LDP: 09/SET/12

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA

09/SET/2012 (domingo)

LEITURAS

Leitura do livro do profeta Isaías 35,47-7 (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Proféticos)

4 Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”. 5 Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. 6 O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. 7a A terra árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes de água.

Proclamação do Salmo 145(146),7.8-9a.9bc-10 (R.1.2a) (Livro do velho ou 1º testamento / Livros Poéticos e de Sabedoria ou Sapienciais)

— 1.2a Bendize, ó minha alma ao Senhor. Bendirei ao Senhor toda a vida! Ou Aleluia, Aleluia, Aleluia.
— 7 O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos.
— 8 O Senhor abre os olhos aos cegos o Senhor faz erguer-se o caído; o Senhor ama aquele que é justo 9a É o Senhor quem protege o estrangeiro.
— 9bc Ele ampara a viúva e o órfão mas confunde os caminhos dos maus. 10 O Senhor reinará para sempre! Ó Sião, o teu Deus reinará para sempre e por todos os séculos!

Leitura da carta de são Tiago 2,1-5 (Livro do novo ou 2º testamento / Livros Didáticos)

1 Meus irmãos: a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir acepção de pessoas. 2 Pois bem, imaginai que na vossa reunião entra uma pessoa com anel de ouro no dedo e bem vestida, e também um pobre, com sua roupa surrada, 2 e vós dedicais atenção ao que está bem vestido, dizendo-lhe: “Vem sentar-te aqui, à vontade”, enquanto dizeis ao pobre: “Fica aí, de pé”, ou então: “Senta-te aqui no chão, aos meus pés”, 4 não fizestes, então, discriminação entre vós? E não vos tornastes juízes com critérios injustos? 5 Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 7,31-37 (Livro do novo ou 2º Testamento / Livros Históricos)

Naquele tempo, 31 Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32 Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33 Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34 Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” 35 Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. 36 Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37 Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.

… Eu sou o CAMINHO …

O que o texto diz para mim, hoje? Qual palavra mais me toca o coração? Jesus pode pronunciar sobre mim “Efatá!”? De que preciso ser libertado/a por ele? Sou uma pessoa reconhecida e vejo o bem que Deus realiza na minha vida, na vida das outras pessoas? No mundo? Entre muitos louvores que disseram nossos bispos em Aparecida, recordamos um: “Louvamos a Deus porque na beleza da criação, que é obra de suas mãos, resplandece o sentido do trabalho como participação de sua tarefa criadora e como serviço aos irmãos e irmãs. Jesus, o carpinteiro (cf. Mc 6,3), dignificou o trabalho e o trabalhador e recorda que o trabalho não é um mero apêndice da vida, mas que “constitui uma dimensão fundamental da existência do homem na terra”, pela qual o homem e a mulher se realizam como seres humanos. O trabalho garante a dignidade e a liberdade do homem, e é provavelmente “a chave essencial de toda ‘a questão social'”. (DAp 120).

… a VERDADE …

O que diz o texto do dia? Leio atentamente, na Bíblia, o texto Mc 7,31-37, e observo pessoas, palavras, relações, lugares. Jesus, junto ao lago da Galileia cura um homem que era surdo e quase mudo. Bastante incomunicável. “Jesus pôs os dedos nos ouvidos dele”. Com “um pouco de saliva” Jesus faz o homem falar “sem dificuldade”. A saliva, segundo os antigos, tinha poder terapêutico. A saliva de Jesus tem poder de Deus: é milagrosa. Antes deste gesto libertador, Jesus “olhou para o céu” e “deu um profundo suspiro”. Olhar para o céu indica de onde vem a graça. O profundo suspiro significa súplica. As pessoas que assistiram a este milagre comentavam: “Fez tudo bem!”. Faz recordar a ação criadora de Deus, que também várias vezes “Viu que era bom” (Gn 1).

… e a VIDA …

Senhor Jesus, impõe sobre mim as tuas mãos e liberta-me do egoísmo que impede a comunicação com o meu próximo.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje?

Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vou eliminar do meu modo de pensar e agir aquilo que não vem de Deus, que não é conforme o Projeto de Jesus Mestre. Vou reconhecer no meu ambiente, nas pessoas com quem me relaciono a ação criadora e libertadora de Deus.

REFLEXÕES:

1 – OS GESTOS DE JESUS

Jesus iniciou seu ministério na Galileia, onde vivia com sua família. A Galileia era um território gentílico, vinculado à Síria, onde foram implantadas colônias judaicas na segunda metade do séc. 1 a.C. pelo hasmoneu Aristóbulo e por seu sucessor, Alexandre Janeu. Na segunda etapa de seu ministério, Jesus se dirige aos povos gentílicos vizinhos à Galileia, tradicionalmente repudiados pelo judaísmo, começando por Tiro e, agora, na Decápole, em contato com sua população mesclada de gregos e romanos. O evangelho de Marcos destaca esta fase de missão nestes territórios, realçando como Jesus veio para libertar e comunicar vida a todos os povos, abolindo a distinção entre povos impuros, os gentios, e povo puro, os judeus. O homem surdo que mal pode falar, curado por Jesus na Decápole, é a expressão da submissão e alienação de um poder dominador que inibe a comunicação das pessoas. Marcos narra minuciosamente os gestos de Jesus, realçando assim a presença do Deus encarnado, compassivo e solidário, entre nós. Os ouvidos do homem se abrem e ele começa a falar corretamente. Jesus liberta aquele homem em território pagão. Aqueles que ouvem Jesus começam a “falar corretamente”. Isto é, passam a anunciar os seus feitos. Esta narrativa de Marcos visa mexer com os discípulos. Eles, ainda apegados à doutrina nacionalista e segregacionista de “povo eleito”, ficam como surdos e sua palavra é frágil. Estão com dificuldade de entender que os gentios são também destinatários do Reino. É o universalismo da salvação, a comunhão com Deus oferecida a todas as criaturas. A narrativa de Marcos é pródiga em assinalar a presença física de Jesus no meio da multidão, com o toque, o uso dos dedos e da saliva, sobre o homem que trouxeram para que ele impusesse as mãos. A imposição das mãos e a própria saliva eram tidas como uma comunicação de energia e cura. Aqueles que participaram deste episódio da cura do surdo-tartamudo puseram-se a anunciar os feitos de Jesus em sua região, de maneira semelhante ao possesso geraseno libertado por Jesus (Mc 5,1.20). São registros de Marcos sobre o anúncio missionário em andamento, tendo como agentes os próprios gentios. As narrativas de cura, envolvendo as multidões de excluídos, carentes e adoentados, são a expressão da atenção especial de Jesus para com estes pobres, escolhidos por Deus, em vista de restaurar-lhes a vida. A afirmação final, “faz os surdos ouvirem e os mudos falarem”, se inspira na profecia atribuída a Isaías (primeira leitura), dirigida aos exilados da Babilônia. Na tradição profética, a menção aos cegos que veem, surdos que ouvem, mudos que falam, aleijados que pulam, “águas vão correr no deserto… e o seco vai se encher de minas d’água”, é uma simbologia literária que indica uma nova situação do povo que é erguido de sua exclusão e de seu abatimento e recupera sua dignidade, com novo ânimo de vida. Com este mesmo caráter simbólico teriam sido elaboradas as diversas narrativas de cura encontradas nos evangelhos. Não são transformações milagrosas mas resultam do empenho em promover a vida, restaurando a justiça e a paz no mundo.

