Liturgia Diária 31/Mar/15

LITURGIA DIÁRIA DA PALAVRA
31/Mar/2015 (terça-feira)

Um de vós me entregará…

LEITURA: Isaías (Is) 49, 1-6: Segundo canto do Servo
Leitura do Livro do Profeta Isaías:
1 Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; 2 fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, 3 e disse-me: “Tu és o meu Servo, Israel, em quem serei glorificado”. 4 E eu disse: “Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa”. 5 E agora diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu Servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. 6 Disse ele: “Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

SALMO: Salmos (Sl) 71 (70), 1-2. 3-4a. 5-6ab. 15.17: Súplica de um ancião
15 Minha boca anunciará vossa justiça.
1 Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: que eu não seja envergonhado para sempre! 2 Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me!
3 Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Porque sois a minha força e meu amparo, o meu refúgio, proteção e segurança! 4a Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.
5 Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude! 6a Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, 6b desde o seio maternal, o meu amparo.
15 Minha boca anunciará todos os dias vossa justiça e vossas graças incontáveis. 17 Vós me ensinastes desde a minha juventude, e até hoje canto as vossas maravilhas.

EVANGELHO: João (Jo) 13, 21-33.36-38:
(Jo 13, 21-29: O anúncio da traição de Judas)
(Jo 13, 31-33.36-38: a despedida)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo: Estando à mesa com seus discípulos, 21 Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará.” 22 Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando. 23 Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. 24 Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. 25 Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?” 26 Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho.” Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27 Depois do pedaço de pão, Satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: “O que tens a fazer, executa-o depressa.” 28 Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. 29 Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: “Compra o que precisamos para a festa”, ou que desse alguma coisa aos pobres. 30 Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite. 31 Depois que Judas saiu, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32 Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33 Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: “Para onde eu vou, vós não podeis ir”. 36 Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas me seguirás mais tarde.” 37 Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!” 38 Respondeu Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes.” — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial (Querer)
Começo pedindo luzes para todos os que navegam na rede da internet, para bem rezar a Palavra:
Espírito de verdade, a ti consagro a mente e meus pensamentos: ilumina-me.
Que eu conheça Jesus Mestre e compreenda o seu Evangelho.
Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós.

Eu sou o CAMINHO (Ler)
O que diz o texto do dia?
Leio atentamente, Bíblia, o texto: Jo 13, 21-33.36-38, e observo pessoas, palavras, relações, lugares.
Nesta ceia estão com Jesus, os apóstolos. Destacam-se João, aquele “a quem Jesus amava”, Simão Pedro, representando as pessoas em busca de identidade e Judas Iscariotes, o traidor. Nas refeições solenes, dar um pedaço de pão umedecido no molho era sinal de carinho especial. Jesus entrega este pedaço de pão a Judas Iscariotes. Com isto o Evangelho dá a entender que Jesus ama de maneira extraordinária aquele que o trairá. A traição não é obra de inimigos de Jesus. Acontece por meio de um dos seus. Pedro está distante de Jesus, não só fisicamente, mas precisa da mediação de João para se comunicar com o Mestre.

A VERDADE (Refletir)
O que o texto diz para mim, hoje?
Também me coloco na mesa, junto a Jesus.
Em que lugar?
Identifico-me com Pedro, João, ou com qual apóstolo?
Os bispos, na Conferência de Aparecida falaram da comunidade de amor que nasce da Eucaristia e constrói a unidade. “A Igreja, como ‘comunidade de amor’ é chamada a refletir a glória do amor de Deus que, é comunhão, e assim atrair as pessoas e os povos para Cristo. No exercício da unidade desejada por Jesus, os homens e mulheres de nosso tempo se sentem convocados e recorrem à formosa aventura da fé. ‘Que também eles vivam unidos a nós para que o mundo creia’ (Jo 17, 21). A Igreja cresce, não por proselitismo mas ‘por atração’: como Cristo ‘atrai tudo a si’ com a força de seu amor’. A Igreja ‘atrai’ quando vive em comunhão, pois os discípulos de Jesus serão reconhecidos se amarem uns aos outros como Ele nos amou (cf. Rm 12, 4-13; Jo 13, 34).’ (DAp 159).
Num mesmo contexto, Jesus se refere à negação de Pedro e à traição de Judas!
– Agimos com compreensão quando notamos falhas ao nosso redor?
Pedro se mostra corajoso, mas depois demonstra fraqueza.
– O fato serve de lição de humildade para nós?
Judas, o amigo, torna-se traidor. Pedro, o amigo, nega Jesus.
– Como lidamos com a amizade?
– Em nosso contexto de vida há pessoas que ficam em segundo plano?
Peçamos a Deus o dom de compreender a verdadeira fraternidade.

E a VIDA (Orar)
O que o texto me leva a dizer a Deus?
Rezo, espontaneamente, com salmos ou outras orações, ou com a VIA SACRA:
1. Jesus é condenado à morte por Pilatos (Mt 27, 26)
A cada estação, faço um momento de silêncio e depois rezo:
Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós.
2. Jesus carrega a sua Cruz (Mt 27, 31)
3. Jesus cai pela primeira vez
4. Jesus encontra a sua Mãe
5. Jesus recebe ajuda de Simão Cireneu para carregar a Cruz (Mt 27, 32)
6. Verônica enxuga o rosto de Jesus
7. Jesus cai pela segunda vez sob o peso da Cruz
8. Jesus fala às mulheres de Jerusalém (Lc 23, 27)
9. Jesus cai pela terceira vez sob o peso da Cruz
10. Jesus é despojado de suas vestes (Mt 27, 35)
11. Jesus é pregado na Cruz
12. Jesus morre na Cruz (Mt 27, 50)
13. Jesus é descido da Cruz (Mt 27, 59)
14. Jesus é sepultado (Mt 27, 60)
15. Jesus ressuscitou (Mt 28, 5).
Termino, fazendo com muita consciência o sinal da cruz:
“Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (Agir)
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Meu novo olhar é de acolhimento a Jesus na pessoa dos irmãos. Preciso de mais conversão. Às vezes sou como Pedro: distante e sem compromisso.

REFLEXÕES

(1.4) – REFLEXÃO
Mesmo entre os discípulos de Jesus, a humanidade, com a sua fraqueza, falou mais alto nos momentos mais difíceis. Todos estão à mesa com ele, celebrando a Páscoa, mas ninguém está pronto para viver a Páscoa de Jesus. Judas Iscariotes abandona a mesa celebrativa para procurar os sumos sacerdotes e trair Jesus. Simão Pedro afirma que dará a vida por Jesus e, como resposta, ouve a profecia de que o negará três vezes ainda naquela noite. Com exceção de João, que esteve acompanhando Jesus até o alto do Calvário, todos os demais se dispersaram.

