Liturgia Diária 28/Mar/15

LITURGIA DIÁRIA DA PALAVRA
28/Mar/2015 (sábado)

A morte de Jesus premeditada

LEITURA: Ezequiel (Ez) 37, 21-28: Judá e Israel reunidos em um só reino
Leitura da Profecia de Ezequiel:
21 Assim diz o Senhor Deus: “Eu mesmo vou tomar os israelitas do meio das nações para onde foram, vou recolhê-los de toda a parte e reconduzi-los para a sua terra. 22 Farei deles uma nação única no país, nos montes de Israel, e apenas um rei reinará sobre todos eles. Nunca mais formarão duas nações, nem tornarão a dividir-se em dois reinos. 23 Não se mancharão mais com os seus ídolos e nunca mais cometerão infames abominações. Eu os libertarei de todo o pecado que cometeram em sua infidelidade, e os purificarei. Eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus. 24 Meu servo Davi reinará sobre eles, e haverá para todos eles um único pastor. Viverão segundo meus preceitos e guardarão minhas leis, pondo-as em prática. 25 Habitarão no país que dei ao meu servo Jacó, onde moraram vossos pais; ali habitarão para sempre, também eles, com seus filhos e netos, e o meu servo Davi será o seu príncipe para sempre. 26 Farei com eles uma aliança de paz, será uma aliança eterna. Eu os estabelecerei e multiplicarei, e no meio deles colocarei meu santuário para sempre. 27 Minha morada estará junto deles. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 28 Assim as nações saberão que eu, o Senhor, santifico Israel, por estar o meu santuário no meio deles para sempre.” – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

SALMO: Salmos (Sl) Jeremias (Jr), 31, 10. 11-12ab. 13: A restauração prometida a Israel
10d O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.
10 Ouvi, nações, a palavra do Senhor e anunciai-a nas ilhas mais distantes: “Quem dispersou Israel, vai congregá-lo, e o guardará qual pastor a seu rebanho!”
11 Pois, na verdade, o Senhor remiu Jacó e o libertou do poder do prepotente. 12a Voltarão para o monte de Sião, entre brados e cantos de alegria 12b afluirão para as bênçãos do Senhor:
13 Então a virgem dançará alegremente, também o jovem e o velho exultarão; mudarei em alegria o seu luto, serei consolo e conforto após a guerra.

EVANGELHO: João (Jo) 11, 45-56: Os chefes judeus decidem a morte de Jesus
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo: 45 Muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46 Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. 47 Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “O que faremos? Este homem realiza muitos sinais. 48 Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação.” 49 Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. 50 Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” 51 Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. 52 E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. 53 A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. 54 Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. 55 A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. 56 Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “O que vos parece? Será que ele não vem para a festa?” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial (Querer)
Preparo-me para a Leitura Orante, com todos os que navegam pela rede, invocando o Espírito Santo:
Espírito de verdade, a ti consagro a mente e meus pensamentos: ilumina-me.
Que eu conheça Jesus Mestre e compreenda o seu Evangelho.
Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós.

Eu sou o CAMINHO (Ler)
O que diz o texto do dia?
O Conselho Superior se sentia ameaçado por Jesus. Vejo isto nesta afirmação: “Esse homem está fazendo muitos milagres! Se deixarmos que ele continue fazendo essas coisas, todos vão crer nele. Aí as autoridades romanas agirão contra nós e destruirão o Templo e o nosso país.” Era uma ameaça, segundo eles, também contra o Templo e o país. Consequências: planos para matar Jesus e Ele se retirou e era procurado.

A VERDADE (Refletir)
O que o texto diz para mim, hoje?
Olhando para Jesus, entendo que sempre que sou coerente, fiel, posso sofrer ameaças e até passar por julgamentos e condenações.
Pergunto-me agora: como reajo?
Como Jesus?
Ou cedo às tentações?
Prefiro deixar de lado o Projeto de Deus e me ajustar ao que interessa a outros?
Os bispos, em Aparecida, falaram de “uma missão para comunicar vida” como fez Jesus: “A vida se acrescenta dando-a e se enfraquece no isolamento e na comodidade. De fato, os que mais desfrutam da vida são os que deixam da margem a segurança e se apaixonam na missão de comunicar vida aos demais. O Evangelho nos ajuda a descobrir que um cuidado enfermiço da própria vida depõe contra a qualidade humana e cristã dessa mesma vida. Vive-se muito melhor quando temos liberdade interior para doá-la “Quem aprecia sua vida terrena, a perderá” (Jo 12, 25). Aqui descobrimos outra profunda lei da realidade: “que a vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros. Isso é, definitivamente, a missão.” (DAp, 360).
– A seu modo de ver, qual o Sacramento que mais se negligencia?
– Quando devemos procurar um sacerdote para a Confissão?
– Em sua comunidade se faz uma boa preparação para receber os sacramentos do Batismo e do Matrimônio?
– Que tipo de pessoa tem condição de ser padrinho ou madrinha de Batismo?
– Que lugar ocupa a Eucaristia em sua vida?

E a VIDA (Orar)
O que o texto me leva a dizer a Deus?
Oração da Campanha da Fraternidade 2015:
Ó Pai, Alegria e esperança de vosso povo, vós conduzis a Igreja, servidora da vida, nos caminhos da história.
A exemplo de Jesus Cristo e ouvindo sua palavra que chama à conversão, seja vossa igreja testemunha viva de fraternidade e de liberdade, de justiça e de paz.
Enviai o vosso Espírito da verdade para que a sociedade se abra à aurora de um mundo justo e solidário, sinal do Reino que há de vir.
Por Cristo Senhor nosso.
Amém!

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (Agir)
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Meu novo olhar é de atenção àquilo que pode ser uma manipulação da minha coerência de vida com o Evangelho. Minha opção é por Jesus Cristo.

REFLEXÕES

(1.4) – REFLEXÃO
Jesus, caminho, verdade e vida, é condenado à morte antes do seu próprio julgamento. Os sumos sacerdotes e os fariseus não conheceram Jesus, não souberam perceber o tempo em que foram visitados e não descobriram o sentido mais profundo da sua presença na história da humanidade. Quem conhece Jesus, o Deus da Vida, constrói a vida, mas quem não o conhece, mata! Evangelizar significa também apresentar Jesus como o Deus da Vida presente no meio de nós, a fim de que, ao reconhecer essa presença, as pessoas entendam que ser cristão significa ser compromissado com a vida e ser capaz de transformar essa sociedade de morte.

