LDP: 13/AGO/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

13/AGO/2012 (segunda-feira)

LEITURAS

Leitura da profecia de Ezequiel 1,2-5.24-28 (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Proféticos)

2 No dia cinco do mês – esse era o quinto ano do exílio do rei Joaquim –, 3 a palavra do Senhor foi dirigida a Ezequiel, filho do sacerdote Buzi, na terra dos caldeus, junto ao rio Cobar. Foi ali que a mão do Senhor esteve sobre ele. 4 Eu vi que um vento impetuoso vinha do norte, uma grande nuvem envolta em claridade e relâmpagos; no meio brilhava algo como se fosse ouro incandescente. 5 No centro aparecia a figura de quatro seres vivos. Este era o seu aspecto: cada um tinha a figura de homem. 24 E eu ouvi o rumor de suas asas: Era como um estrondo de muitas águas, como a voz do Poderoso. Quando se moviam, o seu ruído era como o barulho de um acampamento; quando paravam, eles deixavam pender as asas. 25 O ruído vinha de cima do firmamento, que estava sobre suas cabeças. 26 Acima do firmamento que estava sobre as cabeças, havia algo parecido com safira, uma espécie de trono, e sobre essa espécie de trono, bem no alto, uma figura com aparência humana. 27 E eu vi como que um brilho de ouro incandescente, envolvendo essa figura como se fosse fogo, acima daquilo que parecia ser a cintura; abaixo daquilo que parecia ser a cintura vi algo como fogo e, em sua volta, um círculo luminoso. 28c Esse círculo luminoso tinha o mesmo aspecto do arco-íris, que se forma nas nuvens em dia de chuva. Tal era a aparência visível da glória do Senhor. Ao vê-la, caí com o rosto no chão.

Proclamação do Salmo 148,1-2.11-12ab.12c-14a.14bcd (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

— Da vossa glória estão cheios o céu e a terra. Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia
— 1 Louvai o Senhor Deus nos altos céus, + louvai-o no excelso firmamento! 2 Louvai-o, anjos seus, todos louvai-o, louvai-o, legiões celestiais!
— 11 Reis da terra, povos todos, bendizei-o, e vós, príncipes e todos os juízes; 12a e vós, jovens, e vós, moças e rapazes, 12b anciãos e criancinhas, bendizei-o!
— 12c Louvem o nome do Senhor, louvem-no todos, porque somente o seu nome é excelso! A majestade e esplendor de sua glória 14a ultrapassam em grandeza o céu e a terra.
— 14b Ele exaltou seu povo eleito em poderio 14c ele é o motivo de louvor para os seus santos. 14d É um hino para os filhos de Israel, este povo que ele ama e lhe pertence.

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 17,22-27 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

Naquele tempo, 22 quando Jesus e os seus discípulos estavam reunidos na Galileia, ele lhes disse: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens. 23 Eles o matarão, mas no terceiro dia ele ressuscitará”. E os discípulos ficaram muito tristes. 24 Quando chegaram a Cafarnaum, os cobradores do imposto do Templo aproximaram-se de Pedro e perguntaram: “O vosso mestre não paga o imposto do Templo?” 25 Pedro respondeu; “Sim, paga”. Ao entrar em casa, Jesus adiantou-se, e perguntou: “Simão, que te parece: Os reis da terra cobram impostos ou taxas de quem: dos filhos ou dos estranhos?” 26 Pedro respondeu: “Dos estranhos!” Então Jesus disse: “Logo os filhos são livres. 27 Mas, para não escandalizar essa gente, vai ao mar, lança o anzol, e abre a boca do primeiro peixe que pescares. Ali encontrarás uma moeda; pega então a moeda e vai entregá-la a eles, por mim e por ti”.

COMENTÁRIOS

… Eu sou o CAMINHO …

O que o texto diz para mim, hoje?

… a VERDADE …

O que diz o texto do dia? Leio atentamente o texto: Mt 17,22-27, e observo Jesus, o local onde acontece a passagem e o seu modo de vida.

… e a VIDA …

Pai, que eu saiba desfrutar minha condição de filho, que me faz livre diante das imposições injustas dos poderes deste mundo, pois só a ti devo submeter-me.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Senhor Jesus, que eu me sinta livre diante de certas exigências humanas, tendo sempre em vista atrair as pessoas para o Reino.

