LDP: 26/AGO/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

26/AGO/2012 (domingo)

LEITURAS

Leitura do livro de Josué 24,1-2.15-18 (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Históricos)

Naqueles dias, 1 Josué reuniu em Siquém todas as tribos de Israel e convocou os anciãos, os chefes, os juízes e os magistrados, que se apresentaram diante de Deus. 2a Então Josué falou a todo o povo: 15 “Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses, a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor”. 16 E o povo respondeu, dizendo: “Longe de nós abandonarmos o Senhor para servir a deuses estranhos. 17 Porque o Senhor, nosso Deus, ele mesmo é quem nos tirou, a nós e a nossos pais, da terra do Egito, da casa da escravidão. Foi ele quem realizou esses grandes prodígios diante de nossos olhos, e nos guardou por todos os caminhos, por onde peregrinamos, e no meio de todos os povos pelos quais passamos. 18b Portanto, nós também serviremos ao Senhor, porque ele é o nosso Deus”.

Proclamação do Salmo 33(34),2-3.16-17.18-19.20-21.22-23 (R.9a) (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

— 9a Provai e vede quão suave é o Senhor!
— 2 Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. 3 Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!
— 16 O Senhor pousa seus olhos sobre os justos, e seu ouvido está atento ao seu chamado; 17 mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança.
— 18 Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. 19 Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido.
— 20 Muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta. 21 Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege, e nenhum deles haverá de se quebrar.
— 22 A malícia do iníquo leva à morte, e quem odeia o justo é castigado. 23 Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, e castigado não será quem nele espera.

Leitura da carta de são Paulo aos Efésios 5,21-32 (Livro do novo ou 2º testamento / Livros Didáticos)

Irmãos: 21 Vós, que temeis a Cristo, sede solícitos uns para com os outros. 22 As mulheres sejam submissas aos seus maridos como ao Senhor. 23 Pois o marido é a cabeça da mulher, do mesmo modo que Cristo é a cabeça da Igreja, ele, o Salvador do seu Corpo. 24 Mas, como a Igreja é solícita por Cristo, sejam as mulheres solícitas em tudo pelos seus maridos. 25 Maridos, amai as vossas mulheres, como o Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. 26 Ele quis assim torná-la santa, purificando-a com o banho da água unida à Palavra. 27 Ele quis apresentá-la a si mesmo esplêndida, sem mancha nem ruga, nem defeito algum, mas santa e irrepreensível. 28 Assim é que o marido deve amar a sua mulher, como ao seu próprio corpo. Aquele que ama a sua mulher ama-se a si mesmo. 29 Ninguém jamais odiou a sua própria carne. Ao contrário, alimenta-a e cerca-a de cuidados, como o Cristo faz com a sua Igreja; 30 e nós somos membros do seu corpo! 31 Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. 32 Este mistério é grande, e eu o interpreto em relação a Cristo e à Igreja.

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo João 6,60-69 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

Naquele tempo, 60 muitos dos discípulos de Jesus, que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” 61 Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza? 62 E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? 63 O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. 64 Mas entre vós há alguns que não creem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo. 65 E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. 66 A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. 67 Então, Jesus disse aos doze: “Vós também vos quereis ir embora?” 68 Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69 Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.

… Eu sou o CAMINHO …

O que o texto diz para mim, hoje? Assumo a postura de discípulo/a missionário/a? Qual é a minha missão? Ou, prefiro, afastar-me? Os bispos, em Aparecida, afirmaram: “Os fiéis leigos são “os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo” São “homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja”. (DAp 209).

… a VERDADE …

O que diz o texto do dia? Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Jo 6,60-69, e observo pessoas, palavras, relações, lugares. Jesus desafia seus ouvintes. Sua preocupação está na capacidade que as pessoas têm de ouvir sua mensagem, compreendê-la e se comprometer com ela. E com razão. Muitos o abandonam. Pedro, porém, pelo grupo dos discípulos, dá uma resposta cheia de comprometimento: “Quem é que nós vamos seguir? O senhor tem as palavras que dão vida eterna! E nós cremos e sabemos que o senhor é o Santo que Deus enviou”.

… e a VIDA …

Senhor Jesus, estou disposto a seguir-te sempre, pois só tu tens palavras de vida eterna.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Meu olhar, hoje, é iluminado pela fé na Palavra de vida eterna do Mestre Jesus Cristo que me impulsiona para a missão de servir. Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós.

REFLEXÕES:

1 – O ESPÍRITO É QUE DÁ A VIDA

No dia seguinte à partilha dos pães com a multidão na montanha, dirigindo-se àqueles que vinham a ele, Jesus propõe, a partir da imagem do maná do deserto, que trabalhem, “não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna” (Jo 6,27). É a rejeição do empenho em acumular bens e riquezas neste mundo, mas trabalhar nas obras do Pai, que são a promoção da vida. A seguir, Jesus se proclama como o pão descido do céu, dado como alimento para a vida do mundo, completando com a declaração: “Quem come deste pão viverá eternamente”. Tal proclamação, que revela a origem divina de Jesus, provoca incompreensão e murmurações entre os judeus (Jo 6,41.52). Agora, são os próprios discípulos que, também, murmuram por causa destas palavras. Estes são os que esperam de Jesus sinais de poder e são insensíveis aos seus sinais de amor e compaixão. Nos quatro evangelhos é frequente a referência à incompreensão dos discípulos em relação à missão de Jesus. João, no seu evangelho, narra, então, o diálogo de Jesus com os discípulos e com Pedro, concluindo o longo discurso que tem como tema o pão da vida eterna. Jesus lhes afirma: “O Espírito é que dá a vida. A carne para nada serve. As palavras que vos falei são espírito e vida”. No prólogo do evangelho de João, temos o anúncio de que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). A encarnação é grandiosa na revelação da carne unida perfeitamente ao Espírito de Deus, em Jesus. E é o Espírito que dá a vida que vem do Pai e leva ao Pai. A comunhão com a vida neste mundo é a comunhão com o Espírito, na vida eterna de Deus. As palavras de Jesus “são Espírito e são vida”. Ir a Jesus, por dom do Pai, é viver o amor e a unidade em todas as situações de nossa vida, em comunhão com todos, principalmente com os mais fracos e excluídos, conscientes de que somos todos membros do corpo de Cristo (cf. segunda leitura). Contrastando com aqueles que abandonaram Jesus, temos a expressiva confissão de fé de Pedro, que se torna uma oração para nós: “A quem iremos, Senhor: Tu tens palavras de vida eterna…”. Na primeira leitura temos a proclamação da fidelidade das tribos de Israel, sob o comando de Josué, em servir o Senhor. Contudo, na ideologia do Primeiro Testamento, a proteção divina se manifesta em expulsar os povos que ocupavam a “terra prometida”, para que esta seja ocupada pelo “povo eleito”.

2 – A QUEM IREMOS, SENHOR?

Após um debate com os judeus que se escandalizavam com as palavras de Jesus sobre o “pão descido do céu”, são os próprios discípulos que murmuram por causa destas palavras. No prólogo do Evangelho, temos o anúncio de que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Agora Jesus associa a “carne” às suas palavras, que são Espírito e vida. A encarnação é grandiosa na revelação da carne unida perfeitamente ao Espírito de Deus, em Jesus. E é o Espírito que dá a vida que vem do Pai e leva ao Pai. O tema da incompreensão de Jesus por parte dos discípulos é uma constante nos Evangelhos. Agora, alguns abandonam Jesus. São os que esperam dele sinais de poder e mostram-se insensíveis aos seus sinais de amor e compaixão. Escandalizam-se com as palavras de Jesus ao se apresentar como enviado pelo Pai do céu para comunicar a vida eterna. Porém Pedro, em nome dos demais, confirma sua fé e perseverança: “Tu tens palavras de vida eterna”. Ir a Jesus é viver o amor e a unidade em todas as situações de nossa vida, em comunhão com todos, principalmente com os mais fracos e excluídos, conscientes de que somos todos membros do corpo de Cristo (cf. segunda leitura). Na primeira leitura, temos a proclamação da fidelidade das tribos de Israel em servir o Senhor, sob o comando de Josué.

3 – TAMBÉM VÓS QUEREIS IR EMBORA?

«Meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão que vem do Céu, pois o pão de Deus é o que desce do Céu e dá a vida ao mundo» (Jo 6,32-33). […] Vós desejais este pão do céu, ele está à vossa frente e não o comeis. «Eu já vos disse: Vós vedes-Me e não Me acreditais» (Jo 6,36). «Que importa se alguns deles não creram? Acaso a sua incredulidade destruirá a fidelidade de Deus?» (Rm 3,3) Vede então: «Tudo o que o Pai Me dá virá a Mim e não repelirei aquele que vem a Mim» (Jo 6,37). Que interioridade é esta de onde não se sai? Um grande recolhimento, um doce segredo. Um segredo que não cansa, liberto da amargura dos maus pensamentos, isento do tormento das tentações e das dores. Não será num segredo destes que entrará aquele servo fiel que ouve dizer: « Entra no gozo do teu senhor» (Mt 25,21)? «Não repelirei aquele que vem a Mim, porque desci do Céu não para fazer a Minha vontade mas a d’Aquele que Me enviou» (Jo 6,38). Mistério profundo! […] Sim, para curar a causa de todos os males, isto é a soberba, o Filho de Deus desceu e fez-Se humilde. Por que és arrogante, ó homem? Deus fez-Se humilde por tua causa. Talvez te envergonhes por imitar a humildade de um homem; imita então a humildade de Deus. […] Deus fez-Se homem; tu, ó homem, reconhece que és homem: toda a tua humildade consiste em conheceres-te. E é porque Deus ensina a humildade que disse: «Desci do Céu para fazer a vontade d’Aquele que Me enviou. […] Desci do Céu humilde, para ensinar a humildade como mestre de humildade. Aquele que vem a Mim tornar-se-á membro do Meu Corpo; aquele que vem a Mim tornar-se-á humilde. […] Não fará a sua vontade, mas a de Deus; por isso não será repelido como quando era arrogante» (cf Gn 3,24).

4 – A QUEM IREMOS, SENHOR? TU TENS PALAVRAS DE VIDA ETERNA

Hoje, o Evangelho nos coloca em Cafarnaum, onde Jesus é seguido por muitos que haviam visto seus milagres, em especial o da multiplicação espetacular dos pães. Em termos humanos, Jesus ali corria o risco de sucumbir às glórias humanas; inclusive, queriam coroá-lo rei. Este é um momento chave na catequese de Jesus. É o momento em que Ele começa a expor claramente a dimensão sobrenatural de sua mensagem. E como Jesus é tão bom catequista, sacerdote perfeito, o melhor bispo e papa, deixa a multidão seguir, sente pena, mas Ele é fiel à sua mensagem, a popularidade não o cega. Um grande sacerdote dizia que, ao longo da história da Igreja, muitas pessoas que pareciam colunas imprescindíveis acabaram caindo: «Abandonaram e não mais andavam com Ele» (Jo 6,66). Você e eu podemos cair, passar, ir, criticar, seguir nossos desejos. Com humildade e confiança, digamos a Jesus que queremos ser fiéis a Ele hoje, amanhã e todos os dias; que nos permita ver o pouco sentido evangélico que há em discutir os ensinamentos de Deus ou da Igreja pelo fato de não os entender: «A quem iremos, Senhor?» (Jo 6,68). Peçamos mais sentido sobrenatural. Somente em Jesus e na sua Igreja encontramos a Palavra de vida eterna: «Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6,68). Como Pedro, sabemos que Jesus nos fala uma linguagem que ultrapassa o sentido humano, linguagem que há que sintonizar corretamente para alcançar seu pleno sentido; caso contrário só ouvimos sons incoerentes e desagradáveis; precisamos afinar a sintonia. Como Pedro, também em nossa vida cristã temos momentos nos quais há que renovar e manifestar que estamos em Jesus e que queremos seguir com Ele. Pedro amava a Jesus Cristo, por isso permaneceu com Ele; os outros o queriam pelo pão, pelas guloseimas, por razões políticas e o deixam. O segredo da fidelidade é amar, confiar. Peçamos à Virgo fidelis que nos ajude hoje e agora a ser fiéis à nossa Igreja.

5 – “INCLINAI, SENHOR, O VOSSO OUVIDO E ESCUTAI-ME; SALVAI, MEU DEUS, O SERVO QUE CONFIA EM VÓS. TENDE COMPAIXÃO DE MIM, CLAMO POR VÓS O DIA INTEIRO.” (Sl 85,1ss)

Irmãos e irmãs, A pergunta da primeira coluna da Igreja – São Pedro – permeia toda a liturgia deste domingo: “A quem iremos, Senhor?” (Jo 6,68a). Os homens, aqueles que são apegados às coisas mundanas, devem ter muita dificuldade de proclamar e viver que Cristo é o único ponto de referência da criatura humana. Daí a pergunta de Pedro: “A quem iremos, Senhor?” Ora, para preparar o ânimo e o coração, Jesus multiplicara o pão e os peixes. Este significativo milagre não abriu os olhos e os corações do povo hebreu. Por isso, Jesus procurou dizer-lhe que não é a inteligência que conta, mas somente a fé, que pode ser iniciada pela admiração dos sinais – os milagres -, que se concretiza e cresce na escuta e prática dos ensinamentos de Jesus, completando-se na comunhão de pensamentos, ação e destinos. O Evangelho de João (Jo 6,60-69) valoriza a dialética. A dialética de hoje nos fala da doutrina proposta por Jesus: ou aceitamos ou não aceitamos o seu Evangelho. Não há outra alternativa. Por isso, no Evangelho de hoje Jesus nos fala que Ele vem dos céus, que foi enviado pelo Pai. Nós temos que aceitar a autoridade de Jesus, reconhecer nele os ensinamentos que vem do Pai, como novos e verdadeiros, santos e agradáveis ao Onipotente. O segundo problema relaciona-se com a ressurreição. Os fariseus eram favoráveis à ressurreição, já os saduceus não aceitavam-na. A terceira problemática estava ligada ao consumo da carne. Havia leis muito rígidas para o consumo de carne de animais. E o que dizer de consumo da carne humana? A quarta problemática se relaciona com a impossibilidade de se beber sangue. A Lei de Moisés era de extremo rigorismo para quem consumisse sangue, conforme ensinamento de Levítico (17,10-14). Meus queridos irmãos, Estamos diante de um escândalo: temos que aceitar, ou não, somente a Eucaristia, mas o mistério de Cristo, Filho de Deus, igual ao Pai, tornado Messias pelo envio do Pai e encarnado no seio da Bem-aventurada Virgem Maria por obra e graça do Espírito Santo, para ser o salvador único de todas as criaturas. Jesus foi totalmente benevolente com aqueles que estavam duvidando de sua divindade. Ele mesmo disse que aquele que descera do céu subirá novamente ao céu. O evangelista João usa e abusa da dialética no Evangelho de hoje: espírito versus carne. Carne hoje significa o raciocínio humano, insuficiente para entrar no mistério de Deus, muito mais amplo, que necessita de adesão, de acolhida, de profunda fé e adesão irrestrita, longe das diatribes humanas. Por isso, o espírito é colocado como horizonte infinito da vida, exatamente a vida que Jesus oferecia aos ouvintes e que ele chamou de vida eterna, de vida junto de Deus, nada que o humano possa explicar, mas deve crer, para ter o doce acesso de salvação. A fé no Evangelho de hoje nos é proposta. A fé não se aprende pelo intelecto, mas pela adesão, pelo SIM INCONDICIONAL. Que todos nós possamos com Pedro fazer a mais completa profissão de fé: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós Cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6, 68-69). Jesus mesmo nos transmite esse espírito e sua exaltação é a fonte desse dom. Suas palavras são espírito e vida. Só entregando-nos à sua palavra poderemos experimentar que ele é fiel. Ou melhor, o espírito que há de superar o que nossas categorias humanas recusavam vem do próprio objeto de nosso escândalo. É essa opção que Pedro pronuncia, vendo a insuficiência de qualquer outra solução: “A quem iremos?” A primeira leitura (Js 24,1-2a.15-17.18b) também ilumina o Evangelho: a escolha entre um Deus que provou seu amor e fidelidade e deuses que devem sua existência aos mitos que os homens criam em redor deles. Essa opção se apresenta a nós também no dia de hoje: optaremos por aquele que deu a vida em todos os sentidos, plenamente, ou pelos ídolos pelos quais tão facilmente damos nossa vida, sem deles recebermos a gratificação que prometem. O que vale: a fidelidade a Deus e ao seu projeto, ou a beleza física, o dinheiro, o poder, o sexo desvairado, o hedonismo, as vicissitudes humanas do efêmero? O Pai foi quem chamou Abraão e tirou Israel do Egito: a memória destes grandes feitos exige uma opção. Israel pode esquecer seu passado e seu Salvador, como fazem tantos outros. Pode optar pelos “deuses da terra”, que são estimados darem bem-estar e progresso: os ídolos de sempre! Mas Josué quer ficar fiel ao Deus da Aliança. A segunda leitura (Ef 5,21-32), por fim, vem nos falar do amor conjugal, sobretudo nestes tempos hedonistas em que o caráter santificante do amor conjugal e familiar é praticamente desconsiderado, desleixado e, mais do que isso, relativizado. A família, observando a regra fundamental da mútua dedicação na comum veneração de Cristo, revela o carinho de Cristo por sua Igreja. As regras de moral familiar das comunidades helenísticas, embora com alguns acentos que para nós já não são tão evidentes, são os instrumentos para concretizar este carinho, que fala de Cristo, a tal ponto, que o matrimônio cristão é a imagem do amor de Cristo pela Igreja, ou seja, sinal eficaz da graça de Deus: o sacramento. Seria excelentemente profundo que esta mensagem paulina fosse para os fiéis um reenvio para a missão familiar, para nossos casais, para que possam levar a sério esta opção que é de Jesus, que é da Igreja, porque a vivência do matrimônio nos leva também a refletir com Pedro: “A quem iremos, Senhor?” Meus estimados irmãos, O seguimento de Jesus é exigente. Ele nos convida a sermos discípulos convictos, dispostos a segui-Lo, se necessário for morrendo até na Cruz pelo Reino. A fé nasce de um encontro afetivo e efetivo, de um encantamento que nos leva a um compromisso de vida com Cristo, por Cristo e em Cristo e com todos os homens e mulheres de boa vontade, os seus prediletos, os pequeninos: excluídos e marginalizados. A verdadeira dificuldade para colocar o Evangelho de hoje em pratica é a autossuficiência. Despojando-nos de nosso orgulho poderemos nos entregar a uma comunidade reunida por Nosso Senhor para segui-lo pelo caminho da doação total. Doação total que queremos manifestar na gratidão a todos os catequistas, relembrados e festejados neste dia, o seu dia. A palavra que vem de Deus, recebe de Deus a força e a sua eficácia. Por isso, embora de modo diferente, conforme os momentos e as formas, todo ato de pregação é glorificação de Deus e evento salvífico para os homens. Cristão é quem escolhe a Cristo e o segue. Na decisão fundamental por Jesus Cristo estão contidas e plenificadas todas as exigências de conhecimento e de ação da fé. Portanto, é necessário ser educado no pensamento de Cristo, a ver na história como ele, a julgar a vida como ele, a escolher e amar como ele, a esperar como ele ensina, a viver nele a comunhão com o Pai e o Espírito Santo. No seu trabalho silencioso e competente de evangelizadores, queremos DAR GRAÇAS A DEUS! Assim poderemos repetir a mais bela profissão de fé: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”. Amém!

