Liturgia Diária 12/Jan/15

LITURGIA DIÁRIA DA PALAVRA
12/Jan/2015 (segunda-feira)

Segui-me

LEITURA: Hebreus (Hb) 1, 1-6: Prólogo
(1-4: Prólogo)

(5-6: O Filho)
Início da Carta aos Hebreus: 1 Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas; 2 nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. 3 Este é o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser. Ele sustenta o universo com o poder de sua palavra. Tendo feito a purificação dos pecados, ele sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas. 4 Ele foi posto tanto acima dos anjos quanto o nome que ele herdou supera o nome deles. 5 De fato, a qual dos anjos Deus disse alguma vez: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”? Ou ainda: “Eu serei para ele um Pai e ele será para mim um Filho”? 6 Mas, quando faz entrar o Primogênito no mundo, Deus diz: “Todos os anjos devem adorá-lo!” – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

SALMO: Salmos (Sl) 97 (96), 1-2b. 6-7c. 9: Iahweh triunfante
12a Adorai o Senhor Deus, vós anjos todos!
1 Deus é Rei! Exulte a terra de alegria, e as ilhas numerosas rejubilem! 2b Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, que se apoia na justiça e no direito.
6 E assim proclama o céu sua justiça, todos os povos podem ver a sua glória. 7c Aos pés de Deus vêm se prostrar todos os deuses!
9 Porque vós sois o Altíssimo, Senhor, muito acima do universo que criastes, e de muito superais todos os deuses.

EVANGELHO: Marcos (Mc) 1, 14-20: O Ministério de Jesus na Galileia
(14-15: Jesus inaugura sua pregação)

(16-20: Vocação dos quatro primeiros discípulos)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
14 Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15 “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos, e crede no Evangelho!” 16 E, passando à beira do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17 Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. 18 E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. 19 Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20 e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial (Querer)
A nós, unidos pela rede da internet, a paz de Deus, nosso Pai, a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo, no amor e na comunhão do Espírito Santo.
Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
Preparo-me para a Leitura, rezando:
Jesus Mestre, sois o Mestre e a Verdade: iluminai-nos, para que melhor compreendamos as Sagradas Escrituras.
Sois o Guia e o Caminho: fazei-nos dóceis ao vosso seguimento.
Sois a Vida: transformai nosso coração em terra boa, onde a Palavra de Deus produza frutos abundantes de santidade e missão.

Eu sou o CAMINHO (Ler)
O que o texto diz para mim, hoje?
Qual palavra mais me toca o coração?
Reflito:
– O que o texto me diz no momento?
–O meu Projeto de vida é o do Mestre Jesus Cristo?
Mais uma vez nos falam os bispos que estiveram reunidos na Conferência de Aparecida: “O chamado que Jesus, o Mestre faz, implica numa grande novidade. Na antiguidade, os mestres convidavam seus discípulos a se vincular com algo transcendente e os mestres da Lei propunham a adesão à Lei de Moisés. Jesus convida a nos encontrar com Ele e a que nos vinculemos estreitamente a Ele porque é a fonte da vida (cf. Jo 15, 1-5) e só Ele tem palavra de vida eterna (cf. Jo 6, 68). Na convivência cotidiana com Jesus e na confrontação com os seguidores de outros mestres, os discípulos logo descobrem duas coisas originais no relacionamento com Jesus.
Por um lado, não foram eles que escolheram seu mestre, foi Cristo quem os escolheu.
E por outro lado, eles não foram convocados para algo (purificar-se, aprender a Lei…), mas para Alguém, escolhidos para se vincular intimamente a sua pessoa (cf. Mc 1, 17; 2, 14).
Jesus os escolheu para “que estivessem com Ele e para enviá-los a pregar” (Mc 3, 14), para que o seguissem com a finalidade de “ser d’Ele” e fazer parte “dos seus” e participar de sua missão. O discípulo experimenta que a vinculação íntima com Jesus no grupo dos seus é participação da Vida saída das entranhas do Pai, é se formar para assumir seu estilo de vida e suas motivações (cf. Lc 6, 40b), viver seu destino e assumir sua missão de fazer novas todas as coisas. (DAp 131).

A VERDADE (Refletir)
O que diz o texto do dia?
Leio atentamente o texto, na Bíblia: Mc 1, 14-20.
Jesus inicia seu ministério na Galileia. Anuncia o Reino. E resume seu Projeto em conversão – “arrependam-se” -, e na fé no Evangelho. Começa a formar sua equipe de evangelização. Chama os primeiros apóstolos: Pedro, André, Tiago e João. Como eram pescadores de profissão, ele os chama a serem pescadores de gente.
– Como você vive a vocação que Deus lhe deu?
– Tem consciência de que junto com o convite Deus dá as graças necessárias?
– Como sua comunidade encara a realidade dos vocacionados?
– O que de concreto se faz pelas vocações específicas?
– Nossa vida é sempre o testemunho de alguém que crê no Evangelho?

E a VIDA (Orar)
O que o texto me leva a dizer a Deus?
Rezo, fazendo o oferecimento do dia:
Adoro-vos, meu Deus, amo-vos de todo o meu coração.
Agradeço-vos porque me criastes, me fizestes cristão, me conservastes a vida e a saúde.
Ofereço-vos o meu dia: que todas as minhas ações correspondam à vossa vontade.
E que faça tudo para a vossa glória e a paz das pessoas.
Livrai-me do pecado, do perigo e de todo o mal.
Que a vossa graça, benção, luz e presença permaneçam sempre comigo e com todos aqueles que eu amo. Amém.
Para orar e cantar
Há um Barco Esquecido na Praia – Padre Zezinho
( http://letras.mus.br/padre-zezinho/248701/ )

Há um barco esquecido na praia / Já não leva ninguém a pescar / É o barco de André e de Pedro / Que partiram pra não mais voltar.
Quantas vezes partiram seguros / Enfrentando os perigos do mar / Era chuva, era noite, era escuro / Mas os dois precisavam pescar.

De repente aparece Jesus / Pouco a pouco se acende uma luz.
É preciso pescar diferente / Que o povo já sente que o tempo chegou.
E partiram sem mesmo pensar / Nos perigos de profetizar.
Há um barco esquecido na praia / Um barco esquecido na praia / Um barco esquecido na praia.

Há um barco esquecido na praia / Já não leva ninguém a pescar / É o barco de João e Tiago / Que partiram pra não mais voltar.
Quantas vezes em tempos sombrios / Enfrentando os perigos do mar / Barco e rede voltavam vazios / Mas os dois precisavam pescar.

Quantos barcos deixados na praia / Entre eles o meu deve estar / Era o barco dos sonhos que eu tinha / Mas eu nunca deixei de sonhar.
Quanta vez enfrentei o perigo / No meu barco de sonho a singrar / Jesus Cristo remava comigo / Eu no leme, Jesus a remar.

De repente me envolve uma luz / E eu entrego o meu leme a Jesus.
É preciso pescar diferente / Que o povo já sente que o tempo chegou.
E partimos pra onde ele quis / Tenho cruzes mas vivo feliz.
Há um barco esquecido na praia / Um barco esquecido na praia / Um barco esquecido na praia.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (Agir)
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus, como discípulo e missionário de Jesus Cristo.

