Liturgia Diária 14/ABR/13

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA — 14/ABR/2013 (domingo)

LEITURAS

Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 5,27b-32.40b-41)

Naqueles dias, os guardas levaram os apóstolos e os apresentaram ao Sinédrio. 27b O sumo sacerdote começou a interrogá-los, dizendo: 28 “Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!” 29 Então Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens. 30 O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. 31 Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o Guia Supremo e Salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. 32 E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem”. 40b Então mandaram açoitar os apóstolos e proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram. 41 Os apóstolos saíram do Conselho, muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Proclamação do Salmo (Sl 29,2.4.5-6.11.12a.13b(R.2a).

— Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes.
— Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes.
— 2 Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes, / e não deixastes rir de mim meus inimigos! / 4 Vós tirastes minha alma dos abismos / e me salvastes, quando estava já morrendo!
— 5 Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, / dai-lhe graças e invocai seu santo nome! / 6 Pois sua ira dura apenas um momento, / mas sua bondade permanece a vida inteira; / se à tarde vem o pranto visitar-nos, / de manhã vem saudar-nos a alegria.
— 11 Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade! / Sede, Senhor, o meu abrigo protetor! / 12 Transformastes o meu pranto em uma festa, / 13b Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!

Leitura do Livro do Apocalipse de São João (Ap 5,11-14)

Eu, João, vi 11 e ouvi a voz de numerosos anjos, que estavam em volta do trono, e dos Seres vivos e dos Anciãos. Eram milhares de milhares, milhões de milhões, 12 e proclamavam em alta voz: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória, e o louvor”. 13 Ouvi também todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles existe, e diziam: “Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre”. 14 Os quatro Seres vivos respondiam: “Amém”, e os Anciãos se prostraram em adoração daquele que vive para sempre.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo João (Jo 21,1-19)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo
segundo João.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1 Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: 2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. 3 Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. 4 Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5 Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não”. 6 Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7 Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. 8 Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. 9 Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. 10 Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”. 11 Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. 12 Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13 Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. 14 Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. 15 Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”. 16 E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas”. 17 Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. 18 Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”. 19 Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

LEITURA ORANTE:

… Oração Inicial … (querer)

Preparo-me para a Leitura Orante, orando com todos os internautas:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo.
Trindade Santíssima – Pai, Filho, Espírito Santo – presente e agindo na Igreja e na profundidade do meu ser. Eu vos adoro, amo e agradeço.

… Eu sou o CAMINHO … (ler…)

Fixo o meu olhar em Deus, através da Palavra.
Faço a leitura lenta e atenta do texto da Palavra do dia: Jo 21,1-19.
E Jesus faz aos apóstolos o convite para virem comer. Deu-lhes peixes e pão. Ele está vivo! Ele aparece na praia, entrando no quotidiano dos apóstolos: estavam trabalhando. Começava a clarear. À noite não pescaram nada. Quando Jesus chega, “começa a clarear”. Quer dizer, as coisas melhoram e melhoram muito: a pesca foi grande – 153 peixes grandes!
Qual o simbolismo dos 153 peixes?
Estudos esclarecem que havia naquele lago 153 espécies de peixes. Pescar, portanto esta quantidade de peixes, significava pecar de todas as espécies que havia. Não só muito, mas o máximo. Com Jesus Cristo podemos tudo. Sem Jesus não podemos muito ou nada.

… a VERDADE … (refletir e meditar…)

Sob a luz da verdade – Jesus está vivo! – e participa do nosso quotidiano, de nossas dificuldades e conquistas, medito a Palavra, ligando-a a minha vida. Jesus também me alimenta e multiplica infinitamente o meu nada, minha “pescaria” às vezes sem resultados.
E eu, como vivo tudo isto?
Tenho fé?
Percebo logo a ação de Deus?
Em Aparecida, os bispos repetiram no texto conclusivo, as palavras de Bento XVI: “Não tenham medo de Cristo! Ele não tira nada e nos dá tudo. Quem se dá a Ele, recebe cem por um. Sim, abram, abram de par em par as portas a Cristo e encontrarão a verdadeira vida”. (DAp 15).

… e a VIDA … (orar…)

Meu coração já está em sintonia com o coração de Jesus. Vivo este momento em silêncio. E rezo: / Creio, Senhor, mas aumenta a minha fé.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (contemplar e agir…)

Passarei o dia a olhar com fé cada acontecimento. Perceberei a ação de Jesus Ressuscitado em cada momento de meu dia.

REFLEXÕES:

1 – REFLEXÃO.

