Liturgia Diária 05/MAI/13

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA — 05/MAI/2013 (domingo)

LEITURAS

Leitura retirada do livro dos Atos dos Apóstolos (At 15,1-2.22-29)

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, chegaram alguns da Judeia e ensinavam aos irmãos de Antioquia, dizendo: “Vós não podereis salvar-vos, se não fordes circuncidados, como ordena a Lei de Moisés”. Isto provocou muita confusão, e houve uma grande discussão de Paulo e Barnabé com eles. Finalmente, decidiram que Paulo, Barnabé e alguns outros fossem a Jerusalém, para tratar dessa questão com os apóstolos e os anciãos. 22 Então os apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a comunidade de Jerusalém, resolveram escolher alguns da comunidade para mandá-los a Antioquia, com Paulo e Barnabé. Escolheram Judas, chamado Bársabas, e Silas, que eram muito respeitados pelos irmãos. 23 Através deles enviaram a seguinte carta: “Nós, os apóstolos e os anciãos, vossos irmãos, saudamos os irmãos vindos do paganismo e que estão em Antioquia e nas regiões da Síria e da Cilícia.  Ficamos sabendo que alguns dos nossos causaram perturbações com palavras que transtornaram vosso espírito. Eles não foram enviados por nós. 25 Então decidimos, de comum acordo, escolher alguns representantes e mandá-los até vós, junto com nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo, 26 homens que arriscaram suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27 Por isso, estamos enviando Judas e Silas, que pessoalmente vos transmitirão a mesma mensagem. 28 Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: 29 abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados e das uniões ilegítimas. Vós fareis bem se evitardes essas coisas. Saudações!”

— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus!

Leitura retirada do livro dos Salmos (Sl 66(67),2-3.5.6.8 (R. 4)).

— Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, / que todas as nações vos glorifiquem!

— Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, / que todas as nações vos glorifiquem!

— Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, /sua face resplandeça sobre nós! / Que na terra se conheça o seu caminho / e a sua salvação por entre os povos.

— Exulte de alegria a terra inteira, / pois julgais o universo com justiça; / os povos governais com retidão, / e guiais, em toda a terra, as nações.

— Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, / que todas as nações vos glorifiquem! / Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, / e o respeitem os confins de toda a terra!

Leitura retirada do livro do Apocalipse de São João (Ap 21,10-14.22-23)

Leitura do Livro do Apocalipse de São João.

10 Um anjo me levou em espírito a uma montanha grande e alta. Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, 11 brilhando com a glória de Deus. Seu brilho era como o de uma pedra preciosíssima, como o brilho de jaspe cristalino. 12 Estava cercada por uma muralha maciça e alta, com doze portas. Sobre as portas estavam doze anjos, e nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel. 13 Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente. 14 A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. 22 Não vi templo na cidade, pois o seu Templo é o próprio Senhor, o Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro. 23 A cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz, e a sua lâmpada é o Cordeiro.

— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus!

Leitura retirada do livro do Evangelho de Jesus Cristo segundo João (Jo 14,23-29).

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós!

— Evangelho de Jesus Cristo segundo João.

— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 23 “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24 Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. 25 Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26 Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito. 27 Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28 Ouvistes o que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. 29 Disse-vos isso, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor!

LEITURA ORANTE:

… Oração Inicial… (querer).

Preparo-me para a Leitura Orante, pedindo, com todos os internautas, luzes ao Espírito Santo:

Espírito de verdade, a ti consagro a mente e meus pensamentos: ilumina-me.

Que eu conheça Jesus Mestre e compreenda o seu Evangelho.

Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós.

… Eu sou o CAMINHO… (ler…).

O que diz o texto do dia?

Leio atentamente o texto: Jo 14,23-29, e observo pessoas, palavras, relações.

É natural que quando se ama alguém, se faz os gostos e até, se adivinham seus desejos dela. Quem ama a Deus, quem ama a Jesus acolhe a sua mensagem e a vive. Interessante que, amar a Jesus é garantia de ser amado pelo Pai. Jesus fala ainda de um Mestre, um Auxiliador, o Espírito Santo que nos estará ensinando e recordando o Evangelho.

Em síntese: é preciso amar para entender as coisas de Deus. Não existe amor sem observância dos mandamentos.

… a VERDADE… (refletir e meditar…).

O que o texto diz para mim, hoje?

Tenho garantido o amor do Pai?

Ou seja: amo a Jesus?

Vivo sua proposta?

Testemunho este amor na vida concreta. O parágrafo 159 do Documento de Aparecida nos esclarece: “A Igreja, como “comunidade de amor” é chamada a refletir a glória do amor de Deus que, é comunhão, e assim atrair as pessoas e os povos para Cristo. No exercício da unidade desejada por Jesus, os homens e mulheres de nosso tempo se sentem convocados e recorrem à formosa aventura da fé. “Que também eles vivam unidos a nós para que o mundo creia” (Jo 17,21). A Igreja cresce, não por proselitismo mas “por ‘atração’: como Cristo ‘atrai tudo a si’ com a força de seu amor” (Bento XVI, Discurso Inaugural da V Conferência). A Igreja “atrai” quando vive em comunhão, pois os discípulos de Jesus serão reconhecidos se amarem uns aos outros como Ele nos amou (cf. Rm 12,4-13; Jo 13,34).” (DAp 159).

… e a VIDA… (orar…).

O que o texto me leva a dizer a Deus?

Rezo, com toda a Igreja, a Oração do Congresso Eucarístico Nacional:

Senhor Jesus, Tu és o Caminho!

Em meio a sombras e luzes, alegrias e esperanças, tristezas e angústias, Tu nos levas ao Pai.

Não nos deixes caminhar sozinhos.

Fica conosco, Senhor!

Tu és a Verdade!

Desperta nossas mentes e faze arder nossos corações com a tua Palavra.

Que ela ilumine e aqueça os corações sedentos de justiça e santidade.

Ajuda-nos a sentir a beleza de crer em Ti!

Fica conosco, Senhor!

Tu és a Vida!

Abre nossos olhos para te reconhecermos no “partir o Pão”, sublime Sacramento da Eucaristia!

Alimenta-nos com o Pão da Unidade.

Sustenta-nos em nossa fragilidade.

Consola-nos em nossos sofrimentos, Faze-nos solidários com os pobres, os oprimidos e excluídos.

Fica conosco, Senhor!

Jesus Cristo: Caminho, Verdade e Vida, No vigor do Espírito Santo, Faze-nos teus discípulos missionários!

Com a humilde serva do Senhor, nossa Mãe Aparecida, queremos ser:

Alegres no Caminho para a Terra Prometida!

Corajosas testemunhas da Verdade libertadora!

Promotores da Vida em plenitude!

Fica conosco, Senhor! Amém!

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (contemplar e agir…).

Qual meu novo olhar a partir da Palavra?

Meu novo olhar me leva a ver e tratar as pessoas com o amor com que eu gostaria de ser tratada/o, como diz Jesus: “Amem-se uns aos outros!”.

REFLEXÕES:

(3) – A RESSURREIÇÃO DÁ VIDA À COMUNIDADE.

Ele fez morada entre nós

Jesus morreu e ressuscitou para reconciliar o Universo com Deus e consigo mesmo. Cada vez mais esta reconciliação está presente no mundo. Por isso o Salmo 66 canta: “Que todas as nações vos glorifiquem e a face de Deus resplandeça sobre todos”. Fizera a promessa de enviar o Espírito Santo para nos ensinar e recordar, isto é, pôr em ação o evangelho. A primeira comunidade enfrentou um grave problema: Os judeus convertidos à fé cristã queriam impor sobre os pagãos convertidos as práticas e tradições judaicas e os preceitos das leis antigas. Paulo não aceitava essa opinião. Havia uma grande perturbação na comunidade. Jesus nos deu a paz e não a perturbação (Jo 14,27). Reuniram-se em Jerusalém, discutiram e deram a resposta libertadora. Por isso decidiram, juntamente com o Espírito Santo, a não impor nenhum peso aos pagãos convertidos, a não ser as coisas necessárias. Não olharam a si próprios e seus gostos, como costumamos fazer, mas para o bem da Igreja. A comunidade é uma morada. Nas leituras nós encontramos três moradas: A morada de nosso coração, pois diz: “Aquele que me ama guardará minha palavra e Nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (Jo 14,23); A outra morada é a Igreja, novo povo de Deus, que é iluminada e amparada pelo Espírito Santo, tendo os doze apóstolos que são seus fundamentos (At 151ss); Morada também é a Jerusalém Celeste, a cidade santa, cujos alicerces são os doze apóstolos. Deus é seu templo e o Cordeiro é sua luz (Ap 21). Em nossas comunidades temos a presença do Espírito Santo que ensina, anima e santifica através dos sacramentos pascais, como as orações da liturgia de hoje lembram. A fé é espiritual, mas se concretiza em pessoas que vivem juntas e procuraram viver o amor de Jesus. Teremos muitas dificuldades, mas a solução não está em ideologias, mas no Espírito Santo que nos recorda o que Jesus ensinou. Deus veio fazer morada entre nós.

Vencedor da corrupção do pecado

liturgia de hoje celebra a Ressurreição mostrando seus principais resultados: “Destruindo a morte, garantiu-nos a vida em plenitude” (prefácio). Ela não foi somente o fato de um homem sair vivo da sepultura onde fora colocado morto, mas uma vitória sobre a morte e sobre todo o tipo de mal. Vemos na primeira leitura como vence o mal da perturbação e da divisão da comunidade. Por isso a paz que Jesus nos dá não corresponde às expectativas do mundo. Na Roma pagã havia um altar chamado altar da paz. Nele se comemorava a paz que havia no mundo. Isso depois de dominar e levar sofrimento a tantos povos. Quanta dor e sangue devem ter corrido. A paz de Jesus é o Shalom, isto é, a plenitude da riqueza de Deus. A morada de Deus é a casa da paz.

Sacramentos Pascais

Como a Quaresma, a Páscoa é um grande sacramento no qual celebramos os sacramentos fundamentais da vida cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia que nos colocam em relação com Deus numa comunidade. O ensinamento de Jesus não leva ao individualismo. A celebração nos anima a corresponder a esse Mistério. Nós o fazemos através dos sacramentos do amor (Oferendas) que são frutos da Ressurreição. São fonte da espiritualidade que constrói uma nova criação (prefácio). Eles infundem em nossos corações a força da Eucaristia que é alimento salutar (Pós-comunhão) que nos dão uma vida de comunidade repleta do Shalom de Deus. Poderemos vencer as divisões, confortados pelo Espírito Santo.

(Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R.).

(3) – REFLEXÃO.

1. Jesus quer a reconciliação e nos deu o Espírito para nos ensinar e pôr em ação o evangelho. A comunidade primitiva padeceu de divisões. O Espírito a conduziu à reconciliação e orientou seu futuro. Deus fez morada em nosso coração, na Igreja e a Igreja do Paraíso. Nossas soluções estão no Shalom de Deus.

2. Jesus destruiu a morte e deu a vida. Ele vence o mal e a divisão da comunidade. A paz de Jesus não é ideologia, mas o Shalom de Deus.

3. Celebramos os sacramentos pascais que nos colocam em relação com Deus numa comunidade e nos dão os frutos da ressurreição. Eles são fonte da espiritualidade que constrói a nova criação. Dão vida à comunidade para ser repleta do Shalom de Deus.

Engaiolando o Espírito Santo

Que beleza a futura Jerusalém! Imagina que lá não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é sua luz e sua lâmpada é o Cordeiro, isto é, Jesus. Nos alicerces estão escritos os 12 nomes dos apóstolos do Cordeiro.

Sabemos que a Igreja foi fundada sobre o alicerce que é Jesus e tem como fundamentos os 12 apóstolos. É feita de pessoas que acreditaram. E valeu a pena. Como somos frágeis, temos dificuldades, recebemos a promessa de Jesus de enviar o Espírito Santo para recordar e ensinar tudo o que Ele disse.

Jesus deu o Espírito Santo para todos. Vemos na primeira leitura que os cristãos queriam engaiolar o Espírito Santo e fechar a porta da fé aos pagãos obrigando-os a cumprir a lei dos judeus. O Espírito iluminou os apóstolos para ensinarem que os judeus que se convertiam seguissem o evangelho e a lei do Antigo Testamento. Os pagãos que se fizeram cristãos não deviam seguir essa lei. Olha que isso foi o maior passo da Igreja.

Hoje em dia acontece muito isso. Muitos querem ser donos do Espírito Santo. O Evangelho é para todos os povos. Nós temos a alegria de ver o Espírito agir.

(EDITORA SANTUÁRIO).

(4) – O SOPRO DE DEUS EM NÓS.

O trecho do evangelho deste domingo é parte do discurso de despedida de Jesus (13,31–14,31). Trata-se, aqui, de encorajar os discípulos para que não desanimem ante as perseguições, paixão e morte de Jesus. A paz que o Senhor oferece para a missão e a constância dos discípulos é a sua própria vida, pois ele é o “fazedor de paz” (Mt 5,9), o “príncipe da paz” que, entrando em sua cidade, Jerusalém, reconciliou pela sua entrega a humanidade com Deus. A paz é um dos primeiro dons do Cristo Ressuscitado. O Senhor promete a sua volta: “Voltarei a vós” (Jo 14,28). Não se trata de retorno à vida terrestre. A missão do Espírito Santo é tornar o Cristo presente a nós e sua palavra viva em nós. No Espírito Santo, a partida de Jesus não é sentida como ausência, pois ele estará conosco “todos os dias até os fins dos tempos” (Mt 28,20). O Espírito Santo, dom de Deus, não permite que a palavra de Jesus fique sem sentido ou caia no esquecimento; o Sopro de Deus em nós ensina e recorda tudo o que Jesus disse. A fé é necessária para manter viva em nós a Palavra do Senhor e não sucumbirmos diante das dificuldades na realização da missão, que é participação na missão daquele que, enviado pelo Pai, passou por este mundo fazendo o bem, sofreu a paixão e morreu crucificado, mas ressuscitou ao terceiro dia.