REFLEXÕES

(6) – JESUS É A BOA-NOTÍCIA DO PAI PARA TODA A HUMANIDADE
Em continuidade com a pregação de João Batista, o início do ministério de Jesus se dá por um apelo à conversão. A conversão se relaciona com a pessoa de Jesus: converter-se é crer no Evangelho, isto é, crer na mensagem de Jesus e na sua pessoa. Jesus é a Boa-Notícia do Pai para toda a humanidade. Sem confiança no Senhor e na sua palavra, não é possível receber e experimentar a graça de que a sua pessoa e a sua palavra são portadoras, nem segui-lo. Depois da breve notícia do início do seu ministério, Jesus chama ao seu seguimento os quatro primeiros discípulos. Esse relato típico de vocação tem como modelo 1Rs 19, 19-21. O que antecede a palavra-convite é o olhar de Jesus sobre as duas duplas de irmãos. Trata-se de um olhar que ultrapassa as aparências e penetra no fundo do coração do ser humano; um olhar que vê por dentro. Assim é o olhar de Deus sobre cada um de nós, olhar de quem conhece profundamente cada pessoa. Considerado na sua unidade, o chamado sucessivo feito aos irmãos apresenta as exigências para o seguimento de Jesus: desapego dos laços afetivos e das coisas.
_Padre Carlos Alberto Contieri_

(7) – É PRECISO DEIXAR A ESCRAVIDÃO DO PECADO PARA SEGUIR JESUS
Que hoje nós tenhamos a coragem de deixar aquilo que nos mantém presos e escravos do pecado para que possamos ouvir a voz de Jesus: “Segue-me!”
“Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: ‘O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos, e crede no Evangelho!’” (Marcos 1, 15).
A missão de Jesus, após o Seu batismo, é levar o Reino de Deus para o nosso meio, é instaurar o Reino de Deus no meio de nós, por isso Ele anuncia e prega o Reino de Deus.
Você pode perguntar: “O que é preciso fazer para entrar nesse Reino? O que é preciso para fazer parte do Reino de Deus, esse novo tempo, essa nova graça que Deus traz para o nosso meio?”
É preciso da nossa parte abertura e adesão.
Primeiro: abertura de coração. Abertura para a conversão, abertura para acolher a novidade, que é o Evangelho de Jesus, abertura para deixar Deus realizar uma obra nova dentro de nós. Converter-se significa mudar a mentalidade, o modo de pensar, de agir e de ver. Não podemos nos fechar no que pensamos, no que acreditamos, nem em nossas convicções, por melhores que elas sejam. Precisamos nos abrir para o novo! É preciso a coragem de querer nos rever, rever as atitudes, as disposições, as posturas que temos. É óbvio que, muitas vezes, nós temos hábitos que não condizem, não edificam e não testemunham a presença de Deus no meio de nós. O desejo de nos convertermos e abrir o coração à conversão abrem-nos as portas do Reino dos Céus.
O segundo passo é a adesão. Aderir àquilo em que acreditamos, aderir àquilo ao qual nos abrimos, aderir àquilo no qual acreditamos e nos convertemos. A adesão é, acima de tudo, crer no Evangelho, acreditar que ele é o poder transformador em nossa vida, e que só Jesus, o Evangelho Vivo, pode nos salvar, nos libertar e nos restaurar! Crer em Jesus significa dizer “sim” à Sua Palavra; crer em Jesus significa aderir a tudo aquilo que Ele trouxe para restaurar e renovar os nossos corações.
O Reino de Deus está aí, está no meio de nós, ele está onde abrimos o nosso coração para acolher os ensinamentos e a Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Que hoje nós tenhamos a coragem de deixar aquilo que nos mantém presos e escravos do pecado para que possamos ouvir a voz de Jesus: “Segue-me!”. E que possamos segui-Lo abrindo o nosso coração para nos convertermos e crermos no Evangelho.
Deus abençoe você!
_Padre Roger Araújo_

(8) – COMPLETOU-SE O TEMPO!
A irrupção* de Jesus, na nossa história, pôs fim ao anseio de salvação, longamente acalentado pela humanidade pecadora. Ao proclamar ter-se completado o tempo, afirmava ter chegado a libertação, e, com ela, a possibilidade de se criar um mundo novo, onde o império do pecado e do egoísmo seria desarticulado, para dar lugar ao amor. Em outras palavras, um mundo regido pela vontade de Deus.
Na língua grega, este tempo é chamado de kairós**, distinto do tempo cronológico, mensurável. O kairós é um tempo especial, irrepetível. É aquele momento exato, em que nos defrontamos com a possibilidade única de fazer algo de grandioso, ou em que alguma coisa importante está acontecendo em nossa vida. O Mestre situa-se, exatamente, neste tempo oportuno, dando-lhe uma consistência especial.
Neste contexto de kairós, a admoestação*** de Jesus assume maior gravidade: “Mudem de mentalidade e se convertam ao Evangelho!”. É o ser humano confrontado com a exigência de romper as amarras do egoísmo a fim de voltar-se, decidido, para o projeto de Reino querido pelo Pai.
Sendo um apelo irrepetível, urge acolhê-lo, decididamente, com sua exigência de ruptura com o passado, para abraçar a novidade oferecida por Deus. É pura insensatez adiar o momento da conversão. A prudência aconselha a não perder esta oportunidade singular.
Oração:
Pai, torna-me solícito em atender o convite à conversão, proclamado por Jesus. Que eu não perca a chance que me é dada de aderir, com sinceridade, ao teu Reino.
_Padre Jaldemir Vitório_
* irrupção: Substantivo feminino: Invasão súbita. / Entrada hostil dos invasores em uma região. / Entrada brusca, em geral. / Transbordamento de um rio, do mar.
** kairós: (καιρός) É uma palavra da língua grega antiga que significa “o momento oportuno”, “certo” ou “supremo”.
*** admoestação: Substantivo feminino: Advertência, reprimenda, observação com caráter de crítica, de censura: fazer uma admoestação.

(9) – BOA NOVA PARA CADA DIA
“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo […]” (Mc 1, 15a).
A Liturgia da Palavra nos dias anteriores, depois da Epifania, foi-nos mostrando a figura de Jesus enquanto revelação de Deus ao mundo: Nele os Magos viram o Filho de Deus, porque prostrados, O adoraram (Mt 2, 11).
Jesus viera ao mundo precisamente para revelar Deus Pai a toda a humanidade, e conduzi-la a Ele por meio da Salvação dos pecados. É isto o que a Epifania nos ensina.
Depois da morte de João Batista Jesus dá início a Sua pregação pessoal, convidando todos à conversão, porque terminara o tempo de espera pelo Reino de Deus:
“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1, 15).
A revelação de Deus Pai por Jesus acontecia com a inauguração do Reino de Deus em primeiro lugar, na própria pessoa de Jesus.
Mas para entrar no Reino de Deus, Reino eterno, era preciso converter-se: Deus em seu Poder de Juiz universal estabeleceria a justiça sobre toda a terra habitada; para isto todos deveriam ter seus pecados perdoados.
Porém o Reino de Deus significa não só a Salvação dos pecados, mas também a aceitação da pregação de Jesus, Seu Evangelho.
O que Jesus entendia aqui por ‘Evangelho’?
Se traduzimos do Evangelho em grego, entendemos: ‘Evangelho’ significa a ‘Boa Nova da Salvação’. Ora, sem acolher esta boa notícia não se pode ser salvo. Crer não é uma dificuldade insuperável para ninguém. Todos podemos crer no Evangelho, isto é, aceitar o que o Evangelho não só ensina como exige. Ora, o Evangelho espera que todos acolham o Reino de Deus e sejam salvos. Esta é a vontade feliz de Deus.
Mas para certas pessoas crer no Evangelho e no Reino de Deus pode ser uma dificuldade intransponível porque outros interesses entram em jogo. Foi assim que a Salvação dada por Jesus não foi aceita pelo jovem rico (Mt 19, 22). Por isso Jesus disse que é mais fácil um camelo entrar pelo furo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus (Mt 19, 24).
Não entraram no Reino de Deus anunciado por Jesus os líderes do Povo Eleito. Eles não só tinham a tentação da riqueza, da posição política e social, além do orgulho. O orgulho deles lhes impedia até mesmo admitir que deviam obedecer a Jesus como Rei dos Judeus, o que estava claro para o povo, que O reconhecia como o Messias (Mt 12, 23; 21, 9).
Não nos detenhamos nos riscos de rejeitar o Reino de Deus. Lembremos, no entanto, o que nos consola, o que Jesus nos ensinou: “O Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17, 21).
Concentremos nossa atenção nisto: em nosso íntimo constatemos o verdadeiro amor por Deus: é assim que temos certeza de viver em Seu Reino. O que Jesus pregou no início de sua missão sobre o Reino de Deus, está acontecendo em nós. Demos graças a Deus.
_Padre Valdir Marques_

