LDP: 05/AGO/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

05/AGO/2012 (domingo)

LEITURAS

Leitura do Livro do Êxodo 16,2-4.12-15 (Livro do velho ou 1º testamento / O Pentateuco ou Os Livros da Lei)

Naqueles dias, 2 a comunidade dos filhos de Israel pôs-se a murmurar contra Moisés e Aarão, no deserto, dizendo: 3 “Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Por que nos trouxestes a este deserto para matar de fome a toda esta gente?” 4 O Senhor disse a Moisés: “Eis que farei chover para vós o pão do céu. O povo sairá diariamente e só recolherá a porção de cada dia, a fim de que eu o ponha à prova, para ver se anda ou não na minha lei. 12 Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Dize-lhes, pois: ‘Ao anoitecer, comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão. Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus’”. 13 Com efeito, à tarde, veio um bando de codornizes e cobriu o acampamento; e, pela manhã, formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento. 14 Quando se evaporou o orvalho que caíra, apareceu na superfície do deserto uma coisa miúda, em forma de grãos, fina como a geada sobre a terra. 15 Vendo aquilo, os filhos de Israel disseram entre si: “Que é isto?” porque não sabiam o que era. Moisés respondeu-lhes: “Isto é o pão que o Senhor vos deu como alimento”.

Proclamação do Salmo 77(78),3.4bc.23-24.25.54 (R. 24b) (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

— 24b O Senhor deu a comer o pão do céu.
— 3 Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos, e transmitiram para nós os nossos pais, 4b não haveremos de ocultar a nossos filhos, mas à nova geração nós contaremos: 4c As grandezas do Senhor e seu poder.
— 23 Ordenou, então, às nuvens lá dos céus, e as comportas das alturas fez abrir; 24 fez chover-lhes o maná e alimentou-os, e lhes deu para comer o pão do céu.
— 25 O homem se nutriu do pão dos anjos, e mandou-lhes alimento em abundância; 54 Conduziu-os para a Terra Prometida, para o Monte que seu braço conquistou.

Leitura da Carta de são Paulo aos Efésios 4,17.20-24 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Didáticos)

Irmãos: 17 Eis, pois, o que eu digo e atesto no Senhor: não continueis a viver como vivem os pagãos, cuja inteligência os leva para o nada. 20 Quanto a vós, não é assim que aprendestes de Cristo, 21 se ao menos foi bem ele que ouvistes falar, e se é ele que vos foi ensinado, em conformidade com a verdade que está em Jesus. 22 Renunciando à vossa existência passada, despojai-vos do homem velho, que se corrompe sob o efeito das paixões enganadoras, 23 e renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade. 24 Revesti o homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade.

Evangelho de Jesus Cristo segundo as palavras de João 6,24-35 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

Naquele tempo, 24 quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. 25 Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?” 26 Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27 Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”. 28 Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” 29 Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. 30 Eles perguntaram: “Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? 31 Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: ‘Pão do céu deu-lhes a comer’” 32 Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33 Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”. 34 Então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. 35 Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O que a Palavra diz para mim? Atualizo e medito a Palavra, ligando-a à minha vida. Posso me perguntar: busco a Deus para satisfazer minhas necessidades ou pelo que Ele é? Acredito que Deus sabe, antes que eu manifeste, aquilo de que necessito? Acredito que as graças de Deus para minha vida são infinitamente maiores do que aquelas que conheço? Os bispos, em Aparecida, disseram: “Igual às primeiras comunidades de cristãos, hoje nos reunimos assiduamente para “escutar o ensinamento dos apóstolos, viver unidos e tomar parte no partir do pão e nas orações” (At 2,42). A comunhão da Igreja se nutre com o Pão da Palavra de Deus e com o Pão do Corpo de Cristo. A Eucaristia, participação de todos no mesmo Pão de Vida e no mesmo Cálice de Salvação, nos faz membros do mesmo Corpo (cf. 1 Cor 10,17). Ela é a fonte e o ponto mais alto da vida cristã, sua expressão mais perfeita e o alimento da vida em comunhão. Na Eucaristia, nutrem-se as novas relações evangélicas que surgem do fato de sermos filhos e filhas do Pai e irmãos e irmãs em Cristo. A Igreja que a celebra é “casa e escola de comunhão”, onde os discípulos compartilham a mesma fé, esperança e amor a serviço da missão evangelizadora” (DAp 158).

… a VERDADE …

O que a Palavra me diz? Fixo meu olhar em Deus, através da Palavra. Olho para Jesus. Escuto. Ele me diz: “Creia naquele que Deus enviou”. Faço a leitura lenta e atenta do texto da Palavra do dia: Jo 6,24-35. Em um momento de silêncio interior, recordo o que li. O Mestre diz que a multidão o procurava porque comeu o pão e as pessoas ficaram satisfeitas e não porque entenderam quem realizava o milagre. E diz-lhes que o que Deus quer é que vocês creiam naquele que ele enviou! O povo quer milagres para crer. Jesus lembra que não foi Moisés que lhes deu o maná, mas o verdadeiro pão do céu é o Pai que lhes dá.

… e a VIDA …

Senhor Jesus, sacia-me com o pão da vida que és tu, para que eu possa fazer sempre o que agrada a Deus.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Passarei o dia a viver cada momento como graça de Deus. Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo. Eu vos adoro, amo e agradeço. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

REFLEXÕES:

1 – O TEMA DO PÃO

João desenvolve o capítulo 6 de seu evangelho com a centralidade no tema do pão. Começando com a partilha feita com os discípulos e com a multidão que a ele acorria, no alto da montanha, dá continuidade ao tema com um longo discurso de Jesus que se inicia com a proclamação: “Eu sou o pão da vida…”. Jesus, o enviado de Deus, é o pão do céu, é o pão da vida eterna. Na montanha, na outra margem do mar da Galileia, a multidão ficou satisfeita e tomada de entusiasmo com a ação de graças de Jesus, concretizada na partilha do pão. Tendo Jesus se esquivado da multidão, esta vai a sua procura em Cafarnaum. Jesus é direto: “estais me procurando… porque comestes o pão e ficastes saciados… trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna…”. Diante da pergunta que lhe fizeram sobre o que fazer para trabalhar nas obras de Deus, Jesus responde que a obra de Deus está em acreditar nele, enviado do Pai, pois nele se realiza esta obra que consiste em fazer a vontade do Pai, que é dar vida, e vida eterna, ao mundo. O crer em Jesus é transformar-se no homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade. Ainda incrédulos e apegados a suas tradições, sem a abertura à novidade de Jesus, pedem sinais espantosos, como os de Moisés com o maná no deserto Querem um messias poderoso, mesmo que seja opressor e explorador. Não entenderam o sinal da partilha antes ocorrido. Contudo, esta tradição do maná (“pão”) caído do céu está superada. O maná é alimento para um só dia, não salva da morte. O verdadeiro pão do céu é Jesus, que é dado pelo Pai ao mundo e que permanece para a vida eterna. A multidão se sensibiliza e pede a Jesus: “Senhor, dá-nos sempre desse pão!”. De modo semelhante, a samaritana pediu: “Dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede”, quando Jesus ofereceu a fonte de água que jorra para a vida eterna (Jo 4,14-15). Ir a Jesus, pão da vida, e crer, é encontrar em Deus a vida e a paz. O sinal de Jesus é o dom de si mesmo, no resgate e no cultivo da vida. É a transformação das pessoas, que, acolhendo o seu amor, passam a ser também fonte de vida para outros. Jesus foi todo ele doação, serviço e amor a todos. Ir a Jesus é segui-lo neste seu projeto de vida. Crer nele é fazer a vontade do Pai e entrar na eternidade. Não mais ter fome, nunca mais ter sede.