6 – A QUEM IREMOS, SENHOR?

“Estas palavras são muito duras, quem pode seguir? Observando os jogos olímpicos podemos notar a grande tristeza estampada nos olhos e na face daqueles que não conseguem, e por outro lado, vemos a imensa alegria daqueles que conseguiram vencer todas as etapas, e ganhar a medalha de ouro! Quanto treinamento, quanto trabalho de preparação, quanta disciplina, quanta renúncia além dos seus talentos físicos, para eles terem conseguido vencer! Não foi nada fácil toda aquela jornada de preparo físico e mental. Foi um trabalho duro! Tiveram de acatar as duras palavras que saiam da boda do treinador diariamente: Mais esforço! Disciplina! Ainda não está bom! É preciso exceder, melhorar, progredir, vamos lá… Todos aqueles que venceram na vida sabem que não foi nada fácil chegar onde chegaram. Tiveram que perder horas de sono, de laser, deixaram de comprar muitas coisas que lhes trariam alegria, privaram de muitos prazeres, e tiveram de se esforçar muito… As palavras de Jesus nos apresenta uma disciplina muito dura, muito rígida, pois para conseguirmos alcançar a vida eterna, precisamos nos esforçar muito. Assim como os atletas se esforçaram para conseguir atingir as metas e ganhar o ouro, nós também precisamos seguir plenamente a dureza das palavras de Cristo para um dia poder merecermos o prêmio de estar desfrutando as alegrias celestiais. Que dureza! Perdoar o irmão que nos irrita, amar os nossos inimigos, aturar os que não nos são simpáticos, ter paciência com os deficientes físicos e mentais, ignorar as calúnias e as críticas daqueles que nos invejam, com tanta tentação por aí, ser fiel à esposa, ser fiel ao marido, praticar a castidade, ser caridoso… ufa! é muito difícil! É muito duro! Quem consegue? É por isso que muitos desistem de ser cristãos. Muitos fazem como aqueles discípulos que ao ouvir as duras palavras do Mestre, deixaram de andar com Ele. O mundo de hoje está cheio desses que muito embora não criticam Jesus nem a Igreja, não seguem o Evangelho, não são cristãos autênticos. A quem iremos? Só Cristo tem palavra de vida eterna. Prezados irmãos. Hoje comemoramos o dia do catequista. Como sabemos, todos nós somos ou devemos ser catequistas. Não somente aqueles engajados no projeto de Deus que atuam na paróquia na Pastoral da Criança, ou nas escolas através de uma Catequese Escolar são catequistas. Os pais exercem ou devem exercer uma catequese familiar, começando a educação para a fé desde cedo, iniciando seus filhos à vida religiosa desde pequenos. Pois pela graça do sacramento do matrimônio, os pais receberam a responsabilidade, a graça e o privilégio de iniciar a evangelização dos seus filhos. Falando-lhes de Deus, dos ensinamentos de Jesus, ensinando-os a rezar, rezando na frente deles, levando-os à missa e depois ao catecismo, dando-lhes bons exemplos de cristãos, como por exemplo, praticando a caridade quando estão com eles, colocando um dinheirinho nas mãos deles para que deem ao pobres, para que coloquem na cesta da coleta na missa, ensinando-os a respeitar, a pedir desculpas e perdão, etc.

7 – A QUEM IREMOS, SENHOR?

Josué organiza a grande assembleia de Siquém, como a reunião constitutiva do povo em tribos. É o ponto de partida de um movimento novo que parte do Êxodo. O povo deve aceitar sua nova identidade teológica, social, cultural. É fundamental identificar o Deus do Êxodo: ele vê a opressão do povo, ouve o grito de dor e conhece seus sofrimentos, está decidido a descer para libertar o povo do poder dos opressores (Ex 3,7-8). É o Deus de seus Pais, o Deus da Historia. As tribos procedem de diferentes origens culturais, religiosas, étnicas, porém agora se aglutinam em um só povo, Israel, graças à fé no Deus do êxodo. É a teologia, a fé em Javé e não o sangue que os une em uma aliança tribal. O coração dessa aliança tribal é a fé comum no Deus dos pobres. Porém, supõe também identificar os deuses “estranhos” (deuses cananeus e egípcios), como imagens corrompidas de Deus, que geram escravidão e morte; um sistema de impostos, uma vida de escravos, uma religião opressora. Mudar esses deuses pelo Deus do êxodo, fundar uma sociedade de leis para a vida, partilhar a terra, viver uma nova forma de culto baseado na páscoa, tudo isso é o tema central dessa grande assembleia de Siquém. As tribos de Israel fazem um pacto de amor com o Deus dos pobres. Um casamento, como insinua a carta aos Efésios. “Uma Igreja dócil ao Messias” “para torná-la radiante, sem mancha e nem ruga”. As palavras de Jesus chocam com a mentalidade vigente. Há vinte séculos parecida inadmissível que uma pessoa pudesse comunicar uma mensagem tão exigente e tão libertadora. Hoje seguimos no mesmo plano: procuramos adocicar as palavras de Jesus para que não firam nossos preconceitos. Com frequência queremos converter a palavra de Jesus no exercício de um conjunto de ritos. Porém, a palavra de Jesus nos desestabiliza, nos desinstala e nos lava a questionar a vida diária. Às vezes, inclusive, dizemos como os discípulos: “Este modo de falar é muito duro, quem pode suportar?” Não obstante, nós queremos seguir a Jesus, a única resposta possível é um “sim” firme, um “amém” decidido e generoso. Queremos segui-lo e queremos ser como ele. Não queremos nos contentar com as recompensas que o mundo nos oferece, mas desejamos caminhar com o Nazareno a difícil e tortuosa via do povo de Deus na História. Poucos se atrevem a criticar a Jesus de Nazaré, porém isto não significa que estejam de acordo com ele. Muitas pessoas há tempo “voltaram para trás” e escolheram seu próprio caminho, somente que se contentam em levar em sua memória a lembrança de um batismo sociológico e o aval das cerimônias religiosas. Porém, para aqueles que queremos escutar o Mestre, não existe outra resposta que a de Pedro ante o desafio de Jesus: “Senhor, a quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna”. Que útil seria examinar nossas eucaristias! Geram um “movimento de Jesus” em direção à Utopia solidaria do que Ele chamava Reino? Vão mudando nosso modo de pensar e agir? Fazem-nos capazes de identificar as outras presenças de Deus entre os deserdados da vida? O mesmo Jesus, em cuja boca João colocou estas palavras: “Eu sou o Pão da Vida”, em Mateus também disse: “Tive fome e me destes de comer; cada vez que o fizeram a um dos meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizeram” (Mt 25, 35).