A liturgia deste 3º domingo do tempo pascal recorda-nos que a comunidade cristã tem por missão testemunhar e concretizar o projeto libertador que Jesus iniciou; e que Jesus, vivo e ressuscitado, acompanhará sempre a sua Igreja em missão, vivificando-a com a sua presença e orientando-a com a sua Palavra.
A primeira leitura apresenta-nos o testemunho que a comunidade de Jerusalém dá de Jesus ressuscitado. Embora o mundo se oponha ao projeto libertador de Jesus testemunhado pelos discípulos, o cristão deve antes obedecer a Deus do que aos homens.
A segunda leitura apresenta Jesus, o “cordeiro” imolado que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva; em contexto litúrgico, o autor põe a criação inteira a manifestar diante do “cordeiro” vitorioso a sua alegria e o seu louvor.
O Evangelho apresenta os discípulos em missão, continuando o projeto libertador de Jesus; mas avisa que a ação dos discípulos só será coroada de êxito se eles souberem reconhecer o Ressuscitado junto deles e se deixarem guiar pela sua Palavra.
1ª leitura: Atos 5,27b-32.40b-41 – AMBIENTE
Entre 2,1 e 8,3, o Livro dos Atos apresenta o testemunho da Igreja de Jerusalém acerca de Jesus. Os comentadores costumam chamar aos capítulos 3-5 a “secção do nome”, pois eles incidem no anúncio do “nome” de Jesus (cf. At. 3,6.16; 4,7.10.12.30; 5,28.41), isto é, do próprio Jesus (o “nome” era uma apelação com que os judeus designavam o próprio Deus; designar Jesus dessa forma equivalia a dizer que Ele era “o Senhor”). Esse anúncio, feito em condições de extrema dificuldade (por causa da oposição dos líderes judeus), é, sobretudo, obra dos apóstolos.
No texto que nos é proposto, apresenta-se o testemunho de Pedro e dos outros apóstolos acerca de Jesus. Presos e miraculosamente libertados (cf. At 5,17-19), os apóstolos voltaram ao Templo para dar testemunho de Cristo ressuscitado (cf. At 5,20-25). De novo presos, conduzidos à presença da suprema autoridade religiosa da nação (o Sinédrio) e formalmente proibidos de dar testemunho de Jesus, os apóstolos responderam apresentando um resumo do kerigma primitivo.
MENSAGEM
A questão principal gira à volta do confronto entre o cristianismo nascente e as autoridades judaicas. A frase de Pedro “deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens” (v. 29) deve ser vista como o tema central; define a atitude que os cristãos são convidados a assumir diante da oposição do mundo.
Quanto ao resumo doutrinal dos vs. 30-32, ele não apresenta grandes novidades doutrinais em relação a outras formulações do kerigma primitivo acerca de Jesus (apresentado de forma mais desenvolvida em At. 2,17-36; 3,13-26 e 10,36-43): morte na cruz, ressurreição, exaltação à direita de Deus, a sua apresentação como salvador e o testemunho dos apóstolos por ação do Espírito. Neste contexto, apenas se acentua – mais do que noutras formulações – a responsabilidade do Sinédrio no escândalo da cruz e a contraposição entre a ação de Deus e a ação das autoridades judaicas em relação a Jesus.
De resto, a oposição humana põe em relevo a realidade sobre-humana da mensagem, a sua força que não pode ser detida e o dinamismo dessa comunidade animada pelo Espírito. Se Jesus encontrou oponentes e morreu na cruz, é natural que os apóstolos, fiéis a Jesus e ao seu projeto, se defrontem com a oposição desses mesmos que mataram Jesus. No entanto, os verdadeiros seguidores do projeto de Jesus – animados pelo Espírito – estão mais preocupados com a fidelidade ao “caminho” de Jesus do que às ordens ou interesses dos homens – mesmo que sejam os que mandam no mundo.
ATUALIZAÇÃO
Para refletir e atualizar a Palavra, considerar os seguintes dados:
A proposta de Jesus é uma proposta libertadora, que não se compadece nem pactua com esquemas egoístas, injustos, opressores. É uma mensagem questionante, transformadora, revolucionária, que põe em causa tudo o que gera injustiça, morte, opressão; por isso, é uma proposta que é rejeitada e combatida por aqueles que dominam o mundo e que oprimem os débeis e os pobres. Isto explica bem porque é que o testemunho sobre Jesus (se é coerente e verdadeiro) não é um caminho fácil de glória, de aplausos, de honras, de popularidade, mas um caminho de cruz. Não temos, portanto, que nos admirar se a mensagem que propomos e o testemunho que damos não encontram eco entre os que dominam o mundo; temos é de nos questionar e de nos inquietar se não somos importunados por aqueles que oprimem e que escravizam os irmãos: isso quererá dizer que o nosso testemunho não é coerente com a proposta de Jesus.
Qual a nossa atitude, em concreto, diante daqueles que “assassinam” a proposta de Jesus e que constroem um mundo de onde a lógica de Deus está ausente: é de medo, de fraqueza, de submissão, ou de denúncia firme, corajosa e desassombrada?
Para nós, o que é mais importante: obedecer a Deus ou aos homens?
2ª leitura: Ap. 5,11-14 – AMBIENTE
A segunda parte do Livro do Apocalipse (cap. 4-22) apresenta-nos aquilo que poderíamos chamar “uma leitura profética da história”: o autor vai apresentar a história humana numa perspectiva de esperança, demonstrando aos cristãos perseguidos pelo império que não há nada a temer pois a vitória final será de Deus e dos que se mantiverem fiéis aos projetos de Deus.
O texto que nos é proposto faz parte da visão inicial, onde o “profeta” João nos apresenta as personagens centrais que vão intervir na história humana: Deus, transcendente e onipotente, sentado no seu trono, rodeado pelo Povo de Deus e por toda a criação (cf. Ap. 4,1-11); depois, o “livro” onde, simbolicamente, está o desígnio de Deus acerca da humanidade (cf. Ap. 5,1-4); finalmente, é nos apresentado “o cordeiro” (Jesus), aquele que detém a totalidade do poder (“sete cornos”) e do conhecimento (“sete olhos”); só ele é digno de ler o livro (ou seja, de revelar, de proclamar, de concretizar para os homens o projeto divino de salvação).
MENSAGEM
A personagem fundamental deste pequeno extrato que nos é proposto como segunda leitura é “o cordeiro”. É um símbolo usado pelo autor do Livro do Apocalipse para falar de Jesus.
O símbolo do “cordeiro” é um símbolo com uma grande densidade teológica, que concentra e evoca três figuras: a do “servo de Jahwéh” – figura de imolação – que, qual manso cordeiro é levado ao matadouro (Is. 53,6-7; cf. Jr. 11,19; At. 8,26-38); a do “cordeiro pascal” – figura de libertação – cujo sangue foi sinal eficaz de vitória sobre a escravidão (Ex. 12,12-13.27; 24,8; cf. Jo 1,29; 1Cor. 5,7; 1Pe. 1,18-19); e a do “cordeiro apocalíptico” – figura de poder real – vencedor da morte (esta imagem é característica da literatura apocalíptica, onde aparece um cordeiro vencedor, guia do rebanho, dotado de poder e de autoridade real – cf. 1º livro de Henoc, 89,41-46; 90,6-10.37; Testamento de José, 19,8; Testamento de Benjamim, 3,8; Targum de Jerusalém sobre Ex. 1,5). O autor do Apocalipse apresenta, portanto, de uma maneira original e sintética, a plenitude do mistério de imolação, de libertação e de vitória régia, que corresponde a Cristo morto, ressuscitado e glorificado.
O “cordeiro” (Cristo) é entronizado: ele assumiu a realeza e sentou-se no próprio trono de Deus. Aí, recebe todo o poder e glória divina. A entronização régia de Cristo, ponto culminante da aventura divino-humana de Jesus, desencadeia uma verdadeira torrente de louvores: dos viventes, dos anciãos (vs. 5-8) e dos anjos (vs. 11-12). E todas as criaturas (v. 13), a partir dos lugares mais esconsos da terra, juntam a sua voz ao louvor. O Templo onde ressoam estas incessantes aclamações alargou as suas fronteiras e tem, agora, as dimensões do mundo. É uma liturgia cósmica, na qual a criação inteira celebra o Cristo imolado, ressuscitado, vencedor e faz dele o centro do “cosmos”.
ATUALIZAÇÃO
A mensagem final do Livro do Apocalipse pode resumir-se na frase: “não tenhais medo, pois a vossa libertação está a chegar”. É uma mensagem “eterna”, que revigora a nossa fé, que renova a nossa esperança e que fortalece a nossa capacidade de enfrentar a injustiça, o egoísmo, o sofrimento e o pecado. Diante deste “cordeiro” vencedor, que nos trouxe a libertação, os cristãos veem renovada a sua confiança nesse Deus salvador e libertador em quem acreditam.
Esta “liturgia” celebra Cristo, aquele que venceu a morte, que ressuscitou, que nos apresentou o plano libertador de Deus em nosso favor e que, hoje, continua a dar sentido aos nossos dramas e aos nossos sofrimentos, a iluminar a história humana com a luz de Deus.
Ele é, de fato (como esta liturgia no-lo apresenta), o centro, a referência fundamental à volta do qual tudo se constrói?
Temos consciência desta centralidade de Cristo na nossa experiência de fé?
Manifestamos a nossa gratidão, unindo a nossa voz ao louvor da criação inteira?
Evangelho: Jo 21,1-19 – AMBIENTE
O último capítulo do Evangelho segundo João não faz parte da obra original (a obra original terminava com a conclusão de 20,30-31); é um texto acrescentado posteriormente, que apresenta diferenças de linguagem, de estilo e mesmo de teologia, em relação aos outros vinte capítulos. A sua origem não é clara; no entanto, a existência de alguns traços literários tipicamente joaninos poderia fazer-nos pensar num complemento redigido pelos discípulos do evangelista.
Neste capítulo, já não se referem notícias sobre a vida, a morte ou a ressurreição de Jesus. Os protagonistas são, agora, um grupo de discípulos, dedicados à atividade missionária. O autor descreve a relação que esta “comunidade em missão” tem com Jesus, reflete sobre o lugar de Jesus na atividade missionária da Igreja e assinala quais as condições para que a missão dê frutos.
MENSAGEM
O texto está claramente dividido em duas partes.
A primeira parte (vs. 1-14) é uma parábola sobre a missão da comunidade. Utiliza a linguagem simbólica e tem caráter de “signo”.
Começa por apresentar os discípulos: são sete. Representam a totalidade (“sete”) da Igreja, empenhada na missão e aberta a todas as nações e a todos os povos.
Esta comunidade é apresentada a pescar: sob a imagem da pesca, os evangelhos sinópticos representam a missão que Jesus confia aos discípulos (cf. Mc. 1,17; Mt. 4,19; Lc. 5,10): libertar todos os homens que vivem mergulhados no mar do sofrimento e da escravidão. Pedro preside à missão: é ele que toma a iniciativa; os outros seguem-no incondicionalmente. Aqui faz-se referência ao lugar proeminente que Pedro ocupava na animação da Igreja primitiva.
A pesca é feita durante a noite. A noite é o tempo das trevas, da escuridão: significa a ausência de Jesus (“enquanto é de dia, temos de trabalhar, realizando as obras daquele que Me enviou: aproxima-se a noite, quando ninguém pode trabalhar; enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo” – Jo 9,4-5). O resultado da ação dos discípulos (de noite, sem Jesus) é um fracasso rotundo (“sem Mim, nada podeis fazer” – Jo 15,5).
A chegada da manhã (da luz) coincide com a presença de Jesus (Ele é a luz do mundo). Jesus não está com eles no barco, mas sim em terra: Ele não acompanha os discípulos na pesca; a sua ação no mundo exerce-se por meio dos discípulos.
Concentrados no seu esforço inútil, os discípulos nem reconhecem Jesus quando Ele Se apresenta. O grupo está desorientado e decepcionado pelo fracasso, posto em evidência pela pergunta de Jesus (“tendes alguma coisa de comer?”). Mas Jesus dá-lhes indicações e as redes enchem-se de peixes: o fruto deve-se à docilidade com que os discípulos seguem as indicações de Jesus. Acentua-se que o êxito da missão não se deve ao esforço humano, mas sim à presença viva e à Palavra do Senhor ressuscitado.
O surpreendente resultado da pesca faz com que um discípulo o reconheça. Este discípulo – o discípulo amado – é aquele que está sempre próximo de Jesus, em sintonia com Jesus e que faz, de forma intensa, a experiência do amor de Jesus: só quem faz essa experiência é capaz de ler os sinais que identificam Jesus e perceber a sua presença por detrás da vida que brota da ação da comunidade em missão.
Os pães com que Jesus acolhe os discípulos em terra são um sinal do amor, do serviço, da solicitude de Jesus pela sua comunidade em missão no mundo: deve haver aqui uma alusão à Eucaristia, ao pão que Jesus oferece, à vida com que Ele continua a alimentar a comunidade em missão.
O número dos peixes apanhados na rede (153) é de difícil explicação. É um número triangular, que resulta da soma dos números um a dezessete. O número dezessete não é um número bíblico… Mas o dez e o sete são: ambos simbolizam a plenitude e a universalidade. Outra explicação é dada por são Jerônimo… Segundo ele, os naturalistas antigos distinguiam 153 espécies de peixes: assim, o número faria alusão à totalidade da humanidade, reunida na mesma Igreja. Em qualquer caso, significa totalidade e universalidade.
Na segunda parte do texto (vs. 15-19), Pedro confessa por três vezes o seu amor a Jesus (durante a paixão, o mesmo discípulo negou Jesus por três vezes, recusando dessa forma “embarcar” com o “mestre” na aventura do amor que se faz dom). Pedro – recordemo-lo – foi o discípulo que, na última ceia, recusou que Jesus lhe lavasse os pés porque, para ele, o Messias devia ser um rei poderoso, dominador, e não um rei de serviço e de dom da vida. Nessa altura, ao raciocinar em termos de superioridade e de autoridade, Pedro mostrou que ainda não percebera que a lei suprema da comunidade de Jesus é o amor total, o amor que se faz serviço e que vai até à entrega da vida. Jesus disse claramente a Pedro que quem tem uma mentalidade de domínio e de autoridade não tem lugar na comunidade cristã (cf. Jo 13,6-9).
A tríplice confissão de amor pedida a Pedro por Jesus corresponde, portanto, a um convite a que ele mude definitivamente a mentalidade. Pedro é convidado a perceber que, na comunidade de Jesus, o valor fundamental é o amor; não existe verdadeira adesão a Jesus, se não se estiver disposto a seguir esse caminho de amor e de entrega da vida que Jesus percorreu. Só assim Pedro poderá “seguir” Jesus (cf. Jo 21,19).
Ao mesmo tempo, Jesus confia a Pedro a missão de presidir à comunidade e de a animar; mas convida-o também a perceber onde é que reside, na comunidade cristã, a verdadeira fonte da autoridade: só quem ama muito e aceita a lógica do serviço e da doação da vida poderá presidir à comunidade de Jesus.
ATUALIZAÇÃO
A mensagem fundamental que brota deste texto convida-nos a constatar a centralidade de Cristo, vivo e ressuscitado, na missão que nos foi confiada. Podemos esforçar-nos imenso e dedicar todas as horas do dia ao esforço de mudar o mundo; mas se Cristo não estiver presente, se não escutarmos a sua voz, se não ouvirmos as suas propostas, se não estivermos atentos à Palavra que Ele continuamente nos dirige, os nossos esforços não farão qualquer sentido e não terão qualquer êxito duradouro. É preciso ter a consciência nítida de que o êxito da missão cristã não depende do esforço humano, mas da presença viva do Senhor Jesus.
É preciso ter, também, a consciência da solicitude e do amor do Senhor que, continuamente, acompanha os nossos esforços, os anima, os orienta e que conosco reparte o pão da vida. Quando o cansaço, o sofrimento, o desânimo tomarem posse de nós, Ele lá estará, dando-nos o alimento que nos fortalece. É necessário ter consciência da sua constante presença, amorosa e vivificadora ao nosso lado e celebrá-la na Eucaristia.
A figura do “discípulo amado”, que reconhece o Senhor nos sinais de vitalidade que brotam da missão comunitária, convida-nos a ser sensíveis aos sinais de esperança e de vida nova que acontecem à nossa volta e a ler neles a presença salvadora e vivificadora do Ressuscitado. Ele está presente, vivo e ressuscitado, em qualquer lado onde houver amor, partilha, doação que geram vida nova.
O diálogo final de Jesus com Pedro chama a atenção para uma dimensão essencial do discipulado: “seguir” o “mestre” é amá-lo muito e, portanto, ser capaz de, como Ele, percorrer o caminho do amor total e da doação da vida.
Na comunidade cristã, o essencial não é a exibição da autoridade, mas o amor que se faz serviço, ao jeito de Jesus.
As vestes de púrpura, os tronos, os privilégios, as dignidades, os sinais de poder favorecem e tornam mais visível o essencial (o amor que se faz serviço), ou afastam e assustam os pobres e os débeis?
(P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho).

2 – REFLEXÃO.

Fé fundada no Amor
Duas cenas se completam: Os discípulos trabalham a noite toda e não conseguem pescar nada. Diante da palavra de Jesus, fazem uma pesca abundante. A pesca com frutos abundantes conduz a um convívio oferecido pelo próprio Jesus que não usa dos peixes que pegaram, mas de um que Ele mesmo oferece. A pregação é simbolizada pela pesca. Podemos interpretar que a pregação não é só para nos conduzir ao conhecimento de Jesus, mas para participarmos de seu Corpo e Sangue na comunidade. Na cena vemos que Jesus tomou pão e distribuiu entre eles. Fez mesmo com o peixe. A palavra peixe, em grego, são as iniciais do nome Jesus que é uma profissão de fé: Jesus Cristo de Deus Filho Salvador (Ichtys). A fé sempre nos conduz ao reconhecimento de Cristo como Senhor Deus. Em continuação encontramos o diálogo com Pedro no qual Jesus pergunta se O ama. Faz a pergunta, primeiro se O ama com o Amor Divino. Pedro responde que ama com amor humano. Na terceira vez pergunta se O ama com amor de amigo. Pedro se emociona e responde: “Tu sabes tudo, sabe também que Te amo” (Jo 21,15). Mesmo tendo sido frágil, pois negou, Jesus confia nele e lhe dá a responsabilidade de cuidar do rebanho de ovelhas e cordeiros. Notamos que João, diante do milagre da pesca abundante reconhece o autor: “É o Senhor!” (Jo 21,7). É o amor que leva ao conhecimento.
Por que essa insistência de Jesus sobre o amor de Pedro?
O amor tem que ser Divino e humano. Pedro mostrará que é Divino em sua entrega de vida por Jesus. Pedro é frágil, mas tem firmeza no amor. O amor que Jesus lhe pede não se trata só de uma afeição, mas de definição de vida pelo povo, cordeiros e ovelhas. Esse amor significa uma obediência acima de todo questionamento. A fé em Jesus se mostra no amor.
Obedecer antes a Deus
O início da pregação dos discípulos foi conturbado. Proibidos pelos donos do poder, de ensinar em nome de Jesus, Pedro e João respondem: É preciso obedecer a Deus antes que aos homens (At 5,29). É a mesma resposta que dão os cristãos diante das pressões do poder romano, reconhecendo a Divindade de Jesus, Cordeiro que foi imolado (Ap 5,12). Só Ele é digno. Esta saudação que fazem a Cristo, Cordeiro imolado era a saudação que se fazia ao imperador romano. Pedro e João lançam em face do Sumo Sacerdote e do sinédrio, a acusação da culpa pela morte de Jesus. Mas Deus O exaltou, tornando-O Guia Supremo e Salvador. Essa tendência de calar a Igreja passa pelos séculos. A Igreja não é contra as pessoas, mas alerta contra o erro. O testemunho dos Apóstolos é acompanhado pelo testemunho do Espírito Santo. Não falam por si: “E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem” (At 5,32).
A glória como meta
Toda a liturgia do Tempo Pascal, depois de nos conscientizar do mistério que vivemos, coloca-nos na perspectiva do nosso futuro. Assim rezamos: “Vosso povo… espere com confiança o dia da Ressurreição” (oração). Pedimos que Deus “nos conceda a eterna alegria” (Oferendas). E rezamos: “Concedei aos que renovastes pelos vossos sacramentos, a graça de chegar um dia à gloria da ressurreição da carne” (Pós-comunhão). O mistério da Ressurreição é vivido cada dia pelos discípulos de Jesus. Todos os que creem e todos os que vivem no amor e na justiça vivem a Ressurreição na fragilidade. Um dia poderemos com “todas as criaturas que estão na terra, debaixo da terra e no mar e tudo o que neles existem, dizer: ‘Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre’”. E todo universo diga: Amém!
(Padre Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R).

