Liturgia Diária 06/Jan/15

LITURGIA DIÁRIA DA PALAVRA
06/Jan/2015 (terça-feira)

O BANQUETE DA VIDA PARTILHADA

LEITURA: Primeira Carta de São João (1JO) 4, 7-10: As fontes da caridade e da fé (A fonte da caridade)
Leitura da Primeira Carta de São João: Caríssimos: 7 amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. 8 Quem não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor. 9 Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. 10 Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

SALMO: Salmos (Sl) 72 (71), 1-2. 3.4ab 7-8: O rei prometido
11 Os reis de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
1 Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! 2 Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres.
3 Das montanhas venha a paz a todo o povo, e desça das colinas a justiça! 4a Este Rei defenderá os que são pobres, 4b os filhos dos humildes salvará.
7 Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho! 8 De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra!

EVANGELHO: Marcos (Mc) 6, 34-44: Primeira multiplicação dos pães
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 34 Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas. 35 Quando estava ficando tarde, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e já é tarde. 36 Despede o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar alguma coisa para comer”. 37 Mas Jesus respondeu: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Os discípulos perguntaram: “Queres que gastemos duzentos denários para comprar pão e dar-lhes de comer?” 38 Jesus perguntou: “Quantos pães tendes? Ide ver”. Eles foram e responderam: “Cinco pães e dois peixes”. 39 Então Jesus mandou que todos se sentassem na grama verde, formando grupos. 40 E todos se sentaram, formando grupos de cem e de cinquenta pessoas. 41 Depois Jesus pegou os cinco pães e dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos também os dois peixes. 42 Todos comeram, ficaram satisfeitos, 43 e recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes. 44 O número dos que comeram os pães era de cinco mil homens. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial (Querer)
Saudação.
A nós, a paz de Deus, nosso Pai, a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo, no amor e na comunhão do Espírito Santo.
Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
Preparo-me para a Leitura, rezando:
Jesus Mestre, que dissestes:
“Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu aí estarei no meio deles”, ficai conosco, aqui reunidos (pela grande rede da internet), para melhor meditar e comungar com a vossa Palavra.
Sois o Mestre e a Verdade: iluminai-nos, para que melhor compreendamos as Sagradas Escrituras.
Sois o Guia e o Caminho: fazei-nos dóceis ao vosso seguimento.

Eu sou o CAMINHO (Ler)
O que o texto diz para mim, hoje?
Entro em diálogo com o texto. Reflito e atualizo.
Então, o que o texto me diz no momento?
Este texto me faz pensar em nossa sociedade onde muitos passam fome e outros têm em abundância e há tanto desperdício.
Os bispos na Conferência de Aparecida lembraram os pobres que passam fome e outros tipos de pobreza: “Milhões de pessoas e famílias vivem na miséria e inclusive passam fome. Preocupam-nos também os dependentes das drogas, as pessoas com limitações físicas, os portadores e vítimas de enfermidades graves como a malária, a tuberculose e HIV – AIDS, que sofrem a solidão e se veem excluídos da convivência familiar e social. Não nos esqueçamos também dos sequestrados e aqueles que são vítimas da violência, do terrorismo, de conflitos armados e da insegurança na cidade. Também os anciãos que, além de se sentirem excluídos do sistema produtivo, veem-se muitas vezes recusados por sua família como pessoas incômodas e inúteis. Sentimos as dores, enfim, da situação desumana em que vive a grande maioria dos presos, que também necessitam de nossa presença solidária e de nossa ajuda fraterna. Uma globalização sem solidariedade afeta negativamente os setores mais pobres. Já não se trata simplesmente do fenômeno da exploração e opressão, mas de algo novo: da exclusão social. Com ela o pertencimento à sociedade na qual se vive fica afetado, pois já não se está abaixo, na periferia ou sem poder, mas se está de fora. Os excluídos não são somente “explorados”, mas “supérfluos” e “descartáveis”. (DAp 65).
Como me solidarizo com estes pobres?

A VERDADE (Refletir)
O que diz o texto do dia?
Leio atentamente o texto na Bíblia: Mc 6, 34-44 – Banquete da vida.
O grande ensinamento de Jesus neste fato, é que não é preciso muito dinheiro, nem as duzentas moedas de prata para “comprar pão” para o povo que o acompanhava.
É preciso:
– repartir o que se tem,
– organizar o povo “em grupos de cem e de cinquenta”,
– entregar a Deus o que se tem – “Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes” –,
– confiar em Deus, acima de tudo – “olhou para o céu” –,
– agradecer – “deu graças a Deus”;
– distribuir às pessoas.
Este é o novo Reino, a nova sociedade instituída por Jesus, onde o comércio é substituído pelo dom e pelo serviço aos demais. Nesta sociedade, todos são satisfeitos e ainda há sobra: “recolheram doze cestos cheios de pães e peixes.
Era tarde. Jesus, vendo a multidão, teve compaixão. Se chegar para nós a tarde de nossa caminhada, lancemos o olhar para Jesus. Ele, em sua infinita bondade e misericórdia, nos fortalecerá. E nós, por ele incentivados, caminhemos sempre em socorro de nossos irmãos!

E a VIDA (Orar)
O que o texto me leva a dizer a Deus?
Rezo a Oração do amor:
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais,
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (Agir)
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus.
Vou viver a solidariedade com os que sofrem.

REFLEXÕES

(6) – JESUS ENSINA A MULTIDÃO E A ALIMENTA
O Verbo encarnado é a manifestação do amor compassivo de Deus por toda a humanidade; nele podemos experimentar o cuidado de Deus para com todos. Nosso texto é o regresso dos Doze da missão para a qual foram enviados por Jesus. Jesus os convida a um lugar afastado, tranquilo, para poderem descansar e, quem sabe, partilhar os frutos e os desafios da missão. A tentativa frustrada é ocasião para ressaltar a compaixão de Jesus pela multidão que o procura sem medir esforços. A compaixão de Jesus pela multidão carente de um verdadeiro pastor se manifesta como um êxtase, isto é, como um movimento de saída de si mesmo: Ele ensina a multidão e a alimenta. Daí que a compaixão não pode ser confundida com um sentimento de pena, incapaz de engajar alguém no compromisso com os seus semelhantes, sobretudo, com os que são excluídos. A compaixão, sendo fruto da ação do Espírito Santo, é dom de si aos demais. Jesus é o pastor prometido a Israel, pastor compassivo e misericordioso, cujo ensinamento e vida são o verdadeiro sustento espiritual do povo de Deus que Ele reúne em seu amor.
_Padre Carlos Alberto Contieri_