(6) – A MORTE DE JESUS TEM CARÁTER UNIVERSAL
Nosso trecho do evangelho é a sequência do episódio de Lázaro, que é uma verdadeira catequese sobre a ressurreição. O comentário do evangelista sobre a reação de Caifás dá à morte de Jesus um caráter universal: “não somente pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos”. A posição de Caifás é eminentemente política e, implicitamente, contra o Império Romano. O processo que condenou Jesus à morte está envolto na mentira, na dissimulação e na falsidade, além da inveja. Nas vicissitudes da história humana, entre sombras e luzes, na luta entre o bem e o mal que disputam o coração do homem, Deus revela seu desígnio e leva a termo o seu plano salvífico. A decisão do Sinédrio, ao que tudo indica, era pública. Por isso, uma vez mais, o evangelho observa que Jesus e seus discípulos permanecem longe de Jerusalém. A indicação da proximidade da Páscoa já prepara o leitor para a paixão e morte de Jesus. Muita gente que chegara antes para se preparar para a festa da Páscoa procurava Jesus, alimentando a expectativa de vê-lo. A multidão que se reúne em Jerusalém para a festa mais importante do calendário judaico será testemunha do julgamento iníquo e da morte do justo Jesus de Nazaré.
Oração:
Jesus Mestre, nós vos louvamos e agradecemos, porque morrestes na cruz para obter-nos a vida divina que nos comunicais no Batismo e alimentais com a Eucaristia e os outros sacramentos.
Padre Carlos Alberto Contieri

(8) – JESUS CONDENADO À MORTE
A existência de Jesus foi cercada de elementos contraditórios: fé e incredulidade, vida e morte, luz e trevas. A oposição entre estes elementos foi se acirrando cada vez mais, na medida em que a hora de Jesus se aproximava.
O Mestre não se rendeu às investidas dos adversários, mas seguiu, corajosamente o seu caminho. Os adversários, por sua vez, não estavam dispostos a capitular diante dos questionamentos levantados pela prática de Jesus. Por isso, insistiam em acusá-lo de blasfemo e em exigir sua morte.
Um autêntico processo se instaurou contra Jesus e um tribunal foi convocado para tratar do caso. O núcleo da acusação centrava-se nos milagres realizados por Jesus e no consequente perigo de muita gente acabar acreditando nele. O medo da reação dos romanos era secundário. Sob este aspecto, havia gente muito mais perigosa do que Jesus. Um argumento convenceu a todos: era preferível o sacrifício de um só do que a destruição de toda a nação. Por unanimidade, Jesus foi condenado à morte e passou a ser procurado como um malfeitor.
Este foi o verdadeiro julgamento de Jesus. Aquele realizado posteriormente foi apenas uma farsa. Enfim, para condenar Jesus à morte, a justiça foi atropelada.
Oração:
Senhor Jesus, tua morte resultou da trama injusta de teus inimigos. Que eu seja solidário com todas as vítimas da injustiça, também condenada à morte.
Padre Jaldemir Vitório

(9) – BOA NOVA PARA CADA DIA
“O que faremos? Este homem realiza muitos sinais” (Jo 11, 47bc).
O Evangelho de hoje nos mostra claramente que de forma alguma os líderes judeus aceitariam Jesus, por mais sinais que Ele lhes desse de ser o Messias prometido pelos profetas e o Filho de Deus. É por meio deste Evangelho que sabemos qual foi a decisão dos líderes religiosos dos judeus sobre Jesus: sua morte.
O motivo pelo qual Caifás, sumo sacerdote naquela ocasião, decide pela morte de Jesus, não é mais justificado por um sinal inconfundível de Jesus sobre sua messianidade e filiação divina. O motivo de Caifás é político. Ele vê em Jesus mais um revolucionário contra os romanos como o enviado de Deus para estabelecer o Reino de Deus na terra a partir do Povo Eleito.
Por ironia, serão os sumos sacerdotes que levarão Jesus para ser morto pelos romanos.
Jesus não precisou dar motivo político algum aos romanos sobre a sua missão dada por Deus. Jesus não seria jamais um revoltoso político. Ele era um líder religioso acima dos líderes dos judeus. Era precisamente isto que eles temiam: iam perder para Jesus o lugar de liderança religiosa se O reconhecessem como Messias religioso e não político.
Os líderes religiosos estavam confusos pela culpa deles mesmos. Se tivessem aceito Jesus, tudo seria melhor para eles, para o Povo Eleito, para os próprios romanos que dominavam o país. Jesus viera estabelecer um reino espiritual. É isto que afirma a Pilatos, quando lhe perguntou se era rei. Jesus lhe respondeu que era rei e que para isto tinha nascido (ver Jo 18, 37).
Se o Reino de Deus pudesse ser exercido por Jesus sobre todo o Povo Eleito e sobre o mundo, a realidade histórica seria completamente outra. Sem dúvida o mundo seria muito melhor, e por meio de Jesus Deus salvaria toda a humanidade dando a todas as pessoas a Vida Eterna.
O Reino de Deus que Jesus anunciou era de Verdade e Vida, de Santidade e Graça, de Justiça, Amor e Paz.
Por qual motivo os líderes judeus o rejeitaram?
Foi porque não quiseram entender Jesus, seus milagres, seus sinais, suas provas de que era o Filho de Deus. Deste modo, perderam para sempre o Reino de Deus.
Peçamos a Jesus que acolhamos totalmente Seu Reino.
Peçamos a Ele que o mundo inteiro o reconheça como o Filho de Deus.
Peçamos a Ele que todos sejam salvos ao ouvirem Seu Evangelho.
Deus ficará satisfeito com nossos pedidos, porque é precisamente isto que Ele desejou no seu Plano Divino de Salvação feito desde toda a eternidade.
Padre Valdir Marques

