Liturgia Diária 15/Jan/15

LITURGIA DIÁRIA DA PALAVRA
15/Jan/2015 (quinta-feira)

Jesus cura um leproso

LEITURA: Hebreus (Hb) 3, 7-14: A fé introduz no repouso de Deus
Leitura da Carta aos Hebreus: Irmãos, 7 escutai o que declara o Espírito Santo: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, 8 não endureçais os vossos corações, como aconteceu na provocação, no dia da tentação, no deserto, 9 onde vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, 10 embora vissem as minhas obras, durante quarenta anos. Por isso me irritei com essa geração e afirmei: sempre se enganam no coração e desconhecem os meus caminhos. 11 Assim jurei na minha ira: não entrarão no meu repouso”. 12 Cuidai, irmãos, que não se ache em algum de vós um coração transviado pela incredulidade, levando-o a afastar-se do Deus vivo. 13 Antes, animai-vos uns aos outros, dia após dia, enquanto ainda se disser “hoje”, para que nenhum de vós se endureça pela sedução do pecado – 14 pois tornamo-nos companheiros de Cristo, contanto que mantenhamos firme até o fim a nossa confiança inicial. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

SALMO: Salmos (Sl) 95 (94), 6-7. 8-9. 10-11 (R. 8): Invitatório* (Convite ao Louvor de Deus)
8 Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os vossos corações.
6 Vinde adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! 7 Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão.
8 Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: “Não fecheis os corações como em Meriba, como em Massa, no deserto, 9 aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras”.
10 Quarenta anos desgostou-me aquela raça e eu disse: “Eis um povo transviado, seu coração não conheceu os meus caminhos!” 11 E por isso lhes jurei na minha ira: “Não entrarão no meu repouso prometido!”

* O Invitatório é, na Liturgia das Horas, uma introdução à oração de todo o dia, rezando-se ao iniciar a primeira hora litúrgica do dia, que tanto pode ser a de Laudes como o Ofício de Leitura. Tem como finalidade fazer um convite à oração e pedir a Deus que disponha os fiéis para melhor O louvarem.

EVANGELHO: Marcos (Mc) 1, 40-45: Cura de um leproso
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 40 um leproso chegou perto de Jesus, e de joelhos pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. 41 Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero: fica curado!” 42 No mesmo instante, a lepra desapareceu, e ele ficou curado. 43 Então Jesus o mandou logo embora, 44 falando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!” 45 Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial (Querer)
A nós, unidos pela rede da internet, a paz de Deus, nosso Pai, a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo, no amor e na comunhão do Espírito Santo.
Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
Preparo-me para a Leitura, rezando:
Jesus Mestre, sois o Mestre e a Verdade: iluminai-nos, para que melhor compreendamos as Sagradas Escrituras.
Sois o Guia e o Caminho: fazei-nos dóceis ao vosso seguimento.
Sois a Vida: transformai nosso coração em terra boa, onde a Palavra de Deus produza frutos abundantes de santidade e missão. (Bv. Alberione)

Eu sou o CAMINHO (Ler)
O que a Palavra diz para mim?
Se quer ser perdoado, purificado de seus pecados, comece reconhecendo quem é Jesus: Deus feito homem. Depois, faça como o leproso, peça para ele purificar você, “se ele quiser”. Este dado é importante: “se ele quiser”. Deus sabe o que é melhor, o que você nem sempre sabe.
Depois, peça a Jesus que toque em você.
Lembraram os bispos, em Aparecida: “Bento XVI, no início de seu Pontificado, fazendo eco a seu predecessor, o Servo de Deus, João Paulo II, proclama para toda a América Latina: Não temam! Abram, abram de par em par as portas a Cristo! … quem deixa Cristo entrar não perde nada, nada – absolutamente nada – do que faz a vida livre, bela e grande. Não! Só com esta amizade abrem-se as portas da vida. Só com esta amizade abrem-se realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só com esta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta… Não tenham medo de Cristo! Ele não tira nada e nos dá tudo. Quem se dá a Ele, recebe cem por um. Sim, abram, abram de par em par as portas a Cristo e encontrarão a verdadeira vida” (DAp 15)

A VERDADE (Refletir)
O que a Palavra diz?
Leio atentamente, na Bíblia, o texto de hoje: Mc 1, 40-45.
Este texto é a primeira cura narrada no Evangelho de Marcos. A lepra, na Bíblia, é símbolo de exclusão, o que é um pecado. O leproso não podia se apresentar em público, nem conviver com pessoas sadias, pelo perigo de contágio. Assim, o pecado afastava, isolava e tornava a pessoa intocável. Por isso, são Paulo afirma que, com o pecado, entrou no mundo a morte (Cf Rm 5, 12).
O homem que possuía a lepra chegou perto de Jesus, ajoelhou-se e fez seu pedido de forma interessante: “Eu sei que o senhor pode me curar se quiser.” Jesus sentiu compaixão daquele homem e tocou nele. Jesus toca o intocável. Naquela cultura, quem tocasse um leproso era contaminado. Jesus não se preocupa com o que pensarão dele. Vê a pessoa e não, a sua lepra. Tocou nele. E no mesmo instante, o homem ficou curado.
– Procuramos ser humildes diante de Deus?
– Ou agimos com autossuficiência, como que exigindo de Deus o que queremos?
– Como lidamos com os preconceitos?
– O que lhe sugerem os verbos julgar, condenar, perdoar?

E a VIDA (Orar)
O que a Palavra me leva a dizer a Deus?
Reze esta bela oração de Charles de Foucauld, colocando-se nas mãos de Deus.
Oração do Abandono
Meu Pai,
Eu me abandono a ti, faze de mim o que quiseres.
O que fizeres de mim, eu te agradeço.
Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a tua vontade se faça em mim e em tudo o que tu criastes,
Nada mais quero, meu Deus. Nas tuas mãos entrego a minha vida.
Eu te dou esta vida, meu Deus, Com todo o amor do meu coração,
Porque te amo e é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas tuas mãos sem medida
Com uma confiança infinita porque tu és Meu Pai!

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (Agir)
Qual o meu novo olhar a partir da Palavra?
Procurarei em cada momento do dia de hoje deixar-me “tocar” pelo Senhor. Quero vencer aquele limite que tenho e que só eu sei.
Quero estar livre de julgar, condenar, não perdoar, discriminar. Afastarei qualquer preconceito em relação às pessoas diferentes. Elas também são amadas por Deus.

REFLEXÕES

(6) – A SÚPLICA DO LEPROSO É OUVIDA PELO SENHOR
Os que estavam afastados de Deus encontram acolhida por parte de Jesus. A lepra era compreendida como um castigo de Deus. Os leprosos eram considerados impuros e sua situação, praticamente irreversível; viviam como desgraçados, fora dos muros das cidades. Humilhados e excluídos, deviam gritar declarando a sua impureza, caso alguém se aproximasse deles; suas vestes em trapos, e as unhas e cabelos sem corte, os tornavam repugnantes. Somente a misericórdia de Deus podia arrancá-los de tal situação. Efetivamente, aquele homem anônimo, diante de Jesus, se encontra com a compaixão de Deus. A súplica do leproso é ouvida pelo Senhor. Tocando com a mão o leproso, Jesus comunica o Espírito que purifica, devolvendo ao homem o brilho originário da sua criação. Ao sacerdote cabia expulsar alguém da comunidade, uma vez constatada a lepra, e a ele cabia reintegrar a pessoa no seio da mesma comunidade, uma vez verificada a cura. Ora, a constatação da cura é o reconhecimento da intervenção divina. Purificado, o homem pôde proclamar o que Jesus fez por ele.
ORAÇÃO:
Precisamos de tua beleza para amenizar nossa dureza. Precisamos de tua paz para nossos conflitos. Precisamos de teu contato para curar nossas feridas. Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho, Vida, tem piedade de nós!
_Padre Carlos Alberto Contieri_

