LDP: 04/AGO/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

04/AGO/2012 (sábado)

LEITURAS

Jeremias 26,11-16.24 (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Proféticos)

Naqueles dias, 11 os sacerdotes e profetas dirigiram-se aos chefes e a todo o povo, dizendo: “Este homem foi julgado réu de morte, porque profetizou contra esta cidade, como ouvistes com vossos ouvidos”. 12 Disse Jeremias aos dignitários e a todo o povo: “O Senhor incumbiu-me de profetizar para esta casa e para esta cidade através de todas as palavras que ouvistes. 13 Agora, portanto, tratai de emendar a vossa vida e as obras, ouvi a voz do Senhor, vosso Deus, que ele voltará atrás da decisão que tomou contra vós. 14 Eu estou aqui, em vossas mãos, fazei de mim o que vos parecer conveniente e justo, 15 mas ficai sabendo que, se me derdes a morte, tereis derramado sangue inocente contra vós mesmos e contra esta cidade e seus habitantes, pois em verdade o Senhor enviou-me a vós para falar tudo isso a vossos ouvidos”. 16 Os chefes e o povo em geral disseram aos sacerdotes e profetas: “Este homem não merece ser condenado à morte; ele falou-nos em nome do Senhor, nosso Deus”. 24 Jeremias passou a ter proteção de Aicam, filho de Safã, para não cair nas mãos do povo e evitar ser morto.

Salmo 68(69),15-16.30-31.33-34 (R. Cf. 14) (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

— 14 No tempo favorável, escutai-me, ó Senhor!
— 15 Retirai-me deste lodo, pois me afundo! + Libertai-me, ó Senhor, dos que me odeiam, e salvai-me destas águas tão profundas! 16 Que as águas turbulentas não me arrastem, + não me devorem violentos turbilhões, nem a cova feche a boca sobre mim! — 30 Pobre de mim, sou infeliz e sofredor! Que vosso auxílio me levante, Senhor Deus! 31 Cantando eu louvarei o vosso nome e agradecido exultarei de alegria! — 33 Humildes, vede isto e alegrai-vos: + o vosso coração reviverá, se procurardes o Senhor continuamente! 34 Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, e não despreza o clamor de seus cativos.

Evangelho de Jesus Cristo segundo as palavras de Mateus 14,1-12 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

1 Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do governador Herodes. 2 Ele disse a seus servidores: “É João Batista, que ressuscitou dos mortos; e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele”. 3 De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão, por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. 4 Pois João tinha dito a Herodes: “Não te é permitido tê-la como esposa”. 5 Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta. 6 Por ocasião do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou diante de todos, e agradou tanto a Herodes 7 que ele prometeu, com juramento, dar a ela tudo o que pedisse. 8 Instigada pela mãe, ela disse: “Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista”. 9 O rei ficou triste, mas, por causa do juramento diante dos convidados, ordenou que atendessem o pedido dela. 10 E mandou cortar a cabeça de João, no cárcere. 11 Depois a cabeça foi trazida num prato, entregue à moça e esta a levou a sua mãe. 12 Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois foram contar tudo a Jesus.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O que o texto diz para mim, hoje? Sou capaz de dar testemunho? Sou coerente com a minha fé? A minha verdade é a verdade de Deus? Tenho e me submeto a outras “verdades”? Deixo-me vencer pelos maus instintos, pela covardia, pela mentira, pelo mal? Os bispos na Conferência de Aparecida lembraram: “Identificar-se com Jesus Cristo é também compartilhar seu destino: “Onde eu estiver, aí estará também o meu servo” (Jo 12,26). O cristão vive o mesmo destino do Senhor, inclusive até a cruz: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, carregue a sua cruz e me siga” (Mc 8,34). Estimula-nos o testemunho de tantos missionários e mártires de ontem e de hoje em nossos povos que têm chegado a compartilhar a cruz de Cristo até a entrega de sua vida. “(DAp 140).