Apocalipse, livro escrito em fins do primeiro século, busca encorajar os cristãos a permanecerem firmes na fé e a guardarem a palavra de Cristo em meio à perseguição. A Igreja, lugar da habitação de Deus, é iluminada pelo Senhor: “A cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz, e a sua lâmpada é o Cordeiro” (Ap 21,23). A Igreja, fiel ao Senhor, não tem o que temer, pois o Senhor está no seu meio qual uma luz. Sob essa luz nenhum mal pode se esconder, e não há o que possa levá-la a tropeçar. A luz de Deus e do Cordeiro desvela as armadilhas do mal, as falsas doutrinas que buscam se impor como verdadeiras e necessárias. A questão sobre a circuncisão dos pagãos, como, queriam alguns, necessária para a salvação, leva os apóstolos a darem uma resposta apostolicamente criativa e teologicamente brilhante. É um duplo problema que está presente na questão apresentada: o da unidade da Igreja e o da salvação. Para a unidade da Igreja é fundamental a aceitação da diferença – a unidade só é possível por causa da diferença. Em segundo lugar, não é a Lei que salva, mas a fé em Jesus Cristo.

Que neste dia, o primeiro da semana, sejamos iluminados para que todos os demais dias sejam vividos neste mesmo clarão.

(Carlos Alberto Contieri, sj).

(7) – SOB A GUIA DO PARÁCLITO.

Pensando em sua ausência futura, Jesus tomou providências para que os seus discípulos não se sentissem abandonados, ao se verem entregues à missão, sem a presença física de seu Mestre. Esta sua falta, no entanto, haveria de ser compensada com a presença do Paráclito – o Defensor – que daria continuidade ao papel desempenhado por Jesus, junto aos discípulos.

Paráclito iria ensinar-lhes todas as coisas, outrora transmitidas por Jesus, e recordar-lhes todas as orientações transmitidas. Ou seja, assumiria a função magisterial, antes desempenhada pelo Mestre. Os discípulos não teriam necessidade escolher um dos mem bros do grupo como mestre dos demais. Todos continuariam a ser discípulos do Mestre Jesus, pela mediação do Paráclito.

Por conseguinte, não deveriam esperar novidades por parte do Paráclito. Sua missão consistiria em fazê-los compreender, sempre mais e melhor, o que já havia sido transmitido por Jesus, mas, quiçá mal assimilado. O Espírito Santo iluminaria, aprofundaria e atualizaria as palavras do Filho de Deus, nos contextos plurais de desempenho da missão. Em cada circunstância concreta, as palavras do Senhor haveriam de revestir-se de apelos novos, pela luz oferecida pelo Paráclito.

discípulo não pode dispensar o auxílio do Paráclito se deseja conservar sua fidelidade ao Senhor.

Oração:

Espírito de iluminação ensina-me e recorda-me todos os ensinamentos do Mestre Jesus, para que eu possa vivê-los com mais fidelidade.

(Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE).

(7) – VIVER NA PRESENÇA DE CRISTO E DE DEUS.

1ª leitura: (At 15,1-2.22-29) Concílio de Jerusalém

– Conversão de Cornélio (At 10), atividade de Paulo e Barnabé (At 13–14), o delicado problema da jovem Igreja: admitir os pagãos sem que passem pelo judaísmo (circuncisão, Lei) (15,5). O “Concílio dos Apóstolos” vê com clareza que não a Lei, mas Cristo é que salva. Todavia, recomenda certas normas práticas para que não sejam feridas as sensibilidades específicas dos cristãos vindos do judaísmo; pois é para a fraternidade que Jesus nos salvou. * 15,1-2 cf. Gl 2,11-14; 5,2; Lv 12,3; Gl 2,1-2 * 15,29 cf. Gn 9,4; Lv 3,17.

2ª leitura: (Ap 21,10-14.22-23) Esplendor da nova Jerusalém

– Na visão do Apocalipse, a nova Jerusalém é, como a Igreja, fundada sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas (A.T. e N.T.). Ela é totalmente diferente do mundo que conhecemos agora: ela é santa, repleta de presença de Deus e do Cordeiro. A esta realidade deve aspirar a História que fazemos. * 21,10-14 cf. Ez 40,2; Ap 21,2; Is 60,1-2; Ez 48,31-35 * 21,22-23 cf. Jo 2,19-22; Is 60,19-20; 2Cor 3,18.

Evangelho: (Jo 14,23-29) A inabitação de Cristo e de Deus em nós e a “memória” do Espírito

– A presença de Cristo e Deus na comunidade (2ª leitura) vale já, se realizamos em nossa vida a palavra de Cristo. O Espírito no-la há de lembrar. Como “recordação”, mas também como tarefa, Jesus nos deixa a paz, antecipação da plenitude e missão no mundo: comunhão permanente com ele. * 14,23-24 cf. Jo 8,43.47; Ap 3,20; Jo 7,16; 14,10 * 14,25-29 cf. Jo 16,7.13-15; 16,33; Rm 5,1; 1Ts 3,16; Jo 14,1-3.

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nova Jerusalém é a “morada de Deus com os homens”, dizia-nos a utopia que escutamos domingo passado. Mas uma utopia serve para mostrar o sentido da realidade presente. Hoje, a liturgia insiste na presença da utopia de Deus: a “inabitação” de Deus nos homens não acontece apenas na utópica Nova Jerusalém, mas em cada um que guarda a palavra do Cristo, seu mandamento de amor. Pois a palavra do Cristo não é sua, mas a do Pai que o enviou (Jo 13,24; evangelho).

Os discípulos não entenderam isso logo. Por isso, grande parte dos primeiros anos do cristianismo decorreu em “tensão escatológica”: aguardava-se a vinda de Cristo com o poder do alto, a Parusia, como instauração do Reino de Deus. Só aos poucos, os cristãos começaram a entender que a nova criação já tinha iniciado, na própria comunhão do amor fraterno, testemunho do amor de Cristo a todos os homens. Esta compreensão, esta “memória esclarecida” de Cristo é uma das realizações, talvez a mais importante, do Espírito Santo.

Neste tempo intermediário, não devemos ficar com medo ou tristes porque Cristo não está conosco. Ele permanece conosco, neste Espírito, que nos faz experimentar a inabitação em nós dele e do Pai – portanto, muito mais do que significa sua presença na terra, pois o Pai vale mais do que a presença física de Cristo (14,28). Ele permanece conosco também no dom messiânico que ele nos deixa, a “paz”, porém, não como o mundo a concebe (14,27). Escrevendo isso, Jo parece polemizar com a ideia de paz dos tratados políticos e também com o conceito judaico da paz messiânica, a realização de um reino de Deus mundano, dirigido pelas mesmas leis e mecanismos que dirigiram os reinos até agora, portanto, uma paz que prepara a guerra…

Antes de ver o que é, no concreto, a inabitação de Deus e de Cristo entre nós hoje, é bom olhar para a sugestiva descrição da nova Jerusalém. Observemos alguns detalhes: os nomes das doze tribos de Israel e dos doze apóstolos, símbolos do novo povo de Deus fundamentado sobre os apóstolos; a ausência do templo – ideia cara ao Novo Testamento, já que Cristo substituiu o templo de Jerusalém pelo de seu corpo ressuscitado (cf. Jo 2,18-22 etc.); sua “iluminação”: a glória de Deus, e o Cordeiro, sua lâmpada. Não se devem explicar muito essas imagens, importa captar o que querem sugerir, num espírito global. É uma cidade que tem doze portas com os nomes das doze tribos, para acolhê-las no dia em que elas forem reunidas dos quatro ventos, par viverem na paz messiânica, tendo por centro só e exclusivamente Deus e o Cordeiro. É a cidade para viver na presença de Deus e Cristo. E isto é a paz!

Nossa comunidade cristã deve ser a antecipação da Jerusalém celeste. Tendo Cristo por centro e luz, certamente haverá unidade e comunhão entre seus habitantes. A 1ª leitura de hoje pode ilustrar isso. O conflito na comunidade era grave, certamente tão grave quanto hoje o conflito entre os defensores da cristandade e os de uma Igreja-testemunha, despojada, que vai ao encontro dos mais pobres. O problema era análogo: a Igreja devia ser concebida como uma instituição acabada, à qual os outros se deveriam agregar? Neste caso, ela podia conservar suas instituições tradicionais, que eram judaicas. Ou seria a Igreja um povo a ser constituído ainda, aberto para a forma que o Espírito lhe quisesse dar? Para este fim, Paulo e Barnabé procuraram a união dos irmãos em redor daquilo que o Espírito tinha obrado junto com eles. Conseguiram. Não esforçaram em vão (cf. Gl 2,2). O “Concílio dos Apóstolos”, como se costuma chamar este episódio (At 15), confirmou a prática de admitir pagãos sem passar pelas instituições judaicas (circuncisão, sábado etc.). Apenas em nome da mesma união fraterna, os cristãos do paganismo deviam abster-se de quatro coisas que eram, realmente, tabus para os judeu-cristãos; não respeitar isso seria tornar a vida em comunidade impossível. A caridade fraterna acima de tudo!

Na caridade fraterna, Deus e “o Cordeiro” moram conosco. A cidade de Deus não é uma grandeza de ficção científica, nem uma cristandade sociologicamente organizada. Ela é uma realidade interior, atuante em nós e, naturalmente, produzindo também modificações no mundo em que vivemos. Ela é obra do Espírito de Deus que nos impele.

ONDE O AMOR E A CARIDADE, DEUS AÍ ESTÁ!

É comum ouvir-se que a Igreja é opressora, mera instância de poder. Isso vem do tempo em que, de fato, a Igreja e o Estado disputavam o poder sobre a população. E os meios de comunicação se esforçam por manter essa imagem, como se nunca tivesse acontecido um Concílio Vaticano II, como se nunca tivessem existido o Papa João XXIII, Dom Hélder Câmara… Disse um psicólogo: “A sociedade precisa de manter viva a imagem de uma Igreja opressora para poder se revoltar conta ela, assim como um adolescente só se sente bem quando pode revoltar-se contra o pai…”

liturgia de hoje nos faz ver a Igreja de outra maneira. Claro, ela ainda não é bem como deveria ser, aquela “noiva sem ruga nem mancha” que é a Jerusalém celeste da 2ª leitura. Mas quem ama acredita que a pessoa amada é muito melhor por dentro do que parece por fora. Por isso, se amamos a Igreja, acreditamos que em sua realidade mais profunda ela é, mesmo, a noiva sem ruga nem mancha… Vista com os olhos do Apocalipse, a Igreja é a morada de Deus, a Jerusalém nova, em que não existe mais templo, porque Deus e Jesus – o Cordeiro – são o seu templo. Seu santuário é Deus mesmo, não algum edifício para lhe prestar culto. Deus está no meio de seu povo. Isto basta.

1ª leitura descreve um episódio da Igreja que manifesta isso. Os apóstolos tiveram uma discussão sobre a necessidade de se conservar os ritos judaicos na jovem Igreja, no momento em que ela estava saindo do mundo judeu e abrindo-se para outros povos, na Ásia e na Europa. Depois de oração e deliberação, os apóstolos chegaram à conclusão de que, para ser cristão, não era preciso observar o judaísmo (que tinha sido a religião de Jesus). Somente fossem observados alguns pormenores, para não escandalizar os cristãos de origem judaica. Os apóstolos reconheceram que o antigo culto do templo se tinha tornado supérfluo. O evangelho de hoje nos faz compreender por quê: “Eu e o Pai viremos a ele e faremos nele a nossa morada”, diz Jesus a respeito de quem acredita nele (João 14,23). Os fiéis são a morada de Deus. A Igreja, enquanto comunhão de amor, é a morada de Deus.

Não precisamos de templo concebido como “estacionamento da santidade”. O povo simples sente isso intuitivamente, quando arruma um galpão ou um pátio para servir de salão comunitário e capela e tudo, lugar de oração, de celebração, de reunião, para refletir e organizar sua solidariedade e sua luta por mais fraternidade e justiça. Sabe que não é nos templos de pedra que Deus habita, mas no coração de quem ama e vive seu amor na prática. “Onde o amor e a caridade, Deus aí está”.

(Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE).

(10) – BOA NOVA PARA CADA DIA.

A Igreja é a morada da Santíssima Trindade, a morada de Deus na Terra.

Este é o tema que abarca a Liturgia da palavra deste 6º Domingo da Páscoa, em preparação para a Ascensão de Jesus ao Céu.

Primeira LeituraAtos dos Apóstolos 15,1-2.22-29.

Liturgia da palavra deste domingo se abre com a apresentação de um fato dramático para a Igreja primitiva: “Quais pessoas podiam receber o Batismo e entrar na Igreja?”.

Na comunidade de Antioquia da Síria, muitos dos convertidos tinham origem pagã, isto é, não tinham o sangue, não eram da estirpe de Abraão, enfim, não eram judeus.

