Liturgia Diária 14/JUL/13

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA — 14/JUL/2013 (Domingo)

O BOM SAMARITANO – O VERDADEIRO CRISTÃO

Lc 10,25-37 (O Bom Samaritano)

LEITURAS:

Leitura retirada do Livro do Deuteronômio (Dt 30,10-14)

(Volta do Exílio e Conversão)

Livro do Deuteronômio.

Moisés falou ao povo, dizendo: 10 Ouve a voz do Senhor, teu Deus, e observa todos os seus mandamentos e preceitos, que estão escritos nesta lei. Converte-te para o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma. 11 Na verdade, este mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance. 12 Não está no céu, para que possas dizer: ‘Quem subirá ao céu por nós para apanhá-lo? Quem no-lo ensinará para que o possamos cumprir?’ 13 Nem está do outro lado do mar, para que possas alegar: ‘Quem atravessará o mar por nós para apanhá-lo? Quem no-lo ensinará para que o possamos cumprir?’ 14 Ao contrário, esta palavra está ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir.

— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus!

Salmo retirado do Livro dos Salmos (Sl 19(18),8.9.10.11 (R.9a))

(Iahweh, sol da justiça)

— 9a Os preceitos do Senhor são precisos, / alegria ao coração.

9a Os preceitos do Senhor são precisos, / alegria ao coração.

— 8lei do Senhor Deus é perfeita, / conforto para a alma! / O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

— Os preceitos do Senhor são precisos, / alegria ao coração. / O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

— 10 É puro o temor do Senhor, / imutável para sempre. / Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

— 11 Mais desejáveis do que o ouro são eles, / do que o ouro refinado. / Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.

Leitura retirada do Livro da Carta de São Paulo aos Colossenses (Cl 1,15-20)

(Primado de Cristo)

Carta de São Paulo aos Colossenses. 15 Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, 16 pois, por causa dele, foram criadas todas as coisas, no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. 17 Ele existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência. 18 Ele é a Cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, 19 porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude 20 e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz.

— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus!

Leitura retirada do Livro do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 10,25-37)

(O Grande Mandamento / Parábola do bom samaritano)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 25 um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” 26 Jesus lhe disse: “O que está escrito na Lei? Como lês?” 27 Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!” 28 Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”. 29 Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” 30 Jesus respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu na mão de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora, deixando-o quase morto. 31 Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. 32mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. 33 Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. 34 Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. 35 No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: ‘Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais’”. E Jesus perguntou: 36 “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” 37 Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor!

LEITURA ORANTE:

… Oração Inicial… (querer)

Preparo-me para a Leitura Orante, rezando com todos os internautas:

Creio, meu Deus, que estou diante de Ti.

Que me vês e escutas as minhas orações.

Tu és tão grande e tão santo: eu te adoro.

Tu me deste tudo: eu te agradeço.

Foste tão ofendido por mim: eu te peço perdão de todo o coração.

Tu és tão misericordioso: eu te peço todas as graças que sabes serem necessárias para mim.

… Eu sou o CAMINHO… (ler…)

O que diz o texto do dia?

Leio na Bíblia, atentamente, o texto Lc 10,25-37.

Na parábola de Jesus, nem o sacerdote, nem o levita deram atenção e cuidados ao homem quase morto. Quem parou, teve compaixão, chegou perto, limpou-lhe os ferimentos e cuidou dele levando-o consigo para a pensão, foi o samaritano. O samaritano era discriminado pelos judeus e até detestado por eles. Na parábola de Jesus é justamente um samaritano que vive o verdadeiro amor ao próximo.

… a VERDADE… (refletir e meditar…)

O que o texto me diz?

Sinto-me também convocado a repetir o gesto do samaritano?

Onde?

Com que pessoas?

Recordo muitas outras pessoas que repetiram este gesto, recomendado por Jesus: madre Teresa de Calcutá, Dom Luciano Mendes de Almeida, Irmã Dorothy, Francisco de Assis, …

Os bispos em Aparecida disseram: “A Igreja, como “comunidade de amor” é chamada a refletir a glória do amor de Deus que, é comunhão, e assim atrair as pessoas e os povos para Cristo. No exercício da unidade desejada por Jesus, os homens e mulheres de nosso tempo se sentem convocados e recorrem à formosa aventura da fé. “Que também eles vivam unidos a nós para que o mundo creia” (Jo 17,21). A Igreja cresce, não por proselitismo mas “por ‘atração’: como Cristo ‘atrai tudo a si’ com a força de seu amor” (Bento XVI, em Aparecida). A Igreja “atrai” quando vive em comunhão, pois os discípulos de Jesus serão reconhecidos se amarem uns aos outros como Ele nos amou (cf. Rm 12,4-13; Jo 13,34).” (DAp 159).

… e a VIDA… (orar…)

O que o texto me leva a dizer a Deus?

Rezo o Hino ao Amor, na canção do Padre Zezinho.

(Clique aqui para ouvir a música).

Se eu desvendasse os mistérios do universo, / mas não tivesse amor.

Se o dom das línguas eu tivesse em prosa e verso, / mas não tivesse amor.

Seria um sino barulhento e falador!

Se eu conhecesse umas quinhentas profecias, / mas não tivesse amor.

Se eu conhecesse todas as teologias, / mas não tivesse amor.

Teria tudo, menos Deus a meu favor!

Amor é graça, amor é força amor é luz.

Não é vaidoso, não derruba não seduz.

Não sente inveja, nem orgulho nem rancor.

Sabe perder mas não se sente perdedor.

Amor aplaude mas educa o vencedor.

Amor perdoa mas educa o pecador.

Não atrapalha não bloqueia, faz andar.

Espera e crê, porque o amor sabe esperar.

Vem do passado, mas não é ultrapassado.

Tem seus limites o saber e a religião.

Mas o amor aí não acaba nunca não (2x).

Agora vemos por imagens ou sinais.

Mas o amor, aí, o amor é muito mais (2x).

Há mil verdades do outro lado da janela.

Mas o amor é a maior de todas elas! …

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (contemplar e agir…)

Qual meu novo olhar a partir da Palavra?

Meu novo olhar é iluminado pelo testemunho do Samaritano e pelas palavras dos Bispos em Aparecida: “Bento XVI nos recorda que: “o discípulo, fundamentado assim na rocha da Palavra de Deus, sente-se motivado a levar a Boa Nova da salvação a seus irmãos. Discipulado e missão são como os dois lados de uma mesma moeda: quando o discípulo está enamorado de Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que só Ele salva (cf. At 4,12). Na realidade, o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro”. Esta é a tarefa essencial da evangelização, que inclui a opção preferencial pelos pobres, a promoção humana integral e a autêntica libertação cristã.” (DAp. 146).

BÊNÇÃO:

– Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.

– Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.

– Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.

– Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

REFLEXÕES:

(4) – E QUEM É O MEU PRÓXIMO

O texto do evangelho deste domingo é próprio a Lucas e pode ser dividido em dois episódios: a) questão sobre a vida eterna (vv. 25-28); b) questão sobre o próximo e como proceder em caso de conflito entre dois mandamentos da Lei (vv. 29-37).

Os dois estão estreitamente relacionados pela observação do narrador: “… e, querendo experimentar Jesus…” e a pergunta do legista: “E quem é o meu próximo” (v. 29). A perícope tem um tom de controvérsia: “Um doutor da Lei se levantou e, querendo experimentar Jesus, perguntou…” (v. 25).

resposta de Jesus com uma pergunta faz com que o doutor da Lei responda citando os mandamentos fundamentais da Lei mosaica (cf. Dt 6,4-9; Lv 19,18). A apresentação unitária destes mandamentos é uma leitura da Lei: “Que está escrito na Lei? Como lês (= interpreta)?” (v. 26). Segundo Lucas, Jesus encontra nas próprias palavras da Escritura o conselho, o mandamento fundamental para a vida do cristão: “Faze isso e viverás” (v. 28), isto é, ajudando dessa maneira poderás herdar a vida eterna. O amor é o caminho para herdar a vida eterna.

Motivado pela pergunta do legista, Jesus conta a parábola do “bom samaritano” (vv. 30-37). Tal parábola é uma discussão haláquica (precisa e legal) acerca do conflito entre a Lei da pureza (Lv 21,1-3; 22,3-7) e o amor ao próximo (Lv 19,18). Numa situação como a que a parábola nos apresenta, qual dos dois mandamentos tem precedência sobre o outro? Se a resposta, hoje, é evidente para nós cristãos, não o era, certamente, para os contemporâneos de Jesus.

Sem podermos nos delongar, estudando cada um dos personagens da parábola, passemos à resposta: se o ouvinte e/ou leitor julga que o sacerdote, mesmo obrigado pela Lei da pureza, deveria ter ajudado o moribundo, pois neste caso o mandamento do amor ao próximo tem precedência sobre a Lei de pureza, a consequência não é que as leis de pureza são inválidas ou podem ser ignoradas, mas que a Lei do amor ao próximo é o mandamento-chave que precisa ser escolhido entre qualquer outro mandamento, em caso de conflito. O amor ao próximo é uma exigência primordial da Torá. A presença do samaritano na parábola confirma que a questão é a da correta obediência à Lei de Moisés. O samaritano, não aceito pelos judeus, conhece a mesma Torá que o judeu, e está obrigado a obedecer todos os mandamentos. Ajudando o homem quase morto, ele está obedecendo ao mandamento. Sua compaixão não é uma alternativa ao legalismo; ela é o que o mandamento do amor ao próximo exige dele.

Ele ilustra o que significa obedecer a este mandamento, nesta situação concreta. Quem cumpre o mandamento do amor cumpre a Lei plenamente.

(Carlos Alberto Contieri).

(6) – O DESAFIO DE AMAR COMO JESUS AMOU

Que o nosso amor ao próximo seja cada vez mais intenso.

“Amarás o Senhor teu Deus, de todo o seu coração e de com toda tua alma, de toda tua força e de toda tua inteligência, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12, 28).

Aprendemos, hoje, que viver em Deus é viver os mandamentos d’Ele com toda intensidade da nossa alma, do nosso coração, da nossa vontade e da nossa disposição.

Com que intensidade e bravura nós devemos nos colocar para viver a Palavra de Jesus Cristo? Primeiro, amando Deus, fazendo d’Ele a razão única de nossa existência, pois não adianta apenas dizer que amamos se não somos impelidos a amar uns aos outros.

O Evangelho de hoje responde para nós uma questão básica e muito importante: “Quem é o nosso próximo?” Ele é justamente aqueles que rejeitamos ou, por algum motivo, não amamos mais. Talvez por nos ter desqualificado, rejeitado ou simplesmente por algum problema que vivenciamos com essa pessoa.

A ela nós devemos o amor evangélico da oração, do cuidado e da ternura. Que o nosso amor ao próximo seja cada vez mais intenso. E lembre-se: amar quem já gostamos é fácil, o desafio é amar quem não nos ama ou quem nós não temos tamanho afeto.

Que o Senhor nos ensine o caminho da salvação. Deus abençoe você!

(Pe. Roger Araújo).

(7) – FAZE TU O MESMO!

Existe uma ligação evidente entre a questão dirigida pelo mestre a Lei a Jesus e a ordem conclusiva do relato. O mestre da Lei queria conhecer os caminhos para se obter a vida eterna, e Jesus ordena-lhe que imite o gesto misericordioso do samaritano.

A preocupação com a vida eterna corresponde a reconhecer os caminhos que conduzem ao Pai, fonte da verdadeira vida. O mestre da Lei estava no bom caminho ao confessar que a via que conduz ao Pai é o caminho do amor. Consciência fenomenal, se levamos em conta a mentalidade legalista, muito difundida na época.

Faltava-lhe apenas refazer sua concepção de próximo. A parábola contada por Jesus não deixa margem para dúvidas: próximo é qualquer pessoa que, encontrada pelos caminhos da vida, carece do nosso amor misericordioso. Diante deste apelo, caem todas as barreiras sociais, culturais, religiosas, étnicas. O próximo carente é a mediação da comunhão com o Pai. Quem tem sensibilidade e é capaz de desfazer-se de seus planos para se mostrar solidário, estará no caminho da vida eterna. Quem, pelo contrário, desvia-se do próximo carente de solidariedade, desvia-se do caminho que conduz ao Pai.

Assim, a vida eterna define-se pela disposição de se tornar servidor do próximo, em quem o Pai é servido. Quem é misericordioso, está no bom caminho.

Oração: Espírito de sintonia com o próximo, não me deixes ser insensível ao meu próximo carente de solidariedade, pois a misericórdia me conduz à vida eterna.

(Pe. Jaldemir Vitório).

(10) – BOA NOVA PARA CADA DIA

A União com Deus no Antigo Testamento se dava no cumprimento da Lei, mas no Novo Testamento se dá na Pessoa do Filho de Deus, Jesus Cristo.

A Liturgia da Palavra deste domingo traz uma grande riqueza de instruções para vivermos nossa fé com maior conhecimento e alegria. Meditemos sobre ela com muita atenção.

Primeira Leitura: Deuteronômio 30,10-14.

Esta palavra está bem ao teu alcance, em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir (Dt 30,14).

Quando Deus se manifestou ao Povo Eleito no Monte Sinai, fez com ele uma Aliança. Deus se comprometia a ser o Deus de Israel se Israel O aceitasse como seu Deus. Assim, o Povo concordou e a Aliança foi estabelecida. Era como um contrato. A parte de Deus foi oferecer sua Aliança. A parte do Povo foi aceitá-la.

No entanto, isto devia ser demonstrado a Deus pelo Povo.

Então, Deus lhe deu a Lei. O Povo a cumpria e a aliança era mantida.

Por qual motivo Deus precisou dar precisamente uma Lei e não outra exigência?

Na Lei Deus demonstrava Sua Vontade. E se o Povo não cumprisse a Vontade de Deus fazia o pecado. A Lei foi dada para isto: para o Povo saber o que era pecado.

A Lei impunha algumas normas difíceis. E alguns se queixavam.

Por este motivo, Moisés fez este discurso que lemos nesta leitura de hoje, dizendo que a Lei não é difícil, nem está fora do alcance de cada um dos israelitas (Dt 30,11). Pelo contrário, está no coração de cada um, está na boca de todo israelita, de modo que cumpri-la não seja impossível.

E foi assim que o Povo de Israel se manteve unido a Seu Deus, desde Moisés até a vinda de Jesus Cristo.

Salmo Responsorial: Sl 68(69), 14 e 17.30-31.33-34.36ab e 37 (R cf. 33) ou Sl 18(19),8.9.10.11 (R/ 9a); Cl 1,15-20; Lc 10,25-37.

A Lei do Senhor é perfeita, conforto para a alma [Sl 18(19),8].

Ao longo da história do Povo Eleito a Lei foi seu guia, por séculos.

Somente a Lei era o ponto de União com Deus.

Se o Povo a abandonasse, estava escravizado os deuses estrangeiros e distanciado de Seu Deus.

É por isso que em vários escritos do Antigo Testamento a Lei de Deus é apresentada como guia para o Povo Eleito.

No Salmo Responsorial 18(19) há todo um elogio da Lei, dada em preceitos, mandamentos e palavras:

– a Lei é perfeita, nada há que colocar ou tirar: versículo 8a.

– a Lei conforta a alma dos que em oração se sentem unidos ao seu Deus: versículo 8b.

– os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração: versículo 9a.

– os mandamentos do Senhor são luminosos, luz para os olhos: versículo 9b.

– suas palavras são mais doces que o mel que sai dos favos: versículo 11.

Para um grande número de Israelitas esta alegria de poder conhecer, meditar, vivenciar a Lei de Deus era verdadeira. Em grandes momentos da liturgia doméstica da Páscoa, em Jerusalém e nas outras cidades, havia um grande fervor religioso. Isto dava ao Povo a alegria de pertencer ao Deus único, Vivo e Verdadeiro.

Outros povos não tinham este privilégio, porque a Lei não fora dada a eles ainda.

Consideremos este privilégio de Israel. Entenderemos depois o nosso privilégio, que é ter Jesus Cristo como mediador entre Deus e nós.

Segunda Leitura: Colossenses 1,15-20.

… Deus quis habitar Nele com toda sua plenitude, e por ele reconciliar consigo todos os seres, os da terra com os do céu, realizando a paz pelo sangue da Sua cruz (Cl 1,19-20).

Como Jesus Cristo poderia ser a ponte entre a humanidade e Deus?

Ele precisaria ter Deus em si. Em outras palavras, que Nele Deus habitasse plenamente.

Não foi isto que a primeira comunidade cristã em Jerusalém entendeu sobre Jesus logo depois de Sua Ressurreição?

Com o passar dos anos, os cristãos foram amadurecendo sua compreensão sobre o papel de Jesus Cristo em comparação com a Lei de Israel.

Assim como a Lei era o ponto de união entre o Povo Eleito e Deus, para os cristãos este ponto de união foi revelado em Jesus Cristo.

Como o Povo de Deus cristão chegou a este ponto?

Em determinado momento das missões iniciais da Igreja os apóstolos entenderam como a Lei de Moisés impedia a evangelização das outras nações que não estavam incluídas no Povo Eleito.

Ora, quando os apóstolos começaram a pregar o Evangelho, algumas vezes o Espírito Santo descia sobre os pagãos, mostrando que Deus acolhia no meio de Seu Povo também pessoas de fora do Povo Eleito, pessoas que nem conheciam a Lei.

Quem não se lembra da estória da visita que São Pedro fez ao romano pagão chamado Cornélio?

Está em Atos 10. No versículo 47, São Pedro decide dar o batismo a Cornélio e sua casa, dizendo: “Pode alguém, porventura, recusar a água, para que não sejam batizados estes que também receberam, como nós, o Espírito Santo?”.

Foi deste modo que muitos pagãos entraram para a Igreja de Jesus Cristo, que é o Novo Povo Eleito de Deus.

Na leitura de Colossenses de hoje, está dito precisamente que agora a União da humanidade com Deus acontece por meio de Jesus Cristo.

Como é isto?

A Lei mostrava somente os pecados, mas não os perdoava. A Lei não era gente, e somente pessoas podem perdoar. Contudo, mesmo em pecado, o Povo Eleito se mantinha unido a Deus, sabia onde o ofendia e podia pedir perdão. Enquanto Jesus não viesse, Deus aceitava os sacrifícios de animais como reparação dos pecados do Povo.

