LDP: 29/AGO/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

29/AGO/2012 (quarta-feira)

LEITURAS

Leitura do livro do profeta Jeremias 1,17-19 (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Proféticos)

Naqueles dias, a Palavra do Senhor foi-me dirigida: 17 “Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer. Não tenhas medo, senão, eu te farei tremer na presença deles. 18 Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; 19 eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te”, diz o Senhor.

Proclamação do Salmo 70(71), 1-2.3-4a.5-6ab.15ab e 17 (R. 15a) (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

— 15a Minha boca anunciará vossa justiça.
— 1 Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: que eu não seja envergonhado para sempre! 2 Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me!
— 3 Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Porque sois a minha força e meu amparo, + o meu refúgio, proteção e segurança! 4a Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.
— 5 Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude! 6a Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, 6b desde o seio maternal, o meu amparo.
— 15a Minha boca anunciará todos os dias 15b vossa justiça e vossas graças incontáveis. 17 Vós me ensinastes desde a minha juventude, e até hoje canto as vossas maravilhas.

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 6,17-29 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

Naquele tempo, 17 Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. 18 João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. 19 Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. 20 Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. 21 Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22 A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu to darei”. 23 E lhe jurou dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”. 24 Ela saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. 25 E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”. 26 O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27 Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28 trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29 Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram.

… Eu sou o CAMINHO …

O que o texto diz para mim, hoje? Sou capaz de dar testemunho? Sou coerente com a minha fé? A minha verdade é a verdade de Deus? Tenho e me submeto a outras “verdades”? Deixo-me vencer pelos maus instintos, pela covardia, pela mentira, pelo mal? Os bispos na Conferência de Aparecida lembraram: “Identificar-se com Jesus Cristo é também compartilhar seu destino: “Onde eu estiver, aí estará também o meu servo” (Jo 12,26). O cristão vive o mesmo destino do Senhor, inclusive até a cruz: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, carregue a sua cruz e me siga” (Mc 8,34). Estimula-nos o testemunho de tantos missionários e mártires de ontem e de hoje em nossos povos que têm chegado a compartilhar a cruz de Cristo até a entrega de sua vida. “(DAp 140).

… a VERDADE …

O que diz o texto do dia? Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Mc 6,17-29. Como aconteceu com Jesus, aconteceu com João Batista. Teve que se defrontar com os poderosos e testemunhar a verdade até com a própria vida. Que cena cruel, horrível, trazer a cabeça de João numa bandeja! Como se fosse um troféu de  vitória. Vitória da paixão, do poder, da mentira, do egoísmo, do incesto, da vingança, dos baixos instintos! Repugnante! A vida humana servida durante um banquete, numa bandeja! É a ostentação do mal! No entanto, como Jesus, João Batista não se afastou do projeto de Deus. Só se submeteu a Deus e a ninguém mais. Foi verdadeiramente livre!

… e a VIDA …

Pai, que as contrariedades da vida jamais me intimidem e impeçam de seguir adiante, cumprindo minha missão de evangelizador.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Sinto-me discípulo/a de Jesus. Meu olhar deste dia será iluminado pela presença de Jesus Cristo, e pelo esforço de testemunhá-lo no meio em que estou.

REFLEXÕES:

1 – ANÚNCIO DO REINO

Os detalhes desta narrativa sobre a execução de João têm dois efeitos: ironizam um rei fraco e sensual e advertem os discípulos de Jesus nas comunidades que se inclinam a interpretar Jesus como messias poderoso. De Jesus, assim como de João, não se deve esperar a glória e o poder, mas, sim, o serviço humilde e divino, porém frágil diante dos poderosos deste mundo. O dom da vida eterna não pertence aos poderosos, mas a Deus. O desfecho da vida de João Batista é apresentado em paralelo, como prefiguração do desfecho da vida de Jesus: anúncio do Reino, perseguição, articulação dos poderosos e morte. E para ambos se tem a percepção de sua permanência nas comunidades, após a morte.