(7) – O PODER DE JESUS CURA OS MALES QUE NÃO CONSEGUIMOS COMBATER
O poder de Jesus cura os males que não conseguimos combater! Uma vez que Jesus quer, a Sua mão poderosa nos liberta, nos curando e nos restaura!
“‘Eu quero: fica curado!’ No mesmo instante, a lepra desapareceu, e ele ficou curado” (Marcos 1, 41-42).
É uma atitude corajosa e ousada a desse leproso de acreditar, de ter a convicção e a certeza de que Jesus podia limpá-lo, curá-lo, reintegrá-lo de vez na sociedade, porque a sua lepra o deixava à margem dos outros e num estado de tristeza e desânimo, porque não podia se sentir igual aos outros. Além do mais, a lepra era considerada uma impureza, por isso o leproso não tocava em ninguém e ninguém tocava nele. Seja pelo medo seja pela mentalidade da época em que se podia ficar contagiado por causa da lepra, ele vivia nesse estado de afastamento.
Como ele desejava se purificar e ser purificado pela graça de Deus, ele acreditou que Jesus tinha o poder de curá-lo. E o Senhor, movendo-se de compaixão, tocou com Sua mão nele e lhe disse: “Eu quero: fica curado!”.
Hoje é o dia de pedirmos a Deus que toque nas profundezas da nossa alma, do nosso coração e do nosso ser. E que possamos realmente desejar buscar do fundo do nosso coração: “Senhor, Tu tens o poder de me libertar. Tu tens o poder de me limpar, de me curar, de me restaurar! Se Tu queres, Senhor, eu ficarei curado!”.
E uma vez que Jesus quer nos dar essa graça, a Sua mão poderosa nos liberta, nos cura e nos restaura!
Diga: Eu quero, Senhor, ser tocado pela Tua graça maravilhosa, quero ser tocado pelo Teu amor infinito. Eu quero ser limpo, Senhor, quero ser curado! Tu tens o poder de me libertar, tens o poder de me curar, tens o poder de me tocar com Tua mão e fazer de mim uma nova criatura. Eu creio, Senhor, que Tu podes me libertar! “No mesmo instante, a lepra desapareceu, e ele ficou curado” (Marcos 1, 42).
Que Deus cure aquilo que nós não conseguimos tirar de nosso interior, que Ele cure os males que entraram em nós, os quais nós não os conseguimos combater. Creia no poder de Jesus que faz novas todas as coisas!
Deus abençoe você!
_Padre Roger Araújo_

(8) – OS LUGARES DESERTOS
O assédio das multidões fazia Jesus evitar as cidades e preferir os lugares desertos, para onde acorria quem precisava de sua ajuda. Esta opção explica-se pelo desejo de realizar sua missão com plena liberdade, sem ser pressionado pelos ideais messiânicos, largamente difundidos nos meios populares. O deserto era apropriado para ele se proteger.
Mas é possível fazer uma interpretação simbólica desta opção de Jesus. O imaginário da época reportava-se às agruras do êxodo do Egito, quando pensava no deserto. Sendo desabitado, sem vegetação, este se torna perigoso e mortífero. O deserto é lugar de provação. Nele é preciso escolher entre confiar em Deus ou confiar em si mesmo e nas capacidades pessoais de vencer os desafios.
A configuração terrível do deserto gerou a crença de que, nele, habita o Diabo, como se fosse o lugar escolhido, por ser neutro, para o confronto com Deus. As cenas evangélicas da tentação são, por isso, situadas no deserto, para onde Jesus é conduzido pelo Espírito.
Escolhendo o deserto como lugar de ação, Jesus combatia o inimigo da humanidade, dentro dos domínios deste. Esta luta sem trégua marcou a ação do Mestre, pois a implantação do Reino supunha a derrota das forças diabólicas. Ele as enfrentou e venceu, com destemor. Sinal disto foram as curas e os milagres realizados nas regiões desertas. Com a chegada de Jesus, o Diabo perdeu o poder de oprimir o ser humano.
Oração:
Pai, dá-me forças para combater e vencer as forças do mal que impedem o Reino acontecer na minha vida e na história humana.
_Padre Jaldemir Vitório_

(9) – BOA NOVA PARA CADA DIA
Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero: fica curado!” (Mc 1, 41).
Os discípulos de Jesus, atentos a tudo o que Ele fazia e dizia, prestaram atenção a Seu estado emocional ao ver aquele leproso que lhe pedia com fé sua cura.
Observaram como Jesus, cheio de compaixão, fez um gesto proibido pela Lei (Lv 13, 2-3): tocou o leproso. Isto nenhum judeu podia fazer, porque se tornava meio de contágio. No entanto, Jesus não se contagiou com a lepra nem foi motivo de contágio para ninguém. O que Ele realmente contagiava era a alegria de ver Deus agindo no meio das pessoas através Dele.
Notemos que além de tocar o leproso, Jesus disse: “Eu quero”. E imediatamente acrescentou: “fica curado!”
E foi o que aconteceu, diante dos olhares deslumbrados de seus discípulos e de todas as pessoas que estavam por ali. Por meio destas palavras Jesus mostrava sua sensibilidade com as pessoas que neste mundo não tinham esperança alguma de cura. Os leprosos eram pessoas enjeitadas pela sociedade. Eram um problema que os discípulos, por si mesmos, não sabiam como resolver, se isto dependesse deles.
Este fato foi importante confirmação, para os discípulos, que Jesus era o Santo de Deus.
Eles precisavam ter esta convicção cada vez mais confirmada para garantirem sua adesão a Jesus. Ficaram de tal forma seguros de que Jesus era o Filho de Deus, que um dia Ele, pondo-os à prova, perguntou-lhes: “Vós também quereis ir embora?” (Jo 6, 57). Em nome de todos Pedro respondeu: 68. “[…] Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da Vida Eterna, 69. e nós cremos e sabemos que tu és o Cristo, o Filho de Deus”. (Jo 6, 68-69).
Digamos a Jesus Cristo o mesmo:
“nós cremos e sabemos que tu és o Cristo, o Filho de Deus”.
Aquele momento no passado da vida pública de Jesus, ecoa, deste modo, em nosso presente, em nossa vida atual de fé em Jesus Cristo. Digamos a todos que Ele é o Filho de Deus, o Salvador do mundo.
_Padre Valdir Marques_

(10) – SE QUISERES, PODES PURIFICAR-ME
Não podes perder a confiança em Deus nem desesperar da sua misericórdia; não quero que duvides nem que desesperes de te tornares melhor: porque, mesmo que o demônio tenha conseguido precipitar-te dos cumes da virtude até aos abismos do mal, muito mais Deus poderá chamar-te de novo para o cume do bem, e não só reconduzir-te ao estado em que te encontravas antes dessa queda, mas tornar-te muito mais feliz do que julgavas ser. Não percas a coragem, suplico-te, não feches os olhos à esperança do bem, não te aconteça o que acontece aos que não amam a Deus; porque não é o grande número de pecados que leva a alma ao desespero, mas o desdém para com Deus. «É próprio dos ímpios, diz o Sábio, desesperar da salvação e desdenhar dela quando caíram no fundo do abismo do pecado» (Pr 18, 3, Vulg).
Assim pois, todo o pensamento que nos rouba a esperança da conversão provém da impiedade e, qual pedra pesada que nos amarraram ao pescoço, força-nos a olhar para baixo, para a terra, não permitindo que levantemos os olhos para o Senhor. Mas aquele que tem um coração corajoso e um espírito esclarecido sabe soltar do pescoço esse peso detestável. «Como os olhos do servo se fixam nas mãos do seu amo, e como os da serva nas mãos da sua ama, assim os nossos olhos estão postos no Senhor nosso Deus, até que tenha piedade de nós» (Sl 123, 2-3).
_Rábano Mauro (c. 784-856)_

