LDP: 08/SET/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

08/SET/2012 (sábado)

LEITURAS

Leitura da profecia de Miqueias 5,1-4 (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Proféticos)

Assim diz o Senhor: 1 “Tu, Belém de Éfrata, pequenina entre os mil povoados de Judá, de ti há de sair aquele que dominará em Israel; sua origem vem de tempos remotos, desde os dias da eternidade. 2 Deus deixará seu povo ao abandono, até ao tempo em que uma mãe der à luz; e o resto de seus irmãos se voltará para os filhos de Israel. 3 Ele não recuará, apascentará com a força do Senhor e com a majestade do nome do Senhor seu Deus; os homens viverão em paz, pois ele agora estenderá o poder até aos confins da terra, 4ae ele mesmo será a paz”.

Proclamação do Salmo 70(71),6; 12(13),6 (R. Is 61,10) (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

— Is 61,10 Exulto de alegria no Senhor.
— 70,6 Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, + desde o seio maternal, o meu amparo: para vós o meu louvor eternamente!
— 12,6 uma vez que confiei no vosso amor, + meu coração, por vosso auxílio, rejubile, e que eu vos cante pelo bem que me fizestes!

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 1,1-16.18-23 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

1 Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. 2 Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacó; Jacó gerou Judá e seus irmãos. 3 Judá gerou Farés e Zara, cuja mãe era Tamar. Farés gerou Esrom; Esrom gerou Aram; 4 Aram gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson Gerou Salmon; 5 Salmon gerou Booz, cuja mãe era Raab. Booz gerou Obed, cuja mãe era Rute. Obed gerou Jessé. 6 Jessé gerou o rei Davi. Davi gerou Salomão, daquela que tinha sido a mulher de Urias. 7 Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; 8 Asa gerou Josafá; Josafá gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; 9 Ozias gerou Jotão; Jotão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; 10 Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias. 11 Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no tempo do exílio na Babilônia. 12 Depois do exílio na Babilônia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; 13 Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azor; 14 Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; 15 Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Mató; Mató gerou Jacó. 16 Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. 18 A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. 20 Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. 22 Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23 “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”.

… Eu sou o CAMINHO …

O que o texto diz para mim, hoje? Qual palavra mais me toca o coração? Entro em diálogo com o texto. Reflito e atualizo. O que o texto me diz no momento? Os bispos na Conferência de Aparecida, nos ajudaram a reavivar a nossa fé da presença de Deus que está presente e atuante também na nossa história. Disseram: “A história da humanidade, história que Deus nunca abandona, transcorre sob seu olhar compassivo. Deus amou tanto nosso mundo que nos deu seu Filho. Ele anuncia a boa nova do Reino aos pobres e aos pecadores. Por isso, nós, como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Anunciamos a nossos povos que Deus nos ama, que sua existência não é uma ameaça para o homem, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino, que Ele nos acompanha na tribulação, que alenta incessantemente nossa esperança em meio a todas as provas. Os cristãos são portadores de boas novas para a humanidade, não profetas de desventuras” (DAp 29).

… a VERDADE …

O que diz o texto do dia? Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Mt 1,1-16.18-23, e observo pessoas, palavras, relações, lugares. O início do Evangelho de Mateus (v. 1-16) afirma que Jesus é descendente de Davi e de Abraão. Indicava a continuidade e fidelidade da promessa de Deus. Outro detalhe é a presença de quatro mulheres: Tamar, Raabe, Rute, a mulher que tinha sido esposa de Urias (Bateseba). De Abraão a Cristo sucedem-se três grupos de catorze gerações cada. Esta precisão indica que só Jesus e não outro, é o ponto de chegada da promessa divina. Só ele é o messias. O evangelista quer registrar que em toda esta história e através destas pessoas Deus se fez presente e atuante. Também Maria se encontra nesta lógica divina: “Jacó foi pai de José, marido de Maria, e ela foi a mãe de Jesus, chamado Messias”. Por que a descrição não segue como vinha sendo feita: “a” foi pai de “b”? Por que Maria, e não José, está na origem da geração de Cristo? – perguntamos. Isto se explica pelo próprio Evangelho quando afirma que Maria “concebeu um filho por obra do Espírito Santo”. A preocupação do evangelista é iluminar a verdadeira identidade de Jesus, descendente de Davi, de modo extraordinário, o Salvador, Emanuel, Deus-conosco, nascido virginalmente de Maria.