(10) – DEIXANDO LOGO AS REDES, SEGUIRAM-NO
Poderíamos pensar […]:
«Terão abandonado assim tanta coisa para seguirem o Senhor, estes dois pescadores que não tinham quase nada? » […]
A verdade é que abandonaram muito, visto que renunciaram a tudo, por muito pouco que esse tudo fosse. Nós, pelo contrário, apegamo-nos ao que temos e procuramos avidamente o que não temos. Por isso, Pedro e André abandonaram muito quando renunciaram ao simples desejo de possuir; abandonaram muito porque, ao renunciarem aos seus bens, renunciaram igualmente ao que ambicionavam. […]
Assim, quando vemos que alguns renunciaram a grandes riquezas, não devemos pensar: «Gostaria muito de os imitar no seu desprezo por este mundo, mas não tenho nada para abandonar, não possuo nada».
Abandonais muito, meus irmãos, se renunciais aos desejos deste mundo. Com efeito, o Senhor contenta-Se com os nossos bens exteriores, por muito pequenos que sejam; pois é o coração que Ele tem em conta e não o valor das coisas: não Lhe interessa a quantidade de coisas que Lhe sacrificamos, mas o amor que acompanha a nossa oferenda.
Com efeito, pensando apenas nos bens exteriores, os nossos santos comerciantes pagaram a vida eterna, a vida dos anjos, com as suas redes e o seu barco. O Reino de Deus não tem preço e, por conseguinte, não te custa nem mais nem menos do que aquilo que possuis.
_São Gregório Magno (c. 540-604)_

(11.1) – SEGUI-ME E EU FAREI DE VÓS PESCADORES DE HOMENS
Deus não nos criou para sermos meros viventes, fomos criados para relacionar com Ele, e esta relação amorosa se faz por meio de Jesus! Foi Jesus quem possibilitou o encontro entre humano e divino! É a partir deste encontro que descobrimos o valor que temos para Deus, Ele não desiste de nós.
O evangelho de hoje, narra os primeiros passos da vida pública de Jesus, que começa num momento conflituoso, logo após a prisão de João Batista.
Às margens do mar da Galileia, Jesus começa a chamar os seus primeiros colaboradores, formando a sua primeira comunidade, o embrião da Igreja Missionária!
Tudo acontece de modo simples, Jesus não vai atrás de pessoas letradas, o seu olhar paira sobre os pescadores, homens simples dotados de qualidades e defeitos. Com a colaboração destes homens, Jesus começa a implantar o reino dos céus aqui na terra! O interessante, é que Jesus não questiona o passado dos seus escolhidos e nem lhes faz exigências, apenas a conversão do coração, que começa acontecer naturalmente a partir do “sim” de quem é chamado a seguir Jesus, afinal, ninguém diz “sim” a Jesus, sem estar disposto a mudar de vida!
Quando Jesus disse: “o Reino de Deus está próximo” Ele falava de si mesmo, pois Ele é a presença do Reino!
Jesus continua chamando mais colaborares, há uma grande necessidade de operários na vinha do Senhor! Ele próprio afirma: “A messe é grande mas os trabalhadores são poucos.” Lc 10, 2.
A todo instante, somos chamados a ser discípulo missionário do Senhor! Todos são chamados, Jesus não faz restrições de pessoas, Ele nos provou isso quando chamou os primeiros discípulos, pessoas simples como nós!
Para seguir Jesus, não é preciso ser diplomado, podemos anunciá-Lo até mesmo sem o uso de palavras, com o nosso testemunho de vida! Para assumirmos esta missão tão necessária no mundo, é preciso apenas ter um coração desprendido, um coração aberto para acolher a graça de Deus, pois é pela graça de Deus que tornamos “grandes” na nossa pequenez!
A caminhada do discípulo que se faz missionário é árdua, mas gratificante, pois é uma caminhada regida pela lei do amor! É a certeza da presença de Jesus junto de nós, que nos motiva a confiar sempre mais no êxito da nossa missão, que nos leva a assumir com mais empenho, com mais alegria a nossa cumplicidade no anuncio das propostas do Reino!
O verdadeiro evangelizador é aquele que coloca Jesus como centralidade, que se diminui para que Jesus apareça!
FIQUE NA PAZ DE JESUS!
_Olívia Coutinho_

(11.2) – NA ÍNFIMA GALILEIA COMEÇA ALGO NOVO PARA A HUMANIDADE
Longe dos Palácios dos Poderosos do Império Romano, e do sistema religioso, centralizado no Templo de Jerusalém, sem nenhuma comunicação prévia aos Escribas, Doutores da Lei e outros homens importantes da Comunidade Judaica, lá na desprezível Galileia dos pagãos algo de totalmente novo começa a acontecer depois que João foi preso…
Quanta ingenuidade dos poderosos achando que prendendo João Batista iriam calar a voz de Deus…
Sai de cena alguém que era somente uma voz do deserto, para entrar na vida pública aquele que é o próprio Verbo Encarnado, não foram os homens que interromperam a chegada do Reino de Deus anunciado por João, mas foi a vontade de Deus que fez chegar o tempo oportuno que havia se completado, de agora em diante Deus não mandará avisos, Ele próprio vai falar e tornar-se caminheiro junto ao seu povo…
Um projeto grandioso como esse, o único, verdadeiro e mais importante para toda humanidade, começa na Galileia, Deus não se alia aos poderosos para fazer o Reino acontecer, mas busca os mais fracos e desprezíveis, que esperam por algo novo e guardam no coração a esperança de uma mudança para melhor, mas que só dependa de Deus, seu desígnio e sua iniciativa.
A Igreja de Cristo não pode querer construir o reino fazendo parceria com Instituições poderosas, pois o Reino não depende de nenhum poder humano, nem de algum sistema econômico ou ideologia política partidária, mesmo porque, no sistema conhecido como Padroado, Igreja e estado caminhavam juntos no poder, dentro de um imperialismo que só atrasou a Missão da Igreja de Evangelizar.
É essa a verdadeira e sincera conversão, romper com todo e qualquer sistema que queira manipular o homem e ser o Dono da Vida, o Homem é Filho de Deus e a Vida um dom que pertence unicamente a ele. Conversão é mudança de mentalidade e de atitude, uma volta e uma busca permanente de Deus a única Fonte de Vida. Os primeiros seguidores de Jesus eram simples pescadores, considerados impuros diante do sistema religioso juntamente com outras categorias marginalizadas e desprezadas.
Eles conhecem Jesus, ouvem suas palavras e a sua proposta de darem uma “guinada de 90 graus” em suas vidas e aceitam com sinceridade de coração. Não foram arrebatados dentro do templo, não entraram em êxtase em uma espécie de encantamento, mas Jesus de Nazaré os procurou em seu ambiente de trabalho, na labuta diária, com as mãos cheirando peixe.
Impactados pelo anúncio de Jesus, não pediram um tempo para pensarem no assunto, afinal, deixar para trás trabalho e família, não é coisa que se possa fazer da noite para o dia… Mas o nosso evangelho, que não é uma reportagem jornalística, apenas quer nos mostrar a urgência que devemos ter ao responder o Senhor que nos chama para algo novo. Em nossa labuta diária, através de pessoas e acontecimentos Jesus continua a nos chamar, Ele poderia, de maneira violenta nos arrebatar e invadir a nossa vida, mas com a humildade de sempre, manifestada na sua encarnação, vida, paixão e morte na cruz, nos faz uma proposta e um convite…
Afinemos bem os nossos ouvidos e o nosso coração, e não percamos mais tempo, vamos responder com generosidade a este chamado, como fizeram aqueles primeiros discípulos, que deixando tudo para trás, o seguiram…
_Diácono José da Cruz_