… a VERDADE …

O que diz o texto do dia? Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Mt 14,1-12. Como aconteceu com Jesus, aconteceu com João Batista. Teve que se defrontar com os poderosos e testemunhar a verdade até com a própria vida. Que cena cruel, horrível, trazer a cabeça de João numa bandeja! Como se fosse um troféu de vitória. Vitória da paixão, do poder, da mentira, do egoísmo, do incesto, da vingança, dos baixos instintos! Repugnante! A vida humana servida durante um banquete, numa bandeja! É a ostentação do mal! No entanto, como Jesus, João Batista não se afastou do projeto de Deus. Só se submeteu a Deus e a ninguém mais. Foi verdadeiramente livre!

… e a VIDA …

Pai, na qualidade de discípulo de teu Filho Jesus, quero inspirar-me na coragem inabalável de João Batista, denunciando profeticamente a prepotência dos grandes.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Sinto-me discípulo/a de Jesus? Meu olhar deste dia será iluminado pela presença de Jesus Cristo, e pelo esforço de testemunhá-lo no meio em que estou.

REFLEXÕES:

1 – O BANQUETE DE HERODES

Mateus retoma aqui a narrativa de Marcos sobre o banquete de Herodes, resumindo-a. Em ambos os evangelistas ela antecede a narrativa da partilha do pão entre Jesus, os discípulos e a multidão. Podemos destacar aqui dois aspectos. Na articulação do poder em vista da morte de João, pode-se ver uma prefiguração da morte de Jesus e, também, uma advertência aos discípulos: quem assume a missão assume também o destino daquele que o enviou. Outro aspecto é a contraposição entre este banquete dos poderosos, Herodes e os que o cortejam, e a refeição de Jesus com o povo. O banquete dos poderosos, pretendendo comemorar um aniversário, tem como desfecho a opção pela morte. Por outro lado, a partilha do pão com Jesus e a multidão é a festa da fraternidade e da vida.

2 – O BANQUETE DA MORTE

A vida de João Batista foi sempre a história da ação divina na história da humanidade, mas principalmente a oposição que existe entre os valores do Reino de Deus e os valores que são assumidos e vividos pelas pessoas. Esta oposição aparece desde o início da vida de João, quando Zacarias, no seu cântico, afirma que ele veio para iluminar os que jazem nas trevas. Mas assim como acontece com Jesus, acontece também com João: os que são das trevas não o receberam, de modo que a sua morte foi consequência desta contradição. Mas até a sua morte se torna contradição, porque ela acaba por se tornar um testemunho ainda maior da verdadeira vida, que é destinada aos filhos da luz.

3 – UMA LIBERDADE PROFÉTICA

O testemunho e o destino de João Batista foram úteis para iluminar a caminhada feita por Jesus. Existe muito em comum entre ambos. Tiveram de defrontar-se com poderosos opressores, de cuja maldade foram vítimas. Não pactuaram com a mentira e a prepotência, denunciando-as com a valentia própria dos profetas. Foram exemplarmente livres, não se deixando intimidar por quem pudesse servir de empecilho para sua missão. Igualmente, foram vítimas de morte violenta e ignominiosa, embora inocentes e não tendo cometido nada digno de censura. Estas coincidências levavam as pessoas a identificarem Jesus com João Batista ressurgido dentre os mortos. Esta leitura equivocada não tomava em consideração que as semelhanças entre eles eram devidas unicamente à fidelidade de ambos a Deus-Pai. João Batista não se desviou do caminho traçado por Deus: preparar o povo para acolher o Messias Jesus. Jesus, por sua vez, absolutizou o querer do Pai, a ponto de ser submetido a toda sorte de humilhação e desprezo, apesar de sua condição de Filho de Deus. O segredo do testemunho exemplar de João Batista e de Jesus radicava-se, pois, em Deus-Pai. Mesmo diante da iminência do martírio, só se submeteram a ele, a ninguém mais. Este é um testemunho alentador para os discípulos do Reino.