8 – O NOSSO ESPÍRITO É QUEM SUSTENTA A NOSSA MATÉRIA E O ESPÍRITO SANTO É QUEM NOS VIVIFICA

Jesus nos dá um ensinamento de como não racionalizar as coisas sobrenaturais e é firme diante dos questionamentos dos judeus e até dos próprios discípulos sobre as “palavras duras de comer o seu corpo e beber o seu sangue.” Muitos discípulos se escandalizavam e até se afastaram de Jesus quando Ele falou em comer a Sua carne e beber o Seu sangue. A ideia de que eles teriam que comer a carne e beber o sangue de Jesus escandalizava a muitos, justamente, porque eles procuravam entender com a mente aquilo que só o Espírito poderia fazê-lo. Nós nos escandalizamos com os mistérios de Deus porque a nossa fé é muito pequena e não compreendemos que as palavras de Jesus são espírito e verdade. Somente com o nosso espírito nós podemos compreender as coisas de Deus e somente com os olhos do espírito à Luz da Fé nós aceitamos os Seus ensinamentos. O nosso espírito é quem sustenta a nossa matéria e o Espírito Santo é quem nos vivifica. Entendendo com a razão e dentro da lógica humana seria impossível acontecer o que Jesus afirmara, porém o “Espírito é que dá vida” e “as palavras de Jesus são espírito e vida!” E o Espírito é dado em abundância a quem reconhece que só Jesus tem as palavras de vida eterna! Diante da evasão de alguns, Jesus deu um ultimato aos Seus seguidores: “Vós também vos quereis ir embora?” Pedro respondeu em nome dos outros discípulos: “a quem iremos Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus.” Alguns discípulos se afastaram de Jesus, porém ficaram aqueles que creram e reconheceram que “Ele era o santo de Deus”. Hoje também são muitos os que se afastam porque não querem entender, os que duvidam porque se acham autossuficientes e até zombam de Cristo! Assumir as palavras de Jesus como espírito e vida é abraçar tudo o que Ele nos propõe sem questionamentos e com o coração convencido. Reflita – Você tem convicção quanto a tudo o que Jesus lhe propõe? – Você tem plena consciência de que quando comunga está comendo o Corpo e bebendo o sangue de Jesus? – Como você se sente em relação àquelas pessoas que não creem? – Como você tem demonstrado diante delas a sua fé em Jesus presente na Eucaristia? Quais serão as palavras de vida eterna que Jesus hoje quer revelar para você? – Escute-O! Amém! Abraço carinhoso!

9 – NINGUÉM PODE VIR A MIM A NÃO QUE LHE SEJA CONCEDIDO PELO PAI

Muitos recuam, ou abandonam o seguimento a Jesus, porque lhes falta fé suficientemente madura, que o encoraje, que o leve a vencer as dificuldades da vida. Hoje, se percebe uma grande inquietação no campo da fé, há um desejo de se conseguir tudo fácil, o que leva muitas pessoas a trocar de religião, como se a religião fosse resolver todas as suas questões. Precisamos amadurecer na fé, conscientizarmos, de que a religião, é apenas um caminho de orientação na fé, as nossas questões, cabe a nós mesmos resolvê-las, sempre à luz da fé, nosso único suporte. Existe uma grande diferença entre ter fé e viver a fé. Ter fé é acreditar naquilo que não se vê, e viver a fé, é viver de acordo com aquilo que se crê. É a fé, que nos faz chegar ao coração amoroso do Pai, e o único caminho que nos leva a Ele, é Jesus! É por isso que Ele diz: “Ninguém pode vir a mim a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. A fé, é um dom de Deus, acolhe-la ou não, é nossa escolha. Quando abraçamos a fé, clareia-se o nosso horizonte, as pedras do caminho, não nos impede de seguir em frente, e o mais importante: passamos a aceitar, sem questionamentos, todas as exigências do evangelho! Diante das palavras exigentes de Jesus, devemos nos comportar como uma criança obediente, que mesmo sem entender o que o seu pai diz, acata todas as suas ordens. No nosso Seguimento a Jesus, mais importante do que entender as suas palavras, é aceitar o que Ele diz, pois é Ele, o senhor da nossa vida! Quando ficamos questionando os seus ensinamentos, é sinal de que estamos impondo condições para segui-Lo. O evangelho de hoje, vem nos afirmar que só permanece com Jesus, quem chega até Ele, pelos caminhos da fé! É impossível permanecer com Jesus, se não aceitarmos o desafio da cruz! Foi o que aconteceu com muitos discípulos, que abandonaram Jesus, quando souberam que no seguimento a Ele, incluía a cruz. Eles queriam ficar com o Jesus da multiplicação dos pães, não quiseram aceitar, o Jesus que passaria pela cruz! Mesmo Ele tendo dito: “O meu Reino não é deste mundo”, eles estavam longe de entender, que Jesus, não buscava a glória dos homens, e sim, a glória do Pai! Os mesmo, que queriam proclamar Jesus como Rei, no episodia da multiplicação dos pães, o abandonam quando Ele disse: “Eis aqui o pão que desceu do céu, quem dele comer viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo” (Jo 6,51). Estas palavras de Jesus, prenunciavam a sua morte, ressoando para aqueles discípulos, como sendo duras, não que eles não tivessem entendido o sentido delas, mas porque não estavam dispostos a unir suas vida com a vida de Jesus, o que implicaria: doação de si mesmo. A nossa opção por Jesus deve ser radical: estar com Ele para o que der e vier, do contrário, faremos como aqueles discípulos, abandonamo-O no meio do caminho, perdendo a oportunidade do encontro com o Pai, pois só Ele é o caminho… Jesus perguntou aos doze discípulos, os únicos que permaneceram com Ele até aquele momento: “Vós também quereis ir embora? Hoje, creio que Jesus nos faz uma pergunta diferente: “E vós quereis ficar comigo na Eucaristia”? A nossa resposta, não vai ser imediata, como foi a resposta de Pedro, vamos respondendo-Lo nas nossas atitudes do dia a dia! Comer e beber de Jesus na Eucaristia é comer e beber do seu ideal! FIQUE NA PAZ DE JESUS!