(11.3) – CONVERTEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO!
Na liturgia, começamos hoje a primeira semana do tempo comum. O Evangelho tem duas partes: um apelo à conversão feito por Jesus, e o chamado de quatro discípulos.
“Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia.”
Na Palestina, o Estado da Galileia é o mais distante de Jerusalém. Mostra que Jesus não queria ser preso nem morrer.
“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo.”
Portanto, a conversão tem de ser agora, não pode ser adiada. O tempo já se cumpriu, quer dizer, já venceu o prazo. O original está em grego, e esta língua tem duas palavras para designar o tempo:
1ª) “Krónos”: o tempo do calendário.
2ª) “Kairós”: o tempo da graça, de favor de Deus e de oportunidade de salvação.
“Exorto-vos a não receberdes em vão a graça de Deus, pois ele diz: ‘No momento favorável, eu te ouvi, no dia da salvação, eu te socorri’. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2Cor 6, 2).
“O Reino de Deus está próximo” porque o próprio Jesus é a Boa Nova do Reino. Na sua pessoa, na sua mensagem e na sua obra está já presente a salvação que o Reino de Deus traz ao homem. O Reino de Deus não é mais algo do futuro, mas está presente e começa a se realizar, isto é, está à porta de cada um de nós.
Por isso, “convertei-vos e crede no Evangelho!”
Evangelho significa Boa Nova. É o conjunto de tudo que Jesus ensinou.
Conversão, palavra muito usada no trânsito, significa mudança de direção. Devemos mudar a direção da nossa vida, mudar o nosso comportamento, transformando-o radicalmente.
“Crede no Evangelho!”
Deus veio até os homens para reconciliá-los. Não lhes traz mais mandamentos, mas lhes pede a fé em suas palavras.
Os quatro primeiros discípulos que Jesus chamou são duas duplas de irmãos. Os quatro são pescadores.
“Deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus.”
“Deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus”.
Para seguirmos a Jesus, precisamos deixar tudo: bens materiais, família, trabalho… Chama a nossa atenção a resposta pronta, imediata e incondicional deles. O discípulo – dirá Jesus mais tarde – precisa renunciar a tudo: famílias, bens…
Jesus os instruirá de forma dinâmica, isto é, não numa sala de aula, mas durante a vida normal que vão viver juntos. É assim que nasce a Igreja.
Jesus já conhecia esses quatro: Pedro, André, Tiago e João, pois era por ali que João Batista pregava e ministrava o batismo de penitência. Jesus sabia que não eram pessoas ociosas, mas gente trabalhadora e responsável; e eram generosos para se entregarem por um ideal. Os quatro não sabiam o que era esse Reino de Deus para o qual foram chamados, mas confiavam em Jesus que os convidava. Nós também, quando abraçamos uma missão ou vocação (vida sacerdotal, matrimônio…) nunca conhecemos direito o futuro, mas confiamos em Deus que nos convida. Fé é exatamente isso: caminhar como se visse o invisível. Os quatro passaram a viver apoiados na fé.
Não adianta alguém dizer que tem fé, se não tem boas obras. São estas que mostram a nossa fé. Ter fé é seguir um caminho novo, traçado não por nós, mas por Deus para nós. Eu não conheço o caminho, mas creio que dará certo, porque foi Deus que me chamou e ele conhece o caminho. Quando recebemos um sacramento – por exemplo, a ordenação sacerdotal, o matrimônio – é certo que Deus nos chama para aquilo, porque o sacramento é o sinal visível da graça e da ação de Deus.
A fé cristã começa quando alguém toma um caminho novo na vida, por causa de Deus, de Jesus Cristo, da Santa Igreja. Tomar um caminho novo é exatamente o sentido da palavra conversão.
Antes de subir para o céu, Jesus disse aos seus discípulos: “Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e no seu nome será anunciada a conversão, para o perdão dos pecados, a todas as nações…” (Lc 24, 46-47). Para recebermos o perdão dos nossos pecados, temos de nos converter.
A nossa conversão deve ser para a Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo. Para a Igreja que ele fundou: una, santa, católica e apostólica.
Certa vez, um professor estava aplicando uma prova aos seus alunos, os quais, em silêncio, tentavam responder as perguntas com certa ansiedade.
Faltavam uns quinze minutos para o encerramento, quando um aluno levantou o braço e disse ao professor: “Professor, pode me dar uma folha em branco?” O professor levou a folha até a sua carteira e perguntou por que mais uma folha em branco. Ele respondeu: “Eu tentei responder as questões, rabisquei tudo, fiz uma confusão e quero começar outra vez”.
Apesar do pouco tempo que faltava, o professor confiou no rapaz e lhe deu a folha em branco, torcendo para o aluno.
Nós, pela vida afora, vamos corrigindo aqui, apagando ali… Mas pode acontecer, em determinado momento, de precisarmos de uma folha em branco e mudar a nossa vida radicalmente, porque não dá mais para fazermos pequenos retoques. Apesar do pouco tempo que nos resta, o professor, que é Cristo, confia em nós e nos dá a folha em branco, torcendo depois para que acertemos. Por isso, se for necessário, não vamos ter medo de pedir a folha em branco, fazendo uma reforma mais radical da nossa vida. A palavra conversão significa justamente isso.
Os nossos atos têm suas raízes, isto é, eles são manifestações de algo mais profundo em nosso interior, como um iceberg. Como disse Jesus a Nicodemos: “Se alguém não nascer de novo, não poderá ver o Reino de Deus” (Jo 3, 3).
Como aquele professor, Jesus está ao nosso lado, torcendo por nós e pronto para nos ajudar.
Maria Santíssima tinha o coração todo voltado para Jesus e para a sua Igreja. Pedimos a ela que interceda por nós, a fim de recebermos a graça da conversão.
Convertei-vos e crede no Evangelho!
_Padre Antônio Queiroz_

(11.4) – JESUS NOS CHAMA PARA SEGUI-LO
Pelo estudo dos Evangelhos, passamos a conhecer a vida de Jesus e podemos afirmar que Ele era muito carismático. Jesus causava muita atração, admiração nas pessoas. Nessa leitura de hoje, podemos observar que Jesus chamou os quatro primeiros homens, que escolheu para serem seus discípulos, e eles imediatamente largaram seu trabalho e O seguiram. Que impressão forte Cristo deve ter causado neles!
Eles eram pescadores do mar da Galileia. Jesus era daquela região, pois criou-se em Nazaré, que fica a 40 Km do mar da Galileia. Provavelmente, Jesus já tivesse passeado por lá, pois conhecia a vida daquele povo daquela região. Deveria conhecer bem a vida dos pescadores.
Como foi que Jesus os chamou?
Certo dia, Jesus foi ao mar da Galileia, viu no barco os dois irmãos André e Simão lançando suas redes. Quando ouviram Jesus chamando, recolheram a rede e dirigiram o barco para a margem.
“Venham”, disse Jesus a André e Simão. “Sigam-me. Vocês são pescadores e eu os farei pescadores de homens”. Como juntavam peixes em suas redes, assim iriam juntar homens para o Reino de Deus.
Os dois – André e Simão – reconheceram logo Jesus, porque André tinha sido discípulo de João Batista e, por isso, já conhecia Jesus, e já havia levado seu irmão Simão para conhecer Jesus. Assim, quando Jesus os chamou, os dois acreditaram, deixaram imediatamente o barco e as redes e O seguiram. Sabiam o que queria e que serviço novo tinha para eles. Iam dar, com alegria, sua vida por Jesus.
Mais adiante, Jesus encontrou um outro barco. Pertencia ao velho Zebedeu, um abastado pescador. Tiago e João, seus dois filhos, estavam com ele sentados no barco. Consertavam suas redes. Jesus chamou-os dizendo: “Tiago e João, venham! Sigam-me!”. Eles deixaram tudo e seguiram Jesus.
Realmente o jovem galileu, Jesus de Nazaré, atraía todos. Seu jeito bondoso, sua aparência física cativava, conquistava, puxava para si as pessoas, a paz refletida no seu rosto, seus olhos penetrantes, seu modo de olhar doce e profundo, sua segurança… Todo o seu jeito de ser expressava um homem puro, bom, íntimo com Deus. Um homem de autoridade, consciente de ter uma missão a cumprir. Simples e humilde, que escondia dentro de si uma grandeza misteriosa. Esse homem os estava chamando para serem seus amigos e compartilharem de sua missão.
A atração que sentiram por Jesus foi tão grande que daquele momento em diante suas vidas não teriam o mesmo sentido a não ser que fossem com Ele. A resposta deles foi imediata e radical: no mesmo instante, deixaram as redes e foram com Cristo.
Podemos então perceber a força que a pessoa de Cristo tem para impressionar, atrair, conquistar. Jesus causa um impacto que vai até o centro do nosso ser. Ele é o Mais Forte, que entra na nossa vida para mudá-la radicalmente. Ele vem, chama e toca as profundezas do nosso coração, lá onde só Deus pode penetrar. Na presença de Cristo, sentimos o apelo de Deus, sentimos o seu chamado, o seu convite para caminharmos juntos. Jesus procura e chama pessoas, que não se conformam e lutam para mudar situações.
O Evangelho é bem claro a nos indicar qual é a única resposta que podemos dar a Jesus. Quando sentimos o seu olhar, o seu convite, é impossível não lhe dizer sim.
Ao convite de Jesus, imediatamente, Simão e André deixaram suas redes; João e Tiago deixaram seu pai e o barco. “Rede” e “barco” significavam a segurança econômica da pessoa. “Pai” significava a vida familiar e afetiva. São justamente essas as coisas mais preciosas na vida e ninguém iria pensar em deixá-las. Ninguém quer deixar sua vida segura, acomodada, estável.
Mas para aqueles que se encontram com Jesus Cristo, tudo muda. Acontece uma transformação fundamental na vida e nos valores da pessoa, ela passa a valorizar o que antes não valorizava e não dar tanta importância para outras que eram muito valorizadas. A amizade com Jesus e o trabalho do Reino assumem uma importância maior do que os laços que nos unem à família e à profissão. As palavras “Convertei-vos e crede no Evangelho” passam a significar muito para aqueles que se encontram com Jesus. Realmente, para aqueles que têm um encontro pessoal com Jesus, a transformação acontece mesmo na vida deles, são capazes de mudar o coração, suas atitudes, a maneira de olhar a vida.
Hoje, somos nós que recebemos o chamado para sermos pescadores de homens, somos nós que recebemos o chamado para transformar o mundo pela força do Evangelho, como o fermento transforma a massa, para levar avante a mensagem de Jesus: a paz, o amor, a justiça…
Hoje, ainda como ontem, Jesus olha profundamente nos meus olhos, nos seus olhos e nos chama com o mesmo amor para segui-Lo. Sinta agora o olhar penetrante dele sobre você. Jesus está chamando você pelo seu nome. Jesus lhe convida para viver com Ele, para caminhar com Ele. “Vem, segue-me, eu preciso de você”. Hoje, somos nós seus apóstolos. Jesus precisa das nossas mãos, dos nossos lábios, dos nossos pés, para anunciar a todos a mensagem do Reino, a mensagem do amor, a Boa-Notícia da Salvação. Anunciar ao mundo quem é Jesus.
E você, meu irmão, minha irmã, você aceita caminhar com Jesus?
Você aceita entrar na barca de Jesus?
Você quer caminhar com Jesus?
Hoje, Jesus ainda está na beira do lago da nossa vida convidando-nos para caminhar com Ele. Escuta agora a voz de Jesus lhe chamando com amor, com doçura, com força, com entusiasmo, com insistência: “Vem e segue-me!”
_Maria de Lourdes Cury Macedo_