No entanto, quando Jesus veio, pelo sangue de sua Cruz apagou os pecados da humanidade inteira, dos que viveram antes e depois Dele.

Portanto, agora não há mais impedimentos para que as pessoas possam viver em União com Deus. E isto acontece por meio de Jesus Cristo.

Assim como o Povo Eleito entendia e elogiava a Lei, os cristãos, da comunidade de Colossos, fizeram o Hino Cristológico elogiando Cristo. É a Segunda Leitura.

Vejamos como Jesus é descrito neste Hino:

– Ele, o Filho de Deus (ver Cl 1,13), é imagem de Deus invisível. Logo, se havia gente no antigo Israel se queixando de que a Lei era difícil ou desconhecida, no Novo Testamento ninguém pode dizer que não conhece Deus, porque Ele se torna visível na face de Cristo, imagem de Deus Pai. É Colossenses 1,15a.

– Ele é o primogênito de toda criação. É o que dizemos no Credo: gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Antes que Deus criasse todas as coisas, todo o mundo, gerou o Filho Único. É Colossenses 1,15b.

– Deus não gerou o Filho sem antes ter um motivo: porque gerou o Filho foi que Deus criou o mundo. Portanto, o mundo existia para o Filho de Deus. Está em Colossenses 1,16.

– O Filho existe antes que tudo fosse criado: é Colossenses 1,17a.

– Mais ainda: se o Filho não existisse, o mundo “se evaporaria no nada”, porque Deus quis que a existência de tudo dependesse do Filho. É Colossenses 1,17b.

– O Filho de Deus formou na terra uma comunidade de pessoas que acreditam no Deus Vivo e Verdadeiro, e igualmente acredita Nele mesmo, no Filho. São os que foram batizados em Seu Nome. São a Igreja, que não pode se separar de Cristo, assim como não se separa o Corpo da Cabeça. Está em Colossenses 1,18a.

– O Filho de Deus encarnado no seio da Virgem Maria foi crucificado, morto e sepultado. Contudo, ressuscitou dos mortos com a Vida que só Deus tem, a Vida Divina.

Isto nunca tinha acontecido na história da humanidade.

Ele deu início a uma Nova Humanidade, uma Nova Criação do gênero humano: a Nova Criação que é a dos ressuscitados com Cristo. É por isso que Colossenses 1,18b diz que Ele foi o “primogênito”, isto é, o primeiro ser humano desta Nova Criação.

Somente os ressuscitados são esta Nova Criação.

Nós somente devemos aguardar nossa ressurreição para entrarmos plenamente nesta Nova Criação, embora já participemos, não plenamente ainda, da Ressurreição de Jesus Cristo por meio do Batismo que recebemos.

– O mais importante vem agora: tudo isto aconteceu porque na Pessoa de Jesus, Filho de Deus encarnado, Deus quis habitar com toda Sua Divindade. É uma afirmação grandiosíssima, estonteante.

Quem pode entender que Deus habite em um ser humano? A menos que este ser humano seja também Deus! E Jesus, é Deus porque é Filho de Deus. Tudo isto é o que diz Colossenses 1,19.

– O Filho de Deus cumpre, agora no lugar da Lei antiga, a União com Deus: todos os seres humanos unidos a Jesus Cristo podem ter acesso a Deus e permanecer em União com Ele. Este é o fim de toda a história: da geração do Filho de Deus antes de criar tudo, da Criação do mundo e da humanidade, até seu fim, quando Jesus voltar no fim dos tempos para nos levar com Ele para Deus. É o que Colossenses 1,20 nos explica.

Os ensinos de Colossenses são grandes neste Hino Cristológico.

Pensemos várias vezes no que este Hino diz, para fortalecer nossa fé. É deste modo que estudamos o centro de nossa fé hoje, como no passado o Povo de Israel estudava a Lei de Deus.

Evangelho: Lucas 10,25-37.

Faze isto e viverás (Lc 10,28).

O Evangelho de hoje nos mostra Jesus ensinando como as pessoas podem “viver”.

Por que Ele disse “viver”?

A resposta está na conversa de Jesus com um mestre da Lei que quis fazer uma armadilha teológica para Jesus.

Ele perguntou: “o que devo fazer para receber em herança a Vida Eterna?” (Lc 10,25).

Jesus lhe respondeu que cumprisse a Lei que o Povo de Israel recebera de Deus. E isto lhe bastaria para receber a Vida Eterna. Entretanto, devemos saber que esta Vida Eterna Jesus mesmo daria somente depois que ressuscitasse. Portanto, o que o cumprimento da Lei prometia como a Vida Eterna dependia ainda da morte de Jesus e de sua Ressurreição.

Depois que Jesus resolveu este problema, o mestre da Lei perguntou: “quem é meu próximo?” (Lc 10,29).

Jesus, então, lhe contou a parábola do bom samaritano.

O mestre da Lei devia imitar o bom samaritano e saberia que ele mesmo seria o próximo do homem que os ladrões quase tinham matado.

Terminada a parábola, o mestre da Lei aprendeu uma lição que não sabia antes: quem faz a caridade para alguém é o próximo dele.

Por qual motivo Jesus precisou chegar a este ponto?

Porque aqui estava a resposta à segunda pergunta do mestre da Lei: amarás o teu próximo como a ti mesmo, depois que tinha feito a primeira: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração…. (Lc 10,27).

Assim vemos Jesus ensinando como cumprir a Lei de Moisés que preparava a humanidade para chegar à União com Deus por meio Dele,

– pois Ele é o Filho único, gerado não criado,

– imagem de Deus invisível,

– para Quem toda a Criação foi feita,

– e Quem sustenta a vida de todas as coisas criadas,

– Com Ele toda a Igreja se une

– para merecer a Vida Eterna

– que em Sua Ressurreição Ele conseguiu para nós.

Chegamos ao fim deste comentário à Liturgia da Palavra de hoje, constatando quanta riqueza espiritual Deus nos deu neste dia. Sejamos-Lhe agradecidos, repetindo estas considerações neste dia, em ação de graças.

(Pe. Valdir Marques)

(10) – O BOM SAMARITANO

Lc 10,25-37 / 15º domingo do Tempo Comum

Nos dois artigos anteriores, vimos que Lucas apresenta com um interesse especial o trabalho evangelizador de Jesus na Samaria, no meio do povo desprezado por aqueles judeus que se consideravam justos e impecáveis. No mesmo capítulo, ele conta, à sua maneira e com este mesmo enfoque, o ensino de Jesus sobre o principal mandamento. Mateus e Marcos enquadram este ensino no relato da atividade de Jesus em Jerusalém, nas discussões que Jesus teve ali com os teólogos do centro do judaísmo. Lucas prefere contar tal ensinamento no quadro da viagem missionária que leva Jesus a atravessar os povoados dos samaritanos. A história sai, assim, bem mais provocante.

Um conhecedor da Lei pergunta a Jesus o que deve fazer para “herdar vida eterna” (herdar significa, na linguagem bíblica, receber algo como dom da parte de Deus, assim como Israel recebeu a terra em herança). Jesus lhe cita os mandamentos do amor a Deus (Dt 6,5) e do amor ao próximo (Lv 19,18), coisas que o perito deveria saber! Tentando justificar sua pergunta, ele explica a Jesus que ele a fez não por desconhecer esses mandamentos, mas porque existem dúvidas sobre quem é o “próximo”. Já que Lucas situa a história na viagem de Jesus através da Samaria, podemos adivinhar o que o perito tem na cabeça: a questão dos samaritanos…

Então Jesus conta uma história. Alguém — judeu, samaritano ou pagão, não importa — desce a serra de Jerusalém em direção a Jericó, pela estrada que sai do Templo e atravessa as escarpas inóspitas do deserto de Judá. É assaltado, e os ladrões o deixam semimorto na beira da estrada. Passa um sacerdote de Jerusalém: desvia-se. Passa um levita do Templo: desvia-se. E passa um samaritano. Este se aproxima, cuida das feridas e leva o homem à hospedaria, dando ao dono uma provisão para que dele cuide nos próximos dias. E Jesus pergunta, mineiramente: “Quem é o próximo do homem que caiu nas mãos dos ladrões?” A resposta se impõe: “Aquele que usou de misericórdia para com o coitado”. O senhor doutor poderia ter dito diretamente: o samaritano, mas tal palavra era difícil demais para sair de sua boca… De qualquer modo, teve de admitir, ainda que em termos indiretos, que o próximo era um samaritano…

Quem é o próximo não depende de origem, raça, instrução ou qualquer outro de nossos critérios de discriminação. Há quem seria próximo por natureza, como o sacerdote e o levita, mas não se comportam assim. Há quem é inimigo por natureza, como o samaritano, mas se torna próximo do judeu assaltado, que neste mesmo instante se torna o próximo dele.

Sem querer aprofundar todas as consequências desta rica parábola, quero destacar a importância do lugar a partir do qual a gente olha. Estando na Samaria, no meio dos samaritanos, impõe-se com mais força a ideia de que eles são gente como nós, talvez mais próximos do que nossos próximos “de ofício”: parentes, padres, vereadores, etc. Será para isso que Lucas teve a ideia de levar o leitor durante dez capítulos através da Samaria, para lhe modificar a ótica?

É isso que quer dizer: ler o Evangelho (ou a Bíblia) a partir da margem, a partir dos excluídos, a partir daqueles que não incluímos em nosso mundo mental e afetivo.

(Pe. Johan Konings).

(12) – O BOM SAMARITANO

“Um homem descia de Jerusalém para Jericó”. […] Jericó é o símbolo do mundo para o qual, depois de ter sido expulso do Paraíso, ou seja, da Jerusalém celeste, Adão desceu. […] O exílio de Adão não consiste numa mudança de lugar, mas de comportamento. E que mudança! Este Adão que usufruía de uma felicidade sem preocupações, quando se abaixou aos pecados deste mundo, deparou com os salteadores. […]

E quem são estes salteadores, senão os anjos da noite e das trevas, que por vezes se disfarçam em anjos de luz (2Cor 11, 14), mas que não podem sê-lo durante muito tempo?

Eles começam por nos despojar das vestes da graça espiritual que recebemos, e é assim que geralmente nos ferem. […] Tem pois o cuidado de não te deixares despojar como Adão, que foi privado da proteção dos mandamentos de Deus e desprovido das vestes da fé. Foi por isso que recebeu um ferimento mortal, ao qual todo o género humano teria sucumbido se o Samaritano não tivesse vindo curar essas feridas horrendas.

Mas este Samaritano não é qualquer um: é aquele que não desdenhou o homem que o sacerdote e o levita desdenharam. […] Este Samaritano descia; ora, “ninguém subiu ao céu, a não ser Aquele que desceu do céu, o Filho do Homem” (Jo 3, 13). Vendo meio morto este homem que ninguém tinha podido curar, […] aproximou-Se dele; ou seja, aceitando sofrer conosco, fez-Se nosso próximo e, exercendo de misericórdia para conosco, fez-Se nosso vizinho.

(Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja – Comentário sobre o evangelho de Lucas, 7,73; SC 52).

(14) – A LEI QUE DEVE NOS REGER É A LEI DO AMOR!

Vivemos numa cultura do aceleramento, do individualismo, onde tudo gira em torno das coisas materiais. Com isto, vamos perdendo o senso do amor, do valor da fé, da solidariedade…

Voltados para os nossos próprios interesses, não enxergamos as necessidades dos nossos irmãos, dos que estão esquecidos às margens do caminho, ignorados por uma sociedade materialista que ignora o “ser”, que tem como parâmetro o “ter”. Uma sociedade fixada na ideia da competitividade, que tenta nos desvirtuar dos bens eternos colocando diante de nós uma “avalanche” de ofertas sedutoras, na tentativa de nos ludibriar.

Se não ficarmos atentos quanto as nossas escolhas, acabamos nos contaminando por esta mentalidade contrária ao evangelho, nos distanciando do projeto de Deus.

Em meio a tantos adversários do projeto de Deus, Jesus vem nos trazer uma proposta de vida nova, que ao contrário do mundo, tem como prioridade o “ser” e não o “ter”.

Não deixar seduzir pelas propostas do mundo, é caminhar na contramão da vida, é seguir um caminho novo traçado por Deus e não por nós!

Deus vai se manifestando em nós, à medida de nossa obediência aos seus mandamentos, que tem como chave, o mandamento do amor! Quem observa este mandamento no seu dia a dia e coloca-o em prática, tem a vida regida pelo amor!

O ponto determinante de todos os ensinamentos de Jesus, sempre foi o amor, o amor sem fronteiras, o amor gratuito que não impõe condições!

No evangelho de hoje, Jesus, em resposta a uma pergunta de fundo maldoso de um especialista em leis, nos aponta o caminho que devemos percorrer se quisermos chegar ao coração do Pai: o caminho do amor! Caminho, que às vezes pode nos parecer difícil, mas nunca intransponível, pois o próprio amor abre caminho!

O texto nos desperta sobre a importância da escuta da palavra de Deus, pois o amor a Deus, passa pela escuta da sua palavra! Não tem como amar a Deus, sem o conhecimento da sua palavra, sem saber o que Ele quer de nós e para nós! E o nosso amor ao próximo, passa pela nossa atenção às necessidade dos nossos irmãos, independentemente da sua condição social, do seu credo.

O amor desejado por Jesus deve ser uma relação sincera, brotada do coração na total gratuidade! Para que possamos concretizar este desejo de Jesus, precisamos ter o coração aberto para amar, deixar-nos mover pelo amor, assim como o Samaritano da parábola que nos foi apresentada por Jesus no evangelho de hoje. Ao contrário do sacerdote e do levita, o amor presente no coração do Samaritano, venceu fronteiras, falou mais alto do que as divergências de um povo! É este, o amor que Deus infundiu em nossos corações, um amor que supera toda e qualquer diferença. Quem ama nesta intensidade, ama com o coração de Deus, abraçando neste amor até mesmo o inimigo.

O amor a Deus e ao próximo, estão interligados, é amando concretamente ao próximo, que damos testemunho do nosso amor a Deus.

Não pode haver sintonia entre o homem e Deus, sem a vivencia do amor! Deus nunca separa do homem, pois Deus é amor, é a falta de amor que separa o homem de Deus! Daí, a insistência de Jesus, em querer que todos nós, filhos e filhas de Deus, vivamos no amor, afinal, o amor realiza-nos, fortalece-nos, é caminho que nos leva ao Pai!

O amor quando vivido na prática, gera vida onde a vida se desfaz nos torna testemunhas vivas do amor de Deus no mundo, nos possibilita viver a nossa humanidade de forma divina!

O Reino de Deus não se espalha através de cumprimento de leis, o Reino de Deus se espalha pelo contagio do amor, pois o amor é “contagioso”, pega de um para o outro!

O mandamento do amor é um mandamento sempre novo, pois o amor é atual, não entra em decadência!

Muito se fala sobre o amor, mas só iremos compreendê-lo verdadeiramente, se colocarmos em pratica este amor, amando a Deus e ao próximo como a nós mesmo!

A nossa identidade, o que nos distingue como cristão, é a nossa vivencia no amor!

Não são com palavras bonitas, com longas orações, que daremos testemunho do nosso amor à Deus, e sim, com as nossas atitudes do dia a dia, atitudes que devem convergir para o bem do outro!

Podemos até não ter todos os bens materiais que desejamos ter, mas amor, todos nós podemos ter, basta-nos esvaziar de nós mesmos e nos preencher de Deus!

FIQUE NA PAZ DE JESUS!

(Olívia Coutinho).

(14) – O BOM SAMARITANO

Na verdade, como disse Jesus, nem todos aqueles que dizem: Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus. E no Evangelho de hoje Jesus nos explica através de uma parábola, que a prática da nossa fé não vale nada sem a prática da caridade. Jesus nos mostra que nem todo aquele que vive enfiado na Igreja, são na prática, na realidade, cristãos completos. Isto porque, a fé que demonstram em suas orações, pode não estar acompanhada da prática que é a caridade.

A liturgia deste domingo nos adverte para não termos uma fé mutilada. Os dois principais mandamentos, são: Amar a Deus e ao próximo como a nós mesmo. O sacerdote e o levita, levavam uma vida de amar da Deus, mas na prática não demonstraram o seu amor ao próximo necessitado caído no chão precisando de socorro. A isso podemos chamar de uma fé mutilada. Uma fé em que está faltando a outra parte. O amor ao próximo. Quantos de nós já não agimos assim. Vamos à igreja, juramos o nosso amor a Deus, até batemos no peito, e quem sabe já não choramos, em nossas orações fervorosas. No entanto, ao sair da igreja ignoramos o irmão carente que nos implora uma ajuda.

Certa vez fiquei estarrecido, de boca aberta, quanto um piedoso homem da paróquia xingou os mendigos da porta da igreja de MALOQUEIROS! Aquele piedoso homem era espelho de espiritualidade para todos nós. Ele meditava a palavra, rezava no sacrário, coordenava quase toda a vida da paróquia, era imitado e respeitado por todos, o padre não tomava nenhuma decisão sem antes conversar com ele, muitas pessoas vinham pedir sua orientação não só para os afazeres paroquiais, como para problemas pessoais. Enfim, era um homem santo! Aconteceu naquela tarde em que a moça da limpeza reclamava da sujeira dos banheiros, aquele santo home esbravejou de forma surpreendente, dizendo: São esses MALOQUEIROS que vêm aqui e fazem toda essa sujeira! Entopem as privadas… As pessoas que estavam por perto ficaram sem fala. Seguiu-se um silêncio triste… Mas felizmente não escutei nenhum comentário posterior sobre aquilo. Nosso querido homem santo também é humano! Assim como todos nós, podemos ter deslizes em nossas atitudes, pois ninguém é perfeito. Todos podemos cometer erros como o que acabamos de ver.

Há uma pequena diferença entre a caridade e a misericórdia: caridade é ajudar de várias formas o nosso irmão, necessitado, ou não. E a misericórdia, é especialmente socorrer o irmão em uma emergência. O que não deixa de ser também uma prática de caridade. Em outras palavras, misericórdia é o ato de socorrer o próximo em suas necessidades vitais, através de ações de caridade.