REFLEXÕES:

1 – VOSSO MESTRE NÃO PAGA IMPOSTO?

Tendo estado na região de Cesareia de Filipe, Jesus toma a decisão de ir para Jerusalém, ciente, contudo, da repressão e perseguição que lá poderá sofrer da parte dos chefes religiosos do Templo. No caminho, por três vezes, ele adverte seus discípulos sobre isto. Os discípulos, que esperavam de Jesus atos de um messias poderoso, não entendem e ficam tristes. Em Cafarnaum, Pedro, quando interrogado se seu mestre pagava o imposto do Templo, prontamente responde que sim. Em seguida, Jesus, em particular, reformula a questão. Os reis cobram impostos dos estranhos, porém o Templo, que deveria ser o espaço de Deus, está cobrando impostos de seus filhos. Contudo, Jesus evita, no momento, criar um conflito em torno desta questão do dinheiro. A moeda encontrada na boca do peixe simboliza a providência de Deus para com seus filhos.

2 – O IMPOSTO DO TEMPLO

Uma coisa é termos direito sobre algo e outra coisa é a conveniência do uso desse direito. No nosso dia a dia, muitas vezes acontece que temos que renunciar a um direito em vista de um bem maior. O próprio Jesus nos mostra essa necessidade no evangelho de hoje, quando renuncia ao direito de não pagar os impostos do templo para conseguir um bem maior que está no fato de evitar escândalos. Assim, também nós devemos deixar de lado determinados direitos, que podem até demonstrar mesquinhez, quando esses podem se tornar causa de escândalos ou conflitos e fazer com que percamos um bem maior como a paz e a tranquilidade.

3 – A ISENÇÃO DO IMPOSTO

Jesus encontrou-se numa situação constrangedora para sua consciência de Filho de Deus, quando quiseram saber se ele pagava, ou não, o imposto devido ao templo de Jerusalém. Os galileus, marginalizados do contexto religioso judaico, recusavam-se a pagá-lo. Isso gerava sérios conflitos. A resposta de Pedro aos cobradores de impostos mostra que Jesus não estava disposto a criar confusão por algo sem relevância. Entretanto, Jesus tinha consciência de estar dispensado de recolher o imposto do templo, tido como o lugar escolhido por Deus para estabelecer sua habitação. Sua condição de Filho de Deus isentava-o deste imposto. A submissão de Jesus à exigência da Lei tinha uma motivação pastoral. Ele não queria escandalizar os cobradores de impostos, ou seja, não queria criar neles resistência em relação ao Reino, nem fechá-los para uma eventual acolhida de sua mensagem. Uma atitude intransigente de Jesus, neste caso, poderia ter como efeito afastar dele pessoas que já não gozavam da estima do povo. Para elas Jesus se sentia enviado de modo especial. Foi Pedro quem pagou o imposto por si e por Jesus. Este gesto singelo ligava, definitivamente, seu destino ao do Mestre. Apesar dos percalços por que passaria sua relação com o Mestre, a sorte de ambos estava irremediavelmente ligadas.

4 – SOU CAPAZ DE ABRIR MÃO DOS MEUS DIREITOS?

