LDP: 31/JUL/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

31/JUL/2012 (terça-feira)

LEITURAS

Jeremias 14,17-22 (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Proféticos)

17 “Derramem lágrimas meus olhos, noite e dia, sem parar, porque um grande desastre feriu a cidade, a jovem filha de meu povo, um golpe terrível e violento. 18 Se eu sair ao campo, vejo cadáveres abatidos à espada; se entrar na cidade, deparo com gente consumida de fome; até os profetas e sacerdotes andam à toa pelo país”. 19 Acaso terás rejeitado Judá inteiramente, ou te desgostaste deveras de Sião? Por que, então, nos feriste tanto, que não há meio de nos curarmos? Esperávamos a paz, e não veio a felicidade; contávamos com o tempo de cura, e não nos restou senão consternação. 20 Reconhecemos, Senhor, a nossa impiedade, os pecados de nossos pais, porque todos pecamos contra ti. 21 Mas, por teu nome, não nos faças sofrer a vergonha suprema de levar a desonra ao trono de tua glória; lembra-te, não quebres a tua aliança conosco. 22 Acaso existem entre os ídolos dos povos os que podem fazer chover? Acaso podem os céus mandar-nos as águas? Não és tu o Senhor, nosso Deus, que estamos esperando? Tu realizas todas essas coisas.

Salmo 78(79),8.9.11.13 (R. 9bc) (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

— 9bc Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos!
— 8 Não lembreis as nossas culpas do passado, + mas venha logo sobre nós vossa bondade, pois estamos humilhados em extremo. — 9 Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador! + Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados! — 11 Até vós chegue o gemido dos cativos: + libertai com vosso braço poderoso os que foram condenados a morrer! — 13 Quanto a nós, vosso rebanho e vosso povo, + celebraremos vosso nome para sempre, de geração em geração vos louvaremos.

Evangelho de Jesus Cristo segundo as palavras de Mateus 13,36-43 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

Naquele tempo, 36 Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” 37 Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38 O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39 O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. 40 Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: 41 o Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; 42 e depois os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. 43 Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O que o texto diz para mim, hoje? A vida é uma tensão contínua. E por que o joio, essa erva perturbadora não é removida logo? Não porque não está sugando o solo, e desafiando o trigo por nutrimento. Não porque não seja facilmente identificável, mas porque qualquer esforço para arrancar as ervas, crescidas, enraizadas e misturadas com o trigo, arranca também o trigo. É melhor esperar “até a colheita”. O final desta tensão será conforme as opções de cada um em ser trigo ou joio. Faço parte do campo de Deus. Onde reconheço no mundo de hoje, o trigo e a cizânia? Quais cizânias e quais trigos convivem comigo? Os bispos na V Conferência, afirmaram: “A nova escala mundial do fenômeno humano traz consequências em todos os campos de atividade da vida social, impactando a cultura, a economia, a política, as ciências, a educação, o esporte, as artes e também, naturalmente, a religião. Interessa-nos, como pastores da Igreja, saber como este fenômeno afeta a vida de nossos povos e o sentido religioso e ético de nossos irmãos que buscam infatigavelmente o rosto de Deus, e que, no entanto, devem fazê-lo, agora desafiados por novas linguagens do domínio técnico, que nem sempre revelam, mas que também ocultam o sentido divino da vida humana redimida em Cristo. Sem uma clara percepção do mistério do Deus, torna-se opaco também o desígnio amoroso e paternal de uma vida digna para todos os seres humanos.” (DAp 35).

… a VERDADE …

O que diz o texto do dia? Leio atentamente o texto: Mt 13,36-43. Precisamos fazer uma reflexão pessoal e observar em nossas atitudes quem estou sendo no campo do Senhor. Estou sendo o trigo que acolhe a Palavra de Deus e faço de mim boa semente para dar bom exemplo e aceitar o que é correto; ou estou sendo o joio, que não deseja fazer de sua vida um exemplo correto e não aceita o que Deus nos pede.

