Liturgia Diária 21/ABR/13

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA — 21/ABR/2013 (domingo)

LEITURAS

Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 13,14.43-52)

Naqueles dias, Paulo e Barnabé 14 partindo de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia. E, entrando na sinagoga em dia de sábado, sentaram-se. 43 Muitos judeus e pessoas piedosas convertidas ao judaísmo seguiram Paulo e Barnabé. Conversando com eles, os dois insistiam para que continuassem fiéis à graça de Deus. 44 No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra de Deus. 45 Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia. 46 Então, com muita coragem, Paulo e Barnabé declararam: “Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos. 47 Porque esta é a ordem que o Senhor nos deu: ‘Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra’”. 48 Os pagãos ficaram muito contentes, quando ouviram isso, e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que eram destinados à vida eterna, abraçaram a fé. 49 Desse modo, a palavra do Senhor espalhava-se por toda a região. 50 Mas os judeus instigaram as mulheres ricas e religiosas, assim como os homens influentes da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. 51 Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés, e foram para a cidade de Icônio. 52 Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo. — Palavra do Senhor. — Graças a Deus!

Proclamação do Salmo (Sl 99(100),2.3.5 (R. 3c)).

— Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, nós somos seu povo e seu rebanho. — Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, nós somos seu povo e seu rebanho. — 2 Aclamai o Senhor, ó terra inteira, + servi ao Senhor com alegria, / ide a ele cantando jubilosos! — 3 Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, + ele mesmo nos fez, e somos seus, / nós somos seu povo e seu rebanho. — 5 Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, + sua bondade perdura para sempre, / seu amor é fiel eternamente!

Leitura do Livro do Apocalipse de São João (Ap 7,9.14b-17)

Eu, João, 9 vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. 14b Então um dos anciãos me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro. 15 Por isso, estão diante do trono de Deus e lhe prestam culto, dia e noite, no seu templo. E aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda. 16 Nunca mais terão fome nem sede. Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente. 17 Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos”. — Palavra do Senhor. — Graças a Deus!

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo João (Jo 10,27-30)

— O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor! Naquele tempo, disse Jesus: 27 “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28 Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. 29 Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30 Eu e o Pai somos um”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor!

LEITURA ORANTE:

… Oração Inicial … (querer)

Preparo-me para a Leitura Orante, invocando o Espírito Santo: Espírito Santo, dai-nos o dom do conselho, que ilumina a nossa vida e orienta a nossa ação segundo vossa Divina Providência.

… Eu sou o CAMINHO … (ler…)

O que diz o texto do dia? Leio atenta e lentamente o texto do dia: Jo 10,27-30. As minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão. O poder que o Pai me deu é maior do que tudo, e ninguém pode arrancá-las da mão dele. Eu e o Pai somos um.

Observo o local, a ocasião, o fato em si, que pessoas participam e que assunto é tratado.

O povo se diz ainda em dúvida. Jesus então deixa claro algumas coisas:

1º O seu poder é o poder do Pai.

2º Ele conhece quem é do seu rebanho, quem escuta sua voz e o segue.

3º Jesus afirma que ele e o Pai são um. Revela a sua verdadeira identidade.

… a VERDADE … (refletir e meditar…)

O que o texto diz para mim, hoje?

É este Jesus do Evangelho que conheço e sigo?

Escuto a sua voz e depois, o sigo?

Ou tenho um Deus que eu imagino, inclusive de acordo com as minhas necessidades?

Deixo-me conhecer por Deus ou vivo longe, mascarando a minha fé com crendices?

Busco o Deus das consolações ou consolações de Deus?

(pequena pausa para responder a estar questões).

… e a VIDA … (orar…)

O que o texto me leva a dizer a Deus?

Rezo, com salmos ou outras orações e concluo:

Oração da manhã

Senhor, nós te agradecemos por este dia.

Abrimos nossas portas e janelas para que tu possas / Entrar com tua luz. / Queremos que tu Senhor, definas os contornos de / Nossos caminhos, / As cores de nossas palavras e gestos, / A dimensão de nossos projetos, / O calor de nossos relacionamentos e o / Rumo de nossa vida. Podes entrar, Senhor em nossas famílias. / Precisamos do ar puro de tua verdade. / Precisamos de tua mão libertadora para abrir / Compartimentos fechados. / Precisamos de tua beleza para amenizar / Nossa dureza. / Precisamos de tua paz para nossos conflitos. / Precisamos de teu contato para curar feridas. / Precisamos, sobretudo, Senhor, de tua presença / Para aprendermos a partilhar e abençoar!

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (contemplar e agir…)

Qual meu novo olhar a partir da Palavra?

Meu novo olhar revela a minha identidade de filho/a de Deus.

Inspira-se no pensamento de Nolan, no livro “Jesus Hoje”. Diz ele: “Confiar em Deus, como Jesus confiava, não significa viver agarrados a Deus. Significa libertar-nos de tudo, a fim de entregarmos nossas vidas a Deus (…) Não precisamos agarrar-nos a ele, porque seremos agarrados por ele… como uma criança nos braços dos seus pais”.(p. 194)

REFLEXÕES:

1 – CONHEÇO MINHAS OVELHAS E ELAS ME SEGUEM.

Conduz às fontes das águas.

O Tempo da Páscoa nos introduz no ensinamento e na Vida de Cristo. É um momento de acolher os frutos da Ressurreição. Não só lembramos o acontecimento da passagem de Cristo da morte para a Vida, como também de nossa ressurreição com Ele. A liturgia nos desvenda as riquezas dadas por Jesus. Jesus não é um simples morto que voltou à vida, mas o Ressuscitado que é o Senhor, um com o Pai e Pastor de Seu povo. De seu lado aberto saiu sangue e água. Estas águas da Vida jorradas de seu coração são a meta de todos os que creem. É para essas águas que Ele nos conduz. As águas simbolizam a Vida de Deus na qual vivemos. Nas orações da celebração de hoje pedimos que sejamos conduzidos às alegrias celestes onde já está o Pastor (Oração).

Estas alegrias nos advêm da participação dos sacramentos que continuam em nós a obra da Redenção (Oferendas).

É assim que nos conduz às águas (Ap 7,17). Salvos por Jesus adquirimos uma morada nos Céus (Pós-comunhão).

Ele mesmo dissera que iria nos preparar um lugar (Jo 14,2). Ele é o Pastor que nos conduz. Entre o Pastor e a ovelha há uma relação de conhecimento para o seguimento: “Eu conheço as minhas ovelhas e elas me seguem”. Este conhecimento é o mesmo pelo qual conhece o Pai e é por Ele conhecido. Por isso Jesus diz: o Pai e Eu somos Um (Jo 10,30). O tempo da Páscoa nos ensina a divindade de Jesus, por isso insiste nas palavras: Eu Sou. É o Nome e o Ser de Deus. O Pastor se põe na condição de igual ao Pai. É este conhecimento que dá às ovelhas a segurança de segui-lo. Estão protegidas e ninguém as tirará de suas mãos. Lemos no Apocalipse que Ele nos abrigará na Sua tenda (Ap 7,15).

Eu lhes dou a vida eterna

Ouvir e seguir o Pastor é ter a salvação. Jesus é pastor unido ao Pai que é o Pastor e Rei de seu povo. O conhecimento que Jesus tem de suas ovelhas e elas Dele, não é um saber coisas sobre Ele, mas de uma experiência da Vida. Elas formam uma comunidade que escuta o Pastor. A experiência se dá quando se ouve a voz do Pastor. Os que O seguem se juntarão à imensa multidão dos que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro (Ap 7,13). Mesmo no meio das perseguições, terão suas lágrimas enxugadas (Ap 7,17). Conhecer o Pastor é uma experiência de união total de vida, tendo seus mesmos sentimentos, suas atitudes, e assumindo a cruz como Ele tomou. O conhecimento através do amor ensinará a Verdade do Pastor. Ele é a base da missão de todo apóstolo como vimos em Paulo e Barnabé.

Chamados a ser pastor

Na perspectiva vocacional corremos o risco de ficarmos no periférico desta vocação, como ritos, roupas, promoções, tradições e costumes. A verdadeira vocação se dá nesta íntima união com o Pastor, em seus sofrimentos, como ocorreu com os apóstolos. A tentação do mundo na ganância, no orgulho, no exterior e na riqueza, não combina com Jesus. A piedade exterior também não serve. É preciso lavar as vestes no sangue do Cordeiro, isto é, ter adesão total a Ele. Aí sim, podemos conduzir com Ele o povo que lhe é fiel. A vocação tem uma dimensão universal, como universal é a missão de Jesus. Como Paulo deixa o judaísmo e se abre ao mundo pagão, somos chamados a nos abrirmos ao novo que nos é dado nesta vocação. A missão de todo o cristão, de modo particular dos pastores, é que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor (Oração).

(Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R).

2 – SEJA DÓCIL AO CHAMADO DO BOM PASTOR.

Celebramos hoje o 4º Domingo da Páscoa, conhecido também como “Dia mundial de orações pelas vocações consagradas” e, finalmente, como o “Domingo do Bom Pastor”.

O pastor e seu rebanho era uma realidade muito comum na vida do povo, no tempo de Jesus.

O que esse relato nos mostra é a intimidade, o afeto entre o pastor e as ovelhas. Percebemos que existe entre eles um amor e uma confiança muito grande. Jesus vai dizer que as ovelhas não seguem a um estranho.

O pastor autêntico deve ter os mesmos sentimentos e atitudes em relação às ovelhas. Deve amá-las e estar disposto a dar sua própria vida para salvá-las, assim como Ele fez.

As ovelhas seguem somente o seu pastor, porque conhecem a sua voz e reconhecem seus passos. “Conhecer”, na Bíblia, tem um significado muito profundo: conhecer significa amar. Quem conhece de verdade, ama, pois quem não ama o próximo, ainda não o reconheceu como irmão.

O Bom Pastor preocupa-se com a vida; vem para que todos tenham vida plena e em abundância.

O pastor é o líder. Todos nós, seja no trabalho, na família ou na comunidade, sempre exercemos algum cargo de liderança. É importante rever nosso comportamento como líderes. Na parábola do Bom Pastor, Jesus nos alerta sobre como viver as relações de liderança. O líder não pode ser autoritário.

Quando a liderança deixa de ser serviço para tornar-se poder, ela oprime e destrói. Quando exercemos um cargo de liderança, sobretudo nas funções públicas e na comunidade, precisamos estar próximos das pessoas, precisamos conhecer suas necessidades, compreendê-las, amá-las e partilhar com elas a vida.

As ovelhas conhecem a voz do seu pastor, confiam e deixam-se levar. Sabem que, se for necessário, o pastor as carregará sobre seus ombros. Em segurança serão conduzidas para verdes pastagens e água abundante.

O Bom Pastor não é reconhecido por falar manso e de forma poética, Ele é reconhecido pelas verdades que diz; palavras nem sempre doces, mas verdadeiras.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, diz Jesus (Jo 14,6). Se Ele é a Verdade, os que estavam na Verdade estavam com Ele. Os que vieram fora d’Ele, pelo contrário, são ladrões e salteadores porque só vieram para pilhar e fazer morrer. “A esses, as ovelhas não escutaram”.

Deixe-se conduzir por Ele. Abra bem os ouvidos do seu coração e seja dócil ao seu chamado. Diga ‘sim’ a Cristo, o Bom Pastor. Reconheça-o como o seu “tudo” e terá a vida eterna.

(Padre Bantu Mendonça).

3 – AS OVELHAS PROTEGIDAS.

O relacionamento de Jesus com seus discípulos articulava-se na base do diálogo, do conhecimento e da proteção. O imenso amor do Mestre era o pano de fundo deste relacionamento.

O ministério de Jesus consistiu em orientar seus discípulos sobre o Reino do Deus e suas exigências; falar-lhes do Pai, revelando seu perdão e sua misericórdia; ensinar-lhes o mandamento do amor mútuo.

É próprio do discípulo escutar as palavras do Mestre, ou seja, aderir a elas, transformando-as em projeto de vida. Os evangelhos referem-se à capacidade que Jesus tinha de conhecer o íntimo das pessoas. Ele sabia o que se passava no coração de seus interlocutores, mormente, do seu grupinho de seguidores. Não lhe passava despercebido a personalidade de cada um, com suas limitações e suas possibilidades. Tinha consciência de como suas palavras eram recebidas, às vezes, de maneira deturpada. Mantinha-se, contudo, otimista quanto à possibilidade de vê-los crescer, apesar dos altos e baixos. O seguimento, portanto, acontecia, sem ilusão por parte de Jesus.

O pequeno grupo de discípulos era uma espécie de sementinha, plantada com muita esperança. Era preciso ampará-los, e não deixá-los perecer diante das investidas do adversário. Eles constituíam o presente do Pai para Jesus. Por isso, o Mestre assim os tratava, consciente de ter recebido do Pai uma tarefa que devia ser cumprida com total dedicação.

Oração: Espírito de proteção, nunca me falte teu amparo, especialmente nos momentos em que os adversários tentam afastar-me do Mestre Jesus.

(Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE).

4 – BOA NOVA PARA CADA DIA.

Primeira Leitura

… esta é a ordem que o Senhor nos deu: Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra (At 13,47).

Nesta Leitura vemos a pregação de São Paulo na cidade de Antioquia da Pisídia. Ele fora até lá com o missionário líder de Antioquia da Síria, São Barnabé. Os dois começaram pregando o Evangelho aos judeus na sinagoga, mas foram expulsos. Por causa disso, passaram a pregar aos gentios, os pagãos daquele tempo. E tiveram grande sucesso.