De Jerusalém tinham chegado alguns que introduziram perturbações em meio à comunidade, dizendo que somente podiam fazer parte da Igreja quem entrasse na religião judaica, quem observasse a Lei de Moisés, e que fossem como todos os judeus, ou seja, circuncidados. A circuncisão era o problema para os pagãos.

Ora, São Paulo e São Barnabé em suas viagens missionárias e os evangelizadores de Antioquia da Síria não exigiam a circuncisão dos que pediam o Batismo; deles só era pedida a fé em Jesus. O Evangelho que era anunciado aos pagãos era desvinculado da Lei de Moisés, pois os pagãos não tinham cultura judaica para entender todas as tradições dos judeus e seguirem a Lei de Moisés.

conflito somente foi resolvido quando São Paulo e Barnabé foram a Jerusalém e de lá os apóstolos decidiram enviar a Antioquia uma carta desobrigando os pagãos a serem circuncidados. Nesta carta colocavam outras condições que todos os pagãos podiam cumprir.

Ora, isso significava que os apóstolos de Jerusalém cumpriam o desejo de Deus de que Ele fosse glorificado por todas as nações, até os confins da Terra. É nesse sentido que rezamos hoje o Salmo Responsorial.

Salmo ResponsorialSalmo 66(67),2-3.5.6 e 8 (R/4).

Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.

Este é o refrão deste Salmo Responsorial.

Hoje, portanto, pedimos a Deus que toda a Terra O conheça e O glorifique.

Concentremos nossa atenção nestes versículos:

Versículo 3: Que na Terra se conheça o Teu Caminho e Tua Salvação por entre os povos.

Para os judeus, o Caminho era a Lei de Moisés; e a Salvação era a garantia para os descendentes de Abrão, que não seriam exterminados por outros povos.

Entretanto, nossa atenção deve se concentrar no Caminho de Deus e na Salvação que Deus traz a Todos os povos por meio de Seu Filho, Jesus. O Caminho é o Evangelho de Jesus para os primeiros cristãos; eles seguiam “o Caminho de Salvação” que Saulo perseguia, como está dito em Atos dos Apóstolos 9,2; 19,9. E a Salvação é a que Jesus conseguiu para nós com sua morte.

Versículo 4: Exulte de alegria a Terra Inteira, pois julgais o universo com justiça.

Aqui também não é dito que somente o povo judeu herdeiro da Lei de Moisés deva se alegrar porque Deus julga o universo com justiça. São todos os povos do universo. São todos os convertidos de Antioquia da Síria e das cidades visitadas por São Paulo e São Barnabé nas suas viagens.

Versículo 8: Que o Senhor Nosso Deus nos abençoe, e o respeitem os confins de toda a Terra!

O que é a Bênção de Deus? A Bênção de Deus fora prometida somente aos descendentes de Abraão, e consistia na Terra Prometida e na multiplicação de sua descendência como as estrelas do Céu (Gn 15,5). No entanto, uma descendência tão numerosa, que enchesse a Terra toda, somente seria completa com a conquista dos pagãos para Deus. E foi isso que Jesus conseguiu com seus apóstolos. Nós, cristãos, somos a Bênção de Deus a Abraão realizada em Jesus Cristo. De fato, o Evangelho de Jesus chegou a nós, que vivemos “nos confins da Terra”.

Devemos nos ver retratados neste Salmo. Nós somos o Povo de Deus, o Novo Israel de Deus, numerosos como as estrelas do Céu. Como podemos agradecer a Deus por nos ter elevado a tão alto? Somos filhos de Deus, batizados em Nome de toda a Santíssima Trindade.

No entanto, pensemos naqueles que ainda não entraram na Igreja pelo Batismo e nos empenhemos em nosso testemunho missionário por eles e ajudemos os missionários nas terras distantes, em meio a grandes sacrifícios, perseguições e até martírios.

Segunda LeituraApocalipse 21,10-14.22-23.

Aqui São João tem uma visão. É toda simbólica.

Ele vê a Nova Jerusalém, uma cidade celeste.

O que simboliza?resposta nos é dada por uma nota da Tradução Ecumênica da Bíblia: Novo Testamento, São Paulo, Edições Loyola, 1987, p.677:

“- para os judeus era esperada uma Jerusalém no fim dos tempos conforme profecia de Isaías 60 e Isaías 62; 65,18-25;

– para os judeus a Jerusalém celeste era o modelo do Templo terrestre, em que Deus estava presente no meio de seu povo: ver Êxodo 35.

– mas para nós a Jerusalém celeste simboliza a Igreja ideal, do fim dos tempos, na chegada gloriosa de Cristo”.

As Comunidades judaica e cristã provenientes das nações de toda a Terra são esta Nova Jerusalém em sua glória. Ou seja, somos nós, os batizados, no futuro do fim dos tempos, santificados por Deus em Seu Templo celeste.

EvangelhoJoão 14,23-29.

Liturgia de hoje que nos faz entender sob nova luz este Evangelho.

Se lêssemos João 14,23-29 unicamente como parte do Novo Testamento, entenderíamos somente o que diz em suas palavras, como veremos adiante. Contudo, se o lemos nesta Liturgia deste 6º Domingo da Páscoa, iluminados pelas duas Leituras precedentes e pelo Salmo Responsorial, entendemos João 14 de um modo novo. Tenhamos a certeza de que isso nos acontece pela ação do Espírito Santo sobre a Igreja.

Qual é este modo novo de entender João 14,23-29?

Através da Liturgia de hoje, Deus nos faz entender a grandiosidade da Igreja enquanto terrestre e celeste, e formada por judeus e pagãos convertidosA Igreja terrestre nasceu em Jerusalém, primeiro com judeus e em Antioquia da Síria, onde os pagãos dos confins da Terra herdam as Bênçãos e as Promessas de Abraão para serem um Novo Israel de Deus, a IgrejaA formação desta Igreja aconteceu pelo Poder da própria Santíssima Trindade, para que na Terra a Igreja seja o Seu Templo ao mesmo tempo terrestre e celeste, pois na Igreja a Trindade habita com a presença e a ação do Espírito Santo, sem um instante de interrupção.

Tudo isso entendemos lendo o Evangelho de hoje.

Jesus diz ainda neste Evangelho:

– se alguém Me ama guardará minha palavra (diz o Filho de Deus);

– e o Pai o amará (ação de Deus Pai);

– e Nós viremos a ele (O Filho e o Pai);

– e faremos nele Nossa Morada. (pela presença do Espírito Santo na Igreja seu Templo).

Aqui está o amor do Pai e do Filho por toda a Igreja, composta por nós, que fomos batizados em nome da Trindade.

Não é isso que nos dizem, com outras palavras, a Primeira e a Segunda Leituras? Ainda há outra mensagem neste EvangelhoJesus prepara seus apóstolos para sua Ressurreição.

Diz João 14,26: Ouvistes o que eu vos disse: vou, mas voltarei a vós. Ele se referia a sua ida para a Morte salvadora, e sua volta na Ressurreição.

Contudo, ressuscitado subiu ao Pai. Então ficamos sozinhos neste mundo?

Não. Jesus neste Evangelho nos prometeu: o Espírito Santo que o Pai enviará em Meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito (Jo 14,26).

Isso quer dizer que na Terra teremos o Espírito Santo no meio de sua Igreja, fazendo dela Seu Tempo na Terra, tornando-a celeste, com Sua Presença divina. Lembremos o que nos diz São Paulo em 1 Coríntios 3,16-17: Não sabeis que sois um Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (…) este Templo de Deus é santo; e este Templo sois vós.

Todas estas lições e considerações desta Liturgia devem provocar em nós os sentimentos de descoberta, alegria, agradecimento, mais ainda, de esperança de um dia vivermos total e exclusivamente com Deus na Igreja celeste.

(Pe. Valdir Marques, SJ).

(11) – QUEM ME AMA PORÁ EM PRÁTICA AS MINHAS PALAVRAS…

A Liturgia da Palavra deste 6º Domingo da Páscoa – C, vem falar-nos na Morada de Deus, isto é, que Deus será tudo em todos e, portanto, não haverá mais templo nenhum, senão o lugar onde Deus estabelece a Sua morada.

Com a intervenção do Homem-Deus há uma mudança radical.

Só Ele é capaz de um culto verdadeiro, agradável a Deus, o da obediência espiritual que vai até à morte da cruz.

Na paixão, o seu corpo torna-se num templo em que se oferece o único sacrifício digno deste nome, a única realidade visível e sagrada.

Do novo culto “em espírito e em verdade”, Cristo é a vítima e o sacerdote.

Hoje o sacrifício da nova aliança celebra-se na Igreja, corpo de Cristo; é um culto espiritual pelo qual cada um se apresenta a si mesmo em união com Cristo, no Espírito, como hóstia viva e santa, e o povo sacerdotal reunido em assembleia é o único templo visível. Como os primeiros discípulos, temos, portanto, de nos preparar para o Pentecostes, neste tempo litúrgico, de serena e confiante expectativa, a fim de que o Espírito Santo possa fazer da nossa alma a Sua morada permanente e assim Deus seja tudo em todos.

1ª Leitura, dos Atos dos Apóstolos, diz-nos que em Jerusalém, no seu primeiro Concílio, a Igreja, assistida do Espírito Santo, reafirma a liberdade que Cristo nos trouxe, ao decidir admitir no seu seio os convertidos do

paganismo, sem terem de se sujeitar às prescrições da lei.

– “É que o Espírito Santo e nós resolvemos não vos impor mais nenhum encargo além dos seguintes que são necessários: abster-se das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das relações imorais”. (1ª Leitura).

Animada pelo Espírito Santo, que inspira as suas decisões e sustenta a sua atividade missionária, a Igreja aparece-nos assim, desde os seus primeiros dias, como uma comunidade sem fronteiras, aberta a todos os homens, de qualquer raça ou cultura, unida no amor e na fidelidade ao Colégio Apostólico, como proclama o Salmo Responsorial:

– “Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra”.

A 2ª leitura é do Apocalipse em que o Apóstolo S. João nos diz que a Igreja é a nova Jerusalém, alicerçada sobre a fé dos Apóstolos, na qual se reunirão, chamados por Cristo Ressuscitado, os homens dos quatro cantos da terra, para viverem em comunhão perfeita com Deus e com os irmãos.

– “Mostrou-me a cidade santa de Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, trazendo em si a glória de Deus (…). A muralha da cidade tinha na base doze reforços salientes, e neles doze nomes: os dos doze Apóstolos do Cordeiro”. (2ª Leitura).

S. João contempla-a em todo o seu esplendor e perfeição.

Contudo, ela está ainda a caminhar, na humildade e na dor, ao longo dos séculos, na esperança de resplandecer de glória, quando chegar a plenitude dos tempos.

A Nova Jerusalém está ainda em construção e cada um de nós é uma pedra viva desta morada de Deus, pedra trabalhada pelo Espírito Santo, recebido no Baptismo e na Confirmação.

O Evangelho é também de S. João, em que o Apóstolo nos lembra de que Jesus, após a Ceia, ao terminar o primeiro discurso de despedida, promete aos Seus discípulos o Espírito Santo, que lhes fará compreender perfeitamente, a Sua mensagem, os ajudará a viver o Evangelho em todas as circunstâncias e os manterá em comunhão com Deus e com os irmãos, de modo a gozarem sempre aquela paz, que em si encerra todos os bens messiânicos.

– “O Espírito Santo, que o Pai vai enviar em Meu nome, é que há-de ensinar-vos tudo e há-de lembrar-vos tudo o que Eu vos disse”. (Evangelho).

O fim do templo é a exterminação definitiva:

– De todo o formalismo religioso.

– De todo o sectarismo.

– De toda a religião reduzida a código de preceitos; o fim de toda a alienação religiosa, para entrar na autenticidade de uma fé que é comunhão plena e perfeita entre Deus e o homem, entre o homem e o homem.

E Cristo é a chave desta comunhão.

O mistério de Cristo é mistério de comunhão.

O desígnio de Deus é:

– Estabelecer a paz em Jesus Cristo.

– Levar, em Jesus Cristo, todos os homens ao diálogo e à comunhão com Ele.

– Realizar entre os homens, antes divididos pelo pecado, uma comunhão fraterna, reunindo-os no Corpo Místico de seu Filho.

Os homens do nosso tempo sentem profundamente a exigência deste diálogo, de comunhão e de paz.

Sentimos todos esta exigência profunda:

– De sair dos monólogos estéreis.

– De sanar as antigas fraturas que dividem a humanidade.

– De entrar em comunhão, superando todas as barreiras de cor, raça e ideologia.

O cristianismo transcende o tempo na medida em que ajuda a realizar esses valores, demolindo todos os obstáculos que os dividem, todas as absurdas separações que se criaram no decorrer da história.

A Igreja, tem esta promessa de Cristo:

– “O Espírito Santo… é que vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que Eu vos disse”.

– “Eu vo-lo disse agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis”.

É, portanto, um aviso ou recomendação, que nos dá uma profunda tranquilidade e uma plena confiança através das vicissitudes da nossa fé, ameaçada em todos os tempos, por todos os meios e a partir das mais variadas fontes de informação e deformação.

Seguros da presença do Espírito Santo na Igreja e nas suas almas, os cristãos podem, portanto, manter-se confiantes e alegres, por maiores que sejam as transformações por que passe a sociedade e por maiores que sejam as dificuldades que a Igreja conheça, na certeza de que hão-de fazer parte do plano da História da Salvação.