(6) – A DOR DA TRAIÇÃO
Depois do anúncio da traição de um dos discípulos, Jesus fica profundamente comovido. Conhece muito bem aqueles que escolheu para permanecerem com ele. Grande sofrimento ver-se traído por alguém de dentro do círculo dos discípulos! A traição de Judas é obra de satanás. Não se deve entender, aqui, satanás como um ente pessoal, mas como uma realidade que existe sempre diante da pessoa humana, e que ela pode aceitar ou rejeitar. Toda traição é fruto do mal que, enigmaticamente, habita o coração do ser humano; pode ser movida pela frustração, pela ambição, pelo medo, por um desvio de caráter, entre outros motivos. Não é diferente para Simão Pedro, pois negação é traição; sua reação primária e intempestiva dizendo dar a sua vida por Jesus não se confirmará durante a paixão, pois ele negará Jesus por três vezes. Há para ele, como para todos os discípulos, um longo caminho a ser percorrido para o amadurecimento e a firmeza da fé, e para a adesão incondicional à pessoa de Jesus. Será preciso uma verdadeira “metanoia” para que, de fato, eles possam dar a sua vida por Jesus.
Oração:
Ó Deus, dai-nos a coragem de vosso Filho que assumiu com fidelidade a missão que vós lhe destes e tornai-nos semelhantes a Ele em nossas atitudes, gestos e palavras.
Padre Carlos Alberto Contieri

(8) – A TRAIÇÃO DENUNCIADA
A vida de Jesus foi pontilhada de experiências humanas dramáticas. A infidelidade de seus amigos mais íntimos foi, sem dúvida, uma das que mais o fizeram sofrer. Afinal, o chamado, a missão que lhe confiara e os ensinamentos partilhados eram sinais da sua benevolência e amizade.
A denúncia da futura traição de Judas e da negação de Pedro revelam a consciência de Jesus em relação ao grupo de discípulos. Ele deve ter intuído que estes não estavam preparados para enfrentar a provação que se avizinhava.
Judas tinha ideais não totalmente compatíveis com os do Mestre. Os evangelhos frisam seu mau caráter e falta de escrúpulos com os donativos oferecidos para o sustento do grupo. Pedro tinha uma personalidade impulsiva, com arroubos de entusiasmo, mas reticente na hora de defrontar-se com o perigo.
A situação de Judas e a de Pedro não eram isoladas. Os demais discípulos padeciam da mesma insegurança. Assim, na medida em que se aproximava a hora de Jesus, foram também entrando em pânico e acabaram fugindo, deixando o Mestre no mais total abandono.
A vida de Jesus parecia estar fadada a concluir-se com uma enorme frustração. Traído, negado e abandonado pelos amigos, viu ruir um projeto acalentado com muita esperança.
Oração:
Senhor Jesus, dá-me forças para permanecer contigo na hora da provação, sem cair na tentação de escolher o caminho fácil da fuga.
Padre Jaldemir Vitório

(9) – BOA NOVA PARA CADA DIA
“Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado Nele” (Jo 13, 31).
Jesus disse estas palavras quando, durante a última Ceia, Judas saiu do cenáculo para traí-Lo.
Não é estranho que no momento em que Jesus é traído diga que é glorificado tanto Ele como o Seu Pai?
Por mais estranho que nos pareça, para Jesus sua glorificação estava na Sua Morte. Entenderemos porque, sabendo que para Jesus somente por meio de Sua Morte realizaria o glorioso Plano Divino de Salvação de toda a humanidade.
É aqui que vemos a importância da Morte de Jesus.
É por este motivo que devemos venerá-Lo no momento em que morre sobre a Cruz. Sem sua morte na Cruz até hoje estaríamos sob a culpa de nossos pecados, impedidos de receber o perdão de Deus, sem perspectiva de Salvação.
Não nos esqueçamos que o Evangelho de hoje foi escrito por São João Evangelista. Para ele a Glória de Jesus Cristo está, em primeiro lugar, em Sua Morte na Cruz.
É a Glória da Salvação de toda a humanidade.
São João Evangelista não precisará dizer, depois, que a Glória de Jesus também estará em Sua Ressurreição.
É a Glória que nos será dada a participar.
É a participação da natureza divina do Cristo Ressuscitado, Deus como o Pai.
No Evangelho de hoje podemos, portanto, aprofundar nossa compreensão sobre a Glória de Jesus em Sua Morte e em Sua Ressurreição.
Neste Tempo de Quaresma concentremo-nos na Glória que o Pai dá ao Filho que vai para a Morte de Cruz.
Por Jesus, deixemo-nos comover e juntamente com Ele sofrer pela Salvação do mundo.
Padre Valdir Marques

(10) – EM VERDADE TE DIGO: NÃO CANTARÁ O GALO, ANTES DE ME TERES NEGADO TRÊS VEZES!
Irmãos convertamo-nos: tomemos cuidado para que não ocorram entre nós disputas de precedência para nossa perdição. É verdade que os apóstolos discutiam entre si (cf Lc 22, 24), mas isso não é desculpa para nós: é um convite a tomarmos cuidado. É certo que Pedro se converteu no dia em que respondeu ao chamamento do Mestre, mas quem pode afirmar que a sua própria conversão foi repentina? […]
O Senhor dá-nos exemplo. Nós tínhamos necessidade de tudo; Ele não precisa de ninguém e, no entanto, apresenta-Se como mestre de humildade, servindo os seus discípulos. […]
Pedro, rápido de espírito, mas ainda frágil nas disposições do corpo (cf Mt 26, 41), foi prevenido de que iria negar o Senhor. A Paixão do Senhor encontra imitadores, mas não iguais. Assim, não censuro Pedro por ter negado o Senhor; felicito-o por ter chorado. Uma coisa vem da nossa condição humana, a outra é um sinal de virtude, de força interior. […] Mas, se nós o desculpamos, ele não se desculpou. […] Preferiu acusar-se do seu pecado e justificar-se com uma confissão, em vez de agravar o seu caso com negações. E chorou. […]
Pedro chorou, mas não se desculpou. Quem não se pode defender pode lavar-se: as lágrimas lavam as faltas que nos fazem corar quando as confessamos de viva voz. […] As lágrimas confessam a falta sem tremer […]; as lágrimas não pedem perdão e, no entanto, obtêm-no. […] Boas lágrimas, as que lavam a falta! E aqueles para quem Jesus olha sabem chorar. Pedro negou uma primeira vez e não chorou, porque o Senhor não estava a olhar. Negou uma segunda vez, ainda sem chorar, pois o Senhor ainda não estava a olhar. Negou uma terceira vez; Jesus olhou para ele e ele chorou amargamente. Olha para nós, Senhor Jesus, para que saibamos chorar os nossos pecados.
Santo Ambrósio (c. 340-397)