2 – JESUS, O PÃO DA VIDA

João, em seu Evangelho, a partir de 6,22 até 6,66, explica o sinal da partilha dos pães, narrado anteriormente. A multidão, na véspera, vira os discípulos sair sem Jesus, no único barco que havia. Surpresos, interrogam-se como ele partiu. A caminhada sobre as águas só foi testemunhada pelos discípulos no barco. Vão atrás dele, em Cafarnaum. Quando lhe perguntam, a resposta de Jesus vai ao essencial: sabia que queriam fazê-lo rei, mas o que ele lhes propõe é que trabalhem pelo alimento que permanece para a vida eterna. Este trabalho é a obra de Deus, que Jesus realiza e que consiste em fazer a vontade do Pai, que é dar vida, e vida eterna, ao mundo. Ainda incrédulos e apegados a suas tradições, pedem sinais espantosos, como os de Moisés com o maná no deserto (primeira leitura). Contudo, esta tradição do maná (“pão”) caído do céu está superada. O maná é alimento para um só dia, não salva da morte. O verdadeiro pão do céu é Jesus, que é dado pelo Pai e que permanece para a vida eterna. O crer em Jesus é transformar-se no homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade (segunda leitura).

3 – EU SOU O PÃO DA VIDA. QUEM VEM A MIM NÃO MAIS TERÁ FOME

Nas Escrituras, quando se fala da ternura de Deus pelo mundo, lemos que «tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigénito» Jesus (Jo 3,16), para ser como nós e nos trazer a boa nova de que Deus é amor, de que Deus vos ama e me ama. Deus quer que nos amemos uns aos outros como Ele ama cada um de nós (cf. Jo 13,34). Sabemos todos, olhando a cruz, até onde Jesus nos amou. Quando olhamos a eucaristia, sabemos quanto nos ama agora. Foi por isso que Se fez «pão de vida» a fim de satisfazer a nossa fome do Seu amor; e depois, como se não bastasse, tornou-Se Ele próprio o faminto, o indigente, o sem abrigo, para que vós e eu pudéssemos satisfazer a Sua fome do nosso amor humano. Porque foi para isso que fomos criados, para amar e ser amados.

4 – SENHOR, DÁ-NOS SEMPRE DESSE PÃO (…) EU SOU O PÃO DA VIDA

Hoje vemos diferentes atitudes nas pessoas que buscam a Jesus: uns comeram o pão material, outros pedem um sinal mesmo quando o Senhor acaba de fazer um prodígio, outros se apressam para encontrá-lo e fazem de boa fé — poderíamos dizer — uma comunhão espiritual: «Senhor, dá-nos sempre desse pão» (Jo 6,34). Jesus deveria estar muito contente com o esforço por buscá-Lo e segui-Lo. Ensinava a todos e os interpelava de vários modos. A uns dizia: «Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até à vida eterna» (Jo 6,27). Aqueles que perguntaram: «Que devemos fazer para praticar as obras de Deus?» (Jo 6,28), receberão um conselho prático, naquela sinagoga de Cafarnaum, onde o Senhor promete a Sagrada Comunhão: «Crede». Você e eu, que tentamos nos meter nas páginas deste Evangelho, vemos refletida nossa atitude? A nós que queremos reviver esta cena, que expressões nos tocam mais? Estamos prontos para o esforço de buscar a Jesus depois de tantas graças, doutrina, exemplos e lições que temos recebido? Sabemos fazer uma boa comunhão espiritual: ‘Senhor dá-nos sempre deste pão que acalma toda a nossa fome’? O melhor atalho para encontrar a Jesus é Maria. Ela é a Mãe de Família que reparte o pão para os filhos no calor do lar paterno. É a Mãe da Igreja que quer alimentar os seus filhos para que cresçam, tenham forças, sejam felizes, levem a cabo o seu trabalho santamente e sejam comunicativos. Santo Ambrósio, em seu tratado sobre os mistérios, escreve: «E o sacramento que realizamos é o corpo nascido da Virgem Maria. Acaso aqui, a nível da natureza, podemos pedir o corpo de Cristo, se o mesmo Jesus nasceu de Maria por cima das leis naturais?». A Igreja, mãe e mestra, nos ensina que a Sagrada Eucaristia é «o sacramento da piedade, sinal da unidade, vínculo da caridade, convite Pascal, no qual se recebe a Cristo, e a alma se enche de graça e nos é dada a prenda da glória futura» (Concílio Vaticano II).

5 – JESUS, O PÃO DA VIDA

No Evangelho de domingo passado, Jesus multiplicou os pães e saciou a fome de uma multidão. Hoje, o Evangelho nos mostra que muitos daqueles que estavam presentes naquele dia, procuravam bastante animados por Jesus, no outro lado do mar. E Jesus que vê os nossos mais íntimos pensamentos, disse àqueles que corriam ao seu encontro: Vocês estão me procurando, não por causa do milagre que eu fiz, mais sim por causa do pão que comestes. Literalmente Ele disse assim: “… estais me procurando não porque vistes sinais, mais porque comestes pão e ficastes satisfeitos.” Prezado leitor, prezada leitora. Está aqui a prova de que Jesus operou um milagre. O milagre da multiplicação dos pães. Portanto, naquele dia não aconteceu somente uma partilha, mais sim: Milagre e partilha. Jesus não usou a palavra milagre em si, mas sim, Ele disse: SINAIS. E sinais, são milagres. Depois de dizer estas palavras, Jesus recomenda ao povo que o buscava, para que não buscassem somente o alimento do corpo, o qual (se perde pelas nossas excreções), mais sim que busquemos o alimento que permanece até a vida eterna, ou seja, o alimento que nos guarda para a vida eterna e que nos é fornecido pelo próprio filho de Deus vivo. Jesus estava se referindo à Eucaristia, que é o alimento da nossa alma, que nos torna preparados para a Vida Eterna. Finalizando aquela conversa com aqueles que estavam preocupados com o alimento do corpo, Jesus afirma: “Eu sou o pão da vida”. Jesus estava se referindo à vida Eterna. Pois quem come a minha carne bebe o meu sangue, terá a vida eterna, disse Ele em outra ocasião. Jesus continua explicando, e disse que quem vem a Ele, não em busca apenas de alimento corpóreo, mais em busca do verdadeiro pão, não terá mais fome. Isto é, não terá mais nenhuma carência material ou mesmo espiritual. Não terá medo da solidão, porque tem a companhia de Cristo, porque sente a presença de Cristo nos momentos de solidão humana; não ficará mais desesperado nas horas difíceis, mais sim cheio de confiança, pois sua vida está entregue às mãos de Deus. Não terá mais tristeza, mais sim, terá muito mais motivos para estar alegre, pois este é o pão que nos preenche plenamente. Preenche corpo e alma, muito embora esta vida terrena não nos seja rica de bens materiais e de muito conforto, a Eucaristia nos completa, por que Deus é tudo o que necessitamos. As “maravilhas”, as falsas maravilhas que o mundo nos apresenta, não nos bastam, não nos satisfazem plenamente. Só o verdadeiro Pão da vida, o completo alimento para o nosso ser, é que nos completa, nos satisfaz totalmente. Foi por isso que Jesus disse que quem vem a Ele não terá mais fome nem sede. Ele não estava se referindo à sede e à fome biológica, mais sim, estava falando da nossa fome e da nossa sede de felicidade, sede insaciável que nunca conseguimos ficar saciados nesta vida, mesmo com todo o conforto que possamos ter… Exemplo: Aquela estrela da música pop que tinha tudo o que o dinheiro pode comprar mais o carinho de milhões de fãs, não se sentia plenamente feliz, e vivia planejando o suicídio… Prezados irmãos. Não busquemos somente e desesperadamente o pão do corpo, mais sim, busquemos a Jesus sacramentado, o alimento da nossa alma, o verdadeiro Pão que nos prepara para a Vida Eterna.