2 – A MORTE DE JOÃO BATISTA

Todos nós temos dificuldades para viver a radicalidade exigida pelo Evangelho e diversas vezes nos acovardamos diante das ameaças. Uma das maiores ameaças que sofremos hoje, quando procuramos viver o Evangelho, encontra-se no fato de que a sociedade ridiculariza todos aqueles que não fundamentam a sua vida nos valores do mundo. Mas isso também acontecia nos tempos de Jesus, como podemos perceber na narrativa da morte de João Batista e no julgamento do próprio Jesus. Mas nós não podemos ceder aos mecanismos que são usados pelo mundo moderno contra o Evangelho; devemos expor com coerência as verdades da nossa fé.

3 – UM EXEMPLO DE LIBERDADE

O relato do destino trágico de João Batista serve de lição para os discípulos de Jesus, no exercício da missão. A liberdade, que o Precursor demonstrou, deverá ser imitada por quem está a serviço do Reino, e se defronta com tiranos e prepotentes, que intimidam e querem calar quem lhes denuncia as mazelas. Prevalecendo-se de sua condição, Herodes seduziu a mulher do irmão para se casar com ela. João Batista não teve medo de enfrentá-lo, e dizer-lhe não ser permitido conservar como esposa, quem não lhe pertencia. Sua condição real não lhe dava o direito de praticar tamanha arbitrariedade. O profeta João sabia exatamente com quem estava falando. Ele um “zé ninguém”, questionando uma autoridade estabelecida pelo imperador, com direitos quase absolutos sobre os cidadãos. Por isso, não lhe parecia errado atropelar o direito sagrado de seu irmão, de ter uma esposa. Por outro lado, todos conheciam muito bem o espírito violento da família de Herodes. Mesmo assim, João não hesitou em denunciá-lo publicamente. Quiçá não contasse com a ira de Herodíades, atingida também pela denúncia. Foi ela quem instigou Herodes a consumar sua maldade: decapitar a quem mandara lançar na prisão, por ter-lhe lançado em rosto o seu pecado. O testemunho de João Batista inspira a quem se tornou discípulo da verdade.

4 – O HEROICO EXEMPLO DE SÃO JOÃO BATISTA

Hoje, dia 29 de agosto, a tradição cristã recorda o martírio de São João Batista, “o maior entre os nascidos de mulher”, segundo o elogio do próprio Messias. Ele prestou a Deus o testemunho supremo do sangue, imolando a sua existência pela verdade e a justiça. Com efeito, foi decapitado por ordem de Herodes, a quem tinha ousado dizer que não era lícito casar com a mulher do seu irmão, como acabamos de ler no Evangelho de hoje. Falando da morte de João Batista, o Papa João Paulo II diz, na Carta Encíclica “Veritatis Splendor” (cf. n. 91), que o martírio constitui um sinal preclaro da santidade da Igreja. Efetivamente, ele “representa o ponto mais alto do testemunho a favor da verdade moral”. Se são relativamente poucas as pessoas chamadas ao sacrifício supremo, há, porém, um testemunho coerente que todos os cristãos devem estar prontos a dar em cada dia, mesmo à custa de sofrimentos e de graves sacrifícios. Assim você, meu irmão, não pode nem deve fugir. Desde o início do Cristianismo, percebemos três elementos quase sempre unidos: testemunho, profecia e doação da própria vida. É verdadeiramente necessário um compromisso com estas três vias – por vezes heroicas – para não ceder até mesmo na vida cotidiana: em casa com o marido, com os filhos, colegas do trabalho, com os familiares de perto ou de longe. É necessário saber que as dificuldades nos levam ao compromisso de viver, na totalidade, o Evangelho. O heroico exemplo de São João Batista nos deve fazer pensar nos mártires da fé que, ao longo dos séculos, seguiram corajosamente as suas pegadas. De modo especial, voltemos à mente os numerosos cristãos que, no mundo inteiro, foram vítimas do ódio e da perseguição religiosa. Mesmo hoje, n’algumas partes do mundo, os fiéis continuam a serem submetidos a duras provações em virtude da sua adesão a Cristo e à Sua Igreja. Os impérios opressores que existiram na história continuaram deixando seus mártires. Seus projetos elitistas e imperialistas fizeram com que seus chefes continuassem a se embriagar com o sangue dos mártires. Portanto, o martírio não deve ser buscado por ninguém. Em última palavra, é uma graça de Deus. Mas dele não se deve fugir, se é necessário dar o testemunho e para defender a vida do povo. Jesus também nos ensina que não devemos ter medo daqueles que matam o corpo. Por isso, dar a vida é a melhor forma de amor, a exemplo de Jesus que nos amou até o extremo. O máximo do amor é dar a vida pelos seus. Deste modo, a vida não é tirada, mas é dada livremente. Foi isso que fez São João Batista em meio à crueldade que ameaçava a fidelidade conjugal: lutou e sendo testemunha – e testemunho fiel – derramou o seu sangue, pagando com a própria vida. Ontem como hoje, o banquete dos criminosos continua sendo regado a sangue, como foi o de Herodes, como nós ouvimos no Evangelho de hoje. Por isso, lembrar a morte de João Batista é não deixar morrer sua história, é recordar o seu testemunho, sua profecia e sua coragem. É lembrar que, se preciso for, todos devemos estar dispostos a “lavar as nossas vestes e as branquear no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14).