(7) – SEJA CANAL DA PROVIDÊNCIA DE DEUS PARA OS MAIS NECESSITADOS
Nós precisamos ser o canal do amor providente de Deus para os mais necessitados da humanidade, pois, por meio de nós, o pão é multiplicado e depois dividido.
“Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor” (Marcos 6, 34).
O Mestre Jesus está olhando para nós e movendo-Se de compaixão por cada um de nós. O Senhor conhece nossas misérias, nossas fraquezas e por isso se compadece de nós. Jesus se compadece do Seu povo, das numerosas multidões por esse mundo afora que sofrem a sede e a fome da Palavra de Deus, sede e fome de eternidade, de estar mais perto d’Ele, de ser abençoado por Ele. Por isso Jesus se dá, multiplica-se e depois se divide para ser presença viva na vida do Seu povo.
Quem anuncia Jesus deve ter os sentimentos que moviam o coração d’Ele. Sentimento de compaixão, porque essa multidão está sedenta de ouvir palavras de vida eterna.
Jesus tem compaixão dos sofrimentos do Seu povo, da fome material que este passa e, por isso, Ele não anuncia só o “pão nosso do céu”. Ele nos ensina que precisamos pedir o “pão nosso de cada dia”, o pão que sacia a nossa fome, que alimenta as nossas carências de alimentos.
Sabe, meus irmãos, não existe Cristianismo verdadeiro sem preocupação com aqueles que sofrem ou passam por necessidades. Não adianta ficarmos orgulhosos, porque pregamos Jesus, porque O anunciamos e Ele é bom para conosco; porque na nossa casa tem isso, tem aquilo e achamos até que somos melhores.
Por que Deus providencia o necessário para nós e não faz o mesmo para quem passa fome, para quem passa por necessidades, para quem nada tem?
Porque nós precisamos ser o canal do amor providente de Deus para os mais necessitados da humanidade; é por meio de nós que o pão tem de ser multiplicado e depois dividido.
Maldito seja o homem que só retém para si e não divide com o seu próximo, com seus irmãos! Não existe explicação humana, sociológica, que justifique qualquer filho de Deus passar fome ou necessidade.
É verdade que não sou eu nem você que iremos resolver o problema da fome ou da miséria no mundo, mas é verdade que nenhum de nós tem o direito de dobrarmos os braços, ficarmos na nossa, esperando que outros tomem atitude. O cristão vai lá e faz! Ele divide, multiplica o seu pão e divide o que têm com os outros!
Que sejamos os canais da misericórdia, da providência de Deus para aqueles que nada tem!
Deus abençoe você!
_Padre Roger Araújo_

(8) – A PARTILHA SEM LIMITES
Um dos temas centrais da pregação e da vida de Jesus foi o da partilha. Sua vida definiu-se como partilha contínua da palavra e do poder que lhe fora confiado pelo Pai. Seu ensinamento consistia em comunicar aos ouvintes um tesouro de sabedoria, levando-os a superar uma visão estreita e deturpada da Palavra de Deus. E, ao operar milagres, partilha de vida, convivida com as multidões, a força vivificadora recebida do Pai.
O milagre realizado em benefício de uma multidão faminta que o escutava, numa região deserta, foi uma lição de partilha. Os cinco pães e dois peixes eram uma porção insignificante de alimento para uma quantidade tão grande de gente. Quem os possuía, foi desafiado a colocá-los à disposição dos demais. Sem este gesto inicial de partilha, não teria havido milagre. O grupo dos discípulos de Jesus também foi desafiado a superar sua carência pessoal de alimento. E, assim, cada pessoa recebeu um pedaço de pão. Se algum pedaço de pão tivesse caído em mãos egoístas, aí o milagre deixaria de acontecer. O fato de serem cerca de cinco mil homens os que comeram e de ter sobrado doze cestos cheios de pedaços de pão e restos de peixe sublinha a infinita capacidade de partilha daquele grupo. Não importa a quantidade de alimento disponível, quando a capacidade de partilha é ilimitada. Problema é quando os bens deste mundo caem em mãos que não sabem partilhar.
Oração:
Senhor, abre meu coração diante da fome de milhares de irmãos e irmãs necessitados, e dá-me a capacidade de partilhar do meu pouco.
_Padre Jaldemir Vitório_

(9) – BOA NOVA PARA CADA DIA
“Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6, 34).
Nestes dias a liturgia nos tem mostrado Jesus como Luz de Israel e de todas as nações.
Nossa compreensão desta Luz que havia em Jesus e que era Ele mesmo, fica ampliada pelo que ouvimos no Evangelho de hoje.
Notemos que a estória narrada neste Evangelho começa descrevendo uma atitude e reação de Jesus diante daquele povo que o seguia o dia todo, pois Ele lhes ensinava muitas coisas. Era o Povo Eleito deslumbrado com a pessoa de Jesus. Se Ele não fosse para eles uma Luz, não O seguiriam a ponto de se esquecerem até de levar comida para todo o tempo em que O ouviam.
O fato de terem-se esquecido de levar alimentos enquanto seguiam Jesus, demonstra quanto era fascinante tudo o que Jesus ensinava.
O ensino de Jesus era a Luz pela qual aquele Povo ansiava.
“Tua Palavra é lâmpada para os meus pés; e Luz, para o meu caminho” [Sl 118(119), 105].
Nas sinagogas e no templo de Jerusalém aquela multidão tinha cantado este Salmo inúmeras vezes. E, agora, podiam ver esta Luz resplandecente na pessoa de Jesus. Como o deixariam, mesmo sentindo fome?
Mas Jesus era também o bom pastor.
Nele se realizava o Sl 22(23), 1-3a:
“1. O Senhor é o Pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. 2. Pelos prados e campinas verdejantes Ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, 3a. e restaura as minhas forças”.
Luz, alimento, guia, ensino, caminho para Deus, Salvação eterna: isto é somente um pouco do que a pessoa de Jesus significa para nós.
Continuemos, no entanto, neste tempo depois da Epifania, vendo em Jesus a Luz para nossos passos, Salvação para quem ainda está nas trevas. Que Sua Luz se revele para nós em todo o seu esplendor.
_Padre Valdir Marques_