(11.5) – JESUS COMEÇA O SEU TRABALHO
Marcos situa rapidamente o contexto em que aparece o programa de Jesus, sintetizado pela primeira declaração do Mestre nesse evangelho. Temos uma vaga indicação de tempo (“Depois que João Batista foi preso”) e de lugar (“Jesus foi para a Galileia”.
O mensageiro de Jesus foi preso. Marcos dirá mais adiante quais os motivos da prisão do Batista e as razões que o levaram à morte (cf. 6, 17ss). Esse dado é importante. O mensageiro de Jesus mexeu com os interesses e privilégios dos poderosos.
O que irá acontecer com Jesus?
Aos poucos o evangelho mostrará que Jesus, “o forte” (1, 7), não se deixa amedrontar pelos poderosos, vencendo os mecanismos que geram morte para o povo. A Galileia é o lugar social onde Jesus inicia sua atividade. Essa região era sinônimo de marginalidade, lugar de gente sem valor e impura. É no meio dessa gente e a partir dela que Jesus anuncia seu programa de vida: “O tempo já se cumpriu e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e creiam no evangelho”. Depois que ressuscitou, o Mestre convida os discípulos a descobri-lo vivo na Galileia, sinal de que a prática de Jesus em nada difere da dos que o desejam seguir.
O programa de Jesus (v. 15) consta de três momentos.
Em primeiro lugar, ele anuncia que “o tempo já se cumpriu”. A espera da libertação chegou ao fim. Deus está presente em Jesus, atuando seu projeto de liberdade e vida. O caminho de Deus e o caminho dos marginalizados são uma coisa só. O desejo expresso em Is 63, 19 (“Quem dera rasgasses o céu para descer!”) se cumpriu, pois com Jesus o céu se rasgou (cf. Mc 1, 10) e o Deus invisível se tornou gente no meio dos empobrecidos. Fez-se pobre como eles.
Em segundo lugar, Jesus anuncia que “o Reino de Deus está próximo”. Deus tomou a decisão de reinar. Por que o Reino de Deus está próximo? Porque a realeza de Deus vai tomando corpo através dos atos libertadores que Jesus realiza ao longo do evangelho. Está sempre próximo também mediante a prática dos seus discípulos, aos quais confiou a continuação daquilo que anunciou e fez. O Reino é uma realidade dinâmica. Refazendo a prática de Jesus no tempo, as pessoas e as comunidades vão abrindo espaços para que o Reino se torne realidade.
Em terceiro lugar, Jesus diz: “Convertam-se e creiam no evangelho!” Conversão é sinônimo de adesão à prática de Jesus. A libertação esperada, o céu rasgado, de nada adiantariam se as pessoas que anseiam pela libertação continuassem amarradas aos esquemas que mantêm uma sociedade desigual e discriminadora. O Evangelho de Marcos é apenas o início da Boa Notícia da libertação trazida por Jesus (cf. 1, 1). Ela se tornará realidade mediante o compromisso das pessoas e comunidades que dizem sim ao Mestre.
Os versículos do 16 a 20 mostram o sim de algumas pessoas à Boa Notícia trazida por Jesus. A vocação de Simão e André, Tiago e João (bem como a de Levi em 2, 13-14) é apenas um sinal do que acontece com todas as pessoas que, em qualquer tempo e lugar, sentem necessidade de mudança na sociedade. Marcos não se preocupou em detalhar a vocação de todos os discípulos (e nisso foi imitado pelos evangelistas que vieram depois dele). O que acontece com alguns deles serve de medida para os demais.
Jesus escolhe pessoas simples e as chama a partir da realidade do dia-a-dia. Simão e André, Tiago e João são trabalhadores que ganham a vida pescando. (Levi está sentado na coletoria de impostos, cf. 2, 14.) Não importa se o que fazem é honesto ou desonesto. O apelo é igual para todos, e a resposta é imediata: “Eles deixaram imediatamente as redes e seguiram a Jesus… Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados e partiram, seguindo a Jesus… Levi se levantou e o seguiu”.
O apelo feito a Simão e André vale para todos os discípulos: “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens”. A frase de Jesus recorda Jeremias 16, 16: Enviarei numerosos pescadores para pescá-los. Aí se fala do julgamento de Javé sobre a sociedade idólatra. A frase recorda também o chamado de Eliseu (cf. 1Rs 19, 19-21). Ser “pescador de homens”, portanto, é ser profeta do Reino à semelhança de Jeremias e Eliseu. Não é possível seguir a Jesus sem um mínimo daquele espírito profético inconformado com a situação vivida pelo povo. Os que não se conformam e lutam para mudar as situações, provocam o julgamento de Deus na história. São essas as pessoas que Jesus procura e chama.
_Canção Nova_

(11.6) – JESUS NOS CHAMA
Hebreus 1, 1-6 – “nas alturas somos filhos de Deus”
A leitura de hoje nos conscientiza do poder messiânico de Jesus e nos dá o entendimento de que Ele é verdadeiramente Aquele de quem os profetas falavam desde os tempos remotos. Por isso, a liturgia nos traz como reflexão o início da vida pública de Jesus, após o Seu Batismo. A vida, morte, ressurreição e glorificação de Jesus são o fundamento de que por Ele nós fomos justificados dos nossos pecados, diante do Pai. Por ter obedecido ao Pai e ter se entregue para a purificação dos nossos pecados, Jesus está colocado à direita da majestade divina, nas alturas. Portanto, nós temos diante de Deus, a nosso favor, o testemunho do Herdeiro do seu Trono, nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, nós, cristãos, nos apropriamos da verdade de que Jesus é o esplendor da glória de Deus e sustenta ainda hoje o universo com o poder de sua palavra. A Palavra nos dá a garantias de que Jesus é o verdadeiro Filho de Deus a quem todos devemos adorar juntamente com os Seus anjos. Por essa razão, todos nós poderemos iniciar o nosso ano seguindo os passos que Jesus deu na sua caminhada terrena com toda segurança de que Ele é modelo para a nossa própria travessia aqui na terra. Para isso, porém, nós precisamos ter o coração e a mente, ocupados com a graça do Espírito Santo a fim de não nos desviarmos do caminho que nos é proposto. Se, caminharmos com Jesus, seremos também testemunhas fiéis das maravilhas que Ele fez, faz e fará na nossa vida e na história das pessoas para as quais O anunciamos.
– Você está disposto (a) a caminhar com Jesus durante este ano refletindo com a Sua Palavra?
– Para você Jesus é digno de louvor e adoração?
– Você já experimentou adorá-Lo em comunhão com os anjos e os santos?