Este socorro a que prestamos ao nosso irmão pode ser:

1 – ESPIRITUAL: Consolar, orientar, ensinar, confortar na hora do desespero, dar apoio moral, fazer companhia, perguntar se precisa de alguma coisa. Porém, se o nosso socorro se resultar apenas nisso, ele pode transforma-se em uma CARIDADE TEÓRICA. E Jesus quer que amemos o nosso irmão na prática.

2 – CORPORAL: Curar as feridas como o fez o bom samaritano, agasalhar, abrigar, dar remédios, matar a fome e a sede, ajudar o irmão caído a se levantar, ou a se locomover, dar esmolas, etc.

“Quem tiver duas túnicas reparta-a com aquele que não tem, e quem tiver o que comer, faça o mesmo”.

“Quando você der uma esmola a um mendigo, foi a mim que você deu”.

Desse modo, segundo as suas palavras, Jesus está na pessoa do irmão necessitado.

Você quer agradar a Deus?

Então agrade o seu irmão!

Jesus quer misericórdia em vez de sacrifício. Vejam que o bom samaritano foi misericordioso. Nós precisamos nos preparar para merecermos a salvação eterna. E essa preparação deve ser feita não somente com devoções, penitências e orações mais também com obras de caridade. Porque A FÉ SEM OBRAS NÃO VALE NADA. Se fizermos isso, se agirmos assim, estaremos nos despojando do “velho homem” e nos revestindo do “homem novo” merecedor da glória eterna.

A caridade nos faz um grande bem. Ela nos proporciona a alegria e a paz interior, pois nos faz merecedores do PERDÃO DOS NOSSOS PECADOS LEVES, além de nos impulsionar a prática da misericórdia desinteressada e sem almejar retornos. Repare que o samaritano não visou nenhuma recompensa: Votos nas próximas eleições, devolução do dinheiro, ou mesmo de favores daquele pobre homem caído à beira do caminho. Ele simplesmente interrompeu o que ia fazer e ajudou o irmão com toda as suas forças numa doação de si mesmo, pois ficou a noite inteira do lado do desconhecido. Isso é amar o próximo como a nós mesmos.

Assim, o objetivo final de todas as nossas obras de caridade e de misericórdia é o amor a Deus e ao próximo. A meta da nossa caminhada terrena é chegar cada vez mais perto da perfeição. E ao atingirmos este fim, ganharemos o prêmio final e repousaremos em paz.

Eram dois homens, dois vizinhos. Um muito devoto, e outro, boa gente, mas muito desligado. Eis que aconteceu um acidente em frente as casas dos dois. O devoto disse e repetia várias vezes: Coitada da mulher! Meu Deus tem piedade dessas pessoas… Enquanto o outro seu vizinho que não praticava nenhuma religião, sem dizer palavra alguma, liderou a operação resgate daquelas vítimas, ligou para a ambulância, e para polícia, e acompanhou os envolvidos no acidente até o pronto socorro!

Na sua opinião qual dos dois foi o próximo daquelas pessoas acidentadas? Então vai e faça a mesma coisa!

Irmãos e irmãs. Um bom domingo e rezem por nós.

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Ah! por favor. Reze também por mim. Pela minha saúde. Sou paciente terminal. (Coração dilatado, icc.) Minha vida está por um fio. Esse fio é a minha fé, são as orações de muitos amigos, e a graça de Deus que atende a esses pedidos. Desde já meu muito obrigado.

(José Salviano).

(14) – E QUEM É O MEU PRÓXIMO?

A mentalidade jurídica do tempo de Jesus, absorvida pelo legalismo, se havia convertido em uma consciência fria, sem calor humano, a quem não importavam as necessidades nem os direitos do ser humano. Somente se fazia o que permitia a estrutura legal e rejeitava o que a mesma estrutura proibia.

O legalismo imposto pela estrutura religiosa era a norma oficial da moral do povo. Chegou-se a estabelecer, por exemplo, a partir da legalidade religiosa, que a lei do culto estava em primeiro lugar sobre qualquer lei, até mesmo com a lei ao próximo. Isto assombrava e preocupava a Jesus, pois não era possível que em nome de Deus se estabelecessem normas que acabavam desumanizando o povo.

Nesse contexto em que nasceu a parábola do bom samaritano: um homem necessitado de ajuda, caindo no caminho, mais morto que vivo, sem direitos, violentado em sua dignidade de pessoa, é abandonado pelos cumpridores da lei (sacerdotes e levitas), mas é socorrido por um samaritano, considerado ilegal, pois não tinham boas relações com os israelitas.

Jesus fez uma proposta de verdadeira opção pelos direitos desse ser humano caído, condenado pelas estruturas sociais, políticas, econômicas e religiosas que aparecem como excludentes (estruturas que se encarregam de não respeitar os direitos das pessoas e não lhes permite viver em liberdade e autonomia).

Jesus nos diz como a solidariedade é um valor que é preciso colocar em primeiro lugar, não somente em relação à lei do culto, mas também à própria necessidade pessoal, buscando o bem-estar social e comunitário, a defesa dos direitos de tantos e tantas que vivem em situações de falta de solidariedade e de reconhecimento de seus direitos, nos faz pensar na opção por continuar o caminho de compromisso solidário com os irmãos e irmãs que estão caídos no caminho, pelo não reconhecimento de seus direitos.

A parábola não é um jogo de palavras bonitas, mas uma constante interpelação para os nossos dias. Somente Lucas a conserva em seu evangelho. O texto começa com a pergunta de um letrado ou mestre da lei diante do que deve fazer para ganhar a vida eterna. Jesus, por sua vez, devolve a pergunta para que o letrado busque a resposta em sua especialidade, e ele a busca na lei… O letrado, citando de memória Dt 6,5 y Lv 19,18, faz uma síntese do sentado diante dos 613 preceitos e obrigações na conta dos rabinos, para responde em dois que são fundamentais: Amar a Deus e ao próximo… Jesus aprova a resposta…

O letrado interroga novamente, pois no Levítico o próximo é o israelita e no Deuteronômio se reserva o título de irmão unicamente para os israelitas… Jesus, em lugar de discutir e entrar em beco sem saída, não busca propor novas teorias e interpretações diante da lei antiga e sua prática, mas propõe uma parábola como exemplo vivo de quem é o próximo.

Podemos contemplar na parábola dois personagens e tirar daí as consequências do ensino para o dia de hoje: um homem (v. 30) anônimo que é vítima de dois ladrões e cai meio morto no caminho; um samaritano (v. 33) um meio pagão – ou talvez um pagão completo – cujo trato e relação com os judeus era quase um insulto à sua tradição; um sacerdote (v. 31) e um levita (v. 32), a contraposição e a diferença entre os escalões do poder religioso, pois o levita era um clérigo de nível inferior que se ocupava principalmente dos sacrifícios, “testemunhas” de um culto oficial e dos rituais a seguir na religião estabelecida.

A relação entre cada um dos personagens da parábola é diferente: o sacerdote e o levita, diante do homem caído no caminho, não se baseia no plano da necessidade deste último, mas no de inutilidade que apresentaria diante da lei e o desempenho do oficio, prestar qualquer atenção ao homem caído, impediria a estes representantes do culto oficial poder oferecer os sacrifícios agradáveis a Deus.

O samaritano, pelo contrário, não encontra nenhuma barreira para prestar seu serviço desinteressado ao desconhecido que esta caído e ferido, que necessita de ajuda de alguém que passe por esse caminho. O samaritano unicamente sente compaixão pela necessidade desse homem anônimo e se entrega com infinito amor a defender a vida que está ameaçada e despossuída.

Próximo, companheiro, diz Jesus nesta parábola, deve ser para nós, em primeiro lugar o compatriota, porém não somente ele, e sim todo ser humano que necessita de nossa ajuda. O exemplo do samaritano, desprezado, nos mostra que nenhum ser humano está tão longe de nós, para não estar preparados em todo tempo e lugar para arriscar a vida pelo irmão ou a irmã, porque são nosso próximo.

Oração: Graças, Pai, porque não andamos sozinhos pela vida, nem caminhamos à deriva, perdidos na névoa do isolamento ou da solidão que nos empobrece. Tu és presença constante ao nosso lado, presença palpável e sensível eu teu filho feito carne; presença hoje atual mediante tantos samaritanos e samaritanas de amor comprometido que, seguindo as pegadas de Cristo sabem mudar desinteressadamente o caminho de suas vidas para oferecer seus serviços aos necessitados. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

(Claretianos).

(14) – SOLIDARIEDADE E COMPAIXÃO

O Evangelho de hoje fala de solidariedade e compaixão. Ressalta o amor a Deus que só podemos expressar através do amor ao próximo. O amor ao próximo é o filtro que purifica e que complementa o amor que devemos prestar ao nosso Deus.

Ninguém pode dizer que ama a Deus se não ama o seu próximo. Para os judeus, o próximo era o seu parente, seu amigo ou conterrâneo. Os estrangeiros, principalmente os samaritanos, eram excluídos e tratados com descaso.

O mestre da lei teve uma dúvida e perguntou: mas quem é esse próximo a quem devo amar como a mim mesmo, quem é esse meu irmão?

Boa pergunta: quem é esse irmão?

Para Jesus o próximo vai muito além de um amigo, parente ou vizinho. Para Jesus, próximo não está relacionado com distância física nem parentesco, mas sim, com amor. Não é fácil entender e aceitar, mas Jesus ensina que o amor aproxima.

Jesus nos traz uma parábola bastante atual e que tem a finalidade de abrir os nossos olhos. Diariamente vivemos esta passagem. Olhamos com indiferença para as vítimas de assaltantes, vítimas das drogas e do desemprego que nos aparecem feridos, necessitados e sem forças, até mesmo, para pedir socorro.

Jesus fala do samaritano, de sua disponibilidade e da sua preocupação com aquele estranho. Ele não se importou com o fato daquele homem ser um judeu, preocupou-se somente com o essencial, com sua saúde e com o seu bem estar.

Quanto mais falamos desse samaritano, mais aumenta a curiosidade em saber de sua vida. Jesus poderia ter detalhado melhor esse viajante.

Por que não disse seu nome, se era rico ou pobre, branco ou negro?

Nada sabemos de sua vida particular. Será que tinha filhos, esposa, família?

Dúvidas medíocres como essas vivem rondando nossos pensamentos. Diante de um exemplo tão maravilhoso, nos preocupamos mais com os detalhes do que com a essência. Esses detalhes nem passaram pela cabeça do samaritano. Não se preocupou com cor, religião, poder ou raça, simplesmente viu naquele moribundo um irmão.

Que importa saber seu nome?

Importante é saber que ele conhecia muito bem a Lei Divina. Esse sim era um especialista em leis. Mais do que isso, ele conhecia, amava e vivia a Palavra de Deus. Quanto ao sacerdote e ao levita, não podemos dizer que não conheciam o mandamento, mas podemos afirmar que não o colocavam em prática. Não viviam o amor.

Nós podemos saber mais sobre esse ilustre desconhecido através dos bombeiros, enfermeiros, missionários, catequistas, líderes de movimentos sociais e de outros milhares de heróis que arriscam suas vidas para levar vida aos excluídos, aos menores de rua e dependentes químicos. São “samaritanos” que conseguem enxergar um irmão em cada um desses desfigurados.

Quem quiser saber ainda mais sobre o samaritano, basta olhar para Jesus. Em tudo esse samaritano nos lembra o Cristo que, sem perguntar a raça nem religião, sem olhar classe social ou cor, se aproxima da humanidade cambaleante, sofrida, machucada, prestes a morrer e a socorre.

Por amor entregou sua própria vida para salvar, até mesmo, o maior dos pecadores. Neste evangelho Jesus resume que o nosso próximo é aquele que precisa de nós. Jesus diz: “Vai e faz o mesmo, imite o samaritano!” Essa é a ordem para quem quiser ganhar a vida eterna. O amor é o essencial, o mundo precisa dele e milhares de irmãos precisam de nós.

(Jorge Lorente).

(14) – AMAR O PRÓXIMO COM MISERICÓRDIA

Os mestres da lei sempre procuravam confundir Jesus com questionamentos que punham em jogo o cumprimento da Lei de Deus. No entanto, Jesus consciente de que a Lei de Deus é o Amor, ia muito mais além do que era convencional, a fim de fazer com que transparecesse a mensagem evangélica. Jesus então lhes mostrava que amar o próximo é acolher a todos que se aproximam de nós para ajudá-los, e ao mesmo tempo, também envolver-se com aqueles estão necessitados. Na nossa caminhada terrestre, às vezes, nós somos o necessitado, em outras ocasiões, somos nós os bons samaritanos ou os donos da hospedaria. Nunca seremos autossuficientes a ponto de não precisar de ninguém que nos socorra. Em qualquer situação que nos encontremos, como necessitados ou como colaboradores, somos convocados pelo Senhor a amar o próximo como a nós mesmos. Às vezes nós ajudamos as pessoas e as socorremos por obrigação ou a contragosto, no entanto a própria Palavra do Evangelho nos mostra que a misericórdia é a primeira regra para a vivência do amor ao próximo. Por isso, o mestre da lei respondendo à pergunta de Jesus sobre quem seria o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes, confirmou: “é aquele que usou de misericórdia para com ele”. A misericórdia, então, é o sinal para que nós possamos ser “o próximo” de alguém. Agir com misericórdia é fazê-lo por amor a Deus. É acolher a miséria do outro com o amor de Deus e não somente com o nosso amor imperfeito e interesseiro. Reflita:

– Como você costuma agir: como o sacerdote, como o levita, como o samaritano, como o hospedeiro?

– Ou você sempre é aquele que desce de Jerusalém para Jericó, se mete em enrascadas e está sempre precisando que alguém se aproxime de você?

– Você já experimentou ser aquele que está necessitado e espera o socorro de alguém?

– Quando você ajuda alguma pessoa você o faz por amor a Deus e com o amor de Deus?

(Helena Serpa).

(14) – BOM SAMARITANO

Neste 15º domingo do tempo comum, a liturgia nos apresenta a parábola do Bom Samaritano. Muito conhecida de todos e por isso devemos dar uma atenção especial, pois cremos que a Palavra de Deus é viva e assim não podemos deixar que passe em branco o que Deus tem para nós!

Começo falando do homem que descia de Jerusalém para Jericó… ele saia de Jerusalém, do lugar que conhecemos como o coração da experiência de Deus, hoje conhecida como a cidade dos Lugares Santos… e era neste caminho contrário que ele quase morreu. Nós também muitas vezes decidimos sair da “Jerusalém” … ir por outros caminhos, que a princípio são interessantes, mas que aos poucos ou de assalto, nos arranca tudo (até o que não temos mais), nos machuca muito… e ficamos como que mortos pelo caminho, paralisados, sem conseguir ao menos pedir ajuda. E neste estado de vida, ninguém mais quer saber, as pessoas que eram tão próximas, não estão mais ali… olham de longe, quando olham… Aquelas que tiveram tempo de nos convencer a sair de Jerusalém, agora não tem mais tempo ao menos para nos ajudar a se levantar. Mas, Jesus é o Bom Samaritano, que chega perto e nos dá o que é necessário: óleo e vinho… o batismo, a confirmação, a eucaristia… os sacramentos… e ainda nos coloca em um lugar seguro onde há quem cuide de nós: a Santa Igreja… com seus pastores a nos guiar, com os leigos organizados em pastorais prontas para atender as necessidades de cada um (abro esse parênteses para encorajar as pessoas que lutam em suas pastorais ou grupos de oração, pois o Senhor nos confiou os seus e disse: ‘Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais’ … então podemos confiar nesta Palavra e bem continuar nossa missão).

E a ordem de Jesus é claríssima: ‘Vai e faze a mesma coisa’. Como Ele, devemos também nos colocar à disposição… colocar nossas mãos a serviço dos que necessitam… conhecendo a lei, vive-la sem medo! Li um texto (não me lembro o nome do autor) que falava da passagem que está na primeira leitura deste domingo – Dt 30,10-14 (que o Deus de Israel e um Deus próximo de nós ao extremo, tanto que sua Palavra esta na nossa boca e no nosso coração), ele lembra que do coração à mão, o caminho apesar de ser curto, nos deixa muitas questões: “que devo fazer?”; “quem é o meu próximo?” … e Jesus aproxima a mão do coração, pois Ele cobre o abismo entre a palavra e o agir… com seu exemplo de vida Ele vem reconciliar o coração e a mão… pois um não pode viver sem outro…

Se fazemos parte do corpo de Cristo que é a Igreja, devemos ser esta mão que se estende ao outro… disponível, como o próprio Jesus sempre está!

Rezemos sempre para que o Espirito Santo nos ajude a seguirmos a ordem de Jesus: “Vai e faze a mesma coisa”.

Gloria ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!

(Michele da Silva).

(14) – QUE DEVO FAZER PARA RECEBER A VIDA?

A Palavra de Deus proposta neste domingo é surpreendente. Tudo começa com uma pergunta que, apesar de mal intencionada, é válida, necessária, sempre urgente; pergunta que brota do mais profundo da nossa angústia: “Que devo fazer para receber a vida? Como devo viver para viver de verdade, para que minha vida valha a pena e não seja uma paixão inútil?”

Apesar de um mundo que procura nos distrair dessa pergunta, não há como sufocá-la, como fazer de conta que ela não perturba nosso coração!

Pelo amor de Deus, responda o mundo tão animado e cheio de distrações: onde está a felicidade duradoura?

Onde está a vida, a realização da existência?

Que caminho seguir, para ser feliz de verdade?

Jesus indica o caminho: “O que está escrito na Torah? Como lês?”

– Aqui, há algo importantíssimo. Jesus está falando com um escriba judeu; por isso, manda-o à Lei de Moisés. Uma coisa ele quer deixar clara: a vida não está no homem, mas na vontade de Deus! O homem somente será feliz, somente encontrará a vida se procurar lealmente a vontade de Deus. Por isso, no salmo 118, o Salmista pede, de modo comovente: “Sou apenas peregrino sobre a terra; de mim não oculteis vossos preceitos!” Perder de vista o projeto de Deus para nós, é perder de vista a própria vida, o sentido da existência! Não esqueçamos, para não sermos enganados: fechados para a vontade do Senhor, não encontraremos a realização verdadeira! E este é o drama do mundo atual, que se julga maior de idade e, portanto, independente de Deus. Na verdade, é um mundo ateu, porque é um mundo autossuficiente, que só confia de verdade na sua filosofia, na sua tecnologia, na sua racionalidade pagã e na sua moral fechada para o Infinito!