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Diz o Catecismo da Igreja Católica sobre a Igreja Templo do Espírito Santo:

798. – O Espírito Santo é “o princípio de toda a ação vital e verdadeiramente salvífica em cada uma das diversas partes do Corpo” (Pio XII, encil.Mystici Corporis:DS 3808). Ele realiza, de múltiplas maneiras, a edificação de todo o Corpo na caridade: pela Palavra de Deus, “que tem o poder de construir o edifício” (Act,20,32); mediante o Baptismo, pelo qual forma o Corpo de Cristo; pelos sacramentos, que fazem crescer e curam os membros de Cristo; pela “graça dada aos Apóstolos que ocupa o primeiro lugar entre os seus dons” (LG 7); pelas virtudes que fazem agir segundo o bem; enfim, pelas múltiplas graças especiais (chamadas “carismas”) que tornam os fiéis “aptos e disponíveis para assumir os diferentes cargos e ofícios proveitosos para a renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja” (LG 12; AA 13).

(John Nascimento).

(12) – O DEFENSOR, O ESPÍRITO SANTO […], HÁ-DE RECORDAR-VOS TUDO O QUE EU VOS DISSE.

Cristo, que “tinha entregado o espírito” na Cruz, (Jo 19,30) como Filho do Homem e Cordeiro de Deus, uma vez ressuscitado, vai ter com os Apóstolos para “soprar sobre eles” (Jo 20,22). […] A vinda do Senhor enche de alegria os presentes: “a sua tristeza converte-se em alegria” (Jo 16,20), como Ele já lhes tinha prometido antes da Sua paixão. E sobretudo verifica-se o anúncio principal do discurso de despedida: Cristo ressuscitado, como que dando início a uma nova criação, “traz” aos Apóstolos o Espírito Santo. Trá-Lo à custa da Sua “partida”; dá-lhes o Espírito como que através das feridas da Sua crucifixão: “mostrou-lhes as mãos e o lado” (Jo 20,20). É em virtude da mesma crucifixão que Ele lhes diz: “Recebei o Espírito Santo” (v.22).

Estabelece-se assim uma íntima ligação entre o envio do Filho e o do Espírito Santo. Não existe envio do Espírito Santo (depois do pecado original) sem a Cruz e a Ressurreição: “Se Eu não for, não virá a vós o Consolador” (Jo 16,7). Estabelece-se também uma íntima ligação entre a missão do Espírito Santo e a missão do Filho na Redenção. Esta missão do Filho, num certo sentido, tem o seu “cumprimento” na Redenção. A missão do Espírito Santo “vai haurir” algo da Redenção: “Ele receberá do que é Meu para vo-lo anunciar” (Jo 16,15). A Redenção é totalmente operada pelo Filho, como Ungido que veio e agiu com o poder do Espírito Santo, oferecendo-Se por fim em sacrifício supremo no madeiro da Cruz. E esta Redenção é, ao mesmo tempo, constantemente operada nos corações e nas consciências humanas — na história do mundo — pelo Espírito Santo, que é o “outro Consolador” (Jo 14,16).

(Beato João Paulo II (1920-2005), papa – Encíclica “Dominum et vivificatem”, §24 (trad. Liberria Editrice Vaticana, rev.)).

(13) – SE ALGUÉM ME AMA, GUARDARÁ A MINHA PALAVRA.

“Se alguém me ama, guardará a minha palavra”, essa é a proposta de Jesus para nós. Assim sendo, não precisamos de muitas provas para descobrir se amamos ou não a Jesus, mas apenas fazer um exame de consciência para percebermos se estamos guardando a Sua Palavra. Guardar a Palavra significa vivê-La sem questioná-la mesmo quando ainda não A compreendemos. Para nós já é uma grande graça o fato de temos acesso à Palavra de Deus Pai, nosso Criador e grande motivo para que sejamos gratos a Jesus que veio nos revelar.

Jesus veio em Nome do Pai para nos dar uma vida de felicidade e, isto também é o motivo maior para que nós O amemos com todo o nosso ser. Quem acolhe os ensinamentos de Jesus está assumindo a vida em abundância prometida por Ele, assim como também fazendo a vontade do Pai. Com efeito, a prova de que amamos a Jesus é a vivência da Palavra do Pai que Ele veio nos anunciar. “… e o Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”, disse ainda Jesus.

Quando nós vivemos o Evangelho nós temos a garantia de que O Pai e o Filho moram em nós com todo o Poder do Espírito Santo. Assim sendo, cumprir a Palavra é morar na casa do Pai.

Reflita:

– Você guarda a Palavra de Deus?

– Como tem sido a sua vivência dos ensinamentos de Jesus?

– Você pode afirmar que ama a Jesus?

– Você dá testemunho desse amor ao mundo?

Amém!

Abraço carinhoso.

(Maria Regina).

(13) – QUEM ME AMA GUARDA A MINHA PALAVRA.

Quanto maior a nossa intimidade com a palavra de Deus, que nos foi revelada por Jesus, maior é a nossa possibilidade de identificação com Ele, na vivencia do amor!

Acolher a mensagem de Jesus e colocá-la em prática é dar a Ele uma resposta de amor!

Viver esta dinâmica de escuta e de resposta a esta palavra de vida, é estar continuamente em comunhão com O Filho e com O Pai!

Deus escolheu nos amar, Ele nos amou primeiro, não corresponder a este amor é abdicar-se da felicidade plena!

Não são com palavras bonitas, com longas orações, que daremos testemunho do nosso amor à Deus, e sim, com as nossas atitudes do dia a dia! De nada adianta, erguermos as nossas mãos para louvar a Deus, se não somos capazes de abaixá-las, de ser as mãos de Deus a erguer o irmão que está no chão.

Quando damos passos no sentido de corresponder ao amor de Deus, estamos preparando o nosso coração para ser a sua morada, o santuário, de onde Ele agirá no mundo, em favor do outro!

Deus quer participar da nossa vida, e quer que nós também participemos da vida do outro, no intuito de criar laços de ternura e cumplicidade entre irmãos!

Quem ama, faz a vontade da pessoa amada, portanto, se amamos verdadeiramente a Deus, faremos a sua vontade e a sua vontade, é que todos nós vivamos no amor!

O amor é a vida de Deus presente em nós e Jesus é a revelação deste amor!

Ninguém se realiza longe do amor, a falta de amor nos paralisa, pode até nos causar doenças! O amor é vital em nossas vidas, ele é a força que nos move, é o alimento da nossa alma!

A plenitude da nossa alegria, deve partir da nossa disposição de permanecer no amor de Jesus, sendo fiel aos seus mandamentos, como Ele fora fiel ao querer do Pai!

No evangelho de hoje, Jesus, continuando o seu discurso de despedida visa, fazer brotar nos corações dos discípulos, sentimentos positivos, garantindo-lhes que mesmo na sua ausência física, eles não estariam sós!

As palavras consoladoras de Jesus, dirigidas aos discípulos, nos consolam também, chegam até a nós como uma injeção de ânimo a nos encorajar.

Respondendo a uma pergunta feita por Judas, não o Iscariotes, Jo14,22 Jesus, disse: “Se alguém me ama, guarda a minha palavra e o meu Pai o amará.”

Guardar a palavra de Jesus é o mesmo que trazer para nossa vida o seu modo de viver!

Quem guarda a palavra de Jesus, caminha com segurança sem temer os desafios, pois sabe que em qualquer situação adversa, ele poderá contar com a ajuda do Espírito Santo. É o Espírito Santo, que o fará recordar a palavra que fora guardada em seu coração e é nesta palavra, que ele encontrará a sua direção! Ter a palavra de Jesus, guardada no coração, é como ter permanentemente nas mãos, um “manual” de instrução de Deus e deixar-se orientar por ele!

O amor foi e é, a fonte inspiradora de Jesus! Quem observa e põe em prática as suas palavras, com certeza, O ama verdadeiramente!

Só um amor que pressupõe vínculos estreitos de relação com Jesus, a ponto de nos transformar, pode garantir o êxito da nossa caminhada de fé!

A melhor escola de amor para todos nós é sem dúvida, o testemunho de vida de Jesus! E ao colocarmos em prática este amor, que nos leva a salvação, nós criamos caminhos de fraternidade e de vida nova!

“Deixo-vos a paz, minha paz vos dou…” Estas palavras de Jesus que encorajaram os discípulos, nos encorajam também, nos tira do comodismo e nos coloca na dinâmica do Reino!

Às vezes, quando falamos de paz, pode nos vir a ideia de uma situação externa, onde não há conflitos abertos, no entanto, a paz verdadeira, é um estado interior de contentamento e de tranquilidade mesmo dentro de realidades difíceis. É como sentir um raio de sol penetrar em nossa janela em dia chuvoso, sentir o frescor das manhãs de primavera em pleno calor de verão, ou a cadência do pulsar do nosso coração, em meio ao barulho do mundo!

No final do texto que nos foi apresentado hoje, Jesus assegura aos discípulos, de que, os acontecimentos que estavam por vir, não poriam fim na relação entre eles. A nós também, Jesus assegura: guardar a sua palavra é a certeza de nunca estarmos sós!

Podemos até não ter todos os bens materiais que desejamos ter, mas amor, todos nós podemos ter, basta-nos, esvaziar de nós mesmos e nos preencher de Deus!

FIQUE NA PAZ DE JESUS.

(Olívia Coutinho).

(13) – REFLEXÃO.

Um grande abraço para você que vive a Palavra de Deus. Você que é Templo do Espírito Santo e que faz do seu coração Morada da Santíssima Trindade. É tão bonita esta forma de cumprimentar as pessoas e, é uma pena não nos sentirmos dignos desta saudação. Não costumamos levar a sério tudo isso que dissemos.

Parece um amontoado de palavras bonitas e nada mais, no entanto, foi o próprio Jesus quem disse essas verdades. Dá a impressão que essas palavras não foram dirigidas para nós e que essa mensagem é endereçada somente aos sacerdotes, religiosos e religiosas.

Todos somos dignos, foi para isso que Deus enviou seu próprio Filho, para restituir a vida e devolver a dignidade. Deus, em toda sua plenitude, quer estar próximo dos seus filhos, quer habitar em cada um dos corações.

Este Evangelho é continuação do domingo passado, Jesus está no cenáculo, preparando o coração dos seus discípulos para a sua partida. Trata-se de uma despedida, e como todas as despedidas, esse momento é carregado de emoção. Os discípulos amam o Mestre e não querem nem pensar em separação.

“Se vocês me amassem, ficariam alegres com a minha partida para junto do Pai”. Por essa frase dá para perceber como pensamos e agimos de forma totalmente contrária a Deus. Quem ama de verdade, se satisfaz com a felicidade do outro. Renuncia até mesmo ao convívio e a proximidade.

Amor sacrifício, amor renúncia, um amor que para ser vivido plenamente, chega a trazer dissabores. Não dá para entender e, muito menos para aceitar um amor assim. O amor que pensamos conhecer só traz satisfação e alegria, nunca traz contrariedades. É o chamado amor unilateral, nunca é dividido.

O amor se complementa na doação. Quanto mais distribuímos, mais recebemos. Os matemáticos que se deixarem levar pela lógica, dificilmente entenderão esta verdade: “A matemática divina ensina que o amor é uma coisa que se multiplica, quando a dividimos”.

O amor deve ser a principal ocupação do cristão e seu único objetivo nesta vida. Quem vive o amor, está vivendo a Palavra de Deus. Esse é o Novo Mandamento, o verdadeiro discípulo testemunha o amor de Deus, através do seu amor ao próximo.

O Espírito Consolador vai estar permanentemente nos lembrado, cobrando atitudes corajosas para mudar e excluir tudo que oprime e divide. Lembrará também que seremos julgados de acordo com o bom uso que fizermos dos nossos dotes, virtudes e dons, em favor dos necessitados.

O cristão é o mensageiro da paz. Essa mesma Paz que Jesus, não só desejou como realmente deu, aos seus discípulos. Uma paz verdadeira, que nasce na união e se fortifica através da procura constante da verdade, da justiça e da partilha. Quem procura amor encontra Paz, porque a Paz é fruto do Amor.

“Quem me ama guarda minhas Palavras e, Eu e o Pai faremos nele a nossa morada”. Viu como é fácil? Basta amar para ser um Templo Vivo de Deus! Jesus diz para não se intimidar nem se perturbar, entretanto lembra também que ninguém pode dizer que ama a Deus que não vê se não ama o irmão, tão próximo e tão necessitado.

Eis aqui mais um bom motivo para vivermos a caridade: Jesus termina dizendo que vai ao Pai, mas voltará…

(Jorge Lorente).

(13) – O ESPÍRITO QUE ENSINA!

Tive um amigo que era “fera” em ciências exatas, conhecia e sabia de cor conceitos e fórmulas de matemática, física e química, que assombrava os professores e a todos nós da sua classe, que morríamos de inveja quando o víamos tirar notas altas nessas matérias, sem nunca ser preciso fazer a prova final porque bem antes de encerrar o ano letivo, já tinha fechado todas essas matérias. Findo o segundo grau, prestou vestibular para engenharia sem fazer nenhum cursinho e de maneira brilhante obteve classificação para cursar engenharia. Em certa ocasião encontrei-o na empresa, prestando serviço como auxiliar administrativo em uma renomada empreiteira de montagens industriais e ao perguntar-lhe por que trabalhava como auxiliar se já era engenheiro formado, respondeu-me que queria especializar-se nessa área e que este aprimoramento profissional só era possível se tivesse a prática e daí sim, estaria habilitado para exercer aquela profissão “Na teoria é uma coisa, na prática é outra”, disse-me sorrindo, ao concluir a nossa conversa.