5 – E TU, MENINO, SERÁS CHAMADO PROFETA DO ALTÍSSIMO

De entre os títulos de glória do santo e bem-aventurado João Batista, cuja festa hoje celebramos, não sei qual prefiro: se o seu nascimento milagroso ou a sua morte, ainda mais milagrosa. O seu nascimento trouxe uma profecia (Lc 1,67ss.), a sua morte a verdade; o seu nascimento anunciou a chegada do Salvador, a sua morte condenou o incesto de Herodes. Este santo homem […] mereceu, aos olhos de Deus, não desaparecer da mesma forma que os outros homens deste mundo: deixou este corpo recebido do Senhor confessando-O. João cumpriu em tudo a vontade de Deus, uma vez que a sua vida e a sua morte correspondem aos Seus desígnios. […] Ainda se encontrava no ventre de sua mãe e já celebrava a chegada do Senhor com os seus movimentos de alegria, uma vez que não podia fazê-lo com a voz. Isabel diz a Santa Maria: «Pois logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio» (Lc 1,44). João exulta antes de nascer e, antes de os seus olhos verem o mundo, o seu espírito reconhece já Aquele que é o seu Senhor. Penso que é este o sentido da frase do profeta: «Antes que fosses formado no ventre de tua mãe, Eu já te conhecia; antes que saísses do seio materno, Eu te consagrei» (Jr 1,5). Não é de surpreender que, encarcerado na prisão para onde Herodes o enviara, tenha continuado a pregar por intermédio dos seus discípulos (Mt 11,2), uma vez que, ainda no ventre de sua mãe, anunciara já com os seus movimentos a vinda do Senhor.