… e a VIDA …

Pai, que as pressões dos filhos do Maligno jamais sejam suficientemente fortes para me levar a renunciar à minha condição de filho do Reino. Quero estar sempre a teu serviço.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Meu novo olhar é para identificar e cultivar o trigo na minha vida e na dos demais. Também para detectar o joio, o mal, o que me afasta de Deus.

REFLEXÕES:

1 – O SENTIDO DAS PARÁBOLAS

Na sua coleção de sete parábolas, reunidas no capítulo 13 de seu evangelho, Mateus apresenta a parábola do joio semeado entre o trigo. A seguir, no texto de evangelho de hoje, ele apresenta a sua explicação, como já havia feito para a parábola das sementes lançadas em diferentes tipos de terreno (cf. Mt 13,18-23). A explicação é feita de modo alegórico, isto é, a cada imagem da parábola é dada uma interpretação. Nesta interpretação alegórica de Mateus, a parábola tem um sentido escatológico, de julgamento no fim dos tempos com a trágica condenação dos que praticam o mal e a salvação dos justos. O dualismo discriminatório na parábola e as imagens cruéis deste julgamento são muito características de Mateus, com o que fica obscurecida a mensagem e o testemunho de amor e misericórdia de Jesus. Contudo, na parábola podemos encontrar um sentido atual, na medida em que remove as pretensões de se julgar e condenar alguém.

2 – JESUS EXPLICA A PARÁBOLA DO JOIO

Jesus contou a parábola do trigo e do joio para toda a multidão, mas depois, os discípulos o procuram para uma maior compreensão da parábola. Assim, existem aquelas pessoas que apenas ouvem o que Jesus tem a dizer e se dão por satisfeitas, porém, existem aquelas pessoas que querem sabem mais, querem aprofundar a fé. Existem as pessoas que não valorizam plenamente a fé, então aprendem o mínimo e se dão por satisfeitas. Para quem quer verdadeiramente ser discípulo de Jesus, sempre há oportunidade para ir além no conhecimento das verdades da fé com a finalidade de agir melhor segundo os critérios do Evangelho.

3 – DUAS SORTES DISTINTAS

A explicação da parábola do joio e do trigo ofereceu a Jesus a ocasião para explicitar o destino final de quem se identifica com a má semente, e de quem se identifica com a boa semente. Os primeiros são chamados de escandalosos, pois praticam a iniquidade, ou seja, recusam-se a pautar suas vidas pelos parâmetros do Reino. São indivíduos sem lei, e só fazem o que mais lhes convém. Como só lhes convém a maldade, seu destino será a condenação eterna. Os segundos são chamados de justos. Sua justiça corresponde, exatamente, em optarem pelo Reino como projeto de vida, sem se desviarem do caminho certo. Os justos norteiam suas vidas pelo amor, e acreditam na força do bem e da verdade. Jamais pactuam com a injustiça, nem empregam a violência para fazer valer seus direitos. Eis por que fulgirão como o Sol, no Reino do Pai. A exortação de Jesus – “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” – soa como uma espécie de advertência para os discípulos em vista de uma escolha a ser feita. A sorte de cada opção já está traçada. Cabe ao discípulo agir com inteligência.

