Liturgia Diária 29/Mar/15

LITURGIA DIÁRIA DA PALAVRA
29/Mar/2015 (domingo)

Os preparativos para a ceia pascal

EVANGELHO DA ENTRADA EM JERUSALÉM (PROCISSÃO): Marcos (Mc) 11, 1-10: Entrada messiânica em Jerusalém
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
1 Quando se aproximaram de Jerusalém, na altura de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, 2 dizendo: “Ide até o povoado que está em frente, e logo que ali entrardes, encontrareis amarrado um jumentinho que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui! 3 Se alguém disser: ‘Por que fazeis isso?’, dizei: ‘O Senhor precisa dele, mas logo o mandará de volta’.” 4 Eles foram e encontraram um jumentinho amarrado junto de uma porta, do lado de fora, na rua, e o desamarraram. 5 Alguns dos que estavam ali disseram: “O que estais fazendo, desamarrando este jumentinho?” 6 Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e eles permitiram. 7 Trouxeram então o jumentinho a Jesus, colocaram sobre ele seus mantos, e Jesus montou. 8 Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam apanhado nos campos. 9 Os que iam na frente e os que vinham atrás gritavam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! 10 Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

LEITURA: Isaías (Is) 50, 4-7: Terceiro conto do Servo.
Leitura do Livro do Profeta Isaías:
4 O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5 O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6 Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7 Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

SALMO: Salmos (Sl) 22 (21), 8-9. 17-18a. 19-20. 23-24: Sofrimentos e esperanças do justo
2a Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
8 Riem de mim todos aqueles que me veem, torcem os lábios e sacodem a cabeça: 9 “Ao Senhor se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!”
17 Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado. Transpassaram minhas mãos e os meus pés 18 e eu posso contar todos os meus ossos. Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam!
19 Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. 20 Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!
23 Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! 24 Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o toda a raça de Israel!

LEITURA: Filipenses (Fl) 2, 6-11: Manter a unidade na humildade
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses:
6 Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7 mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8 humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9 Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10 Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11 e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

EVANGELHO: Marcos (Mc) 15, 1-39:
(Mc 15, 1-15: Jesus perante Pilatos)
(Mc 15, 16-20ab: A coroação de espinhos)
(Mc 15, 20c-22: O caminho da cruz)
(Mc 15, 23-28: A crucifixão)
(Mc 15, 29-32: Jesus é escarnecido e injuriado na cruz)
(Mc 15, 33-39: A morte de Jesus)
Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Marcos.
N (Narrador): 1 Logo pela manhã, os sumos sacerdotes, com os anciãos, os mestres da Lei e todo o Sinédrio, reuniram-se e tomaram uma decisão. Levaram Jesus amarrado e o entregaram a Pilatos. 2 E Pilatos o interrogou:
L (Leitor): “Tu és o rei dos judeus?”
N: Jesus respondeu:
P (Presidente): “Tu o dizes.”
N: 3 E os sumos sacerdotes faziam muitas acusações contra Jesus. 4 Pilatos o interrogou novamente:
L: “Nada tens a responder? Vê de quanta coisa te acusam!”
N: 5 Mas Jesus não respondeu mais nada, de modo que Pilatos ficou admirado. 6 Por ocasião da Páscoa, Pilatos soltava o prisioneiro que eles pedissem. 7 Havia então um preso, chamado Barrabás, entre os bandidos, que, numa revolta, tinha cometido um assassinato. 8 A multidão subiu a Pilatos e começou a pedir que ele fizesse como era costume. 9 Pilatos perguntou:
L: “Vós quereis que eu solte o rei dos judeus?”
N: 10 Ele bem sabia que os sumos sacerdotes haviam entregado Jesus por inveja. 11 Porém, os sumos sacerdotes instigaram a multidão para que Pilatos lhes soltasse Barrabás. 12 Pilatos perguntou de novo:
L: “Que quereis então que eu faça com o rei dos Judeus?”
N: 13 Mas eles tornaram a gritar:
G (Grupo ou assembleia): “Crucifica-o!”
N: 14 Pilatos perguntou:
L: “Mas, que mal ele fez?”
N: Eles, porém, gritaram com mais força:
G: “Crucifica-o!”
N: 15 Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus e o entregou para ser crucificado. Teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça. 16 Então os soldados o levaram para dentro do palácio, isto é, o pretório, e convocaram toda a tropa. 17 Vestiram Jesus com um manto vermelho, teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça. 18 E começaram a saudá-lo:
G: “Salve, rei dos judeus!”
N: 19 Batiam-lhe na cabeça com uma vara. Cuspiam nele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. 20 Depois de zombarem de Jesus, tiraram-lhe o manto vermelho, vestiram-no de novo com suas próprias roupas e o levaram para fora, a fim de crucificá-lo. Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota. 21 Os soldados obrigaram um certo Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, que voltava do campo, a carregar a cruz. 22 Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota, que quer dizer “Calvário”. Ele foi contado entre os malfeitores. 23 Deram-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o tomou. 24 Então o crucificaram e repartiram as suas roupas, tirando a sorte, para ver que parte caberia a cada um. 25 Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. 26 E ali estava uma inscrição com o motivo de sua condenação: “O Rei dos Judeus”. 27 Com Jesus foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro à esquerda. (28) 29 Os que por ali passavam o insultavam, balançando a cabeça e dizendo:
G: “Ah! Tu que destróis o Templo e o reconstróis em três dias, 30 salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!”
N: 31 Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, com os mestres da Lei, zombavam entre si, dizendo:
G: “A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! 32 O Messias, o rei de Israel … que desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos!”
N: Os que foram crucificados com ele também o insultavam. Então Jesus deu um forte grito e expirou. 33 Quando chegou o meio-dia, houve escuridão sobre toda a terra, até as três horas da tarde. 34 Pelas três da tarde, Jesus gritou com voz forte:
P: “Eloi, Eloi, lamá sabactâni?”
N: que quer dizer: “’Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” 35 Alguns dos que estavam ali perto, ouvindo-o, disseram:
G: “Vejam, ele está chamando Elias!”
N: 36 Alguém correu e embebeu uma esponja em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e lhe deu de beber, dizendo:
L: “Deixai! Vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz.”
N: 37 Então Jesus deu um forte grito e expirou.
(Todos se ajoelham por um instante)
N: 38 Neste momento a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes. 39 Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse:
L: “Na verdade, este homem era Filho de Deus!” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial (Querer)
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Eu sou o CAMINHO (Ler)
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A VERDADE (Refletir)
Domingo de Ramos! Jesus é aclamado.
– Sou sincero quando elogio, aclamo as virtudes de alguém?
Na verdade, Jesus é o Filho de Deus!
– Reconheço que Jesus é Filho de Deus a me incentivar e amparar na caminhada?
Cireneu foi obrigado a ajudar Jesus no caminho do Calvário!
– Sou solidário com os que sofrem?
Maria foi figura sempre presente na vida de seu Jesus, em especial na dor.
– Faço com que Maria participe intensamente de minha vida, nas alegrias e dores?
Mencione algo que sua comunidade faz em busca de mais justiça.

E a VIDA (Orar)
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Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (Agir)
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REFLEXÕES

(5) – HOSANA AO FILHO DE DAVI
Salve, Rei dos judeus
A entrada de Jesus em Jerusalém não é simplesmente um fato de sua vida, mas é a realização da profecia de Zacarias 9, 9 sobre o rei futuro: “Eis que teu rei vem a ti”, como outrora fizera Davi. O rei monta um jumentinho, não um garboso cavalo de guerra. Ele vem em paz para implantar a paz. Ele mesmo o diz: “Se neste dia também tu conhecesses a mensagem de paz”.
Por não aceitar esta paz, muitos males advirão (Lc 19, 42-44). Nesses próximos dias teremos os grandes acontecimentos de nossa Salvação. O Domingo de Ramos é como que uma síntese: O Ressuscitado, que aparece glorificado pelo povo, vai ser crucificado, morto e sepultado. Mas Deus O ressuscitará. A Paixão não é o fim. A cerimônia tem origem primitiva na Igreja de Jerusalém que celebrava os mistérios de Jesus, no lugar em que haviam acontecido.
Essa cerimônia passou para toda a Igreja. O povo saúda Jesus: “Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso Pai Davi! Hosana no mais alto dos céus” (Mc 11, 10). É um momento de reconhecer que em Jesus o Reino, iniciado por Davi, agora chega à maturidade: abrir ao descendente prometido que manterá o reino para sempre. Deus prometera a Davi que sua família duraria para sempre. Essa profecia foi realizada em Jesus.
O reino de Jesus não é mais um reino terrestre: Em seu processo de condenação à morte, Pilatos pergunta: “És o rei dos judeus?” Jesus responde: “Meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, meus súditos teriam combatido para que eu não fosse entregue aos judeus”. “Mas meu reino não é daqui” (Jo 18, 32-36). O mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus é a abertura desse novo e eterno tempo de Deus. Eterno é o reino da justiça, do amor e da paz.

Abriu-me os ouvidos
No segundo momento da liturgia de hoje está centrado na reflexão sobre a pessoa de Cristo que é o Servo profetizado por Isaias que carrega sobre si o sofrimento, a dor e a humilhação. A oração da celebração dá-nos um porquê de todo esse momento de sofrimento e dor: “… Para dar aos homens um exemplo de humildade, quiseste que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Dai-nos aprender o ensinamento de sua paixão e ressuscitar com Ele em sua glória”.
Quando se diz exemplo, não é só um modelo a ser seguido, mas há uma união de vida. Ele é o exemplar que devemos realizar em nós. Por isso a leitura de Isaías diz: “Ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido para prestar atenção como discípulo”. O aprendizado não é só um conceito que aprendemos, mas uma vida que assumimos. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8, 34). O aprendizado une o discípulo ao Mestre para manifestá-Lo.