2 – A IMPOSIÇÃO DAS MÃOS

A mão é considerada como portadora de força. De certo modo, concentra a força da pessoa e, através dela, é possível transmitir aos outros esta força. Desta forma, torna-se símbolo de poder. Por isso, as pessoas aproximavam-se de Jesus, implorando que lhes impusesse aos mãos. Essa era a maneira de usufruir da força divina que Jesus possuía e obter o benefício da cura. De sua parte, Jesus nunca se recusava a atender o pedido de quem lhe suplicasse a cura. O efeito da imposição de suas mãos era imediato. Ele agia com a máxima discrição para não suscitar um entusiasmo exagerado e atrair pessoas interessadas apenas em aproveitar-se dele, sem aderir efetivamente ao Reino. A cura do surdo-mudo, portanto, deu-se longe da multidão e foi seguida da ordem peremptória de não dizer nada a ninguém. Era necessário guardar segredo a respeito do ocorrido. Mas, como era possível manter calado quem fora surdo-mudo e agora tinha recuperado a capacidade de falar corretamente? Como impedi-lo de proclamar, aos quatro ventos, o benefício recebido pela imposição das mãos de Jesus? Eis por que, quanto mais Jesus o proibia de falar, tanto mais ele narrava o ocorrido. A constatação do povo de que Jesus fazia bem todas as coisas correspondia a reconhecer que, pela imposição de sua mão, o Reino se fazia presente na história humana.

3 – FAZ TUDO BEM FEITO: FAZ OUVIR OS SURDOS E FALAR OS MUDOS

Temos de examinar de perto o que torna um homem surdo. Por ter escutado as insinuações do inimigo, por ter ouvido as suas palavras, o primeiro casal dos nossos antepassados foi o primeiro a ficar surdo. E nós também, a seguir a eles, de modo que já não conseguimos ouvir ou compreender as inspirações amorosas do Verbo Eterno. E, no entanto, sabemos bem que o Verbo Eterno está no fundo do nosso ser, mais inefavelmente perto de nós e em nós do que o nosso próprio ser, na nossa própria natureza, nos nossos pensamentos; nada do que podemos nomear, dizer ou compreender está tão perto de nós e nos está tão intimamente presente como o Verbo Eterno. E o Verbo fala sem cessar no homem. Mas o homem não consegue ouvir, devido à grande surdez que o aflige. […] Do mesmo modo, foi de tal maneira atingido nas suas outras faculdades que também se tornou mudo e já não se conhece a si próprio. Se quisesse falar do seu interior, não conseguiria fazê-lo, pois não sabe qual é a sua situação e não reconhece o seu próprio modo de ser. […] O que é então esse murmurar incomodativo do inimigo? É toda a desordem cujo reflexo ele te mostra e te persuade a aceitar, servindo-se do amor ou da procura das coisas criadas, deste mundo e de tudo o que lhe está ligado: bens, honrarias, até mesmo amigos e pais, até a tua própria natureza, resumindo, tudo o que te traz o gosto dos bens deste mundo decaído. É disso tudo que é composto o seu murmurar. […] Então vem Nosso Senhor: mete o Seu dedo sagrado no ouvido do homem, aplica-lhe saliva na língua, permitindo-lhe recuperar a palavra.

4 – TROUXERAM-LHE, ENTÃO, UM HOMEM QUE ERA SURDO E MAL PODIA FALAR, E PEDIRAM QUE IMPUSESSE AS MÃOS SOBRE ELE

Hoje, a liturgia leva-nos à contemplação da cura de um homem «surdo e mal podia falar» (Mc 7,32). Como em muitas outras ocasiões (o cego de Betsaida, o cego de Jerusalém, etc.), o Senhor acompanha o milagre com uma série de gestos externos. Os Padres da Igreja bem ressaltavam neste fato a participação mediadora da Humanidade de Cristo nos seus milagres. Uma mediação realizada numa dupla direção: por um lado, o ?abaixamento? e a proximidade do Verbo encarnado em nós (o toque dos seus dedos, a profundidade do seu olhar, sua voz doce e próxima); por outro lado, a tentativa de despertar no homem a confiança, a fé e a conversão do coração. De fato, as curas dos doentes que Jesus realiza vão muito mais além do mero ato de aliviar a dor ou devolver a saúde. Estão dirigidos a conseguir a ruptura com a cegueira, a surdez ou imobilidade atrofiada do espírito naqueles que Ele ama. Como fim último uma verdadeira comunhão de fé e de amor. Ao mesmo tempo vemos a reação agradecida dos receptores do dom divino que é proclamar a misericórdia de Deus: «Contudo, quanto mais ele insistia, mais eles o anunciavam» (Mc 7,36). Dão testemunho do dom divino, experimentam em profundidade a sua misericórdia e enchem-se de uma profunda e genuína gratidão. Também para todos nós é de uma importância decisiva saber-nos e sentir-nos amados por Deus, a certeza de ser objeto da sua misericórdia infinita. Esse é o grande motor da generosidade e o amor que Ele nos pede. Muitos são os caminhos pelos quais esse descobrimento há de realizar-se em nós. Algumas vezes será uma experiência intensa e repentina do milagre e o mais frequente, o paulatino descobrimento de que toda a nossa vida é um milagre de amor. Em todo caso, é preciso dar-se as condições de consciência da nossa indigência, uma verdadeira humildade e, a capacidade de escutar reflexivamente a voz de Deus.