4 – SAIBAMOS VIVER NA BUSCA DO DISCERNIMENTO

Nesta parábola, Jesus fala como se a Terra fosse um campo de trigo, no meio do qual nasce também o joio. Ele explica que o joio precisava crescer junto com o trigo até a colheita, para depois ser retirado, evitando, assim, que, ao arrancar o joio, com ele também fosse arrancado o trigo. Diante da incompreensão dos discípulos, Jesus se põe a explicar o significado de cada elemento que aparece na parábola: o que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do maligno. O inimigo que o semeou é o diabo. A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos. Portanto, tanto Jesus como o diabo são semeadores. O Senhor semeia o bem, enquanto o inimigo semeia o mal. É como dissesse: “Se você pratica o bem, colhe o bem; se pratica o mal, colhe o mal”. Era a grande proposta de Deus para cada um de nós: o discernimento. Jesus não se propôs a separar o joio do trigo fora do tempo; nem o demônio. Ambos estavam fazendo a sua parte: semeando. Deus deseja que saibamos viver na busca do discernimento. Se o conseguirmos, estaremos preparados para a colheita. Jesus quis, pois, alertar para o seguinte: “O diabo está fazendo o mesmo que faço: semeando; se vocês souberem discernir o bem do mal e tiverem força para seguir o bem, no final, quando Deus vier julgar – e só Ele tem o poder de separar o bem do mal – vocês estarão preparados para participar do Reino do Pai”. Jesus quis dar uma explicação bem clara para que a humanidade, através dos séculos, assimilasse aquela verdade. Ele poderia ter explicado outras parábolas também, mas não o fez. E por que esta foi explicada com tanto detalhe? Porque, aqui, o Senhor nos propõe que sejamos astutos e inteligentes. A colheita será uma só. Tanto se colhe bem o trigo como o joio; tanto se faz uso do trigo como do joio, embora tenham sentidos diametralmente opostos. O importante é sabermos de que lado estamos nos posicionando. Devemos passar por esta vida dialogando sempre com Deus, pedindo, procurando, exercendo a experiência do discernimento, questionando-o: “Deus, eu não entendi! O que está acontecendo? Explique-me! Jesus, vamos conversar? Hoje, quero Lhe escutar”. Aqui aprendemos, também, como proceder num reino que não é nosso, não é de Deus, mas é tão forte que matou o Filho de Deus. Jesus ressuscitou para nos mostrar que existe um Reino mais poderoso. Mas, quando humanizado, sofreu todos os pendores deste mundo. Não se cria um reino dentro de outro. Um tem de ser eliminado para o outro existir. O senhor quer nos dizer: “Tenham o discernimento para viver num reino que não é de Deus. Saibam passar por isto com astúcia e sabedoria, para depois encontrarem, realmente, o Reino do Pai”. Deus quer que Seu Reino venha e substitua o que está aqui. Não se fortalece nem se cria dois reinos no mesmo local. Dialogue com Deus para que Ele possa lhe falar essas coisas. Para que tenha discernimento, tenha amor nas palavras, firmeza no momento de responder determinadas coisas como provocações e questionamentos em sua vida. Em suas orações, sempre peça a Deus: “Meu Senhor, eu quero ter a capacidade de estar ao Seu lado, contado entre o trigo e não entre o joio. Dai-me esta graça, Senhor: eu quero ser trigo. Que as pressões dos filhos do maligno jamais sejam suficientemente fortes para me levar a renunciar a minha condição de filho do Reino. Quero estar sempre a Seu serviço. Amém”.

5 – ENTÃO OS JUSTOS RESPLANDECERÃO COMO O SOL, NO REINO DE SEU PAI

[Diz S. Paulo que] Cristo entregará o reino a Seu Pai (1Cor 15,24), não no sentido em que renunciará ao Seu poder entregando-Lhe o Seu Reino, mas no sentido em que o Reino de Deus seremos nós, assim que tivermos sido conformados à glória do Seu Corpo, constituídos Reino de Deus através da glorificação do Seu Corpo. E assim nos entregará ao Pai enquanto Reino, segundo diz o Evangelho: «Vinde, benditos de Meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo» (Mt 25,34). E «os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai» porque o Filho colocará nas mãos de Deus aqueles que, sendo o Reino, para ele convidara, aqueles a quem foram prometidas as bem-aventuranças próprias deste mistério com estas palavras: «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5,8). […] Serão estes quem, enviados a Seu pai como Seu Reino, verão a Deus. O próprio Senhor dissera aos Apóstolos em que consistia este Reino: «O Reino de Deus está no meio de vós» (Lc 17,21). E se alguém inquirir quem é Aquele que entregará o Reino, preste atenção: «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem vem a ressurreição dos mortos» (1Cor 15,20-21). Tudo isto diz respeito ao mistério do Corpo, uma vez que Cristo é o primeiro Ressuscitado dentre os mortos. […] Por isso [é que] Deus será «tudo em todos» (1 Cor 15,28), para o progresso da [nossa] humanidade assumida por Cristo.

