LDP: 12/AGO/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

12/AGO/2012 (domingo)

LEITURAS

Leitura do primeiro livro dos Reis 19,4-8 (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Históricos)

Naqueles dias, 4 Elias entrou deserto adentro e caminhou o dia todo. Sentou-se finalmente debaixo de um junípero e pediu para si a morte, dizendo: “Agora basta, Senhor! Tira a minha vida, pois não sou melhor que meus pais”. 5 E, deitando-se no chão, adormeceu à sombra do junípero. De repente, um anjo tocou-o e disse: “Levanta-te e come!” 6 Ele abriu os olhos e viu junto à sua cabeça um pão assado debaixo da cinza e um jarro de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir. 7 Mas o anjo do Senhor veio pela segunda vez, tocou-o e disse: “Levanta-te e come! Ainda tens um caminho longo a percorrer”. 8 Elias levantou-se, comeu e bebeu, e, com a força desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus.

Proclamação do Salmo 33(34),2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 9a) (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

— 9a Provai e vede quão suave é o Senhor!
— 2 Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. 3 Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!
— 4 Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! 5 Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.
— 6 Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! 7 Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.
— 8 O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. 9 Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

Leitura da carta de são Paulo aos Efésios 4,30—5,2 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Didáticos)

Irmãos: 30 Não contristeis o Espírito Santo com o qual Deus vos marcou como com um selo para o dia da libertação. 31 Toda a amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda espécie de maldade. 32 Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo. 5,1 Sede imitadores de Deus, como filhos que ele ama. 2 Vivei no amor, como Cristo nos amou e se entregou a si mesmo a Deus por nós, em oblação e sacrifício de suave odor.

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo João 6,41-51 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

Naquele tempo, 41 os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”. 42 Eles comentavam: “Não é este Jesus o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como pode então dizer que desceu do céu?” 43 Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. 44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45 Está escrito nos profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai, e por ele foi instruído, vem a mim. 46 Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna. 48 Eu sou o pão da vida. 49 Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50 Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51 Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O que o texto diz para mim, hoje? O que busco como alimento para meu espírito, para minha vida cristã? De que me nutro para esta missão? Qual é a fonte que sacia minha sede de vida? Quanto mais eu for fonte, menos sede terei e poderei ajudar as pessoas que também estão com sede. Os bispos, na Conferência de Aparecida disseram: “Em sua Palavra e em todos os sacramentos, Jesus nos oferece um alimento para o caminho. A Eucaristia é o centro vital do universo, capaz de saciar a fome de vida e felicidade: “Aquele que se alimenta de mim, viverá por mim” (Jo 6,57). Nesse banquete feliz participamos da vida eterna e, assim, nossa existência cotidiana se converte em Missa prolongada. Porém, todos os dons de Deus requerem disposição adequada para que possam produzir frutos de mudança. Especialmente, exigem de nós espírito comunitário, que abramos os olhos para reconhecê-lo e servi-lo nos mais pobres: “No mais humilde encontramos o próprio Jesus”. Por isso, São João Crisóstomo exortava: “Querem em verdade honrar o corpo de Cristo? Não consintam que esteja nu. Não o honrem no templo com mantos de seda enquanto fora o deixam passar frio e nudez”. (DAp 354).

… a VERDADE …

O que diz o texto do dia? Leio atentamente o texto: Jo 6,41-51, e observo Jesus que fala do pão da vida. Jesus afirma que quem crê, tem a vida eterna. Volta a dizer que é o pão da vida. Diz ainda “Quem come deste pão tem a vida eterna”. Sabemos que este pão de vida nos é dado pela Eucaristia. A Eucaristia, assim como necessitamos de alimentos para viver fisicamente, precisamos marcar o ritmo do nosso quotidiano com o verdadeiro pão da vida. O cardeal Van Thuan dizia: “O que devemos fazer com a nossa vida? “Eucaristizar”. Transformar tudo em Eucaristia.” E quanto mais formos Eucaristia, menos fome teremos e seremos fortes para a missão que Deus nos confia.

… e a VIDA …

Senhor Jesus, quero conhecer-te sempre mais, deixando-me instruir pelo Pai o qual me revela quem, de verdade, tu és.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Buscarei alimentar minha vida com o pão do céu, deixar-me “eucaristizar” e ver o mundo na ótica de Jesus Mestre.

REFLEXÕES:

1 – DISCURSO SOBRE O PÃO

Esta fala de Jesus, no evangelho de João, é, ainda, a continuação do longo discurso sobre o pão, pronunciado em Cafarnaum, após a partilha dos pães com a multidão na montanha no outro lado do mar da Galileia. O evangelho de João se caracteriza pela repetição didática de um tema central, reapresentado sob diversas formas associado a outros temas. Agora, ao pão está associado o dom da vida eterna por Jesus. Jesus testemunha sua origem divina e seu conhecimento do Pai, sendo então rejeitado pelos judeus que conheciam sua origem humilde e comum. Jesus e sua família são tipos comuns em sua terra, Nazaré, onde já vivem há cerca de trinta anos, sem que nada de extraordinário os destaque dos demais. Os três evangelhos sinóticos registram esta rejeição de Jesus. A tradicional identificação de Deus com o “poder” que age com violência a favor do “povo eleito”, característica do Primeiro Testamento, impede que reconheçam a revelação amorosa de Deus nos pequenos e humildes. A atração pelo Pai é a atração pelo seu ensinamento, comunicado por Jesus. Jesus viu o Pai. Ir a Jesus é o passo seguinte: é crer nele e segui-lo. O crer, que implica a adesão concreta ao projeto de Deus, insere o discípulo na vida eterna. Deus é o Deus da vida. A palavra “vida” é mencionada onze vezes no capítulo seis. A obra de Deus, fruto do seu amor, é o dom da vida plena para todos. O Pai e o Filho comunicam a Vida. Todos são atraídos a Jesus, que foi enviado pelo Pai. Não há, absolutamente, discriminações nem privilégios nesta atração. Com pleno amor e liberdade, o Pai atrai todos ao seguimento de Jesus. Este universalismo significa que a nova comunidade dos seguidores de Jesus não é continuação nem restauração de Israel. Quem comeu o maná, da tradição do Êxodo de Israel, morreu. Agora se trata da constituição de um povo novo, formado pela comunhão de todos os povos de todas as nações, para o qual o valor supremo é a geração, a restauração e o cultivo da vida. É o povo que crê em Jesus e o segue. A este povo é servido o pão descido do céu que dá a vida eterna. Quem comer deste pão não morrerá. Já está participando da vida eterna, inserido na vida divina pela prática do amor, em comunhão com Jesus. O pão do céu é o pão que dá a vida aos pequenos e excluídos, aos pobres bem-aventurados que sofrem a opressão. É Jesus, o pão partilhado com as multidões, criando laços de fraternidade, solidariedade e amor, no grande banquete do Reino dos Céus, que já acontece aqui na terra. É a comunidade que vive na harmonia e na paz, na bondade, na compaixão e na reconciliação (segunda leitura). Elias foi alimentado por um anjo e caminhou ao encontro com Deus (primeira leitura). Agora, Jesus, com sua palavra e com sua presença, alimenta os discípulos, ao longo dos tempos, fortalecendo-os no seu seguimento. Quem escuta o ensinamento do Pai crê, vai a Jesus e tem a vida eterna.

2 – INSTRUÍDOS POR DEUS

Apenas o esforço humano para compreender quem é Jesus revela-se inútil, sem a intervenção de Deus. Visto apenas em sua aparência humana, o Messias foi considerado sob dupla vertente. Alguns o tomavam por uma pessoa extraordinária, detentora de um poder jamais visto. Sua sabedoria fazia-o superior aos rabinos, e sua autoridade em muito os superava. Enfim, uma grande figura humana. Outros, movidos pela inimizade que nutriam por Jesus, consideravam-no blasfemo, eliminador das coisas sagradas da religião. Seus gestos prodigiosos eram interpretados como fruto de pacto com Satanás, e sua presença junto aos pecadores e marginalizados, como expressão de má vida. Tais considerações são enganosas, por não atingirem o cerne da identidade de Jesus. Só por revelação de Deus é possível conhecer a condição de Filho amado do Pai, enviado como penhor de salvação, portador de vida eterna para a humanidade, e pão da vida, que a alimenta na longa caminhada rumo à casa do Pai. Por conseguinte, o ser humano não pode conhecer Jesus por iniciativa própria. É o Pai quem coloca, no coração humano, o desejo de conhecer seu Filho. Quem se deixa instruir pelo Pai torna-se discípulo de Jesus.