6 – QUEM VEM A MIM NÃO TERÁ MAIS FOME

Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. Este Evangelho narra que, após a multiplicação dos pães, Jesus se retirou, mas a multidão foi procurá-lo. Quando o encontraram, Jesus desabafou: “Estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos”. Com essas palavras, Jesus quis ajudar as pessoas que o procuravam avidamente, a entenderem que o motivo era bastante egoísta e puramente material: queriam mais pão de graça. Segundo Jesus, o povo não entendeu o principal, o motivo por que Jesus havia multiplicado os pães, que era para provar que ele é o Deus encarnado, que sacia todas as sedes e todas as fomes do mundo, e que portanto as pessoas precisam crer nele. E Jesus aproveitou para dar um conselho: “Esforçai-vos, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com o seu selo”. Então algumas pessoas perguntaram-lhe: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” De acordo com a orientação dos doutores da Lei, por esta expressão eles entendiam: oração, jejum, esmolas, dízimos, ritos, purificações etc. Mas Jesus declara: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. Percebemos que Jesus centralizava a conversão na fé nele, na união com ele, no seguimento dele, que é o enviado de Deus. E alguns judeus perguntaram: “Que sinais realizas, para que possamos ver e crer em ti?” Essa pergunta eles sempre faziam, porque não tinham fé, pois Jesus vivia fazendo sinais. E recordam a cena do maná, que está narrada na primeira Leitura. Jesus responde que não foi Moisés, e sim Deus Pai que mandou o maná. E agora este mesmo Deus lhes manda o pão verdadeiro, que é o próprio Jesus, pão fortíssimo que, quem dele comer não terá mais fome. Este é o pão verdadeiro, do qual o maná era apenas uma figura. “Eu sou o pão da vida.” A samaritana, quando ouviu Jesus dizer que é uma água viva e quem bebe nunca mais terá sede, ela pediu: “Senhor, dá-me dessa, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água” (Jo 4,15). Também aqui o povo continua interessado apenas no “terra a terra”, e pede: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. Jesus estão explica: “Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”. Portanto, mais uma vez é um convite ao povo a sair de interesses apenas materiais e pensar na vida eterna. Jesus é o pão da vida, selado por Deus Pai com a divindade e entregue às pessoas humanas para trazer vida a
todos. Mas essa iniciativa amorosa de Deus só chega a nós se tivermos fé e praticarmos boas obras. Portanto, precisamos “esforçar-nos, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna”. Vemos uma ligação clara entre a multiplicação dos pães, o maná e a eucaristia. Resta para nós saciar-nos continuamente do pão da vida que é Jesus, e assim saciar a nossa sede de paz, nossa fome de justiça, e assim construir a fraternidade na esperança e na alegria. Precisamos viver não como os pagãos, mas como criaturas novas, embriagados pelo Espírito que constrói a santidade verdadeira. A febre do bem-estar, à base do ter e consumir, é talvez o ideal mais comum na vida das pessoas de hoje. Mas a busca do mero pão material, do ter e do gastar, deixa-nos interiormente vazios. São interessantes as perguntas: O que é que procuramos? Qual é o centro da nossa vida? Havia, certa vez, três homens super pobres que sempre iam a uma padaria pedir pão. Um dia, o dono da padaria resolveu fazer um teste com eles. Quando os três chegaram, ele foi lá dentro e voltou, com o auxílio dos funcionários, trazendo três sacos cheios. Um continha pães, o outro farinha de trigo e o terceiro sementes de trigo. Colocou os sacos na frente dos homens, explicou o que havia dentro e pediu que eles escolhessem. O primeiro, apressadamente, pegou o saco de pães e foi-se embora contente. O segundo pegou o saco de farinha e também foi embora feliz. O terceiro não teve escolha: ficou com o saco de sementes. O padeiro perguntou se ele estava triste por isso. Ele, com um largo sorriso, respondeu: “De modo nenhum! Pois vou plantar estas sementes e terei pães em casa por muitos anos!” Agradeceu e foi também embora com o saco de sementes nas costas. Este, com certeza, foi o único que não voltou mais à padaria para pedir pães. Deus não costuma dar os pães já prontos, nem a farinha. Ele nos dá as sementes. “Eu sou o pão da vida… Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”. O centro da vida de Maria Santíssima era o seu Filho Jesus. Santa Maria, rogai por nós. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede.

7 – SENHOR DÁ-NOS SEMPRE DESSE PÃO” É O QUE DEVEMOS PEDIR A JESUS A CADA INSTANTE DA NOSSA VIDA PARA SACIAR A NOSSA FOME DE FELICIDADE

Jesus é o pão que desceu do céu, o pão que foi providenciado pelo Pai. O Pai deu ao mundo o verdadeiro alimento para a alma do homem: Seu próprio Filho Jesus. Jesus preanunciava a Eucaristia que hoje nos alimenta e sustenta a nossa caminhada espiritual. Precisamos nos colocar numa perspectiva espiritual para entendermos as palavras de Jesus. Ele fala ao coração do homem e não à sua mente ou ao seu entendimento humano. A multidão de hoje somos nós que perseguimos os sinais de prosperidade, de poder, do sucesso e não percebemos o significado das coisas que nos são necessárias. Nós também, como aquele povo que seguia a Jesus procuramos sinais que nos garantam que nós iremos conseguir alcançar os nossos propósitos, nossos sonhos e desejos humanos. Não entendemos os verdadeiros sinais que Deus nos dá porque vivemos cegos pela nossa própria humanidade que só quer o que lhe apetece e sacia da sua vontade. Jesus é o alimento no qual o Pai pôs o Seu selo de garantia, por isso, Ele mesmo nos adverte: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna e que o Filho do homem vos dará!” Se levássemos em consideração esta recomendação do Mestre a nossa vida deixaria de ser um fardo pesado e passaria a ser um presente de Deus. Se o nosso dia a dia fosse um ato de entrega e abandono aos planos do Pai, com certeza nós daríamos mais atenção às realidades que alimentam a nossa alma agitada e, assim, viveríamos na paz do Espírito. “Senhor dá-nos sempre desse pão” é o que devemos pedir a Jesus a cada instante da nossa vida para saciar a nossa fome de felicidade. Reflita – O que você tem feito para provar deste Pão? – Você ainda está esperando pão do céu ou já acolhe a palavra de Jesus como alimento para a sua caminhada? – Você sente a necessidade de se alimentar com o Corpo e o Sangue de Jesus? Amém! Abraço carinhoso!

8 – TRABALHAR PELO PÃO QUE NÃO PERECE É PALTAR A VIDA NO EXEMPLO DE JESUS!