6 – EXPLICA-NOS A PARÁBOLA DO JOIO

Hoje, com a parábola do joio e do trigo, a Igreja nos convida a meditar sobre a convivência do bem e do mal. O bem e o mal dentro do nosso coração; o bem e o mal que vemos em outros, que vemos existir neste mundo. «Explica-nos a parábola» (Mt 13,36), pedem os discípulos a Jesus. E nós, hoje, podemos fazer o propósito de ter mais cuidado com a nossa oração pessoal, com o nosso trato cotidiano com Deus. Senhor, podemos dizer-lhe, explique-me por que não avanço suficientemente em minha vida interior. Explique-me como posso lhe ser mais fiel, como posso buscar-lhe em meu trabalho, ou através dessa circunstância que não entendo, ou não quero. Como posso ser um apóstolo qualificado. A oração é isso, pedir explicações a Deus. Como é minha oração? É sincera? É constante? É confiante? Jesus Cristo nos convida a ter os olhos fixos no céu, nossa morada eterna. Frequentemente, vivemos enlouquecidos pela pressa, e quase nunca nos detemos para pensar que um dia próximo ou não, não o sabemos deveremos prestar contas a Deus de nossa vida, de como temos feito frutificar as qualidades que Ele nos tem dado. E o Senhor nos diz que no fim dos tempos haverá uma triagem. Devemos ganhar o Céu na terra, no dia-a-dia, sem esperar situações que possivelmente nunca virão. Devemos viver heroicamente o que é ordinário, o que aparentemente não possui nenhuma transcendência. Viver pensando na eternidade e ajudar os outros a pensar nela: paradoxalmente, «esforça-se para não morrer o homem que há de morrer; e não se esforça para não pecar o homem que há de viver eternamente» (São João de Toledo). Colheremos o que houvermos semeado. Devemos lutar para dar 100% hoje. Para que quando Deus nos chame a sua presença Lhe apresentemos as mãos cheias: de atos de fé, de esperança, de amor. Que se concretizam em coisas muito pequenas e em pequenos vencimentos que, vividos diariamente, nos fazem mais cristãos, mais santos, mais humanos.

7 – CASA, LUGAR DO CONHECIMENTO…

A palavra “Casa” que aparece no início do evangelho, não é apenas um advérbio de lugar, mas é uma referência importante tratando-se de um lugar especial onde os discípulos estão sequiosos por um conhecimento mais aprofundado da Palavra anunciada por Jesus, que agora, deixando de lado a linguagem comparativa das parábolas, fala as claras sobre o significado do ensinamento, poderíamos dizer que, depois de dar “mingau” ou “papinha” à multidão, vai dar aos seus discípulos um alimento mais sólido. A nossa Igreja só recentemente é que vem valorizando a formação dos leigos, em cursos organizados pela arquidiocese, ou nas próprias paróquias, e assim, comunidade é essa “Casa” onde na nossa experiência com o Senhor, vamos aprofundando o seu ensinamento nas verdades reveladas por Deus. Comunidade não deve ser só o lugar do SENTIR, mas também do PENSAR, para que se tenha o discernimento mais preciso sobre o Reino de Deus, que em forma de semente foi plantado por Jesus no coração do homem. Quando não se aprofunda esse rico ensinamento, e se prefere ficar só na “papinha ou mingau”, a nossa Fé não é tão consistente e acabamos confundindo joio com o trigo e este Joio, plantado em nós pelo Maligno, nos desfigura totalmente, tornando-nos imagem do Maligno e não de Deus e quanto menos conhecimento temos da palavra, mais vamos perdendo a capacidade de discernir, e mais vamos cultivando o joio em nosso coração, confundindo-o com o trigo. Daí que um belo dia seremos surpreendidos, no dia da colheita, quando o Senhor mandar recolher o trigo em seus celeiros, quando descobrirmos que perdemos tempo em nossa vida, cultivando joio, iremos então sentir um ódio mortal por termos sido enganados pelo Mal, mas aí será muito tarde e só nos restará remoer o nosso ódio, com um choro amargo e o ranger de dentes. Que tal começar agora, a fazer uma limpeza no jardinzinho do nosso coração, arrancando sem piedade o joio, e cultivando com alegrias o trigo bom? Para isso é preciso buscar o conhecimento da Palavra, nessa casa que é a nossa comunidade, onde o Senhor nos fala direto ao coração.