… e a VIDA …

Pai, que a presença de teu Filho Jesus, na História, leve à plenitude a obra de tua criação, fazendo desabrochar, em cada coração humano, o amor para o qual foi criado.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vou demonstrar pela vida que o amor de Deus está presente e atuante na nossa história. Escolho uma frase ou palavra para memorizar. Vou repeti-la durante o dia. Esta Palavra vai fazendo parte da minha vida, da minha mente, como a chuva que cai e produz seus efeitos (Is 55,10-11).

REFLEXÕES:

1 – MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO

Cada evangelista tem características próprias que refletem as fontes de onde colheram suas narrativas e a cultura e os problemas das comunidades para as quais redigem seus evangelhos. Mateus, redigindo para uma comunidade de cristãos oriundos do judaísmo, faz uma inculturação de Jesus na tradição do Primeiro Testamento. Por sua genealogia, José é inserido na linhagem davídica, e pela acolhida de José a Maria, o menino, Jesus, que foi concebido, torna-se um herdeiro messiânico. Contudo, Jesus rejeitou esta expectativa messiânica de poder, no estilo davídico. Manso e humilde de coração, Jesus vem revelar o amor e a misericórdia do Pai, acolhedor a todos os povos e nações.

2 – NATIVIDADE DE MARIA

Jesus se insere na história da humanidade e, ao fazê-lo, também passa a ter uma história. Ele é verdadeiramente homem e assume em tudo a condição humana, menos o pecado. Ao comemorarmos o nascimento da Virgem Maria, estamos comemorando um fato da história do próprio Cristo, pois o seu nascimento está condicionado ao dela, uma vez que ele é seu descendente, já que ela é sua mãe. Com isso, podemos perceber o Senhor da história se inserindo e agindo na própria história da humanidade, para nela realizar o seu plano de amor e salvação.

3 – A HUMANIDADE DO MESSIAS

A genealogia de Jesus contém elementos importantes para a correta compreensão de sua identidade. Seu objetivo é mostrar a inserção de Jesus na história do povo de Israel e fazer sua presença, na história humana, ligar-se com a longa história da salvação da humanidade. Jesus, portanto, é apresentado como verdadeiro homem e não como um ser estranho, vindo do céu, não se sabe bem como. A sucessão de gerações, que prepara a vinda do Messias Jesus, é um retrato da humanidade a ser salva por ele. Repassando a lista de nomes, encontramos gente de todo tipo: piedosos e ímpios, pessoas de comportamento correto e gente de vida não recomendável, operadores de justiça e indivíduos sem escrúpulos no trato com os semelhantes, judeus e estrangeiros, homens e mulheres. Todos eles formam o substrato humano no qual nasceu Jesus. Esta é a humanidade carente de salvação, para a qual ele foi enviado pelo Pai. Jesus, porém, é apresentado como dom salvífico do Pai para a humanidade. O fato da concepção virginal aponta nesta direção. Quando a lista chega em José, diz-se que ele é o esposo de Maria da qual nasceu Jesus. A sucessão pela linha masculina é rompida, ficando implícito que o Pai de Jesus é o próprio Deus. Ou seja, a salvação não é obra do ser humano. Ela é oferecida pelo Pai por meio do Messias Jesus.

4 – QUAL O SEGREDO DA VIDA DE MARIA?