(10) – É MELHOR PARA NÓS MORRER UM SÓ HOMEM PELO POVO
A fim de branquear a multidão, um só Se deixou escurecer […], porque «é melhor, diz a Escritura, que um só homem morra pelo povo». É bom que um só seja condenado «em carne semelhante à do pecado» (Rom 8, 3), e que a raça não seja toda condenada pelo pecado. O esplendor da essência divina vela-Se sob a forma de escravo para salvar a vida do escravo. O brilho da vida eterna escurece na carne para purificar a carne. Para iluminar os filhos dos homens, o mais belo dos filhos dos homens (Sl 44, 3) deve obscurecer-Se na sua Paixão, aceitar a vergonha da cruz. Exangue na morte, perde toda a beleza e toda a honra, para apresentar a Si mesmo a Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga (Ef 5, 27).
Mas, sob esta tenda negra (Ct 1, 5) […], reconheço o rei. […] Reconheço-O e beijo-O. Vejo a sua glória que está no interior; adivinho o brilho da sua divindade, a beleza da sua força, o esplendor da sua graça, a pureza da sua inocência. Cobre-O a cor miserável da enfermidade humana; a sua face está como que escondida, agora que, para Se parecer conosco, Ele passou por provações como nós, mas não pecou.
Reconheço também a forma da nossa natureza impura, reconheço esta túnica de pele, a veste dos nossos primeiros pais (Gn 3, 21). O meu Deus vestiu-Se com ela, tomando a forma do escravo, tornando-Se semelhante aos homens (Fil 2, 7) e vestindo-Se como eles. Sob essa pele de cabrito, sinal do pecado com que Jacob se cobriu (Gn 27, 16), reconheço a mão que não pecou, a nuca jamais curvada sob o domínio do mal. Eu sei, Senhor, que és por natureza manso e humilde de coração, acessível, pacífico, sorridente, tu que foste «ungido com óleo de alegria, mais do que os teus iguais» (Mt 11, 29; Sl 44, 8). De onde Te vem então essa rude semelhança com Esaú, essa horrível aparência do pecado? Ah, é a minha! […] Reconheço o meu bem e, debaixo da minha face, vejo o meu Deus, o meu Salvador.
São Bernardo (1091-1153)

(11.1) – QUE HAVEMOS NÓS DE FAZER, DADO QUE ESTE HOMEM REALIZA MUITOS SINAIS MIRACULOSOS?
Lectio
Primeira leitura: Ezequiel 37, 21-28
Ezequiel anuncia simbolicamente o regresso de Israel do exílio e a reunificação do povo sob a orientação de um só rei-pastor. Já aconteceu o castigo anunciado, a deportação para Babilónia, em 586 a. C. Mas trata-se de um castigo terapêutico e temporal, em vista da purificação da idolatria e da cura da desobediência. A promessa de Deus é uma aliança eterna. O Espírito do Senhor repousa sobre o povo, e o povo é chamado a repousar na terra do seu Deus, em paz e em prosperidade. Deus está para sempre no meio do seu povo. Assim todos ficarão a saber que é Javé, «o Senhor que santifica Israel» (v. 28), e quem é Israel, o povo santificado pela presença de Deus. Como diz o próprio Deus: «Serei o seu Deus e eles serão o meu povo» (v. 27), com a carga afetiva que manifestam os dois pronomes possessivos.
Evangelho: João 11, 45-56
Os chefes dos judeus estão de cabeça perdida. O «sinal» da ressurreição de Lázaro fez precipitar os acontecimentos, e decidiram matar Jesus, que se tornara demasiadamente incômodo e perigoso. As multidões já O tinham querido proclamar rei, declarando-o libertador da nação. Se continuar assim, os Romanos irão intervir e destruir o templo, coisa que, de modo nenhum, pode acontecer.
Jesus afirmara ser o novo templo, o ponto de convergência de todo o Israel e da humanidade inteira. Mas a sua palavra não foi compreendida. E aparece Caifás que intervém com toda a sua autoridade: a eliminação de Jesus é uma exigência de estado. O bem comum exige que seja eliminado. E tudo isto se torna profecia. A missão de Jesus consiste, de fato, em reunir os filhos de Deus dispersos e em fazer de todos os povos um povo novo, na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É o que acontece, porque Ele dá a vida «pelos» homens. Enquanto os judeus levam por diante o processo histórico, o Pai vai realizando o seu desígnio de salvação, graças à adesão filial de Cristo à sua obra. O evangelista João passa habilmente da história à teologia.

Meditatio
Caifás afirma que Jesus deve morrer em nome dos superiores interesses da nação. O evangelista João acrescenta que deve morrer, não só pela razão invocada, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos: «Não só pela nação, mas também para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos». A morte de Jesus realiza, de modo inimaginável, aquilo que já fora anunciado por Ezequiel, quando da dispersão e do cativeiro em Babilônia: «Eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações, por onde se dispersaram; vou reuni-los de toda a parte e reconduzi-los ao seu país».
Para realizar a unidade do povo de Deus, perspectivam-se dois caminhos: o dos Judeus, que passa pela morte de Jesus, para evitar a reação violenta dos romanos contra o templo e contra a nação; o caminho de Deus, inconsciente expresso por Caifás: «convém que morra um só homem pelo POVO». A morte de Jesus realiza a unidade e garante-a com a sua presença no meio de nós como verdadeiro Templo de Deus.
Estamos, de fato, dispersos entre as nações, mas também desunidos entre nós.
Mas Cristo está conosco para nos reunir e reconciliar, de acordo com o projeto do Pai. Para isso, morreu e ressuscitou. A obra da redenção, que realiza no coração do mundo, passa pela reconciliação e pela unidade do seu povo.
A reparação, que queremos viver, pessoal e comunitariamente, é também “cooperação na obra da redenção” de Cristo “no coração do mundo” (Cst. 23). Queremos ser, com Ele, “servidores da reconciliação” (Cst. 7), em união “com a oblação reparadora de Cristo ao Pai pelos homens” (Cst. 6). Na nossa solidariedade com Cristo, nada de essencial temos para Lhe dar; é apenas solidariedade de comunhão com Ele (cf. Gal 2, 20), completando na nossa “carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo Seu Corpo que é a Igreja” (Col 1, 24).
Não se trata dos sofrimentos de expiação como os de Cristo, já completos e perfeitos em si mesmos, mas das tribulações apostólicas que Cristo sofreu por primeiro por causa do anúncio do Reino. O Apóstolo revive esses sofrimentos ao anunciar a Boa Nova aos pagãos. De acordo com a interpretação de Santo Agostinho estas tribulações são de todos os cristãos, e, com maior razão, de todo aquele que por vocação e por um carisma de oblação reparadora, é chamado a sofrer pela propagação do Evangelho em união com Cristo (cf. TOB, nota a).
Todavia esta solidariedade é expressa por Jesus, com insuperável eficácia, na alegoria da videira (cf. Jo 15, 1-11) e por Paulo com a imagem do corpo e dos membros (cf. 1 Cor 12, 12-27).

