Liturgia Diária 08/Mar/15

LITURGIA DIÁRIA DA PALAVRA
08/Mar/2015 (domingo)

O zelo pela casa do Pai

LEITURA: Êxodo (Ex) 20,1-17: O Decálogo
Leitura do Livro do Êxodo:
Naqueles dias: 1 Deus pronunciou todas estas palavras: 2 “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. 3 Não terás outros deuses além de mim. 4 Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que existe em cima, nos céus, ou embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, debaixo da terra. 5 Não te prostrarás diante destes deuses nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento. Castigo a culpa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração dos que me odeiam, 6 mas uso da misericórdia por mil gerações com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. 7 Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará sem castigo quem pronunciar seu nome em vão. 8 Lembra-te de santificar o dia de sábado. 9 Trabalharás durante seis dias e farás todos os teus trabalhos, 10 mas o sétimo dia é sábado dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades. 11 Porque o Senhor fez em seis dias o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou. 12 Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará. 13 Não matarás. 14 Não cometerás adultério. 15 Não furtarás. 16 Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. 17 Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

SALMO: Salmos (Sl) 19 (18), 18, 8. 9. 10. 11: Iahweh, sol de justiça
Jo 6, 68c Senhor, tens palavras de vida eterna.
8 A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.
9 Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.
10 É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.
11 Mais desejáveis do que o ouro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.

LEITURA: 1 Carta de São Paulo aos Coríntios (1 Cor) 1, 22-25: Sabedoria do mundo e sabedoria cristã
Irmãos:
22 Os judeus pedem sinais milagrosos, os gregos procuram sabedoria; 23 nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos. 24 Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, esse Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus. 25 Pois o que é dito insensatez de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é dito fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

EVANGELHO: João (Jo) 2, 13-25:
(2, 13-22: A purificação do Templo)
(2, 23-25: Estada em Jerusalém)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
— Glória a vós, Senhor.
13 Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14 No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15 Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16 E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” 17 Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. 18 Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” 19 Ele respondeu: “Destruí, este Templo, e em três dias o levantarei.” 20 Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?” 21 Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. 22 Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele. 23 Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Vendo os sinais que realizava, muitos creram no seu nome. 24 Mas Jesus não lhes dava crédito, pois ele conhecia a todos; 25 e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser humano, porque ele conhecia o homem por dentro. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial (Querer)
Neste terceiro domingo da quaresma, tempo em que a liturgia nos convida à conversão, reconciliação, vivência fraterna e retorno para Deus, mais uma vez queremos acolher a Palavra.
Peçamos as luzes do Espírito Santo para compreendermos o mistério da vida de Cristo revelado na Palavra de Deus: Senhor Jesus, dá-me um coração simples para compreender a riqueza de ensinamentos escondida em tua Palavra. Envia teu Espírito Santo para que eu não tenha medo de escutá-la e vivê-la conforme a tua vontade. Que a Palavra transforme o meu coração através da fé e confiança que eu deposito em ti. Amém.

Eu sou o CAMINHO (Ler)
Leia o texto pausadamente e procure imaginar a narrativa.
Quem são os personagens?
Qual é atitude de Jesus?
Qual é a importância do templo para o povo?
Sabemos que todos os anos, por ocasião das festas, os peregrinos subiam a Jerusalém. Todo judeu piedoso deveria ir ao templo pelo menos uma vez na vida. O templo era o lugar de louvores, purificação e perdão, a presença de Deus junto ao seu povo. Ao mesmo tempo, esse lugar de oração era também lugar da arrecadação dos tributos e dízimos, abrigava o supremo tribunal e o palácio do governo. Os ritos de purificação e de expiação diários, favoreciam um grande comércio, de modo que na entrada do templo encontravam-se muitos comerciantes de animais e cambistas. Ou seja, o elemento religioso e a exploração dividiam o mesmo espaço.
A atitude de Jesus de expulsar vendedores e seus animais, espalhar o dinheiro dos cambistas e pedir para os vendedores de pombas se retirarem foi uma crítica ao sistema de exploração religiosa que estava sendo realizado no templo.

A VERDADE (Refletir)
O que o texto diz para mim?
Como compreendo os ensinamentos de Jesus?
Algumas palavras do autor Valter Goedert, em seu livro Convertei-vos e crede no Evangelho, nos ajudam a compreender melhor o Evangelho de hoje aplicado à nossa vida: “Jesus é a casa do Pai, a imagem do Deus invisível (cf. Cl 1, 15). É templo de Deus vivo, do qual o Templo de Jerusalém e todos os demais templos são figura (cf. Jo 2, 19). Profanar a figura é desmerecer a realidade. Não podemos fazer deste templo motivo de interesses próprios, busca de vantagens materiais e pessoais (cf. Jo 2, 16). Jesus nos conhece por dentro, mais do que nós próprios nos conhecemos (cf. Jo 2, 25). Somente nos conheceremos em profundidade quando entrarmos em seu mistério. Se formos conhecidos por Deus, sua sabedoria nos conduzirá: “Senhor, tu me examinas e me conheces. Sabes quando me sento e quando me levanto. Penetras de longe meus pensamentos, distingues meu caminho e meu descanso, sabes todas as minhas trilhas” (cf. Sl 139, 1-3)”.
– O que você mais admira em Jesus?
É difícil ressaltar algo, não é mesmo!
– Quando Jesus se mostrou muito amável em sua vida? (Cite um fato apenas).
– Sua comunidade cuida bem da casa de Deus, a igreja?
– Vê sempre em seu próximo o templo de Deus?
– Consegue sempre se controlar, evitando irritar-se?

E a VIDA (Orar)
Ofereça ao Senhor os frutos da sua oração, da sua meditação e contemplação da Palavra. Apresente o desejo que brotou em seu coração e peça a graça de vivê-lo durante o dia. Faça sua prece de agradecimento ou pedido.
Conclua com a oração da Campanha da Fraternidade: Ó Pai, alegria e esperança de vosso povo, vós conduzis a Igreja, servidora da vida, nos caminhos da história. A exemplo de Jesus Cristo e ouvindo sua palavra que chama à conversão, seja vossa Igreja testemunha viva de fraternidade e de liberdade, de justiça e de paz. Enviai o vosso Espírito da verdade para que a sociedade se abra à aurora de um mundo justo e solidário, sinal do reino que há de vir. Por Cristo Senhor nosso. Amém.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (Agir)
Qual é a aplicação da Palavra em minha vida?
O que me proponho a viver?
Como vou atingir este propósito?