Na pregação deles aconteceu o mesmo que na pregação de Jesus aos judeus. Os judeus O rejeitaram e O mataram. Aos apóstolos acontecerá praticamente a mesma coisa, mas não deixarão de arrebanhar para Deus um grande número de convertidos, as ovelhas do rebanho de Cristo. De fato, a pregação de São Paulo será muito bem sucedida entre os não judeus, e a Igreja crescerá até os confins da terra. E pelo trabalho dos apóstolos o Evangelho chegou até nós. Por isso devemos dar graças a Deus.

Salmo Responsorial

Sabei que o Senhor, só Ele, é Deus. Nós somos seu povo e seu rebanho (Sl 99 [100],3).

Para o Povo Eleito este Salmo era louvor do Deus de Israel, Deus único. Eles não conheciam a revelação do Filho de Deus que aconteceu na Encarnação, quando o Filho de Deus se fez homem.

Nesta celebração, deste quarto domingo da Páscoa, podemos entender as palavras deste salmo como aplicadas a Jesus Cristo, Filho de Deus, pois Ele se apresentou aos discípulos como o pastor que guia seu rebanho. Seu rebanho hoje somos nós, a Igreja. Ele diz no Evangelho de hoje: Eu e o Pai somos um (Jo 10,30). Portanto, o louvor que é devido ao Pai é devido também ao Filho. Cantemos, portanto, este salmo nesta Eucaristia.

Segunda Leitura

Estes são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro (Ap 7,14b).

Jesus pusera como condição para dar a Vida Eterna que as pessoas acreditassem Nele. Apocalipse neste versículo se refere às pessoas que morreram porque deram testemunho de Cristo ressuscitado, nas perseguições que a Igreja sofreu nos seus inícios. De fato, houve perseguições, a começar com o apedrejamento de Estêvão em Jerusalém, e depois no império romano por ordem dos imperadores. Essas foram a “grande tribulação” da Igreja primitiva. E o Apocalipse diz que estas pessoas, os primeiros mártires, estão diante do trono do Cordeiro (Ap 9,9), purificados pelo Seu Sangue. Receberam, portanto, a Vida Eterna. Com Jesus Cristo no Céu prestam culto a Deus “dia e noite”, isto é, para sempre, eternamente (Ap 9,15).

Embora nos pareça um pouco difícil de entender, prestar culto a Deus é a maior glória concedida a quem tem fé. Prestar culto a Deus é a perfeição do Primeiro Mandamento, pois adorar somente é possível amando a Deus sobre tudo e todas as coisas.

Evangelho

As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27).

Jesus faz esta afirmação com grande convicção. Naquele tempo, em que era combatido pelos judeus, Jesus sabia quais eram as pessoas que acolhiam sua mensagem e acreditavam fielmente nele. Por isso, continuou dizendo: Eu lhes dou a Vida Eterna e elas jamais se perderão (Jo 10,28).

Hoje, quem cuida de nós é o Jesus ressuscitado. Sabemos que Ele continua agindo da mesma forma, seja pela sua ação espiritual sobre cada um de nós, seja por meio do governo do Papa na Igreja. Com Jesus Cristo, jamais nos perderemos. Contudo, sabemos que corremos o risco de nos perdermos como outros se perderam. Podemos até conhecer casos particulares de pessoas que se afastaram da Igreja iludidos por promessas de milagres fáceis ou mentiras de falsos pastores. Estejamos atentos, mas sem perder a alegria de nos deixar guiar por Jesus, nosso Pastor.

(Pe. Valdir Marques, SJ).

5 – DOU-LHES A VIDA ETERNA.

O Senhor diz: “As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz; Eu conheço-as e elas seguem-Me; e dou-lhes a vida eterna”. Delas tinha dito um pouco antes: “Se alguém entrar por Mim, será salvo; poderá entrar e sair e encontrará pastagem” (Jo 19,9). Entrará efetivamente, abrindo-se à fé; sairá passando da fé à visão e à contemplação, e encontrará pasto abundante no banquete eterno.

As Suas ovelhas, portanto, encontram pastagens, porque todo aquele que O segue na simplicidade de coração é nutrido com um alimento de eterna frescura. Que são afinal as pastagens destas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempre verdejante? O alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem interrupção, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida.

Procuremos pois, irmãos caríssimos, alcançar estas pastagens, onde poderemos alegrar-nos na companhia dos cidadãos do céu. A alegria festiva dos bem-aventurados nos estimule. Reanimemos o nosso espírito, irmãos; afervore-se a nossa fé nas verdades em que acreditamos; inflame-se a nossa inspiração pelas coisas do céu. Amar assim já é caminhar. Nenhuma contrariedade nos afaste da alegria desta solenidade interior. Se alguém, com efeito, deseja atingir um lugar determinado, não há obstáculo no caminho que o demova do seu intento. Nenhuma prosperidade sedutora nos iluda. Insensato seria o viajante que, contemplando a beleza da paisagem, se esquecesse de continuar a sua viagem até ao fim.

(São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja – Homilias sobre o evangelho, nº 14 (trad. Breviário)).

6 – NINGUÉM VAI ARRANCÁ-LAS DE MIM…

Vivemos em um tempo em que infelizmente somos muitas vezes dominados pelo medo e a insegurança porque vemos a ação do mal por todos os cantos.

Olhamos para nós mesmos e sentimos que embora nos esforcemos por viver bem, inúmeras vezes pecamos, por falta de amor, de fidelidade, de perseverança, de confiança em Deus, na própria igreja só olhamos a instituição, a igreja humana e às vezes o desânimo é tanto que não enxergamos a igreja divina, instituída por Jesus, e da qual participamos pelo nosso Batismo, apesar de sermos indignos. Sentimo-nos ameaçados a todo o momento e o medo de sucumbir no mal, é muito grande e diante do avanço das forças do mal, sentimo-nos impotentes.

Possivelmente era também esse o estado de espírito das comunidades de João no primeiro século da era cristã, por causa das intensas perseguições do império romano e dos próprios judeus ao cristianismo. O medo e a insegurança podem fazer-nos render diante do mal.

“Elas jamais hão de perecer e ninguém as roubará de minha mão. Meu pai que mas deu, é maior que todos; e ninguém as poderá arrebatar do meu pai. Eu e o pai somos um” – é uma afirmativa de Jesus no evangelho desse domingo, que refletido em profundidade irá nos tirar a todos desse marasmo, do comodismo e conformismo diante do mal.

A primeira ideia é de proteção, estamos nas mãos do Pai e do seu Filho Jesus e nada de mal irá nos ocorrer, podemos ficar tranquilos e basta apenas que cumpramos nossas obrigações religiosas para com Deus e a igreja de Cristo. Esse pensamento é nefasto porque nos conduz a passividade e perdemos a capacidade de nos indignar diante de fatos ocasionados pelo mal. A outra ideia errada que podemos ter, é de que o nosso Deus é possessivo quando fala que ninguém nos arrancará de suas mãos.

Mas a mensagem é bem outra e aqui podemos nos lembrar das narrativas do livro dos reis, que enfoca a bravura e a coragem de Davi quando ainda pastor, que quando via o seu rebanho atacado pelo lobo, se atirava sobre ele e o estraçalhava com a força do seu braço e dos seus dentes. Talvez nos falte hoje essa bravura e esta coragem diante das forças do mal, temos medo do que vemos e assistimos no dia a dia, não queremos nos envolver ou nos comprometer com algum posicionamento mais radical contra a maldade presente no coração de muitos que matam, roubam, enganam, manipulam.

Temos medo de testemunhar o evangelho e sermos taxados de antiquados, retrógrados, preferimos muitas vezes nos deixar levar pela onda, “é melhor não falar, é melhor não dar a minha opinião, alguém pode não gostar”. Agimos assim no trabalho, na política, no ensino, na comunidade e na família. Preferimos ficar rezando para que Deus toque no coração dos que estão dominados pelo mal, fazemos a nossa parte rezando.

O evangelho de hoje é um incentivo e um grito de esperança e de ânimo para quem quiser ir à luta, combatendo abertamente o mal, não as pessoas, presente em todos os lugares. Cristo Jesus nosso único pastor nos deu a vida eterna, nos libertou e nos redimiu com seu sangue, fomos assim resgatados das forças do mal, pertencemos a Deus e o Pai nos confiou a seu Filho Jesus, “ninguém conseguirá nos arrebatar de suas mãos poderosas”, Jesus e o Pai são um, e com ele nós somos a Igreja, com a missão de evangelizar, de anunciar a verdade, a justiça e a paz, o shalon que evoca a presença de Jesus em nosso meio. Não há o que temer! Mas é preciso ser discípulo, seguidor de Jesus, não tremer, não vacilar e nem recuar diante do mal.

É preciso conhecer a sua voz, sua palavra de ordem do evangelho, diante de tantas falsas palavras que nos iludem, oferecendo-nos um mundo novo que não passa de uma fantasia. Só Jesus é o nosso pastor e mais ninguém.

Ele é a nossa rocha, nossa fortaleza e segurança, o mal presente em nós, o pecado dos nossos irmãos, o mal presente na sociedade de tanta morte e violência, não conseguirá nos arrancar de suas mãos. Basta crer e se comprometer com o seu reino. E assim podermos rezar na firmeza do salmo 99 “sabei que o Senhor, só ele é Deus, nós somos seu povo e seu rebanho”.

(Diácono José da Cruz).

7 – O PAI E EU SOMOS UM.

Quando ouvimos falar da figura do Bom Pastor, nos vem logo a imagem do protetor, daquele que cuida de nós, que nos carrega no colo enquanto atravessamos os desertos de nossa vida!

Quantas coisas bonitas nos falam ao coração, aquela tão conhecida imagem do Pastor, carregando carinhosamente uma ovelha sobre os ombros, certamente uma ovelha frágil necessitada de maiores cuidados! E quantos de nós, já nos sentimos como àquela ovelha, frágil, carente, totalmente dependente do cuidado do Pastor!

No evangelho de hoje, Jesus se apresenta como o Pastor, Aquele, que cuida de nós, que cura nossas feridas, que nos ampara quando o nosso “caminhar” parece impossível! Jesus nos convida a fazer parte do seu rebanho, e o que é decisivo para este ingresso no coração do Bom Pastor, é a nossa disponibilidade em escutar o que Ele tem a nos dizer. Só assim, iremos nos inteirar de sua proposta e fazer a nossa escolha: ser ou não ser uma de suas ovelhas!

O texto que nos é apresentado, nos desperta para a importância da “escuta”, de uma escuta atenta, que não corresponda apenas na nossa audição física, mas que nos leve a interiorizar o que escutamos e assim poder viver o que nos diz Jesus! É a partir da escuta da palavra, que novas possibilidades vão se abrindo para nós no campo da fé!

A todo instante, Jesus nos convida a entrar no coração do Pai! E o caminho que nos faz chegar a este oásis repousante, começa pela escuta da voz suave e paciente do Bom Pastor, que chamando-nos pelo nome, vai nos conduzindo passo a passo rumo a felicidade plena.

O Pai, no seu infinito amor, nos entregou aos cuidados do Filho, do Filho que nos acolheu com o mesmo amor do Pai e nos colocou acima de sua própria vida! Como resposta a este amor sem limites, nós também, devemos nos acolher uns aos outros e se preciso for, dar a vida pelo anúncio do evangelho!

A figura do Bom Pastor, é uma das mais belas imagens que Jesus usava em suas pregações, para nos mostrar a extensão do coração amoroso do Pai, do Pai, que no seu amor sem medida, O envio para ser o nosso Pastor. 

Jesus é um Pastor zeloso que nunca nos perde de vista! O seu amor por cada uma de suas ovelhas é um amor “ciumento” um amor tão grande que O levou a cruz! “Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão”. Eis aí, a grande comunicação de amor!

Mesmo diante a tão grande prova de amor, nós, muitas vezes, ao invés de comportarmos como ovelhas dóceis, obedientes, esquivamos do Pastor, tornando-nos ovelhas rebeldes e desatentas. É a nossa ingratidão ao Bom Pastor, que tem como único desejo, nos defender dos “lobos” vorazes que estão por aí, a nos espreitar!

Jesus, é o único Pastor que nos conduz para as “pastagens verdadeiras” onde encontramos vida em plenitude! As ovelhas fieis, pertencente ao seu rebanho, conhecem a sua voz, não se deixam levar pelas propostas enganosas dos falsos pastores.

Quando Jesus diz que o Bom Pastor, dá a vida pelas suas ovelhas, Ele não fala no sentido figurada, pois realmente, foi com a sua vida que Ele se tornou a prenda do nosso resgate! Foi graças a entrega de sua vida, que todos nós fomos resgatados, tragos de volta à vida!

A alegria da certeza de que nunca seremos arrancados das mãos do Bom Pastor, nos motiva a celebrarmos a nossa fé e a nossa adesão à vontade do Pai. FIQUE

NA PAZ DE JESUS!

(Olívia Coutinho).

8 – NÃO TIRARÃO AS OVELHAS DO MEU REBANHO!

O Evangelho de hoje faz uma reflexão sobre o pastor e suas ovelhas. Na época de Jesus essa temática, pastor e ovelha, era muito comum. As ovelhas tinham uma grande ligação com o seu dono. Esta sintonia era tão grande que elas entravam no curral apenas quando ouviam a voz do seu verdadeiro dono. A esse fato dá-se o nome de pastoris palestinenses.