Oratio
Senhor Jesus, durante este tempo da Paixão, quero recolher-me diante do realismo da tua cruz. Vieste ao mundo para nos tornar participantes da maravilhosa promessa de que Deus é tudo em todos. Essa promessa, todavia, não suprime os conflitos, nem nos dá a paz de um modo qualquer. De fato, Tu mesmo entraste no centro do conflito que dilacera o coração humano, levando até ele a vitória do amor, uma vitória alcançada mediante a loucura da cruz e pelo sacrifício da obediência que coincide com a glória eterna.
Ajuda-me a percorrer também esse caminho, para entrar na glória, que começa desde já. Que jamais eu ceda à tentação de fugir do combate, permitindo que a divisão se radique no mundo, e fazendo coro com os teus inimigos. Ajuda-me a aceitar generosamente a luta, confiando na tua graça, invocada na oração. Assim participarei, desde já, na vitória definitiva do amor e na alegria do Pai. Amém.

Contemplatio
O Espírito Santo é o laço pelo qual Nosso Senhor nos une ao seu Pai e a si mesmo. Foi a graça que Nosso Senhor pediu para nós na sua oração depois da ceia. «Pedi por vós, diz aos seus apóstolos, e por todos aqueles que, esclarecidos e convertidos pela pregação evangélica, hão-de acreditar em mim, a fim de que todos formem um mesmo corpo, do qual eu sou o chefe, que eles sejam um, na unidade de uma mesma fé, de uma mesma esperança, de um mesmo amor, como o meu Pai está em mim e eu nele, para que vós também sejais um em nós e assim o mundo, tocado pelo divino espetáculo da vossa caridade fraterna e da vossa vida celeste, seja forçado a reconhecer no estabelecimento da Igreja uma obra divina e sobre-humana e acredite que meu Pai me enviou para salvar o mundo».
E a glória que o seu Pai lhe deu de ser, em virtude da união hipostática, o seu Filho único e consubstancial, Nosso Senhor de algum modo no-Ia comunicou, dela nos tornou participantes, elevando-nos à sublime dignidade de filhos e de herdeiros de Deus, divinae consortes naturae, confirmando assim a nossa união com ele (Leão Dehon, OSP 3, p. 464).

Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra: «Dos dois povos, fez um só» (Ef 2, 14).
Dehonianos

(11.2) – NÃO É MELHOR QUE MORRA UM SÓ POR TODO O POVO?
Estamos no ponto central da vida de Jesus: a razão de sua morte. Ela foi planejada pelos que detinham o poder, para eliminar o que colocava em risco seus planos. Não foi algo acidental nem querido por Deus. João demonstra que a doutrina de Jesus era uma ameaça para o sistema social instaurado pelas lideranças judaicas e romanas. Crer nele significava deslegitimar o projeto social dominante. E se isto acontecia, o Império se defenderia com todo o seu poder. Os poderosos pensavam que se o povo se organizava em torno das ideias de Jesus, as estruturas das quais eles mesmos formavam parte iriam ser abaladas. Hoje o mundo segue vivendo em forte tensão entre as estruturas de poder e os movimentos populares, sociais e eclesiais. Os sistemas injustos elaboram sempre novas estratégias de perseguição e morte para sua própria autodefesa; é uma realidade que exige de nossa consciência e compromisso cristão para que tais estruturas sejam confrontadas e transformadas e surjam possibilidades mais humanas, justas e solidárias de convivência.
Claretianos

(11.3) – E TAMBÉM PARA REUNIR NA UNIDADE OS FILHOS DE DEUS DISPERSOS
MUITOS ACREDITARAM EM JESUS
O testemunho de Jesus e a adesão que ele suscitava colocavam em risco a estrutura religiosa de sua época. O contexto religioso de rígido tradicionalismo, de hierarquias e privilégios, de conflitos de facções, de jogos de interesses tornava-se vulnerável diante da postura do Mestre. Não que Jesus fosse respaldado pelo prestígio de uma escola rabínica ou de famílias ou grupos importantes. O perigo consistia no fato de muitas pessoas darem crédito às suas palavras e aderirem ao grupo, sempre crescente, que se formava ao redor dele.
As autoridades religiosas demonstravam ter uma preocupação política. O movimento de Jesus poderia ser entendido pelos romanos como uma provocação. E as consequências disto seriam trágicas para a nação. Se não fosse contido a tempo, haveria o perigo de “todos” crerem nele, e os romanos virem e destruírem o templo e a nação.
A solução apresentada por Caifás parecia ser bastante prudente: “É melhor um só homem morrer pelo povo, do que a nação inteira perecer!”. Acolhida esta sugestão, decretou-se a morte de Jesus. Com esta finalidade, iniciou-se uma verdadeira caçada para prendê-lo.
Todavia, o motivo verdadeiro da condenação à morte foi de caráter religioso. Isto ficará patente no fato de Pilatos, autoridade romana, não se mostrar interessado em condenar Jesus. A verdade é que a liderança religiosa já não podia mais suportar o comportamento do Mestre por ser religiosamente perigoso.
Oração:
Pai, ajuda-me a compreender, sempre mais profundamente, o caminho para encontrar-me contigo, que Jesus nos ensinou. Livra-me, também, do apego aos esquemas já superados.
Igreja Matriz de Dracena