5 – “VÓS SOIS JUSTO, SENHOR, E JUSTA É A VOSSA SENTENÇA; TRATAI O VOSSO SERVO SEGUNDO A VOSSA MISERICÓRDIA.” (SL 118,137-124)

Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs, neste domingo, a Sagrada Liturgia nos convida a refletir sobre a fé e as suas etapas em nossa caminhada de salvação. O Evangelho de São Marcos (7,31-37) relata-nos a cura que ocorre em terras pagãs, do surdo-mudo. Com isso, o evangelista quer nos ensinar que os pagãos são chamados à fé e à comunhão com Deus. Curar um surdo e um mudo era um grande milagre, o que demonstrava que Jesus era o Messias. Ante o prodígio, o povo, pasmo, elogiava as atitudes daquele que dava sinais de seu messianismo. Mas, na linguagem moderna, a moral do relato evangélico de hoje, traduz que todos nós somos convidados a abrir os ouvidos para escutar “as palavras de espírito e vida” do Divino Mestre e proclamar essas maravilhas por todas as partes, entre todos os povos, vivenciando a beleza da mensagem do Senhor Ressuscitado, vivendo-a intensamente. Ouvir e proclamar significa, de início, colocar em prática aquilo que queremos anunciar aos nossos irmãos. A fé tem um caminho muito importante. Mas, primeiro, nós temos que crer. É crendo que poderemos dar testemunho. Crendo, vivenciaremos aquilo que cremos, ou seja, os Santos Evangelhos, transmitidos pelos apóstolos e iluminados pela Tradição da Santa Igreja. A partir do crer, do viver, transmitiremos, então, a fé que recebemos e vivenciamos. Não transmitir apenas com o anúncio, mas, sobretudo, com a vivência, com o testemunho de fé. Assim, todos somos convidados a comunicar as maravilhas de Deus diante da comunidade eclesial e dos não crentes. Hoje, como ontem, os que se fazem surdos-mudos na sociedade são bem mais numerosos do que os que nascem deficientes. Irmãos e irmãs, as cidades por onde o Evangelho de hoje nos anuncia, Tiro e Sidônia, são consideradas comunidades pagãs. Jesus hoje se encontra no meio de pagãos. Ele estava longe e em lugar de comércio abundante, onde os judeus e os pagãos dominavam as suas gentes. No meio de um povo incrédulo, o Divino Mestre cura um surdo, uma manifestação inequívoca de que era o Messias. A primeira Leitura de hoje, retirada de Isaías (35,4-7), escrita há 750 anos antes do tempo de Jesus, relembra que a cura de surdos e de mudos faz parte do tempo messiânico. E, para reforçar a nota, o povo exclama: “Ele fez tudo bem feito”, vislumbrando a obra messiânica da restauração do paraíso. Lembra a liturgia como Deus “fez tudo bem” desde o início, conforme já observara o escritor sagrado em Gênesis (1,31s.). O próprio Jesus dá esses milagres como sinal a João Batista de que era o Messias. Marcos é o único Evangelista a contar a cura do surdo-mudo. Jesus poderia ter operada essa cura em silêncio. Entretanto, sabendo que se tratava de um pagão, não podendo ouvir a Sua palavra, necessitava de gestos visíveis para compreender que estava sendo curado por uma força superior, uma graça de Deus. Usando a saliva, como em todos os povos, Jesus utilizava-se de um sentido terapêutico. Tocando a saliva com a mão Ele transmite a graça de Deus. Por isso, a Igreja Santa conservou no ritual do Batismo esse gesto da cura do surdo-mudo, no momento em que o Batismo abre no catecúmeno os ouvidos para escutar a Palavra de Deus e para que seja solta a sua língua, para proclamar a bondade infinita de Deus, nosso Criador e Senhor. Entretanto, seria bom notar que Jesus retirou-se para o lado com o surdo-mudo, para que a multidão não o confundisse com os muitos curandeiros de então. Nesse episódio, observa-se, ainda, os gestos de súplica e de reverência que dirige ao Pai: “eleva os olhos para o céu”, como fizera na multiplicação dos pães para demonstrar que todo o seu poder vinha do Pai que está nos céus e é a origem de todos os bens. Irmãos e irmãs, todos nós, mesmo que batizados, trazemos sempre um pouco de surdo-mudo, quando não sabemos ligar as realidades terrenas a Deus, sumo bem e fonte de toda a vida. O curado abriu primeiro os ouvidos para ouvir a Palavra de Deus, e depois começou a falar para dar testemunho das maravilhas do Senhor. Assim deve ser a nossa vida de fé: ouvir com entusiasmo os mistérios da salvação, colocando-os em prática em nossa vida, para depois dar testemunho do que acreditamos. A grande novidade do Evangelho de hoje (Mc 7,31-37) é que a religião serve para o bem de todos, eliminando exploração e discriminação, conforme nos ensina a segunda leitura. Para dar chances a uma ordem melhor, provoca até revoluções, se as estruturas que estão vigendo produzem desigualdades e injustiça. Para a Justiça é a exigência mínima do amor. Jesus nos ensina a ser bom, a fazer o bem a todos, como Ele fez. Para reconhecê-lo como Messias, é preciso que o homem esteja aberto. Ora, nem mesmo os discípulos eram fáceis de se abrir. Jesus não apenas “faz as coisas bem feitas”, mas Ele abre também o coração para ver o Reino de Deus, que esta aí, onde se faz a sua vontade e se revela o seu amor. Marcos hoje insiste, assim, na imposição das mãos, no aplicar a saliva, elevar os olhos, gemer, dizer “effatá” = abre-te. Não é fácil abrir o homem para o mistério de Deus. Peçamos, então, a Deus para que possamos abrimo-nos a Ele, ao misericordioso Jesus, infundidos pelas graças do Espírito Santos, para nutrirmo-nos com a Palavra e com a Eucaristia, fortalecendo-nos em nossa caminhada e dispondo-nos a tornarmos corresponsáveis pela obra de Cristo, como discípulos e missionários. Meus irmãos, a Segunda Leitura, retirada da Carta de São Tiago (2,1-5), coloca-nos diante da opção de Jesus: a opção preferencial pelos mais pobres. Deus não conhece acepção de pessoas, nem se deixa comprar, nem despreza o mais humilde e pobre. Ao contrário, a misericórdia e a bondade de Deus são gratuitas, por isso, cabem melhor em “mãos vazias”. Quem está repleto das riquezas deste mundo ou de si mesmo não pode receber a riqueza divina que leva para a contemplação da vida divina. A fé em Cristo nos ensina a respeitar a todos, particularmente os mais necessitados, os mais amados e preferidos de Deus. Deus permite a riqueza, mas condena a sua malversação ou o uso indevido. Para bem poder dar, o homem sempre deve receber de Deus. Nesse sentido, subsiste o problema do rico. Se o rico sempre está cheio de si mesmo, não é mais capaz de receber e aprender de Deus o que é graça e gratuidade. Ele perde também a capacidade de abrir sua mão e o seu coração. Daí, quem é grande e poderoso deve se tornar pobre e criança, frágil e carente, ou seja, dependente totalmente de Deus. Estimados irmãos, pode existir doença, sofrimento, privação, mas não é a última palavra. Somos chamados a participar com Deus nos aperfeiçoamentos da criação. Assim, o povo saúda a chegada de Messias, exclamando: “tudo ele tem feito bem!”. Que possamos, então, todos repetir com Jesus na nova Evangelização: “tudo estamos fazendo bem, em nome de Jesus, que nos chama a ouvir e anunciar o Seu reino de bem-aventurança”. Amém!