(10) – A HORA JÁ IA MUITO ADIANTADA […]. COMERAM ATÉ FICAREM SACIADOS
O meu Bem-Amado é como a noite tranquila,
Semelhante ao nascer da aurora,
A silenciosa melodia,
E a solidão sonora,
A ceia retemperadora,
que inflama o amor.
Na Sagrada Escritura, o repouso da noite designa a visão de Deus. Tal como a ceia marca a conclusão dos trabalhos do dia e o princípio do repouso da noite, também a alma saboreia, nesta notícia pacífica de que falamos, uma antecipação do fim dos seus males e a garantia dos bens que espera. Também por isto o seu amor a Deus é em muito aumentado. Para a alma, o amor de Deus é realmente «a ceia retemperadora» que lhe anuncia o fim dos seus males, e que «inflama o amor», assegurando-lhe a posse de todos os bens.
Para melhor podermos compreender quão deliciosa é de fato esta ceia para a alma – pois, como o temos dito, a ceia é afinal o próprio Bem-Amado –, recordemos as palavras do Esposo, no Apocalipse: «Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo» (Ap 3, 20). Já aqui Ele nos dá a entender que traz a ceia consigo, isto é, o sabor e as delícias com que Ele próprio Se alimenta e que comunica à alma ao unir-Se-lhe, para que também esta, se alimente do mesmo. É este o sentido das suas palavras: «Cearei com ele, e ele comigo», e é este o efeito produzido pela união da alma com Deus: os mesmos bens de Deus tornam-se comuns a Ele e à alma esposa, porque Ele comunica-lhes gratuitamente e com soberana liberalidade. Deus é em Si mesmo esta «ceia retemperadora, que inflama o amor». Ele retempera a esposa com a sua liberalidade, e inflama-a de amor com a sua benevolência.
_São João da Cruz_

(11.) – DAI-LHES VÓS MESMOS DE COMER
A falta de pão na mesa de tantos irmãos é uma ferida que sangra constantemente no coração de Jesus, e nós, que dizemos seus seguidores, o que temos feito para aliviar esta dor de Jesus?
É difícil de acreditar, mas é a mais dura realidade: num mundo de tanta fartura de alimentos, ainda hoje, morrem milhares de pessoas vítimas do nosso abandono, da nossa falta de amor! São muitos os irmãos necessitados do mínimo para a sua sobrevivência, pessoas que desfilam diariamente diante dos nossos olhos, mas que nós não queremos enxergá-las, preferindo ignorá-las, para nos isentar de qualquer responsabilidade sobre elas. E assim vamos buscando mil desculpas para justificar a nossa impassibilidade, culpando-os dos seus fracassos.
Precisamos aprender a olhar o irmão com o mesmo olhar de Jesus, um olhar de amor, que não apenas constata a sua necessidade, mas que nos leve a busca de soluções para os seus problemas.
A exemplo de Jesus, não podemos fechar os olhos diante às necessidades dos nossos irmãos, e nem transferir para outros a responsabilidade que é nossa, ou seja, a responsabilidade que devemos ter para com a vida dos nossos irmãos, afinal, como membros da família de Deus, somos corresponsáveis pela vida do outro, o próprio Jesus nos encarregou disso, quando diz: “Dai-lhes vós mesmos de comer!”
Jesus nos encarrega de saciar a fome dos nossos irmãos, nos dando a certeza de que, se colocarmos em suas mãos o pouco que temos, como fizeram os discípulos, neste episódio, Ele transforma este pouco em muito!
Onde existe amor, existe partilha, onde existe partilha, Deus entra e o milagre da multiplicação acontece!
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, mostra-nos mais uma vez, a sensibilidade de Jesus diante à necessidade humana!
O texto que nos é apresentado, narra o episódio que marcou o milagre da multiplicação dos pães: o milagre da partilha! O ponto fundamental deste acontecimento é o amor, o amor que move, que leva à partilha.
Na multiplicação dos pães, Jesus nos ensina na prática, que é na partilha que resolvemos o problema emergencial da fome, mas não podemos parar por aí, é preciso ir mais além, além de uma conscientização social, precisamos nos conscientizar politicamente, para que possamos eleger com responsabilidade os nossos governantes, homens e mulheres comprometidos com o bem comum, que busque soluções que diminua a desigualdade social.
Como verdadeiros seguidores de Jesus, temos o compromisso de despertar no outro a necessidade de Deus, mas não tem como falar de Deus com quem não tem o que comer, é preciso primeiro saciar a sua fome do pão material, só assim, será possível despertar no seu coração a necessidade do pão do céu que é Jesus! Foi o que fez Jesus, a partir da necessidade do pão material, ele criou no povo a necessidade do pão da vida eterna, que nós sabemos ser o próprio Jesus.
Não percamos a oportunidade de ajudar os nossos irmãos necessitados, de saciar a sua fome de pão, fome de amor e de justiça.
Não esqueçamos nunca: com os pobres está a chave que abre a porta do céu para nós.
FIQUE NA PAZ DE JESUS!
_Olívia Coutinho_