É este precisamente o ensinamento do evangelho desse Sexto domingo da Páscoa: passarmos da teoria à prática da verdadeira religião, que nada mais é do que o amor na relação com Deus e com o próximo, porque parece que as nossas comunidades cristãs, algumas um pouco mais, outras um pouco menos, são todas bem parecidas com o meu amigo dos tempos de escola, vive-se muito uma religião teórica, um amor teórico, nossos conceitos de religião e de amor, segundo o evangelho que aprendemos na catequese e que ouvimos em cada celebração, são os mais belos e verdadeiros, tanto é verdade que Jesus Cristo é conhecido e admirado por milhões e milhões de pessoas no mundo inteiro, dentro e fora das igrejas.

E essa praticidade seria impossível se não fosse à ação do Espírito Santo, que de maneira ininterrupta, 24 horas nos ensina e nos recorda as palavras de Jesus, sem essa ação do Espírito Santo, a Sagrada Escritura e particularmente o Novo Testamento, não passaria de belos conceitos e fórmulas de “Como se Viver Bem” com a gente mesmo, com os outros e com Deus, uma espécie de manual com instruções práticas sobre um eletro doméstico, desses que deixamos empoeirar, esquecido no fundo de uma gaveta. O Espírito Santo não nos ensina algo novo e diferente do que Jesus nos ensinou, mas ele atualiza a palavra em nossa vida, dando-nos a resposta que precisamos diante de certos acontecimentos ou situações, que o Jesus Histórico não viveu, pois naquele tempo não tinha TV, Celular, Internet, avião, naves espaciais, tecnologia avançada, aborto, divórcio, violência, corrupção, tráfico de drogas, globalização, essas e outras coisas são realidades do nosso tempo, diante das quais, o ensinamento de Jesus tem sempre uma resposta que é atual e verdadeira, pela ação do Espírito Santo.

Mas o Espírito Santo só age em nossa vida se já tivermos ouvido e guardado a Palavra de Jesus, que é a Palavra do Pai, mesmo porque, as três pessoas da Santíssima Trindade nunca agem isoladamente, mas sempre juntas, em perfeita comunhão. O Espírito Santo não é apenas um lado de Deus, mas é Deus por inteiro e, portanto, não faz mágica, mas sua ação está intimamente ligada ao Pai e ao Filho. E o amor a Deus e ao próximo, é o sinal de que guardamos a Palavra de Jesus, é por isso mesmo que o evangelho coloca a prática desse amor como “Carro Chefe de Tudo”, porque todo o ensinamento de Jesus, suas palavras e obras, revelam ao homem essa Verdade absoluta que é o amor de Deus, e para estar nele com ele e com o Pai, não há outro caminho que não seja o do amor.

A presença de Deus em nós não está condicionada às práticas religiosas, grandiosas liturgias e arrebatamentos celestiais, mas a vivência do amor, porque a liturgia eucarística nada mais é do que a celebração do Amor que se encarnou no meio dos homens e quem faz do cristianismo, apenas o cumprimento de preceitos e práticas religiosas, fica apenas na teoria, sabe tudo, conhece tudo, mas não vive a principal verdade revelada por Jesus, que é o amor. Isso é tão claro para o evangelista João, que ele irá dizer para sua comunidade, que “Deus é Amor”. A Paz que Jesus dá ao mundo, a partir dessa verdade, não é a paz do comodismo, da ausência dos problemas, das dificuldades e desafios. Não existe uma comunidade assim, mas a Paz significa essa presença de Deus em nossa vida por isso o nosso coração não deve se perturbar nem ter medo.

Trata-se, portanto, de uma paz inquietante, que questiona e que busca algo de belo, na plenitude que só Jesus pode nos dar, é dom, mas também conquista ao mesmo tempo, está sujeita aos conflitos na relação com o mundo porque busca algo que o mundo não pode nos dar. O mundo quer nos convencer do contrário, mas quando amamos e guardamos no coração a Palavra de Jesus, podemos contar com o melhor de todos os advogados: o Espírito Santo, que nos transforma em evangelho vivo! (VI domingo da Páscoa).

(Diác. José da Cruz).

(13) – REFLEXÃO.

No domingo passado, dizíamos que a Igreja é fruto da Páscoa do Senhor, que ela nasceu do lado do Cristo morto e ressuscitado, que ela vive e continua a nascer da água do Batismo e do sangue da Eucaristia, que o Senhor, na sua fidelidade, haverá de levá-la à plenitude, que até lá, a Igreja deve ser sinal vivo do Reino de Deus entre as provações da história e deve viver no amor – herança que o Senhor nos deixou…

No domingo presente, a Palavra de Deus continua a nos falar da Igreja, dessa Comunidade do Ressuscitado, Comunidade que peregrina já há dois mil anos na história humana, como um povo tão pobre, tão débil, humanamente falando, mas também tão rico e tão forte pela presença do Ressuscitado entre nós.

É ainda o Apocalipse que nos apresenta, de modo belíssimo, a glória da Jerusalém celeste, Esposa do Cordeiro, nossa Mãe católica: “Mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, brilhando com a glória de Deus” – Esta Jerusalém gloriosa é a Igreja! Ela não nasce do povo, não nasce de um projeto humano; ela nasce do coração do Pai, que, através do Filho Jesus, doador do Espírito, chamou-nos, reuniu-nos, salvou-nos e fez de nós um novo povo, uma nova cidade, uma nova aliança, início de uma nova humanidade. A Igreja é a verdadeira Jerusalém, a verdadeira Cidade de Deus, que desce do céu e que é santificada pelo sangue do Cordeiro e, um dia, será totalmente transfigurada na glória de Deus. Não na sua própria glória, mas na de Deus, aquela glória que já brilha na face do Cristo ressuscitado!

Ela é a herança e a realização plena do antigo povo de Israel, ela é a plenitude do povo de Israel, é o Israel da nova aliança. Por isso, “nas suas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel”. Mas, a Igreja é mais que Israel: ela é aberta a todos os povos, suas portas são abertas para todos os lados: “havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente”. A nova Jerusalém é católica, é aberta a todos, aberta em todas as direções, pois nela todos os povos, todas as culturas terão abrigo. A Igreja não é simplesmente uma continuação do antigo Israel e a nova aliança não é simplesmente uma continuação da antiga! Não somos judeus! Em Cristo, tudo foi renovado: “Eis que eu faço novas todas as coisas!” (Ap 21,5). Se a Igreja tem nas suas portas os nomes das doze tribos de Israel, tem, por outro lado, como alicerce, os doze apóstolos do Cordeiro: “A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”. Isso aparece muito claramente na primeira leitura da Missa de hoje: os apóstolos, assistidos pelo Espírito Santo, decidiram que os cristãos vindos do paganismo não necessitavam tornarem-se judeus, não precisavam cumprir a Lei de Moisés! Os cristãos não são uma seita judaica! É interessante como os apóstolos, ao tomarem uma decisão tão importante, tinham consciência de que eram assistidos pelo Espírito do Cristo ressuscitado: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…” – foi o que eles disseram… o que a Igreja ainda hoje diz, quando os bispos, sucessores dos apóstolos, decidem algo sobre a fé, em comunhão com o Sucessor de Pedro. A Igreja sabe e experimente que o seu Esposo ressuscitado não a abandona; não a abandonará jamais! Recordemos a promessa de Jesus no Evangelho de hoje: “O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará o que eu vos tenho dito”. Este Espírito Santo santifica continuamente a Igreja, guia-a, sustenta-a, vivifica-a, orienta-a! Ele é a própria vida do Ressuscitado em nós, seja pessoalmente, seja como comunidade de fé. Por isso Jesus olha para nós e pode dizer com toda verdade e segurança e com toda eficácia: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou! Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes o que eu vos disse: ‘Vou e voltarei a vós!’” – É verdade: o Ressuscitado permanece conosco na potência do seu Espírito! Não precisamos ter medo, não precisamos nos sentir sozinhos, confusos, abandonados: na potência do Espírito, o Cristo estará sempre conosco!

É por isso que o Autor sagrado afirma ainda: “Não vi nenhum templo na cidade, pois o seu Templo é o próprio Senhor, o Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro. A cidade não precisa de sol, nem de luz que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz e a sua lâmpada é o Cordeiro”. Que imagens, irmãos e irmãs! A Igreja, nova Jerusalém está toda imersa em Deus e no seu Cristo. Ela mesma é templo de Deus no Espírito Santo! Ela vive na luz do Cristo, apesar de caminhar nas trevas deste mundo! Para o mundo, que somente pode enxergar a Igreja na sua realidade exterior, ela é apenas mais uma instituição, entre tantas do mundo. Mas, para nós, que cremos, para nós somos Igreja viva, para nós que dela nascemos e nela vivemos, para nós que nos nutrimos de seus sacramentos, ela é muito mais, ela é este admirável mistério de fé! É isto que queremos dizer quando dizemos: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. Renovemos nossa fé na Igreja e mergulhemos cada vez mais no seu mistério, pois é aí, é aqui, que podemos viver na nossa vida o mistério e a salvação do Cristo, nosso Deus.

Gostaria de terminar com as palavras de Carlo Carreto: “Como és contestável para mim, Igreja! E, no entanto, como te amo!

Como me fizeste sofrer! E, no entanto, quanto te devo!

Gostaria de te ver destruída. E, no entanto, tenho necessidade de tua presença.

Deste-me tantos escândalos! E, no entanto, me fizeste compreender a santidade.

Nunca vi nada de mais obscurantista, mais comprometido e mais falso no mundo. Mas também nunca toquei em nada tão puro, tão generoso e tão belo!

Quantas vezes tive vontade de bater em tua cara a porta de minha alma! E quantas vezes orei para um dia morrer em teus braços seguros!

Não, não posso me libertar de ti, porque eu sou tu, mesmo não sendo completamente tu!

Além disso, aonde iria eu? Construiria outra?

Mas não poderia construí-la, senão com os mesmos defeitos, porque são os meus defeitos que levo para dentro dela.

E, se a construísse, seria a minha igreja e não a Igreja de Cristo!

E já estou bastante velho para compreender que não sou melhor que os outros.”

(Dom Henrique Soares da Costa).

(13) – REFLEXÃO.

Quem ama Jesus ouve sua palavra. Meditada e praticada em comunidade, a Palavra produz muitos e bons frutos. O Espírito Santo, dom de Deus, recorda aos discípulos tudo o que o Mestre ensinou. Uma comunidade que ama é, por excelência, o espaço sagrado, pois nela habita a Trindade. Onde mora Deus, há a verdadeira paz (evangelho). O Espírito Santo também inspira e fortalece os discípulos de Jesus para continuarem sua missão. Como anunciadores da verdade do evangelho, encontram oposições por parte dos que seguem as propostas do mundo. A paz de Deus é diferente da paz que o mundo dá. A paz de Deus não é ausência de conflitos. No dinamismo do Espírito Santo, os seguidores de Jesus precisam encontrar-se, dialogar, discernir e decidir pelo melhor caminho (I leitura). As comunidades cristãs são convidadas a acolher a “nova Jerusalém”, a cidade da paz, que desce do céu, fruto da graça divina e da fidelidade dos que ouvem sua palavra. É a nova humanidade, cujos alicerces se encontram no testemunho dos apóstolos, os quais viram, acolheram e transmitiram a palavra da vida: Jesus Cristo morto e ressuscitado (II leitura). Iluminados e encorajados pelo mesmo Espírito Santo, continuamos a testemunhar a fé em Jesus, reunindo-nos para rezar, para comungar a palavra-eucaristia, para dialogar, discernir e viver o amor, conscientes de que a Trindade fez sua morada no meio de nós.

Evangelho: Jo 14,23-29

Ser humano, morada de Deus

A redação do Evangelho de João se dá ao redor do ano 100. Constitui-se numa reflexão pós-pascal das comunidades joaninas. O texto deste domingo faz parte do discurso de despedida de Jesus junto aos seus discípulos. Percebe-se íntima relação entre Jesus e Moisés. Assim como Moisés fora enviado para guiar o seu povo rumo à terra prometida, Jesus foi enviado por Deus para dar a vida à humanidade. Assim como Deus se manifestou no Êxodo por meio de dez sinais, Jesus realiza sete sinais libertadores. Assim como Deus revelou, por meio de Moisés, os Mandamentos como estatutos para o povo de Israel, Jesus revela o Mandamento do Amor, estatuto do novo povo de Deus, conforme o texto do domingo passado.

Há, porém, uma novidade radical, sintetizada no texto da liturgia de hoje. É fruto da experiência de fé, ao longo da caminhada das comunidades joaninas, que iluminou a compreensão da pessoa e da proposta de Jesus: ele e o Pai vivem intimamente unidos. O que Jesus diz e faz é a própria expressão de Deus Pai. Jesus e o Pai são UM. A intimidade amorosa entre ambos estende-se às pessoas que praticam o amor. Nelas Deus faz sua morada. O mesmo foi dito do Espírito Santo (v. 17). Então, a pessoa que crê torna-se morada da Trindade. Cumpre-se a antiga promessa da habitação de Javé no meio de seu povo: “Estabelecerei a minha habitação no meio de vós e não vos rejeitarei jamais. Estarei no meio de vós, serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo” (Lv 26,11s). Em João, porém, é ainda mais profundo: a habitação divina não se dá apenas “no meio”, mas “dentro”. É uma experiência única e maravilhosa.