6 – FICAMOS MUDOS SEM FALAR DE DEUS, PORQUE ESTAMOS SURDOS DIANTE DA SUA PALAVRA

O mundo de hoje vive uma guerra! Uma verdadeira guerra entre a vida e a morte. Assassinatos, pessoas que morrem sem atendimento médico, ou que tiveram o atendimento errado, crianças que têm a sua vida tirada antes mesmo de tê-la iniciado, pessoas que morrem nos assaltos sem mesmo terem reagido, menores que se aproveitam da impunidade apoiada pelo Estatuto do Menor e do Adolescente para matar quantos quiserem, a lei fraca que acaba soltando o criminoso antes de cumprir a sua pena, acaba estimulando-o a cometer novos crimes bárbaros. Assistindo o noticiário, ficamos apavorados, e com medo não só de andar na rua, como de ficar em nossas próprias casas, pois a violência tomou conta da sociedade. Outro dia um incrédulo disse: Onde está Deus? Ele não faz nada? Ele está assistindo tudo isso e nem tem pena dos inocentes que sofrem por causa de tanta injustiça? Examinando as escrituras e principalmente o Evangelho de Jesus Cristo, vemos que Deus está sereno por dois motivos: 1-Ele respeita a nossa liberdade de seguir o caminho que quisermos. O caminho do bem ou o caminho do mal. Portanto, Deus não tem culpa do uso que fazemos da nossa liberdade. É muito fácil botar a culpa em Deus, quando as nossas decisões dão tudo errado. 2-Deus deixou para o mundo seus anunciadores, seus escolhidos que anunciam a sua palavra, advertindo os demais sobre os perigos de uma vida sem limites. Porém, acontece que uma grande maioria da humanidade ficou surda diante da palavra de Deus. Preferem ouvir outros sons. Paulo em sua carta nos trás um exemplo bem claro sobre o que consiste a discriminação. Um exemplo de como nos tornamos juízes dos nossos irmãos usando critérios injustos. Infelizmente, a discriminação está nos lugares onde jamais imaginaríamos. Ela está também entre as pessoas que se julgam santas, fraternas e educadas. É a discriminação velada, disfarçada de outra coisa como por exemplo, disfarçada da própria correção fraterna. Assim, com a desculpa de corrigir o nosso irmão que não é do nosso nível, nós o ignoramos, não brincamos com ele, não lhe damos a mão, não o acolhemos, não o convidamos para fazer parte do nosso convívio, não pedimos a sua opinião, em fim, o evitamos pois não é nada agradável a sua companhia. – “Efatá!” (Isto quer dizer: “Abra-se!”). E naquele momento os ouvidos do homem se abriram, a sua língua se soltou, e ele começou a falar sem dificuldade. O homem mudo não fala por que não ouve. Nós falamos porque ouvimos. Se não ouvirmos nenhuma palavra, não pronunciaremos palavra alguma. Seres humanos criados na selva não falavam língua nenhuma, porém imitavam o som dos animais que desde pequeno estavam em seu redor. Da mesma forma, se não escuto falar de Deus, se não leio nem vejo nada referente a Deus, o que vai acontecer? Eu serei incapaz de falar de Deus ao meu irmão, e este, por sua vez, não poderá se converter. Ele estará como um surdo para Deus, e isso vai gerar o que está aí na nossa sociedade. Infelizmente, o mundo de hoje não está mais ouvindo quase nada sobre Deus. Mais está ouvindo e vendo coisas outras, que leva a muitos a seguir o caminho errado com a maior facilidade, com a maior naturalidade. E as consequências disso estamos vendo e sentindo na própria pele, ou melhor, estão na nossa vida diária. Jesus torna nossos olhos e ouvidos atentos a realidade desse mundo, com seus perigos e aberrações causadas pela nossa surdez diante da sua palavra. Por outro lado, Ele dá força para quem quiser, para quem aceita o seu convite, para que possa denunciar as injustiças, e proclamar as maravilhas do Reino de Deus. Irmãos, abramos os nossos ouvidos para ouvir a palavra de Deus, que está no sermão da missa, na Internet, nos Evangelhos, nas cartas, e na boca daqueles que ouvindo chamado de Deus, saíram por aí anunciando a palavra de Deus a quantos querem ouvir. Caríssimos: Vamos escutar praticar e ensinar a palavra de Deus, antes que esse mundo se torne inabitável de vez!

7 – AOS SURDOS FAZ OUVIR E AOS MUDOS FALAR.

Este Evangelho trás para nós a belíssima cena de Jesus curando o homem surdo e que falava com dificuldade. O texto começa dizendo: “Jesus saiu de novo…” Jesus caminhava, ia atrás do povo, não ficava parado. Ele não ficava esperando que as pessoas fossem até ele. O amor nos dá esse dinamismo. Como é importante nós também aproveitarmos a nossa saúde e tempo disponível para nos movimentarmos, indo até as pessoas que precisam da Água Viva, da Boa Nova de Cristo! Quando Jesus atravessava uma região, trouxeram-lhe “um homem surdo, que falava com dificuldade”. Geralmente os surdos têm deficiência na conversa, porque a nossa fala depende da audição. Na área espiritual é a mesma coisa: as pessoas que não ouvem a Palavra de Deus, acabam não ouvindo também os apelos da realidade que as cerca, e consequentemente tornam-se mudas, não falando a palavra certa na hora certa. Não ficam indignadas com nada; passam pela vida sem influenciar, indo na onda da sociedade de consumo. Uma Comunidade que não ouve corretamente a Palavra de Deus, confrontando com a realidade do seu meio, também se torna muda, não fala nem faz nada de transformador, em direção ao Reino Deus. Jesus, no seu primeiro discurso na sinagoga de Nazaré, disse que veio para abrir os olhos dos cegos, dar audição aos surdos e libertar os oprimidos, anunciando o ano da graça do Senhor (Cf Lc 4,18-19). Muitas pessoas são como aquelas que Jesus citou na parábola do samaritano: passam ao lado do irmão ferido e fecham os olhos para não ver. Ou então, como o rico da parábola: vivem uma vida inteira ao lado do Lázaro e não se tocam. Não existe nada mais forte para tapar os ouvidos, os olhos e a boca das pessoas, do que o apego às riquezas. Jesus “olhando para o céu, suspirou e disse: ‘Efatá’, que quer dizer: Abre-te!” Recordando esta cena, no nosso batismo o padre fez um gesto parecido: colocou a mão nos nossos ouvidos e na nossa boca, e disse: “Efatá!” Quando o povo hebreu era escravo no Egito, Deus apareceu para Moisés e disse: “Eu vi a opressão de meu povo no Egito, ouvi os gritos de aflição diante dos opressores e tomei conhecimento de seus sofrimentos, e desci para libertá-los” (Ex 3,7-8). Deus tem os olhos e os ouvidos abertos. Assim como chamou Moisés, ele chama os seus filhos e filhas, em todos os tempos e lugares, a fim de libertarem o seu povo. Deus ama o seu povo, e não quer vê-los como ovelhas sem pastor. “Jesus afastou-se com o homem para fora da multidão”. É interessante que a primeira coisa que Jesus fez com o homem foi afastá-lo para longe da multidão. O primeiro objetivo foi ter um contato mais pessoal com ele. Nós não podemos ficar só “na multidão”, mesmo que essa multidão seja de cristãos. O segundo objetivo de Jesus é para que o homem, depois de curado, pudesse voltar para o meio do povo, ouvindo e falando sem dificuldade, inclusive para ajudar os outros. Os nossos bispos, reunidos em Aparecida, disseram: “Vivemos uma mudança de época, e seu nível mais profundo é o cultural. Dissolve-se a concepção integral do ser humano, sua relação com o mundo e com Deus” (DA 44). Portanto, a nossa missão é grande, como “discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que o povo tenha mais vida nele”. Havia, certa vez, uma menina que morava na roças. E um pássaro muito bonito começou a entrar no quarto dela. Ela comprou ração apropriada e espalhou em cima do guarda-roupa, e também uma tacinha de água, já preparada para não transmitir dengue. Assim, o belo passarinho fez amizade com ela. Parecia que os dois eram velhos amigos. Todos os dias ele aparecia. Suas penas eram brilhantes e seus olhinhos encantadores. Com medo de perder o amiguinho, a garota o prendeu numa gaiola. Poucos dias depois, suas penas perderam o brilho e ele passou a contar diferente, um canto parecido com choro. Passava o dia todo olhando para a janela. Quando percebeu o erro que havia cometido, mais que depressa a menina abriu a gaiola e a ave foi-se embora, para nunca mais voltar. Que Cristo abra os nossos ouvidos e olhos para contemplarmos a natureza, mas sem prejudicá-la! O exemplo de Maria Santíssima é maravilhoso. Ela não foi surda nem muda, mas ouviu o apelo de Deus, entendeu-o direitinho e o cumpriu com generosidade. No magnificat, ela mostrou que ouvia também os anseios do povo, e falava com coragem. Que ela nos ajude a nos aproximarmos de seu Filho, a fim de que ele, dizendo “Efatá!”, nos cure da surdez e da consequente dificuldade em falar. Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar.