4 – A GRANDE VOCAÇÃO DE TODO O CRISTÃO É A SANTIDADE

Na meditação do Evangelho de hoje, não posso deixar de lembrar a memória de um grande santo que, em 2010, no Ano Sacerdotal, o Papa Bento XVI proclamou “Patrono de todos os sacerdotes”. Com admiração, alegramo-nos com a santidade de vida do patrono o Cura D’Ars, São João Maria Vianney. A grande vocação de todo o cristão é a santidade. É iluminar o mundo com a Verdade e o vigor do Evangelho, como fez João Batista. Com sua vida e pregação anunciava e denunciava sem “respeito humano”, sem vergonha de sua fé, assumindo todo o comprometimento que o Evangelho exige daquele que quer ser no mundo um sinal de salvação. João batista não temia e muito menos tinha o “rabo preso” ou usava do Evangelho para seus próprios interesses, mas pregava e vivia com vigor para quem quer que seja, pois todo homem na face da Terra tem o direito de conhecer a Verdade da Salvação, mesmo que isso cause constrangimento e exponha o seu pecado. Respeito humano: medo ou vergonha de assumir a sua posição diante dos acontecimentos, das coisas e das pessoas. Receio de viver a VERDADE por medo de suas consequências, perda da autoimagem, gerando falta de compromisso, falsidade, incoerência e omissão. Com certeza, “o maior entre os nascidos de mulher” não viveu esta dificuldade. Por isso, pagou o preço com sua própria vida, unindo o seu sangue ao Sangue redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Conhecendo a Verdade àquele que escuta a pregação do Evangelho tem a liberdade de escolher pela luz ou pelas trevas, como fez Herodes. Tendo conhecimento de Cristo e da Salvação pela pregação do Evangelho é impossível o ser humano não tomar posição, aceitar ou rejeitar a Boa Nova e assumir as consequências de sua fé. Essa tem sido uma grande tentação neste mundo pós-moderno, onde tudo é relativo e onde a fé parece que se encontra num supermercado. Você já encontrou a Verdade da Salvação que é o Cristo e assumiu todas as consequências de sua adesão e compromisso? Outros personagens interessantes deste Evangelho: a mãe dominadora que divide o pecado com Herodes e a filha Salomé, que se deixa manipular pela mãe porque não tem opinião própria; é uma marionete e não consegue decidir na vida suas próprias escolhas. Mãe e filha presas no emaranhado do pecado com Herodes que lhes dá tudo que lhes é conveniente. O Evangelho pregado por João Batista: “Não te é permitido tê-la como esposa”, podia lhe trazer a libertação e a salvação. Herodes até se comove, mas preso e comprometido com o pecado e o sistema que o envolve, não consegue se desvencilhar e manda matar o profeta. O conhecimento de Cristo pela pregação nos leva à fé, a experiência – que vivida até as últimas consequências – exige de nós, cristãos, coerência de vida e santidade. Só assim poderemos ser no mundo um sinal vivo do Ressuscitado e da Salvação. Você está disposto, como cristão e evangelizador, ir até as últimas consequências por Jesus Cristo, pela sua fé e pela salvação da humanidade?

5 – O MARTÍRIO DE JOÃO BAPTISTA, TESTEMUNHA DA VERDADE

Diante de Pilatos, Cristo proclama que «veio ao mundo para dar testemunho da verdade» (Jo 18,37). O cristão não deve «envergonhar-se de dar testemunho do Senhor» (2 Tm 1, 8). Em situações que exigem a confissão da fé, o cristão deve professá-la sem equívoco, conforme o exemplo de São Paulo diante dos seus juízes. É preciso guardar «uma consciência irrepreensível diante de Deus e dos homens» (At 24, 16). O dever que os cristãos têm de tomar parte na vida da Igreja leva-os a agir como testemunhas do Evangelho e das obrigações que dele dimanam. Este testemunho é a transmissão da fé por palavras e obras. O testemunho é um ato de justiça que estabelece ou que dá a conhecer a verdade: «Todos os fiéis cristãos, onde quer que vivam, têm obrigação de manifestar, pelo exemplo da vida e pelo testemunho da palavra, o homem novo de que se revestiram pelo Baptismo e a virtude do Espírito Santo, com que foram robustecidos na Confirmação» (Vaticano II). O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé; designa um testemunho que vai até à morte. O mártir dá testemunho de Cristo morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Dá testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã. Suporta a morte com um ato de fortaleza. […] A Igreja recolheu com o maior cuidado as memórias daqueles que foram até ao fim na confissão da sua fé. São as Atas dos Mártires, as quais constituem arquivos da verdade escritos com letras de sangue […]: «Eu Te bendigo por me teres julgado digno deste dia e desta hora, digno de ser contado no número dos Teus mártires […]. Tu cumpriste a Tua promessa, Deus da fidelidade e da verdade. Por esta graça e por tudo, eu Te louvo e Te bendigo; eu Te glorifico pelo eterno e celeste Sumo-Sacerdote Jesus Cristo, Teu Filho muito-amado» (São Policarpo).