Esvaziou-se a si mesmo
Ouvimos a narrativa da Paixão do Senhor. Imensa é a dor, pois imenso é o amor. O amor de entrega que Cristo demonstra, “não voltando atrás” (Is 50, 5), vem desde sua encarnação, como lemos na carta as Filipenses (2, 6-11).
Despojou-se da demonstração de sua divindade, esvaziou-Se a si mesmo, assumindo a condição de escravo tornando-Se igual aos homens. Humilhou-Se a Si mesmo, fazendo-Se obediente até à morte e morte de Cruz. Por isso Deus o exaltou.
A garantia de nossa ressurreição está na certeza de nosso esvaziamento, abnegação e entrega. Assim podemos afirmar como o centurião romano: “Na verdade, este homem era o Filho de Deus”. Mesmo, sentindo-nos abandonados, temos a confiança que Jesus teve ao dizer: em vossas mãos entrego meu Espírito.
Padre Luiz Carlos de Oliveira

(6) – PAI, EM TUAS MÃOS EU ENTREGO O MEU ESPÍRITO
Com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor tem início a semana santa.
A primeira ideia a considerar é que Jesus é o servo obediente de Deus; obediência que o Senhor aprendeu pelo sofrimento. Toda a vida de Jesus é movida pela escuta de Deus, escuta que o sustentou ao longo de toda a sua vida; escuta que fez com que ele não esmorecesse diante da traição, do sofrimento e da morte.
A segunda consideração nos vem do relato da paixão: Jesus é traído por um dos seus, que partilhou com ele a vida e a fé. Mas não foi somente um que o traiu, mas todos os seus discípulos também o fizeram, pois negar e abandonar é também trair. Não tiveram a coragem de permanecer com o Senhor que eles diziam amar. Pedro, porta-voz do grupo dos discípulos, havia dito que as palavras de Jesus continham a vida eterna que lhes fazia experimentar a força da vida de Deus (cf. Jo 6, 67-68). Mas naquele momento de profundo sofrimento para Jesus, não conseguiram permanecer fiéis àquele que era a Palavra encarnada do Pai.
Que dor pode ser maior que a traição e o abandono?
A espada mais cortante do que a que feriu a orelha do servo do centurião é a traição, pois essa atinge a confiança, o coração.
Uma terceira consideração é que Jesus é o inocente condenado injustamente à morte. A inveja, segundo Marcos, é o motivo da condenação e morte de Jesus. A inveja não é racional; como toda paixão que afeta o coração do ser humano, ela é irracional. Dominado pela inveja, o ser humano age perversamente buscando eliminar quem quer que seja. Pilatos, diz o evangelho, sabia da inocência de Jesus e do motivo sórdido pelo qual ele foi entregue, mas por razões políticas a sua decisão foi conivente com a injustiça dos que acusaram e entregaram Jesus à morte. Na paixão, Jesus permanece praticamente calado. O silêncio do Senhor denuncia a maldade daqueles que o condenam à morte. O silêncio de Jesus revela também a sua compreensão de que no desfecho dramático da sua existência terrena se realiza o desígnio de Deus. O silêncio é sinal de sua entrega nas mãos do Pai. Jesus sofre, se angustia, mas nem uma coisa nem outra o faz desistir de realizar a vontade de Deus. Ao contrário, do alto da cruz, ele faz a sua entrega definitiva: “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”. Do ponto de vista puramente humano, a paixão de Jesus é dolorosa e escandalosa, mas, do ponto de vista teológico, a paixão do Senhor é positiva, pois ela é a manifestação mais completa do imenso amor de Deus pela humanidade.

Oração:
Senhor Jesus, não nos deixeis desviar de vossa verdade e de vosso Evangelho.
Padre Carlos Alberto Contieri

(8) – A DIVINDADE ESCONDIDA
A paixão, tirada do conjunto dos eventos da vida de Jesus, é chocante. O evangelista não caiu na tentação de minimizar a tragicidade da experiência de Jesus nem, muito menos, esvaziá-la, apelando para a certeza da ressurreição.
No Getsêmani, Jesus provou uma grande tristeza e ficou angustiado. Suspenso na cruz, fez a experiência do abandono por parte do Pai. Some-se a isto, a traição de Judas que, com um beijo, entregou-o a seus adversários. A tríplice negação de Pedro, incapaz de ser verdadeiro diante de uma empregada do sumo sacerdote. A fuga dos demais discípulos, atemorizados diante da sorte do Mestre. Toda uma trama armada para garantir uma sentença dada à revelia do acusado. A paixão, calcada na figura profética do Servo Sofredor, apresenta a figura de Jesus despida de qualquer dignidade, reduzida à condição de trapo humano.
Dois gestos, em relação a Jesus, são dignos de nota. A exclamação do militar romano, um pagão que fez uma leitura correta da paixão, reconhecendo ser Jesus, de fato, o Filho de Deus; e o gesto solidário de algumas mulheres que o seguiram até o fim.
Embora escondida, é necessário reportar-se à divindade para se compreender a paixão de Jesus. Caso contrário, sua morte teria sido um episódio irrelevante.

Oração:
Senhor Jesus, como o oficial romano, confesso a tua condição de Filho de Deus crucificado. Que eu compreenda o verdadeiro sentido de tua paixão.
Padre Jaldemir Vitório

(9) – BOA NOVA PARA CADA DIA
EM JESUS FEITO PECADO POR NÓS O PAI CONCENTROU O SEU AMOR SALVADOR.
A Liturgia da Palavra de hoje nos introduz ao memorial da Paixão e Morte de Jesus Cristo.
Consideremos Jesus em seu íntimo.
Movido pelo amor ao Pai, entrega-se, por obediência, à Morte Salvadora de todos nós.
Jesus obedece ao Pai, que Lhe pede Sua Morte, porque desde Seu nascimento foi obediente.
Seu alimento era fazer a vontade do Pai.
Da Primeira Leitura ouvimos as palavras do Livro de Isaías: “[…] o Senhor abriu-me o ouvido; não Lhe resisti nem voltei atrás” (ver Is 50, 5). Foi a profecia da perfeita conformidade da vontade de Jesus Cristo com a vontade de Deus Pai. Seu amor ao Pai não Lhe permitia resistir a tudo o que Pai Dele desejasse. E o desejo do Pai, por amor a nós, foi a Morte de Seu Filho. Uma vez decidido a obedecer assim ao Pai, o Filho jamais voltou atrás.
Ouvimos, na Segunda Leitura que Jesus “[…] humilhou-Se a Si mesmo, fazendo-se obediente até a Morte, e Morte de Cruz” (Fl 2, 8).
Haveria um sentido maior para a Morte de Jesus?
Para Ele, qualquer tipo de morte por amor ao Pai era válida. Por isso Jesus se viu glorificado quando, preparando-se para sua Paixão, foi entregue por Judas aos que tramaram Sua Morte.
A Glória de sua natureza humana foi morrer pelo amor que o Pai tem por suas criaturas, a humanidade em pecado. O desejo do Pai tornou-se o de Jesus.
Seus inimigos poderão rir-se de Jesus na Cruz. O Salmo Responsorial traz estas palavras:
“Ao Senhor se confiou, Ele O liberte, e agora O salve, se é verdade que Ele O ama!” [Sl 21(22), 9].
A verdade que Deus amou Seu Filho na Cruz e em Sua sepultura, foi o amor com que o ressuscitou e devolveu à vida: em Jesus, Deus e homem, brilha a Glória da Vida Divina.
Não somos meros espectadores da Paixão e Morte de Jesus.
Somos participantes de Sua Morte para participarmos de Sua Ressurreição.
Diz São Paulo: “[…] se morremos com Cristo [no Batismo], cremos que também com Ele viveremos com ele [na Ressurreição]” (Rm 6, 8).
Neste Domingo de Ramos aclamamos Jesus como o Messias Salvador do Povo de Deus. Foi Ele que veio em nome do Senhor. Alegremo-nos hoje com nosso Salvador, alimentando a esperança da Salvação que Ele nos dará em Sua Ressurreição.
Padre Valdir Marques

(10) – «EIS QUE O TEU REI VEM A TI […], HUMILDE, MONTADO NUM JUMENTO, SOBRE UM JUMENTINHO, FILHO DE UMA JUMENTA» (ZAC 9, 9)
«Exulta de alegria, filha de Sião!» Mantém-te em júbilo, Igreja de Deus: «eis que o teu rei vem a ti» (Zac 9, 9). Vai à sua frente, corre para contemplares a sua glória. Eis a salvação do mundo: Deus vem até à cruz, e o Desejado das nações (Ag 2, 8 Vulg) faz a sua entrada em Sião. Eis que vem a luz; aclamemos com o povo: «Hosana ao Filho de Davi. Bendito seja o que vem em nome do Senhor!» O Senhor Deus apareceu-nos, a nós que jazíamos nas trevas e na sombra da morte (Lc 1, 79). Ele apareceu, ressurreição dos caídos, libertação dos cativos, luz dos cegos, consolação dos aflitos, repouso dos fracos, fonte dos sedentos, vingador dos perseguidos, resgate dos perdidos, união dos divididos, médico dos doentes, salvação dos dispersos.
Ontem, Cristo ressuscitou Lázaro dos mortos; hoje, avança para a morte. Ontem, arrancou Lázaro às faixas que o ligavam; hoje, estende as mãos àqueles que querem atá-Lo; hoje, pelos homens, enterra-Se nas trevas e na sombra da morte. E a Igreja está em festa. Ela inaugura a festa das festas, porque recebe a seu Rei como esposo, porque o seu Rei está no meio dela.
Homilia atribuída a Santo Epifânio de Salamina (?-403)

(11.1) – HOSANA! BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR!
Iniciamos hoje a semana Santa!
Para nós, cristãos católicos, a semana Santa é um tempo forte, quando estaremos reunidos em comunidade, para contemplarmos os últimos passos de Jesus à caminho da cruz e principalmente, para celebrarmos a vida que a morte não venceu!
A liturgia deste domingo, nos faz entrar no mistério do amor do Pai, a nos preparar para vivenciarmos de maneira intensa, livre e amorosa, o acontecimento mais importante do ano litúrgico: A PÁSCOA DO SENHOR JESUS!
Aprendemos muito durante esta nossa caminhada de preparação para a Páscoa, mas ainda há muito que aprender, afinal, temos uma missão muito importante pela frente: fazer chegar a muitos corações sombrios, a Luz do Cristo Ressuscitado!
O caminho que percorremos durante estes quarenta dias da Quaresma, nos aproximou mais do amor, da bondade, nos trouxe a certeza de que temos tudo para sermos felizes: Temos um Pai que nos ama, que não desiste de nós, que enviou o seu Filho para nos ensinar o caminho que nos leva a Ele!
Não pensemos que foi fácil para Jesus, passar por tamanho sofrimento, mesmo, Ele sendo Deus, Jesus, ao assumir a natureza humana, assumiu-a por inteiro, exceto no pecado, assim como nós, Ele não estava isento das dores do corpo e da alma!
Jesus, se quisesse, poderia ter recusado a cruz, mas não o fez, em obediência ao Pai, em querer levar frente o seu projeto de Salvação. Uma obediência que resultou na sua morte. Morte, que também não foi da vontade de Deus e sim, uma consequência da maldade humana. Deus, poderia ter evitado o sofrimento de Jesus, mas o seu amor por cada um de nós, falou mais alto, para reconstruir a aliança de amor entre Ele e o homem, quebrada pelo pecado, Deus deixou que o seu Filho, pagasse com a vida, o preço do nosso resgate.
A entrada festiva de Jesus em Jerusalém marca o início de seu calvário.
Jesus entra em Jerusalém aclamado como Rei e Senhor da gloria, o Rei e Senhor do povo oprimido, do povo sem voz e sem vez. E para identificar-se com estes, Ele entra na cidade, montado num jumentinho, o meio de transporte dos pobres!
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, foi uma maneira forte de proclamar a chegada do Messias, o Rei tão esperado e desejado pelos “pequenos!”
“As multidões que iam à frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam: “Bendito o que vem em nome do Senhor”! Tamanha aclamação, provocou ira nos seus adversários, que ao sentir ameaçados de perder os seus tronos, apressaram em dar fim na pessoa de Jesus.
Nas celebrações da semana santa, nós nos comovemos diante das encenações da Paixão e morte de Jesus, achamos uma maldade imensa o que fizeram com Ele, mas será que hoje, nós não continuamos, de alguma forma, fazendo o mesmo com Ele na pessoa do nosso irmão?
Será que nós também, não estamos crucificando Jesus, nas nossas atitudes do dia a dia?
Toda vez que não praticamos a justiça, a solidariedade, que negamos ajuda ao nosso irmão, estamos também crucificando Jesus! E ao contrário, toda vez que praticamos a justiça, que promovemos o nosso irmão, estamos ressuscitando Jesus!
Rasguemos, pois, as vestes do “homem” velho, para nos revestir do “homem” novo, que aprendeu com Jesus a partilhar a vida, a ser vida para o outro, para que assim, possamos desde já, vivenciar o grande sentido da Páscoa, que significa: Passagem… Vida nova… Renovação…
Celebrar a Páscoa é celebrar a vida, é resgatar valores hoje tão esquecidos, como a fidelidade a Deus, a defesa da vida, o respeito para com o humano…
Como verdadeiros seguidores de Jesus, devemos estar sempre dispostos a enfrentar todo e qualquer desafio, para levar em frente a nossa missão de portadores e de anunciadores da grande notícia: Jesus ressuscitou Ele vive entre nós!!
Com os pés no chão e o olhar para o alto, carreguemos a nossa cruz na certeza de que com Jesus, a nossa cruz torna mais leve!
Contemplando os últimos passos de Jesus, chegaremos a ressurreição!
Quiseram eliminar aquele que acolheu os pobres, os abandonados, que defendeu a vida, mas não conseguiram, pois a vida vence quando o amor se faz presente!
FIQUE NA PAZ DE JESUS!
Olívia Coutinho