Ao invés, Jesus nos força a abrir o coração para o Alto, para o Altíssimo; convida-nos a respirar fundo o ar novo e puro, que brota das narinas de Deus e dá novo alento ao ser humano cansado e envelhecido pelo pecado! “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência”. Esta abertura para Deus dilata e realiza o coração humano, que foi criado para dar e receber amor, amor na relação com Deus, que desemboca, generoso, no amor em relação aos outros: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. – “Faze isto e viverás!” Os filósofos ateus dos séculos XIX e XX – de Feuerbach a Sartre – gostavam de insistir que Deus escraviza o homem, desumaniza a humanidade, impedindo-a de ser ela própria, de ser feliz. É mentira! É um triste mal-entendido! A verdadeira abertura para Deus nos faz crescer, nos faz superar nossos estreitos limites, nos lança de verdade em relação a Deus e nos compromete com os outros! Os mandamentos de Deus realizam o mais profundo anseio do nosso coração, que é a vida: “Converte-te ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma! Na verdade, o mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance!” O próprio Deus – acreditem – nos deu o desejo e a capacidade de amar ao nos criar à sua imagem!

Jesus insiste ainda em algo muito importante: nossa relação com Deus, se é verdadeira, deve abrir-nos aos irmãos: “Quem é o meu próximo?”

– A resposta de Jesus é clara: nosso próximo são aqueles que a vida fez próximos de nós. Nosso próximo são os próximos! Ou os amamos de verdade, ou não há próximo para amar. O próximo viraria uma ideia abstrata e sem valor algum. Não esqueçamos: o próximo tem rosto, tem cheiro, tem problemas e, às vezes, nos incomoda, nos atrapalha, nos desafia, nos causa raiva e contradição. É a este próximo, concreto como uma rocha, que eu devo amar! Mas, atenção: um judeu deve amar o próximo como a si mesmo: é isto que está escrito na Lei. Um cristão, não! Ele deve amar o próximo como Jesus: até dar a vida: “Amai-vos como eu vos amei. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, façais vós também!” (Jo 13,34.15).

Recordemos que o próprio Senhor nos deu o exemplo; ele mesmo se fez próximo de nós: sendo Deus se fez homem, veio viver a nossa aventura, partilhar a nossa sorte, para nos dar a sua vida: “Cristo é a imagem do Deus invisível… porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude”. Ele não viu nossa miséria de longe, não nos amou à distância: desceu e veio viver a nossa vida, fazendo-se Deus-conosco! Por isso, ele é o verdadeiro Bom Samaritano, o verdadeiro modelo daquele que “se faz próximo” do próximo: viu-nos à margem do caminho da vida; viu-nos roubados e despojados de nossa dignidade de imagem de Deus; viu-nos totalmente perdidos… Ele se compadeceu de nós, desceu à nossa miséria, fez-se homem, para nos curar e elevar. Nele, se revela a plenitude do amor a Deus e aos outros: “Deus quis por ele reconciliar consigo todos os seres que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz”. Então, somente em Cristo, encontramos a vida verdadeira e a realização pela qual tanto almejamos. Só ele nos reconcilia com Deus e no abre uns para os outros, aproximando-nos no seu amor!

Quando os cristãos não conseguem viver isso, quando não conseguem deixar que essa realidade maravilhosa transpareça, é porque estão sendo infiéis, estão sendo uma caricatura de discípulos do Senhor Jesus. Que responsabilidade a nossa!

Saiamos daqui, hoje, com essa pergunta: quem são os meus próximos?

Que tenho feito com eles?

Pensemos em Jesus que veio ser próximo, e ainda se faz próximo hoje, em cada Eucaristia. Pensemos nele: “Vai, tu também, e faze o mesmo!”

(Dom Henrique Soares da Costa).

(14) – O MANDAMENTO QUE CONDUZ À VIDA ETERNA

A liturgia deste domingo nos confronta com o ensinamento de Jesus sobre o amor fraterno, supremo mandamento da vida cristã. Trata-se do ponto fulcral da prática cristã. As leituras apresentam dois aspectos principais: o que é amar e a quem se dirige nosso amor? As duas perguntas fundem-se numa só compreensão: quem ama descobre logo a quem amar. Como lema, que pode ser repetido na homilia e nos comentários, sugerimos: “Torne-se próximo de seu irmão necessitado”, ou a sabedoria popular: “A melhor maneira de ter amigos é ser amigo”.

1º leitura (Dt. 30,10-14)

A primeira leitura funciona como verdadeira abertura solene para a liturgia da Palavra. O livro mais imponente da Torá, o Deuteronômio, ensina-nos que o mandamento de Deus não está fora de nosso alcance. Deus fez de Israel seu povo, não por este ser importante, mas por amor e fidelidade à sua promessa (Dt. 7,7-8). O amor de Deus por Israel não tem explicação, mas tem consequências: Israel deve amar a Deus com todas as suas forças (Dt. 6,4-5). Deve escutar sua voz e não se afastar de suas orientações; e, quando se afasta, deve “voltar”, converter-se (30,10). E, se o povo diz que a Lei é difícil, Deus responde que não: não é coisa de outro mundo. Está perto, ao alcance de quem o ama (30,11-14; cf. Jr. 31,33; Br. 3,15-29; Rm. 10,6-8).

Hoje importa redescobrir que lei e mandamentos não são coisas do passado, inimigas da liberdade moderna. O termo que traduzimos por lei (torah) deveria, na realidade, ser traduzido como ensinamento, instrução. É uma sabedoria (cf. Sl 19 e Sl 119). Ora, um bom conselho vale mais do que ouro. Para os teólogos que redigiram o livro do Deuteronômio (no século VIII-VI a.C.), a Lei de Moisés era inigualável tesouro de sabedoria, um rumo seguro para a vida, em todas as circunstâncias. Para tê-la sempre diante dos olhos, deviam colocá-la numa faixa amarrada na testa (Dt 6,8; cf. Ex 13,9 etc.). Os “deuteronomistas” enfrentavam um tempo de afrouxamento em Israel, mais ou menos como nós, hoje. A quem achava difíceis as orientações de Deus, respondiam: “Não é verdade. A Lei não é coisa do outro mundo, ninguém a precisa procurar no céu ou no inferno, ela está perto de ti”. Dificilmente poderia estar mais perto do que naquela faixa na testa. Mas não é só por meio dessa faixa que ela pode estar perto. Ela é uma palavra viva, lembrada continuamente pelos próprios profetas, que viviam no meio do povo. E em Cristo ela se torna mais perto do que nunca.

Evangelho (Lc. 10,25-37)

No evangelho, ouvimos o ensinamento do grande mandamento do amor e a parábola do bom samaritano. O trecho faz parte de um conjunto do Evangelho de Lucas (Lc. 10,26-11,13) que apresenta três exigências fundamentais do ser cristão:

1) o “grande mandamento” do amor a Deus e ao próximo (10,25-37);

2) o “único necessário” (10,38-42);

3) a “oração por excelência” (11,1-13). O “grande mandamento” responde à pergunta pelo caminho da vida eterna: amar a Deus e o próximo. Defrontamo-nos com um especialista da Lei que procurava, em meio à multidão de prescrições, saber o que devia fazer para “herdar a vida eterna”, a vida da era vindoura, do reino que Deus estabeleceria no mundo para sempre (pois era assim que se concebia a vida eterna) (Lc 10,25-28; cf. Mt 22,35-40; Mc 12,28-31). Jesus o remete à Lei ensinada por Moisés. Pergunta o que aí se encontra. O escriba responde: amar a Deus acima de tudo (cf. Dt. 6,5) e o próximo como a si mesmo (cf. Lv. 19,18). “É isso mesmo que deves fazer”, responde Jesus. Novamente: não é coisa de outro mundo!

Depois, porém, o escriba pergunta quem é seu próximo. A resposta de Jesus revoluciona suas categorias: o próximo não é um arbitrário “objeto de caridade”; é todo homem, desde que eu me torne próximo dele. Todos nós estamos de acordo em que devemos amar nosso próximo. Mas quem é ele? Minha velha tia rica, prestes a ceder sua herança, ou meu empregado, com cuja família nada tenho que ver? Visto que argumentar não adianta, Jesus conta uma história. Um homem cai nas mãos de ladrões. Passa um sacerdote, mas não tem tempo para parar, pois deve celebrar um sacrifício. Passa um especialista das leis de pureza (um levita): este tem medo de sujar as mãos com o sangue do homem que ficou semimorto na beira da estrada. Passa, depois, um inimigo, um samaritano, talvez um comerciante concorrente do homem que foi assaltado. E esse samaritano, inimigo dos judeus, cuida do homem à sua própria custa. Nesse ponto da narrativa, Jesus pergunta não quem é o próximo a quem se devem fazer obras caritativas, mas quem é o próximo do homem que foi assaltado. A inversão da pergunta é significativa, porque o especialista da Lei é obrigado a responder que um vil samaritano é o próximo de um judeu assaltado. Para todos nós, isso significa: eu sou próximo de quem encontro no meu caminho, sou chamado a ser solidário com ele, a me tornar próximo dele.

Ao analisar o texto, aparecem detalhes mais significativos ainda. O samaritano “comiserou-se”, “aproximou-se”: uma linguagem que poderia ser aplicada ao próprio Deus. Deus comiserou-se do ser humano, tornou-se próximo dele e salvou-o à sua própria custa: custou a vida de seu Filho. O próximo, “aquele que se comiserou do homem” (Lc. 10,37), é Deus mesmo. “Vai e então faze a mesma coisa”, e já não precisarás perguntar quem é teu próximo. E terás a vida eterna, porque desde já estarás vivendo a vida de Deus mesmo.

Gostamos de escolher nossos próximos. Está errado. Somos próximos de quem encontramos. Deus nos colocou perto deles para os tratarmos com o mesmo amor gratuito que ele nos dedica.

2º leitura (Cl. 1,15-20)

A segunda leitura apresenta o belo hino cristológico da carta aos Colossenses. Essa carta dá uma resposta à introdução de doutrinas falsas na comunidade. Alguns ensinam que, além de Cristo, se devem venerar outros seres transcendentes, “espíritos” etc. É difícil ser livre! Por isso, Paulo realça o lugar central exclusivo de Cristo. Ele nos redimiu, dando a sua vida até a morte. Só compreenderemos bem isso quando formos conscientes de que Cristo é também o criador, com o Pai. Ele assume nossa vida e nosso mundo não por fora, mas por dentro. No íntimo do ser homem, ele vive a plenitude de ser Deus. Quando todos chegarem a essa plenitude, a criação estará completa.

Esse hino é uma das obras-primas do Novo Testamento. A ideia principal é a unidade da ordem da criação e da redenção, em Cristo. Ele é a cabeça da redenção, assumindo a todos na sua glória, porque é também a cabeça da criação. O hino expressa isso em termos que lembram fortemente o prólogo de João (Jo 1,1-18) e os textos que falam da Sabedoria como hipóstase unida a Deus desde antes da criação do mundo (Pr. 8,22-36; Eclo. 24; Sb. 7). O hino combina a figura da Sabedoria que preside à criação, identificada a Cristo, com aquela outra imagem paulina de Cristo, cabeça da Igreja, que é seu corpo. No pensamento bíblico, todo o corpo participa da realidade de seu princípio vital (no caso, a cabeça). No sacrifício e na glória de Cristo, assume-se todo o universo na reconciliação com Deus. A “plenitude” (termo helenístico-gnóstico, indicando o “uno”, ou seja, o ser perfeito) mora nele: a plenitude de Deus, englobando todos os seus filhos.

Esse texto pode ser interpretado como elo entre as duas outras leituras, neste sentido: o amor a Deus e a seu ensinamento (primeira leitura) encontra sua plenitude na fé que se concentra em Cristo e sua palavra, proclamada no evangelho. (Um texto que melhor combinaria com o tema da primeira leitura e do evangelho seria, por exemplo, Tg 1,21-25, sobre ouvir e praticar a palavra.)

PISTAS PARA REFLEXÃO

Amor ao próximo e solidariedade

Os profetas de Israel teceram os mais sublimes elogios à Lei, ou melhor, ao ensinamento (torah) de Deus. Era um caminho de vida. Mesmo assim, havia quem achasse a Lei complicada e procurasse um resumo ou pelo menos um mandamento-chave que, por assim dizer, a resumisse. Essa questão foi apresentada também a Jesus, e ele deu, sem hesitar, a resposta. Menciona o mandamento que todo judeu recita diariamente na oração do “Shemá Israel” (Dt. 6,4-5) – “Amar a Deus com todas as forças” – e acrescenta: “e ao próximo como a si mesmo” (como está em Lv. 19,18.35). Esses dois mandamentos são inseparáveis, pois o amor ao próximo é o dever número um de quem ama a Deus. Paulo (Gl. 5,13) e Tiago (Tg. 2,8) resumem toda a moral cristã nesse único mandamento. João nos diz ser impossível amar a Deus sem amar o irmão (1Jo 4,21). Não se pode amar o Pai sem amar os filhos.

Mas o que é amar?

E quem são nossos próximos?

Os judeus consideravam como “próximos”, isto é, como candidatos à sua solidariedade, os membros da comunidade judaica e os estrangeiros residentes que viviam em seu meio (e cooperavam com eles): a esses era preciso “amá-los como a si mesmo” (Lv. 19,18.35). No caso dos inimigos, sobretudo dos samaritanos, a esses não se devia amar, pelo contrário (cf. Mt. 5,43). Ora, exatamente um samaritano se torna solidário com um judeu jogado à beira da estrada, depois que dois ilustres “próximos” judeus, um sacerdote e um levita, deram uma volta para não se incomodar com o compatriota assaltado…

Jesus não respondeu diretamente à pergunta do mestre da Lei: “Quem é o meu próximo?”. Ele respondeu por meio de uma parábola, porque a questão não é descobrir, teoricamente, quem é e quem não é próximo. A parábola insere o ouvinte numa nova situação prática, existencial. Coração generoso se torna próximo de qualquer um que precisa; a melhor maneira de ter amigos é ser amigo; a melhor maneira de encontrar o próximo é tornar-se próximo, aproximar-se. A questão não é teórica, mas prática. Ora, nós, na prática, esquecemos a parábola de Jesus e fazemos como o sacerdote e o levita: afastamo-nos do necessitado – mesmo se pertence à nossa comunidade! – e não “nos aproximamos” dele. Tornar-se próximo é ser solidário.

Será que somos solidários com os que vivem na margem da estrada de nossa sociedade?

Mesmo quando damos uma esmola a um coitado, não é para nos desviarmos dele?

“Vai e faze a mesma coisa”, diz Jesus. Imitar o samaritano exige solidariedade, assumir a vida do outro, não livrar-se dele. Torná-lo um irmão, pois esse é o sentido verdadeiro da palavra “próximo”.

Como fica essa solidariedade neste tempo em que a doutrina da competição, do lucro e do proveito ilimitado solapou o tecido social, as relações de gratuidade entre as pessoas?

(Pe. Johan Konings).

(14) – HÁ COISAS IMPORTANTES, URGENTES E INADIÁVEIS

Na vida há coisas que não podem ser agendadas para mais tarde. Há o bem que pode ser feito um pouco mais adiante. Mas há aquele que precisa executada com toda presteza. O homem fortes sintomas de infarto, a barreia que está para cair, o menino que está no berço da casa em chamas… Eis algumas situações em que a ajuda não pode ser postergada…

É uma história relatada por Lucas no evangelho hoje proclamado foi inventada por Jesus. A parábola de um samaritano tido como bom, especialmente bom.

Viajantes e viandantes caminhavam de um lado para o outro. Meio apressadamente. Afinal de contas todos tinham coisas urgentes a fazer. Temos roupa para lavar, mudas para plantar, viagens a organizar, cuidados a prestar aos nossos familiares… Afinal de contas, ninguém é de ferro… Um sacerdote e um levita, ocupados com as coisas do culto, não puderam dar atenção ao homem que estava jogado à beira da estrada. O pobre ser estava completamente sem condições de socorrer-se a si mesmo. Tinha sido barbaramente atacado por ladrões. Sem auxilio imediato morreria. O samaritano parou, avaliou as condições do homem, as feridas, o sangue perdido. Experimenta um sentimento de compaixão, sofre com … coloca o homem em sua montaria, leva para uma hospedaria e se compromete a pagar o que for necessário gastar com ele…Usa de misericórdia. Assim está explicado o sentido de quem é o próximo de cada um… Próximo é aquele que aqui e agora mais precisa de mim…

Há esses próximos mais próximos. Há esse amor e carinho para o cônjuge desanimado, desalentado, doente, fraco, fragilizado. Há essas atenções a serem prestadas pelos pais aos filhos ao longo de sua vida mormente quando os filhos são crianças ou atravessam as plagas delicadas da adolescência, quando precisam ser recolhidos a um hospital devido a uma overdose de drogas. Há também esses próximos mais distantes. Vejo idosos e pessoas mais jovens que estão na fila de um laboratório de análises clínicas… meio jogados à beira da estrada… esperando no frio que a porta se abra…. Há essas pobres pessoas nos presídios, cumprindo pena merecida, estragados como seres humanos precisando do amor de pessoas que as façam sentir-se gente. Há essas pessoas… essas tantas pessoas que precisam comer, curar a ressaca de uma bebedeira, trocar uma roupa suja…Tudo nos faz refletir sobre esses que são nossos próximos.

E Jesus perguntou: “Na tua opinião, meu caro mestre da lei, então qual dos três que passaram perto do homem jogado à beira da estrada foi próximo de um delas. Certamente aquele que usou de misericórdia. Tu farás o mesmo…”.

(Frei Almir Ribeiro Guimarães).

(14) – BOM SAMARITANO

No meio da multidão, um especialista em leis se levanta e questiona Jesus a fim de saber como conseguir a vida eterna. Ele não tem boas intenções, e a sua pergunta não tem o intuito de aprendizado e, sim, colocar Jesus em apuros, em uma armadilha. O homem julga Jesus por achar que Ele não é fiel aos seiscentos e treze mandamentos prescritos pelo judaísmo. Jesus, no entanto, sabendo que muito se discutia sobre qual seria o principal destes mandamentos que norteava todos os outros, responde à pergunta com uma outra, pois o que está em questão, não é querer saber, mas saber fazer.