Estamos no mês de agosto, o mês vocacional, um tempo forte que nos convida à reflexão. É importante descobrirmos qual é o nosso compromisso com a Igreja e com a sociedade. Não nascemos com tudo pronto, precisamos trabalhar assumir as nossas responsabilidades, temos uma missão a cumprir e esta missão parte do nosso compromisso primeiro: o compromisso com a vida! Só descobrimos o verdadeiro sentido da vida, quando exercemos bem a nossa vocação. Vocação é um caminho de felicidade e de santidade, é chamado e resposta, é uma semente divina ligada a um “sim” humano! Muitos querem ter certeza do poder de Jesus, para depois confiar Nele, querem sinais, mas nunca terão, pois a manifestação do amor de Deus, através de Jesus, só acontece pelos caminhos da fé. A fé é um dom gratuito de Deus e esse dom, já é um sinal do seu amor por nós! Quem abraça a fé, não caminha sem rumo, não se deixa levar pelos caminhos incertos. Confiar em Jesus é a nossa maior riqueza, Ele é o sinal por excelência do amor do Pai. Ligados a Ele, encontraremos meios capazes de transformar qualquer realidade contrária a vida. Estar ligado a Jesus é aderir ao projeto do Pai, é entrar na dinâmica do Reino, ciente dos nossos compromissos. A plenitude do nosso ser, não vem de cima, nasce de dentro, pois requer de nós, uma colaboração pessoal, um amor que podemos traduzir como partilha. A vida partilhada se converge em mais vida para todos, aí está o milagre da partilha! No evangelho de hoje, vemos que uma multidão estava a procurava de Jesus, não porque visse Nele, o Filho de Deus, o mestre que lhes ensinaria o caminho da felicidade e sim, um líder que fosse resolver todos os seus problemas, o que eles queriam, era beneficiar-se dos poderes de Jesus sem nenhum esforço. Antes da multiplicação dos pães, esta mesma multidão, buscava Jesus como um libertador, depositando Nele a sua única fonte de esperança. Depois da partilha do pão, a história tomou outro rumo, aquela mesma multidão passou a buscar Jesus como um líder milagreiro, capaz de resolver tudo sozinho, uma atitude que vai ao contrário à proposta de Jesus. A profundidade do sinal realizado por Jesus, na multiplicação dos pães, está em conscientizar o povo, de que a solução para suas necessidades estava com eles mesmos, ou seja, eles mesmos poderiam encontrar os meios de resolver aquele problema, que era de todos: a fome, bastava que eles abrissem o coração ao amor solidário, o amor que leva a partilha. O milagre foi realizado por Jesus, mas o instrumento foi o povo, simbolizado naquele menino que doou o pouco que tinha; 5 pães e dois peixes, o que vem nos dizer, que Jesus não quer agir sozinho, Ele quer agir no mundo, através de nós. O episódio nos fala também, da força que podemos ter, quando nós, (povo), nos organizamos dentro do espírito da partilha. Para a tristeza de Jesus, aquela multidão ficou só no milagre, não foi capaz de entender a profundidade daquele sinal, sinal, que apontava para uma realidade bem maior do que o próprio milagre: a partilha dos bens da criação, direito de todos. “Vocês estão me procurando não porque viram os sinais, mas porque comeram dos pães e ficaram satisfeitos”. De libertador, Jesus passa a ser visto como alguém que mata a fome física, o que não condiz com o evangelho, pois Deus, não enviou o seu Filho ao mundo, com a finalidade de resolver os nossos problemas e nem para realizar milagres, Jesus veio para nos ensinar, Ele quer que caminhemos com nossas próprias pernas, o que precisamos buscar Nele, é a força o discernimento para enfrentarmos todas as adversidades da vida. Trabalhar pelo Pão que não perece é pautar a vida no exemplo de Jesus! Jesus é o pão para vida de todos, Ele é amor que se doa, acheguemos a Ele, não para nos preencher a nos mesmos, mas para doar e para amar. Deus se faz pão em Jesus, Ele é o pão descido do céu, agora não precisamos pedir deste pão, pois Ele é o pão presente no meio de nós, crendo Nele, participamos dessa unidade e comunhão de amor. FIQUE NA PAZ DE JESUS!

9 – O POUCO COM DEUS É MUITO, O MUITO SEM DEUS É NADA…

Neste XVII Domingo Comum o Evangelho me leva a fazer a seguinte meditação: 1 – Existem dois modos de seguir Jesus: – O dos discípulos que sentavam ao seu redor para ouvi-lo e o tinha como único mestre, que tinham deixado tudo para segui-lo… – O da multidão interesseira que o procurava somente pelos milagres que ele podia realizar. Hoje nossa cultura valoriza mais o TER que o SER e até algumas religiões surgiram somente com este objetivo. Multidões se aproximam de Cristo, lotam as Igrejas somente pelos milagres e benefícios que os pastores prometem. As pessoas não querem ser cristãs, querem ter Cristo como um mago para suprir as necessidades. Muitos não estão nem aí para Jesus Cristo, para a Igreja Católica, querem somente os benefícios que Cristo e a Igreja podem lhes oferecer. Um grande exemplo são os assentamentos: antes de ganhar a terra muitos eram pessoas de oração, caminhavam juntos com a comunidade, pois era o padre ou a freira quem apoiava a luta e organizava o povo. Todos se diziam religiosos, mas depois que ganharam a terra se afastaram e em alguns assentamentos das paróquias onde trabalho (Itaeté e Andaraí Bahia) se o padre entrar hoje é “expulso”. E nós, procuramos Jesus para que? Por que participamos da comunidade? Somos discípulos que seguem Jesus de perto e o tem como único mestre ou fazemos parte desta multidão sem compromisso? 2 – Jesus se antecipa às necessidades humanas. Diante de um problema para resolver ele não fez tudo sozinho, mesmo sabendo o que fazer jogou o problema também nas mãos dos discípulos: onde vamos comprar pão para alimentar esta multidão? Felipe constata a quantidade imensa de pessoas para serem alimentadas e a incapacidade de alimentar tanta gente com tão pouco. André, por sua vez, aponta uma solução: a partilha. – O milagre e a partilha acontecem, todos se alimentam com fartura e ainda sobra. Lembrando assim os tempos messiânicos de Isaias 49,10 onde os dons de Deus seriam derramados abundantemente sobre o povo e ninguém mais passaria necessidade. Portanto uma das finalidades deste milagre foi mostrar que de fato Jesus era o Messias esperado, o Filho de Deus. Meus caros, diante da resposta de Felipe fica evidente que houve sim milagre e não somente a partilha. Deus realizou o milagre, mas com a colaboração humana. Se serviu dos pães e peixes que tinham à disposição para realizar o milagre. – Hoje há uma grande ferida aberta no seio da humanidade. NO MUNDO: Segundo dados da FAO (organização da ONU para alimentação e agricultura) morrem de fome, anualmente, pelo menos 5 milhões de crianças no mundo, o que dá uma média de um óbito a cada 5 segundos. 12 crianças morrem de fome a cada minuto no mundo. Mais de vinte milhões de crianças nascem com o peso abaixo dos padrões mínimos, correndo maior risco de morte durante a infância e os que sobrevivem carregam sequelas para o resto da vida. NO BRASIL: Uma tese de um aluno da Universidade Federal de Santa Catarina divulgou que: 1) 32.000.000 de brasileiros defrontam-se diariamente com o problema da fome; a renda mensal lhes garante, na melhor das hipóteses, apenas a aquisição de uma cesta básica de alimentos. 2) A quantidade diária de calorias e proteínas recomendada para cada pessoa por dia é de 2.242 Kcal e 53 gramas de proteínas. O Brasil tem uma disponibilidade de 3.280 Kcal e de 87 gramas de proteínas por habitante; 3) A fome que atinge 32 milhões de brasileiros não se explica pela falta de alimentos, mas pela má distribuição de renda e pelo desperdício. No Brasil a cada ano, cerca de 70 mil toneladas de alimentos são jogadas no lixo. 64% do que é plantado no Brasil é descartado. Enquanto Jogamos alimento fora a Cruz Vermelha aponta que existe um bilhão de pessoas que aguardando um prato de comida todos os dias. Esses são os dados a nível de país, e em nosso município, em nossas comunidades será que não existem famintos? Será que pessoas não passam fome? E o que estamos fazendo por elas? – Jesus quer alimentar os famintos e coloca o problema em nossas mãos: onde vamos comprar pão para alimentar esta multidão? Assim como os discípulos fizeram nós também devemos fazer. Temos que estar dispostos a partilhar e não o que sobra, mas o que temos de melhor, pois o pobre não é minha lata de lixo. E ninguém é tão pobre que não tenha o que partilhar. Quem nos impede de partilhar não é nossa pobreza, é nosso egoísmo. Diz um canto muito comum em nossas comunidades que “o pouco com Deus é muito, o muito sem Deus é nada, o pouco que repartimos é fartura abençoada”. 3 – Hoje encerra o mês do dízimo que é, antes de tudo, partilha. Porém o egoísmo não nos deixa partilhar. Ensinamos as crianças desde cedo a ser egoístas, a pensar só em si mesmas. Por isso a importância do dízimo mirim. Quem faz uma verdadeira experiência de Deus tem a mesma atitude dos discípulos: reconhece Jesus como Mestre, abandona tudo para segui-lo e como o Mestre se comove diante do sofrimento da humanidade. Eis o parâmetro para que cada um analise sua caminhada de fé.