A comunidade cristã, portanto, é a expressão viva de Deus Amor. As pessoas participantes ouvem a sua palavra, que é o próprio Jesus feito carne, presente no meio delas. O Espírito Santo, dom do amor de Deus, recorda todos os ensinamentos de Jesus. Como ouvintes e praticantes da Palavra, unidas na fé e no amor, as comunidades cristãs transformam-se num espaço da paz e da alegria de Deus. O termo “paz”, na Bíblia, expressa a síntese dos bens necessários para uma vida plena, tanto temporais como espirituais.

1ª leitura: At. 15,1-2.22-29

Conflitos fazem parte da caminhada

Após a primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé permaneceram algum tempo na comunidade cristã de Antioquia da Síria. Ela se tornou importante centro irradiador da proposta cristã. A experiência que trouxeram da viagem foi partilhada e meditada na comunidade. O principal ponto polêmico levantado por Lucas, neste texto, é a questão da circuncisão. Trata-se de polêmica suscitada por judeu-cristãos que manifestam ainda muita dificuldade de desvencilhar-se da lei judaica como constitutiva da salvação. Alguns deles se deslocam de Jerusalém para Antioquia a fim de pregar a obrigatoriedade da circuncisão como manifestação de fidelidade à Lei de Moisés. A seu ver, somente assim se poderia obter a salvação.

Paulo e Barnabé, missionários junto às nações, não concordam com essa obrigatoriedade, pois a verdadeira fonte de salvação é Jesus Cristo. Com tal convicção dirigem-se à Igreja-mãe, Jerusalém. O conflito é evidente. Para discernir qual o caminho a ser seguido, é convocada uma assembleia. Realizou-se, então, o que é normalmente conhecido por “Concílio de Jerusalém”. Estamos no ano 49.

O relato de Lucas tem a preocupação de mostrar a disposição dos participantes desse “concílio” para salvar a unidade da Igreja. Percebe-se isso, especialmente, pela acolhida mútua e carinhosa entre os representantes da Igreja de Antioquia e os de Jerusalém. A unidade vem junto com a preocupação de inclusão de toda a gente, pois a salvação que Jesus trouxe é para todos os povos. O decreto final determina a abstenção de algumas atitudes que feriam profundamente a fé judaica: das “carnes sacrificadas aos ídolos”, pois isso significaria participar dos cultos pagãos, o que seria um sacrilégio; do “sangue e das carnes sufocadas”, pois o sangue expressa a própria vida, que só a Deus pertence (por isso, ao ser sacrificado, o sangue do animal deveria ser totalmente derramado – cf. Lv. 1,5); das “uniões ilegítimas” (cf. Lv. 18). Transparece claramente, nas decisões da assembleia, uma estratégia pastoral com o objetivo mais alto: proporcionar a acolhida do evangelho da salvação por todas as culturas.

2ª leitura: Ap. 21,10-14.22-23

A nova humanidade

Os dois últimos capítulos do Apocalipse apontam para a nova criação, em que já não há lugar para a maldade. O texto da liturgia deste domingo relata essa visão utópica que se dá num alto monte. Na tradição judaica, a montanha carrega um significado simbólico de muita importância. Basta lembrar a concessão dos Mandamentos a Moisés e a morte salvadora de Jesus. Também a Jerusalém histórica se situa no monte Sião.

O alto monte contrasta com o deserto para onde o visionário João havia sido levado anteriormente (cf. 17,3). Enquanto o deserto é, simbolicamente, a morada da meretriz, a montanha é o lar da Noiva de Cristo, a nova Jerusalém constituída pelo povo justo. A meretriz representa a “Babilônia”, nome simbólico de Roma, promotora da morte e da destruição. A nova Jerusalém é a cidade perfeita que desce do céu trazendo a própria glória de Deus. A muralha, grossa e alta, tendo os anjos como guardas, está totalmente protegida e segura.

O número doze é articulado no texto como expressão da nova realidade da qual participa o novo povo de Deus. É o número da perfeição teocrática que lembra as doze tribos de Israel, os doze apóstolos e, por extensão, o povo fiel a Jesus Cristo. Esse número cruza-se com o número três, referindo-se quatro vezes às portas abertas para os quatro cantos do mundo. É, portanto, a realidade-síntese de um mundo novo.

A cidade perfeita é dom de Deus. Nela já não há templo, pois toda ela é habitação divina. Essa perspectiva teológica do Apocalipse aponta para a realização plena do desígnio de Deus inaugurada com a vinda de Jesus, o Messias. Ele é o Cordeiro: a lâmpada que ilumina a cidade. A situação da humanidade transformou-se. Seu relacionamento com Deus se dá de forma íntima, perfeita e definitiva. A aliança é plenamente acolhida e vivida com fidelidade.

PISTAS PARA REFLEXÃO

A utopia do “novo céu e da nova terra” exerceu um papel de resistência, de coragem e de perseverança nas comunidades cristãs do Apocalipse. As violentas perseguições pelas quais passaram as pessoas discípulas de Jesus, por causa do testemunho de fé em Jesus Cristo, desafiaram a sua fidelidade. Muitas foram mortas. O seu martírio, porém, é o sinal por excelência que ilumina e confirma o caminho do seguimento de Jesus.

O testemunho dos primeiros cristãos nos interpela profundamente. A fidelidade aos valores evangélicos permanece como caminho para um mundo novo. É neste mundo onde vivemos que Deus deseja estabelecer sua morada. Tudo, então, torna-se sagrado. Quando nossas palavras e nossas ações respeitarem a presença de Deus em cada ser humano, na natureza e em toda a sociedade, o mundo será outro…

No evangelho, Jesus anuncia e garante a presença de Deus Trindade nas pessoas que o amam e ouvem a sua palavra. Desta verdade decorre o nosso compromisso de contemplar cada pessoa como morada de Deus e, portanto, respeitá-la em sua dignidade. Daí decorre também o nosso compromisso de proteger e promover a vida em todas as suas dimensões. Como faz a mãe (hoje se comemora o “dia das mães”) com relação aos seus filhos, amando-os sem discriminação, dando prioridade àquele que mais necessita, somos todos convidados a adotar esse mesmo jeito de amar em nossa comunidade e na sociedade por meio da participação nas pastorais, movimentos, organizações…

Por isso, iluminados pelas atitudes dos primeiros discípulos e missionários, reunimo-nos em comunidade para celebrar, realizar encontros e assembleias para discernir e decidir o que fazer, tendo em vista a vida digna sem exclusão…

–Podem-se valorizar os diversos momentos de reuniões, encontros, celebrações, estudos e assembleias que se realizam na paróquia (e em outros espaços), bem como refletir sobre a importância da participação neles como Igreja viva que somos…

(Celso Loraschi).

(13) – VIVER NA PRESENÇA DE CRISTO E DE DEUS.

A nova Jerusalém é a “morada de Deus com os homens”, dizia-nos a utopia que escutamos domingo passado. Mas uma utopia serve para mostrar o sentido da realidade presente. Hoje, a liturgia insiste na presença da utopia de Deus: a “inabitação” de Deus nos homens não acontece apenas na utópica Nova Jerusalém, mas em cada um que guarda a palavra do Cristo, seu mandamento de amor. Pois a palavra do Cristo não é sua, mas a do Pai que o enviou (Jo 13,24; evangelho).

Os discípulos não entenderam isso logo. Por isso, grande parte dos primeiros anos do cristianismo decorreu em “tensão escatológica”: aguardava-se a vinda de Cristo com o poder do alto, a Parusia, como instauração do Reino de Deus. Só aos poucos, os cristãos começaram a entender que a nova criação já tinha iniciado, na própria comunhão do amor fraterno, testemunho do amor de Cristo a todos os homens. Esta compreensão, esta “memória esclarecida” de Cristo é uma das realizações, talvez a mais importante, do Espírito Santo.

Neste tempo intermediário, não devemos ficar com medo ou tristes porque Cristo não está conosco. Ele permanece conosco, neste Espírito, que nos faz experimentar a inabitação em nós dele e do Pai – portanto, muito mais do que significa sua presença na terra, pois o Pai vale mais do que a presença física de Cristo (14,28). Ele permanece conosco também no dom messiânico que ele nos deixa, a “paz”, porém, não como o mundo a concebe (14,27). Escrevendo isso, Jo parece polemizar com a ideia de paz dos tratados políticos (3) e também com o conceito judaico da paz messiânica, a realização de um Reino de Deus mundano, dirigido pelas mesmas leis e mecanismos que dirigiram os reinos até agora, portanto, uma paz que prepara a guerra…

Antes de ver o que é, no concreto, a inabitação de Deus e de Cristo entre nós hoje, é bom olhar para a sugestiva descrição da nova Jerusalém, na 2ª leitura (cf. domingo passado). Observemos alguns detalhes: os nomes das doze tribos de Israel e dos doze apóstolos, símbolos do novo povo de Deus fundamentado sobre os apóstolos; a ausência do templo – ideia cara ao N.T., já que Cristo substituiu o templo de Jerusalém pelo de seu corpo ressuscitado (cf. Jo 2,18-22 etc.); sua “iluminação”: a glória de Deus, e o Cordeiro, sua lâmpada. Não se deve explicar muito essas imagens, importa captar o que querem sugerir, num espírito global. É uma cidade que tem doze portas com os nomes das doze tribos, para acolhê-las no dia em que elas forem reunidas dos quatro ventos, para viverem na paz messiânica, tendo por centro só e exclusivamente Deus e o Cordeiro. É a cidade para viver na presença de Deus e Cristo. E isto é a paz.

Nossa comunidade cristã deve ser a antecipação da Jerusalém celeste. Tendo Cristo por centro e luz, certamente haverá unidade e comunhão entre seus habitantes. A 1ª leitura de hoje pode ilustrar isso. O conflito na comunidade era grave, certamente tão grave quanto hoje o conflito entre os defensores da cristandade e os de uma Igreja-testemunha, despojada, que vai ao encontro dos mais pobres. O problema era análogo: a Igreja devia ser concebida como uma instituição acabada, à qual os outros se deveriam agregar? Neste caso, ela podia conservar suas instituições tradicionais, que eram judaicas. Ou seria a Igreja um povo a ser constituído ainda, aberto para a forma que o Espírito lhe quisesse dar? Para este fim, Paulo e Barnabé procuraram a união dos irmãos em redor daquilo que o Espírito tinha obrado junto com eles. Conseguiram. Não esforçaram em vão (cf. Gl. 2,2). O “Concílio dos Apóstolos”, como se costuma chamar este episódio (At. 15), confirmou a prática de admitir pagãos sem passar pelas instituições judaicas (circuncisão, sábado etc.). Apenas, em nome da mesma união fraterna, os cristãos do paganismo deviam abster-se de quatro coisas que eram realmente tabu para os judeu-cristãos; não respeitar isso seria tornar a vida em comunidade impossível. A caridade fraterna acima de tudo!

Na caridade fraterna, Deus e “o Cordeiro” moram conosco. A cidade de Deus não é uma grandeza de ficção científica, nem uma cristandade sociologicamente organizada. Ela é uma realidade interior, atuante em nós e, naturalmente, produzindo também modificações no mundo em que vivemos. Ela é obra do Espírito de Deus que nos impele.

(3) – Cf.a pax romana, ideologia da supremacia romana no mundo mediterrâneo no tempo de Cristo e dos primeiros cristãos.

(Johan Konings).

(13) – REFLEXÃO.

Na liturgia deste domingo sobressai a promessa de Jesus de acompanhar de forma permanente a caminhada da sua comunidade em marcha pela história: não estamos sozinhos; Jesus ressuscitado vai sempre ao nosso lado.

No Evangelho, Jesus diz aos discípulos como se hão-de manter em comunhão com Ele e reafirma a sua presença e a sua assistência através do “paráclito” – o Espírito Santo.

A primeira leitura apresenta-nos a Igreja de Jesus a confrontar-se com os desafios dos novos tempos. Animados pelo Espírito, os crentes aprendem a discernir o essencial do acessório e atualizam a proposta central do Evangelho, de forma que a mensagem libertadora de Jesus possa ser acolhida por todos os povos.

Na segunda leitura, apresenta-se mais uma vez a meta final da caminhada da Igreja: a “Jerusalém messiânica”, essa cidade nova da comunhão com Deus, da vida plena, da felicidade total.

1ª leitura: Atos 15,1-2.22-29 – AMBIENTE

A entrada maciça de crentes gentios na comunidade cristã (sobretudo após a primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé) vai trazer a lume uma questão essencial: deve impor-se aos crentes de origem pagã a prática da Lei de Moisés? Não se trata, aqui, de um problema acidental ou secundário, de uma medida disciplinar ou de puros costumes, mas de algo tão fundamental como saber se a salvação vem através da circuncisão e da observância da “Torah” judaica, ou única e exclusivamente por Cristo. Dito de outra forma: Jesus Cristo é o único Senhor e salvador, ou são precisas outras coisas além d’Ele para chegar a Deus e para receber d’Ele a graça da salvação?

A comunidade cristã de Antioquia (onde o problema se põe com especial acuidade) não tem a certeza sobre o caminho a seguir. Paulo e Barnabé acham que Cristo basta; mas os “judaizantes” – cristãos de origem judaica, que conservam as práticas tradicionais do judaísmo – defendem que os ritos prescritos pela “Torah” também são necessários para a salvação. Decide-se, então, enviar uma delegação a Jerusalém, a fim de consultar os Apóstolos e os anciãos acerca da questão. Estamos por volta do ano 49.