8 – JESUS CONTA UMA PARÁBOLA

Como sabemos, esta perícope é uma explicação dos versículos anteriores, em que Jesus conta uma parábola. Se estivermos bem lembrados, no Evangelho de ontem, falamos sobre a clareza nas pregações de Jesus, ao contar historinhas pedagógicas (parábolas). Entretanto, em algumas afirmações de Mateus, podemos ver que o sentido de Jesus contar parábolas era para que as pessoas ouvissem e não compreendessem. Não há uma contradição aí? Bem, é certo que as parábolas de Jesus eram bem compreensíveis aos ouvidos da multidão que seguia Jesus, mas o evangelista salienta que muitos chefes de Israel não aceitavam o modo de falar do Mestre, e, por isso, eles ouviam as comparações de Jesus, mas recusavam-se a compreender, a assimilar. O joio, uma planta considerada daninha para as plantações, confunde-se com o trigo, na sua primeira fase de crescimento. E Jesus usa essa comparação para alertar os seus ouvintes da importância de estar sempre atento às investidas impiedosas que o mundo oferece. O Mestre sabia que os seus seguidores eram vulneráveis, medrosos e, ao mesmo tempo, esperançosos. Sabia, também, que muitos iriam lutar para convencer os discípulos de que estavam seguindo a pessoa errada. Por isso ele conta essa parábola, para advertir os seus discípulos de que muitos obstáculos estavam esperando por eles. Jesus ameaça aqueles que querem destruir o seu projeto, mas é uma ameaça para dissuadi-los de levar a cabo tais atos. Jesus não quer ser vingativo, nem castigador, mas quer ter o maior número possível de seguidores que creiam num Deus capaz de amar incondicionalmente, sem nada em troca: sem sacrifício, sem promessas, sem aniquilação da pessoa humana. Um Amor que assusta! Muitos pregadores só usam a última parte dessa passagem para assustar e alienar os fiéis. Tiram a passagem de seu contexto para ameaçar as pessoas, para amedrontá-las e, consequentemente, para dominá-las, assim fica mais fácil tirar delas tudo o que quiserem. Os crentes em Deus devem ficar atentos: Jesus nos apresenta um Deus de Amor, puro Amor. Agora, um Deus-Amor mata e destrói? Um Deus-Amor toma todo o dinheiro do pobre? Um Deus-Amor exclui muitos de seus filhos, para favorecer apenas aqueles que pagam o dízimo? Pensemos nisso. E essa não é uma crítica a uma ou outra religião, mas a todas as religiões que usam a bíblia para oprimir e explorar! A última parte dessa explicação parabólica deve ser posta em seu contexto. Os evangelistas viveram quando Jesus já havia morrido e ressuscitado. Havia algumas perseguições aos novos cristãos, e por isso a ameaça é posta no final do discurso de Jesus para dar esperanças a esses fiéis perseguidos: pois haverá uma recompensa para aqueles que permanecerem inabaláveis diante das perseguições! Amemos sem querer nada em troca! Deus prefere que nós o amemos, e não que o temamos, amedrontados em um cantinho qualquer! Nós mesmos devemos extirpar (arrancar pela raiz) o joio de nossos corações, e é esse o objetivo da vinda de Jesus em nosso meio!