3 – EIS O ALIMENTO QUE DEVEMOS PROCURAR COM TODAS AS NOSSAS FORÇAS!

“Eu sou o pão da vida”. Esta afirmação é categórica, direta e conclusiva. Usando de uma metáfora baseada no Antigo Testamento, quando os hebreus estavam no deserto e Deus os alimentava com o maná vindo do Céu, Jesus encerra qualquer dúvida quanto à fonte da vida: Ele próprio é o que dá vida. O pão, na época, era um dos alimentos mais importantes e consumidos, por isso usado como referencial, mas se trata de qualquer alimento. Ora, se eles estavam acostumados com o pão que os alimentava, dava força para o trabalho, logo, este alimento era imprescindível para o sustento do corpo. Jesus, entretanto, não se referiu ao corpo físico, porque Ele era o que alimentava a vida. O que é a vida senão nossas ações, nosso coração, nossas intenções? Jesus queria ser alimento nestes aspectos. Quantas vezes procuramos saciar nossa fome de alegria, de amor, de paz, e buscamos em tantos lugares, quando só podemos ser saciados com Jesus. Ele é o único que dá vida em abundância. Com Ele nunca teremos fome ou sede de paz, amor, alegria, justiça e verdade em nossas vidas. Jesus sabia que o povo estava atrás d’Ele por causa do milagre dos pães. Sabia também que queriam fazê-Lo rei, mas o Seu reino não é deste mundo, e o que Ele lhes propõe é que trabalhem pelo alimento que permanece para a vida eterna. Este trabalho é a obra de Deus, a evangelização que Jesus realiza e que nós devemos continuar. Este trabalho consiste em fazer a vontade do Pai. Consiste em dar a vida para salvar este mundo do pecado para que todos, de preferência, mereçam um dia a vida eterna. Aqueles homens ainda incrédulos e apegados às suas tradições, pedem, exigindo que Jesus faça milagres, sinais espetaculares, como os milagres de Moisés com o maná no deserto. Contudo, esta tradição do maná (“pão”) caído do Céu está superada. O maná, assim como o nosso feijão com arroz de hoje, é alimento para um só dia, e não salva ninguém da morte. Todos os que comeram o maná, vieram a morrer mais tarde. O que nós precisamos fazer, segundo a explicação de Jesus hoje, é buscar o verdadeiro pão caído do Céu que é Jesus, aquele que se fez alimento para a nossa salvação e que nos foi dado pelo Pai, porque esse é o alimento que permanece para a vida eterna, esse é o alimento que nos guarda para a vida eterna: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá a vida eterna”. E ainda: “Quem come a minha carne viverá em mim e eu nele”. É esse o alimento que devemos procurar com todas as nossas forças e com todo o nosso empenho, pois é ele que vai nos fazer merecedores da vida no Paraíso preparado para nós por Deus Pai. É importante que estejamos preparados para receber este alimento da nossa alma, procurando praticar os ensinamentos de Cristo e evitando o pecado. Na verdade, nunca estamos merecendo receber o Corpo e o Sangue de Cristo. O máximo que conseguimos é ficar menos indignos para comungar. Por isso, é sempre indispensável um exame de nossa consciência antes de nos levantar do banco e entrar na fila da comunhão. Pois, para receber o Pão da Vida, é preciso estar em estado de graça e, se não estiver, será preciso fazer uma boa confissão. Caso contrário, receber a hóstia consagrada indignamente é comer a nossa própria condenação. Por isso, é preferível não comungar naquela Missa e depois procurar um sacerdote, para que na próxima Missa estejamos na fila da comunhão com a consciência tranquila. O pão descido do Céu é Jesus concebido no ventre de Maria, e que viveu, cerca de trinta anos, uma vida comum na Sua cidade de origem; e depois, cerca de três anos em contato com as multidões, revelando-lhes o Pai que O enviou. Doando-se a fim de comunicar a vida, consagrou-Se à libertação de todos das opressões e da morte, levando a esperança de um mundo novo pela prática do amor. Ser atraído por Jesus e crer n’Ele é segui-Lo, na adesão concreta ao projeto de Deus. Alimentar-se de Jesus é contemplá-lo e seguir Seus passos, como na prefiguração de Elias. Na bondade, na compaixão e no perdão, na fraternidade comunitária e na solidariedade social, na busca da justiça e da paz, entra-se em comunhão com Jesus, Pão da vida eterna. Que neste “Dia dos Pais”, o Espírito Santo – Espírito de docilidade ao Pai – reforce a disposição de todos os pais em acolher os ensinamentos divinos e colocar-se, resolutamente, na busca do Ressuscitado. Com certeza, os filhos serão os grandes beneficiados pela santidade de vida de seus pais. Desejo um feliz e abençoado “Dia dos Pais”!

4 – SE ALGUÉM COMER DESTE PÃO, VIVERÁ ETERNAMENTE

Jesus, Pão dos anjos, delícia do meu coração,
Todo o meu ser em Vós se abisma em fundura.
E vivo como os que no céu têm eleição,
Certa da vida sem fim, ainda que na sepultura.

Jesus eucaristia, Vós, ó Deus imortal,
E que sempre permaneceis em meu coração,
E enquanto Vos tenho não há morte fatal
Diz-me o amor que de Vós, por fim, terei visão.

Abismo-me em Vossa divina vida.
Olho o céu, quase aberto, tranquilizada,
E a morte envergonhada fito de fugida,
Pois divina vida na minh’alma é encerrada.

Senhor, que pelo Vosso santo querer
A morte venha este meu corpo tocar,
Desejo o mais breve tal enlace acontecer.
Pois assim na vida eterna hei-de ingressar.

Jesus, vida da minha alma, eucaristia,
Vós me elevastes às esferas eternas,
Em terrível suplício pela Paixão e agonia.

5 – NINGUÉM PODE VIR A MIM, SE O PAI QUE ME ENVIOU NÃO O ATRAIR

Hoje, o Evangelho apresenta o desconcerto que a presença de Jesus causou em seus compatriotas: «Este não é Jesus, o filho de José? Não conhecemos nós o seu pai e a sua mãe? Como pode, então, dizer que desceu do céu?» (Jo 6, 42). A vida de Jesus entre os seus foi tão normal que, ao começar a Proclamação do Reino, aqueles que O conheciam se escandalizaram do que então lhes dizia. De que Pai lhes falava Jesus que ninguém havia visto? Que pão descido do céu era esse que aqueles que o comessem viveriam para sempre? Ele negava que fosse o maná do deserto porque, os que o comeram, morreram. «E o pão que eu darei é a minha carne, entregue pela vida do mundo» (Jo 6, 51). Sua carne poderia ser um alimento para nós? O desconcerto que Jesus provocava entre os judeus pode também se dar entre nós se nós não nos respondermos a uma pergunta central para nossa vida cristã: Quem é Jesus? Muitos homens e mulheres, antes que nós, se fizeram esta pergunta, a responderam de uma forma pessoal, foram a Jesus, O seguiram e agora desfrutam de uma vida sem fim e plena de amor. E aos que vão a Jesus, Ele os ressuscitará no último dia (cf. Jo 6, 44). João Cassiano exortava seus monges dizendo-lhes: «‘Aproximai-vos a Deus, e Deus se aproximará de vós’, porque ‘ninguém pode ir a Jesus se o Pai que O enviou não o atrai’ (…). No Evangelho escutamos ao Senhor que nos convida a ir até Ele: ‘Vinde a Mim todos os que estais cansados e esgotados, e eu os farei repousar’». Acolhamos a Palavra do Evangelho que nos aproxima a Jesus cada dia; acolhamos o convite do próprio Evangelho de entrar em comunhão com Ele comendo sua carne, porque «este é o verdadeiro alimento, a carne de Cristo, o qual, sendo a Palavra, fez-se carne para nós» (Orígenes).