6 – A FAMA DE JESUS CHEGOU AOS OUVIDOS DO REI HERODES

Hoje, a liturgia convida-nos a contemplar uma injustiça: A morte de João Batista; e, também, descobrir na Palavra de Deus a necessidade de um testemunho claro e concreto de nossa fé para encher o mundo de esperança. Convido-os a focalizar nossa reflexão na personagem do tetrarca Herodes. Realmente, para nós, não é um verdadeiro testemunho, mas nos ajudará a destacar alguns aspectos importantes para a nossa declaração de fé em meio do mundo. «Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do rei Herodes» (Mt 14,1). Esta afirmação distingue uma atitude aparentemente correta, mas pouco sincera. É a realidade que hoje podemos achar em muitas pessoas e, talvez também em nós mesmos. Muitas pessoas têm ouvido falar de Jesus, mas, quem é Ele realmente? que implicância pessoal nos une a Ele? Em primeiro lugar, é necessário dar uma resposta correta; a do tetrarca Herodes não passa de ser uma vaga informação: «É João Batista! Ele ressuscitou dos mortos» (Mt 14,2). Com certeza sentimos falta da afirmação de Pedro diante da pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’» (Mt 16,15-16). E esta afirmação não dá lugar para o medo ou para a indiferença, e sim abre a porta a um testemunho fundamentado no Evangelho da esperança. Assim o definia João Paulo II na sua Exortação apostólica A Igreja na Europa: «Junto à Igreja toda, convido aos meus irmãos e irmãs na fé a se abrirem constante e confiadamente a Cristo e, a se deixar renovar por Ele, anunciando com o vigor da paz e o amor a todas as pessoas de boa vontade que, quem encontra ao Senhor conhece a Verdade, descobre a Vida e, reconhece o Caminho que conduz a ela». Que, hoje sábado, a Virgem Maria, a Mãe da esperança, nos ajude de verdade a encontrar Jesus e, a dar um bom testemunho Dele aos nossos irmãos.

7 – JOÃO BATISTA, UM MÁRTIR CORAJOSO

João Batista estava incomodando muito por denunciar os pecados daqueles que viviam segundo a carne e segundo o seu egoísmo. Por isso sua cabeça foi servida num prato porque palavra de Rei não volta atrás. Hoje vivemos num mundo em que são muitos aqueles que vivem segundo os prazeres da carne, não respeitando a esposa dos outros, não respeitando o marido das outras, tudo para satisfazer o seu egoísmo e seus caprichos igual a Herodes. Não dá mais para assistir um filme na nossa casa na presença da família ou mesmo na hora da visita. Porque parece que os produtores não têm mais outra coisa para mostrar na tela senão a pura safadeza. Quando não estão executando, estão falando as mais baixas e vis palavras que acabam degradando o ser humano, desqualificando e desvalorizando principalmente a imagem da mulher, que já não é mais vista como companheira, como mãe, como genitora, como a rainha do lar, mais simplesmente como um objeto de prazer descartável que o homem apenas usa sem mais nenhum compromisso, pois é tão grande a banalidade da pessoa humana, no mundo da sétima arte a qual já não é mais arte, mais sim pura pornografia. Por disso e de outros exemplos, é que vemos nos noticiários, as mulheres sendo mortas, surradas, maltratadas, simplesmente por ter terminado o relacionamento. Viu? Não é mais casamento. E sim, RELACIONAMENTO, sem Deus. E por isso desmorona muito cedo. Que pena! E nós o que fazemos? Não vamos fazer absolutamente nada? Pelo menos vamos denunciar enquanto podemos. Vamos lutar pelo resgate da imagem da mulher, que sob a desculpa de libertação feminina, foi vulgarizada desde os anos 60. A outra coisa que podemos e devemos fazer por essa nova Sodomia, é pedir ao Pai para que Ele proteja os nossos jovens de serem usados por aqueles que querem ver o circo pegar fogo.