(11.2) – REFLEXÃO
PRIMEIRA LEITURA
O Senhor deu-me língua adestrada para que eu saiba dizer palavra de conforto à pessoa abatida. …O Senhor abriu-me os ouvidos…
Quando Jesus disse que veio ao mundo para abrir os olhos dos cegos, dar audição aos surdos e libertar os oprimidos, todos entenderam que Ele estava falando apenas de curas. Não. O Mestre se referia não somente às suas curas físicas, mas também da abertura dos olhos da alma, e a cura da surdez do nosso espírito, Ele estava se referindo àqueles que vendo não enxergam, nem ouvem os apelos do Pai para mudar de vida e colaborar na construção do seu Reino que também é nosso.
Jesus curou um mudo, que não falava porque não ouvia. É assim que funciona. Se alguém não ouve, esse alguém também não fala, porque não aprende a falar, portanto está aí a causa da mudez. Os franceses falam francês e não outra língua, porque desde pequenos eles ouviram falar aquela língua. Crianças perdidas ou largadas na selva não falam quando crescem. Apenas imitam os grunhidos dos animais. Do mesmo modo, as pessoas que não ouvem a palavra de Deus, que não a estuda, acabam também ficando surdas com relação à evangelização. Se não sei, se não ouvi, se não li, se não aprendi, jamais poderei falar a respeito de um assunto. O papel do Espírito Santo, além de nos inspirar, é de nos lembrar o que aprendemos, na hora de falar. Se não aprendemos…
É interessante observar e copiar o jeito de Jesus anunciar a palavra. Ele aproveitava o dia-a-dia daquele povo, principalmente dos agricultores. “Um homem saiu a semear…” “Vai trabalhar na vinha…”. Assim também hoje, não podemos anunciar a palavra de Deus isolada da nossa realidade, do nosso dia-a-dia. O Evangelho é sempre atual porque ele precisa ser confrontado com a nossa experiência vital, com o nosso aqui e agora. Senão a palavra de Deus se torna MUDA.
Infelizmente, existem muitos surdos na sociedade. Eles não conseguem ouvir a palavra. Estão indiferentes. E as causas principais dessa surdez é o apego aos bens materiais, ao consumismo desenfreado, e a influência dos amigos.
Você reparou que ao batizar uma pessoa o padre coloca a mão nos nossos ouvidos e na sua boca, e diz: “Efatá!”?
Esse gesto significa que nossos ouvidos e a nossa boca precisam estar abertos para ouvir e anunciar a palavra.

SALMO
Meu Deus! Meu Deus! Eu sei que não me abandonastes!
Jesus enquanto homem, na agonia do sofrimento da cruz, sentiu-se por um momento que o Pai o havia abandonado. Nada disso! Deus não nos abandona um só segundo, ainda mais o Seu Filho unigênito. Também nos momentos de desespero geralmente sentimos um Deus distante de nós, um Deus que nos abandonou à própria sorte.
Meus irmãos. Isso não acontece! Deus está sempre do nosso lado, mesmo quando o nosso sofrimento foi causado pela nossa própria culpa, nossa grande culpa. Portando, rezemos: Meu Deus me ajuda aqui. Salva-me de mais essa enrascada! Eu sei que não me abandonastes!

SEGUNDA LEITURA
Jesus enquanto natureza divina, podia realizar qualquer coisa, podia até mexer nas forças físicas alterando o ciclo da natureza como o fez, acalmando a tempestade, e ressuscitando Lázaro depois de 4 dias morto… Porém, em nenhum momento Jesus se vangloriou dos seus poderes, os quais não eram poucos. “A mim foi dado todo o poder no Céu e na Terra”.
Agora vejamos como nós somos depois de receber algum tipo de poder: Quando somos fracos, (Exemplo: as crianças). Olhamos os grandes de baixo para cima e os obedecemos (aos pais). Quando crescemos, (adolescentes). Começamos a olhar os demais de cima para baixo, e nos recusamos a obedecê-los.
Quando somos funcionários da empresa, tratamos os colegas de igual para igual, com todo respeito. Assim que somos promovidos a gerente, ou a chefe de departamento, mudamos completamente, e encaramos os demais de cima para baixo, e ai daquele que não acatar as nossas ordens.
Quando somos pedestres, paramos para os carros passar, conformados com a nossa condição. Quando somos motoristas, olhamos os pedestres de cima para baixo, e nos recusamos a sermos gentis com eles.
Quando somos pobres, somos conformados com a nossa situação, e até podemos bajular os ricos para conseguirmos a nossa sobrevivência. Já quando somos ricos, olhamos os pobres com desprezo, achando que a sua pobreza é causada pela preguiça, e achamos que não precisamos deles, portanto, não temos nenhuma obrigação de agradá-los…
Quando somos candidatos, somos suaves, nos mostramos amigos dos pobres, (porque é deles que vem a maioria dos votos) e defensores da sua causa. Uma vez no poder político, mudamos completamente. Arrogância, desmandos, e tudo mais o que bem sabemos. Pois o poder corrompe. Só não corrompeu a Jesus!

EVANGELHO
A entrada do Filho de Deus na cidade de Jerusalém foi na verdade, uma grande provocação, um ato revolucionário, de quem está disposto a tudo, disposto a enfrentar, satirizando o poder dos reis e os hipócritas vestidos de religiosos da época.
A impressão que nos dá é que Jesus quis fazer uma paródia dos reis daquela época, os quais após dominar uma cidade com seus poderosos exércitos, tomavam posse delas atravessando-as montando um cavalo de guerra bem possante. Na verdade, Jesus estava desafiando o poder político, e religioso. Pois Ele foi hosanado como um rei, e como o Messias. Pois o povo ali presente, o aclamou como um Rei e como o Messias. Dizendo: Bendito o que vem em nome do Senhor!
Porém, Jesus escolheu não um cavalo de guerra, mas um humilde jumento usado na agricultura pelo homem simples do campo. Ou melhor, Ele escolheu uma jumenta. Valorizando assim, o sexo feminino, valorizando a força da mulher na construção do Reino de Deus, a começar por Maria.
O gesto humilde de Jesus, deve ser seguido por nós. Devemos entrar na cidade, entrar na sociedade, com humildade, não pilotando uma Ferrari, mas um carrinho modesto, apenas uma condução. Aquele que pretende ser um seguidor de Cristo, um anunciador da palavra, tem de ser como o Mestre! Humilde, porém corajoso!
Jesus não negou que Ele era Rei. “Tu o disseste”. Foi a sua resposta quando lhe perguntaram se Ele era mesmo um rei. Só que Jesus é o Rei da justiça, um Rei humilde ao ponto de lavar os pés dos seus discípulos, um Rei que se identificava com os pobres e excluídos. Um Rei que não era desse mundo, mas sim, Ele veio para salvar o mundo!
A entrada de Jesus na cidade de Jerusalém nos desperta para uma grande realidade: Assim como Ele mudou o mundo não com armas, mas com o seu amor infinito, nós, seus seguidores, também podemos contribuir para um mundo melhor, podemos derrubar o poder das armas derramando na sociedade a palavra e a bondade divina. Para isso basta humildade, muita fé, preparo, santidade, dedicação, coragem…
Vai e faça o mesmo! Bom domingo.
José Salviano

(11.3) – RAMOS
A liturgia deste último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.
A primeira leitura apresenta-nos um profeta anônimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projetos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.
O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz, revela-se o amor de Deus – esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.

LEITURA I – Is 50, 4-7
AMBIENTE
No livro do Deutero-Isaías (Is 40-55), encontramos quatro poemas que se destacam do resto do texto (cf. Is 42, 1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12). Apresentam-nos uma figura enigmática de um “servo de Iahwéh”, que recebeu de Deus uma missão. Essa missão tem a ver com a Palavra de Deus e tem carácter universal; concretiza-se no sofrimento, na dor e no abandono incondicional à Palavra e aos projetos de Deus. Apesar de a missão terminar num aparente insucesso, a dor do profeta não foi em vão: ela tem um valor expiatório e redentor; do seu sofrimento resulta o perdão para o pecado do Povo. Deus aprecia o sacrifício do profeta e recompensá-lo-á, elevando-o à vista de todos, fazendo-o triunfar dos seus detratores e adversários.
Quem é este profeta?
É Jeremias, o paradigma do profeta que sofre por causa da Palavra?
É o próprio Deutero-Isaías, chamado a dar testemunho da Palavra no ambiente hostil do Exílio?
É um profeta desconhecido?
É uma figura coletiva, que representa o Povo exilado, humilhado, esmagado, mas que continua a dar testemunho de Deus, no meio das outras nações?
É uma figura representativa, que une a recordação de personagens históricas (patriarcas, Moisés, Davi, profetas) com figuras míticas, de forma a representar o Povo de Deus na sua totalidade?
Não sabemos; no entanto, a figura apresentada nesses poemas vai receber uma outra iluminação à luz de Jesus Cristo, da sua vida, do seu destino.
O texto que nos é proposto é parte do terceiro cântico do “servo de Iahwéh”.

MENSAGEM
O texto dá a palavra a um personagem anônimo, que fala do seu chamamento por Deus para a missão. Ele não se intitula “profeta”; porém, narra a sua vocação com os elementos típicos dos relatos proféticos de vocação.
Em primeiro lugar, a missão que este “profeta” recebe de Deus tem claramente a ver com o anúncio da Palavra. O profeta é o homem da Palavra, através de quem Deus fala; a proposta de redenção que Deus faz a todos aqueles que necessitam de salvação/libertação ecoa na palavra profética. O profeta é inteiramente modelado por Deus e não opõe resistência nem ao chamamento, nem à Palavra que Deus lhe confia; mas tem de estar, continuamente, numa atitude de escuta de Deus, para que possa depois apresentar – com fidelidade – essa Palavra de Deus para os homens.
Em segundo lugar, a missão profética concretiza-se no sofrimento e na dor. É um tema sobejamente conhecido da literatura profética: o anúncio das propostas de Deus provoca resistências que, para o profeta, se consubstanciam, quase sempre, em dor e perseguição. No entanto, o profeta não se demite: a paixão pela Palavra sobrepõe-se ao sofrimento.
Em terceiro lugar, vem a expressão de confiança no Senhor, que não abandona aqueles a quem chama. A certeza de que não está só, mas de que tem a força de Deus, torna o profeta mais forte do que a dor, o sofrimento, a perseguição. Por isso, o profeta “não será confundido”.

