LDP: 19/AGO/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

19/AGO/2012 (domingo)

LEITURAS

Leitura do livro do Apocalipse de são João 11,19a;12,1.3-6a.10ab (Livro do novo ou 2º testamento / O Livro Profético)

11,19a Abriu-se o Templo de Deus que está no céu e apareceu no Templo a Arca da Aliança. 12,1 Então apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. 3 Então apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. 4 Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. O Dragão parou diante da Mulher, que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu Filho, logo que nascesse. 5 E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o Filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. 6a A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10ab Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo”.

Proclamação do Salmo 44(45),10bc.11.12ab.16 (R. 10b) (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Proféticos)

— 10b À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir.
— 10b As filhas de reis vêm ao vosso encontro, c e à vossa direita se encontra a rainha com veste esplendente de ouro de Ofir.
— 11 Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: “Esquecei vosso povo e a casa paterna! 12a Que o Rei se encante com vossa beleza! b Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!
— 16 Entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real”.

Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios 15,20-27a (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Didáticos)

Irmãos: 20 Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. 21 Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. 22 Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. 23 Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião de sua vinda. 24 A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força. 25 Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. 26 O último inimigo a ser destruído é a morte. 27a Com efeito, “Deus pôs tudo debaixo de seus pés”.

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 1,39-56 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

Naqueles dias, 39 Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40 Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42 Com grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43 Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44 Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45 Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. 46 Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47 e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48 porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49 porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50 e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. 51 Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52 Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53 Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54 Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55 conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. 56 Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

… Eu sou o CAMINHO …

O que o texto diz para mim, hoje? Convida-me a ser uma pessoa solidária. Recordamos as palavras dos bispos na Conferência de Aparecida: “Agora, desde Aparecida, Maria convida-os a lançar as redes ao mundo, para tirar do anonimato aqueles que estão submersos no esquecimento e aproximá-los da luz da fé. Ela, reunindo os filhos, integra nossos povos ao redor de Jesus Cristo.” (DAp 265). No episódio da Visitação é difícil dizer qual das duas mulheres precisava da outra, qual delas auxiliava e servia a outra. Nós estamos acostumados a dizer que Maria foi ao encontro de Isabel para servi-la: isso por força do hábito, e que empreendeu uma viagem para ver a outra. Mas a dinâmica desse episódio não é assim tão simples. A obrigação que motivou a visita de Maria a Isabel, segundo nos informou Lucas, não era uma obrigação de caráter material, de serviços práticos, desses auxílios caseiros que Isabel poderia receber sem problema algum por outras vias. Era uma necessidade que elas tinham de se confrontar na fé.

… a VERDADE …

O que diz o texto? Leio atentamente, na Bíblia, o texto Lc 1,39-56. No episódio da Visitação, Maria e Isabel viveram uma experiência inédita de si mesmas, quando uma se abriu para a experiência da outra, para a habitação de Deus na outra. No momento, elas conseguiram assumir em si a outra pessoa, ou outro projeto de Deus. Elas se visitaram enquanto mães. Elas se reconheceram enquanto pessoas amadas e chamadas por Deus. Elas vibraram de alegria e se abençoaram enquanto foram capazes de escutar uma outra voz, capazes de agradecer, e de rezar. Os bispos do Brasil, nas Novas Diretrizes da Igreja (2011-2015) apontam para a gratuidade e missionariedade, sempre a “partir de Cristo”. É o que vivem Maria e Isabel. A solidariedade é uma resposta ao chamado de Deus e, de qualquer maneira que ela seja vivida, constitui sempre uma forma ativa de compromisso, é um serviço recíproco.

… e a VIDA …

Senhor Jesus, que a contemplação da assunção de tua mãe santíssima me inspire a viver em comunhão com Deus, servindo-o como servo humilde.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus e o coração de Maria, reconhecendo as graças que Ele nos concede a cada instante.

REFLEXÕES:

1 – EM COMUNHÃO COM MARIA, SEGUINDO JESUS

Lucas, em seu evangelho, com as narrativas de infância de Jesus, deixa perceber a sua origem simples, em uma casa pobre, na pequena vila de Nazaré, longe de Jerusalém, capital religiosa da Judeia, e de qualquer outra grande cidade onde se concentram as elites privilegiadas. Os quatro evangelhos apresentam a inauguração do ministério de Jesus a partir do seu encontro com João Batista, do qual recebe o batismo. Lucas antecipa este encontro já no ventre de suas mães, e evidencia a íntima relação entre João Batista e Jesus com os paralelos entre as anunciações de suas concepções e as narrativas de seus nascimentos. Maria, em seu cântico, manifesta-se solidária com os pequenos e humildes excluídos. Ela exprime que tem consciência de que a ação de Deus nela, que a engrandece, se dá em benefício de todos os povos. Ela sabe que não pode separar uma graça pessoal de um dom em favor da comunidade e do povo. Os pobres poderão reconhecer que Deus está a favor deles, está entre eles. Que eles têm direito a uma vida mais digna e que têm motivo de lutar por ela. Não tem mais sentido um sistema religioso ou social que favorece os ricos e induz os pobres à humilhação e ao conformismo em vista de uma recompensa futura. A tradição da Igreja reconhece que Maria, uma vez terminados seus dias aqui na terra, foi assumida no seio de Deus, na unidade de seu ser, corpo e alma, gozando já da vida eterna e da glória divina, participando da vida da Trindade. É uma nova compreensão da ressurreição com maior alcance do que as primeiras concepções de Paulo, apóstolo (segunda leitura). O livro do Apocalipse, como é próprio deste gênero literário herdado do Primeiro Testamento, apresenta de maneira gloriosa o confronto entre a mulher e o dragão (primeira leitura). Nesta mulher a tradição viu a imagem da Igreja, bem como a de Maria. Pela fé aspiramos a estar em comunhão com Maria, seguindo o Caminho que é Jesus.

2 – MARIA VISITA ISABEL

O encontro de Maria com Isabel nos mostra um pouco do que deve ser um encontro de verdadeiro amor entre duas pessoas. Por um lado, vemos Maria, que vai ao encontro de Isabel assim que sabe da sua situação, vai para servir, fazer com que seu amor se transforme em gesto concreto. Quando encontra Isabel, a saúda, pois valoriza aquele momento de encontro e também a pessoa com quem se encontra. Por outro lado, vemos Isabel que, ao ver sua prima, exalta imediatamente todos os seus valores como mãe do seu Senhor, assim como as suas virtudes. E este encontro termina com um cântico de exaltação ao amor de Deus.

3 – A GLORIFICAÇÃO DE MARIA

A festa da assunção de Nossa Senhora leva-nos a repensar todo o seu peregrinar neste nosso mundo, pois se trata de celebrar o desfecho de sua caminhada. O fim da existência terrena de Maria consistiu na plenificação de todos os seus anseios de mulher de fé e disponível para servir. A expressão “repleta de graça”, dita pelo anjo, encontrou sua expressão consumada na exaltação dela junto de Deus. A estreita conexão entre a existência terrena de Maria e a sua sorte eterna foi percebida desde cedo pela comunidade cristã, apesar de a Bíblia não contar os detalhes de sua vida e de sua morte. A comunidade deu-se conta de que Deus assumiu e transformou toda a sua história, suas ações e seu corpo. O relato evangélico é um pequeno retrato de Maria. Sua condição de mãe do Messias, o “Senhor” esperado pelo povo, proveio da profunda comunhão com Deus e da disponibilidade total em fazer-se sua servidora. Expressou sua fé no canto de louvor – o Magnificat –, no qual proclamou as maravilhas do Deus e as grandezas de seus feitos em favor dos fracos e pequeninos. A comunhão com Deus desdobrava-se, na vida de Maria, na sua disponibilidade a servir o próximo. A ajuda prestada à prima Isabel é uma pequena amostra do que era a Mãe de Deus no seu dia-a-dia. Assunta ao céu, Maria experimentou, em plenitude, a comunhão vivida na Terra.

4 – O MEU SANGUE É UMA VERDADEIRA BEBIDA

Depois de consumares as palavras da Escritura,
E entregares ao Pai o Teu espírito,
Quando o soldado Te trespassou com uma lança,
Uma fonte brotou do Teu lado sagrado (Jo 19,34):

Água para lavar, na fonte sagrada do Batismo,
Sangue para beber, no mistério da Eucaristia,
Por causa da ferida da que nasceu da costela de Adão (Gn 2,21),
Pela qual pecou o primeiro homem.

A mim, que sou constituído duma carne marcada pelo pecado original
E dum sangue amassado pela poeira (Gn 2,7),
Lavaste-me pelo orvalho do Teu lado.
depois, caí de novo no pecado.

Não permitas que permaneça assim,
Mas 
digna-Te lavar-me de novo;
E, se essa graça não me for concedida,
Que ao 
menos meus pecados sejam regados por minhas lágrimas.

Abre a minha boca ao rio
Do sangue sagrado que corre do Teu lado
[…]

Para que eu beba a alegria
E exulte no Espírito Santo,
Que torne saboroso o gosto deste 
cálice
De amor imaculado e de vinho sem misturas. […]

Tu, que és o presente eterno do homem efémero,
Tu, que reclamo como presente,
Tu, que 
dás presentes às criaturas,
Mortais e imortais […],

Concede-me a Tua pessoa como dom da graça,
Tu, que por todos repartes a vida.