Poderá alguém tirar as ovelhas de seus pastores? Dos pastores descuidados podem, com certeza. Mas, de Jesus, o Bom Pastor, não! Pois, as “ovelhas”, filhos de Deus, foram entregues a Jesus pelo Pai com total carinho e zelo.

Para escutar a voz de Cristo é necessário crer. Uma vez que isso se torna fato, saberemos realmente quem é nosso Pastor. Crer em Cristo é “ser do alto” (Jô 18,37). E somente aquele que procura a verdade pode ouvir a voz de Cristo.

No versículo 28 Cristo afirma que dará a vida eterna à suas ovelhas e elas não se perderão. Se continuarmos a ler o Evangelho segundo João, encontraremos no capítulo 17 a sua definição sobre a vida eterna. Para João a vida eterna consiste que acreditemos em Deus como único e verdadeiro e em Jesus Cristo como seu enviado (cf. 17,3). Assim sendo, a vida eterna vai se realizando quando conhecemos a Deus de maneira íntima e unificada por meio de Jesus Cristo.

Jesus faz duas afirmações que tocam fundo em nosso coração. Ele afirma que suas ovelhas não se perderão e em seguida, diz que ninguém as arrancará de suas mãos. Isso nos dá uma total segurança, pois sabemos o quanto este amor de Cristo é infinito.

Que nesta semana possamos analisar nossa caminhada e percebermos se somos boas ovelhas e se realmente escutamos a voz do nosso “Bom Pastor”. Por isso, deixo algumas perguntas que irão ajudar nossa reflexão: — Você procura ouvir a voz de Deus?

— Está sendo um bom Cristão?

— Como está a sua atitude diante do mundo?

— Será que está se perdendo no mundo?

Tenha uma boa reflexão. E não se esqueça: Deus te ama! Até a próxima.

(Professor Isaías da Costa).

9 – BOM PASTOR

Na liturgia de hoje, nós comemoramos o Bom Pastor, aquele que conhece, que guarda e que ama suas ovelhas.

A figura do pastor é bastante mencionada nos textos bíblicos. Sabemos que Moisés, Jacó, Davi, Amós, Abel, filho de Adão e Eva e muitos outros personagens eram pastores. O próprio Messias é profetizado como um pastor, aquele que vem para unir o rebanho, trazer a paz e a justiça para o povo.

De fato, Jesus se apresenta como o Bom Pastor e, no evangelho de hoje, com muito carinho, Jesus fala das suas ovelhas. Diz que conhece uma por uma e que elas conhecem a sua voz, por isso confiam nele e o seguem aonde quer que ele vá.

Jesus diz ainda: Eu dou a vida eterna para as minhas ovelhas, elas nunca morrerão. O mundo perverso e pecador pode perseguir e martirizar as minhas ovelhas, mas nunca conseguirá destruí-las. Elas jamais se perderão! As ovelhas de Jesus somos todos nós, é a própria Igreja. Essa Igreja é eterna e jamais as portas do inferno prevalecerão sobre ela. O rebanho de Jesus está seguro. Se permanecemos próximos Dele, nenhum mal poderá atingir-nos.

Eu e o Pai somos um! Esta afirmação de Jesus pode ser complementada assim: “temos a mesma natureza divina, somos um só Deus”. Neste evangelho Jesus dá um claro testemunho de sua divindade.

Eu amo as minhas ovelhas e elas serão minhas para sempre. Essas palavras de Jesus são de fato, uma promessa de vida plena para quem deixar-se amar e seguir os passos do Bom Pastor, nesta caminhada terrena.

O Bom Pastor é a essência do amor. É capaz de dar a vida por suas ovelhas. No entanto, existem também os pastores profissionais, pessoas que não fazem seu trabalho por amor, mas sim por conveniência, por dinheiro, por interesses pessoais ou de grupos empresariais e políticos.

Quantos falsos pastores encontramos no nosso dia-a-dia. São mercenários disfarçados de pastores. Na verdade são os aproveitadores que fazem da religião sua fonte de renda. São lobos disfarçados de cordeiros que, em nome de Jesus vendem saúde, emprego e vida farta. Vendem uma cruz mais leve. Por preços módicos, oferecem cruzes de “isopor”.

Cuidado com esses pastores! O verdadeiro Pastor anuncia um Reino de paz, de justiça e de fraternidade. Em seus ombros Ele carrega os pobres, os pequenos e os excluídos. Seguir o Bom Pastor é uma questão de opção e renúncia. A vida eterna não depende de talão de cheque ou da conta bancária. A Glória Eterna está reservada para quem viver o amor.

A verdade é que os caminhos do Bom Pastor são difíceis, estreitos e pedregosos. Não é fácil segui-lo e chegar às verdes pastagens, porém, foi isto que Ele disse: “Quem quiser ganhar a vida eterna tome sua cruz e me siga”. verdadeiro cristão sabe que o dinheiro é necessário para a sua subsistência e da comunidade, mas deve saber também que o dinheiro não é capaz de amenizar e, muito menos, de eliminar o peso da cruz. Por tudo isso, abra bem os olhos e tape seus ouvidos, quando quiserem vender-lhe Jesus.

(Jorge Lorente).

10 – O BOM PASTOR

Neste quarto domingo da Páscoa a Igreja sempre nos faz escutar algum trecho do capítulo 10 do Evangelho de são João. Aí Jesus se nos apresenta como a porta do redil das ovelhas e como o bom pastor. Por isso mesmo, este domingo é chamado comumente de Domingo do Bom Pastor; é também dia de oração pelas vocações sacerdotais e religiosas. Rezemos hoje para que muitos jovens escutem o chamado do Senhor e, em meios às vicissitudes da vida, em meio aos escândalos reais ou forjados por uma imprensa porca num mundo hipócrita, saibam os que foram chamados ao sacerdócio e à vida religiosa dizerem um “sim” generoso, cheio de total confiança no Senhor e de amor à Igreja, nossa Mãe católica, santa Esposa do Cordeiro. Que nossos jovens descubram a beleza indizível de ser padre, de ser outro Cristo, de ser homem de Deus, presença de Jesus Cristo entre os irmãos: Cristo que dá vida no Batismo, que perdoa na Confissão, Cristo que santifica o amor humano no Matrimônio, que conforta na doença pela Unção dos Enfermos, Cristo que se oferece como sacrifício ao Pai e alimento aos irmãos na Eucaristia! Ser padre: ser no mundo sinal de Cristo, presença de Cristo que aconselha, que acolhe, que socorre, que exerce a misericórdia, que mostra o caminho! Que muitos jovens possam, sem medo e sem divisão de coração, consagrar toda a vida a Jesus pelo celibato fiel e generosamente vivido, sendo sinal do mundo que há devir, quando nem eles se casam nem elas se dão em casamento! Rezemos, caríssimos meus no Senhor, rezemos pelas vocações: que o Senhor nos envie os padres santos e sábios de que a Igreja tanto precisa: homens totalmente para Deus, homens totalmente para os irmãos, homens que tenham profunda consciência da santidade do sacerdócio, homens fidelíssimos a Cristo e à sua Igreja católica, homens de plena e leal comunhão e obediência em relação ao Santo Padre o Papa! Eis os padres que agradam a Deus, eis os padres de que a Igreja precisa, eis os padres que orgulham o Povo de Deus, eis os padres que serão sinais de Cristo luz do mundo!

E agora tomemos a Palavra de Deus deste domingo. Partamos da segunda leitura, da belíssima e consoladora visão que o Apocalipse nos proporciona: uma multidão imensa de todos os povos e nações vestida do branco da imortalidade, da glória, da vida divina, tendo nas mãos palmas de vitória no combate por Cristo… Que visão estupenda: são os santos no céus, aqueles dentre nossos irmãos que nesta vida combateram o combate da vida, foram fieis à graça do santo Batismo e agora, chegados do combate terminado, estão diante do trono do Pai na glória do Cordeiro imolado e ressuscitado! Eis, meus caros, a nossa vocação, eis o fim do nosso caminho, eis o destino a que somos chamados: agora o combate, depois a vitória; agora as duras lutas da vida, sustentando o santo nome de Jesus, depois, a palma da vitória, a graça de ser eternamente abrigado na tenda do coração do Pai e aí, consolados pelo santo Espírito que Jesus nos deu e que nos glorificará para sempre, nunca mais ter fome ou sede, nunca mais chorar, nunca mais sentir o calor ardente! Eis, amados no Senhor, o consolo supremo, o céu a que tanto aspiramos: ter eternamente o Cristo que por nós morreu como Pastor, ter nossas lágrimas secadas por ele que nos dará a beber do Espírito consolador, rio de água viva que jorra para a vida eterna!

Mas, tudo isto – que é a herança prometida, a recompensa oferecida –, tudo isto somente será possível se formos já agora, sinceramente, eficazmente, efetivamente, ovelhas do Bom Pastor. Será que somos? Eis os sinais de que somos verdadeiramente suas ovelhas, escutemos o que diz o Salvador: “Minhas ovelhas escutam a minha voz e eu as conheço e elas me seguem!” Escutar Jesus, de tal modo a ser íntimo dele, por ele conhecido; tendo escutado Jesus, seguir Jesus, nossos passos nos seus passos, nosso caminho no seu caminho… Estes, que são ovelhas de Jesus Bom Pastor, já agora recebem a vida do Cordeiro imolado, vida dada na água Batismo e no sangue da Eucaristia! Estes, do rebanho de Cristo não se perderão, pois uma vez amados pelo Senhor, uma vez ouvindo-o e seguindo-o, ninguém os arrancará das mãos do Pai, aquele mesmo cujo amor Jesus revelou, pois que é um só Deus com ele!

Assim, coragem, meus caros em Cristo! Os tempos não são fáceis! Estão aí as velhas lutas interiores contra nossas más tendências, contra nossos desânimos, contra nossas friezas, contra nossas covardias; estão aí as velhas perseguições, travestidas de novas formas, mas sempre com o mesmo intuito jamais conseguido, jamais alcançado: silenciar a Igreja, enfraquecê-la, destruí-la. Na primeira leitura deste hoje escutamos onde o amor de Paulo e Barnabé os levaram: ao centro da Ásia Menor, ao planalto central da Anatólia, atravessando caminhos tão inóspitos, enfrentando a ameaça de ladrões e animais selvagens, cortando as altíssimas montanhas do Tauro! O amor a Jesus, caríssimos, onde nos pode levar, quão longe nos pode conduzir! Um amor que não mova, que não desinstale, que não faça seguir, não é amor! Eis Paulo e Barnabé tão longe da pátria, por amor! Eis Paulo e Barnabé enfrentando a má vontade dos judeus e as perseguições por amor! Eis Paulo e Barnabé com os demais irmãos em Cristo cheios de alegria no Espírito Santo por conhecerem Jesus, por ouvirem-no, por segui-lo, por serem por ele conhecidos! Eis Paulo e Barnabé, eis tantos cristãos de tantas épocas diante do trono e do Cordeiro, consolados e transfigurados em glória no Reino dos céus!

Irmãos amados, agora é a nossa vez! Fixemos o olhar em Cristo ressuscitado, o Bom Pastor que deu a vida pelas ovelhas e quis morrer pelo rebanho! Nunca esqueçamos que temos a cada dia uma decisão a tomar: ouvir ou não o Senhor, seguir ou não o Senhor, acolher ou não o Salvador! Se o acolhermos de verdade experimentaremos a alegria daqueles pagãos da Anatólia e bendiremos a Deus. Se não abrirmos para Cristo o nosso coração, restar-nos-á a secura de uma vida vivida somente para nós, uma vida sem a luz e a suavidade do Senhor agora e pela eternidade! Caríssimos, não tenhamos medo de nossas fraquezas, dos momentos de dificuldades. Recordemo-nos que, na leitura do Apocalipse que escutamos, as vestes dos vitoriosos no céu não estão limpas porque eles nunca caíram, não estão limpas porque eles foram super-heróis. Nada disso! Estão limpas aquelas vestes porque eles tiveram a coragem de crer no amor redentor de Cristo e, assim, lavaram e alvejaram as vestimentas batismais no sangue do Cordeiro! Sangue bendito, este, que não encarde, mas alveja! Que o precioso sangue de Cristo, Cordeiro imolado e ressuscitado, nos dê esperança, nos purifique dos pecados e nos leve à vida eterna com os eleitos dos céus.

Uma imagem muito comum neste tempo pascal é aquela do Cordeiro “de pé, como que imolado” (Ap. 5,6). Este Cordeiro, eternamente diante do trono do Pai, é o Cristo no seu estado de perpétua imolação e glória, de entrega sacrifical e ao mesmo tempo vitoriosa, por nós. Mas, misteriosamente, este Cordeiro é também Pastor: “O Cordeiro que está no meio do trono será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida”. Que imagem impressionante: um cordeiro que é pastor que dá vida às ovelhas. Pois bem, Jesus afirmou: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas” (Jo 10,11). Estejamos atentos: este dar a vida possui dois sentidos: primeiro: Cristo nos dá a vida porque morre por nós, por nós entrega sua vida humana: “Eu dou minha vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10,15). É, portanto, um pastor que ama profundamente o seu rebanho: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”. Num segundo sentido, Cristo dá a vida porque transmite às ovelhas a vida divina, a vida eterna, a vida glorificada que ele recebeu do Pai na ressurreição: “Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão!” Que afirmações estupendas! Nosso Pastor, que por nós se fez Cordeiro imolado, dá-nos a vida eterna e imperecível, uma vida que nos saciará eternamente! Cristão, compreende: como é grande, como é concreta, como é verdadeira a tua esperança, como é certa a tua herança!