REFLEXÕES

(6) – JESUS É O LUGAR EM QUE DEUS HABITA
O decálogo que temos na primeira leitura, no Pentateuco, vem depois dos relatos da criação e da libertação do povo de Deus do Egito. Isso significa que o decálogo está a serviço da vida e da liberdade, e é exatamente isso que o Decálogo visa colocar na vida de quem o pratica. Com as nuances próprias a cada evangelista, o episódio da purificação do Templo encontra-se também nos evangelhos sinóticos (Mt 21, 12-13; Mc 11, 11.15-17; Lc 9, 45-46).
Era escandaloso o que acontecia no Templo, de modo especial nas grandes festas judaicas e, sobretudo, na Páscoa. Os sumos sacerdotes e toda a aristocracia ligada ao Templo se aproveitavam das festas religiosas para intensificar o comércio e, consequentemente, o câmbio de moedas. Aproveitavam-se da obrigatoriedade que todo judeu piedoso tinha de oferecer sacrifícios e das longas distâncias que os peregrinos percorriam para chegarem a Jerusalém, a fim de comercializarem todo tipo de animais prescritos pela Lei para serem oferecidos em sacrifício. Além disso, a moeda para a compra tinha de ser pura, isto é, não podia conter nenhuma efígie ou inscrição que pudesse denotar idolatria. Daí a necessidade de os compradores terem de trocar suas moedas pela moeda “pura” do Templo de Jerusalém, inclusive para fazerem as ofertas voluntárias depositadas nos cofres (cf. Lc 21, 1-4). A cena é dramática: com um chicote, Jesus expulsa do Templo comerciantes e cambistas. A razão da atitude de Jesus, sentida como violenta pelos judeus, é dada pela evocação de uma passagem do Profeta Zacarias: “… Já não haverá mercadores no Templo do Senhor dos exércitos” (Zc 14, 21), e pela recordação dos discípulos que encontram no Sl 69, 10 uma justificativa para o que Jesus fez. A pergunta dos judeus a Jesus é pelo significado do gesto. Ao que Jesus responde que o templo construído por mãos humanas será destruído e passará, revelando um novo lugar da habitação de Deus. Em Jesus aprouve a Deus habitar com a plenitude de sua graça (cf. Jo 1, 14). Jesus é o verdadeiro Templo, o lugar em que Deus habita; onde Ele é encontrado e se deixa encontrar. Ele é que será destruído, na morte violenta numa cruz, mas reerguido pelo poder de Deus, com sua gloriosa ressurreição. O anúncio da destruição do Templo de Jerusalém é anúncio, igualmente, da abolição dos sacrifícios antigos, pois eles não podiam salvar os homens de seus pecados; somente o Cristo que ofereceu o sacrifício de sua vida de uma vez por todas e entrou no santuário eterno é que salva a toda a humanidade (cf. Hb 9, 1-14; 10, 11-18). Na morte de Cristo na cruz, o véu do santuário se rasga de cima a baixo. Esse é o anúncio da destruição do Templo. O verdadeiro santuário é o corpo de Jesus que foi destruído, mas Deus, no seu imenso amor, transformou esse fato injusto em ocasião de vitória sobre o mal e a morte.
Oração:
Jesus, divino Mestre, nós vos adoramos, Filho unigênito de Deus, vindo ao mundo para dar aos homens a vida em plenitude.
Padre Carlos Alberto Contieri

(8) – AS COISAS DE DEUS
A imagem de Jesus com o chicote em punho, expulsando do templo de Jerusalém cambistas e comerciantes, não bate com a do Jesus manso e humilde transmitida, pelo imaginário cristão. Não é fácil pensá-lo irado e violento.
Por que Jesus se indignou tanto diante do templo profanado?
A resposta, à primeira vista, poderia ser: porque a casa do Pai foi transformada em mercado. A motivação, porém, parece ser outra: porque a religião estava sendo instrumentalizada e acabava acobertando injustiça e extorsão, especialmente, contra os mais pobres; porque o Pai havia sido transformado num deus conivente com a maldade; porque o templo, enquanto lugar da fraternidade e da acolhida, tinha sido transformado em ponto de exploração e enriquecimento ilícito; porque, enfim, a fé perdera a sua profundidade e os fiéis tinham-se tornado vítimas da ganância dos ricos. Nisto consistia a profanação da casa de Deus e da religião. E Jesus não suportava que as coisas do Pai fossem tratadas assim.
A profanação das coisas divinas, porém, iria atingir seu grau mais elevado, com a morte ignominiosa de Jesus na cruz. Matar o Filho de Deus correspondia à determinação de destruir o verdadeiro templo. Jesus, porém, estava seguro de que o templo-Filho seria reconstruído. O templo material, ao invés, estava fadado à ruína completa.
Oração:
Senhor Jesus, que eu tenha pelas coisas do Pai o mesmo zelo que tiveste, sabendo reconhecer as exigências práticas da minha fé.
Padre Jaldemir Vitório

