosana ao filho de Davi”! “Bendito o que vem em nome do Senhor”! Hosana no mais alto dos céus”! Tamanha aclamação, provocou ira nos seus adversários que sentindo ameaçados de perder os seus tronos, apressaram em dar fim na pessoa de Jesus, usando como sempre a força política e religiosa, como mecanismo de morte.
Nas celebrações da semana santa, nós nos comovemos diante das encenações da Paixão e morte de Jesus, achamos uma injustiça o que fizeram com Ele, mas será que nós, não continuamos de alguma forma, fazendo o mesmo com Jesus na pessoa do nosso irmão? Será que hoje, nós também não estamos crucificando-O no nosso dia a dia, com as nossas atitudes?
Não podemos esquecer de que toda vez que não praticamos a justiça, a solidariedade, que negamos ajuda ao nosso irmão, estamos também crucificando Jesus! E ao contrário, todo vez que praticamos a justiça, que promovemos o nosso irmão, estamos ressuscitando-O!
Rasguemos, pois, as vestes do “homem” velho, para revestirmos do “homem” novo, que aprendeu com Jesus a partilhar a vida, a ser vida para o outro, para que assim, possamos desde já, vivenciar o grande sentido da páscoa: Passagem… Vida nova… Renovação…
Celebrar a Páscoa é celebrar a vida, é resgatar valores hoje tão esquecidos, como a fidelidade, a defesa da vida, o respeito humano…
Como verdadeiros seguidores do Cristo Vivo, que caminha no meio de nós, devemos estar sempre disposto a enfrentar toda e qualquer situação de perigo, para levar em frente a nossa missão de portadores e anunciadores do amor, pois uma certeza carregaremos conosco: Jamais estaremos sozinhos, se temos um Deus que é Pai, que nunca abandona um filho seu!
Precisamos entrar na dinâmica do Reino, carregar a bandeira do Cristo vivo, pois Ele deixou para cada um de nós, uma importante missão: dar continuidade a sua missão aqui na terra.
Quiseram eliminar aquele que acolheu os pobres, os abandonados, que defendeu a vida, mas não conseguiram, pois a vida vence quando se diz “SIM”, ao amor!
Contemplando os últimos passos de Jesus, chegaremos a ressurreição!

9 – JESUS QUIS MOSTRAR AOS HOMENS QUE DEUS TEM O PODER DE MANIFESTAR-SE NA SIMPLICIDADE E NA PUREZA DA SUA CRIAÇÃO

Jesus caminhava para Jerusalém decidido a cumprir fielmente tudo o que a Sagrada Escritura por meio dos profetas já havia anunciado. Por isso, passo a passo, Ele ia preparando o cenário da Sua História de forma tal que hoje, nós pudéssemos aprender com Ele a fazer tudo de acordo com a vontade de Deus. Ora, na realidade Jesus era o Rei do Universo, o Enviado do Pai, Aquele sobre o qual os profetas já haviam profetizado, porém, ao mesmo tempo Ele confundia a todos quando pedia aos dois discípulos que fossem em busca de “um jumentinho, em que não montou ainda homem algum”; Jesus tinha um propósito em tudo o que fazia e, com certeza, Ele quis mostrar aos homens que Deus tem o poder de manifestar-se na simplicidade e na pureza da Sua criação.
Apesar de humilde aquele animal era um sinal de que a grandeza de Deus se revela por meio de nós quando nós nos propomos a ser simples instrumentos Seus no meio dos homens. E foi montado num jegue que Jesus teve a Sua entrada triunfal em Jerusalém e foi aclamado como Rei, demonstrando que a obra de Deus se expressa no coração do homem, mesmo que seja ele, infiel e traidor. O mesmo povo que aclamou Jesus no Domingo de Ramos O condenaria dias depois e gritaria para que Ele fosse crucificado. Nós podemos ser o jumentinho casto que, com humildade, conduz Jesus para ser aclamado Senhor ou podemos ser o povo que exalta a Jesus hoje, mas, no outro dia O condena, porque pecamos.
Precisamos, no entanto, ter o máximo cuidado quando nos propomos a ser o jumentinho que carrega Jesus para que, não O derrubemos querendo aparecer mais do que Ele. O grito de Hosana deve ser levantado aclamando a Jesus e não a nós, simples jumentinhos do Senhor. Que sejamos o jumentinho sem pretensões no qual ainda não montou homem algum a fim de que possamos levar a multidão a exaltar a Jesus dizendo também: Reflita “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!” – Você se considera humilde como um jumentinho que conduz Jesus no meio dos homens? – Como você se comporta quando leva Jesus para ser conhecido? – Você gosta de aparecer? – Você tem consciência de que faz parte desse povo que aclama Jesus como Rei, mas O condena quando peca?
Amém!
Abraço carinhoso.