Esta vida, que o Cordeiro-Pastor nos prepara, é para todos, é em abundância. Isto já aparece na primeira leitura: diante da recusa dos judeus como um todo em acolher o Evangelho da salvação em Jesus, o apóstolo volta-se para os pagãos: “Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós, judeus. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos”. E estes, cheios do Espírito Santo, ficaram cheios de alegria. Eis! A salvação que Cristo nos trouxe, com sua morte e ressurreição, com seu mistério pascal, é plena, é total e é para todos!

É com estas ideias e sentimentos no coração que devemos, agora, contemplar a estupenda imagem que o Apocalipse nos apresenta na liturgia de hoje. Toda a humanidade, “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, que ninguém podia contar”… de pé, diante do trono e do Cordeiro”. Pensemos bem! É toda esta humanidade tão sofrida, de vida tão frágil, de esperança tão incerta, que é chamada a este momento tão grandioso: de pé (posição de quem venceu, de quem está vivo) diante do trono de Deus e do Cordeiro, o Cristo nosso Senhor, Aquele que venceu! Observem que nossa esperança nada tem de espírito de seita. A salvação não é para um grupinho de eleitos que excluem os demais farisaicamente! Não! Nunca! Deus quer “que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm. 2,4). Os cristãos têm o dever de olhar o mundo com amor benevolente. Nós, amados por Deus em Cristo, não podemos guardar só para nós esse amor e essa salvação: é preciso anunciá-la, comunicá-la, e com um coração bom, benévolo para com o mundo: nunca uma atitude de seita, de acusação, de fechamento! Dizer a verdade, sim; anunciar a verdade, sim; denunciar o erro e o pecado, sim; mas, com uma atitude de amor e respeito, de benignidade, como o coração do Bom Pastor, que deu a vida pelas ovelhas e quis morrer pelo rebanho!

Estes eleitos “trajavam vestes brancas” símbolos da glória, de vida, da pureza e da imortalidade; “traziam palmas na mão”, símbolo da vitória. Quem são eles? “São os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro”. Que imagem fantástica! É a multidão dos cristãos de todos os tempos, que perseveraram e vencerão no combate das tribulações desta vida… às vezes, até à morte! Pensemos: somos nós, se formos fiéis no combate do Cristo; somos nós, se perseverarmos e guardarmos a fé e a esperança no Senhor nas lutas e provações desta vida! Estejamos atentos: “lavaram e alvejaram as vestes no sangue do Cordeiro!” Sangue bendito e precioso, que lava, que purifica, que alveja! Nenhum de nós chegará diante do trono limpo por sua própria limpeza, mas sim pelo sangue do Cordeiro que é nosso pastor! “Nunca mais terão fome, nem sede. Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente”. Bendito Cordeiro, bendito Pastor, bendito Cristo-Senhor, que nos dá uma vida tão plena! Ele mesmo nos tinha prometido: “Quem vem a mim nunca mais terá fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Bendito Jesus, que é tão fiel! “E o Cordeiro, que está no meio do trono, será seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida”. Aonde nos conduzirá o Pastor? Que lugar é este, com tanta vida e tanto frescor e consolação? Escutem a Palavra: “Aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda… E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos!” Eis, irmãos, aonde o Cristo imolado e ressuscitado nos conduz: à tenda do coração do Pai, para nos aconchegar, para nos consolar, para nos enxugar as lágrimas, para nos dar a vida em abundância: “Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos uma só coisa!”

É por isso que a Páscoa de Cristo é também nossa: sua vitória é penhor da nossa, é certeza de nossa esperança agora e plenitude um dia. Vivamos fielmente os combates do presente, deixemo-nos guiar pelo Bom Pastor, lavemos nossas vestes no sangue do Cordeiro e sejamos herdeiros da vida que ele nos prepara. Ele, bendito pelos séculos dos séculos. (Dom Henrique Soares da Costa).

11 – AS MINHAS OVELHAS ME SEGUEM E EU LHES DOU A VIDA ETERNA.

O simbolismo do pastor guia do rebanho exprime ideia de autoridade e companheirismo. A autoridade fundamenta-se numa relação afetiva. Há um conhecimento mútuo. É baseando-se nesses aspectos cotidianos da vida pastoril que a Bíblia destaca, primeiramente, Deus como pastor de Israel e, depois, Jesus como pastor de todos os seres humanos.

Evangelho: Jo 10,27-30

Ninguém tira minhas ovelhas do meu rebanho. Neste 4º domingo da Páscoa vemos novamente a temática do pastor e das ovelhas. Jesus é o verdadeiro pastor. Ele conhece as suas ovelhas. Estas escutam sua voz e o seguem. O seguimento só é possível para quem reconhece a voz do Ressuscitado. Os que seguem o Ressuscitado têm a “vida em seu nome”, receberão a vida eterna. Não perecerão, conforme Jesus afirmou no discurso da despedida (Jo 13,12-15).

As ovelhas não podem ser arrebatadas da mão de Jesus porque foi o próprio Pai que lhas deu. E as obras do Filho revelam a vontade do Pai, porque eles constituem uma unidade. É tal unidade a fonte da força de Jesus. E essa força é transmitida aos que recebem a sua vida. Por isso o mundo não pode arrebatar aqueles que são de Jesus.

1º leitura: At. 13,14.43-52

Os gentios são as novas ovelhas no aprisco.

Uma grande multidão se reuniu para ouvir a palavra de Deus (v. 44). O texto afirma que, vendo a multidão, os adversários de Paulo ficaram cheios de inveja e, insultando-o, se opuseram ao que ele dizia. A menção desse acontecimento tem como objetivo chegar à declaração de que o evangelho foi anunciado primeiro aos judeus; entretanto, já que eles o recusaram, a Boa Nova foi levada aos gentios.

A decisão de proclamar o evangelho entre os gentios fundamenta-se numa ordem do Senhor (At.13,47; Is. 42,6; 49,6). A resolução de voltar-se para eles propiciou-lhes grande alegria (v. 48). Contudo, os adversários de Paulo não ficaram passivos: valeram-se da simpatia de algumas mulheres de alta posição social, que induziram os magistrados da cidade a expulsar Paulo e Barnabé.

Ao saírem da cidade, os apóstolos realizaram o gesto simbólico de sacudir a poeira dos pés. Antigamente, esse gesto era realizado pelos judeus quando vinham de outras nações para Israel. Como os gentios eram considerados impuros, os judeus, ao entrarem na Terra Santa, sacudiam a poeira das terras estrangeiras que traziam nas sandálias. Ao realizar esse gesto contra os judeus que o perseguiam, Paulo mostrou o contrário, não é a nacionalidade que torna alguém puro ou impuro. Nesse caso a impureza está nos sentimentos invejosos, nas blasfêmias e atitudes dos opositores de Paulo, o que é demonstrado, com o gesto de sacudir as poeiras dos pés contra eles.

2º leitura: Ap. 7,9.14b-17

Diante do Cordeiro-pastor há uma multidão vinda de todas as nações.

João viu uma multidão incontável, de todas as etnias, diante do trono do Cordeiro. As palmas que traziam nas mãos evocam as que eram usadas na liturgia judaica da festa das Tendas (Lv 23,40) para louvar o Deus de Israel.

As vestes brancas, alvejadas no sangue do Cordeiro (v. 14), significam que os mártires permaneceram puros, não se deixaram contaminar, seja pela idolatria, seja pela apostasia, e por isso sofreram a morte. Por causa de sua fidelidade, agora estão diante do trono do Cordeiro vitorioso, realizando uma liturgia celeste.

Eles nunca mais terão fome, porque lhes foi dado o fruto da árvore da vida. Não sentirão mais sede, pois o Cordeiro-pastor os conduz às fontes de água viva (Ap. 7,17; 21,6; Sl. 23,1). Nunca serão queimados pelo sol (Is. 49,10), porque o sol é o Cordeiro (Ap. 21,23; 22,5). Todas essas imagens, em seu conjunto, significam que a perseguição e os sofrimentos não têm a última palavra, não são a realidade última do ser humano.

“Deus enxugará toda lágrima” (Ap. 7,17; 21,4; Is 25,8). Essa seção do Apocalipse pode ser vista como uma resposta à oração sacerdotal de Jesus em Jo 17,21, quando orou para que seus discípulos estivessem com ele e vissem sua glória.

Pistas para reflexão:

Pedir à comunidade que ore pelas pessoas que têm derramado muitas lágrimas e seja sensível a elas. Talvez haja pessoas aflitas e atribuladas na comunidade e ninguém toma conhecimento disso. Os discípulos de Jesus têm de estar atentos ao outro. Têm de ir ao “próximo” e lhe dar a garantia de que Deus é solidário com os que estão sob muitas aflições. Insistir que não há ninguém fora do amor de Deus e por isso deve ser evitado qualquer preconceito.

(Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj).

12 – OS PASTORES DO BOM PASTOR

Este é o domingo do Bom Pastor e também dia das vocações sacerdotais e religiosas que estão a serviço do Reino.

Paulo e Barnabé, pastores do evangelho do Ressuscitado, partindo de Perge chegaram a Antioquia da Pisídia. Conversando com as pessoas a sinagoga, em dia de sábado, exortaram a que continuassem fiéis à graça de Deus. Anunciam o Evangelho à multidão. São olhados com inveja por alguns judeus. “Os pagãos ficaram muito contentes quando ouviram isso (a palavra dos apóstolos) e glorificavam a palavra do Senhor”. Como os dois apóstolos sentiram resistência de uma parte dos antioquenos da Pisídia “sacudiram contra eles a poeira dos pés e foram para a cidade de Icônio. Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo”.

A figura do pastor aparece no texto do Apocalipse hoje proclamado: “Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes de água viva. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos”. As “fontes de água viva” brotam do coração do Senhor, do peito aberto no alto da cruz.

No coração da Igreja estão os pastores. Sabemos que o pastoreio do Povo de Deus foi confiado aos apóstolos e seus sucessores. De maneira muito concreta foi confiado ao papa, bispos, sacerdotes. Pensamos ainda nos diáconos, no laicato consciente de sua missão evangelizadora, de modo particular no seio da família. Há toda uma mística no trabalho dos pastores.

Antes de mais nada se trata de alimentar profundamente a fé daqueles que já deram sua adesão ao mundo do Reino de Jesus e do Pai. Há todo um empenho de aprofundamento dos temas da fé, do cultivo de uma consciência, da necessidade de dar o testemunho cristão no meio das situações mais diferentes, de deixar uma religião de consolações e pietismo. Celebrações bem preparadas densas e profundas são indispensáveis. Os pastores reúnem o povo para dias de oração e de aprofundamento humano, evangélico e missionário. Buscam as ovelhas desgarradas lá onde estão.

Em nossos tempos parece fundamental buscar uma renovação da Igreja e sempre manter uma ponte com o mundo que ainda não compreendeu as luminosas propostas do Reino:

Não queremos uma Igreja anônima, formal, rotineira. Queremos fazer experiências cristãs em fraternidades onde se possa discutir e aprofundar a fé. Não podemos deixar que grasse um cristianismo individualista. Queremos uma Igreja viva e fraterna, feita de pessoas com senso crítico e capazes de captar o novo.

● Os pastores precisam colocar diante dos olhos de todos, o ideal da santidade de vida num mundo que se contenta com a mediocridade.

● Os pastores saberão valorizar os sacramentos. Não queremos alimentar qualquer tipo de sacramentalismo. Os santos e veneráveis sacramentos serão recebidos por pessoas que estão em franco processo de transparência e de conversão evangélicas.

● Leigos e sacerdotes haverão de trabalhar juntos. Os leigos não são funcionários de uma estrutura ou de uma organização fria, mas pessoas tocadas pelo fogo do Evangelho e junto com os sacerdotes armam estratégias para tocar o coração das pessoas. Juntos… sem subserviência.

● Fundamental a criação e alimentação de grupos de oração, de espaços de vazio interior para que o Espírito possa trabalhar. Não se trata apenas de rezar com os lábios, mas de deixar que o Espírito cave profundidade.

● Os pastores de hoje precisam criar fóruns e espaços de troca de ideias e discussão sobre a família, a questão da moral sexual, da formação da juventude, e tantos problemas candentes. Não basta uma política de conservação, mas e renovação.

● Urgente fazer propostas de vida evangélica que convençam aos jovens de nossos tempos: descoberta do Cristo, opção por ele, viver tudo em função dele.

(Frei Almir Ribeiro Guimarães).

13 – A VIDA DO BOM PASTOR

Hoje seria possível fazer uma meditação sobre a oração do dia: “Que o rebanho na sua fragilidade alcance a fonte donde provém a força de seu Pastor”. De fato, na 2ª leitura (Apocalipse), encontramos novamente a imagem do Cordeiro que conduz o rebanho (cf. domingo passado), agora, porém, com a conotação de “Pastor”. Esta combinação de ideias não causa surpresa dentro do gênero literário do Apocalipse! Vimos, domingo passado, que a imagem do Cordeiro implica em solidariedade com o rebanho, solidariedade que o leva a tornar-se vítima expiatória e/ou pascal. A mesma solidariedade aparece no texto de hoje, na visão da multidão dos eleitos, que se tornaram solidários com o Cordeiro imolado, por sua fidelidade na perseguição. A solidariedade com o Cordeiro, no sangue do martírio, lava-os, toma-os imaculados como ele. E, por seu lado, o Cordeiro, tal um pastor que apascenta suas ovelhas, as conduz à fonte das águas, a fonte de consolação: Deus, que enxugará toda lágrima de seus olhos.