5 – SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

Grande sinal apareceu no céu: uma mulher que tem o sol por manto, a lua sob os pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça.” (Ap 12, 1). Neste domingo celebramos uma festa muito cara às tradições mineiras: a festa de Maria, quando ela é assumida, em corpo e alma, para o céu. Relembro de minha terra natal, a cidade de Boa Esperança, que nasceu sob a proteção do manto santo e abençoado da Virgem Dolorosa, a mater que soube, no silêncio de seu coração, guardar a vontade de Deus, dando o seu “Fiat” ao projeto da salvação de nossa pobre e pecadora humanidade. A solenidade deste domingo é uma grande festividade de louvor a Maria Santíssima por parte dos fiéis, que veem, ao mesmo tempo, a glória da Igreja e a prefiguração de sua própria glorificação. Festa grande, festa de solidariedade dos fiéis com aquela que é a primeira e a Mãe de todos os fiéis. A leitura do Apocalipse, colocada como primeira leitura, é uma descrição original do povo de Deus, que deu à luz o Salvador e depois refugiou-se no deserto – a Igreja que foi perseguida e massacrada pelos romanos no primeiro século – até a vitória final de Nosso Senhor Jesus Cristo. A segunda leitura é, toda ela, escatológica, com gostinho de céu: a Assunção de Nossa Senhora ao céu é considerada como antecipação da ressurreição final dos fiéis, que serão ressuscitados em Cristo. Portanto, observe-se que a glória de Maria não a separa da humanidade, não a separa de cada um de nós, mas a une mais intimamente a nossa pobre humanidade. Irmãos e irmãs, Nossa Senhora foi a única criatura humana a receber esse grande benefício do Criador, a encarnação do Verbo. Isso porque, por obra e graça do Espírito Santo, coube a ela o serviço de receber a encarnação do Senhor, do Filho de Deus, predestinada desde sempre, isenta de todo o pecado desde a sua concepção imaculada, preservada de toda mancha do pecado original. Tornou-se, assim, a primeira criatura na fé cristã e a primeira a ser elevada à glória do céu em corpo e alma, graça inaudita alcançada pela Ressurreição de Jesus. Maria é o modelo para todo cristão, de todos os fiéis; a primeira a alcançar o destino glorioso reservado a todos que creem no Senhor Jesus. Maria a corredentora, a santa, a luzeira dos cristãos. Maria, a esperança dos cristãos. Meus queridos irmãos, Maria saiu de si mesma, renunciou a seus interesses para servir com exclusividade o mistério de Cristo. Ela desceu, durante a sua vida terrena, aos vales da humanidade pecadora, fazendo-se, como seu Filho, solidária com os irmãos, assumindo a condição de serva, humilhando-se em tudo. Depois, ela subiu com Ele a noite escura do Calvário, alcançou a manhã solar da Ressurreição, da Páscoa, da vida nova que nos foi inaugurada, cantando uma segunda vez o “Magnificat”, para agradecer a glorificação da humildade e da pequenez, a vitória sobre o pecado e a morte eterna, as grandes coisas operadas por Deus em benefício seu e da humanidade. Se o “Magnificat” é o hino de agradecimento a Deus pela encarnação e pela obra redentora de Jesus Cristo, tudo o que Maria tem a agradecer a Deus o tem em função do mistério divino-humano de Jesus. Sua coroação como rainha do Céu e da terra é o coroamento de tudo o que ela cantou na casa de Isabel. Assim, o “Magnificat” se desenvolve em quatro tempos: o primeiro, onde Maria agradece ao Senhor “a quem se deve à honra e a glória pelos séculos dos séculos”. Aqui é colocado a serviço como meta básica da vida cristã. Trabalhar com humildade para a dilatação do Reino de Deus. Humildade como virtude, humildade como meta cristã. A Virgem que recebeu, em Nazaré, o Filho de Deus hoje é elevada ao seio da Santíssima Trindade. O segundo tempo, onde a Virgem agradece as maravilhas operadas em todas as coisas, as maravilhas da história da nossa salvação, onde o Deus santo e eterno nos convoca para a santidade de vida e de estado. O terceiro tempo proclama a missa fundamental de Nosso Senhor: a ação de Deus em favor dos pobres e dos humildes, que tem a sua meta básica em Nossa Senhora que se despiu de tudo para servir e servir com alegria. Com o despojamento de Maria no seu sim, hoje elevada ao céu, leva consigo todos os pobres, filhos prediletos do Pai e comensais da casa divina. O último tempo, em forma de louvor e de agradecimento, celebra a FIDELIDADE DE DEUS, o cumprimento de todas as promessas. Fidelidade a Deus e ao seu projeto de salvação, onde a humanidade se torna bom parceiro de Deus na história da salvação. Subindo aos Céus, Maria é considerada a primeira que teve acesso a esta fidelidade, que se transforma em comunhão perfeita e eterna com a Trindade Santíssima. Irmãos queridos, A vida de Nossa Senhora, a “serva” assemelha-se à do “servo”, Jesus, “exaltado” por Deus por causa de sua fidelidade até a morte. O amor torna semelhantes às pessoas. Também a glória. Em Maria, realiza-se, desde o fim de sua vida na terra, o que Paulo descreve na segunda leitura: a entrada dos que pertencem a Cristo na vida gloriosa do Pai, uma vez que o Filho venceu a morte e nos deu a vida eterna. A comunhão com Deus nos faz lembrar hoje do exemplo da Virgem Maria que aprendeu a ler os acontecimentos e a perceber neles a ação de Deus libertando o seu povo. Percebeu-se, também, como parte importante nessa grande obra. Por isso invoquemos Maria como modelo do cristão que vai crescendo na sua resposta ao projeto de Salvação. Santa Maria, rogai por nós. Amém!

6 – DEIXE-SE VISITAR POR JESUS E MARI

Todo aquele intercâmbio de vida, todo aquele diálogo de amor à luz do Espírito Santo, leva Maria a um canto de ação de graças e de louvor, inspirado no canto de Ana, a mãe de Samuel (cf. Sm 2,1-10). É que tanto lá como aqui, se realimenta a esperança dos pobres por uma intervenção de Deus Salvador. Jesus, de fato, significa “Deus salva”. A primeira parte do canto apresenta o louvor e a santificação do nome de Deus por parte de Maria. Na verdade, Deus pôs Seu olhar sobre aquela humilde jovem de Nazaré, fazendo grandes coisas em seu favor. Deus exalta sua humildade, de tal modo que todas as gerações têm a obrigação de chamar a Mãe de Deus de “Bem-Aventurada”, ou seja, de santa. Assim, Jesus é concebido como a misericórdia de Deus em ação, trazendo vida para todos, restaurando a fraternidade entre os filhos de Deus. Ao descrever a visita de Maria a Isabel, Lucas quer mostrar Maria como um modelo de solidariedade, da comunidade fiel que atende a todos os irmãos necessitados. O serviço de Maria a Deus se concretiza no serviço aos irmãos necessitados. Descrevendo a visita de Maria a Isabel, Lucas quer ensinar como as pequenas comunidades devem fazer para transformar a visita de Deus em serviço aos irmãos e irmãs. Nossa acolhida à Palavra de Deus concretiza-se no serviço concreto às pessoas mais carentes. Lucas acentua a prontidão de Maria em atender ao apelo de Deus contido nas palavras do anjo. O anjo tinha lhe falado da gravidez de Isabel. Imediatamente, Maria sai de sua casa para se colocar a serviço de Isabel. De Nazaré até as montanhas de Judá são mais de cem quilômetros de caminhada. Tal atitude de Maria frente ao apelo da Palavra quer nos ensinar que não devemos nos fechar sobre nós mesmos, atendendo apenas as pessoas que nos são conhecidas ou que estão mais perto de nós. Devemos sair de casa, e estar bem atentos às necessidades concretas das pessoas e procurar ajudar na medida de nossas capacidades e possibilidades. Até pouco tempo Maria levava uma vida “normal”; porém, depois do grande anúncio tudo muda; só Deus sabe o que passou em seus pensamentos, talvez muitas preocupações diante de um fato tão grandioso, do qual estava participando diretamente. Porém, uma coisa é certa: ela confia no Senhor. Não ficou presa no fato em si, mas põe-se, como nos diz a leitura, a caminho. No diálogo que teve com o anjo, ‘na Anunciação’, Maria fica sabendo que também Isabel foi agraciada milagrosamente: “Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice, e este é o sexto mês para aquela que chamavam de estéril”. Maria vai visitar sua prima e, ao vê-la, confirma-se o que anjo já lhe havia falado. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria a criança lhe estremeceu no ventre e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Ao chegar na casa de Isabel, após uma longa viagem de pouco mais de cem quilômetros, as duas mulheres se encontram, e não só elas, mas também os frutos da bondade e do amor de Deus. Aqui aproveito para abrir um pequeno parêntese: Maria estava com poucos dias de gestação, e ainda assim o seu filho foi percebido por Isabel, e o ainda não nascido João Batista. Como é que podem alguns ainda colocar em dúvida se o feto não constitui ainda um ser humano, capaz de reconhecer as grandes maravilhas de Deus, mesmo que estes sejam de poucos centímetros? Maria foi a primeira anunciadora da Boa Nova. Junto com ela, leva a mesma alegria recebida do anjo, leva também o Cristo e o Espírito Santo. Como não querer bem a uma mulher que soube realizar a vontade do Pai? Maria é aquela que conduz Jesus até aquela família. Mais tarde, será ela também que pede a Jesus para que ajude os noivos nas bodas de Caná; e ainda hoje ela continua atenta às nossas necessidades, com seu olhar materno. Diante de tudo que recebeu, ela não se exalta, mas bendiz o Senhor: “Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus meu Salvador”. Este canto, que Lucas colocou nos lábios de Maria, relembra o que Deus fez em Maria, a Serva do Senhor. Mas recorda também o que Deus fez pelos pobres através de Jesus. Ele inverte as falsas situações humanas no campo religioso, político e social. “Pois Sua misericórdia perdura para sempre para os que o temem. Aos que não o temem – os orgulhosos – Ele dispersou com a força do seu braço. Ele derrubou do trono os poderosos. Quanto aos humildes, submissos e oprimidos, Ele os exaltou. Ele cumulou de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias”. Deixemo-nos visitar por Deus! Mas estejamos atentos com a mesma sensibilidade de Isabel e João Batista. Que possamos reconhecê-Lo, acolhê-Lo e com Ele alegrar-se. Pai, conduza-me pelos caminhos de Maria, tua fiel servidora, cuja vida se consumou, sendo exaltada por Ti. Que, como Maria, eu saiba me preparar para a comunhão plena contigo.