Hoje, a liturgia celebra a Natividade de Nossa Senhora, ou seja, o aniversário de Maria. Só alguns santos, pela participação singular na história da salvação, têm celebração da memória do dia do nascimento e do dia da morte. João Batista e Nossa Senhora se unem a Jesus, o Senhor, nesta particularidade. Este é o dia em que Deus começa a pôr em prática o Seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Esta “casa”, que é Maria, foi construída com sete colunas, ou seja, os dons do Espírito Santo. Conta-nos a tradição que os pais de Nossa Senhora – Joaquim e Ana – já eram velhos e não tinham filhos; visitados por Deus em sua honestidade e fidelidade ao Senhor, Ana ficou grávida de Maria, a qual, ao nascer, logo cedo foi apresentada no Templo e consagrada ao Senhor. Maria é escolhida por Ele desde o ventre de sua mãe, tornando-a Imaculada, sem a mancha do pecado original em vista da missão que ela teria: ser a Mãe do Salvador. “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo” (cf. Lc 1, 20). Este é o segredo da vida de Maria; desde seu nascimento, sua vocação era caminhar com seu Filho até a cruz e também no nascimento da Igreja em Pentecostes. O segredo da vida de Nossa Senhora é ser conduzida pelo Espírito Santo. Maria nada fez sem a ação do Espírito de Deus, por isso, Ele é a “cheia de graça”. Era esposa e mãe, educadora, dona de casa guiada, conduzida pela ação de Deus. Dócil e obediente, ao mesmo tempo em que educava e ensinava, era submissa a Jesus e Sua missão: “Fazei tudo que Ele vos disser”, disse Maria, nas Bodas de Caná, àqueles que serviam (cf. Jo 2, 5). Celebrar o aniversário da Mãe de Jesus é celebrar sua participação na história da salvação, sua vocação e o mistério da escolha de Deus sobre a humanidade. O desígnio salvífico de Deus passa pelo ‘sim’ de cada pessoa, de cada filho e filha. O Senhor nos criou sem nós, mas ‘não pode’ nos salvar sem a nossa participação. Isso fala de amor, de liberdade. Cabe a nós – como à Virgem Maria – ser, cada vez mais, dóceis e abertos à ação do Espírito Santo de Deus, porque tamanha foi a fecundidade de Nossa Senhora que gerou o Salvador do mundo. Por meio dela “Deus está conosco”. Nela, tudo foi feito pelo Espírito Santo! Em você, o Espírito de Deus encontra lugar para agir e conduzir sua vida à vontade do Senhor para o bem de todos? Oração: Oh, Maria Santíssima, eleita e destinada ao eterno pela augustíssima Trindade para mãe do Unigênito Filho do Pai, anunciada pelos profetas, esperada dos patriarcas e desejada de todas as gentes, sacrário e templo vivo do Espírito Santo, sol sem mancha, porque fostes concebida sem pecado original, senhora do Céu e da Terra, rainha dos céus e dos anjos! Nós, humildemente prostrados, vos veneramos e nos alegramos da solene comemoração anual de vosso felicíssimo nascimento. E do mais íntimo de nosso coração vos suplicamos que vos digneis, benigna, vir a nascer, espiritualmente, em nossas almas para que, cativadas estas por vossa amabilidade e doçura, vivam sempre unidas ao vosso dulcíssimo e amabilíssimo Coração. Amém!

5 – MARIA, DA QUAL NASCEU JESUS, QUE SE CHAMA CRISTO

«O nome da virgem era Maria» (Lc 1,27). Esse nome, que dizem significar «estrela do mar», convém admiravelmente à Virgem Mãe. Nada é mais justo do que compará-la a uma estrela que dá a sua luz sem se alterar, tal como deu à luz o seu Filho sem danificar o seu corpo virgem. Ela é efetivamente essa nobre «estrela surgida de Jacob», cujo esplendor ilumina o mundo inteiro, que brilha nos céus e penetra até aos infernos. […] Ela é verdadeiramente essa linda e admirável estrela que havia de elevar-se acima do mar imenso, cintilante de méritos, iluminando pelo exemplo. Vós todos, quem quer que sejais, seja o que for que sentirdes hoje, em pleno mar, sacudidos pela tormenta e pela tempestade, longe da terra firme, mantende os olhos na luz dessa estrela para evitar o naufrágio. Se se levantarem os ventos da tentação, se vires aproximar-se o escolho das provações, olha para a estrela, invoca Maria! Se te sentires sacudido pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência ou do ciúme, eleva os olhos para a estrela, invoca Maria. […] Se te sentires perturbado pela enormidade dos teus pecados, humilhado pela vergonha da tua consciência, assustado pelo temor do julgamento, se estiveres a ponto de naufragar nas profundezas da tristeza e do desespero, pensa em Maria. No perigo, na angústia, na dúvida, pensa em Maria, invoca Maria! Que o seu nome nunca saia dos teus lábios nem do teu coração. […] Seguindo-a, não te perderás; rezando-lhe, não desesperarás; pensando nela, evitarás enganar-te no caminho. Se Ela te agarrar pela mão, não te afundarás; se Ela te proteger, nada temerás; conduzido por Ela, ignorarás a fadiga; sob a sua proteção, chegarás ao objetivo. E compreenderás, pela tua própria experiência, como são verdadeiras essas palavras: «O nome da virgem era Maria».