(11.4) – QUEM TEM PODER DE DAR A VIDA, É CONDENADO À MORTE
Eu lembrei das nossas comunidades por um instante, ao deparar com esse evangelho, Jesus havia ressuscitado Lázaro, o último sinal no evangelho de João, um grupo de Judeus que ali estava encontraram a Verdade e passaram a crer Nele, mas o outro grupo foi correndo para “botar lenha na fogueira”, envenenando os Fariseus, como se dissessem “Olha, se ninguém fizer algo esse homem vai ser Rei, pois demonstrou uma vez mais o seu poder até sobre a morte”.
Em nossas comunidades, quando Deus suscita os carismas nos irmãos e irmãs, que a ele se entregam, também acontece a mesma coisa. Para alguns, esse carisma tão belo e tão útil à comunidade, é fruto da graça e ao verem o carisma do outro ficam admirados e se enchem de salutar alegria, louvando e bendizendo ao Bom Deus, outros há porém, que vão levar a notícia do sucesso daquele irmão, a pessoas que não gostam dele, só para semear ainda mais o ódio e a discórdia entre elas.
Os Fariseus levaram o assunto ao Conselho da Comunidade, que naquele tempo chamava-se Sinédrio, e o coordenador do Conselho, que era o Caifás, teve uma ideia para fazer calar a Jesus e acabar com a sua fama.
Certamente alardeou primeiro as “ameaças” que pesavam sobre a Comunidade Judaica, que estava bem afinada com o poder romano, se Jesus continuasse com aquela fama toda. Um Líder novo que não tinha compromisso nem com os Judeus e nem com os romanos, era muito perigoso àquela altura do campeonato. Então o melhor mesmo era matá-lo, para defender a segurança da nação de Israel.
O que Caifás defendia de unhas e dentes na realidade era o poder religioso e os privilégios e regalias que a sua classe dominante e opressora detinha. E assim, Aquele que era o Senhor da Vida e provara isso ressuscitando a Lázaro, acabara de ser condenado à morte, pelos da sua própria comunidade.
Fico pensando se hoje também, muitas vezes em nossas comunidades cristãs, cometemos esse pecado quando permitimos que se sufoquem novas lideranças, por medo de se perder o cargo ou o ministério que se ocupa. Certamente que sim … e a nova liderança, que poderia trazer ainda mais vida, acaba condenado à morte, desvalorizado e até ridicularizado naquilo que faz …
O Carisma que Jesus oferece aos seus é a própria vida. Nosso carisma é autêntico quando, de alguma forma, o outro cresce e se sente revitalizado com o que fazemos, com o que damos. A fonte dessa Vida que Jesus oferece é o amor, capaz de trazer de volta a Vida quem já morreu. Na comunidade temos também nossos “mortos” esperando pela força do nosso amor solidário, para voltarem a ter Fé e Esperança.
Diácono José da Cruz

(11.5) – DEUS AMOU TANTO O MUNDO, QUE DEU O SEU FILHO UNIGÊNITO…
A mensagem central de hoje e de todo o Evangelho de São João é que “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho Unigênito, para que não morra todo aquele que nele crê, mas, tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). A presença de Jesus, como luz do mundo, divide inevitavelmente os seres humanos entre os que se decidem pela Luz e, por isso, ficam do lado da vida, e os que se decidem pelas trevas, ficando do lado da morte.
Assim, os fariseus, escribas e sacerdotes não descansaram enquanto não conseguiram um jeito de anular a pessoa de Jesus Cristo. Preocupados com a sua fama e a multiplicação dos milagres, estavam sem saber o que fazer. Foram muitos os enfrentamentos entre eles e Jesus, onde questionavam a pessoa de Cristo. Até que finalmente, os pontífices e os fariseus convocaram o conselho. E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida.
Decidiram matar Jesus. Resolveram matá-lo por Ele fazer o bem. Curar e ressuscitar pessoas, aconselhar-nos a seguir o caminho reto, a não nos preocupar com o dia de amanhã, e a não ter medo, mas crer n’Ele e no Pai. E o que mais indignou os pontífices ou sumo sacerdotes, foi Ele dizer que era o Filho de Deus. Para os judeus, isso foi blasfêmia, mas na verdade, eles queriam apagar o concorrente. Então aquele conselho foi um pré-julgamento de Jesus, onde o Filho de Deus foi, de antemão, condenado.
Também nós condenamos e até mesmo “queimamos” os nossos concorrentes, arrumando um jeito de diminuir as suas qualidades: sejam no emprego, por ciúmes daqueles colegas que são mais capazes que nós, seja aquele cara forte que arrasa quando chega na área.
Jesus era consciente de que um efeito ainda que não desejado do seu trabalho, fosse ser causa de divisão entre os partidários do imobilismo e os que lutam por um mundo novo. Por isso inflamou a ira dos funcionários do templo e de todos os que se consideravam donos da verdade.
Aproximando-nos da festa da Páscoa, vamos ao encontro do Senhor da nova e eterna aliança. A Quaresma é ocasião oportuna para reforçarmos nossa decisão pela luz, que é Cristo, e ajudarmos os que estão nas trevas a optar pela luz e abandonar a morte.
Que esta quaresma, tempo favorável da graça de Deus, nos dê as forças necessárias para renovar nossos corações, e assim possamos viver a Páscoa do Senhor, que deseja devolver-nos a alegria de viver.
Precisamos tomar mais cuidado para não fazer como os líderes judaicos. Ter mais cuidado com os nossos pensamentos e palavras. E, lembrar, acima de tudo o que nos disse o Ressuscitado: “Não julguem e não serão julgados! Não condenem e não serão condenados!”
Canção Nova