7 – ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

Irmãos e irmãs. Neste domingo comemoramos a festa da assunção de Maria. E nesta solenidade, nós, os católicos do mundo inteiro, queremos homenagear a Virgem Maria. Assim, todas as nações cantam a vossa glória, ó virgem imaculada! Porque hoje fostes exaltada acima de todas as mulheres, pois pelos teus merecimentos fostes a escolhida para ser o centro do Mistério redentor, o Mistério da nossa salvação por meio do teu Filho, por obra e graça do Espírito Santo em união com o Pai nosso Criador. Maria ao subir as montanhas dirigindo-se a casa de Isabel, ela era como a Arca da Aliança, pois trazia em seu corpo o Filho de Deus todo poderoso. Então, assim como a Arca da aliança que levava os Dez Mandamentos era sinal da presença de Deus no meio do povo, Maria também era sinal da Arca da Nova Aliança, pois trazia em seu ventre, o próprio Deus feito homem, e que estava no meio do povo. É por isso que no dia de hoje, festejamos Maria imaculada, que superando a morte, está participando da glória eterna junto ao seu Filho amado. Prezados irmãos. Não podemos ignorar a importância de Maria no projeto de salvação planejado pelo próprio Deus para toda a humanidade. Foras tantas as maravilhas que Deus realizou em Maria! E uma vez elevada ao Céu, Maria é hoje a nossa intercessora junto ao Pai e ao Filho. Maria foi aquela que atingiu a plenitude da salvação e está no Céu nos esperando para vivermos eternamente as maravilhas celestiais. Portanto irmãos e irmãs, celebremos com alegria e em união com todos os religiosos e religiosas do mundo inteiro, os quais, a exemplo de Maira, deram SIM ao projeto de Deus Pai. Festejamos este mistério realizado pelo infinito poder de Deus, o qual elevou ao céu a sua escolhida a virgem imaculada, em corpo e alma, uma mulher revestida de honra e glória pela sua santidade e humildade, e principalmente por ter dito SIM, ao chamado de Deus através do anjo que lhe trouxe a notícia da sua missão e de sua participação na construção do Reino de Deus. Caríssimos. Sejamos nós também atentos ao chamado de Deus, o qual nos convida a participar na construção do seu Reino que também é nosso. Não sejamos surdos a este chamado mais sim, sempre disponíveis ao serviço da salvação deste mundo tão carente de Deus! Um mundo que busca a sua satisfação somente na realidade terrena, e que tenta resolver seus problemas com seus próprios recursos, ignorando a graça protetora de Deus. Um mundo que está a cada dia mais distante do seu Criador. OREMOS: Maria Mãe imaculada, rogai a Jesus vosso Filho pelas mulheres pobres que não têm o suficiente para dar o devido sustento aos filhos; Mãe poderosa, rogai a Jesus pelas jovens as quais longe do plano de Deus, “ficam” em vez de casar, e construir uma família. E assim, ausentes da bênção de Deus, essas uniões apenas corpóreas acabam sempre mal; Maria, consoladora dos aflitos e Rainha da paz. Rogai por nós porque estamos aflitos com tanta violência, gerada pela ausência de Deus nas mentes daqueles que confiam mais nas armas e idolatram os bens materiais…

8 – MARIA VISITA ISABEL

Alguns dias depois, Maria se aprontou e foi depressa para uma cidade que ficava na região montanhosa da Judéia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se mexeu na barriga dela. Então, cheia do poder do Espírito Santo, Isabel disse bem alto: – Você é a mais abençoada de todas as mulheres, e a criança que você vai ter é abençoada também! Quem sou eu para que a mãe do meu Senhor venha me visitar?! Quando ouvi você me cumprimentar, a criança ficou alegre e se mexeu dentro da minha barriga. Você é abençoada, pois acredita que vai acontecer o que o Senhor lhe disse. A Canção de Maria. Então Maria disse: – A minha alma anuncia a grandeza do Senhor. O meu espírito está alegre por causa de Deus, o meu Salvador. Pois ele lembrou de mim, sua humilde serva! De agora em diante todos vão me chamar de mulher abençoada, porque o Deus Poderoso fez grandes coisas por mim. O seu nome é santo, e ele mostra a sua bondade a todos os que o temem em todas as gerações. Deus levanta a sua mão poderosa e derrota os orgulhosos com todos os planos deles. Derruba dos seus tronos reis poderosos. Dá fartura aos que têm fome e manda os ricos embora com as mãos vazias. Ele cumpriu as promessas que fez aos nossos antepassados e ajudou o povo de Israel, seu servo. Lembrou de mostrar a sua bondade a Abraão e a todos os seus descendentes, para sempre. Maria ficou mais ou menos três meses com Isabel e depois voltou para casa.

9 – BEM AVENTURADA AQUELA QUE ACREDITOU, PORQUE SERÁ CUMPRIDO O QUE O SENHOR LHE PROMETEU!

As palavras de Isabel ao acolher sua prima, Maria na sua casa, são hoje para nós uma fonte de esperança para tudo quanto ainda esperamos que aconteça na nossa vida. O sim de Maria foi a prova da sua confiança nos planos de Deus para a sua vida e de toda a humanidade. “Bem aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu!” Com efeito, nós podemos fazer uma avaliação de como anda a nossa confiança nas promessas que Deus tem nos feito, nos nossos momentos de oração. Precisamos estar atentos, pois a todo instante o Senhor está realizando em nós algo que faz parte do Seu projeto para a nossa vida. Se Maria tivesse parado para conferir, e cheia de dúvidas ficasse a esperar acomodada a realização da promessa da vinda do Salvador, talvez a história tivesse sido diferente. Pelo contrário, desde o primeiro instante em que acolheu a mensagem do anjo e disse “faça-se conforme a Palavra do Senhor”, Maria saiu de si, deu o passo e começou a desempenhar o seu papel de portadora da Boa Nova de Deus. Por isso, nossa Senhora é o próprio Evangelho vivenciado, posto em prática e encarnado. Em Maria. O Senhor também nos convoca a sairmos de nós mesmos para darmos um voto de confiança às Suas promessas, agindo de acordo com a Sua Palavra e Seus ensinamentos. Tudo o quanto esperamos de Deus precisa estar de acordo com a sua Palavra e de conformidade com as Suas promessas para nós. Maria foi a portadora do Espírito Santo para Izabel! Deste modo, a Mãe de Jesus nos ensina que quando levamos Jesus para as pessoas, elas também ficam cheias do Espírito, por isso, se alegram com a nossa chegada. O Espírito Santo é quem realiza a obra do Senhor no nosso coração e é quem nos faz sair de nós mesmos e ir à busca dos que estão necessitados. Sem mesmo percebermos nós somos instrumentos de Deus na vida dos nossos irmãos para que se cumpram os Seus desígnios e os Seus planos se realizem. Maria soube distinguir isto e não perdeu tempo, pôs-se a caminho das montanhas esquecendo a glória de ser mãe de Deus se fez serva, auxiliadora, anunciadora e canal da graça do Espírito Santo. Assim, ela foi a primeira a levar a alegria de Jesus ao mundo! O Espírito Santo é quem nos ensina a louvar a Deus e a manifestar gratidão pelos Seus grandes feitos na nossa vida, por isso, também somos felizes. Assim como visitou Isabel, transmitindo a ela e a João Batista, o poder do Espírito, Maria hoje, também nos visita e traz para nós o Seu Menino Jesus, cheio do Espírito Santo que nos ensina a cantar, a louvar e a bendizer a Deus com os nossos lábios. – Reze com Maria, hoje: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador, porque olhou para a sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo!” Reflita – Você tem assumido a Palavra de Deus? – Você também se considera bem aventurado? Você se sente comprometido com Deus? – Você confia nas promessas de Deus? – Você tem usado o Espírito Santo para ir em busca daqueles que precisam ser amados e ajudados? Amém! Abraço carinhoso!

10 – O CÉU DE MARIA!