(11.1) – UM DE VÓS ME HÁ-DE ENTREGAR
Lectio
Primeira leitura: Isaías 49, 1-6
O Servo de Javé pede a todos atenção porque tem uma declaração a fazer: a sua missão deverá alargar-se até aos confins do mundo (v. 6b). E narra a sua história, resumindo-a em alguns momentos particularmente significativos: a sua vocação, momento em que também recebeu os dons para realizar com eficácia a missão de proclamar a palavra de modo eficaz (v. Is.): o oráculo com que Deus o confirma na sua identidade e na missão (v. 3).
A missão começa por ser um fracasso, o que leva o Servo a exclamar: «Em vão me cansei, em vento e em nada gastei as minhas forças». Mas reconhece que a sua causa não está perdida: «o meu direito está nas mãos do Senhor, e no meu Deus a minha recompensa». Animado pela confiança no Senhor, o Servo, acolhe e transmite um novo oráculo de Deus: «Não basta que sejas meu servo, só para restaurares as tribos de Jacó, e reunires os sobreviventes de Israel. Vou fazer de ti luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terre».
A missão do Servo é universal. Por meio dele, Deus quer fazer chegar o dom da salvação aos mais remotos confins da terra. A missão do Servo entre os seus compatriotas é insignificante, se comparada com a sua vocação missionária.
Evangelho: João 13, 21-33
Terminado o lava-pés, Jesus alude à traição de que está para ser vítima: «um de vós me há-de entregar!» (v. 21). Estas palavras de Jesus, com a perturbação que Lhe veem estampada no rosto, deixam os apóstolos espantados. Tentam identificar o traidor. Pedro reage por primeiro, manifestando a autoridade que lhe era reconhecida e o bom entendimento que havia entre ele e João. Jesus revela a infinita delicadeza que O distingue: enquanto indica o traidor, oferece-lhe um bocado de pão envolvido em molho, sinal de honra e distinção entre comensais. Uma última e amorosa provocação! Judas nega-se a corresponder a esse gesto, mostrando que a sorte de Jesus estava traçada. Recebendo o bocado, mas recusando o Amigo que lho oferecia, Judas saiu. «Fazia-se noite. (v. 30b), anota o evangelista. Judas já não podia ficar no grupo dos amigos de Jesus. Deixara-se envolver pela noite da mentira, do ódio, pelo reino de Satanás.
«Nenhum dos que estavam com Ele à mesa entendeu» (v. 28). Mas, no exato momento em que Judas saía para atraiçoar o Mestre, era glorificado o Filho do homem. Com Ele, era glorificado o Pai que, ao entregar o Filho, revela o seu imenso amor. A hora da morte e a hora da ressurreição são, juntas, a hora da glorificação, da manifestação de Deus-Amor.
Depois, Jesus inicia o discurso de adeus (v. 33). O vazio que deixa, e que nada nem ninguém pode preencher, não é definitivo. Pedro, sempre impetuoso, não quer nem tem paciência para esperar e quer partir imediatamente com o Mestre: «Senhor, porque não posso seguir-te agora? Eu daria a vida por ti! (v. 36)». Mas, nem Pedro nem mais ninguém pode seguir Jesus só com a sua boa vontade, ou com as suas forças. É preciso Espírito Santo, o grande dom pascal, que é preciso aguardar.

Meditatio
Num mundo que nos enche de angústias e nos pode tornar pessimistas, porque nos parece que “tudo … jaz sob o poder do maligno” (1 Jo 5, 19), Cristo, “Homem novo” (Ef 4, 24) dá-nos coragem, ilumina-nos, pacifica-nos e dá-nos alegria (Cf. Jo 20, 20-21), porque nos mostra o poder do Pai em transformar, para sua glória e nosso bem, todas as situações, mesmo as mais difíceis. Contemplando a Cristo, e unidos a Ele, verificamos que “apesar do pecado, dos fracassos e da injustiça, a redenção é possível, oferecida e já está presente (Cst. 12). As leituras de hoje mostram-nos esta verdade.
O Servo de Javé, de que nos fala Isaías, vive um momento dramático. Está profundamente desanimado. A sua missão tornara-se um retundo fracasso. Por isso, exclama: «Em vão me cansei, em vento e em nada gastei as minhas forças». Mas não se deixa cair no desespero. Continua a confiar no Senhor, que o escolheu desde o ventre materno e o chamou: «Porém, o meu direito está nas mãos do Senhor, e no meu Deus a minha recompensa». Mantendo-se fielmente atento à Palavra do Senhor, acaba por verificar que as presentes dificuldades, no meio do seu povo, são caminho para um horizonte de missão muito mais alargado e radioso: «Vou fazer de ti luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra» (v. 6).
Esta profecia realiza-se plenamente em Jesus. Também Ele passa por um momento dramático e é atraiçoado por um dos seus. Está profundamente perturbado e declara: «um de vós me há-de entregar.!» (v. 21). A sua missão parece redundar num completo fracasso, numa tremenda derrota. Mas Jesus também se deixa iluminar pela Palavra do Pai e exclama: «Agora é que se revela a glória do Filho do Homem e assim se revela nele a glória de Deus» (v. 31).
Tanto o Servo de que fala Isaías, como Jesus, o verdadeiro Servo, conseguem ver para além das aparências. Mesmo nas situações mais dramáticas, descobrem a poderosa ação de Deus que tudo transforma. Os maiores sofrimentos, aceites na fidelidade a Deus, para realizar os seus projetos, transformam-se em glória. Ao aceitar a Paixão, para redenção do mundo, Jesus realiza a profecia de Isaías, para glória do Pai.
Situações semelhantes podem surgir na nossa vida de cristãos, de consagrados, de sacerdotes. A Paixão de Jesus irradia uma luz poderosa para lermos essas situações e reagirmos à maneira do Senhor, acolhendo-as como ocasiões para glorificar a Deus. Este acolhimento confiante não depende unicamente da nossa boa vontade, da nossa generosidade. É o que Jesus declara a Pedro: «tu não me podes seguir» (v. 36). É preciso ser chamado por Ele, e receber a força do seu Espírito. Pela vocação e pelo carisma, somos unidos a Cristo e tornados capazes de participar na sua missão, mesmo no meio das maiores hostilidades e sofrimentos. Unidos a Cristo, podemos participar no seu mistério pascal, para nos transformarmos a nós mesmos e transformarmos o mundo.