10 – A MULTIDÃO VINHA DE LONGE PARA ENCONTRAR-SE COM JESUS

A multidão vinha de longe para encontrar-se com Jesus. Vinha de todos os cantos à procura de cura para os seus males e também à procura de sua Palavra. Jesus sempre atento às necessidades do povo percebeu que estavam com fome, e aproveitou-se desse momento para dar uma verdadeira aula de partilha. Deu também uma aula de cidadania, mostrou que todas as pessoas são importantes, independentemente de sexo, idade, cor e classe social. Fez questão de envolver todos os seus discípulos e até mesmo um menino. Um anônimo, de quem não sabemos sequer o nome ou de onde veio. Era apenas mais um na multidão. Chama nossa atenção, esse menino. Vamos procurar saber um pouco mais sobre o ilustre desconhecido mencionado pelo evangelista João. Um jovem no meio da multidão que, sem abrir a boca, marcou sua presença neste episódio. Nem sempre Jesus nos fala com palavras. Ele coloca enigmas em nosso caminho e nos convida a desvendá-los. Jesus provoca mudanças de forma tão natural que na maioria das vezes nem percebemos o quanto são radicais. Apesar das mulheres ainda sofrerem discriminações, podemos dizer que na época de Jesus a coisa era ainda pior. As mulheres eram simplesmente ignoradas. Como os escravos, elas não tinham direitos, só obrigações. Mulheres e crianças eram colocadas à margem da sociedade. Não tinham o menor valor. Jesus veio para mudar! Mudar conceitos e acabar com preconceitos. Fez questão de valorizar a mulher ao pedir água à samaritana. Não condenou Maria Madalena e foi um grande amigo de Marta e Maria. Mas, para realmente dar à ela seu devido valor, quis nascer de uma mulher. Das crianças disse: “Deixem que venham a mim, porque delas é o Reino do Céu”. Também disse que para entrar no Reino Celeste é preciso ter coração de criança e arrematou com estas palavras: “Quem recebe em meu nome uma destas crianças, é e mim que recebe”. Hoje, Jesus fala de um menino dono de cinco pães e dois peixes. Um jovem desconhecido e dono de um enorme coração. Tinha alimento suficiente para o seu almoço. Poderia afastar-se da multidão e, sozinho, tomar sua refeição, no entanto, preferiu entregar tudo que tinha para ser partilhado. No gesto de solidariedade e desprendimento desse menino está uma lição tão importante quanto o milagre da multiplicação dos alimentos. Esse jovem anônimo está aí para nos ensinar o milagre da partilha. Mostra que na renúncia e no simples gesto de dar o milagre acontece. Poucos teriam feito o que ele fez. Entregou nas mãos de Jesus tudo o que tinha e, o que parecia impossível aconteceu. Viu o seu pouco saciando a fome de milhares. Esse menino fez a sua parte e, quem quiser o Reino dos Céus, tem que imitá-lo. Mesmo com a sensação de ser só mais um na multidão, precisamos lembrar daqueles milhares que esperam pelo milagre. Esse milagre chama-se doação. Para ver acontecer, basta doar. Façamos nossa parte! O restante é só deixar por conta de Jesus; é Ele quem dá graças e distribui.

11 – EU SOU O PÃO DA VIDA, DISSE JESUS

O verdadeiro alimento que sacia toda a fome é o nosso Deus. Ele fortalece o espírito e renova as forças na fé para caminhar retamente no caminho da verdade. Quem alimenta do pão descido do céu comunga com os ensinamentos da libertação porque refaz no Cristo tudo aquilo que Ele fez para salvar o povo do deserto e da escravidão. O povo de Deus não pode perecer por falta de alimento e, na Eucaristia, o povo pode encontrar aquilo que necessita. Ao comungar as magnitudes da vida eterna no Filho do Homem as fraquezas esvaece. Assim, o velho homem foi substituído pelo novo homem enrijecido e poderoso para levar adiante o projeto de vida em abundância. Ao conhecer o legado dos ensinamentos de Cristo e vivê-los no dia a dia o novo homem encontrará a fortaleza real para assegurar nas dificuldades. Revigorado na estância da solicitude o novo homem vislumbrará horizontes felizes porque estará cimentado na dignidade da vida liberta. Não tem como temer diante do encardido, pois sua força ajudará a combater o mal e eliminará as forças que insistem em desmascarar o rosto semelhante de Cristo. Às vezes o homem não compreende o sinal do salvador. O sinal vivo de Cristo está em tudo que cerca o homem. Pode-se observar a mão de Deus na natureza, no cumprimento entre as pessoas, na cura, na libertação, no acolhimento aos necessitados, na ajuda, no perdão e na solidariedade. Porém, os olhos do homem só enxergarão os sinais de Deus se atentar para as coisas boas e mudar de vida por completo. Mas, como mudar de vida? Como enxergar o Senhor como alimento? Como viver o Cristo Ressuscitado? Mudar de vida pode custar caro para quem enxerga os bens matérias como privilégios. Pode acomodar-se na mansidão das injustiças e distanciar da vida no Deus humilde e compassivo. O Senhor libertou o povo da escravidão do Egito e os logrou para a terra prometida. Permaneceu no deserto por quarenta anos, o tempo necessário para amadurecer na fé renovada. Para o povo escravizado, ao sair do Egito, significava mudar de vida, libertar da opressão ou tornar-se novo homem para Deus. Sair do Egito era o sinal do amor de Deus. Mas como enxergar a mudança e o sinal do Senhor nesta circunstância? Nem sempre é visível aos olhos a atuação do Senhor. Para os fracos na fé a dúvida pode alimentar ainda mais a desconfiança do Deus-vivo. Assim, o povo liberto do Egito duvidava da presença do Senhor e pedia provas para mostrar que estava correto. Sentia-se fome e sede. Pedia a Moisés alimento para continuar na caminhada. As barreiras eram intransponíveis. Mas o Senhor não deixou seu povo a mercê da dúvida e agiu sobre o povo. Alimentado na fé e encorajado a continuar a caminhada o povo do deserto alcançou seu objetivo: chegou a terra prometida e alicerçou-se nos instrumentos da fé. Compreender e viver a nova realidade instruída por Deus é tornar-se cristão comprometido com a vida em comunidade. Para tanto, na leitura da carta de São Paulo lê-se: “renunciando à vossa existência passada, despojai-vos do homem velho, que se corrompe sob o efeito das paixões enganadoras, e renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade” (Ef 4,22). O homem velho e susceptível à corrupção, ou seja, o homem velho vive à custa do serviço alheio e explora o pequeno para satisfazer suas vontades extravagantes. Este não enxerga o sinal de Deus e nem alimenta do pão do céu que é a palavra da libertação. Já o homem novo é renovado, acredita e confia na palavra do Senhor, embebe das doutrinas justas e luta por um mundo melhor. O homem que participa da Eucaristia e acredita na força do Espírito Santo é um homem renovado, tem roupa da justiça, da solidariedade, da vida em comunidade e sabe ajudar os necessitados. Assim, este novo homem estará revestido da verdadeira justiça e santidade. Somente na participação celebrativa que novo homem entra em consonância com o Pai do céu. Contudo, o salmista oferece uma reflexão para os tementes à Deus que participa do momento de louvor: “tudo aquilo que ouvimos e aprendemos, e transmitimos para nós os nossos pais, não haveremos de ocultar a nossos filhos, mas à nova geração nós contaremos: as grandezas do Senhor e seu poder” (Sl, 77). Perceber a grandeza e o poder do Senhor é estar abastecido de sua palavra. Só conta e dissemina as maravilhas do Senhor se as conhece, caso contrário, nada saberá para contar ou engrandecer as maravilhas. O senhor é supremo em todos os sentidos, pois é o único que tem o poder de renovar completamente o mundo com seu poder. Desse modo, alimentar do Corpo e Sangue do Senhor acaba comprometendo com sua atitude. Foi o que aconteceu com a multidão que procurou Jesus na outra margem do mar em Cafarnaum. Alimentou do pão vivo do céu e, portanto comprometeu-se, mesmo sem entender o que estava acontecendo, e coube Jesus advertir: “esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna e que o Filho do homem vos dará” (Jo, 6,27). Não tem com fugir do Deus que acolhe e socorre nos momentos difíceis. Ele sempre estará pronto para atuar com exatidão. Uma vez inteirado da grandeza do Senhor o homem não tem como encontrar fugas, pois ficou presos ao seu poder e sentiu protegido de todas as armadilhas. No final do Santo Evangelho de João Jesus volta-se para a multidão que ainda espera um sinal e afirma: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6, 35). Confia-se na palavra de Deus e as faça prática constante nos afazeres do dia a dia, pois ao fazer como ensina a Sagrada Escritura a vida eterna saciará para sempre. Portanto, o homem reto e renovado ouve e faz a vontade do Senhor. Amém!