Nesse Domingo a Igreja celebra a festa da Assunção de Nossa Senhora. Maria foi assunta ao céu, elevada para junto de Deus em corpo e alma. Se Jesus nos abriu as portas do céu que estavam fechadas, Maria foi o primeiro ser vivente a entrar por ela. Na verdade, em Maria os Filhos degredados de Eva puderam sentir o “gostinho” da volta ao Paraíso e viver de novo na plenitude da comunhão com Deus, como era antes do pecado original. Na vida de Maria, desde o seu nascimento, até a sua “dormição” como preferem denominar o término da sua vida terrena os católicos ortodoxos, a gente vai aprendendo que o céu, dom de Deus, é também uma conquista do homem. A partir de Jesus nos tornamos todos combatentes “Pois é preciso que ele reine, até que todos os seus inimigos estejam debaixo dos seus pés. O último inimigo a ser derrotado é a morte” afirma o apóstolo Paulo na segunda leitura desse domingo em 1Cor 15, 20-27, mostrando-nos que a conquista do céu vai acontecendo na medida em que, em nossa caminhada vamos combatendo e destruindo as forças do mal, que querem nos levar à morte, para longe de Deus e do seu Paraíso, que é o nosso destino glorioso. É assim que a vitória de Cristo vai sendo confirmada, pois quando falamos que o céu é dom que Deus nos concede, estaríamos sendo ingênuos se imaginarmos que podemos conquistá-lo sem nenhum esforço. Mas o que mais nos surpreende nessa liturgia Mariana é a bela visão apocalíptica de João na primeira leitura, que vê no céu o sinal de uma mulher Guerreira, destemida e Vitoriosa, imagem que a Igreja atribuiu a Maria, pois para chegar vitoriosa no céu, Maria foi também vitoriosa na terra, aliás, a partir da obra que Deus realizou em Maria, o céu desceu a terra. “Uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés, e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. A visão do mal sempre é aterradora, mesmo em uma linguagem simbólica e figurativa como a de João “Um Dragão de sete cabeças e dez chifres, e sobre a cabeça sete coroas” Quem é que não se assusta diante de um bicho feio como este, com tanta força e poder?! Quem é que não se assusta com o mal hoje presente no mundo, marcado por tanta violência, medo, insegurança e o terror? Mas no espaço do céu, que é o lugar de Deus, esse mal tem o poder limitado. “Sua cauda varria apenas um terço das estrelas, atirando-as sobre a terra”, ou seja, a força do bem presente em Maria, consegue neutralizar as forças avassaladoras do mal. Mas quem é essa mulher ousada e vitoriosa, que chamamos de Mãe? No evangelho festivo da Festa da Assunção, na catequese de Lucas percebemos algo encantador, que faz a diferença na vida de Maria, e que faz a diferença nossa vida também: A Força do Espírito de Deus! Prestemos atenção nas expressões verbais colocadas por Lucas, e que indicam uma ação imediata: Maria partiu – dirigindo-se apressadamente – entrou na casa e cumprimentou Isabel. Maria, essa mulher Guerreira e Vitoriosa, deixa-se mover no dinamismo do Espírito de Deus. Sua vida pacata na pequena Nazaré passa por uma “sacudida”, a partir de então, ela se moverá a partir do Espírito de Deus presente nela e que irá impulsioná-la a sair de Nazaré e a sair de si mesma, abrindo-se cada vez mais para Deus e os irmãos e Maria diante da revelação do anjo descobre a sua vocação de servir “Eis aqui a serva do Senhor…” Tudo começou quando ela se fez pequena diante de Deus, é aí que o céu já começa a acontecer em sua vida. Quando os homens descobrem nessa vida a vocação para o amor, o céu já se faz presente. A entrada de Maria no céu, na Festa da Assunção, é apenas uma referência de sua glória, esta glória do Senhor que a envolveu totalmente, fazendo-a viver para Deus, sem deixar de viver para os irmãos. E quais são as consequências, na vida de Maria e em nossa vida, quando nos deixamos mover pelo Espírito Santo presente em nós? Isso é fácil de perceber nessa catequese de Lucas, olhando para a reação de Isabel – “Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria em meu ventre”. Quem é de Deus e a ele pertence e se entrega, transmite a paz verdadeira, o Shalon que traz alegria. Quando o evangelho narra que Maria saudou Isabel, não foi uma saudação costumeira de Bom Dia ou Boa Tarde, mas sim a saudação desejando a Paz. Maria é anunciadora da Paz e portadora da Salvação, pois ali, naquela região montanhosa em casa de Israel, o Espírito de Deus transbordante em Maria, preenche também a Isabel e lhe revela: Chegou o Salvador, Deus já está entre vós! João dá cambalhotas no ventre de sua mãe e com ele a humanidade inteira pode pular e cantar, dançar e extravasar sua alegria: Jesus já chegou! Chegou através dos pobres e pequenos como Maria e Isabel. Nossos sonhos e esperança de chegar a esse céu das plenitudes como Maria, já começa a se tornar feliz realidade quando descobrimos a nossa vocação para o amor e o serviço, tornando-nos também portadores dessa Paz e alegria, que vem do Espírito de Deus presente em nós. SALVE MARIA! (Festa da Assunção – LUCAS 1, 39-5)

11 – ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

É motivo de muita alegria, para nós católicos, celebrar a solenidade da Assunção de Nossa Senhora! Nesta festa, a Igreja nos convida a reverenciar Nossa Senhora, nos seus mais diversos títulos! Na Assunção, celebramos a subida de Nossa Senhora ao céu, ela não subiu por si mesma, foi levada ao céu, pelo poder de Deus, diferente da “ascensão do Senhor”, quando Jesus sobe ao céu, pelo seu próprio poder, reafirmando-nos, que somente Ele, por ser o próprio Deus, subiu ao céu por si mesmo. A assunção de Nossa Senhora, nos convida também, a refletir sobre o sentido da nossa vida terrena! Vida, que deve ser pautada no exemplo desta grande mulher, que abriu mão de todos os seus projetos pessoais, para viver o projeto de Deus. Maria é a mulher mãe, toda cheia de graça, nela, Deus fez maravilhas! Ao receber o anuncio do anjo, que seria a mãe de Jesus, Maria ficou sabendo da gravidez de Isabel, sua prima, que morava num lugarejo bem distante. Ao se colocar como serva  do Senhor, Maria se põe a serviço, impulsionada pelo amor ao próximo, dirige-se apressadamente, para a casa de Isabel, mulher já de idade avançada, que certamente necessitaria de maiores cuidados durante a gravidez. Com este gesto de amor e doação, Maria nos deixa um grande exemplo de solidariedade, nos ensinando que o amor, é mais do que sentimento, o amor é gesto concreto, é decisão de ir ao encontro do outro, de inteirar-se de suas necessidades. O evangelho de hoje, narra um dos mais belos encontros de amor: o encontro de duas mães: uma se alegra com a alegria da outra e juntas agradecem a Deus pelo dom da fecundidade! A narração nos mostra claramente, o poder infinito de Deus, para Deus, nada é impossível! Ao se colocar a caminho, subindo montanhas, levando Jesus em seu ventre, Maria torna-se a primeira discípula de Jesus! O relato nos fala, do encontro de duas crianças que estavam sendo gestadas no ventre de duas mulheres distintas! No ventre da jovenzinha Maria, crescia Jesus, aquele que viria a ser o Salvador do mundo, que daria a sua vida para nos resgatar! E no ventre, antes estéril, de Isabel, crescia o menino que pulou de alegria, ao sentir a presença de Jesus: João Batista, que seria o grande profeta, o precursor, aquele que iria preparar o caminho para a entrada de Jesus na historia da salvação. Com o Sim, de Maria, abriram-se as cortinas de uma nova Era! O sonho de Deus, que havia sido ameaçado pelo pecado, desde o início da criação, tornava-se possível! Iniciava-se a construção de um novo Reino, onde o amor, a justiça e a paz triunfariam. O amor misericordioso do Pai ultrapassou todos os limites; Deus se fez menino, se humanizou no ventre de uma mulher, para ficar mais perto de nós, para caminhar conosco, sentir as nossas dores e as nossas alegrias! Ao se entregar totalmente à serviço de Deus, Maria participou da historia da libertação da humanidade, enfrentando todos os desafios, desde a concepção de Jesus, até a sua morte de cruz! E mesmo com o coração transpassado de dor, Maria se manteve-se de pé, aos pés da cruz. O papel desempenhado por Maria na encarnação, na morte e na Ressurreição de Jesus, nos deixa um grande exemplo de mulher forte, que ama, que não se deixa abater diante do sofrimento, porque confia no poder grandioso de Deus! Maria é a voz que grita na defesa dos pobres, que buscam nela, confiança e força, para lutar e vencer os poderosos! Deus escolheu Maria, mulher simples, no meio dos pobres para reacender a chama do amor no coração da humanidade! Com Maria, aprendemos a dar passos ao encontro do outro e a buscar o seu filho Jesus! A Assunção de Nossa Senhora, vem nos assegurar que temos uma Mãe no céu, a interceder a Deus por nós! FIQUE NA PAZ DE JESUS!