6 – JOÃO VIVIA DIZENDO A HERODES: NÃO TE É PERMITIDO TER A MULHER DO TEU IRMÃO

Hoje lembramos o martírio de São João Batista, o Precursor do Messias. A vida toda do Batista gira em torno à Pessoa de Jesus, de forma tal que sem Ele, a existência e a tarefa do Precursor do Messias não teria sentido. E, desde as entranhas da sua mãe, sente a proximidade do Salvador. O abraço de Maria e de Isabel, duas futuras mães, abriu o dialogo dos dois meninos: o Salvador santificava a João e, este pulava de entusiasmo dentro do ventre da sua mãe. Na sua missão de Precursor manteve esse entusiasmo que etimologicamente significa estar cheio de Deus, preparou-lhe os caminhos, nivelou-lhe as rotas, rebaixou-lhe as cimas, o anunciou já presente e, o assinalou com o dedo como o Messias: «Eis aqui o Cordeiro de Deus» (Jo 1,36). No ocaso de sua existência, João, ao predicar a liberdade messiânica a aqueles que estavam cativos dos seus vícios, é encarcerado: «João dizia a Herodes: Não te é permitido ter a mulher do teu irmão» (Mc 6,18). A morte do Batista é a testemunha martirizante centrada na pessoa de Jesus. Foi seu Precursor na vida e, também lhe precede agora na morte cruenta. São Beda nos diz que «está encerrado, na escuridão de um cárcere, aquele que tinha vindo dar testemunho da Luz e, havia merecido da boca do mesmo Cristo (…) ser denominado lâmpada ardente e luminosa. Foi batizado com seu próprio sangue, aquele a quem antes lhe foi concedido batizar ao Redentor do mundo». Queira Deus que a festa do Martírio de São João Batista entusiasme-nos, no sentido etimológico do término e, assim cheios de Deus, também demos testemunho de nossa fé em Jesus com coragem. Que nossa vida cristã também gire em torno à Pessoa de Jesus, o que lhe dará seu pleno sentido.

7 – A VOZ DA NOSSA CARNE, DO ORGULHO, DA VAIDADE E DA SOBERBA É PODEROSA QUANDO NOS AFASTAMOS DOS CAMINHOS DE DEUS

Quando somos escravos do pecado, os homens santos se tornam para nós um empecilho à realização dos nossos planos e projetos. Não gostamos de escutar deles as palavras que apontam as nossas transgressões e abrem os nossos olhos para enxergar o erro, não obstante, lá no íntimo nós reconheçamos que não estamos no caminho certo. A voz da nossa carne, do orgulho, da vaidade e da soberba é poderosa quando nos afastamos dos caminhos de Deus. Foi isto que aconteceu com Herodes: apesar de ser censurado por João Batista pelo seu pecado de adultério, ele gostava de escutá-lo falar e o admirava. Porém na sua fraqueza e miséria ele deixou-se levar pela inclinação do mal. Para satisfazer os apetites de Herodíades, sua amante ele foi até as últimas consequências mandando degolar João Batista, homem justo, que dizia apenas a verdade. Nós também só gostamos de escutar o que nos agrada. A Palavra de Deus que alguém nos ensina enche o nosso coração até o momento em que ela coincide com os nossos interesses. Quando a Palavra vem de encontro à nossa mentalidade, nós a matamos e a deixamos de lado ou simplesmente a ignoramos. Vale tudo também quando nós queremos ganhar um jogo de conquista de poder e de prazer, até entregarmos a cabeça de gente inocente. Sofremos, pois, a consequência e, por isso, não temos paz. Reflita – João Batista foi fiel até a morte: o que terá feito com que ele assim permanecesse? – Do que você precisa para ser fiel a Lei de Deus? – O que você teria feito no lugar de Herodes, que queria agradar à filha da sua amante? – Qual é a sua reação quando alguém lhe adverte e mostra o seu pecado? – Você acolhe de coração toda a mensagem da Palavra de Deus, mesmo quando vem de encontro ao seu modo de enxergar as coisas? O que não lhe agrada? Amém! Abraço carinhoso!