8 – A CABEÇA DE JOÃO BATISTA

Na reflexão de hoje o rei Herodes cumpre a palavra e faz a vontade da filha de Herodíades, manda corta a cabeça de João Batista e a serve numa bandeja de prata. Ao corta a cabeça de João Batista o rei Herodes cala a voz retumbante do deserto que anunciava a chegada do Messias. João Batista além de anunciar a vinda do Salvador, batiza para a conversão dos pecados. João Batista foi um grande anunciador e pregador da verdade. Não contentava em enveredar palavras de salvação, mas plantava no coração do homem o ardor da vontade de conhecer Jesus, humilde e manso de coração que poderia acalentar os aflitos e injustiçados. Herodes até que ouvia as palavras de João Batista. Sabia que estava do lado da verdade e que suas propagações levariam ao encontro de alguém muito especial. Porém, para não dar o braço a torcer e corroer a majestade mandou prender João para não alertar os súditos de seu reino. Caso os súditos do rei soubessem a verdade diante de Deus, poderia colocar em xeque seu poder. João Batista alertava o rei quanto a aproximação da esposa seu irmão Felipe. Não era bem aceito casar com a cunhada ou tê-la como esposa. Era uma atitude grosseira e contra o mandamento da Palavra. Isto enfureceu Herodes. Com João na prisão o caminho ficou livre para a libertinagem do casal. Mas, mesmo preso João provocava a ira de Herodíades. Para eliminar João Batista, pediu para sua filha, como prêmio prometido pelo rei ao dançar lindamente, a cabeça do pregador. Diante da promessa não teve como recusar o pedido e contrariando sua vontade a cabeça de João foi servida. A simbologia da morte de João representa a ruptura com do mundo extravagante e luxuoso com a verdade da justiça. No mundo da luxúria não existe limite e nem pudor. Tudo é permitido. Combater os desejos da carne é contrariar uma legião de charlatistas que almejam indiscriminadamente satisfazer o libido a qualquer custo. Entretanto, aos olhos de Deus isso não pode acontecer. João pregava o amor entre os homens, a justiça social, a humildade para receber o Messias, a conversão dos pecados através do batismo. João Batista animava o povo sofredor para conhecer o verdadeiro Mestre capaz de provocar a transformação de vida. Logo este homem que não tinha morada e nem bens conseguia mexer o ímpeto do povo. Ele era uma ameaça para os poderosos. Matá-lo era a saída aos privilégios e a continuidade da promiscuidade. Portanto, a cabeça de João Batista representa a libertação do homem que está possuído pelo encardido e que sua atitude são perversas. Mas cabe a nós pensarmos: minha atitude aproxima de João Batista ou do Rei Herodes? Tenho a coragem de João Batista ou a coragem de Herodíades e de sua filha? Será que consigo refletir verdadeiramente? Pense e responda. Amém!

9 – DEUS É O SENHOR DE TODOS E SÓ ELE PODE NOS JULGAR COM JUSTIÇA DE ACORDO COM AS NOSSAS AÇÕES

Quando comentaram com Herodes sobre os poderes miraculosos de Jesus, a sua consciência o acusou e ele, com medo, imaginou que João Batista voltara para puni-lo. João Batista era um profeta falava tudo aquilo que Deus lhe mandava dizer. O profeta nunca se omite e vai às últimas consequências, até morrer, para cumprir com a sua missão. João Batista foi decapitado por falar a verdade quando advertiu a Herodes que não lhe era permitido ter como esposa a mulher do seu irmão. Incomodado por isso, Herodes desejava matar João Batista até que a ocasião surgiu e ele, como justificativa para o seu intento e para satisfazer os caprichos da sua enteada mandou decapitá-lo. Nós todos também somos chamados a sermos profetas, com o encargo de exortar, admoestar, animar e consolar as pessoas. Não podemos nos omitir embora corramos os riscos que a verdade acarreta. A verdade nos incomoda em todos os sentidos! Não queremos admiti-la quando ela nos coloca em xeque mate e não temos alternativas para nos defender e quando ela vem como uma luz revelando os nossos crimes, nós tentamos confundi-la. Jesus veio nos revelar a verdade do Pai para que nós também pudéssemos vivenciá-la e abrir os olhos das pessoas com as quais convivemos. Muitas vezes, no entanto, nós também nos tornamos como Herodes quando prometemos a alguém aquilo que não nos é permitido oferecer e por causa das nossas promessas aos homens esquecemos a promessa que fazemos a Deus de amar-nos uns aos outros e partilhar com eles a vida. Quantas vezes também nós procedemos mal para satisfazer a alguém a quem queremos “agradar”! Pedem-nos a cabeça de uma pessoa e nós impiedosamente não medimos as consequências e a difamamos, fazendo intrigas contra ela, levantando falso, suspeitas e com isso, nós conseguimos matar o corpo, mas nada podemos fazer com a alma. Deus é o Senhor de todos e só Ele pode nos julgar com justiça de acordo com as nossas ações. Reflita – Você tem medo da verdade? – Ela o incomoda quando revela algo que você faz de errado? – Você já entregou a “cabeça” de alguém em troca dos seus interesses? – Como você se sente em relação a isto? – Do que você será capaz de fazer para conseguir os seus intentos? – Você teme mais a Deus ou aos homens? Amém! Abraço carinhoso!