10 – A QUEM IREMOS, SENHOR? TU TENS PALAVRAS DE VIDA ETERNA

Este Evangelho nos trás a última parte do discurso de Jesus sobre a Eucaristia, o pão da vida. Havia uma grande multidão ouvindo-o, entusiasmada por causa da multiplicação dos pães acontecida minutos antes. Alguns queriam até fazê-lo rei. Mas quando Jesus disse que ia dar um alimento muito melhor do que aquele pão: a sua carne como comida e o seu sangue como bebida, os ouvintes se escandalizaram. Nós não somos antropófagos! disseram entre si. “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la? Jesus procurou explicar, mostrando que ele tem poder para fazer isso: “Isso vos escandaliza? E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são Espírito e vida”. Quer dizer, Deus pode tudo e faz coisas inacreditáveis. Apesar da explicação, “a partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com Jesus. Então Jesus disse aos doze: Vós também vos quereis ir embora? Simão Pedro respondeu: A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna”. Em outras palavras, Pedro disse: Nós também não entendemos o que o Senhor falou, e nós também achamos um absurdo comer a sua carne e beber o seu sangue. Mas, o mundo lá fora é pior ainda. Preferimos ficar com o Senhor. Nós somos convidados a dar o passo de Pedro: A quem iremos, Senhor? Com o Senhor é difícil, mas fora, no mundo, é muito pior. Por isso prefiro ficar com o Senhor. Muitos ficam no meio do caminho; como a sua fé é fraca, seguem apenas mais ou menos. Mas Deus prefere pessoas definidas, mesmo que seja contra ele. Se dermos o passo da fé mesmo sem entender direito, como fez S. Pedro, Deus entra na nossa vida e nos transforma, inclusive firmando a nossa fé. Por isso hoje queremos dizer a Jesus: eu estou com o Senhor, creio em tudo o que o Senhor disse e ensinou, mesmo sem entender tudo. Creio porque sei que o Senhor é o próprio Deus encarnado. Após a consagração, na Missa, o padre fala: “Eis o mistério da fé”. A Eucaristia é o cerne da fé. Nela, acreditamos na Palavra de Jesus, sem ver nem entender. “No Calvário se escondia tua divindade, mas aqui também se esconde tua humanidade; creio em ambas e peço, como o bom ladrão, no teu Reino, eternamente, tua salvação” (Canto: Deus de amor). Não vamos cair na tentação de dizer que na Eucaristia o pão “simboliza” o corpo de Cristo e vinho “simboliza” o seu sangue. Não simboliza apenas, mas é realmente. Jesus está ali, vivo, em seu corpo, sangue, alma e divindade. E está todinho, tanto na hóstia como no vinho consagrados. Por isso que após a Consagração nós não chamamos pão e vinho, mas Corpo e Sangue de Cristo. Se fosse símbolo só, Jesus teria chamado de volta a multidão que se retirava, e explicado melhor. Teria dito, por exemplo: “Não, gente, não é que vou lhes dar a minha carne para vocês comerem! É um símbolo!…” Mas ele não fez isso. Pelo contrário, disse para os Apóstolos: “Vocês também não querem ir embora?” Isso significa que a sua presença na Eucaristia é real e total, e que esta é uma verdade fundamental da nossa fé. Havia certa vez um rapaz que estava desempregado. Ele procurava emprego em toda parte e não encontrava. Um dia, foi a um zoológico e perguntou se havia uma vaga. O chefe lhe disse: “Nós não temos vagas. O nosso quadro de funcionários está completo. Mas o nosso gorila morreu, e ele era a grande diversão da criançada. Se você quiser imitar um gorila, podemos lhe arrumar as roupas próprias”. O rapaz topou. Afinal, estava desempregado e precisa ganhar um dinheirinho. Vestiu a roupa apropriada, colocou a máscara… ficou igualzinho a um gorila. Depois entrou na jaula e começou a andar, pular e fazer micagens, como um gorila. As crianças se divertiam. Uma hora, ele olhou para cima e viu uma gangorra e um trapézio. Pensou: Ah! O gorila usava isto. Vou usar também. Subiu e começou a gangorrar pra lá e pra cá. Mas uma hora ele exagerou na gangorra, desequilibrou-se e foi cair dentro da jaula do leão. Pensou: Agora estou frito! O leão vai me devorar. Começou a tremer e a chorar. O leão veio na direção dele, chegou perto do seu ouvido e disse baixinho: “Fique calado, senão nós dois perdemos o emprego!” “A quem iremos, Senhor?” Este mundo é cercado de mentiras e falsidades; preferimos ficar com Jesus, o nosso caminho, verdade e vida. Alimentados por ele, seremos agentes de transformação. Que Maria Santíssima, o primeiro sacrário do Corpo de Cristo, nos ajude a não só acreditar na Eucaristia, mas a transformar a Eucaristia em vida e a nossa vida em Eucaristia. A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.

11 – NÃO É FÁCIL ENTENDER, MAIS DIFÍCIL AINDA, É SER

Mais uma vez estamos juntos para meditar a Palavra de Deus. O tema do evangelho de hoje é a Eucaristia. Jesus vai direto ao assunto e, sem rodeios, manda comer da sua Carne e beber do seu Sangue. Não era fácil de entender e, muito menos de aceitar, as coisas que Jesus dizia. As multidões acham muito duras suas palavras e por isso, afastam-se dele. Alguns dos seus discípulos, mesmo aqueles próximos que caminhavam com Jesus, também o abandonaram por causa da dureza de suas palavras. Mesmo com o afastamento dessas pessoas, Jesus não voltou atrás, nem amenizou suas palavras. Era preciso fazê-los entender essa nova linguagem. Era fundamental fazer o cristão entender que, Vida Plena e abundante são sinônimos de carne e sangue. Coloque-se no lugar dos discípulos ou daquela multidão que ouviu tudo isso de alguém que recentemente haviam conhecido. Mal conheciam Jesus. Como não duvidar se, ainda hoje, com dois mil anos de convivência com Jesus, pouco nos preocupamos em segui-lo e não levamos a sério seus ensinamentos. Em nosso dia-a-dia, também nos afastamos de Jesus, por causa da dureza de suas palavras. Ele fala firme e manda fazer coisas que parecem impossíveis. Não é fácil aceitar que palavras possam ser espírito e vida. Não é fácil conviver com alguém que manda amar os inimigos. Ficamos confusos porque tentamos entender os mandamentos e o comportamento de Jesus, através do cérebro. Nossa cabeça é muito pequenininha, não cabe lá dentro algo tão grande. Só o coração pode entender e aceitar as imposições para seguir Jesus. O seguimento de Jesus impõe condições rigorosas. Impõe solidariedade e serviço aos pobres e marginalizados. Impõe dedicação e aproximação junto aos sofredores e excluídos da sociedade. Não existe uma forma de aceitar Jesus, sem colocar em prática seus ensinamentos. A todo instante somos questionados por Jesus, através desta mesma pergunta: “Vocês também querem ir embora?” O que vamos responder? Se procurarmos a definição através do cérebro; se deixarmos a resposta por conta da cabeça, certamente nos afastaremos do Mestre. Só o coração é capaz de nos aproximar do Mestre. O coração nos leva até Jesus através do pai de família desempregado, dos menores sujos, dependentes e famintos que perambulam pelas ruas das nossas imensas e ricas metrópoles. Só o coração tem sensibilidade para entender que somos capazes de construir um mundo melhor, mais justo e fraterno. Pedro, homem rude e, até mesmo covarde em determinados momentos, abriu o peito e deixou seu coração falar: “A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus”. E nós? Será que temos coragem para fazer essa afirmação? Vamos então abrir o coração e pedir ao Pai a graça e a força para darmos a Jesus esta resposta: Creio Senhor no seu Corpo, verdadeira comida e no seu Sangue, verdadeira bebida.

12 – A QUEM IREMOS?

No colégio onde estudei, nas aulas de Educação Física, vez em quando o Professor nos exercitava com a prática de futebol, inclusive ele próprio atuava em uma das equipes. Não era um “racha” qualquer daqueles que jogávamos nos finais de semana, mas o professor, ao escolher a sua equipe, não considerava muito a habilidade do atleta, mas sim a sua disposição física, o seu esforço pela equipe, ele era rígido na disciplina, exigia o máximo de cada um, nas disputas de bola, na marcação, na estratégia do ataque, no seu time ninguém “empurrava com a barriga” ou faz ia corpo mole, nesses coletivos, a equipe disciplinada do “Sêo Armandão”, via de regra superava o time adversário, onde as vezes atuava os “craques” da escola, pois apregoava sempre, que um time vencedor deve saber aliar habilidade, disciplina e uma boa técnica, capaz de mudar a estratégia quando necessário. Os alunos do colégio o chamavam de “Marechal”, ele era por aquele tempo um Felipe Scolari, e em competições escolares abertas, sua equipe conquistou muitos troféus. Interessante que os que se achavam “craques”, não gostavam muito dessa “linha dura” do Professor. Lembrei-me do “Sêo Armandão”, quando refleti esse evangelho onde alguns discípulos de Jesus começaram a “afrouxar” diante das suas exigências, querendo fazer “corpo mole” e “empurrar com a barriga” os seus ensinamentos e a Verdade por ele pregada. Também hoje, nós cristãos, muitas vezes queremos viver um cristianismo arraigado na carne, sem encarar o desafio de vivê-lo em Espírito, e foi exatamente para isso que o Verbo Divino se encarnou em nosso meio, para que fosse possível ao homem carnal, viver no Espírito, sem ser um alienado. Praticar um cristianismo a partir apenas da carne, isso é, das realidades meramente humanas, é a grande tentação dos discípulos de hoje, onde muitos vivem uma religião de normas e preceitos, achando que basta cumprir tudo o que a Santa Igreja ensina, e se algo der errado, a culpa é da Igreja, poderíamos chamar a isso de tradicionalismo, pois na verdade era esta a posição dos fariseus e Doutores da Lei, que não aceitavam o advento da Salvação, presente na pessoa de Jesus de Nazaré. A verdadeira prática do Cristianismo nos traz sempre o desafio da ascese, que significa fazer uma experiência profunda com Jesus na nossa vida, sem tirar os pés do chão da nossa história, e essa experiência querigmática só é possível quando nos abrimos ao Espírito do Senhor, presente em nossa fraqueza, e, portanto, o que está no centro do ensinamento de João às suas comunidades, é que nenhum recurso humano, científico, social, político ou até religioso, pode nos levar a essa ascese, só se aproxima dessa Verdade absoluta chamada Jesus, aqueles que o Pai atrair. Em João 6, 51 encontramos a afirmação que deu margem a discussão de Jesus com os Judeus “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer desse pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”. No evangelho desse domingo, a discussão acontece no próprio grupo de seguidores, se entre os judeus, haviam aqueles que não acreditavam, era até compreensível, entretanto a situação torna-se mais grave quando entre os próprios seguidores, há discípulos que não têm fé, pois acham que ninguém consegue escutar a palavra, que é dura demais. Dentro da Igreja há muitas maneiras, e todas elas válidas, de se fazer essa experiência com Jesus, entretanto, é preciso muito cautela para não se criar um cristianismo mais light, menos intransigente e radical, onde a gente possa fazer parte da Igreja, mas sem ter que vestir e suar a camisa, o engajamento pastoral ou a adesão a um Movimento ou Associação, pode sim gerar em nós a ilusão de que aquela prática é suficiente, e dependendo do modelo eclesiológico, ficaremos ancorados apenas na carne, nos recusando a “levantar voo na ascese do Espírito” ou então tiramos os pés do chão, ignorando a carne que sustenta o Espírito, mergulhando na perigosa fé da magia. E quando se trata de coerência naquilo que se crê, Jesus não é de ficar alisando o “ego” dos seus seguidores, mas concede a liberdade da escolha “Vocês também querem ir embora?”. Pedro, falando em nome da comunidade, reconhece aquilo que os judeus rejeitam, nenhuma proposta ou ideologia humana, pode conduzir o homem a plena realização de si mesmo, só Jesus nos faz enxergar além dos horizontes humanos, comer a sua carne significa a aceitação radical da comunhão com sua pessoa, seu ensinamento e seu projeto de vida. O apóstolo Pedro aceita viver nessa ascese do homem espiritual, mesmo ainda estando na realidade da carne, em outras palavras, aceita Jesus como Deus, Senhor e Salvador, de maneira incondicional “A quem iremos Senhor?” Tu tens palavras de Vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”. Enfim, o cristianismo será sempre uma proposta que nos obriga a fazer uma escolha e tomar uma decisão, a favor ou contra Jesus. Na vida de Fé não dá para “empurrar com a barriga” e fazer “corpo mole”, pois corre-se o risco de perder o “jogo”, que Cristo já venceu, com a encarnação, paixão, morte e ressurreição…