6 – EIS QUE A VIRGEM FICARÁ GRÁVIDA E DARÁ À LUZ UM FILHO. ELE SERÁ CHAMADO PELO NOME DE EMANUEL

Hoje, a genealogia de Jesus, o Salvador que tinha que vir e, nascer de Maria, nos mostra como a obra de Deus está entrelaçada na história humana, e como Deus atua no segredo e no silêncio de cada dia. Ao mesmo tempo, vemos sua seriedade em cumprir suas promessas. Inclusive Rut e Rahab (cf. Mt 1,5), estrangeiras convertidas à fé no único Deus (e Rahab era uma prostituta!), são antepassados do Salvador. O Espírito Santo, que havia de realizar em Maria a encarnação do Filho, penetrou, pois em nossa história desde muito longe, desde muito cedo e, traçou um rumo até chegar a Maria de Nazaré e, através dela, a seu filho Jesus. «Eis que a virgem conceberá e dará a luz um filho, e ele será chamado Emanuel» (Mt 1,23). Quão espiritualmente delicadas deviam ser as entranhas de Maria, seu coração e sua vontade, ao ponto de atrair a atenção do Pai e a convertê-la em mãe do Deus-com-os-homens! Ele que tinha que levar a luz e a graça sobrenaturais para a salvação de todos. Tudo, nesta obra, nos leva a contemplar, admirar e adorar, na oração, a grandeza, a generosidade e a simplicidade da ação divina, que enaltece e resgatará nossa estirpe humana implicando-se de una maneira pessoal. Mais além, no Evangelho de hoje, vemos como foi notificado a Maria que traria a Deus, o Salvador do Povo. E pensemos que esta mulher, virgem e mãe de Jesus, tinha que ser ao mesmo tempo, nossa mãe. Esta especial escolha de Maria — «bendita entre todas as mulheres» (Lc 1,42) — faz com que nos admiremos da ternura de Deus, na maneira de proceder; porque não nos redimiu —por assim dizer— à distância, e sim se vinculando pessoalmente com nossa família e nossa história. Quem podia imaginar que Deus ia ser tão grande, e ao mesmo tempo tão condescendente, aproximando-se intimamente a nós?