8 – QUERO QUE ME DÊS AGORA, NUM PRATO, A CABEÇA DE JOÃO BATISTA

Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista. Hoje nós celebramos a memória do martírio de S. João Batista. O Evangelho narra o fato. Ele é o protótipo do profeta, o homem possuído totalmente pela missão de pregar a Palavra, de anunciar aos homens a vontade divina. Nada pode demovê-lo desta missão ou intimidá-lo. O próprio Jesus disse a respeito de João: “Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?… Um profeta? Sim, eu vos digo, e mais do que profeta. Este é de quem está escrito: Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho diante de ti” (Mt 11,7-10). A missão de João Batista foi a de precursor do Messias; ele deu testemunho de Cristo pelas altas virtudes, pelas rigorosas penitências, pela palavra vigorosa em denunciar os vícios, as injustiças, animando a sociedade judaica a converter-se a Deus na sinceridade do coração. À frente do governo da Galileia estava Herodes Antipas, filho daquele Herodes, chamado o Grande, criminoso e déspota, que viveu no tempo do nascimento de Cristo. Herodes Antipas vivia escandalosamente com a própria cunhada, esposa de seu irmão Filipe. Essa união ilícita era motivo de grande escândalo no meio judaico. Ainda mais que naquele tempo o povo procurava imitar o rei e a rainha em tudo. E não havia quem se sentisse com coragem de censurar o monarca. João Batista não podia, como profeta, ficar omisso, e declarou publicamente e com toda franqueza: “Não te é lícito viver com a mulher de teu irmão”. Herodíades, a mulher escandalosa, não aturou essa censura, e queria vingar-se. Conseguira que Herodes mandasse encarcerar João Batista, apesar de o monarca lhe dedicar grande veneração. Agora, ela leva a cabo a sua vingança. “João era a lâmpada que iluminava com sua chama ardente, e vós gostastes, por um tempo, de alegrar-vos com a sua luz” (Jo 5,35). Muita gente pensa que as faltas sexuais não têm maior importância, e pouco têm a ver com a salvação da humanidade. A Bíblia, ao contrário, nos mostra que não se dá um passo adiante, senão com homens e mulheres responsáveis, que são capazes de colocar o sexo a serviço do amor, em vez de se deixar escravizar por seus instintos. Por isso, João Batista não podia falar de justiça, sem recordar os compromissos do matrimônio; e, como profeta, devia colocar o rei Herodes igual a qualquer cidadão. Nós somos convidados a imitar João Batista, e falando a verdade, mesmo que, com essa fala, possamos atingir pessoas poderosas que vão depois nos dar o troco. O mundo continua não suportando a verdade, porque vive na mentira e na corrupção. E nós cristãos, muitas vezes, “fechamos um olho” porque temos medo de perder cargos, oportunidades, a vida. Se um dia você estiver, em nome de Cristo, anunciando a justiça e a verdade, e for por isso atacado por alguém, alegre-se, porque você foi premiado com uma bem-aventurança: “Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,10). Certa vez, uma senhora bem idosa teve um sonho. Ela sonhou que havia morrido e estava na porta do céu, esperando. Havia várias almas lá, todas em fila. De repente S. Pedro chegou e abriu a porta do céu. Então a senhora olhou para dentro e viu uma infinidade de velas. Umas acesas, outras apagadas, algumas já estavam quase no fim e outras no começo. Umas estavam se apagando e outras tinham a chama grande e bonita. A senhora perguntou para S. Pedro que velas eram aquelas. Ele respondeu: “São as velas que cada um recebeu no dia do seu batismo. Uns cuidam bem, outros não cuidam e até a deixam apagar. A situação é esta que a senhora está vendo”. A mulher então perguntou: “S. Pedro, e a minha está aí?” “Está sim” – disse S. Pedro – é aquela ali”. Era uma vela que estava já no toquinho, mas ainda acesa. E S. Pedro continuou: “Depois que a pessoa entra aqui, este fogo da sua vela se junta com a luz de Deus que ilumina todo céu”. Resta saber como está a nossa vela! “Vós sois a luz do mundo”. Todos somos profetas, e o profeta deve ser como João Batista: a luz de Deus deve brilhar forte através de nós, anunciando a justiça e denunciando as injustiças pecados, sem medo das consequências. Maria Santíssima é chamada, na Ladainha, de Rainha dos Profetas. Vamos pedir a ela que nos ajude a sermos também bons e corajosos profetas. Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista.