9 – MUITAS VEZES ACHAMOS QUE O MAL ESTÁ PREVALECENDO, NO ENTANTO, TENHAMOS CERTEZA DE QUE A VITÓRIA DO BEM JÁ NOS FOI GARANTIDA POR JESUS

Nesta parábola Jesus usa a figura do joio e do trigo para nos explicar direitinho o que acontece com o mundo em relação ao reino de Deus. Jesus é o semeador, que veio instaurar o reino do amor de Deus no coração dos homens. É Ele quem planta a boa semente da Sua palavra e dos Seus ensinamentos no coração de todos os que querem pertencer ao reino dos céus. O campo é o mundo aonde convivem os bons e os maus e a boa semente são os que aceitam os ensinamentos de Jesus para acolher o reino dos céus. O joio são os que são sugestionados pelo maligno, isto é, o espírito do mal que intervém e sutilmente se infiltra querendo impedir que o reino de Deus aconteça no interior do coração do homem. Nós sabemos que o joio e o trigo são plantas muito parecidas a ponto de confundir a visão de quem colhe. “Normalmente o joio cresce nas mesmas zonas produtoras de trigo e se considera uma erva daninha desse cultivo. A semelhança entre essas duas plantas é tão grande, que em algumas regiões costuma-se denominar o joio como “falso trigo”. Dentro do nosso coração há trigo, mas também há o joio, por isso acontece dentro de nós uma luta constante entre o bem e o mal. Porém, quando nós nos apossamos da semente da Palavra que Jesus nos deixou, nós saímos vitoriosos e o bem prevalece. Muitas vezes nós até achamos que o mal está prevalecendo, no entanto, podemos ter certeza de que a vitória do bem já nos foi garantida por Jesus. E é a partir desta dinâmica que cada um de nós pode ser uma boa ou uma má semente no campo que é o mundo. Jesus nos dá entendimento da parábola do joio e do trigo, para que nós possamos ajuizar que tipo de semente tem sido jogada no terreno do nosso coração e se nós a estamos acolhendo. Quando nós acolhemos a Palavra do Senhor dentro da mentalidade que Ele prega nós podemos dizer que estamos sendo também no mundo uma semente boa. Todavia nós podemos estar sendo confundidos pela ação do inimigo que tenta desvirtuar o sentido dos ensinamentos de Jesus fazendo com que nós tenhamos no mundo um comportamento duvidoso. Precisamos estar bem atentos enquanto estamos aqui na terra e temos vida e oportunidade. Jesus mesmo falou que no final os Seus anjos virão e retirarão do seu reino todos os que praticam o mal. Não podemos nos acomodar, precisamos fazer a nossa parte para edificar o reino de Deus aqui na terra. Por ocasião da colheita nós seremos ofertados a Deus ou seremos queimados pelo fogo, dependendo da nossa adesão ao Projeto do Pai que Jesus Cristo veio instaurar na terra. – Faça uma reflexão sobre tudo o que você tem percebido aqui na terra: quem está vencendo o bem ou o mal? – O que você tem feito para difundir o reino de Deus? – Você se considera trigo ou joio? – Qual a influência que você está tendo para os seus amigos e suas amigas: você tem sido instrumento do bem ou do mal? Para onde você os está levando? Amém! Abraço carinhoso!