(11.6) – A PROFECIA DE CAIFÁS
Ezequiel 37,21-28 – “a unidade é obra de Deus”
Desde sempre o Senhor deseja unir os povos para que vivam na harmonia e no entendimento, fugindo dos ídolos e de tudo que divide. Por isso, faz com eles uma Nova Aliança e promete-lhes um único rei e um único pastor a fim de que vivam segundo os Seus preceitos e ponham em prática as Suas leis. A profecia de Ezequiel é para nós hoje, alimento e incentivo para a nossa caminhada. Somos hoje o povo de Deus que às vezes, por alguma circunstância, nos dispersamos, perdemos o nosso referencial, nos dividimos, seguimos outros pastores, vivenciamos a lei dos homens, manchamo-nos com os ídolos e cometemos “infames abominações”. O Senhor deseja fazer conosco, o Seu povo, uma aliança de paz e de reconciliação permanecendo junto de todos aqueles que O aceitam como único pastor e único Senhor! O Senhor deseja recobrar a unidade entre nós, porque a unidade é obra Sua. A unidade com Deus faz com que nós tenhamos unidade conosco e com o nosso próximo. A consequência da unidade é uma vida plena de graça e de harmonia pessoal e comunitária. A cada dia Ele cumpre com a Sua promessa de restauração que Ele faz para o homem desde sempre. A obra do Senhor é espiritual, para isso, Ele deseja nos reconduzir à nova terra, quer fazer de nós uma nação única, quer nos purificar, quer ser o nosso único pastor e, principalmente, quer morar no meio de nós, isto é, na terra do nosso coração. O Senhor almeja divinizar a nossa humanidade corrompida e tratar das nossas enfermidades com a sua Misericórdia. Esta promessa é para você também. Esta aliança Deus a faz com você e com a sua família, com a comunidade a que você pertence.
– Mas será que é isso que também nós queremos?
– Será que não estamos mais preocupados(as) com as nossas conquistas pessoais?
– O que vale mais para você: o ter ou o ser?
– Com que é que o seu coração se alegra?
– Você prefere uma conta bancária polpuda ou um coração apascentado por Deus?
– Você tem harmonia consigo mesmo(a), com Deus e com os homens?
– Quem é importante para você neste mundo?

Salmo – Jeremias 31 – “O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho!”
A unidade entre as nações é o maior desejo do coração de Deus. A dispersão, a divisão e a evasão não fazem parte do projeto de Salvação do Senhor. Por isso Ele quer nos reunir como Seu povo, nação santa, povo escolhido. Somos nós os que dançamos e cantamos alegremente, de coração contrito quando conseguimos viver na unidade do Senhor. O senhor nos une e nos reúne no Seu amor a todos que desejam de coração fazer a Sua vontade e seguir o Seu caminho e ter a Jesus como Pastor.

Evangelho – João 11, 45-56 – “a profecia de Caifás”
Muitos judeus que presenciaram o milagre da ressurreição de Lázaro acreditaram e creram em Jesus. Outros, no entanto, duvidaram e, com intuito de provocar agitação foram avisar aos fariseus fazendo com que eles pensassem em liquidar com Jesus. O motivo era sempre o mesmo: “Esse homem realiza muitos sinais!” Eles não percebiam, porém, que fora justamente para isso que Jesus viera ao mundo: não para tornar-se Rei, mas, vítima entregue em holocausto para a salvação da humanidade. O plano de Deus se realizava com toda maestria! Precisava que houvesse aqueles que despertassem a indignação dos sumos sacerdotes e dos fariseus para que tudo fosse consumado. Por isso, o próprio sumo sacerdote, Caifás profetizava quando falou: “Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” De fato, sem saber, ele decretou a sentença de morte para Jesus como redenção dos homens. Deus age de acordo com o Seu plano e nos faz Seus instrumentos de salvação, mesmo que, não o percebamos como foi o caso de Caifás. Às vezes, apenas uma palavra que nós pronunciamos é um sinal que Deus dá ao mundo para que a sua vontade se realize. Hoje também existem aquelas pessoas que se sentem incomodadas com os sinais de Jesus por intermédio dos que são escolhidos como protagonistas do plano que o Pai quer que se realize. Nada acontece por acaso, os sinais de Deus na nossa história também são evidentes. Muitas vezes nos encontramos num emaranhado de situações e não entendemos o que está atrás de tudo, mas a confiança de que o projeto de Deus se cumpre sem que o saibamos é a nossa única arma para nos mantermos firmes na luta.
– Você confia que Deus dirige a sua vida mesmo que você não entenda nada?
– O que você tem enxergado nos acontecimentos que você tem vivido atualmente?
– Você tem consciência de que mesmo sem saber é um instrumento de salvação de Deus para os seus irmãos?
– Você acha que as coisas que acontecem com você, têm sido coincidência ou intervenção de Deus?
Helena Serpa

(16) – JESUS IRIA MORRER PELA NAÇÃO; E NÃO SÓ PELA NAÇÃO, MAS TAMBÉM PARA REUNIR OS FILHOS DE DEUS DISPERSOS
Hoje, de caminho para Jerusalém, Jesus sente-se perseguido, vigiado, sentenciado, porque quanto maior e original tem sido sua revelação – o anúncio do Reino – mais ampla e mais clara tem sido a divisão e a oposição que ele encontrou nos ouvintes. «Então muitos judeus, que tinham ido à casa de Maria e que viram o que Jesus fez, acreditaram nele. Alguns, foram ao encontro dos fariseus e contaram o que Jesus tinha feito». (cf. Jo 11, 45-46).
As palavras negativas de Caifás, «Vocês não percebem que é melhor um só homem morrer pelo povo, do que a nação inteira perecer?» (Jo 11, 50), Jesus as assumirá positivamente na redenção feita por nós. Jesus, o Filho Unigênito de Deus, morre na cruz por amor a todos! Morre para realizar o plano do Pai, quer dizer, «E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus que estavam dispersos» (Jo 11, 52).
E esta é a maravilha e a criatividade de nosso Deus! Caifás, com sua sentença («Convém que morra um só…») não faz mais que, por ódio, eliminar a um idealista; por outro lado, Deus Pai, enviando o seu Filho por amor a nós, faz algo maravilhoso: converter aquela sentença malévola em uma obra de amor redentora, porque para Deus Pai, cada homem vale todo o sangue derramado por Jesus Cristo!
Daqui a uma semana cantaremos – em solene vigília – o Pregão Pascoal. A través dessa maravilhosa oração, a Igreja faz louvor ao pecado original. E não o faz porque desconheça sua gravidade, e sim porque Deus – em sua bondade infinita – tem feito proezas como resposta ao pecado do homem. Isto é, ante o “desgosto original”, Ele respondeu com a Encarnação, com o sacrifício pessoal e com a instituição da Eucaristia. Por isso, a liturgia cantará no próximo sábado: «Que assombroso benefício de teu amor por nós! Que incomparável ternura e caridade! Oh feliz culpa que mereceu tal Redentor!».
Espero que nossas sentenças, palavras e ações não sejam impedimentos para a evangelização, uma vez que nós também recebemos de Cristo a responsabilidade, de reunir os filhos de Deus dispersos: «Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo» (Mt 28, 19).
Rev. D. Xavier ROMERO i Galdeano