7 – A GENEALOGIA DA FAMÍLIA DE DEUS

O evangelista Mateus inicia o Santo Evangelho apresentando a genealogia de Jesus. Apresenta um Jesus histórico, atemporal que perpassa duas interpretações lineares: o Antigo e o Novo Testamento. Quando a comunidade de Mateus finalizou a obra já contava no ano mais ou menos oitenta e cinco de nossa Era. Já tinha passado mais ou menos quarenta e cinco anos da morte de Jesus. Logo era necessário escrever a origem do Homem que provocou mudanças significativas no comportamento social e econômico na região do Oriente Médio. Ao retornar o Antigo Testamento para escrever as famílias do povo de Deus como propagador do Messias que viria à terra feito homem, mas sendo um Homem divinizado, notamos nos textos do Evangelho de Mateus a gênesis primitiva da escrita, sabemos que a primeira redação do Evangelho de Mateus foi em hebraico, depois traduzido em grego – os outros Evangelhos foram escritos em grego -, sendo que o último livro do AT de Malaquias foi escrito em hebraico. Portanto, o capitulo um de Mateus abre o Novo Testamento com a narração da origem do filho de Deus, como foi feito em Genesis sobre a criação do mundo, com uma literatura mais próxima do AT. A partir de Mateus temos em seguida toda a Nova História do Povo de Deus sob novos olhares da igreja primitiva. Ao apresentar um Jesus histórico, atemporal, Mateus confirma a mensagem da igreja Universal que tem uma origem santificadora. Esta igreja significa o Ontem, o Hoje e Sempre. Ela não tem uma origem humana. Ela é transcendental ou metafísico. Assim, Jesus aparece num contexto misterioso e envolto da santificação. Ademais, Jesus é o rei que orienta o povo para a construção do reino da justiça e da fraternidade. Este Homem que se fez homem para perdoar os pecados do mundo tem uma proposta de continuidade dos antigos povos que souberam amar e reconhecer o Deus da vida. Assim, desde Adão até o nascimento de Jesus através da ação do Espírito Santo em Maria, Mateus confirma a hegemonia do Criador em cumprir a promessa de enviar o menino Salvador. Temos um Deus presente e preocupado com o seu povo, que para mostrar sua dignidade e feitio, entregou seu Filho no seio de uma família (Maria e José), numa região pobre de povo excluído em Nazaré com o intuito de fortalecer na unidade o seu povo. Ao relermos a história dos antecessores de Jesus estamos diante de um Ser Único com um legado de oração, determinação e justiça. O povo de Deus passou por problemas políticos, econômicos e sociais. O povo de Deus foi escravizado, massacrado e violentado. Entretanto, este povo não desanimou, sempre mostrou firme e na esperança de que seu Criador estaria por perto dando força. Ainda acreditava nas promessas de que um dia viria seu filho com a proposta de libertá-los. Agora, Mateus escreve sintaticamente a árvore genealógica de Jesus passando por todo aquele que abraçou a causa da luta para o Reino. História esta que nos enche de orgulho por termos uma origem de um povo santo e pecador. Jesus nasceu do ventre de uma Virgem que estava prometida para seu esposo José. Jesus provoca o arranjo de uma família – homem e mulher – para acolher o salvador. Maria, a pura mulher da criação que acolheu em seu ventre o Homem perfeito e Santo, representa a humanidade geradora de vida. Veja que a mulher no contexto oriental não possuía tal liberdade e se traísse seu marido corria o risco de morte por apedrejamento. Maria não foi apedrejada, não foi amaldiçoada, não foi abandonada, mas foi acolhida e amada pelo seu homem José. José, descendente de Davi, não tenha medo de receber Maria como sua esposa, pois ela está grávida pelo Espírito Santo. Ela terá um menino, e você porá nele o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos pecados deles. A ousadia do Criador é tamanha que arrebentou as tradições do mundo velho e desconexo e plantou seu filho no meio da possível discórdia. Contudo foi para mostrar que a mulher é geradora de vida e o Espírito Santo cobriu da santificação para gerar o Messias para o mundo. Enfim, nós carregamos o legado de um povo que foi presenteado em sua época por Deus com o símbolo do amor – Jesus. Temos um passado de glória, cheio de misericórdia. Não temos como fugir da realidade. Nosso Deus plantou seu filho no meio do homem e como descendente desta família apaixonada por novos caminhos de libertação seguimos os passos de Jesus. Ele é a glória eterna. Ele é ternura. Ele é amor. Caros leitores, apaixonamo-nos ainda mais neste Deus que vislumbrou novo amanhecer para gerações que souberam e acreditaram na sua Palavra. Acreditamos nas promessas feitas para nosso Pai Abraão, Isaac e Jacó e fortalecemos nos seus ensinamentos de superação. Rezemos por todos aqueles que buscam a sua misericórdia e querem novas justiças de amor. Assim seja, amém!