(11.2) – DAI-LHES VÓS MESMOS DE COMER
Este Evangelho, da multiplicação dos pães, mostra que tanto os discípulos como Jesus sentiram compaixão do povo que estava com fome. Mas a maneira de resolver o problema foi diferente. Os discípulos queriam despedir logo o povo para que procurassem alimentos, porque não viam outra solução. Jesus quis que os próprios discípulos lhes dessem de comer, confiando na ajuda de Deus Pai.
A cena deixa claras duas maneiras de ver a religião. Os discípulos, ao pedirem a Jesus que despedisse o povo porque estavam com fome, mostraram que para eles essa parte de providenciar alimentos não faz parte da religião. Já para Jesus faz parte sim, e com Deus temos condições de resolver.
Quantas Comunidades de hoje, através das instituições sociais, provam que com Deus realmente é possível. A caridade nos leva a amar as pessoas, mas amá-las inteiras, com corpo, alma e espírito. Por isso que muitas Comunidades se interessam pela política, pelo transporte, pela moradia, pela educação das crianças etc. O sonho de um mundo melhor nos leva, não a deixar para os outros, mas a fazer a nossa parte, mesmo que tenhamos poucas condições. O pouco com Deus é muito e o muito sem Deus não é nada.
“Jesus mandou que todos se sentassem… formando grupos.” A organização gera a partilha e, quando partilhamos, Deus faz o milagre da multiplicação. Isso aconteceu ontem, acontece hoje e acontecerá sempre. Onde há amor, ninguém passa necessidade.
“Nosso Deus é o verdadeiro. Ele nos dá o pão da sua palavra e o pão que alimenta o corpo” (Dt 8, 3). Veja que esse modo de ver a religião, como dedicação ao homem integral, não é coisa nova, sempre foi assim. Quando uma Comunidade se dedica ao homem integral, isso gera alegria e louvor a Deus, como aconteceu com os hebreus, quando veio o maná.
“Quantos pães tendes? … Jesus pegou os cinco pães e dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção…” Nem nós sozinhos, nem Deus sozinho, mas nós e Deus juntos. Nós fazemos a nossa parte, damos o pouco que temos, e Deus abençoa. Faça a sua parte que da minha ajudarei.
Se tivermos fé, espírito de partilha, união e organização, e não jogarmos fora as sobras, ninguém passará fome nem qualquer outra necessidade. As Comunidades cristãs são o meio que Jesus deixou para isto acontecer.
Alimento é coisa sagrada. Não podemos esbanjar, jogar fora. O que sobra para um, falta para outro. Por isso, é preciso recolher com cuidado tudo o que sobra.
Assim como os cinco pães e dois peixes foram divididos e todos comeram, a nossa partilha também é multiplicada, em benefício de todos, inclusive de nós mesmos. E além de termos a recompensa de Deus, tanto nesta vida como na outra. “Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança o Reino…” (Mt 25, 34).
A multiplicação dos pães tem vários sentidos simbólicos. A grande multidão de cinco mil homens representa a humanidade com a sua fome de libertação messiânica. O milagre da multiplicação aponta para a Eucaristia, o Pão partilhado, saciando o novo Povo de Deus e prenunciando o banquete definitivo do Reino, já inaugurado.
A fome no mundo é patente. Três quartos da humanidade está subnutrida, e a maior parte é vítima da fome, doença, falta de moradia e de trabalho. As riquezas são concentradas pelos ricos, fazendo deles cada vez mais ricos, enquanto os pobres continuam cada vez mais pobres. Nós podemos, com o nosso esforço e união, mudar esse quadro.
Certa vez, na antiguidade, um navio estava atravessando o mar com centenas de pessoas. Aconteceu uma grande tempestade e o navio perdeu a direção. Acabaram chegando a uma ilha desconhecida e totalmente desabitada.
Logo que chegaram à ilha, três homens começaram a explorá-la. Viram que ela tinha duas partes bem distintas: o centro, com terra boa e coberta com matas e muita água doce, e a periferia constituída de pedreiras.
Mais que depressa, os três homens cercaram a parte boa da ilha e se declararam donos. Construíram ali três mansões. As outras pessoas tiveram de ficar na periferia. Logo começaram a passar fome. Então os três proprietários propuseram: quem trabalhar para eles ganhava comida. E assim, todos os outros se tornaram seus empregados.
Os três escolheram os homens fortes e corajosos e deram-lhes bastante comida e armas, declarando-os a polícia da ilha. Aos outros deram menos comida, para não terem força e se revoltarem.
Escolheram os mais inteligentes e fizeram deles professores. Mas deviam ensinar conforme a cartilha dos três. Escolheram também os mais piedosos e com eles fundaram uma religião, chamada “A religião do verdadeiro deus”. Ensinavam que a miséria e a fome são agradáveis a deus e que todos deviam obedecer aos três, cujos retratos as famílias deviam colocar nas paredes de suas casas. Outras imagens eram proibidas.
Entretanto, apareceu um profeta e começou a ensinar que todos somos iguais e que aquela religião era falsa. Os três chefes chamaram a sua polícia e mataram o profeta. Entretanto, as suas ideias ficaram em muitas cabeças e estas pessoas continuaram a doutrina do profeta, criando dentro da ilha um novo povo e um novo modo de viver, no qual as pessoas são iguais e os alimentos são distribuídos para todos.
Peçamos a Maria Santíssima que nos ajude a sermos profetas do verdadeiro Deus. Que sejamos cada vez mais unidos, solidários e organizados, a fim de que todos tenham vida e vida plena.
Dai-lhes vós mesmos de comer.
_Padre Antônio Queiroz_

(11.3) – FOME ESPIRITUAL
1 João 4, 7-10 – “quem ama nasceu de Deus”.
Esta é uma afirmação que dispensa qualquer outro comentário: “quem ama nasceu de Deus”, “pois Deus é amor”! Só podemos afirmar que conhecemos a Deus se realmente amarmos uns aos outros, como diz São João.
No entanto, é indispensável que tenhamos em mente a certeza de que não fomos nós que escolhemos a Deus para amá-Lo, mas sim, de que foi Ele quem nos amou primeiro e manifestou este amor quando enviou o Seu Filho Jesus como vítima de reparação pelos nossos pecados. Deus nos amou primeiro, esta é a verdade! Não adianta querermos cumprir o maior mandamento da Lei de Deus, pelo nosso próprio esforço tentando amar o próximo com o nosso amor humano, imperfeito. Não conseguiremos, iremos falhar!
Precisamos nos conscientizar de que na nossa matéria humana nós não possuímos reserva nem qualidade de sentimentos de amor necessários para cumprirmos com o maior mandamento da Lei de Deus. Por isso, São João nos orienta: “amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus, pois Deus é amor”.
Só podemos afirmar que conhecemos a Deus, se amarmos o nosso próximo com o Amor que provém da fonte de amor eterno que existe dentro de nós. Se nos apossarmos do dom do Espírito Santo e tivermos a certeza de que é Ele quem nos capacita a amar a Deus e aos irmãos, aí então, poderemos vivenciar o amor mútuo. Deus é Amor e se manifesta em nós por meio do Seu Espírito Santo que nos motiva a agir com atos concretos de amor que gera vida. Deixemo-nos, então, ser invadidos (as) pelo Espírito Santo, pois Ele age e faz acontecer em nós o cumprimento da Lei.
– Você tem feito algum esforço para tentar amar a Deus e ao próximo?
– Você sente o amor de Deus?
– Você já se deixou invadir pelo Espírito Santo?
– Você conhece a Deus?
– Quem é o agente do amor e faz acontecer o amor em nós?