Jesus abre mão dos direitos de “Filho do Dono” – até mesmo do poder temporal e econômico. No Evangelho de hoje, estamos diante de dois problemas. O primeiro problema consiste em pagar o imposto do Templo que se vai resumir na entrega de Jesus a Seu Pai. E, por isso, fala da morte pela qual será necessário passar para poder ter vida eterna com o Seu Pai: “O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e eles vão matá-lo; mas três dias depois ele será ressuscitado”. Todavia, os discípulos não entendem logo de primeira. E por isso ficam tristes. A tristeza deles pode ser também a minha e a sua, quando nos tornamos inimigos da Cruz de Cristo ao fugirmos do sofrimento e da mortificação por amor ao Reino dos Céus. O segundo problema é o imposto imperial. Partamos do princípio de que “imposto” implica num domínio sobre os bens da pessoa. Por isso, Jesus pergunta a Simão: “O que é que você acha? Quem paga impostos e taxas aos reis deste mundo? São os cidadãos do país ou são os estrangeiros?” A resposta de Pedro foi clara e nos fez ouvir tudo o que deveríamos ouvir sobre como os grandes tiranizam os estrangeiros, os pobres e excluídos da sociedade. Eles [os tiranos] fazem uso dos bens que, em princípio vindos de Deus, deveriam ser bem geridos para o bem comum de todos os homens e mulheres. Pois esses bens são pertenças de Deus assim como os homens são filhos de Deus, antes de ser súditos de qualquer poder. E se eles tivessem em mente que os bens são dos “filhos do Dono” – no caso “Dono”, aqui, faz referência a Deus de quem tudo tem a sua origem e destino – não teriam exigido das pessoas o pagamento de impostos. E, portanto, eles não teriam a obrigação de pagar impostos. O confronto e a ruptura entre Jesus e as instituições se dão no nível mais profundo e decisivo, que supera a própria instituição do Estado e do Templo. Senão vejamos: o pagamento do imposto ao Templo era obrigatório para todo israelita, mesmo para os que habitavam fora da Palestina. Os cobradores do imposto, ao interrogar Pedro sobre o costume de Jesus a respeito desse imposto, julgavam que Ele se recusava a pagá-lo, numa forma de ruptura com os esquemas sócio religiosos da época. O discípulo lhes respondeu: “Sim, paga!” E foi pedir a Jesus a soma suficiente para cumprir essa obrigação. Este não põe dificuldade, mas reflete com Pedro a respeito do que estão fazendo. De fato, por ser Filho do Dono de tudo, como disse anteriormente, está isento desta obrigação geral. No entanto, está disposto a abrir mão desse seu direito. A razão é simples: embora seja livre e secundário pagá-lo, Ele o faz para evitar escândalo. Assim, apesar de não fazer sentido, livremente paga. Contudo, nessa situação, era mais importante não indispor os cobradores de impostos em relação à fé. A conduta do Mestre revela prudência, ou seja, evitar escandalizar quem não estivesse preparado para defrontar-se com um gesto de liberdade. Em última análise, Seu pensamento segue numa direção bem diferente: Jesus mostra, uma vez mais, qual é a verdadeira missão do Messias, ou seja, dar a própria vida e ressuscitar. Quantas pessoas neste mundo não conseguem abrir mão de certos direitos que possuem, mesmo quando está em jogo a vida, o casamento, o relacionamento, o emprego só porque tal pessoa é “isso” ou “aquilo”? Preferem jogar tudo fora. Inclusive a vida do irmão, da irmã, da esposa, do esposo, do funcionário, colega… Enfim, para defender os seus privilégios. Peçamos ao Espírito de liberdade que nos torne capazes de abrir mão de certos direitos, quando estiver em jogo os interesses do Reino dos Céus na vida das pessoas.

5 – OS FILHOS ESTÃO ISENTOS

Cristo reconciliou o mundo com Deus; por isso, certamente Ele próprio não teve necessidade de reconciliação. Com efeito, que pecado teria a expiar, se não cometeu pecado algum? Ao reclamarem os judeus as duas dracmas que deviam ser dadas, segundo a Lei, por causa do pecado, Ele disse a Pedro: «Simão, que te parece? De quem recebem os reis da terra impostos e contribuições? Dos seus filhos, ou dos estranhos?» Pedro respondeu: «Dos estranhos.» Então o Senhor disse: «Então, os filhos estão isentos. No entanto, para não os escandalizarmos, vai ao mar, deita o anzol, apanha o primeiro peixe que nele cair, abre-lhe a boca e encontrarás lá um estáter. Toma-o e dá-lho por Mim e por ti.» Ele mostra assim que não é por Si próprio que deve expiar os pecados, porque Ele não era escravo do pecado; como Filho de Deus, estava liberto de todo o erro. De facto, o Filho é livre, mas o escravo está sujeito ao pecado. Portanto, Aquele que é inteiramente livre nada tinha de pagar pelo resgate da Sua vida, e o Seu sangue podia redimir, poderosamente, os pecados do mundo inteiro. Podia pois libertar os outros, Esse que nada tem a dever. Mas irei mais longe. Cristo não é o único a não ter de pagar pela Sua própria redenção ou pela expiação dos Seus pecados; ao consideramos cada homem, é compreensível que nenhum tenha de pagar pela sua expiação pessoal. Porque Cristo expiou por todos, é a redenção de todos.