12 – PRESENÇA

Que coisa desnorteadora quando sentimos a presença da ausência de alguém que queremos bem. Jesus Cristo quis poupar-nos desse sentimento tendo em conta o cumprimento da sua missão e as nossas reais necessidades e capacidades. Um cristão já não precisa fazer a pergunta que nós escutamos no Evangelho da Missa: “Mestre, quando chegaste aqui?” (Jo 6,25). Ao contraio, avisará a todos, como o fez Maria à sua irmã Marta: “O Mestre está aí e te chama” (Jo 11,28). Vi certa vez um filme, um desenho animado, no qual se perguntava a uma criança: “Qual é a diferença entre o Crucifixo e a Eucaristia?” A criança respondeu então com muita sabedoria: “No Crucifixo parece que Jesus está, mas não está; na Eucaristia parece que ele não está, mas está”. Parece que não está, mas está! A Igreja sempre acreditou que após as palavras da consagração n a Missa, toda a realidade do pão se muda, se converte no Corpo de Jesus Cristo; toda a realidade do vinho se transforma no sangue do Senhor Jesus. Esta verdade de fé é conhecida pelos católicos como transubstanciação. Neste sentido vale a pena trazer a colação as vigorosas palavras do Papa Paulo VI no texto do “Credo do Povo de Deus”, de 1968. Copio ao leitor as palavras do Papa que se referem à Missa e à transubstanciação (n. 24-25): “Cremos que a Missa, celebrada pelo sacerdote, que representa a pessoa de Cristo, em virtude do poder recebido no sacramento da Ordem, e oferecida por ele em nome de Cristo e dos membros do seu Corpo Místico, é realmente o Sacrifício do Calvário, que se torna sacramentalmente presente em nossos altares. Cremos que, como o Pão e o Vinho consagrados pelo Senhor, na última ceia, se converteram no seu Corpo e Sangue, que logo iam ser oferecidos por nós na Cruz; assim também o Pão e o Vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no Corpo e Sangue de Cristo que assiste gloriosamente no céu. Cremos ainda que a misteriosa presença do Senhor, debaixo daquelas espécies que continuam aparecendo aos nossos sentidos do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial (cf. Concílio de Trento, Sessão 13, Decreto sobre a Eucaristia). “Neste sacramento, pois, Cristo não pode estar presente de outra maneira a não ser pela mudança de toda a substância do pão no seu Corpo, e pela mudança de toda a substância do vinho no seu Sangue, permanecendo apenas inalteradas as propriedades do pão e do vinho, que percebemos com os nossos sentidos. Esta mudança misteriosa é chamada pela Igreja com toda a exatidão e conveniência transubstanciação. Assim, qualquer interpretação de teólogos, buscando alguma inteligência deste mistério, para que concorde com a fé católica, deve colocar bem a salvo que na própria natureza das coisas, isto é, independentemente do nosso espírito, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de sorte que o Corpo adorável e o Sangue do Senhor Jesus estão na verdade diante de nós, debaixo das espécies sacramentais do pão e do vinho (cf. ibid.; Paulo VI, Encíclica Mysterium Fidei), conforme o mesmo Senhor quis, para se dar a nós em alimento e para nos associar pela unidade do seu Corpo Místico (cf. Suma Teológica III, q. 73, a. 3)”. Trata-se da voz autorizada de um Papa no encerramento do Ano da Fé de 1968. Bento XVI convocou a Igreja para um Ano da Fé a começar em outubro de 2012. Sem dúvida, será essa uma maravilhosa ocasião para que o Senhor renove a nossa fé e para que nós reafirmemos a nossa entrega a Deus, a nossa adesão a ele e a todas as verdades que ele revelou a nós. No dia de hoje, graças sejam dadas a Deus pela nossa fé no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, vida da Igreja!

13 – PÃO DA VIDA ETERNA

No Evangelho (Jo 6,24-35), depois do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus se apresenta como o “Pão da Vida”. Entusiasmado com o milagre, o povo procura Jesus. Vê-se que o povo não entendeu o sentido daquele gesto. Quando viram que não conseguiam encontrar nem a Jesus nem aos seus discípulos, subiram às barcas e foram a Cafarnaum. Quando o encontraram novamente, Jesus disse-lhes: “Em verdade, em verdade, Eu vos digo: estais Me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos” (Jo 6,26). Comenta Santo Agostinho: “Buscais-me por motivos da carne, não do espírito. Quantos há que procuram Jesus, guiados unicamente pelos seus interesses materiais! Só se pode procurar Jesus por Jesus”. Com uma valentia admirável, com um amor sem limites, Jesus expõe o dom inefável da Sagrada Eucaristia, em que se dá como alimento. Pouco importa que, ao terminar a revelação, muitos dos que o seguiram com fervor acabem por abandoná-Lo. O Senhor não recua: “Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará… Mas eles perguntaram: Que devemos fazer para realizar as obras de Deus? Jesus respondeu-lhes: A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou” (Jo 6,27-29). E, apesar de que muitos dos presentes tinham visto com os seus próprios olhos o prodígio do dia anterior, disseram-Lhe: “Que milagre fazes Tu, para que possamos ver e crer em Ti? Nossos pais comeram o Maná no deserto, como está na Escritura: Deu-Lhes a comer o Pão do Céu” (Jo 6, 30-31). Jesus Cristo é o verdadeiro alimento que nos transforma e nos dá forças para realizarmos a nossa vocação cristã. Exorta vivamente o Beato João Paulo II: “Só mediante a Eucaristia é possível viver as virtudes heroicas do cristianismo: a caridade até o perdão dos inimigos, até o amor pelos que nos fazem sofrer, até a doação da própria vida pelo próximo; a castidade em qualquer idade e situação de vida; a paciência, especialmente na dor e quando estranhamos o silêncio de Deus nos dramas da história ou da nossa existência. Por isso, sede sempre almas eucarísticas para poderdes ser cristãos autênticos”. A igreja vive da Eucaristia. O concílio Vaticano II afirmou que o sacrifício eucarístico é “fonte e centro de toda a vida cristã” (LG, 11). Com efeito, “na Santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o Pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo” (PO, 5). A Igreja vive de Jesus Eucarístico, por Ele é nutrida, por Ele é iluminada. A Eucaristia é mistério de fé e, ao mesmo tempo, mistério de luz. Sempre que a Igreja a celebra, os fiéis podem de certo modo reviver a experiência dos dois discípulos de Emaús: “Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no” (Lc 24,31). Referindo-se à Eucaristia, ensinava São Josemaría Escrivá: “O maior louco que já houve e haverá é Ele (Jesus). É possível maior loucura do que entregar-se como Ele se entrega, e àqueles a quem se entrega? Porque, na verdade, já teria sido loucura ficar como um Menino indefeso; mas, nesse caso até mesmo muitos malvados se enterneceriam, sem atrever-se a maltratá-Lo. Achou que era pouco: Quis aniquilar-se mais e dar-se mais. E fez-se comida, fez-se Pão. Divino Louco! Como é que te tratam os homens?… E eu mesmo?” (Forja, 824). Da Eucaristia brotam todas as graças e todos os frutos de vida eterna – para cada alma e para a humanidade – porque neste sacramento “está contido todo o bem espiritual da Igreja” (PO, 5). Quando nos aproximamos da mesa da Comunhão, podemos dizer: “Senhor, espero em Ti; adoro-Te, amo-Te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas” (Forja, 832). Façamos nosso (no bom sentido) o pedido do povo citado no Evangelho: “Senhor, dá-nos sempre desse pão” (Jo 6, 34). O primeiro domingo de agosto é dedicado à vocação Sacerdotal. Rezemos pelos padres! Rezemos ao Senhor para que continue enviando sacerdotes para a Igreja. Que Ele continue abençoando e plenificando a vida de todos os sacerdotes.