9 – A MORTE DE JOÃO BATISTA

Podemos iniciar nossa reflexão relatando a coragem de João Batista. Não hesitou em nenhum momento em levar a boa notícia para todos de que o Messias estava preste a chegar e se quisesse viver na dignidade do Cristo libertador deveria o homem viver no ensinamento do amor, na paz e na fraternidade. João Batista para levar avante a missão de preparar o homem para receber o Messias enfrentou os poderosos de forma exemplar. Não aceitava que a discrepância existisse no seio da sociedade. Porém, aqueles que concentravam poder nas mãos e usufruíam dos privilégios, moralmente não respeitavam os princípios do bom-convívio. Descaracterizavam a harmonia e o respeito ético, não priorizavam a solicitude entre as pessoas e para eles quem tinha poder deveriam comandar o povo da maneira mais enérgica, ou seja, o povo deveria ser governado “a ferro e brasa”. O que aconteceu então para matar João Batista? O que fez para receber tal sentença severa? Por que Herodíades pediu a sua filha a cabeça do profeta do deserto? Por que o rei Herodes aceitou o pedido da moça? Não queremos esgotar as perguntas e nem as repostas, mas podemos tentar compreender o fato narrado pelo evangelista Marcos. Entretanto, temos uma resposta ápice deste contexto: “João Batista morreu pela sua coragem de denunciar as coisas erradas e, para calar a voz do deserto, o caminho mais fácil foi tombar o profeta, ou seja, os poderosos não aceitaram ser questionados quanto suas atitudes nefastas e nojentas”. Tudo aconteceu por causa da esposa de Felipe, irmão de Herodes. Ele queria casar com Herodíades, mas João Batista advertia: “não te é permitido ficar com a mulher de teu irmão”. Por causa desta máxima, Herodíades queria acabar com sua vida. Acreditava que João Batista era um estorvo para sua prática suja. Na verdade, Herodíades queria ficar com Herodes por causa de sua fortuna e prestígio. Logo a moral e o respeito deveriam ser ignorados. Mas para João Batista, Herodíades deveria ainda respeitar a honra e a consciência de seu esposo Felipe. Mas Herodes tinha medo de dar cabo à vida de João. Temia algo inesperado. Sabia que João era homem simples, mas de imensa sabedoria. Tudo que estava pregando era verdade. Mas o poder poderia falar mais alto. Foi o que aconteceu. Herodes prometeu a filha de Herodíades qualquer coisa que pedisse. Como rei, autoridade máxima, cumpriria o pedido. Não tardou para Herodíades colocar seu desejo em evidência. Fez sua filha pedir a cabeça de João Batista numa bandeja de prata. Desejo pedido, palavra de rei, desejo realizado. A cabeça de João Batista foi desfilada numa bandeja por todo o salão. A cabeça de João Batista numa bandeja representa a prisão do povo. Representa a falta de liberdade, falta da praticidade da ética e da moral. Representa o desprezo dos governantes pelo povo. A cabeça de João Batista representa a falta de fé e de amor dos grupos privilegiados. As únicas coisas que alimentam a vida dos gananciosos são os prazeres de matar, de inibir e de enterrar o pensamento livre de acordo com os ensinamentos. A falta de fé e de compromisso com a vida pode levar a tal feito nada agradável. Onde Deus não é aceito e seus preceitos são banalizados a dignidade e a verdade tem outras tonalidades. O mundo nefasto ainda persiste no contexto atual. São notícias pavorosas veiculadas nos meios de comunicação quanto à banalidade do respeito: são pais, tios, primos, sobrinhos abusando sexualmente de seus parentes menores, são homens e mulheres pagando para satisfazer o desejo libidinoso, são famílias sendo destruídas por outras pessoas que entra no contexto família, enfim, são traições, abusos e destempero de pudor que assolam a sociedade que deveria estar preparada para viver na fraternidade. João Batista denunciava estas misérias em seu tempo. Não permitia que uma sociedade estivesse suja para receber o Messias, tanto que preparava o povo batizando para conversão dos pecados. Mas a sociedade dos poderosos não aceitava os ensinamentos de João e procurava retirar de cena para continuar o vexame. O que temos de exemplo neste Evangelho é um homem que morreu por pregar a verdade e deve nos motivar para continuar a luta da desmistificação da sociedade. Os filhos do Homem devem respeitar uns aos outros, devem preencher a vida com beleza da divindade, devem colocar o Messias no primeiro plano e fazer acontecer à vida plena na sociedade. Enfim, mataram João Batista para continuar a sujeira do pecado. Mas a ideia deste homem que lutou até sua morte não deve morrer com o seu corpo, a ideias ou os ensinamentos devem crescer para dar vida com perspicácia para todos. Sejamos um João Batista que soube representar Jesus e colocamo-nos a serviço da verdade com amor. Amem!

