Liturgia Diária 08/Jan/15

LITURGIA DIÁRIA DA PALAVRA
08/Jan/2015 (quinta-feira)

O Espírito do Senhor está sobre mim

LEITURA: Primeira Carta de São João (1Jo) 4,19–5,4: Às fontes da caridade e da fé (À fonte da caridade)
Leitura da Primeira Carta de São João: Caríssimos, 19 quanto a nós, amamos a Deus porque ele nos amou primeiro. 20 Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas entretanto odeia o seu irmão, é um mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. 21 E este é o mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão. 5,1 Todo o que crê que Jesus é o Cristo nasceu de Deus, e quem ama aquele que gerou alguém amará também aquele que dele nasceu. 2 Podemos saber que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. 3 Pois isto é amar a Deus: observar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, 4 pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

SALMO: Salmos (Sl) 72 (71), 1-2. 14-15bc. 17: O rei prometido
11 As nações de toda a terra, hão de adorar-vos, ó Senhor!
1 Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! 2 Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres.
14 Há de livrá-los da violência e opressão, pois vale muito o sangue deles a seus olhos! 15b Hão de rezar também por ele sem cessar, 15c bendizê-lo e honrá-lo cada dia.
17 Seja bendito o seu nome para sempre! E que dure como o sol sua memória! Todos os povos serão nele abençoados, todas as gentes cantarão o seu louvor!

EVANGELHO: Lucas (Lc) 4, 14-22a: Ministério de Jesus na Galileia:
(14-15: Jesus inaugura sua pregação);
(16-22a: Jesus em Nazaré)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 14 Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. 15 Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. 16 E veio à cidade de Nazaré onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. 17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19 e para proclamar um ano da graça do Senhor”. 20 Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. 22a Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial (Querer)
A nós, a paz de Deus, nosso Pai, a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo, no amor e na comunhão do Espírito Santo.
Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
Preparo-me para a Leitura, rezando:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Espírito Santo, tu que vieste do Pai, e que permaneceste conosco, em Jesus, tu que habitas, pela fé, nos nossos corações, abre-nos à Palavra!
Seja a nossa inteligência e a nossa vontade, terreno bom, onde tu possas trabalhar com liberdade, de modo que a nossa vida seja testemunho da tua caridade. Amém.

Eu sou o CAMINHO (Ler)
O que o texto diz para mim, hoje?
O meu Projeto de vida é o do Mestre Jesus Cristo?
Neste início de ano, costumamos fazer planejamentos.
Meu planejamento é pautado no de Jesus?
Tem os mesmos objetivos e estratégias?
Os bispos da América Latina disseram: “nós, como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Anunciamos a nossos povos que Deus nos ama, que sua existência não é uma ameaça para o homem, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino, que Ele nos acompanha na tribulação, que alenta incessantemente nossa esperança em meio a todas as provas. Os cristãos são portadores de boas novas para a humanidade, não profetas de desventuras.” (DAp 30)

A VERDADE (Refletir)
O que diz o texto do dia?
Leio atentamente o texto na Bíblia: Lc 4, 14-22a.
Todos começaram a elogiar Jesus, admirados com a sua maneira agradável e simpática de falar.
Neste texto de Lucas temos toda a programação da atividade de Jesus na sua vida pública. O próprio Jesus lê o profeta Isaías no texto em que narra este programa: levar as boas notícias aos pobres, a liberdade aos presos, dar vista aos cegos, libertar os oprimidos, anunciar o tempo da salvação.
Jesus anunciou qual era sua missão neste mundo. Os pobres estavam precisando do Evangelho. Os pobres de hoje, mais que nunca, precisam do alimento espiritual. Mas… tais pobres muitas vezes são nossos ricos! Façamos de nossa fé um compromisso com a vida de nossos irmãos!

E a VIDA (Orar)
O que o texto me leva a dizer a Deus?
Jesus Mestre, vós dissestes que a vida eterna consiste em conhecer a vós e ao Pai.
Derramai sobre nós, a abundância do Espírito Santo!
Que ele nos ilumine, guie e fortaleça no vosso seguimento, porque sois o único caminho para o Pai.
Fazei-nos crescer no vosso amo, para que sejamos, como o apóstolo Paulo testemunhas vivas do vosso Evangelho.
Com Maria, Mãe Mestra e Rainha dos Apóstolos, guardaremos vossa Palavra, meditando-a em nosso coração.
Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida, tende piedade de nós.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (Agir)
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Vou olhar o mundo e pautar a minha vida com o programa de Jesus.

REFLEXÕES

(6) – JESUS É O UNGIDO
Nosso texto é comumente conhecido como o discurso programático de Jesus. Toda a primeira parte do relato é dominada pela questão sobre a identidade de Jesus. Ela visa afirmar que Jesus é um verdadeiro profeta cuja palavra se realiza plenamente. O discurso inaugural na sinagoga, citando a profecia de Isaías, serve de critério para o leitor reconhecer, ao longo de todo o relato, Jesus como verdadeiro profeta. Em Jesus, o “hoje” da salvação se realiza, de modo que não é mais necessário esperar; entramos numa nova etapa da história da salvação, a saber, a da realização da promessa. Para a releitura cristã do Antigo Testamento, Jesus é o Ungido de que fala o profeta Isaías; ungido não com óleo, mas com o Espírito Santo para realizar uma missão, dada pelo Pai, que o enviou ao mundo. Essa missão, no entanto, é apresentada em continuidade com a tradição profética. Daí que o que importa, aqui, não é tanto a leitura do trecho de Isaías, mas a interpretação que Jesus faz dela.
_Padre Carlos Alberto Contieri_