10 – QUEM VEM A MIM NÃO TERÁ MAIS FOME E QUEM CRÊ EM MIM NUNCA MAIS TERÁ SEDE

Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. Este Evangelho narra que, após a multiplicação dos pães, Jesus se retirou, mas a multidão foi procurá-lo. Quando o encontraram, Jesus desabafou: “Estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos”. Com essas palavras, Jesus quis ajudar as pessoas que o procuravam avidamente, a entenderem que o motivo era bastante egoísta e puramente material: queriam mais pão de graça. Segundo Jesus, o povo não entendeu o principal, o motivo por que Jesus havia multiplicado os pães, que era para provar que ele é o Deus encarnado, que sacia todas as sedes e todas as fomes do mundo, e que portanto as pessoas precisam crer nele. E Jesus aproveitou para dar um conselho: “Esforçai-vos, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com o seu selo”. Então algumas pessoas perguntaram-lhe: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” De acordo com a orientação dos doutores da Lei, por esta expressão eles entendiam: oração, jejum, esmolas, dízimos, ritos, purificações etc. Mas Jesus declara: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. Percebemos que Jesus centralizava a conversão na fé nele, na união com ele, no seguimento dele, que é o enviado de Deus. E alguns judeus perguntaram: “Que sinais realizas, para que possamos ver e crer em ti?” Essa pergunta eles sempre faziam, porque não tinham fé, pois Jesus vivia fazendo sinais. E recordam a cena do maná, que está narrada na primeira Leitura. Jesus responde que não foi Moisés, e sim Deus Pai que mandou o maná. E agora este mesmo Deus lhes manda o pão verdadeiro, que é o próprio Jesus, pão fortíssimo que, quem dele comer não terá mais fome. Este é o pão verdadeiro, do qual o maná era apenas uma figura. “Eu sou o pão da vida.” A samaritana, quando ouviu Jesus dizer que é uma água viva e quem bebe nunca mais terá sede, ela pediu: “Senhor, dá-me dessa, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água” (Jo 4,15). Também aqui o povo continua interessado apenas no “terra a terra”, e pede: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. Jesus estão explica: “Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”. Portanto, mais uma vez é um convite ao povo a sair de interesses apenas materiais e pensar na vida eterna. Jesus é o pão da vida, selado por Deus Pai com a divindade e entregue às pessoas humanas para trazer vida a todos. Mas essa iniciativa amorosa de Deus só chega a nós se tivermos fé e praticarmos boas obras. Portanto, precisamos “esforçar-nos, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna”. Vemos uma ligação clara entre a multiplicação dos pães, o maná e a eucaristia. Resta para nós saciar-nos continuamente do pão da vida que é Jesus, e assim saciar a nossa sede de paz, nossa fome de justiça, e assim construir a fraternidade na esperança e na alegria. Precisamos viver não como os pagãos, mas como criaturas novas, embriagados pelo Espírito que constrói a santidade verdadeira. A febre do bem-estar, à base do ter e consumir, é talvez o ideal mais comum na vida das pessoas de hoje. Mas a busca do mero pão material, do ter e do gastar, deixa-nos interiormente vazios. São interessantes as perguntas: O que é que procuramos? Qual é o centro da nossa vida? Havia, certa vez, três homens super pobres que sempre iam a uma padaria pedir pão. Um dia, o dono da padaria resolveu fazer um teste com eles. Quando os três chegaram, ele foi lá dentro e voltou, com o auxílio dos funcionários, trazendo três sacos cheios. Um continha pães, o outro farinha de trigo e o terceiro sementes de trigo. Colocou os sacos na frente dos homens, explicou o que havia dentro e pediu que eles escolhessem. O primeiro, apressadamente, pegou o saco de pães e foi-se embora contente. O segundo pegou o saco de farinha e também foi embora feliz. O terceiro não teve escolha: ficou com o saco de sementes. O padeiro perguntou se ele estava triste por isso. Ele, com um largo sorriso, respondeu: “De modo nenhum! Pois vou plantar estas sementes e terei pães em casa por muitos anos!” Agradeceu e foi também embora com o saco de sementes nas costas. Este, com certeza, foi o único que não voltou mais à padaria para pedir pães. Deus não costuma dar os pães já prontos, nem a farinha. Ele nos dá as sementes. “Eu sou o pão da vida… Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”. O centro da vida de Maria Santíssima era o seu Filho Jesus. Santa Maria, rogai por nós. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede.

