Liturgia Diária 02/02/17

Liturgia Diária 02/02/17 (Quinta) – Lucas 2, 22-40.

Bom dia. Neste evangelho narrado hoje, nos é apresentado de formas tão sutis e maravilhosas, momentos de cumprimentos da lei, confirmação da missão, revelação divina, humildade diante de todos, e inspiração do Espírito Santo. E se formos nos aprofundarmos um pouco mais, poderemos vislumbrar tantos outros sinais que vão nos inspirar em nossa caminhada de fé, confiando em Deus e na Igreja.

Primeiramente, nos é narrado, que deverá haver a purificação da mãe, pois pela lei judaica, ou segundo o costume dos judeus, somente 40 dias após o parto é que a mulher podia voltar a frequentar o Templo.

Vocês se lembram o que significa simbolicamente o número 40 na história do povo de Deus? Caminhada, reflexão, conversão, penitência, preparação para uma vida nova. Maria, com José, se apresentando para a purificação, estavam confirmando a sua missão de pais e respeito e obediência à lei, pois, mesmo sendo sem pecado e cheia de graça diante de Deus, não quis ser diferente, pois é na igualdade que a humilde serva do Senhor cresce na fé.

Já todo primogênito de uma família, deveria ser consagrado a Deus, e por isso, Jesus também foi levado ao Templo, para que Ele e sua família cumprisse o que a Lei prescrevia e serem iguais a todos. Mas Jesus, por ser filho de Deus, deveria ser apresentado ao templo?

Esse fato tem um sentido muito mais profundo do que normalmente nós conseguimos ver apenas lendo, mas existe um sentido messiânico nessa apresentação. Vejamos, naquela época, ou nos dias de hoje, quando iam apresentar os primogênitos e ou vamos batizar os nossos filhos, conforme à Lei da Igreja de ontem e de hoje, nós é que apresentamos à comunidade os nossos filhos, não é mesmo? Mas, será que já paramos para observar, que no caso de Jesus, apesar de estarem cumprindo a Lei, não foi Maria e José que apresentou Jesus, mas sim, foi Deus que utilizando de dois instrumentos inspirados pelo Espírito Santo, Simeão e Ana, que apresentaram Jesus como sendo Filho de Deus? Não foi uma simples apresentação como preceito de lei, mas sim, uma evocação divina, que o Reino de Deus está sendo preparado, pois ao mundo, seu Filho foi apresentado.

Meus irmãos, minhas irmãs, é lindo demais, é maravilhoso ver o que Deus realiza nas nossas vidas, e por diversas vezes não conseguimos enxergar, porque nos mantemos fechados à inspiração do Espírito Santo, nos mantemos fechados em nosso mundo de egoísmo e autossuficiência, e nos esquecemos que Deus está presente, mas devemos estar dispostos a ouvi-lo, como fizeram Simeão e Ana.

Como gosto de dizer, Deus gosta de nos dar aquele “tapinha” com luva de pelica. Quantos de nós, por não termos um estudo avançado, ou uma condição financeira elevada, nos sentimos inferiorizados e diminuídos diante de alguns irmãos? Mas, a Sagrada Família, Jesus, Maria e José, não se sentiram inferiorizados, pois, como não tinham grande poder aquisitivo, levaram praticamente, a menor das oferendas que um judeu poderia levar ao templo, que eram duas rolas ou pombas, pois, na pior das hipóteses, até a própria natureza se encarregaria de dar-lhes estas oferendas. Diante do chamado que Deus havia lhes feito para criarem o seu filho, mesmo sendo humildes, aceitaram o chamado, confiando em Deus plenamente.

Infelizmente, muitos de nós não aceitamos certos convites para trabalhar em uma pastoral ou participar de um movimento, por acharmos que a nossa situação financeira, retratada em uma casa pequena, ou por não termos um meio de transporte, ou pouco estudo e conhecimento, são motivos de diminuição diante dos nossos irmãos. Mas não sejamos hipócritas, em achar que esses nossos irmãos sejam fracos na fé, pois não é tão simples assim, infelizmente, existem pessoas que “trabalham” nas pastorais que utilizam desse subterfúgio para ditar e ou constranger esses nossos irmãos menos favorecidos, mas que, fazendo isso, estão nos mostrando, que quem está precisando de conversão são eles.

Compreendamos, a apresentação de Jesus no Templo corresponde ao Sacramento do Batismo. Mas não basta batizar as nossas crianças, é preciso fazer com que elas cresçam cheias de sabedoria e graça, como Jesus cresceu, tendo José e Maria como àqueles que ensinavam e eram exemplos de pessoas fiéis à Deus.

Outra bela oportunidade que podemos ter como exemplo de fé em Deus, é a fé que Simeão tinha, pois, o Espírito Santo havia lhe dito que haveria de morrer, somente após ver o Messias enviado por Deus. Isso, só foi acontecer já estando na velhice, mas em nenhum momento Simeão titubeou ou desistiu de sua missão, pois, sejamos sinceros, para alguém ser reconhecido como “justo” e “piedoso”, ele não deveria ser uma má pessoa ou um mal exemplo na comunidade, mas ao contrário, concordam?