10 – HOSANA NO MAIS ALTO DOS CÉUS!

Iniciamos hoje a semana Santa!
Para nós cristãos, a semana Santa é um tempo forte, em que estaremos reunidos em comunidade, para contemplarmos os últimos passos de Jesus a caminho da cruz e principalmente, para celebrarmos a vida que a morte não venceu!
A liturgia nos faz entrar no mistério do amor do Pai, nos prepara para vivermos de maneira intensa, livre e amorosa, o momento mais importante do ano litúrgico: A PÁSCOA DO SENHOR JESUS!
Aprendemos muito durante a nossa caminhada quaresmal, mas ainda há muito que aprender, pois temos uma missão muito importante: fazer chegar a tantos corações sombrios, a luz do Cristo Ressuscitado.
O caminho que percorremos nos aproximou mais do amor, da bondade de Deus, nos trouxe a certeza de que temos tudo para sermos felizes: um Deus que nos ama, que não desiste de nós, que entregou seu Filho para pagar o preço do nosso resgate!
Não pensemos que foi fácil para Jesus, passar por tamanho sofrimento, pois Ele, assim como nós, não era isento das dores físicas e nem das dores da alma!
A entrada festiva de Jesus em Jerusalém marca o início de seu calvário.
Jesus é aclamado pelo povo oprimido, sem voz e sem vez e para se identificar com eles, entra em Jerusalém montado num jumentinho, instrumento de trabalho dos pobres!
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém foi uma maneira forte de proclamar a chegada do Messias, o Rei tão esperado pelos pequenos!
“As multidões que iam à frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam: “Hosana ao filho de Davi”! “Bendito o que vem em nome do Senhor”! Hosana no mais alto dos céus”! Tamanha aclamação, provocou ira nos seus adversários que sentindo ameaçados de perder os seus tronos, apressaram em dar fim na pessoa de Jesus, usando como sempre a força política e religiosa, como mecanismo de morte.
Nas celebrações da semana santa, nós nos comovemos diante das encenações da Paixão e morte de Jesus, achamos uma injustiça o que fizeram com Ele, mas será que nós, não continuamos de alguma forma, fazendo o mesmo com Jesus na pessoa do nosso irmão? Será que hoje, nós também não estamos crucificando-O no nosso dia a dia, com as nossas atitudes?
Não podemos esquecer de que toda vez que não praticamos a justiça, a solidariedade, que negamos ajuda ao nosso irmão, estamos também crucificando Jesus! E ao contrário, todo vez que praticamos a justiça, que promovemos o nosso irmão, estamos ressuscitando-O!
Rasguemos, pois, as vestes do “homem” velho, para revestirmos do “homem” novo, que aprendeu com Jesus a partilhar a vida, a ser vida para o outro, para que assim, possamos desde já, vivenciar o grande sentido da páscoa: Passagem… Vida nova… Renovação…
Celebrar a Páscoa é celebrar a vida, é resgatar valores hoje tão esquecidos, como a fidelidade, a defesa da vida, o respeito humano…
Como verdadeiros seguidores do Cristo Vivo, que caminha no meio de nós, devemos estar sempre disposto a enfrentar toda e qualquer situação de perigo, para levar em frente a nossa missão de portadores e anunciadores do amor, pois uma certeza carregaremos conosco: Jamais estaremos sozinhos, se temos um Deus que é Pai, que nunca abandona um filho seu!
Precisamos entrar na dinâmica do Reino, carregar a bandeira do Cristo vivo, pois Ele deixou para cada um de nós, uma importante missão: dar continuidade a sua missão aqui na terra.
Quiseram eliminar aquele que acolheu os pobres, os abandonados, que defendeu a vida, mas não conseguiram, pois a vida vence quando se diz “SIM”, ao amor!
Contemplando os últimos passos de Jesus, chegaremos a ressurreição!
FIQUE NA PAZ DE CRISTO!