A resposta dada pelo especialista é correta, ele demonstra que na teoria conhece muito bem as leis e sabe que o principal mandamento naquele tempo, assim como nos dias de hoje, é o mandamento do amor. Nota-se que o verbo amar é conjugado no mesmo tempo para o amor a Deus – “Ame o Senhor seu Deus”, e para o amor ao próximo – “Ame o seu próximo como você ama a você mesmo”, demonstrando com isso que, andam juntos, e não é possível amar verdadeiramente um sem dedicar o mesmo sentimento ao outro. E podemos perceber ainda que, o amor ao próximo tem a mesma intensidade que o amor a si mesmo, e que para isso é preciso ser misericordioso como o Pai, e a misericórdia não precisa de um código de leis para se manifestar.

O especialista em leis, então, tentando demarcar as fronteiras desse amor, levanta outra questão discutida desde aquela época até os nossos dias: “quem é o meu próximo?”. Mas, Jesus ao invés de uma resposta direta, conta-lhe uma parábola para que ele mesmo possa encontrar a resposta ao seu questionamento.

Na parábola, tudo leva a crer que o homem, vítima de assalto, seja um judeu e está quase morto. O sacerdote e o levita, amparados nas fronteiras a eles convenientes no momento, para definir seu próximo, ignoram aquele homem que precisa de ajuda. O samaritano, por sua vez, mesmo sendo inimigo tradicional dos judeus, não pergunta àquele homem qual é a sua origem, e enxerga, naquele momento, apenas alguém que precisa de ajuda. E, sem discriminação ou preconceito, se compadece da dor dele, praticando verdadeiramente o mandamento do amor. O samaritano não apenas trata-lhe as feridas, mas o leva a uma pensão onde passa a noite cuidando dele, deixando-o no dia seguinte aos cuidados do dono da pensão, e custeando todas as despesas. Ele vê, no seu pior inimigo, o próximo mais próximo e se solidariza com a sua dor. Aí, ele encontrou Deus e a verdadeira religião. Descrevendo detalhadamente a ação do samaritano, Jesus demonstra que o verdadeiro amor é responsável, e não tem limites, e depende somente da necessidade do outro.

É da natureza humana escolher seu próximo, de forma que amá-lo seja mais fácil e confortável, mas, o amor a que Jesus se refere nesta parábola é mais profundo e verdadeiro, pois é de total doação a seus ensinamentos. Deus teve compaixão da humanidade ao entregar seu próprio filho para salvá-la, e a humanidade, por sua vez, precisa praticar essa compaixão entre si. Essa é a verdadeira prática do amor ao próximo.

O parábola traduz a verdadeira caridade, que é o amor gratuito, que se encontra nas atitudes do homem samaritano, pois, para o ladrão, o que é do outro pode ser dele também; para o sacerdote e para o levita, o que é deles é somente deles mesmos; e para o samaritano, o que é dele é também do outro.

A messe é grande se olharmos o mundo como um todo, mas poucos são os operários dispostos a trabalhar neste mundo. O mundo é, por vezes, árido, difícil, desconfortável. É sem dúvida mais agradável ficar no altar envolvido pelo perfume do incenso. A rua é penosa e perigosa. Foi na beira da estrada que o samaritano encontrou um homem semimorto atacado por salteadores. Foi também na rua que Jesus encontrou um pai aflito com um filho à beira da morte.

O discípulo missionário tem seu campo de ação na rua e nas estradas, isto é, em todos os lugares onde as pessoas se encontram de forma espontânea e natural. O primeiro lugar é o ambiente de trabalho. São Paulo iniciou a evangelização de Corinto na sua loja de confecções e consertos num shopping center da época. Lá, trabalhando, ele entrava em contato com as pessoas de forma natural. Ele não ficou esperando que as pessoas o procurassem. Enquanto missionário de Jesus Cristo, inseriu-se nos lugares onde podia encontrar pessoas na sua vida normal.

A própria escolha de Corinto obedeceu à mesma estratégia. Em Corinto se concentravam trabalhadores, comerciantes e viajantes. Quantos de nós estamos por vezes limitados a espaços geográficos carentes de pessoas e sem significado estratégico. O mundo é ágil e móvel. Nós, às vezes, somos lentos e presos em imóveis. Se esta é a sorte de ministros ordenados, não deveria ser a dos fiéis leigos. O templo pode ser um lugar de abastecimentos, mas o lugar da ação e do testemunho é o mundo no qual passam a maior parte das horas de suas vidas.

O bom samaritano não estava passeando. Deu uma parte de seu tempo e de seu dinheiro em favor de alguém maltratado, e seguiu adiante para cuidar de suas tarefas comprometendo-se a voltar. Em termos humanos, tudo isso demanda tempo, dedicação, gastos, e pede também uma pessoa que não esteja presa em estruturas, mas solta nos contatos da vida que não se programam. Segundo a expressão de são Paulo aos colossenses, Deus se encarna em seu próprio Verbo para reconciliar consigo todos os seres realizando a paz. A encarnação é a vocação primeira da Igreja de Jesus.

A encarnação se dá também em nós, quando a Palavra está em nós e se torna a nossa força propulsora de ação. Dessa forma, a presença cristã no meio do mundo e junto a pessoas concretas em suas necessidades não é apenas uma presença a mais, fraca e limitada, mas é uma presença transformadora pela energia do Ressuscitado. A presença cristã é cheia da energia do Ressuscitado, que contagia o ambiente humano em que se encontra e se revela nas ações, mesmo pequenas.

O sacerdote e o levita da parábola eram judeus, o samaritano, não. São Lucas, ao relatar o início da viagem de Jesus para Jerusalém conta como Tiago e João queriam fazer descer fogo do céu contra os samaritanos que não se dispuseram a receber Jesus. Esta etapa da viagem termina com a parábola do bom samaritano, talvez para nos dizer que é preciso olharmos com profundidade para perceber neste mundo quem de fato “observa os mandamentos e os preceitos que estão escritos na Lei”. Os samaritanos podiam não saber quem era de fato Jesus, mas não teriam desculpas se não socorressem o homem da estrada.

(Cônego Celso Pedro da Silva).

(14) – REFLEXÃO

1º leitura: Dt. 30,10-14 – AMBIENTE

O livro do Deuteronômio é fruto da reflexão e da catequese dos teólogos do Reino do Norte (Israel), preocupados em lembrar ao Povo os compromissos assumidos no âmbito da “aliança”; mas apresenta-se, literariamente, como um conjunto de discursos de Moisés, uma espécie de testamento espiritual que Moisés teria pronunciado antes da sua morte, na planície de Moab, na altura em que os hebreus se preparavam para renovar a “aliança”, antes de entrar na “Terra Prometida”.

O texto que hoje nos é proposto é a parte final do terceiro discurso de Moisés (cf. Dt. 29-30). Na realidade, trata-se de uma homilia dos teólogos deuteronomistas, redigida na fase final do exílio da Babilônia, alertando a comunidade do Povo de Deus para as consequências da fidelidade ou da infidelidade face aos compromissos assumidos para com Jahwéh.

MENSAGEM

Fundamentalmente, estamos diante de um convite a aderir com todo o coração e com todo o ser às propostas e aos mandamentos de Deus (v. 10).

No entanto, perguntavam os exilados, como encontrar o caminho e descobrir o que Deus propõe?

Como é que se descobre o que Deus quer de nós, de forma a que não voltemos, nunca mais, a cair na escravidão?

Os teólogos deuteronomistas estão convencidos de que não é necessário procurar muito longe: nem no céu (v. 12), nem no mar (v. 13), nem em qualquer outro lugar inacessível ao homem comum. O caminho que Deus propõe não é um caminho escondido, misterioso, revelado só aos iniciados ou iluminados; mas é um caminho que está claramente inscrito no coração e na consciência de cada homem (v. 14).

A mensagem aqui apresentada pelos catequistas deuteronomistas diz-nos, portanto, o seguinte: para perceber o projeto de salvação, de liberdade e de felicidade que Deus tem para os homens, basta olhar para o nosso coração e para a nossa consciência; é aí que Deus nos fala e é aí que nós escutamos as suas propostas e as suas indicações. Resta-nos estar disponíveis para escutar e para perceber – no meio das contraindicações que as nossas paixões nos apresentam – as sugestões, os apelos, os desafios de Deus.

ATUALIZAÇÃO

• O convite a aderir com todo o coração e com todo o ser às propostas de Deus leva-nos a questionar a qualidade da nossa adesão. Não pode ser uma adesão a meio gás ou a tempo parcial – de acordo com os nossos interesses; mas tem de ser uma adesão total, completa, plenamente empenhada, a “fundo perdido”.

É desta forma radical e total que aderimos aos projetos de Deus, ou a nossa adesão é “morna”, incompleta, limitada, reticente?

• Encontramos espaço e disponibilidade para interrogar o nosso coração e para escutar o Deus que fala, que Se revela, que nos desafia e questiona?

• Pode acontecer que os nossos interesses egoístas, as nossas ambições, as nossas paixões, os nossos esquemas e projetos pessoais abafem a voz de Deus e nos impeçam de escutar as suas propostas. Quais são, para mim, essas outras “vozes” que calam a voz de Deus? Que lugar ocupam elas na minha vida? Em que medida elas contribuem para definir o sentido essencial da minha existência?

2º leitura: Cl. 1,15-20 – AMBIENTE

Colossos era uma cidade da Frígia (Ásia Menor), situada a cerca de 200 quilômetros a Este de Éfeso. A comunidade cristã dessa cidade não foi fundada por Paulo mas por Epafras, discípulo de Paulo e colossense de origem (cf. Cl. 4,12).

Paulo escreveu aos Colossenses da prisão (provavelmente, de Roma). Estaríamos entre os anos 61 e 63. Epafras visitou Paulo e levou ao apóstolo notícias alarmantes… Alguns “doutores” locais (talvez membros de um movimento de índole sincretista, que misturava cristianismo com cultos mistéricos em voga no mundo helenista e com elementos religiosos de várias origens) ensinavam aos Colossenses que a fé em Cristo devia ser completada por rígidas práticas ascéticas, por ritos legalistas judaicos, por prescrições sobre os alimentos (cf. Cl. 2,16.21), pela observância de determinadas festas (cf. Cl. 2,16) e por especulações acerca dos anjos (cf. Cl. 2,18). Na opinião desses “doutores”, tudo isto devia comunicar aos crentes um conhecimento superior dos mistérios e uma maior perfeição.

Paulo desmonta toda esta confusão doutrinal e afirma que nenhum destes elementos tem qualquer importância para a salvação: Cristo basta.

O texto que hoje nos é proposto é um hino de duas estrofes, que provavelmente Paulo tomou da liturgia cristã primitiva, mas que está perfeitamente integrado no conteúdo geral da carta. Este hino cristão de inspiração sapiencial celebra a supremacia absoluta de Cristo na criação e na redenção.

MENSAGEM

A primeira estrofe deste hino (vs. 15-17) afirma e celebra a soberania e o poder de Cristo sobre toda a criação.

A primeira afirmação é a de que Cristo é a “imagem de Deus invisível”. Dizer que é “imagem” significa aqui que Ele é em tudo igual ao Pai, no ser e no agir, pois n’Ele reside a plenitude da divindade. Significa que Deus, espiritual e transcendente, Se revela aos homens e Se faz visível através da humanidade de Cristo.

A segunda afirmação é que Ele é o “primogênito de toda a criatura”. No contexto familiar judaico, o “primogênito” era o herdeiro principal, que tinha a primazia em dignidade e em autoridade sobre os seus irmãos. Aplicado a Cristo, significa a supremacia e a autoridade de Cristo sobre toda a criação.

A terceira afirmação é a de que “n’Ele, por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas”. Tal significa que todas as coisas têm n’Ele o seu centro supremo de unidade, de coesão, de harmonia (“n’Ele”); que é Ele que comunica a vida do Pai (“por Ele”); e que Cristo é o termo e a finalidade de toda a criação (“para Ele”). Ao mencionar expressamente que os “tronos, dominações, principados e potestades” estão incluídos na soberania de Cristo, Paulo desmonta as especulações dos “doutores” Colossenses acerca dos poderes angélicos, considerados em paralelo com o poder de Cristo.

A segunda estrofe (vs. 18-20) afirma e celebra a soberania e o poder de Cristo na redenção.

A primeira afirmação é a de que Ele é a “cabeça do corpo que é a Igreja”. A expressão significa, em primeiro lugar, que Cristo tem a primazia e a soberania sobre a comunidade cristã; mas significa, também, que é Ele quem comunica a vida aos membros do corpo e que os une num conjunto vital e harmônico.

A segunda afirmação é a de que Ele é o “princípio, o primogênito de entre os mortos”. Significa que Ele, não só foi o primeiro que ressuscitou, mas também que Ele é a fonte de vida que vai provocar a nossa própria ressurreição.

A terceira afirmação é de que n’Ele reside “toda a plenitude”. Significa que n’Ele e só n’Ele habita, efetiva e essencialmente, a divindade: tudo o que Deus nos quer comunicar, a fim de nos inserir na sua família, está em Cristo. Por isso, o autor deste hino pode dizer que por Cristo foram reconciliadas com Deus todas as criaturas na terra e nos céus: por Cristo a criação inteira, marcada pelo pecado, recebeu a oferta da salvação e pôde voltar a inserir-se na família de Deus.

ATUALIZAÇÃO

• Um dado fundamental da vida cristã é a consciência desta centralidade de Cristo na nossa experiência e na nossa existência. No entanto, a religião de tantos dos nossos cristãos centraliza-se, tantas vezes, em coisas secundárias… Cristo é, efetivamente, a referência fundamental à volta da qual a nossa vida se articula e se constrói? Ele tem a primazia na nossa vida? É Ele que está no centro dos interesses e da vida das nossas comunidades cristãs ou religiosas? Há outros deuses, ou poderes, ou “santos” em quem centramos os nossos interesses e que nos desviam de Cristo?

• Para muitos dos nossos contemporâneos, Jesus não é uma referência fundamental. Quando muito, foi um homem bom, que deu a vida por um sonho, um visionário, um idealista, que a história se encarregou de digerir e que hoje é, apenas, uma peça de museu; por isso, não tem qualquer espaço nas suas vidas. Como podemos testemunhar a nossa convicção de que Ele é o centro da história e de que Ele está no princípio e no fim da história da salvação?

Evangelho: Lc. 10,25-37 – AMBIENTE

Continuamos “a caminho de Jerusalém” – quer dizer, continuamos a percorrer esse percurso espiritual, durante o qual Jesus prepara os discípulos para serem as testemunhas do Reino, após a sua partida deste mundo. É neste contexto “pedagógico” que vai aparecer a “parábola do bom samaritano”.

Para percebermos cabalmente o que está aqui em jogo, convém também ter presente o quadro da relação entre judeus e samaritanos. Trata-se de dois grupos que as vicissitudes históricas tinham separado e cujas relações eram, no tempo de Jesus, bastante conflituosas.

Historicamente, a divisão começou quando, em 721 a.C., a Samaria foi tomada pelos assírios e foi deportada cerca de 4% da sua população; na Samaria instalaram-se colonos assírios que se misturaram com a população local; para os judeus, os habitantes da Samaria começaram, então, a paganizar-se (cf. 2 Re. 17,29). A relação entre as duas comunidades deteriorou-se ainda mais quando, após o regresso do exílio, os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos (cf. Esd. 4,1-5) para a reconstrução do templo de Jerusalém (ano 437) e denunciaram os casamentos mistos; tiveram, então, que enfrentar a oposição dos samaritanos na reconstrução da cidade (cf. Ne. 3,33-4,17). No ano de 333 a.C., novo elemento de separação: os samaritanos construíram um templo no monte Garizim; no entanto, esse templo foi destruído em 128 a.C. por João Hircano. Mais tarde, as picardias continuaram: a mais famosa aconteceu já na época de Cristo (alguns anos depois do nascimento de Cristo), quando os samaritanos profanaram com ossos o templo de Jerusalém.

Os judeus desprezavam os samaritanos, por serem uma mistura de sangue israelita com estrangeiros e consideravam-nos hereges em relação à pureza da fé jahwista; e os samaritanos pagavam aos judeus com um desprezo semelhante.

MENSAGEM

O que está em jogo no texto que nos é proposto é uma pergunta de um mestre da Lei: “o que fazer, a fim de conseguir a vida eterna?” (Marcos apresenta a mesma cena – cf. Mc. 12,28-34 – mas, aí, a pergunta é acerca do “maior mandamento da Lei”. Lucas, talvez adaptando-se aos leitores cristãos de cultura grega, põe a questão em termos de “vida eterna”).

A resposta é previsível e evidente, de tal forma que o próprio mestre da Lei a conhece: amar a Deus, fazer de Deus o centro da vida e amar o próximo como a si mesmo. Neste “resumo” dos mandamentos, cita-se Dt 6,5 (no que diz respeito ao amor a Deus) e Lv 19,18 (no que diz respeito ao amor ao próximo). Jesus concorda: até aqui, a proposta de Jesus não acrescenta nada de novo àquilo que a própria Lei sugere.

A dúvida do mestre da Lei vai, no entanto, mais fundo: “e quem é o meu próximo?” É uma questão pertinente, neste contexto. Na época de Jesus, os mestres de Israel discutiam, precisamente, quem era o “próximo”. Naturalmente, havia opiniões mais abrangentes e opiniões mais particularistas e exclusivistas; mas havia consenso entre todos no sentido de excluir da categoria “próximo” os inimigos: de acordo com a Lei, o “próximo” era apenas o membro do Povo de Deus (cf. Ex. 20,16-17; 21,14.18.35; Lv. 19,11.13.15-18). Jesus, no entanto, tinha uma perspectiva diferente da perspectiva dos “fazedores de opinião” de Israel. É precisamente para explicar a sua perspectiva que Jesus conta a “parábola do bom samaritano”.

A parábola situa-nos nessa estrada de cerca de 30 quilômetros entre a cidade santa de Jerusalém e o oásis de Jericó. Na época de Jesus, é uma estrada perigosa, sempre infestada de bandos armados. Ora “um homem” não identificado (não se diz quem é, de que raça é, qual a sua religião, mas apenas que é “um homem”, embora, pelo contexto, possa depreender-se que é um judeu) foi assaltado pelos bandidos e deixado caído na berma da estrada. Trata-se, portanto (e isso é que é preponderante), de “um homem” ferido, abandonado, necessitado de ajuda.