(7) – TOME POSSE DA UNÇÃO DO ESPÍRITO SANTO EM SUA VIDA
Não basta estar ungido, é preciso tomar posse dessa unção, é preciso fazer com que o Espírito realmente inebrie todo o nosso ser, toda a nossa vida e todo o nosso coração!
“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres” (Lucas 4, 18).
Jesus voltou para a Galileia movido pela força do Espírito, e de lá mesmo Ele volta à Sua cidade, Nazaré, ali abre o livro do profeta Isaías, justamente onde está dito que o Espírito de Deus está sobre Ele. É o Espírito quem move Jesus, quem O conduz, O orienta e ilumina o Senhor para que Ele realize a Sua missão.
Duas coisas precisam acontecer conosco. A primeira é que nós precisamos deixar que o Espírito tome conta de nós, que Ele se apodere de nós, que tome a direção e a condução da nossa vida. Isso pode parecer não ser tão simples, como, de fato, não o é, mas é necessário. É preciso que haja da nossa parte uma rendição de nossos pensamentos, sentimentos e afetos à luz e à condução do Espírito.
E a segunda coisa que precisa acontecer, uma vez que nós nos rendemos ao Espírito Santo Paráclito, é que nós precisamos fazer o que Jesus fez hoje: tomar posse da vida do Espírito em nós! O mesmo Espírito, que repousa sobre Jesus, que está sobre Ele, é também o Espírito que nos consagrou e nos ungiu!
Faço, com muito gosto, a unção das crianças ao batizá-las! Seja a unção com o óleo dos catecúmenos, ungindo todo o seu peito para deixar ali aquela marca indelével da ação de Deus nelas; seja a unção com o óleo do Crisma, que faço sobre sua testa. Não é a quantidade de óleo que importa, mas sim a convicção de que ele [óleo] comunica essa graça do Espírito, essa unção de Deus, que eu peço, em cada batismo que eu realizo, para que ali nasça uma criança batizada e ungida pelo Espírito de Deus.
Estou falando de mim e de você, porque um dia nós também fomos batizados, consagrados, ungidos por esse mesmo Espírito. E como nós precisamos tomar posse da unção que recebemos de Deus! Não basta estar ungido, é preciso tomar posse dessa unção, é preciso fazer com que o Espírito realmente inebrie todo o nosso ser, toda a nossa vida e todo o nosso coração!
Eu quero fazer um propósito para este ano e quero convidá-lo a também fazê-lo: vamos permitir que a unção do Espírito inebrie os nossos atos e nossas atitudes.
Você pode perguntar: “Que unção, padre?”
A unção do nosso batismo, da nossa crisma, a unção que recebemos em cada oração, em cada invocação em que pedimos ao Espírito que venha sobre nós.
Que o Espírito, que conduziu os passos de Jesus, também conduza os nossos passos!
Deus abençoe você!
_Padre Roger Araújo_

(8) – UNGIDO DO SENHOR
A profecia de Isaías, lida na sinagoga de Nazaré, pode ser tomada como o discurso programático das atividades de Jesus e como expressão da consciência que ele tinha da sua vocação e missão.
A evocação do Ungido do Senhor aponta para a origem de Jesus e de sua missão. Seu messianismo tinha origem no Pai, de quem provinha uma tarefa precisa, a ser realizada em favor da humanidade. Foi ele, Pai, quem o constituiu Messias e lhe conferiu poderes para fazer o Reino acontecer na história humana.
O elenco de atividades do Messias anunciado pelo profeta corresponde ao conjunto das ações de Jesus. Tudo quando fez, consistiu em reavivar a esperança no coração dos pobres. Estes eram as principais vítimas do anti-Reino, por seu sistema de exclusão e de opressão. Por isso, o senhorio de Deus, experimentado por Jesus em sua própria vida, deveria ser estendido, em primeiro lugar, aos pobres. Pela ação de Jesus, os feridos pela injustiça seriam curados; os prisioneiros do pecado e do egoísmo recuperariam a liberdade, convertendo-se ao amor. A cegueira, que impede as pessoas de descobrirem os caminhos de Deus, seria superada. Aos massacrados pela opressão, seria proclamada a libertação. Enfim, para todos, seria oferecida a possibilidade de restaurar sua amizade com Deus. A atividade de Jesus, portanto, foi a realização das antigas profecias.
Oração:
Senhor Jesus, que eu seja beneficiado por sua ação messiânica, e que o senhorio de Deus seja restaurado no meu coração.
_Padre Jaldemir Vitório_

(9) – BOA NOVA PARA CADA DIA
“Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam de sua boca” (Lc 4, 22a).
O Evangelho de hoje nos mantém no espírito da Epifania, isto é, da revelação de Jesus ao mundo.
Desta vez nós O vemos na sinagoga de sua terra, Nazaré.
Nossa atenção, neste dia, concentra-se no impacto que a pessoa de Jesus produzia sobre as pessoas.
O Evangelho nos diz que Jesus chegou a Nazaré depois de ter passado por outros lugares, Cafarnaum inclusive, depois de ter estado na Judeia, onde fora batizado. Destes lugares o Evangelho de hoje diz: Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza.
Portanto, chegando a Nazaré, Jesus já tinha atraído a atenção de centenas de judeus e galileus, pelo poder fascinante de sua personalidade e de sua mensagem religiosa.
Concentremos nossa atenção a este aspecto de Jesus que aos poucos vai-se revelando como enviado de Deus, como o Messias, como o Salvador de Israel, e, por fim o Filho de Deus Encarnado, Morto e Ressuscitado, com vida divina como só Deus tem. Ele, em sua Ressurreição, revelou-se Deus. Este era o ponto de chegada previsto por Deus Pai, desde toda a eternidade: do céu Deus Filho veio ao mundo para ser a plena revelação de Deus e para a Salvação de toda a humanidade.
Para atrair as pessoas, Jesus tinha não só o encanto de sua pessoa, como o encanto de suas palavras. Assim como nos admiramos pela beleza de um magnífico discurso, os discursos de Jesus não deixavam as pessoas cansadas. Todos queriam ouvir mais e mais de suas palavras. Foi por isso que uma multidão o seguiu num dia em que se esqueceram de levar até mesmo alimentos para ouvi-Lo. Jesus precisou alimentar mais de cinco mil homens no milagre da multiplicação dos pães e peixes.
Perguntemos:
Já nos demos conta deste aspecto da personalidade de Jesus?
Houve momentos em que nos encantamos com seu Evangelho, com seu ensino, com suas promessas de Salvação a ponto de esquecermos tudo?
Pode ser que em algum momento numa liturgia grandiosa tenhamos tido essa experiência. Não são experiências de cada dia, mas são marcantes e nos confirmam em nossa fé em Jesus. Peçamos a Ele que nos conserve a seu lado, para que nenhuma palavra que disser seja perdida no meio das preocupações de nossa vida. E, mais que tudo, que o encanto de suas palavras nos leve ao amor do Pai. Foi isto tudo o que Ele sempre quis.
_Padre Valdir Marques_