(11.1) – A LEPRA DESAPARECEU E O HOMEM FICOU CURADO
Este Evangelho narra a cena da cura de um leproso. Ele “chegou perto de Jesus, e de joelhos pediu: Se queres, tens o poder de curar-me”. A fé é condição para recebermos as graças de Deus.
“Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: Eu quero: fica curado!”
O sentido literal da palavra compaixão é “sofrer junto”. Ela leva a pessoa a, de dó, sofrer o mesmo que o outro está sofrendo. Só isso já é um alívio para o outro, porque sente que há alguém unido na dor. Daí para frente, os dois juntos, com os recursos que têm, procuram sair do problema. É bem mais fácil lutarmos contra uma dificuldade, junto com alguém, do que sozinho. E mais: “Onde dois ou mais estiverem unidos em meu nome” – disse Jesus – “eu estou no meio deles” (Mt 18-20).
“Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos.” Houve uma troca de posições: o homem saiu do deserto e Jesus foi para lá. A compaixão muitas vezes leva a isso. Mas o amor faz a pessoa feliz, mesmo vivendo no deserto.
Sob o nome de lepra incluíam-se diversas doenças da pele, além da lepra como tal. Todos esses casos eram considerados doenças incurável e contagiosa; portanto, o doente devia afastar-se das pessoas e viver sozinho, em um lugar isolado. Se alguém tocasse nele, ficava também impuro, tendo de ir morar junto com ele lá no deserto (Lv 5, 5-6; 13, 45s).
O “leproso” era um ferido por Deus, e por isso ficava excluídos também da sinagoga e do convívio com o povo eleito, passando a levar uma vida miserável.
Jesus amou tanto aquele doente, que enfrentou todo esse rigor da Lei. Foi como se ele dissesse ao leproso: a sua dor é a minha dor; o seu problema é o meu problema.
“Por toda parte, Jesus andou fazendo o bem” (At 10, 38). O cristão verdadeiro sente compaixão das pessoas que sofrem, e se une com elas, sem medo de “se sujar” ou de as coisas complicarem para si. Isso é solidariedade, que nasce da compaixão.
Jesus nunca ficava neutro entre uma pessoa certa e outra errada, um opressor e um oprimido, mas sempre assume o lado da verdade, da vida, do excluído e dos mandamentos de Deus. Por isso que os cristãos, seguidores de Jesus, facilmente “se queimam” ou “se estrepam”.
“Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!” A prova era dupla: de que o homem está curado, portanto pode voltar ao convívio social, e que foi Jesus que o curou, isto é, reintegrou na sociedade uma pessoa que os sacerdotes excluíam, através de suas leis sobre puro e impuro. Aqueles sacerdotes se preocupavam em proteger o resto da sociedade, mas não se preocupavam em reintegrar nela os pobres doentes ou pecadores que haviam sido excluídos.
A nossa sociedade atual é parecida. Ela cria uma série de medidas para se proteger, por exemplo, contra a AIDS, mas não enfrenta a raiz do problema, que é o liberalismo total no uso do sexo. Ela cria FEBEM para se proteger contra o menor infrator, mas pouco se preocupa em recuperá-lo e reintegrá-lo na sociedade.
A pior medida é apelar para as armas, nas guerras e em conflitos pessoais. Como é triste matar uma pessoa humana, e causar lágrimas nos familiares, até o fim da vida! Falta-nos, muitas vezes, paciência na solução dos conflitos.
Hoje, há milhões de pessoas marginalizadas: pela fome, pela pobreza, pelo analfabetismo, pelo desemprego, pelas doenças…
Cabe-nos uma pergunta: o que a nossa Comunidade está fazendo por eles?
Nós nos preocupamos mais em colocar seguranças na porta da igreja, ou em recuperar essas pessoas?
Colocar segurança na porta da igreja é uma atitude egoísta que só pensa no nosso lado, em nos proteger. Ela é válida, mas recuperar os marginalizados é muito mais importante e mais cristão.
“Não contes nada disso a ninguém!” Porque Jesus estava interessado em projetar não a si mesmo, mas a Comunidade cristã que ele estava criando. Ela, a Igreja, é a força de Deus no meio do povo. As pessoas sempre procuram alguém para se apoiar; Jesus quer o contrário: que a Comunidade cristã se apoie em Cristo e na sua união. Reino de Deus é povo organizado, e unido com Deus e entre si.
“Ele foi e começou a contar.” A própria vida do ex-leproso já era por si um testemunho em favor de Jesus. É impossível esconder a luz, especialmente quando essa luz não quer chamar a atenção sobre si mesma. Evangelizar é falar bem de Jesus e de sua Igreja. Contar, espalhar os benefícios que eles nos fazem.
Deus nem sempre nos cura e nos livra de todas as doenças. Ninguém fica eternamente na terra. Mas, se tivermos fé, Deus nos dá a paz na doença e nos ajuda e transforma em bem as próprias doenças que sofremos.
Os antigos tinham uma figura mitológica chamada oportunidade. Era uma figura que passava sempre correndo, e só podia ser agarrada pelos cabelos. Mas, ao contrário de nós, ela tinha os cabelos na frente da cabeça, e, quando corria, os cabelos esticavam para frente, não para trás.
Assim, aqueles que quisessem agarrá-la, deviam dar conta da sua passagem por determinado lugar e ficar ali esperando, a fim de agarrá-la pela frente, pois, se ela passasse, acabou, ninguém conseguia pegá-la.
Aquele leproso aproveitou a oportunidade, porque, vivendo em um povo que via a sua doença como sem cura, procurou a Jesus: “Se queres, tens o poder de curar-me”. Que nós também aproveitemos todas as oportunidades boas, inclusive as que nos são oferecidas pela fé.
Pedimos a Maria Santíssima que nos ajude a imitar o seu Filho Jesus, que “passou pela vida fazendo o bem”.
A lepra desapareceu e o homem ficou curado.
_Padre Antônio Queiroz_

(11.2) – A LEPRA DESAPARECEU E O HOMEM FICOU CURADO
UM BENEFÍCIO DISCRETO
Jesus evitava criar em torno de si falsas expectativas e esperanças. Sua ação era rodeada de cautela, para não dar margem a ambiguidades. Afinal, os gestos realizados por ele podiam ser motivo de exaltação, impedindo assim uma correta compreensão de sua pessoa e de sua ação.
Em alguns casos, Jesus proibiu severamente a quem fora agraciado por sua ação propagar o favor recebido. Tratava-se daqueles milagres indicados pelos profetas que seriam realizados pelo Messias, por ocasião de sua vinda. A cura da lepra era um deles. Por isso, Jesus recomendou ao ex-leproso de guardar segredo em relação à sua cura, para não despertar o entusiasmo fanático das multidões.
O receio de Jesus é de que se aproximem dele considerando-o apenas sob o aspecto de seu poder taumatúrgico. A vida de Jesus era muito mais rica e abrangente e deveria comportar também a cruz. Quem o seguisse por causa dos milagres, poderia se decepcionar quando se defrontasse com a paixão. Daí a discrição requerida diante de um feito grandioso realizado por ele. Antes de pôr-se a segui-lo, era preciso ponderar bem.
A discrição de Jesus, portanto, não para a modéstia de sua parte. Ela tem como único objetivo salvaguardar o sentido correto de sua própria identidade.
Oração:
Senhor Jesus, possa eu descobrir no teu poder taumatúrgico sua verdadeira identidade de Filho, servidor da humanidade.
_Igreja Matriz de Dracena_

(11.3) – A LEPRA DESAPARECEU E FICOU LIMPO
O leproso é marginalizado por sua enfermidade, consequência de seu pecado, segundo a tradição judaica. A lepra era a maior muralha social e, ao mesmo tempo, uma enfermidade que somente Deus podia curar mediante um pedido humilde do “impuro”. Jesus não repara em tocar o intocável e, em lugar de ficar contaminado, comunica sua própria pureza. O segregado fica reintegrado. É um gesto grandioso e revelador. O leproso é convidado a não proclamar sua cura, porém, ao contrário da ordem, converte-se em testemunha da ação de Jesus e anuncia abertamente em si a ação libertadora. Jesus tem o poder de integrar tudo e a todos em seu ministério. Rompe todos os esquemas de marginalização. Sua prática pretende abolir as fronteiras que dividem os homens. O discipulado não pode se converter em um grupo fechado de “eleitos”, mas sabe descobrir todos os ambientes de marginalização que a sociedade vai criando. Sua missão será reintegrar a todos para que sejam partícipes da misericórdia de Deus, quem sempre está disposto a ir em busca da ovelha perdia para reintegrá-la ao redil.
_Claretianos_