ATUALIZAÇÃO
– Não sabemos, efetivamente, quem é este “servo de Iahwéh”; no entanto, os primeiros cristãos vão utilizar este texto como grelha para interpretar o mistério de Jesus: ele é a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salvação/libertação aos homens… A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega da vida em favor de todos; e a sua glorificação mostra que uma vida vivida deste jeito não termina no fracasso, mas na ressurreição que gera vida nova.
– Jesus, o “servo” sofredor que faz da sua vida um dom por amor, mostra aos seus seguidores o caminho: a vida, quando é posta ao serviço da libertação dos pobres e dos oprimidos, não é perdida mesmo que pareça, em termos humanos, fracassada e sem sentido.
Temos a coragem de fazer da nossa vida uma entrega radical ao projeto de Deus e à libertação dos nossos irmãos?
O que é que ainda entrava a nossa aceitação de uma opção deste tipo?
Temos consciência de que, ao escolher este caminho, estamos a gerar vida nova, para nós e para os nossos irmãos?
– Temos consciência de que a nossa missão profética passa por sermos Palavra viva de Deus?
Nas nossas palavras, nos nossos gestos, no nosso testemunho, a proposta libertadora de Deus alcança o mundo e o coração dos homens?

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 21 (22)

LEITURA II – Filip 2, 6-11
AMBIENTE
A cidade de Filipos era uma cidade próspera, com uma população constituída maioritariamente por veteranos romanos do exército. Organizada à maneira de Roma, estava fora da jurisdição dos governantes das províncias locais e dependia diretamente do imperador; gozava, por isso, dos mesmos privilégios das cidades de Itália. A comunidade cristã, fundada por Paulo, era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta às necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusalém – cf. 2 Cor 8, 1-5), por quem Paulo nutria um afeto especial. Apesar destes sinais positivos, não era, no entanto, uma comunidade perfeita… O desprendimento, a humildade, a simplicidade, não eram valores demasiado apreciados entre os altivos patrícios que compunham a comunidade.
É neste enquadramento que podemos situar o texto que esta leitura nos apresenta. Paulo convida os filipenses a encarnar os valores que marcaram a trajetória existencial de Cristo; para isso, utiliza um hino pré-paulino, recitado nas celebrações litúrgicas cristãs: nesse hino, ele expõe aos cristãos de Filipos o exemplo de Cristo.

MENSAGEM
Cristo Jesus – nomeado no princípio, no meio e no fim – constitui o motivo do hino. Dado que os Filipenses são cristãos – quer dizer, dado que Cristo é o protótipo a cuja imagem estão configurados – têm a iniludível obrigação de comportar-se como Cristo.Como é o exemplo de Cristo?
O hino começa por aludir subtilmente ao contraste entre Adão (o homem que reivindicou ser como Deus e lhe desobedeceu – cf. Gn 3, 5.22) e Cristo (o Homem Novo que, ao orgulho e revolta de Adão, responde com a humildade e a obediência ao Pai). A atitude de Adão trouxe fracasso e morte; a atitude de Jesus trouxe exaltação e vida.
Em traços precisos, o hino define o “despojamento” (“kenosis”) de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o ser e o amor do Pai. Não deixou de ser Deus; mas aceitou descer até aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse “abaixamento” assumiu mesmo foros de escândalo: Jesus aceitou uma morte infamante – a morte de cruz – para nos ensinar a suprema lição do serviço, do amor radical, da entrega total da vida.
No entanto, essa entrega completa ao plano do Pai não foi uma perda nem um fracasso: a obediência e entrega de Cristo aos projetos do Pai resultaram em ressurreição e glória. Em consequência da sua obediência, do seu amor, da sua entrega, Deus fez d’Ele o “Kyrios” (“Senhor” – nome que, no Antigo Testamento, substituía o nome impronunciável de Deus); e a humanidade inteira (“os céus, a terra e os infernos”) reconhece Jesus como “o Senhor” que reina sobre toda a terra e que preside à história.
É óbvio o apelo à humildade, ao desprendimento, ao dom da vida, que Paulo aqui faz aos Filipenses e a todos os crentes: o cristão deve ter como exemplo esse Cristo, servo sofredor e humilde, que fez da sua vida um dom a todos. Esse caminho não levará ao aniquilamento, mas à glória, à vida plena.

ATUALIZAÇÃO
– Os valores que marcaram a existência de Cristo continuam a não ser demasiado apreciados no séc. XXI. De acordo com os critérios que presidem à construção do nosso mundo, os grandes “ganhadores” não são os que põem a sua vida ao serviço dos outros, com humildade e simplicidade, mas são os que enfrentam o mundo com agressividade, com autossuficiência e fazem por ser os melhores, mesmo que isso signifique não olhar a meios para passar à frente dos outros.
Como pode um cristão (obrigado a viver inserido neste mundo e a ser competitivo) conviver com estes valores?
– Paulo tem consciência de que está a pedir aos seus cristãos algo realmente difícil; mas é algo que é fundamental, à luz do exemplo de Cristo.
Também a nós é pedido, nestes últimos dias antes da Páscoa, um passo em frente neste difícil caminho da humildade, do serviço, do amor: será possível que, também aqui, sejamos as testemunhas da lógica de Deus?
– Os acontecimentos que, nesta semana, vamos celebrar garantem-nos que o caminho do dom da vida não é um caminho de “perdedores” e fracassados: o caminho do dom da vida conduz ao sepulcro vazio da manhã de Páscoa, à ressurreição. É um caminho que garante a vitória e a vida plena.

EVANGELHO – Mc 14, 1 – 15,47
AMBIENTE
Marcos procura, no seu Evangelho, apresentar a figura de Jesus de acordo com duas grandes coordenadas. Uma, desenvolvida na primeira parte do Evangelho, apresenta Jesus como o Messias, enviado por Deus aos homens para lhes propor o Reino (cf. Mc 1, 14-8,30); outra, tratada na segunda parte do Evangelho, apresenta Jesus como o Filho de Deus, que para cumprir a missão que o Pai lhe confiou tem de passar pela morte, mas a quem Deus ressuscitará (cf. Mc 8, 31-16,8).
A leitura que hoje nos é proposta é o relato da paixão de Jesus. O relato, inegavelmente fundamentado em acontecimentos concretos, não é uma simples reportagem jornalística da condenação à morte de um inocente; mas é, sobretudo, uma catequese destinada a apresentar Jesus como o Filho de Deus que aceita cumprir o projeto do Pai, mesmo quando esse projeto passa por um destino de cruz. Marcos pretende que os crentes a quem a catequese se destina concluam, como o centurião romano que testemunha a paixão e morte de Jesus: “na verdade, este homem era Filho de Deus” (Mc 15, 39). Fica assim demonstrada a tese que Marcos, desde o início do Evangelho (cf. Mc 1, 1), se propôs apresentar: Jesus, o Messias, é o Filho de Deus.
Betânia, o cenáculo, o Getsêmani, o palácio do sumo-sacerdote, o pretório romano, o Gólgota e o túmulo são os cenários onde se desenrola a ação e onde vai sendo demonstrada a filiação divina de Jesus.

