Liturgia Diária 04/Fev/15

LITURGIA DIÁRIA DA PALAVRA
04/Fev/2015 (quarta-feira)

Jesus não é valorizado na sua própria terra

LEITURA: Hebreus (Hb) 12, 4-7.11-15:
(1-4: O exemplo de Jesus Cristo)
(5-13: A educação paterna de Deus)
(14-17: Castigo da infidelidade)
Leitura da Carta aos Hebreus: Irmãos, 4 vós ainda não resististes até o sangue na vossa luta contra o pecado, 5 e já esquecestes as palavras de encorajamento que vos foram dirigidas como a filhos: “Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não desanimes quando ele te repreende; 6 pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho”. 7 É para a vossa educação que sofreis, e é como filhos que Deus vos trata. Pois qual é o filho a quem o pai não corrige? 11 No momento mesmo, nenhuma correção parece alegrar, mas causa dor. Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça para aqueles que nela foram exercitados. 12 Portanto, “firmai as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos; 13 acertai os passos dos vossos pés”, para que não se extravie o que é manco, mas antes seja curado. 14 Procurai a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; 15 cuidai para que ninguém abandone a graça de Deus. Que nenhuma raiz venenosa cresça no meio de vós, tumultuando e contaminando a comunidade. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

SALMO: Salmos (Sl) 103 (102), 1-2. 13-14. 17-18a: Deus é amor
17 O amor do Senhor por quem o respeita é de sempre e para sempre.
1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! 2 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores!
13 Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem. 14 Porque sabe de que barro somos feitos, e se lembra de que apenas somos pó.
17 Mas o amor do Senhor Deus por quem o teme é de sempre e perdura para sempre; e também sua justiça se estende por gerações até os filhos de seus filhos, 18a aos que guardam fielmente sua Aliança.

EVANGELHO: Marcos (Mc) 6, 1-6: Visita a Nazaré
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1 Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. 2 Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? 3 Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa dele. 4 Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. 5 E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6 E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial (Querer)
Preparo-me para orar a Palavra invocando, com todos que circulam na internet, o Espírito Santo:
Espírito de verdade, consagro-te a minha inteligência, imaginação e memória, ilumina-me.
Dá-me a graça de conhecer Jesus Cristo Mestre.

Eu sou o CAMINHO (Ler)
O que a Palavra diz para mim?
O evangelista Marcos diz quem é Jesus. Os nazarenos não estavam interessados nisto. Só queriam saber dos milagres. Apenas buscavam seus interesses e não, a pessoa de Jesus.
Os bispos, na Conferência de Aparecida, lembraram que como cristãos somos portadores de boas novas: “Deus amou tanto nosso mundo que nos deu o seu Filho. Ele anuncia a boa nova do Reino aos pobres e aos pecadores. Por isso, nós, como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Anunciamos a nossos povos que Deus nos ama, que sua existência não é ameaça para o homem, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino, que Ele nos acompanha na tribulação, que alenta incessantemente nossa esperança em meio a todas as provas. Os cristãos somos portadores de boas novas para a humanidade, não profetas de desventuras”. (DAp 30).
É assim que eu me sinto e vivo?

A VERDADE (Refletir)
O que a Palavra diz?
Leio o texto da Palavra de hoje em Mc 6, 1-6.
Compreende-se que, sendo Nazaré uma pequena vila de cerca de 300 vizinhos, tivesse um único carpinteiro. O texto diz também que se questionavam se não era ele o irmão de Tiago, José, Judas e Simão. Em aramaico, uma mesma palavra é usada tanto com o sentido de irmão próprio como de parente próximo, e, portanto, não indica que Maria teve outros filhos ou filhas.
Com a baixa autoestima, ou seja, não acreditando nos valores de um filho da terra, veio a incredulidade, ou seja, não acreditam que Jesus de Nazaré é Filho de Deus.
Na verdade, a fé não cura. Mas, é condição para que o poder de Deus atue com independência de outras intenções. Ali, Jesus curou alguns doentes, diz o texto. A cura é o sinal para encontrar o verdadeiro dom de Jesus: a salvação.
Jesus ficou admirado com a falta de fé que havia ali.
– Você se sente feliz e realizado(a) seguindo as pegadas de Jesus?
– Procura ser sempre uma mão estendida para as pessoas que caminham a seu lado?
– Consegue ser ombro amigo quando encontra pessoas desanimadas e pessimistas em face da vida?
– Está sempre atento para aprender com os outros?
– Como pode retribuir tanta generosidade que vê da parte de Jesus?

E a VIDA (Orar)
O que a Palavra me leva a dizer a Deus?
Acolho no meu coração Jesus de Nazaré e rezo com o papa Bento XVI:
Ficai conosco, Senhor, acompanhai-nos, ainda que nem sempre tenhamos sabido reconhecer-vos.
Ficai conosco, porque as sombras vão se tornando densas ao nosso redor, e vós sois a Luz; em nossos corações se insinua a desesperança, e vós nos fazeis arder com a certeza da Páscoa.
Estamos cansados do caminho, mas vós nos confortais na fração do pão para anunciar aos nossos irmãos que na verdade vós ressuscitastes e nos destes a missão de ser testemunhas da vossa ressurreição.”
Bento XVI, Discurso inaugural na V Conferência

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (Agir)
Qual o meu novo olhar a partir da Palavra?
Depois deste contato com Jesus de Nazaré, vou passar o dia, acolhendo Deus e as suas manifestações nas coisas simples, no pequeno, em cada pessoa.

REFLEXÕES

(6) – A DUREZA DE CORAÇÃO
Os discípulos acompanham Jesus por todos os lugares; esse caminho com o Senhor fez deles testemunhas oculares de tudo o que Jesus fez e ensinou. Jesus é um Messias itinerante. Na sua itinerância, ele ensina e realiza atos de poder. O seu ensinamento é crível porque é verificado no seu agir. O seu ensinamento e a sua ação revelam a sua divindade e profunda humanidade. Na sinagoga de Nazaré, o seu ensinamento causa admiração porque cheio de sabedoria, pois ele descortina o caminho para agradar a Deus. Não obstante a admiração dos que estavam na sinagoga, surge no coração deles resistência a admitir que a sabedoria de Jesus vinha de Deus, aliás, ele mesmo é a sabedoria de Deus. A incredulidade de homens habituados a ouvir a Palavra de Deus causava a admiração de Jesus.
De onde vem essa dureza de coração?
Do fechamento à surpresa de Deus, de uma ideia equivocada do Messias e de uma rigidez que não permite a Deus falar. A incredulidade impede Jesus de fazer algo por eles. As dificuldades e resistências na realização de sua missão não desestimulam Jesus de continuar a percorrer o seu caminho.
Oração:
Ó Espírito Santo, dai-me um coração grande, desejoso de se tornar semelhante ao coração do Senhor Jesus!
Padre Carlos Alberto Contieri

(7) – ANIMEMOS UNS AOS OUTROS NA LUTA CONTRA O PECADO
Quando invocamos o nome do Senhor, a proteção d’Ele vem em nosso socorro. Por isso não podemos desanimar, precisamos encorajar uns aos outros na luta contra o pecado!
“Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não desanimes quando ele te repreende; pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho” (Hebreus 12, 5-6).
Amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que leitura maravilhosa nós hoje fazemos da Carta aos Hebreus! A primeira coisa necessária é termos a certeza e a convicção de ainda não termos lutado contra o pecado com todas as forças da nossa alma e com todo o nosso ser.
Nós ainda não resistimos “até o sangue” na luta contra o pecado, pois, muitas vezes, é preciso colocar nosso sangue para fora. Primeiramente para sermos duros com a carne, com as aptidões e com as tendências do pecado que há dentro de nós. Essa é uma luta feroz, é uma luta para combatentes, é uma luta para aqueles que são humildes e se colocam debaixo da confiança e da proteção do Senhor!
Quando invocamos o nome do Senhor, a proteção e o auxílio d’Ele vêm em nosso socorro. É por isso que nós não podemos desanimar e precisamos encorajar uns aos outros nessa luta e nesse combate contra o pecado! A melhor maneira de vencermos o pecado em nós é deixar que o Senhor realize isso em nós e nos abrirmos para essa graça de Deus.
E como é que o Senhor vem a nós?
Primeiramente Ele nos corrige. Ninguém gosta de ser corrigido, mas os pais têm obrigação de corrigir seus filhos. Isso não precisa ser feito de forma áspera, agressiva, mas a correção precisa acontecer, porque os filhos estão formando sua personalidade e sua conduta e, por vezes, são influenciados por pessoas que não os levam para o caminho do bem e lhes ensinam a fazer coisas erradas no mundo.
Por isso a casa é o lugar da correção! Deus castiga aquele a quem Ele tem como filho, mas não entenda castigo como uma forma pobre, fria, como se o Senhor fosse um castigador. O castigo de Deus é a correção d’Ele, é a privação que, muitas vezes, precisamos e devemos passar de muitas coisas que nos tiram dos caminhos d’Ele; que não nos ajudam a viver a santidade de vida, tão necessária, para que a nossa vida corresponda à graça d’Ele.
Meus irmãos, não tenhamos receio, não tenhamos medo, mas sim confiança no Senhor, que só quer o nosso bem, que nos corrige, que nos puxa a orelha, que nos chama a atenção, que nos mostra que a obstinação, o orgulho e a autossuficiência cegam a nossa vontade e nossas decisões de vida. E assim não somos capazes de enxergar, muitas vezes, a vontade do Senhor ou não temos forças suficientes para lutar contra o pecado.
Que a graça de Deus venha em nosso auxílio, que a graça d’Ele nos forme, nos modele, nos faça e nos refaça de novo, para que possamos em tudo viver e fazer a vontade de Deus!
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo

(8) – DONDE LHE VEM ISTO?
O saber de Jesus deixava admirados os seus conterrâneos. Especialmente quem convivera com ele, durante o longo período de vida escondida em Nazaré, perguntava-se pela origem de tanta sabedoria. Não havia explicação plausível, em se considerando sua origem familiar. Seus pais eram pessoas simples, desprovidas de recursos para oferecer-lhe uma formação esmerada, que o tornasse superior aos mestres conhecidos. Sua pregação, na sinagoga, não dava margem para dúvidas. Ele possuía, de fato, uma ciência elevada, desconhecida até então.
Diante desta incógnita, os conterrâneos de Jesus deixaram-se levar pelo preconceito: não é possível que o filho de um carpinteiro, pobre e bem conhecido de todos, possua uma tal sabedoria!
Sem dúvida, este preconceito escondia outro elemento muito mais sério. Quiçá desconfiassem que a sabedoria de Jesus fosse de origem espúria, por exemplo, obra do demônio. Em outras palavras: aquilo não parecia ser coisa de Deus.
A decisão de desprezá-lo e não lhe dar ouvidos decorre destas explicações. Era perigoso enveredar por um caminho contrário à fé tradicional, desviando-se de Deus.
A incredulidade de sua gente deixava Jesus admirado, a ponto de decidir realizar, em Nazaré, poucos milagres. Seu povo perdia, assim, uma grande oportunidade de conhecê-lo melhor, e descobrir, de maneira acertada, a origem de seu saber.
Oração:
Espírito de perspicácia, não me deixes ficar enredado em falsas questões a respeito de Jesus, a ponto de perder a ocasião de conhecê-lo mais profundamente.
Padre Jaldemir Vitório

(9) – BOA NOVA PARA CADA DIA
Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares” (Mc 6, 4).
Aqui está um trecho do Evangelho de Marcos em que Jesus se afirma claramente como Profeta. Isto é, Ele tinha perfeita consciência de ser O Profeta anunciado por Moisés em Dt 18, 18.
Devemos ver neste episódio narrado por Marcos a grande inauguração da missão de Jesus como Profeta diante de seus parentes de Nazaré. Se Jesus foi até lá, esperava uma recepção positiva de seu auto anúncio como Profeta e como o Messias de Israel.
Mas foi o contrário que aconteceu. Então Jesus revela sua decepção dizendo que um profeta só não é estimado em sua terra, entre seus parentes e amigos. Ora, se Jesus disse isto, foi porque conhecia a história dos profetas antigos, vários deles mortos por seus concidadãos. Moisés quase foi apedrejado (Nm 14, 10); a rainha Jezabel ameaçou de morte o profeta Elias (1Rs 19, 2); o profeta Zacarias foi apedrejado e morto por ordem de Joás, Rei de Judá, (2 Cron, 24, 20-21). Jesus também revela seu conhecimento sobre os maus-tratos contra os profetas quando conta a parábola dos vinhateiros homicidas, em Mt 21, 35.
A missão de profeta dada por Deus, era, portanto, arriscada. O próprio Povo Eleito cometia maus-tratos e assassinatos daqueles que Deus lhes enviava.
Mas nada disto deteve Jesus de sua missão profética e messiânica.
Ele a aceitou como vontade de Deus Pai, e enquanto ‘O Profeta’, morreu na Cruz em Jerusalém. Ele mesmo tinha dito que não convinha a um profeta morrer em outra cidade (Lc 13, 33). Isto porque Jerusalém era o símbolo de todo o Povo Eleito, que Deus escolhera a partir dos Patriarcas, salvara da escravidão no Egito e na Babilônia. Era naquela cidade que Deus queria que Seu Filho morresse e ressuscitasse. Dali, de fato saíram os discípulos de Jesus levando a todo o mundo seu Evangelho, sua Salvação. Era o novo Moisés da Salvação definitiva do Novo Povo Eleito. Tendo salvo Israel e as nações de seus pecados, Jesus, O Filho de Deus, O Profeta, O Messias, realizara plenamente o Plano Salvador de Deus para toda a humanidade.
Padre Valdir Marques

(10) – NÃO É ELE O CARPINTEIRO?
Esta verdade, segundo a qual o homem mediante o trabalho participa na obra do próprio Deus, seu Criador, foi particularmente posta em relevo por Jesus Cristo, aquele Jesus com Quem muitos dos seus primeiros ouvintes em Nazaré «ficavam admirados e exclamavam: “Donde lhe veio tudo isso? E que sabedoria é essa que lhe foi dada? […] Porventura não é este o carpinteiro?”» (Mc 6, 2-3)
Com efeito, Jesus não só proclamava, mas sobretudo punha em prática com as obras o Evangelho que lhe tinha sido confiado, a palavra da Sabedoria eterna. Por esta razão, tratava-se verdadeiramente do «evangelho do trabalho», pois Aquele que o proclamava era Ele próprio homem do trabalho, do trabalho artesanal como José de Nazaré. E, ainda que não encontremos nas suas palavras o preceito especial de trabalhar – antes encontramos, uma vez, a proibição de se preocupar de uma maneira excessiva com o trabalho e com os meios para viver (Mt 6, 25-34) – contudo, ao mesmo tempo, a eloquência da vida de Cristo é inequívoca: Ele pertence ao mundo do trabalho e tem apreço e respeito pelo trabalho humano; pode-se mesmo dizer mais: Ele encara com amor este trabalho, bem como as suas diversas expressões, vendo em cada uma delas uma linha particular da semelhança do homem com Deus, Criador e Pai.
Pois não foi Ele que disse: «Meu Pai é o agricultor» (Jo 15, 1) […]?
O próprio Jesus, nas suas parábolas sobre o Reino de Deus, refere-Se constantemente ao trabalho humano: ao trabalho do pastor, do agricultor, do médico, do semeador, do amo, do servo, do feitor, do pescador, do comerciante e do operário; fala também das diversas atividades das mulheres; e apresenta o apostolado sob a imagem do trabalho braçal dos ceifeiros ou dos pescadores. […] [É este] o grande, se bem que discreto, evangelho do trabalho que encontramos na vida de Cristo, nas suas parábolas e em «tudo quanto Jesus foi fazendo e ensinando» (At 1, 1)
São João Paulo II (1920-2005)

(11.1) – COMUNIDADE, LUGAR ONDE MANIFESTAMOS NOSSOS CARISMAS
No lugar onde mais deveria ser acolhido, amado e respeitado, Jesus foi rejeitado pois a sua gente não conseguia enxergar nele algo além de sua aparência humana. Na cidade de Nazaré onde cresceu e se criou Jesus deixa as pessoas admiradas e espantadas com a sua sabedoria. Admiração e espanto são coisas boas que nos ajudam a nos aproximar das pessoas. Maria, a própria Mãe de Jesus se admirava de tudo o que diziam sobre o menino, os pastores e depois Simeão na porta do templo, no dia da apresentação, que a Igreja celebra exatamente amanhã.
A sabedoria demonstrada por ele na sinagoga, quando usou da palavra, surpreendeu a todos porque estava muito acima da média de um simples Nazareno, juntando-se a isso os prodígios que suas mãos realizavam, as pessoas começaram a desconfiar de Jesus. Era impossível um Nazareno ser tão bom, famoso e sábio daquele jeito. Na cabeça das pessoas da comunidade de Nazaré, Messianismo era algo que viria de cima para baixo, e do meio da Ralé era impossível surgir alguém que fosse dar cumprimento as escrituras e profecias.
O pecado da comunidade de Nazaré ainda é o nosso pecado, nós também, de certa forma não acreditamos em mudanças a partir de movimentos populares, qualquer mudança ou melhora de vida temos que esperar dos que nos governam ou atuam no legislativo. Muitas vezes os sindicatos e associações de Bairros, que deveriam ser por excelência o lugar de manifestação do povo, acaba virando apenas mais um trampolim para a carreira política e tudo o que é do povo acaba nas mãos de políticos, muitas vezes inescrupulosos.
Qualquer forma de organização popular logo é rechaçada como algo contra a ordem estabelecida, a comunidade daria atenção e crédito a um sacerdote que viesse visitar a sinagoga, e que iria dizer palavras bonitas sobre as escrituras e profecias, mas Jesus… Um “Zé Ninguém” dali mesmo, iludindo a si mesmo e aos outros que ele era o Messias…
E o que ocorre quando em nosso meio só botamos fé no poder constituído e menosprezamos a capacidade das pessoas mais simples da nossa comunidade?
Desprezamos o Reino de Deus que se edifica na força, luta e garra dos pequenos, rejeitamos o próprio Senhor. O mesmo acontece quando não valorizamos a comunidade, sua organização interna, suas pastorais sempre a serviço das pessoas, as vezes se tem a impressão de que, quem não deu certo em alguma carreira, quer compensar na comunidade invertendo o critério do reino, pois Jesus deu a todos o melhor de si, a própria vida, portanto comunidade é o lugar onde damos o melhor de nós aos irmãos e irmãs.
E assim, na sua comunidade de origem Jesus não pode se dar totalmente porque não foi acolhido e não lhe deram espaço para tanto. Em nossas comunidades do ano 2015 o mesmo pode ocorrer, e em vez de fazermos desabrochar novos valores e lideranças sadias, estejamos talvez manifestando descrédito por aqueles que fazem alguma coisa, sufocando dons e carismas do próximo, que tem algo a oferecer…
Diácono José da Cruz