12 – ASSUNÇÃO DE MARIA

Esta é a maior das festas da Santíssima Virgem Maria; é a sua Assunção; a festa da sua entrada na glória, da sua plenitude como criatura, como mulher, como mãe, como discípula de Cristo Jesus. Como um rio, que após longa corrida deságua no mar, hoje, a Virgem Toda Santa deságua na glória de Deus: transfigurada no Espírito Santo, derramado pelo Cristo, ela está na glória do Pai! Para compreendermos o profundo sentido do que celebramos, tomemos as palavras de são Paulo: “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada”. – Eis a nossa fé, o centro da nossa esperança: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que adormeceram. Ele é o primeiro a ressuscitar, ele é a causa e o modelo da nossa ressurreição. Os que nele nascem pelo batismo, os que nele creem e nele vivem, ressuscitarão com ele e como ele: logo após a morte ressuscitarão naquela dimensão imaterial que temos, núcleo da nossa personalidade, a que chamamos “alma”; e, no final dos tempos, quando todo o universo for glorificado, ressuscitaremos também no nosso corpo. Assim, em todo o nosso ser, corpo e alma, estaremos, um dia, revestidos da glória de Cristo, nosso Salvador, estaremos plenamente conformados a ele! Ora, a Igreja crê, desde os tempos antigos, que a Virgem Maria já entrou plenamente nessa glória. Aquilo que todos nós só teremos em plenitude no final dos tempos, a Santíssima Mãe de Deus, já recebeu logo após a sua morte. Ela é a “Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Ela já está totalmente revestida da glória do Cristo, Sol de justiça – e esta glória é o próprio Espírito Santo que o Cristo Senhor nos dá. Ela já pisa a lua, símbolo das mudanças e inconstâncias deste mundo que passa. Ela já está coroada com doze estrelas, porque é a Filha de Sião, filha perfeita do antigo Israel e Mãe do novo Israel, que é a Igreja. Assim, a Virgem, logo após a sua morte – doce como uma dormição -, foi elevado ao céu, à glória do seu Filho em todo o seu ser, corpo e alma. Aquela que esteve perfeitamente unida ao Filho na cruz (cf. Lc. 2,34s; Jo 19,25ss.), agora está perfeitamente unida a ele na glória. São Paulo não dissera, falando do Cristo morto e ressuscitado? “Fiel é esta palavra: Se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele sofremos, com ele reinaremos” (2Tm. 2,12). Eis! A Virgem que perfeitamente esteve unida ao seu Filho no caminho da cruz, perfeitamente foi unida a ele na glória da ressurreição. Aquela que sempre foi “plenamente agraciada” (Lc. 1,28), de modo a não ter a mancha do pecado, não permaneceu na morte, salário do pecado. Assim, o que nós esperamos em plenitude para o fim dos tempos, a Virgem já experimenta agora e plenitude. Como é grande a salvação que o Cristo nos obteve! Como é grande a sua força salvífica ao realizar coisas tão grandes na sua Mãe! Mas, a Festa de hoje não é somente da Virgem Maria. Primeiramente, ela glorifica o Cristo, Autor da nossa salvação, pois em Maria aparece a vitória sobre a morte, que Jesus nos conquistou. A liturgia hoje exclama: “Preservastes, ó Deus, da corrupção da morte aquela que gerou de modo inefável vosso próprio Filho feito homem, Autor de toda a vida”. Este senhorio de Cristo aparece hoje radiante na sua Mãe toda santa: em Maria, Cristo venceu a morte de Maria! Em segundo lugar, a festa de hoje é também festa da Igreja, de quem Maria é Mãe e figura. A liturgia canta: “Hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho”. Sim! A Mãe Igreja contempla a Mãe Maria e fica cheia de esperança, pois um dia, estará totalmente glorificada como ela, a Mãe de Jesus, já se encontra agora. Finalmente, a festa é de cada um de nós, pois já vemos em Nossa Senhora aquilo que, pela graça de Cristo, o Pai preparou para todos nós: que sejamos totalmente glorificados na glória luminosa do Espírito do Filho morto e ressuscitado. Aquilo que a Virgem já possui plenamente, nós possuiremos também: logo após a morte, na nossa alma; no fim dos tempos, também no nosso corpo! Estejamos atentos! A festa hodierna recorda o nosso destino, a nossa dignidade e a dignidade do nosso corpo. O mundo atual, por um lado exalta o corpo nas academias, no culto da forma física, da moda e da beleza exterior; por outro lado, entrega o corpo à sensualidade, à imoralidade, à droga, ao álcool… É comum escutarmos que o que importa é o “espírito”, que a matéria, o corpo passa… Os cristãos não aceitam isso! Nosso corpo é templo do Espírito Santo, nosso corpo ressuscitará, nosso corpo é dimensão indispensável do nosso eu. Um documento recente da Igreja sobre a relação homem-mulher, chamava-se atenção exatamente para essa questão: o corpo em si, para o mundo, parece que não significa muita coisa, que não tem uma linguagem própria, que não diz algo do que eu sou, da minha identidade – inclusive sexual. Para nós, cristãos, o corpo integra profundamente a personalidade de cada um: meu corpo será meu por toda eternidade; meu corpo é parte de minha identidade por todo o sempre! Honremos, então nosso corpo: “O corpo não é para a fornicação e, sim, para o Senhor e o Senhor é para o corpo. Ora, Deus, que ressuscitou o Senhor, ressuscitará também a nós – em nosso corpo- pelo seu poder. Glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo” (1Cor. 6,14.20). Então, caríssimos, olhemos para o céu, voltemos para lá o nosso coração! Celebremos! Com a Virgem Maria, hoje vencedora da morte, com a Igreja, que espera, um dia, triunfar totalmente como Maria Virgem, cantemos as palavras da Filha de Sião, da Mãe da Igreja, pensando na nossa vitória: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor!” A ele a glória pelos séculos dos séculos. Hoje celebramos a maior de todas as solenidades da Mãe de Deus: a sua Assunção gloriosa ao céu. A oração inicial da missa hodierna pediu: “Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”. A liturgia da Igreja, sempre tão sábia e tão sóbria, resumiu aqui o essencial desta solenidade santíssima. Com efeito, Deus elevou à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria! Ela, uma simples criatura, ela, tão pequena, tão humilde, foi eleva a Deus, ao céu, à plenitude em todo o seu ser, corpo e alma! Como isso é possível? Não é a morte o destino comum e final de tudo quanto vive? Isso dizem os pagãos, isso dizem os descrentes, os sábios segundo o mundo, que se conformam com a morte… Mas, nós, nós sabemos que não é assim! Nosso destino é a vida, nosso ponto final é a glória no coração de Deus: glória no corpo, glória na alma, glória em tudo que somos! Foi isso que Deus nos preparou – bendito seja ele para sempre! Mas, como isso é possível? A Palavra de Deus deste hoje no-lo afirma, de modo admirável. Escutai, irmãos, escutai, irmãs, consolai-vos todos vós: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícia dos que morreram. Em Cristo todos reviverão, cada qual segundo uma ordem determinada; em primeiro lugar Cristo, como primícia!” Eis por que, eis como ressuscitaremos: Cristo ressuscitou! Jesus de Nazaré, caríssimos, é o Senhor! O nosso Jesus é Deus bendito e foi ressuscitado pela glória do Pai! O nosso Senhor Jesus venceu e no faz participantes da sua vitória, dando-nos o seu Espírito Santo! Credes nisso, meus caros? Neste mundo que só crê no que vê, que só leva a sério o que toca, que só dá valor ao que cai no âmbito dos sentidos, credes que Cristo está vivo e é Senhor, primícia, princípio de todos os que morrem unidos a ele? Pois bem, escutai: o Cristo que ressuscitou, que venceu, concedeu plenamente a sua vitória à sua Mãe, à Santíssima Virgem Maria, que esteve sempre unida a ele. Ela, totalmente imaculada, nunca afastou-se do filho: nem na longa espera do parto, nem na pobreza de Belém, nem na fuga para o Egito, nem no período de exílio, nem na angústia de procura-lo no Templo, nem nos anos obscuros de Nazaré, nem nos tempos dolorosos da pregação do Reino, nem no desastre da cruz, nem na solidão do sepulcro no Sábado Santo… nem mesmo após, nos dias da Igreja, quando discretamente, ela permanecia em oração com os irmãos do Senhor… Sempre imaculada, sempre perfeitamente unida ao Senhor. Assim, após a sua preciosa morte, ela foi elevada à glória do céu, isto é, à glória de Cristo que ressuscitou e é primícia da nossa ressurreição! A presente solenidade é, então, primeiramente, exaltação da glória do Cristo: nele está a vida e a ressurreição; nele, a esperança de libertação definitiva! Por isso, todo aquele que crê em Jesus e é batizado no seu Espírito Santo no sacramento do batismo, morrerá com Cristo e com Cristo ressuscitará. Imediatamente após a morte, nossa alma será glorificada e estaremos para sempre com o Senhor. Quanto ao nosso corpo, será destruído e, no final dos tempos, quando Cristo nossa vida aparecer, será também ressuscitado em glória e unido à nossa alma. Será assim com todos nós. Mas, não foi assim com a Virgem Maria! Aquela que não teve pecado também não foi tocada pela corrupção da morte! Imediatamente após a sua passagem para Deus, ela foi ressuscitada, glorificada em corpo e alma, foi elevada ao céu! Podemos, portanto, exclamar como Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres! Bendito é o fruto do teu ventre! Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu!” Esta é, portanto, a festa de plenitude de Nossa Senhora, a sua chegada a glória, no seu destino pleno de criatura. Nela aparece claro a obra da salvação que Cristo realizou! Ela é aquela Mulher vestida do sol, que é Cristo, pisando a instabilidade deste mundo, representada pela lua inconstante, toda coroada de doze estrelas, número da Israel e da Igreja! A leitura do Apocalipse mostra-nos tudo isso; mas, termina afirmando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus e o poder do seu Cristo!” Eis: a plenitude da Virgem é realização da obra de Cristo, da vitória de Cristo nela! Quanto nos diz esta solenidade! A oração inicial, citada no início desta homilia, pedia a Deus: “Dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”. Eis aqui qual deve ser o nosso modo de viver: atentos às coisas do alto, onde está Cristo, onde contemplamos a Virgem totalmente glorificada em Cristo. Caminhar neste mundo sem no prendermos a ele. Aqui somos estrangeiros, aqui estamos de passagem, aqui somos peregrinos; lá é que permaneceremos para sempre: nossa pátria é o céu, onde está Cristo, nossa vida! O grande mal do mundo atual é entreter-se com seu consumismo, com sua tecnologia, com seu bem-estar, com seu divertimento excessivo e esquecer de viver atento às coisas do alto. Mas, pior ainda, os cristãos também muitas vezes são infectados por essa doença! Nós, que deveríamos ser as testemunhas do mundo que há de vir, quantas vezes vivemos imersos, metidos somente nas ocupações deste mundo – muitos até com o pretexto de que estão trabalhando pelos irmãos e por uma sociedade melhor. Nada disso! Os pés devem estar na terra, mas o coração deve estar sempre voltado para o alto! Não esqueçamos: nosso destino é o céu, participando da glória de Cristo, da qual a Virgem Maria já participa plenamente! Aí, sim, poderemos cantar com ela e como ela: “A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador: o poderoso fez em mim maravilhas!” Seja ele bendito agora e para sempre.