Salmo 97 – “Adorai o Senhor Deus, vós anjos todos!”
Podemos adorar a Jesus conforme nos conclama o Salmo exaltando-O como o Altíssimo Senhor, que está acima do universo e superior a todos os poderes. Jesus é o rei, nós somos os Seus súditos e, mesmo assim, nós podemos ver a Sua glória. O império de Jesus é um reino de amor e de justiça e não uma dominação que nos é imposta. Somos convidados e motivados a adorá-Lo porque assim a nossa alma se rejubila de alegria.

Evangelho Marcos 1, 14-20 – “Jesus nos chama”
No tempo determinado Jesus percebeu que teria de se pôr em movimento a fim de que a Sua Missão fosse iniciada. A prisão de João Batista foi para Ele um sinal de que o Evangelho de Deus teria que ser anunciado e de que o reino dos céus estava próximo. Porém, Jesus não quis fazer nada sozinho, e começou a convocar aqueles que O acompanhariam e seriam os Seus colaboradores. E foi caminhando à beira do mar que Ele encontrou e escolheu os Seus primeiros seguidores. Eram eles, pescadores acostumados a perseverar na procura do peixe, alimento àquela época, indispensável para a sobrevivência humana. Jesus escolheu pescadores que estavam acostumados a enfrentar o mar com o seu perigo e as suas incertezas, mas que tinham a esperança como fundamento para o seu trabalho. Aqueles homens possuíam casa e família, mas vivam condicionados a uma vida sem fronteiras, sem medo de desbravar o desconhecido. A narrativa nos dá conhecimento de que eles confrontavam o mar jogando as redes para a pesca, mas tinham também o momento de parar para consertar as redes. Assim, eles viviam em função das redes. E foi neste contexto que Jesus encontrou os irmãos, Simão e André, Tiago e João. “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens,” disse-lhes Jesus e eles, “deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus”. Jesus também hoje nos chama para sermos pescadores de homens e nos convida também a que deixemos as redes, isto é, as nossas preocupações, os nossos apegos e tudo que nos amarra à vida antiga. Mesmo que tenhamos trabalho e família e que não estejamos “desempregados” nem “desocupados” Jesus nos convoca para assumirmos o compromisso de sair à busca de peixes para Ele. Jesus tem fome de muitas pessoas que ainda estão no mar do mundo, sem rumo e que precisam ser achadas, tratadas e curadas. Ele também vem a nós, pois sabe que também o nosso tempo já se completou. Precisamos agir e nos colocar à Sua disposição.
– Você também percebe que o tempo já se completou e que Jesus precisa de você?
– Você já é pescador (a) de homens?
– Como você tem feito para apanhar os peixes para Jesus?
– Como está a sua vida?
– Você tem muitas preocupações e ocupações?
– Você tem medo de assumir compromissos?
– Será que um dia você será cobrado (a) pelo que deixou de fazer?
Pense nisso.
_Helena Serpa_

(11.7) – SEGUE-ME
A pregação inicial de Jesus é um grande convite à mudança, e esta mudança tem como consequência o discipulado, o seguimento de Jesus. De fato, quem se converte verdadeiramente faz com que Jesus se torne o centro da sua própria vida e a razão da sua existência, e o discipulado é a grande manifestação dessa centralidade de Jesus, que pode acontecer tanto por meio das vocações de especial consagração, como a sacerdotal ou religiosa, como através da vocação laical, que leva o cristão a testemunhar a presença de Jesus em todos os meios em que vive e a ser fermento, sal e luz no meio da sociedade. O discernimento em relação ao seguimento de Jesus vai nos direcionar para a cruz. Mesmo que torçamos o nariz é nessa direção que iremos. Seguir Jesus é assumir a cruz como prova de nossa fidelidade. Assumir a cruz, lógico, não é querer o sofrimento, mas não deixar que ele passe desapercebido em nossa vida. Quando estamos na Igreja somos vítimas de todo tipo de calúnia e maledicências, mesmo de nossos familiares. Porém, o que importa é estar ao lado de Jesus.
_Ruymar_

(16) – CONVERTEI-VOS E CREDE NA BOA NOVA
Hoje, o Evangelho nos convida à conversão. «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho» (Mc 1, 15).
Converter-se, a que?
Melhor seria dizer, a quem?
A Cristo! Assim o expressou: «Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim» (Mt 10, 37).
Converter-se significa acolher agradecidos o dom da fé e fazê-lo operativo pela caridade.
Converter-se quer dizer reconhecer a Cristo como único senhor e rei de nossos corações, dos que pode dispor.
Converter-se implica descobrir Cristo em todos os acontecimentos da história humana, também da nossa história pessoal, consciente de que Ele é a origem, o centro e o fim de toda história, e que por Ele tudo foi redimido e Nele alcança sua plenitude.
Converter-se supõe viver de esperança, porque Ele venceu o pecado, o maligno e a morte, e a Eucaristia é a garantia.
Converter-se comporta amar a Nosso Senhor por acima de tudo aqui na terra, com todo nosso coração, com toda nossa alma e com todas nossas forças.
Converter-se pressupõe entregar-lhe nosso entendimento e nossa vontade, de tal maneira que nosso comportamento faça realidade o lema episcopal do Santo Papa, João Paulo II, Totus tuus, quer dizer, Todo teu, Deus meu; e todo é: tempo, qualidades, bens, ilusões, projetos, saúde, família, trabalho, descanso, tudo.
Converter-se requer, então, amar a vontade de Deus em Cristo acima de tudo e gozar, agradecidos, de tudo o que acontece de parte de Deus, inclusive contradições, humilhações, doenças, e descobri-las como tesouros que nos permitem manifestar mais plenamente nosso amor a Deus: si Você o quer assim, eu também o quero!
Converter-se pede, assim, como os apóstolos Simão, André, Tiago e João, deixar «imediatamente as redes» e ir-se com Ele (cf. Mc 1, 18), uma vez ouvida a sua voz.
Converter-se é que Cristo seja tudo em nós.
_Rev. D. Joan COSTA i Bou_

COMEMORA-SE NO DIA 12/Jan

(5) – SANTO ANTONIO MARIA PUCCI
No batismo recebeu o nome de Eustáquio Pucci. Nasceu na Itália em 1819. Aos dezoito anos, ele ingressou no convento dos Servos de Maria, onde mudou o nome para Antonio Maria. Em 1847 foi enviado como vice pároco para a nova paróquia confiada aos servitas e três anos depois se tornou o pároco, função que executou, durante quarenta e oito anos, até morrer.
Dedicou-se com zelo heroico à cura espiritual e material dos seus fiéis, que o chamavam afetuosamente de “o curador”. Padre Antonio Maria enfrentou duas epidemias na cidade, tratando pessoalmente dos mais doente, pois tinha o dom da cura e do conselho.
Em 1853 fundou a congregação das Irmãs auxiliares Servas de Maria direcionadas para a educação dos adolescentes, e criou o primeiro orfanato mariano para as crianças doentes e pobres. Além disto, introduziu outras Organizações já existentes, todas dedicadas às obras de caridade que atendiam os velhos, crianças, doentes e pobres.
Depois de socorrer um doente, numa noite fria e de tempestade, contraiu uma pneumonia fulminante, que o levou à morte em 12 de janeiro de 1892.
REFLEXÃO:
A vida de santo Antonio de Pucci leva-nos a lembrar de nossos párocos e a rezar por eles. Não é fácil cuidar de uma paróquia e cada um de nós, que participamos de comunidades, temos que saber amar e respeitar nossos pastores, ainda que eles tenham suas fraquezas.
_Padre Evaldo César de Souza_