14 – JESUS ATRAVESSA O MAR DA GALILEIA

No domingo passado, deixamos o Senhor Jesus orando a sós no monte, após ter multiplicado os pães e despedido a multidão. Está no capítulo VI de São João: do monte, Jesus atravessa o mar da Galileia, caminhando sobre as águas. Ao chegar do outro lado, lá esta o povo a sua espera… Sigamos, as palavras do Senhor nesta perícope, pois elas nos falam de vida, falam-nos do Cristo nosso Deus! Primeiramente, Cristo censura duramente o povo: procuram-no – como tantos hoje em dia – não porque viram o sinal que ele realizou! Mas, que sinal? Fez o povo sentar-se na relva, como o Pastor do salmo 22 faz a ovelha descansar em verdes pastagens; prepara uma mesa para o fiel, multiplicando-lhe os pães, como Moisés no deserto… Ante tudo isto, amados em Cristo, o povo ainda pensou em Jesus como sendo o Profeta que Moisés prometera (cf. Dt.); mas, infelizmente, não passou disso. Daí a repreensão do Senhor: aqueles lá o procuravam simplesmente porque comeram pão, como hoje tantos o procuram para ganhar benefícios – e, assim, são enganados pelos charlatões de plantão! A prova de que o povo não compreendeu o sinal, é que ainda vai perguntar no Evangelho de hoje: “Que sinal realizas? Que obra fazes?” Como estes, lá com Jesus, se parecem conosco, tantas vezes cegos para os sinais do Senhor na nossa vida! Observai! Notai como os judeus não conseguem compreender que o que Jesus quer deles é a fé na sua pessoa e na sua missão! Vede como eles pensam que podem agradar ao Senhor simplesmente com um fazer exterior, sem compromisso de amor que brota do coração: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” Fazer! De nós, Jesus quer muito mais do que um simples fazer! Eis a resposta do nosso Salvador: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou!” Resposta admirável: tua obra, cristão, já não é cumprir a Lei de Moisés; também não é fazer e fazer coisas, mas crer e amar a Jesus! Daí sim, tudo decorre, e também tuas boas obras, feitas por amor a Jesus e na fé em Jesus, serão aceitas pelo Senhor! Diante da palavra do Cristo, os judeus duros de compreender, pedem a Jesus outro sinal! Não compreenderam o que ele fizera! E ainda citam Moisés, como que dizendo: Tu nos deste pão agora; Moisés nos deu o maná por quarenta anos! Aí, o nosso Salvador faz três revelações surpreendentes e consoladoras! Ei-las. Primeiro: Aquele maná dado por Moisés não é o pão que vem do céu. É pão terreno mesmo, dado por Deus; pão que mata a fome do corpo, mas não enche de paz o coração; pão que alimenta esta vida, mas não dá a Vida divina, a Vida que dura para sempre! Aquele maná do deserto era apenas pálida imagem de um outro maná, de um outro pão que o Pai daria mais tarde. E aqui vem a segunda revelação, surpreendente, consoladora: agora o Pai está dando o verdadeiro maná, o verdadeiro Pão do céu, que dá a vida divina ao mundo: Moisés não deu (no passado); meu Pai vos dá (agora, no presente)! Os judeus ficam perplexos, admirados; e pedem: Dá-nos desse pão! Pão que alimenta a fome de vida, de paz, de sentido, de eternidade! Jesus faz, então, a terceira e desconcertante revelação: “Eu sou o Pão da vida!” Pronto: o pão verdadeiro é uma Pessoa, é ele mesmo! Os pães que ele multiplicara eram imagem dele mesmo, que se nos dá, que nos alimenta, que nos enche de vida: “Eu sou o Pão da vida! O Pão que desce do céu e dá a vida ao mundo! Quem vem a mim nunca mais terá fome de vida e de sentido de existência; quem crê em mim nunca mais terá sede no seu coração!” Corramos para Jesus! Seja ele nosso alimento! E dele nos alimentando, sejamos nele, novas criaturas, despojando-nos do homem velho, deixando o velho modo de pensar, que conduz não à Vida, mas ao nada, como diz o Apóstolo na segunda leitura! Se nos alimentamos de Cristo, se bebemos de sua santa palavra, como poderemos pensar como o mundo, agir como o mundo, viver como o mundo? Como ainda poderíamos consentir nas velhas paixões que nos escravizam? Que alimentando-nos de Jesus, Pão bendito de nossa vida, nós atravessemos o deserto desta vida não como o povo de Israel, que murmurou e descreu, mas como verdadeiros cristãos, renovados pelo Senhor, despojados da velhice do pecado e saciados de vida eterna, vida que é o Cristo nosso Deus, bendito pelos séculos dos séculos.