3 – O SENHOR SEMPRE CAMINHA LADO A LADO CONOSCO.

É pela terceira vez que Jesus aparece aos seus amigos, desta vez foi junto ao lago de Tiberíades. O que mais se destaca, aqui, é a fé em Jesus, a qual brota do coração e não dos olhos somente. Somos convidados a confiar no testemunho idôneo daqueles que O rodearam e adquiram a inteligibilidade da verdade do testemunho da Sua Ressurreição.
A certeza de que estás vivo, Senhor, é o testemunho autêntico daqueles a quem aparecestes e a Tua própria palavra no mar de Tiberíades. Infelizmente, ainda hoje, muitas dúvidas vão persistindo, algumas vezes, na nossa mente induzida pelos profetas das desgraças que espalham falsas doutrinas e até, às vezes, com fundamentos cientificamente comprovados. Mas tudo isso porque somos homens e mulheres de pouca fé. Perdoa-nos na nossa mesquinhez, e auxilia-nos a crescer na fé na Tua pessoa e na Tua Palavra.
“Senhor Jesus, Tu caminhas lado a lado conosco na estrada da nossa vida, acompanhando-nos nas nossas amarguras e nas nossas tristezas. Raramente, porém, conseguimos ter os olhos abertos para ver-Te e os ouvidos atentos para escutar-Te”.
Minha irmã e meu irmão, Deus os chama: Será que o caminho que você está tentando seguir, mas que não está dando muito certo, é o caminho de Jesus?
Aquele que disse “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” está conosco. Ele nos convida a lançar a rede para o outro lado da barca. Não se preocupe com o seu sustento, não se preocupe com dinheiro, porque o Senhor cuidará de tudo. É só confiar e jogar a sua rede do outro lado. Converter é mudar de rumo, de caminho. Converta-se! Mude agora o seu caminho para Deus e será uma pessoa nova como o Cristo Ressuscitado!
Juntos, peçamos ao Senhor nosso Deus para que Seu Filho Ressuscitado nos auxilie em tudo: “Meu Senhor e meu Deus, auxilia-nos a ver-Te ao nosso lado, acompanhando-nos em todos os momentos da nossa vida, de tal modo que o nosso coração – inflamado por Ti – consiga transmitir a Tua constante presença, a fim de que saibamos, com ardor, comunicá-la a todos aqueles que nos rodeiam.
Senhor Jesus, ajuda-nos a estarmos atentos à Tua presença nos diversos momentos da nossa vida. Quando escutamos a Tua Palavra, que nos alegra, pois é a Tua presença. Quando entrarmos na intimidade com o Senhor, pela Eucaristia, que ela nos consiga a paz; quando Te conseguirmos descobrir nos outros, que nos estimule o espírito missionário e de serviço.
Muitas vezes, a canseira do dia a dia nos torna quebrados e sem rumo para a nossa vida. Sem a Vossa presença, o barco da vida regressa do mar vazio, sem peixe. A nossa vida fica sem sabor e razão de viver. Só com a Tua presença tudo ganha sentido como foi para aqueles discípulos no mar de Tiberíades. Temos a certeza de que convosco a canseira de uma noite inteira na faina de pescar resultará inútil, pois à indicação da Vossa palavra, que se encontra na margem do nosso desespero, faz abundar de peixes as redes da nossa vida a ponto de quase se rebentarem.
É verdade, Senhor, eu creio! Sem Ti por perto, nada conseguiremos. A nossa sabedoria, a nossa habilidade, os nossos conhecimentos, nada conseguem se a Tua presença não informar a nossa ação.
Por isso, insistentemente, Te suplico, Senhor Jesus, não nos deixes separar de Ti. Que a Tua presença sempre se faça sentir na nossa ação cotidiana e que nós jamais empreendamos qualquer atividade sem Te ter presente como guia, conselheiro e distribuidor providente de todo o nosso alimento que fortifica e dá sentido à nossa vida.
Pai, que a presença do Ressuscitado reforce a comunhão com meus irmãos e minhas irmãs de fé, a fim de podermos atrair para Ele muitas outras pessoas de boa vontade. Amém”.
(Padre Bantu Mendonça).

4 – CUIDA DAS MINHAS OVELHAS.

A morte de cruz encerrou o ministério terreno de Jesus. Ao exclamar: “Tudo está consumado!”, ele proclamou ter levado a termo a missão recebida do Pai.
Todavia, restava muito a ser feito. O Evangelho deveria ser anunciado a todos os povos, e a salvação chegar até os confins da Terra. A sementinha do Reino não podia ficar infrutífera. Era preciso fazê-la desabrochar para tornar-se uma árvore frondosa.
A missão, agora, seria tarefa dos discípulos.
Com que condições?
A primeira delas consistia em estar unido ao Senhor por um amor entranhado, numa proximidade tal que lhes permitisse assimilar a vida do Mestre. Esta centralidade de Jesus na vida do discípulo seria garantia de sua presença no decorrer da missão. A segunda consistia em estar consciente de ter sido encarregado de uma missão recebida do Senhor. O discípulo atuaria como servidor dessa missão, e não como dono do rebanho!
Ao ser três vezes interrogado, Pedro confessou seu amor a Jesus. Este, então, confiou-lhe o encargo de cuidar de suas ovelhas. O rebanho não é propriedade do discípulo, e a relação entre ambos deve ser permeada pelo amor do Senhor.
O ministério, portanto, teria três polos: Jesus que confia a missão – o discípulo que a executa, por amor – e o rebanho a ser conduzido pelos caminhos do Senhor.
Oração: Espírito de dedicação, que eu cuide, com total generosidade, do rebanho a mim confiado pelo Senhor, sabendo conduzi-lo com amor.
(Padre Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE).

5 – BOA NOVA PARA CADA DIA.

Primeira Leitura
O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz (At 5,30).
No início da pregação dos apóstolos sobre Jesus ressuscitado, os chefes judeus os proibiram de tocar nesse assunto diante do povo. No entanto, São Pedro lhes respondeu que obedeceriam a Deus e não aos chefes religiosos. Esta era uma atitude muito corajosa, que teve seu preço: os chefes mandaram açoitar os apóstolos. O livro dos Atos não diz quais apóstolos, mas certamente foram São Pedro e São João. E o texto conclui: depois disso os apóstolos ficaram felizes por sofrerem pelo nome de Jesus.
Este é um exemplo que devemos imitar, especialmente em nosso tempo, em que muitas pessoas, por vergonha de ser cristãos e católicos, evitam dificuldades que nos são postas na sociedade por termos fé em Jesus Cristo.
Até padres e religiosos evitam sinais que os distingam dos leigos para não ter de conduzir uma vida e um comportamento de acordo com sua função na Igreja.
Rezemos por esses e perguntemos pelo nosso próprio comportamento como católicos, sem reparar em primeiro lugar no cisco no olho dos outros e não ver a trave nos nossos olhos.
Salmo Responsorial
Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes (Sl 29 [30],1).
Este salmo é uma oração de lamentação e ao mesmo tempo de alegria, porque o Poder de Deus se manifesta na vida do salmista, isto é, de cada um de nós.
Nesta liturgia do terceiro domingo de Páscoa, este salmo pode ser entendido como a oração de Jesus em sua Paixão, Morte e Ressurreição. Do sofrimento de Cristo, por decisão de Deus Pai, resultou sua Ressurreição, pela qual Jesus Cristo se alegrou, como diz o salmo em seu último versículo.
Deixemos que o Espírito Santo nos ilumine para entendermos como Jesus Cristo ressuscitado “louva Deus eternamente” (Sl 29 [30],13).
Segunda Leitura
O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor (Ap 5,12).
Na linguagem misteriosa do Livro do Apocalipse, esta expressão “Cordeiro Imolado” se refere a Jesus Cristo ressuscitado, que no Céu é adorado pelos milhares de anjos e por todas as criaturas do Céu, da Terra e debaixo da Terra (ver também Fl 2,6-11).
É esta a celebração celestial e terrestre da Ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Só esta passagem do Apocalipse nos faz entender como a Ressurreição de Jesus é eternamente celebrada no Céu.
Por que tudo isso é dado ao Cordeiro Imolado?
Não são qualidades de Deus, e o louvor a Ele devido?
Se é assim, o “Cordeiro Imolado” é adorado como Deus é. Este é o modo do Apocalipse dizer que Jesus, o Filho de Deus, porque foi imolado para cumprir a vontade do Pai, a de salvar toda a humanidade, é Deus. Vale notar como o Apocalipse não diz diretamente: Jesus Cristo é Deus. No entanto, de maneira muito mais solene e gloriosa em 5,12 diz: “Ele deve ser adorado”. E adoração somente é devida a Deus. Logo, o “Cordeiro Imolado” é Deus, o Deus Filho. Nós, na Terra, somos os que O adoramos antes de fazermos o mesmo quando estivermos com Ele na Vida Eterna.
Evangelho
Simão, filho de João, tu me amas? (Jo 21,17).
Depois de ressuscitado e de ter aparecido várias vezes aos discípulos, Jesus tem um diálogo reservado com São Pedro. Antes de subir para o Céu, de onde veio, Jesus quer que sua obra tenha continuidade, com o surgimento da Igreja. Jesus usa a comparação do pastor e das suas ovelhas, como era sua preferência, falando dos que Nele acreditaram.
Neste diálogo reservado com São Pedro, Jesus lhe confia o Seu rebanho. Jesus sabe quais limitações São Pedro tem. No entanto, para que a Igreja lhe seja confiada, basta que Jesus tenha certeza de que São Pedro O ama.
O que isso quer dizer?
Com o amor, São Pedro jamais se separará de Jesus Cristo. E assim, a Igreja será guiada por quem ama Jesus Cristo, isto é, da maneira mais perfeita possível e como Jesus quer.
Temos tido muitos Papas. Sabemos que foram escolhidos para guiar a Igreja porque amavam Jesus Cristo. Jesus confiou a São Pedro esta dura tarefa, mas São Pedro a aceitou porque sua garantia era o próprio Cristo. E Ele é o “Cordeiro Imolado”, que recebeu do Pai o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor (Ap 5,12). Sabemos, assim, em quem cremos hoje: “Cordeiro Imolado”.
(Padre Valdir Marques, SJ).