Oratio
Senhor Jesus, Tu conheces todas as possibilidades das nossas traições, das nossas repentinas reviravoltas, das dissimuladas e insinuantes afirmações, que ferem o coração da comunidade e ferem o teu coração, sempre em agonia, até ao fim do mundo. Judas, traidor, continuou a ser, para Ti, um amigo, a quem ofereceste um último gesto de delicada predileção. O Amor, que és Tu, não retira o que ofereceu, não renega o que é. Prefere consumir-se no sofrimento e na morte! Todos levamos em nós as trevas de Judas, a impulsividade de Pedro, o amor de João. E por todos Te ofereces, porque nos amaste até à morte. É a tua glória. É a glória do Pai! O seu amor eternamente fiel, revela-se no teu rosto desfigurado pelo sofrimento. A Ele a vitória! A Ele a glória para sempre! Amém.

Contemplatio
Satanás tinha tomado posse de Judas, um apóstolo! E foi-se encontrar com os príncipes dos sacerdotes para conspirar a sua traição com eles. Disse-lhes: «Que quereis dar-me, se vo-to entreçer?».
É introduzido no Sinédrio, escutam-no com alegria, uma alegria digna do inferno. Discutem o preço. Oferecem-lhe trinta moedas de prata. Aceita, o pacto é concluído. A moeda de prata valia quatro dracmas antigas, cerca de cinco francos. Trinta moedas, era o preço habitual de um escravo.
Eis até onde Jesus quis descer para nos resgatar.
Judas empenhou a sua palavra, e desde aquele momento procurava a ocasião para lhes entregar Jesus fazendo com que Ele ficasse fora dos encontros populares: spopondit et quaerebat opportunitatem ut traderet eum sine turbis (Lc 22, 6).
Como é que Judas chegou àquele ponto?
Tinha sido pouco a pouco e cedendo, primeiro, a alguns movimentos de avareza.
Oh! Como a inclinação para o pecado é escorregadia!
Não estou eu em perigo, pela minha tibieza atual, de cair bem baixo?
Depois do seu pacto criminoso, Judas e os Fariseus tiveram ainda vários dias para se arrependerem, mas em vão. O endurecimento é o castigo do sacrilégio. Como devo temer chegar até lá! Trato muitas vezes Nosso Senhor com tão pouco respeito nas minhas comunhões impregnadas de tibieza e de rotina! – Nosso Senhor dizia ao bispo de Éfeso: «Decaíste do teu fervor, toma cuidado! Se não fizeres penitência, voltarei, derrubarei o teu candelabro e darei a outro o teu lugar» (Ap 2, 5) (leão DEhon, OSP 3, p. 257s.).

Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«E agora que se revela a glória do Filho do Homem; e assim se revela nele a glória de Deus» (Jo 13, 31).
Dehonianos

(11.2) – GLORIA DO FILHO DO HOMEM
Estamos no dia mais movimentado do Ministério Público de Jesus. Trata-se da última Terça Feira que Jesus passou na terra, antes da Sua morte na cruz.
O dia começou bem cedo, com a saída de Jesus e Seus discípulos de Betânia para Jerusalém, e terminou pela noite dentro, num jantar, em Betânia, onde Maria unge Jesus para a sepultura, Jesus aponta o traidor e delineia o conteúdo do novo mandamento e de onde Judas sai possuído por Satanás, para trair o seu Mestre, entregando-o aos principais dos sacerdotes e capitães do templo. Infelizmente, Judas é uma peça na articulação dos chefes religiosos do templo e das sinagogas ao planejarem a morte de Jesus. Felizmente porque tendo sido configurado o ato de traição de Judas, Jesus anuncia a glorificação do Filho do Homem. É a manifestação plena do amor de Jesus, até o fim, sem limites. A partir da traição de Judas a glória de Jesus: Paixão e Morte, é a obra de Sua vida em plenitude, pela qual nos tornamos eternamente perfeitos.
O dia está cinzento e nublado por causa dos bombardeamentos, de acusações e respostas dadas pelo Senhor às ardilosas questões dos fariseus, saduceus e herodianos, sobre a sua autoridade, ressurreição dos mortos, tributo, grande mandamento; fica também o discurso escatológico de Jesus, a profecia da destruição de Jerusalém, ensinos sobre a segunda vinda, condenação dos ímpios e galardão dos salvos.
É um dia terrivelmente desgastante e que só Jesus, o Senhor, podia concretizar. Ele foi fiel, concreto e objetivo. Nada deixou por fazer.
É Terça-feira santa Jesus vislumbra já a Sua futura trajetória na qual com a Cruz às costas e com um sorriso dirá: Está consumado.
O evangelista João dirá várias vezes que se tratava de um ladrão. Logo, alguém de caráter duvidoso, de quem se pode esperar tudo. A traição seria apenas mais uma manifestação da personalidade mau sã deste discípulo. Os evangelhos, em geral, referem-se a Judas como alguém que vendeu sua própria consciência ao aceitar entregar o Mestre por um punhado de dinheiro. Entretanto, é possível suspeitar de outras razões desta atitude tresloucada.
Será que Judas entendeu, de fato, o projeto de Jesus?
Terá sido capaz de abrir mão de seus esquemas messiânicos para aceitar Jesus tal qual se apresentava?
Estava disposto a seguir um Messias pobre, manso, amigo dos excluídos e marginalizados, anunciador de um Reino incompatível com a violência e a injustiça?
Judas esperava tirar partido do Reino a ser instaurado por Jesus.
Vendo frustrado o seu intento, não teria tido escrúpulo de traí-lo?
Uma coisa é certa: Judas como muitos de nós, estava longe de sintonizar-se com Jesus. Algo parecido acontecia com Pedro, que haveria de negá-lo. A diferença entre os dois é que este recuou e se converteu à misericórdia do Senhor.
Meu irmão minha irmã o texto de hoje nos revela a Festa já da última Ceia. S. João vai interpretando os acontecimentos de maneira simbólica: atrás do pão, Satanás entra em Judas; já era noite; a morte de Jesus que já ferimos, é a sua glorificação; Pedro, segui-l’O-à depois, mas antes O nega. Espiritualmente está com vontade e desejo de seguir o seu Mestre. Mas a carne impedia-o de fazê-lo. Jesus está cada vez mais abandonado dos homens, ao mesmo tempo em que é o seu Salvador, por isso não olha para traz e segue o Seu caminho. Ele sabe que chegou a hora da glorificação do Filho do Homem: Agora a natureza divina do Filho do Homem é revelada, e por meio dele é revelada também a natureza gloriosa de Deus. E, se por meio dele a natureza gloriosa de Deus for revelada, então Deus revelará em si mesmo a natureza divina do Filho do Homem. E Deus fará isso agora mesmo.
Depois da rejeição dos meios oficiais, vem agora a traição e a negação dos seus. Esta foi a atitude dos dois discípulos. Mas, muitas vezes é nossa também. Quantas vezes depois de um emprego adquirido, depois de uma linda esposa ou esposo maravilhoso, de um filho pedido, uma casa própria, de uma graça recebida, colocamos Jesus de lado e o que é grave trocamo-l’O pelos bens temporais e o negamos?
Olhemos para nós e nos perguntemos se somos fiéis ao Evangelho e se O testemunhamos no mundo de hoje.
Canção Nova