O evangelho medita praticamente a mesma ideia, embora Jesus aí apareça somente como Pastor e não (também) como Cordeiro. Na primeira e na segunda parte da alegoria do Bom Pastor (cf. 4º domingo pascal A e B), aprendemos que o Bom Pastor “dá vida em abundância” (10,10) e, soberanamente, dá “sua vida” pelas ovelhas (Jo 10,11-18). Já sabemos que se trata da vida divina. Hoje aparece o mistério de onde provém este dom: a união de Cristo com o Pai. Somos conduzidos à fonte da água da vida (cf. Ap. 7,17), Deus mesmo (Jo 10,27-30). Na atual composição do 4º evangelho, este trecho é separado dos anteriores por um novo cenário, a festa da Dedicação do Templo (Jo 10,22; a parte anterior situava-se na sequência da festa dos Tabernáculos, iniciada em Jo 7). Este novo cenário indica um crescendo na impaciência dos judeus com relação ao messianismo de Jesus: “Se tu és o Cristo, dize-nos abertamente” (10,24). Esta provocação suscita uma afirmação mais clara da unidade de Jesus e o Pai, a ponto de provocar uma acusação da blasfêmia e uma tentativa de apedrejamento (10,31). Contudo, o ser Messias de Jesus consiste, exatamente, em conduzir-nos à contemplação do Pai dele (14,9). Ele nos dá uma vida que ninguém nos pode tirar, porque ele é um com o Pai. Se o seguirmos, estaremos na mão de Deus. Se nos solidarizarmos com ele – e esta é a “lição” de hoje – alcançaremos a fonte donde ele tira sua força, sua inabalável vida divina. Somos convidados, hoje, a seguir o Cordeiro aonde ele for, solidários com ele na morte e na vida: então participaremos da vida da qual ele mesmo vive, a vida de Deus. Devemos deixar-nos guiar por um Pastor que dá sua vida por nós, pois esta vida não é sua, mas a de Deus. Ora, em que consiste esta “condução”? “Quem quiser ser meu discípulo, assuma sua cruz e siga-me… Quem perder sua vida, há de realizá-la… Onde eu estiver, ali estará também meu servo…” (10 12,23 ss.; Mc. 8,34 ss.). Palavras paradoxais, que significam: a fonte da vida e da força de Jesus é o Deus amor, o Deus da doação da vida.

Quem está bem instalado na sua igrejinha não gosta de ouvir tal mensagem. Esquiva-se, chamando-a de romantismo. Ou, se a gente insiste, diz que é desordem e subversão… Assim aconteceu com Paulo e Barnabé, quando foram pregar para os judeus de Antioquia da Pisídia (na Turquia). O resultado foi muito bom para os pagãos, pois rejeitados pelos judeus, Paulo e Barnabé se dirigiram a eles (1ª leitura). Não falta atualidade a esta história. No momento em que a Igreja latino-americana toma consciência da inviabilidade de uma cristandade cúmplice de injustiça institucionalizada, os senhores dessa cristandade rejeitam e até matam agentes de pastoral, padres, bispos… mas o povo, que era considerado incapaz de um cristianismo “decente”, recebe com ânimo o convite de se constituir em comunidade de Cristo.

(Johan Konings).

14 – O CORDEIRO DE DEUS QUE SE FAZ PASTOR DA HUMANIDADE.

Na verdade, da Pessoa de Cristo se identificam as imagens do cordeiro-servo de Javé, e do pastor-guia do Povo em Seu Êxodo religioso.

Na primeira imagem é expressa a proximidade conosco, pela qual o Filho de Deus quer assemelhar-Se em tudo a Seus irmãos, partilhar o seu destino até à morte, derramando o Seu Sangue inocente para nos resgatar.

Na outra, é expresso o amor misericordioso de Deus que Cristo nos deu a conhecer, vivo em Sua Pessoa, diversamente dos outros chefes religiosos e políticos do povo, que também se apresentavam como pastores em nome de Deus.

O Pastor supremo das nossas almas percorreu pessoalmente o itinerário que nos indica: a «grande tribulação» que tem como termo – dom gratuito de Deus – uma felicidade paradisíaca simbolizada nas «fontes das águas da vida».

A 1ª Leitura, dos Atos dos Apóstolos, diz-nos que, desde o princípio, os discípulos de Jesus compreenderam que o amor e os planos de salvação do «Bom Pastor» eram universais, abarcavam toda a humanidade.

Por isso S. Paulo, vendo na hostilidade dos Judeus uma indicação de Deus, volta-se, definitivamente, para os pagãos, no desejo de continuar a missão de Jesus, estabelecido por Deus luz das nações e Salvador de toda a Terra.

– «Era a vós, primeiro, que devia anunciar-se a Palavra de Deus. Uma vez, porém, que a repelis e vos julgais indignos da vida eterna, vamos voltar-nos para os pagãos». (1ª Leitura).

O Apóstolo estava, na verdade, convencido de que a Igreja tem de ser missionária.

Tem de levar a todos os homens e a todos os povos sem distinção, a salvação alcançada por Jesus, como alimento para o seu Povo, como proclama o Salmo Responsorial:

– “Nós somos o Povo do Senhor; Ele é o nosso alimento”.

Na 2ª Leitura, do Apocalipse, o Apóstolo S. João vem-nos dizer que o cristão, unido pelo seu Baptismo a Cristo, Bom Pastor, participa já do triunfo do Ressuscitado.

O cristão, vivendo a fé recebida, trabalha pela construção de um mundo melhor, um mundo sem injustiças, sem desigualdades, sem divisões, e prolonga, no tempo presente, esse mesmo triunfo.

– «Estes são os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no Sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus e prestam-Lhe culto, dia e noite, no Seu Santuário». (2ª Leitura).

Contudo o seu destino é mais glorioso, pois ultrapassa os horizontes do mundo.

A vida do cristão, com efeito, é uma caminhada, sob a direção do Bom Pastor, para as águas vivas da vida eterna, para o Céu.

Será aí que, finalmente, a grande família de Deus, composta de homens de todas as raça e culturas, se reunirá, para viver uma felicidade sem sombra, no gozo pleno do triunfo de Cristo Ressuscitado.

O Evangelho é de S. João e diz-nos que, aquele que pela fé aceitou a Palavra de Jesus e aderiu à Sua Pessoa, fica estreitamente unido a Ele.

Na verdade, o Senhor Jesus estabelece com o Seu discípulo relações de profunda intimidade, caracterizadas por um mútuo conhecimento e uma amizade recíproca, que levam a uma comunhão de vida: Jesus comunica àquele que acredita n’Ele a Sua vida, a vida mesma de Deus, a via que não morre.

– « As Minhas ovelhas escutam a Minha voz; Eu conheço-as, e elas seguem-Me. Dou-lhes a vida eterna: jamais hão-de perecer, e ninguém as há-de arrebatar da Minha mão». (Evangelho).

Em virtude desta união com Cristo, o cristão sente-se já salvo em plenitude e, mesmo no meio das vicissitudes da vida, experimenta uma inabalável segurança, que tem o seu fundamento no próprio poder do Pai, de que Jesus participa, pois é um com Ele.

O homem de hoje sente-se cada vez mais aviltado e desconhecido como homem, como pessoa e centro de interesse.

O que mais o humilha é o clima de anonimato, típico da nossa civilização, a sensação opressiva de massificação que o torna um número enfileirado numa série fria de outros números.

E essa massa anónima tem a sensação nítida de estar ao arbítrio de forças obscuras mas poderosas, que a manipula com o fim de explorá-la e dela tirar vantagens, com objetivos egoístas de dominação e poder.

Para ficar de exemplo, pensemos unicamente na força da manipulação publicitária com que somos tropedeados a todo o momento e por todos os meios, para se obterem maiores lucros, ou na manipulação política da opinião pública em busca do poder.

E agora podemos ainda juntar a epidemia das doenças incuráveis e contagiosas, bem como o terrorismo que não deixa ninguém viver em paz em parte nenhuma.

A figura de Cristo “Cordeiro-Pastor” revoluciona todas estas situações.

Como Pastor:

– Cristo instaura relações pessoais com cada um de nós, individualmente.

– Por seu amor, que atinge a nossa mais profunda identidade, não naufragamos no anonimato de um rebanho sem nome.

– Ele “conhece-nos”, nós “conhecemo-lo, face a face, sentimo-lo próximo de nós em todos os momentos da nossa vida, interessado com amor pela nossa aventura humana, não distante, frio ou indiferente.

E como “Cordeiro”, Cristo lembra-nos que a sua lógica:

– É a lógica da doação e não a da exploração.

– É a lógica do serviço e não do poder.

– É a lógica do sacrificar-se pelos outros e não o de sacrificar a Si os outros.

Neste contexto, Cristo o “Cordeiro-Pastor” é a figura viva e atual:

– Sentimo-nos envolvidos pelo seu cuidado contínuo.

– Não somos esmagados pela indiferença de um mundo hostil, por uma existência sem sentido porque sem qualquer ponto de referência.

Seguindo o Bom Pastor, vamos num caminho certo e dentro do plano da História da Salvação.

Diz o Catecismo da Igreja Católica:

763. – Pertence ao Filho realizar, na plenitude dos tempos, o plano de salvação de Seu Pai; tal é o motivo da sua «missão». «O Senhor Jesus deu início à sua Igreja, pregando a Boa Nova do Reino de Deus prometido desde há séculos nas Escrituras» (LG 5). Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou na Terra o Reino dos Céus. A Igreja «é o Reino de Cristo já presente em mistério» (LG 3).

764. – «Este Reino manifesta-se nas palavras, nas obras e na presença de Cristo» (LG 5). Acolher a palavra de Jesus é «acolher o seu próprio Reino». O germe e começo do Reino é o «pequeno Rebanho» (Lc 12,32) daqueles que Jesus veio convocar em volta de Si e dos quais é pastor. Eles constituem a verdadeira família de Jesus. Àqueles que assim juntou à sua roda, ensinou uma nova «maneira de agir», mas também uma oração própria.

(John Nascimento).

15 – O PASTOR DÁ A VIDA POR SUAS OVELHAS.

As palavras de Jesus eram, ao mesmo tempo, sedutoras e desconcertantes, e causavam divisão entre os judeus: para alguns Jesus era um endemoninhado e louco, outros tinham dúvida (cf. Jo 10,19-21). O texto do evangelho deste domingo nos oferece a possibilidade de composição de lugar: era inverno por ocasião da festa da Dedicação do Templo (1Mc 4,52-59); Jesus está no Templo, caminhava no Pórtico de Salomão (vv. 22-23). Os judeus querem uma resposta clara, sem rodeios, à seguinte pergunta: “Até quando nos manterás em suspense? Se és o Messias, dize-o claramente!” (v. 24). No entanto, nenhuma resposta seria convincente (ver: Lc 22,68).

Lembremo-nos de que para os judeus a afirmação da messianidade deveria vir acompanhada de gestos espetaculares: “Que sinal realizas para que creiamos em ti?” (Jo 6,30). Em nenhum dos evangelhos Jesus diz claramente ser o Messias. Como sói acontecer, Jesus não irá responder com a clareza pretendida por eles. Ao invés de responder diretamente à questão, Jesus passa a falar de suas ovelhas (vv. 27-30). Lembremo-nos de que, em todo o Antigo Testamento, o povo de Israel é comparado a um rebanho, e Deus a um pastor (ver: Sl 23[22]).

As ovelhas que escutam a voz é que conhecem o Pastor. A afirmação de Jesus referida às suas ovelhas, “eu lhes dou a vida eterna” (v. 28), estarrece os judeus, pois quem pode dar a vida eterna, a não ser Deus? Mas é em Jesus que Deus nos faz viver plenamente. As ovelhas são confiadas a Jesus pelo Pai (v. 29). É nas mãos do Filho e do Pai que as ovelhas estão. Nas mãos de Deus as ovelhas estão em segurança. Nas mãos fortes do Filho as ovelhas jamais se perderão. O autor do Deuteronômio diz: “Todos os santos estão em tua mão” (Dt 33,3). Jesus afirma uma unidade profunda entre ele e o Pai: “Eu e o Pai somos um” (v. 30). Para quem todo dia recitava o Shemá Israel, a afirmação de Jesus soava a blasfêmia e escândalo.

(Carlos Alberto Contieri, sj).

16 – MINHAS OVELHAS ME SEGUEM…

Desde o início da Igreja, logo após Pentecostes, a religião dos cristãos foi um “seguimento” de Jesus. Ser cristão era estar “no Caminho”, “caminhar” com o Ressuscitado.

Jesus manifesta neste Evangelho o divisor de águas entre os discípulos e os adversários que o interpelam: “Vós não acreditais… Minhas ovelhas ouvem a minha voz…” Claro que “ouvir” é mais que escutar, inclui “obedecer”. A sabedoria espiritual se resume em obedecer à vontade do Pai que o Filho nos revela. Ter um “coração ouvinte”, como o jovem Salomão pediu a Deus (cf. 1Rs 3, 9), é a prova da fidelidade, a marca do fiel.