6 – AO ROMPER DO DIA, JESUS APRESENTOU-SE NA MARGEM.

“Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem”.
Que simboliza o mar, senão o mundo atual, batido pelas ondas tumultuosas das nossas ocupações e pelos turbilhões de uma vida caduca?
E o que representa a margem firme, senão a perpetuidade do descanso eterno?
Portanto, os discípulos afadigam-se no lago porque ainda estão presos nas ondas da vida mortal, mas o nosso Redentor, depois da Sua ressurreição, fica na margem, uma vez que já ultrapassou a condição da fragilidade da carne. É como se Ele tivesse querido servir-Se dessas coisas para falar aos Seus discípulos do mistério da Sua ressurreição, dizendo-lhes: “Já não vos apareço no mar (Mt 14,25), porque já não estou entre vós no meio da agitação das ondas”.
Foi no mesmo sentido que, noutro lugar, disse a esses mesmos discípulos após a ressurreição: “Disse-vos essas coisas quando ainda estava convosco” (Lc 24,44). Não lhes disse isto por já não estar com eles – pois o Seu corpo estava presente e aparecia-lhes
, mas […] porque a Sua carne imortal Se distanciava muito dos seus corpos mortais: Ele dizia que já não estava com eles e contudo estava no meio deles. Na passagem que lemos hoje, diz-lhes a mesma coisa pela localização do Seu corpo: enquanto os discípulos ainda navegam, doravante Ele está firme na margem.
(São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja)

7 – JESUS APARECEU AOS PESCADORES.

E Jesus apareceu de novo aos discípulos. Nenhum deles se atrevia a perguntar quem era Ele, pois sabiam que era Jesus. E João disse a Pedro: “É o Senhor”… Esta foi a terceira vez que Jesus ressuscitado apareceu aos discípulos.
E depois que comeram peixe assado, Jesus perguntou a Pedro por três vezes: Pedro tu me amas? Pedro ficou triste e desapontado por ter percebido que Jesus repetiu a pergunta três vezes porque foram também três as vezes que ele havia negado Jesus na noite da agonia.
Nós amamos a Deus?
Que temos feito para demonstrar o nosso amor a Deus?
Temos amado a Deus na pessoa do nosso irmão?
Que fazemos para demonstrar o amor que sentimos pelo esposo, pela nossa esposa, pelos nossos filhos, pelos nossos irmãos?
Palavras bonitas, cartões, presentes, sorrisos forçados, flores?
Será que aquelas flores que levamos para ela significam mesmo uma prova de amor, ou será que aquele gesto é um desagravo por uma traição?
O amor deve ser demonstrado com atitudes concretas de fidelidade, de ajuda mútua, de dedicação, de perdão, de entrega, de lealdade, de companheirismo, de silêncio no lugar de palavras vãs, de correção, de carinhos externados em: abraços, aperto de mãos, beijos, sorrisos, elogios sinceros, pelo olhar, etc.
Pedro negou a Jesus por três vezes. E nós, quantas vezes já O negamos?
Negamos a Jesus quando faltamos com a justiça, quando falseamos no amor, quando nos envergonhamos de nos confessarmos cristãos diante das pessoas, quando ignoramos o irmão caído no chão que nos estende a mão…
Negamos a Deus pelo pecado. Quando pecamos nos sentimos para baixo, desanimados, culpados, nosso semblante fica triste, e temos medo do castigo de Deus. Ficamos sem vontade de rezar, e é exatamente nessa hora que mais precisamos da oração. Agimos assim como aquele filho que se escondia do pai porque havia feito uma coisa muito feia. Isso tudo acontece porque em nossa mentalidade de humanos que somos, vemos Deus com os nossos olhos, com a nossa maneira de pensar, ou com a nossa escala de valores e assim como o nosso pai ficava ou fica bravo conosco quando erramos, achamos que O Pai celeste tem as mesmas reações dos humanos. Dentro de nossas limitações, humanas, temos uma grande dificuldade de entender que DEUS DETESTA O PECADO MAIS AMA O PECADOR e quer a sua salvação. Por isso, depois da nossa queda, Ele está com a mão estendida para nos levantar. Resta-nos aceitar a sua ajuda, o seu resgate.
O amor de Deus para conosco é infinito, irrestrito, e incondicional. Deus é Pai e nos ama com amor de mãe. Um amor de mãe multiplicado inúmeras vezes, infinitas vezes… E a maior prova desse amor de Deus foi o fato d’Ele ter nos dado o seu Filho que morreu por nós.
Mas não fiquemos desanimados. Apesar de Pedro ter negado Jesus, ele foi escolhido para ser o primeiro Papa da Igreja, quando Cristo disse mais ou menos assim: “Pedro, tu és pedra, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Te darei as chaves do reino dos céus. O que ligares na Terra será ligado no Céu. O que desligares na Terra será desligado no Céu”.
Apesar daquelas três negações, Jesus escolhe Pedro, e diz: “Apascenta minhas ovelhas”. Isso significa que ele, Pedro estaria perdoado pelas negações, e mais: estava sendo escolhido, não por ser um santo, não necessariamente por seus merecimentos, mais pela sua fé, seu esforço, sua dedicação, sua boa vontade em trabalhar pelo Reino de Deus, e acima de tudo, ele foi escolhido pela graça e bondade de Deus.
Meus irmãos: Assim também acontece conosco. Não devemos nos envaidecer por sermos escolhidos por Deus para uma missão na Igreja, nos achando totalmente merecedores, e melhores que os demais irmãos. Pois não passamos de pecadores que diariamente negamos a Jesus nos maiores e menores dos atos. A única vantagem que possamos ter, é a nossa fé e disposição para servir a Deus. Isso pesa muito a nosso favor, é contabilizado por Deus e é assim que somos escolhidos. De resto, caríssimos, somos pecadores como qualquer outro. Nunca nos esqueçamos disso, principalmente na hora em que o nosso trabalho é reconhecido e valorizado e que recebemos algum elogio, que na verdade não o merecemos. POIS SE BRILHAMOS, FOI A LUZ DE CRISTO QUE REFLETIMOS. O brilho dessa luz não é nosso. Não tomemos o lugar de Deus. Se somos aplaudidos quando falamos de Cristo, ou seja, se os aplausos não forem para Cristo, e sim direcionados para os nossos talentos, nosso trabalho está furado, perdido, pois estamos buscando a nossa glória e não a glória de Deus. Não tomemos o lugar de Cristo, quando nos apresentamos em nome de Deus. Façamos como Paulo, o qual sempre se apresentou como o menor dos homens. A luz que deve brilhar quando evangelizamos, é a luz de Deus, não a nossa. Pode ser difícil entender isso, pois alguém já deve ter dito a sua pessoa: Você é talentoso, tem um dom especial de Deus! Responda sempre: Não. Errado! Pois é Cristo que vive em mim. É Cristo que realiza essas coisas em mim. É o poder de Deus em mim que realiza maravilhas, e não o meu próprio poder. Sei que sou apenas um ser inútil. E se realizo algo de notável, algo maravilhoso para o Reino de Deus, é pela graça de Deus que realizo. Pois sem essa graça serei apenas palha digna de ser jogada ao fogo.
Prezados irmãos. Tomemos cuidado sempre com os elogios, com o reconhecimento das pessoas pelo nosso esforço, pelo nosso trabalho. Nunca faça nada para ser reconhecido pelas pessoas. Que o seu empenho seja sempre direcionado no sentido de que Cristo apareça e não você.
Apascenta minhas ovelhas. Apascentar significa levar a pastar, pastorear, alimentar o rebanho, proteger dos perigos, educar, corrigir, encaminhar para Deus, isso, no caso dos nossos filhos. Pois Todo chefe(a) de família tem a missão de apascentar o seu pequeno rebanho. Assim como o chefe da Igreja tem a missão de nortear, corrigir, direcionar, administrar a grande família cristã.
Do mesmo modo, em menor escala, o sacerdote tem a mesma missão, que é supervisionada pelo Papa.
Pedro tu me amas? Então apascenta minhas ovelhas.
Meu irmão, minha irmã. Você ama a Deus?
Então não fica aí parado, guardando esse Deus só para você. Vá a luta! Leve Deus aos irmãos, pois à medida que você trabalha pela causa do Reino, sentir-se-á cada vez mais atraído(a) por Deus, e será redimido dos seus pecados, tendo assim a felicidade de efetuar uma conversão diária. Experimente isso e verá que o difícil mesmo é só começar. Depois de entrar de cabeça no trabalho missionário, todo o resto será bem mais fácil, pois é a mão de Deus que está guiando a sua pessoa e cuidando dos detalhes.
(José Salviano).

8 – … TU ME AMAS? APASCENTA AS MINHAS OVELHAS.

Ainda estamos vivendo as alegrias do acontecimento que marcou a história da humanidade, o ápice do ano litúrgico, a feliz conclusão do drama da Paixão de Jesus, que deu lugar a uma imensa alegria depois da dor!
A liturgia deste tempo forte, nos insere no mistério do amor de Deus, nos impulsiona a alargar os nossos passos nesta nossa caminhada de fé.
Não basta crermos na ressurreição de Jesus, é preciso vivê-la no nosso dia a dia, aceitando a nossa condição humana, nossas fragilidades, imperfeições, sempre na certeza de que, configurados ao Cristo Ressuscitado, tornamos fortes!
Viver a ressurreição, é descobrir o segredo da verdadeira felicidade, é ter o olhar transfigurado pelo Espírito Santo que nos faz enxergar com clareza o que está oculto aos olhos do mundo.
A ressurreição de Jesus, marca o início da Sua presença definitiva no meio de nós! Quando sentimos fugir de nós o horizonte, quando nos entregamos ao desanimo, é sinal de que não estamos reconhecendo esta presença viva de Jesus em nossa vida! Jesus é o horizonte novo que se abre para nós! É a fé no Cristo ressuscitado, que nos devolve a alegria de viver, que reacende em nossos corações a luz da esperança, devolvendo o brilho ao nosso olhar!
A todo instante, Jesus se faz conhecer, através de “pequenos” sinais, mas muitas vezes não captamos estes sinais por estarmos voltados somente para os nossos interesses pessoais. E assim, vamos deixando Jesus de lado, quando o que Ele mais quer, é estar dentro de nós, direcionando a nossa vida.
Todos nós, somos chamados a dar testemunho da ressurreição de Jesus, não com provas históricas e sim, com o nosso testemunho de fé.
A primeira parte do evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, nos coloca diante o mar de Tiberíades, onde se deu a terceira aparição de Jesus, segundo o evangelista João.
Deste texto cheio de significados, podemos tirar seguidas mensagens que com certeza, irão nos ajudar muito na nossa caminhada de fé.
O mar de Tiberíades significa o mundo, ou seja, o campo de trabalho onde o discípulo de Jesus deve atuar.
O numero grande de peixes (153) significa a grande quantidade de pessoas a serem “pescadas”, ou seja, a serem atraídas para o Reino de Deus!
O insucesso da pesca, vem nos alertar sobre o perigo da nossa autossuficiência, do nosso não estar unido a Jesus, no exercício da nossa missão.
A pesca abundante, fala-nos da importância da nossa obediência a Deus, do êxito da nossa missão, quando nos abrimos a ação de Deus!
A narrativa nos leva a crer, que mesmo alegres com a ressurreição de Jesus, os discípulos ainda não conseguiam dar passos na evangelização. Sem a presença física de Jesus, sem um líder que os guiassem, o grupo parecia um pouco que perdido, sem saber por onde começar a missão que a eles fora designada por Jesus.
Talvez, um vacilo na fé, os fizera retroceder, voltar a profissão de antes. Por um momento, o grupo, seguindo a iniciativa de Pedro (“Eu vou Pescar”) abandonam o barco de Jesus, e de pescadores de homens, voltam a pescadores de peixes.
Mas Jesus não os abandona, entende a fragilidade humana e nesta terceira aparição, coloca o grupo à caminho, sobre a liderança de Pedro. De Pedro, Jesus exige um único requisito: amar, amar, amar! Com esta convocação, Jesus faz um passeio amoroso no coração de Pedro, um coração duramente castigado pelo remorso de tê-Lo negado três vês vezes no momento derradeiro a sua morte.
Entregando a Pedro a responsabilidade de conduzir o seu rebanho, Jesus dava-lhe a entender que já o havia perdoado e que Ele conhecia a grandiosidade do seu coração, razão pela qual, Ele o escolheu como o Pastor das ovelhas do Pai!
A partir do mar de Tiberíades, a Igreja missionária, fundamentada no amor, conduzida pelo Espírito Santo, sobre a liderança de Pedro, dá o seu primeiro passo rumo a uma nova Jerusalém.
FIQUE NA PAZ DE JESUS!
(Olívia Coutinho).