(9) – BOA NOVA PARA CADA DIA
O PODER DE DEUS SE MANIFESTA NA MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS. É O PODER DO AMOR MISERICORDIOSO QUE NO PERDÃO VENCE A MORTE E NOS DÁ A VIDA.
Um dia Jesus disse que não veio abolir a Lei nem os Profetas (Mt 5, 17-19), mas dar-lhes aperfeiçoamento e pleno cumprimento.
Para nós é um pouco difícil entender o que Jesus quis dizer.
O motivo pode ser que imaginemos Jesus simplesmente confirmando a religião israelita daquele tempo, sem introduzir nenhuma novidade que mais tarde caracterizou o cristianismo tal como o conhecemos hoje.
Sabemos que Jesus não aceitou certas invenções dos rabinos e mestres da Lei de seu tempo. Eles tinham acrescentado à Lei de Moisés 613 “preceitos”, não “mandamentos de Deus”. No entanto, obrigavam o povo a segui-los rigorosamente.
Desses 613 preceitos, 365 eram proibições de ações consideradas erradas porque afetariam o cumprimento de um dos Mandamentos de Deus.
Havia ainda 248 preceitos, número correspondente às articulações do corpo humano.
Todas estas formas de “observância estrita” pareciam certas para a maioria da população. Mas eram as pessoas simples as que mais sofriam.
Quem, por exemplo, num país desértico, podia tomar banho ou se aspergir com água, cada vez que voltava da rua para a casa, como o faziam os “zelosos” fariseus? (Mt 7, 4). A água era escassa e sua busca nas fontes, trabalhosa. Muitas fontes ficavam longe das casas. Como podiam lavar as mãos com frequência exigida por aqueles preceitos?
Mesmo tendo aparência de bem, aqueles preceitos eram resultado de um zelo indiscreto e contra a caridade. Quem os inventara tinha uma segunda intenção: pela sua prática serem considerados mais santos do que o povo comum.
Jesus foi claro: esses preceitos eram um fardo para os israelitas. Ele mesmo não os observava, e nem exigia que seus discípulos os cumprissem. Pelo contrário, ofereceu como alternativa a retidão de consciência no interior do coração e no comportamento exterior. Ele oferecia o amor a Deus e ao próximo como a melhor maneira de agradar a Deus e a todos. Seu fardo, portanto, era leve: Mt 11, 30. E assim era o Reino de Deus. Deus não queria uma religião que torturasse as pessoas sem conduzi-las à sincera conversão.
Agindo desta maneira, Jesus deu uma reorientação correta à observância da Lei e dos Profetas.
Evangelho de hoje nos mostra Jesus tomado pelo zelo no culto devido a Deus em Seu Templo. Apesar de tantos preceitos, os sumos sacerdotes não criticavam as pessoas que faziam comércio no átrio do Templo, porque eles recebiam dos cambistas uma quantia em troca de seu favorecimento errado.
Jesus expulsou os vendilhões do Templo, dizendo que tinham transformado a Casa de Seu Pai em mercado, em casa de câmbio de moedas de muitos países, uma bolsa de valores. A algazarra naquele átrio devia ser ensurdecedora. Quem desejasse entrar no Templo para seu encontro com Deus não dispunha de silêncio. De casa de oração o Templo era um lugar de confusão. Jesus não podia, absolutamente, admitir aquilo.
Quem de nós teria a coragem de expulsar os vendedores de quinquilharias em volta de nossas igrejas e santuários importantes?
Quanto comércio não existe em torno de centros de peregrinação famosos?
Isto seria conforme o pensamento de Jesus?
Ele não repreenderia muitos bispos, párocos e religiosos por este motivo?
Depois que Jesus expulsou os vendilhões do Templo, os chefes judeus vieram pedir-lhe “prestação de contas”. E perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” (Jo 2, 18).
Os judeus sempre pediam a seus profetas sinais milagrosos para confirmar que eram enviados por Deus. De Jesus pediram sinais mais de uma vez. Mas desta, Ele apenas acenou para o que seria o Seu sinal definitivo de que fora enviado por Deus: Sua Ressurreição. A maneira em que fez isto, porém, não foi entendida pelos judeus. Na verdade, àquela altura dos conflitos de Jesus com os judeus nada se mudaria: eles já tinham decidido matar Jesus.
Jesus lhes disse: “Destruí este Templo, e em três dias o levantarei” (Jo 2, 19).
É claro que os judeus nada entenderam. E os discípulos muito menos, naquela ocasião. Somente depois que Jesus ressuscitou é que identificaram o verdadeiro Templo de Deus no corpo ressuscitado de Jesus (Jo 2, 21).
Os judeus destruíram o Templo, o corpo de Jesus, sua vida e existência humana.
Isto aconteceu porque Jesus mesmo, que era senhor de sua vida e de sua morte (Jo 10, 18) podia aceitar morrer quando chegasse a sua hora (Jo 7, 30).
Mas o mais importante é saber que chegada sua hora, Jesus aceitou a vontade do Pai contra seu temor normal num ser humano:
“[…] Pai, se queres, afasta de mim este cálice; entretanto, não seja feita a minha vontade, mas o que Tu desejas!” (Lc 22, 42).
Pregado na Cruz, antes de morrer, Jesus disse: “Está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito (Jo 19, 30).
Foi neste momento que Jesus cumpriu completamente a Lei do amor e obediência a Deus. Ele não viera para aboli-la, nem aos Profetas.
Notemos como Jesus mesmo entendeu este cumprimento da Lei e dos Profetas: Ele assumiu para si a obrigação de todo o Povo Eleito e de toda a humanidade. Ele se tornou assim o gênero humano, Adão, e o Israel que o Pai sempre quis: obediente, reparador do pecado de Adão e Eva.
A morte de Jesus, portanto, tem um alcance muito maior do que habitualmente calculamos. O poder redentor da morte de Jesus é universal, para toda a humanidade e para todos os séculos.
Na Primeira Leitura pudemos ouvir os dez Mandamentos conforme o texto original hebraico. Estão em Ex 20, 1-3.7-8.12-17.
Aí está o essencial da Lei de Deus que Jesus cumpriu ao aceitar sua Paixão e sua Morte. Ele tinha aprendido, desde sua infância, todos os Mandamentos através do exemplo de sua Mãe santíssima, e de seu pai adotivo José. Desde criança aprendera em tudo a cumprir a vontade de Deus. Por isso, um dia, disse aos seus discípulos: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra” (Jo 4, 34).
A vontade do Pai moldou no homem Jesus uma personalidade particular e única. Ele era um homem santo. Santo para os padrões humanos, mas muito mais ao olhar de Deus Pai. Ao olhar dos seres invisíveis, a santidade de Jesus Cristo era a mesma que Deus Pai tinha.
No Evangelho de Marcos 1, 23-24 está escrito:
E estava na sinagoga deles um homem com um espírito imundo, o qual exclamou, 24. dizendo: ‘que temos contigo, Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus’.
Foi com esta santidade e obediência à vontade de Deus que o Pai o qualificou para cumprir plenamente a Lei. Portanto, Ele não a aboliu. Ele a cumpriu.
Na Segunda Leitura de hoje São Paulo se queixa da conhecida exigência dos judeus: a de pedir sinais para comprovar sua missão de homem enviado por Deus.
Como São Paulo não escapou desta exigência, deu uma resposta aos judeus de seu tempo, fundado na resposta do próprio Jesus que morreu na Cruz. Este, disse São Paulo, foi o maior sinal que Jesus poderia dar aos judeus. Eles o interpretaram como fraqueza daquele que, segundo eles, pretendia ser o Messias. Mas morreu desprezado como um criminoso. Que tipo de Messias era esse, em quem o poder de Deus não se manifestou?
São Paulo disse aos judeus que esta ‘fraqueza’ de Deus era mais poderosa que todo poder que os homens pudessem ter. O poder de Deus foi revelado na Ressurreição de Jesus dos mortos (1Cor 1,24-25). Qual homem teria um poder como esse, considerado ‘fraqueza’ divina?
Foi assim que Jesus se mostrou vitorioso sobre seus inimigos: foi Ele quem observou a Lei e os Profetas da maneira mais completa e definitiva. O que para os judeus era derrota de Jesus, para os cristãos era sua vitória. São Paulo ainda escreveu em Filipenses 2, 8-11:
E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! 9. Por isso Deus o exaltou e lhe deu o Nome que está acima de todo Nome, 10. para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, 11. e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.
São Paulo tinha razão explicando este tipo de ‘fraqueza de Deus’, que elevou Jesus Cristo à glória do título recebido do Pai: Senhor. Deus lhe deu o poder de julgar os vivos e os mortos no Dia de Sua Vinda Gloriosa. Ele, finalmente, julgará com misericórdia e justiça os judeus que foram seus inimigos na terra, pelos quais pediu o perdão do Pai (Lc 23, 34). A maior expressão do poder de Deus está em seu perdão amoroso dos pecadores.
Na vitória de Jesus, revelada em Sua Ressurreição, Jesus demonstrou o que sobre Ele foi profetizado no Salmo Responsorial de hoje [Sl 18(19), 8-9]:
A Lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes. 9. Os Mandamentos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O Mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.
Com Jesus Ressuscitado rezemos este Salmo Responsorial, demonstrando a Deus nossa vontade de identificar a nossa com a Dele. Esta foi a alegria de Jesus ao rezar este salmo desde criança. Sintamos com Ele esta mesma alegria.
Padre Valdir Marques

(10) – ELE FALAVA DO TEMPLO QUE É O SEU CORPO
«Destruí este templo e em três dias Eu o levantarei!» […] Tanto um como outro, tanto o templo como o corpo de Jesus, são, a meu ver, símbolos da Igreja. […] O templo será restaurado e o corpo ressuscitará ao terceiro dia. […] Porque ao terceiro dia surgirá um novo céu e uma nova terra (2 Pd 3, 13), quando os ossos ressequidos, quer dizer, toda a casa de Israel (Ez 37, 11), voltarem a ser revestidos no grande dia do Senhor, e a morte for vencida. […]
Da mesma maneira que o corpo de Jesus, sujeito à condição humana vulnerável, foi pregado na cruz e sepultado, e depois foi novamente erguido, assim também o corpo total dos fiéis foi «crucificado com Cristo» e agora «já não é ele que vive» (Gal 2, 19). Com efeito, tal como Paulo, nenhum dos fiéis se gloria de nada senão da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, que fez de cada um deles um crucificado para o mundo e do mundo um crucificado para ele (Gal 6, 14). […] «Porque nós fomos sepultados com Cristo» diz Paulo; e acrescenta, como se tivesse recebido um penhor de ressurreição: «Ressuscitaremos com Ele» (Rm 6, 4-9). Todos nós temos, pois, uma vida nova, mas que ainda não é a ressurreição bem-aventurada e perfeita. […] Quem é hoje sepultado, um dia ressuscitará.
Orígenes (c. 185-253)