10 – HERODES, UM CRISTÃO SEM CONVICÇÃO

Herodes, um Cristão sem convicção. Herodes gostava muito de João Batista e suas pregações no deserto, achava as palavras bonitas e a mensagem chegava a tocar o seu coração. Era um ouvinte entusiasta da Palavra de Deus, poderia tornar-se um discípulo, sua alta posição não o impedia de viver a sua Fé. Entretanto parece que a semente da Palavra caiu em uma terra sufocada pelos espinhos, Herodes estava amasiado com sua cunhada Herodíades e quando João Batista acusou o seu pecado de adultério, Herodes não gostou muito da ideia, começou a pensar que João Batista ainda era um bom pregador, mas que de vez em quando se equivocava, quando queria interferir na vida dos outros, pois cada um deve viver do jeito que quiser e fazer também o que quiser, sem que a Religião interfira em suas decisões, dizendo o que é certo ou o que é errado. É o cristianismo do oba-oba, sem nenhum compromisso com as virtudes do evangelho, e com as verdades ensinadas por Jesus. Herodes se sairia muito bem neste mundo da pós- modernidade onde as pessoas, em sua grande maioria também são assim, até mesmo aquelas ligadas a alguma pastoral ou movimento, elas pensam assim “Está tudo lindo e maravilhoso, mas que a Igreja não me venha dizer o que devo fazer em certas questões da minha vida”. A Igreja como portadora e anunciadora da Palavra de Deus, jamais deve deixar de lado a sua missão profética, aonde a verdade do evangelho for violada ou ignorada, devem os pastores da Igreja, de maneira prudente e corajosa, anunciar a verdade denunciando a ação pecaminosa de quem a comete. Herodes colocou o prazer da sua relação com Herodíades acima de qualquer princípio, e na sua Festa de aniversário, achando-se um deus, que tudo pode, decidiu fazer o gosto da dançarina, poderia ela pedir qualquer coisa que ele a daria. Hoje em dia, na busca do prazer e da satisfação dos desejos, vale tudo e pode de tudo. Qualquer profeta intrometido que quiser ser um estraga-prazer deverá ser tirado do caminho, e Herodíades, a amasiada de Herodes, nem pensou duas vezes para pedir a cabeça de João Batista em uma bandeja. Fazemos parte de uma sociedade onde a Vida Humana nada vale; na busca do prazer e do poder estamos diante de um “Vale Tudo”, haja vista os mártires da igreja, que aqui e ali, continuam incomodando e por isso, como João Batista acabam sendo eliminados, por causa do evangelho. A Igreja precisa cada vez mais de cristãos iguais a João Batista, que sejam capazes de dar a vida pela Verdade, pois de cristãos do tipo Herodes, que praticam a religião do descompromisso, muitos templos andam sempre lotados…