MENSAGEM

Este texto começa por pôr a questão e por apresentar os passos dados para a solucionar: Paulo, Barnabé e alguns outros (também Tito, de acordo com Gl. 2,1) são enviados a Jerusalém para consultar os Apóstolos e os anciãos (vs. 1-2). A questão é de tal importância que se organiza a reunião dos dirigentes e animadores das comunidades, conhecida como “concílio apostólico” ou “concílio de Jerusalém”. Essa assembleia vai, pois, discutir o que é essencial na proposta cristã (e que devia ser incluído no núcleo fundamental da pregação) e o que é acessório (e que podia ser dispensado, não constituindo uma verdade fundamental da fé cristã).

O texto que nos é proposto hoje interrompe aqui a descrição dos acontecimentos. No entanto, sabemos (pela descrição dos “Atos”) que nessa “assembleia eclesial” vão enfrentar-se várias opiniões. Pedro reconhece a igualdade fundamental de todos– judeus e pagãos – diante da proposta de salvação, que a Lei é um jugo que não deve ser imposto aos pagãos e que é “pela graça do Senhor Jesus” que se chega à salvação (cf. At. 15,7-12); mas Tiago (representante da ala “judaizante), sem se opor à perspectiva de Pedro, procura salvar o possível das tradições judaicas e propõe que sejam mantidas algumas tradições particularmente caras aos judeus (cf. At. 15,13-21). Na realidade, há acordo quanto ao essencial. Embora o texto de Lucas não seja totalmente explícito, percebe-se a decisão final: não se pode impor aos gentios a lei judaica; só Cristo basta. Assim dá-se luz verde à missão entre os pagãos. É a decisão mais importante da Igreja nascente: o cristianismo cortou o cordão umbilical com o judaísmo e pode, agora, ser uma proposta universal de salvação, aberta a todos os homens, de todas as raças e culturas.

O nosso texto retoma a questão neste ponto. Nos vs. 22-29 da leitura de hoje apresenta-se o “comunicado final” da “assembleia de Jerusalém”: a práxis judaica não pode ser imposta, pois não é essencial para a salvação… No entanto, pede-se a abstenção de alguns costumes particularmente repugnantes para os judeus.

É de destacar, ainda, a referência ao Espírito Santo do v. 28: a decisão é tomada por homens, mas assistidos pelo Espírito. Manifesta-se, assim, a consciência da presença do Espírito, que conduz e que assiste a Igreja na sua caminhada pela história.

ATUALIZAÇÃO

A questão de cumprir ou não os ritos da Lei de Moisés é uma questão ultrapassada, que hoje não preocupa nenhum cristão; mas este episódio vale, sobretudo, pelo seu valor exemplar. Faz-nos pensar, por exemplo, em rituais ultrapassados, em práticas de piedade vazias e estéreis, em fórmulas obsoletas, que exprimiram num certo contexto, mas já não exprimem o essencial da proposta cristã. Faz-nos pensar na imposição de esquemas culturais – ocidentais, por exemplo – que muitas vezes não têm nada a ver com a forma de expressão de certas culturas… O essencial do cristianismo não pode ser vivido sem o concretizar em formas determinadas, humanas e, por isso, condicionadas e finitas. Mas é necessário distinguir o essencial do acessório; o essencial deve ser preservado e o acessório deve ser constantemente atualizado. Quais são os ritos e as práticas decididamente obsoletos, que impedem o homem de hoje de redescobrir o núcleo central da mensagem cristã? Será que hoje não estamos a impedir, como outrora, o nascimento de Cristo para o mundo, mantendo-nos presos a esquemas e modos de pensar e de viver que têm pouco a ver com a realidade do mundo que nos rodeia?

É necessário ter presente que o essencial é Cristo e a sua proposta de salvação. Essa é que é a proposta revolucionária que temos para apresentar ao mundo. O resto são questões cuja importância não nos deve distrair do essencial.

Devemos também ter consciência da presença do Espírito na caminhada da Igreja de Jesus. No entanto, é preciso escutá-lo, estar atento às interpelações que Ele lança, saber ler as suas indicações nos sinais dos tempos e nas questões que o mundo nos apresenta… Estamos verdadeiramente atentos aos apelos do Espírito?

É preciso aprender com a forma como os Apóstolos responderam aos desafios dos tempos: com audácia, com imaginação, com liberdade, com desprendimento e, acima de tudo, com a escuta do Espírito. É assim que a Igreja de Jesus deve enfrentar hoje os desafios do mundo.

2ª leitura: Ap. 21,10-14.22-23 – AMBIENTE

Continuamos a ler a parte final do livro do “Apocalipse”. Nela, João apresenta-nos o resultado da intervenção definitiva de Deus no mundo: depois da vitória de Deus sobre as forças que oprimem o homem e o privam da vida plena, nascerá a comunidade nova e santa, a criação definitiva de Deus, o novo céu e a nova terra.

A liturgia do passado domingo apresentou-nos um primeiro quadro dessa nova realidade; hoje, a mesma realidade é descrita através de um segundo quadro – o da “Jerusalém messiânica”.

MENSAGEM

É, ainda, a imagem da “nova Jerusalém que desce do céu” que nos é apresentada. Já vimos na passada semana que falar de Jerusalém é falar do lugar onde irá irromper a salvação definitiva, o lugar do encontro definitivo entre Deus e o seu Povo.

Na apresentação desta “nova Jerusalém”, domina o número “doze”: na base da muralha há doze reforços salientes e neles os doze nomes dos Apóstolos do “cordeiro”; a cidade tem, igualmente, doze portas (três a nascente, três ao norte, três ao sul e três a poente), nas quais estão gravados os nomes das doze tribos de Israel; há, ainda, doze anjos junto das portas. O número “doze” indica a totalidade do Povo de Deus (doze tribos + doze Apóstolos): ela está fundada sobre os doze Apóstolos – testemunhas do “cordeiro” – mas integra a totalidade do Povo de Deus do Antigo e do Novo Testamento, conduzido à vida plena pela ação salvadora e libertadora de Cristo. As portas, viradas para os quatro pontos cardeais, indicam que todos os povos (vindos do norte, do sul, de este e do oeste) podem entrar e encontrar lugar nesse lugar de felicidade plena.

Num desenvolvimento que a leitura de hoje não conservou (vs. 15-17), apresentam-se as dimensões dessa “cidade”: 144 côvados (12 vezes doze), formando um quadrado perfeito. Trata-se de mostrar que a cidade (perfeita, harmoniosa) está traçada segundo o modelo bíblico do “santo dos santos” (cf. 1 Re 6,19-20): a cidade inteira aparece, assim, como um Templo dedicado a Deus, onde Deus reside de forma permanente no meio do seu Povo. É por isso que a última parte deste texto (vs. 22-23) diz que a cidade não tem Templo: nesse lugar de vida plena, o homem não terá necessidade de mediações, pois viverá sempre na presença de Deus e encontrará Deus face a face. Diz-se ainda que toda a cidade estará banhada de luz: a luz indica a presença divina (cf. Is. 2,5; 24,23; 60,19): Deus e o “cordeiro” serão a luz que ilumina esta comunidade de vida plena.

Após a intervenção definitiva de Deus na história nascerá, então, essa nova “cidade” construída sobre o testemunho dos apóstolos; cidade de portas abertas, ela acolherá todos os homens que aderirem ao “cordeiro”; nela, eles encontrarão Deus e viverão na sua presença, recebendo a vida em plenitude.

ATUALIZAÇÃO

Já o dissemos a propósito da segunda leitura do passado domingo: o profeta João garante-nos que as limitações impostas pela nossa finitude, as perseguições que temos de enfrentar por causa da verdade e da justiça, os sofrimentos que resultam dos nossos limites, não são a última palavra; espera-nos, para além desta terra, a vida plena, face a face com Deus. Esta certeza tem de dar um sentido novo à nossa caminhada e alimentar a nossa esperança.

A Igreja em marcha pela história não é, ainda, essa comunidade messiânica da vida plena de que fala esta leitura; mas tem de apontar nesse sentido e procurar ser, apesar do pecado e das limitações dos homens, um anúncio e uma prefiguração dessa comunidade escatológica da salvação, que dá testemunho da utopia e que acende no mundo a luz de Deus. A humanidade necessita desse testemunho.

Ainda que esta realidade de vida plena, de felicidade total, só aconteça na “nova Jerusalém”, ela tem de começar a ser construída desde já nesta terra. Deve ser essa a tarefa que nos motiva, que nos empenha e que nos compromete: a construção de um mundo de justiça, de amor e de paz, que seja cada vez mais um reflexo do mundo futuro que nos espera.

Evangelho: Jo 14,23-29 – AMBIENTE

Continuamos no contexto da “ceia de despedida”. Jesus, que acaba de fundar a sua comunidade, dando-lhe por estatuto o mandamento do amor (cf. Jo 13,1-17;13,33-35), vai agora explicar como é que essa comunidade manterá, após a sua partida, a relação com Ele e com o Pai.

Nos versículos anteriores ao texto que nos é proposto, Jesus apresentou-Se como “o caminho” (cf. Jo 14,6) e convidou os discípulos a percorrer esse mesmo “caminho” (cf. Jo 14,4-5). O que é que isso significa? Jesus, enquanto esteve no mundo, percorreu um “caminho” – o da entrega ao homem, o do serviço, o do amor total; é nesse “caminho que o homem” – o Homem Novo que Jesus veio criar – se realiza. A comunidade de Jesus tem, portanto, que percorrer esse “caminho”. A metáfora do “caminho” expressa o dinamismo da vida que é progressão; percorrê-lo, é alcançar a plena maturidade do Homem Novo, do homem que desenvolveu todas as suas potencialidades, do homem recriado para a vida definitiva. O final desse “caminho” é o amor radical, a solidariedade total com o homem. Nesse “caminho”, encontra-se o Pai. Os discípulos, no entanto, estão inquietos e desconcertados. Será possível percorrer esse “caminho” se Jesus não caminhar ao lado deles? Como é que eles manterão a comunhão com Jesus e como receberão dele a força para doar, dia a dia, a própria vida?

MENSAGEM

Para seguir esse “caminho” é preciso amar Jesus e guardar a sua Palavra (cf. Jo 14,23). Quem ama Jesus e O escuta, identifica-se com Ele, isto é, vive como Ele, na entrega da própria vida em favor do homem… Ora, viver nesta dinâmica é estar continuamente em comunhão com Jesus e com o Pai. O Pai e Jesus, que são um, estabelecerão a sua morada no discípulo; viverão juntos, na intimidade de uma nova família (vs. 23-24).

Para que os discípulos possam continuar a percorrer esse “caminho” no tempo da Igreja, o Pai enviará o “paráclito”, isto é, o Espírito Santo (vers. 25-26). A palavra “paráclito” pode traduzir-se como “advogado”, “auxiliador”, “consolador”, “intercessor”. A função do “paráclito” é “ensinar” e “recordar” tudo o que Jesus propôs. Trata-se, portanto, de uma presença dinâmica, que auxiliará os discípulos trazendo-lhes continuamente à memória os ensinamentos de Jesus e ajudando-os a ler as propostas de Jesus à luz dos novos desafios que o mundo lhes colocar. Assim, os crentes poderão continuar a percorrer, na história, o “caminho” de Jesus, numa fidelidade dinâmica às suas propostas. O Espírito garante, dessa forma, que o crente possa continuar a percorrer esse “caminho” de amor e de entrega, unido a Jesus e ao Pai. A comunidade cristã e cada homem tornam-se a morada de Deus: na ação dos crentes revela-se o Deus libertador, que reside na comunidade e no coração de cada crente e que tem um projeto de salvação para o homem.

A última parte do texto que nos é proposto contém a promessa da “paz” (v. 27). Desejar a “paz” (“shalom”) era a saudação habitual à chegada e à partida. No entanto, neste contexto, a saudação não é uma despedida trivial (“não vo-la dou como a dá o mundo”), pois Jesus não vai estar ausente. O que Jesus pretende é inculcar nos discípulos apreensivos a serenidade e evitar-lhes o temor. São palavras destinadas a tranquilizar os discípulos e a assegurar-lhes que os acontecimentos que se aproximam não porão fim à relação entre Jesus e a sua comunidade. As últimas palavras referidas por este texto (vers. 28-29) sublinham que a ausência de Jesus não é definitiva, nem sequer prolongada. De resto, os discípulos devem alegrar-se, pois a morte não é uma tragédia sem sentido, mas a manifestação suprema do amor de Jesus pelo Pai e pelos homens.

ATUALIZAÇÃO

Falar do “caminho” de Jesus é falar de uma vida gasta em favor dos irmãos, numa doação total e radical, até à morte. Os discípulos são convidados a percorrer, com Jesus, esse mesmo “caminho”. Paradoxalmente, dessa entrega (dessa morte para si mesmo) nasce o Homem Novo, o homem na plenitude das suas possibilidades, o homem que desenvolveu até ao extremo todas as suas potencialidades. É esse “caminho” que eu tenho vindo a percorrer? A minha vida tem sido doação, entrega, dom, amor até ao extremo? Tenho procurado despir-me do egoísmo e do orgulho que impedem o Homem Novo de aparecer?

A comunhão do crente com o Pai e com Jesus não resulta de momentos mágicos nos quais, através da recitação de certas fórmulas, a vida de Deus bombardeia e inunda incondicionalmente o crente; mas a intimidade e a comunhão com Jesus e com o Pai estabelece-se percorrendo o caminho do amor e da entrega, numa doação total aos irmãos. Quem quiser encontrar-se com Jesus e com o Pai, tem de sair do egoísmo e aprender a fazer da sua vida um dom aos homens.