13 – UM GRANDE SINAL PARA A IGREJA E PARA A HUMANIDADE

A festa da Assunção de Maria é a festa da assunção da Igreja. Maria colabora no mistério da redenção, associando-se a seu Filho (LG 56). Sua assunção é figura do que acontecerá com todos os seguidores de Jesus no fim dos tempos. Porque Maria não é apenas a imagem (o reflexo), mas também a imagem típica (o protótipo) da Igreja. A Igreja deve ser aquilo que Maria é. E, enquanto peregrina neste mundo, a Igreja tem Maria como um sinal “até que chegue o Dia do Senhor” (LG 68). O que celebramos na festa de hoje é a vitória de Cristo sobre todos os poderes que tentam impedir o reino de Deus. Celebramos, tendo Maria como sinal, a vitória da Igreja inteira sobre a morte e o pecado. Evangelho: Lc. 1,39-56. Feliz aquela que acreditou, pois a palavra do Senhor se cumprirá. Esse trecho do evangelho está vinculado ao texto da anunciação, como seu desenvolvimento. Ao ouvir a mensagem do anjo Gabriel em relação à encarnação do Filho de Deus, tendo como sinal a gravidez de Isabel, Maria se dirige prontamente para a região montanhosa. A conexão entre esses trechos nos aponta duas verdades sobre Maria: sua fé e seu compromisso com o reino. Com a fé que ela demonstra na palavra de Deus, temos em Maria a verdadeira discípula, que ouve a Palavra e a põe em prática. A fé na palavra de Deus gera compromisso, que leva o discípulo a realizar na vida o que ouviu. É o que Maria nos mostra com seu exemplo. Maria é exemplo de discípula para quem acredita no cumprimento das promessas divinas, porque ela mesma está à disposição de Deus para servi-lo como instrumento dócil. Foi isso o que aconteceu quando disse: “Eis a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (1,38). E, imediatamente, saiu para visitar sua prima. Ao chegar, é saudada por Isabel, e algo de revelador acontece. O teor da saudação diz respeito a duas realidades. A primeira refere-se à atitude crente de Maria. Ela é bendita porque acreditou. Aqui é exaltada a sua fé. Foi sua total adesão à palavra de Deus que operou um milagre em sua vida e na vida da humanidade: a encarnação do Filho. Daqui passamos para a outra realidade da saudação: “e bendito é o fruto do teu ventre!” Maria, que carrega no útero o Filho de Deus, é identificada com a arca da aliança. No Antigo Testamento, a arca da aliança era símbolo do encontro entre Deus e a humanidade. No útero de Maria dá-se o encontro entre Deus e a humanidade, pois Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Maria representa a Igreja, que se compromete com o reino pela fé na palavra de Deus e pela exigência de gerar o Cristo para o mundo por meio do anúncio, do testemunho e do serviço. 1ª leitura (Ap. 11,19a; 12,1.3-6a.10ab): No deserto, Deus preparou um lugar para a Mulher A principal personagem que aparece no grande sinal do céu não tem sua identidade imediatamente revelada pelo livro do Apocalipse, é chamada apenas de “mulher”. Somente no desenrolar da narrativa é que sua identidade fica clara. A mulher é adornada pelos astros que a envolvem, o que significa que ela é a coroação de todas as obras da criação. Essa representação alude ao sonho de José, filho de Jacó (Gn. 37,9), interpretado pelos sábios judeus como referência à vinda do reino onde tudo na natureza e na história estaria submetido ao poder de Deus. Em oposição à mulher está a figura tenebrosa do dragão, descrito com características horripilantes, adornado pelos principais símbolos do poder humano: chifres e diademas. O significado dessa figura nos é dado pelo texto de Dn 7,24; trata-se dos governantes dos impérios, são os poderes do mundo. O dragão intenta fazer mal à mulher, mas ela é levada para o deserto, lugar que Deus lhe tinha preparado, e ali é cuidada. Então a mulher representa o novo povo de Deus. A Igreja, comunidade dos seguidores de Cristo, enquanto aguarda a segunda vinda do Senhor, suporta as dificuldades do deserto, situação na qual o novo povo de Deus esperou para entrar na terra prometida. Enquanto essa cena se desenrola na terra, especificamente no deserto, uma voz proclama que há uma nova realidade no céu: ali o reino de Deus já acontece plenamente (v. 10). Cristo, o ser humano plenificado e vitorioso, é a garantia de nosso acesso ao céu. Isso significa que a mulher que ainda permanece no deserto pode ter certeza da vitória em sua luta contra o dragão. 2 leitura (1Cor. 15,20-27a). Cristo ressuscitou como primícias dos que morreram. A Lei, em Dt 26,2, exigia que os primeiros frutos (as primícias) fossem oferecidos ao Senhor para expressar a gratidão do agricultor e o reconhecimento de que Deus era o responsável pela colheita. Quando o israelita oferecia os primeiros frutos a Deus, estava agradecendo pela colheita inteira. Os primeiros frutos saídos da terra eram parte da colheita, e tão certo quanto as primícias são a prova de que há uma colheita, a ressurreição de Cristo é a garantia de nossa ressurreição nele. Cristo, primícias dentre os mortos, ascendeu ao céu e ofertou a si mesmo a Deus como o representante de seus seguidores, ou seja, da Igreja, que ascenderá depois dele. Não é somente o primeiro na ordem do tempo que ressuscitou dos mortos (primeiro a sair de dentro da terra), mas é o principal no que se refere a dignidade e importância, estando conectado com todos os demais que vão ressuscitar. Cristo é o ser humano ressuscitado, e nossa ressurreição é a partir dele. Portanto, nossas esperanças não são vãs, nossa fé não é inútil e nós não seremos desapontados. Pistas para reflexão: – Em 1974, o papa Paulo VI escreveu um documento sobre a devoção a Maria (Marialis Cultus) que continua a ser a norma para a devoção mariana entre os católicos. Depois de normatizar a devoção mariana em função de Cristo, o papa destaca em dois números (Mc. 26 e 27) a mesma devoção em relação ao Espírito Santo. Isso significa primeiramente que não pode haver culto a Maria em si mesma. – O texto retirado do livro do Apocalipse é claramente cristológico, como se pode ver nos seguintes trechos: “Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. E o seu filho foi elevado para Deus até o seu trono” (v. 5). “Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo” (v. 10). – Portanto, a homilia não deve contribuir para um devocionismo exagerado (não fundamentado nem na Escritura nem na tradição genuína) a respeito da mãe do Senhor e nossa mãe, modelo daquilo que devemos ser e que seremos na plenitude dos tempos.