COMEMORA-SE NO DIA 28/Mar

(5) – SANTA GISELA
Santa Gisela nasceu por volta de 985. Filha do duque bávaro, Henrique, o Briguento, e de Gisela de Barganha. Em 996 os emissários da Hungria vieram a sua casa, para a alegria de seus pais, pedir sua mão em casamento. Gisela que tinha se consagrado a Deus no íntimo de seu coração não teve como mudar esta situação e assim mudou-se para a corte principesca húngara, casando com o rei Estevão.
Porém, sua meta continuava a ser a de levar todo o povo para Cristo. Gisela foi coroada e ungida como primeira rainha cristã dos húngaros e com ela, seu marido Estevão que se converteu ao cristianismo por sua influência.
Gisela ajudou na construção e nos reparos de igrejas, construiu a Catedral de Vezprim para a qual doou ricos feudos. Mandou vir escultores da Grécia para embelezarem as Igrejas. Porém passou por grandes sacrifícios. Perdeu a primeira filha e logo depois, o filho. Outras duas filhas se casaram e jamais as reviu por partirem para terras muito distantes. Seu filho Américo, que deveria sucedê-la ao trono real, também faleceu. Mais tarde ele foi canonizado pela sua santidade.
Em 15 de agosto de 1038, festa da Assunção de Nossa Senhora, dia em que se consagrara anos atrás, seu esposo faleceu, e também foi canonizado. Após tantas mortes passou a receber tratamentos hostis do povo pagão húngaro. Confiscaram lhe os bens, proibiram-na de se corresponder com parentes de países estrangeiros, prenderam-na e a maltrataram. Depois de vários anos de prisão, foi libertada por Henrique III, em 1042. Voltou a Baviera e se fez beneditina no Mosteiro de Niederburg, o qual Henrique II elevara à categoria de abadia.
Prudente e sábia foi eleita abadessa, governando a abadia até 7 de maio de 1065. Foi enterrada na capela de Parz e logo após sua morte, vinham romeiros de todos os recantos do mundo.
Reflexão:
A vida de santa Gisela foi cercada de sofrimentos e desapegos, mas em nenhum momento Gisela revoltou-se ou esqueceu-se de confiar em Deus. Em todos os desencontros da vida, Gisela soube conservar no seu coração a consagração que fizera desde a infância. Peçamos hoje, pela intercessão de Santa Gisela, que tenhamos firmeza de caráter e confiança absoluta no nome de Deus.
Padre Evaldo César de Souza

(10.1) – S. GONTRÃO
Era filho do Rei Clotaire e de Santa Clotilde. Foi coroado rei de Orleans e Burgonha em 561, enquanto seus irmãos Charibert reinavam em Paris e Sigebert em Metz.
Em geral a sua vida foi a de um pacificador. Ele protegeu os seus sobrinhos contra as maldades das rainhas Brunehault e Fredegunde.
Mas ele tinha períodos de intemperança. Divorciou-se de sua esposa Maercatrude e ordenou a execução do seu médico. Teve depois enorme remorso e lamentou esses pecados pelo resto da sua vida, por si próprio e pela sua nação. Jejuava, orava, chorava e oferecia-se ao Deus a quem tinha ofendido.
O seu reinado foi próspero e ele deu exemplos de como as máximas do Evangelho podiam ser usados efetivamente na política.
Foi o protetor dos oprimidos, ajudou os doentes, e cuidou dos parentes de seus súditos. Abriu a sua fortuna e a da coroa especialmente nos períodos da fome, seca e das pragas. Fez aplicar as leis de maneira justa e estrita, independente da pessoa, mas estava pronto a perdoar ofensas contra ele, incluído duas tentativas de assassinato.
Gontrão construiu magníficas igrejas e vários monastérios. São Gregório de Tours relata vários milagres feitos pelo Rei antes e após a sua morte, alguns que ele mesmo testemunhou. Na época de sua morte, em 28 de março de 592, Gontrão havia reinado por 31 anos e imediatamente seus súditos o aclamaram como santo. Ele foi enterrado na igreja de São Marcellus, a qual ele havia construído. Os Huguenots queimaram suas relíquias e espalharam as suas cinzas no século XVI, mas deixaram, em sua fúria, o crânio intocável. Ele está agora em uma caixa de prata na mesma igreja.
Na arte litúrgica da Igreja ele é representado como um rei encontrando um tesouro e dando-o para os pobres. Algumas vezes ele é mostrado com três bolsas de tesouros perto dele, um globo e uma cruz.
Ele é o padroeiro dos divorciados, dos guardiões e dos assassinos arrependidos.

(10.2) – S. SIXTO III
O Papa Sisto III foi eleito em 31 de Julho de 432. Morreu a 18 de Agosto de 440.
Mostrou-se conciliador em relação aos nestorianos e velou pela conservação dos direitos da Santa Sé sobre a Ilíria – contra o Imperador do Oriente que queria torná-la dependente de Constantinopla. Restaurou as Basílicas de Santa Maria Maior e de S. Lourenço-fora-de-Muros.
Foi autor de várias epístolas.

NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE

CELEBRAÇÃO DE HOJE

V SEMANA DA QUARESMA
(ROXO, PREFÁCIO DA PAIXÃO I – OFÍCIO DO DIA)

RITOS INICIAIS

Monição Ambiental ou Comentário Inicial
O projeto salvífico de Deus é para todos. Muitos, porém, o rejeitam e até procuram eliminá-lo do mundo, ao perceber que privilégios e interesses pessoais estão ameaçados.

Antífona da entrada
Ó Senhor, não fiqueis longe de mim! Ó minha força, correi em meu socorro! Sou um verme, e não um homem, opróbrio dos homens e rebotalho da plebe (Sl 21, 20.7).