13 – AS PALAVRAS DE VIDA ETERNA

Como é bom ter um Deus libertador para assegurar no caminho reto, como é bom louvar e agradecer sempre as dádivas recebidas do Pai que libertou o povo escravizado no Egito, como é prazeroso conceber nas ações do cotidiano o Cristo Ressuscitado que é a cabeça da nação para pensar e agir de modo admirável na paz e na fraternidade, enfim, como é bom ter um Homem poderoso nas palavras enfurecidas que embrenham no ser do homem bons mandamentos para seguir a vivacidade até à eternidade. A reflexão deste domingo alerta ao homem quanto à necessidade de absorver no Espírito Santo todas as maravilhas dos céus. Não é possível viver sem a presença fortificadora do Deus que almeja a unidade entre todos os homens. Haja vista que somente a fé pode levar o cristão para o campo do amor, da partilha e da libertação. Sem a fé, sem o despertar para as coisas do alto, nada poderá acontecer do bom agradado a Deus. Na primeira leitura do livro de Josué encontra-se o povo que venera, cultua e segue o Senhor que libertou as gerações do passado das garras dos faraós do Egito. Eles têm um apreço invejável para com seu Senhor. Souberam valorizar com gratidão todas as bênçãos recebidas e não abandonaram o Senhor por acreditar nas intervenções certas. Como adorar um deus de barro que permanece inerte o tempo todo? Como expressar a fé numa figura colocado pelo homem sem o movimento criador? Como servir o deus estranho que nada fez para fomentar a glória no momento em que mais precisava? O povo logo respondeu a Josué: “longe de nós abandonarmos o Senhor para servir a deuses estranhos”. (v. 16) O povo diante de Josué não temeu em agraciar o Deus da vida. Tinha sentido sua crença, pois seu passado foi assegurado pela insistência em perseguir o caminho do bem. Todo o tempo que o povo libertado do Egito permaneceu no deserto foi para purificar no Deus que salvou. Assim, serviram sempre, pois ama o Deus da vida. Esta leitura de Josué é fantástica. Ela incentiva cada vez mais seguir os preceitos do Senhor não por obrigação, mas por acreditar no passado glorioso. O Senhor vendo o sofrimento dos seus filhos colocou a disposição para amenizar. Bem que o Senhor poderia até praguejar: bem feito, quem mandou sair da Palestina e procurar um lugar melhor, viu o que aconteceu, agora dê seu jeito e encontre um caminho para livrar desse imbróglio. Mas o Senhor não fez isto, libertou o seu povo. O Senhor não fez por capricho ou por obrigação, mas fez a libertação por sentir o momento certo e exemplificar de sua bondade. O cristão de hoje deve ser grato pelo Senhor também. Tantas maravilhas que concede ao mesmo: a vida, a liberdade, o amor, as vitórias, a família. Veja que a família pode expressar a unidade entre um casal para amadurecer no Deus. Quando se forma uma família, forma-se o corpo de Deus. Logo a harmonia família deve-se propagar por toda a vida. O casal se formou pelo chamado de Deus e, portanto, deve unir-se fraternalmente em todos os momentos da vida. Como Cristo amou a igreja e entregou por ela, o casal deve amar um ao outro eternamente. Deus colocou alguém junto ao outro para viver na plenitude amorosa. Desse amor nascerá rebentos como fruto do amor. Logo a desunião entre os casais não são cabíveis para Deus. O casal deve ao outro a fidelidade e a confiança para sempre. Veja como Cristo, sendo esposo da igreja, amou até o fim e por ela se entregou numa cruz de braços abertos, assim o casal deve unir cada vez mais para ser o sinal fraterno interminável. Diante de tantas desavenças familiar pode-se até pensar que Deus esqueceu do povo. Mas não é verdade. Deus nunca se esquece dos seus filhos. Ele chora, sofre, lamenta e intervém. Mas o homem cheio de orgulho, de futilidade, avareza, ganância, deixou de acreditar no Deus da vida, no Cristo esposo fiel à sua igreja, no Senhor libertador. O homem criou novos deuses para seguir, porque não tem aptidão para cobrar resultado. Ou seja, o homem criou deus morto e sem vida. Assim, o homem deve ter uma relação de cumplicidade, relação de reciprocidade na comunidade e na família. A coletividade deve ser o espelho para o bem da comunidade e também da família. Quando um se preocupa com o outro há um equilíbrio nas relações, assim todos participam do mesmo espaço voltado para uma crença singular no Cristo Verdadeiro. Neste contexto pode-se até perguntar: você acredita no seu Deus ou tem dúvidas? Você tem razões para seguir o seu Deus pela sua bondade, misericórdia e justiça ou você segue o seu Deus por obrigação? Foi mais ou menos com estas palavras que Jesus voltou para seus discípulos e disse: “Vós também vos quereis ir embora?” (v. 68). Claro que Simão Pedro não aprovou a ideia de Jesus. Simão Pedro disse: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus” (v. 69) Simão Pedro tinha compreendido que Jesus falava bravamente para fazer o povo compreender o sentido da vida. Entretanto, a visão de Jesus diferenciava do pensar mundano. O homem egoísta pensava individualmente, não tinha objetivo da coletividade. Jesus pensava a libertação, pensava o Todo, pensava à harmonia. Porém, seguir o plano de Jesus era dar o rosto a tapas ao opositor, era colocar em xeque a vida boa de explorador. Fazer o que Jesus pedia era renunciar as coisas do mundo e enfrentar o império organizado. Por isso muitos seguidores de Jesus abandonaram o barco. Deixou Jesus com os dozes. Fizeram isto por não ter a coragem e nem a fé no Salvador em enfrentar o mundo das cobras. Fracassaram diante da missão. Jesus falava com veemência, mas falava certeiramente. Sabia onde atacar e dava exemplo de vida e de persuasão. Não hesitou em fraquejar diante das dificuldades, até diante das tentações sobressaiu maravilhosamente. Soube trabalhar a missão de salvar o homem do pecado. Hoje, sem sombra de dúvidas, os corajosos são os catequistas. Eles são os missionários, profetas, animadores que alimentam nas crianças o desejo de conhecer a doutrina da igreja e ensina a amar cada vez mais o Deus. Os catequistas buscam força nos discípulos que seguiam o Mestre por amor. Fazia tudo que Mestre mandava. Neste domingo dedicado ao catequista deve ser louvado pela sua vocação. Eles deixam seus afazeres para dedicar uma parte do tempo a ensinar o verdadeiro ensinamento de Cristo. São exemplos a serem cultivados. Quantos de nós não nos lembramos dos catequistas. Muitos têm apreço por ter colocado no seio de cada um o despertar para o amor a igreja, o amor a Deus, o amor à partilha, o amor a vontade de ajudar o outro. Não tem como se esquecer das primeiras orações que nos ensinaram. São orações que andam juntas para sempre em nossa vida. Jamais se pode esquecer-se dos primeiros catequistas que foram os pais. Eles são os verdadeiros amores de vida que animaram os primeiros passos à igreja. Deu tudo de bom e colocou a disposição para ajudar nos momentos mais difíceis. Somos gratos a eles eternamente. Portanto, caro leitor, lembre-se que as palavras de vida são eternas, como o Senhor bondosamente interferiu no sofrimento do povo do Egito o salvou, deve-se cada um buscar o Deus perfeito a todo instante e jamais duvidar da sua existência. Bom domingo e fique na paz de Cristo, Amém!

