LDP: 27/JUL/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

27/JUL/2012 (sexta-feira)

LEITURAS

Jeremias 3,14-17 (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

14 ”Convertei-vos, filhos, que vos tendes afastado de mim, diz o Senhor, pois eu sou vosso Senhor; vou tomar-vos, um de uma cidade e dois de uma família, e vos reconduzirei a Sião; 15 eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentarão com clarividência e sabedoria. 16 Quando vos tiverdes multiplicado e crescerdes na terra, naqueles dias, diz o Senhor, não se falará mais da ‘arca da aliança do Senhor’; ela não virá à memória de ninguém, não se lembrarão dela, não a procurarão nem fabricarão outra. 17 Naquele tempo, chamarão Jerusalém Trono do Senhor, em torno dela se reunirão, em nome do Senhor, todos os povos; eles não se deixarão mais levar pelas inclinações de um coração mau”.

Salmo Jeremias 31,10.11-12ab.13 (R. Cf. 10d) (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

— 10d O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.
— 10 Ouvi, nações, a palavra do Senhor e anunciai-a nas ilhas mais distantes: ‘Quem dispersou Israel, vai congregá-lo, e o guardará qual pastor a seu rebanho!’
— 11 Pois, na verdade, o Senhor remiu Jacó e o libertou do poder do prepotente. 12a Voltarão para o monte de Sião, + entre brados e cantos de alegria 12b afluirão para as bênçãos do Senhor:
— 13 Então a virgem dançará alegremente, também o jovem e o velho exultarão; mudarei em alegria o seu luto, serei consolo e conforto após a guerra.

Evangelho de Jesus Cristo segundo as palavras de Mateus 13,18-23 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18 “Ouvi a parábola do semeador: 19 Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. 20 A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; 21 mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo. 22 A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto. 23 A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta”.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

Que tipo de terreno sou? À margem do caminho? Pedras? Espinhos ou terra boa? Disseram os bispos, em Aparecida: “Desconhecer a Escritura é desconhecer Jesus Cristo e renunciar a anunciá-lo. Daí o convite de Bento XVI: “Ao iniciar a nova etapa que a Igreja missionária da América Latina e do Caribe se dispõe a empreender, a partir desta V Conferência em Aparecida, é condição indispensável o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus.” (DAp 247).

… a VERDADE …

Jesus fala de tipos diferentes de terreno: a margem do caminho, pedregoso, espinheiro e terra boa. A Palavra de Deus é como a semente que é jogada nestes mais diferentes terrenos. Jesus explica: a margem do caminho é símbolo da exposição ao maligno, ou seja, ao que opõe bem. O terreno pedregoso é aquele que não permite raízes, é superficial. Os espinhos simbolizam as preocupações e a busca de riquezas que distraem e não dão espaço para a Palavra de Deus. A terra boa simboliza as pessoas que têm coração aberto e livre para acolher a Palavra.

… e a VIDA …

Pai, enche de misericórdia o meu coração para que, como Jesus, eu me solidarize com os pecadores, e procure atraí-los para ti.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Meu novo olhar é iluminado pelas palavras dos bispos em Aparecida: “É condição indispensável o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus, Por isto, é necessário educar o povo na leitura e na meditação da palavra: que ela se converta em seu alimento para que, por experiência própria, vejam que as palavras de Jesus são espírito e vida (cf. Jo 6,63). Do contrário, como vão anunciar uma mensagem cujo conteúdo e espírito não conhecem profundamente? É preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda nossa vida na rocha da Palavra de Deus” (DAp 247).

REFLEXÕES:

1 – A EFICÁCIA DA PALAVRA DE DEUS

Esta explicação da parábola do semeador parece ter sido elaborada entre as primeiras comunidades. É uma interpretação alegórica aplicada aos seus contextos atuais, fugindo ao estilo de Jesus. A ênfase é a maneira como é acolhida a palavra de Jesus. Descrevem-se os resultados da missão: aquele ouve a palavra sem entendê-la, pois o sistema religioso das sinagogas o retém nas malhas de sua tradição, roubando a palavra semeada em seu coração; outro recebe a palavra com alegria, como discípulo, porém defronta-se com a perseguição às comunidades e desiste logo; outro ouve a palavra, porém não quer ir contra o sistema que seduz, ilude e promete riquezas; contudo, há quem ouve a palavra, a entende e insere-se na comunidade dando frutos abundantes. Nestes últimos a Palavra de Deus foi eficaz. O sucesso da missão não está na adesão imediata das multidões, mas no anúncio do Reino, que dia e noite cresce sem parar.