(11.1) – DESTRUIREI ESTE TEMPLO E EM TRÊS DIAS EU O LEVANTAREI!
A cada dia desta nossa caminhada quaresmal, vamos mergulhando cada vez mais no mistério do amor do Pai, ajustando os nossos passos nos de Jesus!
Como caminheiros da esperança, que caminha rumo a uma nova Jerusalém, queremos saciar a nossa sede, bebendo da água viva que jorra do coração misericordioso de Jesus!
A liturgia deste tempo especial, nos convida a percorrer o mesmo caminho que Jesus percorreu, um percurso que deve ser marcado pelo acentuar da nossa vida de oração, pelo jejum do pecado, pela meditação da palavra de Deus e principalmente pelo nosso propósito de conversão.
O evangelho de hoje, chama a nossa atenção para a importância de cuidarmos bem do nosso interior, de eliminarmos tudo que nos impede de fazer do nosso coração um templo sagrado onde Jesus possa habitar e agir no mundo através de nós!
No texto, podemos perceber claramente a indignação de Jesus diante a tamanha inversão de valores: um templo, isto é, um lugar de oração, onde deveria ser um local de encontro de irmãos, sendo transformado num lugar de comercio, de exploração!
Indignado, Jesus age repentinamente expulsando os vendedores e os animais. O interessante, é que com as pombas, Jesus foi menos duro, não as expulsou, apenas pediu que as retirassem dali, certamente em respeito aos pobres, pois as pombas, eram as oferendas dos pobres ao Templo!
É importante conscientizarmos de que a preocupação de Jesus, não era com o templo de pedra em si, e sim, com o templo de pedra viva que é a vida humana! Jesus conhecia a esperteza dos guardiões do templo, sabia que eles aproveitavam aquela casa de oração para explorar o povo, principalmente os mais pobres, eram lobos vestidos de ovelhas!
Sempre que deparamos com este evangelho, é comum ficarmos centrados na atitude dura de Jesus ao expulsar os vendilhões do templo, e com isso não meditamos o cerne do evangelho, que é a apresentação de Jesus como o verdadeiro Templo de Deus! Jesus se apresenta como templo vivo de Deus, quando Ele diz: “Destruí este templo, e em três dias o levantarei.” Com essas palavras, Jesus fez menção a sua morte e ressurreição. Ele se apresentava com o templo de Deus, mas esta apresentação, não foi reconhecida por aqueles que estavam voltados somente para as coisas materiais.
Enquanto Jesus falava do templo vivo de Deus que era Ele mesmo, eles estavam voltados para o templo de “pedra”, ou seja, para as coisas materiais! O que pode acontecer conosco também, não reconhecermos Jesus como o Senhor da nossa vida, por estarmos voltados para as coisas materiais!
“O zelo pela casa do meu Pai me consumirá”, estas palavras, descritas nas escrituras, prenunciavam o caminho da Cruz que seria percorrido por Jesus! Hoje, nós sabemos que foi o seu zelo pelo o que é do Pai, isto é, o Zelo pelo o humano, que levou Jesus à morte! Sabemos também, que foi o amor do Pai pela humanidade, que ressuscitou Jesus!
A cultura dos tempos atuais nos induz a valorizar mais o externo, e assim, vamos deixando de cuidar do principal que é o nosso interior, é do nosso interior que vem o amor que nos une como irmãos! Façamos a diferença no mundo, transformando o nosso coração de pedra num coração de carne, nos comprometendo com a construção e a conservação do templo vivo de Deus que é o nosso coração! Cuidemos deste templo, cuidando uns dos outros, para que Deus possa fazer morada no meu e no seu coração!
FIQUE NA PAZ DE JESUS!
Olívia Coutinho

(11.2) – JESUS É O NOVO TEMPLO
PRIMEIRA LEITURA:
Eu sou o Senhor teu Deus, e não terás outros deuses além de mim. O mundo está cheio de deuses falsos, mentirosos, e até satânicos. O dinheiro, o poder, o celular, o computador, a garrafa de vodca, cigarros de folhas verdes e secas, o pó, a pedra no cachimbo improvisado, o carro possante, a moto de 1500 cilindradas, a loira, a morena…
Na ânsia louca de substituir Deus, o ser humano comete as maiores loucuras! Mas o que consegue é somente se matar em doses homeopáticas, ou mesmo aceleradas. Muitos jovens já estão mais velhos que seus pais. O desgaste causado pelas aventuras em busca de um delírio extasiante, acaba distorcendo a realidade fora e dentro de si.
Por outro lado, os filhos da luz se desesperam em busca de soluções imediatas e impacientes diante da lentidão com que Deus olha por nós, tornam-se insensíveis e não enxergam a presença de Deus agindo do seu jeito bem aqui no meio de nós. Os devotos rezam e rezam, e aplicam ao Reino de Deus os seus cálculos mundanos exigindo soluções rápidas, espetaculares e eficazes tudo isso de acordo com a ótica humana. E logo se decepcionam por não conseguirem soluções prontas e imediatas, entendendo com isso que Deus está dormindo ou coisa desse tipo, acham que o Pai se esqueceu de nós, por Ele não apressar o ritmo da implantação do Reino definitivo e sustentável para os seus filhos.
Ora, é importante entender ou lembrar que a construção do Reino de Deus acontece através da união da ação divina com a ação humana. Deus hoje age no mundo através de nós principalmente os seus escolhidos. Mas para que isso aconteça, é indispensável que façamos a nossa parte. O resto fica por conta de Deus.
Quando é que vamos nos conscientizar que o tempo e o agir de Deus é diferente do nosso?

SEGUNDA LEITURA:
Enquanto uns pedem soluções ou sinais milagrosos para a triste realidade a que estamos vivendo, outros apelam para a sabedoria. Seja uma solução científica, uma solução da biomédica, ou mesmo da sabedoria de Deus para que possamos restabelecer o equilíbrio das forças sociais e diabólicas que agem e interagem na dinâmica de uma sociedade decadente: A maconha está sendo liberada, o adultério não é mais crime em alguns países, o menor pode matar, o desvio do dinheiro público não tem punição, entre outras liberalidades da conduta sexual, as quais nem é bom a gente especificar pois pode-se ser enquadrado como discriminação…
E nós, que somos aqueles que muitos olham esperando que façamos alguma coisa que realmente promova uma solução calma, porém firme e verdadeira diante de todo esse caos, o que nós estamos fazendo? Estamos pregando um Cristo crucificado? Ou estamos anunciando um Cristo ressuscitado, que está no meio de nós? É preciso reavaliar os nossos sermões. Será que ficamos enrolando com palavras ingênuas e repetitivas, trocando o cérebro pelo coração? Ora, o coração é uma bomba. Ele não pensa, não sente emoções e nem muito menos peca. Tudo isso acontece no cérebro e pode afetar tragicamente a nossa alma. O fato do nosso coração bater forte quando estamos emocionados, não significa que as emoções acontecem no coração.
A nossa catequese precisa ser otimista, mas não de um otimismo ingênuo, sentimental, portanto, sem efeito positivo para o mundo de hoje.
Enquanto ficarmos anunciando um Jesus morto estamos correndo parados. Ao contrário, se em vez disso mostrarmos à sociedade um Jesus vivo e atuante no mundo através dos seus escolhidos, estamos avançando para a construção do Reino, para a construção de um mundo melhor, ou pelo menos, um mundo menos violento e menos corrupto e injusto.
Que o nosso Deus forte, sensato, sábio, imortal e presente entre nós nos oriente em como falar dele de modo mais efetivo, de uma forma que contribua para a conversão definitiva do nosso irmão, da nossa irmã. Amém!

EVANGELHO:
No Evangelho deste domingo, deparamos com um Jesus indignado, irado (cheio de energia), revoltado de ver a Casa de seu Pai que foi feita para a oração e a busca de Deus, estar sendo usada para o comércio.
Jesus disse que destruiria aquele templo e o reconstruiria em três dias, mas ninguém entendeu nada, nem mesmo os discípulos. Estes só entenderam depois de sua ressurreição. Pois Jesus estava se referindo ao seu corpo, que passou a ser um novo templo de encontro com o Pai. Pois só por meio dele chegaremos a Deus.
Os vendilhões do templo transformaram a sua casa em uma casa de comércio. Existem muitas religiões hoje nas quais se fala muito pouco do Evangelho e fala muito sobre dinheiro. Dizem que Deus nos quer ricos, pedem dinheiro a todo instante aos que ali vão em busca de curas mirabolantes, e voltam frustrados para suas casas. Nessas supostas igrejas, a pastoral do dízimo é a mais importante. Eles amedrontam os “fiéis” ou clientes, dizendo que para se salvar é necessário dar mais dinheiro a Deus, ou seja, a eles.
Isso é um absurdo! A religião não pode ser usada como meio de ganhar dinheiro, como faziam os doutores da lei e todos os demais membros da elite judaica. Não podemos explorar a ingenuidade dos humildes de baixa renda, e sob ameaças de condenação eterna, tirar o seu pobre dinheirinho. E pensar que tem muita gente fazendo isso ainda hoje! E tudo isso é feito em nome de Jesus. Os judeus apresentavam um deus que exigia a contribuição do pobre, e era tolerante com os abusos e injustiças dos ricos. Hoje também, essas tais religiões que pregam a prosperidade econômica, apresentam uma imagem distorcida de Deus. Eles inventaram um deus que quer que sejamos ricos. Um deus que exige o seu depósito nas contas bancárias daqueles que se autonomeiam “bispos”, e pastores.
Caríssimos. Catequista que pede dinheiro não é catequista, mas sim, esperto, e ambicioso comerciante. Pois a graça de Deus não se vende. “De graça recebestes, de graça devereis dar”. O verdadeiro catequista está interessado em mudar o mundo para melhor, através da conversão do seu irmão, e não em ficar rico. Porém, o sustendo do padre é de inteira responsabilidade nossa. E assim, se a catequese for eficiente, nós estaremos conscientes dessa responsabilidade. E nem precisa pedir dinheiro para um cristão que está ciente do seu dever. Ele vai colaborar automaticamente, naturalmente.
Ninguém imaginava que o dócil Jesus fosse um dia se indignar contra uma situação de injustiça, ao ponto de derrubar as mesas dos cambistas no camelódromo do Templo. Mas com aquele gesto, O Filho de Deus quer nos mostrar que o cristão não é aquele cara bonzinho, ou bobinho, que deixa todos pisar nele. Santidade não é bem isso. Santidade também é indignar-se com as injustiças, com a corrupção, com os salários injustos, com a pedofilia, com o roubo do dinheiro público, com o Estatuto do Menor, e com toda impunidade que gera violência gratuita. Se você é um desses revoltados contra o abuso dos fora do Plano de Deus, não se sinta culpado, mas pelo contrário. Sinta-se um imitador de Cristo.
Vai lá. Jesus te ama e te chama para corrigir o irmão que vive errado. Pois se você não repreender o erro do seu irmão, passará a fazer parte do erro dele. É como acolher em sua casa um fugitivo da lei.
Bom domingo!
José Salviano