MENSAGEM
A morte de Jesus tem de ser entendida no contexto daquilo que foi a sua vida. Desde cedo, Jesus apercebeu-Se de que o Pai O chamava a uma missão: anunciar esse mundo novo, de justiça, de paz e de amor para todos os homens. Para concretizar este projeto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina “fazendo o bem” e anunciando a proximidade de um mundo novo, de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos. Ensinou que Deus era amor e que não excluía ninguém, nem mesmo os pecadores; ensinou que os leprosos, os paralíticos, os cegos não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus; ensinou que eram os pobres e os excluídos os preferidos de Deus e aqueles que tinham um coração mais disponível para acolher o “Reino”; e avisou os “ricos” (os poderosos, os instalados) de que o egoísmo, o orgulho, a autossuficiência, o fechamento só podiam conduzir à morte.
O projeto libertador de Jesus entrou em choque – como era inevitável – com a atmosfera de egoísmo, de má vontade, de opressão que dominava o mundo. As autoridades políticas e religiosas sentiram-se incomodadas com a denúncia de Jesus: não estavam dispostas a renunciar a esses mecanismos que lhes asseguravam poder, influência, domínio, privilégios; não estavam dispostas a arriscar, a desinstalar-se e a aceitar a conversão proposta por Jesus. Por isso, prenderam Jesus, julgaram-n’O, condenaram-n’O e pregaram-n’O numa cruz.
A morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do “Reino”: resultou das tensões e resistências que a proposta do “Reino” provocou entre os que dominavam o mundo.
Podemos, também, dizer que a morte de Jesus é o culminar da sua vida; é a afirmação última, porém mais radical e mais verdadeira (porque marcada com sangue), daquilo que Jesus pregou com palavras e com gestos: o amor, o dom total, o serviço.
Na cruz, vemos aparecer o Homem Novo, o protótipo do homem que ama radicalmente e que faz da sua vida um dom para todos. Porque ama, este Homem Novo vai assumir como missão a luta contra o pecado – isto é, contra todas as causas objetivas que geram medo, injustiça, sofrimento, exploração e morte. Assim, a cruz mantém o dinamismo de um mundo novo – o dinamismo do “Reino”.
No relato da Paixão na versão de Marcos, não difere substancialmente das versões de Mateus e de Lucas; no entanto, há algumas coordenadas que Marcos sublinha especialmente. De entre elas, destacamos:
1. Ao longo de todo o processo, Jesus manifesta uma grande serenidade, uma grande dignidade e uma total conformação com aquilo que se está a passar. Não se trata de passividade ou de inconsciência, mas de aceitação serena de um caminho que Ele sabe que passa pela cruz. Marcos sugere, desta forma, que Jesus está perfeitamente conformado com o projeto do Pai e que a sua vontade é cumprir fiel e integralmente o plano de Deus, sem objeções ou resistências de qualquer espécie. Esta “dignidade” de Jesus diante do processo que as autoridades religiosas e políticas lhe movem é atestada em várias cenas:
Mateus e Lucas põem Jesus a interpelar diretamente Judas, quando este o entrega no monte das Oliveiras (cf. Mt 26, 50; Lc 22, 48); mas na narração de Marcos, Jesus mantém-se silencioso e cheio de dignidade diante da traição do discípulo (cf. Mc 14, 45-46), sem observações ou recriminações.
Mateus põe Jesus a desautorizar Pedro quando este fere um servo do sumo-sacerdote cortando-lhe uma orelha (cf. Mt 26, 52) e, na narração de Lucas, Jesus pede aos discípulos que deixem atuar os seus sequestradores (cf. Lc 22, 51); mas Marcos não apresenta, no mesmo episódio, qualquer reação de Jesus (cf. Mc 14, 47). Marcos apenas acrescenta que a prisão de Jesus acontece para que se cumpram as Escrituras (cf. Mc 14, 49).
No tribunal judaico, quando interrogado pelo sumo-sacerdote acerca das acusações que lhe eram feitas, Jesus manteve um silêncio solene e digno (cf. Mc 14, 61a), recusando defender-Se das acusações dos seus detratores.
2. Uma das teses fundamentais do Evangelho de Marcos é que Jesus é o Filho de Deus (cf. Mc 1, 1). Esta ideia também está bem presente, bem sublinhada, bem desenvolvida, no relato da Paixão:
No jardim das Oliveiras, pouco antes de ser preso, Jesus dirige-Se a Deus (cf. Mc 14, 36) e chama-Lhe “Abba” (“paizinho”, “papá”). Esta apalavra não era usada nas orações hebraicas como invocação de Deus; mas era usada na intimidade familiar e expressava a grande proximidade entre um filho e o seu pai. Para a psicologia judaica, teria sido um sinal de irreverência usar uma palavra tão familiar para se dirigir a Deus. O fato de Jesus usar esta palavra, revela a comunhão que havia entre Jesus e o Pai e revela uma relação marcada pela simplicidade, pela intimidade, pela total confiança.
Apesar do silêncio digno de Jesus durante o interrogatório no palácio do sumo-sacerdote, há um momento em que Jesus não hesita em esclarecer as coisas e em deixar clara a sua divindade. Quando o sumo-sacerdote Lhe perguntou diretamente se Ele era “o Messias, o Filho de Deus bendito” (Mc 14, 61b), Jesus respondeu, sem subterfúgios: “Eu sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso e vir sobre as nuvens do céu” (Mc 14, 62). A expressão “eu sou” (“egô eimi”) leva-nos ao nome de Deus no Antigo Testamento (“eu sou aquele que sou” – Ex 3, 14) … É, na perspectiva do nosso evangelista, a afirmação inequívoca da dignidade divina de Jesus. A referência ao “sentar-se à direita do Todo-poderoso” e ao “vir sobre as nuvens” sublinha, também, a dignidade divina de Jesus, que um dia aparecerá no lugar de Deus, como juiz soberano da humanidade inteira. O sumo-sacerdote percebe perfeitamente o alcance da afirmação de Jesus (Ele está a arrogar-Se a condição de Filho de Deus e a prerrogativa divina por excelência – a de juiz universal); por isso, manifesta a sua indignação rasgando as vestes e condenando Jesus como blasfemo.
Marcos põe um centurião romano a dizer, junto da cruz de Jesus: “na verdade, este homem era Filho de Deus” (Mc 15, 39). Mais do que uma afirmação histórica, esta frase deve ser vista como uma “profissão de fé” que Marcos convida todos os crentes a fazer… Depois de tudo o que foi testemunhado ao longo do Evangelho, em geral, e no relato da paixão, em particular, a conclusão é óbvia: Jesus é mesmo o Filho de Deus que veio ao encontro dos homens para lhes apresentar uma proposta de salvação.
3. Apesar de Filho de Deus, o Jesus de Marcos é também homem e partilha da debilidade e da fragilidade da natureza humana:
No jardim das Oliveiras, pouco antes de ser preso, o Jesus de Marcos sentiu “pavor” e “angústia” (cf. Mc 14, 33), como acontece com qualquer homem diante da morte violenta (Mateus é ligeiramente mais moderado e fala da “tristeza” e da “angústia” de Jesus – cf. Mt 26, 37; e Lucas evita fazer qualquer referência a estes sentimentos que, sublinhando a dimensão humana de Jesus, podiam lançar dúvidas sobre a sua divindade).
No momento da morte, Jesus reza: “meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste” (Mc 15, 34). A “oração” de Jesus é a “oração” de um homem que, como qualquer outro ser humano, experimenta a solidão, o abandono, o sentimento de impotência, a sensação de falhanço… e do fundo do seu drama, não compreende a ausência e a indiferença de Deus.
Não há dúvida: o Jesus apresentado por Marcos é, também, o homem/Jesus que Se solidariza com os homens, que os acompanha nos seus sofrimentos, que experimenta os seus dramas, fragilidades e debilidades.
4. Em todos os relatos da paixão, Jesus aparece a enfrentar sozinho (abandonado pelas multidões e pelos próprios discípulos) o seu destino de morte; mas Marcos sublinha especialmente a solidão de Jesus, nesses momentos dramáticos:
Lucas põe um anjo a confortar Jesus, no jardim das Oliveiras (cf. Lc 22, 43); Marcos não faz qualquer referência a esse momento de “consolação”.
Mateus conta que a mulher de Pilatos intercedeu por Jesus, pedindo ao marido que não se intrometesse “no caso desse justo” (cf. Mt 27, 19); Marcos não refere nenhuma interferência deste tipo no processo de Jesus.
João, além de Pedro, refere a presença de um “outro discípulo conhecido do sumo-sacerdote” no palácio de Anás (Jo 18, 15); Marcos, para além de Pedro (que negou Jesus três vezes), nunca refere a presença de qualquer outro dos discípulos.
Lucas fala na presença de mulheres, ao longo do caminho do calvário, que “batiam no peito e se lamentavam por Ele” (Lc 23, 27-31); Marcos também não conhece ninguém que se lamentasse durante o caminho percorrido por Jesus em direção ao lugar da execução (só após a morte de Jesus, Marcos observa que algumas mulheres que O seguiam e serviam quando estava na Galileia estavam ali a “contemplar de longe” – Mc 15, 40-41).
Abandonado pelos discípulos, escarnecido pela multidão, condenado pelos líderes, torturado pelos soldados, Jesus percorre na solidão, no abandono, na indiferença de todos, o seu caminho de morte. O grito final de Jesus na cruz (“meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste” – Mc 15, 34) pode ser o início do Salmo 22 (cf. Sal 22, 2); mas é, também, expressão dramática dessa solidão que Jesus sente à sua volta.
5. Só Marcos relata o episódio do jovem não identificado que seguia Jesus envolto apenas num lençol e que fugiu nu quando os guardas o tentaram agarrar (cf. Mc 14, 51-52). Para alguns comentadores do Evangelho segundo Marcos, o jovem em causa poderia ser o próprio evangelista… Trata-se, no entanto, de uma simples conjectura.
É mais provável que o episódio tenha sido introduzido por Marcos para representar plasticamente a atitude dos discípulos que, desiludidos e amedrontados diante do falhanço do projeto em que acreditaram, largaram tudo quando viram o seu líder ser preso e fugiram sem olhar para trás.

ATUALIZAÇÃO
– Celebrar a paixão e a morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil… Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a mordedura das tentações, experimentou a angústia e o pavor diante da morte; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir conosco “até ao fim dos tempos”: esta é a mais espantosa história de amor que é possível contar; ela é a boa notícia que enche de alegria o coração dos crentes.
– Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude que Ele assumiu e solidarizar-Se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade… Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor… Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurreição.
– Um dos elementos mais destacados no relato marciano da paixão é a forma como Jesus Se comporta ao longo de todo o processo que conduz à sua morte… Ele nunca Se descontrola, nunca recua, nunca resiste, mas mantém-Se sempre sereno e digno, enfrentando o seu destino de cruz. Tal não significa que Jesus seja um herói inconsciente a quem o sofrimento e a morte não assustam, ou que Ele Se coloque na pele de um fraco que desistiu de lutar e que aceita passivamente aquilo que os outros Lhe impõem… A atitude de Jesus é a atitude de quem sabe que o Pai Lhe confiou uma missão e está decidido a cumprir essa missão, custe o que custar.
Temos a mesma disponibilidade de Jesus para escutar os desafios de Deus e a mesma determinação de Jesus em concretizar esses desafios no mundo?
– A “angústia” e o “pavor” de Jesus diante da morte, o seu lamento pela solidão e pelo abandono, tornam-n’O muito “humano”, muito próximo das nossas debilidades e fragilidades. Dessa forma, é mais fácil identificarmo-nos com Ele, confiar n’Ele, segui-l’O no seu caminho do amor e da entrega. A humanidade de Jesus mostra-nos, também, que o caminho da obediência ao Pai não é um caminho impossível, reservado a super-heróis ou a deuses, mas é um caminho de homens frágeis, chamados por Deus a percorrerem, com esforço, o caminho que conduz à vida definitiva.
– A solidão de Jesus diante do sofrimento e da morte anuncia já a solidão do discípulo que percorre o caminho da cruz. Quando o discípulo procura cumprir o projeto de Deus, recusa os valores do mundo, enfrenta as forças da opressão e da morte, recebe a indiferença e o desprezo do mundo e tem de percorrer o seu caminho na mais dramática solidão. O discípulo tem de saber, no entanto, que o caminho da cruz, apesar de difícil, doloroso e solitário, não é um caminho de fracasso e de morte, mas é um caminho de libertação e de vida plena.
– A figura do jovem que, no jardim das Oliveiras, deixou o lençol que o cobria nas mãos dos soldados e fugiu pode ser figura do discípulo que, amedrontado e desiludido, abandonou Jesus.
Já alguma vez virámos as costas a Jesus e ao seu projeto, seduzidos por outras propostas?
O que é que nos impede, por vezes, de nos mantermos fiéis ao projeto de Jesus?
Dehonianos

(11.4) – REFLEXÃO
Já estamos vivendo o Domingo de Ramos, o dia que nos introduz na Semana da Paixão do Senhor. A Liturgia de hoje nos oferece dois evangelhos de Marcos; um para a bênção dos ramos (Mc 11, 1-10) e outro para a Liturgia da Palavra (Mc 15, 1-39). Para nossa meditação, vamos nos ater ao evangelho da bênção dos ramos (Mc 11, 1-10), que relata a entrada triunfal de Jesus em Belém.
Ao entrar em Jerusalém, Jesus é aclamado Rei. No entanto, Jesus é um Rei diferente. Ao contrário dos outros reis que andavam em carros de guerra, Jesus é um Rei manso, humilde e pacífico.
Um Rei capaz de lavar os pés dos seus súditos, sem perder sua majestade. Um Rei que deixou claro que veio para servir. O povo se aglomera para recebê-lo e o reconhece como seu Rei, seu Salvador. Por isso, estende seus mantos à sua passagem.
Certamente, enquanto o povo gritava Hosana! “Salva-nos!” os poderosos ficaram preocupados e agitados. A presença de Jesus sempre preocupa, é uma ameaça para aqueles que vivem às custas do suor do povo. A simples presença de Jesus já é motivo para sonharmos com a liberdade.
A Campanha da Fraternidade deste ano nos fala de serviço. O lema é: “Eu vim para servir”. E, realmente, é isso que Jesus sempre pregou. Quem vive suas palavras deve colocar-se a serviço da sociedade, a serviço dos irmãos.
As atividades libertadoras realizadas por Jesus desafiam o poder opressor. A vinda do Rei-pobre exige opção, exige uma definição, ou o recusamos ou o aceitamos, não existe meio termo. Esse é o grande desafio. Ficar com o verdadeiro ou com o falso. Ficar com o antigo ou aceitar a Nova Aliança.
Veja o que é preciso para ficar com Jesus: Primeiramente é preciso abrir mão do poder e assumir o serviço. É uma decisão difícil, que nos coloca numa posição incômoda. Não é fácil aceitar o convite do Salvador.
A proposta de mudança Jesus, é uma proposta radical. Se trouxermos para os nossos dias, significa abrir mão dos grandes lucros e pensar com mais seriedade nos idosos, nos aposentados e desempregados.
O Rei é justo e exige preocupação com os dependentes químicos, com os enfermos e com os preços abusivos dos remédios. São mudanças que exigem desprendimento e renúncia; exigem humildade, solidariedade e amor ao próximo.
Paz é muito mais do que ausência de guerra. Por tudo isso, não podemos permitir que se repita a mesma cena de dois mil anos atrás. É bom lembrar que os mesmos que exaltaram Jesus, também o condenaram. Exaltar Jesus é aderir ao seu Projeto.
Aderir ao Cristo significa mudar. Quem não muda e não assume o compromisso batismal, é como aquele que hoje estende o seu manto e grita “Hosanas!” e que, em menos de uma semana depois, se posiciona no meio da multidão para gritar: “Crucifica-o! Crucifica-o!”
Jesus espera ouvir-nos gritando Hosanas e apresentando-o ao mundo! Todos precisam conhecer o Verdadeiro Rei, conhecer a Boa Nova da sua presença entre nós. É hora de reconhecer o Rei na pessoa dos pequenos e sofredores. Através dos humildes, Jesus nos convoca para o seu exército.
O convite está feito. Recusar ou aceitá-lo é uma questão de livre escolha.
Jorge Lorente