(16.1) – ERA NOITE
Hoje, Terça-feira Santa, a liturgia põe o acento sobre o drama que está a ponto de desencadear-se e que concluirá com a crucifixão da Sexta-feira Santa. «Então, depois de receber o bocado, Judas saiu imediatamente. Era noite» (Jo 13, 30). Sempre é de noite quando nos distanciamos do que é «Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro» (Símbolo de Niceas-Constantinopla).
O pecador é o que dá as costas ao Senhor para gravitar ao redor das coisas criadas, sem referi-las a seu Criador. Santo Agostinho descreve o pecado como «um amor a si mesmo até o desprezo de Deus». Uma traição. Uma prevaricação fruto da «arrogância com a que queremos emancipar-nos de Deus e não ser nada mais que nós mesmos; a arrogância pela que cremos não ter necessidade do amor eterno, e sim que desejamos dominar nossa vida por nós mesmos» (Bento XVI). Podemos entender que Jesus, aquela noite, tenha-se sentido «turbado em seu interior» (Jo 13, 21).
Afortunadamente, o pecado não é a última palavra. Esta é a misericórdia de Deus. Mas ela supõe uma “mudança” de nossa parte. Uma mudança da situação que consiste em desapegar-se das criaturas para vincular-se a Deus e reencontrar assim a autêntica liberdade. No entanto, não vamos esperar estar aborrecidos das falsas liberdades que tomamos, para mudar a Deus. Segundo denunciou o padre jesuíta Bourdaloue, «quiséramos converter-nos quando estivéssemos cansados do mundo ou, melhor dito, quando o mundo estivesse cansado de nós». Sejamos mais espertos. Decidamo-nos agora. A Semana Santa é a ocasião propícia. Na Cruz, Cristo abre seus braços a todos. Ninguém está excluído Todo ladrão arrependido tem seu lugar no paraíso. Isso sim, a condição de mudar de vida e de reparar, como o do Evangelho: «Para nós, é justo sofrermos, pois estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal» (Lc 23, 41).
Abbé Jean GOTTIGNY

(16.2) – AGORA FOI GLORIFICADO O FILHO DO HOMEM, E DEUS FOI GLORIFICADO NELE
Hoje contemplamos Jesus na escuridão dos dias da Paixão, escuridão que concluirá quando exclame: «Está consumado» (Jo 19, 30); a partir desse momento se acenderá a luz da Páscoa. Na noite luminosa da Páscoa – em contraposição com a noite escura da véspera de sua morte – as palavras de Jesus vão se fazer realidade: «Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele» (Jo 13, 31). Pode se dizer que cada passo de Jesus é um passo da morte à Vida e tem um caráter pascoal, manifestado numa atitude de obediência total ao Pai: «Eis que eu vim para fazer a tua vontade» (Hb 10, 9), atitude que fica corroborada com palavras, gestos e obras que abrem o caminho da sua glorificação como Filho de Deus.
Contemplamos também a figura de Judas, o apóstolo traidor. Judas tenta dissimular a má intenção que guarda no seu coração; assim mesmo, procura encobrir com hipocrisia a avareza que lhe domina e lhe cega, apesar de ter tão perto ao que é a Luz do mundo. Mesmo assim de estar rodeado de Luz e de desprendimento exemplar, para Judas «Era noite» (Jo 13, 30): trinta moedas de prata, “o excremento do diabo” – como qualifica Papini o dinheiro – o deslumbraram e amordaçaram. Preso da avareza, Judas atraiçoou e vendeu a Jesus, o mais prezado dos homens, o único que pode nos enriquecer. Mas Judas experimentou, também a desesperação, já que o dinheiro não é tudo e pode chegar a escravizar.
Finalmente, consideramos Pedro atenta e devotamente. Tudo nele é boa vontade, amor, generosidade, naturalidade, nobreza… é o contraponto de Judas. É certo que negou a Jesus, mas não o fez com má intenção, senão por covardia e debilidade humana. «Negou-o pela terceira vez, e olhando-o Jesus Cristo, logo depois chorou, e chorou amarguradamente» (Santo Ambrósio). Pedro se arrependeu sinceramente e manifestou a sua dor cheio de amor. Por isso, Jesus o reafirmou na vocação e na missão que lhe tinha preparado.
Rev. D. Lluís ROQUÉ i Roqué