(11.4) – JESUS CURA O LEPROSO
Pouco a pouco o Evangelho de Marcos vai mostrando quem é Jesus. O episódio de hoje é o terceiro milagre recordado em vista desse objetivo.
Já vimos, na 1ª leitura, a situação de marginalidade em que se encontrava o leproso. Essa situação era mais grave no tempo de Jesus, pois tudo girava em torno do puro/impuro. Quem controlava esse rígido código de pureza eram os sacerdotes. Cabia a eles declarar o que podia ou não podia ter acesso a Deus. Deus estaria sob o controle dos sacerdotes e do código de pureza.
O leproso certamente sabia disso. Sabia também que sua vida – e sua libertação da marginalidade – não dependiam do Templo e dos sacerdotes, pois estes só constatavam a cura ou a permanência da doença em seu corpo. Diante disso, o leproso toma uma decisão radical: não vai ao sacerdote, e sim a Jesus. Ajoelha-se diante dele e pede: “Se quiseres, podes curar-me”. Reconhece que o poder da cura que o tira da marginalidade não vem da religião dos sacerdotes, e sim de Jesus. Notemos outro aspecto importante: ao invés de ficar à distância e gritar sua marginalização, aproxima-se e manifesta sua adesão a Jesus enquanto fonte de libertação e vida: “Se quiseres, podes curar-me”. Viola a lei para ser curado.
Jesus quer curar o leproso de sua marginalização, devolvendo-lhe a vida. Para os homens daquele tempo, curar um leproso era sinônimo de ressuscitar um morto. Mas a ação de Jesus é precedida por uma reação. De acordo com a maioria das traduções, a reação de Jesus se traduz em compaixão. Algumas traduções, porém, em vez de ler “compaixão”, leem “ira”. Jesus teria ficado furioso. Não certamente contra o leproso, mas contra o código de pureza que, em nome de Deus, marginaliza as pessoas, considerando-as como mortas. É contra esse sistema religioso que Jesus se revolta. E o transgride também.
De fato, acreditava-se que a lepra fosse contagiosa. Jesus quebra o código de pureza, tocando o leproso. Com isso, de acordo com o sistema religioso vigente, torna-se impuro: torna-se leproso e fonte de contaminação. Por exemplo no Lv 5, 5-6, além de ficar impuro Jesus deveria oferecer um sacrifício! Torna-se marginalizado e não poderá mais entrar publicamente numa cidade: deverá ficar fora, em lugares desertos, como os marginalizados. O Filho de Deus foi morar com os marginalizados. Aqui o Evangelho de Marcos mostra quem é Jesus: é aquele que rompe os esquemas fechados de uma religião elitista e segregadora, indo habitar entre os banidos do convívio social.
Curado o leproso, Jesus o expulsa. É esse o sentido da expressão “o mandou logo embora”. A expressão é forte e, ao mesmo tempo, estranha. Mas não é estranha se a lermos na ótica da ira de Jesus contra o código de pureza que marginaliza as pessoas: ele não quer que elas continuem vítimas de um sistema social e religioso que rouba a vida.
Jesus dá uma ordem ao curado: “Não conte isso a ninguém! Vá, mostre-se ao sacerdote e ofereça o sacrifício que Moisés mandou, como prova para eles!” Tudo leva a crer que a tarefa da pessoa curada consiste não em divulgar o milagre, mas em colaborar para que o código de pureza seja abolido. De fato, ele deverá se mostrar ao sacerdote para que este constate sua cura. Sinal de que a cura não depende do código de pureza, nem da religião do Templo. A expressão “como prova para eles” tem este sentido: o sacrifício serve como testemunho contra o sistema que o declarava um punido por Deus e banido do convívio social. O sacrifício tem, pois, caráter de denúncia e de abolição do código de pureza.
Não sabemos se a pessoa curada teve a coragem de testemunhar contra o sistema religioso que o mantinha na marginalidade. Marcos diz que o curado “foi e começou a contar e a divulgar muito o fato” (v. 45a). A reação a esse anúncio é evidente: Jesus não pode mais entrar numa cidade, pois, segundo o código de pureza, está contaminado e é fonte de contaminação. Todavia, de toda parte o povo vai procurá-lo, sinal de que está aberto um novo acesso a Deus. Deus, em seu Filho, pode ser encontrado fora, na clandestinidade, entre os que o sistema religioso e social discriminou.
_Canção Nova_

(11.5) – SENTIU COMPAIXÃO
A nossa compreensão da palavra “compaixão”, nunca será completa, pois, na Sagrada Escritura, “sentir compaixão” é uma virtude própria de Deus e na maioria das vezes, esse sentimento pelo próximo, que o nosso coração define como “compaixão” não passa na verdade de um, gesto de piedade, que também é um atributo Divino, porém em seu sentido mais amplo, que o coração humano nunca será capaz de alcançar.
O evangelho de hoje nos ajuda a aprofundar o sentido dessa ação de Jesus, presente em momentos significativos, quando ele se defronta com a miséria humana, motivando-nos a rever se a estamos aplicando na relação com o próximo, em seu sentido autenticamente cristão.
Pelo conteúdo normativo de Levíticos, Jesus tinha mil e uma razões para nem sequer se aproximar de um leproso, que pertencia a classe dos “irrecuperáveis” daquele tempo, na ótica religiosa. A lepra era incurável e vista como consequência do pecado e assim, o leproso era considerado um maldito, que além da dor física, sofria também a dor moral da exclusão, sendo esta bem mais dolorosa porque o colocava à margem da salvação, banindo-o do convívio social e da comunidade, além de saber que a sua condenação no pós-morte, era tida como certa e definitiva.
Em uma sociedade marcada pelo ateísmo moderno, onde a fé é subjetiva e Deus é perfeitamente dispensável, esse quadro não é tão tenebroso, mas no contexto histórico e religioso daquele tempo, esse desprezo tinha um peso muito maior, o leproso era tido como um lixo, escória da sociedade, confinado em acampamentos fora da cidade, tendo que mostrar a sua desgraça e miséria, mantendo uma aparência monstruosa, e quem se aproximasse dele e o tocasse, estaria violando os preceitos da lei, tornando-se também um impuro e tendo de isolar-se, até que pudesse oferecer um sacrifício de expiação, como prescrevia a lei de Moisés, para só então ser reconhecido como “purificado”.
Podemos então compreender a compaixão Divina, como uma ação coordenada não por normas legalistas, mas por uma lei nova, ensinada por Jesus: a Lei do amor, que não revoga a Lei antiga, mas lhe dá plenitude resgatando o seu sentido verdadeiro, que é a defesa e a preservação da vida humana. O evangelista Marcos faz questão de mostrar, da parte de Jesus essa “quebra de protocolo”, quando permite que o leproso se aproxime, é verdade que este o faz movido pelo desespero, infligindo também as normas do Levítico, e aqui percebe-se que o leproso é um homem diferente, uma vez que crê muito mais na misericórdia de Jesus, do que no cumprimento da Lei, determinada por uma instituição que não tem o poder da cura, mas apenas declara que ele está “impuro”, ao contrário de Jesus, que permite a aproximação, derrubando assim o preconceito.
Muito mais do que um simples encontro de Jesus com um leproso, este versículo sintetiza de forma brilhante o amor e a ternura de Deus pelo ser humano, permitindo uma reaproximação, após a queda do pecado, é o Deus que se deixa tocar, que se encarna e assume a natureza humana, com toda sua miserabilidade, o leproso se prostra diante dele, por uma razão muito simples: primeiro porque reconhece a sua insignificância, e em segundo porque não vê outra saída para sua dor, senão a de recorrer àquele que é diferente da instituição religiosa que o havia condenado, no fundo crê que Jesus de Nazaré é o seu Salvador e libertador, no sentido de ter o poder de resgatar a sua dignidade perdida, aquele leproso considerado um maldito, é na verdade alguém que consegue vislumbrar o verdadeiro messianismo de Jesus, em contradição com o Poder religioso, que o rejeita, mostrando uma fé madura, pois não pede simplesmente a cura física, mas a “purificação”.
Diante de uma fé assim, tão fiel e humilde, note-se que o leproso não impõe e nada exige e nem coloca a sua vontade como fator determinante, mas abandona-se à vontade de Deus: “Senhor, se queres…”. Que comovedora profissão de fé, para o homem arrogante e presunçoso de nossos tempos! Homem que a exemplo dos nossos primeiros pais, ousa ocupar o lugar que é de Deus, marginalizando e excluindo certas categorias sociais consideradas malditas, abandonadas em presídios de sistemas carcerários, que em quase nada contribuem para a recuperação de quem errou, de idosos, jovens, adolescentes e crianças, amontoados em asilos e instituições de caridade, gente que não tem mais esperança de nada, e que há muito tempo nem é mais contada na “aldeia global”, que só considera quem produz e consome.
Podemos encontrar com esse leproso no seio de nossas famílias e comunidades, onde isolamos certas pessoas em “acampamentos”, consideradas pervertidas, geniosas, temperamentais, desequilibradas, poderíamos incluir os aidéticos, efeminados, casais em segunda união, dependentes químicos, prostitutas, mães solteiras, pessoas que, como naquele tempo, sempre temos uma certa reserva, mantendo a necessária distância por medo de sermos “contaminados”, e a sua presença em nosso meio, causa asco e mal estar.
Como cristãos, temos que ter essa consciência do grave pecado da exclusão, e o evangelho nos mostra por onde devemos começar, é bem verdade que Jesus afrontou as instituições do seu tempo, mas em primeiro lugar, em sua relação com as pessoas, usou sempre da lei do amor, deixando de lado normas de conduta e formalismos religiosos, ao tocar no leproso. Poderíamos começar no nosso dia a dia, acolhendo com gestos cordiais, amizade e carinho, os “leprosos” que muitas vezes excluímos, por conta de preconceitos e até intolerância.
_Diácono José da Cruz_

(11.6) – ELE FOI E COMEÇOU A CONTAR
Uma das promessas que sempre estão presentes nas profecias do Antigo Testamento a respeito dos tempos messiânicos é a cura da lepra. Isso acontece porque a lepra era uma das doenças mais temidas entre as pessoas, principalmente porque uma das suas consequências era a exclusão social e religiosa. Ao curar uma pessoa da lepra, Jesus não apenas o livra da doença em si que a faz sofrer como também a reintegra na vida social e religiosa. Por isso entendemos a alegria do homem que foi curado, que fez com que ele não fosse capaz de guardar o fato só para si, mas passou a divulgá-lo de tal modo que Jesus não podia mais aparecer em público. Levanta a mão quem já recebeu graças de Jesus e conseguiu guardar para si. São poucos, bem poucos os casos assim. A maioria conta, espalha a notícia, dá testemunho. Isto também é evangelização. Não só fortalece, como também anima e dá esperança a quem está quase perdendo a fé. Nem sempre alcançamos as graças como gostaríamos, mas saiba que Deus aponta caminhos diferentes para os pedidos que fazemos. Confie! A demora de Deus, às vezes, é necessária.
_Ruymar_

