Liturgia Diária 07/01/16

Liturgia Diária 07/01/17 (Sábado) – João 2, 1-11.

Bom dia. Fiz esta reflexão inspirada pela reflexão do Pe. Bantu Mendonça.

— Jo 2, 1a: Houve um casamento…

Sabemos que o relacionamento entre Deus e o seu povo era simbolizado como um casamento: Deus o esposo e Israel a esposa.

— Jo 2, 1bc: em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava presente.

Aparece pela primeira vez este personagem que depois repetido por três vezes, porém sempre sem nome. Quando os evangelistas – sem dúvida S. João sabia que o nome da mãe de Jesus era Maria – apresentam a figura de uma pessoa, porém, sem o nome dela, significa que são personagens representativos. E veremos qual é o significado deste personagem que é a mãe de Jesus. Enquanto a mãe (Maria) pertence a este casamento, a esta aliança, Jesus não.

Jesus foi convidado:

— Jo 2, 2: Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento.

Eis que agora, vem o drama:

— Jo 2, 3a: Como o vinho veio a faltar…

No rito do casamento, o momento alto era quando os esposos bebiam no mesmo copo de vinho; o vinho é o símbolo do amor. Então, neste casamento, que é símbolo da aliança entre Deus e o seu povo, falta o elemento mais importante: falta o amor.

— Jo 2, 3bc: a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”.

A mãe não diz, como estamos acostumados a ler nas velhas traduções “Não tem mais vinho”. O vinho nunca esteve. E tampouco diz: “Não temos vinho”, porque o Israel fiel sempre conservou com Deus este relacionamento de amor. Portanto sempre existiu o vinho do amor. A mãe de Jesus se preocupa com a massa do povo “Eles não têm mais vinho” e, portanto, chama a atenção de Jesus sobre a situação do povo.

— Jo 2, 4a: Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim?…

Quer dizer: o que importa isso para mim e para você? É bastante estranho que Jesus fale desta forma chamando-a com o nome de “mulher” que se usava para uma pessoa casada. No evangelho de João, Jesus dirige sua palavra com este termo “mulher” a três personagens femininos que são as figuras das esposas da aliança. A primeira é esta que estamos comentando, é a mãe, é a esposa fiel do Antigo Testamento do qual provem o Messias o próprio Cristo, o próprio Jesus. A segunda é a samaritana a esposa infiel, a adúltera que o esposo reconquista com a oferta de um amor muito maior. Por fim a terceira será Maria de Mágdala – Madalena – a esposa da nova aliança, a convertida. Portanto, Jesus se dirige com esta expressão para declarar o papel dela de esposa da aliança.

— Jo 2, 4b: Minha hora ainda não chegou.

A hora da aliança de Jesus será quando derramará o seu sangue na cruz. A nova aliança não será como a antiga, feita de sangue de touros, mas com o próprio sangue de Jesus, quer dizer do próprio filho de Deus.

— Jo 2, 5a: Sua mãe …

A mãe de Jesus, e pela terceira vez aparece este termo, e o número três na simbologia hebraica significa o que é completo, o que está cheio.

— Jo 2, 5b: disse aos que estavam servindo:

Aqui, o evangelista usa o termo “diáconos” que significa não aqueles que devem servir, mas aqueles que servem livremente por amor e se colocam voluntariamente a serviço dos outros.

— Jo 2, 5c: Fazei o que ele vos disser.

As palavras da mãe de Jesus, a sua ordem, repetem aquilo que o povo disse a Moisés depois da aliança: “Tudo o que o Senhor mandar fazer nós o faremos”.

— Jo 2, 6a: Estavam seis talhas …

O número sete indica a totalidade, o número seis indica a imperfeição. Portanto, há algo de imperfeito.

— Jo 2, 6b: de pedra colocadas aí …

Estes potes, pois, são de pedra e não de barro, portanto pesados, imóveis.

— Jo 2, 6c: para a purificação que os judeus costumam fazer.

Repararam qual era o uso destes potes? Para os ritos de purificação dos judeus. É claro que no texto original não existe a palavra “rito”, mas, fala-se simplesmente de “purificação dos judeus”. E eis aqui, no centro do episódio, que o evangelista aponta o motivo pelo qual falta o amor. Podem me responder: Porque falta o amor? Porque um relacionamento com Deus alicerçado só sobre a observância da lei fazia sentir o povo sempre indigno, sempre culpado… E sabemos quando nos sentimos sempre culpados, não podemos experimentar o amor de Deus. Eis o problema que existe neste casamento onde falta o vinho, falta o amor: e a purificação quer dizer uma religião, uma lei que fazia sempre sentir as pessoas indignas e sempre culpadas.

— Jo 2, 6d: Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.

Além do mais, o evangelista afirma que deviam conter seiscentos litros ou mais, e, portanto, sempre esta capa pesada da purificação.

E agora a intervenção de Jesus:

— Jo 2, 7: Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca.

Os potes não vão conter nunca a água da purificação. Será o próprio Jesus que irá fornecer a verdadeira água da purificação.

— Jo 2, 8: Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram.

Aparece pela primeira vez um personagem importante que é o mestre-sala. Nestes almoços que podiam ter a duração de uns dias, havia um encarregado que devia vigiar o desenrolar da festa e, sobretudo devia ficar atento às provisões. No entanto este personagem importante não percebe que está faltando vinho. Os chefes não se dão conta da situação do povo, que está sem amor. Para eles não interessa. No entanto Jesus diz: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram.

— Jo 2, 9a: O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho.

Os odres não conterão nunca vinho, símbolo do Espírito que Jesus vai efundir, mas a água se torna vinho quando é haurida dos potes.

— Jo 2, 9bc: Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.

De fato, portanto nos odres tem água, mas quando sai se transforma em vinho, porque o vinho é o dom de Jesus. É a nova aliança alicerçada sobre o amor.

— Jo 2, 10-11: O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

Senhor Jesus, que Maria me conduza sempre a ti e me leve a descobrir em ti o caminho da salvação que o Pai nos ofereceu.

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