2 – A PALAVRA É COMO A SEMENTE

Todos nós falamos muito em felicidade e todas as pessoas desejam ser felizes. Em nome da felicidade as pessoas fazem as maiores proezas e correm os maiores riscos. A felicidade está sempre naquilo que nós mais valorizamos na nossa vida. É justamente aqui que nós encontramos o elemento de análise principal para encontrarmos a causa de tanto sofrimento e tanta dor que estão presentes no mundo de hoje. Deus é o valor absoluto e somente a partir dele pode haver felicidade verdadeira. Qualquer felicidade que encontre o seu fundamento fora de Deus, coloca o seu fundamento em um falso valor, de modo que é na verdade uma falsa felicidade, que só pode trazer dor e sofrimento.

3 – OUVIR E COMPREENDER

A Palavra de Deus exige, além da audição, uma correta compreensão. Ouvir a Palavra, mas sem entendê-la, ou melhor, sem perceber suas implicações práticas, nem sentir-se questionado por ela, é inútil. Assim acontece com quem permite que o Maligno lhe arrebate do coração a palavra semeada. O mesmo se dá com quem sucumbe diante das tribulações e perseguições, ou se deixa sufocar pelas preocupações deste mundo e pela fascinação das riquezas. Todas estas circunstâncias são indício seguro de que a Palavra se deteve nos limites da audição, sem chegar a ser compreendida. Quem ouve a palavra e a entende, certamente, viverá de acordo com ela. Trata-se de uma compreensão prática, explicitada no nível existencial. É no dia-a-dia, nas circunstâncias mais simples da vida, que se revelam os níveis desta compreensão. Mantendo-se imune às investidas do Maligno, o discípulo segue firme no caminho traçado pela Palavra. Nada é suficientemente forte para demovê-lo de seu projeto de vida, pois ele deixou-se seduzir pelo Reino, não por mundanismos efêmeros. Portanto, a passagem da audição à compreensão existencial é um movimento que exige do discípulo um exercício de conversão e disponibilidade para a ação de Deus. Sem isto, a Palavra permanece estéril.

4 – QUANDO A PALAVRA É EFICAZ?