14 – PALAVRA DE VIDA ETERNA

Nenhum cristão jamais poderá dizer que foi enganado pelo Senhor! Deus nunca se mascarou para nós, nunca nos falou palavras agradáveis para nos seduzir, nunca agiu como os nossos políticos; Deus não usa botox! Ele é um Deus verdadeiro, leal, honesto! Não esconde suas exigências, não omite suas condições para quem deseja segui-lo e servi-lo… Escutamos na primeira leitura de hoje Josué mandando o povo escolher: seguir os ídolos, que são de fácil manejo, que não exigem nada ou, ao invés, seguir o Senhor, que é exigente, que é Santo e corrige os que nele esperam? O próprio Josué dirá: “Não podeis servir ao Senhor, pois ele é um Deus santo, um Deus ciumento, que não tolerará as vossas transgressões, nem os vossos pecados!” (Js. 24,19) Vede, meus caros, que o nosso Deus não se preocupa com popularidade, não faz conta do número de fiéis, não abranda suas exigências para ser aceito, mas sim, faz conta da fidelidade ao seu amor e ao seu chamado! O que aparece na primeira leitura torna-se ainda mais claro e dramático no evangelho. Após dizer claramente que sua carne é verdadeira comida e seu sangue é verdadeira bebida, muitos discípulos se escandalizaram com Jesus (os protestantes ainda hoje se escandalizam e não creem na palavra do Salvador…). E Jesus, o que faz? Muda sua palavra? Volta atrás no ensinamento para ser popular, para ser compreendido e aceito, para encher as igrejas? Não! Popularidade, aceitação, bom-mocismo nunca foram seus critérios! Ainda que sua palavra escandalize, ele nunca volta atrás. O Senhor nunca se converte a nós; nós é que devemos nos converter a ele! Pode-se manipular os ídolos; nunca o Deus verdadeiro! É importante prestar atenção! Diante dos discípulos escandalizados e murmuradores, que faz Jesus? Apresenta o critério decisivo: a cruz. Escutai, irmãos, o que diz o Senhor: “Isto vos escandaliza? E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes?” Lembremo-nos que, para o Evangelho de São João, a subida de Jesus para o Pai começa na cruz: ali ele será levantado! Vede bem, meus irmãos, que não poderá seguir o Senhor, não poderá suportar as palavras do Senhor, aquele que não estiver disposta a contemplá-lo na cruz! E Jesus previne: “O Espírito é que dá vida; a carne não adianta nada! As palavras que vos falei são Espírito e vida!” Compreendei: somente se nos deixarmos educar pelo Santo Espírito, somente se deixarmos os pensamentos e a lógica à medida da carne, isto é, à medida da mera razão humana, é que poderemos compreender as coisas de Deus, coisas que passam pela cruz de Cristo! Quando se trata do escândalo do Evangelho, “a carne não adianta nada”! Não nos iludamos: entregues à nossa própria razão, pensaremos como o mundo e jamais acolheremos Jesus e suas exigências! E, no entanto, o Senhor continua: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim a não ser que lhe seja concedido por meu Pai!” Vede bem, meus caros: acolher Jesus, compreender suas palavras e acolhê-las, por quanto sejam difíceis e duras, é graça de Deus e somente abertos para a graça poderemos realizá-lo! Como acolher a linguagem da cruz, sem mudar de vida? Como acolher as exigências do Senhor, sem a conversão do coração, sem nos deixarmos guiar pela imprevisível liberdade do Santo Espírito? Quando isso acontece, experimentamos como o Senhor é bom, o quanto é suave, o quando é doce segui-lo! Um belíssimo exemplo disso, a Palavra de Deus nos dá hoje recordando a vida da família cristã. São Paulo pensa o lar cristão como uma pequena comunidade de discípulos de Cristo, uma pequena Igreja e dá conselhos estupendos! O sentimento que deve nortear o comportamento familiar é o amor. Que amor? O das músicas e das novelas? Não! Aquele amor manifestado na cruz, aquele entre Cristo e a Igreja! Que beleza, que desafio, que sonho: marido e mulher se amando como Cristo e a Igreja se amam, marido e mulher sendo felizes na felicidade um do outro: “Sede solícitos uns para com os outros!” Para o cristianismo, meus caros, a família cristã não é primeiramente uma instituição humana, mas uma instituição divina, um sacramento da Igreja. Mais ainda: a família é a primeira Igreja, a primeira comunidade de irmãos em Cristo. Ali, é Jesus quem deve reinar, ali é o santo e doce temor de Deus quem deve regular a convivência. Que desgraça hoje em dia a paganização, a secularização, a banalização da família cristã. Atentos, cristãos: a família é santa, a família é sagrada, a família não pode ser profanada pelo desamor, pela indiferença, pela imoralidade, pela violência, pelo consumismo, pela opressão, pela divisão, pela vulgarização! Que beleza, meus caros, um homem e uma mulher unidos no amor com a bênção do Senhor gerando filhos, gerando amor feito carne, feito gente, para o mundo, para a Igreja, para a vida! Este é o sonho do Senhor para a família! Este e só este! Aos olhos de Deus, não há outra forma legítima e aceitável de união familiar! Um homem, uma mulher; um esposo, uma esposa e os filhos – eis o sonho, eis a bênção, eis a felicidade quando se vive isso de acordo com o amor de Deus em Cristo! Que bênção a convivência familiar! Que doçura poder partilhar as alegrias e tristezas, as lutas e dificuldades num lar cristão, onde juntos se rezam, juntos partilham, juntos vencem-se as dificuldades! São Paulo, encantado com essa realidade, exclama: “É grande este mistério!” Que mistério? O mistério do amor entre marido e mulher, da sua união que gera vida, que é doçura e complementaridade. E o Apóstolo continua: “E eu o interpreto em relação a Cristo e à Igreja!” Atenção! São Paulo está dizendo que a comunhão familiar é imagem da comunhão entre Cristo e a Igreja! É fácil, caríssimos, viver a família assim? Não! Como não é fácil levar a sério a Palavra do Senhor! E Jesus, mais uma vez, nos pergunta: “Isto vos escandaliza?” Escandaliza-vos o matrimônio ser indissolúvel? Escandaliza-vos a fidelidade conjugal? Assusta-vos o dever de gerar filhos com generosidade e educá-los com amor e firmeza? “Quereis também ir embora?” Que nossa resposta seja a de Pedro, dada em nome dos Doze e de todos os discípulos: “A quem iremos, Senhor? Caminhar contigo não é fácil; acolher tuas exigências nos custa; compreender teus motivos às vezes é-nos pesado… Mas, a quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus!”. Que as palavras de Pedro sejam as nossas e, como Josué, possamos dizer: “Eu e minha família serviremos o Senhor!” Escolher a Deus – um Deus difícil! Os ídolos são fáceis e muitos! O Senhor é exigente; e não volta atrás na sua palavra, mesmo quando essa escandaliza. O critério é a cruz (o Filho do homem subindo e julgando). Somente pode compreendê-lo no Espírito, a carne não serve aqui! – Ser cristão não é questão de propaganda ou munganga: é graça; é o Pai quem atrai! Muitos já não andavam mais com ele… Quereis ir embora? Senhor, só tu tens palavras de vida eterna: és o Santo de Deus! Provai e vede quão suave é o Senhor! Uma família que serve o Senhor: a lei que regula é o amor, o mesmo que se contempla na entrega de Cristo, selando a aliança com a Igreja.

15 – SENHOR, A QUEM IREMOS?