9 – O HOMEM DA PRAIA…

Um grande amigo que acompanha atentamente as reflexões, me alertou sobre o evangelho desse terceiro Domingo da Páscoa: “Olha Diácono, é aquele evangelho onde o “Pedrão”, joga a toalha e vai pescar…”
“Pedrão” é o jeito carinhoso que ele chama São Pedro, eu não o censuro porque, de fato, a primeira impressão que se tem é essa: Que o apóstolo Pedro desistiu de tudo e voltou á vidinha antiga, indo pescar. O mais interessante, é que a sua reestreia na profissão de pescador, foi uma lástima: lidou a noite inteira com a sua equipe de trabalho, e não pescaram nada, pelo que diz o texto. Depois, um fato mais estranho aconteceu: Jesus, que era carpinteiro e não pescador, aparece na praia, pede alimento e depois dá palpite na atividade pesqueira de Pedro e dos outros pescadores experientes, mandando jogar a rede do lado direito. Dá para imaginar a cara de “poucos amigos” que Pedro fez, com aquele palpite de um estranho.
Por que, vamos e convenhamos, que diferença faz, jogar a rede do lado esquerdo ou direito da barca?
Aquele estranho não entende nada de pesca. Entretanto, seguindo exatamente a sua palavra orientadora, aconteceu uma pesca milagrosa, e as duas barcas ficaram tão cheias de peixes graúdos, que por pouco não afundaram. Antes que alguém diga que isso mais parece lorota de pescador, deixa-me informar que essa história é absolutamente verdadeira, mas… É claro que não se trata de peixes…
Quando Jesus chamou Pedro, Thiago e João, um belo dia á beira mar, prometeu que daquele dia em diante, iria fazer deles, pescadores de homens. Não se pode também, imaginar que Pedro decidiu sair pelos lugarejos, fazendo uma pregação meio louca, da sua própria cabeça, e que daí as coisas não deram certo. Mas o evangelista se reporta aos primeiros tempos da comunidade primitiva. Que dureza tentar cumprir a missão, sem Jesus por perto! A primeira sensação é realmente de um grande fracasso, em nossas comunidades a gente experimenta muito isso, a própria vida da comunidade, ás vezes se acha comprometida e parece que todo trabalho não vai dar em nada.
Os apóstolos sabiam muito bem qual era a missão que o Senhor lhes havia confiado. Nós também nos dias de hoje, já estamos até carecas de saber qual é a missão primária da igreja e o que compete a cada batizado fazer, para que o anúncio do evangelho aconteça. Mas o problema são os métodos que nós utilizamos.
Será que estão corretos? Será que são os mais adequados? Será que não estamos querendo fazer as coisas do nosso jeito?
Há os que confundem o evangelho com ideologias políticas, ou com uma Filosofia de vida. Há os que pensam que o evangelho não tem nada a ver com a nossa vida e a nossa história, com a realidade onde estamos inseridos. E pensando desta forma, lá se vão noites e noites de uma pescaria infrutífera, trabalhos pastorais, reuniões cansativas e desgastantes, projetos que não saem das gavetas, catequese “arroz com feijão”, normas e regras na Vida dos Sacramentos, que não agregam nada. As pessoas chegam, procurando alimento, e vão embora esfomeadas, esta é uma grande verdade.
Tudo isso porque falta ás vezes o essencial, o reconhecimento de Jesus presente em nossa lida comunitária, aqui um detalhe extremamente importante: para reconhecê-lo, só a fé não basta, é preciso uma relação amorosa com Deus presente em Jesus, por isso João, o discípulo que Jesus amava, exclama feliz, ao constatar o resultado surpreendente da “pescaria”: “É o Senhor”! Jesus jamais será percebido na comunidade se faltar aquilo que é essencial: a relação de amor para com ele. Há os que o buscam somente na razão, outros o buscam e pensam tê-lo encontrado na emoção, qualquer um desses caminhos não será válido, se faltar essa relação amorosa.
Mas o coitado do Pedro quase morreu de vergonha quando escutou falar que aquele homem na praia era Jesus, e correu a vestir-se porque estava nu. Sem a consciência de que Jesus caminha conosco na igreja, a gente não se reveste da graça santificadora, quando estamos nus, expomos a nossa vergonha, pois não temos como ocultá-las, mas revestidos da roupa nova que Jesus nos oferece com a Salvação, tornamo-nos homens novos, e a Luz da Graça Divina nos dá a roupagem nova, ocultando nossas fragilidades e limites, somos enfim, recriados, essa seria a palavra certa para o processo de salvação.
Comunidade é lugar de acolhimento, portanto de calor humano, que aquece com brasas fumegantes alimentando todos os que a buscam, Na brasa daquele homem misterioso á beira da praia, e que eles não sabiam ainda bem quem era, já tinha um peixe e pão, mas ele pede alguns dos peixes que eles haviam pescado. Comunidade é lugar de alimentar e ser alimentado, de receber e de dar. Feito isso, juntando o peixe de Jesus e o seu pão, e os peixes graúdos, que são os frutos do trabalho em comunidade, seja ele qual for, o alimento está assegurado a todos. Jesus indicou o lugar, isso é, o como fazer, e eles acreditaram… Eis aí o eco das palavras da mulher das Bodas de Cana “Fazei o que ele vos disser…”.
Na comunidade, Deus e Homem se unem, em uma parceria misteriosa chamada comunhão de vida, é isso, somente isso, que garante alimento em abundância a todos…
(Diácono José da Cruz).

10 – O REINO DE DEUS É VIDA, VIDA EM ABUNDÂNCIA.

O Reino de Deus é vida, vida em abundância. Por isso, nesta Páscoa estamos refletindo sobres os encontros de Jesus com seus discípulos. Nesse encontro vemos o núcleo da mensagem de Jesus acontecer, amor e vida plena. No domingo anterior refletíamos sobre o encontro de Jesus com os discípulos repletos de medo. O medo deles só se foi depois que vivenciaram sua fé em Cristo.
No Evangelho de hoje João narra a aparição de Jesus. Neste encontro estão os sete discípulos. O número sete significa a totalidade da comunidade. Nesta terceira aparição os discípulos estão na Galileia pescando. Todavia, não conseguem pescar peixes, seus atos estão sendo estéreis. Então eles visualizam um homem, Jesus, porém não conseguem identificar sua identidade. Jesus, então, pede que lancem novamente a rede. Em seguida eles pegam 153 grandes peixes.
Quando lançaram as redes, eles, os discípulos, acreditaram em Jesus. Sua fé brota do coração. Eles eram pescadores, pessoas simples que estavam a todo o momento querendo que seu coração fosse preenchido por essa fé.
Após a pescaria Jesus pede a Pedro que arraste os peixes para a terra firme. E com uma linda frase ele completa seu pensamento dizendo: “Vinde comer”. Ao dizer isso Jesus quer convidar a cada um a saborear consigo a totalidade do seu reino.
Em um segundo momento Jesus pergunta a Pedro: “Pedro tu me amas”. Essa pergunta é repetida três vezes. Nessas três perguntas Pedro se reabilita das suas três negações a Jesus durante a Paixão. Pedro, mesmo em sua fragilidade diz que ama Jesus. A partir destas repostas Jesus pede a ele que para apascentar suas ovelhas.
Nossa liturgia de hoje é um convite a acreditar em Jesus por meio deste acreditar, fazer com que a Igreja possa apascentar todas as ovelhas. Amar é acreditar, por isso, Pedro amou Jesus até o fim, mesmo com todas as fragilidades de sua vida. Não devemos ter medo de arriscar, de lançar nossas redes. E durante todos os dias de nossa caminhada Jesus estará perguntando se nós o amamos. E com certeza nossas repostas devem ser positivas. Por isso, digamos do mais profundo de nosso coração: “sim, Senhor, vos amamos”.
Sim, Senhor, eu te amo.
(Professor Isaías da Costa).

11 – EU VOU PESCAR.