(6) – SÃO BENTO BISCOP
Bento “pela graça e pelo nome”, era este o jogo de palavras que são Gregório Magno usava para definir o amigo e irmão na fé, são Bento de Nórcia. E pela grande força do sentido que expressam, não puderam deixar de ser usadas, também, para louvar são Bento Biscop, no livro escrito por são Beda, Doutor da Igreja, sobre seu mestre e tutor. Ele que foi discípulo de Biscop, desde os sete anos, idade em que foi entregue pelos pais.
Biscop nasceu em 628, na Nortúmbria, Irlanda. Era um nobre e se tornou um soldado de alta patente do exército do rei Oswiu, porém o chamado de Deus falou mais alto. Aos vinte e cinco anos decidiu renunciar aos favores da corte e abandonar a família, para se colocar a serviço do verdadeiro Rei, Jesus Cristo e do Evangelho, para alcançar a vida eterna. No ano de 653, após ter feito esta escolha, fez a primeira das seis viagens a Roma. Era um devoto incondicional dos santos apóstolos Pedro e Paulo e dos papas. Suas viagens tinham a finalidade da peregrinação e também o aprendizado de exemplos e instituições monásticas.
A Santa Sé o designou para ir à Inglaterra, acompanhando o novo bispo de Cantuária, Teodósio. Assim, Biscop acabou sendo o responsável, em grande parte, pela evangelização da Inglaterra. De suas viagens a Roma, trazia consigo diversos livros sobre artes, ciências, e muitos outros de assuntos variados.
Em Lerins, no percurso da segunda viagem a Roma, em 665, permaneceu cerca de dois anos. Era um perfeccionista, não procurava só encontrar modelos de vida como também numerosos livros, documentos iconográficos, relíquias dos santos, parâmetros e outros objetos que favorecessem um culto em perfeita sintonia com a Igreja de Roma.
Na embocadura do rio Vire, fundou um mosteiro, dedicado a são Pedro, em 674, e outro, em honra a são Paulo, alguns anos mais tarde. Para isso, trouxe da França diversos pedreiros, artesãos, artífices, etc., para a construção de igrejas e, desta maneira, introduzir nos mosteiros ingleses os usos e costumes dos mosteiros romanos.
Uma vez chegou a suplicar ao papa Agatão que enviasse o cantor da basílica de são Pedro, o abade João, para que a liturgia e o canto romano fossem assimilados por seus monges reunidos nos dois mosteiros de são Pedro e de são Paulo. Quando voltou da sexta viagem a Roma ficou surpreso com uma epidemia que destruíra grande parte de sua obra.
Sobre o leito de morte pôde dizer com razão: “Meus filhos, não considerem invenção minha a constituição que lhes dei. Depois que visitei dezessete mosteiros, cujas regras e usos, me esforcei por conhecer e selecionar as que me pareceram melhores, dou-lhes o resultado desse trabalho. Este é o meu testamento.”
Morreu no dia 12 de janeiro de 690, aos sessenta e dois anos de idade. A sua celebração foi determinada para esta data, durante a cerimônia de sua canonização, pela Igreja, em Roma.

(6) – SANTO ARCÁDIO
Na metade do século III, os cristãos sofriam com a derradeira e a mais perversas das suas perseguições. Tinham as casas arrombadas, os bens confiscados e as famílias humilhadas com as pessoas sendo levadas ao tribunal e condenadas à morte, por causa de sua Fé.
Na cidade africana de Cesárea da Mauritânia, os cristãos que desejavam fugir da execução eram obrigados a assistir os cultos aos deuses pagãos. Eles deviam conduzir pelas ruas os animais destinados ao sacrifício, acender o incenso e participar das festas movidas a orgias e outras extravagâncias públicas.
Arcádio, resolveu escapar daquela insanidade e manter suas orações e contemplações espirituais, refugiando-se num lugar ermo. Entretanto, como era um cidadão muito conhecido, logo sua ausência foi notada e as autoridades saíram em seu encalço. Para obrigá-lo a se entregar, prenderam um seu parente próximo, que nada revelou sobre onde ele estava escondido. Mas Arcádio, ao saber do ocorrido, foi ao tribunal e se entregou, exigindo que soltassem o inocente.
Todas as ameaças possíveis foram lançadas contra ele, para que abandonasse sua fé, mas de nada adiantaram. Irado, o juiz não só o condenou à morte, como determinou que a pena fosse aplicada de forma “lenta e muito cruel”.
A tortura durou horas e em todos os momentos Arcádio reafirmava seus conceitos, incitando os outros cristãos a fazerem o mesmo. Uma a uma, suas articulações foram sendo cortadas e, mesmo assim ele ainda fez um último discurso testemunhando seu incondicional amor à Jesus Cristo, para depois morrer.
Segundo a tradição, conta-se que os pagãos se admiraram tanto com sua coragem, que muitos se converteram e mesmo os que não o fizeram, também passaram a respeitar sua memória, celebrada no dia 12 de janeiro.
Santo Arcádio consta somente no Martirológio Romano, o seu nome não aparece em nenhum do Oriente. Isto porque, o precioso documento do culto deste santo foi levado para Verona, pelo primeiro bispo desta diocese, chamado Zenon, de origem africana e nascido na cidade do mártir. Parece que ele trouxe consigo a Ata onde foi narrado o martírio de Arcádio e o difundiu entre os cristãos através dos seus sermões, logo no início de seu apostolado no território italiano.

(6) – SÃO BERNARDO DE CORLEONE
Bernardo nasceu na pequena cidade de Corleone, na Sicília, Itália aos 6 de fevereiro de 1605 e recebeu o nome de Filipe Latino ao ser batizado. Seus pais tinham cinco filhos, e eram bastante respeitados por todos, pelos princípios rígidos morais e de cristandade, com um dos filhos sacerdote. Consta que seu pai era um sapateiro e curtidor de peles, muito justo, bondoso e caridoso, que acolhia em sua casa os necessitados, dando-lhes condições de banharem-se para depois alimentá-los e vesti-los. Foi nesse ambiente que o jovem Filipe, alto forte e de caráter violento, amante das lutas e armas, se desenvolveu.
Certo dia, ele foi provocado por um rapaz e num momento de ira, bruscamente com a espada arrancou o braço do agressor. Nesse momento, nasceu um novo homem que arrependido pediu perdão ao rapaz, atitude que foi aceita. Depois disso os dois se tornaram amigos. Desde então modificou sua personalidade encontrando na vida religiosa sua verdadeira vocação, conforme a vontade de Deus, como disse até o momento de sua morte.
Ele deixou sua cidade natal e ingressou para o noviciado no convento de Caltanissetta em Palermo. Ali abraçou plenamente seu novo caminho tornando-se irmão leigo da Ordem terceira dos frades menores capuchinhos, no dia 13 de dezembro de 1631, adotando o nome de frei Bernardo.
Trabalhando como cozinheiro, viveu no mosteiro uma existência simples e humilde. Mas além dessa função, Bernardo se dedicava aos doentes como enfermeiro e tratava inclusive dos animais enfermos, pois na sua época eles eram muito úteis para a sobrevivência das famílias. Bernardo enriquecia ainda mais sua vida espiritual, fazendo penitências, mortificações e longos períodos de orações para o bem da comunidade, demonstrando assim sua personalidade forte, agora impregnada de um profundo amor por toda a humanidade.
Ele desenvolveu, uma forte paixão pela Eucaristia, que recebia todos dias. Quando se encontrava diante do Sacrário, concentrado em oração, o tempo, para ele, deixava de existir e não raro as pessoas se comoviam com a pureza de sua atitude. Além disso, ajudava o sacristão em suas tarefas diárias, para ficar ainda mais perto de Jesus Eucarístico.
Bernardo era muito solidário com seus companheiros frades e com toda a comunidade. Assim, quando ocorria uma catástrofe na cidade, como um terremoto ou furacão, típicos da região, Bernardo ajoelhava-se orando em penitência diante do Sacrário dizendo essas palavras: “Senhor, desejo essa graça!”. O resultado sempre era favorável, pois as calamidades cessavam, poupando uma desgraça maior.
A sua simplicidade se assemelhava aos primeiros e genuínos capuchinhos, nostálgico das origens e fascinado pela experiência da vida de ermitão. Um grande júbilo acompanhava esta sua devoção mariana, cheia de calor, fantasia e festividade, de fato contagiante. O seu amor a Nossa Senhora era incontestável e sublime.
Bernardo, comovia não só por sua extraordinária penitência. Mas porque tinha grande delicadeza e doçura na atenção para com os outros, uma alegria e plenitude de vida que impressionava. Aos frades forasteiros fazia festa, para os pobres estava sempre disponível e para os doentes tinha um coração materno. Assistir-lhes e servir-lhes era a sua felicidade.
Após trinta e cinco anos de vida religiosa, faleceu no dia 12 de janeiro de 1667, em Palermo, onde seus restos mortais repousam na igreja dos Capuchinhos, dessa cidade na Sicília, Itália. O Papa Clemente XIII o elevou ao altar da Igreja como Beato em 1768. Mais tarde, o Papa João Paulo II declarou Santo Frei Bernardo de Corleone em 2001.