(10) – O ESPÍRITO DO SENHOR ESTÁ SOBRE MIM
«Cumpriu-se hoje esta palavra da Escritura que acabais de ouvir: “O Espírito do Senhor repousa sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu” (Is 61, 1) ». É como se Cristo tivesse dito: Porque o Senhor Me ungiu, Eu disse sim, disse-o verdadeiramente, e volto a dizê-lo: O Espírito do Senhor repousa sobre Mim. Onde foi, pois, em que momento foi que o Senhor Me ungiu? Ungiu-Me quando fui concebido, ou melhor, ungiu-Me a fim de que fosse concebido no seio de minha Mãe. Porque não foi da semente de um homem que uma mulher Me concebeu, antes uma Virgem Me concebeu da unção do Espírito Santo. Foi então que o Senhor Me assinalou com a unção real; consagrou-Me rei ungindo-Me, ao mesmo tempo que Me consagrava sacerdote. E pela segunda vez, no Jordão, o Senhor consagrou-Me por esse mesmo Espírito. […]
E porque está o Espírito do Senhor sobre Mim? […] «Ele enviou-me a levar a boa nova aos pobres, a curar os corações despedaçados» (Is 61, 1). Não Me enviou aos orgulhosos nem aos «que têm saúde», mas como «médico aos doentes» e aos corações despedaçados. Não Me enviou «aos justos», mas «aos pecadores» (Mc 2, 17). Fez de Mim um «homem de dores, experimentado nos sofrimentos» (Is 53, 3), um homem «manso e humilde de coração» (Mt 11, 29). Enviou-Me «a anunciar a anistia aos cativos e a liberdade aos prisioneiros» (Is 61, 1). […] A que prisioneiros, ou antes, de que prisão venho anunciar a libertação? A que cativos venho anunciar a liberdade? Desde que «por um só homem entrou o pecado no mundo e, pelo pecado, a morte» (Rom 5, 12), todos os homens são prisioneiros do pecado, todos são cativos da morte. […] Eu fui enviado «a consolar […] os amargurados de Sião» (Is 61, 2-3), todos quantos se afligem por terem sido, devido aos seus pecados, privados e separados de sua mãe, a «Jerusalém lá do alto» (Gal 4, 26). […] Sim, consolá-los-ei dando-lhes «uma coroa em vez das cinzas» da penitência, o «óleo da alegria», ou seja, a consolação do Espírito Santo, «em vez do luto» da orfandade e do exílio, uma veste de festa, ou seja, a glória da Ressurreição, «em vez do desespero» (Is 61, 3).
_Rupert de Deutz_

(11.1) – O ESPÍRITO DO SENHOR ESTÁ SOBRE MIM
Neste iniciar de um novo ano, quando ainda vivenciamos as alegrias do Santo Natal, a liturgia de hoje, vem nos agraciar com este belíssimo evangelho que narra o início de um tempo novo, quando Jesus assume publicamente o seu ministério, o que aconteceu numa sinagoga aos arredores da Galileia, precisamente em Nazaré, onde Jesus viveu boa parte da sua vida no anonimato.
A narrativa nos diz que Jesus, ao abrir as escrituras, depara com a passagem onde o Pai, pela boca do profeta Isaías, o declara pronto para assumir a sua missão: “O espírito do senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a boa nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor”.
Encorajado pela força do Espírito do Senhor, Jesus dá início ao seu ministério disposto a dar a vida por aqueles que o Pai lhe confiara!
A partir de então, começa a se desenvolver o projeto de Deus que tem como prioridade a vida humana! O Antigo Testamento dá lugar ao Novo! O Deus de amor, que se manifestou ao povo na simplicidade de uma criança nascida numa gruta de Belém, volta-se a manifestar na humildade do jovem de Nazaré, o jovem que se apresenta aos seus conterrâneos com o firme propósito de assumir a árdua missão que a Ele fora designada: mudar o rumo da nossa história!
Jesus estava ciente do caminho difícil que teria pela frente, mas a certeza de que o Espírito do Senhor estava sobre Ele, o encorajava!
Podemos perceber que na história da salvação, tudo aconteceu passo a passo, começando pelo sim de Maria, passando pela gruta de Belém, pelo repouso na pequena e pacata Nazaré, pelos desafios do caminho da cruz, até chegar ao desfecho feliz: a ressurreição de Jesus que nos devolveu a vida!
Ao longo de toda sua trajetória terrena, Jesus, em tudo que fazia, buscava discernimento no Pai, por isto Ele sempre tinha a palavra certa, no momento certo.
Vemos no evangelho, que o povo, cheio de encantamento, percebe a diferença entre a pregação de Jesus e a pregação dos líderes daquela época, estes, falavam apenas o que ouviam dos outros, enquanto que Jesus, falava com autoridade, isto é, falava daquilo que conhecia, o que ouvia do Pai!
Na pessoa de Jesus, é revelada a face humana do Pai, a imagem de um Deus misericordioso, compassivo, de um Deus amor, totalmente diferente do Deus vingativo que pune o pecador e a sua descendência, apresentado no Antigo testamento.
Jesus iniciou uma nova criação, e hoje Ele coloca em nossas mãos, a responsabilidade de dar continuidade a sua missão libertadora, devolvendo a vida e libertando os oprimidos.
A ação libertadora de Jesus nos corações de quem se abre a verdade que liberta, é transformadora, é capaz de nos libertar da pior de todas as cegueiras: a cegueira de não querer enxergar no outro a presença de Jesus!
Hoje todos nós somos convidados a conhecer a verdade que liberta, a viver esta verdade, fundamentados na palavra de Deus, só assim, poderemos falar com autoridade, tornando-nos pela força do Espírito Santo, fonte de libertação para o outro!
FIQUE NA PAZ DE JESUS!
_Olívia Coutinho_