(11.3) – SOMOS A CASA DO SENHOR
Êxodo 20, 1-17 – “os mandamentos são uma prova do amor de Deus”
A liturgia de hoje nos leva a refletir sobre como estamos vivendo os mandamentos que o Senhor nosso Deus nos deixou para termos uma verdadeira vida aqui na terra. Deus nos deu os mandamentos não como peso, mas para garantir-nos a felicidade e bem estar e, ao mesmo tempo, podermos obter sucesso nos nossos empreendimentos. Portanto, devemos distinguir os mandamentos da Lei de Deus como uma prova do Seu amor e da Sua misericórdia para conosco. Ele nos ensina e nos adverte, porém, quando erramos, Ele usa de clemência e de compaixão para conosco. Deus é muito maior do que a nossa culpa. Ele quer apenas que tenhamos uma vida feliz!
Identifique NESTA LEITURA OS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS E reflita-os um a um, como você tem agido em relação a eles e anote no SEU CADERNO DE ORAÇÃO.
OS DEZ MANDAMENTOS:
1°) AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS;
2°) NÃO TOMAR SEU SANTO NOME EM VÃO;
3°) GUARDAR DOMINGOS E FESTAS DE GUARDA;
4°) HONRAR PAI E MÃE;
5°) NÃO MATAR;
6°) NÃO PECAR CONTRA A CASTIDADE;
7°) NÃO ROUBAR;
8°) NÃO LEVANTAR FALSO TESTEMUNHO;
9°) NÃO DESEJAR A MULHER DO PRÓXIMO;
10°) NÃO COBIÇAR AS COISAS ALHEIAS

Salmo 18 – “Senhor, tens palavras de vida eterna”
Precisamos cada vez mais saborear a lei do Senhor para que a nossa alma possa sentir o conforto e o nosso coração possa alegrar-se. O mandamento do Senhor é uma luz para a nossa caminhada, é um farol que ilumina a nossa frente e nos faz perceber todas as riquezas que Ele providencia a cada dia na nossa vida. O sabor da Palavra de Deus, nós só poderemos sentir com a ajuda do Espírito Santo, pois, é Ele quem nos convence iluminando a nossa inteligência.

1 Cor 1, 22-25 – “A insensatez de Deus é sabedoria”
Nós somos fracos no entendimento das coisas do alto, por isso, às vezes, não percebemos com a nossa razão humana os mistérios de Deus. Porém o Senhor nos dá a sabedoria para que possamos acolher a Sua “insensatez”, isto é, a Sua maneira de nos amar até a morte de Cruz. A insensatez de Deus é mais sábia que a sabedoria dos homens e, a Sua fraqueza, é mais forte que a fortaleza dos homens. Portanto, o que para o mundo é escândalo, para nós que somos de Cristo, é AMOR. Cristo crucificado é escândalo para aqueles que o rejeitam, mas para nós Ele é o sinal de Deus e da Sua sabedoria. Se o nosso sinal é Cristo crucificado, nós precisamos também com Ele, deixarmos crucificar a nossa mentalidade mundana assumindo a Sabedoria que vem do alto, a fim de também, com Cristo, ressuscitarmos para uma vida nova.
– Você já percebe o valor do mistério da Redenção: paixão, morte e ressurreição de Jesus?
– Você sente os efeitos do sacrifício de Jesus na sua vida?
– Você já acolheu a Cruz de Jesus?
– Como?
– Como você se sente: forte ou fraco (a)?

Evangelho – João 2, 13-25 – “Somos a casa do Senhor”
Ao mesmo tempo em que devemos respeitar a casa de Deus como um lugar sagrado, de recolhimento e oração, também precisamos fazer do nosso interior, um templo sagrado onde habita Deus. Cada um de nós é templo do Espírito Santo e morada de Deus. Somos a casa do Senhor, no entanto, abrigamos também dentro do nosso coração como que um verdadeiro comércio: roubos, malquerenças, divisões, julgamentos, maquinações, interesses, mágoas, inveja, etc. etc. etc.
Dentro de nós estão os vendedores de bois, os cambistas, e toda espécie de gente ruim. Assim como Jesus expulsou os vendilhões do templo, nós também com toda determinação necessitamos expulsar do nosso coração tudo o que possa transformar o nosso interior numa casa de negócios, onde paire os pensamentos maus, interesseiros e as más intenções. O cuidado que devemos ter com a nossa morada interior onde Deus habita deve consumir os nossos dias. Não podemos em nenhum momento relaxar na vigilância diante do que falamos, do que pensamos ou imaginamos, assim como também, com tudo que possa corromper a nossa consciência. Os nossos pensamentos motivam os nossos sentimentos e estes, determinam as nossas ações. Jesus conhece o nosso coração: Ele quer fazer uma devassa em nós para nos livrar também de tudo o que nos enfeia e nos torna sujos e desarrumados.
– Abra as portas do seu coração e deixe que o Senhor nesta quaresma faça em você uma limpeza geral.
– O que tem ocupado os seus pensamentos?
– As sugestões que partem do seu interior têm sido salutares para a sua vida e a dos seus irmãos?
– Você guarda ódio e ressentimentos?
– Você tem um coração alegre e confiante em Deus?
Helena Serpa