(11.7) – OLHAR DE TERNURA
Hebreus 3, 7-14 – “com o coração transviado pela incredulidade”
A leitura nos faz refletir sobre a nossa incredulidade e falta de confiança em relação ao que Deus quer fazer na nossa vida. Muitas vezes temos o nosso coração transviado pela incredulidade e nos afastamos do Deus vivo, por isso, não conseguimos ter uma experiência espiritual concreta com o Seu Amor. Por essa razão o escritor sagrado nos convida a abrirmos o coração e os ouvidos a fim de escutarmos a voz de Deus por meio do Espírito Santo que nos adverte: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações!” A voz do Espírito Santo é a Palavra de Deus que opera como uma bússola a nos orientar na caminhada em busca do repouso junto ao Senhor. A todos os que mantêm a confiança no Senhor a leitura exorta a que animem uns aos outros, “dia após dia, enquanto se disser, hoje”! A incredulidade e a dúvida são armas nocivas que o demônio teima em colocar em nossas mãos com o único fim de nos afastar da graça de Deus e rejeitar o Seu auxílio e orientação. Só conseguiremos nos ajudar mutuamente se também nos alimentarmos com a Palavra de Deus porque é ela quem aumenta em nós o dom da Fé. Na medida em que nos apossarmos do alimento espiritual da Palavra nós progrediremos na graça e no conhecimento do Senhor e nos tornaremos fiéis e convictos no seguimento de Jesus. Não podemos mais perder tempo, o dia de hoje é para nós o tempo propício à conversão, o momento em que assumimos o nosso ser cristão, consequentemente, não podemos deixar nada para amanhã. Hoje é o dia da graça, o dia em que o Senhor nos fala.
– Você tem o coração aberto para acolher a voz de Deus?
– Você é uma pessoa racional, questionadora, que só acredita se tiver provas?
– Para você o que é ter fé?
– Você tem confiança no projeto de Deus para a sua vida?

Salmo 94 – “Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os vossos corações”
O salmo retrata a caminhada do povo no deserto que, embora visse os prodígios do Senhor, fechava o coração e não queria obedecer à Sua voz. Nós, somos hoje esse povo que caminha no deserto do mundo e que, apesar de dizer que acredita no Senhor, não abre o coração para Seus conselhos. O próprio Deus nos fala através deste salmo. Escute a Sua voz e reflita!

Evangelho – Marcos 1, 40-45 – “olhar de ternura”.
Mais uma vez somos chamados a meditar na passagem da cura do leproso e, hoje, nos chama atenção o olhar de compaixão e ternura que Jesus manifestava quando encontrava aqueles que eram excluídos pela sociedade. Embora a lepra fosse uma doença incurável e amaldiçoada, Ele não tinha para com os leprosos olhar de reprovação, nem tampouco, quando abordado por eles, mostrava-se superior. Refletir sobre os gestos e as ações de Jesus, como também sobre a Sua firmeza, far-nos-á também querer adotar as mesmas expressões e ações que Ele usava. É com este mesmo olhar que Jesus nos olha, acolhe a nossa fraqueza, o nosso pecado e a nossa limitação. Jesus, hoje, age também como agia no tempo em quem andava por aqui. Ele olha para cada um de nós, cheio de compaixão, apesar de também sermos como aquele leproso, indignos de chegarmos perto dele. No entanto, Jesus busca cada um que confia na Sua misericórdia e no Seu poder amoroso. Não obstante, como fez com aquele leproso, Jesus quer conhecer qual é o desejo do nosso coração, e precisa que imploremos com convicção pela cura que necessitamos. Quando acreditamos, pedimos, suplicamos, de coração, Ele realiza. Precisamos abrir a nossa boca e o nosso coração para manifestar a Ele os nossos desejos, mas também termos consciência da vontade de Deus e nos submeter ao Seu julgamento. O leproso submeteu o seu desejo à vontade do Senhor quando pediu de joelhos, “Se queres, tens o poder de curar-me!” Percebemos, então, que o leproso colocou como condição o querer de Jesus, por isso, Jesus disse: “Eu quero, fica curado!” Esta é a maneira certa para pedirmos as coisas a Deus. Deus sempre quer nos curar e na hora certa Ele age. Muitas vezes nós queremos impor a nossa vontade a Deus e não admitimos esperar pelo momento certo para receber a graça que pleiteamos. Precisamos, então, ter confiança, pois só Ele sabe o tempo e a hora. Todavia, quando alcançamos a graça, não poderemos mais esconder: precisamos sair apregoando, anunciando o Seu poder, porque assim fazendo estaremos dando ao mundo a oportunidade para que todos conheçam a salvação que vem de Deus.
– Você tem recebido graças de Deus. Isto fez com que você olhasse melhor para as outras pessoas?
– Existe algum “leproso” que precisa do seu olhar de compaixão? Pergunte a Jesus o que você poderá fazer por ele!
– Você costuma contar pra todo mundo as maravilhas que Deus realiza em você?
– Você pede a vontade de Deus ou se limita a pedir só o que você acha que lhe convém?
_Helena Serpa_

(13) – REFLEXÃO
Dias atrás, já apontamos a gravidade religiosa da lepra e como ela era tratada pelo sistema judaico de pureza.
Se no texto paralelo ao de hoje, a saber, Lc 5, 12-16, é o narrador quem diz da recomendação de Jesus de que o homem purificado não dissesse nada a ninguém, em Marcos é o próprio Jesus quem toma a palavra: “Não contes nada a ninguém.”. Com isso estamos diante de uma das características do segundo evangelho: o “segredo messiânico”. Esse recurso teológico-literário tem uma dupla finalidade:
a) permitir que o ouvinte ou leitor do evangelho responda, ele mesmo, à pergunta central do evangelho segundo Marcos: “quem é Jesus?”; resposta que só pode ser dada ao fim da narração evangélica;
b) não identificar Jesus com qualquer corrente messiânica do seu tempo, mas manter o ouvinte aberto à novidade de Jesus Cristo.
Não obstante a recomendação, a fama de Jesus se espalha. Ele não é o promotor de sua fama, ao contrário, “ficava fora, em lugares desertos, mas de toda parte vinham a ele”.

(16) – ‘SE QUERES, TENS O PODER DE PURIFICAR-ME’ (…) ‘EU QUERO, FICA PURIFICADO’!
Hoje, na primeira leitura, lemos: «Hoje se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações!» (Heb 3, 7-8). E repetimos-lo insistentemente na resposta ao Salmo 94. Esta breve citação contém duas coisas: um desejo e uma advertência. Ambas convêm nunca esquecer.
Durante o nosso tempo diário de oração desejamos e pedimos para ouvirmos a voz do Senhor. Mas, provavelmente, com demasiada frequência preocupamo-nos em preencher esse tempo com as palavras que Lhe queremos dizer e não deixamos tempo para ouvir o que Deus nos quer comunicar. Velemos pois para cuidarmos o silêncio interior que – evitando distrações e concentrando a nossa atenção – abre um espaço para acolhermos os afetos, inspirações… que o Senhor, certamente, quer suscitar nos nossos corações.
Um risco que não podemos esquecer, é o perigo de que o nosso coração – com o tempo – se vá endurecendo. Por vezes, os golpes da vida podem-nos converter, mesmo sem nos darmos conta, numa pessoa mais desconfiada, insensível, pessimista, sem esperança… Devemos pedir ao Senhor que nos torne conscientes desta possível deterioração interior. A oração é uma ótima ocasião para dar uma olhadela serena à nossa vida e a todas as circunstâncias que a rodeiam. Devemos ler os diversos acontecimentos à luz dos Evangelhos, para descobrirmos que aspectos necessitam uma verdadeira conversão.
Tomara que peçamos a nossa conversão com a mesma fé e confiança com que o leproso se apresentou a Jesus: «De joelhos, suplicava-lhe: “Se queres, tens o poder de purificar-me”!» (Mc 1, 40). Ele é o único que pode tornar possível aquilo que por nós próprios resultaria impossível. Desejamos que Deus atue com a sua graça em nós, para que o nosso coração seja purificado e, dócil no seu agir, seja cada dia mais um coração à imagem e semelhança do coração de Jesus. Ele, com confiança, diz-nos: «‘Eu quero, fica purificado’» (Mc 1, 41).
_Rev. D. Xavier PAGÉS i Castañer_