(11.2) – QUEM AMA A DEUS, AME TAMBÉM A SEU IRMÃO
Jesus lê e comenta o profeta Isaías. A expressão “encontrou o texto” parece significar que o próprio Jesus busca expressamente a passagem: Isaías 61. O texto fala de proclamar o ano da graça do Senhor, o dia de vingança de nosso Deus. O relato de Lucas continua com a expressão: Jesus fechou o livro, devolveu-o ao ajudante e sentou-se. A reação dos presentes é de expectativa e de prevenção contra Jesus e não de estima e de confiança para com ele, como se poderia esperar. O comentário de Jesus à passagem é breve e enfática: “Hoje, na vossa presença, cumpriu-se esta passagem da Escritura”. Ressalta a posição enfática do “hoje”. O que foi proclamado pelo profeta, quinhentos anos atrás, tem seu cumprimento agora. Jesus toma como sua aquela mensagem e lhe dá cabal cumprimento. A omissão da frase referente à vingança de nosso Deus foi intencional. Jesus não sabe nada de vinganças de Deus. Resumindo: Lucas, um autor com uma metodologia rigorosa de trabalho, quer completar e garantir a instrução cristã rudimentar básica dos recém batizados. Nessa linha, começa apresentando o ensinamento de Jesus, dando cumprimento à mensagem de ação de graças, acumulada ao longo do Antigo Testamento.
_Claretianos_

(11.3) – HOJE SE CUMPRIU ESTA PASSAGEM DA ESCRITURA
Este Evangelho narra o começo da vida pública de Jesus. Nele Jesus apresenta o seu programa. Em poucas palavras, ele resume toda a sua missão, citando Is 61, 1-3.
O amor de Deus é uma sinfonia em dois movimentos que se completam e interferem mutuamente. Em primeiro lugar, o amor é um movimento vertical, ascendente e descendente. Jesus se referiu a esse movimento quando disse que veio “anunciar a Boa Nova aos pobres… e proclamar o ano da graça do Senhor”.
O movimento horizontal da sinfonia é o relacionamento entre nós, que concretiza e realiza o vertical: “O Senhor enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista, para libertar os oprimidos…” Jesus privilegia os excluídos pela sociedade: pobres, cativos, cegos e oprimidos, porque eram os mais desprezados pela sociedade do seu tempo.
Uma religião que quisesse chegar a Deus, sem passar pela dedicação ao próximo, seria uma ilusão, uma alienação espiritual, uma enganação. “Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia o seu irmão, é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. Este é o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame também seu irmão” (1Jo 4, 20-21).
Os primeiros cristãos procuraram pôr em prática esse programa integralmente. Foi isso que custou a morte para muitos deles, assim como para Jesus. Apesar disso, a Igreja não desiste de colocar em prática esse programa, tanto no esforço de aproximar as pessoas de Deus, como de levá-las ao amor mútuo. No Batismo, nós assumimos esse programa como nosso. Está aí o grande desafio para nós, a fim de que aconteça no mundo o Natal e a Epifania.
No programa, Jesus mistura o vertical e o horizontal, a dedicação ao corpo e a dedicação à alma. Ele não as separa, pois o próprio Criador não separou, criando-nos corpo e alma misturados. Quem ama verdadeiramente a Deus, ama também o seu próximo, privilegiando os excluídos. E esse amor inclui também a proteção à natureza, evidentemente.
Neste Evangelho, Jesus fala que veio proclamar o “ano da graça do Senhor”. Essa expressão é sinônima de “ano sabático”. O Povo de Deus do Antigo Testamento celebrava, a cada sete anos, o ano sabático, que não era nada mais que o descanso semanal do sábado ampliado para um ano todo. “Durante seis anos semearás a terra e recolherás os seus frutos. No sétimo ano, porém, deixarás de cultivar a terra, para que se alimentem os pobres, e os animais selvagens comam o resto” (Ex 23, 10-11).
O “ano da graça do Senhor”, lá no profeta Isaías (Is 61, 1-2), está expresso como “ano do agrado do Senhor”. Portanto, é viver bem com Deus, obedecendo os seus mandamentos e fazendo a sua vontade. O livro do Deuteronômio determina que no ano sabático todas as terras deviam voltar às tribos originais, conforme foi dividido quando o povo chegou à Terra Santa. Também as dívidas deviam ser perdoadas e os escravos recebiam liberdade.
Quando Jesus falou que veio proclamar o ano da graça do Senhor, ele quis dizer que, de agora para frente, todos os anos são sabáticos. O ano da graça do Senhor é um ano sabático permanente, não só para todos os anos, mas para todos os dias do ano. Esta é a lei do novo Povo de Deus, a Igreja.
Esse permanente ano da graça do Senhor, custou a morte de Jesus, como oferta total dele por nós. Amar não é dar coisas ao próximo, mas buscar a sua felicidade, mesmo que para isso precisemos sacrificar a nossa vida. “Ninguém tem maior amor do que aquele dá a vida por seus amigos” (Jo 15, 13).
O amor só é verdadeiro se inclui, desde o começo, uma doação da vida. O amor, ou é total, ou não é amor. Amor parcial não existe, é apenas caricatura de amor. Quando vemos um mendigo na rua e lhe damos um trocado, ou apenas um sorriso, não lhe estamos dando apenas um trocado ou um sorriso, mas a nossa vida toda a ele, se necessário for. Na hora, lhe damos apenas um trocado ou um sorriso, porque é só disso que ele precisa no momento.
O Evangelho mostra também o protagonismo do Espírito Santo na vida, obra e missão de Jesus. É o Espírito que intervém desde o seu nascimento e batismo. Nós também fomos ungidos pelo Espírito Santo no Batismo e na Crisma, a fim de atuar como Cristo atuou, vencendo o mal do mundo e sendo mensageiros da Boa Nova.
Nós sabemos que na Amazônia existem poucos padres, e por isso as paróquias são enormes, com Comunidades muito distantes e sem estrada. Anos atrás, havia um pároco que gravava a homilia dominical em um disquinho, o qual ia passando de Comunidade em Comunidade, para ser tocado na hora do culto dominical.
Um dia, aconteceu que o disquinho furou. Quando o encarregado ligou a vitrola, o padre começou a dizer: “Meus irmãos e minhas irmãs; meus irmãos e minhas irmãs; meus irmãos e minhas irmãs…” e não parava mais. Então o encarregado desligou a vitrola e disse: “Por favor, as mulheres saiam todas da capela, porque o padre está querendo falar só para os homens”. Coitado! Mal sabia ele que era o disco que estava furando!
Mas a repetição estava certa. Todos nós podemos dizer para os membros da nossa Comunidade: “Meus irmãos e minhas irmãs”, porque de fato somos. O importante é sermos irmãos de todos, especialmente dos oprimidos, como fez Jesus.
Maria Santíssima, a discípula fiel do Senhor, viveu de forma plena esse programa do seu Filho. Que ela nos ajude a vivê-lo também.
Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura.
_Padre Queiroz_