Oração do Dia ou Oração da Coleta
Ó Deus, vós sempre cuidais da salvação dos homens e, nesta Quaresma, nos alegrais com graças mais copiosas. Considerai com bondade aqueles que escolhestes, para que a vossa proteção paterna acompanhe os que se preparam para o batismo e guarde os que já foram batizados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DA PALAVRA

Monição para a(s) Leitura(s)
Sempre fiel à aliança com seu povo, Deus o guarda como um pastor a seu rebanho e, em seu Filho, reúne todos os que se encontram dispersos.

Monição ou Antífona do Evangelho
Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!
Lançai para bem longe toda a vossa iniquidade! Criai em vós um novo espírito e um novo coração! (Ez 18, 31)

Oração Universal ou Oração dos Fiéis
AS: Renovai-nos, Senhor, com vosso Espírito.
1. Senhor, purificai e renovai continuamente a Igreja e abençoai seus ministros.
2. Uni as nações do mundo em torno da paz e do respeito à autodeterminação de cada povo.
3. Dai força e ânimo aos missionários que atuam em áreas de conflito.
4. Aumentai a esperança e o espírito ecumênico dos cristãos.
5. Socorrei os que jejuam por falta de alimento e tornai-nos solidários às suas necessidades.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Oração sobre as Oferendas
Ó Deus eterno e todo-poderoso, que, pela fé e pelo batismo, nos restaurais para a vida eterna, acolhei as oferendas e preces dos vossos filhos e filhas para que realizeis os desejos dos que em vós esperam e perdoeis os seus pecados. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão
O Cristo foi entregue para reunir num só corpo os filhos de Deus, que andavam dispersos (Jo 11, 52).

Oração depois da Comunhão
Ó Deus de majestade, nós vos suplicamos humildemente: assim como nos alimentais com o Corpo e o Sangue de Cristo, dai-nos participar da natureza divina. Por Cristo, nosso Senhor.

RITOS FINAIS OU RITOS DE ENCERRAMENTO

Ide em Paz!

FONTES DE CONSULTAS E PESQUISAS

Vamos expor a seguir de onde pertencem os textos que nos preenchem todos os dias, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO
cfeb0-bblia_257e2

FONTE DE CONSULTA LITÚRGICA
IGMR (INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO – 1ª EDIÇÃO / 2008)
IGMR

REFLITA

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem foi que inspirou essa pessoa a escrever.
O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.
O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que Ele nos pede.
Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é ter discernimento e saber compartilhar o conhecimento.

FONTES DE ORIENTAÇÕES E PESQUISAS DAS REFLEXÕES, ORAÇÕES E COMEMORAÇÕES

(1.1) – Blog Liturgia Diária da Palavra de Deus (Reflexões e Comentários);
(1.2) – Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);
(1.3) – Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);
(1.4) – Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);
(5) – Portal Editora Santuário;
(6) – Portal Editora Paulinas;
(7) – Portal e Blog Canção Nova;
(8) – Portal Dom Total;
(9) – Portal Edições Loyola Jesuítas;
(10) – Portal Evangelho Quotidiano;
(11) – Blog Liturgia Diária Comentada;
(13) – Portal Catequisar: Catequese Católica;
(14) – Portal Comunidade Católica Nova Aliança;
(15) – Portal Fraternidade O Caminho;
(16) – Portal Evangeli.net;
(17) – Portal Padre Marcelo Rossi;
(18) – Um Novo Caminho;
(19) – Portal Dom Total: Roteiro Homilético;
(20) – Portal de Catequese Católica;
(21) – Blog Homilia Dominical;
(22) – Portal NPD Brasil;
(23) – Portal Canção Nova: Música;
(24) – Portal Editora Paulus;
(25) – Portal Católica Net;
(26) – Portal Católico Orante;
(27) – Rádio Catedral FM 106,7: Liturgia Diária;
(28) – Portal Comunidade Resgate;
(29) – Portal Católico na Net.

MENSAGEM PARA VOCÊ E PARA MIM MESMO

Mais vale o desconforto da VERDADE, do que a comodidade da MENTIRA.

E usando a essência da Oração da Serenidade, devo orar:

Ó meu Deus e Senhor, Pai de misericórdia e Salvação,
que em seu Filho Jesus perdoou os nossos pecados,
e com o seu Santo Espírito, paráclito nesse nosso mundo que caminha conosco,
apenas em Ti posso almejar a vida eterna, socorre-me e ouvi-me:
Se o ERRO está em mim, que DEUS possa me dar a HUMILDADE de aceitar que estou errado.
Que Jesus me dê a SERENIDADE, para aceitar que tem coisas que não posso mudar.
E que o Espírito Santo me dê a CORAGEM, suficiente para mudar aquelas coisas que dependem de mim, mesmo que sejam difíceis.

E para complementar os alicerces de orações da minha vida, faço como o santo Tomás de Aquino:

“Concede-me, Deus misericordioso, que deseje com ardor o que tu aprovas, que o procure com prudência, que o reconheça em verdade, que o cumpra na perfeição, para louvor e glória do teu nome.
Põe ordem na minha vida, ó meu Deus, e permite-me que conheça o que tu queres que eu faça, concede-me que o cumpra como é necessário e como é útil para a minha alma.
Concede-me, Senhor meu Deus, que não me perca no meio da prosperidade nem da adversidade; não deixes que a adversidade me deprima, nem que a prosperidade me exalte.
Que nada me alegre ou me entristeça para além do que conduz a ti.”

Viver CORRETO e falar a VERDADE hoje são tão difíceis quanto na época de Jesus, pois é muito mais fácil aceitar a MENTIRA e fazer o ERRADO.
Viver no CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é o próprio Cristo Jesus, tem que ser uma caminhada diária.
O futuro é desejo e pensamento.
O passado é aprendizado e lembrança.
O hoje é realidade, isso quer dizer: CRISTO.

Meus amigos(as) de coração, meus irmãos(ãs) na fé em Cristo Jesus, lembrem-se:
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
“Não julgues para não seres julgados.”
“A quem é muito dado, muito será cobrado.”

Anúncios
Esse post foi publicado em Religião. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s