Caríssimos, fico a pensar se, no tempo das primeiras comunidades cristãs, existiam pessoas que se perguntavam entre elas: “Mas tal pessoa ouviu a Palavra de Deus, mas não tem vivência cristã?” Ou ainda: “Fulano começou tão bem na Igreja… Agora abandonou tudo?” O Evangelho de hoje, quando nos apresenta a interpretação de Jesus quanto a parábola do semeador (cf. Mt 13, 18-23) não vem nos dar matéria para julgarmos aos outros, mas para lançarmos sobre nós mesmos um olhar, mais profundo, quanto ao nosso relacionamento com a Palavra de Deus e o testemunho que temos transmitido uns aos outros, os tais frutos. Interessante perceber que a explicação que Jesus, o Divino Semeador, faz de Sua parábola do semeador está endereçada a este tipo – necessário e diário – de exame de consciência. Até porque o problema nunca estará na Palavra de Deus, quando anunciada corretamente: “Pois a Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Julga os pensamentos e as intenções do coração” (Hb 4,12). Mas como está o nosso acolhimento? Esta Palavra dependerá não somente da escuta externa, mas de uma compreensão interior da mesma, para que os frutos sejam produzidos “um cem, outro sessenta e outro trinta” (v. 23). Contudo, não significa que o Senhor considere “tudo fácil”, como se não houvessem pressões internas e externas que possam “abortar” a eficácia concreta da Vontade de Deus a nosso respeito. São várias as forças contraditórias, tão conhecidas pelo Senhor, a ponto d’Ele mesmo elencar algumas realidades: compromisso com Deus, só baseado em emoções momentâneas (v.21); estar desprotegido perante as solicitações da vida e das tentações (v.22). E outras tantas fraquezas que Jesus não trata com indiferença, muito pelo contrário, Ele quer cuidar e auxiliar com a Sua Infinita Misericórdia e ação do  Poderoso Espírito. Por isso, não podemos arrumar desculpas, como: “Somos frutos destas circunstâncias e vítimas das pressões que nos rodeiam! Somos fracos! Resultado do meio em que nascemos e vivemos!” Se fosse assim, meu irmão e irmã, você haveria de concordar comigo, que Nosso Senhor teria que ter pregado para os anjos bons, e não a nós, pobres pecadores! Mas quem disse que Ele veio nos salvar pelos nossos méritos e meios puramente humanos e falíveis? A Palavra encarnada veio, na certeza que seríamos – e de fato fomos! – salvos pelos méritos de Cristo e na força do Seu Espírito de Misericórdia. Instituiu a Igreja como serva da Palavra e instrumento desta Salvação, no poder do Crucificado-Ressuscitado. Sabemos que, mesmo assim, o crescimento na vivência do plano de amor que o Pai tem para nós (e para cada um em particular), é um drama que não permite “romantismos melosos” e nem uma “tragédia”. Dentro da liberdade de cada um, diariamente, pela “fé que opera pelas obras” (cf. Gl 5,5), precisamos nos abrir à graça do Senhor para sermos “terras boas”, através das quais os que nos conhecerem possam se “alimentar” do nosso testemunho e glorificar ao Pai do Céu pelas nossas boas obras (cf. Mt 5,16). O contrário poderá ser uma infundada desconfiança da eficácia da Palavra, pois da parte do Divino Semeador sempre prevalecerá esta verdade: “A chuva e a neve que caem do céu para lá não voltam sem antes molhar a terra e fazê-la germinar e brotar, a fim de produzir semente para quem planta e alimento para quem come, assim também acontece com a minha palavra: Ela sai da minha boca e para mim não volta sem produzir seu resultado, sem fazer aquilo que planejei, sem cumprir com sucesso a sua missão” (Is 55,10-11). Enquanto da relação da Palavra e nós, os outros de forma correta ou não também dirão algo. E se nada disserem… Será que a nossa vida está comunicando algo? Façamos hoje e sempre o nosso exame de consciência à luz da Palavra eficaz.

5 – DAR FRUTO, DESEMBARAÇADO DOS CUIDADOS DESTE MUNDO

Avança com simplicidade nas vias do Senhor e não te preocupes. Odeia os teus defeitos, sim, mas tranquilamente, sem agitação nem inquietação. Há que ter paciência e tirar proveito deles com santa humildade. Se não houver paciência, em lugar de desaparecerem, as tuas imperfeições apenas crescerão. Pois não há nada que aumente tanto os nossos defeitos como a inquietação e a obsessão de nos libertarmos deles. Cultiva a tua vinha de comum acordo com Jesus. Cabe-te a ti a tarefa de retirar as pedras e arrancar os espinhos. A Jesus cabe a de semear, plantar, cultivar e regar. Mas mesmo no teu trabalho, é Ele que atua. Porque sem Cristo não conseguirias fazer nada.