(11.4) – A PALAVRA ENCARNADA
“A PALAVRA ENCARNADA”
Ao visitar Nazaré, cidade onde havia se criado, Jesus foi participar de uma celebração na sua comunidade, onde sempre fazia uma leitura e depois ajudava o povo a refletir, como fazem hoje nossos ministros leigos, que celebram a Palavra.
Podemos até imaginar a alegria do chefe da sinagoga quando viu Jesus chegar, ele era muito querido na comunidade, não só por ser uma pessoa simples, mas porque falava muito bem e demonstrava uma sabedoria superior aos sacerdotes, escribas e fariseus, sua catequese era bem prática e logo cativava. Por isso, ao vê-lo entrar na comunidade, o chefe da sinagoga foi logo pedindo para que ele fizesse uma leitura, porque parece que, como acontece em nossas comunidades, naquele dia o leitor escalado não apareceu.
Jesus escolheu o livro do profeta Isaias que era o seu preferido, porque já o havia lido várias vezes e tinha a nítida impressão de que o texto falava dele.
Conforme Lucas que escreveu este evangelho de maneira ordenada e após muito estudo, por este tempo Jesus estava iniciando o seu ministério, já havia sido batizado e enfrentara com muita coragem o diabo, que no deserto tentou desviá-lo da sua missão.
A verdade é que Jesus tinha uma grande vontade de sair pelo mundo, ajudando as pessoas e falando de uma coisa que sentia em seu coração, foi com certeza por isso que naquele dia voltou à comunidade, e quando já no ambão, começou a ler o profeta Isaias, na passagem onde diz “O Espírito do senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para levar a Boa notícia aos pobres, anunciar a libertação aos cativos e aos cegos e anunciar um ano de graças do Senhor”, seu coração começou a bater mais forte, percebeu que Deus não apenas falava para ele, mas falava dele, da sua vida, da sua história e da sua missão. Ele já havia sentido muito forte a presença desse Espírito de Deus no dia do seu batismo, e no confronto com o diabo no deserto, sentiu toda a força que o espírito lhe dava.
Nessa celebração as coisas ficaram muitas claras para ele: a libertação com que tanto sonhava junto com seu povo, ia muito além de uma libertação política, a palavra tinha a força de libertar o homem também e principalmente do mal que havia no coração, e que impedia de amar a Deus e aos irmãos. A opressão e a escravidão do seu povo eram consequência de todo esse mal que havia dentro de cada homem, não só dos opressores. Precisava dizer isso aos pobres, aos cegos e oprimidos, que um tempo novo estava começando, com essa verdade que o Pai revelara através do profeta.
Todos olhavam fixamente para ele à espera da homilia, o mesmo espírito que o havia ungido acabara de transformá-lo na palavra Viva de Deus e por isso, sentando-se como faziam os grandes Mestres, disse: “Hoje se cumpriu essa passagem que acabastes de ouvir”.
Também nós cristãos frequentamos a celebração da palavra em nossas comunidades onde as leituras, mais do que falar para nós falam de nós, pois a história de Jesus é a nossa história, também nós recebemos a graça de Deus em nosso batismo, também nós recebemos a unção do Espírito Santo, não para termos ataques de histeria e entrarmos em transe, mas para termos a mesma coragem de Jesus para cumprir a nossa missão, anunciar a boa notícia aos pobres, oferecer a palavra libertadora a quem está cego e cativo, e falar de um tempo novo onde Deus manifesta todo o seu amor ao homem que o busca.
Para que haja essa interação entre nós e a palavra, é necessário que nossas celebrações sejam bem participadas e preparadas, de maneira bem organizada pensando em todos os detalhes e aí podemos apreender com o escriba Esdras que na primeira leitura nos oferece um ótimo roteiro para celebração da palavra de Deus, onde a assembleia, tocada pela palavra, corresponde com gestos que manifestam o que está no coração, diferente da liturgia do “oba-oba”, muito usada para se atrair multidões, e que ás vezes, com tantos gestos e movimentos, acaba ficando vazia justamente por não ser uma manifestação espontânea do que se tem no coração tocado pela palavra de Deus.
_Diácono José da Cruz_

(11.5) – A NOSSA MISSÃO É A MISSÃO DE JESUS!
1 João 4, 19-5,4 – “a nossa fé é a vitória que vence o mundo!”
São João chama de mentiroso todo aquele (a) que diz amar a Deus, a quem não vê, e odeia o irmão (ã) a quem vê e tem com ele relacionamento.
Portanto, o nosso amor a Deus está condicionado ao amor que expressamos ao nosso próximo. Com muita facilidade todos nós dizemos que amamos a Deus e a Jesus, entretanto, muitas vezes não podemos dizer o mesmo dos nossos irmãos e irmãs Por isso, São João coloca esta condição como uma ordem: “aquele que ama a Deus ame também o seu irmão.” É imperativo, não tem outra opção. Só podemos dizer que guardamos os mandamentos de Deus se concretamente nós nos adiantarmos em honrar os nossos irmãos e irmãs com o amor que recebemos do Pai. Somos criaturas de Deus, todavia, nos tornamos filhos e filhas por meio de Jesus Cristo que veio até nós e assumiu a nossa carne e o nosso jeito de ser inserindo a nossa humanidade no mistério da Trindade. Assim sendo, quando olharmos os nossos irmãos e irmãs, todos nós precisamos nos conscientizar de que estamos vendo o próprio Jesus, homem como nós. Se tivermos isto em mente, com certeza teremos mais motivação para amar o nosso próximo como a nós mesmos. Deus Pai nos deixou seus mandamentos como armas que nos ajudam a vencer a tirania do mundo. Quando vivenciamos os preceitos do Senhor, naturalmente a nossa alma vai encontrando o conforto e a paz que dão testemunho ao mundo de que realmente somos filhos e filhas do Pai, gerados no amor do Espírito Santo e salvos pela fé em Jesus Cristo. A fé que tivermos em Jesus Cristo como Filho de Deus é quem nos dá condições para cumprir o mandamento do amor ao próximo. “Todo o que crê que Jesus é o Cristo nasceu de Deus” e quem nasceu de Deus ama o Filho e ama também o Pai que o gerou.
– Você ainda tem dúvidas de que o Amor é a primeira regra a ser vivida pelos filhos de Deus?
– Você tem colocado em prática esta condição?
– Para você o que significa amar o próximo?