6 – CONSIDERAI, SENHOR, VOSSA ALIANÇA, E NÃO ABANDONEIS PARA SEMPRE O VOSSO POVO. LEVANTAI-VOS, SENHOR; DEFENDEI-VOS, SENHOR; DEFENDEI VOSSA CAUSA E NÃO DESPREZEIS O CLAMOR DE QUEM VOS BUSCA” (Sl 73,20-19,22s)

Meus queridos irmãos, A liturgia de hoje está envolvida de uma bonita atmosfera: FIDELIDADE para com DEUS e para com a ALIANÇA que Ele estabeleceu para conosco. A primeira leitura (1 Reis 19,4-8) é repleta de significado para nós: ela iluminará o Evangelho. O primeiro livro dos Reis conta a história de Elias. O mesmo Deus que alimentou o povo no deserto agora alimenta Elias. Depois de comer, Elias quer descansar. Entretanto, Deus o faz caminhar, pela força do alimento recebido, 40 dias e 40 noites, até a montanha de Deus. O que significa isso? Não somente relembra os 40 anos em que o povo peregrinou no deserto, mas significa que a comida dada a Elias é o alimento para os embates da nossa vida. Se Elias, assaz cansado, ao ser alimentado por Deus caminhou 40 dias e 40 noites, todos nós, ao recebermos o Pão da Vida, o próprio Cristo, poderemos repetir a missão de Elias. Uma leitura do Antigo Testamento que, iluminada pelo Evangelho, demonstra-nos a força da Eucaristia que faz a Igreja. Irmãos e irmãs, No Evangelho (Jo 6,41-51), os judeus murmuravam contra Jesus, por causa de suas afirmações. No deserto, exatamente no contexto da doação do maná, os judeus murmuravam contra Moisés. “As murmurações de vocês não são contra mim, mas contra o Senhor” (Ex 16,8), interpela-os Moisés. Murmurar significa, para João, falta de fé, insinuando que, de qualquer maneira, triunfará a verdade de Deus. Assim como as murmurações no deserto, na verdade, não eram contra Moisés, mas contra Deus, assim também, agora, a murmuração não alcança apenas a pessoa de Jesus, que eles acreditavam apenas homem, mas alcançava o próprio Deus, que o escolhera e o enviara. Os judeus estranhavam a linguagem de Jesus. Os judeus conheciam José e Maria e, portanto, sabiam quem eram concretamente os pais de Jesus. Como podia Jesus dizer que descera do céu? Apesar da Encarnação por obra e graça do Espírito Santo, Jesus era conhecido como filho de José. A fé está novamente colocada em tela pelo Evangelho. Os olhos do corpo veem apenas o parentesco físico. A cegueira dos judeus não permitia que enxergasse naquele menino o FILHO DE DEUS. Aceitando Jesus como o enviado de Deus, aceitaremos sua palavra, seu ensinamento, sua verdade. A aceitação de Jesus, embora nos exija a humildade e o reconhecimento de que nada podemos sozinhos (Jo 15,4-5), implica num sincero esforço de nossa parte, numa caminhada de fé. É nesse esforço pessoal, na abertura e iluminação desse caminho que entra o Espírito Santo e faz-nos compreender a origem e a missão de Jesus, seus ensinamentos e sua paixão, sua páscoa e glorificação. A fé é e sempre será obra e graça divinas. A fé é um diálogo entre Deus, que nos atrai a Jesus Cristo e nós, que nos dispomos a escutar sua palavra e a vivê-la. Escutar Jesus alimenta-nos para a vida com Deus, para sempre. Ora, João diz que quem crê já tem a vida eterna. Como é essa vida eterna, divina? Será talvez esse bem-estar incomparável que sentimos quando ficamos mortos de cansaço por nos termos dedicado aos nossos irmãos até não poder mais? Portanto, sermos ensinados por Deus significa que, mediante a adesão à existência que Jesus viveu até a morte, abrimos em nossa vida espaço para a dimensão divina e definitiva de nossa vida, dimensão que lhe confere um sentido inesgotável e irrevogável: o sentido de Deus mesmo. Assim, irmãos e irmãs, a segunda leitura (Ef 4,30-5,2) nos ensina a imitar a Deus – no perdão mútuo – e a amar como Cristo nos amou. Em outros termos, nossa vocação de sermos semelhantes ao Pai se realiza na medida em que assumimos a existência de Cristo, dando-lhe crédito e imitando-o. Por isso, a primeira leitura ilumina o Evangelho: é a vida que Deus quer e o pão que alimenta essa vida é Jesus. Alimenta-a pela palavra que falou, pela vida que viveu, pela morte de que morreu: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. O Pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo” (Jo 6,51). Caros fiéis, Filhos de Deus, animados por seu Espírito. O selo de garantia de nossa salvação é o Espírito Santo, o Espírito de amor, que provém do íntimo de Deus. A gente pode asfixiar por mesquinharias de todo o tipo, como também por estruturas que não lhe deixam espaço. Devemos realizar o contrário: liberalidade, bondade, perdão, segundo o modelo de Cristo, em cuja doação se manifesta o amor de Deus. Devemos abrir em nossa vida e sociedade um espaço onde possa soprar o Espírito de amor de Deus. Cristo veio realizar esta vida: é a própria vida do seu Pai, vida eterna, sem fim. O homem a busca, mas não consegue encontrá-la ou só a encontra provisoriamente, e só sacia sua fome por momentos. Só Cristo pode saciar totalmente, porque este é o pão que desce do céu. Quem dele come não morre. Meus irmãos, Tenhamos certeza de que todos nós temos limitações e momentos de crise. Nestes momentos de crise a fé na presença de Deus, fortalece-nos e nos põe novamente de pé para retomar a caminhada. Jesus provoca crise e momentos de ruptura, pois sua mensagem nem sempre agrada; muito pelo contrário, a Palavra nos faz interpelar pela Verdade única que é Jesus, o Ressuscitado. Neste domingo dedicado aos pais, estes silenciosos homens que nos legaram a vida, recebam o carinho e as nossas orações para que continuem dando testemunho da fé católica, que supera todas as crises. A todos os pais, particularmente aos pais de nossa Paróquia, a nossa bênção afetuosa, pedindo-lhe que sejam pais comprometidos com a missão de anunciarem ao Cristo e que sejam comprometidos com uma família toda ela evangelizadora. Amém!