8 – ESSA SURDEZ E MUDEZ

Essa surdez e mudez que hoje refletimos neste evangelho, têm um significado bem mais profundo do que a cura física. Não se trata simplesmente do ouvir com os ouvidos e falar com a boca, a surdez e a mudez abordada pelo evangelista Marcos, localiza-se no coração do ser humano. Há pessoas muito faladeiras, que contam mil e uma vantagens, ou então que perdem um tempo precioso falando mal da vida do próximo, ou conversas fúteis da qual nada se aproveita, assim como o saber ouvir é uma arte. Aqui a questão do ouvir não se trata apenas de escutar vozes das pessoas falando, ou ruídos. A deficiência auditiva desse homem da comunidade Marcos vai além disso… seu coração está fechado para Deus e as pessoas e por isso tem o coração assim tão vazio de Deus, não tendo portanto nada a anunciar, sua vida fechada e isolada em si mesmo é uma fonte de amargura e azedume. No antigo testamento a principal queixa de Deus durante a travessia do povo pelo deserto, é de que: o povo tinha fechado o coração e não mais o ouvia, escutavam mas não o ouviam. Na comunidade de Marcos e também nas nossas há pessoas assim… Essa surdez e mudez é causada pela arrogância e prepotência dos que não creem em Deus e preferem dar ouvidos somente as vozes da razão. Conviver e relacionar-se com alguém assim, é difícil e complicadíssimo, a comunidade não sabe mais o que fazer e rogam a Jesus para que imponha as mãos sobre aquele homem. A experiência que fazemos de Jesus é algo muito pessoal, por isso ele toma o homem surdo-mudo e o leva á um lugar á parte. O mundo da pós-modernidade está repleto de rituais e de vozes que só alienam e escravizam o homem. No dia do Senhor que é o domingo, a comunidade dos que creem, se afastam do burburinho do quotidiano, e na comunidade se reúnem a outros que querem e precisam ficar a sós com o Senhor. As palavras de Jesus e seus gestos no ritual da cura do surdo mudo, lembram o rito batismal quando a graça de Deus abre o nosso coração para que Deus possa entrar e fazer morada. Nas celebrações eucarísticas ou mesmo da Santa Palavra, presidida por um Ministro Leigo ou um Diácono, esse ritual se repete, somos tocados pela Palavra, a força do Espírito Santo a leva para dentro de nós, no mais íntimo do nosso ser, transformando aos poucos a nossa vida, a cura da surdez e mudez não é imediata, mas ocorre em um processo que é dinâmico, vamos ouvindo, nos libertando e anunciando, sempre que experimentamos o Senhor. Comunidade é portanto o lugar onde todos se preocupam para que cada um se abra cada vez mais á essa Palavra, as nossas orações e cantos nada mais são do que uma súplica para que o Senhor estenda sobre nós suas mãos, abrindo cada vez mais o nosso coração para a sua graça que nos santifica, nos renova e nos liberta. Agora já dá para sabermos quem é esse surdo-mudo que saiu da celebração anunciando com alegria as maravilhas de Deus!

9 – UM CORAÇÃO SURDO, É UM CORAÇÃO QUE NÃO SABE SE EXPRESSAR, NÃO SABE CONTAGIAR, NÃO SABE ATRAIR AS PESSOAS

Jesus quer fazer também em nós esse grande milagre: abrir os nossos ouvidos para que possamos falar com facilidade as coisas lindas que o Espírito nos revelar. Assim como levou o homem para fora da multidão, colocou os dedos nos seus ouvidos e tocou a sua língua, Ele quer fazer conosco: tirar-nos do mundo, da multidão e nos levar para um lugar onde nós possamos escutá-lo, onde Ele possa nos tocar. Ele quer abrir os nossos ouvidos e a nossa boca porque nós só conseguiremos deixar de ser mudos quando deixarmos de ser surdos à Sua Palavra que são ensinamentos preciosos para nós. Como pode falar de Deus aquele que não escuta a Deus? Um coração surdo, é um coração que não sabe se expressar, não sabe contagiar, não sabe atrair as pessoas. Primeiramente Jesus quer nos afastar do meio da multidão para poder tocar com os dedos nos nossos ouvidos. Depois disso tornar-se-á mais fácil para nós soltar a nossa língua a fim de divulgar as coisas que o Senhor tem feito bem na nossa vida. “Efatá”, (Abre-te), é a palavra chave que Jesus ordena aos nossos ouvidos e boca espirituais. Reflita – Jesus já tocou os seus ouvidos ou você continua no meio da multidão daqueles que não “ouvem”, por isso, não entendem a Palavra de Deus? – Você acha que não fala em nome de Deus porque você é tímido (a) ou porque você não tem parado para escutar o que Ele tem a lhe dizer? Amém!