Salmo 71 – “As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!”
Em Jesus todos os povos são abençoados e é propósito de Deus que todas as nações O acolham como Rei e Salvador. Por isso, a insistência neste salmo que nos revela a soberania e o poder daquele que veio para libertar todos os povos. É a universalidade da salvação que Jesus Cristo veio trazer para a humanidade. Ninguém pode ficar de fora, todos nós podemos nos apossar da bênção do Pai e cantar louvores a Ele manifestando a nossa gratidão.

Evangelho – Lucas 4, 14-22 – “a nossa missão é a missão de Jesus!”
Depois do Batismo, Jesus revelou ao mundo a Sua Missão quando cheio do poder do Espírito Santo se apossou da profecia de Isaías para explanar com clareza a Sua consagração. Nós também, como batizados no Espírito Santo, podemos assumir a nossa missão e afirmar com toda a convicção que hoje se cumpre em nós o que está posto nas Escrituras. Recebemos o Espírito Santo, somos consagrados ao Senhor, separados do mundo pagão com a unção e a missão de anunciar o Evangelho aos pobres, proclamar ao mundo a libertação que Jesus veio trazer. Em Nome de Jesus nós também podemos devolver aos cegos a perspectiva de ver e compreender os mistérios revelados pelo Pai, infundir esperança a todos os que vivem oprimidos pela ação do inimigo e, principalmente apregoar com convicção que Deus Pai é cheio de misericórdia e compaixão para com todos nós, os pecadores. As Escrituras se cumprem fielmente na vida de quem se apossa das promessas do Pai reveladas em Jesus Cristo. Hoje é o dia em que nós temos a oportunidade de mais uma vez assumir a nosso húmus de batizados: sacerdotes, profetas e reis. Hoje é o tempo de trazer de volta à nossa memória tudo o que foi esquecido porque não foi cumprido, mas que continua sendo plano de Deus para a nossa consagração. Não viemos ao mundo a passeio, temos uma missão definida, a mesma que foi dada a Jesus, nosso Mestre e Senhor.
– Você tem consciência da sua missão de batizado (a)?
– Você tem se deixado conduzir pelo Espírito Santo?
– Você tem levado esperança aos que estão desanimados?
– O que significa para você o dia de HOJE?
_Helena Serpa_

(12) – REFLEXÃO
Jesus é enviado por Deus, ungido e consagrado pelo Espírito Santo para a missão evangelizadora, que implica não somente na salvação da alma, mas na libertação integral da pessoa humana. Isso significa para nós que a missão da Igreja, que é continuadora da missão do próprio Cristo, não pode ser reduzida à dimensão espiritual da pessoa humana, mas deve levar em conta a pessoa humana como um todo, considerando todas as dimensões da existência humana. Sendo assim, todos os problemas relacionados à existência humana são de competência da Igreja e objetos da ação evangelizadora.

(13) – REFLEXÃO
Lucas destaca aqui o escândalo da divisão social entre ricos e pobres. Jesus vem ao encontro dos pobres oprimidos para resgatar-lhes a vida e a dignidade. O Espírito que já pairava sobre Jesus no batismo, consagra-o para o anúncio da Boa-Nova iniciado por João. É a chegada do Reino de Justiça. O evangelista apresenta a inauguração explícita do ministério de Jesus em uma sinagoga de Nazaré, com a leitura do texto de Isaías sobre o anúncio da Boa-Nova aos pobres e a libertação dos oprimidos. Jesus identifica-se com a missão. Maria, por ocasião de sua visita a Isabel, conforme narrativa anterior, já proclamara: “[Deus] depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes; cumulou de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias”.

(16) – O ESPÍRITO DO SENHOR ESTÁ SOBRE MIM, POIS ELE ME CONSAGROU COM A UNÇÃO
Hoje lembramos que «quem ama a Deus, ame também seu irmão» (1Jo 4, 21).
Como poderíamos amar a Deus a quem não vemos, se não amamos a quem vemos, imagem de Deus?
Depois que São Pedro renegara, Jesus lhe perguntou se o amava: «Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo» (Jo 21, 17), respondeu.
Como a São Pedro, também Jesus nos pergunta: «Tu me amas?»; e queremos lhe responder agora mesmo: «Tu o sabes tudo, Senhor, tu sabes que te amo apesar de minhas deficiências; mas, ajuda-me a demonstrar-te; ajuda-me a descobrir as necessidades de meus irmãos, a me entregar de verdade aos outros, a aceita-los tal como são, a valorizá-los».
A vocação do homem é o amor, é vocação a se entregar, procurando a felicidade do outro e, assim encontrar a própria felicidade. Como diz São João da Cruz, «No crepúsculo da vida, seremos julgados no amor». Vale a pena que nos perguntemos ao terminar cada jornada, cada dia, num breve exame de consciência, como foi este amor e, pontualizar algum aspecto a melhorar para o dia seguinte.
«O Espírito do Senhor está sobre mim» (Lc 4, 18), dirá Jesus, fazendo seu este texto messiânico. É o Espírito do Amor que assim como fez o do Messias a «que consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres» (cf. Lc 4, 18), também “repousa” sobre nós e nos conduz até o amor perfeito: Como diz o Concilio Vaticano II: «Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade». O Espírito Santo nos transformará como fez com os Apóstolos, para que possamos agir sob sua moção, nos outorgando seus frutos e, assim levá-los a todos os corações: «O fruto do Espírito, porém, é: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão, domínio próprio» (Gal 5, 22-23).
_Rev. D. Llucià POU i Sabater_