6 – QUANDO ESTAVA REUNIDO COM OS DISCÍPULOS NA GALILEIA

Hoje, a liturgia oferece-nos diferentes possibilidades para nossa consideração. Entre elas, podemos deter-nos em algo que está presente no texto todo: o trato familiar de Jesus com os discípulos. Diz São Mateus que Jesus «estava reunido com os discípulos na Galileia» (Mt 17,22). Pareceria evidente, mas o fato de mencionar que estavam juntos demonstra a proximidade de Cristo. Depois, abre-lhes seu Coração para confiar-lhes o caminho de sua Paixão, Morte e Ressurreição, ou seja, algo que Ele tem no seu interior e, não quer que aqueles que ama tanto, ignorem-no. Posteriormente, o texto comenta o episódio do pagamento dos impostos, e o evangelista também nos amostra o trato de Jesus que, coloca-se ao mesmo nível do que Pedro, contrapondo aos filhos (Jesus e Pedro) isentos de pagar os impostos e dos estranhos obrigados a pagá-los. Cristo, afinal, mostra-lhe como conseguir o dinheiro necessário para pagar não só por Ele, mas por os dois e, evitar ser motivo de escândalo. Em todos estes fatos descobrimos uma visão fundamental da vida cristã: é o afã de Jesus por estar conosco. Diz o Senhor no livro dos Provérbios: «alegrando-me em estar com os filhos dos homens» (Prov 8,31). Como muda, a nossa realidade, o nosso enfoque da vida espiritual na qual às vezes pomos apenas a atenção nas coisas que fazemos como se fosse o mais importante! A vida interior deve centrar-se em Cristo, em seu amor por nós, em sua entrega até a morte por mim, na sua persistente busca do nosso coração. Muito  bem o expressava João Paulo II em um dos seus encontros com os jovens: o Papa exclamou com voz forte: «Olhe Ele!».

7 – CONFIANDO NA PROVIDÊNCIA PODEMOS ENFRENTAR OS OBSTÁCULOS E CUMPRIR AS EXIGÊNCIAS PRÓPRIAS DA NOSSA VIDA TERRENA

Jesus aproveitava todas as oportunidades para formar os Seus discípulos a fim de prepará-los para as dificuldades pelas quais iriam passar em vista do Seu seguimento. No entanto, por mais que Jesus os alertasse eles não alcançavam a essência da Sua missão salvífica. Por isso, ficaram tristes quando Jesus lhes disse que iria ser entregue nas mãos dos homens. Eles ainda não tinham percebido que neste mundo, todos estão sujeitos às leis, às regras e exigências dos homens. Diante da cobrança dos cobradores do imposto do templo Jesus não se revoltou nem tampouco alegou ser Ele Filho de Deus, mas humildemente, recebeu da providência divina a “moeda” para cumprir com a Sua obrigação diante dos homens. Assim sendo, Ele nos ensina que não podemos nos esquivar das obrigações e compromissos e até mesmo do sofrimento que o mundo nos impõe. Confiando na providência nós também podemos enfrentar os obstáculos e cumprir as exigências próprias da nossa vida terrena com o intuito de agradar a Deus e não aos homens. Por amor Jesus se entregou e se deixou crucificar pelos homens, mesmo sem ter nenhuma culpa, porque essa era a vontade do Pai. Ele, como homem, também nos ensinou que embora sejamos livres, filhos de Deus, nós temos encargos e obrigações sociais as quais temos de cumpri-las como pagar impostos e taxas. O cristão verdadeiro segue o modelo de Jesus e, para não escandalizar, paga as suas obrigações, o que lhe é cobrado para o bem estar social. A nossa fé também se manifesta por meio da abertura do nosso “bolso”. Deus nos proverá de tudo quanto precisamos para cumprir com os nossos compromissos sociais. O seguimento a Jesus não nos isenta de também participarmos do crescimento e conservação da obra por Deus criada. – Você tem consciência de que mesmo sendo livre, filho de Deus, você tem obrigações para com os homens? – Você costuma pagar os seus compromissos sociais sem murmurar? – O que Jesus o (a) ensinou neste Evangelho? Amém! Abraço carinhoso!