(11.2) – VIVER PRA MIM É CRISTO
Bom dia!
“(…) Viver pra mim é cristo / morrer pra mim é ganho / Não há outra questão / Quando se é cristão / Não para de lutar / Triunfarei sobre o mal / Conquistarei troféus / Não há outra questão / Quando se é cristão / Não para de lutar…” (Viver pra mim é Cristo – Pe. Fábio de Melo)
Esses dias conversando com uma companheira de caminhada divagávamos a ideia que ser cristão dentro da igreja é fácil, pois o difícil é sê-lo fora dela onde, o mundo de certa forma aprova ou fecha os olhos aos nossos erros, pois também erram e assim justificam-se os seus próprios. Comentávamos também a dureza de ser cristão solitário no serviço, em casa, na igreja…
Perdi a conta quantas vezes uma mensagem aqui escrita foi interpretada como indireta por alguém ou quantas vezes fomos medidos por outros irmãos a procura de um erro, um equívoco, um tropeço. Como partilhei ontem, Deus sabe a hora em que cada um se tornará amadurecido para que Ele possa apresentar Jesus. Enquanto isso, o que devemos fazer é procurar esse amadurecimento que encherá os olhos de Deus de alegria, mas saiba, que no serviço, na caminhada, na vivência em comunidade (como prefiram) não faltarão as famosas “críticas”. Como o padre canta: Não se para de lutar!
Ave! Todos erram! Mas nem todos conseguem levantar as nossas críticas!
Diz Ricardo Sá que boa parte das coisas que nos chamam atenção podem ter algo de verdade. Que se algo toca e incomoda alguém ao ponto de faze-la refletir deve ser vista como uma dádiva de amor de Deus por seus filhos.
Jesus não se deixou abater pelos críticos, mas se entristeceu por não poder fazer o bem ali, pois lhes faltava a fé. Infelizmente, tendo a razão das suas orações a sua frente, não conseguiram vê-lo.
Psicólogos afirmam em vários estudos que “vemos o que desejamos ver”; “filtramos aquilo que nos interessa”, “agrediremos quem nos agredir”, “dissimularemos ser for necessário”, “mentiremos para nos defender”, (…) talvez seja por isso que Jesus tanto intriga quem estuda o comportamento humano. Ele não fazia o óbvio! E nós sim!
Temos mania de desistir mediante as “críticas”; procuramos pessoas para assumirem a culpa de minha própria desmotivação, o famoso “vou deixar a igreja por causa de fulano” (hunf!).
Na verdade já quero desistir a um bom tempo, mas fico a procurar alguém que assuma a minha fraqueza! Como já disse hoje: Nem todos conseguem levantar!
Amo os filmes do Rocky Balboa (imagino que alguns já estejam pensando que esteja incitando a violência – risos) e em especial o último, onde o personagem Rocky conversa com seu filho que frustrado diz a seu pai que este é o culpado por seus insucessos.
Quantos filhos dizem por aí: “quem mandou vocês me porem no mundo”?
Mas o pai assim responde: “(…) Não vai acreditar nisso, mas VOCÊ CABIA NA MINHA MÃO, eu te erguia e falava para sua mãe, esse menino será o melhor rapaz do mundo, esse menino será o melhor que qualquer um que eu já tenha conhecido. E cresceu bem e maravilhoso, FOI MARAVILHOSO TE VER TODOS OS DIAS, FOI COMO UM PRIVILÉGIO. Quando chegou sua hora de ser homem e ir embora, você foi. Mas alguma coisa mudou no caminho, e mudou. DEIXOU DE SER VOCÊ, deixou que as pessoas apontassem para sua face e te dissessem o que não era bom. E QUANDO AS COISAS VÃO MAL, PROCURA ALGUÉM PARA CULPAR. Como se fosse uma sombra. Deixa eu te dizer uma coisa que você já sabe. O mundo não é um mar de rosas. Na verdade é um lugar ruim e asqueroso. E não importa o quão durão você seja, apanhará e ficará de joelhos, e ficará ali se permitir. NEM VOCÊ NEM NINGUÉM, BATERÁ TÃO FORTE QUANTO A VIDA. Não importa o quão forte possa bater, e sim o quanto pode levar golpes e continuar em frente, o muito que pode aguentar e seguir adiante. Assim é a vida! Agora se você sabe o que é que vale, vá e consiga o que vale. Mas deve ser capaz de receber os golpes e não apontar o dedo e dizer que é por culpa desse ou daquele. Os covardes fazem isso, e você não é covarde! Você é melhor do que isso! Sempre vou te amar! Sem nada mais importar, sem me importar o que aconteça. É o meu filho, é o meu sangue. É o melhor da minha vida, MAS ENQUANTO NÃO COMEÇAR A ACREDITAR EM SI MESMO, NÃO PODERÁ TER UMA VIDA.”
Jesus poderia ter pedido ao Pai “Me leve de volta óh Pai, eles não valem o sofrimento que passarei”, mas não, Ele prefere ficar!
Não precisamos lutar só! Não seremos covardes se cairmos, mas se desistirmos. Nesses momentos muitos pensam em desistir da vida, do emprego, da família, do casamento, de um trabalho social sem mesmo lutar. Não estou a pedir que ninguém saia no tapa com ninguém, mas como Jesus no evangelho de domingo, passe entre os problemas!
“(…) Quando ouviram isso, todos os que estavam na sinagoga ficaram com muita raiva. Então se levantaram, arrastaram Jesus para fora da cidade e o levaram até o alto do monte onde a cidade estava construída, para o jogar dali abaixo. MAS ELE PASSOU PELO MEIO DA MULTIDÃO E FOI EMBORA”. (Lucas 4, 28-30).
Enfrente os problemas com coragem! Levante! Um cristão nunca para de lutar! Deus te fará forte!
Um Imenso abraço fraterno!
Alexandre Soledade

(11.3) – O CAMINHO DO PROFETA É MARCADO PELA CRUZ!
O caminho do profeta é um caminho marcado pela perseguição, pela rejeição e até mesmo pela incompreensão das pessoas que fazem parte do seu convívio!
Jesus, o profeta Maior de todos os tempos, passou por esta experiência, além de rejeitado pelas autoridades políticas e religiosas, foi também rejeitado pelos seus próprios conterrâneos!
O evangelho que a liturgia de hoje coloca diante de nós, nos traz uma amostra dos desafios enfrentados pelos profetas de ontem e que os profetas de hoje continuam enfrentando.
No caminho do profeta está presente a cruz! São muitos os que tentam calar a sua voz, o que não conseguem, pois nem a morte consegue calar a voz de um profeta! É justamente depois da sua morte, que a voz do profeta passa a ressoar com maior intensidade no coração do povo.
O texto nos fala do retorno de Jesus a sua cidade de origem, quando Ele experimenta no corpo e na alma a dor da rejeição, uma dor que certamente doeu mais forte ainda, por partir dos seus próprios conterrâneos, àqueles que deveriam ser os primeiros a acolhê-Lo.
A admiração pelas palavras de Jesus, que a princípio agradou o povo, cai por terra, quando a identidade do Messias, anunciado pelos profetas do antigo testamento, é revelada na pessoa de Jesus. Aqueles que esperavam por um Messias extraordinário, milagreiro, que realizasse as suas vontades, não quiseram aceitar um Messias de origem simples, que tinha o olhar voltado para os pequenos, os pobres e marginalizados. Julgando conhecer Jesus pela sua condição social, eles recusam a aprofundar no mistério de Deus, ficaram somente no superficial, o mais importante, estava longe de ser percebido por eles, isto é: o Rosto humano do Pai, se revelando no filho de um carpinteiro!
Os compatriotas de Jesus tiveram nas mãos a chave da felicidade, mas não se deram conta desta preciosidade, por isto desperdiçaram a graça de Deus. Ali, Jesus não pôde realizar muitos milagres, não por retaliação, mas pela falta de fé daquele povo.
Será que nós também, não temos atitudes semelhantes as atitudes dos conterrâneos de Jesus?
Será que estamos aceitando o recado de Deus, que chega até a nós por meio das pessoas simples?
Dificilmente reconhecemos a sabedoria presente nas pessoas simples, temos uma forte tendência de acreditar somente nas palavras retóricas das pessoas de alto “nível intelectual”, com isso, deixamos escapar as mensagens que Deus quer nos passar, através dos pequenos, dos simples.
É importante lembrarmos, de que Jesus, o Mestre de todos os mestres, o profeta Maior de todos os tempos, serviu-se de meios humanos bem simples para anunciar o reino de Deus!
Ainda hoje, a humanidade continua dividida, há os que acolhe a voz do profeta e se dispõe a mudar de vida, outros que ignoram a sua fala, preferindo continuar escravos do pecado.
A rejeição à Jesus, não interrompeu o anúncio do Reino que continua através dos incansáveis profetas de hoje, homens e mulheres que se embrenham pelo caminho da cruz, dispostos a dar a vida se preciso for, pela causa do Reino.
FIQUE NA PAZ DE JESUS!
Olívia Coutinho