15 – DEU-LHES A COMER O PÃO DO CÉU

Continuando com o tema do sinal do pão, a liturgia de hoje – e nos domingos seguintes – centra-se no discurso de Jesus sobre o “pão da vida” ou “pão do céu”. Por meio do maná (pela manhã) e das codornizes (à tarde), Deus sustentava a vida do povo no deserto. Apesar da benevolência divina, o povo não mudava de atitude, não parava de murmurar e de preferir a antiga vida de escravidão à vida nova, com dignidade, dada por Deus. É bem adequada a exortação da carta aos Efésios para que os cristãos não tornem a proceder como antigamente, na futilidade de pensamentos: “foi bem outra coisa o que aprendestes de Cristo” (Ef. 4,20). Evangelho Jo 6,24-35 Eu sou o pão da vida. A multidão está à procura de Jesus, movida não pelo que o sinal do pão aponta, mas pelo interesse pessoal de saciar a fome. Por isso, Jesus reprova a multidão, que não o busca por ele mesmo. Ele chama a atenção para que a multidão se empenhe mais pelo alimento que permanece, e não apenas pelo alimento perecível. Esse empenho deve ocupar a vida do cristão em sua totalidade. O verdadeiro alimento é Jesus, que dá a vida eterna àqueles que o buscam. Vida eterna significa uma existência reconciliada com Deus. Por isso, essa vida inicia-se já aqui na história. Movida pelo interesse pessoal, a multidão pede a Jesus que realize a obra de Deus, mas não sabe a profundidade do pedido que faz. A obra que Deus quer realizar é que o ser humano busque a Jesus (v. 29), o caminho para Deus. E buscar a Deus significa abandonar-se incondicionalmente ao seu amor e à sua vontade. Por isso a multidão não compreende o alcance de seu pedido, já que se nega a fazer a vontade de Deus, que é crer naquele que ele enviou. O pedido do sinal também revela a incapacidade de enxergar, porque viram o sinal, mas, como não têm fé, não viram a ação de Deus. E os sinais que a multidão pede devem superar os milagres realizados no antigo Israel, milagres que legitimam suas pretensões messiânicas. Para isso recordam o prodígio do êxodo, quando Moisés alimentou o povo no deserto com o maná. A isso Jesus responde, mostrando que o verdadeiro pão do céu quem dá é o Pai. E o pão do céu é o próprio Jesus, que veio dar a vida eterna. Esse sinal revela o messianismo de Jesus, a multidão não precisa então de outro sinal. Contudo, a multidão continua sem compreender o sinal, porque pede a Jesus que lhe dê sempre desse pão. Não entendem o verdadeiro alcance de suas palavras. A resposta de Jesus é semelhante à que foi dada à samaritana (6,35): quem vai a Jesus nunca mais terá fome nem sede. No deserto, o povo foi alimentado com maná e teve a sede saciada com a água que saiu da rocha. Mas o povo morreu; isso mostra que aquelas realidades antigas eram apenas uma prefiguração de Jesus, o enviado e Deus, que oferece o verdadeiro alimento e sacia totalmente a sede que a criatura tem de seu Criador. 1ª leitura Ex.16,2-4.12-15 Farei chover pão do céu para vós. A leitura afirma que “toda a comunidade dos israelitas murmurava” (v. 2). Isso significa que todos estavam de acordo sobre um ponto: era melhor ser escravo no Egito e ter o que comer do que ser livre e passar fome. A comunidade formava uma multidão interesseira. O povo rapidamente esqueceu que havia chorado sob os açoites dos feitores egípcios e que clamou a Deus, pedindo que o libertasse. Após a libertação, os israelitas lembravam-se do cheiro e do gosto dos temperos nos cozidos de carne, mas haviam esquecido as chicotadas dos feitores e o trabalho forçado. A que preço, anteriormente, comeram aquele alimento sem ter direito à vida e à dignidade, correndo risco de morte a cada instante. Nas reclamações dos israelitas há uma acusação contra o Senhor: “Por que nos trouxe o Senhor a este deserto? Para matar de fome toda esta gente?” (v. 3). Conforme essas palavras, não há diferença entre Deus e o faraó, pois ambos armam ciladas para destruir o povo. No entanto, na literatura judaica, o faraó e o Egito simbolizam a ausência de respeito à vida e à dignidade humana, significam opressão e escravidão. Ambos são a negação da vida e do reino de Deus. O faraó é o contrário de Deus e de seu projeto salvífico. O povo necessita mudar de mentalidade e de atitude. O Senhor não intenta matar Israel no deserto. Na dureza da vida no deserto, o povo é cuidado por Deus como os pais cuidam de seus bebês. Os israelitas foram levados ao deserto para fazer a experiência de serem amados e cuidados por Deus, já que no Egito tinham experimentado apenas o rigor da servidão. Os israelitas conheciam apenas o faraó como senhor, agora necessitavam saber quem era Deus. Eles foram alimentados e cuidados no deserto para que tivessem uma experiência diferente: “Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus” (v. 12). 2ª leitura Ef. 4,17.20-24 Aquele que desceu do céu. O apóstolo faz com que os efésios se recordem do que eram antes de se converterem, ou seja, da maneira como viviam e de como os gentios ao redor deles ainda procedem. Na Bíblia, a vida é frequentemente comparada a uma jornada, e por isso o apóstolo diz que os cristãos não devem caminhar como antigamente o faziam e como ainda fazem os seus conterrâneos. Os gentios se comportam com “vaidade” de mente, afirma o texto. A palavra “vaidade” nas Escrituras significa “vacuidade” e denota um mal no âmbito da moral. Na Bíblia, comumente esse termo é aplicado aos que adoram ídolos vãos, em contraposição a quem conhece o Deus vivo e verdadeiro. Para religiões tão diferentes, os comportamentos humanos igualmente devem ser muito diferentes; os efésios precisam saber disso e mudar de atitude. O homem vão é aquele que caminha de acordo com os próprios interesses, mas coisa muito diferente foi ensinada aos cristãos. Cristo ensinou que a religião exige abandono total no curso da vida. Com ironia sutil o texto diz: “se é que ouvistes falar de Cristo e nele fostes instruídos” (v. 21). Quem escuta atentamente as instruções de Cristo sabe qual é o verdadeiro propósito da “religião” (relacionamento com Deus). A respeito da conduta anterior ou dos hábitos de vida, os cristãos devem deixar de lado tudo o que pertence a uma natureza egoísta. O Filho de Deus, que desceu do céu para conviver conosco, instrui-nos sobre o que agrada a Deus; ele nos deu essa instrução com a sua própria vida. Jesus nos mostrou como vive um verdadeiro filho de Deus. E isso não é algo que esteja além dos limites humanos. Mostrou que é possível ao ser humano tirar do foco os próprios interesses e identificar a própria vontade com a vontade de Deus. Pistas para reflexão: Já que estamos iniciando o mês das vocações, é bom ressaltar o seguinte: – há pessoas que fazem da religião uma fonte de lucro ou de privilégios pessoais, usando- a para o conforto e prosperidade pessoais. – Os hebreus eram escravos no Egito e lá recebiam apenas pão para a própria sobrevivência. Livres no deserto, queriam continuar no mesmo esquema: Deus teria de alimentá-los. Mas Deus queria ter com eles um relacionamento que não se baseasse na troca de favores. – O Deus de Jesus Cristo é diferente do faraó e dos deuses antigos dos efésios, ele liberta da escravidão do pecado e do egoísmo. Deus é livre, não se deixa manipular em favor de interesses egoístas. Deus cuida dos seres humanos porque ele é bom. – Hoje cresce o número de pessoas que buscam sagrado porque querem ter um emprego, um companheiro, cursar uma universidade etc. Não buscam a Deus, mas milagres e curas. Os santos, no entanto, buscavam a Deus por ele mesmo, e não por causa do que lucrariam com a religião. Eles entenderam a instrução de Jesus e trabalharam pelo pão que não perece e que permanece até a vida eterna (Jo 6,27).

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

O pão da vida que é Jesus se oferece a nós nesta liturgia. Ele sacia de verdade a fome de nossa comunidade na caminhada do dia a dia. Celebremos em comunhão com os ministros ordenados, especialmente com nosso pároco e com todos os padres: na eucaristia, eles nos proporcionam o alimento que permanece até a vida eterna.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

A palavra de Deus nos mostra que ele quer nos nutrir com sua vida, mas pede que saiamos do comodismo para construir a libertação como verdadeiros “homens novos”, criados à sua imagem.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

O homem não vive somente de pão, mas vive de toda palavra que sai da boca de Deus e não só de pão, amém, aleluia, aleluia! (Mt 4,4).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Meus Deus, vinde libertar-me, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me. Vós sois o meu socorro e o meu libertador; Senhor, não tardeis mais (Sl 69,2.6).

Antífona da comunhão

Vós nos destes, Senhor, o pão do céu, que contém todo sabor e satisfaz todo paladar (Sb 16,20).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Manifestais, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação e conservando-a renovada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

Confiantes no Deus de infinita bondade, apresentemos-lhe nossas preces, dizendo:

— Ouvi, Senhor, a oração do vosso povo.

— Iluminai, Senhor, vossa Igreja, para que distribua sempre o alimento da vida eterna. Nós vos pedimos.
— Protegei os ministros ordenados, para que deem exemplo de doação. Nós vos pedimos.
— Socorrei todos os que sentem a falta do alimento material e espiritual. Nós vos pedimos.
— Conduzi quantos ainda buscam acreditar naquele que enviastes. Nós vos pedimos.
— Abençoai o nosso pároco e todos os padres, neste dia a eles dedicados. Nós vos pedimos.

Oração sobre as oferendas

Dignai-vos, ó Deus, santificar estas oferendas e, aceitando este sacrifício espiritual, fazei de nós uma oferenda eterna para vós. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Acompanhai, ó Deus, com proteção constante os que renovastes com o pão do céu e, como não cessais de alimentá-los, tornai-os dignos da salvação eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

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