(11.4) – JESUS É O NOVO
Jesus sabendo do que os judeus e as pessoas pensam e fazem do templo e da festa da páscoa, Ele se levanta e dá um novo direcionamento daquilo que seria a verdadeira adoração e pureza. E sobretudo a nova relação para com o verdadeiro templo. Assim, no Evangelho de João, Jesus denuncia o sistema do templo como negação do projeto de Deus. Com a expressão “a Páscoa dos judeus”, João nos dá veladamente a conhecer que esta não é a festa de Jesus. A verdadeira Páscoa não consiste no que eles faziam.
Senão vejamos: Jesus está em Jerusalém, durante a Festa da Páscoa, muitos creem nele porque viram os milagres que ele fazia. Mas Ele não confia neles, pois os conhecia muito bem. E ninguém precisava falar com Ele sobre qualquer pessoa, pois ele sabia o que cada pessoa pensava.
No episódio da expulsão dos vendilhões do templo de Jerusalém, ao se referir à sua ressurreição, Jesus deixou claro que Ele era o templo novo e definitivo. Do templo de pedra se passou à noção do templo espiritual. Depois de sua vitória sobre a morte, ressuscitando imortal e impassível, esse corpo, sinal da presença divina neste mundo, conhecendo um novo estado transfigurado, permitirá sua presença em todos os lugares e em todos os séculos através da Eucaristia.
Do antigo templo de Jerusalém nada restará e a destruição da Cidade de Davi no ano de 70 será o sinal de que a casa projetada por Davi e edificada por Salomão tinha cumprido sua missão profética. São Paulo captou esta mensagem de maneira maravilhosa e nas suas Cartas demonstrou que o cristão é ele próprio templo de Deus por ser membro do Corpo de Cristo. E diz aos Coríntios: “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?” (1 Cor 6,15) e explicará aos Efésios que os batizados são “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. É nele que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um templo santo no Senhor. É nele que também vós outros entrais conjuntamente, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus” (Ef 2,20-22). Se Jesus exigiu respeito ao templo edificado pelos homens, muito mais ele requer acatamento para com a casa espiritual que é o seu seguidor: “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá.
Porque o templo de Deus é sagrado – e isto sois vós” (1 Cor 3,17). Indaga então: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?” (1Cor 6,19). O templo de Jerusalém era uma prefiguração, indicativa, mas sombra, da realidade que se daria para os cristãos.
Cumpre, portanto, a cada batizado embelezar esta casa de Deus com a prática das virtudes. Aí está o alicerce para um namoro e casamento cristão e santo, a base do respeito ao próprio corpo, o fundamento da fuga da bebida, das drogas e de qualquer imoralidade. Para tanto é preciso muita oração, a mortificação, a fuga das ocasiões de pecado e tudo fazer com amor a Deus e ao próximo. É deste modo que o cristão se torna uma testemunha viva de Cristo ressuscitado, fortificando-se a cada hora com a Palavra de Deus.
A luta é grande mas nunca se deve esquecer o que disse Jesus a São Paulo: “Minha graça te basta” (2 Cor 12, 9). Eis por que o Apóstolo podia afirmar: “Pela graça de Deus, sou o que sou, e a graça que ele me deu não tem sido inútil.” (1 Cor 15, 10). Portanto, embora o fato de Deus habitar no interior de cada um seja um privilégio, com os auxílios divinos é possível viver em função desta dignidade.
Deus nos propõe constante conversão para a purificação do Corpo de Cristo que somos nós. Quem sabe sejamos estimulados a retirar do culto cristão todo o cheiro do esterco do diabo que é o dinheiro. Se bem que, com ele, podemos fazer muita caridade, mas é bom que esteja fora do culto. O culto não é meio de vida nem lugar da exploração do povo como é feito em diversas igrejas e templos. O templo deve ser purificado de a sujeira, pela água salvadora. O corpo, templo do Espírito, seja também purificado das marcas do pecado neste tempo da Quaresma.
Canção Nova

(11.5) – REFLEXÃO
A Páscoa dos judeus estava próxima, e Jesus subiu para Jerusalém. No Templo, Jesus encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados. Então fez um chicote de cordas e expulsou todos do Templo junto com as ovelhas e os bois; esparramou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. E disse aos que vendiam pombas: «Tirem isso daqui! Não transformem a casa de meu Pai num mercado.» Seus discípulos se lembraram do que diz a Escritura: «O zelo pela tua casa me consome.» Então os dirigentes dos judeus perguntaram a Jesus: «Que sinal nos mostras para agires assim?» Jesus respondeu: «Destruam esse Templo, e em três dias eu o levantarei.» Os dirigentes dos judeus disseram: «A construção desse Templo demorou quarenta e seis anos, e tu o levantarás em três dias?» Mas o Templo de que Jesus falava era o seu corpo. Quando ele ressuscitou, os discípulos se lembraram do que Jesus tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus. Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Vendo os sinais que ele fazia, muitos acreditaram no seu nome. Mas Jesus não confiava neles, pois conhecia a todos. Ele não precisava de informações a respeito de ninguém, porque conhecia o homem por dentro.
Comentário:
A Palavra de Deus, sempre nos leva a refletir e a meditar. Não é fácil de entender o texto bíblico de hoje. O pacato e dócil Jesus, sempre carinhoso e humilde, comporta-se de maneira totalmente oposta daquele Jesus que conhecemos. O manso cordeiro assume a postura de um leão ferido.
Falando alto, gesticulando, derrubando mesas e, com o chicote na mão expulsando os vendedores do templo. Imaginar alguém fazendo tudo isso não é difícil, difícil é imaginar que esse alguém seja Jesus. Por que essa reação violenta?
Como você se sentiria ao ver a casa de seu pai invadida por mercenários aproveitadores? Esse sentimento de indignação, para não dizer de revolta, tomou conta de Jesus. Algo tinha que ser feito, pois o desrespeito havia ultrapassado todos os limites.
A Casa de Deus havia sido transformada num verdadeiro mercado. A Religião e o Sagrado estavam sendo utilizados como meios de exploração e também para acobertar a ganância e as injustiças, sobretudo contra os pobres e marginalizados.
Os mercenários aproveitavam-se da ingenuidade e da crença popular para obterem lucros financeiros. Travestidos de sacerdotes, fantasiados de pastores e de doutores da lei, apresentavam ao povo uma imagem totalmente distorcida de Deus.
Deus era apresentado como um rei poderoso e injusto. Um rei de coração duro, que não abria mão dos seus altos impostos. Um deus exigente com os pobres e complacente com os ricos e poderosos. Um deus conivente com a maldade e a injustiça.
Jesus assumiu pra valer a sua natureza humana. Indignado, usou de extrema energia para expulsar os profanadores do templo. Jesus se fez humano para entender melhor a humanidade, mas acima de tudo, nosso Deus é Santo e neste episódio, Jesus mostrou também os contrastes da sua natureza divina.
Com seu comportamento, Jesus deixou claro que santidade não é constituída só de doçura, amabilidade, compaixão e misericórdia. A santidade transparece também, através da indignação e da energia aplicadas na luta por dignidade, justiça e paz. O santo é um profeta que anuncia e que denuncia!
O mesmo Jesus doce e amável com os pobres, compassivo com os enfermos e misericordioso com os pecadores, sabe ser também duro e enérgico com os hipócritas e gananciosos que exploram o próximo em nome de Deus.
Quantos mercenários estão transformando a Casa de Deus em uma enorme rede de supermercados. Em cada esquina instalam uma filial onde, em nome de Jesus, reúnem trezentos e tantos pastores para vender saúde, prosperidade nos negócios, vida farta, carro importado e, até mesmo um lugar garantido no céu…
São os profanadores e exploradores da fé que, mais cedo ou mais tarde, terão que prestar contas para um Deus que eles ainda desconhecem; um Jesus que não suporta a mentira e que não tolera a hipocrisia.
Jorge Lorente