Salmo 71 – “Os reis de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!”
O salmo continua exaltando a realeza de Jesus que vem com todo o poder para defender os pobres e humildes. A perspectiva da chegada de Jesus com toda a glória enche o nosso coração de esperança. A glória que se manifestou a todas as nações quando Jesus foi visitado pelos reis magos continua ainda hoje se exprimindo no coração de todas as pessoas que O têm como Salvador.

Evangelho – Marcos 6, 34-44 – “fome espiritual”
Ao olhar para aquela multidão e observar que lhe faltava luz e pão Jesus teve um sentimento de compaixão que o moveu para realizar um grande milagre. Ele olhava para cada uma daquelas pessoas de um modo profundo e as compreendia de uma forma completa, corpo, alma e espírito. Assim sendo, Ele percebia que tanto a fome do pão material como também a ignorância dos mistérios de Deus angustiava as suas almas.
“Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas”!
Entretanto, mesmo que o povo continuasse atento aos Seus ensinamentos, Ele preocupou-se em conceder-lhes o pão material. Ao ensinar muita coisa àquele povo, com certeza, Jesus falava de tudo que ouvira de Deus Pai e do Seu Amor por cada um em particular. Daí, então, podemos apreender que só nos sentiremos verdadeiramente, em paz e saciados quando tivermos uma experiência com o Amor de Deus, mesmo que estejamos fartos do alimento material.
Hoje, também, há dentro de nós uma fome espiritual de conhecimento de Deus e das coisas que dizem respeito ao nosso relacionamento com o Pai. Jesus mostrou aos Seus discípulos e hoje também nos ensina a dar passos para quando estivermos sem saber como alimentar a “multidão” ao nosso redor.
Primeiramente Ele nos instrui: “Dai-lhes vós mesmos de comer”.
Em seguida Ele nos investiga e quer saber se temos consciência do que já possuímos a fim de que possamos ajudar a alimentar essa multidão.
E, por último, Ele nos ensina a nos organizarmos, a sentarmos, a dialogar, a trocarmos ideias para partilharmos tudo o que temos em nossas mãos. Jesus nos instrui a formar grupos, a trocar experiências, a nos ajudarmos e põe como fundamento para tudo isto, a compaixão.
Ter compaixão é agir com amor e com misericórdia. Deus ao nos criar sabia que iríamos precisar uns dos outros e, por isso, nos preparou e nos deu bons sentimentos para que os usássemos em favor dos nossos irmãos.
– Você tem fome de conhecimento de Deus?
– Você sabe o que a sua alma deseja?
– Você tem consciência dos pães e dos peixes que você possui?
– Você é uma pessoa que sabe viver em grupo?
– Você sabe partilhar o que tem?
_Helena Serpa_

(11.4) – JESUS, MODELO DE PASTOR, QUER A NOSSA SALVAÇÃO
(Jesus, modelo de Pastor, quer a Salvação do homem todo, e isso implica também em saciar a fome material de suas ovelhas)
Jesus sente compaixão da numerosa multidão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois a ensinar-lhes muitas coisas.
Essa introdução do evangelho faz surgir um questionamento: Jesus poderia sentir compaixão porque o povo estava com fome, e em seguida faria o milagre da multiplicação dos pães, e a narrativa estaria completa.
Mas era o início da pregação, imaginemos que fosse de manhã, o ensinamento de Jesus continuou o dia inteiro e de repente já é o entardecer que prenuncia a noite e os discípulos constatam um problema e imediatamente propõe uma solução…
A compaixão inicial de Jesus não é pelo problema da fome ou da falta de alimentos naquele lugar distante, mas sim porque o povo estava sem perspectiva, em um total desânimo, não havia quem lhes indicasse um caminho seguro, ou quem lhes falasse de algo novo. Ovelha sem pastor é gente sem esperança, sem rumo a seguir, sem um sentido para a sua vida.
Talvez o povo tivesse colocado sua esperança em instituições, governantes, autoridades e outros Líderes, a espera de uma mudança para melhor, que nunca viria. Ninguém quer aqui menosprezar nossas instituições políticas e governamentais, mas está difícil de se acreditar em mudanças no Brasil, pelo menos aquelas mudanças estruturais necessárias e importantes, que trariam benefícios à grande massa. O evangelho não fala, sobre o que Jesus ensinava, mas certamente ele deixa evidente que a realização do Reino de Deus não depende das estruturas humanas, nem religiosas e nem governamentais. Ao mesmo tempo ele se apresenta como o realizador do Reino: O caminho, a Verdade e a Vida…
E para que na cabeça do povo não fique a impressão de que Religião é alienação, Jesus se volta para um problema levantado pelos discípulos: é preciso dispensar o povo, pois é muita gente e não há alimentação disponível e suficiente para todos.
Se Jesus fosse pregador de uma Religião alienadora, aceitava o conselho dos discípulos e se livrava do problema, mandando a multidão embora.
Mas Jesus é Pastor e não Lobo, que se aproveita das ovelhas, ao dizer aos discípulos, dai-lhes vós mesmos de comer, Jesus está afirmando que as Comunidades Cristãs não podem ficar alheias às necessidades das pessoas. No Reino dos Homens, somente o “Muito” viabiliza projetos sociais, no Reino de Deus, basta a partilha do “Pouco” e o milagre acontece. É uma alusão direta à Eucaristia, o maior de todos os milagres, e do qual nasce a vida de comunhão e partilha, que faz tantos milagres iguais a esse acontecer.
O Homem e a mulher Eucaristizados contempla as pessoas com o mesmo olhar de compaixão de Jesus, e suas necessidades nunca ficam sem serem supridas…
_Diácono José da Cruz_