6 – VÓS, PORTANTO, OUVI O SIGNIFICADO DA PARÁBOLA DO SEMEADOR

Hoje, contemplamos a Deus como um lavrador bom e magnânimo, que semeia com as mãos cheias. Não poupou nada para a redenção do homem, mas gastou tudo em seu próprio Filho, Jesus Cristo, que como grão enterrado (morte e sepultamento) converteu-se em nossa vida e ressurreição graças à sua santa Ressurreição. Deus é um agricultor paciente. Os tempos pertencem o Pai, porque só Ele sabe o dia e a hora (cf. Mc 13,32) de ceifar e de separar os grãos da palha. Deus espera. Também nós temos de esperar, sincronizando o relógio da nossa esperança com o desígnio salvador de Deus. Diz São Tiago «Olhai o agricultor: ele espera com paciência o precioso fruto da terra, até cair a chuva do outono ou da primavera» (Tg 5,7). Deus espera a colheita fazendo-la crescer com a sua graça. Nós tampouco não podemos dormir, mas devemos colaborar com a graça de Deus prestando a nossa cooperação, sem pôr obstáculos a esta ação transformadora de Deus. O cultivo de Deus que nasce e cresce assim na terra é um fato visível em seus efeitos; podemos vê-los nos milagres autênticos e nos exemplos clamorosos de santidade de vida. Há muita gente que depois de haver escutado todas as palavras e o ruído deste mundo, tem fome e sede de ouvir a autêntica Palavra de Deus, ali onde ela se encontra viva e encarnada. Há milhões de pessoas que vivem a sua pertença a Jesus Cristo e à Igreja com o mesmo entusiasmo inicial do Evangelho, pois a palavra divina «encontra a terra onde germinar e dar fruto» (São Agostinho); o que temos que fazer é levantar a nossa moral e olhar o futuro com olhos de fé. O êxito da colheita não se encontra nas nossas estratégias humanas nem no marketing, mas na iniciativa salvadora de Deus “rico em misericórdia” e na eficácia do Espírito Santo, que pode transformar as nossas vidas para que demos frutos saborosos de caridade e de contagiosa alegria.

7 – COMPREENDER A PALAVRA DE DEUS

“A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende”. A Palavra de Deus transforma a vida de uma pessoa quando tem fé e acredita nos ensinamentos. Somente a fé pode levar ao encontro das boas atitudes de Jesus, mas não basta ouvi-la, é preciso compreendê-la e agir de acordo com os preceitos da bondade e da caridade. Jesus fala para seus discípulos em parábolas na esperança do bom seguimento e da compreensão. Então, todos têm ouvidos e coração para ouvir a mensagem do Pai e para sentir a presença D’ele. O homem carrega em seu ser a essência e a semelhança do Criador. Ele é fruto das entranhas da divindade. Acontece que nem sempre corresponde ao chamado para fazer parte da família unida de Cristo e prefere o maligno. Este, por sua vez, adora a desgraça, o malfeito, a discórdia, a corrupção e toda forma degradante do Ser perante o Deus da vida.De certo modo o mesmo escuta a palavra de Deus, mas vive compactuando com o demônio, pensa que está enganando Deus, mas saiba que isto é praticamente impossível querer trapacear o Criador. Ele conhece muito bem cada filho e filha, não só por fora, mas conhece por dentro. Estas pessoas que ouve a palavra de Deus e não as praticam são como o semeador que joga a semente na beira do caminho. Elas ficam frágeis e a mercê dos espertalhões. Assim, num piscar de olhos, tudo foi roubado.Não tiveram firmeza. Assim também acontece com o cristão que não sedimentou sua fé no Cristo ressuscitado. Vive na aparência, no comodismo, na falsa fé, ou seja, aparentemente demonstra copiosa valia por tudo que está escrito no Santo Evangelho, mas basta uma pequena palavra do mal para acompanhá-lo. Este prefere a banalidade e a virilidade da vida pregressa, mas não tem a coragem de ser um terreno adubado, que possa produzir bons frutos. Tanto a semente que caiu em terreno pedregoso como as que caíram no meio dos espinhos não renderam bons frutos para seu produtor. Elas sofreram por serem semeadas em lugares impróprios para bom discernimento. A mesma coisa acontece com o homem que louva, encanta e busca Deus por querer algo em troca. Esta pessoa até fala em nome de Deus, mas não compreende para crescer em seu âmago toda a doçura da coisa boa de Deus. Portanto, a fé deve enraizar em toda a esfera do bem. A palavra de Deus deve ser vivida e amada para o amadurecimento concreto no Deus da verdade. O homem deve buscar o Deus e vivê-lo sem medida para o bem de todos. Amém!