Um velho ditado popular diz que: “Deus ajuda quem cedo madruga”. Na verdade, Deus ajuda sempre, não escolhe hora, porém no evangelho de hoje, Jesus aparece aos apóstolos, antes do sol raiar. Era madrugada, estavam cansados, com fome e com sono, porém insistiam em lançar as redes. Eram pescadores experientes, devem ter lançado a rede por todos os lados do barco. Tentaram a noite toda e nada, mesmo assim não desistiram.
Estavam distraídos tentando conseguir, pelo menos o suficiente para o almoço, quando Jesus aparece na praia e lhes pergunta se têm algo para comer. Eles não reconheceram o Mestre na pessoa daquele pedinte e responderam, não temos nada! Não pescamos nenhum peixe!
Ele então ordena que lancem a rede à direita do barco, pois ali encontrarão os peixes que tanto procuram.
Lançar a rede no mesmo lugar que já haviam tentado dezenas de vezes?
Parecia um absurdo, mas não discutiram, obedeceram e o resultado foi surpreendente.
João começa sua narração dizendo que Pedro decidiu pescar e que, no mesmo instante, os outros discípulos disseram: “também vamos”, e foram! Essa disponibilidade dos apóstolos demonstra a liderança de Pedro. Não precisou convidar ninguém. Bastou se dispor a trabalhar e foi seguido.
Parece que João quer mostrar a enorme responsabilidade do líder. O pastor tem que ser autêntico, tem que viver o que prega, tem que trilhar caminhos seguros, pois as ovelhas confiam nele, imitam seus atos e seguem seus passos. O verdadeiro líder sabe que o exemplo dispensa palavras.
Outro fato curioso é que eles não reconheceram Jesus de imediato. Não tinham a menor ideia de quem seria aquele forasteiro e, mesmo assim acataram sua sugestão, seguiram o seu conselho e jogaram a rede no local que havia indicado.
Como já dissemos, eles eram pescadores experientes, jamais lançariam a rede num lugar tão raso e tão próximo da praia. No entanto, fizeram exatamente o que Jesus mandou e, o resultado foi maravilhoso. A rede não se rompeu apesar dos cento e cinquenta e três grandes peixes que apanharam.
Fico imaginando: qual teria sido o meu ou o seu comportamento no lugar desses homens?
Pare e pense.
Coloque-se no lugar deles e tente imaginar sua reação:
imagine que você é um profissional de informática, seu micro travou, e após algumas horas tentando recuperá-lo, sem sucesso, chega um desconhecido, aponta um local que, aparentemente, não tem nada a ver e diz: “clique ali”! Você clicaria?
Isso é válido para qualquer função. Seja mecânico, médico, cozinheira, técnico de futebol, motorista ou líder comunitário, dificilmente alguém aceitaria essa intromissão sem questionar e até mesmo sem se ofender com essa ideia, aparentemente absurda. Este episódio é uma clara demonstração de como os primeiros cristãos estavam abertos para acatar sugestões.
A boa notícia de hoje chama-se fé, a grande lição é a humildade desses homens. Não tinham nada a perder, já haviam tentado de tudo e sem o menor sucesso.
Por que então não experimentar a sugestão de um novato que, aparentemente, só queria ajudar?
Ali estava o caminho para a grande pescaria.
Cenas iguais a esta acontecem diariamente em nossas comunidades. Quantos desconhecidos chegam para somar e são simplesmente descartados. Suas ideias inovadoras são chamadas de absurdas e não são levadas a sério pelos “profissionais” altamente qualificados em liturgia ou outras pastorais.
Está na hora de parar e pensar. Precisamos abrir o coração para ouvir o que Jesus tem a nos dizer. Ele é quem diz onde jogar a rede e, basta obedecê-lo para ter sucesso na “pescaria”. Quem quiser ter o privilégio de tomar uma refeição com o Mestre, tem que fazer o que Ele manda… tem que viver o amor.
A liturgia, neste tempo pascal, concentra nossa atenção naquele que por nós morreu e ressuscitou; na glória que ele agora possui, como Senhor do céu e da terra: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor. Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre”! Estejamos atentos, porém: afirmar a glória de Cristo, não é algo de folclórico ou triunfalístico, mas é uma proclamação convicta e clara do seu senhorio sobre nós, sobre nossa pobre vida, sobre a vida da Igreja, sobre o mundo e sobre toda a história. A Igreja e cada cristão vivem desta certeza: Jesus ressuscitou dos mortos, é o Vivente, é o Senhor; nós existimos nele e para ele; ele é o referencial último absoluto de nossa existência!
É este Jesus vitorioso, que vem ao encontro dos seus às margens do mar da Galileia; é este Senhor nosso que os apóstolos experimentam no evangelho de hoje. Cada detalhe deste texto de João é cheio de significado. Vejamos:
os apóstolos pescam e nada conseguem apanhar… A pescaria é imagem da ação missionária da Igreja.
Sem Jesus, estamos sozinhos, sem Jesus a pescaria é estéril, as tentativas são vãs… Sem Jesus, pescamos na noite escura… Mas, pela manhã, Jesus vem ao encontro dos seus.
Notemos que os discípulos não conseguem reconhecer o Senhor ressuscitado. Somente quando Cristo se dá a conhecer é que os seus conseguem compreender e experimentar sua presença viva e atuante.
E Jesus dá-se a conhecer sempre na Palavra e no Pão partido, na refeição em comum, isto é, na celebração eucarística.
É aqui, é agora, nesta Eucaristia sagrada, que o Senhor nos fala e parte o Pão conosco. Toda celebração eucarística é celebração pascal, é encontro com o ressuscitado! Como seria bom que, a cada domingo, revivêssemos esta experiência, esta certeza da presença do Senhor vivo entre nós!
Os discípulos ainda não haviam reconhecido Jesus. Este lhes ordenou: “Lançai a rede!” Eles lançaram-na e já “não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes”. Notem: o discípulo amado, diante do sinal, reconhece o Ressuscitado: “É o Senhor!” Mas, é Simão Pedro – sempre ele, o chefe do grupo, o chefe da comunidade dos discípulos, o que comanda a pescaria – faz-se ao mar, para encontrar Jesus.
Jesus ordena que arrastem a rede para a terra. Notemos: o barco é um só, como uma só é a Igreja de Cristo; também a rede é uma só, como única é a obra da evangelização; e quem comanda a pescaria é Pedro, sob a ordem de Jesus! E a rede não se rompe, apesar de cheia de 153 peixes grandes. O número é exagerado, significando a plenitude da obra evangelizadora. E, então, Jesus repete, diante dos discípulos, os gestos da Eucaristia: “tomou o pão e distribuiu entre eles”.
Depois, três vezes, o Ressuscitado pergunta a Pedro – e pergunta aos sucessores de Pedro, os bispos de Roma, perguntou a João Paulo II, perguntou a Bento XVI e pergunta hoje a Francisco: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro responde que sim, e abandona-se no Senhor: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo!” Senhor, antes coloquei minha confiança em minhas próprias forças, em meu próprio amor e terminei te traindo… Tu disseste que oravas por mim para que minha fé não desfalecesse, mas fui presunçoso, e contei mais com minhas forças que com tua oração… Mas, agora, te digo: “Tu sabes tudo; tu sabes que te amo”, apesar de minha fraqueza! É naquilo que tu sabes, que tu podes, que tu em mim realizas que te digo: te amo! – E três vezes, Jesus o incumbe, diante dos outros, de uma missão toda particular: “Apascenta as minhas ovelhas!” Que ninguém duvide – a menos que deseje fazer pouco da vontade do Senhor nosso – que Pedro é o primeiro pastor do rebanho de Cristo. O rebanho é de Cristo, o Bom Pastor, e Cristo o confiou a Pedro! Quem não está em comunhão com o sucessor de Pedro, certamente, age de modo contrário ao que Cristo desejou para a sua Igreja e para seus discípulos. Pouco adianta uma bíblia debaixo do braço, se contrariando a Palavra de Deus, se nega a presença real do Cristo na Eucaristia (cf. Jo 6,53-57), o papel materno de Maria Virgem junto a cada discípulo amado do Senhor (cf. Jo 19,25-27), a indissolubilidade do matrimônio (cf. Mc. 10,1-12), a sucessão apostólica e o papel de Pedro e seus sucessores na Igreja de Cristo  cf. Mt 16,13-20)!
Estejamos atentos: não é a Pedro super-homem que o Senhor confia a sua Igreja; mas a Pedro frágil, a Pedro que o negou, a Pedro humilhado… a Pedro que pode servir até de pedra de tropeço (cf. Mt. 16,23). Pedro é a pedra da Igreja, mas a rocha inabalável é somente Cristo! E Cristo o convida a segui-lo até o martírio, até levantar as mãos na cruz…
Assim foi com Pedro, assim com os discípulos, assim, agora, conosco… Não tenhamos medo! É possível que muitas vezes nos sintamos sozinhos, desamparados, pescando numa pescaria estéril de noite escura… Coragem: o Senhor está conosco: é ele quem nos manda à pesca, é ele quem pode encher nossas redes e dá-lhes consistência para que não se rompam, é ele quem nos revela sua presença e nos enche de coragem! Recordemos dos nossos primórdios, da coragem dos santos apóstolos que se sentiam “contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus”. É que eles sabiam por experiência que o Senhor estava vivo, que o Senhor caminhava com eles. Também nós, hoje, podemos escutá-lo nas Escrituras e reconhecê-lo entre nós no pão partido da Eucaristia. É este Jesus que nos envia à pesca, é este Jesus que caminhará sempre com sua Igreja, nossa Mãe católica, até o fim dos tempos!
A ele a glória e o louvor, a adoração, a riqueza e a sabedoria, a força e a honra para sempre.
(Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Auxiliar de Aracajú).

12 – COISAS DO TEMPO DA PÁSCOA!

Sempre de novo estamos sendo trabalhados interiormente pelas graças do Ressuscitado, de modo especial nesse tempo da Páscoa. Sempre de novo essa verdade grandiosa: Deus não deixou Jesus nas trevas da morte, mas ele vive e está no meio de nós. A luz da Ressurreição ilumina nossos semblantes.
A coleta desse domingo faz com que nos dirijamos ao Senhor pedindo que saibamos esperar com confian
ça o dia da ressurreição: “Ó Deus, que vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que tendo recuperado agora a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição!”
Os ap
óstolos sofrem nas mãos das autoridades civis e religiosas de seu país. Não temem os sofrimentos. Pedro e os outros apóstolos responderam aos que os atacavam: “É preciso obedecer antes a Deus que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o guia supremo e salvador para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos pecados”. Ouvindo tais palavras e pensando no Ressuscitado temos a impressão de viver já o mundo novo da vitória da vida sobre a morte.
Os Atos falam de uma satisfa
ção íntima e mesmo de uma heroica alegria vivida pelos apóstolos: Os apóstolos saíram do conselho muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus”. O Salmo Responsorial ajuda-nos a alimentar a alegria pascal: Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, dai-lhe graças e invocai seu santo nome. Pois a sua ira dura apenas um momento, mas sua bondade permanece a vida inteira; se à tarde vem o pranto visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria”.
O Apocalipse descreve as coisas do c
éu e da glória. Milhares e milhões lá proclamavam em alta voz: “O Cordeiro imolado é digno der receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor”. E os anciãos se prostravam em adoração diante daquele que vive para sempre.
Pequena ora
ção com perfume de Páscoa: Tu que és a água viva, dessedenta nossos corações áridos e que eu permaneça em ti. Tu que es o tronco, dá-nos a Vida e que eu permaneça em ti. Pão do céu, alimenta nossas almas e que eu permaneça em ti. Estrela brilhante da manhã, dissipa nossas trevas, Príncipe da paz, dá-nos tua paz. Tu que és Servo, ensina-nos a servir. Tu que és a Verdade, esclarece nossa inteligência. Tu que és o Justo e o Santo, livra-nos de todo o pecado. Tu que suscitas e alimentas a fé, livra-nos da dúvida. Tu, Ressurreição e Vida, livra-nos da morte”
(santo Ambrósio de Milão). (Frei Almir Ribeiro Guimarães).

13 – O CORDEIRO E O REBANHO.

Aparecem, na liturgia de hoje, duas tônicas principais: o Cordeiro glorioso e Pedro, pastor e porta-voz do rebanho. A origem destes temas parece diferente, mas sendo a liturgia uma interpretação eclesial dos temas bíblicos, vale a pena interpretar um tema pelo outro. Aparece então que o Cordeiro do Ap (2ª leitura) deve ser visto como o Cordeiro que guia o rebanho (cf. 7,17; 14,4 etc.). Não é um cordeirinho, mas um carneiro. Solidário com o rebanho, o conduz à vitória. A este Cordeiro vencedor são dados os atributos de Deus (os mesmos que são dados ao “Filho do Homem” em Dn 7): honra, glória, poder e louvor.
Por que Jesus é chamado o Cordeiro?
A literatura apocalíptica (Ez., Dn., os apócrifos, Ap.) gosta de indicar pessoas e potências por figuras de animais. Além disso, Jesus foi logo considerado vítima expiatória e vítima pascal, como mostram o evangelho e 1ª carta de Jo, oriundos do mesmo ambiente que o Ap. (cf. Jo 1,29.35 e a representação de Jesus morto na hora de imolar o cordeiro pascal – cf. festa do Sagrado Coração/B). Como vítima expiatória, Jesus vence os poderes do pecado, representados, no Ap, por feras (como os impérios deste mundo em Dn). Portanto, o Cordeiro é um vencedor, não pelas armas, mas pela solidariedade com o rebanho, assumindo a morte por ele.
O rebanho é o tema central do evangelho de hoje. Uma linha de interpretação importante, na tradição evangélica, vê a ressurreição de Cristo antes de tudo como a reconstituição do rebanho (disperso pelos acontecimentos da Páscoa em Jerusalém), na Galileia, onde Cristo novamente o “precederá” (conduzirá como pastor), segundo Mc. 14,27-28; 16,7. A aparição pascal de Jesus na Galileia, tanto em Mt. 28,16-20 como em Jo 21 é a encenação deste “preceder na Galileia”. Certos exegetas pensam que a pesca milagrosa de Lc. 5,1-11 seria uma antecipação para dentro da vida de Jesus de uma experiência pós-pascal, mas pode ser também que um milagre da atividade galileia de Jesus foi retomado em Jo 21 para encenar a “retomada” do rebanho depois da dispersão o “preceder” de Jesus, na Galileia. A descrição tem nítidas reminiscências das refeições pós-pascais, narradas em Lc. 24 e Jo 20. A pesca parece que deveria servir para uma refeição de Jesus com os seus, mas, entretanto, ele mesmo já prepara a comida, que é tomada num espírito de eucaristia, e os discípulos podem acrescentar à refeição de Jesus os frutos de sua “pesca”… Simbolismo não falta.
Na segunda parte da narração – que, conforme o Lecionário, pode ser dispensada, mas em nossa interpretação é indispensável – encontramos, em situação pós-pascal, o episódio de Cesareia de Filipe (cf. Mc. 8,27-29): a profissão de fé de Pedro. A narração em Jo 21,15-19 é influenciada pela história da Paixão de Cristo: às três negações de Pedro correspondem as três afirmações de sua amizade. O rebanho só pode ser confiado a quem ama Jesus com o maior amor possível. Isso, porém, não exclui que, ao lado do Pastor assim escolhido, exista o discípulo-amigo, o primeiro a reconhecer o Ressuscitado (21,6; cf. 20,8). Talvez ambas as figuras, Pedro e o discípulo-amigo, representem carismas ou até comunidades diferentes do cristianismo iniciante. Jo 21 parece descrever um pouco da história da primitiva Igreja, vista à luz da Páscoa.
De fato, na história da Igreja, Pedro aparece como líder e porta-voz. É ele que, diante do Sinédrio, em nome dos outros apóstolos, dirige ao sumo sacerdote a atrevida palavra, que parece ter sido um slogan dos primeiros cristãos: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens” (At. 5,29; cf. 4,19), e pronuncia mais um testemunho da ressurreição de Cristo, que os chefes judeus mataram (1ª leitura).
Como o Cordeiro, por solidariedade e amor, deu sua vida em prol do rebanho, assim também o pastor que recebe seu encargo por seu amor não deixará de dar sua vida (At. 5,40-41; Jo 21,18-19). (Johan Konings).