Não é por acaso que o apóstolo Paulo se refere mais de uma vez à “obediência da fé” (Rm 1, 5; 16, 26): quem crê, obedece. Isto é, a fé em Jesus Cristo é exteriorizada concretamente em atos de fé. Uma fé abstrata, que se confunde com sentimentos e aéreas intenções jamais praticadas, é uma fé ilusória. Fé e compromisso com Jesus são inseparáveis.

Só para exemplificar: falando em nome de Cristo, o Magistério da Igreja repete o ensinamento do Mestre e não aceita que o matrimônio possa ser dissolvido. Ao “ouvir” este ensinamento, o “fiel” se decide a agir, na prática, de acordo com a lição recebida. Está provada praticamente a sua fé. Se, ao contrário, o (in)fiel argumenta, contradiz, busca justificativas e, afinal, age de maneira diferente, sua desobediência manifesta sua falta de fé.

No final do 4º Evangelho, depois de ter sabatinado a Simão Pedro, perguntando-lhe por três vezes se o amava, Jesus ressuscitado resume a missão do primeiro Papa em um breve e seco imperativo: “Segue-me!” (Jo 21, 19b.) O último passo desse seguimento seria uma cruz, em Roma, na qual Pedro mostraria seu amor e sua fé.

Seja qual for o nosso estado (leigo, religioso, ministro ordenado), ele acarreta deveres: os deveres de estado. É impossível seguir Jesus fora do cumprimento de nosso dever de estado. A mãe amamenta seu bebê, o pai trabalha para sustentar a família, o estudante estuda, a contemplativa adora, o paciente sofre. Se o amor transfigurar tudo isto, seguimos a Jesus.

Tenho cumprido o meu dever de estado?

Orai sem cessar: “Jesus, eu quero ouvir a tua voz!”

(Antônio Carlos Santini).

17 – AS MINHAS OVELHAS ESCUTAM A MINHA VOZ, EU AS CONHEÇO.

Hoje, a atenção de Jesus sobre os homens é a atenção do bom pastor, que toma sob sua responsabilidade as ovelhas que lhe são confiadas e se ocupa de cada uma delas. Entre Ele e elas existe um vínculo, um instinto de conhecimento e de fidelidade: «As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem» (Jo 10,27). A voz do Bom Pastor é sempre um chamado a segui-lo, a entrar no círculo magnético de influência.

Cristo nos ganhou não somente com seu exemplo e com sua doutrina, e sim com o preço do seu Sangue. Nós tivemos um preço muito alto, e por isso Ele não quer que nenhum dos seus se perca. E, como toda evidência se impõe: uns seguem o chamado do Bom Pastor e outros não. O anuncio do Evangelho a uns lhes produz raiva e a outros, alegria. O que será que têm uns, e que não têm outros? Santo Agostinho, ante o mistério abismal da escolha divina, respondia: «Deus não te deixa, se tu não o deixas»; não te abandonará, se tu não o abandonas. Não ponha, portanto a culpa em Deus, nem na Igreja, nem nos outros, porque o problema de tua fidelidade é teu. Deus não nega suas graças a ninguém, e esta é a nossa força: agarremo-nos bem forte á graça de Deus. Não é nenhum mérito nosso; simplesmente, fomos “agraciados”.

A fé entra pelo ouvido, pela audição da Palavra do Senhor, e o maior perigo que temos é a surdez, não ouvir a voz do Bom Pastor, porque temos a cabeça cheia de ruídos e de outras vozes discordantes, ou o que é ainda mais grave, aquilo que os Exercícios de Santo Inácio dizem «fingir-se que é surdo», saber que Deus te chama e não dar-se por aludido. Aquele que se nega ao chamado de Deus conscientemente, reiteradamente, perde a sintonia com Jesus e perderá a alegria de ser cristão para ir a outras pastagens que não saciam nem dão a vida eterna. No entanto, Ele é o único que pode dizer: «Eu lhes dou a vida eterna. Por isso, elas nunca se perderão e ninguém vai arrancá-las da minha mão» (Jo 10,28).

(P. Josep LAPLANA OSB Monje de Montserrat (Montserrat, Barcelona, Espanha)).

18 – A VIDA DO BOM PASTOR.

1ª leitura: (At 13,14.43-52) Pregação de Paulo em Antioquia da Pisídia; orientação para o mundo pagão – A partir de Pentecostes, o Evangelho inicia seu caminho “até os confins da terra” (At 1,8). Paulo se dirige aos judeus na diáspora, mas, diante da rejeição destes, anuncia o Evangelho aos pagãos, o que os judeus consideram como uma traição. Mistério da vocação de Paulo, o fariseu chamado para levar o Evangelho aos pagãos! * 13,14 cf. At 13,4-5 * 13,47 cf. Is 49,6; Jo 8,12; At 1,8 * 13,50-52 cf. Lc 9,5; 18,6 At 28,25-28.

2ª leitura: (Ap 7,9.14b-17) O Cordeiro apascenta as ovelhas – No meio de uma série de catástrofes, o visionário do Ap situa uma visão da assembleia celestial dos justos. O Cordeiro imolado é maior do que as forças negativas que assaltam o mundo. Reúne seu povo de todas as línguas e nações. Os mártires são as primícias do louvor universal ao Cordeiro. * 7,14b-15 cf. Ef 1,7; Ap 21,3; 22,3 * 14,16-17 cf. Is 49,10; Sl 23[22],2; Is 25,8.

Evangelho: (Jo 10,27-30) O Pastor dá vida eterna às ovelhas – Última parte do tema do Bom Pastor em Jo 10. O Bom Pastor, dando sua vida pelas ovelhas, lhes dá vida divina, eterna, que ninguém pode tirar-lhes. Indica também a fonte desta sua força: a unidade com o Pai. Quem recebe sua vida, entra nesta unidade. * 10,27-28 cf. Jo 10,3-4.14; 10,10; 17,3; Rm 8,33-39; Jr 23,4 * 10,29-30 cf. Jo 3,35; Is 43,13; 51,16; Jo 1,1-2; 20,31.

Hoje seria possível fazer uma meditação sobre a oração do dia: “Que o rebanho na sua fragilidade alcance a fonte donde provém a força de seu Pastor”. De fato, na 2ª leitura (Ap), encontramos novamente a imagem do Cordeiro que conduz o rebanho (cf. dom. pass.), agora, porém, coma conotação de “Pastor”. Esta combinação de ideias não causa surpresa dentro do gênero literário do Ap! Vimos, domingo passado, que a imagem do Cordeiro implica em solidariedade com o rebanho, solidariedade que o leva a tornar-se vítima expiatória e/ou pascal. A mesma solidariedade aparece no texto de hoje, na visão da multidão dos eleitos, que se tornaram solidários com o Cordeiro imolado, por sua fidelidade na perseguição. A solidariedade com o Cordeiro, no sangue do martírio, lava-os, torna-os imaculados como ele. E, por seu lado, o Cordeiro, tal um pastor que apascenta suas ovelhas, as conduz à fonte das águas, a fonte de consolação: Deus, que enxugará toda lágrima de seus olhos.

O evangelho medita praticamente a mesma ideia, embora Jesus aí apareça somente como Pastor e não (também) como Cordeiro. Na primeira e na segunda parte da alegoria do Bom Pastor, aprendemos que o Bom Pastor “dá vida em abundância” (10,10) e, soberanamente, dá “sua vida” pelas ovelhas (Jo 10,11-18). Já sabemos que se tratada vida divina. Hoje aparece o mistério de onde provém este dom: a união de Cristo com o Pai. Somos conduzidos à fonte da água da vida (cf. Ap 7,17), Deus mesmo (Jo 10,27-30). Na atual composição do 4º evangelho, este trecho é separado dos anteriores por um novo cenário, a festa da Dedicação do Templo (Jo 10,22; a parte anterior situava-se na sequência da festa dos Tabernáculos, iniciada em Jo 7). Este novo cenário indica um crescendo na impaciência dos judeus com relação ao messianismo de Jesus: “Se tu és o Cristo, dize-nos abertamente” (10,24). Esta provocação suscita uma afirmação mais clara da unidade de Jesus e o Pai, a ponto de provocar uma acusação da blasfêmia e uma tentativa de apedrejamento (10,31). Contudo, o ser Messias de Jesus consiste, exatamente, em conduzir-nos à contemplação do Pai dele (14,9). Ele nos dá uma vida que ninguém nos pode tirar, porque ele é um com o Pai. Se o seguirmos, estaremos na mão de Deus. Se nos solidarizarmos com ele – e esta é a “lição” de hoje – alcançaremos a fonte donde ele tira sua força, sua inabalável vida divina.

Somos convidados, hoje, a seguir o Cordeiro aonde ele for, solidários com ele na morte e na vida: então participaremos da vida da qual ele mesmo vive, a vida de Deus. Devemos deixar-nos guiar por um Pastor que dá sua vida por nós, pois esta vida não é sua, mas a de Deus. Ora, em que consiste esta “condução”? “Quem quiser ser meu discípulo, assuma sua cruz e siga-me… Quem perder sua vida, há de realizá-la… Onde eu estiver, ali estará também meu servo…” (Jo 12,23ss; Mc 8,34ss). Palavras paradoxais, que significam: a fonte da vida e da força Jesus é o Deus amor, o Deus da doação da vida.

Quem está bem instalado na sua igrejinha não gosta de ouvir tal mensagem. Esquiva-se, chamando-a de romantismo. Ou, se a gente insiste, diz que é desordem e subversão… Assim aconteceu com Paulo e Barnabé, quando foram pregar para os judeus de Antioquia da Pisídia (na Turquia). O resultado foi muito bom para os pagãos, pois rejeitados pelos judeus, Paulo e Barnabé se dirigiram a eles (1ª leitura). Não falta atualidade a esta história. No momento em que a Igreja latino-americana toma consciência da inviabilidade de uma cristandade cúmplice de injustiça institucionalizada, os senhores dessa cristandade rejeitam e até matam agentes de pastoral, padres, bispos… mas o povo, que era considerado incapaz de um cristianismo “decente”, recebe com ânimo o convite de se constituir em comunidade de Cristo.

O BOM PASTOR NOS CONDUZ A DEUS

Muitas pessoas procuram orientação, mas a sociedade em que vivemos mais manipula que orienta! Estamos sendo seduzidos pelos interesses do dinheiro e do poder. Pensando que somos livres e seguimos nosso próprio caminho, somos levados pelo sistema e pela propaganda… enquanto se esconde em nós, envergonhado, o desejo de ser conduzido de modo confiável e verdadeiro.

Na Bíblia, quem conduz chama-se pastor. É disso que trata o evangelho. Jesus se apresentou como o pastor fidedigno (Jo 10,11-18); no trecho que é lido hoje (10,27-30), ele fundamenta sua confiabilidade no amor que o une ao Pai (“eu e o Pai somos um”). Por este amor, ele nos conduz a Deus, e ninguém nos poderá arrebatar dele e do Pai.

Deus é “mistério”. Não conseguimos concebê-lo com clareza. Ele é grande demais para que o possamos descrever. É a “instância última” de nossa vida. Mas Jesus o torna acessível, visível. Podemos orientar nossa vida para a instância última graças a Jesus que nos conduz, se a ele nos confiamos. Jesus está tão unido a Deus que, para nós, ele é a presença de Deus em pessoa. Nele, estamos em Deus. Deus é a “pastagem”, a felicidade para onde Jesus-Pastor nos conduz.

Na 2ª leitura, este pastor é apresentado como sendo também “cordeiro”, vítima pascal, que resgata e liberta da escravidão as ovelhas que somos nós. Esta imagem vem completar a do pastor. Pois um pastor parece muito chefe. Jesus é também ovelha, igual a nós, porém totalmente consagrada a Deus. Ele nos conduz a Deus, vivendo a nossa própria situação.

Como somos conduzidos por Jesus? Não mecanicamente! Ele nos conduz, mas não nos força! A nós cabe o esforço. Devemos “conhecer” Jesus, gravar seu retrato em nosso coração. Depois, com esta imagem na cabeça e no coração, vamos olhar para a nossa vida e seus desafios. Vamos perguntar o que Jesus faria se estivesse em nossa situação. Finalmente, apoiados pela comunidade eclesial, vamos escolher o caminho que acreditamos sinceramente que ele escolheria. Este será o caminho de Jesus-Pastor.

Caminho para todos. As leituras de hoje nos mostram que as palavras e o caminho de Jesus se destinam a todos, judeus e não-judeus. Paulo rompeu o confinamento cultural da mensagem de Jesus dentro do mundo judeu. Também hoje, para que o rebanho possa ser integrado por quantos quiserem e siga sem impedimento o Cordeiro-Pastor, é preciso romper barreiras e confinamentos. Inculturar o evangelho em outras culturas que não a tradicional cultura ocidental. Nas culturas afro-brasileira e ameríndia do Brasil. E assim pelo mundo afora. Para constituir a grande multidão de todas as nações, tribos povos e línguas que segue o Cordeiro, como diz o Apocalipse (7,9).

(Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE).

19 – AS OVELHAS PROTEGIDAS.

O relacionamento de Jesus com seus discípulos articulava-se na base do diálogo, do conhecimento e da proteção. O imenso amor do Mestre era o pano de fundo deste relacionamento.

O ministério de Jesus consistiu em orientar seus discípulos sobre o Reino do Deus e suas exigências; falar-lhes do Pai, revelando seu perdão e sua misericórdia; ensinar-lhes o mandamento do amor mútuo.

É próprio do discípulo escutar as palavras do Mestre, ou seja, aderir a elas, transformando-as em projeto de vida.