10 – ELE TEM FEITO BEM TODAS AS COISAS

Neste Mês da Bíblia, somos convidados a cada dia, a abrir as páginas deste livro sagrado, a dar uma atenção especial à palavra de Deus, palavra que liberta, que orienta, que nos ensina o caminho da vida! O amor de Deus pela humanidade, manifestado nas ações misericordiosas de Jesus, nos dá a certeza de que nunca estamos sós! Em todos os seus ensinamentos, Jesus sempre deixou claro, que só o amor constrói, só o amor gera vida. Na sua trajetória terrena, Ele fazia longas caminhadas ao encontro dos sofredores, testemunho que deve chegar até a nós, como um convite a fazer o mesmo. Todas as nossas atitudes devem convergir para um bem maior: o amor! O amor cria e recria vida, abre caminhos, impulsiona, desinstale, leva-nos ao encontro dos que se encontram aprisionados pelas correntes da exclusão. Quem carrega no peito, os mesmos anseios de Jesus, sente necessidade de partilhar a vida, de ir ao encontro do outro, de se tornar caminho de libertação para o excluído. O evangelho que a liturgia deste domingo nos apresenta, vem nos falar de um Deus comprometido com a vida, com a felicidade humana. Um Deus, que aposta continuamente na renovação e na transformação do homem. Um Deus que não desiste de nós, mesmo quando na nossa ingratidão, O rejeitamos. Quantos de nós, permanecemos fechados no nosso egoísmo, na nossa autossuficiência, sem abrir o coração para acolher a verdade que liberta, preferindo viver de acordo com a nossa “verdade”. A ação libertadora de Jesus, nos corações daqueles que se abrem a sua verdade, é transformadora, capaz de nos libertar da pior de todas as surdez: a surdez de quem não quer ouvir, para não ter que mudar. O amor de Deus não tem fronteira, foi este amor que levou Jesus ao território pagão, quebrando as muralhas do preconceito, reafirmando que Jesus não veio somente para um povo, e sim; para todos! Antes de abrir os ouvidos daquele surdo e soltar a sua língua, Jesus se abre aos excluídos! Com este gesto concreto de amor, Jesus nos mostra o quanto é importante, estarmos sempre abertos a sua ação libertadora. Ele abre os ouvidos daquele surdo, porque ele se mostra aberto à sua ação libertadora! O homem vibra de alegria diante das maravilhas que Jesus realizou a seu favor. E mesmo tendo sido recomendado por Jesus, para não contar o ocorrido a ninguém, ele saiu espalhando aquele grande feito! Completamente libertado da surdez, que o impedia de viver socialmente, aquele homem, agradecido, retoma a vida, se abrindo ao novo! Hoje, vivemos numa cultura geradora de surdos e mudos, pessoas impedidas de ouvir e de falar. Em sua missão, Jesus iniciou uma nova criação e hoje, Ele coloca em nossas mãos, a responsabilidade de dar continuidade a essa missão libertadora, devolvendo a vida e libertando os oprimidos e mutilados por esta sociedade que tenta a todo custo abafar o seu grito. Não podemos esquecer nunca, de que, em cada um dos excluídos, está a presença viva do próprio Cristo, que clama por uma vida digna. FIQUE NA PAZ DE JESUS!

11 – A CURA DO SURDO-GAGO

O Evangelho deste domingo apresenta-nos um homem surdo e gago que é colocado diante de Jesus para que ele o cure. Quem é o surdo-gago? É a humanidade, enquanto fechada para o dom de Deus que Jesus nos traz. Surda, porque incapaz de ouvir a Palavra, ouvi-la compreendendo-a, acolhendo-a no coração: “tem ouvido para ouvir, mas não ouve” (Jr. 5,21; cf. Mt. 13,14-15). Esta é a tendência do coração humano, que a Escritura sempre denunciou: o fechamento para não acolher a proposta que Deus nos faz, de um caminho com ele, a tendência de nos fechar em nós e viver a vida como se fosse nossa de modo absoluto: “Escutai, prestai ouvidos, não sejais orgulhosos, porque o Senhor falou!” (Jr. 13,15); “Ah! Se meu povo me escutasse, se Israel andasse em meus caminhos… Mas meu povo não ouviu a minha voz, Israel não quis saber de obedecer-me; então os entreguei ao seu coração endurecido: que sigam seus próprios caminhos!” (Sl. 81/80,14.13). Assim, no fundo, é o fechamento para Deus, para um Deus verdadeiro, a resistência em realmente levar a sério o primeiro mandamento: “Ouve, ó Israel!” (Dt. 6,4). Nossa civilização ocidental tem sido particularmente fechada à Palavra do Senhor: construímos a sociedade e construímos nossa vida privada, nossos valores morais, nossas escolhas, do nosso modo, sem realmente ouvir a proposta e o caminho que o Senhor nos indica. Reunimos e escutamos os especialistas: economistas, antropólogos, sociólogos, sexólogos, psicólogos… mas, para nós, o Senhor não tem mais nada a dizer! Os gurus são os economistas e psicólogos, é o Paulo Coelho, são os livros de autoajuda… Somos uma geração de surdos! Ora, se somos surdos, também não podemos falar com clareza: nossas ideias são embotadas, nossos debates, nossas palavras, não chegam ao essencial da vida, do sentido da existência, não podemos proclamar d e verdade a alegria da salvação, da plenitude de quem sabe de onde vem e para onde vai. A comunicação se torna oca, alienada e alienante. Basta observar o que os meios de comunicação veiculam! Por isso, Jesus cura primeiro a surdez e, depois, a gagueira do homem. Quando ele puder ouvir o Senhor, tornando-se discípulo pela fé, também poderá falar, proclamar a ação de Deus em Jesus: do Deus que salva e nos mostra o sentido da vida, abrindo-nos a esperança eterna! Sigamos os detalhes da narração de Marcos: (1) Trouxeram o homem surdo-gago para que Jesus o curasse. “Jesus afastou-se com o homem para fora da multidão” – bem ao contrário dos curadores pentecostais de televisão, que exploram seus “milagres” e “curas” como shows, Jesus procura evitar todo sensacionalismo: ele quer encontrar-se realmente com aquele homem, pessoa a pessoa, quer que aquele homem o descubra como sua salvação; (2) “Em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele” – o homem, sendo surdo, somente poderia compreender a linguagem dos símbolos, dos sinais; é a que Jesus empregou: toca os dedos que, para os antigos, transmitiam poder (cf. Ex. 8,15) e, depois, toca sua língua com a saliva, significando o dom do Espírito que cura e liberta. Para os antigos, a saliva era o Espírito em estado líquido (a ideia é estranha, mas é preciso que nos transportemos para o modo de pensar semítico)! (3) “Olhando para o céu, suspirou e disse: ‘Ephatà’”. Assim, Jesus indica que a salvação que ele traz procede do Pai, que o enviou. Mais ainda: ao suspirar, ao gemer, ele exprime sua compaixão, sua dor pela situação humana; (4) “Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade”. Somente Jesus, com o poder do seu Espírito, pode curar o homem de seu fechamento para escutar e para proclamar. Sim, porque também nossa geração cristã é, muitíssimas vezes, covarde para proclamar, para professar sem medo e respeito humano nossa fé. O cristão ou é testemunha ou não é cristão: “Não podemos, nós, deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. Nós somos testemunhas destas coisas, nós e o Espírito Santo” (At. 4,20; 5,32). Este caminho do surdo-gago é urgente para o cristão: reaprender a escutar de verdade Jesus (= crer nele de verdade) e falar dele ao mundo no testemunho corajoso, pois, somente assim, a humanidade atual encontrará a paz que tanto almeja. Somente em Cristo aquilo que a primeira leitura vislumbra e anuncia de modo tão belo, pode realizar-se: “Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede! É o nosso Deus que vem; é ele que vem para salvar!’ Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. A terá árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d’água” – Que imagens impressionantes, belas, evocativas! Quando Deus vem, quando ele está presente, tudo é vida, tudo é plenitude, tudo canta de alegria! Não é disso que nosso mundo atual tanto precisa? Mas, o homem fechado na sua soberba – nós, fechados na nossa autossuficiência e no nosso comodismo! – jamais vai experimentar isso! Para acolher na alegria e simplicidade, é necessário reconhecer-se necessitado, como o surdo-gago, que procurou Jesus, para que lhe impusesse as mãos: somente quem é pobre diante de Deus, quem se reconhece pequeno diante do Altíssimo, pode abrir-se para a salvação e recebê-la do Senhor! Daí a lembrete de são Tiago: “Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?” São palavras que nos incomodam e até escandalizam: Deus prefere os pobres… porque os pobres são abertos para Deus. Eles conseguem experimentar dolorosamente na carne aquilo que nós tentamos esquecer ou temos dificuldades para compreender: que somos todos pobres, necessitados, pequenos diante de Deus! Com nossas posses e nossas seguranças, apoiamo-nos em nós mesmos, tornando-nos surdos e mudos para o Senhor! O pobre é profético sempre, porque recorda o que nós somos e, quando descobrimos isso, podemos ser curados de nossa autossuficiência surda e libertados de nossa preguiça muda. O salmo da Missa de hoje canta exatamente esta experiência: Deus salva o pobre, o pequeno, o desvalido! Se o pobre é sempre profeta, sempre uma palavra de Deus ao nosso lado e, mais ainda, é presença do próprio Cristo, que sendo rico se fez pobre (cf. 2Cor. 8,9) – “O que fizestes ao menor dos meus irmãos, a mim o fizestes” (Mt. 25,40) -, então, o nosso modo de tratar o pobre, de ver o pobre, de nos aproximar do pobre – seja pessoal, seja comunitariamente – diz muito daquilo que nós e nossa Comunidade somos em relação a Deus; diz muito dos nossos critérios: se são segundo Deus ou segundo nosso coração mundano! Que o Senhor nos cure da surdez e da gagueira; faça-nos atentos à sua Palavra e ao seu testemunho; dê-nos olhos para reconhecê-lo nos irmãos, sobretudo nos pobres, seja de que pobreza for… sobretudo os pobres, social e economicamente falando!