(11.4) – APESAR DA REJEIÇÃO O ANÚNCIO DO REINO DEVE ACONTECER!
Quando Jesus começou ensinar nas sinagogas libertando o povo de suas escravidões, o povo, cansado do velho ensinamento, gostou do novo, dado com poder e autoridade. Alguns Doutores da Lei chegaram dizer que Jesus fazia milagres pelo poder do demônio.
Nas sinagogas daquele tempo, qualquer pessoa adulta poderia ler e interpretar a Palavra de Deus, mas geralmente eram os “Doutores da Lei e Fariseus” que tinham essa missão. Eles tinham estudado as escrituras, por isso eram considerados os autênticos interpretes da vontade de Deus manifestada nos textos sagrados. O povo era obrigado a ouvir e a pedir explicação do que era certo ou errado, eles é que tinham resposta para tudo.
Naquela época, falava-se muito da chegada do Messias. Quando o Messias viesse ninguém saberia de onde Ele veio. (Jo 7, 27).
Jesus foi para sua terra natal, Nazaré. Lá Ele viveu até os 30 anos como uma pessoa comum, com seus pais, José e Maria, e parentes. Aprendeu o ofício de carpinteiro, serviço de seu pai adotivo, José.
Entrou na sinagoga de Nazaré, num sábado, e começou ensinar com grande sabedoria. Seus ouvintes admiravam seus ensinamentos, mas nem por isso acreditavam em Jesus porque O conheciam e a sua família, sabiam que Jesus não fizera nenhum estudo especial para ter tanto conhecimento. Jesus, durante 30 anos, levara uma vida humilde e simples de um homem comum como todos os outros.
Em Nazaré, sua terra, ocorreu diferente dos outros lugares. Perguntavam: “De onde ele recebeu tudo isto?” Como conseguiu tanta sabedoria? “Não é ele carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E suas irmãs não vivem aqui em nosso meio?” Com essas indagações, rejeitavam a ideia de que Jesus seria o Messias, pois o conheciam. Quando se queria desprezar alguém, bastava substituir o nome do pai pelo da mãe. Por isso, a expressão “filho de Maria” (a não ser que José já tivesse morrido), era altamente depreciativa.
Na linguagem usada naquele tempo eram também chamados “irmãos” os primos e os parentes, tanto próximos como afastados. Hoje em dia também usamos essa linguagem. Falamos que somos todos irmãos. Não somos irmãos de sangue, mas somos filhos de um mesmo Pai, Deus, professamos a mesma Fé, o mesmo Batismo, somos santificados pelo mesmo Espírito, em Cristo Jesus.
Os nazarenos desprezaram o poder e a sabedoria de Jesus porque viam Jesus como filho do carpinteiro, de origem humilde e simples, do qual não poderia surgir tanto poder e tantas luzes. Ao invés de aceitá-Lo, O desprezam e rejeitam.
Daí a resposta de Jesus aos seus conterrâneos: “Um profeta não é desprezado senão na sua terra, entre os seus parentes, na própria família”. É sempre assim: somos mais reconhecidos fora da nossa família, fora da nossa terra, do que na nossa própria família e terra.
Jesus não quis fazer curas e milagres em sua cidade porque não desejava impor prodígios aos que se mostravam incrédulos. Em outros lugares, os ensinamentos libertadores de Jesus despertavam a fé e o entusiasmo das pessoas sinceras, já nos nazarenos, a indiferença.
Hoje, dá-se o mesmo: Não há milagre que convença aquele que não quer acreditar! Deus não força os homens a aceitar suas graças e quer deles ao menos uma cooperação, que é a vontade de recebê-las.
Como é difícil evangelizar os da família, eles não querem ouvir, pedem até para parar, ou zombam de nós. Os estranhos chegam a pedir para nós falarmos de Cristo para eles.
Dizem os estudiosos que Jesus levou seus discípulos a Nazaré para ensiná-los a não desanimarem diante das contrariedades na pregação. Mostra com o exemplo de seus conterrâneos que a Palavra do Evangelho pode encontrar resistência e repulsa até naqueles que deveriam ser os mais prontos e dispostos a acolhê-la.
Os discípulos aprendem uma importante lição daqueles que esperamos encontrar apoio, participação e solidariedade, pode acontecer que encontremos obstáculos, mas apesar de tudo o ANÚNCIO DO REINO DEVE ACONTECER!
Podemos concluir como é difícil encarnar o Evangelho na realidade do povo. Se encontrarmos resistência, não esqueçamos de que Jesus já fez essa experiência muito antes de nós e não desanimou. Ao contrário, continuou firme, certo de que estava cumprindo a missão que o Pai lhe confiou.
Irmãos, desempenharemos nossa missão de discípulos missionários ou ficaremos paralisados como os conterrâneos de Jesus?
Senhor, fortalecei-nos no caminho da evangelização, que os obstáculos que surgirem não nos impeçam de continuarmos nossa missão. Amém!
Maria de Lourdes Cury Macedo

(11.5) – COISAS SIMPLES DO ALTO, COISAS COMPLICADAS DAQUI DE BAIXO
Hebreus 12, 4-7.11-15 – “a correção traz fruto de paz e de justiça!”
Para nós que vivemos em comunidade e em família, esta mensagem tem um grande valor! Deus que é Pai e Santo, deseja formar em nós, Seus filhos e Suas filhas, um corpo também, santo, sem defeitos, a fim de que todos os nossos membros sejam sãos! Por isso, leitura nos exorta a não desprezarmos a educação do Senhor e não desanimarmos quando ele nos repreender, quando diz: “pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem Ele aceita como filho”. Com efeito, longe de ser uma coisa negativa e humilhante, a exortação e admoestação que recebemos das pessoas a quem devemos obediência são como dádivas preciosas para o nosso crescimento. O Senhor usa de todos os métodos e meios para nos edificar e fazer de nós homens e mulheres justos(as)! Mesmo que, aparentemente, soframos humilhação, e momentaneamente nos sintamos “ofendidos(as)”, a repreensão e a correção que o Senhor nos faz em vista das nossas más ações, através das pessoas, nos são salutares. “Portanto, firmai as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos” diz-nos o Senhor. Que nenhum de nós abandone a graça de Deus por ressentimentos e mal entendidos, em vista da correção. E que nenhuma raiz venenosa, isto é, nenhuma intriga nem fofoca cresçam no meio de nós, desordenando e contagiando a nossa comunidade e a nossa família. Somos da família de Deus e formamos o Corpo de Cristo.
– Você se exaspera quando recebe alguma admoestação?
– Você sabe reconhecer quando está errado(a)?
– Você aceita a correção do Senhor através das pessoas?
– Você costuma também admoestar a alguém quando ele erra?

Salmo 102 – “O amor do Senhor por quem o respeita é de sempre e para sempre!”
Deus é um pai que se compadece de nós como seus filhos e tem compaixão das nossas misérias. Ele conhece as nossas limitações, sabe de qual barro nós somos feitos, por isso não cobra de nós mais do que o que podemos dar. O temor do Senhor é o princípio de tudo e, se respeitamos o Senhor, e tememos em ofendê-Lo, sentiremos no coração a sua justiça e o seu amor. Que a nossa alma bendiga ao Senhor e que nunca nos esqueçamos de nenhum de seus favores.