(17) – CURA DE UM LEPROSO
Um leproso se aproxima de Jesus e suplica: “Senhor, se queres, tens poder para purificar-me”. Pode o leproso colocar toda sua confiança em Jesus? Os discípulos confiam, pois alimentam a certeza de que Ele é capaz de aliviá-los das aflições e doenças, e depositam no coração do Senhor todas as suas preocupações. Agora, lá está um leproso. Pela Lei mosaica, a lepra era considerada uma doença passível de excomunhão. Quem a contraísse seria excluído do convívio comunitário e se, por acaso, alguém fosse curado, ele devia submeter-se ao rito de purificação. Por isso, ao milagre da cura de um leproso sinal dos tempos messiânicos, liga-se a purificação.
Apesar de tantas restrições e normas, o leproso não hesita. Aproxima-se do Mestre, que, sereno, não se afasta, acolhe-o. A pureza interior de Jesus é intocável. A cena comove os Apóstolos, levando-os à admiração e ao enlevo espiritual. De sua parte, profundamente sensibilizado, o leproso se prosterna, em sinal de adoração e, num ato de profunda humildade e de abandono confiante, implora: “Se queres, podes limpar-me”.
Colocando-se acima da interdição da Lei, Jesus estende a mão e o toca. Toca-o, ciente de que, longe de ser contaminado pelo leproso, ele pode purificá-lo. Aos ouvidos dos discípulos, soam as palavras de Jesus: Não é do exterior que provém a impureza, mas sim do interior do coração. Assim, “movido de compaixão, estendeu a mão, tocou-o e disse: ‘Eu quero, sê curado’”. S. Cirilo de Alexandria comenta: “Ele lhe concede o toque de sua mão santa e onipotente e, imediatamente, a lepra se afastou dele e o seu sofrimento terminou”.
Então, o santo alexandrino exclama: “Uni-vos a mim na adoração a Cristo, que exercia contemporaneamente o poder divino e corpóreo, Ele o cura e o toca”. Orígenes dirá que Jesus “o tocou para demonstrar humildade e ensinar-nos a não desprezar ninguém, por causa das feridas ou manchas do corpo”. E continua: “Que não haja em nossa alma a lepra do pecado; que não retenhamos em nosso coração nenhuma contaminação de culpa, e se a tivermos, adoremos ao Senhor e lhe digamos: ‘Senhor, se queres, podes limpar-me’”.
Apesar de ser miraculosa, a cura do leproso não é, simplesmente, uma ocorrência medicinal. É fruto do carinho de Jesus, principalmente. Ele “tem compaixão” e o leproso, curado em sua carne, sentiu-se, sobretudo, amado, aceito e reabilitado. Os santos compreenderam bem o sentido espiritual do milagre. S. Francisco de Assis, por exemplo, beija o leproso, que ele encontra ao longo do caminho, e sente verdadeira doçura em seu coração. Esse fato transforma sua vida e caracteriza sua conversão como entrega radical ao Senhor, pois, no leproso, ele experimenta Deus, que, com suavidade e ternura, o chama a crescer, cada vez mais, na acolhida do Mistério do seu amor. Não houve necessidade de muitas experiências, uma única já o conduz à visão de um mundo novo, mais fraterno e solidário.
Então, ele compreende as palavras de Jesus: “Quem não renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz não é digno de mim”. S. Isaac, referindo-se às palavras do leproso, comenta que ele confessa duas coisas, “sua impureza e o poder do Senhor, e implora uma terceira: a cura”. E ele conclui: “Todo homem que invoca o nome do Senhor, com confiança, será salvo e ouvirá: ‘Eu quero, sê curado’”.
_Dom Fernando Antônio Figueiredo_

COMEMORA-SE NO DIA 15/Jan

(5) – SÃO MAURO (AMARO)
Hoje celebramos a festa de Santo Amaro, também conhecido como são Mauro. Ele nasceu na cidade de Roma, filho de um senador, no ano de 512. Aos doze anos, teve um sonho, onde Deus o chamava a santidade. Resolveu então entrar num mosteiro beneditino. Foi o próprio São Bento que ajudou a formação de Amaro e de seu primo Plácido, também canonizado pela Igreja.
Conta-nos uma lendária tradição que um dia, ao caminhar pelo jardim, São Bento teve uma visão do jovem Plácido se afogando. Imediatamente chamou Amaro e pediu-lhe para socorrê-lo. Amaro se concentrou de tal maneira e agiu tão rapidamente, que nem percebeu que andava sobre as águas daquele riacho, depois puxou o primo pelos cabelos e o levou para a terra firme.
Amaro se tornou o discípulo predileto de São Bento e o acompanhou para o mosteiro de Montecassino, quando lá se fixaram, sendo nomeado o primeiro superior e administrador. Os registros mostram que Amaro era um homem virtuoso, modelo de obediência, humildade e caridade.
O primeiro mosteiro beneditino em terras francesas também foi fundado por Amaro. Foi neste lugar que Amaro morreu, depois que contraiu a peste. Ele agonizou durante cinco meses, morrendo santamente em 15 de janeiro de 584.
REFLEXÃO:
Amaro ou Mauro é uma palavra que significa Amargo. O significado de seu nome condiz bem com os tropeços e dificuldades que encontrou ao longo de sua vida. Era de tamanha docilidade e virtude que seus mestres o recomendavam como exemplo a outros monges.
_Padre Evaldo César de Souza_

(6.1) – SÃO PLÁCIDO
A vida de Plácido está ligada à do seu primo Mauro, também chamado de Amaro, por várias circunstâncias. Primeiro, porque ambos aos sete anos de idade foram entregues, pelos pais ao amigo Bento de Nórcia, celebrado pela Igreja como o “pai dos monges ocidentais”, para serem oblados à Cristo. Depois, porque Amaro o salvou da morte, na infância. Nesta ocasião, Bento, teve uma visão onde Plácido se afogava dentro de um lago, por isto mandou o pequeno Amaro correr para impedir o acidente. De fato, ele o salvou prodigiosamente, andando sobre as águas e o retirando com vida. Porém, após se tornarem sacerdotes, suas vidas se separam, e de maneira distinta cada um testemunhou sua fé em Cristo. Vejamos a trajetória de Plácido.
Plácido nasceu no ano de 514, em Roma. Os pais, nobres e ricos, eram Tertulo e Faustina, e os irmãos se chamavam Eutíquio, Flávia e Vitório. Plácido foi entregue a são Bento, que o tomou como discípulo e lhe dispensou um afeto paterno. O menino cresceu bondoso e assimilou os ensinamentos do Evangelho e o espírito ecumênico da mensagem beneditina. Tornou-se sacerdote e foi enviado para a cidade italiana de Messina, na Sicília, para construir um mosteiro, do qual foi eleito o abade. Plácido o construiu fora dos muros da cidade. Ao lado do mosteiro ele também construiu uma igreja, dedicada a são João Batista.
Plácido, certa vez, recebeu a visita de seus irmãos, os três saudosos, decidiram ir para Messina, onde ficaram por um longo período, hospedados no mosteiro. Até que em setembro de 541, os árabes sarracenos, invadiram o mosteiro, destruindo tudo e matando os monges que encontravam pela frente. Depois, se voltaram contra os quatro irmãos, que seriam poupados se renegassem o seu Deus. Plácido falou por todos: “jamais trairemos a fé em Cristo e por isto estamos prontos para morrer”. Foram arrastados até a praia vizinha e brutamente mortos, tendo as cabeças decepadas. Os corpos foram recolhidos pelos monges sobreviventes e sepultados na igreja semidestruída.
Este mosteiro e a igreja foram destruídos e reconstruídos várias vezes por conta destes bárbaros. Só em 1099, a paz voltou a reinar na Sicília, com a sua expulsão definitiva. O então imperador Rugero, católico, mandou reconstruir tudo. No final da construção do grande edifício, o mosteiro foi elevado à condição de Priorado Geral. Mas o fato sensacional, ocorreu em 1588, quando o superior do mosteiro, vendo que o interior da igreja não tinha ventilação nem luz, mandou abrir três grandes portas. Para isto, tiveram que deslocar o altar maior, e foi aí que encontraram as relíquias dos quatro irmãos. A festa foi grande porque ao retirarem o corpo de são Plácido surgiu de improviso uma fonte de água puríssima, que os devotos atribuíram como milagrosa.
A igreja e o mosteiro foram totalmente destruídos, em 1918, quando ocorreu o maior terremoto de Messina. Mas as relíquias de são Plácido já estavam guardadas pelos beneditinos na Cripita da Capela do mosteiro de Montecassino, onde também estão as de seu primo.
A Igreja, em 1962, determinou que os dois primos sejam festejados no mesmo dia 15 de janeiro. Entretanto, o culto a são Plácido é muito intenso e os devotos o celebram também em 5 de outubro, data que lhe era dedicada anteriormente.