12 – CURA DE UM SURDO-MUDO EM TERRAS PAGÃS

O profeta Isaias é o profeta da consolação. O povo, em meio à dor gerada no desterro, necessita de uma voz de alento e de esperança, por isso o profeta convida a “não ter medo”. É necessário confiar em Deus, pois ele vai salvar seu povo da escravidão. O profeta evoca com suas palavras a lembrança da terra da Palestina com suas riquezas naturais, torrentes e mananciais, uma terra fértil e espaçosa, um paraíso ou uma terra prometida. Uma terra que espera o povo depois do exílio, à qual regressa como em um novo êxodo. Nessa terra voltam a se instalar para reconstruir o Templo, a cidade e a historia. E as pessoas viverão vida plena, cheias de vida e saúde, com seus órgãos de sentidos completos, capazes de perceber o que está passando ao seu redor. Nas palavras do próprio profeta, pode-se descobrir a força de Deus que busca reanimar os abatidos e transformar a terra devastada. O profeta anuncia tantos bens que parece ter chegado o tempo messiânico. A carta de Tiago é um clamor forte à fraternidade. O que faz distinção de pessoas na assembleia, isto é, na celebração litúrgica, não pode ser cristão. Tiago, em sua carta, fala de diferenças e desigualdades no interior da comunidade, paradoxalmente onde se deveria construir outro modelo de relação dos seres humanos com vida social autêntica. Em uma palavra: a fraternidade, como fruto do mandamento do amor, começa na própria celebração litúrgica e deve se tornar realidade nas relações sociais e nos membros da comunidade. Cada vez que o cristão celebra a eucaristia deve assumir o compromisso do amor real, um amor que se torne efetivo nas obras que enriquecem a vida e a plenifiquem de conteúdos de humanização. Esta é uma tarefa a assumir: fazer da celebração cristã um espaço de vida abundante e de experiência profunda de amor. O evangelho de hoje afirma: os pagãos também são destinatários do anuncio do Reino de Deus por parte de Jesus. Saindo Jesus da região de Tiro, dirigiu-se, através de Sidon, para o mar da Galileia, pelos limites da Decápole, tudo em território pagão. Aí trouxeram-lhe um surdo-mudo; pediram que lhe impusesse as mãos. É uma das pouquíssimas vezes que vemos Jesus fora de seu país; se cremos no evangelho, Jesus, praticamente não viajou ao estrangeiro. É importante assinalar que naquele tempo ir ao “estrangeiro” era ir ao “mundo dos pagãos”… expressão que não corresponde à realidade dos nossos dias. Neste fragmento do evangelho de Marcos, observamos Jesus no meio do povo de outra religião… Pode ser muito significativo o seu comportamento para com essas pessoas que não acreditam no Deus de Abraão no qual Jesus crê… Efetivamente, vemos em primeiro lugar como Jesus não está entre os gentios ou pagãos como uma atitude “apostólica”; não o vemos preocupado em catequizar as pessoas. Tampouco parece preocupado em fazer entre eles proselitismo religioso: não pretende converter ninguém à sua religião, à fé israelita, ao Deus de Abraão. E tampouco vemos que Jesus aproveite sua passagem para “infundir sua doutrina”, “ensinar e divulgar as santas máximas de sua religião”. Mais ainda: observamos que nem sequer prega, não faz discursos religiosos. Simplesmente cura. Isto é: não teoriza, mas pratica. Fatos, não ditos. Não podemos dizer que Jesus passe pelo território pagão com indiferença, ou com os olhos fechados, como se não tivesse nada que fazer aí… Jesus está “focado” na ação e por isso não tem muito a dizer. Não o vemos discursando, nem proferindo seu “serviço da palavra”, mas o vemos curando e purificando as pessoas. Não fala do Reino (o que é sua profissão e até sua obsessão dentro dos limites de Israel); fora de seu território religioso, cala sobre o Reino, mas “realiza o Reino”. Ou, como diz o povo ao vê-lo: “ele faz o bem”, não fala sobre o bem. (E já sabemos que “ubi bonum, ibi Regnum”, “onde se faz o bem, aí está o reinado de Deus”, uma fórmula que nos faz cair na conta de uma certa tautologia que se dá entre o “bem” e o “reino”; já o dizia a antífona do salmo 71: “Teu Reino é Vida, teu Reino é Verdade, teu Reino é Justiça, teu Reino é Paz, teu Reino é Graça, teu Reino é Amor…”). Ainda que Jesus não pregue nessa região pagã, ele evangeliza, no sentido mais exato da palavra: da “boa notícia” (“eu-angelion”). Não “informa sobre ela”, não procura transmitir “conhecimentos salvíficos”, nem “anunciar-dizer”, mas “torna presente”, “coloca aí”, constrói “fatos e práticas”, sem teorias, nem palavras. (Não estamos desprezando a teoria, a doutrina, a teologia, a palavra… nem cremos que para Jesus não tenha tido importância… O que estamos querendo dizer, fixando-nos nele, é que também para nós, como para ele, o lugar dessas dimensões “teóricas” é um lugar secundário; o primeiro lugar é para a Vida, a ação, a prática do bem que identifica o Reino, não para a palavra que o anuncia. O fim último que definitivamente perseguimos é a prática, os fatos, a realidade. A teoria, a palavra, a conscientização… também faz parte da realidade, porém não como objetivos, mas como “instrumentos” para sua consecução plena. Excelente lição para nossos tempos de pluralismo religioso e de diálogo inter-religioso. Talvez nosso histórico zelo apostólico e missionário pela “conversão dos infiéis”, pela “chamada dos gentios à fé cristã”, pela “cristianização das nações de outra religião”, ou pela “expansão da Igreja” ou por sua “implantação em outras áreas geográficas”… deveriam olhar para Jesus e tomar nota