11 – ACOLHAMOS NOSSO REI!

Lembro-me quando Pedro Augusto Rangel elegeu-se primeiro prefeito da minha cidade de Votorantim recém emancipada, e o povo se aglomerava no jardim “Bolacha”, onde ele passou com um grupo numeroso, a gente ficava na calçada em meio a multidão e acenávamos com a mão, enquanto que ele nos retribuía com acenos e sorrisos. Eu me senti orgulhoso por estar lá, apesar de ser um menino, pois o fato do prefeito ter retribuído o aceno, dava-me a nítida impressão de que ele olhava para mim. Essa troca de olhares, sorrisos, acenos, tudo é um sinal exterior daquilo que interiormente estamos sentindo. Eu na verdade não sentia nada, mas percebi que meu pai estava emocionado e dizia todo radiante “Esse é dos nossos, é do povão”.
O povo simples, postado á beira do caminho que levava a Jerusalém, se identificavam com Jesus de Nazaré, havia em todos aqueles corações, marcados pela esperança, um sentimento de alegria, porque o esperado reino messiânico estava chegando naquele homem: Jesus de Nazaré, montado em um jumentinho, para por um fim no reino da pomposidade. O mesmo sentimento presente no coração do povo estava também no coração do Messias, porém, a salvação e libertação, que ele trazia, era em seu sentido mais amplo.
A procissão do Domingo de Ramos exterioriza esse acolhimento, essa aceitação de Jesus, no coração e na vida de quem crê mais precisamos tomar muito cuidado, para que o nosso canto de Hosana, não fique no oba-oba do entusiasmo momentâneo, pois proclamá-lo nosso Rei e Senhor, significa um rompimento com qualquer mentalidade ou cultura da modernidade, é a experiência profunda da conversão sincera, é a prática de uma espiritualidade que ultrapassa a religiosidade ou o simples devocional, e que nos coloca na linha do discipulado. A ruptura se faz necessária justamente porque as vozes contrárias ao Reino, dos Poderes do mundo, tentarão sempre abafar ou distorcer a palavra de Deus. Por isso, o servo sofredor, apresentado por Isaias na primeira leitura, é alguém “duro na queda”, inflexível, convicto da missão, e que nunca se deixa “engambelar”, porque tem a língua sempre afiada, não para cortar a vida do próximo, mas para proclamar as Verdades de Deus, reconfortando os tristes e abatidos, despertando esperança no coração de todos os que o ouvem. Ainda é esse mesmo Deus que lhe abre ou ouvidos para que escute como discípulo.
Escutar como discípulo requer a disposição interior em doar-se totalmente por esta causa, por isso este Servo sofredor, que a igreja aplicou a Jesus, coloca toda sua confiança no Deus que vem ao seu auxílio, e que jamais o irá desapontar. Há ainda nessa liturgia, uma atitude que não deve faltar na vida de quem se dispõe a acolher Jesus Cristo como seu único Senhor e Salvador, é o esvaziamento, em grego “kênose”, que encontramos na segunda leitura dessa liturgia, quem quiser encher-se como um pavão, e alimentar a vaidade da santidade, nunca poderá ser discípulo autêntico, pois o Cristo que hoje acolhemos é o Cristo da vergonha e humilhação, é o Cristo rebaixado á condição de servo, é o Cristo que morre nu, pendurado em uma cruz, em uma morte vergonhosa e extremamente humilhante.
Acolher e ovacionar Jesus neste domingo de ramos é bastante comprometedor, por isso que a procissão expõe a fé da nossa igreja publicamente, acenar com os ramos, cantar nossos hinos de louvores e de Hosana, significa a disposição, a coragem e a fidelidade, para percorrer esse mesmo caminho, na firmeza inabalável, ainda que o mundo nos apresente tantos atalhos sedutores, onde podemos ser cristãos adocicados, ou se preferirem, cristãos de “meia tigela”, sem sofrimento e sem nenhum compromisso com o ensinamento do evangelho, como dizia um “cumpadre” na porta da igreja, em tom de brincadeira “Ser cristão é coisa muito boa, o que atrapalha é a cruz”, assim pensa a maioria dos cristãos da modernidade, e o próprio Pedro – Chefe da Igreja – também pensava, pois negou o mestre por três vezes, hoje se nega muito mais.
O evangelho da paixão nos mostra o elemento fundamental na vida do cristão: a oração, mas não aquela em que choramingamos diante de Deus, pedindo para que ele mude a nossa sorte, nos favorecendo em tudo aquilo que queremos, mas oração igual a de Cristo em sua agonia.
E finalmente, em um momento tenebroso, Lucas descreve a prisão de Jesus, como uma vitória momentânea das trevas sobre a luz. Jesus hoje continua preso, querem abafar o seu ensinamento, distorcer a essência do seu evangelho, amenizar as exigências do ser cristão, transformando-o em um cristianismo mais “light”. É bom durante a procissão de ramos, fazermos um questionamento: De que lado nós estamos? Senão, esta Semana chamada de Santa, será apenas mais uma entre muitas, cheia de piedade e devoção, e sensibilidade capaz de arrancar lágrima dos olhos, nada que uma boa dramatização teatral, também não consiga fazê-lo…