8 – COM GRANDE ALEGRIA EU ME REJUBILAREI NO SENHOR

Há em Hebreus 6 uma afirmação maravilhosa de definição sobre a Fé, ao dizer que ter fé é conseguir enxergar as realidades invisíveis. Hoje no calendário Litúrgico da Igreja celebra-se a Festa da Natividade de Nossa Senhora, e o evangelho dá um grande ênfase em Maria e José, pessoas que, a exemplo de Abraão, deixaram-se mover pela Fé, vislumbrando o Plano de Deus para realizar a Salvação do Homem, e ocupando com humildade o papel ou a missão que Deus lhes reservara. Abraão, Maria e José não são visionários, simplesmente olham os acontecimentos da sua vida com os olhos da Fé. Tenho um padre amigo que sempre diz algo muito verdadeiro a esse respeito: Fé é aceitação, mesmo quando as coisas não acontecem como havíamos planejado. Deus não invade a Vida de ninguém, mas faz uma proposta que não pode ser interpretada apenas á luz da razão, essa proposta fará sentido na medida em que a Fé iluminar a razão. Maria era desposada com José e já tinha planos em sua vida, o mesmo acontecia com José, que não é um mero figurante nessa história, mas pela sua Fidelidade a Deus, movido pela Fé aceitou um fato que a simples razão rejeitaria. A noiva apareceu grávida, José a rejeitou secretamente não tornando o fato público para não difamá-la, mas em um sonho o anjo do Senhor revela toda a verdade, a criança foi gerada pelo Espírito Santo, e José deverá dar-lhe o nome de Jesus, que significa, aquele que vai salvar o povo dos seus pecados. Humanamente falando é uma história absurda, sem pé e nem cabeça, assim é a Força da Fé, através da qual o próprio Deus vai interpretando para quem crer, os acontecimentos da história e da sua vida. No fundo a questão é crer ou não crer. Se na antiga aliança a Fé do Patriarca Abraão permanece como uma referência para as três maiores religiões da terra, São José é o Patriarca da Nova Aliança, e consequentemente da Igreja, ele também acreditou piamente nas promessas de Deus, e que agora com a sua colaboração tão importante, iria se cumprir. Poderíamos dizer que sem a participação de José, a Missão de Maria ficaria comprometida, pois ao assumir a paternidade da criança diante da sociedade judaica, São José afirma e professa que Jesus é o Verbo Divino, gerado pelo próprio Deus, e ainda legitima a sua descendência da estirpe de Davi.

9 – JOSÉ, HOMEM DE DEUS

Este trecho do Evangelho nos narra a geração humana de Jesus. Através dele nós também podemos meditar sobre a nossa existência humana que tem uma origem, uma história. Na medida em que temos conhecimento da Bíblia nós podemos comprovar, que, em todas as gerações há pessoas boas e pessoas más, há homens e mulheres santos, assim como também há aqueles que não procedem bem. Jesus, como homem, não veio diferentemente de nós outros. Cada um de nós escreve a sua própria história e, aqueles que estão ajustados ao Plano do Pai como Maria e José, contribuem para o soerguimento da humanidade. Por meio de São José Deus cumpriu a promessa que fizera a Davi e o chamou para ser o pai adotivo de Jesus. Já sabemos que justo é aquele que se ajusta ao Plano de Deus, por isso José é o maior exemplo do homem justo. São José como pessoa humana também teve dúvidas, porém ao receber a mensagem do anjo, ele acatou as ordens do Pai e mesmo sem as evidências que costumamos exigir, confiou e obedeceu. Mesmo contrariando os seus planos pessoais e mudando o rumo de sua vida, São José contribuiu com o Pai no Seu Projeto salvífico acatando as ordens do anjo, mensageiro de Deus. “Não tenhas medo”, disse-lhe o anjo e ele confiou plenamente em tudo o que lhe foi revelado. As ordens de Deus também nos chegam através das pessoas que nos orientam, da Palavra que nos instrui, dos pensamentos, das moções e até dos sonhos, por isso, não podemos nos justificar afirmando que não sabemos qual é o Plano de Deus para nós. Tudo nos fala de Deus, portanto, precisamos com muita atenção, sondar os pensamentos que o Espírito Santo nos revela a fim pôr em prática a vontade do Pai para a nossa vida, e assim, nos tornarmos justos, como São José. Reflita – Será que têm acontecido na sua vida situações como esta? Para você é difícil ajustar-se a mudanças de plano? – Você acha que o sacrifício de José valeu à pena? Tem valido a pena para você abdicar de algum projeto seu em favor de fazer a vontade de Deus. –O que você tem feito para perceber os sinais que Deus tenta lhe dar através das pessoas e dos acontecimentos? Amém!