7 – EU SOU O PÃO DESCIDO DO CÉU

Prezados irmãos. Paulo hoje nos manda um recado urgente e importante, além de muito atual. Pois no nosso meio, principalmente no meio dos escolhidos, não pode haver a predominância do egoísmo, mais sim do amor fraterno em Cristo Jesus. Irritação, maldade, calúnia, discriminação, desprezo, etc., nada disso deve acontecer na comunidade cristã, mais sim, o amor manifestado através da caridade. Devemos lembrar que caridade não é somente colocar a mão no bolso ou na bolsa e pegar uns trocados e dar a um mendigo. Mais sim todo gesto de amor fraterno, de gentileza, de amizade sincera, de aceitação do outro como ele é, faz parte da caridade. Assim como aquele irmão faminto espera de você uma ajuda para saciar em parte a sua fome, todos os irmãos do nosso convívio, espera de você, atitudes de acolhida sincera, pois estão famintos de amor fraterno! E devemos aqui frisar bem que nossa caridade deve ser sincera, pois não devemos ser cristãos hipócritas. Muitos irmãos nossos que ingressam em uma comunidade paroquial, ou que encontramos pela estrada da nossa vida, no emprego, na escola, na faculdade, a academia, etc., estão famintos de uma atenção, sedentos de partilhar uma conversa amistosa. Mais infelizmente, o que acontece? Estamos com muita pressa! Pressa de ganhar o pão de cada dia para nós e nossa família, pressa para cuidar da saúde, do nosso laser, e, pasmem! Pressa para ir à missa, para chegar lá antes do início, pois vamos participar da liturgia… “Ame a Deus com todas as tuas forças… e ao irmão como a ti mesmo” É só um lembrete. Paulo nos lembra hoje que devemos ser bons uns para com os outros. Bons de verdade e não por interesse como fazem o vendedor, e o político em ano eleitoral. Devemos ser COMPASSIVOS, isto é, participar do sofrimento do irmão. Dar atenção ao desabafo do irmão e da irmã, aos seus clamores, ao seu sofrimento, seja lá qual for. Não virar as costas quando notamos um irmão carente no meio de nós. E por falar no meio de nós, é bom lembrar que o irmão carente é Cristo que está ali bem perto, para ver o quanto somos caridosos na prática. Porque na teoria, nós prometemos tudo a Deus. O verdadeiro cristão não é aquele que só se comunica com pessoas do seu nível, pessoas que estão bem, e que não estão passando por nenhuma dificuldade. Mais sim, o verdadeiro imitador de Cristo é aquele que tem COMPAIXÃO, isto é, aquele que procura se colocar no lugar daquele que está sofrendo, procurando compreender o estado emocional do outro, é aquele ou aquela que procura aliviar o sofrimento do outro de alguma maneira. Seja com palavras, seja com um afeto, um conselho, ou simplesmente com a sua atenção, e sua presença nas horas difíceis por que passa o irmão. Porém, a melhor forma de compaixão se manifesta através da ação, e não somente através de algumas palavras ou frases pré-fabricadas, do tipo: Desejo suas melhoras, que Deus lhe ajude… você vai conseguir, e outras frases rápidas para logo em seguida nos sentir livres e sair andando, seguir o nosso caminho… Irmãos. Em vez de somente palavras, precisamos fazer alguma coisa de concreto pelo irmão em dificuldades, pelo irmão que sofre. Chamar a polícia, o bombeiro, levá-lo ao médico, dar-lhe um pouco de dinheiro, fazer uma arrecadação entre os demais para aliviar o prejuízo dele, enfim, qualquer tipo de ajuda, qualquer providência no sentido de tirá-lo daquele sufoco, fala muito mais alto do que simplesmente palavras doces, e mais nada. Devemos ser imitadores de Cristo, praticando a caridade através do apoio ao irmão, da acolhida, do sorriso sincero, da correção fraterna, do perdão… Não nos esqueçamos que Jesus fez da caridade o novo mandamento. Dessa forma, amando-nos uns aos outros, nós imitamos o amor de Jesus que recebemos do nascer ao por do sol, e enquanto dormimos. Por isso diz Jesus: “Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor” (Jo 15,9). E ainda: “Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). Irmãos. Jesus acrescentou que é nesse amor que dedicamos uns para com os outros é que todos irão perceber, reconhecer que somos cristãos, isto é, seguidores e imitadores de Cristo. No Evangelho, Cristo nos afirma que Ele é o Pão descido do Céu, e que ninguém pode vir a Ele se o Pai que o enviou não o atrai. Isso quer dizer que somos atraídos, escolhidos pelo Pai, para servir a Cristo, seja na família, na escola, na sociedade, na comunidade paroquial, no presbitério ou no altar. Assim, é indispensável que tenhamos uma conduta irrepreensível, a mais próxima possível do exemplo daquele a que nos propomos a imitar.

8 – O PÃO QUE DÁ A VIDA!

Coisa bonita é quando uma pessoa, que todos julgam importante, se apresenta de maneira simples, sem querer um tratamento especial, que a sua posição ou o cargo lhe conferem. Certa ocasião, em um encontro em Aparecida, no momento da Santa Missa, os diáconos permanentes adentraram a sacristia da Basílica em horário adiantado, para não causarem transtorno aos demais celebrantes, mas quando começaram a paramentar-se, um funcionário do Santuário informou que o local dos Diáconos estava reservado no subsolo, de onde entrariam por outro corredor para não atrasar a celebração que seria televisionada, foi quando chegou D. Diógenes, nosso acompanhante do Regional Sul 1, e que iria presidir a Eucaristia, e estranhando não ver os Diáconos se paramentando, foi informado que os mesmos estavam no subsolo; então pegou seus paramentos e desceu para lá, para descontentamento do cerimoniário que era rigoroso na disciplina com a equipe celebrativa. O resultado de tal gesto foi que os diáconos acabaram subindo, enquanto ele explicava a um redentorista “Eu também sou um Diácono de Cristo, estou com eles nesse encontro e os quero perto de mim durante a celebração”. Não vai aqui nenhuma crítica a organização e a disciplina, que deve de fato existir nos grandes eventos litúrgicos de uma Diocese, apenas pretendo realçar a postura humilde do nosso Bispo acompanhante, fazendo com que nos sentíssemos um bando de meninos “paparicados” pelo “paizão”. Jesus gozava de grande estima entre alguns judeus, que viam nele um poderoso profeta, por causa dos seus milagres e prodígios, sempre feitos no Poder de Deus, como os grandes profetas que o povo venerava, mesmo depois de mortos. Mas no momento em que ele afirmou ser o pão vivo descido do céu, a encrenca começou, pois era uma afronta ao Deus Todo Poderoso, que fizera aliança com os seus pais, Aquele que através dos patriarcas conduziu o povo, falou com Moisés, colocando-o como libertador de Israel, derrotou os Faraós do Egito, abriu as águas do mar vermelho, enfim, era inaceitável que esse Deus Grandioso, altíssimo e Santo, estivesse em Jesus de Nazaré, pessoa simples do lugarejo, cuja procedência todos conhecia. A verdade é que, um Deus na forma humana, era até causa de acusação e condenação á morte, porque ultrajava a todo Israel. A história daquele povo, e a história da nossa vida, convergem para Jesus, Nele Deus nos atrai, provoca em nós um encanto que nos leva ao desejo de nunca mais nos separar dele, possibilitando a realização da profecia “Todos serão discípulos de Deus”, obviamente tornando-se discípulos de Cristo, quem segue a Jesus, segue ao Pai, quem ouve a Jesus, ouve ao Pai, eles estão em uma comunhão plena, na qual somos inseridos, não por nossos méritos, mas unicamente pela graça. Os Judeus não acreditavam que o Deus misterioso escondido nos “Sete Véus” do Santo dos Santos, aquele diante do qual Moisés teve de cobrir o rosto, se tornasse assim de repente, alguém comum, que anda com o homem, como no paraíso, fala com ele e torna-se parceiro. Os que se fazem deuses neste mundo, na política, na economia e até mesmo no ambiente religioso, exigem submissão, obediência, adoração e honrarias, ficam sentados nos tronos da imponência, da prepotência, a espera que seus súditos venham lhes beijar os pés. Divino e humano não podem estar no mesmo espaço, na mesma sala, na mesma mesa, em um mesmo nível. Imagine que o enviado de Deus ia baixar justo na Judéia, na Vilinha de Nazaré… Como Filho de um carpinteiro, impossível! Entretanto, o Deus portador da Vida, realizador de todas as esperanças do povo, o Libertador por excelência, que tornava eminente o messianismo, estava de fato em Jesus de Nazaré, ele se apresenta como a única alternativa para se chegar ao Pai, como o único que viu o Pai e veio dele, o único que dá aos homens muito mais do que o alimento material, o alimento espiritual que os conduzirá á plenitude da realização humana, e tudo isso requer apenas um ato que é em sua pessoa, aceitar que nele Deus nos estende a mão, caminha conosco, sacia nossa fome, supri todas as nossas necessidades e nos dá a Vida Eterna. O segundo passo é um pouco mais complicado para a compreensão dos Judeus e também para nós, temos que nos alimentar do seu corpo, do Pão que veio do céu, permitindo assim essa convivência pacífica do divino e humano em nossa vida, acolher a sua carne e sermos uma extensão do seu Ser Divino e Humano, deixando que o seu Espírito comande todas as nossas ações, sem que nos transformemos em super-homens, mas continuando a ser pobres mortais simples e pequenos, porém revestidos da grandeza do Divino, caminhando com ele para uma Vida que é Eterna, e que ultrapassa a qualquer realização humana nesse mundo. Se não aceitarmos essa Verdade em nosso coração, nunca iremos ver esse novo horizonte descortinado por Jesus de Nazaré, e iremos sucumbir diante da espera inútil, por algo em que não cremos. Que o Senhor sacie nossa fome de Vida Eterna. Amém! (19º. Domingo do Tempo Comum João 6, 41-51)!