11 – INCOMODOU O PODER E PERDEU A CABEÇA…

Se no tempo de Herodes tivesse uma imprensa livre, esta seria a manchete no dia seguinte á festa de aniversário de Herodes. A elite palaciana dos que ocupam algum poder temporal, tornam-se deuses de si mesmo e fazem o que bem entendem. Herodes gostava de ouvir João Batista, apreciava suas pregações… até o dia em que o Batista denunciou o seu pecado de adultério contra seu irmão, tomando a Herodíades, sua cunhada, por esposa. Herodes é o mais puro retrato do homem da pós modernidade, que ouvem a Palavra de Deus, chegam a se empolgar com ela, mas quando essa Palavra exige uma mudança de mentalidade e de postura, no campo da ética e da moral, aí a menosprezam pois não admitem ser contrariados na busca da felicidade que é o gozo de todos os prazeres que o mundo oferece. Mas todos precisam ouvir o anúncio da Palavra de Deus, e não anunciá-la a essas pessoas seria uma grave negligência de todos nós cristãos, pois o anúncio não tem como objetivo condená-los mas sim salvá-los. Nesse sentido a dimensão profética da nossa Igreja deve cumprir com mais fidelidade a missão que lhe foi confiada e aí talvez esteja um grande pecado da omissão, quando temos um certo receio de anunciar o evangelho ás classes elitizadas, ou anunciando um evangelho menos comprometedor. João estava preso mas era um homem livre, que anunciou a Palavra da Verdade a Herodes. E na sua festa de aniversário, deixou seus caprichos falarem mais alto ao esnobar o seu poder real “peças tudo o que quiseres que eu te darei”. Também o Homem da pós modernidade, seduzido pelo avanço científico de que é capaz, ocupa o lugar que é de Deus, e julga-se poderoso, para dar o que quiser a quem assim o desejar. A Filha de Herodíades e sua mãe, a exemplo também da pós modernidade, corre dos ideais fúteis, da busca do prazer em um egocentrismo exacerbado e assim, João Batista é decapitado. Sem a cabeça estará morto e irá silenciar-se para sempre, ficando os poderosos livres de sua voz perturbadora. João é o precursor também por isso, por preceder Jesus Cristo, aquele cujo anúncio irá perturbar a corte palaciana e o poder religioso, e que irão matar na certeza de que estarão enterrando definitivamente com Jesus, o projeto daquele Reino estranho que não oferecia felicidade alguma a quem optou apenas pelo poder dominador e opressor.