Evangelho Marcos 6, 1-6 – “coisas simples do alto, coisas complicadas daqui de baixo.”
Jesus não pôde fazer milagres na sua terra e no meio da sua gente, por ser uma pessoa humilde, filho de um carpinteiro e conhecido de todos. As pessoas que viviam próximas a Jesus não queriam admitir que alguém tão simples como Ele pudesse ter tanta sabedoria e duvidavam de que o poder de Deus estivesse com Ele. Dessa forma Jesus não conseguia ser escutado nem tampouco ser levado a sério. Hoje também ainda acontece assim! Não damos ouvido nem valor às pessoas que estão muito próximas de nós, assim como também àquelas que são humildes e simples. Porque acostumamo-nos a conviver com elas, não percebemos que são instrumentos de Deus para o nosso crescimento e até para nossa salvação. Muitos milagres poderiam ser provados no nosso meio se déssemos atenção àqueles (as) a quem Deus colocou como instrumentos para nós edificação. Não entendemos como poderá alguém que é simples, humilde e, às vezes até inculto, ser sábio aos olhos de Deus. Confundimos a sabedoria que vem de Deus com o conhecimento que o mundo dá. Na maioria das vezes, valorizamos a quem é instruído, a quem tem profissão brilhante ou tem o dinheiro que compra tudo, o poder e a mente. No tempo de Jesus também não foi diferente. Precisamos nós, também, perceber a quem estamos valorizando, o que nos prende a atenção e ao que estamos dando importância: às coisas simples do alto, ou às coisas complicadas daqui de baixo. Somos chamados(as), então a refletir:
– O que é simples nos incomoda ou atrai?
– Valorizamos as pessoas da nossa casa quando nos dão algum conselho?
– Na nossa casa também os profetas não são bem recebidos por nós?
elena Serpa

(11.6) – O LUGAR DE DESTAQUE NO REINO DE JESUS
Deus educa-nos à prática do bem e da humildade. Entregando sua vida ao Pai, Jesus preparava os discípulos para o anúncio do Reino: “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte”.
O mestre toma a decisão livre e também responsável. Digo livre e responsável por que só os homens livres é que são responsáveis dos seus atos. E o viver de Jesus entre nós foi uma liberdade total na obediência à vontade de Deus seu Pai. E chegada à hora crucial, decide dirigir-se para Jerusalém para aí fazer seu anúncio libertador e consumar os mistérios pascais. E para tanto, Jesus se empenha em esclarecer seus discípulos sobre os riscos que lá o aguardam, pois sabia que os chefes judeus haviam decidido a Sua morte.
Por outro lado vemos os discípulos como que desconhecendo tudo o que Jesus fala e o mais grave é que pensavam que Ele dirigindo-se para Jerusalém consolidaria o poder político anunciado pelos profetas, o que também não passava de um mal entendido sobre o real messianismo do ungido do Senhor. É o que eles esperavam e expressavam nos bastidores como sendo a gloria.
Portanto, pensavam tomar parte do poder político de Jesus e talvez até serem nomeados ministros, senadores, governadores em fim.
Jesus, porém, descarta o poder político, caracterizado como opressor e tirânico. No reino dos céus o maior tem de ser aquele que serve a todos. O primeiro tem de ser o último. Renova nos discípulos a proposta de consagrarem sua vida ao serviço aos mais necessitados, pelo que os excluídos são reintegrados na vida e Deus é glorificado. Pois o seu ministério é um mistério de comunhão, é partilha e serviço, é vida e compromisso.
De outra parte, a mãe dos filhos de Zebedeu faz-lhe um pedido de privilégio, de destaque para seus filhos. Porque também ela pensava: se fizer um pedido àquele que em breve terá a faca e o queijo na mão, os meus filhos terão um cargo importantíssimo no seu governo. Todavia, Jesus mostra-lhe como eles podem conseguir. Será à custa de muito sacrifício. O cálice de fel, de mortificação, de jejum, de penitência e oração.
Estando nós, daqui a alguns dias, no tempo da quaresma, não podemos e nem devemos ansiar outro cálice senão o de conversão e de misericórdia.
Canção Nova

(12) – REFLEXÃO
Muitas vezes, nós nos apegamos apenas à realidade aparente e colocamos a nossa confiança apenas em critérios humanos para a compreensão dessa realidade. Confiamos principalmente nas nossas experiências pessoais e no que as ciências modernas nos ensinam. Tudo isso faz com que tenhamos uma visão míope da realidade, fato que tem como consequência o endurecimento do nosso coração e o fechamento ao transcendente, ao sobrenatural e, principalmente, às realidades espirituais e eternas. Quando nos fechamos ao próprio Deus, simplesmente nos tornamos incapazes de ver sua presença no nosso dia a dia e dificultamos a sua ação, que visa principalmente o nosso bem.

(16) – DE ONDE LHE VEM ISSO? E QUE SABEDORIA É ESTA QUE LHE FOI DADA? E ESSES MILAGRES REALIZADOS POR SUAS MÃOS?
Hoje o Evangelho nos mostra como Jesus via à sinagoga de Nazaré, o lugar onde ele tinha sido criado. O sábado é o dia dedicado ao Senhor e os judeus se reúnem para escutar a Palavra de Deus. Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. (cf. Mc 1, 22).
Deus nos fala também hoje mediante a Escritura. Na sinagoga se leem as Escrituras e, depois, um dos entendidos se ocupava de comentá-las, mostrando seu sentido e a mensagem que Deus quer transmitir através delas. Atribui-se a Santo Agostinho a seguinte reflexão: «Assim como em oração nós falamos com Deus, na leitura é Deus quem nos fala».
O fato de que Jesus, Filho de Deus, seja conhecido entre seus concidadãos por seu trabalho, nos oferece uma perspectiva insuspeitada para nossa vida ordinária. O trabalho profissional de cada um de nós é meio de encontro com Deus e, portanto, realidade santificável e santificadora. Com palavras de São Josémaria Escrivá: «Vossa vocação humana é parte, e parte importante, de vossa vocação divina. Esta é a razão pela qual devemos santificá-lo contribuindo ao mesmo tempo, à santificação dos outros, de vossos semelhantes, santificando vosso trabalho e vosso ambiente: essa profissão ou oficio que enche vossos dias, que dá fisionomia peculiar a vossa personalidade humana, que é vossa maneira de estar no mundo; esse lar, essa vossa família; e essa nação, em que nascestes e a que amas».
Acaba a passagem do Evangelho dizendo que Jesus «Não pôde fazer ali milagre algum. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. Admirava-se ele da desconfiança deles. E ensinando, percorria as aldeias circunvizinhas» (Mc 6, 5-6). Também hoje o Senhor nos pede mais fé Nele para realizar coisas que superam nossas possibilidades humanas. Os milagres manifestam o poder de Deus e a necessidade que temos Dele na nossa vida de cada dia.
Rev. D. Miquel MASATS i Roca

COMEMORA-SE NO DIA 04/Fev

(5) – SANTO ANDRÉ CORSINI
André nasceu em Florença, na Itália, em 1301, filho de família nobre e famosa. Antes de o dar à luz, sua mãe sonhou que seu filho nascia lobo, mas se transformava em cordeiro ao entrar numa igreja carmelita. Assim foi a vida de André: um jovem de vida desregrada e moralmente falha converteu-se com os apelos da mãe e tornou-se um santo carmelita.
Concluiu os estudos religiosos em Paris, ordenou-se sacerdote e, ainda em vida, operou vários prodígios, portador que era do dom da cura e da profecia. Escolhido para ser bispo, André escondeu-se, mas um menino de seis anos indicou seu esconderijo, dizendo que Deus o queria a seu serviço. Não pode recusar o episcopado.
Durante os anos em que ali atuou, foi amado pelo povo e respeitado pelas autoridades. Na noite de Natal de 1372 teve um desmaio e recebeu, em sonho, a notícia de que morreria em 6 de janeiro. A partir daí foi dominado por uma febre que não mais o deixou até que a profecia se cumpriu.
Santo André Corsini é o padroeiro da cidade de Florença.
REFLEXÃO:
Santo André Corsini governou a Igreja com admiráveis exemplos de caridade e com a eloquência da sua palavra. Distinguiu-se pelo zelo apostólico, prudência e amor aos pobres. Seu exemplo edifica a vida cristã até hoje.
Padre Evaldo César de Souza