8 – A SEMENTE É DE PRIMEIRA, A TERRA, NEM TANTO…

Perto da minha casa onde vivia minha infância, havia uma pequena quitanda, onde se vendia também sementes de hortaliças. Minha saudosa mãe sempre tinha no quintal um pedacinho de terra onde gostava de cultivar verduras, e ela me incentivava a cuidar do canteiro. Um dia decidi obedecer e seguindo seus conselhos fiz um canteirinho só para mim, e fui comprar as sementes. Como era desleixado e não zelava de maneira conveniente pelo canteiro, os brotinhos das hortaliças acabaram morrendo, por falta de água e de cuidados, fora o que os pardais comeram. Certa tarde em que ela me censurava pelo meu desleixo, respondi que as sementes é que não prestavam… É isso que Jesus explica aos discípulos neste evangelho. A Semente da Boa nova vem sendo fartamente semeada desde a encarnação de Jesus, primeiro por ele próprio e depois pela Igreja, desde a Era Apostólica, até os nossos tempos. O problema está na terra do coração do Homem, onde a semente cai. Às vezes não compreendemos a Palavra, sentimos necessidade de uma formação, de um aprofundamento, mas sempre deixamos para mais tarde, então as Forças do Mal levam a semente embora. Essa foi semeada á beira do caminho… Em outras ocasiões acolhemos a Palavra e a guardamos como uma nova ideologia ou Filosofia de Vida, mas não deixamos que ela se enraíze em nós, isso é, nos negamos a admitir que ela mude algo em nossa vida, são essas as sementes que caíram em terreno pedregoso, talvez pedregulhos de um exacerbado racionalismo que nos impede ter uma visão do Transcendental. Entãona primeira dificuldade a rejeitamos e ela permanece em nós mas na superficialidade do nosso ser. Há as sementes que caíram no meio do espinheiro, achamos a Palavra muito interessante, mas há em nosso íntimo outras raízes do espinheiro do egoísmo, que sufocam a Semente, no coração de um egoísta, de quem se recusa a viver em comunidade, na comunhão de vida com os irmãos e irmãs, nesse coração a pobre Semente da Palavra não a menor chance de frutificar. E quando se compreende a Palavra é porque vemos nela a possibilidade de algo novo e inédito em nossa vida, queremos que frutifique, cuidamos da terra do nosso coração, removemos os pedregulhos e espinhos, aplicamos o poderoso Fertilizante da Eucaristia e aos poucos vamos sentir a alegria de ver os frutos, que às vezes são poucos, outras vezes dão um pouco mais, e em outras vezes chegam a cem por cento. Nosso coração comporta todos esses tipos de solo, cuidar dele para que possa sempre frutificar, é dever de todos nós, como ensinou-me minha mãe a cuidar do pequeno canteiro. Quando somos desleixados com a Palavra, jogamos a culpa na semente, há os que, por conta disso mudam de igreja e de religião e vão se embora levando no coração muitos espinheiros, pedregulhos e terra seca, sem se darem conta disso.

9 – AQUELE QUE OUVE A PALAVRA E A COMPREENDE, ESSE PRODUZ FRUTO

Aquele que ouve a palavra e a compreende, esse produz fruto. O que significa entender a palavra do Reino? Significa, em primeiro lugar, mudar a maneira de pensar. Nossa cultura nos educa para que aceitemos unicamente as verdades da ciência. E isto é suficiente para química, física, astronomia e tecnologia em geral, mas é desastrosa para os problemas humanos, porque a causa dos conflitos nunca é física. Na vida humana há interferência de interesses e ideologias. Quando estes forem favoráveis à vida e ao bem comum, conduzem ao equilíbrio da vida social, do contrário, conduzem a catástrofes que todos conhecemos. Entender a palavra do Reino, em segundo lugar, significa aprender a valorizar, avaliar, discernir e priorizar o que é fundamental na existência. Significa também descartar o que é supérfluo na nossa vida. A sociedade consumista dos nossos dias nos empurra para o consumismo supérfluo. Ensina-nos a semear sua palavra com generosidade, porque somente os frutos nos indicarão as condições do terreno. Ensina-nos a buscar os meios para que o Reino se torne realidade.