Os textos da liturgia de hoje sugerem que, se não servimos a Deus de livre vontade, o serviço pode resultar em hipocrisia. Deus deseja que o sirvamos de todo o coração, mas isso só será possível se fizermos opção consciente por ele. A opção por Deus traz como consequência novas formas de relacionamento com o próximo, a começar em casa. Isso significa que o cristianismo não se separa das relações que constituem a vida humana. Evangelho (Jo 6,60-69): Vós também quereis ir embora? Depois de todos terem visto o sinal do pão e ouvirem o discurso, chegou a hora da decisão da fé: aderir ou rejeitar Jesus como enviado de Deus. A decisão não é apenas da multidão, mas dos discípulos também. É decisão definitiva, porque, a partir daí, os que estão com Jesus também devem participar de seu destino. A palavra de Jesus é muito dura. Somente a fé naquele que pode dar a vida eterna capacita para enfrentar a dureza dessa palavra. Não se trata apenas de ouvir, mas de escutar prontamente para realizar na vida aquilo que se escuta de Deus. No caso, o que eles escutaram diz respeito à adesão incondicional dos discípulos à vida de Jesus. E se isso os escandaliza, o que dirão quando acontecer seu retorno ao Pai? É assim que Jesus concebe sua morte na cruz: como retorno para o lugar de onde veio, para o seio do Pai. O contraste entre carne e espírito refere-se a duas formas de viver. A carne diz respeito ao ser humano entregue a si mesmo e aos limites de suas possibilidades. Por si mesmo é incapaz de perceber o sentido profundo das palavras e dos sinais de Jesus ou de crer. Por isso, é o espírito a força que ilumina o ser humano, lhe abre os olhos e lhe permite discernir a Palavra que se diz em Jesus. Não são duas dimensões do ser humano, mas duas maneiras de viver sua existência. Nem todos os discípulos estão se deixando conduzir pelo espírito, por isso não conseguem dar o próximo passo: a fé. A verdadeira fé significa adesão sem reserva àquele cujas palavras prometem e comunicam a vida eterna: ele é efetivamente o enviado que Deus consagrou. Simão Pedro, representante da comunidade, confessa sua fé em Jesus, dizendo que só ele tem palavras de vida eterna. A quem iremos? Quem poderia nos oferecer uma vida plena, reconciliada com Deus, cuja existência humana é sustentada com seu amor? Só Jesus. 1ª leitura (Js. 24,1-2a.15-17.18b): Escolhei hoje a que deus quereis servir Siquém ocupa lugar de destaque na história dos patriarcas, pois foi por ali que Abraão entrou na terra prometida (Gn. 12,6), rompendo com o passado e recomeçando uma vida nova que se caracterizava pela adoração ao Deus vivo e verdadeiro e pela renúncia ao politeísmo. Nada melhor que fazer a renovação da aliança naquele lugar; com esse objetivo, Josué reuniu ali os representantes das tribos. Antes de tudo, era necessário fazer uma escolha: a quem desejam adorar? Ao Deus que os tirou do Egito ou aos deuses estrangeiros aos quais Abraão, Isaac e Jacó haviam renunciado? Os hebreus responderam à pergunta de Josué de modo enfático, mostrando a opção deles por servir o Senhor em vez dos ídolos. A expressão “Deus nos livre” ressalta o horror à idolatria; adorar os ídolos em vez do Senhor é algo absurdo e não deve ser cogitado em hipótese alguma. A razão dada para a escolha é que eles provaram do cuidado e atenção que Deus teve para com eles, tirando-os da escravidão e guardando-os durante todo o caminho até ali. 2ª leitura (Ef. 5,21-32): Cristo amou a Igreja e se entregou por ela Escrita no século I d.C. sob o império romano, uma sociedade dividida em castas, com senhores e escravos, e em que a posição da mulher dependia da decisão do marido, a carta aos Efésios mostra-se rica em sabedoria, porque se aproveita de elementos desse contexto histórico e cultural para ensinar sobre o relacionamento entre Cristo e a Igreja, ao mesmo tempo que instrui sobre como deve ser a nova forma de os cristãos construírem seus relacionamentos naquela sociedade. Primeiramente deve haver subordinação de uns para com os outros. Assim ninguém tomará o lugar de Deus, pois o motivo dessa subordinação é a reverência ao Senhor. O termo grego correspondente a “subordinai–vos” não é pejorativo; ao contrário, é termo militar que significa estar sob as ordens (ou sob a orientação) de um oficial imediato. Esse termo iguala a todos, pois cada um está sob as ordens de outro, e ao mesmo tempo sugere que há funções diferentes. A expressão “reverência ao Senhor” significa que Deus está acima de qualquer autoridade e que somente a ele e não a outro se deve adorar. No texto de hoje temos uma das mais belas (e menos compreendidas!) analogias paulinas, comparando a relação entre esposo e esposa ao relacionamento entre Cristo e a Igreja. Há alguns elementos sobre os quais a analogia está estruturada que nos ajudam a melhor entendê-la: (1) a esposa deve estar subordinada ao esposo; (2) destaca-se que o motivo dessa subordinação é Cristo e não o marido, ao contrário do que se pensava naquela época; (3) a esposa representa a Igreja e o esposo representa Cristo, o que significa que a subordinação da esposa é imagem da subordinação da Igreja a Cristo; (3) o esposo deve amar a esposa como Cristo amou a Igreja, isto é, o esposo deve dar a vida pela esposa até  a cruz. Como naquela sociedade a responsabilidade maior era a do marido, assim também a maior exigência é feita a ele e não à esposa. Enfim, todos somos membros do mesmo corpo, um não é maior que o outro, embora haja diversas funções. Além disso, esposo e esposa constituem uma única carne, da mesma forma que a Igreja é corpo de Cristo. O mistério da união entre Cristo e a Igreja é muito grande e não há palavras para defini-lo. A analogia com o matrimônio é apenas uma tentativa de compreendê-lo melhor (v. 32) para melhor servir no reino de Deus. Pistas para reflexão: – Encerramos o mês vocacional com textos que enfatizam o valor da opção consciente e instruída. No mundo de hoje, o cristianismo deve ser fruto de uma escolha muito mais que antigamente, pois, no tempo da comunidade primitiva, muitas vezes a família determinava as decisões dos filhos. Hoje, isso já não é possível. A Igreja deve ter a coragem de perguntar a seus membros se têm certeza de que realmente querem continuar a ser cristãos católicos. Além de mostrar que a vivência cristã é fruto de uma escolha, de uma decisão pessoal, a Igreja deve oferecer formação às pessoas para que conheçam e entendam mais profundamente o cristianismo católico e assim possam dar uma resposta mais consciente e segura. – No domingo que vem começará o mês dedicado à Bíblia. Trata-se de ótima oportunidade para que a Igreja tenha membros mais conscientes, mais bem formados na palavra de Deus e mais seguros da decisão de serem cristãos católicos.

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Estamos reunidos para nos alimentar da palavra e do pão que o próprio Jesus nos oferece. Membros do corpo de Cristo e Igreja que ama o Senhor, queremos professar nossa fé nele e aderir ao seu projeto. Celebramos em comunhão com todos os catequistas e com os demais ministros e servidores da comunidade.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

As leituras mostram o caminho para quem quer estar a serviço de Deus. Jesus tem palavras de vida eterna, que nos levam à vivência do amor. Pedro dá exemplo de adesão incondicional ao Senhor.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Ó Senhor, vossas palavras são espírito e vida; as palavras que dizeis bem que são de eterna vida (Jo 6,63.68).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Inclinai, Senhor, o vosso ouvido e escutai-me; salvai, meu Deus, o servo que confia em vós. Tende compaixão de mim, clamo por vós o dia inteiro (Sl 85,1ss).

Antífona da comunhão

Com vossos frutos saciais a terra inteira: fazeis a terra produzir o nosso pão e o vinho que alegra o coração (Sl 103,13ss).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

Rezemos a Deus, fonte de vida e proteção, apresentando-lhe nosso louvor e nossas necessidades. Digamos:

— Ouvi-nos e atendei-nos, Senhor

— Protegei, Senhor, os que anunciam as palavras de vida eterna do vosso Filho, vos pedimos.
— Abençoai os membros das famílias, para que sejam solícitos e amorosos uns com os outros, vos pedimos.
— Alegrai todos os que seguem os passos de Jesus e procuram vos servir nos irmãos e irmãs, vos pedimos.
— Cumulai de entusiasmo e esperança os que se dedicam a algum serviço na comunidade, vos pedimos.
— Abençoai e fortalecei os catequistas na sua missão, vos pedimos.

Oração sobre as oferendas

Ó Deus, que, pelo sacrifício da cruz, oferecido uma só vez, conquistastes para vós um povo, concedei à vossa Igreja a paz e a unidade. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, que fazei agir plenamente em nós o sacramento do vosso amor e transformai-nos de tal modo pela vossa graça, que em tudo possamos agradar-vos. Por Cristo, nosso Senhor.

Fontes de Consultas e Pesquisas

Vamos expor a seguir, os nomes dos sites e blogs a que pertencem os textos que nos preenchem todos os dias com palavras inspiradas pelo Espírito Santo, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

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FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO — “BÍBLIA SAGRADA”

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O importante não é a pessoa que escreve, mas quem inspira essa pessoa a escrever.

O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.

O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que ele nos pede.

Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é saber compartilhar o conhecimento.

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Encontro de amigos com Cristo

Liturgia Diária

A Palavra de Deus na vida

DomTotal.com

Paulinas

Homilia Diária

Evangelho Quotidiano

Evangeli.net

Liturgia Diária Comentada

RCC São Rafael

NPD Brasil

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