(11.5) – DA CONCENTRAÇÃO À PARTILHA
A Galileia tinha, desde há muito tempo, uma péssima tradição de desequilíbrios sociais. O episódio da vinha de Nabot, sucedido num passado longínquo, estava ainda bem vivo na mente do povo. Mudaram-se os tempos, porém, a ganância de concentrar os bens nas mãos de poucos permaneceu inalterada.
O milagre da partilha dos pães foi na contramão desta mentalidade, visando incentivar a criação de uma sociedade diferente, na qual os bens deste mundo fossem partilhados entre todos.
Fato notável é que a lição da partilha teve como ponto de partida a pobreza e não a abundância de bens. Poderia ter acontecido assim: uma pessoa rica, possuidora de muitos recursos, ter-se servido deles para alimentar a multidão faminta. Ou mesmo Jesus, recorrendo ao poder recebido do Pai, ter milagrosamente feito aparecer uma montanha de pães com os quais todos se pudessem saciar.
Nada disto! Tratava-se, sim, de cada um repartir com o próximo o pouco que lhe cabia, a começar com aquele jovem que possuía “cinco pães e dois peixes”.
Quem não acreditava na força do Reino, perguntou-se o que seria isto para “cinco mil pessoas?”, mas aqueles em cujos corações o Reino lançou raízes, tudo se passou de maneira diferente.
A partilha começa no pouco, pois, quem tem muito (fruto da cobiça e da ganância) dificilmente se disporá a repartir e a mostrar-se misericordioso com o próximo.
Oração:
Pai, preserva-me da cobiça e da ganância que me impedem de ser generoso com meu semelhante. E abre meu coração para a partilha e a misericórdia.
_Igreja Matriz de Dracena_

(12) – REFLEXÃO
Jesus é o pastor segundo o coração de Deus, realizando assim a profecia de Jeremias, e é também o próprio Deus que vem para apascentar o seu povo, conforme nos diz o profeta Ezequiel. Ele vem porque Deus tem compaixão do seu povo que está como ovelhas que não têm pastor. Jesus é o pastor que alimenta o rebanho com a palavra, ensinando-lhes muitas coisas, e com o alimento material, multiplicando os pães e os peixes. Como continuadores da missão pastoral de Jesus, devemos nós também dar a nossa contribuição para que o povo seja formado na fé, possa lutar pela superação da miséria e da fome, e tenha condições de conhecer e viver os valores do Reino de Deus.

(17) – MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES (PRIMEIRA)
Certa feita, os apóstolos se reúnem a Jesus para contar-lhe o que tinham feito e ensinado. Sentindo-os cansados, o Mestre os conduz para um lugar solitário, onde pudessem meditar e refazer as suas forças. Mas a multidão não o abandona, segue-o, talvez movida por curiosidade ou por gratidão pelos benefícios recebidos. Jesus não se sente incomodado ou perturbado, mas enternecido volta a ensinar. As horas passam e o dia declina, o lugar é deserto e a multidão não tem com que se alimentar. Atentos e preocupados, os discípulos chegam a lhe dizer: “Despede-os para que vão aos campos e aldeias vizinhas e comprem para si o que comer”. Olhando a multidão, Jesus “teve compaixão dela”, era como ovelhas sem pastor, e, percebendo que estava faminta, lhes diz: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Não havia mais do que cinco pães e dois peixes, como alimentar toda aquela gente! Sempre sereno e sem titubear, Ele manda que eles fizessem os mais de cinco mil homens e mulheres se acomodarem na relva verde, pois seu amor remove todas as barreiras e Ele está pronto a intervir em favor deles. Todos comeram e “ficaram saciados, e ainda recolheram doze cestos cheios dos pedaços que sobraram”.
A indicação de que o lugar “é deserto” não se deve atribuir só à ênfase do Evangelista, mas também à evocação do tempo da peregrinação do povo de Israel no deserto, figura dos tempos messiânicos. Nesse sentido, Ele sacia não só a fome de pão ou da Lei de Deus, mas particularmente a fome “do pão de Deus, pão que desce do céu e dá vida ao mundo” (Jo 6,33). À ceia do Messias, para todos Jesus é o bom pastor, que cuida do povo em sua peregrinação terrena, e o remete, diz S. Hilário de Poitiers, “àquele de quem Ele procedia: não que lhe fosse necessário olhar para o alto com seus olhos de carne, mas para que a multidão compreendesse de quem provinha tal poder”. No deserto, Deus alimentou o povo judeu com o maná do céu, agora, a multidão é alimentada com o pão oferecido por Jesus, sinal do pão celestial, alimento de ressurreição, a Eucaristia. Perante esse fato e vendo-o como prenúncio do pão eucarístico, proclama S. Hipólito de Roma: “Quem come a Vida jamais verá a morte”.
_Dom Fernando Antônio Figueiredo_

COMEMORA-SE NO DIA 06/JAN

(5) – SÃO CARLO DE SEZZE
Carlo era um frei franciscano repleto do Espírito de Deus. Trabalhava como cozinheiro, porteiro e jardineiro. Padres, leigos, religiosos e religiosas o procuravam para pedir conselhos.
Nasceu em 22 de outubro de 1613, em Sezze, Itália. Sua família tinha muitas posses, mas o jovem não se interessava pelos bens materiais. Com 22 anos entrou num convento franciscano. Sua simplicidade era tanta que, mesmo com a insistência dos familiares, não quis ordenar-se sacerdote.
Mas a graça de Deus concedeu a Carlo o dom de ouvir e aconselhar as pessoas. Embora Carlo cuidasse apenas da horta e da cozinha do convento, sempre acontecia ser enviado para outras cidades para que pudesse aconselhar bispos e cardeais.
Frei Carlo tinha pouca instrução, mas escrevia belíssimas páginas espirituais e autobiográficas, numa gramática acidentada, porém, eficiente. Falece em 6 de janeiro de 1670, no Convento de São Francisco, na cidade de Roma.
_Padre Evaldo César de Souza_

(6) – SANTA RAFAELA MARIA
Nasceu em Córdova, na Espanha, no ano de 1850. Juntamente com sua irmã de sangue, fundaram a Congregação das Escravas do Sagrado Coração de Jesus. Dedicadas à adoração ao Santíssimo Sacramento e ao cuidado das crianças, Santa Rafaela ocupou o cargo de Madre Superiora e sua irmã – co-fundadora – de ecônoma geral. Mas, no ano de 1893, a irmã de Santa Rafaela foi partilhando com outras conselheiras a ponto de convencê-las de que sua irmã, Santa Rafaela Maria, por não ser apta na economia, também não poderia continuar governando a congregação. Diante daquele consenso, ela deixou o cargo e sua irmã o ocupou e foi superiora durante 10 anos.
Nos 22 anos de vida que restaram a essa grande serva de Deus, ela viveu na humildade, fazendo os serviços que davam a ela sempre com muito amor e obediência na graça de Deus. Santa Rafaela Maria foi uma verdadeira adoradora diante do Santíssimo Sacramento. Ao falecer, em 1925, partiu para a glória. Não passou muito tempo, veio à luz toda a trama de sua irmã, que não foi reconhecida como santa.
Santa Rafaela Maria, rogai por nós!