10 – O QUE NELA FOI GERADO VEM DO ESPÍRITO SANTO

O que nela foi gerado vem do Espírito Santo. O evangelho nos apresenta as origens de Jesus, recorrendo a dois recursos frequentes no Antigo Testamento. O primeiro é uma genealogia que vincula Jesus com a promessa universal realizada por meio da bênção de Abraão e, ao mesmo tempo, com a promessa nacional por meio do profeta Natam. As genealogias são listas de antepassados célebres que têm como função destacar a missão e o significado de Jesus para a história da Salvação. O segundo recurso é o nascimento milagroso, como ocorreu com Moisés, com Sansão e com Samuel. Assim como os demais, o nascimento de Jesus tem um valor especial na vida da comunidade. Com ele renasce a esperança de uma intervenção extraordinária da parte de Deus para redimir a situação de seu povo. Por trás desses dois recursos está a maravilhosa figura de uma mulher que soube, como ninguém, conjugar a urgência histórica de seu povo com sua decidida entrega pessoal. Na pessoa de Maria de Nazaré converge toda a história de salvação com seu potencial salvífico. A comunidade cristã recorda hoje seu nascimento e lha atribui um valor de boa nova e festa.

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MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

Festa introduzida na Igreja latina pelo papa Sérgio I (séc. VII), a Natividade de Nossa Senhora liga-se estreitamente à vinda do Messias, como promessa, preparação e fruto de salvação. A devoção cristã venera hoje as pessoas e os acontecimentos que prepararam o nascimento de Jesus.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

A simplicidade e a disponibilidade foram os critérios usados por Deus na escolha daquela que se tornou a mãe do Messias, príncipe da paz e salvador da humanidade.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Sois feliz, Virgem Maria, e mereceis todo louvor; pois de vós se levantou o sol brilhante da justiça, que é Cristo, nosso Deus, pelo qual nós fomos salvo!

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Celebremos com alegria o nascimento da virgem Maria: por ela nos veio o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

Antífona da comunhão

A virgem dará à luz um filho, e ele salvará seu povo do pecado (Is 7,14; Mt 1,21).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Abri, ó Deus, para os vossos servos e servas os tesouros da vossa graça: e, assim como a maternidade de Maria foi a aurora da salvação, a festa do seu nascimento aumente em nós a vossa paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

— Por intermédio de Maria, ouvi-nos, Senhor.

— Pela Igreja, para que seja fiel no anúncio de Cristo ao mundo, peçamos.
— Pela nossa comunidade, pra que caminhe unida e cada vez mais se deixe guiar por Deus, peçamos.
— Pelas famílias, para que busquem viver na paz e na harmonia, peçamos.
— Pelas mulheres grávidas, para que recebam a ternura dos maridos, peçamos.
— Pelas crianças, para que encontrem acolhida na família e na sociedade, peçamos.

Oração sobre as oferendas

Socorra-nos, ó Pai, a humanidade do vosso Filho, que, ao nascer da virgem mãe, não diminuiu, mas consagrou a sua integridade. E fazei que ele, apagando os nossos pecados, vos torne agradáveis nossa oferendas. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Exulte, ó Deus, a vossa Igreja que renovastes pelos sagrados mistérios, pois nos alegramos pelo nascimento de Maria, que foi para o mundo inteiro esperança e aurora da salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

Fontes de Consultas e Pesquisas

Vamos expor a seguir, os nomes dos sites e blogs a que pertencem os textos que nos preenchem todos os dias com palavras inspiradas pelo Espírito Santo, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

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FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO — “BÍBLIA SAGRADA”

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O importante não é a pessoa que escreve, mas quem inspira essa pessoa a escrever.

O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.

O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que ele nos pede.

Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é saber compartilhar o conhecimento.

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Encontro de amigos com Cristo

Liturgia Diária

A Palavra de Deus na vida

DomTotal.com

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