COMEMORA-SE NO DIA 31/Mar

(5) – SANTA BALBINA
Apesar de poucas certezas sobre a vida de Santa Balbina, seu nome é venerado em uma antiquíssima igreja na via Ápia, nas proximidades de Roma. Também temos um cemitério que leva seu nome, supostamente o local onde Balbina foi enterrada.
É venerada como mártir, mas destaca-se sua consagração a Deus pela virgindade e sua perseverança de servir ao Cristo.
Diz-se a história que Balbina, filha do militar Quirino, foi curada milagrosamente, pelo papa e mártir são Adriano, que estava na prisão. Este fato levou a família de Balbina à conversão e todos foram batizados. Balbina, por sua vez, ofereceu a Deus virgindade perpétua. Seu pai, Quirino, também recebeu a coroa do martírio.
Sua vida era muito representada no teatro medieval, o que causa certa confusão histórica, uma vez que a arte mistura muito realidade e ficção. Mas é pelo teatro que ficamos sabendo do martírio de Balbina e de sua consagração. Dizem as histórias sobre santa Balbina, que muitos jovens quiseram desposá-la, mas sua firmeza de caráter a manteve fiel ao seu voto de castidade.
Balbina sofreu o martírio sob o imperador Adriano II e encontrou-se com Deus no dia em que lhe cortaram a cabeça. Viveu santamente e recebeu a glória de ter o nome marcado na história da igreja.
Reflexão:
A vida cristã é marcada pelo compromisso com a pregação do Reino de Deus. Jesus nos convidou a falar do Reino, mas também exigiu que testemunhássemos, através de obras concretas nossa fé neste Reino vindouro. A vida de santa Balbina entrou para a história porque ela soube conjugar fé e obras, chegando ao extremo gesto de confiança em Cristo pelo testemunho do martírio. Sua consagração a Deus foi plena e vivida em total liberdade. Muitas vezes somos inconstantes em assumir nossa vocação, desconfiando do amor de Deus e de que Ele nos concede as forças necessárias para bem viver.
Que tal confiar mais na providência de Deus?
Padre Evaldo César de Souza

(6) – SANTO AMÓS
Entre os grandes profetas de Deus, Amós foi o primeiro a deixar suas mensagens por escrito, encabeçando uma lista onde se sucedem: Oséias, Isaías, Jeremias e outros. Com o desenvolvimento e a popularização da escrita se desenrolando em toda a cultura mundial, no século VIII a.C., as profecias passaram a ser registradas e distribuídas com maior rapidez e eficiência do que com o método oral, expandindo a comunicação da palavra do Criador.
Profetas são pessoas com os pés no chão, profundamente conhecedoras da vida de seu povo e de sua realidade. Conhecem e vivem a realidade, mas são extremamente sensíveis a Deus. Por isso são escolhidos e se tornam anunciadores da vontade de Deus para aquele momento histórico. E por isso denunciam tudo aquilo que fere a vontade de Deus.
Assim, aconteceu com as profecias de Amós que ficaram para a posteridade e pouco sobreviveu de sua história pessoal. Sabe-se ainda que antes de se entregar totalmente à sua religiosidade, Amós foi pastor de ovelhas em Tácua, nos limites do deserto de Judá, não há sequer razão para considerá-lo um proprietário de grandes proporções. Um pequeno sítio talvez, com condições razoáveis para garantir-lhe sustento, a si e sua gente, onde permaneceu muito tempo, pois nem pertencia à corporação oficial dos profetas.
Teve um curto ministério religioso na região de Betel e Samaria, mas foi expulso de Israel e voltou à atividade anterior. Pregou depois durante o reinado de Jeroboão II, entre os anos 783 e 743 antes de Cristo.
Julgam os historiadores que Amós era ainda muito jovem quando recebeu um chamado irresistível de Deus para proclamar suas mensagens. Os Escritos registram também que seu trabalho espiritual abriu uma esperança para o povo, que sentia o peso do Senhor sobre certos habitantes.
Seu ministério profético aconteceu quando o povo de Israel vivia a divisão entre norte e sul. Amós embora originário do sul profetizou no norte, que viveu anos de instabilidade econômica, alternados com anos de prosperidade. Esta que foi construída por alguns para si mesmos, enquanto que outros foram oprimidos. Por um lado havia luxo e fartura; por outro, empobrecimento e miséria.
E Amós deixa claro que junto à tudo isso, vem a decomposição social, a corrupção religiosa e a falsidade no culto. O culto em sua falsidade encobria na verdade o grande pecado: a injustiça social.