14 – PENITÊNCIA.

O capítulo 21 do Evangelho de João foi acrescentado um pouco mais tarde, e um dos motivos dessa adição se deve ao fato da importância de Simão Pedro para os cristãos. Nesta passagem Jesus aparece no momento em que seus discípulos estão pescando, semelhante ao momento em que convida Pedro, André, Tiago e João para serem seus discípulos “pescadores de homens” (Lc. 5,1-11).
A pesca é usada por várias vezes nos textos bíblicos, como sinônimo de missão.
Nesta passagem em especial no lago de Genesaré também conhecido como mar de Tiberíades, as margens da cidade de Tiberíades, uma cidade pagã erguida em homenagem ao imperador Tibério, demonstra a importância da missão evangelizadora junto aos pagãos, missão que não tem sucesso durante a noite com a ausência de Jesus, e só ao amanhecer com a luz do dia e a orientação de Jesus a pescaria tem sucesso.
O resultado da pescaria, são exatos 153 peixes, que é o número conhecido pelos gregos de espécies de peixes da época, o que simboliza uma pescaria completa.
João descreve ainda nesta passagem o uso de apenas uma barca, símbolo de uma única Igreja: um só rebanho, um só Pastor.
E a iniciativa de Pedro ao arrastar para a praia a rede repleta de peixes sem romper mostra a sua responsabilidade perante este seu compromisso com Jesus e com a Igreja.
Quando Jesus é reconhecido através de Suas Palavras por João, seu discípulo amado, Pedro veste suas roupas e mergulha na água para ir a seu encontro.
Qual o significado desta atitude uma vez que o mais certo seria tirar as roupas para entrar na água?
Colocar as roupas simboliza o respeito e ao mesmo tempo prontidão para estar a serviço, e a atitude de mergulhar na água representa o mergulho na missão que o Senhor vai lhe confiar.
Ao chegarem as margens Jesus já havia preparado o braseiro com peixes e pão para que se alimentasse, mas ainda assim pede a eles alguns peixes fruto de seu trabalho, e assim firma o sentido da missão, a comunhão entre os dons de Deus e o fruto do esforço humano.
A partir deste ponto a atenção de Jesus se volta para Pedro, dando-lhe a oportunidade de confessar publicamente seu amor por Ele ao interpelá-lo por três vezes, contrastando com as três negações de Pedro no momento da crucificação de Cristo.
A afirmativa de Pedro faz com que Jesus entregue a ele a missão de Pastor, conduzindo suas ovelhas, pois só quem tem por Jesus um amor incondicional está pronto para essa missão.
Este capítulo foi escrito após a morte de Pedro. Ele já havia estendido as mãos para morrer e elas já haviam sido amarradas, presas à cruz.
Cuida das minhas ovelhas.
A morte de cruz encerrou o ministério terreno de Jesus. Ao exclamar: “Tudo está consumado!”, ele proclamou ter levado a termo a missão recebida do Pai.
Todavia, restava muito a ser feito. O Evangelho deveria ser anunciado a todos os povos, e a salvação chegar até os confins da Terra. A sementinha do Reino não podia ficar infrutífera. Era preciso fazê-la desabrochar para tornar-se uma árvore frondosa.
A missão, agora, seria tarefa dos discípulos.
Com que condições?
A primeira delas consistia em estar unido ao Senhor por um amor entranhado, numa proximidade tal que lhes permitisse assimilar a vida do Mestre. Esta centralidade de Jesus na vida do discípulo seria garantia de sua presença no decorrer da missão.
A segunda consistia em estar consciente de ter sido encarregado de uma missão recebida do Senhor. O discípulo atuaria como servidor dessa missão, e não como dono do rebanho!
Ao ser três vezes interrogado, Pedro confessou seu amor a Jesus. Este, então, confiou-lhe o encargo de cuidar de suas ovelhas. O rebanho não é propriedade do discípulo, e a relação entre ambos deve ser permeada pelo amor do Senhor.
O ministério, portanto, teria três polos: Jesus que confia a missão – o discípulo que a executa, por amor – e o rebanho a ser conduzido pelos caminhos do Senhor.
(Padre Jaldemir Vitório).

15 – PEDRO, TOMÉ, NATANAEL, TIAGO E JOÃO E DOIS OUTROS.

Jesus ressuscitado se encontra com sete de seus discípulos nas margens do mar de Tiberíades, na Galileia. O relato nos é feito pelo quarto Evangelho. Na lista dos sete discípulos aparecem em primeiro lugar Pedro, Tomé e Natanael. Quando os evangelistas apresentam os nomes dos apóstolos, costumam colocar em primeiro lugar Pedro, Tiago e João. Aqui aparecem Pedro, Tomé e Natanael.
Quando Jesus estava sendo interrogado na casa de Anás, sogro do sumo sacerdote Caifás, Pedro, que se encontrava do lado de fora, negou Jesus Cristo. Disse duas vezes que não era seu discípulo. Uma negação muito séria porque o importante é ser discípulo de Jesus. E Pedro disse que não era. O outro apóstolo, São Tomé, não acreditou que Jesus tivesse ressuscitado dos mortos. Ele só acreditaria se pudesse tocar nas chagas de Jesus. Natanael era um bom israelita, conhecia bem a Bíblia e esperava a chegada do Messias.
Quando Filipe lhe comunicou que tinha encontrado o Messias, e que era Jesus, filho de José, de Nazaré, Natanael reagiu com força e disse que de Nazaré não podia sair coisa boa. Esses três encabeçam a lista dos que se encontraram com Jesus ressuscitado na beira do lago e comeram o peixe e o pão que Jesus tinha preparado.
A cena continua com uma conversa particular de Jesus com Pedro, uma longa conversa. Estavam andando na praia e Jesus insistiu em saber de Pedro se este o amava, e até mais do que os outros. Com a resposta positiva, dada três vezes, Jesus o confirmou como Pastor de todo o rebanho, isto é, o condutor de todos os discípulos de Jesus no mundo inteiro. Pedro recebeu a função de apascentar os cordeiros e as ovelhas de Jesus porque o amava. Jesus deixou bem claro que na sua Igreja a condição para se ter alguma função é amar. Amar Jesus Cristo é a condição para se ter qualquer cargo na Igreja. Cargos que se obtêm de outra maneira não são legítimos.
A conversa de Jesus e Pedro continua, e Pedro parece incomodado com o discípulo, aquele cujo nome não conhecemos e que é chamado de discípulo amado. Então, Jesus vai dizer a Pedro, que negou ser seu discípulo, que o importante é ser discípulo e seguir Jesus. A última palavra de Jesus a Pedro é: “Segue-me”, e isso basta.
O discípulo segue Jesus Cristo. Todos os discípulos seguem Jesus Cristo. Isto é o fundamental para todos. É isto que chamamos em teologia de sacerdócio comum dos fiéis. Todos nós, somos igualmente participantes do único sacerdócio que é o de Cristo. Depois disso vem o sacerdócio ministerial, as funções, os cargos, os títulos, e tudo o que quisermos. O Novo Testamento evita a palavra “sacerdócio”. Somente a carta aos Hebreus fala de Cristo como sumo sacerdote. O Novo Testamento prefere falar de seguimento, de discipulado.
Tiago e João são os filhos de Zebedeu. Eles também estavam lá. O evangelista não menciona o nome dos dois irmãos; prefere dizer que são filhos de Zebedeu, seu pai, talvez porque o quarto Evangelho seja fruto da comunidade iniciada pelo apóstolo e evangelista são João.
E há ainda dois outros, sem nome, para que você e eu possamos colocar o nosso nome entre os sete.
(Cônego Celso Pedro da Silva).

16 – JESUS SE DÁ A CONHECER PELA FÉ.

O capítulo 21 do evangelho segundo João é um acréscimo posterior. Estamos diante de mais um relato da aparição do Cristo Ressuscitado. Agora, às margens do mar de Tiberíades. Aparição, aqui, não deve nos induzir a erro, pois não é o órgão da visão que é exigido, mas a fé. Por isso, ao ouvir ou ler “aparição”, devemos compreender que “ele se dá a reconhecer”. Depois da morte e ressurreição do Senhor, a vida dos discípulos continua. É na lida do dia a dia que o Senhor se faz sentir (alguns dos discípulos saem para pescar – cf. v. 3) e oferece os sinais de sua presença. Simão Pedro, que ao longo de todo o quarto evangelho não é propriamente o homem da fé, porque depende do “discípulo que Jesus amava”, será quem alguns versículos adiante dirá: “É o Senhor!” (v. 7). O diálogo de Jesus com Simão Pedro (vv. 15-19) adquire, então, toda importância, pois se trata de fundar a missão de Pedro como “primeiro entre iguais” num mandato do Senhor: “Apascenta minhas ovelhas (cordeiros)” (vv. 15.16.17); “Segue-me” (v. 19). Porque essa missão lhe é confiada pelo Senhor, será necessário que Pedro o ame mais do que tudo. É nesse sentido que deve ser compreendida a pergunta de Jesus: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” (v. 15).
(Carlos Alberto Contieri, sj).

17 – TU SABES QUE TE AMO… (Jo 21, 1-19).