9 – JESUS É O PÃO DA VIDA E QUEM COME DESTE PÃO VIVE ETERNAMENTE E NÃO PODE LAMENTAR-SE COM FOME

O alimento que veio do céu para matar a nossa fome é Jesus ressuscitado, presente em Corpo, Alma e Divindade na Eucaristia e na Palavra Sagrada. A ressurreição e ascensão de Jesus são a prova maior de que Ele veio do céu e que para lá voltou deixando para nós a Sua Palavra e o memorial da Sua Paixão como alimento. “Depois de instituída a Eucaristia na Última Ceia, Jesus confiou-a a Igreja, sua esposa amada, como Memorial da sua Morte e Ressurreição, e penhor da glória futura.” (cf. SC 47; CIC 1323). Crer nisso é a condição para possuirmos a vida eterna. Os judeus murmuravam porque não acreditavam que Jesus fosse Filho de Deus, porém, hoje nós não podemos mais duvidar de que Jesus é o Filho Unigênito descido céu de junto do Pai para nos conceder vida nova. Mesmo assim, muitos ainda passam fome e continuam murmurando sem compreender o verdadeiro significado da Morte e ressurreição de Jesus. Jesus é o Pão da vida e quem come deste pão vive eternamente e não pode lamentar-se com fome. As Suas Palavras são vida eterna para nós e a vida eterna começa desde já e consiste em felicidade constante, fartura, plenitude, tudo o quanto o homem busca viver aqui na terra. Desde já o Senhor nos alimenta e nos prepara com uma veste nova para a nossa entrada na vida que não tem fim. Reflita – Você tem se alimentado com o pão do céu ou você tem se lamentado e comendo apenas o pão da terra? – Aonde você tem buscado alimento para fortalecer a sua alma? – Como estão os seus sentimentos? – Você é feliz? Amém! Abraço carinhoso!

10 – EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCEU DO CÉU

Nesta segunda semana de agosto, mês vocacional, a Igreja nos convida a refletir sobre a vocação para a vida em família, dando uma atenção especial, aos pais, são eles, os pilares que sustentam a família. Na família, a figura do pai sempre aparece como o ponto de referencia. A ele são conferidas, as maiores responsabilidades. Deus coloca nas mãos do pai, o destino e a segurança da família. A família, é de origem divina, é o berço de todas as vocações, a primeira comunidade humana, planejada pela mente perfeita e soberana do Criador! O amor de Deus, infundido em nossos corações, por meio da família é o fio condutor de todo o nosso ser cristão! Fomos criados por amor e para o amor! Em Jesus, Deus se fez visível, realizando o encontro com a humanidade. Nele está Deus de forma humana e o humano de forma Divina. Jesus é o caminho humano para chegar a Deus e o caminho Divino para chegar à humanidade! O Sinal que Jesus dá da sua divindade, é o dom de si mesmo, no resgate e no cultivo da vida. A transformação de quem acolhe o seu amor, torna fonte de vida para outros! Na Eucaristia, é selada a comunhão de irmãos, sinal inviolável da presença amada de Deus! No evangelho de hoje, Jesus atinge o ponto mais profundo do mistério do amor de Deus pela humanidade, ao se dar como nosso alimento! Esse mistério de amor, nos transforma, minando as forças do egoísmo, nos tornando livres para esta comunhão de amor com Cristo e com os irmãos! A tradicional identificação de Deus Com “poder” foi a cegueira que impediu os Judeus de reconhecer a revelação de Deus nos pequenos. Eles rejeitaram Jesus, pela sua origem humilde. Jesus se faz nosso alimento, o Pão que Ele nos dá, é o Pão da vida, sua própria carne, Pão que nos transforma em templo sagrado, onde Ele faz sua morada, para agir no mundo, através de nós! A vida iniciada aqui na terra, quando alimentada pelo Pão da vida, não será interrompida com a morte física. É o próprio Jesus que nos faz esta promessa, ao nos indicar o caminho da eternidade: “Eu sou o pão vivo, descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente”! Quando Jesus diz: “Quem come da minha carne e bebe do meu sangue permanece em mim e eu nele”, amplia-se o nosso horizonte, aumentando em nós, a responsabilidade de sermos continuadores do seu amor aqui na terra! Preocupamos muito com o nosso pão material, queremos ter sempre a garantia de que ele nunca nos faltará, mas às vezes, deixamos de buscar o principal, o Pão que não perece, o Pão descido do céu! “Eu sou o Pão que desceu do céu”… Acolher esta revelação de Jesus, é viver o mistério da fé, é estar em comunhão com o Cristo nesta vida e permanecer em comunhão com Ele na eternidade. FIQUE NA PAZ DE JESUS!

11 – EU SOU O PÃO QUE DESCEU DO CÉU

Neste Evangelho, Jesus nos fala que ele é o pão da vida. Como o profeta Elias (1ª leitura), nós precisamos, para atravessar o deserto da vida ao encontro com o Senhor, de um alimento especial, o pão vivo descido do céu, que é Cristo. No início do Evangelho, os judeus duvidam que Jesus desceu do céu, pelo fato de conhecerem seus pais e sua família. É o mistério da encarnação que eles não entendiam. “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrair.” Quer dizer, a fé em Jesus e na sua encarnação é uma graça, algo que supera a inteligência humana mas que Deus nos dá gratuitamente. “Quem crê possui a vida eterna.” Quem tem fé em Jesus e no mistério da sua encarnação, está preparado para recebê-lo como o pão da vida e por isso tem a vida eterna. Esta vida eterna começa aqui e terá a sua plenitude no céu. “Os vossos pais comeram o maná no deserto e no entanto morreram.” Aquele maná foi apenas um símbolo da Eucaristia, isto é, de Jesus como o nosso pão da vida. O maná não podia impedir a morte de quem o comia. Já Jesus, como o pão vivo descido do céu, quem dele comer viverá eternamente. A Eucaristia é um mistério tão grande que mistura o tempo atual com a eternidade. “Eu sou o pão da vida… Quem dele comer nunca morrerá.” “Todo aquele que ouve o Pai…” Na verdade Deus Pai nos fala através do seu Filho, que é a sua Palavra eterna. Ficam, portanto, três grandes desafios para nós: ter fé, conhecer e seguir as palavras de Jesus e receber a Eucaristia. Esses três desafios nos levam para a vida eterna, a qual começa agora e no futuro terá a sua plenitude. “Eu sou o pão da vida.” É a Eucaristia que sustenta a vida cristã, assim como o alimento sustenta a nossa vida corporal. Sem a Eucaristia, nós vamos ficando cada vez mais subnutridos na fé e fracos nas boas obras, e assim não conseguimos vencer as tentações. A pessoa fica como ovelha sem pastor, planta sem água, ou galho separado do tronco e acaba se afogando num copo d’água. Por outro lado, quem recebe a Eucaristia produz frutos como árvore à beira d’água; ama como Jesus amou, pensa como Jesus pensou e vive como Jesus viveu. O alimento que comemos se transforma em nós. Na Eucaristia acontece o contrário; ela é mais forte do que nós, por isso nós é que nos transformamos nela. De tal modo que um dia poderemos dizer com S. Paulo: “Não sou mais eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Nós cristãos, que vivemos neste mundo tão complicado, precisamos da Eucaristia para seguir os mandamentos de Deus. Havia, certa vez, um sábio que era muito famoso. Ele era chamado para fazer palestras em toda parte. Ia de carro e tinha o seu motorista. Um dia, durante uma viagem, ele ficou rouco. Tão rouco que a sua voz não saía mais. Então ele disse ao motorista: “Você já ouviu minha palestra tantas vezes que a decorou. Como lá ninguém me conhece pessoalmente, eu peço a você que faça a palestra no meu lugar”. O motorista aceitou. Eles trocaram as roupas, o sábio assumiu a direção do carro e foram. Chegaram já em cima da hora da palestra. O auditório estava lotado. O motorista foi para a frente e o sábio ficou atrás, sentado. Após a apresentação, o motorista pegou o microfone e começou a falar. Fez uma palestra belíssima, e todos bateram palmas. Em seguida vieram as perguntas. Como em todos os lugares as perguntas são quase sempre as mesmas, ele foi respondendo uma a uma, com a maior desenvoltura. Mas surgiu uma pergunta nova. O motorista foi criativo. Ele disse: “Eu já estou um pouco cansado. Como esta pergunta é muito fácil de ser respondida, eu peço ao meu motorista que a responda para vocês”. O sábio levantou-se foi à frente e, já com a voz um pouco melhor, respondeu àquela pergunta, e as demais que surgiram. No final, mais aplausos. E os ouvintes comentavam: “O homem é um gênio mesmo; até o motorista dele é um sábio!” Existe certa semelhança entre essa história e Jesus trocando de liderança conosco. Ele não ficou rouco, mas foi para o céu e nos deixou no seu lugar. A Eucaristia nos torna “outros Cristos” no mundo. Como o próprio Jesus disse, temos condições de fazer tudo o que ele fez, e mais ainda. Maria Santíssima estava unida, não só ao seu Filho, mas também à santa Igreja. Após a ascensão de Jesus, ela ficou junto com os Apóstolos no Cenáculo. Depois, obedecendo ao Filho, foi para a casa do evangelista João, onde participava da Comunidade cristã. Que ela nos ajude a não só amar mais a Eucaristia, mas a sermos Eucaristia para o mundo. Eu sou o pão que desceu do céu.