(11.5) – ACOLHAMOS NOSSO REI!
Lembro-me quando Pedro Augusto Rangel elegeu-se primeiro prefeito da minha cidade de Votorantim, recém emancipada, e o povo se aglomerava no jardim “Bolacha”, onde ele passou com um grupo numeroso, a gente ficava na calçada em meio à multidão e acenávamos enquanto que ele nos retribuía com acenos e sorrisos. Eu me senti orgulhoso por estar lá, apesar de ser um menino, pois o fato do prefeito ter retribuído o aceno, dava-me a nítida impressão de que ele olhava para mim. Essa troca de olhares, sorrisos, acenos, tudo é um sinal exterior daquilo que interiormente estamos sentindo. Eu na verdade não sentia nada, mas percebi que meu pai estava emocionado e dizia todo radiante “Esse é dos nossos, é do povão”.
O povo simples, postado à beira do caminho que levava a Jerusalém, se identificava com Jesus de Nazaré, havia em todos aqueles corações, marcados pela esperança, um sentimento de alegria, porque o esperado reino messiânico estava chegando naquele homem: Jesus de Nazaré, montado em um jumentinho, para pôr um fim no reino da pomposidade. O mesmo sentimento presente no coração do povo estava também no coração do Messias, porém, a salvação e libertação, que ele trazia, era em seu sentido mais amplo.
A procissão do Domingo de Ramos exterioriza esse acolhimento, essa aceitação de Jesus, no coração e na vida de quem crê mas precisamos tomar muito cuidado, para que o nosso canto de Hosana, não fique no oba-oba do entusiasmo momentâneo, pois proclamá-lo nosso Rei e Senhor, significa um rompimento com qualquer mentalidade ou cultura da modernidade, é a experiência profunda da conversão sincera, é a prática de uma espiritualidade que ultrapassa a religiosidade ou o simples devocional, e que nos coloca na linha do discipulado. A ruptura se faz necessária justamente porque as vozes contrárias ao Reino, dos Poderes do mundo, tentarão sempre abafar ou distorcer a palavra de Deus.
Por isso, o servo sofredor, apresentado por Isaias na primeira leitura, é alguém “duro na queda”, inflexível, convicto da missão, e que nunca se deixa “engambelar”, porque tem a língua sempre afiada, não para cortar a vida do próximo, mas para proclamar as Verdades de Deus, reconfortando os tristes e abatidos, despertando esperança no coração de todos os que o ouvem. Ainda é esse mesmo Deus que lhe abre ou ouvidos para que escute como discípulo.
Escutar como discípulo requer a disposição interior em doar-se totalmente por esta causa, por isso este Servo sofredor, que a igreja aplicou a Jesus, coloca toda sua confiança no Deus que vem ao seu auxílio, e que jamais o irá desapontar. Há ainda nessa liturgia, uma atitude que não deve faltar na vida de quem se dispõe a acolher Jesus Cristo como seu único Senhor e Salvador, é o esvaziamento, em grego “kênose”, que encontramos na segunda leitura dessa liturgia, quem quiser encher-se como um pavão, e alimentar a vaidade da santidade, nunca poderá ser discípulo autêntico, pois o Cristo que hoje acolhemos é o Cristo da vergonha e humilhação, é o Cristo rebaixado à condição de servo, é o Cristo que morre nu, pendurado em uma cruz, em uma morte vergonhosa e extremamente humilhante.
Acolher e ovacionar Jesus neste domingo de ramos é bastante comprometedor, por isso que a procissão expõe a fé da nossa igreja publicamente, acenar com os ramos, cantar nossos hinos de louvores e de Hosana, significa a disposição, a coragem e a fidelidade, para percorrer esse mesmo caminho, na firmeza inabalável, ainda que o mundo nos apresente tantos atalhos sedutores, onde podemos ser cristãos adocicados, ou se preferirem, cristãos de “meia tigela”, sem sofrimento e sem nenhum compromisso com o ensinamento do evangelho, como dizia um compadre na porta da igreja, em tom de brincadeira “Ser cristão é coisa muito boa, o que atrapalha é a cruz”, assim pensa a maioria dos cristãos da modernidade, e o próprio Pedro – Chefe da Igreja – também pensava, pois negou o mestre por três vezes, hoje se nega muito mais.
O evangelho da paixão nos mostra o elemento fundamental na vida do cristão: a oração, mas não aquela em que choramingamos diante de Deus, pedindo para que ele mude a nossa sorte, nos favorecendo em tudo aquilo que queremos, mas oração igual a de Cristo em sua agonia.
E finalmente, em um momento tenebroso, Lucas descreve a prisão de Jesus, como uma vitória momentânea das trevas sobre a luz. Jesus hoje continua preso, querem abafar o seu ensinamento, distorcer a essência do seu evangelho, amenizar as exigências do ser cristão, transformando-o em um cristianismo mais “light”. É bom durante a procissão de ramos, fazermos um questionamento: De que lado nós estamos? Senão, esta Semana chamada de Santa, será apenas mais uma entre muitas, cheia de piedade e devoção, e sensibilidade capaz de arrancar lágrima dos olhos, nada que uma boa dramatização teatral, também não consiga fazê-lo…
Diácono José da Cruz

(11.6) – É TEMPO DE DOAÇÃO
Isaías 42, 1-7 – “servo ou voluntário?”
O servo é alguém escolhido por Deus para realizar a missão de levar ao mundo a verdadeira religião. Nesta leitura, Isaías nos mostra como é um servo perfeito aos olhos de Deus. Cheio do Espírito Santo, e com muita sabedoria, o servo perfeito conquista para Deus as pessoas “sem levantar a voz”, “sem quebrar aquele que já está trincado”, sem “apagar a pouca fé que as pessoas possuem” “promovendo a justiça para obter a verdade”. O servo não esmorece nem se abate, não desanima, pelo contrário, é luz das nações para abrir os olhos dos cegos a fim de que enxerguem Jesus e sejam libertados do cativeiro. Jesus é o modelo do servo perfeito. Todos nós somos chamados (as) a imitá-Lo e, como Ele, anunciar a Salvação que o Pai nos garante, com gestos, palavras e expressões coerentes com a nossa missão de servo. No entanto, na maioria das vezes nós nos propomos a ser servos e servas fiéis, mas na realidade fazemos apenas um papel de voluntário (a), alguém que em alguns momentos está disponível, mas em outros se escusa, porque está muito ocupado nos seus afazeres pessoais ou tem medo de enfrentar os desafios. Devemos ter consciência de que quando Deus nos chama Ele também nos segura pela mão, nos prepara e faz de nós um sinal de aliança com os povos e luz das nações. Se quisermos seguir a Cristo, cada um de nós deve assumir também este encargo, tendo-O como modelo e confiante de que é esta a Missão que o Pai nos entregou. Servindo aos irmãos é que podemos ser servos de Deus, dentro da nossa casa, com a nossa família, no lugar onde trabalhamos e em todas as circunstâncias da nossa vida quando lidamos com pessoas que estão cegas, ou para tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão, aqueles que vivem nas trevas.
– Esta é a sua missão, você a tem cumprido?
– Você tem feito aliança com as pessoas?
– Como está sendo o seu relacionamento com a sua família, com os seus amigos?
– Você se considera um servo, uma serva ou apenas um voluntário (a)?

Salmo (26) – “O Senhor é minha luz e salvação.”
O coração do servo sempre está confiante e sereno diante dos desafios da missão. O servo fiel é aquele que não duvida da proteção do Senhor mesmo que o mundo se volte contra si.
– A quem poderemos temer se estamos a serviço de Deus que é poderoso?
– Mesmo que as circunstâncias nos sejam adversas e passemos por privações, quem poderá nos fazer mal?
– O Senhor é minha luz e salvação, a quem poderei temer?

Evangelho – João 12, 1-11 – “é tempo de doação”
O gesto de Maria quando derramou o seu perfume precioso e caríssimo nos pés de Jesus, enxugando-os com o seu próprio cabelo foi uma demonstração de amor, gratidão e doação, por isso nos serve de exemplo. Com aquele sinal ela entregou a Jesus tudo o que possuía de melhor, a sua vida e os seus bens. Mesmo sob o protesto de Judas que, querendo confundir os outros, falava da necessidade de pessoas pobres, Jesus soube argumentar e aceitou de bom grado a homenagem daquela mulher. Jesus sabia que estava prestes a ser entregue e que vivia os seus últimos momentos aqui na terra e já se despedia dos seus amigos, por isso falou: “pobres, sempre terei convosco, mas a mim nem sempre me tereis”. Jesus nos dá a entender que a vida é passageira, por isso, precisamos estar atentos para perceber os sinais de misericórdia que Deus nos dá quando estamos nos momentos cruciais da nossa vida e a aceitar os presentes e as dádivas que vêm do céu por meio das pessoas que nos oferecem algo precioso. Com Maria nós apreendemos que a vida atual aqui na terra é o momento propício para que também façamos a oferta de tudo quanto temos de precioso: o perfume da nossa oração, da nossa adoração, mas também dos nossos atos concretos de amor, de despojamento. Tomando como exemplo, o gesto de Maria se compara com o perdão que precisamos oferecer a quem nos ofendeu, com a reconciliação que precisamos promover na nossa família, com a compreensão que devemos ter com os erros dos nossos irmãos, com o tempo que precisamos dedicar às causas justas. Assim sendo, enquanto estamos aqui na terra, todos nós ainda temos oportunidade de derramar aos pés de Jesus os nossos bens mais preciosos, quando demonstramos a alguém a nossa gratidão, o nosso perdão e a nossa reconciliação.
– Como você tem aproveitado o tempo que está vivendo?
– A quem você tem se dedicado?
– Você tem cuidado somente das suas “coisinhas” ou tem tido interesse pela vida de alguém mais?
– Você tem oferecido a Deus o momento presente da sua vida?
– Você se preocupa com os pobres?
Helena Serpa