Os evangelhos referem-se à capacidade que Jesus tinha de conhecer o íntimo das pessoas. Ele sabia o que se passava no coração de seus interlocutores, mormente, do seu grupinho de seguidores. Não lhe passava despercebido a personalidade de cada um, com suas limitações e suas possibilidades. Tinha consciência de como suas palavras eram recebidas, às vezes, de maneira deturpada. Mantinha-se, contudo, otimista quanto à possibilidade de vê-los crescer, apesar dos altos e baixos. O seguimento, portanto, acontecia, sem ilusão por parte de Jesus.

O pequeno grupo de discípulos era uma espécie de sementinha, plantada com muita esperança. Era preciso ampará-los, e não deixá-los perecer diante das investidas do adversário. Eles constituíam o presente do Pai para Jesus. Por isso, o Mestre assim os tratava, consciente de ter recebido do Pai uma tarefa que devia ser cumprida com total dedicação.

(Padre Jaldemir Vitório).

20 – O PASTOR DÁ A VIDA POR SUAS OVELHAS.

As palavras de Jesus eram, ao mesmo tempo, sedutoras e desconcertantes, e causavam divisão entre os judeus: para alguns Jesus era um endemoninhado e louco, outros tinham dúvida (cf. Jo 10,19-21). O texto do evangelho deste domingo nos oferece a possibilidade de composição de lugar: era inverno por ocasião da festa da Dedicação do Templo (1Mc. 4,52-59); Jesus está no Templo, caminhava no Pórtico de Salomão (vv. 22-23). Os judeus querem uma resposta clara, sem rodeios, à seguinte pergunta: “Até quando nos manterás em suspense? Se és o Messias, dize-o claramente!” (v. 24). No entanto, nenhuma resposta seria convincente (ver: Lc. 22,68). Lembremo-nos de que para os judeus a afirmação da messianidade deveria vir acompanhada de gestos espetaculares: “Que sinal realizas para que creiamos em ti?” (Jo 6,30). Em nenhum dos evangelhos Jesus diz claramente ser o Messias. Como sói acontecer, Jesus não irá responder com a clareza pretendida por eles. Ao invés de responder diretamente à questão, Jesus passa a falar de suas ovelhas (vv. 27-30). Lembremo-nos de que, em todo o Antigo Testamento, o povo de Israel é comparado a um rebanho, e Deus a um pastor (ver: Sl. 23[22]). As ovelhas que escutam a voz é que conhecem o Pastor. A afirmação de Jesus referida às suas ovelhas, “eu lhes dou a vida eterna” (v. 28), estarrece os judeus, pois quem pode dar a vida eterna, a não ser Deus? Mas é em Jesus que Deus nos faz viver plenamente. As ovelhas são confiadas a Jesus pelo Pai (v. 29). É nas mãos do Filho e do Pai que as ovelhas estão. Nas mãos de Deus as ovelhas estão em segurança. Nas mãos fortes do Filho as ovelhas jamais se perderão. O autor do Deuteronômio diz: “Todos os santos estão em tua mão” (Dt. 33,3). Jesus afirma uma unidade profunda entre ele e o Pai: “Eu e o Pai somos um” (v. 30). Para quem todo dia recitava o Shemá Israel, a afirmação de Jesus soava a blasfêmia e escândalo.

(Carlos Alberto Contieri,sj).

21 – EU E O PAI SOMOS UM.

Estas palavras de Jesus ocorrem em um discurso mais longo, pronunciado durante a festa da Dedicação, em Jerusalém. Na festa anterior, das Tendas, Jesus já fizera a autoproclamação figurativa: “Eu sou o Bom Pastor”. A imagem é bela e permanece guardada nos corações através dos séculos. Embora seja uma imagem rural e mais específica de determinadas regiões, é facilmente compreendida por todos. O proclamar/falar e o conhecer, o ouvir e o seguir, exprimem uma relação de diálogo e acolhida existente entre Jesus e os discípulos. É a palavra e a escuta que estabelecem o diálogo. É o diálogo que leva ao conhecimento e à união de amor, o seguimento. A união de amor na comunidade, com Jesus, significa a integração na vida eterna de Deus. A dupla menção: “Ninguém vai arrancá-las da minha mão”, “ninguém pode arrancá-las da mão do Pai [.], que é maior do que todos” indica o pano de fundo do conflito vivenciado pelas comunidades dos discípulos ameaçadas pela sinagoga, no tempo da redação de João. Contudo, para os que creem não há maior garantia. Estamos envolvidos pela vida divina: “Eu e o Pai somos um”. Os discípulos de Jesus, desde as primeiras missões, enfrentaram dificuldades semelhantes às do mestre. Assim aconteceu com Paulo e Barnabé, em sua primeira viagem missionária (primeira leitura). Trabalharam arduamente, insistindo junto aos discípulos para que continuassem firmes na graça de Deus, apesar das provocações dos judeus cheios de inveja. Igualmente as comunidades joaninas de Éfeso, no fim do primeiro século, sofriam grandes perseguições (segunda leitura). Elas sofrem a “grande tribulação”, mas estarão, dia e noite, diante do trono do Cordeiro, que é o próprio pastor que conduz às fontes de água vivificante.

(José Raimundo Oliva).

22 – O BOM PASTOR.

O 4º domingo do tempo pascal é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois todos os anos a liturgia propõe um trecho do capítulo 10 do Evangelho segundo João, no qual Jesus é apresentado como Bom Pastor. É, portanto, este o tema central que a Palavra de Deus hoje nos propõe.

O Evangelho apresenta Cristo como o Bom Pastor, cuja missão é trazer a vida plena às ovelhas do seu rebanho; as ovelhas, por sua vez, são convidadas a escutar o Pastor, a acolher a sua proposta e a segui-lo. É dessa forma que encontrarão a vida em plenitude.

A primeira leitura propõe-nos duas atitudes diferentes diante da proposta que o Pastor (Cristo) nos apresenta. De um lado, estão essas “ovelhas” cheias de autossuficiências, satisfeitas e comodamente instaladas nas suas certezas; de outro, estão outras ovelhas, permanentemente atentas à voz do Pastor, que estão dispostas a arriscar segui-lo até às pastagens da vida abundante. É esta última atitude que nos é proposta.

A segunda leitura apresenta a meta final do rebanho que seguiu Jesus, o Bom Pastor: a vida total, de felicidade sem fim.

1 leitura: At. 13,14.43-52 – AMBIENTE

A partir do capítulo 13, os “Atos dos Apóstolos” apresentam o “caminho” da Igreja no mundo greco-romano. O protagonista humano desta nova etapa será Paulo (embora sempre animado e conduzido pelo Espírito do Senhor ressuscitado).

Tudo começa quando a comunidade cristã de Antioquia da Síria, ansiosa por fazer a Boa Nova de Jesus chegar a todos os povos, envia Barnabé e Paulo a evangelizar. Entre 13,1 e 15,35, o autor dos “Atos” descreve o “envio” dos missionários, a viagem, a evangelização de Chipre e da Ásia Menor (Perga, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra, Derbe) e os problemas colocados à jovem Igreja pela entrada maciça de gentios.

Este texto, em concreto, situa-nos na cidade de Antioquia da Pisídia, no interior da Ásia Menor. Nos versículos anteriores, o autor dos “Atos” pôs na boca de Paulo um longo discurso, que resume a catequese primitiva sobre Jesus e que enquadra no plano de Deus a proposta de salvação que Jesus veio trazer (cf. At 13,16-41). Qual será a resposta ao anúncio, quer por parte dos judeus, quer por parte dos pagãos que escutaram a mensagem?

MENSAGEM

A questão central gira, portanto, à volta da reação de judeus e pagãos ao anúncio de salvação apresentado por Paulo e Barnabé.

O texto põe em confronto duas atitudes diversas diante da proposta cristã: a daqueles que pensavam ter o monopólio de Deus e da verdade, mas que estavam instalados nas suas certezas, no seu orgulho, na sua autossuficiência, nas suas leis definidas e comodamente arrumadas e não estavam, realmente, dispostos a “embarcar” na aventura do seguimento de Cristo (judeus); e a daqueles que, no desafio do Evangelho, descobriram a vida verdadeira, aceitaram questionar-se, quiseram arriscar e responderam com alegria e entusiasmo à proposta libertadora que Deus lhes fez por intermédio dos missionários (pagãos).

A Boa Nova de Jesus é, portanto, uma proposta que é dirigida a todos os homens, de todas as raças e nações; não se trata de uma proposta fechada, exclusivista, destinada a um grupo de eleitos, mas de uma proposta universal, que se destina a todos os homens, sem exceção. O que é decisivo não é ter nascido neste ou naquele ambiente, mas é a capacidade de se deixar desafiar pela proposta de Jesus, de acolher com simplicidade, alegria e entusiasmo essa proposta e de partir, todos os dias, para esse caminho onde o nosso Deus nos propõe encontrar a vida nova, a vida verdadeira, a vida total.

ATUALIZAÇÃO

• Os judeus de que se fala nesta leitura representam aqueles que se acomodaram a uma religião “morninha”, segura, feita de hábitos, de leis, de devoções, de ritos externos, de fórmulas fixas, mas que não põe verdadeiramente em causa o coração e a consciência, nem tem um impacto real na vida de todos os dias. É a religião dos “certinhos” e acomodados, dos que têm medo da novidade de Deus (que mexe com os esquemas feitos e, constantemente, põe tudo em causa, obriga a arriscar e a converter-se).

• Os pagãos de que se fala nesta leitura representam aqueles que, tendo tantas vezes uma história pessoal complicada e uma caminhada de fé nem sempre exemplar, estão abertos à novidade de Deus e se deixam questionar por Ele. Eles não têm medo de se desinstalar, de arriscar partir para uma vida nova e mais exigente, de procurar novos caminhos, de seguir Jesus no seu percurso de amor e de entrega – ainda que seja um caminho de cruz e de perseguição.

• Onde é que eu me situo? Na atitude de quem nasceu cristão sem ter feito muito para isso e que vive a sua religião sem riscos, sem exigências de radicalidade e de autenticidade, ou na atitude de quem se deixa continuamente desafiar, se deixa questionar por Deus, aceita viver numa dinâmica contínua de conversão e sente que a sua caminhada em direção à vida nova nunca está acabada?

2ª leitura: Ap. 7,9.14b-17 – AMBIENTE

A liturgia do passado domingo apresentava-nos “o cordeiro” (Jesus), o Senhor da história, que Se preparava para abrir e ler o livro dos sete selos – o livro onde, simbolicamente, estava escrita a história humana.

De acordo com o autor do “Apocalipse”, a abertura dos selos desse livro vai expor a realidade do mundo: na caminhada histórica dos homens, está presente Cristo vitorioso continuamente em combate contra tudo o que escraviza e destrói o homem (1º selo – o cavaleiro branco); mas está também presente a guerra e o sangue (2º selo – o cavaleiro vermelho), a fome e a miséria (3º selo – o cavaleiro negro), a morte, a doença, a decomposição (4º selo – o cavaleiro esverdeado). No fundo deste quadro, jazem os mártires que sofrem perseguições por causa da sua fé e que, dia a dia, clamam a Deus por justiça (5º selo); por isso, prepara-se o “grande dia da ira”, que anuncia a intervenção de Deus na história para destruir o mal (6º selo). A revelação final apresenta o combate definitivo, em que as forças de Deus derrotarão as forças do mal (7º selo).

O texto de hoje situa-nos no contexto do 6º selo (o anúncio do “dia do Senhor”). Aos mártires que clamam por justiça, o autor do “Apocalipse” descreve o que vai resultar da intervenção de Deus: a libertação definitiva, a vida em plenitude.

MENSAGEM

O texto que nos é proposto apresenta-nos uma multidão imensa, inumerável, universal, pois pertence a todas as nações. Os que a compõem estão de pé, em sinal de vitória, pois participam da ressurreição de Cristo; levam túnicas brancas, o que indica que pertencem à esfera de Deus (o branco é a cor de Deus); aclamam com palmas (alusão à festa das tendas, uma festa celebrada no final das colheitas, marcada pela alegria e pelo louvor. Recorda o êxodo – quando os israelitas viveram em “tendas” – e, por influência de Zc. 14,16, assume claras ressonâncias escatológicas. Na liturgia dessa festa, a multidão entrava em cortejo no recinto do Templo, agitando palmas e cantando) e louvam Deus e o “cordeiro”.

Quem são estes? São os que “vieram da grande tribulação e que branquearam as vestes no sangue do cordeiro”, isto é, que suportaram a perseguição mais feroz e alcançaram a redenção pela entrega de Jesus (v. 14).

Que fazem eles? Estão diante de Deus tributando-Lhe o culto, dia e noite. Esse culto não é o somatório de um conjunto de ritos mas, antes de mais, a permanente e gozosa presença diante de Deus e do “cordeiro”.

A “festa das Tendas” fazia alusão à marcha do Povo de Deus pelo deserto, desde a terra da escravidão até à terra da liberdade. A referência a esta festa neste contexto significa que se cumpre, agora, o novo e definitivo êxodo: depois da intervenção final de Deus na história, a multidão dos que aderiram ao “cordeiro” e acolheram a sua proposta de salvação, alcançaram a libertação definitiva, foram acolhidos na “tenda” de Deus; aí, não os alcançará mais a morte, o sofrimento, as lágrimas… Cristo ressuscitado, sentado no trono, é o pastor deste novo Povo, e que o conduz para “as fontes de águas vivas” – isto é, em direção à plenitude dos bens definitivos, onde brota a fonte da vida plena.