12 – QUEM VEM A MIM NUNCA MAIS TERÁ FOME DE VIDA

Caríssimos em Cristo, no Domingo passado, deixamos o Senhor Jesus orando a sós no monte, após ter multiplicado os pães e despedido a multidão. Está no capítulo VI de São João: do monte, Jesus atravessa o mar da Galileia, caminhando sobre as águas. Ao chegar do outro lado, lá esta o povo a sua espera… Sigamos, as palavras do Senhor nesta perícope, pois elas nos falam de vida, falam-nos do Cristo nosso Deus! Primeiramente, Cristo censura duramente o povo: procuram-no – como tantos hoje em dia – não porque viram o sinal que ele realizou! Mas, que sinal? Fez o povo sentar-se na relva, como o Pastor do Salmo 22 faz a ovelha descansar em verdes pastagens; prepara uma mesa para o fiel, multiplicando-lhe os pães, como Moisés no deserto… Ante tudo isto, amados em Cristo, o povo ainda pensou em Jesus como sendo o Profeta que Moisés prometera (cf. Dt); mas, infelizmente, não passou disso. Daí a repreensão do Senhor: aqueles lá o procuravam simplesmente porque comeram pão, como hoje tantos o procuram para ganhar benefícios – e, assim, são enganados pelos charlatões de plantão! A prova de que o povo não compreendeu o sinal, é que ainda vai perguntar no Evangelho de hoje: “Que sinal realizas? Que obra fazes?” Como estes, lá com Jesus, se parecem conosco, tantas vezes cegos para os sinais do Senhor na nossa vida! Observai, irmão! Notai como os judeus não conseguem compreender que o que Jesus quer deles é a fé na sua pessoa e na sua missão! Vede como eles pensam que podem agradar ao Senhor simplesmente com um fazer exterior, sem compromisso de amor que brota do coração: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” Fazer! De nós, Jesus quer muito mais do que um simples fazer! Eis a resposta do nosso Salvador: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou!” Resposta admirável: tua obra, cristão, já não é cumprir a Lei de Moisés; também não é fazer e fazer coisas, mas crer e amar a Jesus! Daí sim, tudo decorre, e também tuas boas obras, feitas por amor a Jesus e na fé em Jesus, serão aceitas pelo Senhor! Diante da palavra do Cristo, os judeus duros de compreender, pedem a Jesus outro sinal! Não compreenderam o que ele fizera! E ainda citam Moisés, como que dizendo: Tu nos deste pão agora; Moisés nos deu o maná por quarenta anos! Aí, o nosso Salvador faz três revelações surpreendentes e consoladoras! Ei-las: Primeiro: Aquele maná dado por Moisés não é o pão que vem do céu. É pão terreno mesmo, dado por Deus; pão que mata a fome do corpo, mas não enche de paz o coração; pão que alimenta esta vida, mas não dá a Vida divina, a Vida que dura para sempre! Aquele maná do deserto era apenas pálida imagem de um outro maná, de um outro pão que o Pai daria mais tarde. E aqui vem a segunda revelação, surpreendente, consoladora: agora o Pai está dando o verdadeiro maná, o verdadeiro Pão do céu, que dá a vida divina ao mundo: Moisés não deu (no passado); meu Pai vos dá (agora, no presente)! Os judeus ficam perplexos, admirados; e pedem: Dá-nos desse pão! Pão que alimenta a fome de vida, de paz, de sentido, de eternidade! Jesus faz, então, a terceira e desconcertante revelação: “Eu sou o Pão da vida!” Pronto: o pão verdadeiro é uma Pessoa, é ele mesmo! Os pães que ele multiplicara eram imagem dele mesmo, que se nos dá, que nos alimenta, que nos enche de vida: “Eu sou o Pão da vida! O Pão que desce do céu e dá a vida ao mundo! Quem vem a mim nunca mais terá fome de vida e de sentido de existência; quem crê em mim nunca mais terá sede no seu coração!” Eis, meus caros! Corramos para Jesus! Seja ele nosso alimento! E dele nos alimentando, sejamos nele, novas criaturas, despojando-nos do homem velho, deixando o velho modo de pensar, que conduz não à Vida, mas ao nada, como diz o Apóstolo na segunda leitura! Se nos alimentamos de Cristo, se bebemos de sua santa palavra, como poderemos pensar como o mundo, agir como o mundo, viver como o mundo? Como ainda poderíamos consentir nas velhas paixões que nos escravizam? Que alimentando-nos de Jesus, Pão bendito de nossa vida, nós atravessemos o deserto desta vida não como o povo de Israel, que murmurou e descreu, mas como verdadeiros cristãos, renovados pelo Senhor, despojados da velhice do pecado e saciados de vida eterna, vida que é o Cristo nosso Deus, bendito pelos séculos dos séculos. Amém.