(6.2) – SANTO ARNALDO JANSSEN
Arnaldo Janssen nasceu em Goch, na Baixa Renânia, Alemanha, em 05 de novembro de 1837. Ele era o segundo filho de uma família numerosa de cristãos fervorosos de classe média e se tornou um gigante por sua obra de fundador e pela atividade fecunda do seu apostolado, junto aos pobres, migrantes, clérigos e fiéis.
Após concluir o estudo colegial na diocese de Gaesdonck em 1855, seguiu para Munster, ingressando na real academia da Prússia para estudar matemática, ciências naturais e filosofia. Dois anos depois seguiu para a universidade de Bonn, na Alemanha, onde se diplomou e obteve a habilitação para lecionar todas as matérias do colegial. Assim, tendo apenas 20 anos já era professor.
Pouco depois, entrou no Seminário de Munster e se consagrou sacerdote em 05 de agosto de 1861. Por quase doze anos, se dedicou ao ensino na escola pública e ao Apostolado da Oração como diretor na diocese, em Munster. Neste período amadureceu a ideia de se dedicar exclusivamente a obra missionária. Decidiu e renunciou aos cargos de professor e diretor. Este foi o derradeiro passo para o início de sua atividade de fundador.
Em 1873 fundou uma revista mensal chamada de “O pequeno mensageiro do Sagrado Coração”, com o objetivo de informar os fiéis da necessidade de missionários no país e no exterior. Em 1874, conheceu o bispo de Hong Kong, percebendo que suas angustias eram as mesmas, teve a inspiração de fundar uma congregação missionária, que pudesse suprir as necessidades dos clérigos e dos fiéis.
No ano seguinte, instituiu na cidade de Steyl, Holanda, a primeira comunidade missionária de origem alemã, para a formação de sacerdotes e irmãos, que recebeu o nome de Sociedade do Verbo Divino. Padre Arnaldo resolveu que a base de formação sacerdotal teria a Regra da Terceira Ordem Dominicana. Nos anos que se sucederam, as obras e o apostolado se expandiram para o Extremo Oriente, América e África.
Depois, fundou a Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo em 1889, e a das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua em 1896, em Steyl. As três congregações foram fundadas na Holanda, porque ali os cristãos eram menos perseguidos e as chances de um possível fechamento das casas seria menor.
Mais tarde, este foi o motivo que levou o Padre Arnaldo Janssen a se refugiar no território holandês, e naquela cidade, onde permaneceu, se dedicando à sua esplendida obra de fundador e aos migrantes e pobres.
Morreu em 15 de janeiro de 1909, consumido pelo trabalho. A Igreja o canonizou em 2003 e o proclamou pioneiro do movimento missionário moderno nos países de língua alemã, holandesa e eslava. Seu culto litúrgico foi indicado para o dia de sua morte.

(6.3) – LUIS VARIARA
Luis Variara nasceu em 15 de janeiro de 1875 na cidade de Variagi, na Itália. Ainda criança viu e ouviu Dom Bosco na celebração de uma missa. Mais tarde, seu pai o mandou para o Seminário de Turim, que era dirigido por aquele santo. Quatro meses depois, Dom Bosco morreria, mas esta curta convivência o marcou por toda vida.
Decidiu se tornar salesiano: entrou no noviciado e o concluiu em 1892, recebendo os votos perpétuos das mãos de outro santo, Miguel Rua. Depois, seguiu os estudos de filosofia. Neste período tomou conhecimento sobre o trabalho missionário do Padre Unia na América do Sul. Em 1894 viajou para a Colômbia resolvido a se juntar ao célebre missionário, que iniciava seu trabalho entre os leprosos da aldeia Água de Deus.
O pequeno povoado possuía dois mil habitantes, dos quais oitocentos eram leprosos. Luis mergulhou totalmente na sua missão. Possuindo aptidão e conhecimentos musicais, organizou uma banda, formando um ambiente festivo na “cidade das dores”, como era conhecida. Após quatro anos, Luis foi ordenado sacerdote, se revelando um ótimo diretor espiritual. Entre as suas penitentes estavam também os membros da Associação das Filhas de Maria, um grupo de cerca de duzentas moças, dentre elas muitas leprosas. Foi diante desta constatação que nasceu em Padre Luis a primeira ideia de fundar uma congregação que abrigasse também jovens leprosas.
Em 1905, a Congregação das “Filhas dos Santíssimos Corações de Jesus e de Maria” teve início. Ele se sentia cada vez mais entusiasmado com a sua missão. Haviam transcorrido dez anos desde a sua chegada em Água de Deus. Uma década feliz e rica de realizações. Dentre elas o término da construção do Asilo “Dom Miguel Unia”, que apesar dos retardos provocados pela Guerra dos mil dias, pôde ser inaugurado.
Porém, começava um longo período de sofrimentos e de incompreensões, para o generoso missionário. O bispo, que inicialmente havia dado sua aprovação, começou a retirar seu apoio. Por isso, durante algum tempo Padre Luis foi enviado para trabalhar nas paróquias de outras dioceses. Suspeitando que ele tivesse contraído a lepra, diagnóstico que depois resultou errado, foi enviado de volta para Água de Deus.
Em 1921, em obediência, Padre Luis aceitou sua transferência para Tariba, uma cidadezinha venezuelana. Ali adoeceu gravemente. O médico aconselhou, por motivos climáticos, que fosse para a cidade de Cucuta, na Colômbia. Viajou para lá. Mas a situação se precipitou rapidamente e ele morreu em 1° de fevereiro de 1923 com quarenta e nove anos de idade.
Foi sepultado em Cucuta. Em 1932, suas relíquias foram transportadas para a capela da Congregação das “suas” Filhas em Água de Deus, onde ainda se encontram. Atualmente as Irmãs estão espalhadas em onze nações da América, Europa e África, dedicadas em especial modo à pastoral da saúde. Padre Luis Variara foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 2002 e sua festa deve ser celebrada no dia do seu nascimento.

(6.4) – SÃO ROMÉDIO
Romédio pertencia a uma rica família dos primeiros nobres do norte da Itália. Ele era o jovem senhor do castelo de Thaur, no vale do Trento. Jovem poderoso, tinha nas mãos o poder econômico e político. Era proprietário das ricas salinas daquele vale e possuía muitos homens a seu serviço. Com a morte dos pais sua fortuna aumentou, entretanto, nada o satisfazia. Foi procurar seu amigo Virgílio, bispo de Trento, que mais tarde se tornou santo, e doou tudo para a sua igreja. Alguns dias depois, voltou, com uns poucos amigos, pedindo sua benção e aprovação para uma peregrinação com destino a Roma. O grupo seguiu a pé, levando um documento do bispo para o papa, que os recebeu e abençoou.
Voltando para Trento, juntos decidiram prosseguir a experiência religiosa comunitária vivida durante a peregrinação. Foram para um velho castelo em ruínas, situado no pico de um penhasco rochoso. Neste ambiente pitoresco, Romédio viveu em estimulante confronto com Deus, com suas criaturas e com si mesmo; através da austeridade, penitência e oração. Quando era rico, Romédio não vivia nesta plenitude, pois explorava a terra e os homens a seu serviço. Vivendo na pobreza, ele se reencontrou em plena comunhão com Deus e com as suas criaturas.
Os montanheses do vale aprenderam a conhece-lo e a estima-lo, paravam para rezar junto à cruz que Romédio tinha colocado dentro de uma gruta e conversavam com ele. A sua fama de ermitão se espalhou, como os seus prodígios. Romédio fez muitos discípulos, dentre eles havia um chamado Davi, que a tradição lembra por uma passagem singular. Contam que Romédio, velho e cansado, desejava encontrar com o amigo bispo Virgílio, por isto mandou o seu jovem discípulo Davi selar o cavalo. Ele foi, mas encontrou um urso esfomeado estraçalhando o cavalo. Quando soube, Romédio disse ao jovem: “Não tenha medo! Coloque a sela no urso. Ele me servirá de cavalo”. Davi obedeceu. Receoso se aproximou da fera bravia, mas para sua surpresa o urso mansamente se deixou selar. Com a cabeça baixa, como se pedisse perdão por ter comido o cavalo, o urso foi até Romédio e este o acariciou e montou sobre a sela, concluindo o seu prodígio na cidade, onde foi recebido por Virgílio e pela população surpresa.
Quando Romédio morreu, com a idade bem avançada. Foi sepultado dentro da gruta onde costumava rezar, e o local se tornou meta de peregrinação. Assim, por volta do ano 1000 foi construída uma igreja, onde iniciou o culto a São Romédio e se tornou um Santuário belíssimo erguido sobre rochas. Dois séculos depois, o culto já consolidado foi reconhecido oficialmente pelo bispo de Trento e se ampliou com a distribuição das relíquias para as igrejas de toda a região do Trento e dos Alpes austríacos, alemães, suíços. O papa Pio X confirmou em 1907, o seu culto “imemorável”.