Este Evangelho é uma das passagens habitualmente petrificadas por nossa incapacidade de traduzir… A maioria dos tradutores ignora o essencial da mensagem. Por três vezes, Jesus pergunta a Pedro qual era a qualidade do amor que alimentava pelo Mestre e Senhor. A insistência de Jesus acaba por levar o velho pescador até o pranto. Mas o essencial da passagem permanece na sombra…
O idioma grego tem diferentes verbos para dizer “amar”, designando diferentes “amores”: eros (amor carnal, mais instintivo), stergethron (amor parental), philia (amor de amizade, ternura) e ágape (amor de adoração, de caridade). Ora, nas duas primeiras vezes, ao perguntar se Pedro o amava, Jesus usa (no texto grego original) o verbo agapáo (
αγαπάω), mas Pedro responde com o verbo philéo (φιλέω). Era como se Jesus perguntasse: Tu me amas de amor? E Pedro respondesse: Eu te amo de amizade
Ao traduzir para o latim, na Vulgata, São Jerônimo foi absolutamente fiel ao texto original, tanto que usou verbos diferentes na pergunta (diliges me? – com o verbo “dilígere”, amor diligente, exigente) e na resposta (amo te – com o verbo “amare”, que não tem aquela conotação de superação no amor).
Comenta o Pe. Spicq, OP: “A distinção dos dois verbos foi notada desde Orígenes, que observa que o ágape evoca algo mais divino e, por assim dizer, um amor espiritual, ao passo que phílein [o verbo amar de amizade] é carnal e mais humano.” Para o mesmo autor, traduzir os dois verbos com igualdade não corresponde à importância da cena.
Mas o mais importante está por vir: na terceira vez, ao insistir na pergunta, Jesus mudou o verbo. Deixou de lado o verbo mais exigente e usou exatamente o verbo que Pedro empregara antes em suas respostas, como se baixasse o nível da exigência para a atual capacidade do velho pescador… Por isso ele chora… Deus sabe muito bem de nossas fraquezas e incapacidades. Nunca nos pedirá algo além de nossas forças. O Senhor aceita o pouco que lhe podemos dar no momento…
Entretanto, se os cristãos de Roma, anos mais tarde, contemplarem o mesmo Simão Pedro crucificado numa cruz, exatamente como seu Mestre se entregara no Calvário, terão compreendido que, enfim, o velho pescador crescera no amor. E poderia, agora, responder: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo de amor!”
Orai sem cessar: “A benevolência do Senhor é para toda a vida!” (Sl 30 [29], 6).
(Antônio Carlos Santini).

18 – JESUS DISSE-LHES: ‘VINDE COMER’.

Jesus disse-lhes: “Vinde comer”.
Hoje, terceiro Domingo da Páscoa, contemplamos ainda as aparições do Ressuscitado, este ano, segundo o evangelista João, no impressionante versículo vinte e um, todo ele impregnado de referências sacramentais, muito vivas para a comunidade cristã da primeira geração, a mesma que recolheu o testemunho evangélico dos próprios Apóstolos.
Eles, depois dos acontecimentos da Páscoa, parecem que retornam às suas ocupações habituais, como se tivessem esquecido que o Mestre os tinha convertido em “pescadores de homens”. Um erro que o evangelista reconhece, constatando que – apesar de se terem esforçado – “não pescaram nada” (Jo 21,3). Era a noite dos discípulos. Apesar disso, ao amanhecer, a presença conhecida do Senhor dá a volta a toda a cena. Simão Pedro, que antes tinha tomado a iniciativa na pesca infrutuosa, agora recolhe a rede cheia: cento e cinquenta e três peixes foi o resultado, número que representa a soma dos valores numéricos de Simão (76) e de ikhthys (= peixe, 77). Significativo!
Assim, quando sob o olhar do Senhor glorificado e com a sua autoridade, os Apóstolos, com a primazia de Pedro – manifestada na tripla profissão de amor ao Senhor – exercem a sua missão evangelizadora, produz-se o milagre: “pescam homens”. Os peixes, uma vez pescados, morrem quando são sacados do seu meio. Assim também os seres humanos, morrem sem que ninguém os resgate da obscuridade e da asfixia, de uma existência afastada de Deus e envolvida no absurdo, lavando-os à luz, ao ar e ao calor da vida. Da vida de Cristo, que ele mesmo alimenta desde a praia da sua gloria, figura esplêndida da vida sacramental da Igreja e, primordialmente, da Eucaristia. Nela o Senhor dá pessoalmente o pão e, com ele, dá-se a si próprio, como indica a presença do peixe, que para a primeira comunidade cristã era um símbolo de Cristo e, portanto, do cristão.
(Rev. D. Jaume GONZÁLEZ i Padrós (Barcelona, Espanha))

19 – APARIÇÃO ÀS MARGENS DO LAGO.

Às margens do lago de Tiberíades, “Jesus manifestou-se novamente” aos Apóstolos, que passam por uma evolução interior. Deixando a desesperança, melhor, a incerteza e a dúvida, eles são conduzidos ao consolo e à fecundidade de uma certeza íntima de que “é o Senhor”. Renovados na fé, eles se nutrem na esperança da realização de suas promessas.
Um breve diálogo se estabelece entre Jesus e os Apóstolos. De modo informal, Jesus lhes pergunta: “Jovens, tendes algo para comer?” Eles, decepcionados por nada terem pescado, respondem com um seco “não”. Conservando sua serenidade e firmeza, Jesus ordena-lhes: “Lançai a rede à direita do barco e achareis”. As circunstâncias são significativas. Durante a noite, momento mais propício para a pesca, eles não tinham conseguido nada. O Senhor estava ausente. À luz do dia, ele se torna presente e a pesca é abundante: “Lançaram, então, a rede e não tinham mais força para puxá-la, por causa da quantidade de peixes”. Já na praia, o Mestre convida-os para comer. Ninguém tem coragem de perguntar quem ele é. Sabem que é o Senhor. Segue-se um momento de convívio, cena singela, mas rica de sentido. Os Apóstolos se reconhecem testemunhas da Ressurreição e tornam-se “pescadores de homens”. É o início da missão pós-pascal, tempo da Igreja.
O fato de os Apóstolos lançarem a rede, em obediência à voz do Senhor, permite entrever a Igreja em sua pregação do Evangelho. Ao lançá-la, ela se declara a caminho do eterno, onde Jesus a aguarda. A primeira pesca miraculosa era figura da fecundidade da missão apostólica, ao longo dos tempos. Jesus se encontra “na barca”, com os Apóstolos, e a conduz para águas mais profundas, pois eles deveriam anunciar o Evangelho a todas as nações. Agora, na segunda pesca, ele aguarda os Apóstolos, a Igreja, para o momento decisivo do julgamento final. O ambiente de intimidade e de convivência assinala que, se a Igreja for fiel à sua mensagem e à vontade do Pai, ela será introduzida na ceia da amizade e do amor.
Portanto, a realidade da Ressurreição de Jesus não é fruto da convicção dos discípulos. Ela é a fonte desta convicção. Como os Apóstolos, também nós sentimos insuficiências e limitações. Mas se Jesus estiver presente, os resultados irão depender de nossa obediência à sua Palavra. Aliás, o episódio da pesca milagrosa é bastante simbólico. Ao ouvir que era o Senhor, Pedro se lança na água para ir ao seu encontro. Já em terra, ele puxa a rede, repleta de peixes, significando, segundo S. Agostinho, a Igreja na universalidade da pregação do Evangelho. Logo após, Jesus irá indicar a Pedro sua missão e seu pastoreio na Igreja.
(Dom Fernando).

CELEBRAÇÃO DE HOJE

— 3º Domingo da Páscoa (branco – glória – creio – III semana do saltério).

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL:
– 1ª: Deus Conosco; – 2ª: Liturgia Diária.

– 1ª: “Tu me amas? Apascenta minhas ovelhas!”
A fé é um passo decisivo. Acreditar que Deus ressuscitou o Crucificado é o inicio de uma nova história. Os seguidores de Jesus voltam a pescar, mas só quando ouvem o Ressuscitado conseguem resultado. A Igreja, rebanho de Deus, crescerá e cumprirá sua missão se for fiel no amor e no testemunho destemido da verdade, consciente de estar obedecendo a uma vontade superior.(*).
– 2ª: Estamos reunidos em torno do Ressuscitado, o Cordeiro imolado que vive para sempre. A ele queremos dar graças e glorificar, pois nos alimenta com a palavra proclamada e com o pão partilhado. Desafiados pela pergunta que hoje nos faz – “vocês me amam?” –, abramos o coração, nesta liturgia, para a resposta de fé e de amor.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO:
– 1ª: Deus Conosco; – 2ª: Liturgia Diária.

– 1ª: Quem tem o Espírito Santo sabe a quem obedecer e sabe também que terá forças para enfrentar a perseguição, sem recuar. Na fé em Cristo ressuscitado a pesca, ou seja, a pregação, produz resultados abundantes.
– 2ª: Ouçamos a palavra de Deus, a qual encoraja os seguidores de Jesus diante dos obstáculos à missão. Ela também nos convida a reconhecer, louvar e partilhar o mesmo Cristo, que se oferece em comunhão, e nos desafia a amá-lo.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO:
– 1ª: Deus Conosco; – 2ª: Liturgia Diária.

– 1ª: Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia! Jesus Cristo ressurgiu! Aleluia! / Ele teve compaixão do gênero humano!
– 2ª: Aleluia, aleluia, aleluia. Jesus Cristo ressurgiu, por quem tudo foi criado; ele teve compaixão do gênero humano.

ANTÍFONAS

Antífona da entrada.

Aclamai a Deus, toda a terra, cantai a glória de seu nome, rendei-lhe glória e louvor, aleluia! (Sl 65,1s).

Antífona da comunhão

Disse Jesus aos seus discípulos: Vinde, comei! E tomou o pão e lhes deu, aleluia! (cf. Jo 21,12s).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Ó Deus, que o vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia:
– 1ª: Deus Conosco;
– 2ª: Liturgia Diária.

– 1ª: — Senhor, escutai nossa prece.
1. PELA IGREJA, rebanho de Cristo, para que siga com fidelidade as pegadas do Bom Pastor, rezemos.
2. POR NOSSO Papa e por todos os bispos, para que tenham muito amor às ovelhas de seu rebanho e saibam apascentá-las segundo as indicações do Espírito Santo, rezemos.
3. PARA QUE tenhamos coragem de anunciar a fé em Cristo Jesus e lancemos as redes com persistência, rezemos.
4. PARA QUE a juventude abra o coração à Palavra do Evangelho e tome a peito a missão de semear vida nova neste mundo carente de luz, rezemos.
– 2ª: — Louvor e glória a vós, Senhor, para sempre.
1. Encorajai, Senhor, o papa, os bispos, padres e religiosos e vos amar acima de tudo, vos pedimos.
2. Cumulai de alegria os ministros e agentes de pastoral de nossa comunidade, vos pedimos.
3. Ajudai-nos a ser fiéis à vossa vontade e a nos deixar orientar por vossa palavra, vos pedimos.
4. Sede propício a todos os que propagam a palavra de Deus em meio aos afazeres cotidianos, vos pedimos.
5. Amparai os necessitados de saúde e os jovens que preparam para a celebração de sua jornada mundial, vos pedimos.

Oração sobre as oferendas

Acolhei, ó Deus, as oferendas da vossa Igreja em festa. Vós, que sois a causa de tão grande júbilo, concedei-lhe também a eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Ó Deus, olhai com bondade o vosso povo e concedei aos que renovastes pelos vossos sacramentos a graça de chegar um dia à glória da ressurreição da carne. Por Cristo, nosso Senhor.

Fontes de Consultas e Pesquisas

Vamos expor a seguir, os nomes dos sites e blogs a que pertencem os textos que nos preenchem todos os dias com palavras inspiradas pelo Espírito Santo, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.
FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO — “BÍBLIA SAGRADA”.
O importante não é a pessoa que escreve, mas quem inspira essa pessoa a escrever.
O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.
O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que ele nos pede.
Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é saber compartilhar o conhecimento.
— Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);
— Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);
— Portal Editora Santuário;
— Portal Editora Paulinas;
— Portal Editora Paulus;
— Portal e Blog Canção Nova;
— Portal Dom Total;
— Portal Católica Net;
— Portal Católico Orante;
— Portal Edições Loyola Jesuítas;
— Portal de Catequese Católica;
— Portal Evangelho Quotidiano;
— Blog Homilia Dominical;
— Blog Liturgia Diária Comentada;
— Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);
— Portal Catequisar: Catequese Católica;
— Portal Universo Católico;
— Portal Paróquia São Jorge Mártir;
— Portal Catedral FM 106,7;
— Portal Comunidade Católica Nova Aliança;
— Portal Comunidade Resgate;
— Portal Fraternidade O Caminho;
— Portal Católico na Net;
— Portal Evangeli.net;
— Portal Padre Marcelo Rossi;
— Portal Grupo de Oração Sopro de Vida;
— Portal NPD Brasil.

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