8 – O DINHEIRO NA BOCA DO PEIXE

Bom dia! O que eu imaginaria ou faria, na posição de Pedro, ao ouvir a estranha história de lançar o anzol, e na boca do primeiro peixe estaria uma moeda? Voltarei nesse pergunta mais para frente. “(…) Quem paga impostos e taxas aos reis deste mundo? São os cidadãos do país ou são os estrangeiros”? Nesse mundo em que vivemos somos também considerados estrangeiros, pois ter fé, esperança e amor ao próximo parecem nos rotular como tal. Tais “atributos” ou particularidades são vistos por muitos como empecilhos a existência do hedonismo e do banalismo, “reis” empossados dos nossos dias. Jesus e Pedro passavam pela região. Não incomodavam, não atrapalhavam, não causavam tumultos ou sequer perturbavam a ordem. Nada faziam para que sua conduta os desabonasse, mas por que então a sua presença incomodava os cobradores ao ponto de indagar a Pedro sobre os impostos? Pessoas de fé e sólidas em suas convicções cristãs também são e serão sempre questionadas. Quantos pais conheço que se sentem “profundamente incomodados” ao ver seus filhos participando de um grupo de jovens na igreja? Quantos colegas ainda hoje se empenham a nos fazer mudar de pensamento quando trocamos um dia na semana para agradecer a Deus inseridos numa pastoral, movimento da igreja ou da missa? Quantos programas de TV se empenham em tentar transformar nosso jeito de viver em “coisas de gente” quadrada, retrógrada, que parou no tempo? Como é duro reconhecer que por vezes, os maiores opositores a uma vida diferente estão em nossas casas ou em meio aos nossos amigos? Bem da verdade creio que eles não queiram nosso mal, mas cada um deve ser respeitado pela escolha que fez sendo assim errado também quando impomos nosso jeito “diferente” de ser aos outros sem respeitar o livre arbítrio deles, ou seja, sua liberdade termina onde começa a do outro. Apesar de todo esse relato, não há o que temer ou criar motivos para brigar. “(…) Isso quer dizer que os cidadãos não precisam pagar. Mas nós não queremos ofender essa gente”. Muitos filhos, esposas, maridos, (…) ao tomar um caminho, seja ele qual for, passam a gerar em suas casas um local de guerra ao invés de um antro de paz. A diferença de opinião ou de sentimento religioso acaba pondo fogo num lugar tão inflamável: o sentimento humano de estar sempre certo. “(…) Sereis por minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos. Quando fordes presos, não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer: naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer. Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós. O irmão entregará seu irmão à morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e os matarão. Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo“. (Mateus 10, 18-22) Gente que nunca brigou passa a se digladiar; onde havia beijos e fotos, aos poucos são substituídos por discussões banais e intermináveis que geralmente terminam com frases do tipo “seu papa hóstia”, “sua beata”, “você não vai pro céu”. Nesse momento então é prudente voltar na primeira frase da reflexão de hoje e acreditar que dentro de um peixe encontrarei a solução que pague o meu imposto e o seu. Portanto, não discuta! Pesque! Que minha fé encontre o peixe que salve a mim e ao meu irmão. Não percamos tempo com discussões que não levarão a nada, pois as brigas revelam apenas o quanto quero estar certo e desejo que tenho que o outro esteja errado, mas de fato ambos estão equivocados quando optaram pela briga. João um dia resumiu “DEUS É AMOR”. Não duvide, não questione, não duvide, apenas lance o anzol! Um imenso abraço fraterno!