10 – OS JUSTOS SALVARÃO

Na reflexão de hoje o evangelista Mateus alerta sua comunidade quanto à salvação, pois Jesus disse aos seus discípulos: “(…) os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai”, ou seja, somente aqueles que praticarem a justiça e obedecerem os mandamentos com clareza, chegarão no reino do Senhor. Jesus também alertava os discípulos ao explicar o simbolismo da parábola da semente. O joio era o mal cravado no seio da sociedade que alimentava o ódio e a disparidade entre os homens. O maligno sentia prazer em provocar o justo na intenção de ganhá-lo. O maligno encardia a relação de harmonia entre o povo e não cansava de plantar a divisão para ver o povo em conflito. Já o trigo era o bem que frutificava para abastecer a comunidade no amor, na paz e na prosperidade. Mateus percebeu que sua comunidade estava plantando não o trigo, mas cultivando o joio. Pensando que estava frutificando para o reino, a comunidade de Mateus estava arruinando para o mal. Para o evangelista faltava atenção e comprometimento no roçado para aproveitar as dádivas oferecidas por Deus. O trigo deveria alastrar-se num belo plantio para matar a fome de tantos esfomeados, mas com a falta de cuidado, a praga maligna estava infiltrando no trigal e mascarando a beleza dos frutos. O exemplo de Jesus para elucidar a parábola para os discípulos comove com a precisão do entendimento, veja “aquele que semeia a boa semente é o filho do homem”, somente Jesus tem o poder de falar do reino com segurança, pois Ele é o Filho do Homem. A palavra de Deus é a semente espalhada entre os homens de boa vontade. Ela deve ser acolhida em terreno bom para crescer e frutificar em quantidade relevante. O semeador da palavra de Deus tem em si a graça e a misericórdia para prosperar no reino da justiça. Já o “o campo é o mundo” onde os filhos de Deus se encontram. Como este mundo está sendo gerenciado para precisar as necessidades? O terreno deste mundo é pedregoso, espinhento, seco, úmido, fértil? Este mundo poderia acolher as sementes e fazê-las germinar com os nutrientes necessários? Basta olhar o mundo em que os filhos de Deus se encontram. São tantas disparidades sociais, violência sem limites, falta de respeito com as crianças, idoso e mulheres; enfim, o mundo presente projeta num campo pedregoso onde quase nada aproveita-se. O joio está por toda parte, seja nas relações de poder, nos templos, nas escolas, nas ruas, nas praias, nos presídios e nas famílias. O joio – maligno – não perde tempo para implantar suas vicissitudes arruinantes. Nos fins dos tempos os anjos colherão os justos para os céus e os injustos serão queimados e colocados na fornalha onde haverá choro e ranger de dentes para a purificação de seus pecados.Assim, somente os justos alegrarão nos encantos da vida eterna e permanecerão para o Pai no Paraíso. Mas quem são os justos? Os justos são aqueles que ouviram a palavra de Deus e a fez frutificar para o reino. Somente a fé e a praticidade no dia a dia poderão levar o homem para junto de Deus. Enquanto isso o maligno tentará de todo jeito apossar do coração daqueles que ainda não compactuou com o projeto do mal. Por isso, a rotina dos justos sempre será colocada em evidência para tentar desviar do caminho. Veja que ao redor do homem moderno é cheio de atrativos malignos, mas se a fé e o compromisso com o projeto de Deus não for bem embasados para a salvação, com certeza, o maligno se apossará num piscar de olhos. Portanto, ser justo é ouvir a palavra de Deus e deixá-la entrar no coração para agir sempre em busca da verdade e do amor. Que assim seja para sempre, amém!