(10.1) – SANTO ACÁCIO
Santo Acácio, cognominado Agatangelo, isto é, bom Anjo, viveu como bispo de Antioquia quando Décio era imperador romano. Em Antioquia existiam muitos Marcionitas, que abandonaram a religião, quando os católicos guiados pelo bispo, ficaram firmes na fé. O próprio bispo, por motivos de religião, foi citado perante o tribunal de Marciano.
Este lhe disse: “Tens a felicidade de viver sob a proteção das leis romanas. Convém, pois, que honres e veneres os nossos príncipes, nossos defensores”.
Acácio respondeu-lhe: “Quem poderá ter nisso mais interesse que os cristãos, e por quem o imperador é mais amado, senão por eles? É a nossa oração constante, que tenha longa vida aqui no mundo, governe com justiça os povos e lhe seja conservada a paz; nós rezamos pela salvação dos soldados e de todas as classes do império”.
Marciano: “Tudo isto é muito louvável, mas para dar ao imperador uma prova de submissão, vem comigo e oferece o sacrifício aos deuses”.
Acácio: “Já te disse que faço oração ao supremo Deus pelo imperador; mas criatura nenhuma poderá exigir de nós que sacrifiquemos a outros deuses”.
Marciano interrogou-o: “Dize-me, pois, a que Deus adoras, para que possamos acompanhar-te em tuas orações”.
Acácio: “Oxalá o conheças!”
Marciano: “Que nome tem ele?”
Acácio: “É o Deus de Abraão, Isaac e Jacó”.
Marciano: “São deuses também?”
Acácio: “Não são deuses, mas homens a quem Deus se comunicou. Há um só Deus a quem é devida toda a oração”.
Marciano: “Afinal, quem é esse Deus?”
Acácio: “É o Altíssimo, que tem seu trono sobre Querubins e Serafins”.
Marciano: “Que coisa é Serafim?”
Acácio: “Um mensageiro do altíssimo e príncipe dos mais distintos da corte celestial”.
Marciano: “Deixa de contar-nos as tuas fantasias. Abandona aqueles seres invisíveis e adora os deuses visíveis”.
Acácio: “Dize-me que deuses são”.
Marciano: “É Apolo, o salvador dos homens, que nos defende contra a peste e a fome, que ilumina e governa o mundo”.
Acácio: “Eu adorar a Apolo, que não pode salvar-se a si mesmo; a Apolo, cujas paixões inconfessáveis são conhecidas por Dafne e Narciso; a Apolo que, como um companheiro de Netuno, trabalhou como pedreiro, para ganhar pão; eu adorar a Apolo? Pelo mesmo motivo podia queimar incenso a Esculápio, vítima do assassino Júpiter, à lúbrica Vênus e a outros aventureiros do vosso culto. Isto eu nunca farei, embora me custe a vida. Como poderia adorar divindades, cuja imitação é uma vergonha e cujos imitadores são punidos pela lei?”
Marciano: “Sei que vós cristãos, injuriais os nossos deuses. Por isso eu te ordeno que me acompanhes ao banquete, que será dado em homenagem a Júpiter e Juno”.
Acácio: “Poderia eu adorar um homem, cujo túmulo ainda existe na ilha de Creta? Por acaso ressuscitou?”
Marciano: “Basta de palavras: escolhe entre o sacrifício ou a morte”.
Acácio: “Esta é a linguagem dos saltadores na Dalmácia: a bolsa ou a vida! Nada. Nada receio; se fosse eu um adúltero, salteador ou ladrão, eu mesmo me julgaria; se, porém, me condenam por ter adorado o Deus vivo e verdadeiro, a injustiça está do lado do juiz”.
Marciano: “Tenho ordem de obrigar-te ao sacrifício ou punir a tua desobediência”.
Acácio: “Ordem minha é não negar a Deus; devo obedecer ao Deus poderoso e eterno que disse que negará perante seu Pai àquele que O negar diante dos homens”.
Marciano: “Estás confessando o erro da tua seita, em dizer que Deus tem um filho”.
Acácio: “Sem dúvida, que tem”.
Marciano: “Quem é este Filho de Deus?”
Acácio: “A palavra da verdade e da graça”.
Marciano: “Este é seu nome?”
Acácio: “Não me perguntes pelo seu nome, mas quem era”.
Marciano: “Qual é pois seu nome?”
Acácio: “Jesus Cristo”.
Marciano: “De que esposa teve Deus este filho?”
Acácio: “Deus tem seu filho, não de maneira humana, gerado de mulher; pois o primeiro homem foi criado por suas mãos. Do barro da terra formou o corpo humano e deu-lhe um espírito. O Filho de Deus, o Verbo da Verdade, saiu do coração de Deus, como está escrito: meu coração produziu boa palavra”. (S. 44, 1).
Marciano insistiu que sacrificasse aos deuses e imitasse os exemplos dos Montanitas, dando assim um bom exemplo de obediência.
Acácio, porém, respondeu: “O povo obedece a Deus e não a mim”.
Marciano: “Dize-me os nomes daqueles que compõem o teu povo”.
Acácio: “Estão escritos no livro da vida”.
Marciano: “Onde estão os feiticeiros teus companheiros e pregadores de nova doutrina?”
Acácio: “Ninguém condena a feitiçaria mais do que nós a condenamos”.
Marciano: “Esta nova religião, que introduzis, é feitiçaria”.
Acácio: “É feitiçaria atirar ao chão ídolos feitos por mão humana? Nós só tememos aquele, que é Senhor do Universo, que nos ama como um Pai, que como Pastor misericordioso, nos salvou da morte e do inferno”.
Marciano: “Dize-me os nomes que te pedi, se quiseres poupar-te aos tormentos”.
Acácio: “Aqui estou diante do tribunal. Desejas saber o meu nome e dos meus companheiros. Como vencerás os outros, se eu sozinho te envergonho? Pois seja feita a tua vontade. Eu me chamo Acácio, ou Agatangelo, e com este nome sou mais conhecido. Meus companheiros são Piso, bispo de Tróia e o sacerdote Menandro. Agora faze o que entenderes”.
Marciano: “Hás de ficar preso, até que o imperador tenha tomado conhecimento do teu processo”.
Décio ficou comovido pela leitura das atas e concedeu a Acácio plena liberdade no exercício da religião. Ignora-se a data da morte do Santo. Os gregos, egípcios e todas as Igrejas do Oriente celebram a sua festa no dia 31 de março.

(10.2) – S. GUIDO
Guido viveu entre os séculos X e XI, e terá nascido em Brabante, Bélgica. Desde a infância, ele já demonstrava o seu desapego dos bens terrenos, tanto que na juventude distribuiu aos pobres tudo o que possuía e ganhava. Na ânsia de viver uma vida ascética, Guido abandonou a casa dos pais, que eram bondosos cristãos camponeses e foi ser sacristão do vigário de Laken, perto de Bruxelas, pois assim poderia ser mais útil às pessoas carentes e também dedicar-se às orações e à penitência.
Quando ficou órfão, decidiu ser comerciante, pois teria mais recursos para auxiliar e socorrer os pobres e doentes. Mas, seu navio repleto de mercadorias afundou nas águas do Sena. Então, o comerciante Guido teve a certeza de que tinha escolhido o caminho errado. Convenceu do equívoco cometido ao abandonar sua vocação religiosa para trabalhar no comércio, mesmo que sua intenção fosse apenas ajudar os mais necessitados. Sendo assim, Guido deixou a vida de comerciante, vestiu o hábito de peregrino e pôs-se novamente no caminho da religiosidade, da peregrinação e da assistência aos pobres e doentes. Percorreu durante sete anos as inseguras e longas estradas da Europa para visitar os maiores santuários da cristandade. Depois da longa peregrinação incluindo a Terra Santa, Guido voltou para o seu país de origem, já fraco e cansado. Ficou hospedado na casa de um sacerdote na cidade de Anderlecht, perto de Bruxelas, de onde herdou o sobrenome. Pouco tempo depois, morreu, com fama de santidade. Foi sepultado nesta cidade e a sua sepultura tornou-se um polo de peregrinação.
Assim com o passar do tempo foi erguida uma igreja a ele dedicada, para guardar suas relíquias. Com o passar dos séculos, a devoção a São Guido de Anderlecht cresceu, principalmente entre os sacristãos, trabalhadores da lavoura, camponeses e cocheiros. Aliás, ele é tido como protetor das cocheiras, em especial dos cavalos. Diz a tradição que Guido não resistiu a uma infecção que lhe provocou forte desarranjo intestinal, muito comum naquela época pelos poucos recursos de saneamento e higiene das cidades. Seu nome até hoje é invocado pelos fiéis para a cura desse mal. A sua festa litúrgica, tradicionalmente celebrada no dia 12 de setembro, traz uma carga de devoção popular muito intensa. Na cidade de Anderlecht, ela é precedida por uma procissão e finalizada com uma benção especial, concedida aos cavalos e seus cavaleiros.

NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE

CELEBRAÇÃO DE HOJE

SEMANA SANTA
(ROXO, PREFÁCIO DA PAIXÃO II – OFÍCIO DO DIA)

RITOS INICIAIS

Monição Ambiental ou Comentário Inicial
Chamados desde o ventre materno a uma missão, que se prolonga por toda a vida, vigiemos para não trair a confiança de Deus em nós nem negar nossa condição de discípulos de Jesus.

Antífona da entrada
Não meu deixeis, Senhor, à mercê de meus adversários, pois contra mim se levantaram testemunhas falsas, mas volta-se contra eles a sua iniquidade (Sl 26, 12).

Oração do Dia ou Oração da Coleta
Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos celebrar de tal modo os mistérios da paixão do Senhor, que possamos alcançar vosso perdão. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DA PALAVRA

Monição para a(s) Leitura(s)
Deus quer que sejamos luz no caminho das pessoas, mas podemos nos tornar trevas quando traímos ou negamos o seu amor, que nos chama à vida e à convivência.

Monição ou Antífona do Evangelho
Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor!
Salve, ó rei, obediente ao Pai, vós fostes levado para ser crucificado, como um manso cordeiro é conduzido à matança.

Oração Universal ou Oração dos Fiéis
AS: Santificai-nos, Senhor, em vosso amor.
1. Senhor, que sois a luz dos povos, uni os cristãos na mesma fé e no amor.
2. Vós que sois o defensor dos fracos, livrai-nos dos perigos e adversidades.
3. Vós que sois nossa esperança, tornai-nos vossos fiéis seguidores no caminho da doação até o fim.
4. Vós que morrestes por amor, ajudai-nos a defender a vida ameaçada do povo.
5. Vós que sois misericórdia, ensinai-nos a ser tolerantes e respeitar a liberdade religiosa.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Oração sobre as Oferendas
Considerai, ó Deus, com bondade, as oferendas da vossa família. Se podemos agora participar dos vossos dons sagrados, fazei-nos chegar também à sua plenitude. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão
Deus não quis poupar seu próprio filho, mas o entregou por todos nós (Rm 8, 32).

Oração depois da Comunhão
Nutridos pelos dons que nos salvam, imploramos, ó Deus, vossa misericórdia, para que o mesmo sacramento que nos alimenta na terra nos faça participar da vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

RITOS FINAIS OU RITOS DE ENCERRAMENTO

Ide em Paz!

FONTES DE CONSULTAS E PESQUISAS

Vamos expor a seguir de onde pertencem os textos que nos preenchem todos os dias, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO
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FONTE DE CONSULTA LITÚRGICA
IGMR (INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO – 1ª EDIÇÃO / 2008)
IGMR

REFLITA

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem foi que inspirou essa pessoa a escrever.
O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.
O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que Ele nos pede.
Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é ter discernimento e saber compartilhar o conhecimento.

FONTES DE ORIENTAÇÕES E PESQUISAS DAS REFLEXÕES, ORAÇÕES E COMEMORAÇÕES

(1.1) – Blog Liturgia Diária da Palavra de Deus (Reflexões e Comentários);
(1.2) – Periódico Mensal: Liturgia Diária (Editoras Paulinas e Paulus);
(1.3) – Periódico Mensal: Deus Conosco (Editora Santuário);
(1.4) – Portal CNBB (A Palavra de Deus na Vida);
(5) – Portal Editora Santuário;
(6) – Portal Editora Paulinas;
(7) – Portal e Blog Canção Nova;
(8) – Portal Dom Total;
(9) – Portal Edições Loyola Jesuítas;
(10) – Portal Evangelho Quotidiano;
(11) – Blog Liturgia Diária Comentada;
(13) – Portal Catequisar: Catequese Católica;
(14) – Portal Comunidade Católica Nova Aliança;
(15) – Portal Fraternidade O Caminho;
(16) – Portal Evangeli.net;
(17) – Portal Padre Marcelo Rossi;
(18) – Um Novo Caminho;
(19) – Portal Dom Total: Roteiro Homilético;
(20) – Portal de Catequese Católica;
(21) – Blog Homilia Dominical;
(22) – Portal NPD Brasil;
(23) – Portal Canção Nova: Música;
(24) – Portal Editora Paulus;
(25) – Portal Católica Net;
(26) – Portal Católico Orante;
(27) – Rádio Catedral FM 106,7: Liturgia Diária;
(28) – Portal Comunidade Resgate;
(29) – Portal Católico na Net.

MENSAGEM PARA VOCÊ E PARA MIM MESMO

Mais vale o desconforto da VERDADE, do que a comodidade da MENTIRA.

E usando a essência da Oração da Serenidade, devo orar:

Ó meu Deus e Senhor, Pai de misericórdia e Salvação,
que em seu Filho Jesus perdoou os nossos pecados,
e com o seu Santo Espírito, paráclito nesse nosso mundo que caminha conosco,
apenas em Ti posso almejar a vida eterna, socorre-me e ouvi-me:
Se o ERRO está em mim, que DEUS possa me dar a HUMILDADE de aceitar que estou errado.
Que Jesus me dê a SERENIDADE, para aceitar que tem coisas que não posso mudar.
E que o Espírito Santo me dê a CORAGEM, suficiente para mudar aquelas coisas que dependem de mim, mesmo que sejam difíceis.

E para complementar os alicerces de orações da minha vida, faço como o santo Tomás de Aquino:

“Concede-me, Deus misericordioso, que deseje com ardor o que tu aprovas, que o procure com prudência, que o reconheça em verdade, que o cumpra na perfeição, para louvor e glória do teu nome.
Põe ordem na minha vida, ó meu Deus, e permite-me que conheça o que tu queres que eu faça, concede-me que o cumpra como é necessário e como é útil para a minha alma.
Concede-me, Senhor meu Deus, que não me perca no meio da prosperidade nem da adversidade; não deixes que a adversidade me deprima, nem que a prosperidade me exalte.
Que nada me alegre ou me entristeça para além do que conduz a ti.”

Viver CORRETO e falar a VERDADE hoje são tão difíceis quanto na época de Jesus, pois é muito mais fácil aceitar a MENTIRA e fazer o ERRADO.
Viver no CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é o próprio Cristo Jesus, tem que ser uma caminhada diária.
O futuro é desejo e pensamento.
O passado é aprendizado e lembrança.
O hoje é realidade, isso quer dizer: CRISTO.

Meus amigos(as) de coração, meus irmãos(ãs) na fé em Cristo Jesus, lembrem-se:
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
“Não julgues para não seres julgados.”
“A quem é muito dado, muito será cobrado.”

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