14 – A MÃE GLORIOSA E A GRANDEZA DOS HUMILDES

Em 1950, o papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção de Nossa Senhora ao céu. Um dogma é um marco referencial de nossa fé, por trás do qual ela não pode retroceder e sem o qual ela não é completa. Proclamamos que Maria, no fim de sua vida, foi acolhida por Deus no céu “com corpo e alma”, ou seja, coroada, plena e definitivamente, com a glória que Deus preparou para os seus santos. Assim como ela foi a primeira a servir Cristo na fé, é a primeira a participar na plenitude de sua glória, a “perfeitissimamente redimida”. Maria foi acolhida, completamente, de corpo e alma, no céu, porque ela acolheu o céu nela – inseparavelmente. A presente festa é uma grande felicitação de Maria por parte dos fiéis, que nela veem, a um só tempo, a glória da Igreja e a prefiguração da própria glorificação. A festa tem uma dimensão de solidariedade dos fiéis com aquela que é a primeira a crer em Cristo e, por isso, também, é a mãe de todos os fiéis. Daí a facilidade com que se aplica a Maria o texto do Apocalipse, na primeira leitura, originariamente uma descrição do povo de Deus, que deu à luz o Salvador e depois se refugiou no deserto. Na segunda leitura, a assunção de Maria ao céu é considerada como antecipação da ressurreição dos fiéis, que serão ressuscitados em Cristo. Observe-se, portanto, que a glória de Maria não a separa de nós, mas a torna unida a nós mais intimamente. Merece consideração, sobretudo, o texto do evangelho, o Magnificat, que hoje ganha nova atualidade, por traduzir a pedagogia divina: Deus recorre aos humildes para realizar suas grandes obras. Esse pensamento pode ser o fio condutor da celebração. Na homilia, convém que se repita e se faça entrar no ouvido e no coração esse pensamento ou uma frase do Magnificat que o exprima. 1º leitura (Ap. 11,19a; 12,1.3-6a.10ab). O sinal da Mulher, no Apocalipse, aplica-se em primeiro lugar ao povo de Deus do qual nasce o Messias: à Igreja do Novo Testamento, nascida dos que seguem o Messias. Aparece no céu a Mulher que gera o Messias; as doze estrelas indicam quem ela é: o povo das doze tribos, Israel – não só o Israel antigo, do qual nasce Jesus, mas também o novo Israel, a Igreja, que, no século I d.C., quando o livro foi escrito, precisava esconder-se da perseguição, até que, no fim glorioso, o Cristo se possa revelar em plenitude. Ao ouvir esse texto, a liturgia pensa em Maria. Maria assunta ao céu sintetiza em si, por assim dizer, todas as qualidades desse povo prenhe de Deus, aguardando a revelação de sua glória. Salmo responsorial (Sl. 45/44,10bc.11-12ab.16). O salmo responsorial é belo canto nupcial em honra da esposa régia. Em Maria se reconhece o povo-esposa, Sião, que se apresenta em toda a sua beleza para as núpcias messiânicas: Deus que será dele como ele é de Deus. 2º leitura (1Cor. 15,20-27a). No quadro da glória celestial, a segunda leitura evoca a visão da vitória de Cristo sobre a morte (presente também na liturgia da festa de Cristo Rei no ano A). O sinal da vitória definitiva de Cristo é a ressurreição, seu triunfo sobre a morte. Essa vitória se realizou na sua própria morte e se realizará também na morte dos que o seguem. Maria já está associada a Jesus nessa vitória definitiva; nela, a humanidade redimida reconhece sua meta. Evangelho (Lc. 1,39-56). O evangelho de hoje é o Magnificat. O quadro narrativo é significativo: Maria vai ajudar sua parenta Isabel, grávida, no sexto mês. Ao dar as boas-vindas à prima, Isabel interpreta a admiração dos fiéis diante daquilo que Deus operou em Maria. Esta responde, revelando sua percepção do mistério do agir divino: um agir de pura graça, que não se baseia em poder humano; pelo contrário, envergonha esse poder, ao elevar e engrandecer o pequeno e humilhado, porém dedicado ao serviço de sua vontade amorosa. O amor de Deus se realiza por meio não da força, mas da humilde dedicação e doação. E nisso manifesta sua grandeza e glória. O Magnificat, hoje, ganha nova atualidade, por traduzir a pedagogia divina: Deus recorre aos humildes para realizar suas grandes obras. Ele escolhe o lado de quem, aos olhos do mundo, é insignificante. Podemos ler no Magnificat a expressão da consciência de pessoas “humildes” no sentido bíblico: rebaixadas, humilhadas, oprimidas. A “humildade” não é vista como virtude aplaudida, mas como baixo estado social mesmo, como a “humilhação” de Maria, que nem tinha o status de casada, e de toda a comunidade de humildes, o “pequeno rebanho” tão característico do Evangelho de Lucas (cf. 12,32, texto peculiar de Lc.). Na maravilha acontecida a Maria, a comunidade dos humildes vê claramente que Deus não obra por meio dos poderosos. É a antecipação da realidade escatológica, na qual será grande quem confiou em Deus e se tornou seu servo (sua serva), não quem quis ser grande pelas próprias forças, pisando os outros. Assim, realiza-se tudo o que Deus deixou entrever desde o tempo dos patriarcas (as promessas). A glorificação de Maria no céu é a realização dessa perspectiva final e definitiva. Em Maria são coroadas a fé e a disponibilidade de quem se torna servo da justiça e da bondade de Deus; impotente aos olhos do mundo, mas grande na obra que Deus realiza. É a Igreja dos pobres de Deus que hoje é coroada. A celebração litúrgica deverá, portanto, suscitar nos fiéis dois sentimentos dificilmente conjugáveis: o triunfo e a humildade. O único meio para unir esses dois momentos é pôr tudo nas mãos de Deus, ou seja, esvaziar-se de toda glória pessoal, na fé em que Deus já começou a realizar a plenitude das promessas. Em Maria vislumbramos a combinação ideal da glória e da humildade: ela deixou Deus ser grande na sua vida. PISTAS PARA REFLEXÃO: A mãe gloriosa e a grandeza dos pobres. O Magnificat de Maria é o resumo da obra de Deus com ela e em torno dela. Humilde serva – faltava-lhe o status de mulher casada –, foi “exaltada” por Deus para ser mãe do Salvador e participar de sua glória, pois o amor verdadeiro une para sempre. Sua grandeza não vem do valor que a sociedade lhe confere, mas da maravilha que Deus nela opera. Aconteceu um diálogo de amor entre Deus e a moça de Nazaré: ao convite de Deus responde o “sim” de Maria, e à doação dela na maternidade e no seguimento de Jesus responde o grande “sim” de Deus, com a glorificação de sua serva. Em Maria, Deus tem espaço para operar maravilhas. Em compensação, os que estão cheios de si mesmos não o deixam agir e, por isso, são despedidos de mãos vazias, pelo menos no que diz respeito às coisas de Deus. O filho de Maria coloca na sombra os poderosos deste mundo, pois, enquanto estes oprimem, ele salva de verdade. Essa maravilha só é possível porque Maria não está cheia de si mesma, como os que confiam no seu dinheiro e status, mas “cheia de graça”. Ela é serva, está a serviço – também de sua prima, grávida como ela – e, por isso, sabe colaborar com as maravilhas de Deus. Sabe doar-se, entregar-se àquilo que é maior que sua própria pessoa. A grandeza do pobre é que ele se dispõe para ser servo de Deus, superando todas as servidões humanas. Ora, para que seu serviço seja grandeza, o fiel tem de saber decidir a quem serve: a Deus ou aos que se arrogam injustamente o poder sobre seus semelhantes. Consciente de sua opção, quem é pobre segundo o espírito de Deus realizará coisas que os ricos e os poderosos, presos na sua autossuficiência, não realizam: a radical doação aos outros, a simplicidade, a generosidade sem cálculo, a solidariedade, a criação de um homem novo para um mundo novo, um mundo de Deus. A vida de Maria, a “serva”, assemelha-se à do “servo”, Jesus, “exaltado” por Deus por causa de sua fidelidade até a morte (cf. Fl. 2,6-11). De fato, o amor torna as pessoas semelhantes entre si. Também na glória. Em Maria realiza-se, desde o fim de sua vida na terra, o que Paulo descreve na segunda leitura: a entrada dos que pertencem a Cristo na vida gloriosa concedida pelo Pai, uma vez que o Filho venceu a morte. Congratulando Maria, congratulamo-nos a nós mesmos, a Igreja. Pois, mãe de Cristo e mãe da fé, Maria é também mãe da Igreja. Na “mulher vestida de sol” (primeira leitura) confundem-se os traços de Maria e os da Igreja. Sua glorificação são as primícias da glória de seus filhos na fé. No momento histórico em que vivemos, a contemplação da “serva gloriosa” pode trazer uma luz preciosa. Quem seria a “humilde serva” no século XXI, século da publicidade e do sensacionalismo? Sua história é: serviço humilde e glória escondida em Deus. Não se assemelha a isso a Igreja dos pobres? A exaltação de Maria é sinal de esperança para os pobres. Sua história também joga luz sobre o papel da mulher, especialmente da mulher pobre, “duplamente oprimida”. Maria é “a mãe da libertação”.