13 – EU SOU O PÃO DA VIDA

Que coisa desnorteadora quando sentimos a presença da ausência de alguém que queremos bem. Jesus Cristo quis poupar-nos desse sentimento tendo em conta o cumprimento da sua missão e as nossas reais necessidades e capacidades. Um cristão já não precisa fazer a pergunta que nós escutamos no Evangelho da Missa: “Mestre, quando chegaste aqui?” (Jo 6,25). Ao contraio, avisará a todos, como o fez Maria à sua irmã Marta: “O Mestre está aí e te chama” (Jo 11,28). Vi certa vez um filme, um desenho animado, no qual se perguntava a uma criança: “Qual é a diferença entre o Crucifixo e a Eucaristia?” A criança respondeu então com muita sabedoria: “No Crucifixo parece que Jesus está, mas não está; na Eucaristia parece que ele não está, mas está”. Parece que não está, mas está! A Igreja sempre acreditou que após as palavras da consagração n a Missa, toda a realidade do pão se muda, se converte no Corpo de Jesus Cristo; toda a realidade do vinho se transforma no sangue do Senhor Jesus. Esta verdade de fé é conhecida pelos católicos como transubstanciação. Neste sentido vale a pena trazer a colação as vigorosas palavras do Papa Paulo VI no texto do “Credo do Povo de Deus”, de 1968. Copio ao leitor as palavras do Papa que se referem à Missa e à transubstanciação (n. 24-25): “Cremos que a Missa, celebrada pelo sacerdote, que representa a pessoa de Cristo, em virtude do poder recebido no sacramento da Ordem, e oferecida por ele em nome de Cristo e dos membros do seu Corpo Místico, é realmente o Sacrifício do Calvário, que se torna sacramentalmente presente em nossos altares. Cremos que, como o Pão e o Vinho consagrados pelo Senhor, na última ceia, se converteram no seu Corpo e Sangue, que logo iam ser oferecidos por nós na Cruz; assim também o Pão e o Vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no Corpo e Sangue de Cristo que assiste gloriosamente no céu. Cremos ainda que a misteriosa presença do Senhor, debaixo daquelas espécies que continuam aparecendo aos nossos sentidos do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial (cf. Concílio de Trento, Sessão 13, Decreto sobre a Eucaristia). “Neste sacramento, pois, Cristo não pode estar presente de outra maneira a não ser pela mudança de toda a substância do pão no seu Corpo, e pela mudança de toda a substância do vinho no seu Sangue, permanecendo apenas inalteradas as propriedades do pão e do vinho, que percebemos com os nossos sentidos. Esta mudança misteriosa é chamada pela Igreja com toda a exatidão e conveniência transubstanciação. Assim, qualquer interpretação de teólogos, buscando alguma inteligência deste mistério, para que concorde com a fé católica, deve colocar bem a salvo que na própria natureza das coisas, isto é, independentemente do nosso espírito, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de sorte que o Corpo adorável e o Sangue do Senhor Jesus estão na verdade diante de nós, debaixo das espécies sacramentais do pão e do vinho (cf. ibid.; Paulo VI, Encíclica Mysterium Fidei), conforme o mesmo Senhor quis, para se dar a nós em alimento e para nos associar pela unidade do seu Corpo Místico (cf. Suma Teológica III, q. 73, a. 3)”. Trata-se da voz autorizada de um Papa no encerramento do Ano da Fé de 1968. Bento XVI convocou a Igreja para um Ano da Fé a começar em outubro de 2012. Sem dúvida, será essa uma maravilhosa ocasião para que o Senhor renove a nossa fé e para que nós reafirmemos a nossa entrega a Deus, a nossa adesão a ele e a todas as verdades que ele revelou a nós. No dia de hoje, graças sejam dadas a Deus pela nossa fé no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, vida da Igreja!

14 – PÃO DA VIDA

No Evangelho (Jo 6,24-35), depois do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus se apresenta como o “Pão da Vida”. Entusiasmado com o milagre, o povo procura Jesus. Vê-se que o povo não entendeu o sentido daquele gesto. Quando viram que não conseguiam encontrar nem a Jesus nem aos seus discípulos, subiram às barcas e foram a Cafarnaum. Quando o encontraram novamente, Jesus disse-lhes: “Em verdade, em verdade, Eu vos digo: estais Me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos” (Jo 6,26). Comenta Santo Agostinho: “Buscais-me por motivos da carne, não do espírito. Quantos há que procuram Jesus, guiados unicamente pelos seus interesses materiais! Só se pode procurar Jesus por Jesus”. Com uma valentia admirável, com um amor sem limites, Jesus expõe o dom inefável da Sagrada Eucaristia, em que se dá como alimento. Pouco importa que, ao terminar a revelação, muitos dos que o seguiram com fervor acabem por abandoná-Lo. O Senhor não recua: “Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará… Mas eles perguntaram: Que devemos fazer para realizar as obras de Deus? Jesus respondeu-lhes: A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou” (Jo 6,27-29). E, apesar de que muitos dos presentes tinham visto com os seus próprios olhos o prodígio do dia anterior, disseram-Lhe: “Que milagre fazes Tu, para que possamos ver e crer em Ti? Nossos pais comeram o Maná no deserto, como está na Escritura: Deu-Lhes a comer o Pão do Céu” (Jo 6, 30-31). Jesus Cristo é o verdadeiro alimento que nos transforma e nos dá forças para realizarmos a nossa vocação cristã. Exorta vivamente o Beato João Paulo II: “Só mediante a Eucaristia é possível viver as virtudes heroicas do cristianismo: a caridade até o perdão dos inimigos, até o amor pelos que nos fazem sofrer, até a doação da própria vida pelo próximo; a castidade em qualquer idade e situação de vida; a paciência, especialmente na dor e quando estranhamos o silêncio de Deus nos dramas da história ou da nossa existência. Por isso, sede sempre almas eucarísticas para poderdes ser cristãos autênticos”. A igreja vive da Eucaristia. O concílio Vaticano II afirmou que o sacrifício eucarístico é “fonte e centro de toda a vida cristã” (LG, 11). Com efeito, “na Santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o Pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo” (PO, 5). A Igreja vive de Jesus Eucarístico, por Ele é nutrida, por Ele é iluminada. A Eucaristia é mistério de fé e, ao mesmo tempo, mistério de luz. Sempre que a Igreja a celebra, os fiéis podem de certo modo reviver a experiência dos dois discípulos de Emaús: “Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no” (Lc 24,31). Referindo-se à Eucaristia, ensinava São Josemaría Escrivá: “O maior louco que já houve e haverá é Ele (Jesus). É possível maior loucura do que entregar-se como Ele se entrega, e àqueles a quem se entrega? Porque, na verdade, já teria sido loucura ficar como um Menino indefeso; mas, nesse caso até mesmo muitos malvados se enterneceriam, sem atrever-se a maltratá-Lo. Achou que era pouco: Quis aniquilar-se mais e dar-se mais. E fez-se comida, fez-se Pão. Divino Louco! Como é que te tratam os homens?… E eu mesmo?” (Forja, 824). Da Eucaristia brotam todas as graças e todos os frutos de vida eterna – para cada alma e para a humanidade – porque neste sacramento “está contido todo o bem espiritual da Igreja” (PO, 5). Quando nos aproximamos da mesa da Comunhão, podemos dizer: “Senhor, espero em Ti; adoro-Te, amo-Te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas” (Forja, 832). Façamos nosso (no bom sentido) o pedido do povo citado no Evangelho: “Senhor, dá-nos sempre desse pão” (Jo 6, 34). O primeiro domingo de agosto é dedicado à vocação Sacerdotal. Rezemos pelos padres! Rezemos ao Senhor para que continue enviando sacerdotes para a Igreja. Que Ele continue abençoando e plenificando a vida de todos os sacerdotes.