É impressionante essa pedagogia de um Deus – o nosso Deus – que nos deixa ser os construtores da nossa própria história, mas não nos abandona. De forma discreta, respeitando a nossa liberdade, Ele encontrou formas de continuar conosco, de nos animar, de nos ajudar a responder aos desafios, de nos recordar que só nos realizaremos plenamente na fidelidade ao “caminho” de Jesus.

O cristão tem de estar, no entanto, atento à voz do Espírito, sensível aos apelos do Espírito; tem de procurar detectar os novos caminhos que o Espírito propõe; tem de estar na disposição de se deixar questionar e de refazer a sua vida, sempre que o Espírito lhe dá a entender que ela está a afastar-se do “caminho” de Jesus. Estamos sempre atentos aos sinais do Espírito e disponíveis para enfrentar os seus desafios?

(P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho).

(13) – DEIXO-VOS A PAZ, A MINHA PAZ VOS DOU!

No domingo passado (28) refletimos sobre o Novo Mandamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Hora, sabemos muito bem como Jesus nos amou – entregando sua vida por nós. Portanto, não se trata de um amor qualquer. No texto do Evangelho de hoje (João 14,23-29) Jesus diz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou! Não a dou como o mundo”. Então, também não é uma paz qualquer! Ao refletir sobre o Mandamento do Amor e a Paz de Jesus segundo João, entendemos que somente orações e discursos vazios não são o suficiente. Precisamos observar e colocar em prática tudo aquilo que Jesus pede e ensinou. Não basta ser apenas ouvinte da Palavra, é necessário colocá-la em pratica na vida cotidiana e fazer a experiência de acolher a Palavra. Então será possível sentir em nós a presença do Ressuscitado – o único capaz de preencher nossa existência. Também não será possível amar a Deus sem guardar sua Palavra. Aos discípulos que se dirigem a Ele com amor Jesus promete manifestar-se dizendo: “Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, Ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos tenho dito (v 26)”. Realmente sem amor por Jesus não pode haver conhecimento Dele, nem do Pai e nem do Espírito Santo. Se Deus é amor, então quem não ama, não conheceu a Deus. Na Festa de Pentecostes que se aproxima iremos refletir sobre a importância da presença do Espírito Santo na vida pessoal e comunitária. Diz o Evangelho de Jesus segundo João 14: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos, então rogarei ao Pai e Ele dará a vocês o Espírito Santo Paráclito para que permaneça com vocês para sempre”. Vejamos: “Paráclito” palavra grega que significa advogado de defesa. Jesus complementa: “Aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço.” Estamos terminando o Tempo Pascal. O Espírito é a memória de Jesus que continua viva e presente na comunidade cristã. A liturgia de hoje ensina que o “Shalom” de Jesus é o conjunto de todas as bênçãos messiânicas da Nova Aliança. Com a paz de Jesus poderemos superar todos os conflitos na família e na sociedade. Pense nisto e tenha uma semana abençoada.

(Pedro Scherer).

(24) – SE ALGUÉM ME AMA, GUARDARÁ A MINHA PALAVRA; MEU PAI O AMARÁ, E NÓS VIREMOS E FAREMOS NELE A NOSSA MORADA.

Hoje, antes de celebrar a Ascensão e Pentecostes, voltemos a ler as palavras do chamado sermão da Última Ceia, na que devemos ver diversas maneiras de apresentar uma única mensagem, já que tudo brota da união de Cristo com o Pai e da vontade de Deus de associar-nos a este mistério de amor.

A Santa Teresinha do Menino Jesus um dia lhe ofereceram diversos presentes para que ela escolhesse, e ela — com uma grande decisão mesmo apesar de sua pouca idade — disse: “Escolho tudo”. Já depois entendeu que este escolher tudo deveria se de concretizar em querer ser o amor na Igreja, pois um corpo sem amor não teria sentido. Deus é este mistério de amor, um amor concreto, pessoal, feito carne no Filho Jesus que chega a dar tudo: Ele mesmo, sua vida e seus atos são a máxima e mais clara mensagem de Deus.

É deste amor que abrange tudo de onde nasce a “paz”. Esta é hoje uma palavra desejada: queremos paz e tudo são alarmes e violências. Só conseguiremos a paz se nos voltamos a Jesus, já que é Ele quem nos dá a paz como fruto de seu amor total. Mas não nos dá como o mundo faz. “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou” (cf. Jo 14,27), pois a paz de Jesus não é a tranquilidade e a despreocupação, pelo contrário: a solidariedade que se transforma em fraternidade, a capacidade de ver-nos e de ver aos outros com olhos novos como faz o Senhor, e assim perdoar-nos. Dai nasce uma grande serenidade que nos faz ver as coisas tal e como são, e não como parecem. Seguindo por este caminho chegaremos a ser felizes.

“Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito” (Jo 14,26). Nestes últimos dias de Páscoa peçamos abrir-nos ao Espírito: O recebemos ao sermos batizados e crismados, mas é necessário que — como dom ulterior — volte a brotar em nós e nos faça chegar lá onde não ousaríamos.

(Rev. D. Francesc CATARINEU i Vilageliu (Sabadell, Barcelona, Espanha)).

CELEBRAÇÃO DE HOJE

6º DOMINGO DA PÁSCOA (COR BRANCA, GLÓRIA, CREIO, II SEMANA DO SALTÉRIO).

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL:

– 1ª: Periódico Deus Conosco; – 2ª: Periódico Liturgia Diária.

– 1ª:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou!”

A Páscoa nos ensina que, em Cristo e por Ele, Deus quer unir toda a humanidade. Por isso, a paz verdadeira é a expressão do Reino definitivo, no qual toda a humanidade, superadas as divisões, viverá numa perfeita comunhão em torno ao Cordeiro imolado e ressuscitado.

– 2ª:

Reunidos para celebrar a Páscoa de Jesus, queremos abrir o coração para escutar a voz do Espírito, que nos convida a construir o reino do amor e da paz, dom de Deus, sinal do mundo novo. Glorifiquemos nesta liturgia o Senhor, que nos prometeu a presença do Espírito Santo, nosso defensor.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO:

– 1ª: Periódico Deus Conosco; – 2ª: Periódico Liturgia Diária.

– 1ª:

Deus nos fala.

Tendo Cristo em seu centro, a comunidade supera leis e restrições, realizando a comunhão na diferença, que imprime no seio da Igreja a marca da presença do Reino de Deus.

– 2ª:

Ouvindo a palavra de Deus, contemplemos a ação do Espírito Santo. Ele ilumina os desafios pastorais que enfrentamos, orienta nossas comunidades a fim de serem sinais do mundo novo e nos recorda tudo o que Jesus ensinou.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO.

Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia!

Quem me ama realmente, / guardará minha palavra, e meu Pai o amará, e a ele nós viremos. (Jo 14,23).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada.

Anunciai com gritos de alegria, proclamai até os extremos da terra: o Senhor libertou o seu povo, aleluia! (Is 48,20).

Antífona da comunhão.

Se me amardes, guardareis meus mandamentos, diz o Senhor. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro paráclito, que permaneça convosco para sempre, aleluia! (Jo 14,15s).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Deus todo-poderoso, dai-nos celebrar com fervor estes dias de júbilo em honra do Cristo ressuscitado, para que nossa vida corresponda sempre aos mistérios que recordamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia:

– 1ª: Periódico Deus Conosco; – 2ª: Periódico Liturgia Diária.

– 1ª:

O Espírito, enviado por Cristo, abre nossa consciência e infunde em nós o desejo de unidade. Invoquemos sobre a Igreja a presença do Espírito do Ressuscitado, que gera a comunhão.

— Dai-nos, Senhor, o Espírito da unidade.

1. Para que os ministérios eclesiais sejam servidores da unidade, pedimos.

2. Para que o diálogo prospere entre os povos e as Igrejas, pedimos.

3. Para que a busca da paz supere os egoísmos e indiferenças, pedimos.

4. Para que a Igreja se comprometa com a humanidade de hoje, pedimos.

5. Para que os cristãos unam a oração à prática de vida, pedimos.

Infundi em nós, Senhor, o Espírito de unidade que nos leva a superar divisões e conflitos. Imbuídos de vossa força, desejamos viver a caridade na fraternidade e na igualdade dos filhos e filhas de Deus. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

– 2ª:

Irmãos e irmãs, rezemos a Deus, nosso Pai, que nos mostra o caminho da paz e nos garante a presença do seu Espírito. Digamos:

— Nós vos rogamos, Senhor, ouvi-nos.

1. Conduzi, Senhor, a Igreja, esposa de Cristo, no ensino do caminho da verdade para a humanidade. Nós vos pedimos.

2. Fortalecei o papa, os bispos, padres e diáconos na missão de anunciar o evangelho. Nós vos pedimos.

3. Iluminai os conselhos comunitários, para que as suas decisões sempre respeitem a caminhada da comunidade. Nós vos pedimos.

4. Ajudai-nos a construir cidades onde brilham a paz e a harmonia fundadas no amor. Nós vos pedimos.

5. Orientai as autoridades para a busca da paz sem violência e sem opressão. Nós vos pedimos.

Deus fiel e cheio de misericórdia, dai-nos a graça de nos sentir, desde agora, cidadãos da nova humanidade, redimida por Cristo ressuscitado. Que vive e reina para sempre. Amém.

Oração sobre as oferendas

Subam até vós, ó Deus, as nossas preces com estas oferendas para o sacrifício, a fim de que, purificados por vossa bondade, correspondamos cada vez melhor aos sacramentos do vosso amor. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Se me amardes, guardareis meus mandamentos, diz o Senhor. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro paráclito, que permaneça convosco para sempre, aleluia! (Jo 14,15s).

Fontes de Consultas e Pesquisas

Vamos expor a seguir de onde pertencem os textos que nos preenchem todos os dias, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO

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REFLITA:

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem foi que inspirou essa pessoa a escrever.

O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.

O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que Ele nos pede.

Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é saber compartilhar o conhecimento.

(0) – Blog Liturgia Diária da Palavra de Deus (Reflexões e Comentários);

(1) – Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);

(2) – Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);

(3) – Portal Editora Santuário;

(4) – Portal Editora Paulinas;

(5) – Portal Editora Paulus;

(6) – Portal e Blog Canção Nova;

(7) – Portal Dom Total;

(8) – Portal Católica Net;

(9) – Portal Católico Orante;

(10) – Portal Edições Loyola Jesuítas;

(11) – Portal de Catequese Católica;

(12) – Portal Evangelho Quotidiano;

(13) – Blog Homilia Dominical;

(14) – Blog Liturgia Diária Comentada;

(15) – Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);

(16) – Portal Catequisar: Catequese Católica;

(17) – Portal Universo Católico;

(18) – Portal Paróquia São Jorge Mártir;

(19) – Portal Catedral FM 106,7;

(20) – Portal Comunidade Católica Nova Aliança;

(21) – Portal Comunidade Resgate;

(22) – Portal Fraternidade O Caminho;

(23) – Portal Católico na Net;

(24) – Portal Evangeli.net;

(25) – Portal Padre Marcelo Rossi;

(26) – Portal Grupo de Oração Sopro de Vida;

(27) – Portal NPD Brasil.

MINHA MENSAGEM PESSOAL PARA MIM MESMO.

Mais vale o desconforto da VERDADE, do que a comodidade da MENTIRA.

E usando a essência da Oração da Serenidade, devo orar:

Ó meu Deus e Senhor, Pai de misericórdia e Salvação,

que em seu Filho Jesus perdoou os nossos pecados,

e com o seu Santo Espírito, paráclito nesse nosso mundo que caminha conosco,

apenas em Ti posso almejar a vida eterna, socorre-me e ouvi-me:

Se o ERRO está em mim, que DEUS possa me dar a HUMILDADE de aceitar que estou errado.

Que Jesus me dê a SERENIDADE, para aceitar que tem coisas que não posso mudar.

E que o Espírito Santo me dê a CORAGEM, suficiente para mudar aquelas coisas que dependem de mim, mesmo que sejam difíceis.

E para complementar os alicerces de orações da minha vida, faço como o santo Tomás de Aquino:

“Concede-me, Deus misericordioso, que deseje com ardor o que tu aprovas, que o procure com prudência, que o reconheça em verdade, que o cumpra na perfeição, para louvor e glória do teu nome.

Põe ordem na minha vida, ó meu Deus, e permite-me que conheça o que tu queres que eu faça, concede-me que o cumpra como é necessário e como é útil para a minha alma.

Concede-me, Senhor meu Deus, que não me perca no meio da prosperidade nem da adversidade; não deixes que a adversidade me deprima, nem que a prosperidade me exalte.

Que nada me alegre ou me entristeça para além do que conduz a ti.”

Viver CORRETO e falar a VERDADE hoje são tão difíceis quanto na época de Jesus, pois é muito mais fácil aceitar a MENTIRA e fazer o ERRADO.

Viver no CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é o próprio Cristo Jesus, tem que ser uma caminhada diária.

O futuro é desejo e pensamento.

O passado é aprendizado e lembrança.

O hoje é realidade, isso quer dizer: CRISTO.

Meus amigos(as) de coração, meus irmãos(ãs) em Cristo Jesus, lembrem-se:

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

“Não julgues para não seres julgados.”

“A quem é muito dado, muito será cobrado.”

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