10 – VIGIAI E ORAI, DIZ O SENHOR, PORQUE, ENQUANTO DORMIMOS O INIMIGO TRABALHA CONTRA NÓS

A boa semente é a Palavra de Deus que é plantada no bom terreno do nosso coração. A semente ruim é o conceito que também é plantado em nós enquanto dormimos, isto é, quando baixamos a vigilância nos nossos pensamentos, palavras e ações. O inimigo de Deus trabalha enquanto relaxamos o nosso zelo pela Palavra que foi semeada. No entanto, o inimigo sabe como nos impressionar, por isso, muitas vezes, nós confundimos as suas ideias “maravilhosas” e as acolhemos como se fossem sugestões de Deus e as perseguimos obstinadamente. Em todas as ocasiões da nossa vida, nas nossas escolhas, nas nossas decisões, quando temos que optar ou decidir por algo, precisamos estar atentos, pois o inimigo de Deus sutilmente nos oferece a semente do mal como se fosse algo maravilhoso sugerido por Deus. Na maioria das vezes nós caímos na cilada. Aí então, é que o Senhor nos recomenda um tempo de maturação e de discernimento. Não podemos, à primeira vista, querer arrancar o mal pela raiz sem termos convicção do que estamos pretendendo. O joio e o trigo, como conta a parábola se confundem em aspecto e aparência, no entanto, o seu efeito difere inteiramente. O trigo é o alimento que vem do céu e dá vida à nossa alma, o joio é o veneno que vem do inferno e nos leva para a morte. Trigo e joio estão dentro de nós, precisamos, porém, pacientemente pedir ao Senhor a graça de identificar o que nos dá vida e o que nos leva à morte para, conscientemente, cortar de vez com o mal. Fazendo uma análise, nós podemos avaliar o joio como a mágoa de alguém que nos desgostou, o desânimo, o medo e a indecisão que se confundem com covardia, a falsa modéstia que tem a aparência de humildade, a ambição que desnorteia o nosso crescimento humano, os desejos da carne que se confundem com os desejos da alma, a indiferença, a passividade, acomodação, etc. Vigiai e orai, diz o Senhor, porque, enquanto dormimos o inimigo trabalha contra nós. Reflita – Você tem dado guarida a pensamentos de tristeza, medo, desânimo? – Você confia na Palavra de Deus como bússola para o seu caminho? – Você consegue identificar qual o joio que existe no seu coração? – Você tem feito o discernimento para ver se os seus desejos condizem com os pensamentos do Senhor?