(6) – PEDRO FRANCISCO JAMET
Pedro Francisco Jamet, nasceu no dia 13 de setembro de 1762 em Fresnes, hoje diocese de Seez, na França. Seus pais eram ricos fazendeiros cristãos, tiveram oito filhos, destes dois seguiram o sacerdócio e uma se tornou religiosa. Com os outros irmãos, estudou no colégio de Vire. Aos vinte anos, percebeu sua vocação religiosa, por isso ingressou na renomada universidade de Caen, para frequentar os cinco anos de filosofia e teologia.
Depois, em 1784 entrou no seminário, onde após três anos foi ordenado sacerdote. Obteve o diploma de bacharel em teologia e o título de “mestre das artes”, mas não pôde continuar a especialização porque eclodiu a Revolução Francesa. Existia em Caen a comunidade das Filhas do Bom Salvador, Instituto fundado em 1720, e Pedro Francisco em 1790, foi nomeado capelão e confessor do Instituto.
Durante a Revolução, em 1798 recusou-se a fazer o juramento imposto pelos reacionários, por isso foi preso, julgado e condenado à morte. Mas conseguiu a liberdade e passou a se dedicar incansavelmente ao assistir, da melhor maneira possível, as dispersas Filhas do Bom Salvador. Celebrava a Missa escondido, amparava os companheiros vacilantes e mantinha o ânimo e a coragem dos fiéis perseguidos.
Terminada a Revolução, pôde se dedicar plenamente à restauração e ao desenvolvimento da Congregação do Bom Salvador, sendo eleito o Superior. Nessa oportunidade introduziu a assistência aos surdos-mudos. Para isso, ele próprio quis se especializar frequentando cursos específicos, a fim de fornecer a educação adequada, através dos mais atualizados métodos de ensino existentes na época. Durante oito anos, até 1830, foi o reitor da universidade de Caen, levando aos docentes e aos estudantes um novo clima de fé cristã, depois da grande bufada da Revolução e da divulgação das ideias iluministas e racionalistas.
Tudo fez para a glória de Deus, porque no íntimo era todo de Deus. Morreu aos oitenta e três anos, em decorrência das fadigas e da idade avançada, no dia 12 de janeiro de 1845, em Caen, França. O Papa João Paulo II o beatificou em 1987. Durante a solenidade indicou o dia da morte do Beato Pedro Francisco Jamet, que ele chamou de o “segundo fundador” do Instituto do Bom Salvador, para receber sua homenagem litúrgica.

NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE

CELEBRAÇÃO DE HOJE

I SEMANA DO TEMPO COMUM
(VERDE – OFÍCIO DA I SEMANA)

RITOS INICIAIS

Monição Ambiental ou Comentário Inicial
_.

Antífona da entrada
Ergamos os nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno.

Oração do Dia ou Oração da Coleta
Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DA PALAVRA

Monição para a(s) Leitura(s)
_.

Monição ou Antífona do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Convertei-vos e crede no Evangelho, pois o reino de Deus está chegando! (Mc 1, 15).

Oração Universal ou Oração dos Fiéis
Conforme nos orienta a IGMR, no Cap. II, LETRA B, números 69, 70 e 71, vamos deixar que cada Comunidade possa realizar a sua Oração Universal colocando nela, a sua realidade comunitária, não devendo esquecer que, normalmente serão estas as séries de intenções, além das pessoais de cada um, caso seja dada a oportunidade pelo celebrante ao povo de se expressar:
a) Intenções pelas necessidades da Igreja;
b) Intenções pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo;
c) Intenções pelos que sofrem qualquer dificuldade;
d) Intenções pela comunidade local;
e) Intenções pessoais da comunidade.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Oração sobre as Oferendas
Possa agradar-vos, ó Deus, a oferenda do vosso povo; que elas nos obtenha a santificação e o que confiastes vos pedimos. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão
Eu vim para que tenham a vida e a tenham cada vez mais, diz o Senhor (Jo 10, 10).

Oração depois da Comunhão
Deus todo-poderoso, que refazeis as nossas forças pelos vossos sacramentos, nós suplicamos a graça de vos servir por uma vida que vos agrade. Por Cristo, nosso Senhor.

RITOS FINAIS OU RITOS DE ENCERRAMENTO

Ide em Paz!

FONTES DE CONSULTAS E PESQUISAS

Vamos expor a seguir de onde pertencem os textos que nos preenchem todos os dias, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO

FONTE DE CONSULTA – IGMR (INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO – 1ª EDIÇÃO / 2008)

REFLITA

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem foi que inspirou essa pessoa a escrever.
O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.
O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que Ele nos pede.
Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é ter discernimento e saber compartilhar o conhecimento.

FONTES DE ORIENTAÇÕES E PESQUISAS

(1.1) – Blog Liturgia Diária da Palavra de Deus (Reflexões e Comentários);
(1.2) – Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);
(1.3) – Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);
(5) – Portal Editora Santuário;
(6) – Portal Editora Paulinas;
(7) – Portal e Blog Canção Nova;
(8) – Portal Dom Total;
(9) – Portal Edições Loyola Jesuítas;
(10) – Portal Evangelho Quotidiano;
(11) – Blog Liturgia Diária Comentada;
(12) – Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);
(13) – Portal Catequisar: Catequese Católica;
(14) – Portal Comunidade Católica Nova Aliança;
(15) – Portal Fraternidade O Caminho;
(16) – Portal Evangeli.net;
(17) – Portal Padre Marcelo Rossi;
(18) – Um Novo Caminho;
(19) – Portal Dom Total: Roteiro Homilético;
(20) – Portal de Catequese Católica;
(21) – Blog Homilia Dominical;
(22) – Portal NPD Brasil;
(23) – Portal Canção Nova: Música;
(24) – Portal Editora Paulus;
(25) – Portal Católica Net;
(26) – Portal Católico Orante;
(27) – Rádio Catedral FM 106,7: Liturgia Diária;
(28) – Portal Comunidade Resgate;
(29) – Portal Católico na Net.

MENSAGEM PARA VOCÊ E PARA MIM MESMO

Mais vale o desconforto da VERDADE, do que a comodidade da MENTIRA.
E usando a essência da Oração da Serenidade, devo orar:

Ó meu Deus e Senhor, Pai de misericórdia e Salvação,
que em seu Filho Jesus perdoou os nossos pecados,
e com o seu Santo Espírito, paráclito nesse nosso mundo que caminha conosco,
apenas em Ti posso almejar a vida eterna, socorre-me e ouvi-me:
Se o ERRO está em mim, que DEUS possa me dar a HUMILDADE de aceitar que estou errado.
Que Jesus me dê a SERENIDADE, para aceitar que tem coisas que não posso mudar.
E que o Espírito Santo me dê a CORAGEM, suficiente para mudar aquelas coisas que dependem de mim, mesmo que sejam difíceis.

E para complementar os alicerces de orações da minha vida, faço como o santo Tomás de Aquino:

“Concede-me, Deus misericordioso, que deseje com ardor o que tu aprovas, que o procure com prudência, que o reconheça em verdade, que o cumpra na perfeição, para louvor e glória do teu nome.
Põe ordem na minha vida, ó meu Deus, e permite-me que conheça o que tu queres que eu faça, concede-me que o cumpra como é necessário e como é útil para a minha alma.
Concede-me, Senhor meu Deus, que não me perca no meio da prosperidade nem da adversidade; não deixes que a adversidade me deprima, nem que a prosperidade me exalte.
Que nada me alegre ou me entristeça para além do que conduz a ti.”

Viver CORRETO e falar a VERDADE hoje são tão difíceis quanto na época de Jesus, pois é muito mais fácil aceitar a MENTIRA e fazer o ERRADO.
Viver no CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é o próprio Cristo Jesus, tem que ser uma caminhada diária.
O futuro é desejo e pensamento.
O passado é aprendizado e lembrança.
O hoje é realidade, isso quer dizer: CRISTO.

Meus amigos(as) de coração, meus irmãos(ãs) em Cristo Jesus, lembrem-se:
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
“Não julgues para não seres julgados.”
“A quem é muito dado, muito será cobrado.”

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