(6.1) – SÃO GILBERTO
Ele é o decano dos santos ingleses. Foi fundador da única Ordem totalmente inglesa, tanto pela origem do seu nascimento quanto pela trajetória de sua vida sacerdotal. Gilberto era filho do nobre normando Juscelino, que se estabeleceu na Inglaterra depois dela ter ficado sob o domínio de Guilherme, o Conquistador. A sua infância transcorreu, toda ela, nas propriedades paternas da cidade de Sempringham, onde nasceu em 1083. Lá, Gilberto iniciou seus estudos, concluídos depois em Paris.
Retornando à sua pátria, Gilberto se dedicou à educação dos jovens e se ordenou sacerdote em 1130. Também, foi o ano que fundou, na própria Sempringham, um mosteiro feminino que colocou sob as regras beneditinas. Na realidade desejava que fossem dirigidas pelos “cistercienses”, Ordem recém criada pelo amigo Bernardo de Chiaravalle, que a Igreja também honra. O Papa, porém, preferiu vê-las sob a guarda de uma congregação mais antiga. Depois, Gilberto fundou um mosteiro masculino que submeteu às mesmas Regras e direção espiritual dada às religiosas.
Em 1148, os Estatutos de ambas foram aprovados pelo Papa Eugênio III. Dessa forma estava fundada a nova Ordem religiosa, a dos Gilbertinos, que teria cerca de setecentos religiosos e mil e quinhentas religiosas, quando da morte do seu fundador. Mas antes desses balanços finais tão positivos, os períodos obscuros foram muitos.
No rompimento entre o rei Henrique II, o Parlamento inglês e o bispo Tomas Becker, de Canterburi, Gilberto é o alvo preferido dos ataques parlamentares, mas escapa da perseguição, somente porque o rei o estima e o defende, impedindo que se seguisse com tanta violência. Há também uma série de revoltas dentro da própria Ordem, provocadas pelos irmãos leigos que desejavam tomar a administração dos bens e que, portanto, o atacavam diretamente com graves acusações. Mas a essa altura, todos os bispos da Inglaterra correram em seu socorro e, o defenderam junto ao Papa Alessandro III.
Com o passar dos anos, a velhice e a cegueira chegam juntas e Gilberto dá um último sinal de amor à Ordem que criou, pedindo para ser acolhido como um simples monge e pronunciou o voto de total obediência ao Superior geral. Ele morreu santamente na sua cidade natal no dia 04 de fevereiro de 1189, com cento e seis anos de idade.
Eram vinte e quatro mosteiros por toda a Inglaterra, quando entre 1538 e1539, deixaram de existir bruscamente, por determinação do rei Henrique VIII. Durante o rompimento com Roma, os integrantes dessa Ordem foram assimilados por outras congregações, conforme solicitadas. Entretanto, seu fundador, já havia sido elevado à honra dos altares da Igreja, pelo Papa Inocêncio III em 1202, sendo o dia de sua morte reservado para a sua festa.
O culto à São Gilberto é expressivo entre os povos de língua saxônica e chegou aos nossos tempos graças à sua veneração, que foi mantida pelos monges beneditinos e cistercenses, onde quer que instalassem seus mosteiros.

(6.2) – SÃO JOÃO DE BRITO
O povo português em muito ajudou a divulgação do cristianismo e a sua propagação pelo mundo, nos tempos das grandes navegações. Enquanto alargava suas fronteiras, levava junto com sua bandeira a cruz dos cristãos, empunhada principalmente pelos padres jesuítas que, desta forma, puderam evangelizar pelos quatro cantos do planeta. Através das suas missões a religião católica chegou ao Brasil e a tantos outros países. Foi numa missão jesuítica, na Índia, que brotou em sua plenitude o apostolado do sacerdote português João de Brito.
João nasceu em Lisboa ao 1º de março de 1647, filho de um membro da corte portuguesa que, mais tarde, seria governador do Rio de Janeiro, Salvador de Brito Pereira e da nobre Brites de Portalegre. Apesar de ter saúde débil, desde a infância João alimentou o desejo de se tornar evangelizador. Fez os estudos superiores na famosa Universidade de Coimbra, mas queria completar os estudos teológicos na Índia. Aos vinte e seis anos, ordenou-se sacerdote e entrou para a Companhia de Jesus e, apesar da fragilidade física, rumou para o país onde sonhava pregar seu apostolado.
Começou sua atividade missionária em Malabar. Nessa época, conta-se que caminhava descalço enormes distâncias, levando apenas uma manta de algodão e livros religiosos. A sua figura tornou-se emblemática do novo método de evangelização seguido na Índia pelos missionários. Na mão segurava uma cana de bambu, vestia roupão cor avermelhada e calçava palmilhas de madeira. Em tudo vivia como um habitante hindu; nas vestimentas, nos costumes alimentares e no comportamento, porém sempre revelando sua fé e pregando o cristianismo. Mesmo assim, sofreu perseguições, foi preso e torturado, mas não desistiu.
Ocorre que as ideias defendidas por ele iam totalmente contra os princípios da sociedade hindu que, com suas divisões de castas, tinha verdadeiro horror à pregação de “um só rebanho onde todos são iguais perante o Criador”. Mesmo com toda a oposição dos poderosos, João de Brito converteu comunidades inteiras de hindus. Foram 15 anos de um difícil e cansativo apostolado, ao fim dos quais chegou a voltar para Portugal.
Lá, recebeu o convite para ser conselheiro do rei Pedro II e preceptor de seu filho, mas recusou a oferta e voltou para a Índia onde, por sua fé, encontraria a morte. Mal pisou em Malabar deparou com um verdadeiro inferno: cristãos haviam sido mortos, suas casas e igrejas saqueadas e queimadas. Era uma revolta dos sacerdotes hindus, chamados brâmanes, especialmente contra cidadãos cristãos.
João de Brito foi também preso e sumariamente decapitado. Era o dia 04 de fevereiro de 1693. No mesmo local onde conseguiu permissão para orar, antes da execução, seu corpo foi exposto, depois de ter os membros decepados. O Papa Pio XII proclamou Santo João de Brito em 1947 marcando sua festa litúrgica para o dia de seu martírio.

(6.3) – SANTA JOANA DE VALOIS
Filha do rei Luiz XI da França e Carlota de Savóia, Joana nasceu no castelo de Tours, em 23 de abril de 1464. Causou uma grande desilusão a seu pai que desejava um filho homem. Aos vinte e seis dias de idade, foi acertado o seu casamento, para consolidar uma aliança política, com seu primo Luiz de Órleans, de dois anos.
A menina cresceu com uma pequena deformação física, por isto aos cinco anos foi deixada no castelo de Berry, no qual o seu maior prazer era “conversar com a Santíssima Virgem”. Aos seis anos, foi convidada pelo rei a escolher um confessor. Escolheu o monge franciscano Gabriel Maria, que a Igreja também depois beatificou. Um ano depois, conversando com Nossa Senhora, durante as orações, esta a investiu de sua missão mariana: “Antes de morrer fundarás uma família religiosa em meu nome. Assim fazendo me darás um grande prazer e me prestarás um serviço”.
Como era de costume, aos doze anos se casou com o primo, apesar da sogra tentar desfazer a aliança, que já não era conveniente. Portanto, quando o pai de Joana morreu, ela se tornou a nova rainha e o marido, o rei Luiz XII, que em seguida a repudiou. Após a anulação canônica do matrimônio, casou-se com a filha do duque da Bretanha, em mais uma união de fundo político.
Joana herdou o ducado de Berry e um ano depois, em 1498, ingressou na ordem terceira de São Francisco, em Bourges, dedicando totalmente sua vida ao próximo, a Maria e a Jesus Cristo. Seguindo sempre a orientação espiritual de seu confessor, administrou suas posses com sabedoria e caridade, de forma a ajudar os pobres e doentes. Provou isto durante uma epidemia de peste, que se alastrou pelo território francês, naquele período, mostrando todas as virtudes que carregava no coração.
Depois, com dificuldade e superando todos os empecilhos, fundou, com a ajuda do monge Gabriel Maria, uma nova instituição religiosa para irmãs, tendo a finalidade de servir a Cristo e imitar a Virgem Maria, em todas as suas virtudes. A nova família, essencialmente mariana, recebeu o nome de Congregação da Anunciação, cujo estatuto foi escrito por ela. Também por seu desejo consagrou as irmãs às “dez virtudes da Santíssima Virgem”. No final de novembro de 1504, com autorização do Vaticano confiou a congregação aos Frades Menores da Obediência, Ordem terceira franciscana.
Morreu em 4 de fevereiro de 1505, de doença fulminante, no seu convento de Berry, França. As graças e os milagres floresciam sob sua intercessão, enquanto o monge Gabriel Maria consolidava sua obra. Ele morreu vinte e três anos depois, quando as irmãs contemplativas da Anunciação, como são chamadas atualmente, já estavam espalhadas por toda a França, alcançando a Bélgica e a Inglaterra. Santa Joana de Valois foi canonizada em 1950, pelo papa Pio XII, tendo determinando o dia de sua morte para as comemorações.