Mais uma bela demonstração de fé que Simeão confiava verdadeiramente em Deus, que ele recitou ou cantou uma prece que ficou conhecida como “Nunc Dimittis” (devido às duas primeiras palavras em latim): “Agora tu, Senhor…”, que se transformou na Liturgia, no “Cântico do Evangelho” tradicional para a Oração da Noite (Completas) ou Orações do Fim do Dia, assim como o “Benedictus” e o “Magnificat” são as tradicionais orações para as da manhã (Laudes) e de tarde (Vésperas), respectivamente.

Latim (Vulgata): Nunc dimittis servum tuum, Domine, secundum verbum tuum in pace: Quia viderunt oculi mei salutare tuum Quod parasti ante faciem omnium populorum: Lumen ad revelationem gentium, et gloriam plebis tuae Israel.

“Simeão, naquele momento, diante a inspiração do Espírito Santo e tendo uma Fé verdadeira em Deus, sabia que ninguém consegue partir deste mundo com a esperança da vida eterna, se não está ligado a Jesus. Ter a graça de segurar o Menino Jesus foi para ele um sinal de que Deus o segurava em seus braços, portanto, podia morrer. Isso vale para nós. Se queremos, ao sair deste mundo, ganhar a vida eterna, temos de segurar Jesus em nossos braços, agarrar-nos a Ele e não larga-lo mais”. Não devemos ter medo da morte, mas a felicidade e esperança de sermos acolhidos por Deus quando isso acontecer.

Foi o Espírito Santo que levou Simeão ao Templo. Se queremos ter Jesus em nossos braços, e assim ser dignos da vida eterna, dirijamo-nos ao Templo, à Igreja, porque lá nos encontraremos com Jesus. “Vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1 Pd 2, 5). Se vamos à Igreja domingo, nós a carregamos conosco durante a semana, e assim nos tornamos também um edifício santo e agradável a Deus. Na Igreja, nós encontramos a paz em plenitude.

Outro destaque do Evangelho é a união do casal. Aliás, Maria e José estavam sempre unidos, nas horas difíceis e nas horas alegres: no nascimento de Jesus; na fuga para o Egito, na perda e encontro do menino no Templo…

A família de Nazaré era unida e todos os membros colaboravam, cada um do seu modo. Assim, só podia dar no que deu: uma família que formou três santos. No casamento, o casal faz um juramento diante de Deus, da Igreja e dos familiares; um juramento de permanecerem unidos até o fim da vida.

Quando o profeta Simeão pegou Jesus nos braços, ele disse a Maria: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”.

O mundo tem outros valores e segue outro caminho. Por isso que Jesus foi um sinal de contradição, e a mãe sofreu com ele. Todos os seguidores de Jesus têm a mesma sina: ser um sinal de contradição e ter a espada de dor.

Simeão disse, em sua profecia, que “serão revelados os pensamentos de muitos corações”. Diante de Jesus, caem as máscaras. As pessoas malandras não conseguem esconder suas falcatruas. As maldades aparecem, e os primeiros a sofrerem as consequências são os cristãos.

Muitas vezes, por questões pequenas e sem nenhuma importância, acabamos perdendo a nossa paz e até o estímulo para seguir em frente. Perdemos a amizade de pessoas que por longo tempo estiveram ao nosso lado e afastamos pessoas queridas simplesmente porque não concordamos com situações que, sem esforço, poderiam ser desprezadas. Deixamos que um ato de teimosia, nosso ou de alguém com quem lidamos, interfira em nosso relacionamento, ditando regras de conduta para nossas atitudes.

Que tenhamos como exemplo a Família de Nazaré, que possamos segui-la em tudo, mesmo que nos venham espadas e cruzes. No meio de um mundo de mentira, que vivamos na verdade. No meio de um mundo de violência, que vivamos na paz. No meio de um mundo de tristeza, que vivamos na alegria. No meio de um mundo de egoísmo, que vivamos no amor. No meio de um mundo ganancioso, que pratiquemos a partilha.

Que como Ana, iluminados pela Palavra e pelo Espírito Santo, possamos comunicar a luz de Deus em nossa comunidade, em nossas famílias, em cada encontro, em cada gesto, a cada situação. Como a luz afasta toda escuridão, vamos colaborar para que todo medo, dúvida, injustiça ou conflito sejam esclarecidos e substituídos pela graça e pela paz de Deus. Que possamos como Simeão acreditar: “Eis Jesus, a luz para iluminar as nações e glória do teu povo”.

Um abraço fraterno, e que tenhamos um abençoado dia na graça do Senhor.

Humildemente, seu irmão na Fé, Flávio Eduardo.

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