(10.1) – S. FRANCISCO FERNANDEZ DE CAPILLAS
Nasceu na Espanha e estudou no Convento de Valladolid, onde recebeu, como dominicano, as ordens sacras. Em 1642, foi enviado como missionário para evangelizar as Filipinas e a China.
Em virtude de seu exemplo de vida e pobreza evangélicas, a semente da Palavra de Deus foi semeada e produziu abundantes frutos. Desencadeou-se, então, a perseguição movida pelos poderosos de Fogan.
São Francisco Fernandes foi preso e submetido a cruéis torturas, sendo supliciado a seguir até à morte.
Foi canonizado por João Paulo II no dia 1 de Outubro de 2000, como um dos mártires da China.

(10.2) – S. PAULO, EREMITA
O primeiro e mais famoso dos eremitas, tornou-se órfão aos 14 anos. Aos 20, durante a perseguição do imperador romano pagão Décio, fugiu para uma gruta no deserto. Milagrosamente um corvo trazia-lhe um pão cada dia.
Quando Santo Antão, considerado o “pai dos monges”, tinha noventa anos, Deus revelou-lhe que havia no deserto outro monge mais antigo e mais santo do que ele; e encarregou-o de ir visitá-lo. Antão empreendeu a viagem e depois de várias horas de caminhada logrou encontrar Paulo Eremita. No dia seguinte, após Paulo anunciar que sentia aproximar-se a morte, regressou à sua célula monástica em busca de um manto que o Bispo Atanásio de Alexandria lhe havia dado; Paulo tinha-lho pedido, desejando que servisse de mortalha ao seu corpo. No outro dia de manhã, pegou no manto e saiu a toda a pressa; durante o percurso viu a alma de Paulo a subir ao céu toda resplandecente no meio dos Anjos, dos Apóstolos e dos Profetas. Quando chegou, encontrou-o falecido; envolveu o corpo no manto que trouxera consigo e sepultou-o junto do mesmo local onde vivera. Antão ficou com a túnica de Paulo tecida com folhas de palmeira, e daí em diante, só a usava nas Solenidades de Páscoa e Pentecostes.

NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE

CELEBRAÇÃO DE HOJE

I SEMANA DO TEMPO COMUM
(VERDE – OFÍCIO DO DIA)

RITOS INICIAIS

Monição Ambiental ou Comentário Inicial
O desejo de Deus é nos libertar de tudo o que nos impede de ter vida plena. Para isso nos quer próximos a ele, fortes contra a sedução do pecado e firmes na confiança em seu amor compassivo.

Antífona da entrada
Ergamos os nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno.

Oração do Dia ou Oração da Coleta
Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DA PALAVRA

Monição para a(s) Leitura(s)
As leituras nos convidam a abrir o coração à voz de Deus e nos animar uns aos outros, para que sejamos companheiros de Cristo na sua ação solidária em favor dos excluídos.

Monição ou Antífona do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Jesus pregava a boa-nova, o reino anunciando, e curava toda espécie de doenças entre o povo (Mt 4, 23).

Oração Universal ou Oração dos Fiéis
Conforme nos orienta a IGMR, no Cap. II, LETRA B, números 69, 70 e 71, vamos deixar que cada Comunidade possa realizar a sua Oração Universal colocando nela, a sua realidade comunitária, não devendo esquecer que, normalmente serão estas as séries de intenções, além das pessoais de cada um, caso seja dada a oportunidade pelo celebrante ao povo de se expressar:
a) Intenções pelas necessidades da Igreja;
b) Intenções pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo;
c) Intenções pelos que sofrem qualquer dificuldade;
d) Intenções pela comunidade local;
e) Intenções pessoais da comunidade.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Oração sobre as Oferendas
Possa agradar-vos, ó Deus, a oferenda do vosso povo; que ela nos obtenha a santificação e o que confiantes vos pedimos. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão
Eu vim para que tenham a vida e a tenham cada vez mais, diz o Senhor (Jo 10, 10).

Oração depois da Comunhão
Deus eterno todo-poderoso, que refazeis as nossas forças pelos vossos sacramentos, nós suplicamos a graça de vos servir por uma vida que vos agrade. Por Cristo, nosso Senhor.

RITOS FINAIS OU RITOS DE ENCERRAMENTO

Ide em Paz!

FONTES DE CONSULTAS E PESQUISAS

Vamos expor a seguir de onde pertencem os textos que nos preenchem todos os dias, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO

FONTE DE CONSULTA – IGMR (INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO – 1ª EDIÇÃO / 2008)

REFLITA

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem foi que inspirou essa pessoa a escrever.
O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.
O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que Ele nos pede.
Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é ter discernimento e saber compartilhar o conhecimento.

FONTES DE ORIENTAÇÕES E PESQUISAS

(1.1) – Blog Liturgia Diária da Palavra de Deus (Reflexões e Comentários);
(1.2) – Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);
(1.3) – Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);
(5) – Portal Editora Santuário;
(6) – Portal Editora Paulinas;
(7) – Portal e Blog Canção Nova;
(8) – Portal Dom Total;
(9) – Portal Edições Loyola Jesuítas;
(10) – Portal Evangelho Quotidiano;
(11) – Blog Liturgia Diária Comentada;
(12) – Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);
(13) – Portal Catequisar: Catequese Católica;
(14) – Portal Comunidade Católica Nova Aliança;
(15) – Portal Fraternidade O Caminho;
(16) – Portal Evangeli.net;
(17) – Portal Padre Marcelo Rossi;
(18) – Um Novo Caminho;
(19) – Portal Dom Total: Roteiro Homilético;
(20) – Portal de Catequese Católica;
(21) – Blog Homilia Dominical;
(22) – Portal NPD Brasil;
(23) – Portal Canção Nova: Música;
(24) – Portal Editora Paulus;
(25) – Portal Católica Net;
(26) – Portal Católico Orante;
(27) – Rádio Catedral FM 106,7: Liturgia Diária;
(28) – Portal Comunidade Resgate;
(29) – Portal Católico na Net.

MENSAGEM PARA VOCÊ E PARA MIM MESMO

Mais vale o desconforto da VERDADE, do que a comodidade da MENTIRA.
E usando a essência da Oração da Serenidade, devo orar:

Ó meu Deus e Senhor, Pai de misericórdia e Salvação,
que em seu Filho Jesus perdoou os nossos pecados,
e com o seu Santo Espírito, paráclito nesse nosso mundo que caminha conosco,
apenas em Ti posso almejar a vida eterna, socorre-me e ouvi-me:
Se o ERRO está em mim, que DEUS possa me dar a HUMILDADE de aceitar que estou errado.
Que Jesus me dê a SERENIDADE, para aceitar que tem coisas que não posso mudar.
E que o Espírito Santo me dê a CORAGEM, suficiente para mudar aquelas coisas que dependem de mim, mesmo que sejam difíceis.

E para complementar os alicerces de orações da minha vida, faço como o santo Tomás de Aquino:

“Concede-me, Deus misericordioso, que deseje com ardor o que tu aprovas, que o procure com prudência, que o reconheça em verdade, que o cumpra na perfeição, para louvor e glória do teu nome.
Põe ordem na minha vida, ó meu Deus, e permite-me que conheça o que tu queres que eu faça, concede-me que o cumpra como é necessário e como é útil para a minha alma.
Concede-me, Senhor meu Deus, que não me perca no meio da prosperidade nem da adversidade; não deixes que a adversidade me deprima, nem que a prosperidade me exalte.
Que nada me alegre ou me entristeça para além do que conduz a ti.”

Viver CORRETO e falar a VERDADE hoje são tão difíceis quanto na época de Jesus, pois é muito mais fácil aceitar a MENTIRA e fazer o ERRADO.
Viver no CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é o próprio Cristo Jesus, tem que ser uma caminhada diária.
O futuro é desejo e pensamento.
O passado é aprendizado e lembrança.
O hoje é realidade, isso quer dizer: CRISTO.

Meus amigos(as) de coração, meus irmãos(ãs) em Cristo Jesus, lembrem-se:
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
“Não julgues para não seres julgados.”
“A quem é muito dado, muito será cobrado.”

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