de sua peculiar conduta missionária. Talvez hoje necessitemos, como Jesus, calar mais e simplesmente agir. Isto é, dialogar inter religiosamente, começando, como se diz tecnicamente, com o “diálogo da vida”: junto com “outros” e conjugar nossos esforços na construção da vida e do bem (“Ibi Regnum”, aí está o reino). Porque se conseguimos viver a unidade na construção do “reinado de Deus” (não importa o nome com que se designe a religião), estaremos de fato unidos na adoração (prática) do Deus do Reino. A doutrina, o dogma, a teologia… virão depois. E cairão por seu próprio peso, como fruta madura, quando o diálogo já seja uma realidade palpável na prática da vida diária. “Ele fez tudo bem feito, fez os surdos ouvir e os mudos falar”; este versículo 37 talvez seja uma má tradução, ou uma derivação da exclamação que, mais provavelmente, brotou dos observadores da conduta de Jesus: “Fez tudo bem feito (o que pode), fez o surdo ouvir e os mudos falar”, ou seja, Jesus pregou aos gentios, porém com “a linguagem dos fatos” e não pedindo uma conversão “mental” à sua religião ou a uma nova Igreja que ele não estava pensando fundar, mas partilhando com eles sua “conversão ao Reino. Jesus não pretendia converter a ninguém a uma nova religião, mas buscava a conversão de todos ao Reino, deixando a cada um a religião a que pertencia. O que importa é a conversão e não uma outra religião; isto é, importa o Reino, seja a que pertença. A missão do missionário cristão é inspirada em Jesus. O missionário, que nos representa a todos, não deve buscar a conversão dos “gentios” à Igreja, como seu objetivo primordial, mas sua conversão ao Reino, seja qual for o nome que ele denomina o “outro”, lembrando sempre que denomínibus non est quaestio (“de nomes não se deve discutir”). E essa conversão, claro, não é de diálogo teórico, nem de pregação doutrinal somente… mas de “diálogo de vida” e de construção do Reino. Oração: Ó Deus de todos os nomes e de todos os povos. Em nosso irmão Jesus vemos um símbolo claro do que queres de nós a respeito das demais religiões: uma atitude de respeito para com os valores e expressões e uma partilha com elas na busca do Reino de Deus e sua justiça. Tudo o mais esperamos por acréscimo. Nós expressamos nosso desejo de fazer nossas as atitudes de Jesus. Tu que vives e fazes viver, pelos séculos dos séculos. Amém.

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MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL

A liturgia nos convida a bendizer o Senhor, que torna nossos olhos e ouvidos atentos à difícil realidade do mundo e dá força a nossa voz para que anunciemos seu reino a todos. A páscoa de Jesus se realiza nas pessoas e grupos que proclamam as maravilhas de Deus e denunciam tudo o que degrada a vida.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO

Abramos os ouvidos para acolhe a palavra de Deus, que nos anima na caminhada, nos previne contra toda discriminação e, com Jesus, anuncia nova ordem: os surdos ouvirão e os mudos proclamarão a boa-nova.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

Jesus Cristo pregava o evangelho, a boa notícia do reino e, curava seu povo doente de todos os males, sua gente! (Mt 4,23).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada

Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia (Sl 118,137.124).

Antífona da comunhão

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; aquele que me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida (Jô 8,12).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia

Transformemos a palavra proclamada e ouvida em oração. Ela deve penetrar em nosso coração e renovar nosso agir. Digamos;

— Abri nossos ouvidos, Senhor.

— Senhor, fazei que a Igreja seja a primeira a se abrir à vossa palavra e proclamá-la aos fiéis, vos pedimos.
— Ajudai-nos a acolher com gratidão e fé a vossa mensagem e torná-la guia para o nosso agir, vos pedimos.
— Livrai-nos do medo e do desânimo diante das dificuldades e dos desafios da vida, vos pedimos.
— Fortalecei os pais, para que consigam dar o pão material e o pão da palavra aos filhos, vos pedimos.
— Conscientizai a sociedade e os governantes da necessidade de atenção às pessoas com deficiência, vos pedimos.

Oração sobre as oferendas

Ó Deus, fonte da paz e da verdadeira piedade, concedei-nos, por esta oferenda, render-vos a devida homenagem e fazei que nossa participação na eucaristia reforce entre nós os laços da amizade. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, que nutris e fortificais vossos fiéis com o alimento da vossa palavra e do vosso pão, concedei-nos, por estes dons do vosso Filho, viver com ele para sempre. Por Cristo, nosso Senhor.

Fontes de Consultas e Pesquisas

Vamos expor a seguir, os nomes dos sites e blogs a que pertencem os textos que nos preenchem todos os dias com palavras inspiradas pelo Espírito Santo, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

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FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO — “BÍBLIA SAGRADA”

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O importante não é a pessoa que escreve, mas quem inspira essa pessoa a escrever.

O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.

O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que ele nos pede.

Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é saber compartilhar o conhecimento.

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