(11.6) – DESTRUIREI ESTE TEMPLO, E EM TRÊS DIAS EU O LEVANTAREI
Este Evangelho narra a expulsão dos vendilhões do Templo. O gesto de Jesus, de expulsar aquele pessoal que estava transformando a casa de Deus em local de comércio, mostra o seu amor a Deus Pai e o zelo em proteger as coisas mais ligadas a ele. Daí a lembrança dos discípulos, da frase que está no Salmo 69, 10: “O zelo por tua casa me consumirá”. Jesus tomou uma atitude radical – pegar um chicote – que não era seu costume. Fez isso devido ao seu zelo pela casa de Deus.
Nós precisamos zelar pelo bom ambiente da nossa igreja ou capela. Que tudo favoreça a oração: o silêncio, a limpeza, boa ornamentação e decoração… Através desse zelo manifestamos o nosso amor a Deus.
“Estava próxima a Páscoa dos judeus.” É assim que o evangelista João começa a narrar a cena, para nos lembrar que a morte de Jesus aconteceria naquela Páscoa. Jesus foi corajoso; mesmo sabendo do perigo que corria, defendeu com energia a Casa de Deus.
O dinheiro quer dominar a nossa vida e toda a sociedade. É o deus dinheiro que milhões de pessoas adoram. Que isso não aconteça dentro da nossa igreja ou capela!
“Destruí este templo, e em três dias eu o levantarei… Jesus estava falando do Templo do seu corpo.” O novo Templo de Deus é Jesus, em seu corpo sagrado. A Igreja é o Corpo vivo de Cristo presente hoje na terra. O nosso corpo é também, a partir do nosso batismo, tornou-se templo de Deus: “Acaso não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá, pois o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós” (1 Cor 3, 16-17). Muitos têm o belo costume de fazer o sinal da cruz quando passam na frente de uma igreja. Mas o corpo de uma pessoa batizada é um templo muito mais sagrado que a construção de tijolos e cimento. Já imaginou se fizéssemos o sinal da cruz cada vez que passamos na frente de uma pessoa batizada? Isso nem é possível. Mas respeitar o próprio corpo e o dos outros é possível.
Mas o pecado nos leva a não zelar da nossa igreja ou capela a não respeitar o corpo vivo de Cristo.
E mais na frente, S. Paulo fala: “Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De tato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo… Vós todos sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo” (1 Cor 12, 12-13.27).
É importante zelar pela Igreja viva, que é a Comunidade cristã, porque ela é o referencial de caminho, verdade e vida para o povo, mesmo para os que não a frequentam. “Se o sal perde seu sabor, com que se salgará?” (Mt 5, 13).
Havia uma controvérsia: os samaritanos diziam que o lugar do verdadeiro culto a Deus era o monte Garizin, e os judeus diziam que era o templo de Jerusalém. Na conversa com a samaritana, Jesus responde que não nem um nem outro: “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade” (Jo 4, 23). Deus, que é espírito e vida, quer um culto que seja adoração em espírito e verdade, sem vinculação a lugar ou espaço físico. Foi por isso que, quando Jesus morreu, o véu do Templo se rasgou (Cf Lc 23, 45).
Os primeiros cristãos não tinham templos, porque estavam conscientes de que o verdadeiro templo é a Assembleia (Ekklesía em grego) dos cristãos reunidos. Mais tarde, os cristãos perceberam que é necessária uma casa de oração, mas sem esquecer que devemos transformar a vida em culto e o culto em vida.
Certa vez, uma catequista estava falando para as crianças sobre o céu. E perguntou para elas onde fica o céu. Um menino de nove anos disse: “Eu sei onde fica o céu”. Todos olharam para ele curiosos.
A catequista perguntou: “Onde fica?” O menino respondeu: “O céu fica numa casa amarela, que tem um portão de ferro e um jardim na frente”.
“Quem que mora nesta casa amarela?” indagou a catequista. O garotinho estranhou a pergunta e disse: “Ora! Eu, minha mãe, meu pai, meus irmãos, tem também um gato e um cachorrinho!”
“Por quê” – insistiu a catequista – “a sua casa é o céu?” O menino disse: “É porque eu sempre escuto a minha mãe falar: A nossa casa é um céu!”
Vamos fazer da nossa casa uma Igreja doméstica, um templo vivo de Deus. Assim ela será uma antecipação do céu.
A cor amarela representa o ouro. Maria Santíssima, na Ladainha, é chamada de Casa de Ouro, porque o seu seio abrigou o Rei do universo, que é representado pelo ouro, o rei dos metais. Que ela nos ajude a zelar pela nossa igreja ou capela.
Destruí este templo, e em três dias eu o levantarei.
Padre Antônio Queiroz

(16.1) – NÃO FAÇAIS DA CASA DE MEU PAI UM MERCADO!
Hoje, perto da Páscoa, sucedeu um fato insólito no templo. Jesus retirou do templo o rebanho dos vendedores, derrubou as bancas dos cambistas e disse aos vendedores de pombas: «Tirai daqui essas coisas. Não façais da casa de meu Pai um mercado!» (Jo 2, 16). E enquanto as ovelhas e os carneiros corriam pela explanada, os discípulos descobriram uma nova face da alma de Jesus: O zelo pela casa de seu Pai, o zelo pelo templo de Deus.
O templo de Deus convertido num mercado! Que barbaridade! Deve ter começado com pouca coisa. Algum pastor que subia para vender um cordeiro, uma anciã que queria ganhar algum trocado vendendo pombas…, e a bola foi crescendo. Tanto é assim que o autor do Cântico dos Cânticos clamava: «pegai as raposas, as pequenas raposas que devastam as vinhas» (Cant 2, 15). Mas, quem ligava pra aquilo? A explanada do templo era como um mercado em dia de feira.
—Eu também sou templo de Deus. Se não cuido as pequenas raposas, o orgulho, a preguiça, a gula, a inveja, a avareza, tantos trajes do egoísmo, se infiltram dentro nós e estragam tudo. Por isso, o Senhor nos coloca em alerta: «O que vos digo, digo a todos, vigiai!» (Mc 13, 37).
Vigiemos! Para que a preguiça não invada a consciência: «negar-se a ver a culpa é uma doença da alma mais perigosa que a culpa, pois está muito mais distante da verdade e da conversão» (Bento XVI).
Vigiar?
Tento fazê-lo cada noite.
Ofendi alguém?
São retas as minhas intenções?
Estou disposto a cumprir sempre e em tudo a vontade de Deus?
Mas, nessas horas estou cansado e me vence o sono.
—Jesus, você me conhece a fundo, você que conhece muito bem o que existe no interior de cada homem, faz-me conhecer as faltas, dá-me fortaleza e um pouco deste zelo seu, para que jogue fora do templo, aquilo que me separa de ti.
Rev. D. Lluís RAVENTÓS i Artés

COMEMORA-SE NO DIA 08/Mar

(5) – SÃO JOÃO DE DEUS
São João de Deus nasceu no dia 08 de março de 1495, em Montemor-o-Novo, Portugal. Fugiu de sua casa aos oito anos de idade e durante sua vida foi pastor, soldado, vaqueiro, pedreiro, mascate, enfermeiro, livreiro e santeiro. Conta-se que sua mãe morreu de tristeza e de saudade do filho desaparecido, e que seu pai se fez monge. Viajou por toda a Europa, e quando retornou, em 1538 montou uma livraria em Granada, Espanha.
Neste mesmo ano, São João d’Ávila estava em Granada pregando o Evangelho e São João de Deus teve a oportunidade de ouvi-lo pregar. Impressionado com o sermão sobre o mártir São Sebastião começou a gritar pedindo perdão e misericórdia a Deus pelos seus pecados, e decidiu vender tudo o que possuía.
Ficou conhecido como louco, pois andava maltrapilho, e vagava pelas ruas, batendo no peito e confessando seus pecados. Levaram-no à presença de São João d’Ávila, que o encaminhou a um hospício da redondeza aconselhando-o a dedicar-se as coisas de Deus. Sua melhora foi logo notada.
Conseguiu sair do hospício em 1539. Passou a ajudar aos outros doentes do hospício, dedicando totalmente sua vida aos desvalidos como enfermeiro. Fundou vários hospitais, onde os doentes eram tratados como seres humanos e como filhos de Deus. Juntaram-se a ele, colaboradores que deram origem aos Irmãos dos Enfermos.
Em 1549 contraiu uma grave doença que escondeu dos médicos com medo que não o deixassem mais trabalhar. Foi descoberto quando já não conseguia mais esconder os sinais da enfermidade, mas mesmo assim só conseguia pensar em ajudar os outros. Morreu em 1550 no dia 08 de março, de joelhos a rezar. Leão XII e declarou “Patrono dos Hospitais”.
Reflexão:
A vida de São João de Deus foi marcada por muitas aventuras. Não obstante suas indas e vindas, João nunca esqueceu-se da caridade pelos mais abandonados. Ele soube reconhecer o Cristo no rosto dos mais pobres, principalmente no rosto dos enfermos. Recuperar a saúde e a dignidade do doente significava louvar o Cristo, que também foi um sofredor. Hoje queremos pedir ao bom Deus, pela intercessão de São João de Deus, que nos abra o coração para acolher, consolar e visitar os doentes. A fragilidade humana não é esquecida por Deus e o instrumento que Deus usa para amenizar os sofrimentos dos enfermos é a nossa voz e o nosso braço.
Padre Evaldo César de Souza