(6.4) – SANTA CATARINA DE RICCI
Aos 25 de abril de 1522, nasceu a linda menina na nobre e milionária família Ricci, de Florença, na Itália. Após três filhos varões, Pedro Francisco e Catarina exultavam de felicidade ao batiza-la com o nome de Alessandra. Ainda não tinha completado quatro anos de idade quando a mãe de Sandrina, como era chamada pelos familiares, faleceu. Quem foi encarregada de sua criação foi sua avó paterna, que percebia na pequena neta a vocação pela fé cristã.
Por isso, aos seis anos foi entregue à educação das irmãs beneditinas em Prato, uma cidade muito próxima da sua. Ali sua vontade de seguir a vida religiosa de fato se concretizou. Quando completou os estudos e teve de voltar ao lar paterno, recusou a convivência com o luxo e a riqueza, que a família ostentava e escolheu continuar vivendo sob as regras do convento.
Nessa mesma época explodia na Europa a revolta de Martinho Lutero, também conhecida como a contrarreforma da Igreja. Sandrina, enfrentando a riqueza da família, que desejava vê-la casada e rendendo nova fortuna ao clã, e o movimento contra a Igreja, manifestou seu desejo de se entregar de corpo e alma ao catolicismo.
Seu pai, Pedro Francisco, ainda não estava convencido e lutava contra esse seu desejo. Mas ela insistiu na escolha de uma vida casta e religiosa, até que os familiares concordassem com seu ingresso num convento. Tinha treze anos, quando seu tio paterno, padre Timóteo intercedeu junto ao irmão e lhe mostrou que Sandrina já tinha plena convicção e demonstrava total firmeza para a vida que escolhera.
Com a benção de seu amado pai e irmãos, que souberam das suas experiências de religiosidade mística, foi entregue ao convento das dominicanas em Prato. Lá tomou o hábito e escolheu o nome de Catarina, o qual a remetia à sua falecida mãe e à Santa de Sena, de sua devoção.
Catarina de Ricci se tornou uma das místicas mais respeitadas e viveu uma das experiências mais impressionantes que a Igreja pode comprovar. Toda quinta-feira da Paixão ela sofria as dores de Cristo, até o final da sexta-feira. Um sofrimento ímpar. Mas, Catarina não se alienava por causa da contemplação e das experiências de religiosidade experimentadas. Participava ativamente da vida comunitária e chegou a assumir cargos de responsabilidade no convento, desempenhando suas funções com dedicação e disciplina. Tanto assim, que aos trinta anos de idade tornou-se vice prioresa do convento.
Por seu equilíbrio foi considerada mestra espiritual, dando conselhos e orientando sacerdotes, bispos e cardeais. Mantinha uma correspondência frequente com três contemporâneos, Carlos Borromeu, Filipe Néri e o Papa Pio V, que depois também se tornaram venerados pela Igreja.
Ela faleceu em 02 fevereiro de 1590, no convento onde foi enterrada e onde as relíquias ainda são conservadas, em Prato, Itália. Beatificada em 1732, foi proclamada Santa Catarina de Ricci em 1746, pelo Papa Benedito XIV e sua festa designada para 04 de fevereiro.
Foram muitos os pontífices que se ajoelharam para venerá-la. Mais recentemente, em 1986, foi a vez do Papa João Paulo II, que durante sua visita de peregrinação ao Santuário de Santa Catarina de Ricci, assim se pronunciou sobre ela: “A sua profunda experiência contemplativa lhe possibilitou obter o dom da sabedoria que a fazia ofertar uma palavra de luz e de esperança com animo aberto e voltado às verdadeiras necessidades das mais variadas categorias de pessoas, graças às inspirações de uma caridade ardente e generosa”.

NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE

CELEBRAÇÃO DE HOJE

IV SEMANA DO TEMPO COMUM
(VERDE – OFÍCIO DO DIA DA IV SEMANA)

RITOS INICIAIS

IGMR 46. (Ritos Iniciais): “A finalidade dos Ritos Iniciais é fazer com que os fiéis, reunindo-se em assembleia, constituam uma comunhão e se disponham para ouvir atentamente a Palavra de Deus e celebrar dignamente a Eucaristia”.

Monição Ambiental ou Comentário Inicial
Somos convidados a perseverar diante dos obstáculos e dificuldades e não nos deixar abater, seguindo firmes na graça de Deus e abrindo-nos sempre mais ao seu amor.

IGMR 47. (Canto de Entrada e Procissão): “A finalidade desse canto é abrir a celebração, promover a união da assembleia, introduzir no mistério do tempo litúrgico ou da festa, e acompanhar a procissão do sacerdote e dos ministros”.
IGMR 49. (Saudação ao Altar): “Chegando ao presbitério, o sacerdote, o diácono e os ministros (sacerdotes) saúdam o altar com uma inclinação profunda (vênia). Em seguida, em sinal de veneração o sacerdote e o diácono beijam o altar”.

Antífona da entrada
Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome nos gloriemos em vosso louvor (Sl 105, 47).

IGMR 50. (Saudação ao Povo Reunido): “Executado o canto de entrada, o sacerdote, de pé junto à cadeira, com toda a assembleia faz o sinal da cruz; a seguir, pela saudação, expressa à comunidade reunida a presença do Senhor. Essa saudação e a resposta do povo exprimem o mistério da Igreja reunida”.
IGMR 51. (Ato Penitencial): “em seguida, o sacerdote convida para o ato penitencial que, após breve pausa de silêncio, é realizado por toda a assembleia através de uma fórmula de confissão geral, e concluído pela absolvição do sacerdote, absolvição que, contudo, não possui a eficácia do sacramento de penitência”.
IGMR 52. (Senhor, Tende Piedade): “Depois do ato penitencial inicia-se sempre o Senhor, tende piedade, a não ser que já tenha sido rezado no próprio ato penitencial”.
IGMR 53. (Glória a Deus nas Alturas): “O Glória é um hino antiquíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro”.

Oração do Dia ou Oração da Coleta
Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

IGMR 54. (Oração do Dia ou Coleta): “A seguir, o sacerdote convida o povo a rezar, todos se conservam em silêncio com o sacerdote por alguns instantes, tomando consciência de que estão na presença de Deus e formulando interiormente os seus pedidos. Depois o sacerdote diz a oração que se costuma chamar “coleta”, pela qual se exprime a índole da celebração. Conforme antiga tradição da Igreja, a oração costuma ser dirigida a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo. … O povo, unindo-se à súplica, faz sua a oração pela aclamação Amém”.

LITURGIA DA PALAVRA

Monição para a(s) Leitura(s)
O Senhor nos corrige para produzir em nós frutos de paz, justiça e santidade. É preciso simplicidade e fé para acolher a Deus e sua sabedoria.

IGMR 55. (Liturgia da Palavra): “A parte principal da liturgia da palavra é constituída pelas leituras da Sagrada Escritura e pelos cantos que ocorrem entre elas, sendo desenvolvida e concluída pela homilia, a profissão de fé e a oração universal ou dos fiéis.
– Nas leituras explanadas pela homilia Deus fala ao seu povo, revela o mistério da redenção e da salvação, e oferece o alimento espiritual; e o próprio Cristo, por sua palavra, se acha presente no meio dos fiéis.
– Pelo silêncio e pelos cantos o povo se apropria dessa Palavra de Deus e a ela adere pela profissão de fé;
– Alimentado por essa palavra (os fiéis), reza na oração universal pelas necessidades de toda a Igreja e pela salvação do mundo inteiro”.
IGMR 56. (O Silêncio): “A liturgia da palavra deve ser celebrada de tal modo que favoreça a meditação; por isso deve ser de todo evitada qualquer pressa que impeça o recolhimento. Integram-na também (liturgia da palavra) breve momentos de silêncio, de acordo com a assembleia reunida, pelos quais, sob a ação do Espírito Santo, se acolhe no coração a Palavra de Deus e se prepara a resposta pela oração. Convém que tais momentos de silêncio sejam observados, por exemplo, antes de se iniciar a própria liturgia da palavra, após a primeira e a segunda leitura, como também após o término da homilia”.
IGMR 57. (Leituras Bíblicas): “Mediante as leituras é preparada para os fiéis a mesa da Palavra de Deus e abrem-se para eles os tesouros da Bíblia”.
IGMR 58.: “Na celebração da Missa com povo, as leituras são sempre proferidas do ambão”.
IGMR 59.: “Por tradição, o ofício de proferir as leituras não é função presidencial, mas ministerial. As leituras sejam, pois, proclamadas pelo leitor, o Evangelho, porém, seja anunciado pelo diácono ou, na sua ausência, por outro sacerdote.
Depois de cada leitura, quem a leu profere a aclamação (Palavra de Deus), e o povo reunido, por sua resposta, presta honra à Palavra de Deus, acolhida com fé e com ânimo agradecido”.
IGMR 61. (Salmo Responsorial): “À primeira leitura segue-se o salmo responsorial, que é parte integrante da liturgia da palavra, constituindo-se em grande importância litúrgica e pastoral, por favorecer a meditação da Palavra de Deus. O Salmo responsorial corresponda a cada leitura e normalmente seja tomado do lecionário. … Se o salmo não puder ser cantado, seja recitado do modo mais apto para favorecer a meditação da Palavra de Deus”.

Monição ou Antífona do Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Minhas ovelhas escutam minha voz; eu as conheço e as me seguem (Jo 10, 27).