11 – QUERO QUE ME DÊS AGORA, NUM PRATO, A CABEÇA DE JOÃO BATISTA

A missão de João foi a de ser o precursor do evangelho de Jesus; a nossa é a de sermos continuadores dessa missão. Como João, preparamos a vinda do Messias na vida do povo; como João, nossa tarefa principal se concentra em testemunharmos a verdade que Deus revela em Jesus de Nazaré, ajudando outras pessoas a buscar e seguir Jesus. A missão de João nos ajuda também a entender a missão de Jesus. Enquanto João deveria preparar o povo e os governantes de Israel para o juízo de Deus; a tarefa de Jesus foi de preparar um novo povo para a chegada do Reino de Deus. O batismo de João exigia uma mudança de mentalidade para superar o pecado; o batismo de Jesus, além da conversão, pede para assumir uma nova espiritualidade na qual o crente se reconhece como filho ou filha de Deus. João atua no deserto, no lugar do nascimento de Israel; Jesus atua nas cidades e aldeias, ali onde o povo luta diariamente por seu sustento. Ambos, João e Jesus, possuem o mesmo objetivo de vida: oferecem suas vidas como testemunhos da verdade que comunicam.

12 – …

13 – …

14 – …

15 – …

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

João (séc. I) – “O maior entre os nascidos de mulher”, nas palavras de Jesus, a quem anunciou e batizou – morreu por dar testemunho de sua fé e denunciar as injustiças dos poderosos. Seu martírio deve ser lembrado com o de todas as pessoas que perderam a vida pela fidelidade ao evangelho.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

A confiança em Deus nos enche de coragem para enfrentar as lutas da vida. João Batista foi alguém que não temeu denunciar o pecado, mesmo sabendo das consequências.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, porque o reino dos céus há de ser deles! (Mt 5,10).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Diante dos reis falo da vossa aliança, sem temer a vergonha. Encontro alegria em vossos preceitos, porque muito os amo (Sl 118,46s).

Antífona da comunhão

João Batista dizia a seus discípulos: É preciso que ele cresça e que eu diminua (Jo 3,27.30).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Ó Deus, quisestes que são João Batista fosse o precursor do nascimento e da morte do vosso filho; como ele tombou na luta pela justiça e pela verdade, fazei-nos também lutar corajosamente para testemunhar a vossa palavra. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Senhor, ouvi nossa oração.

— Santificai, Senhor, continuamente vossa Igreja e dai-lhe força na denúncia contra o pecado.
— Iluminai todos os povos, para que rejeitem a violência e a mentira e se abram a Cristo.
— Ensinai os governantes a promover políticas públicas que melhorem a vida dos menos favorecidos.
— Amparai os doentes na busca da saúde e os desempregados na busca de empregos.
— Iluminai-nos, para que, guiados por João Batista, sejamos anunciadores das vossas maravilhas.

Oração sobre as oferendas

Ó Deus, pela oferenda que vos apresentamos, dai-nos aquela retidão dos vossos caminhos que são João Batista, voz que clama no deserto, ensinou e confirmou com seu sangue. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso. Proclamamos, hoje, as maravilhas que operastes em são João Batista, precursor de vosso Filho e Senhor nosso, consagrado como o maior entre os nascidos de mulher. Ainda no seio materno, ele exultou com a chegada do salvador da humanidade e seu nascimento trouxe grande alegria. Foi o único dos profetas que mostrou o Cordeiro redentor. Batizou o próprio autor do batismo nas águas assim santificadas e, derramando seu sangue, mereceu dar o perfeito testemunho de Cristo. Por essa razão, unidos aos anjos e a todos os santos, nós vos aclamamos, jubilosos, cantando (dizendo) a uma só voz…

Fontes de Consultas e Pesquisas

Vamos expor a seguir, os nomes dos sites e blogs a que pertencem os textos que nos preenchem todos os dias com palavras inspiradas pelo Espírito Santo, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

– – – – – – –

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO — “BÍBLIA SAGRADA”

– – – – – – –

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem inspira essa pessoa a escrever.

O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.

O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que ele nos pede.

Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é saber compartilhar o conhecimento.

– – – – – – –

Encontro de amigos com Cristo

Liturgia Diária

A Palavra de Deus na vida

DomTotal.com

Paulinas

Homilia Diária

Evangelho Quotidiano

Evangeli.net

Liturgia Diária Comentada

RCC São Rafael

NPD Brasil

Anúncios
Esse post foi publicado em Religião. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s