(10) – S. JOÃO DE ÁVILA
Santo espanhol nascido em Almodóvar del Campo, próximo de Toledo, de espírito reformista e um dos maiores pregadores do seu tempo, conselheiro de bispos e nobres, diretor de almas, coluna da Igreja e um dos paladinos da Contra Reforma católica no século XVI, considerado o pai espiritual de um grande número de santos na Espanha de sua época. Descendente de uma família de judeus convertidos e de boas posses, era filho único de Alonso de Ávila e Catarina Xixón, aos 14 anos entrou para a famosa Universidade de Salamanca para estudar Direito. Porém seu apego à fé em Jesus Cristo pesou mais fortemente e abandonou os estudos para voltar para casa. Depois de três anos de profunda dedicação à religiosidade, dirigiu-se à famosa Universidade de Alcalá, com o objetivo de seguir o sacerdócio e estudou filosofia e teologia. Foi discípulo do renomado Domingos de Soto e recebeu a ordenação sacerdotal. Com a morte dos pais vendeu sua grande fortuna, distribuiu pelos necessitados e passou a viver de esmolas. Dirigiu-se a Sevilha com o intuito de embarcar para as Índias, mas foi persuadido a permanecer na Espanha, onde deu início à sua brilhante carreira apostólica, que o tornaria conhecido como o grande Apóstolo da Andaluzia. Autor e diretor espiritual cuja liderança religiosa animou a Espanha durante o século XVI, morreu em Montilla, de problemas renais.
Foi proclamado Doutor da Igreja em 2011 por Bento XVI.

NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE

CELEBRAÇÃO DE HOJE

III DOMINGO DA QUARESMA
(ROXO, CREIO – III SEMANA DO SALTÉRIO)

RITOS INICIAIS

Monição Ambiental ou Comentário Inicial
O Senhor nos reúne em sua casa para que realizemos nossa ação de graças, acolhamos seus mandamentos e busquemos neles luzes para a caminhada cristã rumo à Páscoa. Em Cristo crucificado e ressuscitado firmamos nosso encontro com Deus.

Antífona da entrada
Tenho os olhos sempre fitos no Senhor, porque livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz.

Oração do Dia ou Oração da Coleta
Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DA PALAVRA

Monição para a(s) Leitura(s)
O Senhor tem palavras de vida eterna; acolhamos a Palavra que nos convida a, em Cristo, viver a religião e construir a sociedade que sejam do agrado de Deus.

Monição ou Antífona do Evangelho
Glória e louvor a vós, ó Cristo.
Tanto Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único; todo aquele que crer nele há de ter a vida eterna (Jo 3, 16).

Oração Universal ou Oração dos Fiéis
PR: Cristo é novo templo no qual temos acesso a Deus. Por meio dele dirijamo-nos ao Pai, dizendo:
AS: Renovai-nos, Senhor, com vossa graça.
1. Cumulai, Senhor, a Igreja, templo vivo do Espírito Santo, com a sabedoria de Cristo, vos pedimos.
2. Olhai pelos trabalhadores que não desfrutam o direito do merecido descanso semanal, vos pedimos.
3. Iluminai os teólogos, que têm a missão de orientar os fiéis com a luz de vossa palavra, vos pedimos.
4. Fortalecei os que se preparam, neste tempo quaresmal, para receber o batismo, vos pedimos.
5. Abençoai as mulheres, que hoje celebram seu dia, e sustentai seus legítimos anseios por dignidade e respeito, vos pedimos.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Oração sobre as Oferendas
Ó Deus de bondade, concedei-nos, por este sacrifício, que, pedindo perdão de nossos pecados, saibamos perdoar a nossos semelhantes. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão
Até o pássaro encontra um abrigo e a andorinha um ninho para pôr os seus filhotes: nos vossos altares, Senhor do universo, meu rei e meu Deus! Felizes os que habitam em vossa casa: sem cessar podem louvar-vos (Sl 83, 4s).

Oração depois da Comunhão
Ó Deus, tendo recebido o penhor do vosso mistério celeste, e já saciados na terra com o pão do céu, nós vos pedimos a graça de manifestar em nossa vida o que o sacramento realizou em nós. Por Cristo, nosso Senhor.

RITOS FINAIS OU RITOS DE ENCERRAMENTO

Ide em Paz!

FONTES DE CONSULTAS E PESQUISAS

Vamos expor a seguir de onde pertencem os textos que nos preenchem todos os dias, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO
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FONTE DE CONSULTA LITÚRGICA
IGMR (INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO – 1ª EDIÇÃO / 2008)
IGMR

REFLITA

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem foi que inspirou essa pessoa a escrever.
O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.
O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que Ele nos pede.
Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é ter discernimento e saber compartilhar o conhecimento.

FONTES DE ORIENTAÇÕES E PESQUISAS DAS REFLEXÕES, ORAÇÕES E COMEMORAÇÕES

(1.1) – Blog Liturgia Diária da Palavra de Deus (Reflexões e Comentários);
(1.2) – Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);
(1.3) – Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);
(1.4) – Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);
(5) – Portal Editora Santuário;
(6) – Portal Editora Paulinas;
(7) – Portal e Blog Canção Nova;
(8) – Portal Dom Total;
(9) – Portal Edições Loyola Jesuítas;
(10) – Portal Evangelho Quotidiano;
(11) – Blog Liturgia Diária Comentada;
(13) – Portal Catequisar: Catequese Católica;
(14) – Portal Comunidade Católica Nova Aliança;
(15) – Portal Fraternidade O Caminho;
(16) – Portal Evangeli.net;
(17) – Portal Padre Marcelo Rossi;
(18) – Um Novo Caminho;
(19) – Portal Dom Total: Roteiro Homilético;
(20) – Portal de Catequese Católica;
(21) – Blog Homilia Dominical;
(22) – Portal NPD Brasil;
(23) – Portal Canção Nova: Música;
(24) – Portal Editora Paulus;
(25) – Portal Católica Net;
(26) – Portal Católico Orante;
(27) – Rádio Catedral FM 106,7: Liturgia Diária;
(28) – Portal Comunidade Resgate;
(29) – Portal Católico na Net.

MENSAGEM PARA VOCÊ E PARA MIM MESMO

Mais vale o desconforto da VERDADE, do que a comodidade da MENTIRA.
E usando a essência da Oração da Serenidade, devo orar:

Ó meu Deus e Senhor, Pai de misericórdia e Salvação,
que em seu Filho Jesus perdoou os nossos pecados,
e com o seu Santo Espírito, paráclito nesse nosso mundo que caminha conosco,
apenas em Ti posso almejar a vida eterna, socorre-me e ouvi-me:
Se o ERRO está em mim, que DEUS possa me dar a HUMILDADE de aceitar que estou errado.
Que Jesus me dê a SERENIDADE, para aceitar que tem coisas que não posso mudar.
E que o Espírito Santo me dê a CORAGEM, suficiente para mudar aquelas coisas que dependem de mim, mesmo que sejam difíceis.

E para complementar os alicerces de orações da minha vida, faço como o santo Tomás de Aquino:

“Concede-me, Deus misericordioso, que deseje com ardor o que tu aprovas, que o procure com prudência, que o reconheça em verdade, que o cumpra na perfeição, para louvor e glória do teu nome.
Põe ordem na minha vida, ó meu Deus, e permite-me que conheça o que tu queres que eu faça, concede-me que o cumpra como é necessário e como é útil para a minha alma.
Concede-me, Senhor meu Deus, que não me perca no meio da prosperidade nem da adversidade; não deixes que a adversidade me deprima, nem que a prosperidade me exalte.
Que nada me alegre ou me entristeça para além do que conduz a ti.”

Viver CORRETO e falar a VERDADE hoje são tão difíceis quanto na época de Jesus, pois é muito mais fácil aceitar a MENTIRA e fazer o ERRADO.
Viver no CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é o próprio Cristo Jesus, tem que ser uma caminhada diária.
O futuro é desejo e pensamento.
O passado é aprendizado e lembrança.
O hoje é realidade, isso quer dizer: CRISTO.

Meus amigos(as) de coração, meus irmãos(ãs) na fé em Cristo Jesus, lembrem-se:
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
“Não julgues para não seres julgados.”
“A quem é muito dado, muito será cobrado.”

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