IGMR 62. (Aclamação antes da Proclamação do Evangelho): “Após a leitura que antecede imediatamente o Evangelho, canta-se o Aleluia ou outro canto estabelecido pelas rubricas, conforme o tempo litúrgico. Tal aclamação constitui um rito ou ação por si mesma, através do qual a assembleia dos fiéis acolhe o Senhor que lhe vai falar no Evangelho, saúda-o e professa sua fé pelo canto”.
IGMR 60.: “A proclamação do Evangelho constitui o ponto alto da liturgia da palavra. A própria Liturgia ensina que se lhe deve manifestar a maior veneração, uma vez que a cerca mais do que as outras leituras, de honra especial, tanto por parte do ministro delegado para anuncia-la, que se prepara pela bênção ou oração, como por parte dos fiéis que, pelas aclamações, reconhecem e professam que o Cristo está presente e lhes fala, e que ouvem de pé a leitura ou ainda pelos sinais de veneração prestados ao Evangeliário”.
IGMR 65. (Homilia): “A homilia é parte da liturgia e vivamente recomendada, sendo indispensável para nutrir a vida cristã. Convém que seja uma explicação de algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura ou de outro texto Ordinário ou do Próprio da missa do dia, levando em conta tanto o mistério celebrado, como as necessidades particulares dos ouvintes. … Após a homilia convém observar um breve tempo de silêncio”.
IGMR 67. (Profissão de Fé – Creio): “O símbolo ou profissão de fé tem por objetivo levar todo o povo reunido a responder à Palavra de Deus anunciada da Sagrada Escritura e explicada pela homilia, bem como, proclamando a regra da fé por meio da fórmula aprovada para o uso litúrgico, recordar e professar os grandes mistérios da fé, antes de iniciar sua celebração na Eucaristia.”

Oração Universal ou Oração dos Fiéis

IGMR 69. (Oração Universal): “Na oração universal ou oração dos fiéis, o povo responde de certo modo à Palavra de Deus acolhida na fé e exercendo a sua função sacerdotal, eleva preces a Deus pela salvação de todos.”
IGMR 70.: “Normalmente serão estas as séries de intenções:
a) pelas necessidades da Igreja;
b) pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo;
c) pelos que sofrem qualquer dificuldade;
d) pela comunidade local.
No entanto, em alguma celebração especial, tal como Confirmação, Matrimônio, Exéquias, as intenções podem referir-se mais estreitamente àquelas circunstâncias.”
IGMR 71.: “Cabe ao sacerdote celebrante, da cadeira, dirigir a oração. Ele a introduz com breve exortação, convidando os fiéis a rezarem e depois a conclui.
Normalmente as intenções são proferidas, do ambão ou de outro lugar apropriado, pelo diácono, pelo cantor, pelo leitor ou por um fiel leigo”.

LITURGIA EUCARÍSTICA

IGMR 72. (Liturgia Eucarística): “Na última Ceia, Cristo instituiu o sacrifício e a ceia pascal, que tornam continuamente presente na Igreja o sacrifício da cruz, quando o sacerdote, representante do Cristo Senhor, realiza aquilo mesmo que o Senhor fez e entregou aos discípulos para que o fizessem em sua memória.
Cristo, na verdade, tomou o pão e o cálice, deu graças, partiu o pão e deu-o a seus discípulos dizendo: Tomai, comei, bebei: isto é o meu Corpo; este é o meu cálice do meu Sangue. Fazei isto em memória de mim. Por isso a Igreja dispôs toda a celebração da liturgia eucarística em partes que correspondem às palavras e gestos de Cristo. De fato:
a) na preparação dos dons levam-se ao altar o pão e o vinho com água, isto é, aqueles elementos que Cristo tomou em suas mãos.
b) na Oração eucarística rendem-se graças a Deus por toda a obra da salvação e as oferendas tornam-se Corpo e Sangue de Cristo.
c) pela fração do pão e pela Comunhão os fiéis, embora muitos, recebem o Corpo e o Sangue do Senhor de um só pão e de um só cálice, do mesmo modo como os Apóstolos, das mãos do próprio Cristo.”
IGMR 73. (Preparação dos Dons): “No início da liturgia eucarística são levadas ao altar as oferendas que se converterão no Corpo e Sangue de Cristo.
Primeiramente prepara-se o altar ou mesa do Senhor, que é o centro de toda a liturgia eucarística, colocando-se nele o corporal…

Oração sobre as Oferendas
Para vos servir, ó Deus, depositamos nossas oferendas em vosso altar; acolhei-as com bondade, a fim de que se tornem o sacramento da nossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão
Mostrai serena a vossa face ao vosso servo e salvai-me pela vossa compaixão! (Sl 30, 17s).

Oração depois da Comunhão
Renovados pelo sacramento da nossa redenção, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da salvação eterna nos faça progredir na verdadeira fé. Por Cristo, nosso Senhor.

RITOS FINAIS OU RITOS DE ENCERRAMENTO

Ide em Paz!

FONTES DE CONSULTAS E PESQUISAS

Vamos expor a seguir de onde pertencem os textos que nos preenchem todos os dias, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO

FONTE DE CONSULTA LITÚRGICA
IGMR (INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO – 1ª EDIÇÃO / 2008)

REFLITA

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem foi que inspirou essa pessoa a escrever.
O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.
O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que Ele nos pede.
Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é ter discernimento e saber compartilhar o conhecimento.

FONTES DE ORIENTAÇÕES E PESQUISAS DAS REFLEXÕES, ORAÇÕES E COMEMORAÇÕES

(1.1) – Blog Liturgia Diária da Palavra de Deus (Reflexões e Comentários);
(1.2) – Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);
(1.3) – Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);
(5) – Portal Editora Santuário;
(6) – Portal Editora Paulinas;
(7) – Portal e Blog Canção Nova;
(8) – Portal Dom Total;
(9) – Portal Edições Loyola Jesuítas;
(10) – Portal Evangelho Quotidiano;
(11) – Blog Liturgia Diária Comentada;
(12) – Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);
(13) – Portal Catequisar: Catequese Católica;
(14) – Portal Comunidade Católica Nova Aliança;
(15) – Portal Fraternidade O Caminho;
(16) – Portal Evangeli.net;
(17) – Portal Padre Marcelo Rossi;
(18) – Um Novo Caminho;
(19) – Portal Dom Total: Roteiro Homilético;
(20) – Portal de Catequese Católica;
(21) – Blog Homilia Dominical;
(22) – Portal NPD Brasil;
(23) – Portal Canção Nova: Música;
(24) – Portal Editora Paulus;
(25) – Portal Católica Net;
(26) – Portal Católico Orante;
(27) – Rádio Catedral FM 106,7: Liturgia Diária;
(28) – Portal Comunidade Resgate;
(29) – Portal Católico na Net.

MENSAGEM PARA VOCÊ E PARA MIM MESMO

Mais vale o desconforto da VERDADE, do que a comodidade da MENTIRA.
E usando a essência da Oração da Serenidade, devo orar:

Ó meu Deus e Senhor, Pai de misericórdia e Salvação,
que em seu Filho Jesus perdoou os nossos pecados,
e com o seu Santo Espírito, paráclito nesse nosso mundo que caminha conosco,
apenas em Ti posso almejar a vida eterna, socorre-me e ouvi-me:
Se o ERRO está em mim, que DEUS possa me dar a HUMILDADE de aceitar que estou errado.
Que Jesus me dê a SERENIDADE, para aceitar que tem coisas que não posso mudar.
E que o Espírito Santo me dê a CORAGEM, suficiente para mudar aquelas coisas que dependem de mim, mesmo que sejam difíceis.

E para complementar os alicerces de orações da minha vida, faço como o santo Tomás de Aquino:

“Concede-me, Deus misericordioso, que deseje com ardor o que tu aprovas, que o procure com prudência, que o reconheça em verdade, que o cumpra na perfeição, para louvor e glória do teu nome.
Põe ordem na minha vida, ó meu Deus, e permite-me que conheça o que tu queres que eu faça, concede-me que o cumpra como é necessário e como é útil para a minha alma.
Concede-me, Senhor meu Deus, que não me perca no meio da prosperidade nem da adversidade; não deixes que a adversidade me deprima, nem que a prosperidade me exalte.
Que nada me alegre ou me entristeça para além do que conduz a ti.”

Viver CORRETO e falar a VERDADE hoje são tão difíceis quanto na época de Jesus, pois é muito mais fácil aceitar a MENTIRA e fazer o ERRADO.
Viver no CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é o próprio Cristo Jesus, tem que ser uma caminhada diária.
O futuro é desejo e pensamento.
O passado é aprendizado e lembrança.
O hoje é realidade, isso quer dizer: CRISTO.

Meus amigos(as) de coração, meus irmãos(ãs) na fé em Cristo Jesus, lembrem-se:
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
“Não julgues para não seres julgados.”
“A quem é muito dado, muito será cobrado.”

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