(10) – OS SANTOS REIS MAGOS
Os Três Reis Magos ou simplesmente “Os Magos”, a que a tradição deu os nomes de Melchior, Baltazar e Gaspar, são personagens da narrativa cristã que visitaram Jesus após o seu nascimento (Evangelho de Mateus). A Escritura diz “uns magos”, que não seriam, portanto, reis nem necessariamente três mas, talvez, sacerdotes da religião zoroástrica da Pérsia ou conselheiros. Como não diz quantos eram, diz-se três pela quantia dos presentes oferecidos.
Talvez fossem astrólogos ou astrónomos, pois, segundo consta, viram uma estrela e foram, por isso, até a região onde nascera Jesus, dito o Cristo. Assim os magos, sabendo que se tratava do nascimento de um rei, foram ao palácio do rei Herodes em Jerusalém. Perguntaram-lhe sobre a criança mas ele disse nada saber. No entanto, Herodes alarmou-se e sentiu-se ameaçado e pediu aos magos que, se encontrassem o menino, o informassem, pois iria adorá-lo também, embora suas intenções fossem a de matá-lo.
A estrela, conta o evangelho, precedia-os e parou sobre o local onde estava o menino Jesus. “E vendo a estrela, alegraram-se eles com grande e intenso júbilo” (Mt 2, 10). Os Magos ofereceram três presentes ao menino Jesus, ouro, incenso e mirra, cujo significado e simbolismo espiritual é, juntamente com a própria visitação dos magos, um resumo do evangelho e da fé cristã, embora existam outras especulações respeito do significado das dádivas dadas por eles: o ouro pode representar a realeza (eles procuravam o “Rei dos Judeus”); o incenso pode representar a fé, pois o incenso é usado nos templos para simbolizar a oração que chega a Deus; a mirra, resina antisséptica usada em embalsamamentos desde o Egito antigo, remete-nos para o género da morte de Jesus, o martírio, sendo que um composto de mirra e aloés foi usado no embalsamamento de Jesus (João 19, 39 e 40).
“Sendo prevenidos em sonhos a não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra” (Mt 2, 12). Nada mais a Escritura diz sobre essa história cheia de poesia, não havendo também quaisquer outros documentos históricos sobre eles.
A melhor descrição dos reis magos foi feita por São Beda, o Venerável (673-735), que no seu tratado “Excerpta et Colletanea” assim relata: “Melchior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltazar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
Quanto a seus nomes, Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”, Melchior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltazar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.
Como se pretendia dizer que simbolizavam os reis de todo o mundo, representariam as três raças humanas existentes, em idades diferentes. Segundo a mesma tradição, Melchior entregou-Lhe ouro em reconhecimento da realeza; Gaspar, incenso em reconhecimento da divindade; e Baltazar, mirra em reconhecimento da humanidade.
A exegese vê na chegada dos reis magos o cumprimento a profecia contida no livro dos Salmos (Sl 71, 11): “Os reis de toda a terra hão de adorá-Lo”.
Devido ao tempo passado até que os Magos chegassem ao local onde estava o menino, por causa da distância percorrida e da visita a Herodes, a tradição atribuiu à visitação dos Magos o dia 6 de Janeiro. Algumas Conferências Episcopais decidiram, contudo, celebrar a festa da Epifania no primeiro domingo de Janeiro (quando não coincide com o dia 1).
Devemos aos Magos a troca de presentes no Natal. Dos presentes dos Magos surgiu essa tradição em celebração do nascimento de Jesus. Em diversos países a principal troca de presentes é feita não no Natal, mas no dia 6 de Janeiro, e os pais muitas vezes se disfarçam de reis magos.
Nos países em que a Epifania se celebra neste dia, as leituras da liturgia são Is 60, 1-6; Sl 71, 2.7-8.10-13; Ef 3, 2-3.5-6; Mt 2, 1-12.

(10) – BEATO ANDRÉ BESSETTE
André nasceu no ano de 1845 no Canadá. Desde o nascimento, sofreu com doenças, tanto que, depois do Batismo, o padre não acreditava na sua sobrevivência, mas, graças a Deus e a intercessão de São José, ele viveu até os noventa e um anos.
De família pobre, trabalhou na lavoura e também como padeiro, sapateiro, funileiro e ferreiro. André estava em constante oração, pois oferecia os sacrifícios a Jesus. Ingressou, por indicação de um amigo sacerdote, na Congregação da Santa Cruz.
Este padre amigo foi o instrumento de Deus para semear no coração do beato uma profunda devoção a São José, a ponto de testemunhar: “Sou filho adotivo de São José e irmão de Jesus”. No mesmo ano em que recebia o hábito, São José era proclamado Padroeiro da Igreja, por isso André comprometeu-se com o amigo do Céu a honrá-lo e fazê-lo amado por todos.
Frei André foi nomeado porteiro do Colégio de Nossa Senhora, em Montreal, tornou-se amigo dos pobres, doentes e aflitos; acolhia com carinho os católicos, protestantes e ateus.
Dentre todos os que procuravam André, muitos conseguiram milagres através da oração do Santo, que tudo pedia a Jesus por meio de São José. Perseguido, chamado charlatão e supersticioso, Frei André tudo suportou sem murmurar da vida.
O beato chegou a apresentar um projeto ao seu padre reitor sobre a construção de um santuário em devoção a São José. Depois da inspiração apareceram as dúvidas, pois seria preciso muito dinheiro para comprar o grande terreno: “Então, Irmão André, acha mesmo que São José vai conseguir tão grande terreno?” Respondeu com simplicidade: “Claro que sim, Padre Reitor! São José é o pai do Dono de todo o Mundo!”
A construção, que chegou a Basílica, tornou-se a maior em todo o mundo em honra de São José.

NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE

CELEBRAÇÃO DE HOJE

SEMANA DA EPIFANIA
(BRANCO, PREFÁCIO DA EPIFANIA OU DO NATAL – OFÍCIO DO DIA)

RITOS INICIAIS

Monição Ambiental ou Comentário Inicial
_.

Antífona da entrada
Bendito o que vem em nome do Senhor: Deus é o Senhor, ele nos ilumina (Sl 117, 26s).

Oração do Dia ou Oração da Coleta
Ó Deus, cujo Filho unigênito se manifestou na realidade da nossa carne, concedei que, reconhecendo sua humanidade semelhante à nossa, sejamos interiormente transformados por ele. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DA PALAVRA

Monição para a(s) Leitura(s)
_.

Monição ou Antífona do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
O Espírito do Senhor repousa sobre mim e enviou-me a anunciar aos pobres o Evangelho (Lc 4, 18).

Oração Universal ou Oração dos Fiéis
Conforme nos orienta a IGMR, no Cap. II, LETRA B, números 69, 70 e 71, vamos deixar que cada Comunidade possa realizar a sua Oração Universal colocando nela, a sua realidade comunitária, não devendo esquecer que, normalmente serão estas as séries de intenções, além das pessoais de cada um, caso seja dada a oportunidade pelo celebrante ao povo de se expressar:
a) Intenções pelas necessidades da Igreja;
b) Intenções pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo;
c) Intenções pelos que sofrem qualquer dificuldade;
d) Intenções pela comunidade local;
e) Intenções pessoais da comunidade.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Oração sobre as Oferendas
Acolhei, ó Deus, nós vos pedimos, as oferendas do vosso povo, para que alcancemos nos celestes sacramentos o que professamos por nossa fé. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão
Pela grande caridade com que nos amou, Deus nos mandou o seu filho numa carne semelhante à do pecado (Ef 2, 4; Rm 8, 3).

Oração depois da Comunhão
Ó Deus, que pela nossa participação neste sacramento entrais em comunhão conosco, fazei que sua graça frutifique em nós e possamos conformar nossa vida aos dons que recebemos. Por Cristo, nosso Senhor.

RITOS FINAIS OU RITOS DE ENCERRAMENTO

Ide em Paz!

FONTES DE CONSULTAS E PESQUISAS

Vamos expor a seguir de onde pertencem os textos que nos preenchem todos os dias, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO

FONTE DE CONSULTA – IGMR (INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO – 1ª EDIÇÃO / 2008)

REFLITA

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem foi que inspirou essa pessoa a escrever.
O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.
O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que Ele nos pede.
Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é ter discernimento e saber compartilhar o conhecimento.

FONTES DE ORIENTAÇÕES E PESQUISAS

(1.1) – Blog Liturgia Diária da Palavra de Deus (Reflexões e Comentários);
(1.2) – Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);
(1.3) – Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);
(5) – Portal Editora Santuário;
(6) – Portal Editora Paulinas;
(7) – Portal e Blog Canção Nova;
(8) – Portal Dom Total;
(9) – Portal Edições Loyola Jesuítas;
(10) – Portal Evangelho Quotidiano;
(11) – Blog Liturgia Diária Comentada;
(12) – Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);
(13) – Portal Catequisar: Catequese Católica;
(14) – Portal Comunidade Católica Nova Aliança;
(15) – Portal Fraternidade O Caminho;
(16) – Portal Evangeli.net;
(17) – Portal Padre Marcelo Rossi;
(18) – Um Novo Caminho;
(19) – Portal Dom Total: Roteiro Homilético;
(20) – Portal de Catequese Católica;
(21) – Blog Homilia Dominical;
(22) – Portal NPD Brasil;
(23) – Portal Canção Nova: Música;
(24) – Portal Editora Paulus;
(25) – Portal Católica Net;
(26) – Portal Católico Orante;
(27) – Rádio Catedral FM 106,7: Liturgia Diária;
(28) – Portal Comunidade Resgate;
(29) – Portal Católico na Net.

MENSAGEM PARA VOCÊ E PARA MIM MESMO

Mais vale o desconforto da VERDADE, do que a comodidade da MENTIRA.
E usando a essência da Oração da Serenidade, devo orar:

Ó meu Deus e Senhor, Pai de misericórdia e Salvação,
que em seu Filho Jesus perdoou os nossos pecados,
e com o seu Santo Espírito, paráclito nesse nosso mundo que caminha conosco,
apenas em Ti posso almejar a vida eterna, socorre-me e ouvi-me:
Se o ERRO está em mim, que DEUS possa me dar a HUMILDADE de aceitar que estou errado.
Que Jesus me dê a SERENIDADE, para aceitar que tem coisas que não posso mudar.
E que o Espírito Santo me dê a CORAGEM, suficiente para mudar aquelas coisas que dependem de mim, mesmo que sejam difíceis.

E para complementar os alicerces de orações da minha vida, faço como o santo Tomás de Aquino:

“Concede-me, Deus misericordioso, que deseje com ardor o que tu aprovas, que o procure com prudência, que o reconheça em verdade, que o cumpra na perfeição, para louvor e glória do teu nome.
Põe ordem na minha vida, ó meu Deus, e permite-me que conheça o que tu queres que eu faça, concede-me que o cumpra como é necessário e como é útil para a minha alma.
Concede-me, Senhor meu Deus, que não me perca no meio da prosperidade nem da adversidade; não deixes que a adversidade me deprima, nem que a prosperidade me exalte.
Que nada me alegre ou me entristeça para além do que conduz a ti.”

Viver CORRETO e falar a VERDADE hoje são tão difíceis quanto na época de Jesus, pois é muito mais fácil aceitar a MENTIRA e fazer o ERRADO.
Viver no CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é o próprio Cristo Jesus, tem que ser uma caminhada diária.
O futuro é desejo e pensamento.
O passado é aprendizado e lembrança.
O hoje é realidade, isso quer dizer: CRISTO.

Meus amigos(as) de coração, meus irmãos(ãs) em Cristo Jesus, lembrem-se:
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
“Não julgues para não seres julgados.”
“A quem é muito dado, muito será cobrado.”

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