(16) – NA VERDADE, ESTE HOMEM ERA FILHO DE DEUS
Hoje, na Liturgia da palavra lemos a paixão do Senhor segundo São Marcos e escutamos um testemunho que nos deixa estremecidos: «Na verdade, este homem era Filho de Deus!» (Mc 15, 39). O Evangelista tem muito cuidado em colocar estas palavras em lábios de um centurião romano, que atônito, assistiu a uma execução mais entre tantas que deveria presenciar devido a sua permanência num país estrangeiro e submetido.
Não deve ser fácil se perguntar que viu Naquele rosto – quase desfigurado – como para emitir semelhante expressão. De uma forma ou de outra descobriu um rosto inocente; alguém abandonando e talvez atraiçoado, a mercê de interesses particulares; o quiçá alguém que era objeto de uma injustiça em meio de uma sociedade não muito justa; alguém que cala, suporta e, inclusive de forma misteriosa aceita tudo o que vem. Tal vez, inclusive, se sentiu colaborador de uma injustiça diante da qual ele não pôde mover nem um dedo para impedi-la, como tantos outros se lava as mãos diante os problemas dos outros.
A imagem daquele centurião romano é a imagem da Humanidade que contempla. É, ao mesmo tempo, a profissão de fé de um pagão. Jesus morre só, inocente, golpeado, abandonado e confiado também, com um sentido profundo de sua missão, com os “restos de amor” que os golpes tinham deixado no seu corpo.
Mas, antes – na sua entrada em Jerusalém – lhe aclamaram como Aquele que vem em nome do Senhor (cf. Mc 11, 9). Nossa aclamação este ano não é de expectativa, ilusionada e sem conhecimento, como a de aqueles habitantes de Jerusalém. Nossa aclamação dirige-se Àquele que já passou pela doação total e que saiu vitorioso. Enfim, «nós deveríamos nos prosternar aos pés de Cristo, não pondo sob seus pés nossas túnicas ou ramas inertes, que muito pronto perderiam seu verdor, seu fruto e seu aspecto agradável, senão nos revestindo de sua graça» (Santo André de Creta).
Rev. D. Fidel CATALÁN i Catalán

COMEMORA-SE NO DIA 29/Mar

(5) – SÃO SEGUNDO
Segundo era um soldado pagão, filho de nobres, nascido em Asti, norte da Itália, no final do século primeiro.
Profundo admirador dos mártires cristãos, que o intrigavam pelo heroísmo e pela fé em Cristo. Chegava a visitá-los nos cárceres de Asti, conversando muito com todos. Consta dos registros da Igreja, que foi assim que tomou conhecimento da Palavra de Cristo.
Entretanto, sua conversão aconteceu mesmo durante uma viagem a Milão, onde visitou no cárcere os cristãos Faustino e Jovita. Esta conversão está envolta em muitas tradições cristãs. Os devotos dizem que Segundo teria sido levado à prisão por um anjo, para lá receber o batismo através das mãos daqueles mártires. A água necessária para a cerimônia teria vindo de uma nuvem. Logo depois, uma pomba teria lhe trazido a Santa Comunhão.
Depois disso, aconteceu o prodígio mais fascinante, narrado através dos séculos, da vida deste santo. Conta-se que ele conseguiu atravessar a cavalo o Pó, sem se molhar, para levar a Eucaristia ao bispo Marciano, antes do martírio. O Pó, minúsculo apenas no nome, é um rio imponente, tanto nas cheias, quanto nas baixas.
Passado este episódio extraordinário, Saprício, o prefeito de Asti, soube finalmente da conversão de seu amigo. Tentou de todas as formas fazer Segundo abandonar o cristianismo, mas como não conseguiu, mandou então que o prendessem, julgassem e depois de torturá-lo deixou que o decapitassem. Era o dia 29 de março do ano 119.
No local do seu martírio foi erguida uma igreja onde, num relicário de prata, se conservam as suas relíquias mortais. Uma vida cercada de tradições, prodígios, graças e sofrimentos foi o legado que nos deixou São Segundo de Asti, que é o padroeiro da cidade de Asti. Seu culto é muito popular no norte da Itália e em todo o mundo católico.
Reflexão:
A vida de muitos santos é cercada de fatos extraordinários. Milagres, curas, histórias fantásticas! Não vamos preocupar demais com estas histórias e com a veracidade delas. Firmemos nosso olhar naquilo que é o essencial: a vida dos santos foi sempre voltada para o amor ao Cristo e a caridade para com o próximo. Isto é o fundamental e corresponde ao mandamento de Jesus: “Amai a Deus e amai ao próximo”.
Padre Evaldo César de Souza

(6) – SANTOS JONAS E BARACHISO
A narrativa do martírio sofrido pelos irmãos cristãos, Jonas e Barachiso, persas da cidade de Beth-Asa, em 327, é uma das páginas mais violentas do sofrimento católico. Entretanto, a descrição das torturas infligidas aos irmãos foi registrada por um pagão, o comandante da cavalaria do mandante imperador sanguinário.
Além do martírio, pouco se sabe da vida deles, bem como suas origens. A biografia conhecida dos dois, começa quando visitaram cristãos encarcerados na cidade de Hubahan. A Igreja da Pérsia sofria na época uma das mais cruéis perseguições de que se tem notícia, decretada e comandada pelo imperador Sapor. Jonas e Barachiso resolveram enfrentar os perigos para consolar os cristãos que, dias depois, seriam martirizados. Só naquela prisão, haviam nove condenados à morte.
Por sua atitude, ambos, foram presos e levados à presença do juiz. Aí começou a descrição de todo o terror. Como se negaram a adorar o rei, o sol e a lua, falsos deuses, o juiz mandou separá-los para tentar enganar os irmãos. Barachiso foi colocado no calabouço, enquanto Jonas era barbaramente açoitado. Depois, teve os pés atados e foi jogado nas águas cobertas de gelo.
O juiz chamou então Barachiso e relatou as torturas de Jonas, dizendo-lhe que seu irmão tinha sacrificado aos deuses. Barachiso não acreditou e fez um discurso tão eloquente em defesa do cristianismo, que o juiz ordenou que seu processo continuasse somente à noite, longe do público, temeroso de que suas palavras acabassem convertendo ali mesmo alguns pagãos. Como castigo, mandou que colocassem ferros em brasa em seus braços. Os torturadores lhe deitaram chumbo derretido pelas narinas e olhos. Foi devolvido ao calabouço, pendurado por um dos pés.
No dia seguinte, o juiz tentou a mesma tática com Jonas, depois de mandar tirá-lo das águas geladas. Disse que Barachiso tinha abandonado sua religião. Este também não acreditou e respondeu com outro discurso fervoroso. Em contrapartida, os torturadores cortaram-lhe as mãos e os pés, arrancaram-lhe a língua e o couro cabeludo, jogaram seu corpo no piche em ebulição, depois cortaram seu corpo em pedaços e jogaram numa cisterna. Quanto a Barachiso, bateram-lhe com ferros pontiagudos, deitaram-lhe piche e enxofre ferventes pela boca, e o maltrataram até que não desse mais sinais de vida.
Realmente, trata-se de uma página chocante do cristianismo dos primeiros tempos, mas importante e cujo registro se faz necessário, para que continue preservada no conhecimento dos católicos dos nossos tempos. De maneira que se compreenda como a fé em Cristo sobrevive a todos os suplícios psicológicos e de sangue através dos séculos para a glória na eternidade de Jesus, o Redentor da Humanidade.

(10.1) – SANTO EUSTÁQUIO, MONGE
Santo Eustáquio viveu no fim do século VI. Tornou-se monge em Luxeuil, cujo mosteiro fora fundado e dirigido por São Columbano.
Mas foi para a Suíça, onde fundou um mosteiro juntamente com Santo Columbano e São Gal.
Mais tarde, quando o mosteiro de Luxeuil estava sendo ameaçado, São Eustáquio retornou para defendê-lo dos usurpadores. A partir de então, o abade Eustáquio dedicou-se a restaurar a disciplina monástica e foi defensor da regra de São Columbano. Criou no mosteiro um coro perpétuo que, ininterruptamente, cantava louvores a Deus.
Com aproximadamente 60 anos faleceu em Luxeuil.

(10.2) – SÃO JOSÉ DE ARIMATEIA
José de Arimateia era assim conhecido por ser de Arimateia, cidade da Judeia. Homem rico, senador da época, era membro do Sinédrio, o Colégio dos mais altos magistrados do povo judeu.
José de Arimateia, juntamente com Nicodemos, providenciou a retirada do corpo de Cristo da cruz após solicitação feita a Pôncio Pilatos. De acordo com o Evangelhos, era o dono do sepulcro onde Jesus, seu amigo, foi depositado, num horto a cerca de 30 metros do local da crucifixão e de onde ressuscitou três dias depois da morte. A tradição atribui também a José o lençol de linho em que Jesus foi envolvido, conhecido hoje como o Santo Sudário.