11 – AQUELE QUE OUVE A PALAVRA E A COMPREENDE, ESSE PRODUZ FRUTO

Aquele que ouve a Palavra e a compreende, esse produz fruto. Neste Evangelho, Jesus nos conta a parábola do semeador, e a explica detalhadamente. Nela encontramos a razão por que existem pessoas boas e pessoas más no mundo. A diferença começa no nosso modo de ouvir a Palavra de Deus. O semeador é Deus, a semente é a Palavra dele, que é o seu Filho, a Palavra de Deus encarnada. E o terreno somos nós. A Palavra de Deus é a mesma, e age sempre de modo igual em todas as pessoas. Mas os frutos não dependem só da semente, mas também do tipo de terreno. Às vezes a ouvimos, mas não a levamos a sério. “Entra por um ouvido e sai pelo outro”. É a terra de beira de estrada. As distrações agem em nós como os passarinhos, que levam a semente antes de ela brotar. Outras vezes, nós ouvimos ou lemos os discursos de Jesus, vestimos a carapuça e começamos a mudar de vida. Entretanto, não perseveramos. Este é o terreno pedregoso, onde a semente não chega a produzir fruto. A Palavra de Deus é como uma comida especial que “na boca é doce como o mel, mas quando cai no estômago, se torna amarga como o fel” (Ap 10,9). Por isso que há pessoas que sabem a Bíblia de cor, ou é doutor em teologia bíblica, mas não a “engolem”. Fica só no paladar. E pode acontecer de tentarmos seguir dois caminhos ao mesmo tempo: O de Deus e o do mundo pecador. É a Palavra que cresce entre os espinhos. O resultado é uma vida medíocre e de poucos resultados. Dificilmente escapamos desse tipo de terreno, em que “as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a Palavra, e ela não dá fruto”. “A semente que caiu em terra boa é aquele que ouve a Palavra e a compreende. Esse produz fruto.” Compreender é mais que entender, é entender com o coração, entender e viver o que entendeu. E é facílimo, porque a Palavra de Deus nos vem sempre acompanhada pela graça do Espírito Santo, que a faz crescer por si mesma, sem que percebamos. Esta parábola explica por que agora, mais de vinte séculos após a vinda de Jesus, o mundo ainda está tão distante do seu Evangelho: violências, drogas, abortos, famílias desestruturadas… A culpa não está em Deus, evidentemente. Está no tipo de terreno que somos, que não deixa a Palavra de Deus produzir frutos. “O justo crescerá como a palmeira… Plantados na casa do Senhor, até na velhice darão frutos” (Sl 92,13-14). Façamos agora uma pergunta a nós mesmos, com toda sinceridade: Que tipo de terreno sou eu? Santo Antão nasceu no ano 251, no Egito. Filho de pais cristãos fervorosos, desde cedo afeiçoou-se pela oração e pela vida de união com Deus. Quando tinha vinte anos, numa Missa de domingo, ele ouviu as seguintes palavras do Evangelho: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me” (Mt 16,21). Antão resolveu colocar em prática essas palavras de Jesus. Vendeu todos os seus bens e deu o dinheiro aos pobres. Depois foi para o deserto, a fim de seguir melhor a Jesus. Dessa sua experiência nasceu a vida religiosa contemplativa. Vemos que em Santo Antão a semente caiu em terra boa. Peçamos a Maria Santíssima, que acolheu tão bem a Palavra de Deus no seu coração, no seu seio e na sua vida, que ela nos ajude a nos abrirmos à Palavra do seu Filho, a fim de a compreendermos e vivermos do jeito que ela viveu, produzindo muitos frutos. Aquele que ouve a Palavra e a compreende, esse produz fruto.

12 – …

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15 – …

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

A palavra lançada encontra as mais diversas disposições no coração da humanidade. Cabe-nos fortalecer as raízes de nossa fé e fazer que as sementes do reino se espalhem e resistam às intempéries que surgem pelo caminho.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

A palavra do Senhor é para ser ouvida, acolhida e posta em prática a fim de que promova conversão e produza frutos abundantes de amor e solidariedade.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Felizes os que observam a palavra do Senhor de reto coração e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Lc 8,15)

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

É Deus quem me ajuda, é o Senhor quem defende a minha vida. Senhor, de todo o coração hei de vos oferecer o sacrifício e dar graças ao vosso nome, porque sois bom (Sl 53,6.8).

Antífona da comunhão

O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas. Ele dá alimento aos que o temem (Sl 110,4s).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Ó Deus, sede generoso para com os vossos filhos e filhas e multiplicai em nós os dons da vossa graça, para que, repletos de fé, esperança e caridade, guardemos fielmente os vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Senhor, escutai nossa prece.

— Tornai, Senhor, vossa Igreja semeadora da justiça e da paz.
— Fazei que sejamos semente caída em terra boa.
— Ajudai-nos a amar e ser solidários uns aos outros.
— Fortalecei a nossa fé, para que seja sempre viva e eficaz.
— Concedei aos falecidos o descanso eterno.

Oração sobre as oferendas

Ó Deus, que no sacrifício da cruz, único e perfeito, levastes à plenitude os sacrifícios da antiga aliança, santificai, como o de Abel, o nosso sacrifício, para que os dons que cada um trouxe em vossa honra possam servir para a salvação de todos. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, permanecei junto ao povo que iniciastes nos sacramentos do vosso reino, para que, despojando-nos do velho homem, passemos a uma vida nova. Por Cristo, nosso Senhor.

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