11 – SAIBAMOS VIVER NA BUSCA DO DISCERNIMENTO

Nesta parábola, Jesus fala como se a Terra fosse um campo de trigo, no meio do qual nasce também o joio. Ele explica que o joio precisava crescer junto com o trigo até a colheita, para depois ser retirado, evitando, assim, que, ao arrancar o joio, com ele também fosse arrancado o trigo. Diante da incompreensão dos discípulos, Jesus se põe a explicar o significado de cada elemento que aparece na parábola: o que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do maligno. O inimigo que o semeou é o diabo. A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos. Portanto, tanto Jesus como o diabo são semeadores. O Senhor semeia o bem, enquanto o inimigo semeia o mal. É como dissesse: “Se você pratica o bem, colhe o bem; se pratica o mal, colhe o mal”. Era a grande proposta de Deus para cada um de nós: o discernimento. Jesus não se propôs a separar o joio do trigo fora do tempo; nem o demônio. Ambos estavam fazendo a sua parte: semeando. Deus deseja que saibamos viver na busca do discernimento. Se o conseguirmos, estaremos preparados para a colheita. Jesus quis, pois, alertar para o seguinte: “O diabo está fazendo o mesmo que faço: semeando; se vocês souberem discernir o bem do mal e tiverem força para seguir o bem, no final, quando Deus vier julgar – e só Ele tem o poder de separar o bem do mal – vocês estarão preparados para participar do Reino do Pai”. Jesus quis dar uma explicação bem clara para que a humanidade, através dos séculos, assimilasse aquela verdade. Ele poderia ter explicado outras parábolas também, mas não o fez. E por que esta foi explicada com tanto detalhe? Porque, aqui, o Senhor nos propõe que sejamos astutos e inteligentes. A colheita será uma só. Tanto se colhe bem o trigo como o joio; tanto se faz uso do trigo como do joio, embora tenham sentidos diametralmente opostos. O importante é sabermos de que lado estamos nos posicionando. Devemos passar por esta vida dialogando sempre com Deus, pedindo, procurando, exercendo a experiência do discernimento, questionando-o: “Deus, eu não entendi! O que está acontecendo? Explique-me! Jesus, vamos conversar? Hoje, quero Lhe escutar”. Aqui aprendemos, também, como proceder num reino que não é nosso, não é de Deus, mas é tão forte que matou o Filho de Deus. Jesus ressuscitou para nos mostrar que existe um Reino mais poderoso. Mas, quando humanizado, sofreu todos os pendores deste mundo. Não se cria um reino dentro de outro. Um tem de ser eliminado para o outro existir. O senhor quer nos dizer: “Tenham o discernimento para viver num reino que não é de Deus. Saibam passar por isto com astúcia e sabedoria, para depois encontrarem, realmente, o Reino do Pai”. Deus quer que Seu Reino venha e substitua o que está aqui. Não se fortalece nem se cria dois reinos no mesmo local. Dialogue com Deus para que Ele possa lhe falar essas coisas. Para que tenha discernimento, tenha amor nas palavras, firmeza no momento de responder determinadas coisas como provocações e questionamentos em sua vida. Em suas orações, sempre peça a Deus: “Meu Senhor, eu quero ter a capacidade de estar ao Seu lado, contado entre o trigo e não entre o joio. Dai-me esta graça, Senhor: eu quero ser trigo. Que as pressões dos filhos do maligno jamais sejam suficientemente fortes para me levar a renunciar a minha condição de filho do Reino. Quero estar sempre a Seu serviço. Amém”.

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MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Inácio (Espanha, 1491-1556), enquanto se recuperava de um ferimento sofrido em batalha, dedicou-se à leitura da vida de Cristo e por ela foi cativado. É o fundador da Companhia de Jesus (Jesuítas). Deixou aos seus confrades e a toda a Igreja grande herança espiritual.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

Diante das calamidades, o povo suplica ao Senhor que não o abandone; para tanto, precisa fazer jus à sua vocação de semente plantada por Deus, à qual cabe crescer e produzir frutos para não ser lançada fora e queimada.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

A semente é de Deus a palavra, o Cristo é o semeador; todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou.

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e nos abismos; e toda língua proclame, para glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor (Fl 2,10s).

Antífona da comunhão

Disse o Senhor: Vim trazer o fogo à terra; só desejo que se acenda! (Lc 12,49)

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Ó Deus, que suscitastes em vossa Igreja santo Inácio de Loyola para propagar a maior glória do vosso nome, fazei que, auxiliados por ele, imitemos seu combate na terra, para partilharmos no céu sua vitória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Senhor, escutai nossa prece.

— A fim de que a Igreja seja fiel testemunha de Cristo, atenta à realidade do mundo, rezemos.
— A fim de que sempre tenhamos sensibilidade para os problemas do povo sofrido, rezemos.
— A fim de que os agricultores sejam agraciados com bons resultados em seu trabalho, rezemos.
— A fim de que, a exemplo de santo Inácio, saibamos transmitir às pessoas a nossa experiência de fé, rezemos.
— A fim de que, no próximo mês, nos empenhemos em favor das vocações a serviço do reino de Deus, rezemos.

Oração sobre as oferendas

Sejam do vosso agrado, Senhor nosso Deus, as oferendas que apresentamos na festa de santo Inácio, para que os sagrados mistérios, fonte de toda santidade, nos tornem verdadeiramente santos. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, que este sacrifício de louvor, que vos oferecemos em ação de graças na festa de santo Inácio, nos leve a glorificar-vos eternamente. Por Cristo, nosso Senhor.

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