Pela estrada passaram sucessivamente um sacerdote (que conhecia a Lei e que exercia funções litúrgicas no templo) e um levita (ligado à instituição religiosa judaica e que exercia, também, funções litúrgicas no templo). Ambos passaram adiante: ou o medo de enfrentar a mesma sorte, ou as preocupações com a pureza legal (que impedia contatar com um cadáver), ou a pressa, ou a indiferença diante do sofrimento alheio, impede-os de parar. Apesar dos seus conhecimentos religiosos, não têm qualquer sentimento de misericórdia por aquele homem. Eles sabem tudo sobre Deus, lidam diariamente com Deus mas, afinal, não sabem nada de Deus, pois não sabem nada de amor. A sua religião é uma religião oca, de ritos estéreis, de gestos vazios e sem sentido, de cerimônias faustosas e solenes, mas não tem nada a ver com o amor, com o coração.

Pela estrada passou, finalmente, um samaritano. Trata-se de um desses que a religião tradicional de Israel considerava um inimigo, um infiel, longe da salvação e do amor de Deus… No entanto, foi ele que parou, sem medo de correr riscos ou de adiar os seus esquemas e interesses pessoais, que cuidou do ferido e que o salvou. Apesar de ser um herege, um excomungado, mostra ser alguém atento ao irmão necessitado, com o coração cheio de amor e, portanto, cheio de Deus.

Jesus conclui a parábola dizendo ao mestre da Lei que o interrogara: “então vai e faz o mesmo”. A verdadeira religião que conduz à vida plena passa pelo amor a Deus, traduzido em gestos concretos de amor pelo irmão – por todo o irmão, sem exceção.

Recordemos que a pergunta inicial era: “o que fazer para alcançar a vida eterna” … A conclusão é óbvia: para alcançar a vida eterna é preciso amar a Deus e amar o próximo. O “próximo” é qualquer um que necessita de nós, seja amigo ou inimigo, conhecido ou desconhecido, da mesma raça ou doutra raça qualquer; o “próximo” é qualquer irmão caído nos caminhos da vida que necessita, para se levantar, da nossa ajuda e do nosso amor. Neste gesto do samaritano, a Igreja de todos os tempos (a comunidade dos que caminham ao encontro da vida plena, da salvação) reconhece um aspecto fundamental da sua missão: a de levantar todos os homens e mulheres caídos nos caminhos da vida.

ATUALIZAÇÃO

• A pergunta do mestre da Lei não é uma pergunta acadêmica; é a pergunta que os homens do nosso tempo fazem todos os dias: “o que fazer para chegar à vida plena, à felicidade? Como dar, verdadeiramente, sentido à vida?” A resposta eterna é: “faz de Deus o centro da tua vida, ama-O e ama também os outros irmãos”. Trata-se, portanto, de fazer com que o amor percorra as duas coordenadas fundamentais da nossa existência – a vertical (relação com Deus) e a horizontal (relação com os outros homens). É por aqui que passa a nossa realização plena.

• O que é isso do amor ao próximo? Até onde se deve ir? É preciso exagerar? Não se trata de exagerar. Trata-se de ver em cada pessoa – sem exceção – um irmão e de lhe dar a mão sempre que ele necessitar. Qualquer pessoa ferida com quem nos cruzamos nos caminhos da vida tem direito ao nosso amor, à nossa misericórdia, ao nosso cuidado – seja ela branca ou negra, portuguesa ou ucraniana, cristã ou muçulmana, portista, sportinguista ou benfiquista, fascista ou comunista, pobre ou rica… A verdadeira religião que conduz à salvação passa por este amor sem limites.

• Pode acontecer que o lidar todos os dias com o divino tenha endurecido o nosso coração em relação às realidades do mundo… Pode acontecer que uma vida instalada nos torne insensíveis aos gritos de sofrimento dos pobres… Pode acontecer que o nosso egoísmo fale mais alto e que evitemos meter-nos em complicações por causa das injustiças que os nossos irmãos sofrem… Mas, nesse caso, convém perguntar: deixando que a minha vida se guie por critérios de egoísmo e de comodismo, estou a caminhar em direção à minha realização plena, à vida eterna?

• As nossas comunidades são clubes fechados, “reservados a sócios”, onde é “proibida a entrada aos estranhos”, ou comunidades onde são amados e têm lugar todos aqueles que a vida atira para a berma da estrada?

(Pe. Joaquim Garrido, Pe. Manuel Barbosa, Pe. José Ornelas Carvalho).

(14) – AMOR AO PRÓXIMO

O tema central da liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum (Ano C) é o amor ao próximo. Motivado pelas provocações de um mestre da lei que tenta armar uma cilada para Jesus querendo fazer uma discussão teórica sobre quem seja o meu próximo, Jesus contou a parábola do bom samaritano (Lucas 10,25-37). Com uma pergunta prática Jesus desarma aquele legista. Disse-lhe Jesus: “Quem se fez próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Então, aquele pseudo-intelectual se viu forçado a reconhecer que quem se fez próximo do viajante ferido foi o samaritano, ouvindo da boca de Jesus a conclusão – “vá e faze a mesma coisa e terás a vida eterna”. O fato real é que um viajante que descia de Jerusalém para Jericó caiu nas mãos de assaltantes, roubado e agredido ficou caído no caminho. Então, passa um sacerdote, vê o homem caído e ferido, mas segue adiante. Passa um levita e também segue em frente. Passa um samaritano que na verdade era pagão, portanto considerado impuro. Superando preceitos e até mesmo a hostilidade entre judeus e samaritanos socorre o homem caído. Esta parábola de Jesus vai além do gesto do samaritano. O sacerdote e o levita eram pessoas públicas, trabalhavam no templo e representavam a religião oficial judaica. Já na Samaria havia uma mistura de crenças. Os judeus evitavam contato com os samaritanos por entender serem pessoas impuras. Com sua catequese Jesus ensina que mais importante que o culto oficial do templo é a aproximação ao necessitado. Aquele homem caído viu passar o representante do poder religioso e o representante do poder político e não foi atendido. Foram insensíveis e incapazes de ter sentimentos de compaixão e misericórdia. Em sua opinião isto acontece também no mundo moderno? Quantas pessoas caídas pelas estradas da vida, abandonadas pelas instituições. A lei do amor ao próximo é o mandamento-chave que está acima da lei e dos preceitos. A misericórdia não precisa de leis – precisa de sensibilidade em relação à vida dos necessitados. Então, podemos denominar de “bom-samaritano” toda pessoa sensível às necessidades dos caídos pelas estradas da vida. Hoje a Palavra de Deus nos ensina que ser bom samaritano é tornar-se próximo do necessitado. O próximo não tem fronteiras de credo, partido e raça. O Evangelho nos recorda um dos mais belos compromissos do amor cristão – aproximar-se do ser humano caído seja na miséria física, material ou moral.

(Pedro Scherer).

(14) – DEVEMOS SER SAMARITANOS

Devemos ser samaritanos. Anunciadores, como a samaritana que bebeu da água viva e saiu para anunciar a cidade que havia encontrado o Messias. Misericordiosos, como aquele samaritano que foi capaz de se aproximar, compadecer-se, sair da montaria e colocar sobre ela quem estava caído no chão.

O ponto de partida do Evangelho de hoje é a resposta sobre uma pergunta simples dirigida a Jesus: “Quem é o meu próximo?” Para os judeus, próximos eram os da mesma raça. Próximo significa ser amigo, ser vizinho… Jesus mostra que devemos nos fazer próximos. Não é uma categoria de privilegiados, pois podemos nos tornar próximos de todos.

Jesus escolheu o que é fundamental – o amor. Este é o verdadeiro cumprimento da lei. O jurista reconhece o amor na teoria, mas usa a lei para aliviar o comprometimento com a misericórdia. O sacerdote era o homem do Templo, dos sacrifícios, dos ofícios. O levita era uma espécie de sacerdote de segunda categoria. Ambos não tinham tempo, pois estavam ocupadas com as coisas santas, com o Templo de pedra. Jesus mostra que os homens considerados mais santos não cumprem a lei na sua profundidade. Já os desprezados infiéis, os samaritanos, podem ser capazes de se tornar próximos. Para Jesus a justiça não está nos títulos estabelecidos, mas na atitude misericordiosa. Na ótica de Jesus, ser religioso não é frequentar o Templo, mas ter gestos de amor.

O samaritano se aproximou do homem caído e compadeceu-se, teve misericórdia, foi movido por piedade, por compaixão. No Evangelho de Lucas, o autor usa esse verbo empregado no versículo 33 em outras passagens: aplicando-o a Jesus (7,13: teve compaixão da Viúva que levava o filho) e para o Pai do filho pródigo (15,20: compadeceu-se do filho que voltara). Portanto é um verbo que caracteriza uma ação divina, de quem tem pura gratuidade em sua ação. Quando alguém se compadece do próximo, assemelha-se a Deus.

Qual dos três foi próximo do homem caído?

A resposta do mestre da lei foi imediata: “aquele que usou de misericórdia”. O termo misericórdia significa ter o coração batendo junto com o coração dos míseros (=sentir o que eles sentem, sofrer com). Quando sofremos junto com os pobres e sofredores, vamos ao encontro deles. Um doente compreende um doente, por exemplo. Não basta encorajar os outros com palavras prontas, é preciso entrar no seu mundo, mostrar que o nosso coração sente o sofrimento alheio.

A lei do amor não está longe de nós, mas está ao nosso alcance. Também podemos amar deste modo (1ª. Leitura). Também podemos ir ao encontro daquele que sofrem, daquele que está doente, daquele que precisa de um conselho, de um sorriso, de alimento, de afeto, de compreensão, de solidariedade… Não se resume na pseudo-solidariedade do gesto de dar um trocado ou um prato de comida. Trata-se, sim, de sentir todos como próximos. É no cotidiano da vida que somos bons samaritanos. Talvez o judeu caído esteja mais perto de nós do que possamos imaginar. Antes de procurá-lo no sinaleiro, em um hospital ou num asilo, talvez seja melhor procurá-lo na nossa casa e no nosso trabalho.

Jesus nos ensina a amar com a totalidade do nosso ser (Dt. 6,5; Lc. 10,27). Amar com o coração: a partir do centro das decisões; amar com a alma: com o fôlego, com o desejo; amar com toda a força: com a vontade; amar com toda a inteligência.

A Eucaristia ó banquete dos próximos. Jesus se torna próximo de toda a humanidade, vem ao nosso encontro, morre por nós, ressuscita, faz-se pão. Só um Deus que se faz próximo pode comer junto em nossa mesa.

“O meu Reino ó quem vai compreender? Não se perde na pressa que tem sacerdote e levita que vão se cuidar… mas se mostra em quem não se contém, se aproxima e procura o melhor para o irmão agredido que viu no chão”.

(Fr. Fabreti/ Thomas Filho)

(Pe. Roberto Nentwig).

(14) – O AMOR ÁGAPE

Dois pontos me chamam muita atenção neste Evangelho de hoje… Primeiro: o que é ensinado. Segundo: a forma como é ensinado. O mestre da lei tenta colocar Jesus em dificuldade, mas Jesus é muito mais esperto do que ele.

O mestre da lei fez o tipo de pergunta que qualquer pessoa que estivesse lá, com Jesus, saberia responder, inclusive ele mesmo. Por isso, Jesus voltou a pergunta a ele: “O que está escrito na lei? Como lês?” Jesus deve ter pensado que ou estava falando com um débil mental ou com alguém que estava querendo TESTÁ-LO. É muito fácil saber quando uma pessoa está querendo nos testar: ela faz uma pergunta para a qual já sabe a resposta. Se fosse uma pessoa bem intencionada, Jesus teria respondido, mas um mestre da lei fazendo uma pergunta assim … Era pra se desconfiar… Jesus respondeu com duas perguntas que se completam: a primeira exigia uma resposta impessoal; e a segunda se referia à interpretação que o mestre da lei dava a esta lei. A resposta do mestre da lei foi tão completa, que confirmou o que Jesus já tinha percebido: a intenção era testá-lo. Foi então que Jesus procurou encerrar o assunto, inclusive elogiando o mestre da lei.

Mas o mestre da lei, que tinha ficado com um baixo conceito, quis “justificar” a sua pergunta, e é aí que aparece a sua malícia. Com a maior carinha de inocente, ele perguntou: “E quem é o meu próximo?” Se Jesus respondesse que próximo é toda aquela pessoa que está ao seu lado, indiferente de raça, cor, credo, gênero, idade, estado de saúde, condição social, etc., estaria encrencado porque os judeus e as suas leis tinham várias restrições para quem não era judeu legítimo, e cumpridor da lei. Se Jesus dissesse que apenas os judeus, seguidores da lei e dos bons costumes, eram “o próximo”, cairia em contradição com seus próprios atos. E é neste momento que Ele se sai com uma bela parábola: o Bom Samaritano.

A resposta não foi direta, como o mestre da lei gostaria, mas veio de uma forma incontestável. A escolha de um samaritano foi proposital, pois os judeus da Samaria eram considerados menos dignos, pelos mestres da lei. E a atitude misericordiosa do samaritano foi, indiscutivelmente, a mais amorosa das três. O sacerdote e o levita da parábola fizeram exatamente o que a maioria de nós faria, numa situação parecida: passaria “pelo outro lado”. Observe que Jesus não responde NENHUMA DAS PERGUNTAS do mestre da lei, mas faz que o próprio questionador responda às suas perguntas.

O que fica claro neste Evangelho é que uma pessoa como este mestre da lei, quando faz perguntas desse tipo, não está interessada em aprender, mas em colocar a outra pessoa em situação difícil. Escutam sua resposta procurando pontos contraditórios. Quem não tem conhecimento pleno do assunto, ou não tem raciocínio rápido para perceber a malícia dessas pessoas, acaba transmitindo insegurança. Mas Jesus estava sempre à frente dos pensamentos das pessoas… E no final, acaba deixando a lição que devemos levar hoje para o nosso dia: Quer ter a vida eterna? Ame a Deus, e ao próximo como a si mesmo; o próximo é todo aquele que precisar de você, ou que você precise dele … ame. E lembre-se que AMAR não é apenas um sentimento, mas é, antes de tudo, uma DECISÃO.

Deixo aqui, como sugestão de leitura, o livro “O Monge e o Executivo” (clique no link para fazer o download do livro: O MONGE E O EXECUTIVO.pdf), de James C. Hunter, onde dentre tantos ensinamentos sobre liderança, também fala sobre o Amor Ágape, que é algo como amar com atitudes ao invés de amar com sentimento. Somente com o Amor Ágape nós podemos amar até quem nos fez mal.

(Jailson Ferreira).

(14) – O BOM SAMARITANO

A parábola do Bom Samaritano é uma das mais conhecidas da Bíblia, ela nos revela a verdadeira misericórdia, compaixão e amor que devemos ter pelo nosso próximo, mas muitas vezes nos fazemos a mesma pergunta que o mestre da Lei fez a Jesus:

Quem é nosso próximo?

Será nossos familiares, amigos, inimigos?

Quando Jesus começa a parábola, ele logo diz que o homem estava descendo de Jerusalém e no caminho foi assaltado e espancado, sua intenção era dizer que aquele homem se afastava do céu, Ele usa essa comparação pois Jerusalém era a cidade mais importante do mundo para os judeus, era a cidade sagrada.

E quando nos afastamos do céu, quais as consequências?

São tirados de nós, as alegrias, nossa saúde espiritual, ficamos quase como mortos. Os homens que passam por aquele homem também desciam de Jerusalém, ou seja, também se afastavam do céu, todavia, aquele samaritano não teve a mesma atitude daqueles homens que eram vistos como pessoas corretas, dignas. O samaritano era o próprio Cristo. Ele cura, cuida, tem piedade daquele homem que estava tão frágil, que era incapaz de reagir, que não tinha forças. Ele carrega aquele homem que nem conhecia e o leva para um lugar seguro e paga um valor para que ele seja totalmente curado.

Ora, quem mais além de Cristo fez tudo isto por nós?

Doando-se, por piedade e amor a cada um de nós, pagando com sua própria vida para que nossas feridas fossem curados. Ele é nosso referencial. E como resposta à pergunta de quem é nosso próximo: são todos aqueles que sofrem, que estão caídos, que necessitam de Amor, de força, são aquelas pessoas que estão cheias de feridas que receberam quando se afastavam do céu e necessitam de cura e cuidados.

Senhor, coloca em nosso coração o desejo e a força para sermos como este Samaritano que é o próprio Jesus. Que tenhamos disposição e coração misericordioso para sermos canal de graça e instrumentos de Teu Amor. Amém.

(Ana Luíza Medeiros).

(14) – O BOM SAMARITANO

E quem é o meu próximo?

Este Evangelho começa com duas perguntas de um mestre da Lei a Jesus, pra pô-lo em dificuldade. São pontos sobre os quais não havia acordo nas escolas rabínicas. Jesus, na sua sabedoria, faz com que o próprio mestre da Lei responda as duas.

A primeira é: “Que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” O próprio mestre da Lei responde: “Amarás o Senhor teu Deus…”

Entretanto, o mestre da Lei não se dá por vencido e faz outra pergunta: “E quem é o meu próximo?” Também sobre esta questão eles se dividiam. Para uns, eram os amigos. Para outros, eram os parentes. Para outros, eram os da mesma nação ou raça…

O mestre da Lei quer saber quais são os limites do amor. Jesus fala que não tem limites. São todos e todas que encontrarmos pelos caminhos da vida, como o samaritano, que cuidou de um judeu, povo rival.

Todo homem e toda mulher que encontrarmos pela vida, e estão em situação de necessidade, são nossos próximos.

Dos três viajantes que, no caminho, se encontraram com o ferido, os dois primeiros são membros ativos e líderes da religião: o sacerdote, e o levita que tinha uma função parecida com os nossos líderes cristãos. Com isso, Jesus deixa claro que o que vale para entrar no céu não são títulos ou cargos importantes na Igreja, mas a prática da caridade.

Já o amor do samaritano foi bonito: espontâneo, desinteressado, generoso, terno, serviçal, eficaz e gratuito.