15 – CRISTO, O PÃO VIVO DESCIDO DO CÉU

O alimento e a água dados por Deus ao profeta Elias, que lhe restauram as forças e o sustentam na longa caminhada até a Montanha de Deus, são transparentes figuras da eucaristia e do batismo, que dão a vida eterna e sustentam o cristão no caminho para Deus. A consequência prática disso é que a caminhada do cristão consiste na configuração da própria vida à vida de Cristo, andando no amor e doando-se a Deus e ao próximo. Evangelho (Jo 6,41-51) Quem comer deste pão viverá eternamente. Jesus é o pão da vida, aquele que comer deste pão terá a vida eterna. E vida eterna não é a mesma coisa que vida pós-morte. Vida eterna significa vida reconciliada com Deus. Vida essa que já começa aqui, numa existência orientada para Deus, em profunda união com ele, e se prolonga após a morte. Nesse sentido, quem come desse pão não morrerá. Isso não diz respeito à morte física, porque esta faz parte da realidade humana, da sua condição de ser histórico, finito, contingente. Não morrer, no sentido cristão da palavra, significa que a morte como ruptura definitiva com Deus foi abolida. Se, na existência humana histórica, se pode viver em união com Deus, essa união não termina com a morte. Esta se transforma em passagem para uma vida plena, em que o filho retorna à casa do Pai. Se o cristão vive sua vida reconciliada com Deus, então até mesmo a morte se torna sua aliada, e não uma realidade terrível que o ser humano tenta desesperadamente evitar. Assim como Jesus enfrentou a morte de cabeça erguida, nele nós enfrentamos a morte como vencedores, pois temos nossa vida em Deus. Quando Jesus afirma: “E o pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo”, refere-se à entrega que faz de si mesmo na cruz para a vida do mundo. Como a existência integral de Jesus foi vivida em profunda união com o Pai em prol da humanidade, sua entrega na cruz não é um evento pontual, mas o resultado de tudo o que ele ensinou e viveu. Porque ele se entregou à humanidade durante sua vida inteira, pôde entregar-se finalmente na morte. A existência inteira de Jesus foi oferta agradável ao Pai em prol do ser humano. O conhecimento desse mistério será acolhido por todos os que vieram a Jesus. Porque serão instruídos pelo Pai, verdadeiros discípulos de Deus, seus seguidores. Ser discípulo de Jesus é a mesma coisa que ser discípulo de Deus, porque o Filho e o Pai estão unidos em solidariedade pela salvação do mundo. O ensinamento que os discípulos aprendem vem do Pai por meio da vida de Jesus. 1ª leitura 1Rs. 19,4-8. Come deste pão! Porque o caminho é superior às tuas forças O profeta Elias vagava em fuga pelo deserto adentro. A certa altura, encontrava-se cansado por ter passado longos dias e noites na viagem. Além do cansaço, estava exausto pelo forte calor do sol; sentia fome e sede e, além disso, oprimia-lhe a solidão do deserto. Nesse estado de coisas, só lhe restava dizer: “Agora basta, Senhor!” (v. 4). Ele pediu a morte – embora isso pareça uma contradição, já que estava fugindo da rainha Jezabel para preservar a própria vida. Elias está fazendo um êxodo ao contrário, pois, durante 40 anos, o povo foi do deserto para Israel e agora o profeta vai da terra prometida à Montanha de Deus. E, assim como aconteceu aos antepassados, a quem o profeta chama de “pais” (v. 4), Deus providenciou alimento e água para manter a vida do profeta. O texto menciona que o alimento era “pão assado na pedra”, ou seja, o alimento cotidiano de vários povos orientais (cf. Gn. 18,6). Com o alimento e a água, Elias sentiu-se confortável e quis ficar ali acomodado, dormindo. Mas recebeu uma ordem para levantar-se (mesmo termo que significa “ressuscitar”) e dirigir-se até a Montanha de Deus. O texto afirma que o profeta andou 40 dias, fortalecido pelo alimento e pela água, em clara alusão aos 40 anos que os hebreus haviam passado no deserto alimentados pelo maná e pela água tirada da rocha. Elias precisava chegar à Montanha, lugar onde Deus havia confirmado a aliança feita com os patriarcas e seus descendentes e adotado as tribos de Israel como povo escolhido (cf. Ex 3,1). 2ª leitura Ef. 4,30-5,2. Cristo por nós se entregou como oferta de suave odor. A exortação “não contristeis o Espírito Santo” parece estranha. O termo usado também quer dizer “provocar dor” ou “causar pesar”. Essa expressão simbólica significa que os cristãos não devem fazer o oposto daquilo para o qual receberam a unção do Espírito Santo. O Espírito Santo na vida do cristão é o selo de Deus. Antigamente se marcava qualquer propriedade com um emblema que identificava o dono. Um exemplo atual são os objetos da paróquia, comumente marcados com um carimbo ou etiqueta para indicar a instituição proprietária. O Espírito Santo assegura que somos propriedade do Senhor e que devemos ser empregados completamente no serviço de Deus. Até que chegue “o tempo da redenção”, ou seja, o nosso encontro definitivo com o Senhor, devemos trilhar nosso caminho com firmeza de propósitos e testemunho de vida, sem nunca nos cansarmos de fazer o bem. Como as crianças gostam de imitar os pais e é assim que aprendem as coisas do dia a dia, da mesma forma os cristãos deveriam seguir o exemplo de Deus. Mas como é possível imitar a Deus? O que significa isso? A resposta está no v. 2: “Andai no amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós a Deus como oferta e sacrifício de suave odor”. O termo “oferta” significa qualquer oferecimento pelo qual se expressa gratidão por tudo (todas as graças) que se recebe da benevolência de Deus. “Sacrifício” quer dizer aquilo que se oferece quando se perdem, por causa da ruptura do pecado, as graças recebidas de Deus. Por fim, a expressão “de suave odor” significa estar de acordo com o que Deus ordenou, diz-se do sacrifício que agrada a Deus ou que ele aceitou com prazer. Pistas para reflexão. – O pão e a água, figuras da eucaristia e do batismo, têm o objetivo de levar o cristão a entrar em aliança com Deus, fazer a experiência da ressurreição. São força e sustento na caminhada rumo a Deus. Não nos são dados para que fiquemos acomodados na sombra, mas para enfrentarmos os rigores do deserto. A jornada de Cristo neste mundo foi vivida no amor. Com esse estilo de vida, ele demonstrou gratidão, ofereceu-se para superar a ruptura provocada por nosso pecado e agradou a Deus em tudo. É esse tipo de vida que Cristo nos dá e é assim que devemos viver. – Neste dia em que celebramos a vocação de constituir família, no qual homenageamos especialmente os pais, é bom enfatizar o relacionamento filial que Cristo nos ensinou a ter com Deus. Os meios visíveis (sacramentos) que nos introduzem nessa filiação e, principalmente, a ação de Deus para efetivar esse relacionamento filial. O alimento material é apenas um sinal de tudo o que Deus realizou em nosso favor como Pai amoroso.

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Jesus, filho de José e Maria, é o pão descido do céu para sustentar nossa caminhada rumo ao Pai celeste. Queremos nos alimentar com o pão da Palavra e da eucaristia, alimentos da vida plena e eterna. Celebremos em comunhão com as famílias e, especialmente, com todos os pais, os primeiros responsáveis para que os filhos tenham existência digna e feliz.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

O alimento da palavra de Deus nos proporciona forças para a caminhada cotidiana, nos ajuda a viver em harmonia com os outros e nos torna seguidores e imitadores de Cristo.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Eu sou o pão vivo, descido do céu; quem deste pão come, sempre há de viver. Eu sou o pão vivo, descido do céu, amém, aleluia, aleluia! (Jo 6,51).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Considerai, Senhor, vossa aliança e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa e não desprezeis o clamor de quem vos busca (Sl 73,20.19.22s).

Antífona da comunhão

O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo, diz o Senhor (Jo 6,52).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

A Igreja celebra a eucaristia, e a eucaristia reúne e constrói a Igreja. Rezemos para que a eucaristia esteja sempre no centro e no ápice das nossas atividades comunitárias, dizendo:

— Mostrai-nos, Senhor, vossa misericórdia.

— Iluminai, Senhor, a Igreja, que se empenha a favor da vida digna para toda a humanidade, vos pedimos.
— Sustentai com o alimento celeste os ministros e os agentes de pastoral das nossas comunidades, vos pedimos.
— Tornai-nos imitadores de Jesus Cristo como irmãos e irmãs que se amam, vos pedimos.
— Abençoai todos os pais, para que sempre saibam oferecer o que é melhor para seus filhos, vos pedimos.
— Ajudai as famílias a viver unidas e partilhar paz e alegria entre seus membros, vos pedimos.

Oração sobre as oferendas

Ó Deus, acolhei com misericórdia os dons que concedestes à vossa Igreja e que ela agora vos oferece. Transformai-os por vosso poder em sacramento de salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, o vosso sacramento que acabamos de receber nos traga a salvação e nos confirme na vossa verdade. Por Cristo, nosso Senhor.

Anúncios
Esse post foi publicado em Religião. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s