Em conclusão: aos “santos” que gritam por justiça, anuncia-se uma mensagem de esperança. O quadro antecipa o tempo escatológico: da ação de Deus, da sua definitiva intervenção na história, resultará a libertação definitiva do Povo de Deus; nascerá a comunidade escatológica, a comunidade dos libertados, que estarão para sempre em comunhão com Deus e que gozarão em plenitude a vida definitiva.

ATUALIZAÇÃO

• Em cada dia que passamos neste mundo, fazemos a experiência da alegria e da esperança, mas também da dor, da incompreensão, do medo, do sofrimento, do desespero… Com frequência, é o pessimismo que nos agarra, que nos limita, que nos escraviza e que nos impede de saborear o dom da vida. O autor do “Apocalipse” deixa-nos uma mensagem de esperança e diz-nos que não estamos condenados ao fracasso, mas sim à vida plena, à libertação definitiva, à felicidade total.

• O que é preciso para aí chegar? Apenas acolher o dom da salvação que nos é feito pelo nosso Deus. Se aceitarmos a proposta de Jesus e seguirmos atrás d’Ele no caminho do amor, da entrega, do dom da vida, se virmos n’Ele o pastor que nos conduz às fontes de água viva, chegaremos indubitavelmente à vida definitiva, à comunhão com Deus, à felicidade plena.

• A resposta positiva à oferta de salvação que Deus nos faz introduz em nós um novo dinamismo; esse dinamismo fortalece a nossa coragem e permite-nos continuar a lutar, desde já, pela concretização do novo céu e da nova terra.

Evangelho: Jo 10,27-30 – AMBIENTE

O capítulo 10 do 4º Evangelho é dedicado à catequese do Bom Pastor. O autor utiliza esta imagem para apresentar uma catequese sobre a missão de Jesus: a obra do “Messias” consiste em conduzir o homem às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas de onde brota a vida em plenitude.

A imagem do Bom Pastor não foi inventada pelo autor do 4º Evangelho. Literariamente falando, este discurso simbólico está construído com materiais provenientes do Antigo Testamento. Em especial, este discurso tem presente Ez 34 onde se encontra a chave para compreender a metáfora do pastor e do rebanho. Falando aos exilados na Babilônia, Ezequiel constata que os líderes de Israel foram, ao longo da história, falsos pastores que conduziram o Povo por caminhos de morte e de desgraça; mas – diz Ezequiel – o próprio Deus vai, agora, assumir a condução do seu Povo; Ele porá à frente do seu Povo um Bom Pastor (Messias), que o livrará da escravidão e o conduzirá à vida.

A catequese que o 4º Evangelho nos oferece do Bom Pastor sugere que a promessa de Deus afirmada por Ezequiel se cumpre em Jesus.

MENSAGEM

O texto que nos é proposto acentua, sobretudo, a relação estabelecida entre o Pastor (Cristo) e as ovelhas (os seus discípulos).

A missão desse Pastor (Cristo) é dar vida às ovelhas. Ao longo do Evangelho, João descreve, precisamente, a ação de Jesus como uma recriação e revivificação do homem, no sentido de fazer nascer o Homem Novo (cf. Jo 3,3.5-6), o homem da vida em plenitude, o homem total, o homem que, seguindo Jesus, se torna “filho de Deus” (cf. Jo 1,12) e que é capaz de oferecer a vida por amor. Os que aceitam a proposta de vida que Jesus lhes faz não se perderão nunca (“nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão” – Jo 10,28), pois a qualidade de vida que Jesus lhes comunica supera a própria morte (cf. Jo 3,16;8,51). O próprio Jesus está disposto a defender os seus até dar a própria vida por eles (cf. Jo 10,11), a fim de que nada nem ninguém (os dirigentes, os que estão interessados em perpetuar mecanismos de egoísmo, de injustiça, de escravidão) possa privar os discípulos dessa vida plena.

As ovelhas (os discípulos), por sua vez, têm de escutar a voz do Pastor e segui-lo (cf. Jo 10,27). Isto significa que fazer parte do rebanho de Jesus é aderir a Ele, escutar as suas propostas, comprometer-se com Ele e, como Ele, entregar-se sem reservas numa vida de amor e de doação ao Pai e aos homens.

O texto termina com uma referência à identificação plena entre o projeto do Pai e o projeto de Jesus: para ambos, o objetivo é fazer nascer uma nova humanidade. Em Jesus está presente e manifesta-se o plano salvador do Pai de dar vida eterna (vida plena) ao homem; através da ação de Jesus, a obra criadora de Deus atinge o seu ponto culminante.

ATUALIZAÇÃO

• Na nossa cultura urbana, a imagem do pastor é uma parábola de outras eras, que pouco diz à nossa sensibilidade; em contrapartida, conhecemos bem a figura do líder, do presidente, do chefe: não raras vezes, é alguém que se impõe, que manipula, que arrasta, que exige… Mas o Evangelho que hoje nos é proposto convida-nos a descobrir a figura bíblica do Pastor: uma figura que evoca doação, simplicidade, serviço, dedicação total, amor gratuito. É alguém que é capaz de dar a própria vida para defender das garras das feras as ovelhas que lhe foram confiadas.

• Para os cristãos, o Pastor é Cristo: só Ele nos conduz para as “pastagens verdadeiras”, onde encontramos vida em plenitude. Nas nossas comunidades cristãs, temos pessoas que presidem e que animam. Podemos aceitar, sem problemas, que eles receberam essa missão de Cristo e da Igreja, apesar dos seus limites e imperfeições; mas convém igualmente ter presente que o nosso único Pastor, aquele que somos convidados a escutar e a seguir sem condições, é Cristo.

• As “ovelhas” do rebanho de Jesus têm de “escutar a voz” do Pastor e segui-lo… Isso significa, concretamente, percorrer o mesmo caminho de Jesus, numa entrega total aos projetos de Deus e numa doação total, de amor e de serviço aos irmãos.

• Como distinguimos a “voz” de Jesus, o nosso Pastor, de outros apelos, de propostas enganadoras, de “cantos de sereia” que não conduzem à vida plena? Através de um confronto permanente com a sua Palavra, através da participação nos sacramentos onde se nos comunica a vida que o Pastor nos oferece e num permanente diálogo íntimo com Ele.

(P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho).

CELEBRAÇÃO DE HOJE

— 4º Domingo da Páscoa (branco – glória – creio – IV semana do saltério).

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL: – 1ª: Deus Conosco; – 2ª: Liturgia Diária.

– 1ª: Com Jesus, aprendamos a ser pastores! O Pai não desiste: quer sua salvação chegando até os confins da terra. Seu plano é arrojado: que nós, ovelhas, seguindo o Pastor, tornemo-nos também pastores. Na força da Eucaristia, lancemo-nos nessa divina aventura! Ele nos garante: se quisermos, ninguém nos impedirá de sermos esses pastores, semeando seu reino no coração da inteira humanidade.

– 2ª: Hoje somos convidados por Jesus, Bom Pastor, a fazer parte do seu rebanho e aprender dele o jeito de ser Igreja. Ele sustenta nossa vida, e suas palavras nos dão segurança: nada poderá arrebatar-nos de sua mão. Rezamos por todos os vocacionados para o serviço do reino de Deus.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO: – 1ª: Deus Conosco; – 2ª: Liturgia Diária.

– 1ª: Há oposição, mas nada impede que a salvação chegue “até os confins da terra”. “Uma multidão imensa… que ninguém podia contar” aderiu ao Cordeiro, e nada os arranca desse seguimento: foi-lhes dada uma persistência mais forte até mesmo que a própria morte.

– 2ª: A palavra de Deus não conhece fronteiras. Ela chega a todos os povos e nos reúne em torno do Ressuscitado, doador da vida eterna a quantos escutam a sua voz e o seguem.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO:

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia! Eu sou o bom pastor, diz o Senhor; / Eu conheço as minhas ovelhas / E elas me conhecem a mim. (Jo 10,14).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada.

A terra está repleta do amor de Deus; por sua palavra foram feitos os céus, aleluia! (Sl 32,5s).

Antífona da comunhão

Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida por suas ovelhas e quis morrer pelo rebanho, aleluia!

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Deus eterno e todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia: – 1ª: Deus Conosco; – 2ª: Liturgia Diária.

– 1ª: — Senhor, escutai nossa prece.

1. PARA QUE o coração da Igreja seja como o coração de Deus: tudo faça para levar a salvação até os confins da terra, rezemos.

2. PARA QUE na Igreja muitos rapazes e moças assumam, como padres ou religiosos consagrados, sua vocação de serem bons pastores e pastoras como Jesus, rezemos.

3. PARA QUE Tiradentes, que hoje recordamos, nos inspire uma fé vivida na honestidade, na solidariedade e na justiça entre nossos irmãos de Pátria, rezemos.

4. PARA QUE Jesus, nosso Pastor, seja tudo em nossas vidas. Que em seu sangue solidário lavemos e alvejemos nosso coração e nossa vida, rezemos.

(Intenções próprias da Comunidade).

– 2ª: — Senhor, conduzi sempre nossa vida.

1. Acompanhai, Senhor, vossa Igreja peregrina neste mundo e mantende-a firme no vosso caminho. Nós vos pedimos.

2. Derramai vosso Espírito sobre o papa, os bispos, padres, diáconos, religiosos e religiosas. Nós vos pedimos.

3. Fortalecei todos os que têm a missão de orientar, ensinar e conduzir o povo. Nós vos pedimos.

4. Olhai com carinho por todos os que se propõem seguir os vossos passos. Nós vos pedimos.

5. Iluminai nossos governantes, chamados a servir da melhor forma a toda a sociedade, sem exclusão de ninguém. Nós vos pedimos.

(Intenções próprias da Comunidade).

Oração sobre as oferendas

Concedei, ó Deus, que sempre nos alegremos por estes mistérios pascais, para que nos renovem constantemente e sejam fonte de eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Velai com solicitude, ó bom pastor, sobre o vosso rebanho e concedei que vivam nos prados eternos as ovelhas que remistes pelo sangue do vosso Filho Por Cristo, nosso Senhor.

Fontes de Consultas e Pesquisas

Vamos expor a seguir, os nomes dos sites e blogs a que pertencem os textos que nos preenchem todos os dias com palavras inspiradas pelo Espírito Santo, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO — “BÍBLIA SAGRADA”.

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem inspira essa pessoa a escrever.

O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.

O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que ele nos pede.

Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é saber compartilhar o conhecimento.

— Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);

— Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);

— Portal Editora Santuário;

— Portal Editora Paulinas;

— Portal Editora Paulus;

— Portal e Blog Canção Nova;

— Portal Dom Total;

— Portal Católica Net;

— Portal Católico Orante;

— Portal Edições Loyola Jesuítas;

— Portal de Catequese Católica;

— Portal Evangelho Quotidiano;

— Blog Homilia Dominical;

— Blog Liturgia Diária Comentada;

— Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);

— Portal Catequisar: Catequese Católica;

— Portal Universo Católico;

— Portal Paróquia São Jorge Mártir;

— Portal Catedral FM 106,7;

— Portal Comunidade Católica Nova Aliança;

— Portal Comunidade Resgate;

— Portal Fraternidade O Caminho;

— Portal Católico na Net;

— Portal Evangeli.net;

— Portal Padre Marcelo Rossi;

— Portal Grupo de Oração Sopro de Vida.

— Portal NPD Brasil.

MINHA MENSAGEM PESSOAL PARA MIM MESMO E PARA QUEM QUISER OUVIR.

Mais vale o desconforto da VERDADE,

do que a comodidade da MENTIRA.

Se não quer ouvir a VERDADE,

não me pergunte sobre a MENTIRA.

Eu acredito e vivo assim,

pois Jesus me ensinou, usando os meus pais.

Agora, se o ERRO está em mim,

que DEUS possa me dar a HUMILDADE de aceitar que estou errado.

Que Jesus me dê a SERENIDADE,

para aceitar que tem coisas que não posso mudar.

E que o Espírito Santo me dê a CORAGEM,

suficiente para mudar aquelas coisas que dependem de mim, mesmo que sejam difíceis.

Viver e falar a VERDADE hoje são tão difíceis quanto na época de Jesus,

pois é muito mais fácil aceitar a MENTIRA.

POR ISSO, MATAMOS JESUS TODOS OS DIAS,

CRUCIFICANDO-O NOVAMENTE, PORQUE NÃO SABEMOS DIZER A VERDADE.

Seguir a Cristo é:

– TER CONHECIMENTO: para ser usado hoje;

– CORRIGIR OS ERROS: para ser usado hoje;

– AMAR AO PRÓXIMO: para ser usado hoje;

– PEDIR PERDÃO: para ser usado hoje;

– SABER PERDOAR: para ser usado hoje;

– VIVER A VERDADE: para ser usado hoje;

– TER SABEDORIA: para ser usado hoje;

– ORAR: para ser usado hoje;

– ACEITAR A OPINIÃO DOS OUTROS: para ser usado hoje;

– SABER OUVIR: para ser usado hoje…

Viver no CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é o próprio Cristo Jesus,

tem que ser uma caminhada diária.

Não interessa o que você imagina para o futuro;

não importa o que você fez no passado;

o que realmente interessa, é o que você faz no presente, para viver em Cristo.

Isso quer dizer: HOJE, DIA APÓS DIA.

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