15 – A ASSUNÇÃO DE MARIA E NOSSA ESPERANÇA NA RESSURREIÇÃO

Neste terceiro domingo do mês de agosto, em que celebramos a Assunção de Nossa Senhora ao céu, celebramos também a vocação à vida religiosa. Pessoas chamadas por Deus para formar uma comunidade de fé, seguindo os princípios do evangelho e o carisma de um(a) fundador(a). As leituras de hoje iluminam o papel de Maria na história da salvação e o dogma de fé na assunção de Maria. Qual o significado da assunção para os cristãos católicos? Por que a Igreja transformou em dogma de fé a tradição popular e apócrifa sobre a assunção de Maria? É nos evangelhos apócrifos que encontramos a tradição sobre a assunção de Maria. Três anos antes de morrer, ela recebeu de Jesus o anúncio de sua morte, no monte das Oliveiras. Em sua casa, em Jerusalém, ela dormiu – daí, a tradição da Dormição de Maria. Jesus veio ao seu encontro nesse momento. Ele pede aos apóstolos que preparem o corpo e o levem até um lugar indicado por ele, no vale de Josafá. Quando ali chegam, eles depositam o corpo de Maria e se sentam à porta do sepulcro. Jesus aparece rodeado de anjos, saúda-os com o desejo de paz, reafirma a escolha de Maria para que dela ele pudesse nascer e pede aos anjos que levem a sua alma para o céu. Jesus ressuscita o seu corpo. Quando o corpo chega ao céu, Jesus coloca a alma novamente no corpo glorioso e a coroa como rainha do céu (cf. a tradição apócrifa sobre Maria, agrupada com base em 15 evangelhos apócrifos, em nosso livro História de Maria, mãe e apóstola de seu Filho, nos evangelhos apócrifos – 2006b). A Dormição de Maria nasce da fé em que Maria não morreu, mas dormiu. E, por ter sido levada ao céu, assunta, nasceu a terminologia Assunção, usada a partir do século VIII. Essa festa começou a ser celebrada liturgicamente na Igreja do Oriente, no século VI, isto é, entre os anos 600 e 700, propriamente no dia 15 de agosto, a mando do imperador Maurício. A Roma, a festa chegou no século VII. O dogma da Assunção de Maria, diferentemente da maioria dos dogmas da Igreja Católica, foi proclamado recentemente, em 1950, pelo papa Pio XII, com a bula Munificentíssimo Deus. O texto diz o seguinte: “Definimos ser dogma divinamente revelado: que a imaculada mãe de Deus, sempre virgem Maria, cumprindo o curso de sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Mesmo que não esteja dito expressamente no dogma, a Assunção de Maria é o mais apócrifo dos dogmas. Para a fé, acreditar que Maria foi assunta ao céu de corpo e alma significa crer, como afirma Afonso Murad, que “Maria não precisou esperar o fim dos tempos para receber um corpo glorificado. Depois de sua vida terrena, ela já está junto de Deus com o corpo transformado, cheio de graça e de luz. Deus antecipou nela o que vai dar a todas as pessoas de bem, no final dos tempos” (cf. citado por Faria, 2006b, p.181). 1ª leitura (Ap. 11,19a; 12,1.3-6a.10ab). A mulher vestida com o sol. Escrito por volta do ano 95 da nossa era, o livro do Apocalipse não tem nada a ver como “fim dos tempos”, visto de modo trágico e terrível, mas, sim, com a “esperança” dita de forma figurada, velada. A perseguição romana era grande. Imagine que à época desse texto, Nero, o imperador romano, mandava queimar cristãos para iluminar as noites romanas. Os cristãos não tinham outro caminho que não fosse dizer e celebrar de forma velada e figurada a esperança que os animava na caminhada. A mulher que aparece vestida com o sol (Deus) representa a nova Eva, a Igreja e também Maria, que deu à luz Jesus, o novo Moisés e libertador do novo povo de cristãos, simbolizado pela coroa de 12 estrelas sobre a sua cabeça. O dragão é a “antiga serpente” que cresceu até tornar-se um imenso dragão, isto é, o império romano que oprimia os seguidores de Jesus. O dragão é também a famosa besta do Apocalipse (Ap. 13), cunhada com o número 666, que provém da soma das letras hebraicas de César e Nero, simbolizando, portanto, tais imperadores; a força do mal. O dragão quis devorar o filho da mulher, o que simboliza a opressão vivida pelos cristãos. A mulher foge para o deserto, lugar de refúgio e da presença de Deus. Uma mulher, Maria, na memória e na resistência dos cristãos, é sinal de libertação. O fraco se tornava forte. Era nisso que as comunidades precisavam acreditar. Jesus e Maria estavam presentes na vida deles, encorajando-os a vencer as forças do mal, o dragão. Evangelho (Lc. 1,39-56). Maria: símbolo da ação libertadora de Deus. Celebrando, hoje, a Assunção de Maria, nada melhor que recordar o famoso canto do Magnificat, atribuído a Maria, e entoado no momento em que ela se encontra com a prima Isabel, nas montanhas de Ein Karen, nome que significa “fonte da vinha”, e que hoje é um bairro judeu de Jerusalém. Já não existem cristãos nessa região que um dia foi berço do cristianismo. Encravado nas montanhas, esse lugarejo preserva a memória de João Batista, o precursor do Messias. Perto da casa de João Batista, no alto de uma montanha, está a memória do encontro de Isabel com Maria, que viera de Nazaré para visitar a prima. Os evangelhos narram que Isabel aclamou Maria como bem-aventurada por ser ela a escolhida para ser a mãe do Messias. Nesse contexto, Maria entoa o cântico do Magnificat, obra literária de rara beleza teológica (Faria, 2010c, p. 74-75). Duas mulheres se encontram. Uma (Isabel) louva a grandeza da outra (Maria) – que se vê pequena diante do grande mistério que toma conta de sua vida. O cântico pode ser dividido em duas partes: a) Maria, que se vê como a serva bem-aventurada; b) dois grupos, os orgulhosos e ricos e os que temem a Deus. Os fatos se desenrolam em duas ações: a) como o povo de Deus, Maria é sua serva; b) Deus, o poderoso, derruba os poderosos e ricos de seus tronos. Maria torna-se o símbolo da ação libertadora de Deus no Egito. Séculos mais tarde, depois da morte e ressurreição de Jesus, a comunidade reivindicou da Igreja o reconhecimento do papel de Maria como Nossa Senhora e Rainha poderosa. Dessa intuição nasceram literaturas apócrifas, segundo as quais, à sua chegada ao céu, foi coroada rainha por Jesus. A tradição popular perpetuou essa devoção com as celebrações marianas no mês de maio. 2ª leitura (1Cor. 15,20-27a). Deus venceu a morte. Paulo, escrevendo aos coríntios, faz uma bela teologia da vitória da vida sobre a morte. Membros da comunidade de Corinto não acreditavam na ressurreição dos mortos (15,12). Ainda hoje muitos se perguntam: como o nosso corpo há de ressuscitar? Isso é possível? Paulo fala de um corpo espiritual, tal como o Cristo ressuscitado. Mais do que aprofundar, neste momento homilético, o grande significado da ressurreição para o cristão, vale ligar a leitura à festa da assunção de Maria. Como dissemos anteriormente, o grande mérito da tradição popular em relação à Assunção de Maria, transformada em dogma pela Igreja, foi demonstrar pela fé que Maria foi a primeira dos mortais que encontrou a ressurreição do corpo, levado para o céu pelo seu próprio Filho e nosso salvador, Jesus Cristo. Pistas para reflexão: 1. Iluminar a vocação à vida religiosa com o exemplo de Maria, a mulher que proclamou a libertação dos oprimidos. 2. Demonstrar à comunidade que Maria – por ter vivido a experiência amorosa de ser a mãe de Jesus, Deus que se fez carne no meio de nós – foi agraciada por Jesus como a primeira pessoa, depois dele, a receber a glória da ressurreição. Nisso tudo está o amor maternal e filial de Deus Pai e Mãe de todos nós. Em Maria e com Maria, vivemos a esperança de também nós chegarmos lá. Ela foi, mas não partiu, pois continua próxima de nós. Ela é a nossa origem, é nossa mãe na fé, para a qual queremos voltar sempre. Ela é desejo! Ela é mãe! Caminhar com ela, na fé, é acreditar que também seremos assuntos ao céu. Antes, porém, devemos transformar nossa realidade de sofrimento, angústia, dores, exploração social etc. em situações de vida, de glória. A assunção já começa aqui. Maria vive. Ela não morreu.

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Cantemos as maravilhas que Deus realizou em Maria. Elevada ao céu, é nossa intercessora junto do Pai. Ela atingiu a plenitude da salvação e nos espera para vivermos em sua companhia. Celebramos em comunhão com os religiosos e religiosas, que, a exemplo de Maria, dizem sim ao projeto de Jesus.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

Mulher revestida de honras e glórias. Maria reconhece, agradecida, as maravilhas que Deus nela realizou em favor do povo. Ela é o grande sinal da nova humanidade redimida pelo seu Filho.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Maria é elevada ao céu, alegram-se os coros dos anjos.

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Grande sinal apareceu no céu: uma mulher que tem o sol por manto, a lua sob os pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça (Ap 12,1).

Antífona da comunhão

Todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso fez em mim grandes coisas (Lc 1,48s).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu, em corpo e alma, a imaculada virgem Maria, mãe do vosso filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

Com o auxílio de Nossa Senhora da Assunção, dirijamos a Deus nossas preces comunitárias, Digamos:

— Por intermédio de Maria, ouvi-nos, Senhor.

— Renovai, Senhor, vossa Igreja, para que saiba gerar sempre novos filhos e filhas do reino. Nós vos pedimos.
— Abençoai e protegei as mulheres grávidas, para que acolham a nova vida com alegria. Nós vos pedimos.
— Concedei força e coragem a todas as mulheres comprometidas com a comunidade e com vosso reino. Nós vos pedimos.
— Dai pão a quem tem fome e aliviai a dor dos que sofrem humilhações. Nós vos pedimos.
— Amparai a todos os religiosos e religiosas que, a exemplo de Maria, procuram ser fiéis ao seu sim. Nós vos pedimos.

Oração sobre as oferendas

Suba até vós, ó Deus, o nosso sacrifício, e, pela intercessão da virgem Maria, elevada ao céu, acendei em nossos corações o desejo de chegar até vós. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, que nos alimentastes com o sacramento da salvação, concedei-nos, pela intercessão da virgem Maria elevada ao céu, chegar à glória da ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.

Fontes de Consultas e Pesquisas

Vamos expor a seguir, os nomes dos sites e blogs a que pertencem os textos que nos preenchem todos os dias com palavras inspiradas pelo Espírito Santo, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

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FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO — “BÍBLIA SAGRADA”.

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O importante não é a pessoa que escreve, mas quem inspira essa pessoa a escrever.
O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.
O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que ele nos pede.
Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é saber compartilhar o conhecimento.

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Encontro de amigos com CristoLiturgia Diária A Palavra de Deus na vidaDomTotal.com — Paulinas — Homilia Diária Evangelho Quotidiano Evangeli.net — Liturgia Diária Comentada RCC São Rafael NPD Brasil

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