(17) – JESUS EM NAZARÉ
Após a vitória sobre a tríplice tentação no deserto, Jesus vai a Nazaré. Na sinagoga, os habitantes da cidade estão atentos às suas palavras, pois muitos tinham ouvido falar de seus ensinamentos e dos milagres realizados por Ele. Jesus perscruta os corações e, percebendo a incredulidade enraizada no coração de seus ouvintes, volve os olhos para eles, no desejo de tocá-los e levá-los à conversão. Mas diante da resistência recalcitrante de seus ouvintes, ele eleva sua voz e, em tom mais severo, declara que nenhum profeta é ouvido em sua própria terra, nem é reconhecido pelos seus parentes. Palavras chocantes. Os gentios, pelo contrário, demonstram mais fé em Deus do que os escolhidos de Israel. Para exemplificar, ele cita Elias, que foi enviado a uma viúva, em Sarepta, na região da Sidônia, enquanto tantas outras viúvas viviam em Israel; também recorda que, no tempo do profeta Eliseu, “havia muitos leprosos em Israel, todavia, nenhum deles foi curado, a não ser o sírio Naamã”. Suas palavras os deixam atônitos e lhes parecem ofensivas, pois, naquela época, os judeus julgavam os gentios, isto é, os estrangeiros como pessoas distantes de Deus e, por conseguinte, excluídas da Aliança divina. O próprio Evangelista relata que “diante destas palavras, todos na sinagoga se enfureceram”.
Mas sua paciência não tem limites. Ao ler o texto do profeta Isaías, Jesus estabelecera a conexão entre o Espírito e a pobreza, necessária aos verdadeiros discípulos, e a prece. Ao fixar a relação íntima entre estes elementos, Ele quer que todos se reconheçam pobres, condição necessária para rezar como convém. Seus ouvintes não o entendem. Jesus não se intimida. Pelo contrário. Refletindo indignação, com voz segura e, ao mesmo tempo, compassiva, Ele os declara cegos perante a misericórdia de Deus e de seu plano de salvação para todos os povos.
Com efeito, considera Orígenes, “ele acabara de ler uma profecia sobre a salvação realizada pelo Messias. Salvação que irrompia agora no mundo através do seu ministério. Era o ano da graça e do perdão do Senhor”. Ao rejeitá-lo, a população não acolhe a misericórdia divina, levando-o a não realizar milagres, conforme comenta S. Ambrósio, “para não pensarmos que sejamos constrangidos pelo amor à pátria. Na realidade, aquele que amava todos os homens não podia deixar de amar os seus concidadãos, mas eles mesmos, comportando-se de modo invejoso, renunciaram o amor à pátria”. Então, exclama S. Cirilo de Alexandria, “Jesus reporta-se aos pagãos, que o acolheriam e seriam curados de sua lepra”.
_Dom Fernando Antônio Figueiredo_

COMEMORA-SE NO DIA 08/JAN

(5) – SÃO SEVERINO
Severino viveu em pleno século V, quando o Ocidente era acometido por uma sequência de invasões dos povos bárbaros. Sua vida é muito importante, pois foi neste ambiente de conflitos que Severino soube espalhar as sementes do Evangelho de Jesus.
Severino nasceu no ano 410, na cidade de Roma e pertencia a uma família nobre e rica. Era um homem de fino trato, que falava o latim com perfeição, profundamente humilde, pobre e caridoso.
Em 454 encontramos Severino as margens do Rio Danúbio, fronteira com o então mundo pagão, acolhendo a população ameaçado pela destruição bárbara. Ao mesmo tempo, o jovem cristão fazia penitência e tentava atrair os pagãos para a vida cristã.
Esse seu ministério apostólico itinerante frutificou em várias cidades, com a fundação de inúmeros mosteiros. Segundo a tradição, Severino era dotado do dom das profecias e conseguia avisar populações inteiras sobre ataques bárbaros. Com isso evitava muitas mortes, pois as pessoas podiam refugiar-se em outros locais.
Morreu no dia 08 de janeiro de 482 pronunciando a última frase do salmo 150: “Todo ser que tem vida, a deve ao Senhor”.
REFLEXÃO:
Severino era um homem perspicaz e de inteligência aguçada. Sua fé, sua caridade, simplicidade, entre outras virtudes, penetraram profundamente nos corações, sendo estimado e respeitado por todos. O cristão deve proclamar sua fé pelo testemunho de vida, e nunca pela força.
_Padre Evaldo César de Souza_

(10) – S. PEDRO TOMÁS
Nasceu por volta do ano 1305 numa aldeia da Aquitânia, França. Os seus pais viviam em pobreza extrema, o que levou Pedro Tomás a abandonar o lar paterno muito cedo para não ser pesado aos seus. Era Pedro Tomás de estatura baixa, mas possuía uma inteligência rara e profunda. Vivendo de esmolas, conseguiu estudar, tornando-se mestre e professor com apenas 17 anos. Foi convidado para ser professor dos estudantes carmelitas, vindo também ele a entrar na Ordem em 1327. Ensinou várias matérias em muitos conventos da Ordem, até ser nomeado Procurador da Ordem junto da Santa Sé, que então se encontrava em Avinhão. Em certa ocasião, vendo o Padre Geral a humilde e pequena aparência do santo, envergonhava-se de o apresentar aos Cardeais. No entanto, certo Cardeal que conhecia a fama de Frei Pedro Tomás resolveu apresentá-lo.
O Papa fê-lo seu Núncio e Legado, encomendando-lhe muitas e difíceis missões que Frei Pedro Tomás resolveu sempre em bem. Foi arauto e apóstolo incansável da paz e da unidade da Igreja, pelo que depressa este nosso irmão granjeou em toda a parte fama de santo. Depois de ter exercido o múnus de bispo em várias dioceses, foi nomeado Patriarca de Constantinopla.
Apesar dos altos cargos que exerceu, nas suas viagens, Frei Pedro Tomás procurava sempre, como residência, os conventos dos seus irmãos carmelitas, vivendo como irmão e com os irmãos de Nossa Senhora do Carmo a vida normal da comunidade, segundo a Regra. Morreu no dia 6 de Janeiro de 1366. Apesar de ser bispo, pediu que o vestissem com o hábito da Ordem. Era muito devoto da Virgem Maria e um dia contou a um irmão que Nossa Senhora lhe tinha aparecido dizendo-lhe que a Ordem do Carmo durará até ao fim dos tempos.

NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE

CELEBRAÇÃO DE HOJE

SEMANA DA EPIFANIA
(BRANCO, PREFÁCIO DA EPIFANIA OU DO NATAL – OFÍCIO DO DIA)

RITOS INICIAIS

Monição Ambiental ou Comentário Inicial
_.

Antífona da entrada
No princípio e antes dos séculos o Verbo era Deus, e dignou-se nascer para salvar o mundo (Jo 1, 1).

Oração do Dia ou Oração da Coleta
Ó Deus, pelo nascimento do vosso Filho, a aurora do vosso dia eterno despontou sobre todas as nações. Concedei ao vosso povo conhecer a fulgurante glória do seu redentor e por ele chegar à luz que não se extingue. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DA PALAVRA

Monição para a(s) Leitura(s)
_.

Monição ou Antífona do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
O Espírito do Senhor repousa sobre mim e enviou-me a anunciar aos pobres o Evangelho (Lc 4, 18).

Oração Universal ou Oração dos Fiéis
Conforme nos orienta a IGMR, no Cap. II, LETRA B, números 69, 70 e 71, vamos deixar que cada Comunidade possa realizar a sua Oração Universal colocando nela, a sua realidade comunitária, não devendo esquecer que, normalmente serão estas as séries de intenções, além das pessoais de cada um, caso seja dada a oportunidade pelo celebrante ao povo de se expressar:
a) Intenções pelas necessidades da Igreja;
b) Intenções pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo;
c) Intenções pelos que sofrem qualquer dificuldade;
d) Intenções pela comunidade local;
e) Intenções pessoais da comunidade.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Oração sobre as Oferendas
Nós vos apresentamos, ó Deus, as nossas oferendas, trocando convosco nossos dons: oferecemos o que nos destes e esperamos receber-vos. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão
Deus amou tanto o mundo, que lhe deu seu próprio Filho: quem nele crê não perece, mas possui a vida eterna (Jo 3, 16).

Oração depois da Comunhão
Nós vos pedimos, ó Deus todo-poderoso, que a nossa vida seja sempre sustentada pela força dos vossos sacramentos. Por Cristo, nosso Senhor.

RITOS FINAIS OU RITOS DE ENCERRAMENTO

Ide em Paz!

FONTES DE CONSULTAS E PESQUISAS

Vamos expor a seguir de onde pertencem os textos que nos preenchem todos os dias, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO

FONTE DE CONSULTA – IGMR (INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO – 1ª EDIÇÃO / 2008)

REFLITA

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem foi que inspirou essa pessoa a escrever.
O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.
O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que Ele nos pede.
Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é ter discernimento e saber compartilhar o conhecimento.

FONTES DE ORIENTAÇÕES E PESQUISAS

(1.1) – Blog Liturgia Diária da Palavra de Deus (Reflexões e Comentários);
(1.2) – Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);
(1.3) – Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);
(5) – Portal Editora Santuário;
(6) – Portal Editora Paulinas;
(7) – Portal e Blog Canção Nova;
(8) – Portal Dom Total;
(9) – Portal Edições Loyola Jesuítas;
(10) – Portal Evangelho Quotidiano;
(11) – Blog Liturgia Diária Comentada;
(12) – Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);
(13) – Portal Catequisar: Catequese Católica;
(14) – Portal Comunidade Católica Nova Aliança;
(15) – Portal Fraternidade O Caminho;
(16) – Portal Evangeli.net;
(17) – Portal Padre Marcelo Rossi;
(18) – Um Novo Caminho;
(19) – Portal Dom Total: Roteiro Homilético;
(20) – Portal de Catequese Católica;
(21) – Blog Homilia Dominical;
(22) – Portal NPD Brasil;
(23) – Portal Canção Nova: Música;
(24) – Portal Editora Paulus;
(25) – Portal Católica Net;
(26) – Portal Católico Orante;
(27) – Rádio Catedral FM 106,7: Liturgia Diária;
(28) – Portal Comunidade Resgate;
(29) – Portal Católico na Net.

MENSAGEM PARA VOCÊ E PARA MIM MESMO

Mais vale o desconforto da VERDADE, do que a comodidade da MENTIRA.
E usando a essência da Oração da Serenidade, devo orar:

Ó meu Deus e Senhor, Pai de misericórdia e Salvação,
que em seu Filho Jesus perdoou os nossos pecados,
e com o seu Santo Espírito, paráclito nesse nosso mundo que caminha conosco,
apenas em Ti posso almejar a vida eterna, socorre-me e ouvi-me:
Se o ERRO está em mim, que DEUS possa me dar a HUMILDADE de aceitar que estou errado.
Que Jesus me dê a SERENIDADE, para aceitar que tem coisas que não posso mudar.
E que o Espírito Santo me dê a CORAGEM, suficiente para mudar aquelas coisas que dependem de mim, mesmo que sejam difíceis.

E para complementar os alicerces de orações da minha vida, faço como o santo Tomás de Aquino:

“Concede-me, Deus misericordioso, que deseje com ardor o que tu aprovas, que o procure com prudência, que o reconheça em verdade, que o cumpra na perfeição, para louvor e glória do teu nome.
Põe ordem na minha vida, ó meu Deus, e permite-me que conheça o que tu queres que eu faça, concede-me que o cumpra como é necessário e como é útil para a minha alma.
Concede-me, Senhor meu Deus, que não me perca no meio da prosperidade nem da adversidade; não deixes que a adversidade me deprima, nem que a prosperidade me exalte.
Que nada me alegre ou me entristeça para além do que conduz a ti.”

Viver CORRETO e falar a VERDADE hoje são tão difíceis quanto na época de Jesus, pois é muito mais fácil aceitar a MENTIRA e fazer o ERRADO.
Viver no CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é o próprio Cristo Jesus, tem que ser uma caminhada diária.
O futuro é desejo e pensamento.
O passado é aprendizado e lembrança.
O hoje é realidade, isso quer dizer: CRISTO.

Meus amigos(as) de coração, meus irmãos(ãs) em Cristo Jesus, lembrem-se:
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
“Não julgues para não seres julgados.”
“A quem é muito dado, muito será cobrado.”

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