12 – A GRANDE VOCAÇÃO DE TODO O CRISTÃO É A SANTIDADE

Na meditação do Evangelho de hoje, não posso deixar de lembrar a memória de um grande santo que, em 2010, no Ano Sacerdotal, o Papa Bento XVI proclamou “Patrono de todos os sacerdotes”. Com admiração, alegramo-nos com a santidade de vida do patrono o Cura D’Ars, São João Maria Vianney. A grande vocação de todo o cristão é a santidade. É iluminar o mundo com a Verdade e o vigor do Evangelho, como fez João Batista. Com sua vida e pregação anunciava e denunciava sem “respeito humano”, sem vergonha de sua fé, assumindo todo o comprometimento que o Evangelho exige daquele que quer ser no mundo um sinal de salvação. João batista não temia e muito menos tinha o “rabo preso” ou usava do Evangelho para seus próprios interesses, mas pregava e vivia com vigor para quem quer que seja, pois todo homem na face da Terra tem o direito de conhecer a Verdade da Salvação, mesmo que isso cause constrangimento e exponha o seu pecado. Respeito humano: medo ou vergonha de assumir a sua posição diante dos acontecimentos, das coisas e das pessoas. Receio de viver a VERDADE por medo de suas consequências, perda da autoimagem, gerando falta de compromisso, falsidade, incoerência e omissão. Com certeza, “o maior entre os nascidos de mulher” não viveu esta dificuldade. Por isso, pagou o preço com sua própria vida, unindo o seu sangue ao Sangue redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Conhecendo a Verdade àquele que escuta a pregação do Evangelho tem a liberdade de escolher pela luz ou pelas trevas, como fez Herodes. Tendo conhecimento de Cristo e da Salvação pela pregação do Evangelho é impossível o ser humano não tomar posição, aceitar ou rejeitar a Boa Nova e assumir as consequências de sua fé. Essa tem sido uma grande tentação neste mundo pós-moderno, onde tudo é relativo e onde a fé parece que se encontra num supermercado. Você já encontrou a Verdade da Salvação que é o Cristo e assumiu todas as consequências de sua adesão e compromisso? Outros personagens interessantes deste Evangelho: a mãe dominadora que divide o pecado com Herodes e a filha Salomé, que se deixa manipular pela mãe porque não tem opinião própria; é uma marionete e não consegue decidir na vida suas próprias escolhas. Mãe e filha presas no emaranhado do pecado com Herodes que lhes dá tudo que lhes é conveniente. O Evangelho pregado por João Batista: “Não te é permitido tê-la como esposa”, podia lhe trazer a libertação e a salvação. Herodes até se comove, mas preso e comprometido com o pecado e o sistema que o envolve, não consegue se desvencilhar e manda matar o profeta. O conhecimento de Cristo pela pregação nos leva à fé, a experiência – que vivida até as últimas consequências – exige de nós, cristãos, coerência de vida e santidade. Só assim poderemos ser no mundo um sinal vivo do Ressuscitado e da Salvação. Você está disposto, como cristão e evangelizador, ir até as últimas consequências por Jesus Cristo, pela sua fé e pela salvação da humanidade?

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MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

João (França, 1786-1859) conseguiu chegar ao sacerdócio após grandes dificuldades e, por 40 anos, foi pároco da pequena cidade de Ars, à qual multidões acorriam para se confessar ou aconselhar com ele. Desde 1929 é proclamado padroeiro dos párocos.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

A palavra de Deus faz a todos forte apelo à conversão e conclama a comunidade a ser lúcida e corajosa diante de toda forma de violência contra o ser humano.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, porque o reino dos céus há de ser deles! (Mt 5,10).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos conduzam com inteligência e sabedoria (Jr 3,15).

Antífona da comunhão

O Filho do homem veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para a salvação de todos (Mt 20,28).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Deus de poder e misericórdia, que tornastes são João Maria Vianney um pároco admirável por sua solicitude pastoral, dai-nos, por sua intercessão e exemplo, conquistar no amor de Cristo os irmãos e irmãs para vós e alcançar com eles a glória eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Atendei, Senhor, nossa prece.

— Tornai, Senhor, vossa Igreja sempre mais santa.
— Dai-nos evangelizadores comprometidos com a justiça.
— Favorecei-nos com governantes que se empenham pela paz.
— Concedei saúde aos doentes e ânimo aos desanimados.
— Abençoai a todos os párocos e dai-lhes contínua alegria.

Oração sobre as oferendas

Aceitai, ó Deus, as oferendas do vosso povo em honra de são João Maria Vianney; e possamos receber a salvação pelo sacrifício que oferecemos em vossa honra. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Recebemos, ó Deus, o vosso sacramento em memória de são João Maria Vianney; concedei que esta eucaristia se transforme para nós em alegria eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

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