9 – ELES O MATARÃO, MAS NO TERCEIRO DIA ELE RESSUSCITARÁ. OS FILHOS ESTÃO ISENTOS DOS IMPOSTOS

Assim como no tempo de Jesus, hoje há impostos para tudo. Mas, na terra de Jesus, os impostos se pagavam duplamente: para os romanos e para as autoridades judaicas. Para onde iam esses impostos? Poucas vezes para obras de bens públicos. A maioria das vezes era utilizado para cobrir extravagâncias dos reis herodianos e inúteis campanhas guerreiras contra os vizinhos. O evangelho nos narra o pagamento de imposto por parte de Jesus, não porque esta de acordo com o sistema, mas porque suas exigências de justiça vão além de reformas no sistema tributário. Jesus sabe que os reis judeus estavam obrigados por lei a tratar seus súditos como irmãos e que, por isso, toda carga tributária que não fosse destinada ao benefício público era injusta e desnecessária. Na atualidade, a maioria das pessoas não percebe as implicações de suas ações. Somos conscientes somente de uma parte dos tributos exigidos em nossas sociedade que vão além do dinheiro: a televisão captura nosso tempo livre e nossa imaginação; as redes virtuais atrapalham nossos afetos e, por último, a publicidade acaba com nossas devoções. Como podemos nos libertar de nossa realidade.

10 – EVITANDO O ESCÂNDALO E A DISCUSSÃO

No Evangelho de hoje, Jesus nos ensina uma lição: que às vezes é preciso abrir mão de um direito, para se evitar um escândalo. Em outras palavras, às vezes é preciso saber renunciar, para se evitar uma discussão. Como isso se aplicaria na nossa vida? Vejamos alguns exemplos… Dois irmãos, meninos de rua, recebem um copo de leite. Eles decidem tomar um gole do leite de cada vez, alternadamente. O mais velho, vendo a fome do mais novo, finge que está tomando o seu gole, para que o mais novo possa matar um pouco da sua fome… A mãe, que deixa de comprar aquela roupa que tanto queria, para poder comprar uma roupa para sua filha… O pai, que deixa de lado o trabalho, seu tempo de descanso, para dedicar seu tempo para brincar com seu filho, colocá-lo para dormir… O casal, que renuncia do ciúme, do conforto, da vaidade, do tempo, dos amigos, dos gostos pessoais, do lazer, do orgulho, só por amor um ao outro… Nós, quando abrimos mão de utilizarmos nossos dons para benefício próprio, e nos colocamos à disposição do Reino de Deus, mesmo que isso implique em renunciar das nossas vontades… Em todos esses exemplos que citei, alguém abriu mão do direito que tinha, por uma causa nobre. No Evangelho de hoje, Jesus abriu mão do seu direito de não pagar o Imposto do Templo (já que era/é o Filho de Deus), mas resolveu pagar a fim de evitar um escândalo. Então pensemos… o que está se passando na minha família, no meu namoro, no meu trabalho, entre os meus amigos, no meu colégio/faculdade, na minha igreja, e que eu não estou querendo abrir mão, de jeito nenhum! Onde eu estou sendo um cabeça-dura, um orgulhoso? Onde eu preciso aprender que às vezes é preciso, mesmo estando com a razão, abrir mão, para evitar o escândalo e a discussão? Se Jesus agiu assim, por que eu não posso?

11 – SOU CAPAZ DE ABRIR MÃO DOS MEUS DIREITOS?