(10.3) – BEATA JOANA MARIA DE MAILLÉ
Relutante em casar aos 16 anos, viúva com um pouco mais de 30, expulsa de casa pelos parentes do marido, nos restantes 50 anos de sua vida foi obrigada a viver sem abrigo. Tantos percalços estão concentrados na vida da Beata Joana Maria de Maillé que nasceu rica e mimada no Castelo de La Roche, perto de Saint-Quentin, Touraine, em 14 de abril de 1331. Seus pais eram o Barão de Maillé Hardoin e Joana, filha dos Duques de Montbazon.
Sua família se destacava pela devoção. Ela cresceu sob a orientação espiritual de um franciscano, mostrando uma particular devoção a Maria. Dedicava-se a orações prolongadas e fez precocemente o voto de virgindade. Aos onze anos, no dia de Natal, pela primeira vez teve um êxtase: Maria Santíssima lhe apareceu segurando em seus braços o Menino Jesus. Uma doença que quase a levou à morte serviu para desprendê-la mais e mais da terra e torná-la mais próxima de Deus.
Na idade de dezesseis anos, aparece no cenário de sua vida um parente da mãe que se tornou seu tutor, o que sugere que os pais morreram prematuramente. O tutor combina, de acordo com o costume da época, o casamento de Joana com o Barão Roberto II de Sillé, um bom jovem, não muito mais velho do que ela, seu companheiro de brincadeiras na infância. E isto apesar de estar ciente da inclinação de Joana para a vida religiosa e do seu voto de castidade. Portanto, é um casamento contra a vontade da jovem.
Providencialmente, o tutor morreu repentinamente na manhã do dia do casamento, e a impressão no noivo foi tão grande, que propôs a Joana viverem em perfeita continência, isto é, como irmão e irmã. Seu consentimento é imediato, já que estava preparada para isto pelo seu voto de virgindade.
Apesar das premissas, o casamento funcionou e bem: como base da união eles colocaram o Evangelho, e viveram-no plenamente, resultando em muitas boas obras, como: adotar algumas crianças abandonadas, alimentar e cuidar dos pobres, ajudar os empestados… Na verdade, tinham muito que fazer. Nunca se viu tanto movimento no castelo desde que se espalhou a notícia de o casal ser extremamente caridoso.
E pensar que não lhes faltaram problemas, como quando Roberto teve que ir para a guerra (estamos na época da Guerra dos Cem Anos), onde foi ferido e preso pelos britânicos. Para libertá-lo Joana pagou um resgate elevado, o que afetou fortemente o patrimônio do casal. No entanto, eles não perderam a fé, e uma vez instalados, marido e mulher, lado a lado, primeiro tratam dos contagiados pela peste negra, depois, dos leprosos.
Roberto morreu em 1362 e Joana, viúva aos 30 anos, vê toda a família de seu marido se voltar contra ela. A principal acusação: ter esbanjado a fortuna da família. Assim, ela foi expulsa do Castelo de Silly e ficou sem casa, sem um tostão, forçada a viver da caridade. Mas, mesmo na rua, os parentes ricos continuavam a persegui-la: enviavam seus serviçais para lançar-lhe insultos quando ela passava, porque não queriam rebaixar-se a fazê-lo pessoalmente.
Ela renunciou a todos os seus bens e foi morar em um casebre construído junto ao convento dos Frades Menores Franciscanos de Tours, onde levava uma vida de penitência, contemplação e pobreza contínua, a mendigar o pão. Gozou de várias aparições da Virgem Maria, de São Francisco e de Santo Ivo, o qual lhe recomendou que ingressasse na Ordem Terceira de São Francisco.
Joana sofria e, com um amor sem limites, não tinha um mínimo de ressentimento. E para sabermos onde ela encontrava tal força e tanta bondade, olhemos para suas longas horas de oração, sua grande penitência, seus sacrifícios. Escolheu para vestir uma túnica grosseira e rude, muito semelhante à roupa de seus amados franciscanos, de cuja intensa espiritualidade viveu.
Continuou a fazer caridade com os doentes e os prisioneiros condenados à morte, se não já com dinheiro, mas com a sua presença e seus humildes serviços, consolando-os quando não podia fazer nada melhor, e intercedendo pela sua libertação quando atingiu popularidade e pode usá-la em proveito do próximo.
Devido a sua reputação como uma mulher de Deus se ter espalhado pela França, muitos a procuravam pedindo conselhos, e entre aqueles que bateram à sua porta havia também alguns daqueles que a tinham insultado antigamente e que ela recebia com amor e paciência.
O rei de França, Carlos VI, que estava em Tours, foi visitar a penitente famosa que lhe pediu para libertar alguns prisioneiros e dar a outros a ajuda de um capelão.
Em 1395, Joana mudou-se para Paris onde se encontrou outra vez com o rei da França, Carlos VI e sua esposa, Isabel da Baviera. Ela aproveitou a oportunidade para criticar o luxo da corte e a vida licenciosa dos cortesãos. Em Paris, visitou a Sainte-Chapelle para venerar as relíquias da Paixão de Cristo.
Apesar da frágil saúde e das dificuldades da sua vida penitente, Joana atingiu a idade de 82 anos e morreu em 28 de março de 1414 cercada de uma sólida reputação de santidade e foi sepultado na igreja franciscana. Infelizmente o seu túmulo foi profanado pelos calvinistas nas guerras de religião.
A sua fama de santidade era tão difundida, que os fiéis a veneravam espontaneamente. Como resultado, em apenas 12 meses foi instaurado o processo diocesano informativo para sua canonização. Mas, mesmo após a morte Joana tem que esperar: a sua beatificação só ocorreu muito mais tarde, em 1871, pelo Papa Pio IX.

Aparição de São Ivo à Beata Joana Maria de Maillé
A Beata relatou uma visão de São Ivo em uma época difícil de sua vida. A jovem baronesa tinha ficado viúva e fora expulsa do seu castelo pelos parentes, que alegavam que ela tinha encorajado a excessiva caridade de seu esposo, em detrimento do novo herdeiro. Após ser maltratada, inclusive pelo serviçal a quem tinha dado refúgio, ela voltou para a sua família em Tours.
A aparição é contada por dois historiadores da Ordem Terceira. São Ivo “aconselhou-a a deixar o mundo e a tomar o hábito que ele estava usando”. Outro biógrafo diz: “Se vós deixardes o mundo, gozareis, mesmo aqui na Terra, as alegrias do Paraíso”.
Os mesmos autores especulam se Joana não hesitou diante da perspectiva de renunciar a tudo. “Pobre pequena baronesa! Ela ficou amedrontada diante da prometida liberdade da pobreza e acreditou que poderia desfrutar da paz no último refúgio, seu lar. Mas a vontade de Deus era outra”.
Joana deve mesmo ter hesitado, pois somente depois de uma visão de Nossa Senhora, que repetiu o mesmo conselho, é que ela tomou o hábito da Ordem Terceira de São Francisco.

NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE

CELEBRAÇÃO DE HOJE

RAMOS E PAIXÃO DO SENHOR
(VERMELHO, CREIO, PREFÁCIO PRÓPRIO – II SEMANA DO SALTÉRIO)

RITOS INICIAIS

Monição Ambiental ou Comentário Inicial
Seguindo os passos de Jesus no caminho da cruz, fazemos memória de sua entrada em Jerusalém. Com os ramos nas mãos, acolhemos aquele que vem a nós como humilde servidor. Manifestemos nossa alegria, aclamando: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor”.

ENTRADA EM JERUSALÉM

Acolhida e exortação

Bênção dos ramos

Evangelho

Procissão

– MISSA

Antífona da entrada
Seis dias antes da solene Páscoa, quando o Senhor veio a Jerusalém, correram até ele os pequeninos. Trazendo em suas mãos ramos e palmas, em alta voz, cantavam em sua honra: Bendito és tu que vens com tanto amor! Hosana nas alturas!

Oração do Dia ou Oração da Coleta
Deus eterno de todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DA PALAVRA

Monição para a(s) Leitura(s)
Quem é Jesus? A essa pergunta, a palavra de Deus nos oferece a resposta: é o servo sofredor, aquele que se esvaziou a si mesmo e o próprio filho de Deus.

Monição ou Antífona do Evangelho
Glória e louvor a vós, ó Cristo.
Jesus Cristo se tornou obediente, obediente até a morte numa cruz; pelo que o Senhor Deus o exaltou e deu-lhe um nome muito acima de outro nome (Fl 2, 8s).

Oração Universal ou Oração dos Fiéis
PR: Adoremos a Cristo, que, ao entrar em Jerusalém, foi aclamado pela multidão, dizendo:
AS: Bendito o que vem em nome do Senhor.
1. Vós, Senhor, que subistes a Jerusalém para sofrer a paixão, conduzi vossa Igreja à Páscoa eterna, vos pedimos.
2. Vós que quisestes reunir os filhos de Deus dispersos, ensinai-nos a reconhecer vossa ação em nossa vida e na vida do mundo, vos pedimos.
3. Vós que transformastes o madeiro da cruz em árvore da vida, dai-nos estar unidos a essa árvore para sempre, vos pedimos.
4. Vós que fostes obediente até a morte, ajudai-nos a ser dóceis aos planos do Pai, vos pedimos.
5. Vós que viestes para salvar a humanidade, resgatai para o vosso reino os que sofrem em meio às trevas do pecado, vos pedimos.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Oração sobre as Oferendas
Ó Deus, pela paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, sejamos reconciliados convosco, de modo que, ajudados pela vossa misericórdia, alcancemos pelo sacrifício do vosso Filho o perdão que não merecemos por nossas obras. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão
Ó Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade! (Mt 26, 42)

Oração depois da Comunhão
Saciados pelo vosso sacramento, nós vos pedimos, ó Deus: como, pela morte de vosso Filho, nos destes esperar o que cremos, dai-nos, pela sua ressurreição, alcançar o que buscamos. Por Cristo, nosso Senhor.

RITOS FINAIS OU RITOS DE ENCERRAMENTO

Ide em Paz!

FONTES DE CONSULTAS E PESQUISAS

Vamos expor a seguir de onde pertencem os textos que nos preenchem todos os dias, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO
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FONTE DE CONSULTA LITÚRGICA
IGMR (INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO – 1ª EDIÇÃO / 2008)
IGMR

REFLITA

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem foi que inspirou essa pessoa a escrever.
O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.
O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que Ele nos pede.
Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é ter discernimento e saber compartilhar o conhecimento.

FONTES DE ORIENTAÇÕES E PESQUISAS DAS REFLEXÕES, ORAÇÕES E COMEMORAÇÕES

(1.1) – Blog Liturgia Diária da Palavra de Deus (Reflexões e Comentários);
(1.2) – Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);
(1.3) – Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);
(1.4) – Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);
(5) – Portal Editora Santuário;
(6) – Portal Editora Paulinas;
(7) – Portal e Blog Canção Nova;
(8) – Portal Dom Total;
(9) – Portal Edições Loyola Jesuítas;
(10) – Portal Evangelho Quotidiano;
(11) – Blog Liturgia Diária Comentada;
(13) – Portal Catequisar: Catequese Católica;
(14) – Portal Comunidade Católica Nova Aliança;
(15) – Portal Fraternidade O Caminho;
(16) – Portal Evangeli.net;
(17) – Portal Padre Marcelo Rossi;
(18) – Um Novo Caminho;
(19) – Portal Dom Total: Roteiro Homilético;
(20) – Portal de Catequese Católica;
(21) – Blog Homilia Dominical;
(22) – Portal NPD Brasil;
(23) – Portal Canção Nova: Música;
(24) – Portal Editora Paulus;
(25) – Portal Católica Net;
(26) – Portal Católico Orante;
(27) – Rádio Catedral FM 106,7: Liturgia Diária;
(28) – Portal Comunidade Resgate;
(29) – Portal Católico na Net.

MENSAGEM PARA VOCÊ E PARA MIM MESMO

Mais vale o desconforto da VERDADE, do que a comodidade da MENTIRA.

E usando a essência da Oração da Serenidade, devo orar:

Ó meu Deus e Senhor, Pai de misericórdia e Salvação,
que em seu Filho Jesus perdoou os nossos pecados,
e com o seu Santo Espírito, paráclito nesse nosso mundo que caminha conosco,
apenas em Ti posso almejar a vida eterna, socorre-me e ouvi-me:
Se o ERRO está em mim, que DEUS possa me dar a HUMILDADE de aceitar que estou errado.
Que Jesus me dê a SERENIDADE, para aceitar que tem coisas que não posso mudar.
E que o Espírito Santo me dê a CORAGEM, suficiente para mudar aquelas coisas que dependem de mim, mesmo que sejam difíceis.

E para complementar os alicerces de orações da minha vida, faço como o santo Tomás de Aquino:

“Concede-me, Deus misericordioso, que deseje com ardor o que tu aprovas, que o procure com prudência, que o reconheça em verdade, que o cumpra na perfeição, para louvor e glória do teu nome.
Põe ordem na minha vida, ó meu Deus, e permite-me que conheça o que tu queres que eu faça, concede-me que o cumpra como é necessário e como é útil para a minha alma.
Concede-me, Senhor meu Deus, que não me perca no meio da prosperidade nem da adversidade; não deixes que a adversidade me deprima, nem que a prosperidade me exalte.
Que nada me alegre ou me entristeça para além do que conduz a ti.”

Viver CORRETO e falar a VERDADE hoje são tão difíceis quanto na época de Jesus, pois é muito mais fácil aceitar a MENTIRA e fazer o ERRADO.
Viver no CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é o próprio Cristo Jesus, tem que ser uma caminhada diária.
O futuro é desejo e pensamento.
O passado é aprendizado e lembrança.
O hoje é realidade, isso quer dizer: CRISTO.

Meus amigos(as) de coração, meus irmãos(ãs) na fé em Cristo Jesus, lembrem-se:
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
“Não julgues para não seres julgados.”
“A quem é muito dado, muito será cobrado.”

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