Após terminar a parábola, Jesus devolve a segunda pergunta ao seu interlocutor, mas a inverte. Ele não focaliza o destinatário (quem é o meu próximo?), e sim o seu sujeito: “Qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” E o mestre da Lei respondeu corretamente, usando inclusive uma expressão bíblica: “Foi aquele que usou de misericórdia para com ele”.

A conclusão de Jesus – “Vai e faze a mesma coisa” – é dirigida a todos nós. O amor verdadeiro sempre coloca como centro o outro, não eu. A pergunta correta que devemos nos fazer hoje é: “Quem espera ajuda de mim?” Vemos que o amor não tem limites, pois ele parte das necessidades do outro.

O sacerdote e o levita viram o ferido, mas seguiram adiante pelo outro lado do caminho. Eles se colocaram propositalmente à distância do necessitado. Corresponde um pouco aos nossos condomínios fechados, muros altos, vidros fumê nos carros… são estratégias atuais de seguir em frente pelo outro lado. Já quem ama faz o contrário: quer estar no meio dos necessitados.

Como vemos, a parábola é atual, e toca no núcleo da nossa vida cristã, que é o amor ao próximo. É o que Jesus, como Juiz, vai cobrar de nós no Juízo final: “Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! … Pois eu estava doente, e cuidastes de mim” (Mt 25,34ss).

Ser o próximo do outro é não apenas estar perto, mas estar perto de coração, aproximar-se afetiva e efetivamente dele. Quem tem o coração duro, fica distante de quem está próximo em situação de necessidade. Isso pode acontecer dentro das famílias e até das comunidades religiosas.

O capitalismo interessa-se pelo próximo, mas apenas por uma parte dele: o seu bolso. Até no caso de doença, ou de acidente como foi este da parábola, o capitalista vê como oportunidade de ganhar dinheiro.

“Este mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance… Está em teu coração, para que o possas cumprir” (Dt 30,10-14). De fato esta lei do amor ao próximo já está escrita em nosso coração desde que nascemos. Se alguém não a cumprir, não terá desculpas.

Uma maneira frutuosa de meditar sobre esta parábola é tentar descobrir com qual dos personagens que aparecem nela nós mais nos parecemos. Claro que o nosso desejo é nos parecer com o samaritano, e até com Jesus. Mas a resposta verdadeira nós a damos com a nossa vida concreta do dia a dia. Será que nos parecemos com o dono da pensão: fazemos o bem quando somos remunerados? Ou somos como o sacerdote e o levita: vivemos tão preocupados com os nossos afazeres que “nem vemos” quem está em necessidade ao nosso lado? Ou, pior ainda, somos assaltantes disfarçados do nosso próximo? A sociedade atual que construímos mostra claro que os “bons samaritanos” não passam de uns 5%. Claro que cada um de nós se julga entre esses 5%. No entanto, o resultado está aí.

Certa vez, numa grande região, faltou chuva e a colheita foi pobre. Entretanto, uma grande fazenda, que tinha irrigação artificial, teve uma colheita abundante. O administrador encheu os celeiros, depois disse para o dono da fazenda: “A colheita ruim aumentou o preço dos cereais. Agora é o tempo propício para vender e ganhar muito dinheiro”. O fazendeiro respondeu: “Eu penso nos pobres lavradores que não colheram nada e estão com as suas despensas vazias. Agora é tempo propício para dar”.

O amor é assim, frequentemente ele inverte o pensamento cego dos capitalistas, baseado na sede de lucro.

Existem pessoas que disfarçam o seu egoísmo, como aquele que disse: “Os homens são maus. Só pensam em si. Só eu penso em mim!” Quem falou isso não percebe que a primeira pessoa má do mundo é ele mesmo!

É próprio das mães perceber as necessidades dos filhos e colocar-se ao lado deles. Vamos pedir à nossa querida Mãe Maria Santíssima que nos ajude a ser bons samaritanos, socorrendo o nosso próximo em suas necessidades, e assim “recebendo como herança a vida eterna” Mãe do amor, rogai por nós.

E quem é o meu próximo?

(Pe. Queiroz).

(14) – O BOM SAMARITANO

Quem é o nosso próximo?

Amar alguém que me é familiar, ou da mesma comunidade, pode ser fácil, mas amar alguém que não conhecemos ou não temos afinidade pode ser difícil, principalmente quando não entendemos a lógica do Reino de Deus, uma lógica oposta à lógica dos chamados intelectuais, daqueles que detêm o “poder do conhecimento”. É muito fácil amar um membro da minha família, ou de um amigo, mas, quando se trata de um inimigo a coisa muda.

Ao ser questionado pelo especialista em leis a respeito de como herdar o Reino dos Céus, Jesus prontamente responde: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com toda a tua mente; e ao teu próximo como a ti mesmo”, para nos mostrar que o amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos é o fundamento do Reino. No sermão da montanha Jesus vem completar o sentido deste mandamento dizendo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos.

Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis?

Não fazem os publicanos também o mesmo? Mt 5,43-48.

Os samaritanos não eram considerados pelos judeus como herdeiros vida eterna, eram uns hereges, por isto, colocados à margem do Reino, portanto não era considerado um próximo. Jesus quer justamente mostrar que os samaritanos haviam assimilado melhor a palavra, colocando-a em prática, como nesta parábola, como em Lucas 17,11-19 na cura dos dez leprosos, apenas um (samaritano) voltou para render graças a Deus e era um samaritano, como a mulher samaritana que acolheu Jesus e a sua palavra e em seguida saiu a anunciar esta boa nova aos seus.

O especialista em leis pode ser comparado a nós mesmos, quando nos encontramos numa posição religiosa, e por nos acharmos conhecedores da verdade, corremos o risco de achar que somos tão perfeitos (santos) a ponte de querer julgar as pessoas, e de até mesmo nos afastar do nosso próximo por considerá-lo um pecador, e é ai que nos encontramos também na situação do sacerdote e do levita que passaram adiante sem socorrer o homem que estava caído à beira do caminho. O samaritano pode ser comparado hoje a uma pessoa não religiosa, mas que consegue colocar em prática o Reino de Deus. Por isto devemos tomar cuidado com a nossa religiosidade, quando ela nos faz colocar denominação religiosa à frente do Reino de Deus, basta refletir as palavras de nosso Senhor: Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Mt6, 33.

Neste evangelho, Jesus quer nos mostrar através da parábola do bom samaritano, que além do homem necessitado de ajuda (provavelmente era um judeu) e além do sacerdote e do levita, ambos judeus, mas que não agiram como o próximo do homem caído, o samaritano tão distante dos padrões religiosos, ao contrário agiu verdadeiramente como o próximo do outro, por colocar em prática o mandamento do amor.

Lembrando São Francisco de Assis, ele é para nós um grande exemplo de santo dedicado à causa do Reino de Deus, pois amou a Deus incondicionalmente, e no espírito de amor ao próximo, amou principalmente os mais pobres, os mais enfermos, bem como todas as criaturas não humanas às quais carinhosamente chamava de irmãos.

(Newton).

(14) – A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

Jesus continua dialogando com mestre da Lei na cidade grande de Jerusalém. Querendo irritar Jesus, o mestre da Lei fez pergunta desconcertante, mas as respostas são dadas pelo próprio opositor. Neste contexto a sabedoria de Jesus ultrapassa a jogada do mestre em querer confundi-lo com indagações do convívio do povo.

Ao perguntar para Jesus quem era o seu próximo, o mestre da Lei imaginava ter uma resposta convincente com muito efeito e reflexão. Entretanto, o próprio mestre respondeu na essência quem é o seu próximo: “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e com toda a mente. E ame o seu próximo como você ama a você mesmo.” Não era preciso ir longe para buscar uma resposta para uma simples indagação. Pois quem ama o seu Senhor plenamente e aquele que está a sua volta de coração como a si mesmo, estará amando e vivenciando o seu próximo. Assim, o próximo é aquele que merece e necessita de ajuda em certo momento e, sem perder tempo, a ajuda à necessidade é realizada por quem aproximar primeiro.

Para ilustrar a resposta do mestre da Lei Jesus conta a parábola do bom samaritano. Esta parábola é bem atual para quem quer aproximar da conversão e queira aprender a amar com dignidade os irmãos oprimidos. Pois foram vários que passaram perto do homem que necessitava de ajuda, mas não pararam. A solidariedade só aconteceu quando um samaritano de coração puro e temente a Deus, teve compaixão e solidarizou-se com o empobrecido. Nem o sacerdote e nem o Levita tiveram coração humilde para solidarizar-se com o peregrino surrado e roubado.

Caro leitor, quem são os samaritanos da vida de hoje que realmente validam a unidade do próximo?

Quem são os samaritanos de hoje que ajudam com determinação, vontade, força e fé pessoas que não estão em seu convívio?

Quem são os samaritanos de hoje que se voltam para o outro sem a negociata ou algo em troca?

Será que existem pessoas que prezam os empobrecidos, os surrados, os lascados da vida, os endividados, os enfermos, os esfomeados?

Não quero insinuar pessimismo. Mas são poucas as pessoas que realmente vivam a unidade com o próximo. São poucas pessoas que dirigem ao outro com carinho e amor verdadeiro. Ainda falta muito para aprendermos a amar, a viver, a querer, a buscar o próximo. O mundo nos ensina a individualidade, a sermos indiferentes e a não enxergarmos o outro que tanto pede socorro. O mundo continua ensinado a deixar de lado os necessitados para não termos prejuízos.

Com certeza o mestre da Lei ficou pensativo. Como um sacerdote pode negar auxílio para uma pessoa que realmente necessita de ajuda? Ele está contradizendo o que prega nas sinagogas, ou será que o maltrapilho não faz parte do Reino de Deus? Entretanto, Jesus precisava catequizar estes falsos doutores das Leis, os falsos sacerdotes e os homens que comandavam a política da cidade grande. Ali, na cidade grande, residia a causa da miséria, da injustiça e da insatisfação. A causa de todos os males deveria ser eliminada para que a Palavra de Deus pudesse fluir com serenidade e sem pretexto em tirar proveito da situação para enganar o povo humilde.

Portanto, Jesus finaliza a parábola do bom samaritano afirmando: pois vá e faça a mesma coisa. Ou seja, seja um samaritano ao reconhecer no outro a extensão do Deus compassivo e misericordioso. Não fique somente nas palavras, mas aja, faça acontecer, faça valer a força do Espírito Santo que tanto buscamos para nos fortalecer em nossa caminhada. Seja um BOM SAMARITANO e aprendamos a amor ao próximo como nos amamos. Amém!

(Claudinei M. Oliveira).

(14) – VAI E FAZE TU A MESMA COISA

Iniciamos o mês missionário, e Jesus neste Evangelho nos convida a sermos missionários do amor. Ao doutor da lei que quer saber dele o que é preciso fazer para possuir a vida eterna, Ele conta a parábola do bom samaritano.

O doutor da lei que interrogou Jesus a respeito da vida eterna já sabia o que era preciso para possuí-la. Entendia como teólogo que para possuir a vida eterna a única via é o amor total a Deus e ao próximo. Jesus mostra a ele contando a parábola do bom samaritano que não basta saber é preciso colocar em pratica. Isto é; amar com gestos e atitudes e não somente com palavras. Só que para colocar este amor em pratica é preciso deixar de lado o preconceito de raça, religião, nação ou classe social.

O próximo é aquele que encontramos pelo caminho e que necessita de nossa acolhida, amizade, cuidado e tudo mais para que possa ter dignidade sem estabelecer limites ou condição.

É Jesus nosso Bom Samaritano que vem em nosso socorro quando estamos caídos à beira do caminho, machucados, e feridos por causa de nossos pecados. Ele se aproxima de nós nos acolhe, nos cura, cuida de nós sem exigir nada, sem impor condições. Apenas e tão somente nos ama e nos devolve a dignidade de filhos de Deus.

Muitas vezes agimos com nossos irmãos como o levita, como o sacerdote, mas Jesus nos diz: vai e faze tu a mesma coisa que fez o bom samaritano. Vai, ajuda teu irmão que está caído, ferido. Socorre-o e terás a vida eterna. Aprendamos de nosso mestre e Senhor a transformar nossa vida em gesto de bondade e amor para com todos que encontramos pelo caminho.

Em Cristo!

(Rita Leite).

(14) – AMARÁS A DEUS… E AO TEU PRÓXIMO…

O evangelho de hoje nos apresenta um mestre da lei querendo por Jesus em dificuldade e pergunta a Ele o que deveria fazer para receber em herança a vida eterna. E Jesus responde: “Amarás o senhor, teu Deus de todo teu coração e com toda tua alma. Com toda tua força e com toda tua Inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!” “Faze isso é viverás!” E o mestre da Lei pergunta: “Quem é o meu próximo?”. E Jesus responde contando a parábola do bom samaritano. A parábola de um homem que foi quase morto por ladrões e deixado a beira do caminho. Passa um sacerdote, e em seguida passa também um levita, ambos fiéis ao culto do templo e da sinagoga, quando veem o homem, seguem adiante pelo outro lado, nada fazem para ajudar aquele homem. Passa então um samaritano que era excluído, desprezado pelos judeus. Os samaritanos eram considerados infiéis e adoradores de falsos deuses. Para os judeus não faziam parte do povo de Deus.

O samaritano para e se aproxima do homem, sente compaixão dele, cuida de seus ferimentos e o leva a uma pensão, paga a conta pede que ao dono da pensão que tome conta daquele homem. E Jesus pergunta ao mestre da lei quem foi o próximo daquele. Pois queridos irmãos, quem é o teu próximo? Com qual personagem do evangelho de hoje, você se identificou? Jesus com essa parábola provoca esse questionamento. Pense e responda. Quantas pessoas hoje que são da igreja e passam por um necessitado e não ajuda? Bem como, conhecemos pessoas que não vão a Igreja, mas vivem o que Jesus ensinou. Jesus nos alerta hoje, que o meu próximo ele não tem que pertence a minha religião, a minha raça, a família, ao meu grupo de amigos. Meu próximo é todo aquele que necessita que eu me aproxime dele, e o ajude, sem pensar em reconhecimento, algo em troca, ou que peçam a minha ajuda. Devemos ser capazes de perceber que outro precisa de ajuda, conseguimos essa sensibilidade tendo um coração misericordioso e compassivo. Acredito que não devemos fazer algo para herdar a vida eterna, somos filhos de Deus, já temos essa herança. Devemos sim cuidar para não perdê-la, é isso depende de mim e não do outro. Lembremos de São Francisco que tanto amou seu próximo e respeitou a natureza, obras de Deus criador.

Um abraço a todos.

Oração: Pai, dá-me um coração cheio de misericórdia, como o de teu Filho Jesus, pois só assim terei certeza de estar em comunhão contigo, a caminho da vida eterna.

(Maria Elian).

(14) – A MISERICÓRDIA É O SINAL

Neste Evangelho Jesus conta a parábola do bom samaritano a fim de responder ao mestre da lei que continuamente procurava confundi-Lo, com perguntas impertinentes. Assim também, Ele nos explica o que precisamos fazer para recebermos a herança da vida eterna e coloca, como prioridade, o Amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos. O mestre da Lei para pô-Lo à prova, perguntou-Lhe: “quem é o meu próximo”?

Geralmente nós entendemos que o nosso próximo é alguém a quem encontramos necessitado e dependente de ajuda. Ao devolver a pergunta ao mestre da Lei Jesus, porém coloca a situação ao inverso “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Respondeu-lhe o mestre da lei: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Assim sendo, Jesus nos esclarece, que o nosso próximo é também alguém que se aproxima de nós para nos acolher e ajudar. São duas vias, são duas situações: às vezes, somos o necessitado, outras vezes, somos nós os bons samaritanos ou os donos da hospedaria. Nunca seremos autossuficientes, pois sempre estaremos carecendo de alguém que seja instrumento de Deus para recebermos a herança da vida eterna. Em qualquer situação que nos encontrarmos, como necessitados ou como cooperadores, nós seremos convocados pelo Senhor a amar o nosso próximo como a nós mesmos. Às vezes, ajudamos às pessoas e às socorremos por obrigação ou a contragosto, porém a própria Palavra do Evangelho nos esclarece: o próximo “é aquele que usou de misericórdia para com ele”. A misericórdia, então, é o sinal para que sejamos “o próximo” de alguém. Agir com misericórdia é fazê-lo por amor a Deus e acolher a miséria do outro com o mesmo amor de Deus e não somente com o nosso amor imperfeito e interesseiro.

– Como você costuma agir: como o sacerdote, como o levita, como o samaritano, como o hospedeiro?

– Ou você sempre é aquele que desce de Jerusalém para Jericó, se mete em enrascadas e está sempre precisando que alguém se aproxime de você?

– Você já experimentou ser aquele (a) que está necessitado (a) e espera o socorro de alguém?

– Quando você ajuda alguma pessoa você o faz por amor a Deus e com o amor de Deus?

(Helena Serpa).

(24) – MAS UM SAMARITANO MOVEU-SE DE COMPAIXÃO. APROXIMOU-SE DELE E TRATOU-LHE AS FERIDAS E COLOCOU-O EM SEU PRÓPRIO ANIMAL

Hoje perguntamo-nos: “E quem é o meu próximo?” (Lc 10,29). Relatam que alguns judeus sentiam curiosidade ao ver seu rabino desaparecer na vigília do dia sábado. Suspeitavam que ele estivesse se encontrando em segredo, talvez com Deus, então um deles o seguiu… E o fez assim, cheio de emoção, até uns bairros miseráveis, onde viu o rabino cuidando e varrendo a casa de uma mulher: ela era paralitica, e a servia e lhe preparava uma comida especial para a festa. Ao voltar, todos perguntaram: “Onde o rabino foi? Subiu ao céu?”. E respondeu: “Não, ele subiu ainda mais alto”.

O que existe de melhor é amar ao próximo realizando boas obras; aí se manifesta o amor. Sem ignorar quem precisa de nós! “É Cristo quem eleva sua voz nos pobres para chamar à caridade nos seus discípulos” afirma o Concilio Vaticano II num documento.

Ser como o bom samaritano, é mudar os planos (“chegou perto dele”), dedicar tempo (“cuidou dele”) … Isso nos leva a contemplar também, a figura do anfitrião como disse João Paulo II: “O que teria feito sem ele? O anfitrião, permanecendo anônimo, realizou as tarefas mais importantes. Todos podem atuar como ele, cumprindo as próprias tarefas com espírito de serviço. Toda atividade, oferece a oportunidade, mais ou menos direta, de ajudar a quem precisar (…). Cumprir fielmente com os deveres próprios da profissão é praticar o amor pelas pessoas e à sociedade”.