Jesus abre mão dos direitos de “Filho do Dono” – até mesmo do poder temporal e econômico. No Evangelho de hoje, estamos diante de dois problemas. O primeiro problema consiste em pagar o imposto do Templo que se vai resumir na entrega de Jesus a Seu Pai. E, por isso, fala da morte pela qual será necessário passar para poder ter vida eterna com o Seu Pai: “O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e eles vão matá-lo; mas três dias depois ele será ressuscitado”. Todavia, os discípulos não entendem logo de primeira. E por isso ficam tristes. A tristeza deles pode ser também a minha e a sua, quando nos tornamos inimigos da Cruz de Cristo ao fugirmos do sofrimento e da mortificação por amor ao Reino dos Céus. O segundo problema é o imposto imperial. Partamos do princípio de que “imposto” implica num domínio sobre os bens da pessoa. Por isso, Jesus pergunta a Simão: “O que é que você acha? Quem paga impostos e taxas aos reis deste mundo? São os cidadãos do país ou são os estrangeiros?” A resposta de Pedro foi clara e nos fez ouvir tudo o que deveríamos ouvir sobre como os grandes tiranizam os estrangeiros, os pobres e excluídos da sociedade. Eles [os tiranos] fazem uso dos bens que, em princípio vindos de Deus, deveriam ser bem geridos para o bem comum de todos os homens e mulheres. Pois esses bens são pertenças de Deus assim como os homens são filhos de Deus, antes de ser súditos de qualquer poder. E se eles tivessem em mente que os bens são dos “filhos do Dono” – no caso “Dono”, aqui, faz referência a Deus de quem tudo tem a sua origem e destino – não teriam exigido das pessoas o pagamento de impostos. E, portanto, eles não teriam a obrigação de pagar impostos. O confronto e a ruptura entre Jesus e as instituições se dão no nível mais profundo e decisivo, que supera a própria instituição do Estado e do Templo. Senão vejamos: o pagamento do imposto ao Templo era obrigatório para todo israelita, mesmo para os que habitavam fora da Palestina. Os cobradores do imposto, ao interrogar Pedro sobre o costume de Jesus a respeito desse imposto, julgavam que Ele se recusava a pagá-lo, numa forma de ruptura com os esquemas sócio religiosos da época. O discípulo lhes respondeu: “Sim, paga!” E foi pedir a Jesus a soma suficiente para cumprir essa obrigação. Este não põe dificuldade, mas reflete com Pedro a respeito do que estão fazendo. De fato, por ser Filho do Dono de tudo, como disse anteriormente, está isento desta obrigação geral. No entanto, está disposto a abrir mão desse seu direito. A razão é simples: embora seja livre e secundário pagá-lo, Ele o faz para evitar escândalo. Assim, apesar de não fazer sentido, livremente paga. Contudo, nessa situação, era mais importante não indispor os cobradores de impostos em relação à fé. A conduta do Mestre revela prudência, ou seja, evitar escandalizar quem não estivesse preparado para defrontar-se com um gesto de liberdade. Em última análise, Seu pensamento segue numa direção bem diferente: Jesus mostra, uma vez mais, qual é a verdadeira missão do Messias, ou seja, dar a própria vida e ressuscitar. Quantas pessoas neste mundo não conseguem abrir mão de certos direitos que possuem, mesmo quando está em jogo a vida, o casamento, o relacionamento, o emprego só porque tal pessoa é “isso” ou “aquilo”? Preferem jogar tudo fora. Inclusive a vida do irmão, da irmã, da esposa, do esposo, do funcionário, colega… Enfim, para defender os seus privilégios. Peçamos ao Espírito de liberdade que nos torne capazes de abrir mão de certos direitos, quando estiver em jogo os interesses do Reino dos Céus na vida das pessoas.

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MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Deus se revela na história de muitas formas. Assim Jesus, presença viva de Deus, vai sofrer as consequências de sua fidelidade ao Pai celeste. Deus se faz presente também nas situações de sofrimento, mas nem por isso este deve ser buscado e aceito passivamente.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

As leituras revelam a glória do Senhor, a qual se manifesta como força e ação, e nos mostram a coragem do Filho amado do Pai. Jesus não recusa o sofrimento, consequência de sua fidelidade.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Pelo evangelho o Pai nos chamou, a fim de alcançarmos a glória de nosso Senhor Jesus Cristo (2Ts 2,14).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Considerai, Senhor, vossa aliança e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa e não desprezeis o clamor de quem vos busca (Sl 73,20.19.22s).

Antífona da comunhão

O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo, diz o Senhor (Jo 6,52).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Escutai-nos, ó Pai.

— Para que a Igreja conduza seu povo rumo à santidade e à salvação, peçamos.
— Para que os agentes de pastoral sejam fortalecidos no serviço às comunidades, peçamos.
— Para que os impostos pagos revertam em proveito do bem comum, peçamos.
— Para que os legisladores, ao elaborar as leis, levem sempre em conta o bem do povo, peçamos.
— Para que as famílias cresçam nos valores cristãos e rezem pela harmonia familiar, peçamos.

Oração sobre as oferendas

Ó Deus, acolhei com misericórdia os dons que concedestes à vossa Igreja e que ela agora vos oferece. Transformai-os por vosso poder em sacramento de salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, o vosso sacramento que acabamos de receber nos traga a salvação e nos confirme na vossa verdade. Por Cristo, nosso Senhor.

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