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MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Seguindo os passos de Jesus, hoje fazemos memória de sua entrada em Jerusalém. Com os ramos nas mãos, acolhemos aquele que vem a nós como humilde rei servidor. Manifestemos nossa alegria, aclamando com todo o povo: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor!”

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

A palavra de Deus nos questiona quem é Jesus para nós. E ela mesma nos responde que ele é o “servo sofredor”, aquele que “se esvaziou a si mesmo” e é o próprio “Filho de Deus”.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Glória e louvor a vós, ó Cristo. Jesus Cristo se tornou obediente, obediente até a morte numa cruz; pelo que o Senhor Deus o exaltou e deu-lhe um nome muito acima de outro nome (Fl 2,8s).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Antífona da comunhão

Ó Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade! (Mt 26,42)

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Deus eterno de todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

Neste domingo solene, invoquemos a bondade de Deus, que se revelou em Jesus e em cada um de nós, dizendo:

— Abençoai, Senhor, o vosso povo.

— Vinde, Senhor, em socorro de vossa Igreja, para que seja fiel a exemplo do vosso Filho. Nós vos pedimos.
— Sustentai os ministros ordenados e leigos, para que nunca desanimem na missão. Nós vos pedimos.
— Curai os doentes que vos buscam e amparai todos os sofredores. Nós vos pedimos.
— Olhai com amor os que são esquecidos e abandonados pela sociedade. Nós vos pedimos.
— Consolai as vítimas da violência e sede luz para a sociedade que busca a paz. Nós vos pedimos.

Concluamos as preces com a oração da Campanha da Fraternidade:

Senhor Deus de amor, / Pai de bondade, / nós vos louvamos e agradecemos pelo dom da vida, / pelo amor com que cuidais de toda a criação. / Vosso Filho, Jesus Cristo, / em sua misericórdia, / assumiu a cruz dos enfermos e de todos os sofredores, / sobre eles derramou a esperança / de vida em plenitude. / Enviai-nos, Senhor, o vosso Espírito. / Guiai a vossa Igreja, / para que ela, pela conversão, / se faça sempre mais solidária / às dores e enfermidades do povo / e que a saúde se difunda sobre a terra. Amém.

Oração sobre as oferendas

Ó Deus, pela paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, sejamos reconciliados convosco, de modo que, ajudados pela vossa misericórdia, alcancemos pelo sacrifício do vosso Filho o perdão que não merecemos por nossas obras. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Saciados pelo vosso sacramento, nós vos pedimos, ó Deus: como, pela morte de vosso Filho, nos destes esperar o que cremos, dai-nos, pela sua ressurreição, alcançar o que buscamos. Por Cristo, nosso Senhor.

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