Deixar tudo, para acolher a quem precisa de nós (o bom samaritano) e fazer bem o trabalho por amor (o anfitrião), são as duas maneiras de amar que nos correspondem: “qual dos três foi o próximo. `Aquele que usou de misericórdia para com ele´. Jesus lhe disse: `Vai e faz tu a mesma coisa” (Lc 10, 36,37).

Acudimos à Virgem Maria e, Ela — que é modelo — ajude-nos a descobrir as necessidades dos outros, materiais e espirituais.

(Rev. D. Llucià POU i Sabater (Vic, Barcelona, Espanha)).

(25) – O MAIOR MANDAMENTO

Jesus fala da primazia do amor, o que leva S. Agostinho a dizer que “todos os preceitos do amor são de tal natureza, que se o homem crê ter feito algo bom, mas sem caridade, ele totalmente se equivoca”. É a exigência de amar a Deus com toda a sua alma, com toda a sua mente, com toda a sua força. Orígenes reconhece que “amar ao Senhor não só é o maior mandamento, mas também o primeiro de todos”.

Da força do amor, proclama S. Basílio Magno, “emerge a morte às idolatrias do pecado”. “Na ordem do ser, ao orgulho, à vaidade, e, na ordem do ter, às posses materiais e honrarias”. É a renúncia aos falsos deuses que criamos ao longo de nossa vida. Mergulhados, então, no amor a Deus reconhecemos, reflete S. João Crisóstomo, que “a majestade de Deus se honra melhor com o serviço humilde ao próximo e não só com palavras”.

O amor a Deus expressa-se no amor ao próximo. Com efeito, o amor a Deus invade-nos de tal modo que é no seu próprio amor que amamos aos nossos semelhantes, quaisquer que eles sejam. E isso vale mais do que todos os sacrifícios e holocaustos. Para exemplificar, Jesus narra a parábola do bom samaritano. Ele fala de um homem ferido pelos assaltantes, que jaz em meio a uma estrada. Três homens passam por ele, dois mostram-se indiferentes, o terceiro cuida dele, movido pela compaixão. Este é justamente um samaritano, considerado pelos judeus como estrangeiro. “Qual dos três, pergunta Jesus, foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” O homem da lei, que perguntara quem era seu próximo, responde: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Jesus então lhe diz: “Vai, e também tu faze o mesmo”.

Escreve Doroteu de Gaza: “Eis a natureza do amor: quando nos afastamos do centro e não amamos a Deus, igualmente nos afastamos do próximo. Mas se amamos a Deus, quanto mais nos avizinhamos a ele, por amor, tanto mais estaremos unidos ao próximo, no amor”. Viver esta união, segundo S. Paulo, é formar um só corpo, pois “somos membros uns dos outros”. Único corpo, ilimitado, no qual circula o amor, como sangue divino-humano. É a transcrição na humanidade da comunhão trinitária. O ser humano, tocado por Jesus, jamais será uma pessoa separada e isolada. Ela se santifica e cresce na vida de comunhão com Deus, sem nunca estar separada dos seus semelhantes. De fato, a oração e o amor integram as pessoas entre si e postulam, para cada qual, seu progresso espiritual infinito. A meta, que as impulsiona a crescer, é a busca da felicidade, fim último de suas diversas atividades. O encontro com a perfeita alegria vai dar-se na suave serenidade do amor a Deus e ao próximo. Pois é na imensa dinâmica do amor que o outro se nos apresenta como o “próximo” e cada um de nós adquire a condição de ser o “próximo” dos outros. Jesus continua a dizer: “Vai, e também tu faze o mesmo”.

“Senhor, vosso amor ultrapassa todas as coisas. Acendei em meu coração o fogo do vosso amor e fortalecei minha fé e esperança em vossas promessas. Ajudai-me a doar-me no generoso serviço aos outros como vós generosamente vos destes a mim”

(Dom Fernando).

(28) – REFLEXÃO

1ª. leitura – Deuteronômio 30, 10-14 – “o mandamento do Senhor está no nosso coração”

Por causa da nossa limitação humana nós temos a tendência de não querer “entender” a linguagem de Deus e, achamos difícil viver os mandamentos e preceitos que Ele nos receitou. No entanto, precisamos ter consciência de que a Palavra de Deus é acolhida dentro do nosso coração, está ao nosso alcance e nos é ensinada pelo próprio Espírito Santo que nos revela os pensamentos e os anseios do Pai para nós, seus filhos e filhas. Com efeito, no livro do Deuteronômio, o Senhor fala para nós por meio de Moisés e torna simples os Seus escritos nos dando ciência de que o verdadeiro Mestre está dentro do nosso coração, por isso não precisamos complicar nada. Se a palavra está bem ao nosso alcance, na nossa boca e no nosso coração, como nos fala o Senhor, por que não conseguimos cumpri-la? Tudo irá depender do nosso acolhimento a Palavra, sem opor resistência nem barreiras. Por outro lado, precisamos confiar no Senhor sem marcar datas nem horários para que as Suas promessas aconteçam. Queremos todas as soluções de imediato e, na maioria das vezes nós limitamos o poder de Deus ao nível das nossas medíocres ambições. Deus nos quer dar muito mais do que realmente nós almejamos, porém, não estamos preparados para receber ainda nem mesmo o que desejamos. Há tempo para tudo.

– Você tem dificuldade para entender a Palavra de Deus?

– Quando você lê a Bíblia, a quem você pede explicação, ao Espírito Santo ou às suas conveniências?

– Você procura colocar em prática os ensinamentos de Deus no seu dia a dia?

– Você lê a Palavra como uma história que já foi vivida ou como uma história que você vive hoje?

Salmo 68 – “Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos: o vosso coração reviverá!”

O salmista confirma a nossa reflexão anterior. Ser humilde é buscar a Deus sem questionar, confiando unicamente em que o Senhor nunca falha e escuta a nossa oração e nos responde com o Seu amor e o Seu auxílio. A nossa vida é testemunha fiel da assistência do Senhor porque a cada dia o nosso coração revive e torna a bater esperançoso. Nascemos, morremos e renascemos a cada momento porque o Senhor nos reconstrói na medida das nossas necessidades. O fato de buscarmos a Deus já é para nós motivo de alegria, pois estamos no caminho certo.

2ª. leitura – Colossenses 1, 15-20 – “Jesus Cristo é a imagem do Deus invisível”

São Paulo falou aos colossenses e hoje nós aprendemos com ele a perceber em Jesus Cristo a imagem do Deus invisível, o princípio e o fim de todas as coisas criadas. Por causa dele, o Pai criou o céu e a terra, as coisas visíveis e as invisíveis, isto significa que, nós também, fomos criados por meio dele e para ele. O Apóstolo nos afirma que Deus quis habitar em Jesus com toda a sua plenitude a fim de nos reconciliar com Ele. Portanto, se Cristo habita em nós, com toda a certeza também o Pai está conosco e, assim nós voltamos a ter com Ele uma convivência de amor como a que existia no paraíso. Nós sabemos que Adão e Eva tinham intimidade com o Pai e gozavam da Sua assistência e proteção. O pecado os afastou do Paraíso fazendo com que também nos afastássemos da graça santificante, porém em Jesus, nós reatamos a amizade com o Pai e fomos admitidos novamente no Seu reino. A obra de Deus é espiritual e, por isso, precisamos entender que ela acontece dentro de nós, mesmo que não a estejamos vendo com os nossos olhos físicos. É um grande mistério de amor o que acontece dentro de nós quando pela fé, nós acolhemos Jesus e o seu reino de paz. O reino de Deus é a vivência da Sua misericórdia mesmo que ainda sejamos pecadores. Pensar nisso faz aumentar na nossa alma a esperança da vida eterna desde já.

– Você sabia:

– Que em Jesus Cristo está a sua razão para viver e ser feliz?

– Que há um mundo espiritual dentro de você aonde você pode se comunicar com o Pai?

– Que Jesus Cristo veio lhe revelar a face do Pai que é AMOR e MISERICÓRDIA?

Evangelho – Lucas 10, 25-37 – “quem é afinal o nosso próximo?”

Naquele tempo um mestre da lei se levantou para arguir Jesus e perguntou-Lhe o que precisava fazer para receber em herança a vida eterna. Jesus deu-lhe como chave o primeiro mandamento que estava contido na Lei, no entanto, ele, como que querendo colocar Jesus em xeque mate, continuou questionando. Aquele homem conhecia a lei, mas teve dificuldades para identificar quem seria o seu próximo, isto é, aquele a quem deveria amar como a si mesmo. Contando a parábola do bom Samaritano Jesus nos dá uma aula a fim de explicar quem é afinal o nosso próximo. Se refletirmos bem, perceberemos que Jesus nos revela que o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes foi “aquele que usou de misericórdia para com ele”. Portanto, podemos concluir que todo aquele que se aproximar de nós, da nossa miséria, da nossa impotência e usar de misericórdia para conosco será o nosso próximo. E, todas as vezes que, também, nos aproximarmos de alguém, seja quem for ou em que situação esteja, e usarmos com ele de misericórdia, nós também seremos para esta pessoa, o seu próximo. O próximo, a quem devemos amar é, portanto, segundo os ensinamentos de Jesus, todo aquele que se aproxima de nós com misericórdia e compaixão.

A misericórdia a que Jesus se refere não é apenas uma “fala”, ou uma expressão sentimental de piedade, ou de “pena”, mas se traduz em atos concretos, em ações de promoção e de restauração. O bom samaritano fez o que podia fazer e não deixou aquele homem abandonado, levou-o a uma pensão e cuidou dele, mas depois seguiu o seu caminho deixando-o aos cuidados de alguém. O amor que nós devemos ao nosso próximo que usa de misericórdia para conosco tem um sentido de gratidão e de reconhecimento por ser ele um instrumento de Deus, mas nunca de devoção ou de subserviência a ele porque nos ajudou. Somos livres, mesmo quando devemos a nossa vida a quem quer que seja, porém a eles só devemos gratidão porque o amor de Deus se manifestou a nós através de homens e mulheres misericordiosos.

– Você costuma cobrar atenção das pessoas a quem você presta ajuda?

– Alguém já se aproximou de você e usou de misericórdia?

– Como é o seu relacionamento com essa pessoa?

– Você lhe é grata e percebe que ela é um instrumento de Deus?

– Quem você acha que é o seu próximo?

NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE

CELEBRAÇÃO DE HOJE

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM (VERDE, GLÓRIA, CREIO – III SEMANA DO SALTÉRIO)

RITOS INICIAIS:

– Monição Ambiental ou Comentário Inicial

Quem é o meu próximo? Hoje somos convidados a olhar com atenção aqueles que estão a nossa volta e caminham conosco. Somos chamados a formar uma comunidade de “samaritanos”, seguindo de perto a Lei do Senhor. Não apenas no cumprimento de regras e normas, mas na profunda vivência do amor que gera vida e dignidade a todos os povos.

– Canto e Procissão de Entrada

– Antífona da entrada

Contemplarei, justificado, a vossa face; e serei saciado quando se manifestar a vossa glória (Sl 16,15).

– Saudação ao Altar e ao Povo Reunido

– Ato Penitencial

– Senhor, Tende Piedade

– Glória a Deus nas Alturas

– Oração do Dia ou Oração da Coleta

Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, dai a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão e abraçar tudo o que é digno desse nome. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DA PALAVRA:

– Monição para a(s) Leitura(s)

A lei deve estar presente não só em nossa boca, mas, sobretudo, em nosso coração para testemunharmos a ação redentora de Cristo, que nos reconcilia com Deus. Sejamos, pois, misericordiosos para com aqueles que necessitam de nós.

– Silêncio

– Proclamação da 1ª Leitura

– Silêncio

– Proclamação do Salmo

– Silêncio

– Proclamação da 2ª Leitura

– Monição para o Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia!

Aleluia, aleluia, aleluia!

Semente é de Deus a Palavra, / o Cristo é o semeador, / todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou!

– Canto de Aclamação

– Proclamação do Evangelho

– Homilia ou Pregação

– Profissão de Fé

– Oração Universal ou Oração dos Fiéis

Conforme nos orienta a IGMR, no Cap. II, LETRA B, números 69, 70 e 71, vamos deixar que cada Comunidade possa realizar a sua Oração Universal colocando nela, a sua realidade comunitária, não devendo esquecer que, normalmente serão estas as séries de intenções, além das pessoais de cada um, caso seja dada a oportunidade pelo celebrante ao povo de se expressar:

a) Intenções pelas necessidades da Igreja;

b) Intenções pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo;

c) Intenções pelos que sofrem qualquer dificuldade;

d) Intenções pela comunidade local;

e) Intenções pessoais da comunidade.

LITURGIA EUCARÍSTICA / PREPARAÇÃO DAS OFERENDAS:

– Canto e Procissão das Oferendas

– Apresentação do Pão e do Vinho

– Presidente Lava as Mãos

– Orai, Irmãos!

– Oração sobre as Oferendas

Acolhei, ó Deus, as oferendas da vossa Igreja em oração e fazei crescer em santidade os fiéis que participam deste sacrifício. Por Cristo, nosso Senhor.

LITURGIA EUCARÍSTICA / ORAÇÃO EUCARÍSTICA OU ANÁFORA:

– Prefácio e “Santo”

– Invocação do Espírito Santo

– Narrativa da Ceia

– Consagração do Pão e do Vinho

– “Eis o Mistério da Fé!”

– Lembra Morte e Ressurreição de Jesus

– Orações pela Igreja

– Louvor Final (Por Cristo…)

LITURGIA EUCARÍSTICA / RITO DA COMUNHÃO:

– Pai-Nosso (Oração do Senhor) e Oração seguinte

– Rito da Paz ou Saudação da Paz

– Fração do Pão

– Cordeiro de Deus

– Felizes os Convidados!

– Distribuição da Comunhão aos fiéis e Canto da Comunhão

– Silêncio Eucarístico ou Canto de Ação de Graças

– Antífona da Comunhão

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele, diz o Senhor (Jo 6,56).

– Oração depois da Comunhão

Alimentados pela vossa eucaristia, nós vos pedimos, ó Deus, que cresça em nós a vossa salvação cada vez que celebramos este mistério. Por Cristo, nosso Senhor.

RITOS FINAIS OU RITOS DE ENCERRAMENTO:

– Comunicados e Convites

– Saudação e Bênção Final

– Despedida (Ide em Paz!)

FONTES DE CONSULTAS E PESQUISAS:

Vamos expor a seguir de onde pertencem os textos que nos preenchem todos os dias, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO

bc3adblia1

FONTE DE CONSULTA – IGMR (INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO – 1ª EDIÇÃO / 2008)

IGMR

REFLITA:

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem foi que inspirou essa pessoa a escrever.

O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.

O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que Ele nos pede.

Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é saber compartilhar o conhecimento.

(0) – Blog Liturgia Diária da Palavra de Deus (Reflexões e Comentários);

(1) – Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);

(2) – Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);

(3) – Portal Editora Santuário;

(4) – Portal Editora Paulinas;

(5) – Portal Editora Paulus;

(6) – Portal e Blog Canção Nova;

(7) – Portal Dom Total;

(8) – Portal Católica Net;

(9) – Portal Católico Orante;

(10) – Portal Edições Loyola Jesuítas;

(11) – Portal de Catequese Católica;

(12) – Portal Evangelho Quotidiano;

(13) – Blog Homilia Dominical;

(14) – Blog Liturgia Diária Comentada;

(15) – Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);

(16) – Portal Catequisar: Catequese Católica;

(17) – Portal Universo Católico;

(18) – Portal Paróquia São Jorge Mártir;

(19) – Portal Catedral FM 106,7;

(20) – Portal Comunidade Católica Nova Aliança;

(21) – Portal Comunidade Resgate;

(22) – Portal Fraternidade O Caminho;

(23) – Portal Católico na Net;

(24) – Portal Evangeli.net;

(25) – Portal Padre Marcelo Rossi;

(26) – Portal Grupo de Oração Sopro de Vida;

(27) – Portal NPD Brasil.

MINHA MENSAGEM PESSOAL PARA MIM MESMO.

Mais vale o desconforto da VERDADE, do que a comodidade da MENTIRA.

E usando a essência da Oração da Serenidade, devo orar:

Ó meu Deus e Senhor, Pai de misericórdia e Salvação,

que em seu Filho Jesus perdoou os nossos pecados,

e com o seu Santo Espírito, paráclito nesse nosso mundo que caminha conosco,

apenas em Ti posso almejar a vida eterna, socorre-me e ouvi-me:

Se o ERRO está em mim, que DEUS possa me dar a HUMILDADE de aceitar que estou errado.

Que Jesus me dê a SERENIDADE, para aceitar que tem coisas que não posso mudar.

E que o Espírito Santo me dê a CORAGEM, suficiente para mudar aquelas coisas que dependem de mim, mesmo que sejam difíceis.

E para complementar os alicerces de orações da minha vida, faço como o santo Tomás de Aquino:

“Concede-me, Deus misericordioso, que deseje com ardor o que tu aprovas, que o procure com prudência, que o reconheça em verdade, que o cumpra na perfeição, para louvor e glória do teu nome.

Põe ordem na minha vida, ó meu Deus, e permite-me que conheça o que tu queres que eu faça, concede-me que o cumpra como é necessário e como é útil para a minha alma.

Concede-me, Senhor meu Deus, que não me perca no meio da prosperidade nem da adversidade; não deixes que a adversidade me deprima, nem que a prosperidade me exalte.

Que nada me alegre ou me entristeça para além do que conduz a ti.”

Viver CORRETO e falar a VERDADE hoje são tão difíceis quanto na época de Jesus, pois é muito mais fácil aceitar a MENTIRA e fazer o ERRADO.

Viver no CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é o próprio Cristo Jesus, tem que ser uma caminhada diária.

O futuro é desejo e pensamento.

O passado é aprendizado e lembrança.

O hoje é realidade, isso quer dizer: CRISTO.

Meus amigos(as) de coração, meus irmãos(ãs) em Cristo Jesus, lembrem-se:

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

“Não julgues para não seres julgados.”

“A quem é muito dado, muito será cobrado.”

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