Liturgia Diária 16/01/17

Liturgia Diária 16/01/17 (Segunda) – Marcos 2, 18-22.

Bom dia. O Evangelho hoje nos mostra duas visões que devemos refletir para que possamos verdadeiramente nos converter à Boa Nova de Jesus. Em primeiro lugar, podemos observar que os fariseus e até mesmo os discípulos de João Batista estavam jejuando, sendo assim, era um dia de preceito.

Mas, antes de qualquer coisa, devemos ter um pequeno entendimento, sobre o que é jejum e abstinência, e quando e porque se realizava. E devemos mesmo, já nos orientarmos, pois daqui uns dias, iremos nos adentrar ao Tempo da Quaresma, onde ouviremos e seremos convidados a realizarmos a Abstinência e o Jejum, mas devemos fazê-los do modo correto e pelo motivo certo.

A ABSTINÊNCIA, é o negar-se a certos prazeres, tais como a bebida, a comida e o sexo, visando certa finalidade.

No Primeiro Testamento a abstinência fazia parte da obediência à Lei, portanto, o israelita devia se abster de comer alguns animais e os sacerdotes deviam se abster do vinho enquanto ministravam.

Já no Segundo Testamento, o cristão é chamado à abstinência por amor ao próximo, quando um irmão mais sensível se sentir incomodado diante de uma comida, bebida ou uma ação.

Já nos dias de hoje, muitos cristãos fazem a abstinência de algo que gosta muito, podendo ser uma comida (fritura, churrasco, pizza, etc.); ou uma bebida (refrigerante, cerveja, etc.); ou até mesmo palavrões, como forma de se abster durante o tempo da quaresma de algo que gosta muito como forma de conter-se diante dos vícios ou daquilo que mais lhe prejudica. Infelizmente, erroneamente, alguns consideram a “abstinência” como “jejum”. E não é bem assim, pois, em todo jejum existe a abstinência, mas nem toda abstinência possui o jejum. Ao explicar o jejum, todos nós teremos uma visão correta sobre isso.

O JEJUM, é a “abstinência” ou “contenção” de alimentos em certos dias e durante algumas horas, onde que deveríamos ficar em oração ou reflexão, nos abstendo até mesmo de certas funções ou afazeres.

O jejum tem sua origem muito antiga. No judaísmo, é feito para cumprir fins espirituais, isto é, para se tornar sensível a Deus diante de algum tipo de aflição, ou em sinal de luto ou de arrependimento, etc. E já que se trata de um ato religioso, ele é revestido de um caráter ritualístico todo especial, com seus preceitos alicerçados na Lei. Sendo assim, podemos enumerar alguns tipos de jejuns realizados pelos judeus.

O Jejum do Dia da Expiação, se iniciava no pôr-do-sol do dia e durava até o entardecer do outro dia, quer dizer, que este Jejum tinha a duração de mais ou menos 36 horas, sem água, comida, calçar sapatos, e bastante oração.

Existiam datas específicas (preceito da Lei), em que os judeus realizam o jejum do nascimento do Sol ao entardecer do mesmo dia, quer dizer, em torno de 12 horas de jejum. Estes jejuns nos dias de preceito, tinham o objetivo de orar e rememorar acontecimentos importantes da história, e também ficavam sem água e comida.

Já existiam também, os jejuns realizados por motivos pessoais, onde que as pessoas desejam estar um pouco mais perto de Deus para orarem, refletirem sobre algo ou alguma coisa que estaria acontecendo em sua vida ou de seus familiares. Também se iniciava no amanhecer do sol ao entardecer do mesmo dia, tendo também a sua duração em 12 horas, sem água e sem comida.

Sendo assim, podemos ter agora uma noção do que é “Abstinência” e “Jejum”, mas além disso, quando formos realizar, tanto um como o outro, não devemos fazer como os fariseus faziam, conforme nos mostra o Evangelho de Mateus no seu capítulo 6 e versículos 16-18: “Quando jejuardes, não façais um rosto sombrio como os hipócritas, que desfiguram o rosto para fazer o povo ver que estão jejuando. Asseguro-vos que já receberam seu pagamento. Quando jejuares, perfuma a cabeça, lava o rosto, de modo que os homens não percebam teu jejum, mas somente teu Pai, que está escondido; e teu Pai, que vê o escondido, te pagará.”

Continuando a nossa reflexão, podemos compreender um pouco mais o que Jesus quis mostrar com as suas respostas:

Primeiro: se formos realizar tanto a abstinência como o jejum, devemos saber o porquê estamos fazendo; qual o sentido que aquilo estará tendo em minha vida; o que esta ação está me levando para mais perto de Deus.

Segundo: como não devemos realizar o jejum se o noivo está presente, nós também devemos trazer esta ação para os nossos dias. Se está verdadeiramente em jejum, do amanhecer ao entardecer, não marque nenhum compromisso com ninguém que depois venha a faltar. Seja no mínimo educado e não marque tal compromisso.

Terceiro: se estamos em abstinência, também não marque nenhuma visita aos seus amigos, pois, quando o “noivo” te convida para a sua festa, é para que você usufrua de tudo aquilo que ele preparou para você, e não seja mal-educado em chegar e falar que não deseja ou que não pode comer, dando como justificativa o seu jejum ou abstinência, pois como está em Mateus, não devemos mostrar que estamos jejuando. Novamente, seja educado e não vá. Agora, se realmente não for possível faltar, e já que está diante do “noivo”, usufrua daquilo que ele te oferece.

Por último: se por acaso, você tem o conhecimento que um amigo ou amiga está realizando um tempo de abstinência de algo, um tipo de comida ou bebida, não que você tenha que se abster também, mas tenha o coração fraterno e quando o convidar para vir em seu lar, se possível, evite de oferecer aquilo que ela se abstendo. Isso, também, é uma forma de carinho e amor com o seu próximo, pois você está sendo um instrumento de ajuda para ele ou para ela concretizar o seu desejo diante de Deus.

E para completar a nossa reflexão, peguemos a fala de Jesus sobre o remendo de pano e o vinho, novos e velhos.

Jesus quer nos deixar bem claro, que para podermos verdadeiramente nos converter a sua Boa Nova, devemos nos transformar em novas pessoas, com novas palavras, com novas atitudes. Não adianta, eu, dizer que aceito Jesus em minha vida, mas as minhas atitudes não condizem com o que falo, se os meus exemplos não condizem com a Palavra do Senhor. Caso, não nos tornemos novas pessoas em Cristo Jesus, logo que o pano for posto à prova, nós iremos rasgar mais ainda; quando o vinho novo que é Palavra de Deus começar a fermentar em nosso coração não convertido, fará como odre velho, rachará e deixará vazar todo o amor de Jesus por nós.

Sendo assim, será que estamos dispostos a nos tornar um “odre novo” para vivenciarmos o “vinho novo” que é a Palavra de Deus?

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